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16/07/26

Vago

 Julho mês do vento,

Poucas chuvas nas manhãs,

Prenúncio do verão.

algumas plantas perdem suas folhas,

Outras mudam suas flores,

Outras florescem,

Outras frutificam.

O vendo coadjuvante só é soprado pelo mar.

O bem-ti-vi embeleza a manhã ventilada

Com seu canto sonoro,

Bem-ti-vi... Viu o verão?

Viu o vento?

Esse observador velho...

Querendo esquecer os problemas de adulto...

Observa a natureza

E por um instante é feliz.

11/06/26

Magnetismo, ima e azougue.

 Lembro que fiquei impressionado quando conheci o azougue.

Era criança ainda e ver um material que atraia e era atraído por ferro me impressionou.

Depois o azougue ganhou o nome formal de imã.

Descobri na escola que se tratava de uma propriedade física conhecida como magnetismo.

Interessante como o mundo vai se revelando.

A gente vai reconhecendo o mundo das abastrações,

O mundo da força,

O mundo Conceitual,

Um mundo maior que o mundo físico, mas está dentro deste mundo.

Esse mundo conceitual talvez seja só uma expressão do mundo material.

Ainda hoje me impressiona o magnetismo.

Tenho um magnetismo por este assunto.

E é isso.

10/06/26

Na intimidade com o divino.

 A tarde caia deixando a barra acesa por um bom tempo.

Depois o céu limpo, ficava quarado de estrelas.

Mas vênus era a primeira a aparecer,

Selando a união do dia com a noite.

Eu, sem entender do mundo, 

Eu, sem entender de mim

Via tudo com  tanta ternura...

Contemplava a imensidão do mundo,

Pois diante do firmamento me sentia uma formiga.

O céu pleno, escuro peneirado de estrela.

O céu pleno tingido de estrelas

Vivas estrelas pulsantes.

Tamanha beleza me abraçava,

Sentia a transcendência da minha existência.

Mamãe, Papai e minhas irmãs estavam em casa

Preparando o jantar, tomando banho...

Enquanto a noite dissolvia a luz.

As vacas no pequeno curral cominam

Restos de palha,

Só se ouvia o tilinitar do chocalho.


Só de bermuda, pés empoeirado, 

Sandálias velhas...

Sentia a intimidade do mundo.

Mudas as árvores me faziam companhia.

A terra esfriando da luz do dia.

Eu, pleno eu.

Estava seguro.

Me sentia seguro...

Nem pensava em nada.

Só contemplava o anoitecer,

O céu estrelado.

E você?


Tudo

 Quero tudo,

Quero tanto,

Porque não mudo,

Porque do espanto.

Mudo.

Contemplo tudo.

E a tudo sacudo,

Deixo tudo num recanto.

Seguir a vida sem pranto.


Transcendência

 Ontem, quando a noite caiu.

Ela revelou um outro céu.

Céu limpo e atropurpúreo.

No céu dois corpos celestes,

Dois planetas direcionavam o poente.

Eram Vênus e Júpiter.

Voltei no tempo,

Voltei a serrinha do Canto.

Onde era frequente a contemplação Celeste.

Essa semana vi essa formação mais de uma vez.

E me uni ao divino,

Ao eu, ao universo.

Algo grande revelando minha pequenez,

Algo grande revelando o divino.

Algo que me fez sentir a transcendência da existência.

Dormi feliz.

Macro, micro e eu.

 No universo que existimos

Existe o macro e o micro,

O céu onde o sol aparece e desaparece,

Delimitando o dia e a noite.

Existe o mar repleto de água,

Onde são formadas as chuvas.

Existe a terra por onde caminhamos,

Por onde cultivamos,

Por onde habitamos.

Existe os seres ao nosso redor,

Bactérias que não vemos, mas elas existem.

Existe as células que nos constituem.

Existe algo em mim que se diz um eu.

Onde é o centro do eu?

Onde começa o eu?

No macro ou no micro...


08/06/26

Ser e existir

 As coisas têm dois modos de ser, um material e outro conceitual, ou melhor um modo concreto e outro abstrato.

As coisas são entes ou objetos.

Isso é claro modos de entendimento humano.

Coisas são coisas.

Pelo menos, como percebemos, como concebemos e como conhecemos as coisas... Podem ganhar cálcio e em nosso ser ter diferentes sentidos, condicionantes.

E pensando nisto...

Vou entendendo como nós nos formamos e nos tornamos nós. Nós construímos nosso ser. Partimos da existência para subjetivarmos a essência das coisas.

Definição psicológica de saudade

 A saudade é um testemunho de que estamos conscientes da nossa fragilidade perante a vida.

01/06/26

Cubo

Sob o um está o seis,

Sob o dois está o cinco, 

Sob o três está o quatro, 

Sob o quatro está três,

Sob o cinco és o dois 

E sob o seis está o um.

