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sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Despertar

 Por um momento senti a vida em plenitude, e já não tinha tanta juventude.

Pensei no tempo que nada tem de materialidade,

Vasculhei na memória em busca de algo e nada encontrei a não ser sentimentos e vida vivida.

Aquele momento que passou esse momento que tudo é... Essa realidade pasmada.

Senti um medo perverso que temos quando entendemos e sentimos a finitude da existência.

Sorri e chorei ao mesmo tempo.

E quis escrever pra nunca esquecer que o amor é o equilíbrio que nos faz seguir a diante mais um instante.

Raiz do amor

O amor é um sentimento de intensa amizade.
Amar é cozinhar, ternamente a gente vai amando e sendo amado.
Amar tem um ponto nem muito fogo nem pouco fogo,
Nem muito tempo, nem pouco tempo.
Amar é uma combinação de corações...
Pode acontecer entre outros e não com você.
Pode acontecer entre você e outro e não outro.
Amar é um mistério.
Gostamos de crer neste mistério.
Amar tem a raiz no respeito, carinho e amizade.

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

A nossa senhora da Salete

 Nossa senhora da Salete,

Padroeiro da ruinha, 

Hoje amada serrinha,

É a benção do nosso chão.


Nas tuas novenas amava a ladainha.

A gente simples e humilde se serrinha,

Papai e mamãe em forte idade,

Nos levava para rezar,

Sob o seu altar eu via o mundo,


Contemplava o chão com tantas facetas,

Contemplava os bancos, os pés e as pessoas,

Via nas pessoas a marca do tempo,

Crianças, jovens, adultos e idosos.


Gostava da ladainha,

Não entendia o ofertório,


Mas gostava da alegria das cantoras, do violão,

Do teclado,

Da voz de padre Valter...


Nessa igreja que tantos filhos batizamos,

Tantos amados velamos,

Numa última oração...


Nossa senhora da Salete!

Rogai por nós,

Por seus filhos, amados filhos

Aqueles que partiram e não voltaram,

Aqueles que nunca saíram...


Salve seu amado filho Chiquinho de Raimundo Moura,

Que tanto se doou e se doa...


Essa igreja tão amada e querida.

O tempo irá nos levar.

Essa casa sempre estará na minha alma.

Reconheço sua importância e declaro meu amor.

Amém.

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Serrinha

 Serrinha minha terrinha,

Por Salete abençoada,

Um açude, uma chapada.

Faz-me gosto em ti está,


Ver a jurema e o marmeleiro,

Aroeira e o cardeiro que cresce nas terras rasas.

O lajedo de Bastiões,

A Boa Vista,

As Lajes um e dois, Sampaio, Grugeia, 

Barro vermelho e Parieiro, Serrinha do Canto, Chã,

Camarão,

Vertentes, Maniçoba, Sussego, Morcego...

Serrinha minha Terrinha...

Em ti posso me encontrar.

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Meu alfa

Aprendi a ler,

Lápis e caderno, um quadro negro e a professora.

A professora professou as vogais e o alfabeto.

Foi bem devagar que me pus a pronunciar

o A, É, I, O e U.

Depois veio o alfabeto...

A, B, C...

Foi professora Livani que me ensinou.

Esse foi meu alfa.

 

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Herbário

 A coleção botânica me encanta.

Gosto de trabalhar no herbário.

Gosto do cheiro seco das plantas.

O silêncio, o espaço vazio.

O frio...

Nas exsicatas, as datas, os lugares, as letras...

Cheiro do tempo documentado em matéria e signos.

Ai posso me perder nos meus pensamentos,

Posso me perder no tempo

E ser pleno e universal.

Absoluto!

Não sei, mas tive essa oportunidade e amei.

E busco aprender mais e mais e ser o melhor de mim.

Aqui no herbário onde as tardes são de prazer

Onde o tempo acelera e não sei porque.

Um texto para tão poucos, mas cheio de amor

E sentimentos singelos.

Só isso.

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Soneto do contentamento

 Deitei na cova a semente do feijão e da fava.

Terra nova e queimada,

Com trabalho preparada.

Cada semente uma esperança,


Da fartura e de sustento,

Meu pai trabalhava sem parar,

Para em nossa casa nada faltar.

Tirando da terra o sustento,


Disseminando seu ensinamento,

Que com fé e trabalho,

Não há de faltar provento,


E aos risos e graças cultivava

O que comia,

A gente vivia com alegria.

terça-feira, 7 de outubro de 2025

Outubro

 No silêncio outubro desperta, de anos indos 2025. Para trás comemorávamos mais um ano de vida de minha amada mãe.

Este ano é o quarto sem sua presença.

Só sua essência se mantém em nossos corações.

Outubro, franciscano outubro,

Tinges o céu de azul, sopras o vento desenfreado,

Faz a rosa sedenta desabrochar no jardim e olhar e agradecer por tudo.

E entender oh outubro quão depressa tudo se faz e desfaz.

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Paud'arco

 O ipê na minha terra é paud'arco.

Aqui na cidade é ipê-roxo.

Na ciência é Handroanthus impetiginosus.


