Cai a tarde escura,
Nuvens que oras chovem,
Oras deixam o sol clarear,
Ruas molhadas e enxutas...
Definitivamente,
Caiu à tarde,
Caiu à tarde!
A noite vai crescendo,
Crescendo,
E o dia...
Já se foi.
Agora,
Jás eterna tarde,,,
Alguém partiu junto.
Cai a tarde escura,
Nuvens que oras chovem,
Oras deixam o sol clarear,
Ruas molhadas e enxutas...
Definitivamente,
Caiu à tarde,
Caiu à tarde!
A noite vai crescendo,
Crescendo,
E o dia...
Já se foi.
Agora,
Jás eterna tarde,,,
Alguém partiu junto.
A madrugada limpa
um espelho d'água,
Repleto de estrelas,
Amanhecia calmamente.
Assim despertou a siriri,
Cantando, cantando e cantando.
Parecia antecipar a chegada do verão,
O termino das chuvas do ano.
Sassá acordou cedo ontem.
Leu, brincou, almoçou, tomou banho.
O levei para a escola.
Depois pegamos ele para ir ao mercado.
Foi ao Timbó.
Lá comprou serpentes de plástico.
Cinco animais.
Estava contente, feliz, satisfeito com seus bichos.
Brincamos juntos.
Depois dormiu, apagou na cama lendo a turma da Mônika.
Escrevi algumas coisas inspirado por Pablo Neruda. Agora nem sei por onde estão, mas sei que estão aqui. Gostava dos livros daquele autor, de suas capas, talvez as imagens das capas me atraísse mais que as palavras e os versos. Nunca mais o li. Descobri que tenho tanta coisa para ler... As vezes a gente se perde nas demandas da vida. Em mim, tenho guardados sentimentos por sua poesia. Queria ser poeta. Talvez almejasse os louros da poesia. Minha vitrine era externa. Minha vitrine estava nas livrarias, nos livros de bolso e no que cabia no meu bolso. Então tive acesso a Neruda, Pessoa e Nietzsche. Marcou a época que fazia meu doutorado. Depois descobri a Borges e tive acesso aos seus livros encantadores. Este me fez escrever e sentir e ser um escritor, mesmo que sem leitor. Por último, estava tão perto de mim, tão em conta e só agora descobri Davi e Salomão. Coisas de uma história humana. O amor as letras... Deveras, esqueci de relatar o primeiro tratado que delinearia minha vida... encontrado num baú antigo... um livro com os pensamento de Gandhi. Estes me marcaram profundamente.
Beija-flores piando,
Garrincha cantando,
Céu cinzento,
Vendo espalmando gotas de neblina.
Sono, cedo.
Uma noite longa,
A mente cheia quer se esvaziar...
Algo não deixa
é a falta de sono...
Que será?
Ao meio dia,
O sol ao pino.
Calor e luz,
Fome!
Paz...
Uma rolinha caldo de feijão cantava.
Uma doce memória pulsou em minha mente.
De um tempo que nunca voltará.
Quando sentia ainda mais o vazio do mundo.
O mundo era desconhecido,
Eu era corpo e vontade.
Bateu uma saudade não do meio dia,
Não do lugar onde nasci...
Uma saudade dos anos 80 ou eram 90...
Saudade daquelas coisas...
Costumamos olhar pra trás,
Porém não é à toa...
É a prova que nem tudo é ruim,
Nem tudo é vazio.
Uma prova que somos pessoas de nossos tempos.
Canta rolinha...
Naquele tempo não fazia sentido,
Seria então seu canto,
Um sentido do sentido de hoje.
Sei lá.
Ame.
Só tenho memória do que vivi.
Memória são espelho do passado vivido e afetado.
Memória se refletem num momento semelhante,
Real ou imaginário.
Somos memórias vestidas de sentimentos.
Somos o acaso,
Na manhã ou no ocaso.
A mudança desperta dúvida,
O desconhecido que é o devir.
Memória é um deveio refletido.
Criada em nosso favor.
Mas...
Deixa pra lá.
Aristotelino meu primeiro professor de ecologia me fez querer ser igual. Foi uma aula magistral.
Quebrando os protocolos e sentando no bureau.
Sem um livro na mão e sem usar o quadro,
Com sotaque carioca deu uma aula magnífica.
Sabia o odum de ponta a ponta.
Faltou sobre entropia.
Uma das três leis da termodinâmica.
Lei que diz que tudo tende ao caos exceto a vida...
Naquele dia por teoria descobri o que já sabia por intuição.
A sala era igual a da escola onde estudei, mas as ideias eram mais amplas e profundas.
Naquela noite, sabia que aquele era o caminho que devia seguir.
Não sei se por acaso ou não me tornei professor...
Foi na aula de campo de Tot que vislumbrei uma direção de conhecimento. Em Equador no Río Grande do Norte vi uma Jurema com o nome científico e pensei será esse meu destino? Saber o nome de todos as plantas?
Hoje é sábado, manhã ensolarado, quase 26 anos depois...
Tomando um pouco de consciência.
Sábado fomos à Bica. Já começamos agosto indo à Bica. Manhã com sol e chuva. Nem estava lá dona Lenita, chegamos já era quase 10 horas. Entramos e fomos passear. Vimos as aves de rapina. Sassá até imitou um gavião asa de telha. A áugia chilena gritou ana gritou. Depois fomos ver os peixes. Fomos ver se víamos bichos nas nascentes que ocorrem na Bica. As vezes vemos jacarés, cágados ou peixes. Bom, mas o que tomou nossa atenção mesmo foi o pavão sansão que estava se exibindo para Dalila. A calda linda aberta, pluriocelar, azul. Fazia um chiado parecia um maracá. Passamos uns dez minutos ali. Rimos, fizemos piadas, brincamos. Depois fomos ver os macacos, a loba oculta mila... E o tempo voou.
Segunda-feira, primeira de agosto,
Já começa assim, nublada, neblinando.
Só a corroira cantando.
As árvores gotejando.
Aquela indisposição!
Querendo cama,
E já no batente.,
Nesta cadeira,
Pronto para iniciar o dia.
Ontem foi o último dia de férias de Sassá. Acordou cedo, virou o apartamento de ponta cabeça. Brincou, gritou, pisou forte no chão, usou a tesoura, pintou as coisas. E brincou comigo. Eu estava com infecção intestinal, por isso enfesado. Nem deu para fazer o que queira, mas tudo bem. Ele saiu com a madrinha a mãe e os meninos da madrinha. Chegou e nem vi. Acabou. Hoje começam as aulas. Amém.
As memórias são de um tempo, de um lugar.
As memórias podem ser impares ou pares.
Estas carregam em si um afeto, uma emoção, uma sensação.
As memórias são partes constituintes de nós.
Memórias externas e internas...
Memórias com dor ou alívio,
Memórias de tristeza ou alegria.
Eis ai o ser.
A gente vive tentando entender a vida.
A gente busca no tempo elementos que deem suporte e sentido a vida.
A gente busca na matéria, substrato para não sucumbir a existência.
A consciência é um peso a existência...
O que é divino, também é amaro e tirânico.
A gente busca entender a vida,
Que ação em vão.
Nada se encontra nisso tudo.
Apenas o tempo...
Ontem, dei banho em Sassá, vimos o livro de imagens de peixes. Depois saímos para caminhar pelas ruas dos Bancários. Já não existe nosso pé de jasmim da casa 46, onde a gente sempre coletava uma flor para cheirar. Pegamos a rua paralela as três ruas. E a conversa estava muito amistosa e boa, pois ele não parava de falar da concha de um molusco marinho de fundo de mar. Andamos muito e ele me perguntava se eu conhecia uma concha de um molusco de fundo de mar.
Nem percebeu que estávamos caminhando tanto. Sim, ele como sempre negociou um picolé, mas estava atento a suas idéias. Novas ideias. Falou em ter uma ideia de organizar uma coleção de conchas. Foi isso mesmo. Disse que teve essa ideia. Achamos uma conchinha e ele coletou. Passou para uma dúvida de qual era a real cor daquela concha, se marrom ou cinza. Chegamos a esquina da Glacaí sorveteria. Eu escolhi um picolé de brigadeiro. Ele provou, provou, mas não gostou e não quis. Disse que estava amargo. Então fomos embora com a intenção de ir ao mercado. Chegamos logo em casa. E nem fomos ao mercado. Jantamos, tomamos banho, jogamos xadrez e um outro jogo lá. Ele estava pleno. Fui dormir. Só lembro dele deitando depois na cama. Então dormimos.
Aquela casinha teve tantas cores.
Nela fui amamentando, balbuciei as primeiras palavras,
Nela percebi o mundo sem palavras,
Tudo era tão absoluto,
Nela descobri o amor, nela descobri meus desejos...
Nela descobri realidade da vida
Via razão...
Nela senti meu coração dilacerado,
Nela, tantas vezes comemoramos juntos.
Nela descobri a realidade da vida via experiência...
O tempo passou...
Casinha e tive que te dar adeus.
Sempre volto e mato sua saudade.
Agora tão longe
Fecho os olhos e posso andar no seu interior.
Somos um só.
Posso ir nos três quartos, usar o banheiro,
Ir a cozinha e a área.
Posso sair fora e ver o céu estrelado...
Somos um só.
O tempo nos distanciam,
E saber que o tempo passa e que
as memórias se apagam...
Apesar de tudo casinha.
Vale a pena,
Só tenho graça,
Pela sombra do sol e da chuva,
Pelo calor retido
O frio cedido...
Casinha compartilho esse momento
Nosso. Só nosso momento.
Meu infante momento.
Porque é bom sem um contigo. Conosco... Amém.
À tarde caia,
A caatinga ia esfriando,
A luz se encerrando no poente,
Saia de casa em direção a mata branca, no poente,
Podia ver a mata nua,
Caminhando
Ouvia os últimos cantos das aves,
Via os ramos intrincados,
A silhueta da mata na frente do sol.
Ali sentia o cheiro do mato, marmeleiro, Jurema, mussambé...
Aos poucos a noite caia,
Uma estrela despontava,
E eu era pura consciência.
Sentir-me natureza.
Cansado contemplava a natureza,
Pensando no passado,
Pensando no futuro.
E quando a noite caia,
Chegava em casa
Cheio de pensamentos,
E todos ali tinham seus pensamentos,
Suas identidades, Seus sonhos.
Pensavam na vida como eu...
E agora só memórias.
Tudo maia, tudo ilusão, tudo deveio e devir.
Agora longe no espaço e no tempo.
No fim da tarde sou pura recordação.
Mais nada.
São tantos momentos num dia.
Tantas coisas acontecem.
Algumas prevemos,
Outras são imprevisíveis;
As previsíveis gosto de regar com a leitura,
As imprevisíveis aceito e reajo.
O sol nasce,
O sol se põe.
A lua nem sempre nasce,
Quando nasce sempre me espanta.
Ontem estava tão bela.
Vi lá na estação de Cabo Branco.
Foi um espetáculo.
De um lado a cidade, do outro o oceano,
Acima a lua,
No meio de tanta beleza...
Minha alma pediu um momento para contemplação.
A vida é tão indescritível...
Cansaço e descanso,
Dor e alívio.
Viver e sentir a vida é uma poesia
Sem palavras,
Meu Deus como pode ser assim.
A morte até nos assusta nestes momentos.
Deixa pra lá...
Este momento é tudo.
Sassá faz novos amigos.
Ontem Sassá conheceu novos amigos. Helena e Caio irmão gêmeos filhos da amiga do papai Laura.
Eles vieram de bem longe. Lá de Foz do Iguaçu. Não interagiram muito porque a diferença de idade é de cinco anos.
Mas estiveram no mesmo lugar, vendo as mesmas coisas, ouvindo as mesmas conversas.
Um dia soará interessante. Quando eles crescerem pode ser que sejam amigos.
Somos amigos dos pais deles. Tudo começou lá no doutorado.
Amizades para a vida inteira.
E com e entre eles. Foi um início interessante.
Quantas vezes fomos felizes mamãe.