O que eu vejo

E apenas uma face,

O que vejo é uma parte,

Se vejo de cima,

Não vejo o de baixo,

Se olho pro lado esquerdo 

Não enxergo o direito,

Se olho pra frente 

Não vejo a trás.

Se uso um espelho 

Posso enxergar,

Mas perco a realidade,

Perco o foco.

Dado arremessado qual número me dar?

Um é unidade, centelha divina.

O dois é dualidade 

Principio do conhecimento,

Três é a trindade,

completude,

Síntese dialética,

Divina trindade.

O quatro é causalidade, cruzamento de dois sentidos,

Posicionamento,

Os quatro pontos cardinais.

O cinco pentagrama,  cinco vias do saber, cinco sentido a nos ensinar a realidade.

O seis por fim uma dupla trindade, 

Número pela sorte desejado.

O criador fez a criatura e o homem foi gerado 

No livro do gênese.

E fim.

12/05/26

A palavra

 Uso a palavra como matéria de expressão.

A palavra é o signo que me permite expandir as ideias que as tomei com fé.

A palavra pode expressar o que sinto pela minha terra natal que é o sertão.

E tudo que o preenche,

As formações geológicas, as paisagens,

A vegetação e a flora,

A fauna, a espécie Homus sertanejus

E sua cultura, sua rica cultura,

Singela e rica que permitiu sobreviver ali com o mínimo de recursos.

Somos quase angicos resistindo a seca...

Essas coisas que sinto.

Que amo tanto.

A palavra me faz ir além do espaço e do tempo.

Esta que me permite transpor o meu ser.

Só isso.

11/05/26

Cronologia da professora

 O silêncio,

A existência,

O tempo,

O ser e suas memórias.


Uma senhora e suas memórias,

Seus afazeres...

O tempo, as estações contando os anos, as fases da lua marcando os meses.

A infância, a adolescência.

O primeiro amor,

O casamento...

O amor.

A vida nova de casada, os filhos...

Os anos que separam as fases da vida, a velhice dos pais, 

Os casamentos dos irmãos,

A nova família.

Os desafios do trabalho...

A alfabetização...


A ideia de expressão a realidade,

A natureza,

Viagens...

O caderno,

A caligrafia,

A expressão e o encanto das palavras.


Os anos, o lugar mapeado na alma,

Os grandes acontecimentos,

Nascimentos,

E perdas...


Um olhar no vazio do mundo.


O tempo vivido,

Cabelos brancos.


O poder e o prazer da expresso e o deveio.


Literatura singela,

Sentimentos vividos e eternizados

Memória expressa...

Nada mais.

Dialética

 Os coisas, 

Os objetos,

A palavra,

As ideias,

As Representações,

O tempo.


Um signo,

Um significado.


O entendimento,

A expressão.


A relação...

No espaço e no tempo.


O espelho.

O reflexo.


Um sentido,

Uma sequência,

Repetições...


A síntese,

A emoção,

A razão,

A consciência...

07/05/26

Minhas memórias

 Tenho memórias guardadas e mim

Que nem mesmo imagino que tenho.

Memórias vividas, vividas.

Memórias de lugares, de acontecimentos, 

Memórias que jamais serão despertas.

Algumas coisas são impares na vida.

E o cérebro as guarda no formato de memórias.

Tenho memórias vivas em mim.

Que os lugares,

Que os acontecimentos,

Que as situações me deram...

Estão adormecidas...

Qualquer dia as desperto.

Enquanto estou desperto.

Guardo esta memória de memória.

04/05/26

Ciclo das ideias

 Uma tempestade de ideias cai na terra.

Grande parte é absorvida pela terra,

E faz germinar e brotar ideias adormecidas.

Quando a terra fica saturada,

Então as ideias seguem os sulcos, como veios

Onde as ideias vão descendo rio abaixo

Em direção ao grande oceano...

Onde tudo começa.


29/04/26

Casa e cores

  Em 2021 fui ao mercado de artesanato de Tambaú.

Lá vi inúmeras coisas,  mas gostei uma toalha com o sol e uma casa amarela do sertão.

Comprei, mas como estava desapegado, presenteamos a mesma para mãe de minha esposa. 

Depois comprei mais duas com a mesma imagem. Uma tem a casa azul e outra vermelha. 

O seu Marcos de quem adquiri me disse que foi entalhada por seu Dedé, provavelmente seu nome é José.

Outra vez fui ao mercado e seu Marcos falou que seu Dedé não está mais trabalhando.

Por que duas talhas? 

Uma é vermelha para mim, o vermelho representa dia, calor, proximidade... Dá para ver melhor os detalhes.

A outra é azul e para mim, o azul representa noite, frio, distância... os detalhes não são tão bem vistos.

Mas as talhas estão aqui representando meu sertão que fica norte da casa.

