Ontem, Sassá foi a dentista. Foi fazer a cirurgia do dente a mais que nasceu. Era um dente fino. A gente o chamava de dente de tubarão. A cirurgia foi um sucesso. Ele ficou muito feliz porque ganhou sorvete. Mas ficou muito triste e até chorou porque não pode ir à escola. Nem fui almoçar em casa. Então quando cheguei a tardinha. Chamei para ir comprar um sorvete para ele. Ele foi argumentando que podia comer açúcar porque a dentista disse que podia. Fomos ao Bem mais da principal dos bancários. Rodamos no mercado, olhando os produtos. Falei para ele que era ali que fazia as compras antes dele nascer. Ele estava muito objetivo. Aqui não tem sorvete dizia nas prateleiras. Não é picolé é sorvete. Então pegamos nosso chá e o sorvete dele e paguei. Fomos embora. Ele mais feliz que pinto no lixo. Falante e rápido para chegar em casa. Porque será?
Pensar
Sorria! O riso ilumina a alma e embeleza a vida.
24/03/26
Até
Carrego as memórias de minha vida,
Muitas alegrias e felicidades,
Também dores e ferida...
Carrego no peito muitas saudades
Saudade de meu lugar,
Saudade de meus parentes,
Saudades da minha vida,
Saudades, pois a vida parecia querer mais...
E não dava para ser plenamente vivida.
Foi embora no tempo,
Fui em busca deste invento
E perdi tudo,
E ganhei tudo...
Muito ficou em mim,
O que pude trazer...
Agora posso escolher o que devo levar
O que devo ensinar...
Aprendi muito sozinho só a observar...
E continuo a aprender...
Até.
Farinhada
A mandioca arrancada,
Em caçuas carregada,
Na casa de farinha,
Derramada e arrumada,
Descascada.
Mão ligeira,
Conversa frouxa,
O alvo amido,
Cheiro da raiz limpa,
Motor ligado,
A batata cevada,
A maça branca,
Vai ser prensada,
Espremendo a manipoeira...
Agora a hora da lavadeira,
Lavadeira nova,
Roupa ajustada,
A rede dançando,
Pra lá e pra cá.
A goma decantada na gamela,
A massa lavada vai ser assada,
O cheiro da manipoeira fora casa,
Lenha acesa,
Rodo a posto,
Massa espalhada,
Começa a torrada,
O assador a dançar,
Pra lá e pra cá.
É Paté?
É.
E o cheiro da farinha incensa a casa.
Depois o beiju e a tapioca.
E a novena de graça.
Vida boa foi a minha.
23/03/26
Barro vermelho
O barro vermelho é um lugar em Serrinha.
Hoje está muito reduzido.
Foi grande, Foi grande.
Hoje no barro vermelho não se sente mais os cheiros
Da manipueira ou da farinha sendo torrada.
Sumiram as casas de farinha de Zé Paulo, Das Dores e velho do Santos.
No Barro Vermelho já não tem mais nenhum som de viola.
Sim, Lorival Cearense casado com tia Raimunda sempre fazia as cantorias.
O que resta no barro Vermelho são as barreiras vermelhas,
As árvores de timbaúvas, os coqueiros-catolés; as pitombeiras...
O barro vermelho morreu.
Sabe lá o que vai se transformar.
Dona Nenem se foi, Ninguém se lembra de Tio Raimundo Souza...
O lugar não tem memória, as pessoas são as memórias.
Pude viver algumas dessas memórias,
Mas até eu mesmo já estou se indo.