Na nossa casa, nada faltava,
A nossa felicidade preenchia tudo.
Agora sinto tanta falta,
Tenho consciência disto.
Resta a casa,
Falta você.
Tudo que existe de ti
Mora em meu peito...
Falta um abraço...
O tempo se encontrou com o vento,
Foi um encontro interessante,
O tempo no vento,
O vento no tempo.
O vento e o tempo com coisas em comum,
O vento e o tempo não podemos ver,
Percebemos seus efeitos.
O tempo e o vento foi nosso invento?
O tempo sentimos internamente,
O vento sentimos externamente,
Espaço e tempo...
Pensei nestes objetos,
Pensei suas qualidades
E senti a eternidade
No tempo e no vento,
Tão presentes em minha existência.
Certo dia, na Salambaia que fica no Cariri paraibano. Acordei cedo e sai para caminhar e fazer fotos. Enquanto caminhava vi e fotografei inúmeras formas vegetais, entrei e sai do mato. A certas horas subi um afloramento, um enorme batólito. No afloramento haviam muitas cactáceas e bromeliáceas. Foi incrível porque encontrei ali uma samambaia que nunca tinha visto pessoalmente um Ophyoglossum, e bem ali. Vi algo extremamente interessante. Após parece mentira, mas não é. Se for foi alucinação. Vi três beija-flores rabo de tesoura se travarem numa briga na soca de um xique-xique. Foi uma briga feroz e barulhenta. Parecia que havia razão ali. Os três bichos se bicavam em meio aos ramos armados dos espinhos. Demorou mas dois deles abriram voando bem alto.
Andando mais para a frente encontrei um teiu se aquecendo. Eu o vi e vi que ele me viu, mas ele me ignorou. Sentei na rocha, posicionei a câmera e fiz algumas fotos. Ele não teve medo de mim. Eu tive medo dele. Bichão daqueles. Pensei em descrever uma conversa, mas não saiu o diálogo. Dai fui embora e ele ficou ali. Ignorou-me completamente.
Sassá foi tomar banho de piscina.
Brincou, pulou e se divertiu com seu amigo Aquiles.
À noite estava morto.
O que, depois que jantou a bateria recarregou e nem vi a hora que foi dormir.
O barro molhado solta um cheiro.
Cheiro de chuva.
O barro molhado tem uma cor,
Preta, alva, vermelha.
O barro queimado vira pedra.
Vira telha, vira louça.
A natureza que transforma,
O homem que trabalha.
O encontro da matéria,
Das ideias...
Numa estrofe.
Não deixarei marcas no mundo,
Basta meus olhos fechar,
Basta o tempo passar,
E tudo será desfeito,
Como a vela que quando se acaba,
Logo a luz se apaga,
Cessa o calor
E um fio de fumaça dissolve tudo.
Todavia essa impressão.
Todavia esse sentimento,
Todavia essas breves estrofes,
Ficarão expressas em palavras...
Vai que uma alma perdida,
Desiludida tome um breve instante
E perca o mesmo ao ler
Essas estrofes.
Vindas do fundo da alma,
Cheias de sentimentos,
Medo, grassa e vontade de não ser totalmente queimado.
Só sobrará o ser assim...
O ser ai se vai o tempo todo...
O velho pé de araçá,
Que cresceu no pé da pinheira,
Tem tantos anos conosco.
Já foram tantos anos de existência,
Já foram tantas flores alvas floridas,
Seu crescimento marcava o tempo,
A gente sempre o mirava nas tardes de descanso.
Agora, julho de 2026,
Tinha sob sua sombra,
Deitados no solo vermelho,
Amarelos e doces araçás.
Muitos docinhos araçás.
Primeiro se encheu de flor
O velho aracazeiro,
Vieram as abelhas,
Visitarem as flores alvas e docemente perfumadas,
Depois nos ramos
Verdades os araçás cresceram
E agora no fim amadureceram...
E se fecha mais um ciclo,
Uma safra,
Um momento no tempo.
E aqui estou por testemunha
Desse grande companheiro
Mais nada
Fomos a Bica no Sábado. Sassá, a mamãe e eu. Foi ótimo. Agora vamos passear, sem muito foco nos bichos e sim, mais no espaço. Prestamos mais atenção aos rapinantes, principalmente nos moradores, duas corujas murucututu. Ficamos ali por um bom espaço de tempo. Fomos a praça do jequitibá, achando que ali havia um novo recinto, mas era um orquidário. Vimos os peixes, a carpa, vimos as aves. Fomos ao recinto da loba Mila que nunca está a vista. Sassá brincou muito no parquinho. Vimos o japu, gatos para todos os lados. Mobdick a siriema cantou para nós pela primeira vez na Bica, estava feliz. Sentia-se em Casa. Fizemos a trilha de lama... Coletei uma pitanga linda e Sassá comeu. Me passou o caroço. Dai fomos para casa. Mais um dia maravilhoso com meu amado filho.
Tudo que vivi reflete vez em quando em minha mente.
A isto chamamos de memórias que levaremos por toda nossa existência.
Quantas manhãs estive com mamãe.
Parecia que sempre estaríamos juntos.
Com a descoberta do mundo, com as vontades.
Vieram as frustrações e a angústia;
Não sem como me lavar de tudo isso.
A existência certos dias parece um peso.
Será físico, químico ou psíquico?
Fica essa dúvida.
E se o silêncio se acendo em nossa mente.
Que bom...
Esse silêncio pode ser criador,
Esse silêncio pode fazer você sair de onde está.
Seja onde for.
É a eterna busca.
É viver.
É uma forma de ser.
Ontem, aproveitei as férias de Sassá e usei um livro sobre dinossauros para explorar as imagens, e as atividades. Sassá rapidamente se interessou, passamos um bom tempo procurando as formas e os nomes dos dinossauros. Depois fomos fazer as atividades. Sassá fez tudo sozinho. Joguinhos bons para a memória, jogo dos sete erros, passar pelo labirinto, encontrar a forma diferente. Consegui me conectar com Sassá. Foi ótimo. Ele está crescendo forte e muito inteligente. Logo as aulas voltarão. Está sendo muito bom as férias, só a mamãe dele que está exausta. risos.
Após abrir o livro brevidade escrito e doado por Lisbeth,
Após lido o poema Penélope,
Ali encontrei na mesma página a oração pai nosso traduzido do aramaico escrita a mão e gentilmente doado por Marlene.
Tudo tão belo...
Senti-me pleno.
A mata satisfeita foi testemunha de minha felicidade...
O nosso encontro ocorreu numa sexta-feira no dia 03 de julho deste 2026.
Foi maravilhoso.
Agradeço a Deus por tudo que tenho vivido.,
Agradeço a Deus por tudo que tenho sentido,
Agradeço a Deus por onde tenho vivido,
E com quem tenho vivido...
Meus avós, meus pais, meus irmãos, minha mulher, meu filho e sobrinho.
Agradeço a Deus pela minha caminhada,
Pelas pedras na estrada,
Pelas sombras no caminho diante deste sol maravilhoso.
Como a mata depois da chuva,
Meu coração está cheio de alegria, de gratidão.
Após um momento de oração,
Uma boa reflexão...
Agradeço pelas pessoas.
Sou grato por tudo.
Em Deus sou tudo.
Obrigado senhor.
Julho, mês de muita chuva.
Em silêncio a mata contempla a beleza da chuva,
A mata silenciosa sente a chuva,
O frescor úmido da chuva,
Solo saturado,
Água límpida se empoça transparente.
A garrincha canta sem parar.
A mata chove também,
São gotas das árvores, dos arbustos e das lianas.
Gotas contando o tempo,
Gotas que esgotam a noite.
Fofos os gatos aquecem um pouco o frio,
Seus olhos dilatados,
Veêm a sombra se desfazer em luz...
A mata tai... Viva.
Fui andar no mato.
Sai calmamente,
Com a câmera na mão, fotografava, fotografava e fotogravava.
Podia sentir a realidade nos cheiros,
Nas formas, nas cores, nas combinações reais,
Sentir o tempo se indo,
Nas folhas que respiravam pelas últimas vezes de suas existências breves.
Pude ver no cardeiro a armadura de espinhos,
Espinhos jovens e velhos.
Não quis seguir em frente.
Seria o sol me impedindo,
Um sentido interno,
Não sei.
Voltei.
As fotos registraram o espaço e o tempo.
E eu...
Me perdi no tempo,
Envolvido entre memórias e realidades.
Assim me sinto...
Assim me senti.
Ontem, sai com Sassá para passear. Fomos conversando. Sassá é muito conversador.
Dai quando chegamos numa das esquinas das três ruas onde tem uma adega.
Vimos cinco jandainhas comendo sementes de pinhão bravo.
Estavam tão de boa que nem se assustaram. Voaram para o fio e continuaram comendo as sementes.
Sassá achou tão lindo.
Aquelas jandaias cara de mamão.
Hoje, após muito tempo conclui a leitura do livro Rápido e devagar, duas maneiras de pensar.
Achei que aprendi muito de psicologia, de formas de pensar, da humanidade do ser humano.
Nem somo o quanto foi proveitoso este livro, ainda mais para mim que sou professor. Um pouco de psicologia pode nos ajudar muito a entender e se relacionar com o outro.
Recomendo.
Tenho olhado para o tempo.
A sensação não é boa.
A sensação e vascular as coisas internas.
A sensação de uma realidade racional,
Com evidências externas.
Que razão pesarosa.
Essa da nossa fragilidade,
Essa de que tudo tem um fim.
Xoooo...
Vai pra lá pensamento.
Tenho coisas para fazer
E assim me esquecer de você.
Ontem me perguntei pelo sentido da vida, após ter visto a foto do meu tio visitando meu primo. Meu tio não pode mais trabalhar. E o que resta de nossa vida se não podemos trabalhar? Como encontrar um novo sentido? Ficou essa lacuna. Resta esperar a morte? Foi um pensamento aterrador. Ele se passou em minha mente. Foi angustiante. Ainda bem que tenho a Jesus. Esse é o sentido.
Sassá foi ao interior. Adorou, conheceu novos amiguinhos Adriele e Chico. Se divertiram muito brincando de esconde esconde. Brincou um pouco com o primo dele Felipe. Conheceu o lajedo do Rosário um lindo mirante. Enriqueceu sua coleção de penas, coletando na casa do sogro de tio Begue. Conheceu a casa do tio Begue na Lagoa Nova. Foi um curto e excelente fim de semana onde foi visitar o tio Begue, tia Susi e primo Felipe.
Tudo mudou,
Tudo muda,
Percebo a mudança.
A ausência se fez presente,
A presença se fez ausência.
Restou o espaço,
O tempo tudo consumiu...
Novas coisas surgiram.
Continuo aqui...
Sinto falta do que mudou.
Resta o sentimento,
Resta a saudade.
O tempo,
Tudo consome
E nada consome.
Ontem,
Hoje,
Amanhã...
Tempo medida de vida.
Tempo medida do espaço.
Tempo.
Tempo medida de afetos,
Tempo medida de ser,
Tempo medida de existência.
Tempo o buraco negro
Que tudo consome...
Nós um simples joguete,
Felizes na ignorância,
Vivemos pleno,
Quando se descobre o óbvio.
O tempo passa a ser a balança de existência.
Há a distância do espaço
E há a distância do tempo,
Ambas revelam um profundo sentimento,
Que não sabemos definir,
Só sentir.
É a saudade separação é o pivô,
Consciência da ausência,
Consciência do eterno desencontro.
Só restam memórias.
E todas as vezes que nos deparamos
Com algo que desperte a saudade!
Ai! Como dói o peito.
Não temos consciência da realidade do agora.
Então...
Saudade...
Sentido externo,
Sentido interno.
E o tempo é o pivô de tudo...
Vamos seguindo a vida com nossos sentimentos.
Achando graça na cruz,
Achando graça em Jesus.
E isso é tudo.
