Alinhado com a realidade,
O tempo e o espaço
E os diferentes momentos da vida,
Essa realidade que é causalidade,
É espaço se opondo ao tempo...
Esse desvelar que é viver...
Viver.
Vida!!!
Alinhado com a realidade,
O tempo e o espaço
E os diferentes momentos da vida,
Essa realidade que é causalidade,
É espaço se opondo ao tempo...
Esse desvelar que é viver...
Viver.
Vida!!!
Sassá ontem queria desenhar,
Desenhamos uma remora, um tubarão tigre, um mussuá e um poraquê.
Engraçado,
Queria desenhar o aquário de Natal.
Desenhamos...
Depois jogamos fotebol e ele ficou muito cansado.
Dei banho nele e fomos para a cama.
Dia pleno.
A mente é uma função superior da cognição. Estou pensando nisto. Mente e consciência são funções do nosso cérebro. O cérebro existe antes da mente... O cérebro é o que somos, é uma importante parte do corpo, o ser... Amamos o ser em sua plenitude, nele está nossa história compartilhada... Compartilhando amamos profundamente. Cuidamos de quem cuida de nós de quem nos amam acima de tudo. Ser humano é o único ser capaz de ter sentimento.
Olho através das janelas diáfanas,
O fino vidro separa o interno do externo,
Permitindo contemplação do externo,
Mostrando a mata,
As árvores,
As folhas
E a luz solar,
Diferentes intensidades de brilhos,
Que mudam com o tempo,
Ora frios,
Ora quentes,
Ora intenso,
Ora fraco...
Vejo o movimento dos ramos,
Que movem ao vento...
Estarão espelhando minha alma,
Este esterno.
Nas Rocas ele chegou,
Uma profissão aprendeu,
Cortar cabelo, virou barbeiro,
Trabalhava honestamente,
Trabalhava diariamente,
Com uma jovem do Seridó
Namorou e se casou,
Assim sua vida melhorou,
Sua vida era de casa para a barbearia,
Ali todo mundo o conhecia,
Vieram os filhos foram três,
Uma filha e dois filhos,
Trabalhava para o ensino melhor poder dar,
Eles estudaram,
De vida melhoraram,
Seu Raimundo,
Marido de Dona Irene,
Quando o conheci,
Nem sabia que estava diante de um grande homem,
Hospitaleiro, me recebeu tão bem,
Robério seu filho,
É meu grande amigo,
Desde a época da faculdade,
Fizemos esta amizade.
Seu Raimundo,
Meu amigo,
Trabalhou até quase partir,
Deixou uma família boa e educada,
Melhorou a capital potiguar...
Como muitos que ali foram morar.
Seu Raimundo,
Faz parte do meu mundo,
Das descobertas infinitas
Que tive em Natal,
Símbolo de amizade,
Honestidade e hospitalidade...
Um amigo para sempre.
Os óculos de Gandhi,
Eram para enxergar melhor as palavras,
Eram para suas leituras diárias.
Ainda tem gente que mesmo com óculos não enxerga uma palavra,
Tem gente cega,
Gente analfabeta...
Usar um óculos não garante abrir a mente,
Usar um óculos não revela a abstração,
Não se usa óculos para a mente...
É preciso desejo,
É preciso colaboração,
É preciso mediação.
Usar um óculos ajuda a observar o ente,
Mas não garante ver o objeto.
Gandhi sabia bem disso,
E por isso promoveu a liberdade de seu povo.
Zilar Mamede foi nome li pela primeira vez na entrada da biblioteca central da UFRN. Biblioteca Central Zilar Mamede. Entrei, naquela porta e deixei a mochila num armário. Estava entrando num paraíso, sai olhando as salas, as prateleiras e os inúmeros livros. Com a carteirinha de estudante podia pegar qualquer um livro daqueles e levar para casa por 15 dias. Ali, iniciava minha vida acadêmica. Ali compartilhei com tantos o desejo e o sonho de vencer na vida. Lembro da diretora Rildecir, de Márcio o secretário, de Rita. Lembro que alguns colegas ganhavam bolsa para trabalhar lá.
Criei o hábito de ir semanalmente ali... Aprendi, ali sonhei, ali passei a amar mais ainda os livros. Ia pela manhã, à tarde ou à noite. Eu literalmente morava na universidade na Residência Universitária...
Essa semana vi um poste no Instagram falando de Zilar Mamede uma paraibana. Então bateu aquela saudade.
Minha irmã,
A mais velha me contou que tinha acordado com pânico.
Não falei nada, mas entendo e sei qual é sua fobia.
Solidão, abandono, morte.
Sentimentos que fazem parte da natureza humana.
Também eu já acordei assim.
Quando meus pais eram vivos,
Pensava tanto na morte.
E tudo aconteceu,
E foi tão rápido...
Sinto essas fobias mana.
Deus te abençoe.
Uma ave faz quebrar o silêncio na mata,
Canta um canto breve e me faz fugir dos pensamentos,
Faz surgir um pensamento real.
Penso no desconhecimento deste canto,
Um canto sem encanto,
Conhecido, porém desconhecido,
Que ave é a que canta?
A realidade que acessamos pelas sensações,
Pelos sentidos,
Requer tempo e atenção...
Entorno, matéria ser.
Na existência se acessa a realidade
E o ser filtra e cria a nossa realidade...
Que ave será aquela,
Que sempre quebra o silêncio...
Será que é parte da sinfonia da mata...
Entre as leituras obrigatórias,
Perco-me em minha mente,
O calor, ronco de motores,
Formas das coisas conhecidas,
Desordem de ideias...
Tanta coisa pesa nesta leitura...
A linguagem truncada científica,
O tema novo,
A ingratidão sentida...
Quanto peso por 15 minutos, meia ou uma hora...
Quanta angústia,
O tempo temporando,
O desvelamento constante da vida,
A obrigação quanto a partenidade,
O amo incondicionado...
Concentração tem tempo,
Como encontrar.?
Às vezes a gente nosso self,
A gente sente nossa solidão no mundo.
Nascemos só e morreremos sós.
Porque o Self é unidade.
Uma unidade advinda de uma grande multiplicidade,
A qual chamamos de realidade.
É incrível o quanto pensamos nisto,
O quanto pensamos que somos.
Uns pensam mais
Como poetas e escritores e filósofos,
Mas não desconsidero um só ser humano...
É da nossa natureza
A incompreensão de quem somos,
De onde viemos
E para onde iremos...
Criamos inúmeros coisas para dar sustentação a nossas crenças,
Mas são ideias,
São abstrações,
Acreditamos na materialidade das coisas...
Por isso essa sensação angustiante...
Esse desconhecimento do self.
Ontem, cumpri o acordo com Sassá, desenhamos e jogamos futebol.
Chegamos da escola, regamos as plantas e fomos desenhar as criaturas marinhas. Sim conversamos sobre essas criaturas marinhas sinistras. Mas quando fomos desenhar ele preferiu desenhar uma salamdra Oxalotle do México.
Depois jogou futebol como jogador e time mexicano. Ganhou de 10 x 7.
Depois promessa cumprida tomamos banho e ele ficou a cargos da mãe dele que foram fazer as lições de casa.
Foi isso. Eu dormi.
Quando morava em São Paulo, tinha a estranha mania de decorar nomes de ruas. Virou costume. Algumas das ruas que decorei inconscientemente, ou sei lá foi uma Rua em Campinas chamada de Gilberto Pattaro. Ontem, terça-feira, 15 de setembro de 2026, ao levar meus alunos para a sementeira para aula prática sobre pteridófitas. Percebemos que estava lá fechado e os meninos que cuidam de lá não estavam ali. Então foi falar com Nelson o responsável. Um colega seu chamado de Gentil Lobo me levou a sala onde poderia encontrá-lo, mas ele não estava. Quem me atendeu foi Gilberto Ramos. Na nossa conversa, comentei que usava os nomes conhecidos para decorar novos nomes.. Disse que Ramos era um nome que conhecia várias pessoas da família Ramos e Gilberto. Bem veio a mente o nome de uma rua, Gilberto Pattaro. Sabia que era de Campinas, mas não sabia qual era. Agora, um dia depois fui conferir e aquela rua que não lembrava a posição só o nome. Era que passava todos os dias para ir à Unicamp. Esta rua está junta da moradia Estudantil da Unicamp, rua que vai dar na rotatória, Rua que se alcança a Rua Felizberto Brolezzi... Passei tantas vezes ali. Doces memórias. Que aparentemente surgem do nada. Engano meu, conhecido que conviveu comigo na Unicamp teve um AVC está bem, mas me impactou bastante. Por isso suponho que vieram as memórias de Campinas.
Nas idas e vindas da vida,
Vejo as marcas do tempo.
Vejo as marcas do tempo na minha face,
Vejo as marcas do tempo na minha mente.
São tantas as experiências,
São tantas as vivências...
Emoções, sentimentos para a vida toda.
A amizade cultivada,
O trabalho compartilhado,
O amor pelo outro,
O amor a Deus...
As vezes me sinto pluricentenário,
Mas vou aprendendo,
Desenvolvendo e cultivando novo hábitos...
A hora da cega,
Está chegando,
E me atormenta,
Essa grande fração da humanidade que pulsa em mim.
Nas idas e vindas da vida,
Esperança é o que nos nutre,
A realidade dura nos definha,
Ou é o tempo,
Ou é a biologia.
Esperança,
Perfume para a alma,
As coisas boas vividas,
As coisas boas guardadas...
A sete chaves.
Sassá fez nossa programação para a noite,
Colarmos figurinhas de Minikraft e jogar boa,
Bem nós colamos, organizamos,
E brincamos com os minikrafrts,
Mas o cansaço não me permitiu jogar.
A certo momento eu adormeci na rede,
Levantei para escovar os dentes.
Então ele me perguntou porque não tinha jogado como quem diz você prometeu.
Disse que estava cansado.
Ai ele falou que tinha jogado com a mamãe.
Ai perguntou se ia dormir no quarto,
Afirmei que sim.
Ele ficou muito feliz,
Então fomos deitar.
E tudo ficou bem.
Céu limpo e estrelado,
Uma noite de lua crescente,
Uma manhã fria e seca,
As ervas floridas,
Rostos amigos,
Falas amistosas...
Contemplar tanta beleza,
Um beijo no seu filhinho,
Uma cruz de madeira,
O canto das aves,
O tronco forte das árvores,
A terra seca,
Folhas secas...
Encontrar ai um alento,
Desta vida de desalento.
Numa manhã enquanto varria o terreiro, mamãe ganhou duas mudas de algaroba. Então com uma faca de mesa furou o chão molhado e plantou uma muda ao norte e uma muda ao sul.
As mudas pegaram.
Com os anos foram crescendo e deram uma outra fisionomia a nossa casa.
Por muito tempo tivemos sombra.
Estavam sempre verde. Ali as aves faziam ninhos e cantavam.
Ali sentava com uma cadeira um livro e lia. Por causa das folhas miúdas resolveram cortá-las. E a fisionomia mudou novamente.
Ainda existem os troncos, resistem ao sol intenso no verão e as chuvas no inverno. Em parte me sinto algaroba dada a minha mãe por Deus, plantado por minha mãe... agora que foi arrancado foi mamãe e papai e vivem em mim
Venho descobrindo o mundo olhando através de outro lado. Acredito que seja o lado real onde as coisas são coisas desprovidas de representação.
Coisas que são coisas que nos afetam e impressionam.
Olhar a vida com um olhar desprovido de saber... A isso creio ser a realidade.
A realidade não condicionada.
O que parece simples é muito mais complicado... Nos destronarmos de nossas certezas subjetivas ou objetivas...
Um olhar pueril para um olhar que tente ver o mundo através do olhar do outro.
é um difícil movimento... Muito rico. Essa dialética é desgastante porque puxa nosso ego pela raiz e faz ele se adaptar... por aí.
