25/05/26

Romã

 Ontem acordamos, Sassá acordou sem muita coragem, mas ai despertou e nós fomos desenhar. Depois de muito desenhar, conversar e ir. Convidei ele para ir no pé de pitanga para ver se tinha fruto lá. Queria mesmo era sair de casa e ver um pouco a natureza. Fomos pela rua do sapoti. Conversamos... Sassá lembrou no lucar onde viu um sanhaçu, em frente a porteira que dá na mata. Quando chegamos na pitanga, nada, dai lembrei da pitombeira da rua de baixo. Fomos caminhando e conversando. Olhamos as flores de benidita,vimos as borboletas... E as pitombas estavam alto demais. Mas tinha um pé de romã. Peguei duas. E fomos pelas três ruas... olhando as plantas, os bichos nas plantas. Até chegar em casa. Em casa ele foi provar pela primeira vez a romã. Ficou muito concentrado e feliz. Depois fomos almoçar.

Conhecimento matuto

 Ouvindo poesia de contadores, entendi alguns rumores da vida da gente.

Entendi que o que se canta são memórias,

Se canta saudades,

Se canta alegria,

Se canta entendimento.


Na emoção e na razão se transcende a realidade.


Entendi que se paga caro quando se segue seus sonhos.


Esse grande projeto de se transformar quem quer ser.


No meu caso deixei a casa paterna, fiquei longe de mamãe e papai.


Mudei de lugar... Buscando entender a vida.


Assim encontrei no mundo, na academia, na poesia de viola.


Essa dialética de nossa existência...


Onde me encontro 

E me perco...


E no fim a vida é tempo e experiência e sentimento...


Descobri que meu sonho maior nem fazia parte de minha razão ou consciência...


Minha maior realização foi e é a paternidade.


Volto no passado,

Mas já sei que nada de lá pode me preencher.


Tenho que me apegar ao presente...


No passado tem uma sentelha minha, que posso reordenar minha alma... Tenho que me reconciliar e seguir em frente.


Tudo se foi...


Lá posso resgatar a beleza do lugar onde nasci, o sentimento de ser muito amado.


Seguir em frente...

Final de semana

 O sol brilha frouxamente,

O vento sopra suavemente,

Nesta manhã abençoada,

Deitado na rede esticada,

A me balançar e a pensar.

Contemplando na parede,

As imagens que escolhi...

Passeio no passado, deitado no presente,

E dou um vislumbre no futuro,

Tudo isso em minha mente.

Tudo isso são pensamentos e memórias.

O tempo me agrada,

O espaço Deus me emprestou.

Enquanto desfruto agradeço,

Rezo, e peço paz e saúde.

E é tudo por agora.

Primeiro dia na feira

 

Na sexta-feira do dia 10 de maio de 2002 com 23 anos, em Natal, cursava Ciências Biológicas, encarava ciências de química orgânica, físico-química, anatomia comparada. Após almoçar, ia pra biblioteca da UFRN onde pegava um livro e relaxava nas baias de estudo dali.

No mesmo dia em Sapê, seu Zizo com 54 anos, estava muito ansioso, pois começaria uma jornada que iria preencher sua vida por longos e maravilhosos anos. Acordou quase sem dormir.  Sua mercadoria preparada da maneira que sabia. Acordou, pegou o ônibus para começar a vida de feirante.  Os seus produtos eram todos cultivados em sua gleba, onde morava. Levava para vender flores, vagens, plantas, ovos, milho... Seu Zizo trazia e ainda traz além de tudo muito afeto... Um aperto de mão ou um abraço, uma prosa boa e como ele gosta de professar a Amizade.

Na beira da mata montou sua barraca do Campus I, perto da biblioteca. Fez clientes, fez amigos, fez fãs...

Deu início a feira de orgânicos na UFPB. A partir de então nunca mais parou de trabalhar ali na instituição, todas sextas feiras. Foi ali que nos conhecemos. De seu Zizo compro flores-de-benedita e crista de galo. Além destas mercadorias, levo sempre comigo suas histórias, sua amizade, sua sabedoria e seus conselhos. E assim surgiu uma grande amizade espontânea e casual como são os puros sentimentos.

Origem cultivada

 A casa grande e alva,

Teto alto e portas azuis,

Rodeada de quintais,

Para aquém dos matagais,

O quintal da minha avó,

Foi primeiro da bisavó.

Num terreiro bem limpinho,

Caprichado e varridinho,


Ali num lugar diferente,

ainda tenho na mente

Nos pés das calçadas,

Em cima da horta,

No sítio e no riacho,

As plantas não eram mato,

Eram plantas ornamentais,

E também medicinais.


Atenção, vou lhe falar.

Usei o visão, olfato e o paladar,

E comecei a experimentar.

Ainda me lembro cada lugar.

Na cozinha no pé da horta,

Era atrepada e torta,

Ficava ao seu lado

A romã de frutos coroados,

Da pimenta de macaco,

De frutos em espigas agrupados,

Se maduro bem docinho,

Atenção muito cuidado,

Se mordido fica ardido.