Ontem fomos ao cinema. Sassá adorou entrar no banheiro e encontrar um mictório infantil e pia para criança. Depois entramos entramos na sala para ver Toy story 5. Eram 18:30h, fomos para a sala 4, acentos K11, 12 e 13. Ficou tudo escuro... Seus olhos ficaram vidrados na tela. Emoção do início ao fim. Sala lotada de papais e filhotes. Começa o filme e Sassá fica atento a todo momento. Comprei amendoin e chocolate e água. Praticamente comia sem piscar os olhos. Todos os momentos foram especiais. O filme é excelente. Foram os minutos mais bem pagos de satisfação. Ele saiu muito feliz. Nós também. Foi assim seu quinto filme no cinema?
Será a força da lua,
O fato da chuva cair em julho.
Choveu a manhã inteira de ontem,
Choveu a tardinha e a noite.
A chuva é comum de abril a julho.
Quantas chuvas caíram no tempo que estou aqui?
Por 13 anos venho vivendo aqui.
A chuva não me assusta mais, molha, continua molhando,
Mas depois que consegui um carro,
A chuva não me incomoda.
O que incomoda na chuva é andar sobe sua ação.
A chuva chovendo é tão bela.
A chuva chovendo incomoda,
Quem anda de pés,
Quem tem infiltração em casa,
Quem está no meio da chuva...
Chove chuva.
Adulteci,
Adultecer traz muitos medos em nossas vidas.
Quando se adultece o medo da morte já se encara de frente.
A morte dos avós ficou para trás,
Temos medo da morte dos pais,
E logo mais da nossa morte,
Tememos a morte não por nós,
Mas por nosso filhos.
O medo de está errando é imenso.
Medo de não está fazendo uma boa paternidade,
Medo de não está educando direito,
Medo do rigor...
Temos muito medo quando adultecemos,
Sem contar que as coisas perdem a intensidade,
Doce precisa ser doce de aniversário,
Comida comedida,
Gostamos de coisas amargas como cerveja,
Gostamos de estarmos em casa,
Gostamos da cama...
Adultecer força a gente esquecer nossa infância,
Pois os adultos envelheceram e partiram,
Perdemos aquela identidade,
As casas onde crescemos estão vazias,
Sombrias e frias...
Passamos a ficar brega e gostar do que achávamos brega.
A gente entende as verdades ditas na infância...
Essas coisas.
Agora faz sentido para mim,
Depois que adulteci.
Ontem teve o jogo da copa, Argentina versus Inglaterra.
Sassá estava torcendo para a Argentina. Não falava, porque a Inglaterra estava batendo de 1 x 0.
Mas a gente via e sentia. Sassá torcia por Merci.
Quando saiu o gol.
Ele explodiu em alegria.
Quando saiu o segundo começou a caçoar de nós.
Foi uma festa.
Julho mês do vento,
Poucas chuvas nas manhãs,
Prenúncio do verão.
algumas plantas perdem suas folhas,
Outras mudam suas flores,
Outras florescem,
Outras frutificam.
O vendo coadjuvante só é soprado pelo mar.
O bem-ti-vi embeleza a manhã ventilada
Com seu canto sonoro,
Bem-ti-vi... Viu o verão?
Viu o vento?
Esse observador velho...
Querendo esquecer os problemas de adulto...
Observa a natureza
E por um instante é feliz.
No fundo da mata,
Sob as sombras
E a luz tênue da manhã
Canta a garrincha,
Canta a patativa...
E ecoa na cóclea auricular,
Ecoa no fundo do meu corpo,
Ecoa no fundo da minha alma.
Belo canto diz a minha alma,
Que maravilha de lar,
Cantam felizes
Pelo amanhecer.
No fundo do meu ser,
Quero sentir essa energia,
Essa alegria singela.
Então o vento sopra suave e silencioso
É fria a manhã,
O vento passa arrepiando as árvores,
Os ramos e as folhas.
Sinto até o frio.
Uma tarde ensolarada,
Som de piano,
Composição de Amadeus.
Dúvidas quanto a vida.
Cadê a fé?
Reza um pai nosso e te acalma.
Tudo vai ficar bem.
Sai para passear com Sassá. Era uma linda tarde ensolarada. Ele estava meio indisposto, mas foi, tinha picolé na jogada e apesar disso estava sem disposição. Tenho certeza que foi por conta da tela, pois deixei ele ver um pouco antes de sairmos ao passeio. Foi numa preguiça. Fui segurando sua mão. Adoro isso. Não teve jeito. Sassá queria chegar logo a sorveteria. Várias vezes ele pensou como seria bom morar perto da sorveteria. Já com o sorvete na mão, sentamos. Dai ele olhou para o prédio, apontou e disse bem que poderíamos morar ali. Ri e disse que seria bom porque iria para a escola à pé. Bom voltamos a caminhada, ele pegou um ramo de uma planta e fez uma espada. Assim foi descrevendo as funções daquele ramo. Quase perto de casa ele viu uma planta solta. Sorriu apanhou e perguntou se era uma muda. Afirmei que sim, então disse que iria adotar. Levamos para casa. Ele ficou todo orgulhoso e feliz. Bem ali, naquela calçada havíamos adotado um boldo. Que ainda está lá em casa lindo. E foi essa nossa aventura de ontem nas suas férias.
Sassá e eu saímos para passear.
Estava querendo ficar em casa.
Mas saiu.
Ai fomos conversando sobre manikraft.
E ele se esqueceu do tempo e do espaço.
Fomos perto da sorveteria, me perguntou já perto por que estávamos indo por ali.
Para andar.
E perto da praça do Rapaz disse que não queria ir.
Mas falei para a gente ir por lá porque era mais perto.
Fomos chegando lá ele mudou de ideia.
Foi e brincou na pista de skate.
Depois fomos para casa.
Em casa, tomou banho, jantou e dormiu.
Na rua Enane Vilar Cavalcanti casa 46 havia um pé de jasmim.
Nesta rua, casa 46, havia um pé de jasmim-manga.
Era uma árvore de copa aberta,
Tronco cinzento e seroso.
Folhas serosas e lanceolado-elíptica feito folha de manga,
Estava sempre florido,
Por vezes frutificado,
Suas flores alvas com garganta amarela,
Eram sempre perfumadas.
E desde bebezinho, parava para coletar uma flor e cheirar
E compartilhar com o minha esposa e meu filho,
Depois só com o meu filho.
A estrela de prata alva,
Tantas memórias de tardes de caminhada
Era ali que dávamos os primeiros passos.
Mas o jasmim, jaz na eternidade.
Ficou a casa, o número e a memória,
E esta composição, consta que na rua Ernane Vilar Cavalcante
Entre os anos 80 e 2026 existiu um jasmim.
Não sei quem são seus donos,
Quem plantou aquele jasmim,
Mas quem plantou tinha muitas memórias.
Deveras quem cortou ou mandou cortar aquele jasmim,
Não amava planta, amava quem plantou?
Seria um desconhecido?
Se foi o jasmim.
Parte de mim se vai...
Exceto aqui,
Tantas vezes perdido em minhas ideias, busquei outras e não consumi aquelas.
Tentava me inovar,
Tentava seguir adiante e me perdia e me achava.
Estava vivendo,
Estava aprendendo,
Estava sendo,
Tentando me encontrar
Seguindo os meus pensamentos.
Amei, chorei, errei e aprendi.
Isso é viver.
Estou sendo,
Estou administrando melhor,
Mas ainda sim, aprendendo.
A vida segue o tempo,
A vida tem o espaço por meio
E se escorre pelo veio mais baixo.
Viver é aprender
Até o fim.
Esta casa erguida em cima do alto mirando para o norte carrega em sua existência tanta história.
Está casa foi berço da caçula Aparecida e dela primeiro saiu para a nova vida Neta.
Nesta casa papai quase morreu com congestão.
Esta casa foi dona de um Chevette marrom.
Esta casa já teve tantas cores amarelo, azul, verde...
Já ouviu tantas histórias de seu dono Aldo Batista,
O viu este silenciar da vida.
Foi testemunha do meu primeiro porre quando seu filho Bolinha se casou.
Vi nesse a casa Das Neves contar tantas histórias.
Nesta casa passei chuva, passei sol, dormi a noite...
Estive aí com mamãe e com papai.
Às vezes quando criança aí chegando saia para o oitão ali no quintal olhar o que ali tinha.
A visão é a maior fonte de informação e a curiosidade é o combustível...
Tinha curiosidade de saber como era o oitão de outra casa.
Achava bonito o pé de trapiá, um caixa d'água de cianeto, a palmatória que encurtava o terreiro.
Um dia, mamãe nunca soube, mas sai com Nobe e fui ao poço fundo, tinha tanto menino, e cai no poço quase me afoguei e foi Neto o neto do dono que me salvou. A vida está sempre por um fio.
Foi com a espingarda da dona desta casa que dei meu único tiro erreiro.
Gostava de chegar nesta casa vindo do parieiro, depois de correr do cachorro e do peru de Tio Jussier, mas chegar pelo poente tinha as saudosas aroeiras e cajaraneiras, e o cheiro da cafarana, da bosta de gado molhado são vivos na minha mente... Que revivo toda vez que sinto tais cheiros.
Lembro dos dias quentes nessa área, dos dias frios. Do almoço quente, do café cheiroso, da comida fumaçando, de muito fartura, de uma vez que passei a páscoa... Comi tanto peixe. Casa que presenciei muita fartura.
Essa casa tenha certeza que foi a minha segunda casa. As segundas casas costumam serem dos avós, mas não é o meu caso. No me caso foi está casa. A minha mãe era irmã da dona e o meu pai irmão do dono. Então casa, seus filhos são os meus meios irmãos, não é de fala é de sangue, de corpo e de alma.
Papai era Chico de Aldo... Não Chico de Chico.
Tantas vezes casa se ouviu ribumbar do trovão sob este telhado, coração esperançoso que a chuva viria e quando a telha soava o cheiro de chuva inundava a alma, no escuro o flash do relâmpago pelas frestas da cumeeira fazia-se dia num segundo...
No inverno se ouvia o canto dos sapos e o ronco da cachoeira.
Daí está casa, vigorosa e bem cuidado,
Mas São outros histórias seus atores primeiros saíram de cena.
Meu peito parece que ficou no passado...mas essa é uma versão de nossa história. Nada mais.
Encontrei algo hoje da madrugada que me afetou.
Estou sentindo uma saudade em meu peito.
Não identifiquei o que.
Uma falta de meus pais.
Essa ausência de sua presença física.
Esse sentimento que se sente,
A gente sente... Esse medo de perder,
Essa dor da perda,
A ausência, só nós humanos sofremos assim.
O que é é, o que é foi, o que é será...
Algo permanece ai se renovando em cada ser.
Sentimentos...
Tempo que tudo dissolve.
Entendimento disto...
Nos faz sentir uma dor tão intensa,
Dor emocional...
Transcendental.
Me entende?
O sabiá se calou,
Não é tempo de cantar,
Agora só quem canta é a garrincha.
Aves que cantam de manhã...
Saudade do sabiá,
Quem bom que tem a garrincha,
Se não tivesse, tudo seria silêncio.
A luz do sol começa a imperar.
As nuvens se dispersaram,
Estão sumindo.
Ontem, à tarde, fiquei em extase
Ao ver no céu azul,
Nuvens estriadas...
Tão belas formas abauladas,
Almofadadas...
Essas formas esculpidas pelo ar, pelo vento.
Também é o ar que propaga esse canto agora,
Canto que ouço com contentamento.
Ele dispara saudade,
Mas graça de agradecimento...
Desse desenfreado tempo.
A copa não foi em vão, ensinou a Sassá que alguns países tem seleção.
Torceu e como torceu pela Seleção nossa Brasileira,
Noruega, França, Egito e Argentina.
Ele torcia pelos jogadores.
Sassá aprendeu um pouco de geografia, português...
Vi ele comentando com um garoto na praça da Paz sobre os times que torcia.
Falou do Egito...
A copa deixou nossa casa mais alegre, compramos camisas,
Uma preta e a mamãe comprou uma amarela para ela e outra para o Vinícius.