Hoje dia 13 de setembro,
Completo 13 anos de docência.
no dia 13 de setembro de 2013
assinei meu contrato na reitoria da UFPB.
profissionalmente
foi a minha maior conquista
e uma das maiores conquistas pessoais.
parabéns 🎉
Agradeço a Deus por este sacerdócio,
Nem sempre pleno, mas também bem sempre triste.
Os anos e as práticas vêem me ensinando. A experiência nos trás serenidade e sou muito grato por tudo que vivi até aqui.
Foram experiências doces e amargas,
todavia faz parte do aprendizado.
é isso.
O sol desponta no nascente
E uma coroa de luz tudo alumia,
Ganham formas e cores tudo que lhes toca.
O mundo se mostra e é mostrado.
Da minha rede posso ver,
Da minha rede posso ouvir
O canto de um galo, o corrochiar de um pardal,
Da minha rede sinto o vento frio da noite passada
que ainda corre...
Um cão ladra na outra rua,
e ganha eco no vazio desta,
pois a rua dorme,
Despertas as plantas florescem,
As aves cantam...
Na minha rede de algodão enrolado na coberta feita lá no sertão
Minha alma se regozija.
Este momento é meu, sou feliz,
estou pleno.
sou atemporal...
Mamãe, papai, nossa casa está aqui nesta rede,
está aqui nesta coberta,
está aqui na manhã de sábado,
está aqui nas aves despertas...
Hum, minha fome me pede café com leite e bolacha seca...
O grito da Maracanã faz intuir que estou em João Pessoa.
A parte isto... sei que sou eu, sempre fui eu com minha forma de ser e existir uma cola bem intensa...
Forjada neste mundo de coisas simples, mas maravilhosas pela simplicidade.
Os músculos de um corpo cansado,
Idoso corpo,
As forças se foram,
Agora só se sente o frio.
Agora só resta o cansaço,
A casa ficou grande e vazia,
A casa é toda fria.
Na casa se ouve o som arrastado,
Que se dará no fim.
Um bocejo,
Cérebro sem exercício,
Uma conversa,
Desilusão,
Realidade...
A vida crua,
Se revela por inteiro
Ao chegar ao seu fim.
Gritos na mata,
Gritos das curica,
Está na mumguba,
Está na sucupira,
Está no pau-sangue,
Grita,
Como quem chama alguma coisa,
Será o sol,
Será a manhã,
Ou será ganas de gritar.
Na mata do campus,
Na mata do povo,
Canta como sempre cantou...
Manhãs afins...
Será se só me pus a ouvir quando conheci?
Sassá ama futebol. Olhe o que fez a copa 2026. Está interessando no jogo, nos jogadores e nos times. Ontem estava pedindo para a mamãe dele imprimir camisas, e poses. Pensei em trabalhar o reconhecimento dos números acima de dez. Disse para a mãe imprimir camisas e colocar ele para ler o número. Ela melhorou a ideia imprimiu camisas e números para ele colocar. Ai surgiu um problema que ele queria saber quem era o jogador referente aquele time. Cheguei em casa par almoçar e ele estava com as folhas com as camisas, então fomos pesquisar de quem eram aquelas camisas.... Foi divertido.
Há um mundo,
Fora de mim,
Dentro de mim,
Um mundo objetivo,
Um mundo subjetivo,
Um mundo que permite minhas experiências,
Esse mundo externo,
Um mundo construído com minhas experiências,
Mundo interno,
Mundo do espaço,
Mundo do tempo,
Mundo real,
Mundo ideal,
Como as pás do moinho sempre girando,
Há um mundo só,
O resto é puro desejo de ser.
Na curva da sucupira,
O sol nasce primeiro,
Um dia aquela sucupira
Aquela sucupira nasceu,
E levaram anos para era crescer,
Anos se passaram até nosso encontro,
Nosso primeiro encontro,
Nem me recordo,
No primeiro dia que aqui pus meus pés
Estava ela lá crescendo,
Vendo o sol nascer primeiro,
Agora muitas vezes
Os papagauios cuicas
Vem nela gritar,
Gritam alto,
Gritam como quem anunciam algo,
Anunciam o sol...
Venho reparando isso a pouco tempo.
Será a relação da cuica com a sucupira
Mais antiga que a minha com ela?
Não sei...
A sucupira idosa,
Tem seus ramos cansados,
Mas ali está,
Forjada em madeira de ferro...
Através dos anos no mesmo espaço...
Nada restará em certo tempo.
Quem foi sua mãe?
Só sei que é minha amiga.
Nada mais.
Como poderão ver o que vi,
Senti o que senti,
Em outro espaço,
Em outro tempo?
Como poderei está no aqui e agora,
Se olho pela lente de uma mente,
Se olho memórias.
Um dia fará falta o tempo,
Um dia fará falta a concentração,
A atenção na realidade...
Que o amor nos inflame,
Que a fé nos inflame,
Que o desejo de igualdade nos inflame,
Que sejamos fortes
E resistamos nossos desejos.
Ficamos reféns quando exercemos nossos desejos.
Nos livremos do ego.
Pronto, ponto.
Em meio as baixas de capim,
Conservavam o verde.
Costumava olhar a baixa de campim
De João de Janoca,
Sempre verde,
Um pedaço do inverno
No ano todo.
Olhava para aquele verde,
Achava tão lindo,
Parecia que ali havia um reino mágico.
Talvez animais fantásticos.
Havia um veio de água,
Revença do açude do Alívio...
Deveras o verde era um alívio a vista,
Da cinza que tudo dominava,
Ou era o sol com toda sua energia,
Ou era o calor,
Ou era a falta de água.
A baixa me dava esperança.
O tempo hoje seria minha baixa?
Na madrugada,
Ouvi vários cantos de galos,
Estava escuro...
Galos cantam na madrugada,
Mas em setembro,
O mundo parece mais nítido.
Despertei satisfeito.
Algo em mim me fez sentir bem,
Memórias da casa paterna,
Sensação de bem está do agora?
No alpendre, a sombra e o vento refrescam o calor intenso. Sentado na cadeira, José pensa na vida. Fez as atividades da manhã, acordou de madrugada, fez o café, pegou o burro no paieiro, colocou a cangaia e as ancoretas, pegou uma carga dágua de beber. Deu milho as galinhas. Ligou o rádio para ouvir uma voz humana, uma voz conhecida do locutor Artur de Moneiteiro, ouviu cantoria de Eliseu Ventania. O tempo passou e agora estava ali, olhava a parede de tijolo, as duas colunas, as telhas velhas. Olhara para o pé, precisava aparar as unhas. Tirou um cochilo e não acordou mais.
Setembro chegou,
No sertão a mata perdeu a folha,
Os campos ficam abertos,
O pasto se acabando,
A água escaceando,
As rolinhas capoeira e branca
Fazem seus ninhos entre a mata pranca,
Mata nua,
Caatinga...
Voam rolinhas cinzentas,
Cantam rolinhas cinzentas...
O sertão fica tão lindo seco,
As noites mais estreladas,
As belas noites infinitas
Com incontáveis estrelas...
Mesmo adulto,
O mistério divino continua.
E a beleza,
A beleza daquele lugar,
Ecoa no meu peito,
Que quer voltar...
Ontem Sassá cortou o cabelo, acho que é a sétima vez, não quis mais deixar a juba crescer. Cortou o mesmo corte de jogador. Está muito lindo. O cabelo está mais escuro e o fio mais grosso. Chegou na escola ganhando elogios. Então a noite estava todo feliz. Meu menino está crescendo. Está lendo, contando e somando. Seu pé já está maior que minha mão. Está cheio de saberes e vontades. Gosta de Carros da Hotwheels, xadrez, chocolate... Cada dia fica mais seguro de si. Suas fazes ele decidiu. Deixamos bem a vontade, até que ele se sinta seguro, foi assim para andar, para deixar de mamar, para desfraldar, para ir a escola, para ter cabelo grande e agora cabelo curto... ufa! Como passa rápido.
Um dia despertei do sono eterno,
acho que era inverno,
acho que estava com minha mãe,
vi a coisa mais linda,
tinha cor de violeta,
ou era roxa,
eu não sabia,
não conhecia está cor,
tinha amarelo,
tinha um perfume
doce, não sabia que era doce,
mas me agradava,
tinha bichos grandes voando
no entorno das varas com flores,
mamãe disse que eram mangangá,
pediu para tomar cuidado,
acho que tomei,
mas fiquei encantado,
podia comer?
O sol brilhava intenso num céu azul,
A sexta-feira estava perfeita,
Em frente a biblioteca central,
o bosque de pau-brasil floria,
notei pelas flores deitadas sob a copa das árvores
e logo senti o perfume de suas flores,
um aroma doce e intenso,
acho tão delicioso...
foi aqui que conheci este perfume...
perfume da planta que deu nome a nossa terra,
que deu nome a este bosque.
que vou levar pra toda vida.
A alma é nossa essência,
A alma é nossos sentimentos,
nossa emoção,
nossa razão,
nossa consciência,
nossa autoconsciência...
nossas memórias,
nossas experiências...
não tem como delimitar a alma,
definir...
alma é a ideia de corpo como afirmava Spinosa.
Uma coisa é certa
alma não é matéria ou é?
mas a alma precisa da matéria para existir...
Ser aí, existência,
Ser assim, essência...
Alma está nesta última categoria.
Devir e deveio
A alma é a união destes dois momentos...
Alma uma função superior da mente...
A alma une o tempo e existe num corpo portanto num tempo.
A causalidade que une espaço e tempo...
tem inicio e fim.
e a alma um momento ascende a experiência, ascendente a existência....
É tarde,
A manhã voou,
Sala de aula,
Seleção de materiais,
Exposição de partes das plantas,
Explicação,
Ciclo de vida!
Homosporia,
Heterosporia!
Á manhã voou.
Agora a tarde,
O céu está azul,
O vento sopra fresco.
Olho pela janela
Vejo uma ixora
Folhas verdes e brilhosas,
Flores vermelhas e brilhosas...
Vermelho esmalte,
Vermelho batom.
Vermelho coccineo.
Encarnado.
Vi o sol num lugar diferente,
Vi uma outra mata,
Vi outras igrejas,
Vi outras casas.
Conversei tanta coisa.
Vi um novo espaço,
Senti um novo espaço,
Vi uma fração de suas história,
Tanta coisa interessante.
Foi de longe,
Foi de perto,
Mas deu pra perceber,
Conheci o que conhecia de ouvido...
Através das histórias...
Bananeiras na Paraiba,
O brejo paraibano...
Foi tanto,
Ficou um gostinho de quero mais.
Um dia olharei para estas frases
com saudades talvez.
Olharei para esta composição,
Uma moldura com o tempo dentro,
Uma moldura com signos.
Um reflexo da causalidade,
Espaço, tempo, pensamento e ação.
Então, estamos no fim de um dia,
Estamos numa sexta-feira não é fim de semana ainda,
Não é segunda.
É sexta-feira,
Setembro de 2026.
Fim.
Sassá, na ida para escola, falamos sobre o dia da semana. E ele expressou que queria que fosse sábado. Perguntei o porquê? E então me respondeu com um para a gente poder brincar mais. Eu que já estava com remorso por está cansado a noite e não ter forças para brincar, fiquei com remorso. Bom, estou ciente disso, assim vou buscar melhorar esse hábito.
Setembro chegou
E junto com o mês,
Vieram as floradas das anacardiáceas,
Cajueiros e mangueiras e cajás,
Árvores tão grandes
De flores tão pequenas,
Flores tão perfumadas,
Flores por abelhas polinizadas,
O cheiro anuncia um banquete de néctar,
A gente fica feliz,
As mangueiras parecem ressucitar,
Já já é a época da manga,
Doce manga,
Amarela manga,
Manga espada,
Manguita...
Setembro é quente,
Mas é doce.
Na avenida do contorno, dois cães seguiam marchando, feito dois amigos.
Iam em direção a mata ao viaduto dos bancários.
Brancos com detalhes pretos.
