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02/09/26

Saudades

 Até parece um sonho que minha mãe se encantou.

Minha mãe, minha nossa senhora...

Há dias que a saudade me consome

E nem sei o que fazer ou como agir.

Sinto falta de seus conselhos, da sua amizade, da sua proteção,

Sinto falta do seu amor...

Tenho que carregar essa dor até o fim de meus dias.

Assim é.

31/08/26

Encontro na bica

 Fomos a Bica no sábado, foi realmente surpreendente. Primeiro ele tomou um caldo-de-cana com uma coxinha. Depois no passeio quem estava a vista era a loba-guará Mila. Podemos contemplá-la por um bom tempo. Depois fomos ver as serpentes e na saída, do serpentário havia um treinamento dos bombeiros no manejo com serpentes. Dai o Rodrigo perguntou se Sassá não queria tocar na serpente que estavam menusenado. Era uma cobra de milho e lógico que ele foi lá e tocou na serpente. Já estava querendo ir embora então encontramos com nossos amigos Alessandre e Isabela sua filha. Foi uma festa, Sassá saiu amostrando tudo para a Isabela... o guaxinin, os macacos, o jacaré, as tartarugas, os macacos galegos... Fizemos a trilha..., Sassá pisou na lama e eu lavei o pé dele no riacho. Comeram doce de catavento. E correram muito, tiraram muitas fotos. Viram uma galinha morta na volta pela estrada do dinossauro. E deu 12:30h nem percebemos. O sábado fluiu.

27/08/26

Poucas memórias

 Certo dia,

Era outubro, dia da criança.

Mamãe me deu dinheiro e fui a rua onde comprei um trator.

Era vermelho, rodinhas pretas, carroceria azul e branca.

Foi tão maravilhoso poder ter aquele brinquedo.

Fiquei tão feliz, tão grato a mamãe.

A melhor sensação foi de poder tocar,

Contemplar e brincar.

A sensação e o desejo do ter...

O tocar,

O usar,

Se foi quando passei a possuí-lo...

Nem sei se continuei a brincar.

O vermelho, as rodas pequenas da frente,

As rodas grandes de trás.

Queria ter um trator, mesmo que de plástico,

Mesmo que de plástico fraquinho, sem muito detalhe.

Vejo hoje tanto brinquedo...

Sinto que as crianças são como fui, desejavam ter...

Depois de possuir se foi o desejo.

Mamãe era tão maravilhosa,

Gostava de me ver feliz...

Nesse reflexo, eu penso...

Como uma criança pode ser feliz com coisas tão simples...

E o tempo passou,

Como um fim de tarde,

Tento lembrar o que aconteceu de manhã...

Restam apenas memórias.

24/08/26

Ser sertanejo

 O gado come o pasto,

Sol quente,

O pasto fica escasso,

O calor, a sombra, a água...

A poeira no oitão,

O pau do curral,

O cheiro do gato,

O calor do gado,

O leite quente na manhã fria,

O vento frio,

Nessa oscilação,

O tempo vai passando,

O tempo vai contando,

A vaca estrela,

O boi bumbar,

O queijo feito,

O radialista,

O rádio,

O verão ao pino...

A vaca caçando pasto,

A gente andando na caatinga,

Se sente bicho...

Se sente bem com os bichos.

A gente entende e se sente bicho...

O cão parceiro,

A casaca de couro,

A catingueira cinza,

O juazeiro...

Meu Deus,

Amo ser sertanejo,

Do início ao fim.

10/08/26

Poema

 Num poema se emoldura a realidade, 

Se expressa em metáfora 

O que se deseja expressar.

Num poema se doma o tempo.

Versos sensíveis,

Enquadrado em supra sensível,

Incondicionado em condicionado.


Um poema como uma cruz três coisas são representadas 

O tempo, o espaço e a matéria...

Um poema é a imagem da eternidade.