A gente se divertiu com os Dantas no mangabeira,
Com a gente mesmo em casa e no mangabeira shop.
Vimos jogos da seleção e outros jogos.
Foi bom...
Quem será a campeã.
Tenho um palpite...
França ou Argentina.
Quem será Sassá?
Ontem, Sassá se empenhou bastante. Acordou e quis trabalhar no álbum de figurinhas da copa 2026.
Pediu a mamãe para imprimir e como a mamãe tinha papel adesivo assim o fez.
Então ele recortou e colou todos os quadro dos times favoritos.
Brasil, Noruega, França e Argentina. Acho que a amizade dele é com os jogadores e com o time.
Quer ainda do Egito.
Torceu para o Egito e para o Canadá.
Sassá não entende nada de jogo de futebol, mas pegou o espírito da coisa.
A garrincha canta na mata.
Já ouvi tantas vezes.
Gosto do seu canto.
Assim, me sinto bem.
Seu canto dá uma beleza peculiar
Ao silêncio da mata
Ou seria ao silêncio da manhã.
Também estão ouvindo os gatos.
Mas os gatos não pensam.
Também ouvirão as árvores?
Não sei.
Sei que ao ser clareada
Pelas sombras da luz,
O silêncio é quebrado pelas aves.
As aves conhecem essa mata
E essa mata conhece as aves...
Eu a pouco tempo estou aqui,
E em pouco tempo me irei.
Acredita.
Deixo esse registro...
Ontem, fomos ao centro histórico.
Levei Sassá com seu primo na igreja Nossa Senhora do Carmo,
E pela segunda vez visitou o mosteiro São Francisco.
À noite as visitas foram embora.
Sassá agora está menos eufórico.
As coisas grandes vão acontecendo e a gente nem percebe.
Quando o olhar está para o outro lado.
Ontem, visitei uma igreja secular,
Ali, o tempo virou espaço
E o espaço virou tempo,
Ali o lugar materializado,
Vai sendo lentamente erodido pelo tempo,
Até as pedras mostram desgaste,
A fé está com a tinta velha,
Parece fogo em brasa sob a cinza...
A humanidade, os sentimentos
Nunca deixará a fé morrer.
O espaço parece cansado,
Aquela igreja secular tem cheiro de tempo,
Apesar disto a fé se renova...
Meu filho estava comigo,
Vimos os três arcanjos
São Miguel, São Gabriel e São Rafael,
Nos ajoelhamos, eu rezei.
Ele se ajoelhou.
Foi um dia memorável.
Salve nossa senhora do Carmo,
Salve João Pessoa,
Salve a tarde de julho.
Espero que tenha uma centelha de reflexão.
Se não, siga em paz.
Ontem, fomos a praia.
Sassá pediu uma folha de coqueiro e fez uma arte.
Uma medusa, uma cobra engolindo uma cobra?
Ele sabia que era uma arte, uma representação.
Valorizou o passe,
Sabia que era sua arte.
Nada de papai anunciar.
Meu artista da praia.
Certo dia, ali onde a serra se inclina.
Onde o barro vira pó,
Onde as pedras são cor de vinho.
Sobre aquele barro uma semente caiu.
Era uma semente preta e grande.
Ninguém viu.
Isso se passou no final do inverno.
Por longos meses a semente dormiu ao relento.
Em Dezembro na festa de nossa senhora da Conceição choveu muito.
O povo que vinha do sertão, da serrinha grande passou pertinho da semente e nem viu.
A semente então se inchou e sua casca se rompeu.
Aquele embrião grande com cotilêdones grossos e rosados,
Alimentou aquele ser,
até que ela crescesse.
A planta foi crescendo oculta no verde do mato.
A planta virou árvore,
E o lugar ganhou seu nome.
A planta se chamava pau-de-óleo, mas passou a ser chamada de PODOI...
O Podoi virou um lugar,
Um ponto de encontro.
Todo mundo de Martins que não era da cidade conhecia o Podoi.
Eu que nasci em 79 conhecia muito bem.
Conhecer planta era uma coisa comum.
Todo mundo era agricultor e todo mundo ali naquele lugar sabia o nome das plantas.
Por isso, sabia onde se estava porque o nome do lugar era o nome das plantas.
Bom os leitores, meus leitores, a quem faço referências estão vivos.
Se disser para eles que temos tínhamos em Martins as cajazeiras... vão dizer depois da Água-de-maroca.
Pois bem....
Sob o Podoi, muitas coisas aconteceram.
As pessoas usavam sua sombra para esperar seus companheiros para descer a serra.
Indo para a Pintada, Morcego, Sossego, Serrinha Grande, Serrinha do Canto, Grugeia, Sampaio, Lajes, Boa Vista, Porção, Sítio de Fora...
Todo muno passava por este gargalo. A noite deveria ser assustadora aquela árvore...
Será se prestaram atenção nas suas flores, nas suas sementes?
Contavam que antes as pessoas eram enterradas em redes.
Depois de subida a ladeira paravam ali para descansar...
O podoi viu muita gente sub sua sombra, gente morta em redes fracas.
Gente viva.
O podoi vi as mamães subindo para parir na maternidade e descer com seus bebezinhos.
De dia e a noite, registrava tudo que ali passava.
Vitória de José Fernandes, Manuel Barreto, Marcos Fernandes.
Viu os carros de Serrinha subirem cheio de gente doente.
E nos fins de ano, as pessoas virem ver as festas de fim de ano.
Chinela, pé empoeirado... Papai passou ali, meus tios e tias.
Por ali viu minhas tias e tios indo se casar e voltarem casada.
Ontem crianças, hoje idosas.
O tempo contou também a vida do podoi.
Ele foi morto.
Queimado... sem o mínimo de respeito.
Acabou-se.
Acabou-se.
E esse texto, não tem serventia alguma...
Não terá por falta de materialidade, por falta de testemunho.
Tudo que falei é verdade.
Ninguém vai julgar ser verdade, mas minha família os Teixeira e os Queiroz...
Os troncos familiares, sabem que falo a verdade.
Lugar é um lugar.
Lugar é infinito e eterno.
A história é humana...
E isso é uma gota caída no oceano da história humana.
O tempo não para,
O tempo é implacável.
A gente se ilude buscando nas lembranças uma felicidade.
A gente busca naquilo que passou.
Passou está passado.
De que adianta revirar no passado?
Somos anacrônicos,
Assim é a natureza humana.
Quando voltava a minha casa para visitar meus pais,
Saia em busca de memórias, coisa que não existe mais.
Ia buscar materialidade, ia buscar evidências de minhas memórias
Voltando aos meus lugares primeiros,
Casas velhas de nossos avós.
Com tantas histórias vividas, alegres ou sofridas.
O tempo não cansa e tudo alcança.
Na moto azul, 1997 montava e na garupa papai ia comigo.
Em busca de evidências de um passado perfeito e ideal.
A mente seleciona só o bom...
O lugar não pode opinar.
O lugar é ponto, é gatilho para uma memória.
Papai não gostava de ir a casa na Grugéuia e eu não entendia...
Agora entendo, quando vou a casa paterna e esta parece tão vazia.
Dá aquele nó na garganta...
O que era pequeno de repente fica grande...
Ir a este lugares gera angústia porque temos consciência que o tempo passou sem que a gente percebesse.
O tempo, sentido interno, não tem materialidade só é uma sucessão.
A matéria, parte daquilo que somos formados se consome, feito lenha na fornalha,
Se consome feito vela... E nem percebemos.
A gente é uma cópia daquilo que a gente conviveu,
Porque aprendeu sem perceber a ser como nossos pais foram,
Nossos pais que aprenderam com os nossos avós e com os pais deles...
A gente nem percebe como tudo mudou...
Voltar aquele lugar onde havia vida e trabalho e esperança e não encontrar nada.
É se deparar com a realidade dura da vida.
E nosso cérebro aprendeu a se iludir com a vida...
Será se não é mais feliz aquele que morreu na sua ilusão.
Essa mania de passado,
Vai extratando nos dissecando, exaurindo nossas forças lentamente.
Essa carne que vai amolecendo,
Vai se engordurando, e secando...
Vil realidade.
Calma!
Em algum momento, algum parente meu muito distante
Aprendeu a rezar...
Aprendeu que a fé salva a vida...
Salva a vida do medo da realidade.
Sábios livros de Salomão - Eclesiastes e Provérbios -
Calmos de Davi...
Salve a fé de homens que creram até o fim como Jesus Cristo,
De homens que devotaram a vida a bomdade como Francisco de Assis,
Como Padre Cicero e frei Damião...
Este que a história marcou...
Mas nós a humanidade somos mais que isso...
Nós vamos além disso.
Na fé e na devoção...
Aprendi com mamãe e papai e meus avós, tios, primos e vizinhos.
E os amigos que a vida me deu.
Com o tempo todos vão indo,
E nossos laços se estreitam,
E a gente sente a dor até mesmo de quem nem gostava....
Porque entende que nossa hora está chegando...
Que o tempo é implacável.
Mais nada.
Ontem, fomos a Recife!
Fomos pegar meu sobrinho e minha cunhada para passarem uns dias conosco.
Sassá está radiante. Agora está na fase de amostramento, de interação...
Fomos à tarde, ele dormiu na ida quase toda, o que deu tempo de repor suas energia.
Conversou tanto. Lá até comeu, quis provar de tudo.
Está muito feliz com esse encontro com seu primo Felipe Teixeira.
Está interagindo a sua maneira.
Mostrando seus brinquedos, seus livros, sua alegria.
Amo esse povo.
É isso.
Na capoeira roçada,
Coivara foi queimada,
Após a neblina caída,
Ali canta o tetéu a vida,
Na cama ainda deitado,
Meu coração bate animado,
Com o ronco do trovão,
Meu peito pula de emoção,
E a promessa que há
É que tudo vai mudar,
As cinzas se apagam,
Natureza muda de cor,
Do chão nasce as sementes,
Dos ramos brota a rama,
Das nuvens água se derrama,
O cheiro da chuva aquece a alma...
A promessa da mudança,
Me envolve em esperança
E a vida vai bem mais um dia...
Com a chegada da alegria,
A chuva traz essa sintonia.
Neste mundo,
Neste mundo,
Tão amplo,
Tem meu mundo,
Tem bilhões de mundos,
Uns se convergem,
Outros se divergem.
Foi uma conversão tão grande na copa,
Foi tanta emoção,
Foi tanta diversão.
Quanto tempo não unimos assim.
Todos com o mesmo sentimento,
Agora, tudo se dissolve,
Amargamos juntos,
Sofremos dois gols.
E a alegria se fez em tristeza,
A gente que é velho já sabe como é,
Mas as crianças...
Que bom sabermos que somos uma nação,
Só são sem noção quem a representa no gramado,
Falta de raça e brilho.
Essas coisas que nos comove.
Agora que a copa acabou...
Pra gente não tem campeão.
Será se somos naciocêntricos.
Ontem, fomos ao mangabeira shop para ver o jogo da seleção.
Estava tudo tão lindo enfeitado de balões e bandeiras.
As pessoas vestidas de canarinho.
Algo, me disse para não usar a camisa da seleção.
Minha esposa e Sassá foram de canarinho.
Chegamos e foi aquela festa.
A Praça de alimentação ficou entupida de gente.
Olhares esperançosos, felicidade em cada face.
Sassá todo empolgado, aprendeu a cantar a música...
Dançava e pulava, mas a sorte é que ele não entendo muito.
Quando saiu o primeiro gol ele estava era no celular vendo gibi da turma da mônica.
Assim permaneceu quando saiu o primeiro jogo.
Não estava nem ai.
Depois de tudo, pessoas tristes... A gente amargurado.
Sassá só queria saber de comer picolé ou chocolate.
Voltou pra casa como saiu. Feliz.
Coisa boa a infância.
Pouco tenho a dizer sobre a noite.
Na noite todo gato é pardo.
Uma coruja é ativa,
Os morcegos saem de suas moradas.
As estrelas aparecem.
A lua às vezes se oculta
As vezes se amostra.
À noite as coisas são mais circulares.