Seguiam pareados.
Lembrei da amizade,
Lembrei da parceria.
Chuva em setembro,
Que imprevisível...
Como esperar chuva em setembro,
Chão molhado,
Neomáricas floridas,
A mata cheia de frutos,
Cheia de sâmaras...
E a erva verde nos jardins,
Da chuva em setembro.
Estranho,
Átipico.
Sábado fim de agosto foi fantástico.
Após o almoço, Sassá desembainhou a soletrar as palavras.
Tudo quanto era palavra ele soletrava.
Brincamos tanto. Ganhou um picolé.
Foi maravilhoso.
Já sabe somar,
Já sabe soletrar...
Com cinco anos.
Eu entrei na escola com seis anos, em 1986...
Lá em casa não tinha livros, revistas... nem televisão...
Só um motorádio amarelo.
E as palavras dos irmãos e adultos.
Sassá sabe soletrar e somar...
Sabe tanta coisa.
Amém.
No campus onde trabalho,
Tem enormes árvores,
Eu trabalho na Universidade,
As árvores são sucupiras.
Chego muito cedo,
Paro o carro e penso.
Gosto de chegar cedo,
Penso na vida por ser invadido por pensamentos metafísicos.
Queria eu ser uma sucupira
E não pensar em nada.
Só ser
E crescer,
E mudar de folhas,
E florescer,
E frutificar
E ser...
As vezes penso ser uma sucupira...
Não seria metafísico.
É abstrato...
Adversidades todos vivemos...
É a vida.
Então chego e vou bebendo com os olhos
A beleza do campus,
Sozinho
Com meus pensamentos...
A natureza é a natureza
E o eco em minha mente,
Repete ideias,
Conceitos...
Tento me afirmar,
Essa autoconsciência...
Esse tal de Self...
É.
No silêncio da madrugada,
Infinito é o tempo,
Minha mente cavalga o vento,
Segue em frente,
Volta atrás,
Tudo sente...
E o sono
Que sumiu volta lento...
Mas aí, a vida manda levantar
Pro novo dia começar.
Como queria voltar ao passado,
Ver minha vida antiga,
Voltar a minha casa e encontrar mamãe e papai,
Ocupando os vãos daquela casa, habitando alí.
Naquele tempo sabia, mas não imaginava um hoje.
Que vontade de abraçar meus pais
Ontem Sassá fez as atividades e pediu para a mamãe um aniversário de tema Truks da hotwheels. Pediu um carro. Conversamos sobre isso. Sassá está voltado para a aventura. E no desenho que viu mostra muito isso. Foi falando sobre isso de casa até na escola. Dormi, mais cedo e nem pude acompanhá-lo. O tempo está encurtando e meu cansaço me impede de dividir mais momentos juntos.
Água escorrendo no riacho,
O coachar de um sapo,
A mata gotejando,
A chuva findada,
Terra molhada...
Marcas da alegria em meu peito...
Havia uma sensação de mistério em tudo isso...
Uma flor rosa perfumada de um cipó,
Que crescia na numa barreira,
Flores brancas de arbusto,
O vento carregando seu incenso
Mundo a hora...
Guardado ficou em minha memória...
Tudo ficou pra trás.
O tempo levou junto,
São memórias,
Minhas doces ilusões.
Até parece um sonho que minha mãe se encantou.
Minha mãe, minha nossa senhora...
Há dias que a saudade me consome
E nem sei o que fazer ou como agir.
Sinto falta de seus conselhos, da sua amizade, da sua proteção,
Sinto falta do seu amor...
Tenho que carregar essa dor até o fim de meus dias.
Assim é.
No meu jardim plantei uma colônia,
Ela pegou e cresceu,
Formou uma linda fuste,
Suas inflorescências são vináceas,
Suas flores são alvas.
No inverno fica de boa,
Mas no verão requer mais atenção,
Todo dia tem que ser regada,
Caso falte água,
Tem as folhas amareladas...
Atenção ao meu jardim,
A minha colônia,
A minha alma,
Plenitude no espaço e no tempo,
Determinados aquis e agoras.
Na poesia a realidade é moldada,
Na poesia uma mente é concentrada,
Na poesia uma chave é encontrada,
Na poesia uma fechadura é aberta pela chave,
A poesia decanta os pensamentos,
Nela se busca harmonia,
Nela se encontra um sentido,
Nela se realiza a abstração plena da realidade,
Metáforas...
A gente não entende
Ou a gente entende.
A realidade de forma sensitiva.
Ontem Sassá ao chegar da escola pegou o lego e foi pra cima da cama, espalhou as peças e se concentrou profundamente, por mais de uma hora ficou ali montando as peças. Estava concentrado, nem quis ajudar ou atrapalhar, deitei do lado e fui fazer minhas lições de duolingo. Ajudava quando ele pedia para unir ou separar alguma peça. No final ele montou uma nave e um flamingo. Foi um bom momento de paz. Depois foi jantar, fazer a lição, tomar banho e deitar, para fechar foi ler a revistinha da Monika. Achei muito lindo aquela concentração.
Encanta-me o canto das aves,
Encanta-me a forma das aves,
Encanta-me as cores das aves,
Encanta-me o comportamento das aves,
Encanta-me o hábito das aves,
As aves em seus habitates...
Um dia fui pequeno,
E despertei para as belezas grandes da existência,
As aves me encantaram,
Com sua plenitude?
Com sua beleza?
Elas estavam ali,
Eu estava ali,
Eu conheci o cajueiro,
O cabeça-vermelho fez um ninho no cajueiro,
Ele morava no cajueiro,
Eu morava ao lado do cajueiro...
Compartilhávamos o mesmo espaço e tempo.
Causalidades,
Causalidades,
Causalidades...
E esse amor pelas aves só cresceu em mim.
O silêncio,
Uma pausa para a reflexão,
Metafísica...
Coisas além da explicação,
Coisas além da percepção.
O infinito,
O bonito...
A natureza,
A história...
O que é a glória...
Nesse mundo de imanência,
Há também a transcendência...
Substantivos abstratos,
Sentimentos
E o feixe do conhecimento...
Coisas do racional,
Coisas da humanidade...
Afinal o que é a metafísica que tanto há em nós?
Deus pode ser sentido!
Deus pode ser visto,
Deus pode ser ouvido,
Deus!
Estava almoçando,
Ouvia uma rádio Inglesa,
Então começou a tocar a música
Interestelar
de Hans Zimmer...
Senti algo maravilhoso,
A sensação de plenitude...
Algo muito catártico e profundo.
Seria Deus falando comigo?
Será se todas as vezes que me emociono não é Deus
Tocando minha alma?
Fiquei querendo repetir
Aquela música infinitas vezes...
Senti uma presença Divina...
Olhei o jardim,
Precisava de água,
Vi que haviam plantas novas ali.
Vi a terra,
Vi as plantas,
Vi as formas nas partes das plantas,
Vi o que podia enxergar,
Entendi o que podia entender.
Fiquei ali por um bom tempo...
Senti paz,
Senti aconchego,
Senti esperança,
Senti segurança.
Cuidei do meu jardim,
Mesmo sem flores,
As flores brotam no momento certo.
A beleza está no todo,
Não apenas nas partes.
Fomos a Bica no sábado, foi realmente surpreendente. Primeiro ele tomou um caldo-de-cana com uma coxinha. Depois no passeio quem estava a vista era a loba-guará Mila. Podemos contemplá-la por um bom tempo. Depois fomos ver as serpentes e na saída, do serpentário havia um treinamento dos bombeiros no manejo com serpentes. Dai o Rodrigo perguntou se Sassá não queria tocar na serpente que estavam menusenado. Era uma cobra de milho e lógico que ele foi lá e tocou na serpente. Já estava querendo ir embora então encontramos com nossos amigos Alessandre e Isabela sua filha. Foi uma festa, Sassá saiu amostrando tudo para a Isabela... o guaxinin, os macacos, o jacaré, as tartarugas, os macacos galegos... Fizemos a trilha..., Sassá pisou na lama e eu lavei o pé dele no riacho. Comeram doce de catavento. E correram muito, tiraram muitas fotos. Viram uma galinha morta na volta pela estrada do dinossauro. E deu 12:30h nem percebemos. O sábado fluiu.
Eu amanhecia,
Queria ver o novo dia,
O chão molhado da chuva,
O cheiro da terra encharcada,
O canto da passarada.
Ali tudo mudava num instante,
Parecia um grande milagre,
Tanajuras a voar,
Formigas ativas.
O tempo ficava fresco.
O mundo sorria,
A esperança ganhava força em meu peito
Eu pensava,
Não eu sentia
Agora tudo vai melhorar.
Quando a coisa chega ao extremo
Qualquer coisa dá uma sensação de alívio.
A chuva fazia isso,
Castigava a seca,
Botava moral,
Era só uma chuva,
Mas a gente sentia a mudança.
Aliás, lá em casa tinha uma bica de frande que unia as duas casas,
Quando ouvia o primeiro, o segundo e o terceiro pingos de chuva,
Logo sentia o cheiro da chuva,
A terra sedenta,
Agradecia aromatizando o mundo...
Na cama, acordado,
Sentia que todos
Percebiam o mesmo que eu...
Ouvia mamãe dizendo sei lá o que para meu pai,
Meu coração sentia que estava tudo bem.
Porque o mundo é assim, bom.
Tem horas pra tudo...
Foi tão bom viver a vida na casa dos meus pais,
Dividir a vida com meus irmãos...
A gente aprende tanto da vida.
A gente divide as coisas boas e ruins...
A gente brinca, briga e faz as pazes porque a gente sabe que é uma família.
E o rei era papai e a rainha mamãe...
Naquele reino criei a minha imaginação...
E quando a chuva chovia de noite...
O outro dia seria perfeito.
Gurdo essa sensação comigo até hoje.
À tarde sumiu,
A luz se dissolveu na eternidade deste dia.
Foram doze horas de luz,
Doze horas de vigília...
Doze horas de vida...
Doze horas vividas,
Que agora se acabaram...
Se desfizeram.
Agora a noite
Esfria tudo,
A noite oculta tudo.
O espaço está ai,
O tempo está ai...
A vida imersa na causalidade,
Desde o nascimento até a morte...
Algo no meu corpo se faz,
Um eu...
Memórias.
Ontem, imprimi um esboço do livro de Sassá. Organizei em powerpoint e pedi para imprimir e encadernar. Não consigo expressar a felicidade que ele ficou de ver seu material impresso. Comecei a ler e mostrar as coisas, mas ele queria já produzir materiais para um próximo livro. Desenhou uma formiga de roça e um crocodilo, numa rapidez... Pedi para ele pintar melhor, dei ideia dele desenhar o peixe dele apuleu, ficou muito empolgado. O tempo passou e a gente nem viu. Fomos logo para o carro e em seguida para a escola. Ele foi ouvindo Queen, só começou a conversar quando chegamos na escola. E foi assim seu primeiro material impresso. As pressas, mas surtiu efeito.
Fiquei feliz.
Minha primeira paixão foi a natureza.
Nasci filho de agricultor e domestica,
Cresci numa pequena terra,
Minha família era de sete pessoas.
A gente plantava e criava na terra.
Papai cuidava da terra,
Mamãe cuidava da casa.
Papai era forte,
Mamãe era mãe...
Papai me ensinou as coisas necessárias para um homem de bem.
Mamãe me ensinou as coisas para ser um homem de bem.
Na primeira infância foi a natureza que me deu saber,
Aprendi nome de planta, nome de bicho...
Aprendi o que tinha de aprender o essencial,
E ficava um vazio.
O vazio existencial...
Eu enxergava o finito no infinito...
O céu azul,
O sol quente,
Início e fim da vida...
Com os sapos aprendi a cadeia alimentar,
Com as galinhas o frenezi,
Com o cachorro a amizade,
Com o gato a desconfiança,
Com o gado a bondade.
Com as fruteiras a generosidade.
É temos mais o que aprender com as plantas...
