19/06/26

Esculpindo uma arte

 Em um instante penso,

Penso no que construo,

Penso no que escrevo,

Penso e escrevo.

Escrevo uma ideia,

Escrevo uma representação

Usando a palavra.

É um momento breve,

De uma composição.

Escrevo o que penso.

E incrivelmente 

O que escrevo se cristaliza.

O pensamento se materializa,

Em palavras, frases...

Às vezes é um cristal,

Às vezes é vidro.

Está ali materializado

Em signos,

Estou selecionado,

Estou procurando 

Uma forma melhor de cristalizar meus sentimentos...

Estou buscando a medida certa,

Aprender certas artes é trabalhoso

E quanto mais trabalhoso, mais valioso.

Um dia quando me for essas palavras 

Continuarão existentes...

Expressarão

Um instante que pensei no futuro,

No passado,

Mas estava no presente.

Só isso.

Dos dias doces da vida

  A tarde caiu agradável,

O céu azul com carneirinhos,

O vento soprando frio.

Até cochilei.

É mês de junho,

As festas juninas,

O milho verde, 

A fogueira...

E essas tardes figueiras.

A gente se sente assim... Feliz.

Com os anos idos,

Com o presente...

E o futuro a Deus pertence.

A tarde cai maravilhosa.

Canjica e memória

O mês é junho, o ano 2026.

O lugar João pessoa.

 Ontem à noite,

Estava no shop, onde vi numa quitanda canjica para vender.

Aquela canjica amarelinha com pó perfumado de doce de canela.

Comprei um copinho.

Na primeira colherada minha memória foi longe no tempo.

Senti o gosto da casa paterna,

Deu para ver a nossa cozinha amarela,

Deu para ouvir a nossa voz conversando.

Deu para sentir o gosto da canjica com leite gelado.

A ordem com que comíamos,

Sendo a canjica primeiro

Na sequência a pamonha.

Vivi sensações vividas,

Percebi a distância que separa aquele tempo

No espaço e no tempo.

Percebi que tudo passou,

Cada um sua vida tomou.

Nem imaginava nada disso quando comia canjica

Naquela cozinha de telhas fumegadas,

Só sentia o doce do açúcar,

Só sentia a textura do leite do milho cozido.

Eu achava que aquele tempo era eterno.

Hoje, no alto do futuro e no raso do presente,

No profundo passado.

Uma simples colher de canjica,

Dá chão a quem fui,

E me faz despertar quem eu sou.

Quanto tempo se passou...

Quanto tempo ainda a divindade me dará.

Não importa.

Prova Vinícius, prova meu filho, prova mamãe de Vinicius.

Prova que essa canjica tem história minha

Que quero compartilhar como compartilho a canjica.

18/06/26

Silêncio interno, tempo.

 A manhã ouca

A manhã cresce com o sol,

E vai se aquecendo,

O verão vai acenando.

O silêncio!

Algo silencia em meu ser.

Ouço sons solitários.

Agora canta uma rolinha,

Canta uma rolinha caldo de feijão.

Uma pombinha tão frágil e bela.

De repente!

Silêncio...

É possível esse silêncio?

A cadeira ringe,

O teclado dedilhado soa.

Mas vem o silêncio...

O silêncio, sentido interno,

O silêncio no tempo,

Não o silêncio no espaço.

Espaço e tempo...

Externo e interno.


A mata, amiga flora

 Quando chego a universidade

O sol ainda está deitado,

A mata fala nas aves.

Quando saio da universidade

O sol quase se deitando,

 A mata fala nos grilos.


A mata é minha amiga,

A mata é minha companheira,

Nossa relação começou quando cheguei aqui.


Retomando,

Sabe!

Não conheço o canto de cada grilos,

Mas conheço o canto de cada ave que aqui canta.

Grilos são desconhecidos,

Aves são mais conhecidas.


A minha relação com a mata é de silêncio,

É de administração,

É de carinho,

É de amizade.

Admiro cada árvore, cada liana, cada arbusto...

Eles sempre estiveram aqui.

E continuarão aqui 

Com suas aves e seus grilos...

Com suas flores,

Com suas resistências...


Eu estou aqui só de passagem.

Muita coisa é nova 

E muita coisa é eterna...

O que sobra da mata.


Respeito a mata!

Não quem mata a mata.


Aqui do fragmento da biblioteca.

Da curva da sucupira...

Lugar de encontros e desencontros.


Respiro profundamente sinto o corpo,

Sinto a mata, os sons, os cheiros e as formas.


É aqui onde o dia inicia,

É aqui onde onde o dia se finda.


Quando começa é intenso sol e luz e movimento e gente e ação.

Quanto termina se foi o sol é sombra, é estática, é vazio.

E se vai...

Lua, vênus e a noite

 À tarde, enquanto anoitecia,

Depois de chover o dia inteiro,

Incrivelmente o céu estava limpo,

O céu era infinito.

Aos poucos se dissolvia toda luz em sombra,

E a lua ia subindo,

Subindo feito balão.

Por um instante,

Contemplei a lua,

Lua crescente,

Tão jovenzinha.

Acima da lua,

Vênus despontava,

A noite anunciava,

Para o poente apontava.

Estava caminhando com meu filho,

Entrertido com um picolé,

Disse que era lua crescente.

De acordo,

Disse que era a posição da luz.

Com cinco anos já conhecera...

Demorei muito a saber das fases da lua.

Mas por muito contemplar,

Por perceber seu olhar,

Aprendi a conhecer a lua.

17/06/26

Construção de memórias BICA

 Sábado, fomos a Bica, Sassá, a mamãe e eu. Ir a Bica é excelente. Sassá foi a Bica recém-nascido. Nós sempre vamos pelo menos uma vez por mês. Pude perceber o contínuo de crescimento e a evolução de Sassá. Na Bica encontramos os papais de primeira viagem desajeitados como fomos. Papais muito cuidadosos, exaustos com a paternidade recente. Papais muito felizes por serem pais. O cuidados dos pais com seus bebês e a Bica é um espaço em que os pais vão para ver se seus filhos cansam e dormem bem a noite. Tudo que os pais mais querem é um pouco de descanso e a Bica promete. Vemos bebês aprendendo a caminhar descobrindo a realidade das esculturas dos jacarés. Bebês observando atentamente os bichos. Meninos já no parquinho correndo e brincando. Meninos curiosos observando as serpentes, a leoa... Sassá passou por todas essas etapas, está tão independente. Conhece todos os recintos e bichos da Bica. Esse tempo logo passará e ele passará a ter outros gostos. Guardaremos felizes as memórias da bica.

Quebra de silêncio

 No fundo da mata canta uma garrincha.

A manhã nasceu, mas o sol não apareceu.

Está tudo parado, nem uma folha se move.

Então encantada longe, canta  a garrincha.


Esse silêncio estático da manhã,

Será o silêncio da mata?

Ela, a mata, está viva.

Sinto, ouço e sei.

Só isso.

16/06/26

José Dantas

 Um domingo ensolarado, acordamos e fomos à Praia de Cabo Branco. Íamos sempre! Amamos praia. Num domingo específico. Estávamos na praia. Cavamos um buraco na areia. Estamos plenos. Sol intenso. Céu azul. Então um senhor vinha vindo e parou para nos cumprimentar. Era um poeta. Era um engenheiro poeta. Era José Massena Dantas. Nas mãos tinha vários livros de cordéis. Conversou bastante. Uma conversa interessante. Então me presenteou com um cordel com mote: Só a chuva faz mudar a paisagem do Sertão. Levei o livro pra casa. Folheei, mas não cheguei a ler. Um dia peguei para ler. Então comecei a ler um texto por dia e a pesquisar pelo poeta que o construiu. Acabei descobrindo um universo do meu sertão que não conhecia de fato. O mundo da poesia popular. Conheci inúmeros nomes. Tudo isso Graças ao presente de José Dantas. Leio... paro. Leio. Paro. E vou desvelando esse universo lindo da poesia popular. Já me tornei fã de todos. Obrigado Zé Dantas.

Xeque mate

 Ontem a noite, fui jogar xadrez com Sassá e tomei dois xeques mates.

Achei interessante suas jogadas. 

Quis preservar o cavalo.

Não quis devorar os peões. 

Na terceira partida ele perdeu,

Dai acabou o jogo.


15/06/26

O riacho

 No terreno de papai,

Corria um riacho,

Corre, corre, corre riacho.

Água azul leitosa,

De manhã tão friazinha.

O riacho era perfumado

De flores rosas de mimosa,

De flores roxas de mucunã.

Corria para lá para birncar.

Fazia uma parece...

Mexia no barro molhado,

Construía o meu açude.

Via na água leitosa

A beleza mineral.

O silêncio da mata,

Assanhada pelo vento...

Tudo ficou para trás.

Tudo ficou para trás.

O mato fechou tudo.

Mato fechado.

Tudo ficou para trás.

Minha infância,

Meus sonhos,

O leito do riacho está lá.

E na minha mente.


Era tão bom,

Depois me banhar na água,

Ouvir mamãe gritar,

E saia correndo,

Com fome...

Chegava em casa

E comia feijão verde.

E a vida era mais linda do mundo.

Bosque dos Namorados

 Fomos recentemente ao parque das Dunas. 

Ir ao parque das Dunas é para mim um ponto importante de minha vida.

A primeira vez que fui foi em 1997, quando nem conhecia nada em Natal.

A professora de Biologia Janildes Amorim nos levou ao bosque dos namorados.

Fiquei encantado, Descobri que o pau-brasil era do mesmo gênero das catingueiras na época.

A diretora era Socorro Borges.

Estava em reforma. Ah! como quis ir morar em Natal.

E fui. Morando em Natal, fui poucas vezes ao Parque das Dunas. Ficava longe de onde moravamos e não tinha muitos ônibus que passassem por lá.

Depois fui lá como aluno de Graduação.

Fui como aluno de mestrado.

E fui como pai. A melhor parte.

Minha esposa e meu filho amam o bosque dos namorados.

Já fomos lá três vezes.

Gosto do ambiente.

Atemporal.

Bom voltar ao mesmo lugar e descobrir algo diferente.

Assim é a forma como as coisas se revelam.

Devagar.

É isso.

Um canto de memórias

 Ouvindo o som da rixinó.

Posso sentir o tempo em minha existência.

Tudo começa na nossa casa velha...

Bem menino vi pela primeira vez uma rixinó fazer um ninho.

O ninho ficava na soleira da casa velha vizinha a nossa.

Quantas vezes ela não fez um ninho ali.

Nem mexiámos.

Era um animal sagrado.

Cantava durante todo o inverno.

Depois que seus filhotes cresciam iam embora,

Agora só no próximo inverno...

Foram tantas vezes.

Hoje estou muito distante de casa.

Quando ouço seu canto.

Sinto bem.

Sinto que estou em casa.



14/06/26

Sufi

 Sufi

Sempre que ouvi música sufi.

Algo fez minha alma tremer.

Um som tão puro.

Parece que estou no deserto,

Caminhando na areia fria do deserto,

Sob um céu intensamente estrelado.

O místico se sobrepõe...

Séculos de uma cultura de resistência nos lugares mais secos da terra,

O oriente médio.

Vem a minha mente as 1001 noites,

O livro do gênese,

A matemática,

A filosofia aristotélica...

Borges,

Meu pais que me contou um conto das 1001 noites sem saber.

Adaptou... Nem eu mesmo sabia.

Essas coisas saltam da minha aula

Ao ouvir Sufi...

Nem mesmo sei a definição.

Sinto.

Isso me basta.

Copa do mundo

 A nós Brasileiros o futebol é uma arte, é uma forma de viver, é uma forma de dar sentido a vida, é o motivo para a amistosidade, para uma conversa amiga, mas pode ser também algo totalmente oposto.

A copa nos mostra a unidade do planeta terra. Tem nos ensinado desde muito a grandeza cultural da terra.

Países de todos os continentes em festa numa grande disputa onde o vencedor será aclamado e os demais serão adormecidos por quatro anos.

Ontem, quando unidos com amigos na hora do jogo, bem no início quando cantava o hino do nosso pais.

Fiquei profundamente emocionado. Lágrimas escorreram em minha face, pois lembrei de meu pai. Meu pai não ligava para futebol, mas a copa era especial. Ele torcia pela seleção. Meu pai era demasiadamente brasileiro para deixar passar uma copa. A memória foi nítida... Foi caloroso ouvir todas as pessoas no shop mangabeira cantando. 

