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07/10/26

Enraizamento e divagações de um lobo da estepe

 Tenho livros espalhados sobre minha mesa.

Livros de poesia,

Livros de filosofia,

Livros de botânica.

Sou botânico.

Não sou poeta ou filósofo.

Mas gosto dessas temáticas.

Tenho livro de induismo e budismo.

Cultivo os conceitos,

Cultivo o saber.

Não é um patrimônio cultural ganhado da minha família,

É um patrimônio cultural ganhado na academia,

na vida, no irracional que é maior que o racional.

Me encanta Manuel de Barros, Pessoa...

Me encanta Kant, Schopenhauer e Hegel.

Me encanta Lao Tsé, Salomão...

Essa pluralidade abstrata,

Nessa pluralidade abstrata,

Busco uma identidade,

Que é truncada deste momento histórico.

Deveras não conseguirei abstrair um porcento...

Deveras não entenda os princípios,

Mas acredito e por isso,

Alimento minha alma...

Não tenho livros de música,

Mas colocaria na minha mesa um Mozart, Satier...

Divagações. 

Descobrindo a essência da vida além do eu

 Nem tudo que é físico me impressiona,

Porque minha conexão está voltada para a mente,

Estou concentrado em meus pensamentos.

Se me fecho demais na minha concha,

Se me encaracolo...

Perco minha sensibilidade do mundo.

Tudo isso porque estou voltado para meu ego,

Porque estou de olho em provar para os outros

Em provar para mim mesmo que estou certo.

E me esqueço de ver o real,

Ver a beleza de tudo

Como um por do sol,

Como a onda se quebrar no mar,

Como o riso de uma criança,

Como as palavras sábias de um idoso,

Como é doce uma fruta.

Se foco no eu,

Perco de focar no mundo,

Posso ser injusto e egoísta...

E em meio a tudo isso o tempo não para de passar.

Se não souber o que é essencial,

Essa curta vida vai passar

E vai ser tão rápido,

E nem perceberei,

Porque só foquei em realizar as minhas vontades...

Certamente a essência da vida não está ai.


21/09/26

Leitura

 Terminei de ler o Tao te ching,

São 81 poemas...

Concluo e volto ao início.

Leio cada vez menos,

Aprendi a filtrar o que leio,

Leio o que gosto,

Leio o que me apetece,

Leio o necessário,

Mas também leio para trabalhar

E essa leitura já vai para outra vertente.

Leio coisas de criança

Para estimular o meu filho a leitura.

Tem fome de livros,

Tenho fome de saber,

Mas é preciso jejum,

Mas é preciso oração,

É preciso encontrar a paz,

Já que vivemos a realidade

E leitura demais pode quebrar o equilíbrio,

Leio com os olhos,

Com os ouvidos,

Com a vida.

Leio.

17/09/26

Sinfonia da mata

 Uma ave faz quebrar o silêncio na mata,

Canta um canto breve e me faz fugir dos pensamentos,

Faz surgir um pensamento real.

Penso no desconhecimento deste canto,

Um canto sem encanto,

Conhecido, porém desconhecido,

Que ave é a que canta?

A realidade que acessamos pelas sensações,

Pelos sentidos,

Requer tempo e atenção...

Entorno, matéria ser.

Na existência se acessa a realidade

E o ser filtra e cria a nossa realidade...

Que ave será aquela,

Que sempre quebra o silêncio...

Será que é parte da sinfonia da mata...


19/08/26

Um grito

 Em silêncio contemplo o mundo,

As formas que me dizem o que são,

As cores que qualificam as formas.

Eu olho pro dia,

Eu olho pra noite,

Eu ouço o dia,

Eu ouço a noite...

E me sinto cansado.

Cansado do dia dia.

Meu corpo, minha alma

Sentem cansados.

A fé me cura,

O descanso me recupera...

Sempre seguindo a seta do tempo...

Humano espero algo...

Humano.

Humanidade.



04/08/26

Uma história humana

 Escrevi algumas coisas inspirado por Pablo Neruda. Agora nem sei por onde estão, mas sei que estão aqui. Gostava dos livros daquele autor, de suas capas, talvez as imagens das capas me atraísse mais que as palavras e os versos. Nunca mais o li. Descobri que tenho tanta coisa para ler... As vezes a gente se perde nas demandas da vida. Em mim, tenho guardados sentimentos por sua poesia. Queria ser poeta. Talvez almejasse os louros da poesia. Minha vitrine era externa. Minha vitrine estava nas livrarias, nos livros de bolso e no que cabia no meu bolso. Então tive acesso a Neruda, Pessoa e Nietzsche. Marcou a época que fazia meu doutorado. Depois descobri a Borges e tive acesso aos seus livros encantadores. Este me fez escrever e sentir e ser um escritor, mesmo que sem leitor. Por último, estava tão perto de mim, tão em conta e só agora descobri Davi e Salomão. Coisas de uma história humana. O amor as letras... Deveras, esqueci de relatar o primeiro tratado que delinearia minha vida... encontrado num baú antigo... um livro com os pensamento de Gandhi. Estes me marcaram profundamente.