Assim é.
A garrincha canta sem parar.
Tão singela,
Tão bela,
Canta rixinó...
Canta...
Canta e me traz doces memórias,
Daquele tempo passado,
Na soleira da casa velha,
Quando chegava o inverno,
Vinhas ali construir seu ninho.
Era considerada sagrada,
Papai e mamãe
Diziam que era bom presságio,
Deveras eras...
Ensinou-me a observar e amar a vida...
Seu comportamento,
Sua parceria no casamento,
O trabalho de alimentar
E de criar a filharada nova...
A vida tem muito a ensinar...
Basta observar...
Basta ouvir,
Basta viver.
Uma amarelinha canta na mata,
Tão linda!
Quem consegue vê-la?
Só se consegue ouvi-la.
Como sei?
Conheço,
Conheço de longe,
tuit...tuit...tuit...
Amarelinha,
Faz um linho lindo,
De capim ceguinho,
Eu vi,
Eu a ouvi,
Eu me encantei,
Com a cor,
Com a forma,
Com o canto,
Com o jeito...
Sabe.
A gente ama elementos da natureza
E nem tem explicação...
Conhecê-los,
Nomeá-los,
Nessa sequência intuitiva
Coisa que só a gente faz...
Dá nome as coisas...
Dá uma referência...
Conhecer é bom,
Saber que existe melhor,
Perceber...
Amarelinha...
Conheço sua espécie,
Mas não sei quem é.
Ouvi agora na mata...
Dia 28, agosto, Sexta-feira, primeiro dia de aula do último semestre de 2026.
O campus amanhece nublado silencioso.
A mata canta vozes tão belas,
É a patativinha amarela,
É o sabiá laranja,
É a rolinha caldo de feijão,
É a garrincha marrom...
Só se veem os operários da limpeza,
Caminham em silêncio,
Estão abstraídos nos seus pensamentos...
Se comunicaria com o espaço, neste tempo.
Acho que sim, talvez não.
Quando vinha vindo,
Ao entrar no CT,
Vim bem devagar,
Ouvi o chiado que faz a folha ao passar o carro,
Vi um carro de entulho estacionando,
Vi seu Edson lavador de carro contemplando o juazeiro,
Acho que contempla suas ideias.
Vi uma neomárica, planta esplendida
Florindo sob uma catingueira,
Que amizade interessante,
Uma paulista e uma paraibana...
Enfim...
Vi, ouvi e fui...
Certo dia,
Era outubro, dia da criança.
Mamãe me deu dinheiro e fui a rua onde comprei um trator.
Era vermelho, rodinhas pretas, carroceria azul e branca.
Foi tão maravilhoso poder ter aquele brinquedo.
Fiquei tão feliz, tão grato a mamãe.
A melhor sensação foi de poder tocar,
Contemplar e brincar.
A sensação e o desejo do ter...
O tocar,
O usar,
Se foi quando passei a possuí-lo...
Nem sei se continuei a brincar.
O vermelho, as rodas pequenas da frente,
As rodas grandes de trás.
Queria ter um trator, mesmo que de plástico,
Mesmo que de plástico fraquinho, sem muito detalhe.
Vejo hoje tanto brinquedo...
Sinto que as crianças são como fui, desejavam ter...
Depois de possuir se foi o desejo.
Mamãe era tão maravilhosa,
Gostava de me ver feliz...
Nesse reflexo, eu penso...
Como uma criança pode ser feliz com coisas tão simples...
E o tempo passou,
Como um fim de tarde,
Tento lembrar o que aconteceu de manhã...
Restam apenas memórias.
No carro, indo para a escola quase 13 horas, Sassá e eu conversamos sobre plantas e ele citou dionea uma planta carnívora. Isso mesmo ele sabia exatamente o que era esse nome e o que esta fazia. Fiquei impressionado e falei de outras espécies de plantas carnívoras; as nepentes e as sarracenias...
Finalmente, concertaram as luzes de minha sala.
Precisava ir ao oculista, com a pouca luz estava ceguinho.
Ainda bem que se resolveu.
Assim posso ver melhor a poeira do tempo sobre as coisas.
Porta nova e janela velha,
Cerrados,
De onde vem o pó?
Quero luz!
Quem anda na luz não tem nada a esconder.
Já nas sombras...
Tem algo a assombrar.
Ontem, quando parei o carro em frente a escola.
Olhe no retrovisor e vi meus cabelos pintando.
Disse que meus cabelos estavam pintando.
Sassá me perguntou se estava envelhecendo,
e se eu ia morrer.
Falei que só Deus sabia.
Ele disse até lá estarei crescido e adulto.
Concordei.
Muito profundo.
A cigarra começou a cantar,
Veio o verão anunciar.
Nem sabe como me afetou.
Ouvir seu canto,
Despertou doces memórias.
Papai e mamãe, minhas irmãs,
Nossa casinha,
A areia branca,
As folhas dos cajueiro amarelando,
Caindo e dos ramos
Folhas novas cor de vinho,
E as flores e o cheiro...
A vida que seguia cada dia mais terna.
Os dias e noites claros,
Céu azul,
Noite estrelada...
Ai que saudade!
Agora!
Só memórias...
A cigarra cantava
Eu e papai limpávamos os cajueiros,
Nosso cachorro alvinho dogue
Que nos acompanhava,
Também as galinhas a comer os grilos dos balseiros.
Papai dizia, espia,
Bicho gosta de gente...
Gosta de está onde tem gente.
Aquela vida simples,
Era tão boa...
Temperou minha existência,
Cozinhou de amor...
Desperto! Agora.
Entendo... A vida é boa...
A vida é boa.
E como é boa.
É tão boa que passa depressa...
E os sentimentos que experienciamos,
Que cultivamos nos fazem
Ser quem somos,
Felizes ou tristes...
A felicidade é cotidiana,
Aceitar a vida como é...
Amanhã, vai ser outro dia...
Canta cigarra, canta, canta...
Chegue verão,
Chegue calor...
É uma passagem...
A vida é cheia de passagens
E é uma pena que não estamos despertos
Ou é uma felicidade.
É assim mesmo.
Essas coisas como diz meu menino.
Um copo de água,
Transparente,
Potável e fria
Para minha sede.
Posso!
Pode...
Água para meu corpo,
Água para minha alma.
Há alguns é negado esse direito.
Por doença,
Por ausência.
Água que compõe o meu corpo.
Mamãe, no fim da vida não podia tomar água...
O tempo me fez esquecer isso.
Pobre mamãe!
Lutou bravamente,
Viveu até onde deu.
Á água é essencial para a alma.
Beba!
Beba!
Beba!.
A caminho da minha sala,
Na universidade,
Meu olhar vai da mata ao concreto...
Por acaso me veio a mente,
Ao olhar uma parede.
Qual tijolo é o mais importante
Aquele que esta na base junto a fundação,
Aquele próximo ao telhado?
Numa parede há um tijolo importante?
Não cheguei a uma conclusão,
A não ser que ambos são importantes.
Sol frouxo,
Céu nublado,
Calor se aproximando,
Canta na mata a patativa,
Achou planta florida,
Achou fruto docinho,
O canta para encantar a mata.
Aqui, neste recinto,
Ouço!
Enquanto ouço,
Viajo no tempo...
Patativa,
Patativa,
Patativa.
Ontem, estava muito cansado e não dei a devida atenção a Sassá. Ele queria brincar e eu queria dormir. Isso me deixa triste e com remorso. Faz-me refletir sobre o tempo, sobre o que falou Montessoure sobre o silêncio da casa. Hoje, vou melhorar.
Ainda ontem, Sassá enquanto tomávamos banho, conversando sobre nosso jogo ele falou... meu filho vai ser mais esperto que eu... Intenso e interessante essa perspectiva para um menino de cinco anos. Os anos passam, a realidade é assim. E não sabemos como reagir. A consciência é tardia, pois é linear no seu funcionamento.
Ele lembrou ainda que quando estivemos em Carnaúba dos Dantas, batemos um Sino. Eu nem me lembrava mais... Foi assim. cheios de lacunas o nosso ontem.
Todas as manhãs quando aqui chego, agradeço.
Sou grato a tudo nesta vida.
Agrada-me os fragmentos de mata,
Agrada-me o canto das aves,
Agrada-me o vento nas árvores,
Agrada-me o silêncio da mata,
Agrada-me encontrar as pessoas e dar bom dia...
Agrada-me contemplar a sucupira da curva,
Agrada-me andar devagar olhando as plantas,
Agrada-me ver o capricho das pessoas com o lugar...
Muitas coisas desagradam-me,
Mas não quero desagradar-me com isso.
Ontem, trocaram as luzes de minha sala e tudo ficou mais claro. Minha visão até melhorou.
Hoje percebo uma diferença o quanto o claro pode ser melhor que o escuro para o meu trabalho.
Ontem, final de agosto.
Uma melhoria no trabalho, um conforto para a visão.
Coisas que melhoram a vida.
O silêncio,
Enquanto estou pensando aqui e agora.
O vento sopra lá fora,
O céu azul, limpo e claro.
Quero o silêncio.
Silêncio do tempo.
Por um momento,
Um breve momento plasmo o tempo.
Sou o que sou.
Atemporal, eterno...
Basta um ruído e ganho a consciência
E tudo se desfaz
Como uma gota no espelho de um lago noturno...
O que sou eu?
Matéria, causalidade,
Uma perturbação,
Convergência de espaço e tempo?
Um fazer efeito?
Não sei quem sou ou o que sou?
Não sabemos... Existimos,
Elucubramos,
Temos uma leve sensação de sabermos que somos,
Neste vácuo de silêncio...
A escrita, o interesse une os tempos e as pessoas.
Pessoa, Borges...
A coragem,
O amor,
O medo...
A humanidade...
Leis as mesmas atuando no macro e sobre o micro.
Que é tudo isso?
O caminho?
A consciência?
O buda?
Javé?
Jesus Cristo?
Silêncio...
Silêncio...
Sassá foi para a escola em silêncio. Ouvia a música, concentrado. Quando parei o carro ele começou a conversar. Mesmo assim falei como havia sido minha manhã. À tarde, ao sair da escola, estava feliz e comentou que havia ido ao banheiro antes de sair. Então, fomos ao mercado e não pediu nada. Comprei umas bolachas doces e amendoins. Comeu com gosto. Ao chegarmos em casa regamos as plantas e subimos. É tão bom. Às vezes só a presença já basta. O silêncio respeitado, a parceria... Estou descobrindo a paternidade todos os dias.
Os pássaros ou cantam só ou cantam em grupo.
Cantam para encantar
Ou cantam para desencantar.
De algum canto vem um canto,
Daqui, dali, daculá...
Canto com harmonia...
Nem só as aves sabem cantar,
Canta a gia no cacimbão,
A perereca no oitão...
Canta a mata,
Canta o milharal,
Canta o mar na praia...
Canta a concha no ouvido,
Canta...
São tantos os sons...
Tanta informação,
Ouça o coração
E vai encontrar um canto para apreciar.
Ontem, em frente ao HU, da UFPB, vi um lindo chevrolet D60, branco, potente e cara de mal. Fiquei muito contente. D60 me arremete a Martins, cidade natal. Onde na minha infância eu via o D60 gerimum coletando lixo pelas ruas. Quem dirigia era Babu. O barulho do motor inconfundível, o sol ardente, sob o frio da serra fez aqueles momentos se eternizarem e em minha vida. Certamente, estava com a mamãe. Nunca tinha visto um D60 Branco... Lindo demais. Os mais comuns que conheci eram cor de goiabada como o de Ivin, um comerciante que comprava pinha e ceriguela lá no nosso sítio. Os D60 eram comuns na década de 80 e 90 só perdiam para os tromba de porca da Mercedes. Tempos bons... Somos produtos de nosso tempo e lugar. Com o tempo estas memórias não serão compartilhadas, apenas aparecerão como invenção, como literatura.