Celebramos um momento impar em nossas vidas. Meu filho pela primeira vez participou de um jogo e vibrou com amor o gol da seleção.

Em meio a essa panela de pressão de emoções. Vivemos um dia que ficará marcado em nossas vidas.

Que bonito... Naquele momento as pessoas esqueciam suas profissões, suas rixas, suas desavenças, suas paixões e todo mundo era Brasil... 

12/06/26

Lua

Voltei meu olhar para o céu noturno.
Ontem estava nublado e não vi nada.
Anteontem vi Vênus e Júpiter,
Enquanto nasciam no poente.
Hoje de madrugada vi a lua.
A lua está crescente.
Pensei como pode a gente passa a vida vendo a lua
E mesmo assim se admira todas as vezes que mira nela.
Olhar para lua parece ser atemporal,
Olhar para lua parece ser transpacial.
Olhar para lua deve ser universal.

A gente se encantou com a lua,
A gente cantou para a lua,
A gente se encanta com a lua,
Sempre!
Desde a primeira vez que tive consciência de lua.
Nem me lembro mais, mas sei que foi lá na casinha onde vivi minha infância.
Lá descobri a noite e com ela a lua...
A sombra ascendeu meus medos.
A lua era um claro que embelezava a noite.
A lua amenizava o escuro,
Não revelava,
Mas clareava...
Lua esse espelho do sol.
Essa poesia pronta.
Só isso.

11/06/26

Caminhar

 Sair para caminhar,

Sentir o mundo e a vida.

Uma caminhada é algo tão simples,

Mas tão maravilhoso.

Poder ir e vir.

E tudo começa engatinhando...

A gente percebe o esforço que fazemos para caminhar.

Depois aprendemos a caminhar.

E caminhamos a vida toda.

As vezes nem pensamos no que seja o caminhar.

Dar uma boa caminhada é tão gostoso como comer nossa comida favorita.

Um dia, a gente para.

A gente vai sentir saudades de simplesmente caminhar.

Caminhar para perceber o mundo.

Caminhar para ver as coisas,

Caminhar para ver ruas,

Casas, plantas, pessoas,

Ver as aves voando,

Ver os cães e seus donos.

Ver o entardecer,

Ver o céu estrelado...

Caminhar...

Rápido ou devagar.

E por fim relaxar.

Essas coisas.

Atmosfera

 Amanheceu claro,

O céu azul,

O sol brilhando.

E o sol brilhou intensamente,

Até o meio dia.

Depois os cumulonimbus

Apareceram no poente,

E aos poucos foi tomando o céu.

As quatro horas veio uma chuvinha

E o céu se fechou.

A atmosfera é tão instável.

O dia tem suas distintas variantes.

Como conviver com estas adversidades?

Construa sua casa,

Cuide bem do telhado.

As chuvas vão e voltam sempre.

Os dias e as estações

Seguem um ciclo.

Não seria diferente conosco.

Magnetismo, ima e azougue.

 Lembro que fiquei impressionado quando conheci o azougue.

Era criança ainda e ver um material que atraia e era atraído por ferro me impressionou.

Depois o azougue ganhou o nome formal de imã.

Descobri na escola que se tratava de uma propriedade física conhecida como magnetismo.

Interessante como o mundo vai se revelando.

A gente vai reconhecendo o mundo das abastrações,

O mundo da força,

O mundo Conceitual,

Um mundo maior que o mundo físico, mas está dentro deste mundo.

Esse mundo conceitual talvez seja só uma expressão do mundo material.

Ainda hoje me impressiona o magnetismo.

Tenho um magnetismo por este assunto.

E é isso.

10/06/26

Trabalhar no herbário

 Um herbário é uma coleção de exsicatas.

Uma exsicata é uma parte de uma planta herborizada.

Herborização é o processo de prensar e secar partes de uma planta para fazer uma exsicata e compor uma coleção de plantas secas. Temos várias coleções botânicas no Brasil. Eu trabalhei no herbário da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, no herbário do Instituto de botânica, no herbário da Unicamp, no herbário da Embrapa Cenargem e no Herbário da Universidade Federal da Paraíba. Visitei grandes coleções como a do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Instituto de Pesquisa da Amazônia...

Às quartas-feiras venho trabalhando na coleção de Fabáceas do JPB. 

Aproveito para ouvir as músicas que gosto, pesquisar e relaxar.

Os armários, as espécies indeterminadas, que vou determinando me fazem pleno.

Satier.

Hegel...

Manto divino

 Após as chuvas de maio

Quanto os campos ficam coberto de flores,

Quando o milho secou a palha

E o feijão de corda se enrola 

No colmo do milho. 

As flores de feijão passam a enfeitar os pés de milho.

É a hora de dobrar o milharal.

É logo nas primeiras chuvas de junho,

Um espetáculo acontece.

Os freijós ficam floridos,

Parecem se cobrirem com um manto alvo divino.

Um manto perfumado e alvo.

Flores estrelas,

Estrelas flores.

Os dias frios floridos,

Os dias frios estrelados de alvo,

A noite o céu é uma coxa negra de algodão,

Estrelada...

A existência é tão plena e infinita.

Chegamos a sentir a eternidade,

Chegamos a sentirmos a divindade.

O espetáculo do freijó.

Nos sítios e nas matas.

Chega parecer poesia.

E a vida expressa que vale a pena ser vivida.


Freijó ou linharé - Cordiaceae - Cordia trichotoma.

Foco

 O foco 

Foco minha mente num instante.

Neste instante prendo me ali

Naquele breve momento.

Prendo me fazendo algo

Consciente.

Sou pleno neste instante.

Filtro tudo,

Sou tudo.

Sou todo eu.

Depois me esqueço.

E me perco na realidade.

Na intimidade com o divino.

 A tarde caia deixando a barra acesa por um bom tempo.

Depois o céu limpo, ficava quarado de estrelas.

Mas vênus era a primeira a aparecer,

Selando a união do dia com a noite.

Eu, sem entender do mundo, 

Eu, sem entender de mim

Via tudo com  tanta ternura...

Contemplava a imensidão do mundo,

Pois diante do firmamento me sentia uma formiga.

O céu pleno, escuro peneirado de estrela.

O céu pleno tingido de estrelas

Vivas estrelas pulsantes.

Tamanha beleza me abraçava,

Sentia a transcendência da minha existência.

Mamãe, Papai e minhas irmãs estavam em casa

Preparando o jantar, tomando banho...

Enquanto a noite dissolvia a luz.

As vacas no pequeno curral cominam

Restos de palha,

Só se ouvia o tilinitar do chocalho.


Só de bermuda, pés empoeirado, 

Sandálias velhas...

Sentia a intimidade do mundo.

Mudas as árvores me faziam companhia.

A terra esfriando da luz do dia.

Eu, pleno eu.

Estava seguro.

Me sentia seguro...

Nem pensava em nada.

Só contemplava o anoitecer,

O céu estrelado.

E você?


São João

 Sassá fez sua apresentação de São João no sábado passado, 06 de junho, 2026.

Estava lindo, com camisa xadrez, calça com suspensório e chapéu de palha.

A turminha formada por sete pareias.

Fez par com Maitê. 

Eles se apresentaram sob a música maravilhosa de Gonzaga a "A feira de caruaru".

Ele treinou na escola. Ouvimos juntos a música várias vezes.

O danadinho gosta de forró, gosta de Luiz Gonzaga.

Se apresentou linda mente pelo terceiro ano seguido. A mãe nem chorou.

É tá crescendo Sassá.

Tá ficando um amadão.

Depois, fizemos fotos.

Ele quis comer maçã do amor. 

Foi a primeira vez que comeu. Não gostou muito, pois nem comeu toda.

Comeu pipoca e salgado.

Depois fomos ao mangabeira shop.

Estava muito feliz porque fomos com os filhos do cumpadre,

Então correram muito, comeram, brincaram e viram o jogo.

É isso.

Tudo

 Quero tudo,

Quero tanto,

Porque não mudo,

Porque do espanto.

Mudo.

Contemplo tudo.

E a tudo sacudo,

Deixo tudo num recanto.

Seguir a vida sem pranto.


Transcendência

 Ontem, quando a noite caiu.

Ela revelou um outro céu.

Céu limpo e atropurpúreo.

No céu dois corpos celestes,

Dois planetas direcionavam o poente.

Eram Vênus e Júpiter.

Voltei no tempo,

Voltei a serrinha do Canto.

Onde era frequente a contemplação Celeste.

Essa semana vi essa formação mais de uma vez.

E me uni ao divino,

Ao eu, ao universo.

Algo grande revelando minha pequenez,

Algo grande revelando o divino.

Algo que me fez sentir a transcendência da existência.

Dormi feliz.

Macro, micro e eu.

 No universo que existimos

Existe o macro e o micro,

O céu onde o sol aparece e desaparece,

Delimitando o dia e a noite.

Existe o mar repleto de água,

Onde são formadas as chuvas.

Existe a terra por onde caminhamos,

Por onde cultivamos,

Por onde habitamos.

Existe os seres ao nosso redor,

Bactérias que não vemos, mas elas existem.

Existe as células que nos constituem.

Existe algo em mim que se diz um eu.

Onde é o centro do eu?

Onde começa o eu?

No macro ou no micro...


09/06/26

O eu, a tarde e o mato

À tarde,

Andando na mata sob o sol e o calor.

O chiado da folha seca.

Árvores com ramos nus e cinzentos.

Na beira do açude 

As abelhas e aves matam sua sede.

O zunido do vôo das abelhas.

Aves cantando.

O cheiro da água misturada com barro.

O céu azul e sol ardendo.

As pedras quentes,

Preás espojando nas veredas.

A gente se sente um com a natureza.

Sensação de plenitude.

E o tempo passa.

E o tempo para.

O cancão pia.

O vento sopra assanhando o espelho da água.

Neste instante somos eternos.

É tão bom tudo isso.

08/06/26

Francisca de Nina

 Francisca das Chagas Queiroz,

06 de junho de 2026.

Minha prima, filha de Severina (Nina) irmã de papai Francisco.

Ontem encontrou sua mãe e toda a nossa família pretérita.

Descanse em paz prima.

Primeiras horas

 Chove.

O vento frio.

O céu cinzento.

Uma vela acesa.

A pluma amarela dança.

Enquanto dança conta o tempo presente.

Enquanto dança consome o pavio e a cera.

Enquanto dança ilumina com sua luz alaranjada,

Enquanto dança consome a si.

Alumia e aquece o seu entorno.

Vejo a vela.

Sou uma vela.

E penso este pensamento.

Pensar consome o meu tempo.

Pensamento causalidade?

Pensamento é tempo sem espaço.

Pensamento é tempo no tempo.

Pensamento é memória em aquecimento.

A vela dança 

A chuva chove.

O pensamento pensa...

Onde está o eu.

Manhã de junho

 Após uma noite de neblina amanheceu. 

O céu está cinzento.

Lufadas de vento vêm e vai.

O paralelepípedo da rua empoça água aqui e está seca ali.

No alto do prédio ao lado pombos brancos se peneiram a se coçar.

Flores alvas de jasmim molhadas daitadas na calçada.

As telhas marrons em seus telhados espelham sua face molhada.

A neblina soprada pelo vento volta.

Em suas camas desncasam felizes o mês de junho.

Mês dos namorados, da festa junina e da copa...

Ano de inverno.

Aqui celebro tudo isso com um chá, o silêncio e celebrando o meu ser maior.

Ser e existir

 As coisas têm dois modos de ser, um material e outro conceitual, ou melhor um modo concreto e outro abstrato.

As coisas são entes ou objetos.

Isso é claro modos de entendimento humano.

Coisas são coisas.

Pelo menos, como percebemos, como concebemos e como conhecemos as coisas... Podem ganhar cálcio e em nosso ser ter diferentes sentidos, condicionantes.

E pensando nisto...

Vou entendendo como nós nos formamos e nos tornamos nós. Nós construímos nosso ser. Partimos da existência para subjetivarmos a essência das coisas.

Primeira vez no maior Cajueiro

 Fomos a Pirangi visitar o maior cajueiro do mundo.

Já havia ido há muito tempo atrás quando morava aqui em 2005.

Vimos um gigante vivo.

Vimos que cajueiro com um tronco e 133 anos pode transformar um ser num gigante.

Seus ramos serpeteam na vertical se enterrando e se erguendo sustentando milhões de folhas.

Entre outubro e janeiro produz toneladas de frutas.