À noite, uma face escura se revela.
Essas coisas.
Sexta-feira desperta fria e chuvosa.
A mata molhada faz doer meus ossos.
Minha mente parece saculejar.
Assim inicia o dia.
Após o almoço,
Vou escovar os dentes no banheiro
E vejo através da janela
Do outro lado da rua,
Sobre a caixa d'água do prédio um carcará.
Enorme, de cabeça achatada,
Bico e pernas alaranjadas, pescoço a amarelado,
Asas pretas.
Ali está aquela imperiosa ave.
Sempre sozinhas,
Solitárias aves.
Pensei se não sente solidão aquela ave.
Vejo sempre voando solitárias,
Pousadas sobre os prédios,
Sobre antenas sós.
Não sente solidão o caracará?
Imóvel só o vento acaricia suas penas.
Olhando algo que ignoro.
Caminha elegante dum lado para o outro.
Senti uma solidão...
Senti uma solidão que não existe naquele corpo,
Que não existe naquele ser.
Vi na minha mente,
Os momentos que escureciam e vi aquelas aves só...
Só de pensar,
Senti a solidão do tempo...
Algo me afetou...
Foi o vento frio que soprava que me promoveu essa sensação?
Foi a tarde nublada,
Foi a unidade?
Algo me afeou e o carcará...
Ignorou tudo isso.
Conclusão é coisa de minha mente,
Um sentimento,
Um pensamento...
Que o dissolvo aqui.
Termino com este ponto.
Meu corpo doía quando acordei,
Meu corpo é dono de si,
Só só um passageiro com sentidos e sentimentos.
Apesar disto, do desânimo, da desvontade,
Minha amiga me comunicou que estaria na feira,
Feira onde nos conhecemos.
Sai da minha sala cambalenado feito meu pai idoso.
O vento levava o calor de meu corpo...
Fui, indo na certeza dum bom encontro,
Encontrar a poeta Lisbeth.
Na feira, fui a banca de seu Eduardo,
Cansado falei de minha falta de disposição,
Mas ali encontrei Lis...
Foi energizador.
Fomos tomar um café,
Pedimos beiju e tapioca...
Tragamos nossos cafés,
Entre versos, entre a apresentação de seu livro BREVIDADE.
Marlene apareceu entregando-me uma oração escrita a mão,
Pai-nosso traduzido do aramaico.
Logo houve identificação Lis e Marlene conversaram feito velhas amigas.
Depois trocamos histórias,
Trocamos alegria de viver,
Definição de poesia,
Tudo tão sublime,
Saímos para ver as flores,
Encontramos dois amigos seus Célia e André...
E conversamos tanto...
O tempo se silenciou...
Tivemos que partir.
A amizade ganha mais laços de forças,
Lis a esposa de meu professor de genética.
Professor Paulo Marinho.
Fecho este texto com carinho.
Nada mais.
Caminhando,
Fui sentindo o mundo,
Manhã fresca e úmida,
A cada passo um pensamento,
Formas, cores, cheiros e sons.
O vento soprando,
Fazia as árvores dançar,
Fazia as árvores cantar.
O vento soprando,
Girava em redemoinho,
Entre o corredor de dois prédios.
Meu espirito se conectava ao vendo,
As árvores, ao tempo.
Um rapaz varria as folhas,
Perdido em seus pensamentos,
Só varria,
O rastelo rangia,
O rastelo juntava as folhas,
As folhas molhadas,
Deixavam seu cheiro se espalhar,
Nem dei por nada,
Senti aquele cheiro,
E o vento mais espalhava.
Sexta-feira, manhã chuvosa,
Num inverno julino,
Senti-me tão pequenino.
Senti a brevidade da felicidade,
A brevidade do tempo,
Revelada pela razão,
Pela matemática,
Por versos da poeta Lisbeth Lima.
Mais nada.
Meu criador e soberano
Que me trouxe a esse plano,
E me permite contemplar,
E me ensina a amar,
Tudo que aqui sonhar,
Tudo que aqui enfrentar,
Vivendo sem muita pressa,
O caminhar é o que interessa.
O silêncio,
Ausência de movimento,
Amanhece,
A mata escura se acende,
Ali cantam aves,
Garrinchas e bem-ti-vis.
Abro a porta de vidro,
Corredores e sua profundidade,
As portas das salas cerradas,
A luz branca cansada da noite trabalhada.
Acabo mergulhando nessas ideias
Sempre presentes no meu cotidiano.
Vi o mundo acontecer,
Atores saírem e entrarem em cena.
Vivemos a copa,
Quantos atores novos entram no nosso mundo.
Que novidade há nisso.
Quando tomei consciência do mundo,
As coisas foram acontecendo,
E assim no acontecimento fui me apropriando do mundo.
O espaço e tempo foram essencial,
O Eu autor protagonista do meu mundo.,,
E quantos outros eus.
A descoberta da alteridade.
Tudo parece novo, mas é ilusão.
Cada um com seus hábitos em seus lugares.
Cada um com seus pensamentos.
Vivendo suas vidas...
Julgando serem felizes ou infelizes.
Muitas vezes ignoram o fato de serem...
Ser um ator e autor de suas vidas.
A gente vai descobrindo.
Essas coisas.
Oito piões, duas torres, dois cavalos, dois bispos, um rei e uma dama.
Um quadrado com 64 casas,
Piões andam sempre pra frente,
Torres sempre para frente, para os lados e para trás.
Bispos sempre se deslocam na diagonal.
A dama para todos os lados
Sassá está de férias desde 16 de junho,
Já viajou, curtiu as festas juninas,
Está curtindo os jogos da seleção...
E as férias se prolongará até o dia 30 de julho.
Sem ver os amigos,
Encerrado no apartamento,
Ah! pobrezinho.
A gente fica muito cansado nessa lida.
Férias para os professores.
Trabalho para os pais.
Junho de 2026 se despede e se entrega a julho sob a força da lua cheia com o céu ora claro-prateado ora escuro, nublado e chuvoso. Em intervalos de pancadas de chuva forte intermitente. E o vento se aproveita para soprar o frio e o frio resfria a casa, o piso, as roupas, as camas e os chuveiros. Particularmente estou sentindo muito intenso este ano. Tudo me afeta mais seja o frio ou o calor, a euforia ou a tristeza. Saudades se revelam nestas manhãs juninas e julinas. Uma angusta as vezes me entala. O medo do futuro, a saudade do passado e a fuga do presente... A realidade parece mais intensa. Todavia creio ser as vezes assim... Já que muito de tudo é percepção sem memória.
Viver é maravilhoso.
Vivendo a gente aprende com a experiência.
Vivendo a gente aprende com o raciocínio.
Vivendo a gente tira nossas conclusões.
Somos muitas vezes direcionados pelo nosso entorno.
A nossa percepção é muito mais rápida que o raciocínio.
O gasto de energia com está é menor.
Seu contato é com o objeto direto.
Podemos ou não avançar para uma razão mais potente,
Mas é necessário o desejo.
A vontade de mergulhar neste universo.
Só vivendo há possibilidade.
A mata toda bonita,
Verde e copada,
Nem parece o sertão,
Quando chega o calorão,
As folhas amarelam e murcham.
A gente até esquece esta longa estação.
A mata toda enramada,
Jitirana formando latada,
Fica toda estrelada,
Flores amarelas,
Flores azuis,
Flores rosadas
Flores alvas.
Canta feliz a passarada,
Quando surge a alvorada.
E chega a arribação,
Voa aos montes avisando,
É o fim de uma estação.
A cigarra volta a cantar,
O sol intenso a brilhar,
O calor aumenta,
E a natureza se prepara,
Para adormecer,
A flor seca e vira fruto,
A semente é espalhada,
Cajarana amadurece amarelada,
A gente senta na calçada,
Reza e agradece,
Faz fogueira para são João,
Come milho e pinha,
A gente vira ave,
O leite farto,
Pra molhar o cuzcuz...
Pra comer com canjica...
Eu vejo o tempo eterno...
Vejo que o sertão é sempre assim
E nós somos sempre assim...
Em essência carregamos esperança,
Fé no que é bom,
Em novos invernos,
Em novas floradas,
Em novas colheitas...
Numa vida melhor...
O tempo passa e muitas vezes a gente
Depois que cresce nem agradece,
Nem contempla a florada,
O canto do vento na mata,
O som do riacho correndo para baixo,
A beleza da florada...
É assim, vivendo quase feito passarim.
Sassá pegou uma virose,
Vomitou, teve disenteria.
A mamãe cuidou muito bem dele.
Deu remédio,
Hidratou,
Alimentou.
Dai dormiu bem.
Graças a Deus.
Um dia maravilhoso.
Acordei e orei.
Ouvi as aves cantar.
Levantei e tomei café.
Catei pinha.
Comi pinha madura no pé.
Me despedi dos meus amigos.
Me despedi da mata.
Choveu muito,
Choveu pouco.
Choveu.
Visitei meu tio Itamar.
Visitei a casa de vovô.
Vi que tinha goiaba china.
A noite já chegou.
E o dia se foi.
E junho se vai.
E as festas juninas se vão junto.
Passei na baixa
E lembrei que meu tio não pode mais explorar a baixa
A idade chega e nem vemos.
Um dia eterno.
Nesta manhã cedinha,
O sol nem apareceu,
Após a noite chuvosa
O céu nublado
Alonga a noite.
O galo de campina
Canta em todo lugar e seu canto magistral
É tão belo
É belíssimo.
Os pacuns passam voando e
Grosnando.
Bem-ti-vis cantam e respondem.
Sob a coberta
Ouço tudo, penso e processo,
Minha alma está tão contente neste momento.
Lembro do tempo que não volta mais.
No mesmo lugar que mamãe dormia,
Deito e penso nela.
Mamãe amada.
Logo cedo um canto de ouro cantou na soca
De catolé...
Senti mamãe
Já que muito ela
Admirava seu canto encantado
Naquelas folhas copadas.
Também me veio a mente o que pensei ontem.
Ao fazer fotos das Jitiranas dei por mim
Que cada ano é diferente a beleza das floradas...
Quão passageiros são os dias.
Aqui sempre foi assim belo.
Um dia vim bebê,
Um dia descobri o mundo aqui,
Um dia quis conhecer o mundo fora daqui.
Conheci e hoje
O melhor mundo está aqui.
E a manhã vai crescendo...
Sol brilha dourado.
O mato verde fica amarelado,
As latadas de Jitirana copada
E toda estrelada,
Flores brancas, azuis e rosadas.
Zunido o mundo
As abelhas tralhando...
Nuvens tornam o céu rajado,
O vento refresca
Nós refresca
E fica a saudade.
O rito,
Fogueira feita,
Fogueira acesa.
O forró tocando,
A noite chegou.
Fogos, estouro e cores.
Vizinhos felizes.
O milho cozido,
O milho produzido,
Canjica, pamonha, broa...
Viva o São João!
Viva nossa Senhora.
Anunciação...
E a gente vive
Tudo novamente
Renovando as esperanças...
Revivendo a infância.
O descompasso
Do tempo e da existência.
A infância a inconsciência.
Viva a fogueira,
O fogo e sua luz...
Viva São João.
A bela alvorada
Teve o canto da passarada.
Amanheci feliz.
Tão fresca a manhã.
Tão pleno dia.
Hoje é noite de São João.
Hoje é noite de São João.
A noite mais feliz do ano,
Tem fogueira,
Tem fogos,
Tem comida de milho.
Tem família reunida...
Viva a vida,
Viva a fé,
Viva o amor,
Viva Cristo,
Viva são João...
Cantou o galo de campina,
Cantou a rixinó...
Vivos vivemos contentes
Contando contos,
Contando os dias,
Contando as coisas.
Tchau passado,
Excelente presente.
Hoje a fogueira
Clareara acendendo a imaginação,
De um futuro iminente.
Tudo no peito
Tudo na mente...
Nada mais
Dia 29 de junho de 2026,
Dia de São Pedro,
João Pessoa,
A cidade está concentrada.
Silêncio nas instituições.