Do lado uma planta esquisita,

Mesmo assim muito bonita,

Uma erva de folha partida,

Flores amarelo enjoado,

Se mordida uma delicia,

Tem um gosto adocicado.


A alfavaca uma arbustiva

Com folhas emparelhadas,

De borda toda serreada,

Quando são por nós tocada,

Sua essência é exalada...


As vincas todas floridas

Na calçada abundava,

Folhas brilhosas emparelhadas,

Dela só as flores encantava,

Suas flores estreladas,

Seus frutos sempre aos pares.


Ali, ainda havia, não sei se roseiras ou jasmins,

Todos muito belos para mim.

Sei que suas flores eram perfumadas,

Tinha uma caqueira arrumada,

Em seu tronco posicionada,

Pra proteger da formiga...


No sítio se ouvia,

Parecia cheia de alegria,

A folha da carnaúba,

O vento a sacolejar,

E a quenga do coqueiro,

Tec-tec-tec a tocar.


No caminho do curral,

De esferas esverdeadas,

A laranjeira encantava,

Com seu sumo doce e azedo,

Vovô colheu uma bacia,

Que grande foi minha alegria,


No riacho mais embaixo,

 A água fria a correr,

Tinha cana de açúcar,

O vovô foi lá e uma cana ele colheu,

Com a faça descascou,

Não esqueço esse momento,

Foi profundo o sentimento,

A cana era alvinha e tão docinha,

Eis uma doce memória,

Que tenho ainda hoje.


Mais abaixo do riacho,

A taboca ali morava,

Um capim tão lindo.

E aqui eu findo os versos encantados,


E digo mais foi o cultivo de 

Chico e Chica meus avós paternais,

Quem primeiro me ensinou,

A importância das plantas,

Para a nossa existência,

E pra minha alegria,

Delas dou aula hoje a cada dia.


Retrato vivo

 O brilho dourado do sol desponta na parede.

Faz do cinza o dourado,

A luz tornas folhas verde clado.

A mata estática não se ver uma folha mover.

Rutilantes estão os pingos de chuva preso as folhas.

Na mata o sabiá afugenta algum bicho.

Canta a garrinchinha.

O que se passa no mundo. Sabe lá.

Aqui reina a paz.

22/05/26

Primeira vez que Nadou sozinho

Ontem de manhã Sassá acordou disposto. A mamãe preparou o café e organizou a roupa da natação. Sassá nem imaginava o que iria acontecer. Tomou o café com embromação. Vestiu a roupa sem vontade. Não queria ir à natação. Então tão foi sem muita energia. Desceram a escada e caminharam como sempre caminham até á sede de natação. Foram devagar atento ao trânsito, atento as ruas, as plantas e pessoas que quase sempre encontram no mesmo horário. Pessoas gostam de rotinas e fazem por onde cumpra seus horários. Seguiram sob o sol brilhante e céu azul. Seguiram reto, dobraram esquina e chegaram. Lá na sede, Sassá se sentiu feliz, pois tinha vários amiguinhos para brincar. A hora da natação chegou. Atravessou a catraca e se preparou. Caiu na piscina e fez inúmeros exercícios e para o grande final por essa ele não esperava. Sassá nadou sozinho pela primeira vez. Isso mesmo, foram apenas dois metros entre a bora da piscina a água e o professor. Sassá encarou a água e venceu, nadou flutuando e se movendo até o professor. Se sentiu feliz, orgulhoso e cheio de si. Parecia que esse dia nunca ia acontecer. Nadou, se sentiu seguro... foram apenas 2 metros que darão segurança e vontade de ir além pelo resto de sua vida. Terminado isso, tomou banho, brincou com os amiguinhos e nem queria vir embora. Então entraram no uber e foram embora. Dia 21.05.2026 primeira vez que Sassá nadou. O interessante que foi no mesmo dia do aniversário da sua tia Li.


Tempo vaqueiro

 Cada lugar num tempo,

Cada tempo num lugar.

Aqui, ali e acolá.

Escorrendo o tempo me leva a viver,

Seja qual for sua maneira.

Vivo e vou vivendo,

Como gado conduzido pelo vaqueiro,

Tempo boiadeiro,

Na vereda que vou seguindo,

Posso me perder ou me furar,

Foi esta que me enfiei e como voltar.

Tempo vaqueiro,

Tempo boideiro,

Nas caatingas da vida,

Espaço de eternidade,

Sigo um caminho,

Pego uma vereda...

O tempo vai me conduzindo,

Com seu aboio silencioso.

Me conduzindo até que enfim,

O tempo e o espaço 

Seja o zero.

Raposas

 Na beira da mata correu uma raposa.

Seu corpo pequeno, suas orelhas grandes,

Seus pelos dourados, seu odor,

me fizeram conhecer a raposa além das imagens,

Além da palavra, além da fantasia. 