Aquele cajueiro é uma atração fantástica. Fez a população conhecer um pé caju que a gente chama de cajueiro. Pertence a espécie Anacardium occidentales e é da família Anacardiaceae do grego... "Ana", igual a semelhante "cardium" coração em alusão a forma da fruta. O fruto tecnicamente é a castanha. Que por sinal é muito em minerais como selênio bom para a mente. Andamos entre os ramos coleantes. Vimos a serrapilheira composta por folhas de caju e plântulas de espécies locais.

Tem vendedores oficiais de suco e cajuína, fanta, cajuína São Geraldo de caju; vendedor de artesanato,

De castanha caramelizada.

Tem lugar para fazer uma fotografia.

E por fim um mirante.

Dentro do cajueiro pude voltar a minha infância ao ouvir o vento cantar nos ramos e nas folhas.

Os ramos cinzentos e estriados...

Afloraram o meu passado.

Ao lado do cajueiro tem uma feira de artesanato com gente linda e sorridente.

E assim fechamos o passeio.

Conhecer Natal

 Fomos a Natal no mês do são João.

Vimos o aquário da redinha.

Vimos e passamos pela ponte Antenor Navarro.

Vimos o farol de mãe Luiza.

Vimos a via costeira.

Vimos o morro do careca.

Vimos as dunas do parque das dunas.

Vimos a UFRN.

Vimos o museu Camara Cascudo.

Vimos o Hospital universitário Onofre Lopes.

Vimos a maternidade Januário Cique.

Vimos a barreiras do Inferno.

Vimos o maior cajueiro do mundo.

E passamos uma tarde e uma noite 

Em família com meu amado e querido amigo 

Robério Nascimento e sua família Daniele Marinho, Giovanna e Olívia Marinho.

A tarde fresca e de  nuvens de algodão.

Foi perfeito.

É bom demais sentir que a gente tem amigos de verdade.

Voltamos pra casa

Cheio de recordações.

Mamãe e papai do Vinícius.

Eterno momento

 O chão enxombrado,

A erva amarelando.

Sob o cajueiro 

A sombra fria,

Sobre a folha seca

Serpenteia a coral.


Isso foi a tanto tempo atrás.

Natal em junho

 Que lindo céu de junho,

Céu azul e brancas nuvens 

Vento frouxo...

A copa do cajueiro 

Canta a cada instante 

É o vento 

É o tempo.


É São João em natal.

Definição psicológica de saudade

 A saudade é um testemunho de que estamos conscientes da nossa fragilidade perante a vida.

Suave palavrear

 A noite fria.

No céu limpo

Míngua a lua.

Junho chegou.

Prima percepção

 Na terra seca das vertentes dorme a vegetação,

O marmeleiro e a catingueira,

O Xique-Xique e o facheiro 

Armados da base ao alto.

Bem ali no mufumbo ouço um trinado.

Ouço um corrochiado.

Imediatamente fico encantado.

É o canto de um golinho.

E levarei para sempre em minha alma.

Essa beleza sonora.

Aprendi de imediato o nome deste passarinho.

Seu ser,

Sua forma,

Suas cores,

Seu canto e seu espírito que passou a ser parte de mim.

Princípio de um sentimento

 A noite escureceu na lua nova.

Fiquei com medo das noites escuras.

Coisas da imaginação.

Foi numa noite de lua nova que tudo começou.

Minhas travessuras e as brincadeiras de mamãe.

Lá em casa não tinha energia até os sete anos.

A gente vivia a realidade crua.

A imaginação, a morada no sítio...

Alimentavam minha imaginação.

Seridó

 A primeira vez que fui a ESEC Seridó foi em uma aula com as professoras Elisa e Iracema. 

Nem imaginava que seria ali que realizaria um dos melhores trabalhos de minha vida. 

Viveria uma das melhores experiência que eu viveria. 

Realizaria ali o meu mestrado.

Depois voltaria ali várias vezes. Amei o Seridó de primeira.

Ali convivi com Thais Guedes, Adalberto Varela, Carlos Varela, Zanella e George.

Ali ouvi tanto o carão cantar sem saber que era o carão.

Ali soube de histórias maravilhosas e trágicas.

Ali senti o cheiro das plantas secadas na estufa.

Ali conversei muito comigo nas minhas caminhadas de coleta ao longo das trilhas e fora delas.

Saia antes do sol nascer e voltava ao meio as vezes chegava duas, três horas da tarde.

Vi flores de todas as formas e cores.

Eu me virei.

Deu certo.

Estou aqui...

Mas tem um universo de memórias.

Saudades daquelas paisagens,

Saudades daquelas paragens.

A última vez que voltei, me despedi definitivamente de meu admirado amigo Adalberto Varela. Foi em 2012. Logo mais ele partiria. A última vez que fui lá, me despedi e nunca mais o vi. Silvano Teixeira.

Um dia conto mais.

03/06/26

Atenção plena

 Hoje, três de junho de 2026 tomei consciência do conceito atenção plena.

Embora sem conhecer a literatura em 2006, no meu mestrado intuitivamente tive consciência que através da atenção plena a capacidade de apreender informação é imensa.

Em 2016, tive novamente ciência da importância da atenção plena para o avanço da ampliação da consciência.

Já havia lido a alguns meses, porém foi hoje que tomei consciência plena.

Vou investigar.

Sonho

 Um poeta de Serrinha Wedson de Caquinho declamou.


Enquanto, dei um cochilo,

Sonhei que estava no nilo,

Percando cada tilápia

Pensando mais de um quilo.



Divirta-se em seus sonhos".

 Ontem, o dia de Sassá foi cheio de aprendizagem e exercícios. Foi para a natação bem cedo e aprendeu a fazer o giro em baixo da água. Foram e voltaram caminhando. Sabe lá o que conversam com a mamãe. Ele na maior parte do tempo tenta tirar a mamãe do sério. Sabe exatamente como fazer isso. Idade do personalismo... Queria voltar de uber, mas também queria pão na padaria da esquina. A mamãe deu uma opção o uber ou  o pão. Aceitou a segunda. Depois em casa, após a mamãe preparar o almoço ele almoçou, fez a lição e viu um desenho. Quando cheguei, o abracei, o beijei e vi o desenho com ele. Dai saímos para a escola. Ele perguntou se tinha sonhado. Afirmei que sim, que sonhei com uma piton-reticulata falante. Ele falou do sonho com a naja... E tome conversa até a escola. À tarde pequei ele com uma espada de esgrima. Fomos ao mercado e ele convenceu a mãe a ir comprar um pano de espada no timbó. Acabou comprando uma espada do minicraft. Ai. Chagamos em casa. Sassá desenbalou as compras. Depois jantou e fomos brincar. E depois de banhá-lo fomos para cama. Jogamos xadres e por fim me pediu para ler. Li o livro do guido e da sofia, o livro da garota na escola. o livrinho de Peter Pan. Dai li um último sem texto só as imagens. Fui dormir. Abençoei ele. Então antes de sair ele falou para mim. "Divirta-se em seus sonhos".

Retrato do sertão

 Na terra seca das Vertentes 

Profundamente dorme a vegetação  

No período seco do verão,

Ali sopra o vento contente.

Do chão se assanha a poeira,

Da mata faz soar um doce cantar,


As tardes tão encarnadas,

As manhãs todas douradas,

De dia o sol arde intensamente,

Canta a cigarra alegremente.


Na manta cinzenta maiado o gado,

Rumina, respira e calorosamente.

Relaxando, sentindo o mundo.


Ali naquela pequena matinha 

Se ver catingueira e marmeleiro,

Destiorados e desfolhados,

Vê-se ainda bem ali, junto aquele lajedo

O Xique-Xique e o facheiro,

Carregando o verde esperança 

Armados da base ao alto.

Ali, bem no mufumbo ouvi um trinado.

O mais lindo corrochiado.

Imediatamente fiquei encantado.

Era o canto de um golinho.

E trouxe para sempre aprisionado em minha mente,

Faz parte de minha alma.

Essa beleza sonora.

Aprendi de imediato o nome deste passarinho.

Seu ser,

Sua forma,

Suas cores,

Seu canto e seu espírito que passou a ser parte de mim.

Seu bico amarelinho,

Seu papinho bem alvinho,

Com uma gola escurinha,

Costas bem cinzentinha.

Senti a beleza...

Em tudo, nas vertentes,

Na mata e nas plantas,

E no golinho cantando lindamente.

02/06/26

Noite enluarada

 Antes podia desfrutar às noites de lua cheia em família. Papai, mamãe e meus cinco irmãos.

Eu olhava para o céu com um olhar ingênuo. Era todo esperança, amor e instinto.

Após nossa farta janta de Xerém com leite. De bucho cheio, um pouco de leite gelado refrescava nossa alma.

A gente se sentava à frente de casa. 

Contentes e unidos.

E assim a vida foi tecendo nossas histórias. A gente era tão feliz e aquilo era tão pleno.

A lua prateada,

Coração pulsando forte.

Vitalidade de leite com Xerém.

As vezes rezava baixinho.

A lua cheia enchia o mundo de sua luz prateada.

Hoje, agora, eu olho pra lua só e longe de meus irmãos.

A lua se tornou o ser mais próximo e amigo de minha existência a noite.

Papai e mamãe se uniram a Maria e a lua. São só essência agora.

Olho pra lua como olhei naquele tempo. Sabe estava morando o hoje... Diz um ditado persa que a lua é um espelho do tempo... Então ao olhar a lua vejo todas as minhas gerações.

Agora olho para a lua e sinto que aquele tempo está eternamente em mim.


E a lua continuará a nós encantar...

Somos percepção,

Somos intuição,

Somos humanos 

E a lua é a testemunha de toda nossa história.

Até agora.

Seguindo em frente

 Quando minha mãe partiu, ficou um grande vazio.

Vazio da palavra, da voz, dos conselhos, do carinho.

Quando mamãe se foi eu fiquei sem chão, não sabia como ia ser.

Mas ai, eu tinha o meu filho, a minha esposa e os meus irmãos.

Perdera uma pessoa importantíssima, mas não estava só.

Precisava lutar. E lutei. E tentei e consegui dissolver a dor.

Com amor, fui construindo uma ponte.

E transpus essa dor.

O tempo, e aqueles que estão ao meu redor me ajudaram.

E segui a vida.

01/06/26

Gota ou pingo

 Em meu coração vou cultivar o amor,

Vou cultivar a presença,

Vou cultivar a plena atenção,

Vou cultivar o trabalho,

Em meu coração vou cultivar honestidade,

Vou cultivar bons hábitos,

Vou cultivar a fê.


Em meu coração 

Vou cultivar a esperança,

Vou cultivar os sonhos,

E cuidar de quem sou.


Os sonhos me trouxeram até aqui,

O que me foi dado,

Pode ser tirado...

Na maior parte do tempo desconheço o que me foi dado

Do que me foi fruto da vontade.


Vou refletir com atenção e seguir o caminho do meio...


Eis a minha percepção.

Mais nada.

Maio e junho

 Nesta noite tão bela,

Que maio a junho se entrega,

Uma noite enluarada, 

De luz branca prateada,

E um céu todo azul.


Que graça em minha vida,


Maio vai-se à eternidade,

Um mês frio e chuvoso,

Com muito trabalho,

Pouca luz,

Muita chuva,

Aqui me despeço de ti.


Maio mês das mães,

De missas encantadoras,

De fé, saúde e paz,


Hoje a igreja estava tão linda,

Rosas vermelhas,

Flores brancas,

Nossa mãe coroada,

De uma meia lua acompanhada.


Ali contemplei e rezei.

Minha esposa e meu filho no colo...


Maio se vai...

Domingo se vai...

Esperança e fé num novo dia.


Venha junho...


Vá maio.

Biblia

 Após cinco meses fecho mais uma leitura do livro dos salmos.

Quanta sabedoria expressa em 150 capítulos.

Sendo o salmo 119  o longo deles com 176 estrofes e o salmo 117 o mais curto com 2 estrofes.

Salmos maravilhosos como o 7, 23, 30, 31, 54, 91, 121... Ficou muitos conselhos e  sabedoria.

Hoje concluo a leitura de provérbios com 31 capítulos, sendo um capítulo por dia. Nem palavras tenho para expressar tamanha sabedoria.

Fechadas estas leituras volto a reler e continuo. A aprender.

Seu Edson da Silva, um amigo meu, ler todos os dias a bíblia. Nunca encontrei tanta serenidade e amizade.