Hoje, faz 10 anos que minha amiga e chefe desencarnou.
Quem era ela? Rita Baltazar de Lima.
O que fazia? Era professora de Botânica.
Onde nasceu? Rio Tingo.
O que estudou? A família Rhamnaceae.
Uma professora maravilhosa.
Uma pessoa sem palavras para descrever.
Amiga, reta, especial.
A 10 anos a terra, o Brasil, a Paraíba perdia a grande mulher que foi.
Teve seu nome eternizado como nome do Herbário da UFCG de Patos...
Homenagem ao nome do Carbal...
Eternas saudades.
Há 127 nascia Jorge Luiz de Azevedo Borges.
Conhecido como Borges.
Um escritor consagrado pela literatura universal.
Sua literatura fantástica encanta a todas as classes de pessoas.
Descobri Borges no mestrado,
Me aproximei de Borges no doutorado,
No pós pude me aproximar melhor,
Comprei quase todos os seus livros.
Semanalmente ouço suas palestras.
Aprendi muito com Borges,
Ouvi-lo é maravilhoso.
Lê-lo nem se fala.
Sentia vontade de escrever quando estava lendo.
Tantas minúcias naquele autor.
Sigo em sua companhia,
Por via de sua obra.
Domingo,
Agosto,
Ano 2025
Na missa, ouvi uma canção que lembrou de mamãe.
Mamãe cantava na missa,
Mamãe cantava em casa,
Sabe aquelas músicas das tocou na igreja há muito tempo.
Aí lembrei que ia a missa com a mamãe.
E marcou em mim.
Marcou...
Em 1986 entrei para a escola, tinha seis anos. Em 1996, aos 16 anos, estava no segundo ano do ensino médio. Em 2006 estava no mestrado em ciências biológicas. Em 2016 era professor de Botânica na universidade federal da Paraíba. Em 2026, sou professor. E aí se foram 40 anos de minha vida. Quanta coisa vívida.
Giz, quadro negro, carteira e cadeira, caderno de espiral, um lápis e uma borracha.
A, é, i, o, u.
Vogais e
A, b, c...
Fui a escola aprender,
Ler e escrever
E o mundo
Descobrir
E o mundo
Inventar.
No meu lugar tinha uma escola,
E só.
A escolinha era branca,
E nela tinha uma sala, dois banheiros, uma cozinha, uma dispensa, e a sala de aula,
Na sala 37 carteiras e um quadro,
O quadro negro era verde e estava virado para o sul,
As carteiras voltadas para o quadro,
Tinham cinco janelas voltadas para o nascente e a porta para o poente.
A mestra, minha primeira professora
Foi Livani Raulino.
Foi ela que me ensinou a ler e escrever.
Foi ela minha aurora.
A zeladora e merendeira era Dudé de Zé Baliza.
Em frente a escola a estrada era de barro.
Não tinha eletricidade.
O meu primeiro ano foi à tarde.
No ano de 1986.
Hoje 2026...
Lá se foram 40 anos.
Eu mudei
E a escola morreu.
Saudade...
Meu primeiro mundo era vasto e surpreendente,
Mamãe e papai,
Meus manos e vizinhos,
Nosso sítio,
Nossas galinhas,
Nossa vaquinha,
Nosso cão e nosso gato,
Nosso sítio.
Tanta coisa pra explorar as formigas e formigueiros,
As vésperas e seus ninhos,
Os besouros,
Os sapos e girinos,
As plantas, suas flores e frutos...
Tudo para descobrir,
Tudo para nomear.
Minha mãe foi minha primeira educadora,
Meu pai foi o meu herói.,
Quando aprendi essas coisas,
tinha a seca com caju e manga
E inverno com milho e feijão....
Assim floresceu minha consciência...
Desesperada grita a sabiá,
Ouço com empatia,
Conheço e amo sabiás.
Que será?
Sabiá quando aflito grita sem parar.
Que será sabiá que tanto sabe cantar.
Grita no galho do cajueiro,
Levantei-me e fui olhar.
Que danado era que estava aperreando o sabiá.
Ah! Já sei,
Agora vi,
É o zé lelé do seu caboré.
Caburé não brinca,
É um rapinante,
Dê sopa que ele ataca, mata e come.
Mas o sabiá bota pra danar,
Grita apelando,
Catei uma pedra e espantei o zé lelé,
Vai pra lá caboré.
A sabiá sossegou...
De agrado logo cantou.
O calor no olhar,
A beleza encontrada,
O olhar no olhar,
O desejo a fervilhar,
Pele fervente,
Coração a palpitar...
Não é medo,
E é medo,
Uma conexão aconteceu,
Algo profundo se acendeu...
Que será?
O gado come o pasto,
Sol quente,
O pasto fica escasso,
O calor, a sombra, a água...
A poeira no oitão,
O pau do curral,
O cheiro do gato,
O calor do gado,
O leite quente na manhã fria,
O vento frio,
Nessa oscilação,
O tempo vai passando,
O tempo vai contando,
A vaca estrela,
O boi bumbar,
O queijo feito,
O radialista,
O rádio,
O verão ao pino...
A vaca caçando pasto,
A gente andando na caatinga,
Se sente bicho...
Se sente bem com os bichos.
A gente entende e se sente bicho...
O cão parceiro,
A casaca de couro,
A catingueira cinza,
O juazeiro...
Meu Deus,
Amo ser sertanejo,
Do início ao fim.
Uma cena,
Um lugar,
Um objeto,
A luz é essencial,
A objetiva,
A objetividade,
A subjetividade,
O ente,
O sujeito,
Espaço,
Tempo,
Causa e efeito.
Uma imagem plasmada,
Memorizada,
Um espelho com memória...
Uma foto.
Sassá quis jogar bola. Então jogamos bola em nosso apartamento. Muitos chutes e muitos gols. Nem quis jogar futebol de tablado. Tudo bem. Nos divertimos muito. Ontem, estava focado em explicar que o Gigantossauro existiu. Então me pediu o livro mostrou o Gigantossauro que habitou nas Savanas da América do Sul. Explicou várias coisas. Gosto quando ele se sente empolgado explicando as coisas. E ontem foi a vez do argumento a favor do Gigantossauro que em outro livro disse que não existia. Enfim fico o Sassá que provou por via de uma imagem e um texto. É isso.
O galo cantou no oitão.
Na panela ferve o feijão.
As galinhas cacarejam,
O vento sopra afagando o fogo,
Enquanto vovó remenda uma calça velha.
O tempo passa e a gente nem percebe
Que a realidade toda,
Tudo é um sorriso pro universo.
O galo cantou de novo,
O feijão mudou de cor,
Cozinhou,
O fogo consumiu a lenha.
O remendo ficou bom.
Minha vovozinha...
Saudades.
Cantou leve o sabiá,
Nesta manhã agostinha,
Senti paz.
A luz dourada fez o mundo tão belo.
Senti paz.
Havia uma harmonia entre mim, o céu e a mata.
Sai do carro a passos pequenos,
Rezei um pai nosso e a oração de são Francisco.
Nem sempre estamos bem com nossa mente.
Mas hoje, havia paz.
Fora e dentro de mim...
Sassá quer lutar Gil gipson! O interessante que ele diz que sabe lutar. Que já sabia bem antes de existir na barriga da mãe. E dá socos e chutes. E quis lutar comigo. Eu ensinei como socar em caraté. É o que sei. E insistiu para eu lutar com ele. E lutamos. Depois se contentou. Jogou xadrez com o Oscar, jogamos futebol de dedo. E morreu de rir com a turma da Mônica! Eu dormi... Ele continou com a mãe. O interesante que ele fala Gilgipso... como se escreve. Eu nem sabia como escrever... o nome desta luta.
Aqui na mata canta uma patativa,
Longe na estrada ronca uma moto,
Agradável e desagradável,
Perto e longe...
Tipos de sons,
Intensidades distintas,
Harmonias diversas...
Onde está a consciência nisto tudo?
É de manhã,
Sento na cadeira,
Abro o livro de bolso,
Livro de poesia,
Pessoa!
Quem é grande vira livro de bolso.
Vende feito água!
Pessoa, isso mesmo Fernando.
Recentemente, adquiri um livro de bolso.
O grande, o gigante Mário Quintana.
Pus na minha mesa!
Costumo colocar livros na minha mesa.
E Quintana!
É um universo da alma!
Um tratado da beleza espiritual humana...
Quintana do eles passarão e eu passarinho.
Rua dos cataventos.
Recentemente ganhei um livro Brevidade!
De poesia!
Poesia de uma poetisa.
Estou ampliando meu conceito de poesia.
Poesia se sente.
Poesia se consome!
Poesia se faz...
E fazer poesia precisa inspiração,
Seja de percepção,
Seja de razão!
Poesia com rimas e regras,
Poesia livre...
Poesia de síntese!
A gente encontra tudo isso no universo
Isto mesmo no universo de existência da poesia.
Universo humano,
Uni Verso!
Onde o espírito transforma o concreto no abstrato,
Onde o objetivo se transforma em subjetivo,
Onde há conhecimento,
Pois há sujeito e há objeto...
E há um terceiro que é o leitor...
Poesia um sol cujos raios são espelhados no universo...
Clareia todos os lugares do mundo,
Tudo revela...
A poesia é um retrato da realidade.
É isso.
Esse mês mais duas pessoas partiram de Serrinha do Canto Ci de Damião e Donina e Ziná de Severino Lopes. Hoje, recebi a notícia com tristeza. Ziná foi merendeira da Escola Isolada Serrinha do Canto. Era funcionária da prefeitura. Era quem fazia a merenda entre os anos 1980 e 1990. Foi casada com Antônio de Doquinha muito amigo de papai. Na minha infância convivi muito com a família de Ziná. Conheci toda sua gente, Seu pai, sua mãe, suas filhas. Descanse em paz.
Ci foi o primeiro motorista de ônibus que fazia a linha Martins - Pau dos Ferros.
Se foi também.
Em silêncio contemplo o mundo,
As formas que me dizem o que são,
As cores que qualificam as formas.
Eu olho pro dia,
Eu olho pra noite,
Eu ouço o dia,
Eu ouço a noite...
E me sinto cansado.
Cansado do dia dia.
Meu corpo, minha alma
Sentem cansados.
A fé me cura,
O descanso me recupera...
Sempre seguindo a seta do tempo...
Humano espero algo...
Humano.
Humanidade.
Olhando fotografia de flores,
Flores de laranjeira,
Recordei aquele janeiro,
Aquele janeiro quente de 2019.
Senti todas as manhãs o cheiro doce das flores brancas de laranjeira.
A vida estava tão boa.
Mal sabia que alvorecia a pandemia.
A humanidade enfrentaria uma tragédia mundial.
Ainda bem que não sabia de nada.
Vivia cada alvorecer,
Cada primeiro crepúsculo
Como se fosse único.
Caminhava olhando a caatinga...
É tão bom não saber a luta que nos espera...
Aquelas flores alvas,
Coroadas de amarelo...
Marcava o fim de uma vida,
Minha primeira tragédia pessoal.
Aquela que a gente descobre e fica com medo...
A fé foi fundamental para está aqui,
Escrevendo estas linhas...
Que se perderão no tempo e no espaço...
Até que alguém encontre e se identifique...
É a vida.
Sassá amou o livro que comprei para ele.
Um livro que fala sobre onde os animais fazem coco.
A gente ri.
Ontem, antes de ir para a escola, rimos muito.
Ao ler o livro a gente comenta e se diverte.
Sassá ama livros.
A mamãe ler mais para ele que eu.
Ler quando ele está se alimentando.
Engraçado as formas de ler minha e dela são totalmente diferentes.
Ele ama ambas formas.
Sassá já conhece as palavras, já ler, mas prefere as imagens.
Eu era assim também.
A primeira vez que vi um livro tinha seis anos, foi na escola.
Aquelas imagens me encantaram...
Mudaram algo em mim.
Espero que o mesmo aconteça com meu amante de histórias...