Todo mundo ansioso pelo jogo da seleção Brasileira.
Brasil x Japão.
Quem vencerá?
Vai Brasil.
Amanhã estaremos rindo,
Podemos está fora da copa.
É isso.
Ontem, o Brasil jogou com a Seleção Japonesa.
O jogo foi sofrido,
Mas ganhamos de virada de 2 x 1.
Ficamos muito contentes.
Acordei de madrugada,
O silêncio imperava.
Um caburé deu início uma toada,
No escuro este cantava.
O Caburé nem imaginava
Que de longe eu escutava.
Na rede eu deitado,
No ramo ele pousado...
Ele cantava e silenciava,
Eu aqui imaginava...
Eu sabia que ele existia,
Ele por mim não nem sonhava..
A minha existência,
Nossa existência
Num mesmo lugar.
Eu aqui e ele lá.
Ele cantou e eu ouvi.
Cantava para outro escutar,
Cantava pra demarcar,
Cantava para atrair,
Cantava por que existia...
O caburé que foi ovo,
O caburé num ninho gerado,
O caburé que foi cuidado,
O caburé aprendeu a voar,
O caburé aprendeu a caçar,
O caburé aprendeu a cantar na noite.
O caburé conhece a lua, mas não sabe falar lua,
O caburé canta pra lua...
Caburé...
Vim conhecer o caburé a pouco tempo.
Conhecia a palavra caburé.
Ouvia papai dizer que vovó falava olhe o caburé de orelha,
Mas nem dava por ele.
Então um dia o vi
E não sabia quem era.
Sabia que era uma coruja e só.
Seus olhos grandes,
Sua pena rajada,
Seu bico curvado,
Seus dois dedos pra frente e dois para trás.
Um dia ouvi seu canto
E foi aquele espanto,
Pois pra minha surpresa,
Conhecia aquela beleza
Aquele canto
Já ouvira tanto
Mas não sabia de quem era...
Era o caburé
Cantando no tempo
Ecoando em minha mente...
No tempo compassado,
No presente
E no passado.
Memórias da alma.
E nessa madrugada
Ouvi um cantar
Era você caburé...
Eu que fui tantos,
Tonto, voltei a ser quem fui...
No dia que primeiro te ouvi
Caburé.
Hoje 21.06.26
Concluo a leitura do livro do êxodo.
Com 40 capítulos confesso que gostei da história de Moisés bem como a chegada ao Monte Sinai, mas a certa altura perdi muito o interesse, pois o livro passou a explicar como deve proceder o povo de Israel. Foi muito descritivo e objetivo. Foi isso.
Aqui na minha terra natal
Meu corpo é feliz.
Ele entende a natureza,
Pois se sente também natureza.
Aqui não precisa pensar
Ele sente a existência.
Ele entende a natureza
A natureza é sentimento.
Fica encantado pois as aves despertam o dia.
As aves cantam para o sol despertar.
E quando o sol desperta toda a natureza desperta.
O frio e a sombra da noite se dissolvem na luz,
As flores desabrocham sorrindo,
As flores colorem e perfumam as matas,
Os calumbis e as jitiranas e os espinheiros bordam coxas de flores cobrindo a mata... São coxas alvas, azuis, rosadas e amareladas.
O vento quando sopra é frio e perfumado...
Nos roçados o milho seco e marrom é preenchido por fava
De folhas triangulares, e flores alvas,
As jitaranas bordam folhas cordadas...
Sob a cajaraneira doces esferas amareladas exalam um cheiro acredoce tão perfumado...
Na baixa o arroz de verde fica marrom e chia quando o vento passa.
Sanhaçu canta feliz no talo da pinha madura alva como pipoca e doce sem igual.
Aqui minha alma é plena.
Aqui meu corpo é pleno e minha alma é serena.
E entendo que quando tudo está tão lindo e pleno o vento sopra trazendo a mudança,
Abelhas entendem isso pois guardam o mel no favo,
As formigas em seu ninho.
O cururu fica gordinho,
Arribação em nuvens se enxamam
Põe seus ovos e tem filhotes para logo viajar.
A vegetação fica amarelada,
Guarda tudo que produziu no caule e na raiz,
A vida vai se ocultando,
A natureza se transformando...
Eu entendo isso tudo intuitivamente...
A fogueira do são João é uma luz de esperança.
A fogueira do São João e os fogos que explodimos é uma forma de agradecer
E pedir pelo ano que virá.
A fogueira é uma chama que consome a madeira e dela sai a luz e o calor... Contém em se alegria e dor...
Queima fogueira tudo que for de ruim.
Ilumina o que for de bom em mim e queima o que for de ruim.
Um pai nosso e as ave Marias...
O forro, a roupa de chita.
Logo virá provação.
A cinza da fogueira mudará a estação e com a própria essência tingirá com sua essência toda a natureza
Que suportará viva
Até o ano novo, até as novas chuvas e o novo recomeço.
Meu corpo entende tudo isso aqui na minha terra natal e minha alma responde com amém.
À tarde,
Cheguei à minha velha casa.
Senti intensa a saudade no peito.
O céu estava azul com frouxas nuvens.
A rama verde da mata, enfeitando compondo uma face das árvores.
A rama florida da Jitirana com flores rosadas e alvas.
A folha vinho enfeitando os cajueiros...
O silêncio que o tempo impôs.
Sem a voz de vovó, de papai e de mamãe.
O tilinidar dos grilos,
O grasnar do galo de campina.
O chão encontrado.
As vincas alvas e rosas de meu pai,
O jasmim de minha mãe.
O araçá com frutas maduras, doce-amarelado.
Os catolés que transplantei com meu pai.
As palmas do meu pai.
A açucena da minha mãe.
Esse lugar que sempre foi o que é, antes, agora e será depois de mim.
Tomo consciência que sou apenas consciência.
Autoconsciência...
Essa ideia é só minha.
Essa ideia é nossa.
Essa ideia se esfacelará no tempo tomando a proporção de um sonho.
Uma narração onírica...
Paro o texto...
Pausa...
Um anum gritou ao longe... Anum branco.
Pacuns passam voando, vejo no seu grasnido.
Um anum preto canta na rama do poente.
Um pendão de capim parece um fogo de artifício.
A lua crescente está no cimo da casa.
Na cajarana grosna um periquito.
Um bate-estaca aparece tziuu.
Dissolvo tudo apurando
Os sentidos
E me desfaço dos sentimentos negativos.
A vida que segue.
Venha o São João.
Em um instante penso,
Penso no que construo,
Penso no que escrevo,
Penso e escrevo.
Escrevo uma ideia,
Escrevo uma representação
Usando a palavra.
É um momento breve,
De uma composição.
Escrevo o que penso.
E incrivelmente
O que escrevo se cristaliza.
O pensamento se materializa,
Em palavras, frases...
Às vezes é um cristal,
Às vezes é vidro.
Está ali materializado
Em signos,
Estou selecionado,
Estou procurando
Uma forma melhor de cristalizar meus sentimentos...
Estou buscando a medida certa,
Aprender certas artes é trabalhoso
E quanto mais trabalhoso, mais valioso.
Um dia quando me for essas palavras
Continuarão existentes...
Expressarão
Um instante que pensei no futuro,
No passado,
Mas estava no presente.
Só isso.
A tarde caiu agradável,
O céu azul com carneirinhos,
O vento soprando frio.
Até cochilei.
É mês de junho,
As festas juninas,
O milho verde,
A fogueira...
E essas tardes figueiras.
A gente se sente assim... Feliz.
Com os anos idos,
Com o presente...
E o futuro a Deus pertence.
A tarde cai maravilhosa.
O mês é junho, o ano 2026.
O lugar João pessoa.
Ontem à noite,
Estava no shop, onde vi numa quitanda canjica para vender.
Aquela canjica amarelinha com pó perfumado de doce de canela.
Comprei um copinho.
Na primeira colherada minha memória foi longe no tempo.
Senti o gosto da casa paterna,
Deu para ver a nossa cozinha amarela,
Deu para ouvir a nossa voz conversando.
Deu para sentir o gosto da canjica com leite gelado.
A ordem com que comíamos,
Sendo a canjica primeiro
Na sequência a pamonha.
Vivi sensações vividas,
Percebi a distância que separa aquele tempo
No espaço e no tempo.
Percebi que tudo passou,
Cada um sua vida tomou.
Nem imaginava nada disso quando comia canjica
Naquela cozinha de telhas fumegadas,
Só sentia o doce do açúcar,
Só sentia a textura do leite do milho cozido.
Eu achava que aquele tempo era eterno.
Hoje, no alto do futuro e no raso do presente,
No profundo passado.
Uma simples colher de canjica,
Dá chão a quem fui,
E me faz despertar quem eu sou.
Quanto tempo se passou...
Quanto tempo ainda a divindade me dará.
Não importa.
Prova Vinícius, prova meu filho, prova mamãe de Vinicius.
Prova que essa canjica tem história minha
Que quero compartilhar como compartilho a canjica.
A manhã ouca
A manhã cresce com o sol,
E vai se aquecendo,
O verão vai acenando.
O silêncio!
Algo silencia em meu ser.
Ouço sons solitários.
Agora canta uma rolinha,
Canta uma rolinha caldo de feijão.
Uma pombinha tão frágil e bela.
De repente!
Silêncio...
É possível esse silêncio?
A cadeira ringe,
O teclado dedilhado soa.
Mas vem o silêncio...
O silêncio, sentido interno,
O silêncio no tempo,
Não o silêncio no espaço.
Espaço e tempo...
Externo e interno.
Quando chego a universidade
O sol ainda está deitado,
A mata fala nas aves.
Quando saio da universidade
O sol quase se deitando,
A mata fala nos grilos.
A mata é minha amiga,
A mata é minha companheira,
Nossa relação começou quando cheguei aqui.
Retomando,
Sabe!
Não conheço o canto de cada grilos,
Mas conheço o canto de cada ave que aqui canta.
Grilos são desconhecidos,
Aves são mais conhecidas.
A minha relação com a mata é de silêncio,
É de administração,
É de carinho,
É de amizade.
Admiro cada árvore, cada liana, cada arbusto...
Eles sempre estiveram aqui.
E continuarão aqui
Com suas aves e seus grilos...
Com suas flores,
Com suas resistências...
Eu estou aqui só de passagem.
Muita coisa é nova
E muita coisa é eterna...
O que sobra da mata.
Respeito a mata!
Não quem mata a mata.
Aqui do fragmento da biblioteca.
Da curva da sucupira...
Lugar de encontros e desencontros.
Respiro profundamente sinto o corpo,
Sinto a mata, os sons, os cheiros e as formas.
É aqui onde o dia inicia,
É aqui onde onde o dia se finda.
Quando começa é intenso sol e luz e movimento e gente e ação.
Quanto termina se foi o sol é sombra, é estática, é vazio.
E se vai...
À tarde, enquanto anoitecia,
Depois de chover o dia inteiro,
Incrivelmente o céu estava limpo,
O céu era infinito.
Aos poucos se dissolvia toda luz em sombra,
E a lua ia subindo,
Subindo feito balão.
Por um instante,
Contemplei a lua,
Lua crescente,
Tão jovenzinha.
Acima da lua,
Vênus despontava,
A noite anunciava,
Para o poente apontava.
Estava caminhando com meu filho,
Entrertido com um picolé,
Disse que era lua crescente.
De acordo,
Disse que era a posição da luz.
Com cinco anos já conhecera...
Demorei muito a saber das fases da lua.
Mas por muito contemplar,
Por perceber seu olhar,
Aprendi a conhecer a lua.