Foi tão rápido que não conheci a raposa,

Apenas tive uma percepção, uma sutil percepção,

Que materializou em mim a ideia de raposa,

Em seu ambiente natural.

Depois sumiu.

E peguei-me a pensar em raposas.


Silêncio da mata

 Os grilos quebram o silêncio da mata com seu canto matinal

Cantam no chão da mata debaixo do folharal.

É um canto agradável e cadenciado,

Então o sol vai acendendo,

E de luz vai preenchendo toda a floresta.


O vento parceiro de dança e canto da mata,

Não apareceu... E a mata se recata em silêncio.

Só o grilo e o sabiá a cantar.


21/05/26

Tarde de diversão

 Ontem não houve aula. Passei a tarde junto de Sassá. Então fizemos várias atividades. Ele criou um jogo da memória então nós brincamos com este jogo. Depois brincamos de mostros na cama. Tomamos banho e fomos ao mercado. O interessante que ele quis andar comigo no mercado. Sempre anda com a mamãe dele. Adoro nossa amizade.

Galo cantar

 Ontem de madrugada ouvi o galo cantar.

Viagem neste e amei ouvir seu canto cantado.

Estava muito escuro e frio.

Quem merece acordar para trabalhar tão cedo.

Lembrei de um tempo distante em 2007,

Lá na capital paulista...

Tantos operários de pé nas paradas dos ônibus.

E os ônibus passavam tão lotados.

Dos boeiros o calor saia fumaçando,

E logo resfriando nas ruas frias.

A felicidade quando o ônibus parava,

Imprensa daqui, imprensa dali...

E o ônibus lotado ia levando mão de obra para o centro.

Eu vi, senti, estava lá.

Sentia saudades de casa...

Do galo cantar,

De mamãe ressonar,

Mas fui em bora.

E ainda hoje... tem gente que continua lá.

Desperto para rezar.

O galo me levou tão longe...

Canto com encanto marrom

 Contente o rixinó canta na beira da mata.

O silêncio da mata quebrado por tal canto encanta tanto.

Faz voltar no tempo,

Quando o rixinó fazia ninho na soleira da casa velha.

Papai deixava, pois rixinó é abençoado, dizia.

Então ela pulava pelos caibros,

Ia e voltava com gravetinhos,

Fazendo o ninho,

Depois gerava os ovinhos,

E nasciam seus filhotinhos...

Vulto marrom.

Asa estriada,

Canta, canta, canta e os males espanta.

Era tão bom.

É tão bom...

Realmente são abençoadas.

Amarrado esse laço de amor.

Agora e sempre.

Filosofia e o violino

 Estava No centro de São Paulo, perto da Sé quando entrei num sebo e ali pela primeira vez ouvi a energia que emana de um violino. O som é alto e torna a música harmoniosa e intensa. Minha alma sentiu a beleza materializada em forma de som. Fiquei preso aquela música por um doce momento. Envolvido ouvindo, pude garimpar um ou outro livro de filosofia que amo cultivar. Depois comprei o livro... li e fui feliz por um instante.

Silêncio das palavas

 As palavras me permitem uma aproximação aos objetos que nunca terei conexão. Só consigo acessar o espirito o ser assim nunca o ser ai. Assim me aproximo de Pessoa sem me aproximar, me aproximo de Quintana... Tantos trovadores que estiveram aqui. Tantas cantigas cantadas a luz do candieiro ou lamparina. Versos de sabedoria de exaltação a natureza. Alguns sublimes como poema da saudade do Grande Antônio Pereira... Alguém o memorizou... mas só em parte. Que genialidade concentrar uma sabedoria profunda e ordenar as palavras em um texto que define a palavra... As palavras quebram o silêncio em silêncio. As palavras são a alma material do inexistente que foi... Essas coisas.

Pai e mãe

 Seguir a vida 

Seguir a vida...

Quando nossos pais se vão,

No coração surge um vazio,

A gente até sente um frio,

Não se tem nem dimensão,


Fica faltando quem mais nos amou,

Ausência de um olhar,

Ausência de uma palavra

De carinho ou repreensão...


Ficamos no mundo,

Assim tão soltos...

Se com eles aprendemos,

Coisas boas levaremos

Por toda nossa existência...


Entre elas a ausência,

Talvez seja a penitência

De uma vida viver,

De ser e deixar de ser...


Na mãe o amor,

No pai o rigor...


Essa existência dura,

Triste quem perde pais na verde vida,

Coitadinhos vão viver a duras penas,

Mas tem Jesus por nós,

Tem nossa senhora,

Que nos acode toda hora...


E nos faz entender que esse vazio

E nos faz entender esse frio...


E nos faz ver nas flores,

E nos faz ver nas crianças,

Onde há amor há esperança.


Até o dia final.

20/05/26

Canto e encanto

 O  canto causa encanto,

O canto causa espanto,

Bem no canto da casa,

Cantou a coruja.

