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18/02/26

Sapo sapiente

 Na lagoa um sapo compõe a paisagem. Estático apenas o percebo. Sua forma e suas cores aquilo que me diz que é um sapo. Seus olhos percebem a mim pelo meu movimento. Estático está e permanece. Perto do sapo está um jacaré e na mesma lagoa peixes.

Essa lagoa não é natural nem aquele peixe.

As vitórias regias enfeitam de cores alvas e verde o espelho da água...

O sapo fica pequeno diante do jacaré diz um.

O sapo fica feio diante da vitória regia diz outro.

O sapo nada menos que o peixe fala o outro.

O sapo não responde só existe.

Se tem fome come.

Se tem perigo foge.

Só responde.

Agora nada o incomoda e compõe uma paisagem.

Só.

23/12/25

Fluxo do tempo

 Após uma longa seca, ontem à tarde, 22 de dezembro 25, finalmente caiu uma chuvinha. O tempo esfriou e a noite nasceu nublada. À noite, antes de dormir, trovejou muito. Dormi a noite inteira. Agora que acordei e fiz minhas rezas, estou a contemplar o mundo com os ouvidos e com a pele. Ouço tudo que acontece lá fora os veículos a passarem na estrada, e todos os pássaros a cantarem, sanhaços, cabeça-vermelhos, rixinó... O tic-tac do relógio, o zunido do ventilador. Sinto o frescor da manhã nova que chegou e vai me dando tempo e graça de vida. É quase a última semana de mais um ano.

Estou muito grato com o ano que vivi.

Meu filho está forte e feliz, já está quase lendo.

Tudo em minha vida é uma benção.

A existência é um fenômeno.

Ser é existir.

Existir é intuitivo, é imediato...

Férias

 No sertão potiguar onde nasci, todo fim de ano vou passar. Esvaziar a mente e descansar. Hoje subimos a serra num sítio, jacas fomos comprar e ali nos pomos a conversar.

As jaqueiras centenárias pela seca maltratadas e as Pitombeiras a nos escutar. Seu Cleiton cujos olhos são os ouvidos a narrar os acontecimentos recentes. Todo cuidado com sua esposa que o alzheimer a infantilizou. Conversámos muito e depois saímos Vinícius e eu para o sítio pegamos o carro e pagamos as jacas, três duas duras e uma mole.

Nos despedimos e o acontecimento terminou.

Devir

 A manhã foi tão ligeira,

Caminhei na estrada tentando esvaziar a mente.

A mata seca e intrincada, a forma das árvores,

A aroeira inerme e oblonga, o Juazeiro verde e armado, com flores diminutas, a Jurema castigada cortada e ressuscitada tão ramificada, as cajaraneiras plantadas e idosas...

Os angicos de troncos ornamentados espalhados na mata.

Na beira da estrada encontro a trindade  na materialidade de três pequenas rochas, sagrada família.

Olhar aqui e aculá a contemplar a unidade e a pluralidade...

O som do metal na proteção de uma curva fechada.

O som em minha alma e na natureza o vento sendo riscado no garrancho da mata.

A luz fria do sol que vai aquecendo o dia...

O ir e vir...

A manga na sobra da mangueira, doce  amarelo. 

O céu azul.

A promessa de chuva.

A fé.

A estrela alva da vinca.

O café com leite.

A saudade.

E o desfecho da manha aqui e agora.

Existência e ser

 O tempo tem me revelado o que é a vida.

O tempo tem me ensinado a viver

Entre percepção e razão,

Entre a realidade e a fé.

O tempo é o combustível da minha existência.

Vida por vir.

A vida vivida é matéria do meu saber.

Sentimento... 

Ser...

Existir.

Nossa casa

 Nossa casa aconteceu.

Nossa casa nasceu do amor,

Nasceu do trabalho e do suor do meu pai.

Nossa casa surgiu um dia e se transformou em um lar.

Nossa casa foi criança, nova e cheia de barulho, bagunça e alegria,

Nossa casa nunca estava vazia.

Nossa casa foi pequena e depois cresceu.

Nossa casa foi baixa.

Nossa casa teve várias cores...

Foi amarela, foi rosa, foi Verde e foi  azul.

Nossa casa tinha mãe e pai.

Nossa casa passou por tantas coisas, alegrias e tristezas.

Nossa casa teve sentimentos...

Nossa casa assistiu nossa chegada e nossa partida.