A noite a lua crescente,
E a estrela d´alva
Crescem juntas no poente...
Parece que o tempo parou,
É como é,
É como foi,
Um espelho da eternidade?
O vento sopra fresquinho,
Agora de manhã,
Até está chovendo,
Agosto...
Início do fim
Fim do inverno,
Agosto do início,
Início do verão...
E deixo aqui,
Minha profunda admiração.
Haviam gerânios de enfeite em casa.
Eram feitos de plástico.
Descobri que eram gerânios
Num livro de morfologia vegetal de Vidal.
Interessante que cheguei a ver Gerânio em São Paulo,
E vi gerânios nas janelas de Paris.
Nunca me imaginei em Paris,
Não imaginei que aquela imitação,
Seria a luz de conhecer
Gerânios...
Na minha casa descobri o mundo,
Papai e mamãe e meus irmãos
Auxiliaram-me nesta empreitada,
Cuidaram de mim.
Na nossa casa simples não tinha riquezas,
Mas não faltava amor, carinho e amizade.
Minha mãe tão natural.
Meu pai tão sentimental.
Na minha casa havia um quarto de São Francisco de Assis
Comprado no Canindé
E eu mirava com misticismo, medo e admiração,
A moldura barroca.
Tinha um quadro de papai, begue e mamãe.
Por que eu não estava lá?
Já me questionava?
Eu me balançava na rede olhando através da janela,
Sentindo a emoção do ir e vir
Subir e descer,
Eu olhava para o infinito do céu...
Aquela vastidão me amedrontava e me encantava.
O meu mundo era minha família,
A poesia era bruta e não soava ainda...
Eu vivia,
Contemplando minha existência,
Vivendo minhas primeiras experiências...
O mundo se revelava infinito....
A finitude estava em mim
E parece que eu sentia isso,
E descobri a finitude me deixava triste...
Era natural que se descobrisse,
A razão apontava,
A emoção indicava...
Mas algo em mim
Queria a eternidade...
Todo ser quer se conservar eternamente.
A minha casa é a mesma.
Os cômodos, as paredes são o mesmo...
O tempo muda todo dia e nos seus cômodos,
Cada dia tem uma história
Que guardamos em nossas memórias.
A casa e meus pais foram o feixe que me formaram e me firmaram
Quem me fizeram quem sou...
Sou como os meus pais em carne, osso e alma,
Mas com direito a liberdade e a individualidade....
Sou o fui,
Sou o que sou,
No começo tinha meus pais,
Agora tenho a casa,
E as experiências,
E os ensinamentos...
Tenho o que sou.
Sou o que aprendi
E nada mais.
Quando a tarde caia no inverno,
Saia a caminhar,
Ouvia no fundo da mata,
Entre caminhos,
O joão-de~barro cantar.
Era tão bonito.
A mata verde,
Barro enxarcado,
O cheiro da flor branca do marmeleiro.
Algo além de mim cantava,
Se expressava,
Não como as plantas,
Mas algo vivo,
Marrom, a caminhar.
Eu tomava consciência da alteridade,
Era tão belo aquele canto,
A caminhar, forragear,
Pleno e eterno...
As vezes que me lembro,
Fico pleno.
Volto no tempo...
Se isso fosse possível!
Meu Deus!
Eu desperto uma memória...
Sabia onde estava,
Sabia qual era o tempo.
Só resta memória.
Uma chuvinha desfia nesta manhã agostiniana.
A luz clara do céu, anuncia a chegada do sol,
Anuncia a chegada do dia.
O tempo está mudando,
Folhas colorindo,
Folhas caindo...
Sou um observador do tempo,
Sou um viajante do tempo...
Percebo um pouco dessa realidade,
Uma chuvinha que refresca,
Chuva do caju...
Ontem, saí para caminhar com Sassá e ele percebeu o quanto as ruas são sujas. E falou das pessoas mau educadas que jogam lixo na rua e estes vão parar nos bueiros. Achei interessante sua perspectivas. Está consciente de muita coisa. Verdade o que Montessouri dizia que aos sete anos temos um homem formado do ponto de vista de muitos valores. A escola tem uma função primordial nisto, pois a aprendizagem compartilhada pela professora, as experiências particulares dos alunos permitem uma aprendizagem muito mais efetiva. Sassá quando chega nas academias de praças já quer logo se exercitar. Temos que os preparar para quando tiverem suas vidas. Quando adultecerem.
O tempo muda,
O ano muda,
Após as chuvas,
Chega a estiagem,
A mata se desmata,
Folhas perdem as cores,
Se desprendem
E se deitam no chão.
Sol intenso,
Purifica a vida,
Água seca,
Poeira e pico aparece,
A gente muda por dentro.
A gente é daqui,
Sabe que é assim,
A gente muda.
A gente passa olhar mais no infinito,
O céu mais azul,
As tardes mais iluminadas,
Noites estreladas;
A gente muda nossos ritmos,
Já não canta o sabiá,
A gente mira mais o poente,
A gente sente a vida,
Sente o corpo;
Quando o tempo muda,
Muda a mata,
E a gente muda.
A mudança é devir...
A mudança é acontecimento,
As vezes brusco, como a morte,
As vezes lento como viver...
Tudo muda
Acordei e ao passar do tempo senti uma angustia profunda.
Um desgosto ao saber que tudo está passando,
Que a vida está passando,
Que mundo de minha vida se passou...
Senti uma saudade profunda de papai e mamãe.
A manhã, após uma madrugada espetacular
De céu limpo, nítido e estrelado.
Despertou em mim essa angústia.
Fiz tudo como de hábito.
Desci, liguei o carro e sai lentamente como uma lesma.
A manhã nem havia chegado,
Desci, peguei o viaduto e em seguida a avenida do contorno.
Na rotatória, vi um homem, maltrapilho.
Que me fez desvencilhar da angústia,
E não estava nem ai para angústia alguma.
Com um saco seguia caminhando.
Também ele sofre, também pode se angustiar...
A vida certamente é mais dura.
A angustia é um sentimento.
Não sei se sentimento humano seria um pleonasmo.
A angustia.
Sai de lento...
Engolindo que estou envelhecendo,
É humano envelhecer...
Será se é possível ser feliz sabendo disso?
A gente vence a angustia algumas vezes...
E ela nos vence algumas vezes...
Há algum tempo criei um bom hábito, suponho. Bem e esse hábito se passa nas sextas-feiras. Neste dia vou a feira. Dentro da universidade, aqui da UFPB. Hoje foi especial, para quem está contente, acho que todos os dias são especiais e quando a gente percebe, sente quão especial é. Então fui contemplando o corredor, no estacionamento vi frutos secos deitados no chão. Um fruto chamado de sâmara, com asas, plano e pode ser facilmente confundido com folhas. Todavia para quem é focado, tudo pode passar despercebido. Fiquei surpreso ao ver que o banco do brasil, onde sempre passo não estava com a porta giratória. As vezes, aborreço-me só de ter que tirar a chave do bolso e o celular para passar à porta, mas como estava livre até me senti melhor. Antes de chegar na feira, sempre tem um cheiro desagradável de fezes de gato, logo na escada. Subindo a escada o odor muda... A gente o cheiro da massa de mandioca sendo cozida no fogareiro, das bancas dos três SSS, Sandro, Solange e Suelen, a gente ver uma variedade de cores, dos produtos vendidos, a macaxeira alvinha descascada, o roxo das batatas doces, o verde das folhas, limas e limões, o amarelo das bananas e mamões... as flores coloridas de seu Zildo e seu Eduardo... E o cheiro do beiju e da tapioca me aliciando. Compro batatas a seu Eduardo, banana a seu Daniel, alface a seu Edson, rabo de galo a seu Zildo..., vejo o riso mais alegre do dia de seu Luizinho que vende carne de bode... Na volto compro tapiocas e beijou e tomo um café na barraca dos três SSS. O café sem açucar demora na boca... venho tomando café da feira até minha sala. Quando não está destraído com os pensamentos, as sensações parecem se prolongarem. Agora o café está desaparecendo em minha boca, mas ainda tenho o cheiro de beiju na sala, o roxo dos rabos de galo... Essas coisas, tenho as sextas. E isso me faz bem. Um bom hábito.
Ontem, Sassá e eu jogamos futebol, mas num tabuleiro com uma moeda. Até suou. Ele comemorava cada gol como um jogador faz em campo. Jogamos até os dedos ficarem doloridos. Jantamos e a mamãe o despistou lendo livros enquanto jantava. Está realmente interessado em futebol. Bom, vamos seguindo, tentado desenvolver bons hábitos. Vimos que os horários da escolinha aqui não é tão bom. Vamos pesquisar.
A tanto tempo,
Tão distante do agora,
Numa estação de preservação,
Eu ouvia o canto do carão,
Ouvia aquele belo canto,
Que vinha de uma fazenda vizinha,
E não sabia que ave era aquela,
Percebia, ouvia, mas não distinguia,
Mais de vinte anos depois,
Que era o canto do carão...
As coisas as vezes se demoram a serem conhecidas.
Aqui e agora,
Onde?
Aonde?
Espaço e tempo,
O ser em sucessão,
O ser em posição,
Aqui e agora,
Não defini nada,
Não defini ninguém,
Racionalmente,
Aqui e agora...
A existência precede a essência.
O ser ai e o ser assim,
O deveio e o devir...
Claro e escuro,
Luz e sombra,
Noite e dia...
Concreto e abstrato,
Sujeito e objeto...
Ser
O que se sente,
O que se pensa.
Ser...
Algo que se constrói
na individualidade,
Na atividade,
Na passividade,
Nas escolhas,
No devir.
A existência precedendo a essência.
Ser uma essência...
Um espirito...
O indefinido.
A gente não define,
A gente sente...
A gente sente...
Essa centelha que é a vida,
As sensações que mexem com a gente...
O início que desconhecemos,
O fim que desconhecemos,
O tempo gotejando...
Sassá quer ir a escola de futebol.
Ontem, à noite jogamos bola no nosso apartamento.
Foi maravilhoso, ele o Sassá sempre fazendo os gols, correndo atrás da bola.
Ficou suado, ficou cansado. Depois de tanto jogar.
Dei banho e fomos para cama.
Dormiu como um anjo.
Sassá tem apenas 5 anos, mas parece que ele esteve comigo a vida toda.
Minha vida ganhou muito quando ele chegou.
Descobri o amor, descobri que a vida vale a pena e todo o esforço que fiz valeu a pena.
Vamos lá, Sassá quer jogar bola.
Acordo na madrugada,
O céu parado feito espelho d'água,
Um infinito vazio bordado de estrelas.
Vazio feito o meu peito.
Sinto que dentro de mim ali há um céu,
Onde acesso nos meus sonhos.
Dentro de mim é preciso amanhecer,
É preciso luz,
Agora, neste momento da madrugada,
Penso que quem se acorda tão cedo,
Quem é metafísico,
Sente o céu estrelado,
Sente o céu quarado,
Dentro de si.
Céu azul da tarde,
Um plano infinito.
Atento vejo urubus a planar,
Voa deslisando sobre o vento...
A mata assanhada do vento,
Refresca com sua sombra,
A tarde que o sol faz arder...
Folhas em diferentes tons,
Vermelhas, amarelas e marrons,
O verde se dissolve aos poucos,
O vinho tinge as novas folhas,
Folhas jovens...
Formigas ativas...
Após almoçar,
A gente não sabe nem pensar,
Então contempla,
Contemple,
A mudança da estação.
.