04/08/26

Uma história humana

 Escrevi algumas coisas inspirado por Pablo Neruda. Agora nem sei por onde estão, mas sei que estão aqui. Gostava dos livros daquele autor, de suas capas, talvez as imagens das capas me atraísse mais que as palavras e os versos. Nunca mais o li. Descobri que tenho tanta coisa para ler... As vezes a gente se perde nas demandas da vida. Em mim, tenho guardados sentimentos por sua poesia. Queria ser poeta. Talvez almejasse os louros da poesia. Minha vitrine era externa. Minha vitrine estava nas livrarias, nos livros de bolso e no que cabia no meu bolso. Então tive acesso a Neruda, Pessoa e Nietzsche. Marcou a época que fazia meu doutorado. Depois descobri a Borges e tive acesso aos seus livros encantadores. Este me fez escrever e sentir e ser um escritor, mesmo que sem leitor. Por último, estava tão perto de mim, tão em conta e só agora descobri Davi e Salomão. Coisas de uma história humana. O amor as letras... Deveras, esqueci de relatar o primeiro tratado que delinearia minha vida... encontrado num baú antigo... um livro com os pensamento de Gandhi. Estes me marcaram profundamente.

04/07/26

Noite

 Pouco tenho a dizer sobre a noite.

Na noite todo gato é pardo.

Uma coruja é ativa,

Os morcegos saem de suas moradas.

As estrelas aparecem.

A lua às vezes se oculta

As vezes se amostra.

À noite as coisas são mais circulares.

À noite, uma face escura se revela.

Essas coisas.

18/06/26

Lua, vênus e a noite

 À tarde, enquanto anoitecia,

Depois de chover o dia inteiro,

Incrivelmente o céu estava limpo,

O céu era infinito.

Aos poucos se dissolvia toda luz em sombra,

E a lua ia subindo,

Subindo feito balão.

Por um instante,

Contemplei a lua,

Lua crescente,

Tão jovenzinha.

Acima da lua,

Vênus despontava,

A noite anunciava,

Para o poente apontava.

Estava caminhando com meu filho,

Entrertido com um picolé,

Disse que era lua crescente.

De acordo,

Disse que era a posição da luz.

Com cinco anos já conhecera...

Demorei muito a saber das fases da lua.

Mas por muito contemplar,

Por perceber seu olhar,

Aprendi a conhecer a lua.

10/06/26

Manto divino

 Após as chuvas de maio

Quanto os campos ficam coberto de flores,

Quando o milho secou a palha

E o feijão de corda se enrola 

No colmo do milho. 

As flores de feijão passam a enfeitar os pés de milho.

É a hora de dobrar o milharal.

É logo nas primeiras chuvas de junho,

Um espetáculo acontece.

Os freijós ficam floridos,

Parecem se cobrirem com um manto alvo divino.

Um manto perfumado e alvo.

Flores estrelas,

Estrelas flores.

Os dias frios floridos,

Os dias frios estrelados de alvo,

A noite o céu é uma coxa negra de algodão,

Estrelada...

A existência é tão plena e infinita.

Chegamos a sentir a eternidade,

Chegamos a sentirmos a divindade.

O espetáculo do freijó.

Nos sítios e nas matas.

Chega parecer poesia.

E a vida expressa que vale a pena ser vivida.


Freijó ou linharé - Cordiaceae - Cordia trichotoma.

01/06/26

Sonho da mãe

 A tarde havia chegado. Após um almoço agradável. Colocou o milho de molho para fazer o xerém. Alimentou o cachorro e o gato com o resto de comida. Antes de lavar os pratos fez a lavagem e levou para o porco. O calor e o silêncio da tarde pede um cochilo. Entrou no quarto a janela serrada. Deitado na cama sente o cheiro do travesseiro. Fechou os olhos e dormiu. O sono de meia hora. Acordou e foi até a área da frente da casa, sentou numa cadeira de balanço e pôs-se a olhar no mundo. Terreiro limpinho, um espelho ensolarado, a estrada de barro, o sítio da frente. Pensou na vida, nos pais idosos, nos filhos e no marido. Pensou na vida. Na engrenagem que é a vida. Deu vontade de tomar um café. Quando uma galinha gritou no ninho da casa velha. Tirando os pensamentos metafísicos da vida. Uma vizinha chegou e começaram a palestrar. Nem recordou do sonho que tivera de seu filho sendo professor numa universidade. Sonhos. Ele era apenas um menino. E tudo se passou tão de pressa. Como se passa um dia...