Sábado, fomos a Bica, Sassá, a mamãe e eu. Ir a Bica é excelente. Sassá foi a Bica recém-nascido. Nós sempre vamos pelo menos uma vez por mês. Pude perceber o contínuo de crescimento e a evolução de Sassá. Na Bica encontramos os papais de primeira viagem desajeitados como fomos. Papais muito cuidadosos, exaustos com a paternidade recente. Papais muito felizes por serem pais. O cuidados dos pais com seus bebês e a Bica é um espaço em que os pais vão para ver se seus filhos cansam e dormem bem a noite. Tudo que os pais mais querem é um pouco de descanso e a Bica promete. Vemos bebês aprendendo a caminhar descobrindo a realidade das esculturas dos jacarés. Bebês observando atentamente os bichos. Meninos já no parquinho correndo e brincando. Meninos curiosos observando as serpentes, a leoa... Sassá passou por todas essas etapas, está tão independente. Conhece todos os recintos e bichos da Bica. Esse tempo logo passará e ele passará a ter outros gostos. Guardaremos felizes as memórias da bica.
No fundo da mata canta uma garrincha.
A manhã nasceu, mas o sol não apareceu.
Está tudo parado, nem uma folha se move.
Então encantada longe, canta a garrincha.
Esse silêncio estático da manhã,
Será o silêncio da mata?
Ela, a mata, está viva.
Sinto, ouço e sei.
Só isso.
Um domingo ensolarado, acordamos e fomos à Praia de Cabo Branco. Íamos sempre! Amamos praia. Num domingo específico. Estávamos na praia. Cavamos um buraco na areia. Estamos plenos. Sol intenso. Céu azul. Então um senhor vinha vindo e parou para nos cumprimentar. Era um poeta. Era um engenheiro poeta. Era José Massena Dantas. Nas mãos tinha vários livros de cordéis. Conversou bastante. Uma conversa interessante. Então me presenteou com um cordel com mote: Só a chuva faz mudar a paisagem do Sertão. Levei o livro pra casa. Folheei, mas não cheguei a ler. Um dia peguei para ler. Então comecei a ler um texto por dia e a pesquisar pelo poeta que o construiu. Acabei descobrindo um universo do meu sertão que não conhecia de fato. O mundo da poesia popular. Conheci inúmeros nomes. Tudo isso Graças ao presente de José Dantas. Leio... paro. Leio. Paro. E vou desvelando esse universo lindo da poesia popular. Já me tornei fã de todos. Obrigado Zé Dantas.
Ontem a noite, fui jogar xadrez com Sassá e tomei dois xeques mates.
Achei interessante suas jogadas.
Quis preservar o cavalo.
Não quis devorar os peões.
Na terceira partida ele perdeu,
Dai acabou o jogo.
No terreno de papai,
Corria um riacho,
Corre, corre, corre riacho.
Água azul leitosa,
De manhã tão friazinha.
O riacho era perfumado
De flores rosas de mimosa,
De flores roxas de mucunã.
Corria para lá para birncar.
Fazia uma parece...
Mexia no barro molhado,
Construía o meu açude.
Via na água leitosa
A beleza mineral.
O silêncio da mata,
Assanhada pelo vento...
Tudo ficou para trás.
Tudo ficou para trás.
O mato fechou tudo.
Mato fechado.
Tudo ficou para trás.
Minha infância,
Meus sonhos,
O leito do riacho está lá.
E na minha mente.
Era tão bom,
Depois me banhar na água,
Ouvir mamãe gritar,
E saia correndo,
Com fome...
Chegava em casa
E comia feijão verde.
E a vida era mais linda do mundo.
Fomos recentemente ao parque das Dunas.
Ir ao parque das Dunas é para mim um ponto importante de minha vida.
A primeira vez que fui foi em 1997, quando nem conhecia nada em Natal.
A professora de Biologia Janildes Amorim nos levou ao bosque dos namorados.
Fiquei encantado, Descobri que o pau-brasil era do mesmo gênero das catingueiras na época.
A diretora era Socorro Borges.
Estava em reforma. Ah! como quis ir morar em Natal.
E fui. Morando em Natal, fui poucas vezes ao Parque das Dunas. Ficava longe de onde moravamos e não tinha muitos ônibus que passassem por lá.
Depois fui lá como aluno de Graduação.
Fui como aluno de mestrado.
E fui como pai. A melhor parte.
Minha esposa e meu filho amam o bosque dos namorados.
Já fomos lá três vezes.
Gosto do ambiente.
Atemporal.
Bom voltar ao mesmo lugar e descobrir algo diferente.
Assim é a forma como as coisas se revelam.
Devagar.
É isso.
Ouvindo o som da rixinó.
Posso sentir o tempo em minha existência.
Tudo começa na nossa casa velha...
Bem menino vi pela primeira vez uma rixinó fazer um ninho.
O ninho ficava na soleira da casa velha vizinha a nossa.
Quantas vezes ela não fez um ninho ali.
Nem mexiámos.
Era um animal sagrado.
Cantava durante todo o inverno.
Depois que seus filhotes cresciam iam embora,
Agora só no próximo inverno...
Foram tantas vezes.
Hoje estou muito distante de casa.
Quando ouço seu canto.
Sinto bem.
Sinto que estou em casa.
Sufi
Sempre que ouvi música sufi.
Algo fez minha alma tremer.
Um som tão puro.
Parece que estou no deserto,
Caminhando na areia fria do deserto,
Sob um céu intensamente estrelado.
O místico se sobrepõe...
Séculos de uma cultura de resistência nos lugares mais secos da terra,
O oriente médio.
Vem a minha mente as 1001 noites,
O livro do gênese,
A matemática,
A filosofia aristotélica...
Borges,
Meu pais que me contou um conto das 1001 noites sem saber.
Adaptou... Nem eu mesmo sabia.
Essas coisas saltam da minha aula
Ao ouvir Sufi...
Nem mesmo sei a definição.
Sinto.
Isso me basta.
A nós Brasileiros o futebol é uma arte, é uma forma de viver, é uma forma de dar sentido a vida, é o motivo para a amistosidade, para uma conversa amiga, mas pode ser também algo totalmente oposto.
A copa nos mostra a unidade do planeta terra. Tem nos ensinado desde muito a grandeza cultural da terra.
Países de todos os continentes em festa numa grande disputa onde o vencedor será aclamado e os demais serão adormecidos por quatro anos.
Ontem, quando unidos com amigos na hora do jogo, bem no início quando cantava o hino do nosso pais.
Fiquei profundamente emocionado. Lágrimas escorreram em minha face, pois lembrei de meu pai. Meu pai não ligava para futebol, mas a copa era especial. Ele torcia pela seleção. Meu pai era demasiadamente brasileiro para deixar passar uma copa. A memória foi nítida... Foi caloroso ouvir todas as pessoas no shop mangabeira cantando.
Celebramos um momento impar em nossas vidas. Meu filho pela primeira vez participou de um jogo e vibrou com amor o gol da seleção.
Em meio a essa panela de pressão de emoções. Vivemos um dia que ficará marcado em nossas vidas.
Que bonito... Naquele momento as pessoas esqueciam suas profissões, suas rixas, suas desavenças, suas paixões e todo mundo era Brasil...
Sair para caminhar,
Sentir o mundo e a vida.
Uma caminhada é algo tão simples,
Mas tão maravilhoso.
Poder ir e vir.
E tudo começa engatinhando...
A gente percebe o esforço que fazemos para caminhar.
Depois aprendemos a caminhar.
E caminhamos a vida toda.
As vezes nem pensamos no que seja o caminhar.
Dar uma boa caminhada é tão gostoso como comer nossa comida favorita.
Um dia, a gente para.
A gente vai sentir saudades de simplesmente caminhar.
Caminhar para perceber o mundo.
Caminhar para ver as coisas,
Caminhar para ver ruas,
Casas, plantas, pessoas,
Ver as aves voando,
Ver os cães e seus donos.
Ver o entardecer,
Ver o céu estrelado...
Caminhar...
Rápido ou devagar.
E por fim relaxar.
Essas coisas.
Amanheceu claro,
O céu azul,
O sol brilhando.
E o sol brilhou intensamente,
Até o meio dia.
Depois os cumulonimbus
Apareceram no poente,
E aos poucos foi tomando o céu.
As quatro horas veio uma chuvinha
E o céu se fechou.
A atmosfera é tão instável.
O dia tem suas distintas variantes.
Como conviver com estas adversidades?
Construa sua casa,
Cuide bem do telhado.
As chuvas vão e voltam sempre.
Os dias e as estações
Seguem um ciclo.
Não seria diferente conosco.
Lembro que fiquei impressionado quando conheci o azougue.
Era criança ainda e ver um material que atraia e era atraído por ferro me impressionou.
Depois o azougue ganhou o nome formal de imã.
Descobri na escola que se tratava de uma propriedade física conhecida como magnetismo.
Interessante como o mundo vai se revelando.
A gente vai reconhecendo o mundo das abastrações,
O mundo da força,
O mundo Conceitual,
Um mundo maior que o mundo físico, mas está dentro deste mundo.
Esse mundo conceitual talvez seja só uma expressão do mundo material.
Ainda hoje me impressiona o magnetismo.
Tenho um magnetismo por este assunto.
E é isso.
Um herbário é uma coleção de exsicatas.
Uma exsicata é uma parte de uma planta herborizada.
Herborização é o processo de prensar e secar partes de uma planta para fazer uma exsicata e compor uma coleção de plantas secas. Temos várias coleções botânicas no Brasil. Eu trabalhei no herbário da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, no herbário do Instituto de botânica, no herbário da Unicamp, no herbário da Embrapa Cenargem e no Herbário da Universidade Federal da Paraíba. Visitei grandes coleções como a do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Instituto de Pesquisa da Amazônia...
Às quartas-feiras venho trabalhando na coleção de Fabáceas do JPB.
Aproveito para ouvir as músicas que gosto, pesquisar e relaxar.
Os armários, as espécies indeterminadas, que vou determinando me fazem pleno.
Satier.
Hegel...
Após as chuvas de maio
Quanto os campos ficam coberto de flores,
Quando o milho secou a palha
E o feijão de corda se enrola
No colmo do milho.
As flores de feijão passam a enfeitar os pés de milho.
É a hora de dobrar o milharal.
É logo nas primeiras chuvas de junho,
Um espetáculo acontece.
Os freijós ficam floridos,
Parecem se cobrirem com um manto alvo divino.
Um manto perfumado e alvo.
Flores estrelas,
Estrelas flores.
Os dias frios floridos,
Os dias frios estrelados de alvo,
A noite o céu é uma coxa negra de algodão,
Estrelada...
A existência é tão plena e infinita.
Chegamos a sentir a eternidade,
Chegamos a sentirmos a divindade.
O espetáculo do freijó.
Nos sítios e nas matas.
Chega parecer poesia.
E a vida expressa que vale a pena ser vivida.
Freijó ou linharé - Cordiaceae - Cordia trichotoma.
O foco
Foco minha mente num instante.
Neste instante prendo me ali
Naquele breve momento.
Prendo me fazendo algo
Consciente.
Sou pleno neste instante.
Filtro tudo,
Sou tudo.
Sou todo eu.
Depois me esqueço.
E me perco na realidade.
A tarde caia deixando a barra acesa por um bom tempo.
Depois o céu limpo, ficava quarado de estrelas.
Mas vênus era a primeira a aparecer,
Selando a união do dia com a noite.
Eu, sem entender do mundo,
Eu, sem entender de mim
Via tudo com tanta ternura...
Contemplava a imensidão do mundo,
Pois diante do firmamento me sentia uma formiga.
O céu pleno, escuro peneirado de estrela.
O céu pleno tingido de estrelas
Vivas estrelas pulsantes.
Tamanha beleza me abraçava,
Sentia a transcendência da minha existência.
Mamãe, Papai e minhas irmãs estavam em casa
Preparando o jantar, tomando banho...
Enquanto a noite dissolvia a luz.
As vacas no pequeno curral cominam
Restos de palha,
Só se ouvia o tilinitar do chocalho.
Só de bermuda, pés empoeirado,
Sandálias velhas...
Sentia a intimidade do mundo.
Mudas as árvores me faziam companhia.
A terra esfriando da luz do dia.
Eu, pleno eu.
Estava seguro.
Me sentia seguro...
Nem pensava em nada.
Só contemplava o anoitecer,
O céu estrelado.
E você?
Sassá fez sua apresentação de São João no sábado passado, 06 de junho, 2026.
