A tarde caia deixando a barra acesa por um bom tempo.
Depois o céu limpo, ficava quarado de estrelas.
Mas vênus era a primeira a aparecer,
Selando a união do dia com a noite.
Eu, sem entender do mundo,
Eu, sem entender de mim
Via tudo com tanta ternura...
Contemplava a imensidão do mundo,
Pois diante do firmamento me sentia uma formiga.
O céu pleno, escuro peneirado de estrela.
O céu pleno tingido de estrelas
Vivas estrelas pulsantes.
Tamanha beleza me abraçava,
Sentia a transcendência da minha existência.
Mamãe, Papai e minhas irmãs estavam em casa
Preparando o jantar, tomando banho...
Enquanto a noite dissolvia a luz.
As vacas no pequeno curral cominam
Restos de palha,
Só se ouvia o tilinitar do chocalho.
Só de bermuda, pés empoeirado,
Sandálias velhas...
Sentia a intimidade do mundo.
Mudas as árvores me faziam companhia.
A terra esfriando da luz do dia.
Eu, pleno eu.
Estava seguro.
Me sentia seguro...
Nem pensava em nada.
Só contemplava o anoitecer,
O céu estrelado.
E você?