27/05/26

Maio frio

 Abril foi frio,

E maio seguiu frio,

As nuvens frouxas,

Chove e para,

Para e chove,

Faz  sol,

Fica nublado.

Essa variação no clima me deixa aborrecido,

Frio e calor...

Mas é bonito de se ver,

A lua de maio crescente,

Lua alva entre nuvens alvas.

É muito bom ouvir música de violino,

Nesse tempo.

Bom para tomar um chocolate,

Para ficar na cama,

Para pensar na vida,

Cuidar da casa...

Viver.

Maio, mãe...

Este mês ficou tão frio quando mamãe se encantou.

Resta pensar,

Sem sua voz para ouvir,

Seus conselhos...

Sentia sua presença eterna...

18/05/26

Maio chuvendo

 A chuva cantando 

Enquanto escuto,

Deitado e quieto,

Só matutando...


Despertas memórias

De uma viva vivida,

Lugares idos,

Tempos passados.


Meu ser e minha história 

Sendo tecida no tempo e no espaço 

Ao longo dos anos,

Das estações, 

Das luas,

Dos dias e noites

Dos dias de chuvas.


A chuva sempre 

Foi mãe,

Sempre me deu 

A essência da vida

A água.

E agora este poema.

10/05/26

Notas da semente do amor

 A vida é uma dádiva.

Felizes os que vivem e conhecem a sabedoria,

Felizes aqueles que sente todas as fazes da vida,

Felizes os que chegam a ter cabelos brancos, abraçarem seus netos.

Estou rompendo a idade adulta.

E com Deus tudo fica mais suave. Os anos vêem me ensinando essas sabedorias.

Quando era menino! Ah, nesta época Deus me deu um lar, pais e irmãos.

Eu sabia que era amado pelos afagos de minha mãe, pelo carinho de meu pai, pelas amizades de meus irmãos.

O mundo refletia em mim bomdade...

Eu sentia felicidade com as coisas mais simples,

Corrida descalço na areia fria,

O cheiro da flor do caju indicando fartura,

O encontro com as frutas maduras no pé,

As goiabeiras, as pinheiras, as cirigueleiras, os coqueiros...

Papai a prover a casa com seu trabalho,

Mamãe na árdua tarefa de educar, de cuidar de cinco filhos...

Além de cuidar e se preocupar com meus avós Zé e Sinhá.

As galinhas no terreiro pondo ovos para mamãe vender e fazer uma arrumação,

Um chinelo, uma roupa para cada um...

O dinheiro era pouco, mas as necessidades também...

O importante é que nunca ficamos um dia sem ter o comer,

A comida era pouca, mas a natureza ajudava...

Aos poucos  vida vai se revelando dura... mas meus pais amenizavam com seu cuidado e amor...

A seca de 1993, me revelou a natureza da natureza de nosso lugar...

Bichos morrendo, água reduzida...

Bem antes, em 1986 as coisas ficaram tão difíceis que as pessoas não podiam comprar café...

E a criatividade imperou, café de milho, café de canavalia...

Mas papai não deixava faltar o café que eu gostava...

Papai não tinha medo de trabalhar, tinha confiança comprava em Chico de Pocídio.

Vendia as castanhas a Ítalo de Sales.

Entendíamos tudo, pois ouvíamos papai com mamãe conversar.

Nossa casa baixa de paredes vazadas...

A noite na cama eles conversavam parece que queriam nos ensinar e a gente escutava e entendia.

E veio as escolas, os colegas e as relações sociais... Aos poucos fui perdendo a ingenuidade,

Aos poucos fui perdendo a felicidade...

As chuvas de inverno...

Os verões secos e falta de água,

As plantas e os bichos ficando escasso...

A descoberta da morte...

A perda da ingenuidade me deram medo de viver.

Mas viver é preciso...

O velório de vovó Chico... 

Marcou muito em minha vida...

Papai chegou em casa num taxi chevete amarelo chegou em nossa casa numa tarde de chuva.

Ver papai chorando derreteu meu coração... Tive medo da morte. Fui ao seputamento...

Não vi nada. Lembro do cortejo, o carro de conduzir o corpo... o caixão azul de pano.

A dor cravada em meu coração...