Papai se espantou,

Pegou a chinela

E cruzou de baixo pra cima.

O canto calou,

A coruja voou...

O canto no canto do cajueiro,

De dois trovadores,

Papai amou,

Eram casacas de couro,

Cantando,

Toando,

Felizes... Sadias...

Papai suspirou.

Tão feliz...

O calor da tarde nem incomodava...

Que belo canto.

Plantar

 Papai trabalhava como sabia de maneira simples e eficaz. Para as cercas de arame usa madeira de cajaraneira que logo enraizava e uma árvore nova nascia. Deixou várias árvores plantadas. Estas árvores são mourões, fazem sombra e dão frutos. Papai e eu combinávamos e deixávamos as árvores crescerem. Aprendi o amor a natureza com meu pai.

Quebra do silêncio no silêncio

O silêncio não é apenas ausência de som.
Não se quebra o silêncio apenas com o som,
Se quebra o silêncio com pensamento,
Se quebra o silêncio com a palavra,
Não a palavra falada,
Mas a palavra escrita,
Palavra expressa...
Tem uma potência que nem imaginamos.
Rompe o tempo,
E as vezes o espaço.

Coração de Jesus

 Sagrado coração de Jesus,

Me proteja, me envolva,

Seja meu caminho e minha luz,

Se surgirem problemas  em ti dissolva,

O teu profundo sofrimento na cruz,

E com fé em ti se pecar me absorva.

19/05/26

Minhocas e marmotas

Ontem, indo pra escola Sassá e eu conversávamos sobre biologia. É a biologia das minhocas. Ele me perguntou afirmando que as minhocas comiam grama. Bom falei que não que as minhocas são detritívoras. Mas ai ele foi argumentando até concluir que as minhocas comem grama. Chega ser divertido, pois para quem tem cinco anos argumenta bem. Enfim, falei que as minhocas ficam sob o solo. Então ele perguntou porque as minhocas sobem a superfície as vezes. Disse que quando chove as vezes o solo fica enxarcado e elas tem dificuldade de respirar. Então ele disse que será que não seria para comer grama. Então ele perguntou porque as marmotas viviam debaixo do solo. Ai chegamos a conclusão que elas comem minhoca. E por isso vivem em tuneis sob o solo. Então chegamos na escola e ele foi para a sala dele. Fim da história.

Ecos na concha do tempo

 Serrinha minha terrinha,

De onde de hoje e sempre.

Ontem podia ouvir,

O eco das bombas e foguetões,

Ecoando nos grotões,

No pé da chapada,

Sons avisando viva...

Viva ao santo do dia.

Eram meus parentes,

Felizes e contentes,

Com uma promessa atendida,

Coisas lindas da vida.


Eu menino ouvia na mata

Esse ribumbar e ficava maravilhado,

O que era aquilo...

Era a fé sendo externada.


Naquele universo tentava entender o mundo,

Tentava saber quem sou...

Eu tinha tudo,

Eu tinha quem me amava,

Tinha quem cuidava de mim...


Ontem...


Hoje, já não ouço mais bombas,

Nem ecos...

O mundo perdeu a magia de infante.

Os mistérios a ciência revelou,

A vida revelou o resto.

Restou apenas a fé.

E é o suficiente.

18/05/26

Estação cabo Branco

 Sassá ficou comigo o fim de semana em casa. Fomos a uma exposição na estação Branco. Vimos esculturas, pinturas... arte em geral. Viu gente, brincou  e se divertiu. Foi excelente!


Francisco José

 Conheci Francisco José ferreira de Cacimba de Areia PB. Filho de José e Ana. Ele mostrou a casa que nasceu e morou com seus 11 irmãos. Eram três filhos Franciscos. Contou que seu pai viveu 94 anos e sua mãe 95... Ele faleceu num sábado depois de receber a extrama unção. Sua mãe tbm morreu nunca sábados. Seu filho estava cantando e ele participando da exposição retrato do sertão. Seu José Leu a biblia mais de 15 vezes.

Homero Sá

 Foi numa exposição,

De retrato no sertão,

Que fiquei impressionado,

Com a beleza daquela arte,

Pincel, música e inspiração,

Atiçaram o sertanejo,

Para além do couro do chapéu e do jibão.

Retirou da fotografia,

De lugares pouco habitado,

De lugares muito amados,

A beleza do sertão...

Meu peito bateu emocionado,

Com as casas alvas,

A terra vermelha,

Com as flores vermelhas

do flamboiã,

Com as rosas brácteas das três marias,

Da arrumação das rochas,

Da verdidaão da algaroba,

Da Casa alva de José cheia de histórias...


Senti profunda emoção.

Exposta com muito requinte,

A obra falava por si,

Um a sanfona a tocar,

Um matuto a cantar,

Que riqueza maior?


Seus olhos brilhavam

Foi linda sua declaração,

Agradeceu a todos

E Declarou o grande amor

Amor de sua vida a parelhense Fatinha.