16/04/26

Raizes do ser

 Quantas vezes me aventurei nadar em águas profundas. Quase me afoguei, mas enfim aprendi a nadar.

Um dos oceanos que me aventurei foi na música. Isso mesmo, música erudita. Não entendia como agradável ou desagradável. As primeiras vezes que ouvi foi na rádio Vida da cidade vizinha a minha. A rádio era da igreja e nela o páraco era o Padre Walter Colini, um italiano. Então A música erudita tina um viez para o sacro. Ah. Não! Lembrei... Se usava a música erudita nas notas de falecimento.  Acho que isso marcou negativamente muita gente de minha cidade. Papai mesmo não suportava. 

Enfim, um dia decidi vou ouvir até onde der. E acabei me acostumando e acabei amando.

Quando comecei a dar aula, tive a sorte de ter um computador com internet e com caixa de sonde, dai passei a dar aula ao som de música erudita. Hoje já não consigo, porque me concentro na música.

Quando morei em São Paulo, amava porque tinha a rádio cultura onde era só passava praticamente música erudita.

Então passei a conhecer muitos compositores além de Bach, Mozart e Bethoveen.

Ouço muito Mozart... aconteceu que estava ouvindo este compositor quando minha mãe faleceu. Então passei a só ouvi-lo como forma de recordação.

Bom, Schopenhauer e Nietzsche também amavam esse estílo. No Brasil sei de Ruben Alves.

Aqui na Paraíba o grande pintor Flávio Tavares sempre pinta ao som de música e um dos gêneros é o erudito.

Bom, esse foi o nado que quase me afundou...

Muita gente gosta. Eu gosto muito. 

Sempre quando chego em casa para o almoço coloco na rádio Classic music de Londres... 

Agora, estou quase me afogando no cordel.

14/04/26

Tempo para tudo

 O sol rasgou as nuvens,

Nuvens de chuva.

A luz dourada 

Bate pra todo lado...

Um intenso calor aquece as paredes e telhas frias.

Aquece as folhas das plantas.

O vento chega e faz a árvore dançar.

Refresca a luz intensa do sol.

Quanto durará a bravura do sol?

O dia inteiro,

A manhã inteira,

Alguns instantes?

Há tempo para tudo...

Olhos dos gatos

Vítreos olhos atentos,

Olhos de ires azuis

Sobre braços e pernas deitados,

Miram o mundo.


Pupilas dilatadas,

Veem na pouca luz,

De um dia que se acende.


Logo que chega a luz,

Negras fendas elípticas se faz,

Bigode e sobrancelhas,

longas...


O silêncio e a solidão contemplam...

Que seres mais individuais...


Miram o mundo,

Miram o dia,

Veem o mundo,

Veem a alma.


Tudo é instinto.


Assim são os gatos,

Com olhos azuis,

Melados e outros mais.

13/04/26

Um sentido

 Sentir o mundo,

Encontrar um sentido...

Na cor,

Na harmonia do som,

No cheiro da flor,

O do calor da flor,

No gosto amarelo da manga,

No gosto rosado do beijo quente

E molhado,

Num olhar não procurado e achado,

Achar um sentido,

Em tudo que se passou,

Em tudo que se passa,


Achar e por isso de graça,

É uma verdadeira graça.


Achar um sentido,

Pelos sentidos,

Uma emoção, 

Uma percepção,

Um sentimento,

Pra vingar precisa ser criado,

Precisa ser cultivado...


Às vezes parece que será eterno,

Mas é inexperiência...


Às vezes, a gente até aposta...


Outras vezes até se ilude 

E nessa ilusão,

A vida tem até sentido,

Além de um sentido,


A ilusão até nos anestesia,

Faz suportar a dor,

Ah...

O sentido de tudo 

É o sentido da vida...

Vida que a gente cultiva 

Até que a vida se enfraquece,

O tempo e a experiência machuca demais 

Se são tantos desenganos,

Os sentidos e os sentimentos...

Há de aprender a cultiva-los senão 

A desilusão o mata cedo.

Onde começa o eu

 A gente sempre volta ao pote, 

porque tem sede.

A gente sempre volta à mesa,

Porque tem fome.

A gente sempre volta à igreja,

Porque crê no eterno.

A gente mesmo que demore volta a pensamentos,

Porque não sabe como deles fugir.

A gente sempre deseja o que quer,

Por achou bom,

A gente sempre quer fugir da dor,

Porque achou ruim.

Ah! Um riso, um olhar nos encanta,

Um riso e um olhar nos espanta.

Porque achou belo?

Porque achou feio?

Porque foi sincero?

Porque nos assustou...

Onde tudo começou?

Cinema

 Ontem fomos ao cinema. Sassá adorou entrar no banheiro e encontrar um mictório infantil e pia para criança. Depois entramos entramos na sal...

Gogh

Gogh