Para mim quando não existia ipê ou handroantus tudo era paudarco.

Naquele tempo, nem vinte anos tinha!

Independente do nome, suas flores sempre serão cor de rosa.

Quando funcionário da prefeitura de Serrinha dos Pintos, nas idas para o sítio vi uma coisa esplendorosa, um paud'arco rosa, na cinza caatinga. Hoje, revivi o momento ao voltar para casa e contemplar um ipê rosa em flor enfeitando o canteiro.


Pensei em escrever algo! aqui está.


No mormaço de setembro,

Treme a caatinga cinza,

Deitada na depressão plana está a caatinga

A vastidão da depressão se encerram em serrotes.


O canto quente da cigarra zunindo,

Estrada a cortar em banda a caatinga e a salpicar poeira no poeira no ar,

Arriba do chão a poeira e o vento leva para as margens 

pousando em intrincados galhos,


Cobrindo carcaça de gado,


Feito cheiro de diesel do caminhão.


Nesta linda vastidão,


Paud'arcos a encantar,

Num rosa tutifrute chiclete...

Florindo ao caldo do dia.


Roubando a atenção.


Provando que o belo é universal.

Até o mais insensível, descansaria a vista em tamanha beleza.


Parei e me pus a contemplar.


A beleza agrada a alma.

Aquece o coração

E faz valer a pena o momento,

Fez esquecer o calor,


E por um momento fui eterno.

Amor

 As relações se enovelam com os sentimentos, assim como nos enovelamos com aqueles que amamos. Mesmo espaço e tempo. Algo tão efêmero, mas eterno a intuição.

O amor

 De tudo que passou, nada restou.

O lugar com suas particularidades.

Altos e baixos,

Um riacho separa distinta fase.

A sensação de cada momento.

Mamãe, eu e o caminho. 

Dois pensamentos na mesma direção.

Deles um com razão,

 outro apenas imaginação.

O que restou?

O amor.

O amor.

O amor.

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Lua

 Cálido sol a manhã a despertar,

A lua crescente, ao amanhecer continua acesa.

Depois o sol apaga.

A gente guarda na memória singela beleza.

Essa paisagem eterna.

Me ponho a pensar no tempo.

Na eternidade, na beleza.

A lua será bela em qualquer lugar?

terça-feira, 23 de setembro de 2025

Suave lembrança

 Quando estava acabando o almoço, coloquei o feijão no prato. Percebi que tudo mudara. Antes o feijão era comido primeiro. Algo me fez recordar meu pai, Chico. Porque sempre que acabava de comer preparava a comida do cachorro. Ele colocava feijão com farinha misturava e sempre provava, mesmo já saciado. Provava e gostava, parecia convencer a seu inconsciente aqui comemos a mesma coisa. E para tornar mais agradável colocava óleo. Papai era um Francisco de coração.

Então terminei de comer e pensei.

A gente é feliz se achar que valeria a pena viver tudo novamente. Tive a sensação de que papai viveria tudo isso e com amor.

A minha sensação foi de estado de graça e plenitude eterna.

Graças por ter dado o melhor de mim para ser um bom filho. Graças por tentar ser o melhor pai.

Obrigado.

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Pontes

A foto de meu amigo, sua irmã e sua tia me fez pensar essa frase. 

Somos apenas pontes, passagens para que a vida siga existindo.


segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Encontro

 Meu peito está dividido!

Saudades de mamãe e de papai.

A presença de meu filho.

O limite entre ambos

É inefavelmente o tempo...

Só na imaginação poderemos sentarmos juntos...

Ser e existir...

O ser é eterno.

O existir é só um espaço de tempo.

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Mãe

 Uma música toca minha alma.

Ave maria!

Acende em minha mente

A saudade de minha eterna mãe.

Maezinha que me alimentou,

me amou...

Enquanto estivemos presentes,

Compartilhamos o maior sentimento.

O amor.

Mãe sinônimo de amor.

Eva, Maria, Francisca...

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Sete de setembro

 Uma tempestade tomou conta de minha mente na noite de domingo dia 8 de setembro. Adormeci e dormi até uma da madrugada. Até então relaxei, mas depois que acordei não consegui mais dormir. Estava na rede no local onde mamãe sempre dormia. Como era uma noite de lua cheia, uma réstia de luz branco pálido chegava ao sofá ao lado da rede. Despertei com tantas idéias. Ideias de eternizar aquele momento...

Foram tantas as emoções vividas em uma única tarde. Meu filho desfilando pela primeira vez. Coisa que nunca fiz, apesar de querer. Rever os velhos conhecidos, meus professores e colegas de estudo do ensino fundamental e essa linda juventude que desconheço. O ouro de Serrinha! Os filhos e netos de meus conhecidos. Tanta gente maravilhosas. Fantasiadas e cheias de orgulho no peito.

O corpo docente organizando os pelotões. As bandas dando energia e ritmo ao desfile. Faltou a corneta!

A percussão nos emociona.

Garotos e garotas vivendo um sonho que poderão realizar.

Fez lembrar até o lema da minha turma de ensino médio "O futuro é luz que se acende com o esforço de cada um".  um lema positivista...