O amor da sua vida,

Condição incondicional

Para todo aquele momento.

Foi um lindo evento,

A descoberta do grande pintor,

Artista de grande valor.

Homero Sá.


Ouça a chuva

 Silêncio!


Psiu


A chuva está cantando.

A chuva está chovendo.

A chuva está chiando.


A água está pingando,

A água está escorrendo.


Que coisa macia,

Que coisa macia,

Na biqueira transborda uma bacia.

Que alegria sente o sertanejo.

Que alegria ouvir o beijo,

Que a chuva dar na terra...


A chuva muda a terra com esse abraço,

A chuva muda a terra,

A chuva inunda a terra.


A chuva desperta a semente,

A chuva desperta os ramos,

A chuva é a chave que muda a paisagem,

A chuva molha minha alma,

A chuva traz me a calma.

Enchendo-me de bonança,

Da potência da esperança,

Ao ato da existência...


Deus! Obrigado 

Por sua presença,

Obrigado por falar comigo 

Pela voz da chuva...

E venha a mim

De novo e de novo e de novo...

Até o meu fim.


E continuará chovendo,

Filhos nascendo,

E agora estou entendendo 

Que tudo que vem 

Vai...

Tudo que é teve um pai...

E uma mãe que é a chuva.

Maio chuvendo

 A chuva cantando 

Enquanto escuto,

Deitado e quieto,

Só matutando...


Despertas memórias

De uma viva vivida,

Lugares idos,

Tempos passados.


Meu ser e minha história 

Sendo tecida no tempo e no espaço 

Ao longo dos anos,

Das estações, 

Das luas,

Dos dias e noites

Dos dias de chuvas.


A chuva sempre 

Foi mãe,

Sempre me deu 

A essência da vida

A água.

E agora este poema.

Casaca de couro

 A tarde vai caindo,

O sol saindo do prumo,

O calor arde na paisagem.

No alto do cajueiro,

Canta a construtora casaca de couro.

Construindo o seu ninho,

Usando galhos com espinhos.

Canta emparelhado,

Feito contadores de viola,

Com o penacho armado.

Se olhinho amarelado,

Com olhar mal encarado,

Canta e dança..

Voa e traz os gravetos e tece com o bico

Um ninho.

Papai escuta e admira.

Papai diz que canto lindo.

Concordo com a palavra e o coração.

E a tarde se enverga bela...

E me sinto feliz...

A seca, a tarde quente e o canto da ave vaqueira.

Mundo oco

Morei a minha infância e adolescência num sítio. Nele tinha uma parte que cultivávamos fruteiras e uma parte de plantas nativas onde fazíamos os roçados e colocávamos o gado para pastar. À tarde, após o almoço, descia para soltar as vacas do cercado e trazê-los para o curral. Ali no caminho, as vezes ouvia estrondos de bombas de festejos na Serrinha Grande. Era quando percebia que o mundo era oco. Havia algo transcendente que não assumimos quanto ser. Achava bonito e sentia ora alegria ora aflição. Não sei explicar. Eu sentia a falta de âncora da vida? Eu sentia a infinitude e a eternidade em que somos postos quando tomamos consciência. Naquela época, tinha minhas referências que originaram o meu eu; meus avós paternos e maternos, meus pais, meus irmãos e meus vizinhos. A consciência foi se expandindo e o tempo passando, então fui entendendo que a gente vive e ao viver só vai perdendo... Meus avós..., tios... e tudo vai acontecendo de forma natural. Eu já intuía que o mundo é oco. As bombas explodiam e eu ouvia... E sentia o mesmo que sinto hoje. Qual é o limite do som o que não é difícil fisicamente de se saber. Sentia um aperto no peito. Ali já sentia a transcendência da existência... Olhava o cinzento das catingueiras, o gado magro, sentia o calor do sol na luz e nos entes no meu entorno... Sabe, parecia que eu sentia o que sinto hoje. A ausência de meus pais amados. Naquele tempo eu podia ao voltar pra casa sentir sua proteção e o seu carinho e o esforço para que nos sentíssemos bem. Sentia a potência do amor. Bem... Na certa era trabalho feito pelos fogueteiros e encomendados e explodidos pelos romeiros. A fé acenava no meu coração. O chão seco, o estalo dos frutos de catingueira. O mundo é oco e o que sou neste mundo tão profundo? No meu torrão, comendo cuzcuz eu entendi a dureza da vida... Eu não entendi o outro... Minha infância, será eternamente minha. Marcou profundamente quem sou. O eco das explosões.. Ora volto lá pra sentir meu pai e minha mãe. Sem eco, sem explosões. A mata, a seca o tempo. Todavia hoje tenho um motivo... Um motivo superior que é o meu inestimável e amado filho. Seguro a tocha da vida. Sabendo que o amor é o que manterá a vida viva e eterna. Naquele tempo parece que meu de hoje estava lá. E oras sinto que meu eu de ontem está aqui. Coisas que se sente sem explicar.