Estava lindo, com camisa xadrez, calça com suspensório e chapéu de palha.
A turminha formada por sete pareias.
Fez par com Maitê.
Eles se apresentaram sob a música maravilhosa de Gonzaga a "A feira de caruaru".
Ele treinou na escola. Ouvimos juntos a música várias vezes.
O danadinho gosta de forró, gosta de Luiz Gonzaga.
Se apresentou linda mente pelo terceiro ano seguido. A mãe nem chorou.
É tá crescendo Sassá.
Tá ficando um amadão.
Depois, fizemos fotos.
Ele quis comer maçã do amor.
Foi a primeira vez que comeu. Não gostou muito, pois nem comeu toda.
Comeu pipoca e salgado.
Depois fomos ao mangabeira shop.
Estava muito feliz porque fomos com os filhos do cumpadre,
Então correram muito, comeram, brincaram e viram o jogo.
É isso.
Quero tudo,
Quero tanto,
Porque não mudo,
Porque do espanto.
Mudo.
Contemplo tudo.
E a tudo sacudo,
Deixo tudo num recanto.
Seguir a vida sem pranto.
Ontem, quando a noite caiu.
Ela revelou um outro céu.
Céu limpo e atropurpúreo.
No céu dois corpos celestes,
Dois planetas direcionavam o poente.
Eram Vênus e Júpiter.
Voltei no tempo,
Voltei a serrinha do Canto.
Onde era frequente a contemplação Celeste.
Essa semana vi essa formação mais de uma vez.
E me uni ao divino,
Ao eu, ao universo.
Algo grande revelando minha pequenez,
Algo grande revelando o divino.
Algo que me fez sentir a transcendência da existência.
Dormi feliz.
No universo que existimos
Existe o macro e o micro,
O céu onde o sol aparece e desaparece,
Delimitando o dia e a noite.
Existe o mar repleto de água,
Onde são formadas as chuvas.
Existe a terra por onde caminhamos,
Por onde cultivamos,
Por onde habitamos.
Existe os seres ao nosso redor,
Bactérias que não vemos, mas elas existem.
Existe as células que nos constituem.
Existe algo em mim que se diz um eu.
Onde é o centro do eu?
Onde começa o eu?
No macro ou no micro...
À tarde,
Andando na mata sob o sol e o calor.
O chiado da folha seca.
Árvores com ramos nus e cinzentos.
Na beira do açude
As abelhas e aves matam sua sede.
O zunido do vôo das abelhas.
Aves cantando.
O cheiro da água misturada com barro.
O céu azul e sol ardendo.
As pedras quentes,
Preás espojando nas veredas.
A gente se sente um com a natureza.
Sensação de plenitude.
E o tempo passa.
E o tempo para.
O cancão pia.
O vento sopra assanhando o espelho da água.
Neste instante somos eternos.
É tão bom tudo isso.
Francisca das Chagas Queiroz,
06 de junho de 2026.
Minha prima, filha de Severina (Nina) irmã de papai Francisco.
Ontem encontrou sua mãe e toda a nossa família pretérita.
Descanse em paz prima.
Chove.
O vento frio.
O céu cinzento.
Uma vela acesa.
A pluma amarela dança.
Enquanto dança conta o tempo presente.
Enquanto dança consome o pavio e a cera.
Enquanto dança ilumina com sua luz alaranjada,
Enquanto dança consome a si.
Alumia e aquece o seu entorno.
Vejo a vela.
Sou uma vela.
E penso este pensamento.
Pensar consome o meu tempo.
Pensamento causalidade?
Pensamento é tempo sem espaço.
Pensamento é tempo no tempo.
Pensamento é memória em aquecimento.
A vela dança
A chuva chove.
O pensamento pensa...
Onde está o eu.
Após uma noite de neblina amanheceu.
O céu está cinzento.
Lufadas de vento vêm e vai.
O paralelepípedo da rua empoça água aqui e está seca ali.
No alto do prédio ao lado pombos brancos se peneiram a se coçar.
Flores alvas de jasmim molhadas daitadas na calçada.
As telhas marrons em seus telhados espelham sua face molhada.
A neblina soprada pelo vento volta.
Em suas camas desncasam felizes o mês de junho.
Mês dos namorados, da festa junina e da copa...
Ano de inverno.
Aqui celebro tudo isso com um chá, o silêncio e celebrando o meu ser maior.
As coisas têm dois modos de ser, um material e outro conceitual, ou melhor um modo concreto e outro abstrato.
As coisas são entes ou objetos.
Isso é claro modos de entendimento humano.
Coisas são coisas.
Pelo menos, como percebemos, como concebemos e como conhecemos as coisas... Podem ganhar cálcio e em nosso ser ter diferentes sentidos, condicionantes.
E pensando nisto...
Vou entendendo como nós nos formamos e nos tornamos nós. Nós construímos nosso ser. Partimos da existência para subjetivarmos a essência das coisas.
Fomos a Pirangi visitar o maior cajueiro do mundo.
Já havia ido há muito tempo atrás quando morava aqui em 2005.
Vimos um gigante vivo.
Vimos que cajueiro com um tronco e 133 anos pode transformar um ser num gigante.
Seus ramos serpeteam na vertical se enterrando e se erguendo sustentando milhões de folhas.
Entre outubro e janeiro produz toneladas de frutas.
Aquele cajueiro é uma atração fantástica. Fez a população conhecer um pé caju que a gente chama de cajueiro. Pertence a espécie Anacardium occidentales e é da família Anacardiaceae do grego... "Ana", igual a semelhante "cardium" coração em alusão a forma da fruta. O fruto tecnicamente é a castanha. Que por sinal é muito em minerais como selênio bom para a mente. Andamos entre os ramos coleantes. Vimos a serrapilheira composta por folhas de caju e plântulas de espécies locais.
Tem vendedores oficiais de suco e cajuína, fanta, cajuína São Geraldo de caju; vendedor de artesanato,
De castanha caramelizada.
Tem lugar para fazer uma fotografia.
E por fim um mirante.
Dentro do cajueiro pude voltar a minha infância ao ouvir o vento cantar nos ramos e nas folhas.
Os ramos cinzentos e estriados...
Afloraram o meu passado.
Ao lado do cajueiro tem uma feira de artesanato com gente linda e sorridente.
E assim fechamos o passeio.
Fomos a Natal no mês do são João.
Vimos o aquário da redinha.
Vimos e passamos pela ponte Antenor Navarro.
Vimos o farol de mãe Luiza.
Vimos a via costeira.
Vimos o morro do careca.
Vimos as dunas do parque das dunas.
Vimos a UFRN.
Vimos o museu Camara Cascudo.
Vimos o Hospital universitário Onofre Lopes.
Vimos a maternidade Januário Cique.
Vimos a barreiras do Inferno.
Vimos o maior cajueiro do mundo.
E passamos uma tarde e uma noite
Em família com meu amado e querido amigo
Robério Nascimento e sua família Daniele Marinho, Giovanna e Olívia Marinho.
A tarde fresca e de nuvens de algodão.
Foi perfeito.
É bom demais sentir que a gente tem amigos de verdade.
Voltamos pra casa
Cheio de recordações.
Mamãe e papai do Vinícius.
O chão enxombrado,
A erva amarelando.
Sob o cajueiro
A sombra fria,
Sobre a folha seca
Serpenteia a coral.
Isso foi a tanto tempo atrás.
Que lindo céu de junho,
Céu azul e brancas nuvens
Vento frouxo...
A copa do cajueiro
Canta a cada instante
É o vento
É o tempo.
É São João em natal.
A saudade é um testemunho de que estamos conscientes da nossa fragilidade perante a vida.
Na terra seca das vertentes dorme a vegetação,
O marmeleiro e a catingueira,
O Xique-Xique e o facheiro
Armados da base ao alto.
Bem ali no mufumbo ouço um trinado.
Ouço um corrochiado.
Imediatamente fico encantado.
É o canto de um golinho.
E levarei para sempre em minha alma.
Essa beleza sonora.
Aprendi de imediato o nome deste passarinho.
Seu ser,
Sua forma,
Suas cores,
Seu canto e seu espírito que passou a ser parte de mim.
A noite escureceu na lua nova.
Fiquei com medo das noites escuras.
Coisas da imaginação.
Foi numa noite de lua nova que tudo começou.
Minhas travessuras e as brincadeiras de mamãe.
Lá em casa não tinha energia até os sete anos.
A gente vivia a realidade crua.
A imaginação, a morada no sítio...
Alimentavam minha imaginação.
A primeira vez que fui a ESEC Seridó foi em uma aula com as professoras Elisa e Iracema.
Nem imaginava que seria ali que realizaria um dos melhores trabalhos de minha vida.
Viveria uma das melhores experiência que eu viveria.
Realizaria ali o meu mestrado.
Depois voltaria ali várias vezes. Amei o Seridó de primeira.
Ali convivi com Thais Guedes, Adalberto Varela, Carlos Varela, Zanella e George.
Ali ouvi tanto o carão cantar sem saber que era o carão.
Ali soube de histórias maravilhosas e trágicas.
Ali senti o cheiro das plantas secadas na estufa.
Ali conversei muito comigo nas minhas caminhadas de coleta ao longo das trilhas e fora delas.
Saia antes do sol nascer e voltava ao meio as vezes chegava duas, três horas da tarde.
Vi flores de todas as formas e cores.
Eu me virei.
Deu certo.
Estou aqui...
Mas tem um universo de memórias.
Saudades daquelas paisagens,
Saudades daquelas paragens.
A última vez que voltei, me despedi definitivamente de meu admirado amigo Adalberto Varela. Foi em 2012. Logo mais ele partiria. A última vez que fui lá, me despedi e nunca mais o vi. Silvano Teixeira.
Um dia conto mais.
Hoje, três de junho de 2026 tomei consciência do conceito atenção plena.
Embora sem conhecer a literatura em 2006, no meu mestrado intuitivamente tive consciência que através da atenção plena a capacidade de apreender informação é imensa.
Em 2016, tive novamente ciência da importância da atenção plena para o avanço da ampliação da consciência.
Já havia lido a alguns meses, porém foi hoje que tomei consciência plena.
Vou investigar.
Um poeta de Serrinha Wedson de Caquinho declamou.
Enquanto, dei um cochilo,
Sonhei que estava no nilo,
Percando cada tilápia
Pensando mais de um quilo.
Ontem, o dia de Sassá foi cheio de aprendizagem e exercícios. Foi para a natação bem cedo e aprendeu a fazer o giro em baixo da água. Foram e voltaram caminhando. Sabe lá o que conversam com a mamãe. Ele na maior parte do tempo tenta tirar a mamãe do sério. Sabe exatamente como fazer isso. Idade do personalismo... Queria voltar de uber, mas também queria pão na padaria da esquina. A mamãe deu uma opção o uber ou o pão. Aceitou a segunda. Depois em casa, após a mamãe preparar o almoço ele almoçou, fez a lição e viu um desenho. Quando cheguei, o abracei, o beijei e vi o desenho com ele. Dai saímos para a escola. Ele perguntou se tinha sonhado. Afirmei que sim, que sonhei com uma piton-reticulata falante. Ele falou do sonho com a naja... E tome conversa até a escola. À tarde pequei ele com uma espada de esgrima. Fomos ao mercado e ele convenceu a mãe a ir comprar um pano de espada no timbó. Acabou comprando uma espada do minicraft. Ai. Chagamos em casa. Sassá desenbalou as compras. Depois jantou e fomos brincar. E depois de banhá-lo fomos para cama. Jogamos xadres e por fim me pediu para ler. Li o livro do guido e da sofia, o livro da garota na escola. o livrinho de Peter Pan. Dai li um último sem texto só as imagens. Fui dormir. Abençoei ele. Então antes de sair ele falou para mim. "Divirta-se em seus sonhos".
Cai a tarde escura, Nuvens que oras chovem, Oras deixam o sol clarear, Ruas molhadas e enxutas... Definitivamente, Caiu à tarde, Caiu à tar...