Uma das práticas realizadas pelos protestantes evangélicos é decorar um versículo por dia.

Ouvi um grande leitor me dizer isso.

Numa exposição, na estação cabo branco conheci a seu Francisco José,  filho de Ana e José Ferreira. Francisco me contou da devoção de seu pai ao livro sagrado. Contou que seu pai havia lido a bíblia por 15 vezes. Fiquei impressionado.

Continuo buscando neste labirinto divino sabedoria e paz para viver os dias de minha vida em aliança com o senhor.

Pai e filho

Dia de Sábado com Sassá.

Fomos ao aquário da Penha, nos encantamos e nos divertimos com os bichos.

O nado do bodião, as escamas das carpas, o ouvido do dragão barbudo.

A Píton reticulata ativa...

O canto do peru.

O sono do porco espinho pigmeu.

O peixe pedra.

O pintassilgo.

O estrelinha,

O jacaré,

Os dois pinguins...

A galinha garnizé...

Foram as coisas que mais nos impressionaram.

Fomos agradecer a nossa senhora da Penha em seu Santuário.


A manhã voou.

À tardinha fomos a praia de cabo branco.

A maré alta, o vento frio.

A areia fria.

Caminhamos.

Sentimos a areia porosa,

Sentimos a água salgada melando nossos pés.

Catamos conchinhas...

Depois voltamos para casa.

Na volta passei no timbó e comprei um tabuleiro de Xadrez.

Ele amou... 

Na volta vimos ainda.

Vimos a lua cheia.

Um disco prateado iluminando o mundo.

Foi aparecendo e se empalidecendo 

Na noite a dentro.

Juntos na direção e você na cadeirinha.

Amigos. Pai e filho.

E o dia se foi.

Realidade?

 Amanhã será um novo dia.

Ontem foi um excelente dia.

Um dia estava em casa com meus pais.

E recebemos a certeza que um começo pode ser começo do fim.


Nossa vizinha teve um AVC.

Ela que teve uma vida inteira de labuta.

A vida toda na labuta.

A esperança força que nos move nos impulsiona a lutar,

Lutar pela recuperação.

Perdemos o que banalizamos e muitas vezes não valorizamos.

A luta começou... Outra luta.


Não mais aquela labuta que eram os cuidados com a filha e com o marido, com as irmãs, com os vizinhos.

A luta que é a vida.

Chegara ao fim.

A luta agora era pela sobrevivência.

As idas para a igreja.

As idas ao mercado,

As faxinas em casa,

A conversa com os vizinhos.

Acabou...

Ficou inválida. 

Não conseguia andar, falar ou comer.

Se recuperou,  mas a morte a ceifou.

Ficou a casa, o marido e a filha.

Ficou o vazio na casa, no banco da igreja, no caixa do banco, naquela calçada. E foi desaparecendo 

E o povo foi se esquecendo...

Hoje quando passo por ali, desperta fica minha lembrança a  amizade pelo céu levada.

Cubo

Sob o um está o seis,

Sob o dois está o cinco, 

Sob o três está o quatro, 

Sob o quatro está três,

Sob o cinco és o dois 

E sob o seis está o um.

O que eu vejo

E apenas uma face,

O que vejo é uma parte,

Se vejo de cima,

Não vejo o de baixo,

Se olho pro lado esquerdo 

Não enxergo o direito,

Se olho pra frente 

Não vejo a trás.

Se uso um espelho 

Posso enxergar,

Mas perco a realidade,

Perco o foco.

Dado arremessado qual número me dar?

Um é unidade, centelha divina.

O dois é dualidade 

Principio do conhecimento,

Três é a trindade,

completude,

Síntese dialética,

Divina trindade.

O quatro é causalidade, cruzamento de dois sentidos,

Posicionamento,

Os quatro pontos cardinais.

O cinco pentagrama,  cinco vias do saber, cinco sentido a nos ensinar a realidade.

O seis por fim uma dupla trindade, 

Número pela sorte desejado.

O criador fez a criatura e o homem foi gerado 

No livro do gênese.

E fim.

Saudade 1001

 Só tem saudades quem viveu intensamente, 

Só tem saudades quem viveu amavelmente,

A saudade é uma resposta a vida 

É uma expressão de amor,

É uma felicidade aquele que tem saudade...

A saudade é tão intensa é um mistério do criador,

Saudades de quem muito nos amou,

Saudades de quem nos deu a vida, nos manteve a vida,

E nos ensinou o que é o amor...

Com o peito apertado, 

Busco palavras bonitas,

Que alivie essa dor,

Não encontro palavras dignas de tamanha expressão...

Amor, amor, amor...

A vida é um dia lindo,

Dia lindo que passa e que passou,

E neste dia, nestes anos...

Pode ter faltado algo,

Mas nunca faltou o essencial,

O amor, o amor, o amor...

Essa saudade tão boa,

Não é uma saudade atoa...

Muitas vezes expressei em palavras 

“Eu te amo”, “Eu te amo”, “Eu te amo”

Expressei em gestos, em carinho...

Tudo isso em mim ficou...

Aprendi a amar vendo vocês amarem e de seus pais cuidarem...

Como doí o meu peito...

Sei eu agora,

Sei eu nesta hora,

Que abracei essa tarefa da paternidade...

Ah! Saudade se vai, se vai e se vai...

Saudade esse sentimento,

Pode ser lida de diversas formas,

Na forma de sofrimento,

Na forma de agradecimento,

Saudade é a semente que nos permite jamais 

Deixar quem tanto nos amou no esquecimento.

É a semente que germina a cada momento,

E a gente fala e rir. E diz mamãe dizia isso... Papai dizia aquilo.

E quando menos espera somos nossos pais.

E a saudade atravessa o tempo e o espaço e é parte da essência humana.

Nada mais.

Sonho da mãe

 A tarde havia chegado. Após um almoço agradável. Colocou o milho de molho para fazer o xerém. Alimentou o cachorro e o gato com o resto de comida. Antes de lavar os pratos fez a lavagem e levou para o porco. O calor e o silêncio da tarde pede um cochilo. Entrou no quarto a janela serrada. Deitado na cama sente o cheiro do travesseiro. Fechou os olhos e dormiu. O sono de meia hora. Acordou e foi até a área da frente da casa, sentou numa cadeira de balanço e pôs-se a olhar no mundo. Terreiro limpinho, um espelho ensolarado, a estrada de barro, o sítio da frente. Pensou na vida, nos pais idosos, nos filhos e no marido. Pensou na vida. Na engrenagem que é a vida. Deu vontade de tomar um café. Quando uma galinha gritou no ninho da casa velha. Tirando os pensamentos metafísicos da vida. Uma vizinha chegou e começaram a palestrar. Nem recordou do sonho que tivera de seu filho sendo professor numa universidade. Sonhos. Ele era apenas um menino. E tudo se passou tão de pressa. Como se passa um dia...

29/05/26

Sonhei ta sonhado

 Dei um mergulho no passado.

Sai andando na nossa terra Serrinha do Canto.

Fui visitar nosso sítio de areias brancas.

Vi os cajueiros em cima das ramas,

e cobertos de Jitirana,

De ramas pilosas e flores alvinhas.

Vi as pinheiras carregadas de pinhas

Cada uma enchendo uma mão, de vez e maduras.

Tão alvinha e docinha.

Nas pinheiras ativos os sanhaçus,

Setas azuis buscando o doce branco  

Revelando as sementes pretas,

Visitei as goiabeiras,

As cajaraneiras com cajaranas

para todo lado, nos ramos dependurado,

no chão entapetado, de esferas amarelas,

E seu cheiro acre-doce, tão docinhas.

Passei na cajazeira.

Andei pelos caminhos caçando calango, os teiús

E não estava sozinho, 

Vinha comigo os cachorros leão vermelho,

dogue branco e negão Pretão.

Observava os passarinhos cantando e saltitando

cabeça-vermelho, corró, joao-de-barro,

Casaca-de-couro e azulão.

Fui na casa de Elita de Palmira chupar umbu e cajarana

E acabei quebrando uns cocos-catolés...

Ali tinha tanta macaxeira, cultivada por Joãozinho de Licor.

Tinha ali uma casa velha e abandonada,

Tantas cenas ali se passou... No fim só era lugar de colocar forragem seca e ninho de abelha caboquinha

Com uma frase marcante...

"Viva e deixe eu viver".

Fui ao tanque de Chico Neco, onde vi o tanque de águas escuras

E nele martelilhos (girinos) a nadar .

Fui ao córrego de Zezinho de Luiz de águas claras com piaba e cará.

Fui ao açude de Juvenal onde aprendi a nadar

Tinha água barrenta à danar.

Fui a pitombeira de Bonifácio Raulino

Onde chupei doces pitombas.

Fui a condessa de Adelson Vieira só para admirar.

Fui casa de tio Jussieu ver o peru valente, a porta estava aberta

Acabara de chegar, um gato novo miou pedindo comida,

Senti o cheiro do óleo queimado do motor.

 Fiquei com medo quando passei em frente a Zé de Julho com aquele cachorro quatro olhos.

Ouvi dali o som 3 em um de Jailton de dadá, vindo da capital paulista. 

Passei na palhoça de Chicão onde vi Jailton de Artur partir e não voltar de São Paulo.

Desci passei na velha escola onde fui alfabetizado.

Achei interessante a casa de Antônio de Chiquinho com um xadrez na frente. 

Até conversei com Evaldo.

Desci peguei um dindin em Zuleide, passei na cajaraneira de dona Munda, 

Sentei um pouco lá em Diniz.

Passei em Irelda tão educada e doce, provei umas groselhas tão azedas que havia lá.

Ouvi a escopadeira de arroz funcionando 

Não lembro se era Vava ou Mourão 

Que estava lá.

Passei longe do jasmim de Eliza de Vicente de Joana.

Jasmim manga com cheiro de defunto.

Subi pela mata até o final de nossa terra.

Quando fui chegando ouvi o tirinete de tio Aldo conversando.

Mamãe concordando e papai escutando.

Nessa hora tio João ia passando.

Despertei e voltei cheio de saudades.

E entendi que a realidade é como se fosse o sonho 

E o sonho como se fosse uma realidade.

Tudo é passageiro.

Essas coisas.

Cotidiano

 Sassá foi nadar. Na piscina fez toda atividades. Sorriu e se divertiu. Saiu de lá faminto. À tarde, foi a escola. Sua lição foi sobre jogos olímpicos. E também a letra H. Achou estranho que com a letra H ele teve que cobri a letra várias vezes e não teve a família da letra. Para família ele se referiu como ha, he, hi... Bem interessante isso. E a gente brincou a noite e ele me pediu para eu ler para ele o livro a Cexta de dona Maricotca. Foi isso.

Angustia

 O tempo e o espaço

Campo das sensações,

Percepções e entendimento.

A música me faz sentir

O lugar no espaço,

As coisas mudarem no tempo.

Tudo acontece e não percebo,

Percebo partes,

A coisa toda é maior que aquilo que consigo apreender.

Isso angustia não?

Fluxo

 A mata cinza e fechada,

Agora está tão calada.

Então, desfaz-se o silêncio.

É o vento soprando baixinho.


Paro de observar,

E começo a escutar

O silêncio aqui dentro,

A lua florescente,

A ordem desordenada.

Som de piano...


Som de piano, penso,

É perfeito a essa hora...

Foi feito para o silêncio...

Parece fumaça de incenso,

Buscando veios no ar,

Como água que cai da chuva

Intensa, busca uma direção,

Um pondo mais baixo,

Em desordem segue um fluxo...


Ah... piano.


E o violino!


O que é tudo isso que hipnotiza minha alma?

O belo, o ordenado,

Som sem luz,

No fundo da alma.

Até o fim.


28/05/26

Nelson e Iola

Em abril e maio de 2026, a Serrinha do Canto perdeu dois personagens importante do nosso tempo. O interessante foi que eram vizinhos muito próximos. Um morou muito tempo na casinha sobre a barreira e o outro no lado oposto onde terminava o asfalto velho. Sim, me refiro a Nelson Vieira e Iula de Dequinho. Nelson era uma pessoa maravilhosa, falava baixo e sua voz era particular. Era pai de Paulo Cesar, João Batista e Márcio. Nelson era casado com Antônia. Cuidou a vida todo do sítio de Jona Rosendo. Gostava de tomar um mezinho. 
Iola era casada com Dequinho nunca teve um filho. Dona de uma voz peculiar. Iola era uma jornalista. Sabia de tudo que acontecia em Serrinha do Canto. Era irmã de Zuleide de Toto e Odaleia de Chico de Vicente de Joana. Pude conversar com ela no ano passado. Na conversa ela lembrou de meu pai Chico Raimundo.
Foi ali que vivi muitas coisas e com estas pessoas convivi e aprendi a importância da amizade. Povo do meu tempo. Anos 80, 90 e 2000.
Deixa a saudade.