Ontem, cheguei em casa, na hora do almoço, Sassá estava triste porque o pirulito caiu. Então vi que a mamãe tinha removido o berço do lugar. Disse que iria desmontar e montar no outro quarto. Então ele começou a chorar. Não entendemos, achamos que era por causa do pirulito, mas não. Ele expressou que era por causa do bercinho dele. Senti um nó na garganta e meu peito doeu. Expliquei que ia apenas mudar de quarto, mas ele continuou chorando e entendendo a mudança das coisas e do tempo. Tive que desmontar o berço e a minha mente virou uma bagunça de tanta memória. Cinco anos com aquele bercinho. Enfim, fui deixar ele na escola. Na volta, à noite, nem percebeu. Achou foi bom a nova cama. Mas eu... Fui eu quem fiquei abalado. Nosso garotinho, que chegou em casa e ali foi seu ninho. Tá um menino com personalidade e tudo. Um menino com memórias, sentimentos e vontade. Meu companheiro e amigo. O berço é muito fraquinho, nem sei se vale a pena montar no outro quarto... Umas coisas se vão e novas coisas se veem.
A mente é uma caieira,
Os pensamentos são a lenha,
Pensar é o arder do fogo.
Os tijolos de uma caieiras são usados para erguer muros, paredes, caixa de água...
Os mesmos tijolos de uma caieira são usados para fazer foça.
Tem que saber qual uso se fará dos pensamentos....
Um galho seco descansa no chão,
A certo tempo havia só uma gema,
A certo tempo essa gema se desenvolveu,
A certo tempo do ramo surgiram folhas,
A certo tempo as folhas fizeram fotossíntese,
A certo tempo as folhas caíram,
A certo tempo o galho caiu
E agora dorme no chão...
Quanto tempo de duração.
Do ar para o chão.
Tudo tem início e fim,
No espaço e no tempo,
Sendo matéria em diferentes estados.
Estou reunindo,
Estou juntando,
Estou estocando,
Memórias,
Frases,
Versos.
Já tenho um montão,
E não sei o que fazer
Com tudo isso!
Dou de coração
A quem tiver paciência,
Um pouco da minha abstração,
Das minhas ideias,
Dos meus amores.
No fim como dente de leão,
O vento vai levar
Esse fruto meu,
Pode ser que encontre terra fértil,
Pode ser que encontre espinhos...
Se vai ser sufocado não sei.
Estou dando o melhor de mim.
Ontem foi o aniversário de Maya.
Fomos a festinha a noite na pizzaria da família dela.
Sassá brincou muito. Levamos Pedro, amigo de Maya e de Sassá.
Foi uma festa no carro.
O tempo voou para os dois.
Num verso ancoro a vida,
Minhas percepções,
Minhas concepções...
Tudo tão limitado,
Mas doo para ti,
E faça deste verso
Um reflexo de reflexão.
A vida é tão maravilhosa.
Acredita.
A roda gira,
Gira enquanto o tempo,
Enquanto o espaço,
Simultaneamente,
Se deslocam,
Qual é o sentido?
Direita ou esquerda,
Para frente ou para trás...
É necessário uma referência
Para não girar em círculo.
Penso que pensar me deixa penso.
Tantos pensamentos,
Alegrias e tormentos.
Sou metafísico por natureza,
Por experiência ou por gosto?
Mais um pensamento pra me deixar mais penso.
Em agosto,
Vô José, meus irmãos Rosdemberg e Rosemeire nasceram,
Em agosto,
Nasceu também Jorge Luiz Borges,
Em agosto,
Vô Chico faleceu,
Em agosto,
Mudei da casa paterna.
Em agosto,
Coisas aconteceram que me marcam ainda hoje.
Agora mesmo...
Hoje, 10 de agosto nasceu, em Caxias Aluízio Azevedo que escreveu o primeiro livro que li o Cortiço.
Agosto...
Agosto.
Olho pro tempo assustado,
Ontem foi minha infância,
Ali, onde cresci, nada mudou.
E tudo mudou.
O espaço é o mesmo,
Mas as pessoas são outras,
Tantos novos,
Poucos velhos,
E a história delimitando tudo,
Olho pra minha alma, e encontro coisas de lá,
Coisas do ontem
E vejo coisas de hoje,
Coisas de agora...
Experiências.
Experiências,
Experiências.
Num poema se emoldura a realidade,
Se expressa em metáfora
O que se deseja expressar.
Num poema se doma o tempo.
Versos sensíveis,
Enquadrado em supra sensível,
Incondicionado em condicionado.
Um poema como uma cruz três coisas são representadas
O tempo, o espaço e a matéria...
Um poema é a imagem da eternidade.
Um gavião gritou longe,
Um pombo bateu as asas aqui perto.
Pardais gritavam nós varais,
E o silêncio intermitente da manhã...
Em meio a tudo isso rezava pedindo proteção divina.
Os males de minha mente
Que precisam serem domados todos os dias.
O silêncio da madrugada é quebrado pelo galo.
Eis que surge aurora ao quebrar da barra que como brasa acesa vai se encarnando,
E o escudo desaparecendo.
Quando desperto e percebo tudo no horizonte se acendendo
E as estrelas se apagando mudando o tempo, apagando a noite e acendendo o dia.
Sempre despertamos após isso acontecer.
Ontem foi um dia especial, nosso sexto dia dos pais. Sassá já acordou todo feliz. Após acordar me presenteou com uma linda camisa e uma caneca. E especialmente fez um cartão de um bem-ti-vi. Escreveu que me amava. Então brincamos muito, rimos, nos abraçamos e o afaguei tanto. Meu bebe, agora é um menino, inteligente, saldável e forte. Fomos almoçar no mangai, sabe que é uma data especial, nem sempre vamos lá, mas em datas especiais. Comeu bastante, tudinho e sozinho. Depois foi a vez da sobremesa. A mamãe não gostou do dia das mães quando coloquei tudo junto. Ai fiz um prato pra mim e ele tudo junto e um pra ela. Ele quis provar de tudo. Á noite, ainda comeu pizza. Foi maravilhoso meu dia dos pais com quem mais amo.
Pão doce!
Papai gostava muito de pão e sabia que nós também gostávamos.
Onde morávamos tinha três tipos de pães, pão doce, pão carteira e pão francês.
À tarde, depois do café, lá pelas 15h, papai ia caminhando até a budega de Juninho de Chico Viola comprar pães.
Saia caminhando devagar como caminha um idoso. Ia pensando, sentindo o calor da estrada, da tarde, cumprimentava os nossos vizinhos.
Naquela monótona Serrinha do Canto, os vizinhos veem papai passar era um movimento, dali ocorriam relações amistosa, cultivadas pelo tempo.
Todos sabiam muito da história de papai e papai da história destes. Coabitação a longo tempo.
Depois voltava e eu contiguava ali na calçada da frente pensando.
Ele chegava e me oferecia um pão.
Eu escolhia o pão doce, ainda quentinho...
Era tão bom, ter alguém que sabia do que eu gostava e amava fazer esse gesto carinhoso.
Foi um momento que guardei no fundo da minha alma.
Meu pai, a tarde, o pão doce e aqueles momentos.
O mundo não tem fundo.
Como descobrir todas as suas leis.
Levará muito tempo,
Levarão muitas gerações.
Antes de chegar lá,
Precisa-se antes de mais nada,
Desvendar o homem.
Ao longo da vida,
Vivas experiências,
Vidas vividas,
Momentos separados,
Pelo tempo cortado,
Pelo espaço deslocado...
Ser,
Existir,
Tempo,
Espaço,
Matéria,
Causalidade...
Mundo como representação,
Mundo como vontade...
Pessimismo,
Genialidade,
Humanidade.
Os raios radiantes da flor do maracujá,
Irradiam a beleza,
Irradiam uma simetria,
Seria uma flor coroada?
Sei que é uma flor apaixonada,
A flor da paixão,
A flor que flora,
Passiflora,
Raios multicolores,
Raios sensíveis,
Que suportam as abelhas,
Besouros,
Raios que atraem,
Raios solares.
Um sol numa flor,
Uma flor ensolarada,
Uma flor apaixonada.
Uma flor coroada...
Ou nada disso só uma flor,
Flor de maracujá.
Ontem, na escola de Sassá teve a comemoração do dia dos pais. O evento ocorreu as 15h. Nós os pais fomos a sala de aula deles. Escrevemos e desenhamos cartinhas para por na cáspula do tempo. Sassá disse que queria ser cozinheiro. Fez um desenho de nossa família. Depois cantou para a gente. E teve a etapa da fotografia. Foi simbólico. Senti-me muito bem naquele momento. Só faltou o Miguel. A música que eles cantaram foi 11 vidas. Construindo memórias
Agosto começa ensolarado,
As mangueiras florescem suas flores miúdas e pequenas,
Das flores exala um cheiro aborrecido, não diria bom, nem classificaria de bom.
Mas de fato estão tão belas.
Parecem felizes,
Parecem agradecer tanta chuva.
Viva as mangueiras...x
Um dia, fui visitar meus avós. Fomos à tarde, cedo da tarde. Meus avós moravam nas Vertentes, distrito de Serrinha dos Pintos que já quase desapareceu. Fomos uma caminhote C10, da chevrolet. Era a caminhonete de Zé da Cancela. Nunca esqueci disso,,, Fomos em cima. Nem imagino quem ia. Mas sei que estava com a minha mãe. Lembro de descermos perto da curva do juazeiro. Só isso.
A mata silenciosa,
Ouve as aves trabalhar,
Ouve as aves cantar,
As aves ao se alimentar,
Dispersam as sementes,
Voam pra cá,
Voam pra lá...
Bem-ti-vi e sabiá.
A mata estática!
Então o sol vai acendendo,
A luz se estendendo,
O calor aparecendo,
E as aves se calam...
Cadê o vento?
Ontem, feriado de Nossa Senhora das Neves, ficamos em casa, Todavia, cedo, Sassá acordou, comeu bolacha de chocolate e chocotone. Empenhado na sua nova ideia de montar uma coleção de conchas, aceitou ir caminhar comigo. Entretanto queria ir por uma rua onde havia visto conchas. O convenci de ir pelo lado da mata. Caminhamos todo o percurso e nada de conchas. Sua atenção era toda para as conchas. Bem fomos até a universidade e nada. Tentei mostrar os gaviões... Ficou feliz quando encontrou uma pena para sua coleção de penas. Tentei mostrar os gaviões carijós e nada. Retornamos para ele ver o ninho de beija-flor numa craibeira nas três ruas. Então, mostrei para ele. Olhou atento para o ninho. Achou uma belezura, identificou os liquens. Fomos pela rua que ele almejara desde o início e nada. Os caramujos desapareceram? Bem voltamos pela borda da rua do sapoti. Ali vimos uma preguiça na Cecropia. Fato que o deixou muito feliz... Foi isso.
Em silêncio,
Olhos dilatados,
Pelos eriçados...
O DSE tem Salas e corredores vazios.
Rivete chega e abre a porta fria de vidro.
As luzes brancas alumiam sua chegada e o corredor por onde entra.
Abre a porta de madeira.
Senta...
Depois chega Nildo, sobe a escada e abre a grade.
Mexe no celular e vai assinar o ponto.
Chega Rubens, caminhando devagar, contemplando.
Abre a porta e deixa aberta,
Chega dona Elisabete e vai para a ala do osso da baleia.
Depois chega Filipe
Que conversa com a gata que chama de Vea...
Tudo isso ocorre antes das seis horas.
Semi nua a lua,
Podia ser vista da rua,
No céu alto.
Tanta beleza,
Tanta beleza...
Semilunar,
Atraiu o meu olhar,
Branca e pálida,
Qual uma deusa,
Recostada...
Que ilusão...
Era só uma lua
Que estava a minguar.
Cai a tarde escura,
Nuvens que oras chovem,
Oras deixam o sol clarear,
Ruas molhadas e enxutas...
Definitivamente,
Caiu à tarde,
Caiu à tarde!
A noite vai crescendo,
Crescendo,
E o dia...
Já se foi.
Agora,
Jás eterna tarde,,,
Alguém partiu junto.
A madrugada limpa
um espelho d'água,
Repleto de estrelas,
Amanhecia calmamente.
Assim despertou a siriri,
Cantando, cantando e cantando.
Parecia antecipar a chegada do verão,
O termino das chuvas do ano.
Sassá acordou cedo ontem.