15/05/26

Natação na chuva

Sassá ondem foi pra aula de natação. Está quase nadando, mas falta segurança. Vai chegar lá. A mamãe dele disse que ele faz todos os exercícios com perfeição. Mas ontem foi diferente, porque chovia muito. E não parou de chover. Eles voltaram para casa de baixo de uma chuva muito forte. Ele me contou que quase perdia a chinela. A mamãe falou que ele veio usando seu roupão. Foi o que ele me contou na hora que eu o levava para a escola. Abril e maio deste 2026 tem sido meses de muita chuva.  E fico feliz que ele viva e goste da chuva, do inverno. Facilita a vida quando não tem sentimento negativo contra a natureza. 

Adeilsa Pereira

 Adeilsa Pereira,

Poetisa de Serra Talhanda,

Canta versos bem bonitos,

Versos vividos,

Versos sentidos,

Canta o campo,

Canta a caatinga, 

Canta o sertão,

Canta sentimentos...

Versos doces e humanos,

Poesia cheia de alegria...

Conheci a poetisa num cordel de mote:

Só a chuva faz mudar a paisagem do sertão.

E ao pesquisar vi que é muito atuante na oralidade,

Criando versos maravilhosos.

Parabéns pelo excelente trabalho poetisa.

14/05/26

Tempo de chuva, eu

 A manhã teve barra,

Uma barra encarnada,

Sorri feliz,

O céu limpo,

O céu azul.

Andei contente,

Mas em minutos tudo mudou,

Escureceu,

E choveu,

Choveu,

Choveu a manhã inteirinha.

Depois tudo ficou melado,

Tudo ficou molhado.

Ruas e prédios alagados,

As árvores estão explodindo de crescimento.

Flores deitadas no chão...

E aqui dentro,

O frio e o escuro,

Estão me deosrientando,

Mas tudo vai mudar.

Sempre muda.

Frases

  Seria é a vida, Jovial é a arte Schiller


Benjamin Barber, eminente teórico político, disse certa vez: “Não divido o mundo entre os fracos e os fortes, ou entre sucessos e fracassos […] divido o mundo entre os que aprendem e os que não aprendem”

Salada de palavras

 Sassá me falou que está fazendo o duolingo de francês. Pratico com ele meu inglês. Li um livro ontem em portunhol. Rimos muito com essa salada de palavras.

Uma definição de poesia

 Busco,

Busco a poesia,

Busco uma definição mesmo que tardia.

A poesia chegou em minha vida de forma musicada,

Depois a poesia de maneira formal,

Foi na escola que primeiro tive contato com a palavra versada,

Uma palavra arquitetada...

Não entendi, quando minha professora de português chorou quando morreu Drummond de Andrade.

Ela estava em outro nível e aquilo me gerou um afeto.

Drummond... Seus versos enriquecendo o português...

A poesia escolar é tão séria.

Nem imaginava que a poesia vivia.

Sim os meus tios fruteiros, os agricultores cultivavam a poesia viva...

Numa festa rica chamada de cantoria...

Como foi escolar, acadêmico e erudito...

Conheci a poesia formal 

Sem ouvi a poesia da vida e da viola,

Amada por meu tio do Ceará Lourival,

Amada por tio Michico,

Amada por Nenem de Tia Esterlinda...

Por outras, minha avó materna Sinhá teve escola e me contou

Que declamava poemas na cidade nas festas na cidade de Martins.

Jesus! Vovô uma agricultora!

Quando não se tem idade, pouco se conhece a história.

Então vivi cego sem nunca ter ido a uma cantoria.

Talvez nossa condição de pobreza material,

Não tínhamos dinheiro para dar aos cantadores...

Ah...

Li Neruda e Pessoa!

E hoje, descobri a poesia popular

E estou feliz.

Poesia é a arte de recordar os momentos vividos com alegria. 

13/05/26

Ampulheta

 Silencioso,

Oculto,

O tempo está ai,

Contando nossa existência.

Desde a concepção...

Como viver o tempo em plenitude.

Talvez uma pergunta sem resposta...

Tempo de avançar,

Tempo de parar...

Máxima de reflexão do rei Salomão,

Santo Agustinho...

Fogo devorado dos nervos dos homens.

Elemento fulcral da existência...

Desnecessário...

Um dos eixos de existência,

Da causalidade...

Tempo... algo que ecoa na gente,

Só existe quanto substrato.

Essas coisas.

Herbário

 Selecionei uma tarde para trabalhar no herbário.

O herbário é uma coleção botânica composta de exsicatas.

Trabalhei nos herbários da UFRN, Depois no Herbário SP, em Seguida Herbário da Unicamp, depois no herbário CEN e provavelmente concluirei minha jornada no JPB, aqui da UFPB.

As tarde de quarta-feira veio identificar os materias da coleção. Coleção de plantas da família Fabaceae.