Casa

 Ontem, Sassá estava interessado em saber o que era preciso para construir uma casa.

Falei tijolo, cimento, concreto, madeira, pedra e telhas. Achei interessante. Anti-ontem descreveu como fazer uma piscina.

Então disse que iria morar nos Estados Unidos e fazer uma casa lá. Disse que o ajudaria e isso o empolgou.

No final eu iria bancar tudo.

Deixe o menino sonhar.

Moinho de tempo

 O tempo redemoinho,

E nós no seu caminho,

Gira e gira e gira,

A energia vinda do vento,

Como a lua no céu e suas faces,

Quatro quadrantes equidistantes,

Gira e gira e gira.

O tempo redemoinho,

Vai nos moendo,

A matéria consumindo,

A matéria envelhecendo.

Gira e gira e gira.

O tempo imediato tempo,

O tempo intuitivo tempo.

Ora rápido e ora lento

Gira e gira e gira.

Se parar tudo acabou.

27/05/26

Ficus elastica

 Quando era menino, a primeira vez com papai a casa de seu Eusébio, onde morava tio Míxico foi muito marcante. E você nem imagina o que marcou. Foram duas coisas. Primeiro numa área na lateral da calçada tinha uma estrutura de cano de ferro no formato de avião. Aquilo me impressionou, pois só tinha visto um modelo de avião nos ares do céu. Em Martins tinha um pastor que tinha um avião, então vez por outra a gente podia vê-lo sobrevoando a Serrinha Grande. A outra coisa foi uma árvore enorme com as pontas do ramo lanciforme e intensamente vermelha. Fiquei impressionado com o tamanho da folha e aquela estrutura. Nunca me esqueci. Muito tempo depois foi que descobri que aquela estrutura era uma estípula terminal de uma planta da família da jaca (Moraceae). Tratava-se de uma espécie exótica de Ficus elastica. Demorou muito até eu ver outra planta parecida. Acho que fui ver em São Paulo. Ficou marcado e está registrado.

Jacaré tigre

 Ontem ao deixar Sassá na escola, ele inventou um jacaré tigre. Ele me perguntou se eu conhecia? Respondi que não; então ele começou a descrevê-lo como um animal enorme com estrias longitudianis pretas. Disse que era um animal enorme que camuflava muito bem. Que tinha sobrevivido a queda do meteoro que extinguiu os dinossauros. Dei corda e ele se empolgou muito. À tarde quando eu o peguei na escola perguntou se a mamãe tinha comprado o pano preto para colocar na espada. Disse que quando chegasse em casa ele saberia. Então se calou e ficou ouvindo música. Em casa, fez um movimento com o fato da mãe não ter comprado o pano. Ela usou um outro pano e cobriu a espada. Não sei no que deu porque dormi.

Chuva

 Chove...

A água soa nas folhas,

A água soa nas calhas.

Longe canta uma garrincha.

Chove...

Silêncio visual...

Maio frio

 Abril foi frio,

E maio seguiu frio,

As nuvens frouxas,

Chove e para,

Para e chove,

Faz  sol,

Fica nublado.

Essa variação no clima me deixa aborrecido,

Frio e calor...

Mas é bonito de se ver,

A lua de maio crescente,

Lua alva entre nuvens alvas.

É muito bom ouvir música de violino,

Nesse tempo.

Bom para tomar um chocolate,

Para ficar na cama,

Para pensar na vida,

Cuidar da casa...

Viver.

Maio, mãe...

Este mês ficou tão frio quando mamãe se encantou.

Resta pensar,

Sem sua voz para ouvir,

Seus conselhos...

Sentia sua presença eterna...

Soneto

 Com quatorze versos faço um soneto.

Sendo as estrofes divididas em  quatro, quatro e três e três.

As rimas podem ser alternas ou opostas.

Aprendi numa aula de português a muito tempo atrás.

Nem sei o que me adicionou.

Sei que Quintana gostava muito.

26/05/26

Goiabas

 Sempre adorei comer goiaba, principalmente no pé.

Goiabas amarelas por fora e vermelha por dentro.

Na minha infância lá em casa havia muitas goiabeiras. 

Algumas ficavam sob cajueiros outras isoladas no sítio.

Nossas goiabeiras davam goiabas sadias, sem bicho ou insetos e muito doces.

Tive uma experiência diferente com goiabeiras e goiabas.

Então lembro que foi na casa da minha avó Sinhá onde primeiro vi goiabas brancas.

Como assim goiabas brancas e não vermelhas!? Pensei.

Como pode.

Mamãe disse que era goiaba da china.

Aquelas goiabas brancas tinham muito bicho e não eram tão docinhas.

Fiquei muito impressionado.

Bateu aquela sensação que as nossas goiabas eram melhores.

Nunca mais esqueci.

Na casa da vovó tudo tinha uma atmosfera de velho.

Não entendia o sentimento de mamãe pelos meus avós.

Mamãe era minha e de meus irmãos...

Não tive a oportunidade de levar meu filho para ir a casa dos avós idosos.

O infante é assim, apaixonado pelo universo que conhece.

25/05/26

Romã

 Ontem acordamos, Sassá acordou sem muita coragem, mas ai despertou e nós fomos desenhar. Depois de muito desenhar, conversar e ir. Convidei ele para ir no pé de pitanga para ver se tinha fruto lá. Queria mesmo era sair de casa e ver um pouco a natureza. Fomos pela rua do sapoti. Conversamos... Sassá lembrou no lucar onde viu um sanhaçu, em frente a porteira que dá na mata. Quando chegamos na pitanga, nada, dai lembrei da pitombeira da rua de baixo. Fomos caminhando e conversando. Olhamos as flores de benidita,vimos as borboletas... E as pitombas estavam alto demais. Mas tinha um pé de romã. Peguei duas. E fomos pelas três ruas... olhando as plantas, os bichos nas plantas. Até chegar em casa. Em casa ele foi provar pela primeira vez a romã. Ficou muito concentrado e feliz. Depois fomos almoçar.

Conhecimento matuto

 Ouvindo poesia de contadores, entendi alguns rumores da vida da gente.

Entendi que o que se canta são memórias,

Se canta saudades,

Se canta alegria,

Se canta entendimento.


Na emoção e na razão se transcende a realidade.


Entendi que se paga caro quando se segue seus sonhos.


Esse grande projeto de se transformar quem quer ser.


No meu caso deixei a casa paterna, fiquei longe de mamãe e papai.


Mudei de lugar... Buscando entender a vida.


Assim encontrei no mundo, na academia, na poesia de viola.


Essa dialética de nossa existência...


Onde me encontro 

E me perco...


E no fim a vida é tempo e experiência e sentimento...


Descobri que meu sonho maior nem fazia parte de minha razão ou consciência...


Minha maior realização foi e é a paternidade.


Volto no passado,

Mas já sei que nada de lá pode me preencher.


Tenho que me apegar ao presente...


No passado tem uma sentelha minha, que posso reordenar minha alma... Tenho que me reconciliar e seguir em frente.


Tudo se foi...


Lá posso resgatar a beleza do lugar onde nasci, o sentimento de ser muito amado.


Seguir em frente...

Final de semana

 O sol brilha frouxamente,

O vento sopra suavemente,

Nesta manhã abençoada,

Deitado na rede esticada,

A me balançar e a pensar.

Contemplando na parede,

As imagens que escolhi...

Passeio no passado, deitado no presente,

E dou um vislumbre no futuro,

Tudo isso em minha mente.

Tudo isso são pensamentos e memórias.

O tempo me agrada,

O espaço Deus me emprestou.

Enquanto desfruto agradeço,

Rezo, e peço paz e saúde.

E é tudo por agora.

Primeiro dia na feira

 

Na sexta-feira do dia 10 de maio de 2002 com 23 anos, em Natal, cursava Ciências Biológicas, encarava ciências de química orgânica, físico-química, anatomia comparada. Após almoçar, ia pra biblioteca da UFRN onde pegava um livro e relaxava nas baias de estudo dali.

No mesmo dia em Sapê, seu Zizo com 54 anos, estava muito ansioso, pois começaria uma jornada que iria preencher sua vida por longos e maravilhosos anos. Acordou quase sem dormir.  Sua mercadoria preparada da maneira que sabia. Acordou, pegou o ônibus para começar a vida de feirante.  Os seus produtos eram todos cultivados em sua gleba, onde morava. Levava para vender flores, vagens, plantas, ovos, milho... Seu Zizo trazia e ainda traz além de tudo muito afeto... Um aperto de mão ou um abraço, uma prosa boa e como ele gosta de professar a Amizade.

Na beira da mata montou sua barraca do Campus I, perto da biblioteca. Fez clientes, fez amigos, fez fãs...

Deu início a feira de orgânicos na UFPB. A partir de então nunca mais parou de trabalhar ali na instituição, todas sextas feiras. Foi ali que nos conhecemos. De seu Zizo compro flores-de-benedita e crista de galo. Além destas mercadorias, levo sempre comigo suas histórias, sua amizade, sua sabedoria e seus conselhos. E assim surgiu uma grande amizade espontânea e casual como são os puros sentimentos.

Origem cultivada

 A casa grande e alva,

Teto alto e portas azuis,

Rodeada de quintais,

Para aquém dos matagais,

O quintal da minha avó,

Foi primeiro da bisavó.

Num terreiro bem limpinho,

Caprichado e varridinho,


Ali num lugar diferente,

ainda tenho na mente

Nos pés das calçadas,

Em cima da horta,

No sítio e no riacho,

As plantas não eram mato,

Eram plantas ornamentais,

E também medicinais.


Atenção, vou lhe falar.

Usei o visão, olfato e o paladar,

E comecei a experimentar.

Ainda me lembro cada lugar.

Na cozinha no pé da horta,

Era atrepada e torta,

Ficava ao seu lado

A romã de frutos coroados,

Da pimenta de macaco,

De frutos em espigas agrupados,

Se maduro bem docinho,

Atenção muito cuidado,

Se mordido fica ardido.


Do lado uma planta esquisita,

Mesmo assim muito bonita,

Uma erva de folha partida,

Flores amarelo enjoado,

Se mordida uma delicia,

Tem um gosto adocicado.


A alfavaca uma arbustiva

Com folhas emparelhadas,

De borda toda serreada,

Quando são por nós tocada,

Sua essência é exalada...


As vincas todas floridas

Na calçada abundava,

Folhas brilhosas emparelhadas,

Dela só as flores encantava,

Suas flores estreladas,

Seus frutos sempre aos pares.


Ali, ainda havia, não sei se roseiras ou jasmins,

Todos muito belos para mim.

Sei que suas flores eram perfumadas,

Tinha uma caqueira arrumada,

Em seu tronco posicionada,

Pra proteger da formiga...


No sítio se ouvia,

Parecia cheia de alegria,

A folha da carnaúba,

O vento a sacolejar,

E a quenga do coqueiro,

Tec-tec-tec a tocar.


No caminho do curral,

De esferas esverdeadas,

A laranjeira encantava,

Com seu sumo doce e azedo,

Vovô colheu uma bacia,

Que grande foi minha alegria,


No riacho mais embaixo,

 A água fria a correr,

Tinha cana de açúcar,

O vovô foi lá e uma cana ele colheu,

Com a faça descascou,

Não esqueço esse momento,

Foi profundo o sentimento,

A cana era alvinha e tão docinha,

Eis uma doce memória,

Que tenho ainda hoje.


Mais abaixo do riacho,

A taboca ali morava,

Um capim tão lindo.

E aqui eu findo os versos encantados,


E digo mais foi o cultivo de 

Chico e Chica meus avós paternais,

Quem primeiro me ensinou,

A importância das plantas,

Para a nossa existência,

E pra minha alegria,

Delas dou aula hoje a cada dia.


Retrato vivo

 O brilho dourado do sol desponta na parede.

Faz do cinza o dourado,

A luz tornas folhas verde clado.

A mata estática não se ver uma folha mover.

Rutilantes estão os pingos de chuva preso as folhas.