Naquele cortejo vi pela primeira vez o açude de Serrinha grande, Vi uma canoa...

Tive profundo medo daquela que separa a vida.

São fazes da vida...

Depois veio a escola... Dona Livani...

Minha segunda professora Dona Lenita,

Minha terceira professora dona Ceição.

Serrinha do Canto,

Serrinha Grande...

O medo de professora Rivete que me ensinou ciências.

O carinho pelo professor Ledimar,

As histórias maravilhosas do professor Chaguinha...

A ciência enervada na educação foi dando cálcio ao meu entendimento...

As enfermidades de minha mãe pobre sempre com dores...

O coração mole de Rosângela minha irmã amada.

A partida de meu irmão que nunca mais voltou a morar conosco.

A falta de apetite de Lidiana.

O retorno pra casa de Meirinha...

Roberto chegando em nossa casa.

A família de Eliene que saio do lado de nossa casa.

Sua mãe dona Eunice tão humana e generosa... a primeira vez que tomei danone foi ela quem trouxe de Natal.

As idas com mamãe onde ela ia. 

Estávamos sempre juntos com um caldeirão de ovos indo para Martins.

Indo ao Sampaio, indo ao Sítio de Fora, indo a Alexandria...

A triste partida para a capital uma felicidade imensa e uma infelicidade...

Doeu saber que papai e mamãe choraram muito.

E tudo isso se passou em nossa casa geminada.

A casa e a casa velha...

E tudo aconteceu em Serrinha do Canto...

Ali foi o palco de minha infância.

Ali tive o primeiro alicerce para vida que levo no peito até hoje.

A fé católica, o novo testamento...

O esforço e suas recompensas

E a principal coisa o amor a família

O amor a vida que renasceu de forma abrasadora com o nascimento de meu filho.

Amém.


08/05/26

Amor eterno

 Que saudades de minha mãe.

Faz falta nossas conversas,

Faz falta nossos abraços e cheiros.

Faz falta sua presença orientadora em minha vida.

Faz falta seu cuidado, suas orações e orientações direcionando meus caminhos.

Ah! Mamãe nem tenho ou terei como agradecer por tudo que me deu...

Gerou-me, amou-me...

Sou o que sou por ti.

Iluminda esteja na eternidade.

Te amo mamãe Didi.

28/04/26

A chuva e o tesouro

 A noite inteira choveu,

Houve relâmpagos, 

Houve trovão...

Muita água escoando pelas ruas.

A casa com infiltração,

A casa com goteira...


Pensei na aflição dos pobres

De casas simples.

Casas frágeis.


Senti uma profunda empatia.


O que para uns é fonte de alegria,

Para outros é fonte de preocupação,

Medo e de dor.


Até mesmo uma chuva

revela os dramas da vida.


Os dramas da vida são assim cotidianos.

Os dramas da vida são diretos, intuitivos.

A vida em si é uma luta com a realidade,

Um choque com afetos e desafetos.


Sai de casa, fui ao quarto,

Meu filho e minha esposa dormiam profundamente.

A chuva não os incomodava.


Dei um beijo e um cheiro na cabeça dos dois,

Pra guardar na minha alma,

Meu maior tesouro...


Gostaria que todos pudessem guardar

Bem seus tesouros...


Chuva não seja cruel com os pobrezinhos,

Vida ajude-os.

Deus fortaleça-os.

Chuva...

27/04/26

Milharal

 Andei no roçado,

O milho pendoado,

O cheiro da floração,

O milho viçoso...

Meu coração

Ficou bem apertado,

Saudade de meu agricultor,

Que de botas brancas

Me mostrava com orgulho,

O produto de seu trabalho...

Explicava cada momento,

Que trabalhava em silêncio...

Nosso encontro no roçado,

Era algo sagrado...

Quanto amor...

Entre nós...

E os milharais.

Meu pai,

Me ensinou a cultivar a vida.

Como sinto sua partida.

E o milharal, e a mata

E o inverno,

E nossa terra...

Nosso eterno laço.

Amaria te dar um abraço...

Mas, ai...

São só saudades.


22/04/26

Rita de Macedo

 Cresci numa terra seca,

De longos dias ensolarados.