Fui caminhando e vendo alguns professores idosos assistindo sentado. Meus professores todos aposentados. Quer dizer, mais de 30 anos que deixei as escolas de Serrinha.

Fui seguindo! marchando para meu filho ver e fazer direito.

Vesti o espírito de pai e esqueci o ridículo, todavia tenho a empatia dos pais.

Então sob a luz cálida e dourada que fazia cair a tarde... Pensei no tempo, pois o espaço é o mesmo.

Só o tempo separa a vida da morte, meus pais que antes ficavam em casa hoje dormem na eternidade.

A tarde caiu terna e sonora.

Cumprimenta um e outro. Uma parada para conversar minhas ideias. Ora agrada e da atenção, mas o povo quer ver beleza e não ouvir ideias. Esse desfile só corre um ano.

Entender que se faz parte do passado. Gente tem ânsia de ver o diferente e belo. Os nossos filhos, netos marchando. Uma multiplicidade de cores, de movimentos e de som.

A gente ri orgulhoso.

Chegando na praça! Todos lindamente posicionados. Algo me chamou atenção.

A rua Eugênio costa forma bons cerimonialistas.

Antes ao lado da igreja Chiquinho de Raimundo mora apresentava os pelotões e a difusora da igreja gritava para todo mundo a beleza dos pelotões e de nossos filhos.

Hoje, Danielle de Neném quem é a mestre Cerimônia! 

O povo de Serrinha se multiplicou tanto.

Para abrilhantar a festa a lua nasceu amarelo girassol.

Salve a pátria Brasil...

Voltei no tempo quando dona Livani e dona Lenita hasteavam a bandeira em frente a escolha.

E via os nossos pais e vizinhos tirarem o chapéu em respeito a pátria.

Saudoso sim.

Hoje tudo mudou e continuará mudando.

Enfim, não consegui mais dormir, as 3:30h o celular despertou e eu chamei minha mulher e meu filho e organizamos as coisas e voltamos para casa.

Com o tempo tudo isso parecerá apenas um sonho.

O que é sonho e realidade?

A gente decide?

Tempo atemporal

 Dei um mergulho no passado.

Fui rever o lugar onde cresci e vi que estava tudo mudado.

Não encontrei a abraço do papai,

Nem o beijo de mamãe.

A seca roendo a vegetação chega está cinzenta.


Mas a vida resiste e floresce nas aroeiras,

Nós cajueiros e mangueiras...


Torrada a terra poeirenta marca mais um ano de sequidão.


Mas a mim é só beleza.


A catingueira, o Juazeiro, o cumarú.


O cabeça vermelha, o cancão e o anum branco.


O sagui.


Emergi do mergulho.


Voltei feliz crendo que a vida não é um sonho.

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Real e imaginário um espelho ou uma memória

A minha infância foi marcada pelo contato com a natureza. Nossa família contava sete, papai mamãe e nós cinco. Nós dependíamos muito da natureza para sobreviver. Dependíamos das chuvas para dar força e ânimo as plantas e estas compartilhar conosco seus recursos como folhas, flores, frutos e sementes. Elas se doavam aos nossos animais as duas vacas e um jumento. A gente dividia um pouco da nossa comida com um gato e um cachorro. A gente ainda do milho que tirava alimentava as galinhas que nos davam ovos e carne.
A nossa relação com as plantas eram muito íntimas. Algumas delas nos as amávamos tanto que lhes damos nome. Sim caros leitores. As pinheiras, as sirigueleiras, os coqueiros não eram tão especiais, apesar de essenciais... Sim quem são estas que estou me referindo? Aos cajueiros. Todos? Não.
Aqueles específicos. Tínhamos o bago de jaca, o abacaxi, o pimentinha e o da porca... Se enviar esse nome para meus irmãos, estes saberão do que me refiro e onde ficam. Saberão porque ganharam este nome.
Fácil de deduzir, bago de jaca por ter gosto de jaca; abacaxi por ter gosto de abacaxi; pimentinha por ser pequeno e muito doce e parecer uma pimenta, e do porco, pela amarga perca de um porco, nós colocamos o corpo da porca para os bichos comerem lá sob o cajueiro... No nosso sítio tinham muitos cajueiros, mas esses a gente lembra e conhece.
Um ente que virou um objeto... Um ser que existiu e nos deu significado a nossa vida monótona no sítio.
Como pode, por favor me explique. Um ser que existiu realmente e ainda permanece a existir no mundo transcendente... Estes entes maravilhosos existiram e adoçaram nossas vidas, eram referencias nossas no nosso sítio... Sumiram. É uma coisa só nossa. Dos meus pais que se foram, agora só nossa! São cinco pessoas que dão existência espiritual a esses cajueiros... Agora compartilho com todos para que saibam que existiram... Como o mundo é grande e pequeno ao mesmo tempo, particular e universal.
Parece uma invenção! mas é realidade.
Olhe ai.

Despertar

 Por um momento senti a vida em plenitude, e já não tinha tanta juventude. Pensei no tempo que nada tem de materialidade, Vasculhei na memór...

Gogh

Gogh