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26/04/26

Além das memórias

 Amanheceu,

Uma influenza me influencia.

O corre reage,

O corpo responde.

A luz é quente,

O vento é frio.

Uma sensação toma conta de mim.

Uma janela fica aberta...

Deixando entrar algo que me faz matutante, 

Sobre coisas tristes...

Mostrando a outra face de viver 

Além das memórias.

A realidade mostra que a chuva traz

Muita vida,

E os vírus vem junto...

E a vida se mostra real cada dia...

É preciso ser forte e lutar.

22/04/26

Rita de Macedo

 Cresci numa terra seca,

De longos dias ensolarados.

De noites por vezes enluarada,

Por vezes estrelada,

Quase nunca nublada,

Cresci com o aboio do gado,

Sentindo o pelo a cavalo,

Cada vaca tinha seu nome,

Cada vaca tinha sua individualidade.

O curral ficava ao redor de casa.

Cresci com o meu cachorro leão,

Cresci com  bixano o meu gato.

No terreiro vivam as galinhas, 

Vermelhas, pretas, pedreses e pereocas,

O galo era cristado e esporado.

Cantava sempre pra manhã nascer.

Cresci e não dei conta de tudo isso.

Fui filha,

Fui moça,

Sou mulher,

Fui professora 

Sou mãe e poetisa.

Não tinha tempo vago.

Viver sempre foi trabalhar, na escola e no lar.

Meu marido é uma benção.

Sempre com um riso no rosto.

Meu companheiro, meu amigo, meu confidente e o pai dos meus filhos.

Um bom pai, um excelente avô.

A vida nunca foi fácil,

Mas foi maravilhosa.

Sol, chuva, dia e noite.

Um a um, os anos passaram e a vida 

Me fez forte e resistente.

Nasci num lugar seco.

Quase sempre estrelado,

Fui regada e dei flores.

Dividi o meu saber,

Multipliquei o amor.

Agora, depois de tanta coisa vivida.

Tenho saudades de tudo que vivi.

Mas a vida continua, meus filhos assumiram a lida da vida.

Cresci, reproduzi e dividi meu amor,

Multipliquei amizade.

Dei sentido a realidade.

E o resto não importa mais porque é resto,

Nove fora nada.

08/04/26

Demora

 O sol acenou de manhã,

Mas logo desapareceu,

Choveu, choveu, choveu,

Nuvens escuras, luz branca.


A luz do fogo,

A luz de vela,

A luz...


Em outra forma,

Que não luz do sol.


A chuva,

A água escorrendo,

Cantando em toda calha,

Cantando na bica...


Água fria.


Um chá faz bem.

E o dia escorre,

E o dia molhado,

Demora a secar,

Demora a passar...


Demora

24/03/26

Farinhada

 A mandioca arrancada,

Em caçuas carregada,

Na casa de farinha,

Derramada e arrumada,

Descascada.

Mão ligeira,

Conversa frouxa,

O alvo amido,

Cheiro da raiz limpa,

Motor ligado,

A batata cevada,

A maça branca,

Vai ser prensada,

Espremendo a manipoeira...

Agora a hora da lavadeira,

Lavadeira nova,

Roupa ajustada,

A rede dançando,

Pra lá e pra cá.

A goma decantada na gamela,

A massa lavada vai ser assada,

O cheiro da manipoeira fora casa,

Lenha acesa,

Rodo a posto,

Massa espalhada,

Começa a torrada,

O assador a dançar,

Pra lá e pra cá.

É Paté?

É. 

E o cheiro da farinha incensa a casa.

Depois o beiju e a tapioca.

E a novena de graça.

Vida boa foi a minha.

11/03/26

Sede

 Na sede tive sede,

Sede de justiça,

Sede de água,

Sede da justiça,

Sede da água.

Essa sede só passou quando bebi água.

Lá na sede da justiça.

Manhã

 Manhã tens a beleza da luz dourada,

A muito sois contemplada,

Suave e fresca,

Teu cheiro particular.

Manhã tuas notas,

Tua essência, será tua?

Não seria o frio e frescor

Um presente da noite 

Que passou?

Não seriam esse odor,

Um presente noturno.

Manhã, nova manhã...

Não sois apenas uma noite acordada?


O grande encontro

 Na mata nasceu a sucupira,

Desmataram a mata e deixaram a sucupira,

Ali virou um estacionamento,

A sucupira ficou na curva de uma via,

Por isso a via se chama curva da sucupira,

A mata virou uma universidade...

A sucupira continua a crescer.

Todos os dias posso contemplar a sucupira imponente,

Seu tronco grosso e casca áspera,

Porta folhes pequenas,

Uma vez por ano fica roxa de flores...