De noites por vezes enluarada,

Por vezes estrelada,

Quase nunca nublada,

Cresci com o aboio do gado,

Sentindo o pelo a cavalo,

Cada vaca tinha seu nome,

Cada vaca tinha sua individualidade.

O curral ficava ao redor de casa.

Cresci com o meu cachorro leão,

Cresci com  bixano o meu gato.

No terreiro vivam as galinhas, 

Vermelhas, pretas, pedreses e pereocas,

O galo era cristado e esporado.

Cantava sempre pra manhã nascer.

Cresci e não dei conta de tudo isso.

Fui filha,

Fui moça,

Sou mulher,

Fui professora 

Sou mãe e poetisa.

Não tinha tempo vago.

Viver sempre foi trabalhar, na escola e no lar.

Meu marido é uma benção.

Sempre com um riso no rosto.

Meu companheiro, meu amigo, meu confidente e o pai dos meus filhos.

Um bom pai, um excelente avô.

A vida nunca foi fácil,

Mas foi maravilhosa.

Sol, chuva, dia e noite.

Um a um, os anos passaram e a vida 

Me fez forte e resistente.

Nasci num lugar seco.

Quase sempre estrelado,

Fui regada e dei flores.

Dividi o meu saber,

Multipliquei o amor.

Agora, depois de tanta coisa vivida.

Tenho saudades de tudo que vivi.

Mas a vida continua, meus filhos assumiram a lida da vida.

Cresci, reproduzi e dividi meu amor,

Multipliquei amizade.

Dei sentido a realidade.

E o resto não importa mais porque é resto,

Nove fora nada.

17/04/26

Canção do sabiá

 A esta hora da manhã,

Pousou na ali aroeira,

E começou a cantar,

Que linda canção

Que linda canção Sabiá,

Mestre exímio em cantar,


Parei tudo só para escutar,

A beleza do canto do sabiá...

Canta sabiá canta sabiá.


Queria saber quem te ensinou a cantar,

Queria saber quem compôs esta canção?

Canta lindo sabiá...

E enche e preenche meus momentos

De paz, e de beleza.


Pois tu és parte da natureza,

Seu canto é de beleza,

Seu canto é de alegria,

Seu canto dá sentido a esta poesia.


Depois o tempo se vai...

E este momento eterno momento...

Tu me fez guardar no coração.

Mais nada

14/04/26

Águas no sertão

 Depois que caia a chuva,

A coisa melhorava,

A terra bem molhada,

Despertava as sementes,


A mata logo acordava,

A passada cantava,

Era grande a alegria,

Tanajura aparecia,


Cururu do sono despertava,

Nos tanque fazia logo cantava...

A roupa suada ia ser lavada,

No tanque da imburana.


Ali morava o cardeiro,

Ali morava o xique-xique,

Ali minha alma era plena.


Já em maio havia a novena,

Feijão verde, maxixe e muito leite.

O tanque agora perfumado,

De flores de mucunã,

De flores de cerrador,

A mãe lavava com amor,

A roupa do trabalho suada,

Era bom de ver,

Girino com cauda e perna,

A água escorrendo no riacho,


Ah, meu Deus...

Quanta alegria,

O doce da cajarana,

Do milho assado no carvão,

Da alva pinha madura no pé,

Da amarela e velho doce goiaba...


A gente vivia plenamente,

Feliz muito mais que contente,

Por isso foram guardadas na memória...

Cantar a invernada...

Roxa, rosa, amarela flor...

Minha vida guarda amor,

Da terra, da água e do sol...

Porque o amor é a eterna inocência,

É não saber o que se ama.


Adeus tudo isso.

Foi maravilhoso enquanto durou.



13/03/26

Vento

No vento

Busco um verso,

Algo diverso,

Forte ou lento,


Sopro em deslocamento,

Varrendo o universo,

em movimento transverso

Ar em movimento,


Assim invento,

Quase disperso, 

Com sentimento,


O inverso,

do intento,

algo metaverso.







Galope

 No silêncio da madrugada, Infinito é o tempo, Minha mente cavalga o vento, Segue em frente, Volta atrás, Tudo sente... E o sono  Que sumiu ...

Gogh

Gogh