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09/06/26

O eu, a tarde e o mato

À tarde,

Andando na mata sob o sol e o calor.

O chiado da folha seca.

Árvores com ramos nus e cinzentos.

Na beira do açude 

As abelhas e aves matam sua sede.

O zunido do vôo das abelhas.

Aves cantando.

O cheiro da água misturada com barro.

O céu azul e sol ardendo.

As pedras quentes,

Preás espojando nas veredas.

A gente se sente um com a natureza.

Sensação de plenitude.

E o tempo passa.

E o tempo para.

O cancão pia.

O vento sopra assanhando o espelho da água.

Neste instante somos eternos.

É tão bom tudo isso.

23/03/26

Heurística da disponibilidade

 Minha mente vem orbitando em torno de Serrinha. Em torno de pessoas que já se foram. As vezes, de ontem pra hoje me lembro de pessoas de serrinha que se foram. Foi o fato da morte de Noezinho.

Isso se chama de Heurística da disponibilidade.

16/09/25

Inga-porco florido

 Em agosto a mata floresceu imponentemente, de manhã e a tarde!

Os grandes Tachigali densiflora explodindo em flores,

Amarelo ouro, amarelo ouro...

A mata dourada...


Na mesma florada as Ocotea glomerata,

Tímidas também a florir...


Veio-me a impressão da beleza desta estação...

Que chove e faz sol constantemente.

10/04/19

Vetor desconhecido

O espaço preenchido de matéria
Que constitui tudo
O ar, a água, as rochas e os seres vivos,
Por quanto tempo este sistema existirá?
Ver o amanhecer,
Ouvir a chuva chover,
Sentir a flor florescer,
O mais doce aroma...
Destilado do amago da vida.
Poder contemplar tudo
E compreender tamanha magnitude,
Eis que o espírito se reproduz,
Pena que de maneira heterogênea em certos sentidos...
A luz do saber por um lado e a treva da ignorância pelo outro,
Objetivos distintos,
A cultura do ser se afirmando no ter,
Escorrendo fenda a baixo na direção de um fim.

01/02/12

Paraíso

E quando a noite chega, depois que o sol partiu, tudo é escuro.
As flores se fecham e a natureza silencia, apenas o riacho canta noite a dentro.
Suas águas limpas, cansadas, fluem sempre para baixo.
Os pirilampos piscam, piscam e piscam
remedando as estrelas.
Os lobos saem a caça, assim como as corujas e os morcegos.
Vez por outra uma coruja canta chamando a meia noite.
Tudo é escuro, tão natural.
No jardim sapos comem insetos sossegadamente,
A brisa da noite sopra suave,
e a noite vai indo, silenciosa como o sono de criança.
Vai levando os sonhos das crianças
para o paraíso. 

Silêncio interno, tempo.

 A manhã ouca A manhã cresce com o sol, E vai se aquecendo, O verão vai acenando. O silêncio! Algo silencia em meu ser. Ouço sons solitários...

Gogh

Gogh