22/07/26

Saudade

 Há a distância do espaço

E há a distância do tempo,

Ambas revelam um profundo sentimento,

Que não sabemos definir,

Só sentir.

É a saudade separação é o pivô,

Consciência da ausência,

Consciência do eterno desencontro.

Só restam memórias.

E todas as vezes que nos deparamos

Com algo que desperte a saudade!

Ai! Como dói o peito.

Não temos consciência da realidade do agora.

Então...

Saudade...

Sentido externo,

Sentido interno.

E o tempo é o pivô de tudo...

Vamos seguindo a vida com nossos sentimentos.

Achando graça na cruz,

Achando graça em Jesus.

E isso é tudo.

27/05/26

Soneto

 Com quatorze versos faço um soneto.

Sendo as estrofes divididas em  quatro, quatro e três e três.

As rimas podem ser alternas ou opostas.

Aprendi numa aula de português a muito tempo atrás.

Nem sei o que me adicionou.

Sei que Quintana gostava muito.

13/03/26

Forma

 A forma é a matéria definida.

É o estado terminal da matéria.

A forma pode ser dita.

A matéria é a indefinição da forma.

A substância é a forma e a matéria.

A substância é a totalidade que há.

Forma é ilusão.

Forma é o negativo.

Forma é definição.

Forma é enquadramento,

Forma é o começo da abstração...

Nana rupa - nome e forma.

Um ponto para um pensamento,

Ou a base do pensamento.

11/03/26

Manhã

 Manhã tens a beleza da luz dourada,

A muito sois contemplada,

Suave e fresca,

Teu cheiro particular.

Manhã tuas notas,

Tua essência, será tua?

Não seria o frio e frescor

Um presente da noite 

Que passou?

Não seriam esse odor,

Um presente noturno.

Manhã, nova manhã...

Não sois apenas uma noite acordada?


10/03/26

Essência do ser

 A aroeira fernanda abriga um sabiá,

Dias da calado,

Dias está cantando,

Canta sabiá,

Seu papo amarelo,

Aberto a cantar,

É tão belo,

é Tão belo...

Vem por outro te ouço a cantar.

Vez por outra está por lá.

Tchau aroeira,

Tchau sabiá...

Qualquer dia alguém parte.

Só não parte a essência agora.

20/02/26

Alma de poeta

 Um poeta se dispõe a pensar e o mais laborioso escrever.

Um poeta organiza suas ideias. Ele transforma o momento efêmero em beleza e substrato para o pensamento.

Poetas, acho que morrem de medo da morte. Descobriu que nas palavras pode se imortalizar.

Um poeta ver a beleza e a põe em palavras. Ele usa os sons para rimar. 

Tem poeta de todo jeito. Uns agricultores como patativa do assaré.

Os poetas eruditos não o entenderiam pois são se Capela.

Um poeta professor como Anacleto. Esse tem um pensamento cristão. Sua poesia é linda cristã e divertida.

Um poeta pintor como Vandembergue... só fez um livro, mas é maravilhoso. Sua poesia é visual?

Um poeta Lino Sapo que como o rio ao receber água nova ganha potência e vai levando o amor a frente.

Um poeta que canta como Ivanildo Vila Nova... Valdir Teles... 

Um poeta da serra um cancioneiro Eliseu Ventania foi o poeta que vi papai admirar.

Que ilusão definir os poetas...

Os primeiros que descobri e amei foi Bandeira e Drummond.

Sou pobre nesse quisito.

Aprecio o bonito e perceptível.

Tem um poeta maior Manuel de Barros...

Ah! Pantanal de juma minha primeira paixão...

As aves, as águas, os lagos e os rios. A imaginação dá um brilho a realidade...

Só desprendidos de nossos desejos podemos ver a realidade como se apresenta.

Ser poeta... uma vontade.

Mas ai...

11/02/26

Sonho e amor

 Sonhei ser tanta coisa.

Sonhei com a grandeza.

Lutei pelos meus sonhos.

Amei as filosofias.

Hoje a vida vivida em parte.

Percebo que a vida vai ganhando sentido no viver.

Hoje o que mais amo não estava em meus sonhos,

Mas estava lá comigo em potência e em ato,

Minha família e meu filho.