Hoje, um sanhaçu a escolheu para cantar,

Voou até  os ramos dela,

Se preparou e cantou...

Cantou um canto belo,

Como é seu canto.

Cantou como se cantasse pela última vez,

Cantou para si?

Cantou para uma amada?

Cantou para mim?

Cantou.

A sucupira se sentiu até feliz.

E o dia seguiu normalmente.


06/03/26

Faces ou fases

 Dia,

O sol quente,

A chuva fria,

O vento frio,

A luz do sol,

As cores.

A sombra da chuva,

A transparência do vento.

Noite,

A lua fria,

A chuva fria,

Vento frio,

A luz da lua,

Suas quatro faces,

Sete dias toda nua,

Sete dias composta,

Sete dias na penumbra.

A chuva,

O vento,

A água, 

O ar,

A luz.

O observador.

15/02/26

O eu

 Olha o céu!

O que pode ver o firmamento azul e as nuvens alvas.

Nuvens de forma amorfa em constante movimento e transformação.

Tão inconstante é a atmosfera.

Assim é a mente humana.

O azul, o amarelo e o vermelho.

O triângulo.

Os números arábicos: um, dois e três.

A unidade divina.

O absoluto.

O movimento.

O dualismo.

O signo...

O som, as imagens, cores e formas.

A busca.

A razão.

O espaço eterno e o tempo seu testemunho.

O tempo a imagem da eternidade.

O eu...

19/11/25

Amar a matéria

 O ferreiro ama o Ferro. Na sua ferraria tem tudo que você imaginar de ferro. Uma forja, carvão, um fole e sua habilidade e seu amor pelo som metálico, pelo calor que domina e amolece o ferro e essa arte milenar que não escolhe que irá suceder. Acontece. Acho que é amor ao ferro. Ferro frio ou quente, sempre denso e duro e seu som peculiar. Conheci um ferreiro quando era criança se chamava Antônio de Chapéu. Ele tinha muitas habilidade e uma delas era nadar. Entrava no açude do alívio e sai nadando só a cabeça flutuando parecia o corpo está imóvel. Por ironia da vida, morreu afogado. Outro ferreiro que conheço é Edson... Novo, inteligente, ver com os olhos e faz com as mão. É uma inteligência prática descomunal. Fui outro dia a ferraria dele e vi tudo quanto é coisa de ferro. Alegria no rosto e atenção. Colocou o cabo numa roçadeira e fez o fio da lâmina. Ficou excelente. Naqueles dias eu vinha lembrando do amor que as pessoas tem a matéria. Coisa de impressionar. 

Sabe que me impressiona a arte genuína e domar o fogo e domar o ferro é uma delas.






Ser é somente uma combinação de forças ou energias físicas e mentais, influenciadas pelo meio que nos rodeia, em perpétua transformação

13/11/25

Parcimônia, vazio.

 Senti a necessidade do vazio.

Ausência de tempo.

Melhor sair sem pensar no tempo que passa.

Melhor deixar a mente vazia

E não pensar em nada só caminhar.

Só ser.

Daqui a pouco parto desta para outra

Ou  melhor perco a existência.

Volto para o vazio.

Volto para o nada.

Não tenho memória alguma dos anos que antecedem minha infância.

Porque tudo era vazio.

Agora tudo é uma breve consciência.

Uma suposta realidade que não passa de uma ilusão.

Bom, então preciso do vazio...

Preciso esvaziar a mente

Que deseja ideias...

Tudo com parcimonia.

11/11/25

Espaço e tempo

 Os encontros e desencontros se dão no espaço e no tempo é claro que é necessário que haja uma relação e para que esta ocorra uma conexão.

29/08/25

O sujeito e a chuva

 A chuva chovendo,

Tem diferentes faces,

A face de cada é subjetiva, peculiar de cada sujeito,

Agora chove!

É maravilhoso ouvir a chuva chovendo.

Molhando a mata, o chão, o telhado...

Sinto paz,

Quando estou em segurança.

Para mim, que vim de onde chove pouco.

Chuva é sinônimo de benção.

26/08/25

Momento

 Acordava com medo da vida,

Despertando a consciência de que o tempo passa e não tem retorno,

Pensava em papai e mamãe gozando sua velhice.

Sentia o maior medo de minha vida a perda deles.

Na rede fresca olhava o telhado velho amigo de infância.

Telhas, ripas, caibros e linhas tecidos e uniformes, mostrando a pluralidade da unidade.

Meus ouvidos revelavam a beleza daquele lugar e canto do sabiá fazia entender a beleza de viver isso no inverno,

No verão me despertava o galo de campina...

Os jegues emudeceram...