Nossa casa descobriu as doenças do fim.

Nossa casa velou meus pais.

E ficou grande, velha e vazia.

Ainda sim é o nosso lar.

Seus netos nossa casa não tem tanto amor.

Nossa casa, neto é neto.

Nossa casa é agora a casa da tia.


Nossa casa no natal já tem aquela festa ha cinco anos,


Nossa casa o Natal perdeu o brilho...


Nossa casa é católica.


Nossa casa tem Maria, tem José, tem Jesus de Nazaré.


Nossa casa tem são Chiquinho.


Nossa casa não falta amor aos animais...


Gato, cachorro, gado, galinha e pato.


Nossa casa fica feliz com nossa visita...


Sorri de portas abertas...


Nossa casa um dia será por si.


Sois forte, existente, sois parte de nos.


Seus átrios preenchem nossas mentes de memórias e de saúdes...


Nossa casa como é linda, como amo te ornar.


Guarda lembranças do meu amor por papai, canecas de porcelana, um boi e um jaguar, imagens...

Fotografias, documentos...


O que é a nossa casa.


Nossa felicidade e nossa existência.


Nossa casa paciência com a vida.


Nossa casa é nossa vida, nossa vida vivida.

11/12/25

Desprender para mudar

 O verão intenso,

Seca!

Poeira, e estiagem.

As árvores florescem e nem sentem,

Vão buscar água no subsolo.

Mas sofre e muda,

Abri a janela,

E ouvi o som das folhas se desprendendo dos ramos,

Folhas amarelas,

Flutuando pelo ar...


10/12/25

A existência se mostra

 Não se percebeu o início,

Mas estava lá a se dividir

Mas estava lá a se multiplicar,

Da gema, cresceu um botão...


Por dias a se preparar,

Cresceu sem parar.


Um dia do nada,

A flor desabrochou,

Numa antese triunfal,

O botão se fez flor,


A flor negou o botão,

Em plenitude de beleza,

Pétalas encarnadas,

Pétalas perfumadas,

Pétalas macias,


Com os olhos devorava a beleza,

Com o nariz devorava a beleza,

Com os dedos devorava a beleza,


Foi só um dia de plenitude,

Apenas um dia de existência,

A rosa logo desapareceu,

Enquanto outros botões

Geravam as rosas,


Então! vale a pena plantar,

Vale a pena cultivar,

A existência é um fenômeno.



09/12/25

Eterna manhã

 O sol acendeu a manhã.

O vento afaga a manhã.

As aves cantam para a manhã.


O silêncio,

A palavra,

A contemplação.


Que fazer com tudo isto?


O sol aquece a manhã,

O vento refrigera a manhã,

As aves sentem o sol,

As aves sentem o vento,


Ora calam,

Ora cantam.


Eu que não faço nada

Apenas sou.

Apenas estou sendo,

Quando tu leres pode ser que ainda seja ou não.

Atemporal é eterna é a manhã.

05/12/25

Vejo

 A imagem no espelho revela marcas do tempo vivido.

As experiências, os encontros, os afetos.

Cada marca tem um dia, um momento, um instante.

A mente se apega a um traço,

E abre a porta da memória e divaga.

Onde estou nesta história?

Em frente ao espelho, 

Atrás do meu olhar,

Em algum lugar sem espaço,

Pois memória não tem materialidade...

05/11/25

Coisas corriquiras

 Adoro o silêncio desta sala, a vista para a mata, para a aroeira e o jutaí.

A manhã nublada e a aves em sua alegria a cantar.

Na correria dos nossos compromissos esquecemos das coisas mais simples e importantes da vida.

14/03/20

4. Rotina

Na rotina prevemos o que vai acontecer,
Sentimos os cheiros e os gostos, ouvimos os sons.
Vemos as coisas acontecerem.
Na rotina, somos estáveis.
Somos acostumados a tudo dar certo,
Desenvolvemos hábitos,
Mas aí.
É triste quando uma rotina é quebrada abruptamente.
Uma doença, um acidente ou a morte.
Não dá para viver seguro o tempo todo.
Com a rotina a gente envelhece sem perceber
E qualquer dia a rotina nos mata.

24/01/17

O que resta

Acho que a solidão não é toda de ruim.
Ela nos faz pensar.
Bom, nem sempre temos tempo para pensar,
Aquilo que desejamos,
Pois estamos focado em metas diversas.
Bem mas num início de noite escura,
Morando só...
Só resta pensar...