Os meus sonhos foram a lenha 

Para sobreviver até aqui,

Foram importantes para ser o ser que sou,

A parte isso pulsa em mim a humanidade,

Sou igual a todos com todas as dificuldades e facilidades...

Sou a vida que entendeu que o tempo tudo consome,

Sou sentimento e esperança e o mais sublime amor.

08/02/26

Sistema

 A gente sistematiza a nossa vida, as nossas coisas o nosso modo de ser.

A gente vive buscando novas formas de melhor viver.

A gente vive buscando sistemas.


06/02/26

Resumo

 Acabei de ler o médico de homens e almas. Aproveitei uma promoção na livraria e aproveitei as férias e estou muito satisfeito.

Conheci o título desta obra quando estava na graduação em ciências Biológicas,  minha única graduação. Na época morava na universidade UFRN, na residência Universitária. Um palco de alegria e angústia e isso não é a essência da vida? Eu vindo do interior e desbravando a cidade grande, descolando uma nova realidade em minha vida... Sentimento compartilhado por todos os colegas que ali moravam. Novos mas cheios de ganas, e de responsabilidade.  Dividimos um beliche com um colega e um quarto com seis colegas e uma residência com 96 colegas... Um colega que adorava ler literatura espírita. Era o maior em estatura de nossos colegas, o mais divertido e querido. Era professor de educação física, era meu colega de quarto no apartamento 14. Vindo de Carnaúba dos Dantas, e se chamava Gilson Dantas. Desfrutava então de sua vitalidade, suas falas, suas piadas, das conversas na mesa do restaurante Universitário. Todas as noites ele chegava, tomava banho e tinha um tempo para a leitura. Um dos livros marcantes que leu foi o médico de homens e de almas. Ali acendeu o interesse pelo livro, mas o volume das páginas me faziam declinar da empreitada. Bem suponho que isso se deu lá entre 2002 e 04. Os anos passaram. Então outro carnaubense meu compadre e amigo, turismólogo e agora médico me falou novamente do livro. Então ao passar na livraria fui levado a comprar e nos mediados de fins de dezembro de 25 comecei a ler e não parei até o final. Estou encontrando. A leitura foi extremamente fluida, só lembrando que retomar a frequentar a igreja, as leituras da Bíblia ajudaram muito para a fluidez da leitura. Ficou muito... Parei para registrar esse pensamento...

Reflexão ao lado do amor

 Aqui deitado com os pés e as mãos geladas. Vinícius dorme tranquilo ao meu lado. Então, pensando no tempo, esperando pelas chuvas me veio a memória como um turbilhão que tudo tira do lugar. A mente matemática ou memórias numerais que nós faz pensar no tempo. A primeira grande provação em minha vida e porque não nossa dos meus irmãos foi a seca do ano de 1993. Aquele bendito ano que só caiu uma chuva e que meu avô José Neves dormiu na eternidade. Foi um ano tão cruel que mudou nossas vidas para sempre. Nós vimos todas as nossas melhores fruteiras morrem de sede. Foram os cajueiros, as goiabeiras, bananeiras, mangueiras... Papai vendeu os poucos bichos e foi embora para São Paulo em busca de recurso só quem restou foi a caatinga cinzenta e espinhenta. O sol ardeu de janeiro a dezembro. Ficamos ociosos, esperando nossa ração do café, almoço e janta. A globo cadenciava nossa vida, nossa escola, nossos professores, nossos vizinhos todos no mesmo barco. A gente tentava ri para vencer as adversidades. Naquele tempo tive certeza de que alí nunca teria uma estabilidade e o tempo cadenciaria nossas vidas, provaram os fortes e quantos de nós não foram morar longe e quantos nunca voltaram. As chuvas, não a água era e é nosso maior recurso. Vi nosso sítio se tornar uma área Cerqueira, nosso irmão mais velho nos ajudou junto com papai. A gente, depois deixaria nossa terra natal. E bom, alguns de nossos cinco  irmãos, decidiram não voltar mais. Uma voltou para cuidar até o fim dos dias de nossos pais e alí ficou. Eu como moro perto sempre volto. A casa agora é enorme, nosso cenário de alegrias e de dores está ali. Agora flerta com mais um ano seco.

Passamos 21 aguardando as chuvas e nada. Agora tive que partir e deixei nossa casa com o coração de beija-flor. Do alto dos 46, após permear e buscar entender ciência e filosofia encontro paz na fé coisa que meus pais e avós encontraram. A caatinga e a seca devoraram nosso sítio e andando na caatinga encontrei as marcas do passado o buracos das palmas que papai plantou, troncos ou marcas destes que os cajueiro deixaram. Apelar para Deus...