Os cambitos e caçoas morreram.

Sem a fecundação humana morre a cultura e sobra na natureza.

Sem nosso saber e nossa presença morre também o lugar.

Papai se foi a quase cinco anos e mamãe a quatro.

A casinha está viva

Com uma luz acesa de nome Francisca...


Sou bisneto, Neto e filho de Francisco.


Carrego um cordão de São Francisco no pescoço e um tao de santo Antônio no peito.

E a minha alma que não é franciscana precisa ser domada todo dia ao som a ave Maria peço perdão a Deus.

Meu dia chegará,

Por agora é rezar e cumprir a tarefa da vida.

Viver

26/06/25

Memórias

 O meu passado vez por outro é sentido.

Alguma sensação repetida faz acessar minhas memórias mais pretéritas e de alguma forma reafirmamos esta memória quando expressamos.

Hoje mesmo recontei não sei quantas vezes, mas já o fiz várias vezes. Que tinha medo de flores de Jasmim pela forma da flor? Pelo odor liberado. Na minha cidade usava flores de Jasmim para enfeitar os mortos.

Minha primeira experiência foi algo muito intenso. E não entendia aquele monte momento. Muita emoção, muito choro, muita dor. Uma  exploração de sentimentos.

Tudo isso ficou gravado na flor do Jasmim. Desconstruir, mas nunca me esqueci.

21/05/25

Sassá

 Sassá está na natação!

Ontem estava tão feliz os olhos até chegavam a brilhar, pois o papai foi com ele.

Está com muito medo de afogar.

Mal fez as atividades.

Está fazendo tudo certinho.

Na natação e na escola.

Logo estará nadando e lendo.

O tempo é vento

O tempo é onda

Que não para de passar.

Alimentando-nos com experiências

16/03/21

Mata atrofiada

 Manhã plena ensolarada,

Céu azul, oceano céu a brilhar

Então saio a pedalar,

Cruzo ruas olho os jardins 

Vou seguindo até a mata 

Que vigor viridescente,

Flores amarelas,

Flores alvas perfumadas

Perfume de angélica 

Perfume de guabiroba,

Perfume de mutamba,

Eita mata perfumada,

Até o feijão bravo tá florido

Nesta faixa tão estreita,

Cada vez mais esmagada,

Pela construção civil,

Já não sobra quase nada,

E o que sobra ainda descartam lixo,

Pobres árvores esmagadas,

Pobrezinhas perfumadas

Mutamba,

Guabiroba,

Angélica,

E o que sobrar no futuro

Nada nada nada,

Só o luxo 

Só o lixo,

A mata tá condenada,

Pobrezinhas esmagadas,

Porém floridas e perfumadas.










12/02/19

Infância

As memórias de infância.
A estrada era de chão que era feito dum barro vermelho-arenoso.
Em frente nossa casa havia um cajueiro de frutos azedos.
O terreiro sempre teve o mesmo tamanho e era separado da estrada por uma valeta que sempre transbordava durante as chuvas.
A calçada era engendrada, áspera e irregular.
A casa tinha duas quedas d'água irregulares.
Que importam as formas.
O que foi! Foi.
Era ali que quando menino corria só de bermuda.
Não havia beleza na minha roupa, mas havia carinho e sempre usava-os limpinhos.
Mamãe se preocupava com minha limpeza e sempre me banhava.
Não havia poesia ou literatura,
Não havia um perfeito português,
Sequer ouvíamos grandes histórias.
As histórias eram contadas pelo rádio na difusora Am de Alexandria
ou na televisão preto e branco.
Confesso que não trocaria minha história por nenhuma história cheia de informações como são as de hoje.

12/03/18

Metafisica do ser

A existência,
O corpo,
O ser,
Ação e reação,
Manhã e tarde,
Frio e calor,
Escuro e claro.

O mundo que nos cerca,
Nossa interação,
Nossa maneira de ser,
A descoberta das coisas, dos fenômenos,
A viagem da filosofia.

O silêncio reflexivo.
A noite chegando,
O poema concluído.

25/12/17

Contentamento

Uma tarde quente,
O crepúsculo,
A calmaria,
O céu azul,
A luz se diluindo,
As serras,
As cadeiras vazias
O silêncio,
A cachorra alva deitada no terreiro,
Uma xícara de chá de folha de capim santo,
O fim do ano,
A ociosidade,
O contentamento,
Um dia de cada vez,
Uma vitória,
Uma alegria,
Uma poesia...
Eis a plenitude

Noite enluarada

 Antes podia desfrutar às noites de lua cheia em família. Papai, mamãe e meus cinco irmãos. Eu olhava para o céu com um olhar ingênuo. Era t...

Gogh

Gogh