Na mata o sabiá afugenta algum bicho.

Canta a garrinchinha.

O que se passa no mundo. Sabe lá.

Aqui reina a paz.

22/05/26

Primeira vez que Nadou sozinho

Ontem de manhã Sassá acordou disposto. A mamãe preparou o café e organizou a roupa da natação. Sassá nem imaginava o que iria acontecer. Tomou o café com embromação. Vestiu a roupa sem vontade. Não queria ir à natação. Então tão foi sem muita energia. Desceram a escada e caminharam como sempre caminham até á sede de natação. Foram devagar atento ao trânsito, atento as ruas, as plantas e pessoas que quase sempre encontram no mesmo horário. Pessoas gostam de rotinas e fazem por onde cumpra seus horários. Seguiram sob o sol brilhante e céu azul. Seguiram reto, dobraram esquina e chegaram. Lá na sede, Sassá se sentiu feliz, pois tinha vários amiguinhos para brincar. A hora da natação chegou. Atravessou a catraca e se preparou. Caiu na piscina e fez inúmeros exercícios e para o grande final por essa ele não esperava. Sassá nadou sozinho pela primeira vez. Isso mesmo, foram apenas dois metros entre a bora da piscina a água e o professor. Sassá encarou a água e venceu, nadou flutuando e se movendo até o professor. Se sentiu feliz, orgulhoso e cheio de si. Parecia que esse dia nunca ia acontecer. Nadou, se sentiu seguro... foram apenas 2 metros que darão segurança e vontade de ir além pelo resto de sua vida. Terminado isso, tomou banho, brincou com os amiguinhos e nem queria vir embora. Então entraram no uber e foram embora. Dia 21.05.2026 primeira vez que Sassá nadou. O interessante que foi no mesmo dia do aniversário da sua tia Li.


Tempo vaqueiro

 Cada lugar num tempo,

Cada tempo num lugar.

Aqui, ali e acolá.

Escorrendo o tempo me leva a viver,

Seja qual for sua maneira.

Vivo e vou vivendo,

Como gado conduzido pelo vaqueiro,

Tempo boiadeiro,

Na vereda que vou seguindo,

Posso me perder ou me furar,

Foi esta que me enfiei e como voltar.

Tempo vaqueiro,

Tempo boideiro,

Nas caatingas da vida,

Espaço de eternidade,

Sigo um caminho,

Pego uma vereda...

O tempo vai me conduzindo,

Com seu aboio silencioso.

Me conduzindo até que enfim,

O tempo e o espaço 

Seja o zero.

Raposas

 Na beira da mata correu uma raposa.

Seu corpo pequeno, suas orelhas grandes,

Seus pelos dourados, seu odor,

me fizeram conhecer a raposa além das imagens,

Além da palavra, além da fantasia. 

Foi tão rápido que não conheci a raposa,

Apenas tive uma percepção, uma sutil percepção,

Que materializou em mim a ideia de raposa,

Em seu ambiente natural.

Depois sumiu.

E peguei-me a pensar em raposas.


Silêncio da mata

 Os grilos quebram o silêncio da mata com seu canto matinal

Cantam no chão da mata debaixo do folharal.

É um canto agradável e cadenciado,

Então o sol vai acendendo,

E de luz vai preenchendo toda a floresta.


O vento parceiro de dança e canto da mata,

Não apareceu... E a mata se recata em silêncio.

Só o grilo e o sabiá a cantar.


21/05/26

Tarde de diversão

 Ontem não houve aula. Passei a tarde junto de Sassá. Então fizemos várias atividades. Ele criou um jogo da memória então nós brincamos com este jogo. Depois brincamos de mostros na cama. Tomamos banho e fomos ao mercado. O interessante que ele quis andar comigo no mercado. Sempre anda com a mamãe dele. Adoro nossa amizade.

Galo cantar

 Ontem de madrugada ouvi o galo cantar.

Viagem neste e amei ouvir seu canto cantado.

Estava muito escuro e frio.

Quem merece acordar para trabalhar tão cedo.

Lembrei de um tempo distante em 2007,

Lá na capital paulista...

Tantos operários de pé nas paradas dos ônibus.

E os ônibus passavam tão lotados.

Dos boeiros o calor saia fumaçando,

E logo resfriando nas ruas frias.

A felicidade quando o ônibus parava,

Imprensa daqui, imprensa dali...

E o ônibus lotado ia levando mão de obra para o centro.

Eu vi, senti, estava lá.

Sentia saudades de casa...

Do galo cantar,

De mamãe ressonar,

Mas fui em bora.

E ainda hoje... tem gente que continua lá.

Desperto para rezar.

O galo me levou tão longe...

Canto com encanto marrom

 Contente o rixinó canta na beira da mata.

O silêncio da mata quebrado por tal canto encanta tanto.

Faz voltar no tempo,

Quando o rixinó fazia ninho na soleira da casa velha.

Papai deixava, pois rixinó é abençoado, dizia.

Então ela pulava pelos caibros,

Ia e voltava com gravetinhos,

Fazendo o ninho,

Depois gerava os ovinhos,

E nasciam seus filhotinhos...

Vulto marrom.

Asa estriada,

Canta, canta, canta e os males espanta.

Era tão bom.

É tão bom...

Realmente são abençoadas.

Amarrado esse laço de amor.

Agora e sempre.

Filosofia e o violino

 Estava No centro de São Paulo, perto da Sé quando entrei num sebo e ali pela primeira vez ouvi a energia que emana de um violino. O som é alto e torna a música harmoniosa e intensa. Minha alma sentiu a beleza materializada em forma de som. Fiquei preso aquela música por um doce momento. Envolvido ouvindo, pude garimpar um ou outro livro de filosofia que amo cultivar. Depois comprei o livro... li e fui feliz por um instante.

Silêncio das palavas

 As palavras me permitem uma aproximação aos objetos que nunca terei conexão. Só consigo acessar o espirito o ser assim nunca o ser ai. Assim me aproximo de Pessoa sem me aproximar, me aproximo de Quintana... Tantos trovadores que estiveram aqui. Tantas cantigas cantadas a luz do candieiro ou lamparina. Versos de sabedoria de exaltação a natureza. Alguns sublimes como poema da saudade do Grande Antônio Pereira... Alguém o memorizou... mas só em parte. Que genialidade concentrar uma sabedoria profunda e ordenar as palavras em um texto que define a palavra... As palavras quebram o silêncio em silêncio. As palavras são a alma material do inexistente que foi... Essas coisas.

Pai e mãe

 Seguir a vida 

Seguir a vida...

Quando nossos pais se vão,

No coração surge um vazio,

A gente até sente um frio,

Não se tem nem dimensão,


Fica faltando quem mais nos amou,

Ausência de um olhar,

Ausência de uma palavra

De carinho ou repreensão...


Ficamos no mundo,

Assim tão soltos...

Se com eles aprendemos,

Coisas boas levaremos

Por toda nossa existência...


Entre elas a ausência,

Talvez seja a penitência

De uma vida viver,

De ser e deixar de ser...


Na mãe o amor,

No pai o rigor...


Essa existência dura,

Triste quem perde pais na verde vida,

Coitadinhos vão viver a duras penas,

Mas tem Jesus por nós,

Tem nossa senhora,

Que nos acode toda hora...


E nos faz entender que esse vazio

E nos faz entender esse frio...


E nos faz ver nas flores,

E nos faz ver nas crianças,

Onde há amor há esperança.


Até o dia final.

20/05/26

Canto e encanto

 O  canto causa encanto,

O canto causa espanto,

Bem no canto da casa,

Cantou a coruja.

Papai se espantou,

Pegou a chinela

E cruzou de baixo pra cima.

O canto calou,

A coruja voou...

O canto no canto do cajueiro,

De dois trovadores,

Papai amou,

Eram casacas de couro,

Cantando,

Toando,

Felizes... Sadias...

Papai suspirou.

Tão feliz...

O calor da tarde nem incomodava...

Que belo canto.

Plantar

 Papai trabalhava como sabia de maneira simples e eficaz. Para as cercas de arame usa madeira de cajaraneira que logo enraizava e uma árvore nova nascia. Deixou várias árvores plantadas. Estas árvores são mourões, fazem sombra e dão frutos. Papai e eu combinávamos e deixávamos as árvores crescerem. Aprendi o amor a natureza com meu pai.

Quebra do silêncio no silêncio

O silêncio não é apenas ausência de som.
Não se quebra o silêncio apenas com o som,
Se quebra o silêncio com pensamento,
Se quebra o silêncio com a palavra,
Não a palavra falada,
Mas a palavra escrita,
Palavra expressa...
Tem uma potência que nem imaginamos.
Rompe o tempo,
E as vezes o espaço.

Coração de Jesus

 Sagrado coração de Jesus,

Me proteja, me envolva,

Seja meu caminho e minha luz,

Se surgirem problemas  em ti dissolva,

O teu profundo sofrimento na cruz,

E com fé em ti se pecar me absorva.

19/05/26

Minhocas e marmotas

Ontem, indo pra escola Sassá e eu conversávamos sobre biologia. É a biologia das minhocas. Ele me perguntou afirmando que as minhocas comiam grama. Bom falei que não que as minhocas são detritívoras. Mas ai ele foi argumentando até concluir que as minhocas comem grama. Chega ser divertido, pois para quem tem cinco anos argumenta bem. Enfim, falei que as minhocas ficam sob o solo. Então ele perguntou porque as minhocas sobem a superfície as vezes. Disse que quando chove as vezes o solo fica enxarcado e elas tem dificuldade de respirar. Então ele disse que será que não seria para comer grama. Então ele perguntou porque as marmotas viviam debaixo do solo. Ai chegamos a conclusão que elas comem minhoca. E por isso vivem em tuneis sob o solo. Então chegamos na escola e ele foi para a sala dele. Fim da história.

Ecos na concha do tempo

 Serrinha minha terrinha,

De onde de hoje e sempre.

Ontem podia ouvir,

O eco das bombas e foguetões,

Ecoando nos grotões,

No pé da chapada,

Sons avisando viva...

Viva ao santo do dia.

Eram meus parentes,

Felizes e contentes,

Com uma promessa atendida,

Coisas lindas da vida.


Eu menino ouvia na mata

Esse ribumbar e ficava maravilhado,

O que era aquilo...

Era a fé sendo externada.


Naquele universo tentava entender o mundo,

Tentava saber quem sou...

Eu tinha tudo,

Eu tinha quem me amava,

Tinha quem cuidava de mim...


Ontem...


Hoje, já não ouço mais bombas,

Nem ecos...

O mundo perdeu a magia de infante.

Os mistérios a ciência revelou,

A vida revelou o resto.

Restou apenas a fé.

E é o suficiente.

18/05/26

Estação cabo Branco

 Sassá ficou comigo o fim de semana em casa. Fomos a uma exposição na estação Branco. Vimos esculturas, pinturas... arte em geral. Viu gente, brincou  e se divertiu. Foi excelente!


Francisco José

 Conheci Francisco José ferreira de Cacimba de Areia PB. Filho de José e Ana. Ele mostrou a casa que nasceu e morou com seus 11 irmãos. Eram três filhos Franciscos. Contou que seu pai viveu 94 anos e sua mãe 95... Ele faleceu num sábado depois de receber a extrama unção. Sua mãe tbm morreu nunca sábados. Seu filho estava cantando e ele participando da exposição retrato do sertão. Seu José Leu a biblia mais de 15 vezes.

Homero Sá

 Foi numa exposição,

De retrato no sertão,

Que fiquei impressionado,

Com a beleza daquela arte,

Pincel, música e inspiração,

Atiçaram o sertanejo,

Para além do couro do chapéu e do jibão.

Retirou da fotografia,

De lugares pouco habitado,

De lugares muito amados,

A beleza do sertão...

Meu peito bateu emocionado,

Com as casas alvas,

A terra vermelha,

Com as flores vermelhas

do flamboiã,

Com as rosas brácteas das três marias,

Da arrumação das rochas,

Da verdidaão da algaroba,

Da Casa alva de José cheia de histórias...


Senti profunda emoção.

Exposta com muito requinte,

A obra falava por si,

Um a sanfona a tocar,

Um matuto a cantar,

Que riqueza maior?


Seus olhos brilhavam

Foi linda sua declaração,

Agradeceu a todos

E Declarou o grande amor

Amor de sua vida a parelhense Fatinha.

O amor da sua vida,

Condição incondicional

Para todo aquele momento.