Leu, brincou, almoçou, tomou banho.
O levei para a escola.
Depois pegamos ele para ir ao mercado.
Foi ao Timbó.
Lá comprou serpentes de plástico.
Cinco animais.
Estava contente, feliz, satisfeito com seus bichos.
Brincamos juntos.
Depois dormiu, apagou na cama lendo a turma da Mônika.
Escrevi algumas coisas inspirado por Pablo Neruda. Agora nem sei por onde estão, mas sei que estão aqui. Gostava dos livros daquele autor, de suas capas, talvez as imagens das capas me atraísse mais que as palavras e os versos. Nunca mais o li. Descobri que tenho tanta coisa para ler... As vezes a gente se perde nas demandas da vida. Em mim, tenho guardados sentimentos por sua poesia. Queria ser poeta. Talvez almejasse os louros da poesia. Minha vitrine era externa. Minha vitrine estava nas livrarias, nos livros de bolso e no que cabia no meu bolso. Então tive acesso a Neruda, Pessoa e Nietzsche. Marcou a época que fazia meu doutorado. Depois descobri a Borges e tive acesso aos seus livros encantadores. Este me fez escrever e sentir e ser um escritor, mesmo que sem leitor. Por último, estava tão perto de mim, tão em conta e só agora descobri Davi e Salomão. Coisas de uma história humana. O amor as letras... Deveras, esqueci de relatar o primeiro tratado que delinearia minha vida... encontrado num baú antigo... um livro com os pensamento de Gandhi. Estes me marcaram profundamente.
Beija-flores piando,
Garrincha cantando,
Céu cinzento,
Vendo espalmando gotas de neblina.
Sono, cedo.
Uma noite longa,
A mente cheia quer se esvaziar...
Algo não deixa
é a falta de sono...
Que será?
Ao meio dia,
O sol ao pino.
Calor e luz,
Fome!
Paz...
Uma rolinha caldo de feijão cantava.
Uma doce memória pulsou em minha mente.
De um tempo que nunca voltará.
Quando sentia ainda mais o vazio do mundo.
O mundo era desconhecido,
Eu era corpo e vontade.
Bateu uma saudade não do meio dia,
Não do lugar onde nasci...
Uma saudade dos anos 80 ou eram 90...
Saudade daquelas coisas...
Costumamos olhar pra trás,
Porém não é à toa...
É a prova que nem tudo é ruim,
Nem tudo é vazio.
Uma prova que somos pessoas de nossos tempos.
Canta rolinha...
Naquele tempo não fazia sentido,
Seria então seu canto,
Um sentido do sentido de hoje.
Sei lá.
Ame.
Só tenho memória do que vivi.
Memória são espelho do passado vivido e afetado.
Memória se refletem num momento semelhante,
Real ou imaginário.
Somos memórias vestidas de sentimentos.
Somos o acaso,
Na manhã ou no ocaso.
A mudança desperta dúvida,
O desconhecido que é o devir.
Memória é um deveio refletido.
Criada em nosso favor.
Mas...
Deixa pra lá.
Aristotelino meu primeiro professor de ecologia me fez querer ser igual. Foi uma aula magistral.
Quebrando os protocolos e sentando no bureau.
Sem um livro na mão e sem usar o quadro,
Com sotaque carioca deu uma aula magnífica.
Sabia o odum de ponta a ponta.
Faltou sobre entropia.
Uma das três leis da termodinâmica.
Lei que diz que tudo tende ao caos exceto a vida...
Naquele dia por teoria descobri o que já sabia por intuição.
A sala era igual a da escola onde estudei, mas as ideias eram mais amplas e profundas.
Naquela noite, sabia que aquele era o caminho que devia seguir.
Não sei se por acaso ou não me tornei professor...
Foi na aula de campo de Tot que vislumbrei uma direção de conhecimento. Em Equador no Río Grande do Norte vi uma Jurema com o nome científico e pensei será esse meu destino? Saber o nome de todos as plantas?
Hoje é sábado, manhã ensolarado, quase 26 anos depois...
Tomando um pouco de consciência.
Sábado fomos à Bica. Já começamos agosto indo à Bica. Manhã com sol e chuva. Nem estava lá dona Lenita, chegamos já era quase 10 horas. Entramos e fomos passear. Vimos as aves de rapina. Sassá até imitou um gavião asa de telha. A áugia chilena gritou ana gritou. Depois fomos ver os peixes. Fomos ver se víamos bichos nas nascentes que ocorrem na Bica. As vezes vemos jacarés, cágados ou peixes. Bom, mas o que tomou nossa atenção mesmo foi o pavão sansão que estava se exibindo para Dalila. A calda linda aberta, pluriocelar, azul. Fazia um chiado parecia um maracá. Passamos uns dez minutos ali. Rimos, fizemos piadas, brincamos. Depois fomos ver os macacos, a loba oculta mila... E o tempo voou.
Segunda-feira, primeira de agosto,
Já começa assim, nublada, neblinando.
Só a corroira cantando.
As árvores gotejando.
Aquela indisposição!
Querendo cama,
E já no batente.,
Nesta cadeira,
Pronto para iniciar o dia.
Ontem foi o último dia de férias de Sassá. Acordou cedo, virou o apartamento de ponta cabeça. Brincou, gritou, pisou forte no chão, usou a tesoura, pintou as coisas. E brincou comigo. Eu estava com infecção intestinal, por isso enfesado. Nem deu para fazer o que queira, mas tudo bem. Ele saiu com a madrinha a mãe e os meninos da madrinha. Chegou e nem vi. Acabou. Hoje começam as aulas. Amém.
As memórias são de um tempo, de um lugar.
As memórias podem ser impares ou pares.
Estas carregam em si um afeto, uma emoção, uma sensação.
As memórias são partes constituintes de nós.
Memórias externas e internas...
Memórias com dor ou alívio,
Memórias de tristeza ou alegria.
Eis ai o ser.
A gente vive tentando entender a vida.
A gente busca no tempo elementos que deem suporte e sentido a vida.
A gente busca na matéria, substrato para não sucumbir a existência.
A consciência é um peso a existência...
O que é divino, também é amaro e tirânico.
A gente busca entender a vida,
Que ação em vão.
Nada se encontra nisso tudo.
Apenas o tempo...
Ontem, dei banho em Sassá, vimos o livro de imagens de peixes. Depois saímos para caminhar pelas ruas dos Bancários. Já não existe nosso pé de jasmim da casa 46, onde a gente sempre coletava uma flor para cheirar. Pegamos a rua paralela as três ruas. E a conversa estava muito amistosa e boa, pois ele não parava de falar da concha de um molusco marinho de fundo de mar. Andamos muito e ele me perguntava se eu conhecia uma concha de um molusco de fundo de mar.
Nem percebeu que estávamos caminhando tanto. Sim, ele como sempre negociou um picolé, mas estava atento a suas idéias. Novas ideias. Falou em ter uma ideia de organizar uma coleção de conchas. Foi isso mesmo. Disse que teve essa ideia. Achamos uma conchinha e ele coletou. Passou para uma dúvida de qual era a real cor daquela concha, se marrom ou cinza. Chegamos a esquina da Glacaí sorveteria. Eu escolhi um picolé de brigadeiro. Ele provou, provou, mas não gostou e não quis. Disse que estava amargo. Então fomos embora com a intenção de ir ao mercado. Chegamos logo em casa. E nem fomos ao mercado. Jantamos, tomamos banho, jogamos xadrez e um outro jogo lá. Ele estava pleno. Fui dormir. Só lembro dele deitando depois na cama. Então dormimos.
Aquela casinha teve tantas cores.
Nela fui amamentando, balbuciei as primeiras palavras,
Nela percebi o mundo sem palavras,
Tudo era tão absoluto,
Nela descobri o amor, nela descobri meus desejos...
Nela descobri realidade da vida
Via razão...
Nela senti meu coração dilacerado,
Nela, tantas vezes comemoramos juntos.
Nela descobri a realidade da vida via experiência...
O tempo passou...
Casinha e tive que te dar adeus.
Sempre volto e mato sua saudade.
Agora tão longe
Fecho os olhos e posso andar no seu interior.
Somos um só.
Posso ir nos três quartos, usar o banheiro,
Ir a cozinha e a área.
Posso sair fora e ver o céu estrelado...
Somos um só.
O tempo nos distanciam,
E saber que o tempo passa e que
as memórias se apagam...
Apesar de tudo casinha.
Vale a pena,
Só tenho graça,
Pela sombra do sol e da chuva,
Pelo calor retido
O frio cedido...
Casinha compartilho esse momento
Nosso. Só nosso momento.
Meu infante momento.
Porque é bom sem um contigo. Conosco... Amém.
À tarde caia,
A caatinga ia esfriando,
A luz se encerrando no poente,
Saia de casa em direção a mata branca, no poente,
Podia ver a mata nua,
Caminhando
Ouvia os últimos cantos das aves,
Via os ramos intrincados,
A silhueta da mata na frente do sol.
Ali sentia o cheiro do mato, marmeleiro, Jurema, mussambé...
Aos poucos a noite caia,
Uma estrela despontava,
E eu era pura consciência.
Sentir-me natureza.
Cansado contemplava a natureza,
Pensando no passado,
Pensando no futuro.
E quando a noite caia,
Chegava em casa
Cheio de pensamentos,
E todos ali tinham seus pensamentos,
Suas identidades, Seus sonhos.
Pensavam na vida como eu...
E agora só memórias.
Tudo maia, tudo ilusão, tudo deveio e devir.
Agora longe no espaço e no tempo.
No fim da tarde sou pura recordação.
Mais nada.
São tantos momentos num dia.
Tantas coisas acontecem.
Algumas prevemos,
Outras são imprevisíveis;
As previsíveis gosto de regar com a leitura,
As imprevisíveis aceito e reajo.
O sol nasce,
O sol se põe.
A lua nem sempre nasce,
Quando nasce sempre me espanta.
Ontem estava tão bela.
Vi lá na estação de Cabo Branco.
Foi um espetáculo.
De um lado a cidade, do outro o oceano,
Acima a lua,
No meio de tanta beleza...
Minha alma pediu um momento para contemplação.
A vida é tão indescritível...
Cansaço e descanso,
Dor e alívio.
Viver e sentir a vida é uma poesia
Sem palavras,
Meu Deus como pode ser assim.
A morte até nos assusta nestes momentos.
Deixa pra lá...
Este momento é tudo.
Sassá faz novos amigos.
Ontem Sassá conheceu novos amigos. Helena e Caio irmão gêmeos filhos da amiga do papai Laura.
Eles vieram de bem longe. Lá de Foz do Iguaçu. Não interagiram muito porque a diferença de idade é de cinco anos.
Mas estiveram no mesmo lugar, vendo as mesmas coisas, ouvindo as mesmas conversas.
Um dia soará interessante. Quando eles crescerem pode ser que sejam amigos.
Somos amigos dos pais deles. Tudo começou lá no doutorado.
Amizades para a vida inteira.
E com e entre eles. Foi um início interessante.
Quantas vezes fomos felizes mamãe.
Na nossa casa, nada faltava,
A nossa felicidade preenchia tudo.
Agora sinto tanta falta,
Tenho consciência disto.
Resta a casa,
Falta você.
Tudo que existe de ti
Mora em meu peito...
Falta um abraço...
O tempo se encontrou com o vento,
Foi um encontro interessante,
O tempo no vento,
O vento no tempo.
O vento e o tempo com coisas em comum,
O vento e o tempo não podemos ver,
Percebemos seus efeitos.
O tempo e o vento foi nosso invento?
O tempo sentimos internamente,
O vento sentimos externamente,
Espaço e tempo...
Pensei nestes objetos,
Pensei suas qualidades
E senti a eternidade
No tempo e no vento,
Tão presentes em minha existência.
Alinhado com a realidade, O tempo e o espaço E os diferentes momentos da vida, Essa realidade que é causalidade, É espaço se opondo ao temp...