Ainda dorme Vinícius e eu aprecio o momento com essas duras memórias atemporais.

Matemática

 Hoje cai na abstração e pensei na sublimidade da matemática que nos permite pensar no tempo

Número

 Hoje o dia foi perfeito. Um domingo como a muito tempo não havia vivido.

Chegamos aqui em Serrinha do canto no dia 17.12.25, e desde então aguardamos ansiosamente pela água das chuvas. Vivemos muito e gostamos desta forma de viver. O mato seco, as aroeiras, angicos e juremas; as serras, as curvas da estrada, o calor cáustico, a sede dos vegetais, as mangas... A lua crescente e cheia...

As luzes do Natal o fim de ano. A visita aos parceiros distantes... A esperança de mudança que vem. O aniversário de Vinícius...

Os textos...

O livro de Lucas...

A bíblia, Borges, os cachorrinhos schaquira e Sherlock...

O loro Creo...

Salmo 91 o dia 19...

Um sentido... Uma razão... Frutos da abstração, o número seis.

O número cinco.

O número quatro.

O número três.

O número dois

E a unidade...

O dia em seus extremos foi nublado.

A vegetação pálida como se estivesse molhada. Logo tudo vai mudar.

Estamos no ápice do verão, fim da sequidão...

Tudo mudará em pouco tempo.

É preciso Deus para não morrer de angústia...

A fé na bondade nos salvará de todos os males...

Fiz fotos hoje e amanhã tudo poderá ser o inverso.

Coisas humanas.

09/12/25

Aprendiz

 Minha vida mudou tanto quando passei para o ensino médio. Fui estudar a noite em Martins no Joaquim Inácio. Tive excelentes professores. 

Um deles era uma professora, Oneide. Minha professora de português. Não tive dificuldade com ortografia, tive e tenho com a sintaxe. Enfim, adorava as aulas com os textos e suas análises. Gostava de escrever no caderno e ver ela escrevendo no quadro. Ela tinha cabelo curto, uma voz pensativa e gostosa de se ouvir. Havia uma áurea de experiência e amor pelo ensino. Um texto maravilhoso e marcante que nos passou foi o texto rua dos cata-ventos de Mário Quintana... 

Nas tarde fagueiras, na minha cadeira de balanço, no corredor da biqueira, li e reli tantas vezes, as rimas, os sentidos e a solidão.

Aquele texto marcou para sempre na minha vida. Procurava e não encontrava e nem sabia que rua dos cata-ventos é um livro com 17 sonetos. E que o soneto que conheci foi o soneto II. Recente comprei um livro de poemas de Mário Quintana e descobri essas informações.

Estou descobrindo a genialidade ou a sensibilidade daquele maravilhoso poeta. Estou concomitantemente lendo o DNA do nordeste do poeta Lino e um livro de poemas e imagens de Wandenberg Medeiros. Já li Neruda, mas faz tempo que não leio.

Recentemente conheci a poesia de  Waldir Teles... E conheci pessoalmente a poetisa Lizbethe Oliveira e converso sempre com o poeta Anacleto!

Em meio a este universo concreto e abstrato vou tentando dar alguma matéria para meu espírito construir alguma coisa.


Acho que em meio a estes busco temas que sejam universais.


Descobri ou redescobri o poeta de nossa cidade Martins Eliseu Ventania, que foi um grande cancioneiro...


E falar o que de Patativa do Assaré?


E falar o que de Borges?


O que afinal forja um poeta!?


Que falar de Drummond?


Manuel Bandeira?


Tiago de Melo?


Manuel Bandeira?


João Paraibano?


Pinto de Monteiro?


Estou apenas descobrindo...


Uma vida não seria suficiente...


E o grande Leonardo Bastião?


E Padeiro?


...


Salvo o absoluto...


E entender que tudo foi gerado numa aula de português?


Numa mente jovem com vontade de vencer.


Numa mente que acreditou numa ideia.


Que a palavra tem poder de mudar o ser.


Mestre Oneide!


As suas aulas me encantaram mesmo sendo pura abstração...


Mario Quinta naquele poema me fez viajar e agora terminado esse universo.

21/11/25

Assim é

O vento tem seu ritmo, o vento tem seu tempo e canta conforme o tempo e o ritmo. O vento da manhã é diferente do vento da tarde e ou o vento da noite.

Suave pela manhã, intenso à tarde e veloz e frio à noite.

Como sei de tudo isso porque sinto.

Porque ouço, porque penso.

Nos ritmos e no tempo parte da matéria que me construe.

O verão

 O calor, A mata parada Sem um sopro de vento... O arrastado da enxada, O canto das patativas, A sensação de incomodo, O desejo de  relaxame...

Gogh

Gogh