Foi um lindo evento,

A descoberta do grande pintor,

Artista de grande valor.

Homero Sá.


Ouça a chuva

 Silêncio!


Psiu


A chuva está cantando.

A chuva está chovendo.

A chuva está chiando.


A água está pingando,

A água está escorrendo.


Que coisa macia,

Que coisa macia,

Na biqueira transborda uma bacia.

Que alegria sente o sertanejo.

Que alegria ouvir o beijo,

Que a chuva dar na terra...


A chuva muda a terra com esse abraço,

A chuva muda a terra,

A chuva inunda a terra.


A chuva desperta a semente,

A chuva desperta os ramos,

A chuva é a chave que muda a paisagem,

A chuva molha minha alma,

A chuva traz me a calma.

Enchendo-me de bonança,

Da potência da esperança,

Ao ato da existência...


Deus! Obrigado 

Por sua presença,

Obrigado por falar comigo 

Pela voz da chuva...

E venha a mim

De novo e de novo e de novo...

Até o meu fim.


E continuará chovendo,

Filhos nascendo,

E agora estou entendendo 

Que tudo que vem 

Vai...

Tudo que é teve um pai...

E uma mãe que é a chuva.

Maio chuvendo

 A chuva cantando 

Enquanto escuto,

Deitado e quieto,

Só matutando...


Despertas memórias

De uma viva vivida,

Lugares idos,

Tempos passados.


Meu ser e minha história 

Sendo tecida no tempo e no espaço 

Ao longo dos anos,

Das estações, 

Das luas,

Dos dias e noites

Dos dias de chuvas.


A chuva sempre 

Foi mãe,

Sempre me deu 

A essência da vida

A água.

E agora este poema.

Casaca de couro

 A tarde vai caindo,

O sol saindo do prumo,

O calor arde na paisagem.

No alto do cajueiro,

Canta a construtora casaca de couro.

Construindo o seu ninho,

Usando galhos com espinhos.

Canta emparelhado,

Feito contadores de viola,

Com o penacho armado.

Se olhinho amarelado,

Com olhar mal encarado,

Canta e dança..

Voa e traz os gravetos e tece com o bico

Um ninho.

Papai escuta e admira.

Papai diz que canto lindo.

Concordo com a palavra e o coração.

E a tarde se enverga bela...

E me sinto feliz...

A seca, a tarde quente e o canto da ave vaqueira.

Mundo oco

Morei a minha infância e adolescência num sítio. Nele tinha uma parte que cultivávamos fruteiras e uma parte de plantas nativas onde fazíamos os roçados e colocávamos o gado para pastar. À tarde, após o almoço, descia para soltar as vacas do cercado e trazê-los para o curral. Ali no caminho, as vezes ouvia estrondos de bombas de festejos na Serrinha Grande. Era quando percebia que o mundo era oco. Havia algo transcendente que não assumimos quanto ser. Achava bonito e sentia ora alegria ora aflição. Não sei explicar. Eu sentia a falta de âncora da vida? Eu sentia a infinitude e a eternidade em que somos postos quando tomamos consciência. Naquela época, tinha minhas referências que originaram o meu eu; meus avós paternos e maternos, meus pais, meus irmãos e meus vizinhos. A consciência foi se expandindo e o tempo passando, então fui entendendo que a gente vive e ao viver só vai perdendo... Meus avós..., tios... e tudo vai acontecendo de forma natural. Eu já intuía que o mundo é oco. As bombas explodiam e eu ouvia... E sentia o mesmo que sinto hoje. Qual é o limite do som o que não é difícil fisicamente de se saber. Sentia um aperto no peito. Ali já sentia a transcendência da existência... Olhava o cinzento das catingueiras, o gado magro, sentia o calor do sol na luz e nos entes no meu entorno... Sabe, parecia que eu sentia o que sinto hoje. A ausência de meus pais amados. Naquele tempo eu podia ao voltar pra casa sentir sua proteção e o seu carinho e o esforço para que nos sentíssemos bem. Sentia a potência do amor. Bem... Na certa era trabalho feito pelos fogueteiros e encomendados e explodidos pelos romeiros. A fé acenava no meu coração. O chão seco, o estalo dos frutos de catingueira. O mundo é oco e o que sou neste mundo tão profundo? No meu torrão, comendo cuzcuz eu entendi a dureza da vida... Eu não entendi o outro... Minha infância, será eternamente minha. Marcou profundamente quem sou. O eco das explosões.. Ora volto lá pra sentir meu pai e minha mãe. Sem eco, sem explosões. A mata, a seca o tempo. Todavia hoje tenho um motivo... Um motivo superior que é o meu inestimável e amado filho. Seguro a tocha da vida. Sabendo que o amor é o que manterá a vida viva e eterna. Naquele tempo parece que meu de hoje estava lá. E oras sinto que meu eu de ontem está aqui. Coisas que se sente sem explicar.


15/05/26

Natação na chuva

Sassá ondem foi pra aula de natação. Está quase nadando, mas falta segurança. Vai chegar lá. A mamãe dele disse que ele faz todos os exercícios com perfeição. Mas ontem foi diferente, porque chovia muito. E não parou de chover. Eles voltaram para casa de baixo de uma chuva muito forte. Ele me contou que quase perdia a chinela. A mamãe falou que ele veio usando seu roupão. Foi o que ele me contou na hora que eu o levava para a escola. Abril e maio deste 2026 tem sido meses de muita chuva.  E fico feliz que ele viva e goste da chuva, do inverno. Facilita a vida quando não tem sentimento negativo contra a natureza. 

Adeilsa Pereira

 Adeilsa Pereira,

Poetisa de Serra Talhanda,

Canta versos bem bonitos,

Versos vividos,

Versos sentidos,

Canta o campo,

Canta a caatinga, 

Canta o sertão,

Canta sentimentos...

Versos doces e humanos,

Poesia cheia de alegria...

Conheci a poetisa num cordel de mote:

Só a chuva faz mudar a paisagem do sertão.

E ao pesquisar vi que é muito atuante na oralidade,

Criando versos maravilhosos.

Parabéns pelo excelente trabalho poetisa.

14/05/26

Tempo de chuva, eu

 A manhã teve barra,

Uma barra encarnada,

Sorri feliz,

O céu limpo,

O céu azul.

Andei contente,

Mas em minutos tudo mudou,

Escureceu,

E choveu,

Choveu,

Choveu a manhã inteirinha.

Depois tudo ficou melado,

Tudo ficou molhado.

Ruas e prédios alagados,

As árvores estão explodindo de crescimento.

Flores deitadas no chão...

E aqui dentro,

O frio e o escuro,

Estão me deosrientando,

Mas tudo vai mudar.

Sempre muda.

Frases

  Seria é a vida, Jovial é a arte Schiller


Benjamin Barber, eminente teórico político, disse certa vez: “Não divido o mundo entre os fracos e os fortes, ou entre sucessos e fracassos […] divido o mundo entre os que aprendem e os que não aprendem”

Salada de palavras

 Sassá me falou que está fazendo o duolingo de francês. Pratico com ele meu inglês. Li um livro ontem em portunhol. Rimos muito com essa salada de palavras.

Uma definição de poesia

 Busco,

Busco a poesia,

Busco uma definição mesmo que tardia.

A poesia chegou em minha vida de forma musicada,

Depois a poesia de maneira formal,

Foi na escola que primeiro tive contato com a palavra versada,

Uma palavra arquitetada...

Não entendi, quando minha professora de português chorou quando morreu Drummond de Andrade.

Ela estava em outro nível e aquilo me gerou um afeto.

Drummond... Seus versos enriquecendo o português...

A poesia escolar é tão séria.

Nem imaginava que a poesia vivia.

Sim os meus tios fruteiros, os agricultores cultivavam a poesia viva...

Numa festa rica chamada de cantoria...

Como foi escolar, acadêmico e erudito...

Conheci a poesia formal 

Sem ouvi a poesia da vida e da viola,

Amada por meu tio do Ceará Lourival,

Amada por tio Michico,

Amada por Nenem de Tia Esterlinda...

Por outras, minha avó materna Sinhá teve escola e me contou

Que declamava poemas na cidade nas festas na cidade de Martins.

Jesus! Vovô uma agricultora!

Quando não se tem idade, pouco se conhece a história.

Então vivi cego sem nunca ter ido a uma cantoria.

Talvez nossa condição de pobreza material,

Não tínhamos dinheiro para dar aos cantadores...

Ah...

Li Neruda e Pessoa!

E hoje, descobri a poesia popular

E estou feliz.

Poesia é a arte de recordar os momentos vividos com alegria. 

13/05/26

Ampulheta

 Silencioso,

Oculto,

O tempo está ai,

Contando nossa existência.

Desde a concepção...

Como viver o tempo em plenitude.

Talvez uma pergunta sem resposta...

Tempo de avançar,

Tempo de parar...

Máxima de reflexão do rei Salomão,

Santo Agustinho...

Fogo devorado dos nervos dos homens.

Elemento fulcral da existência...

Desnecessário...

Um dos eixos de existência,

Da causalidade...

Tempo... algo que ecoa na gente,

Só existe quanto substrato.

Essas coisas.

Herbário

 Selecionei uma tarde para trabalhar no herbário.

O herbário é uma coleção botânica composta de exsicatas.

Trabalhei nos herbários da UFRN, Depois no Herbário SP, em Seguida Herbário da Unicamp, depois no herbário CEN e provavelmente concluirei minha jornada no JPB, aqui da UFPB.

As tarde de quarta-feira veio identificar os materias da coleção. Coleção de plantas da família Fabaceae.

Musicas Favoritas

 Musicas inesquecíveis


Vaughan Williams ~ The Lark Ascending


Abecedário poético da floresta

 Sassá quis brincar. Pegou um livro de atividades de capa vermelha. Usou o lápis para riscar a linha tracejada e queria que eu fizesse. Não Deu certo. Brincamos de outra coisa. Depois na cama pegou um livro de título "Abecedário poético da floresta. Porque ele pegou aquele livro  na estante? Dai ele falou que a professora tinha um igual. Então exploramos as imagens da capa. Ao abrimos o livro caiu na letra M. Mandioca... Ele já sabe o que é porque teve na escola dele um comemoração do dia do Indio... com uma barraca de artesanatos indígenas feito pelos povos originários e eles estavam ali vestidos vendendo. Depois se apresentaram. O projeto na escola foi lindo. Aprenderam sobre uso das plantas para a produção de artefatos como tinta, comida. E a mandioca foi uma palavra que ele aprendeu. Achei interessante. Gosto que ele tenha muita literatura para consultar. Essas coisas como ele costuma dizer.

Urucum em momentos

 Um zunido na manhã cinza de chuva,

Despertou doces memórias de nosso quintal...

Bem distante daqui em minha terra natal.

Ouvindo um zunido no mundo mudo,

Vinha do pé de urucum,

Parecia um ronco distante,

De um mercedes 1313 subindo uma serra...

Então, fui ver a fonte sonora...

Vou ali onde ele está olhar,

Vejo beleza materializada

Vejo a beleza perfumada,

Uma árvore toda florada,

Flores cor de rosa,

Flores grande e perfumadas,

Flores pentapetalada,

E várias abelhas grandes e negras,

São os lindos mangangás,

Trabalhando? Namorando?

Não!

Beijando cada flor,

Voando em zigue-zague,

Sobe e desce,

Vai para a direita,

Vai para a esquerda.

Pouzado na flor ele zumbe...

Suas asas a vibrar,

E os estames a bagunçar,

Vai voando de flor em flor,

Sem ver o tempo passar...

Pra lá e pra cá.

De cá pra lá.

Minha alma imediatamente se enche de alegria,

Como o belo nos encanta.

Depois da florada,

O urucum é só silêncio!

Só vou lá para tirar

As cachotinhas equinadas,

Debulhamos as sementinhas

E fazemos urubum...

Para carne frita ficar colorida,

E deliciosa.

Ah!

Depois o mangangá,

Foi zunir no maracujá.

Vive a vida

 Vejo a vida nítida,

E me espanta ver a vida.

Quero sentir a vida,

Ver a vida é racional,

Sentir a vida é real...

Algo além de endorfina cerebral.

Vejo a vida pelo olhar da imaginação,

Vejo a vida via experiência...

Vida vivida.

As vezes me perco em tudo isso.

São ilusões da nossa mente,

Ocultando a aspereza da vida.

Coisa de uma mente desperta.

Vive a vida.