Musicas Favoritas

 Musicas inesquecíveis


Vaughan Williams ~ The Lark Ascending

Bach = cantata n. 147

Beethoven Piano Trio in B flat major op. 11 Adagio


Abecedário poético da floresta

 Sassá quis brincar. Pegou um livro de atividades de capa vermelha. Usou o lápis para riscar a linha tracejada e queria que eu fizesse. Não Deu certo. Brincamos de outra coisa. Depois na cama pegou um livro de título "Abecedário poético da floresta. Porque ele pegou aquele livro  na estante? Dai ele falou que a professora tinha um igual. Então exploramos as imagens da capa. Ao abrimos o livro caiu na letra M. Mandioca... Ele já sabe o que é porque teve na escola dele um comemoração do dia do Indio... com uma barraca de artesanatos indígenas feito pelos povos originários e eles estavam ali vestidos vendendo. Depois se apresentaram. O projeto na escola foi lindo. Aprenderam sobre uso das plantas para a produção de artefatos como tinta, comida. E a mandioca foi uma palavra que ele aprendeu. Achei interessante. Gosto que ele tenha muita literatura para consultar. Essas coisas como ele costuma dizer.

Urucum em momentos

 Um zunido na manhã cinza de chuva,

Despertou doces memórias de nosso quintal...

Bem distante daqui em minha terra natal.

Ouvindo um zunido no mundo mudo,

Vinha do pé de urucum,

Parecia um ronco distante,

De um mercedes 1313 subindo uma serra...

Então, fui ver a fonte sonora...

Vou ali onde ele está olhar,

Vejo beleza materializada

Vejo a beleza perfumada,

Uma árvore toda florada,

Flores cor de rosa,

Flores grande e perfumadas,

Flores pentapetalada,

E várias abelhas grandes e negras,

São os lindos mangangás,

Trabalhando? Namorando?

Não!

Beijando cada flor,

Voando em zigue-zague,

Sobe e desce,

Vai para a direita,

Vai para a esquerda.

Pouzado na flor ele zumbe...

Suas asas a vibrar,

E os estames a bagunçar,

Vai voando de flor em flor,

Sem ver o tempo passar...

Pra lá e pra cá.

De cá pra lá.

Minha alma imediatamente se enche de alegria,

Como o belo nos encanta.

Depois da florada,

O urucum é só silêncio!

Só vou lá para tirar

As cachotinhas equinadas,

Debulhamos as sementinhas

E fazemos urubum...

Para carne frita ficar colorida,

E deliciosa.

Ah!

Depois o mangangá,

Foi zunir no maracujá.

Vive a vida

 Vejo a vida nítida,

E me espanta ver a vida.

Quero sentir a vida,

Ver a vida é racional,

Sentir a vida é real...

Algo além de endorfina cerebral.

Vejo a vida pelo olhar da imaginação,

Vejo a vida via experiência...

Vida vivida.

As vezes me perco em tudo isso.

São ilusões da nossa mente,

Ocultando a aspereza da vida.

Coisa de uma mente desperta.

Vive a vida.

Vida que segue

 Manhã serenosa e fria,

Pela transparente janela,

Vejo nuvens cinzentas,

Na calçada molhada

Flores alvas de jasmim,

Ixoras encarnadas nos jardins.

Paredes alvas de prédios,

Pombos alvos se coçando.


Aqui dentro sinto,

Um reflexo desse tempo,

Algo em mim fica saudoso,

Algo em mim quer reagir...


A vida que segue...

Uma xícara de café para esquentar as ideias.


Devir e deveio.

Ser assim e ser ai.

É mês de maio,

Mês das mães.

Sem a minha para ouvir.


A vida fica cinza e silenciosa como essa manhã.

A vida que segue.

Vou trabalhar,

Tenho um filho pra criar.

12/05/26

Felicidade

 Recebi as imagens da chuva chovendo,

Chuvas enchendo açudes e barreiros,

Terreiros cobertos de ervas.

O milho no roçado pendoando...


A coisa mais linda do mundo

Os açudes cheios e sangrando,

Peixe subindo e desovando.


A mata verde e escura.

A cajaraneira carregada,

A pinha na pinheira rachada,

Feijão maduro na bacia...


A vaga com frio a pastar,

Leite quente com café.


Estou longo de minha terra,

Mas minha alma fica feliz

Só de saber que lá está assim agora...

O fogo esquentando a cozinha...

A comida da janta.


A  reunião da família na mesa,

Depois se deitar para esquentar as cobertas...


Tudo é tão bom quando tudo está bem.


Vivi isso e sei o valor da felicidade...

Minha família me ensinou.

Minha é isso.

Chuva trabalhando

 A chuva trabalhando o dia inteiro,

Manhã, tarde e noite,

Ora fraca, ora forte,

Quase pára,

Acelera...

O sol nem apareceu.

As aves emplumadas descansam silenciosas.