15/01/17

Domingo

A noite,
Após pensar o dia inteiro,
Sobre tudo relacionado a vida,
A gente fecha algumas ideias.
Uma de minhas perguntas de hoje foi: O que mudaria na vida, se fosse possível.
Uma das conclusões foi que mudaria a forma de ver o mundo, tentaria aceitar mais a realidade.

É, a gente envelhece.
Envelhecer é doloroso,
É maravilhoso, pois a gente torna-se mais experiente,
Mas tudo muda, até nossa maneira de encarar as coisas.

E se foi mais um dia.

17/04/16

Ocaso

Um domingo de chuva,
O tempo é o mesmo,
Mas o silêncio vazio e mim,
Algo que me custa dominar
O  medo da solidão
E esse mundo oco...
As coisas perdem o sabor,
As cores,
O sentido,
Até que!
Bom nada vai acontecer de fabuloso,
Então é curtir
A presença da saúde,
Que dia maravilhosos
Esses dias comuns.

12/02/15

Avós e Pais

A casa silenciosa,
Passos arrastados,
Paz.
Na cozinha um gato mia silencioso,
O cachorro abana o rabo,
A comida na lata de doce.
Pais e avós e mais tarde nós.
A vida se desprendendo da carne,
A fé em está com Deus,
Tranquilo se dominam os dias,
Sem pressa,
Vivendo cada dia ao sabor da idade,
Sem pressa como caramujo andando.
É difícil entender esse mundo afetuoso e gostoso,
Em que nos tornamos reféns de nosso próprio corpo.
Dá vontade de ficar sempre do lado,
De nossos amados,
Da vontade de ser um gato e u cachorro,
Só para viver mais pertinho
Dos nossos amados avós e pais.

11/02/15

Entardecer o ser

Mais um dia se vai imerso numa tarde maravilhosa,
A tarde é crepuscular,
A tarde aos poucos se vai imersa em cores,
E do rubro muda-se para o azul, atropurpúreo.
As aves cantam seus últimos cantos
E aos poucos silenciam-se,
Aos poucos, o dia se desfaz em noite,
E a gente sente uma saudadezinha
E se sente bem por ter vivido mais um dia,
Mais uma dádiva ganha,
Imagina quantas batalhas foram ganhas,
Imagina quantas pessoas não estão felizes por sentir mais uma noite chegar.

07/03/13

O espelho

O que vejo quando olho no espelho?
Muitas vezes não vejo nada.
Muitas vezes uso o espelho, 
mas não me vejo ali...
Todavia tem dias que me vejo no espelho
vejo as marcas do tempo,
sulcos na pele,
sulcos na pele,
sulcos na pele,
barba feita ou crescida,
olho nos meus olhos
e nada vejo, perco até o timo,
as vezes me pergunto: Quem sou eu?
Não vejo os anos passarem,
parece que cruzei a infância e adolescência
sem perceber...
O espelho me faz cair em si,
por isso me vejo ou desprezo
minha imagem no espelho...
Será que é porque sempre estou olhando o amanhã?

18/02/13

Mulher

Adorada e doce flor,
Sedes tu mulher,
Sedes tu como a terra,
Fecunda e terma,
O mais agraciado
De todos os seres,
Em teu seio é gerado a vida.
Em teu seio fecundo
Foi que fomos gerados,
E em teus braços fomos criados,
Dia e noite nos destes
Tua atenção e o teu carinho,
E é nos teus braços
Que encontramos conforto,
E é no teu seio
Que sentimos amor.
Mulher sedes flor,
Sedes tudo que precisamos,
Sem ti, nada somos,
Senão um ponto final
De nossa existência. 

10/02/13

Outros carnavais

O tempo passa tão depressa
que nossas perspectivas
se apagam junto com nossos sonhos.
É como se fossemos dunas
movidas pelo vento e pelo tempo.
Carnaval, em outros tempos
seguia para onde houvesse folia,
mas hoje, curto mesmo o feriado...
E o tempo passa tão depressa
e leva toda a graça,
toda a juventude,
Toda nossa coragem
e o que fica,
senão a experiência, 
mais nada...

Noé

 Noé - Noan. Nome de origem hebráica que significa descanso, repouso, conforto. Este nome é amplamente conhecido pela bela história da bíbli...

Gogh

Gogh