Vida que segue

 Manhã serenosa e fria,

Pela transparente janela,

Vejo nuvens cinzentas,

Na calçada molhada

Flores alvas de jasmim,

Ixoras encarnadas nos jardins.

Paredes alvas de prédios,

Pombos alvos se coçando.


Aqui dentro sinto,

Um reflexo desse tempo,

Algo em mim fica saudoso,

Algo em mim quer reagir...


A vida que segue...

Uma xícara de café para esquentar as ideias.


Devir e deveio.

Ser assim e ser ai.

É mês de maio,

Mês das mães.

Sem a minha para ouvir.


A vida fica cinza e silenciosa como essa manhã.

A vida que segue.

Vou trabalhar,

Tenho um filho pra criar.

12/05/26

Felicidade

 Recebi as imagens da chuva chovendo,

Chuvas enchendo açudes e barreiros,

Terreiros cobertos de ervas.

O milho no roçado pendoando...


A coisa mais linda do mundo

Os açudes cheios e sangrando,

Peixe subindo e desovando.


A mata verde e escura.

A cajaraneira carregada,

A pinha na pinheira rachada,

Feijão maduro na bacia...


A vaga com frio a pastar,

Leite quente com café.


Estou longo de minha terra,

Mas minha alma fica feliz

Só de saber que lá está assim agora...

O fogo esquentando a cozinha...

A comida da janta.


A  reunião da família na mesa,

Depois se deitar para esquentar as cobertas...


Tudo é tão bom quando tudo está bem.


Vivi isso e sei o valor da felicidade...

Minha família me ensinou.

Minha é isso.

Chuva trabalhando

 A chuva trabalhando o dia inteiro,

Manhã, tarde e noite,

Ora fraca, ora forte,

Quase pára,

Acelera...

O sol nem apareceu.

As aves emplumadas descansam silenciosas.

Sabem que o fruto do trabalho da chuva é delicioso,

As plantas pagam pelo seu trabalho

Chuva.

Pode chuver.

As aves ficam caladas,

São elas quem mais desfrutam das flores e dos frutos.

Chove chuva de maio,

Abriu já partiu...

A chuva trabalha feliz,

Trabalha cantando.

Vai enchendo o lençol freático,

Vai enchendo os rios,

Vai regando as matas...

Vai distribuindo a essência da vida.

E nós que tal fazermos um café. 

Poda

 Sassá ontem coletou uma folha de palmeira. Disse que era para fazer uma obra de arte.

Depois me viu podando um arbusto e quis podar as ervas. Disse que era para elas crescerem.

Está empolgado com as plantas dele.


A palavra

 Uso a palavra como matéria de expressão.

A palavra é o signo que me permite expandir as ideias que as tomei com fé.

A palavra pode expressar o que sinto pela minha terra natal que é o sertão.

E tudo que o preenche,

As formações geológicas, as paisagens,

A vegetação e a flora,

A fauna, a espécie Homus sertanejus

E sua cultura, sua rica cultura,

Singela e rica que permitiu sobreviver ali com o mínimo de recursos.

Somos quase angicos resistindo a seca...

Essas coisas que sinto.

Que amo tanto.

A palavra me faz ir além do espaço e do tempo.

Esta que me permite transpor o meu ser.

Só isso.

Resistência

 Os rins faltaram,

Uma nova rotina na vida,

O sol ardente e o calor,

A mata seca e cinzenta,

As cigarras cantando,

Acordar e ter força para viver,

Sair de casa e partir para a clínica.

As curvas e retas da estrada,

As casas ao pé da estrada,

Os serrotes, a depressão,

O gado mago...

A palavra apesar da dor.

Um riso de compaixão...

A chegada a cidade,

A  vida sofrida.

Na clínica, a assinatura,

O reencontro,

As histórias,

As pessoas e suas histórias,

Seus lugares,

Suas marcas, suas dores...

As pessoas novas,

As pessoas partidas.

A dor dos dias contados...

Os sofrimentos e  a dor,

O fim...

Mamãe viveu tanto esses dias.

Dias de luta.

E no sertão se encantou.

Amada sertaneja.

11/05/26

Jandaia e jandainha

 Caminhando no caminho que caminho,

A beira da estrada soa o berro e o ronco dos carros,

Calmas as castanholas habitam ali muitas castanholas,

Bem no meio do caminho,

Uma morreu delas morreu faz tempo,

Só restam o tronco e os ramos secos.

Ali, as jandaias adorou se coçar..,

Jandaias cabeças de mamão,

Grasnam, grasnam e grasnam...

Hoje por acaso vi um casal.

Silenciosas a se coçar...

Jandaia, Jandaia, jandaia...

Jandainha no meu lugar.

Notas do ego

 Memórias que marcaram uma parte de minha vida. A estranha descoberta que a vida tem um fim. E o fim da vida é a morte. No velório de um primo Edson deu uma definição de morte como o limite da vida. Pois, foi em Serrinha que vi os primeiros corpos sem vida. 

A gente quando descobre uma coisa que não aceitamos ficamos com um dissabor estomacal. Indo a Serrinha para meus primeiros dias de escola, no alvorecer da liberdade descobri a morte. Hoje conheci uma definição menos dolorida... A morte é vida vivida.

Mas a difusora da igreja de nossa senhora da Salete quando tocava essa composição era o anúncio de morte. Uma música que é capaz de em si nos arrancar emoção... Associei a morte. E nunca posso ouvir essa música sem transpor o espaço e o tempo... Pelo menos é a emoção que sinto quando acesso essas memórias. 

Será se alguém compartilha a mesma sensação que eu?

Cronologia da professora

 O silêncio,

A existência,

O tempo,

O ser e suas memórias.


Uma senhora e suas memórias,

Seus afazeres...

O tempo, as estações contando os anos, as fases da lua marcando os meses.

A infância, a adolescência.

O primeiro amor,

O casamento...

O amor.

A vida nova de casada, os filhos...

Os anos que separam as fases da vida, a velhice dos pais, 

Os casamentos dos irmãos,

A nova família.

Os desafios do trabalho...

A alfabetização...


A ideia de expressão a realidade,

A natureza,

Viagens...

O caderno,

A caligrafia,

A expressão e o encanto das palavras.


Os anos, o lugar mapeado na alma,

Os grandes acontecimentos,

Nascimentos,

E perdas...


Um olhar no vazio do mundo.


O tempo vivido,

Cabelos brancos.


O poder e o prazer da expresso e o deveio.


Literatura singela,

Sentimentos vividos e eternizados

Memória expressa...

Nada mais.

Dialética

 Os coisas, 

Os objetos,

A palavra,

As ideias,

As Representações,

O tempo.


Um signo,

Um significado.


O entendimento,

A expressão.


A relação...

No espaço e no tempo.


O espelho.

O reflexo.


Um sentido,

Uma sequência,

Repetições...


A síntese,

A emoção,

A razão,

A consciência...

Divagação

 A luz da tarde começa a esfriar,

Deitado penso no meu entorno,

Olho cada coisa em seu lugar.

Mamão e banana amarelando a maturar,

Um peixe azul no aquário a nadar.


Na parede os quadros descansando 

A eternidade de uma cena,

Uma casa azul em algum lugar,

Uma casa vermelha um outro lar...


Duas araras a representar 

Uma vermelha e outra azul ali está.


O próximo e o distante,

O mesmo instante ali está...


Acalmo minha mente neste breve pensamento.

Acumular

 Acumulo sobre a mesa sem querer,

Mas com desejo de possuir,

Sementes,

Livros,

Frutos,

Canetas frases,

Um ima,

Bicicletas,

Fotografias...

Quando vejo está uma desordem ordenada.

Coisas minhas.

10/05/26

Notas da semente do amor

 A vida é uma dádiva.

Felizes os que vivem e conhecem a sabedoria,

Felizes aqueles que sente todas as fazes da vida,

Felizes os que chegam a ter cabelos brancos, abraçarem seus netos.

Estou rompendo a idade adulta.

E com Deus tudo fica mais suave. Os anos vêem me ensinando essas sabedorias.

Quando era menino! Ah, nesta época Deus me deu um lar, pais e irmãos.

Eu sabia que era amado pelos afagos de minha mãe, pelo carinho de meu pai, pelas amizades de meus irmãos.

O mundo refletia em mim bomdade...

Eu sentia felicidade com as coisas mais simples,

Corrida descalço na areia fria,

O cheiro da flor do caju indicando fartura,

O encontro com as frutas maduras no pé,

As goiabeiras, as pinheiras, as cirigueleiras, os coqueiros...

Papai a prover a casa com seu trabalho,

Mamãe na árdua tarefa de educar, de cuidar de cinco filhos...

Além de cuidar e se preocupar com meus avós Zé e Sinhá.

As galinhas no terreiro pondo ovos para mamãe vender e fazer uma arrumação,

Um chinelo, uma roupa para cada um...

O dinheiro era pouco, mas as necessidades também...

O importante é que nunca ficamos um dia sem ter o comer,

A comida era pouca, mas a natureza ajudava...

Aos poucos  vida vai se revelando dura... mas meus pais amenizavam com seu cuidado e amor...

A seca de 1993, me revelou a natureza da natureza de nosso lugar...

Bichos morrendo, água reduzida...

Bem antes, em 1986 as coisas ficaram tão difíceis que as pessoas não podiam comprar café...

E a criatividade imperou, café de milho, café de canavalia...

Mas papai não deixava faltar o café que eu gostava...

Papai não tinha medo de trabalhar, tinha confiança comprava em Chico de Pocídio.

Vendia as castanhas a Ítalo de Sales.

Entendíamos tudo, pois ouvíamos papai com mamãe conversar.

Nossa casa baixa de paredes vazadas...

A noite na cama eles conversavam parece que queriam nos ensinar e a gente escutava e entendia.

E veio as escolas, os colegas e as relações sociais... Aos poucos fui perdendo a ingenuidade,

Aos poucos fui perdendo a felicidade...

As chuvas de inverno...

Os verões secos e falta de água,

As plantas e os bichos ficando escasso...

A descoberta da morte...

A perda da ingenuidade me deram medo de viver.

Mas viver é preciso...

O velório de vovó Chico... 

Marcou muito em minha vida...

Papai chegou em casa num taxi chevete amarelo chegou em nossa casa numa tarde de chuva.

Ver papai chorando derreteu meu coração... Tive medo da morte. Fui ao seputamento...

Não vi nada. Lembro do cortejo, o carro de conduzir o corpo... o caixão azul de pano.

A dor cravada em meu coração...

Naquele cortejo vi pela primeira vez o açude de Serrinha grande, Vi uma canoa...

Tive profundo medo daquela que separa a vida.

São fazes da vida...

Depois veio a escola... Dona Livani...

Minha segunda professora Dona Lenita,

Minha terceira professora dona Ceição.

Serrinha do Canto,

Serrinha Grande...

O medo de professora Rivete que me ensinou ciências.

O carinho pelo professor Ledimar,

As histórias maravilhosas do professor Chaguinha...

A ciência enervada na educação foi dando cálcio ao meu entendimento...

As enfermidades de minha mãe pobre sempre com dores...

O coração mole de Rosângela minha irmã amada.

A partida de meu irmão que nunca mais voltou a morar conosco.

A falta de apetite de Lidiana.

O retorno pra casa de Meirinha...

Roberto chegando em nossa casa.

A família de Eliene que saio do lado de nossa casa.

Sua mãe dona Eunice tão humana e generosa... a primeira vez que tomei danone foi ela quem trouxe de Natal.

As idas com mamãe onde ela ia. 

Estávamos sempre juntos com um caldeirão de ovos indo para Martins.

Indo ao Sampaio, indo ao Sítio de Fora, indo a Alexandria...

A triste partida para a capital uma felicidade imensa e uma infelicidade...

Doeu saber que papai e mamãe choraram muito.

E tudo isso se passou em nossa casa geminada.

A casa e a casa velha...

E tudo aconteceu em Serrinha do Canto...

Ali foi o palco de minha infância.

Ali tive o primeiro alicerce para vida que levo no peito até hoje.

A fé católica, o novo testamento...

O esforço e suas recompensas

E a principal coisa o amor a família

O amor a vida que renasceu de forma abrasadora com o nascimento de meu filho.

Amém.


Esculpindo uma arte

 Em um instante penso, Penso no que construo, Penso no que escrevo, Penso e escrevo. Escrevo uma ideia, Escrevo uma representação Usando a p...

Gogh

Gogh