Sabem que o fruto do trabalho da chuva é delicioso,

As plantas pagam pelo seu trabalho

Chuva.

Pode chuver.

As aves ficam caladas,

São elas quem mais desfrutam das flores e dos frutos.

Chove chuva de maio,

Abriu já partiu...

A chuva trabalha feliz,

Trabalha cantando.

Vai enchendo o lençol freático,

Vai enchendo os rios,

Vai regando as matas...

Vai distribuindo a essência da vida.

E nós que tal fazermos um café. 

Poda

 Sassá ontem coletou uma folha de palmeira. Disse que era para fazer uma obra de arte.

Depois me viu podando um arbusto e quis podar as ervas. Disse que era para elas crescerem.

Está empolgado com as plantas dele.


A palavra

 Uso a palavra como matéria de expressão.

A palavra é o signo que me permite expandir as ideias que as tomei com fé.

A palavra pode expressar o que sinto pela minha terra natal que é o sertão.

E tudo que o preenche,

As formações geológicas, as paisagens,

A vegetação e a flora,

A fauna, a espécie Homus sertanejus

E sua cultura, sua rica cultura,

Singela e rica que permitiu sobreviver ali com o mínimo de recursos.

Somos quase angicos resistindo a seca...

Essas coisas que sinto.

Que amo tanto.

A palavra me faz ir além do espaço e do tempo.

Esta que me permite transpor o meu ser.

Só isso.

Resistência

 Os rins faltaram,

Uma nova rotina na vida,

O sol ardente e o calor,

A mata seca e cinzenta,

As cigarras cantando,

Acordar e ter força para viver,

Sair de casa e partir para a clínica.

As curvas e retas da estrada,

As casas ao pé da estrada,

Os serrotes, a depressão,

O gado mago...

A palavra apesar da dor.

Um riso de compaixão...

A chegada a cidade,

A  vida sofrida.

Na clínica, a assinatura,

O reencontro,

As histórias,

As pessoas e suas histórias,

Seus lugares,

Suas marcas, suas dores...

As pessoas novas,

As pessoas partidas.

A dor dos dias contados...

Os sofrimentos e  a dor,

O fim...

Mamãe viveu tanto esses dias.

Dias de luta.

E no sertão se encantou.

Amada sertaneja.

11/05/26

Jandaia e jandainha

 Caminhando no caminho que caminho,

A beira da estrada soa o berro e o ronco dos carros,

Calmas as castanholas habitam ali muitas castanholas,

Bem no meio do caminho,

Uma morreu delas morreu faz tempo,

Só restam o tronco e os ramos secos.

Ali, as jandaias adorou se coçar..,

Jandaias cabeças de mamão,

Grasnam, grasnam e grasnam...

Hoje por acaso vi um casal.

Silenciosas a se coçar...

Jandaia, Jandaia, jandaia...

Jandainha no meu lugar.

Notas do ego

 Memórias que marcaram uma parte de minha vida. A estranha descoberta que a vida tem um fim. E o fim da vida é a morte. No velório de um primo Edson deu uma definição de morte como o limite da vida. Pois, foi em Serrinha que vi os primeiros corpos sem vida. 

A gente quando descobre uma coisa que não aceitamos ficamos com um dissabor estomacal. Indo a Serrinha para meus primeiros dias de escola, no alvorecer da liberdade descobri a morte. Hoje conheci uma definição menos dolorida... A morte é vida vivida.

Mas a difusora da igreja de nossa senhora da Salete quando tocava essa composição era o anúncio de morte. Uma música que é capaz de em si nos arrancar emoção... Associei a morte. E nunca posso ouvir essa música sem transpor o espaço e o tempo... Pelo menos é a emoção que sinto quando acesso essas memórias. 

Será se alguém compartilha a mesma sensação que eu?

Cronologia da professora

 O silêncio,

A existência,

O tempo,

O ser e suas memórias.


Uma senhora e suas memórias,

Seus afazeres...

O tempo, as estações contando os anos, as fases da lua marcando os meses.

A infância, a adolescência.

O primeiro amor,

O casamento...

O amor.

A vida nova de casada, os filhos...

Os anos que separam as fases da vida, a velhice dos pais, 

Os casamentos dos irmãos,

A nova família.

Os desafios do trabalho...

A alfabetização...


A ideia de expressão a realidade,

A natureza,

Viagens...

O caderno,

A caligrafia,

A expressão e o encanto das palavras.


Os anos, o lugar mapeado na alma,

Os grandes acontecimentos,

Nascimentos,

E perdas...


Um olhar no vazio do mundo.


O tempo vivido,

Cabelos brancos.


O poder e o prazer da expresso e o deveio.


Literatura singela,

Sentimentos vividos e eternizados

Memória expressa...

Nada mais.

Romã

 Ontem acordamos, Sassá acordou sem muita coragem, mas ai despertou e nós fomos desenhar. Depois de muito desenhar, conversar e ir. Convidei...

Gogh

Gogh