Borges e Pinto do Monteiro
Ciça a preguiça
Ontem, domingo, estávamos indo para a missa, então depois do HU e da Residência, vimos uma preguiça tentando cruzar a rua. Vi, andei um pouco e parei. Esperei todos os carros passagem, fiz a volta e estacionei no lado oposto, que era o lado do campus para onde a preguiça queria cruzar. Sassá ficou encantado. Peguei a preguiça com cuidado, pelas costas para não ser atacado pelas garras. Então cruzei a rua e coloquei ela no muro. Quis voltar para o lado da Rua, então reposicionei na grade. Sassá tirou uma foto ao lado dela. Ela desceu a grade para o lado da mata e se foi. Chamamos ela de Ciça a preguiça. Sassá ficou radiante, pois só viu preguiça de longe ou quando de perto empalhada. Foi uma experiência maravilhosa. Em casa após a missa, desenhamos Ciça. Um marco interessante. Pensei como as preguiças se orientam pela luz, pelo cheiro? Sabe lá.
Heurística da disponibilidade
Minha mente vem orbitando em torno de Serrinha. Em torno de pessoas que já se foram. As vezes, de ontem pra hoje me lembro de pessoas de serrinha que se foram. Foi o fato da morte de Noezinho.
Isso se chama de Heurística da disponibilidade.
22/03/26
Noé
Noé - Noan. Nome de origem hebráica que significa descanso, repouso, conforto.
Este nome é amplamente conhecido pela bela história da bíblia Noé e a Arca.
Sou de um povoado de berço de entrada do protestantismo no nosso município.
Nas casas de alguns de nossos vizinhos tinham imagens de cenas da bíblia e um das que me impressionavam era uma imagem com a grande arca e os animais entrando na arca.
Acho que tinha uma em Bonina, uma em Elita sua irmã, uma em Chico Franco. Ah, uma em Dálea, uma em Lenita, uma em Zuleide e uma em Iula de Dequin... Aqui vai ser difícil de contestar, pois quem vai ser o vizinho que vai ler este texto. A escrita pode servir de testemunho da realidade, mas é passível de invento. O fato é que conheci três Noés. Noé de José de Julho que era caminhoneiro, morava em Natal. Dirigia um lindo mercedes 1313 amarelo. Noé de Jerome uma pessoa muito dócil com o espírito desprovido de malícia. Noé vivia com seus pais Jerome Benedito e Loló. E por último Noé de Dedé Moreira e Daluz. Conheci mais tarde, pois cedo foi morar em São Paulo. Era amigo de meu irmão Rosembergue. Noé de Dedé Moreira era uma pessoa maravilhosa, de olhos claros e cabelo grande. Ele tinha uma voz inconfundível, agradável e gostava de contar estórias, daquelas da gente. Estórias particulares, locais, mas muito divertidas. Quando meu irmão chegava lá em casa ele era um dos primeiros a aparecer e passava a tarde conversando. Sim, ele voltou de São Paulo e foi viver a melhor parte da vida em sua terra natal com uma esposa maravilhosa. Bom. Quando voltamos a terra natal, a gente volta a essência primeira com a experiência do mundo. A gente passa a viver e poder fazer o que nossos parentes já faziam e a vida volta a ser comum. E revive do esquecimento.
Hoje, fiquei sabendo que Noé de Dedé havia passado pelo linha da vida e encontrado eternidade. Morando longe não terei como ir ao seu velório ou ao seu sepultamento.
E isso é matéria para pensar a vida, a existência.
Um fato muito triste. Para nós de Serrinha, seus amigos, seus irmãos, e mãe. Eu tinha amizade próxima com sua irmã Noezila e Herbénia. Conhecia todos os demais irmãos e seu pai. Fui ao velório de seu pai.
Noé esteve no velório de meus pais...
Noé é uma fração de Serrinha que se eterniza.
Depois que meus pais se foram, sempre visito o cemitério.
Meu vínculo com Serrinha continua mais viva que nunca. Tenho encontrado minha essência nas memórias em Serrinha minha terrinha. Minha gente que cresceu tanto que nem sei mais quem são, mas sei que são.
Noé, encontre o descanso, conforto e descanso na Eternidade.
Um dia nos encontraremos.
Vá em paz em Jesus Cristo e Maria nossa Senhora.
21/03/26
Vinca amada
Nas vincas encontro toda beleza.
Na parte está o todo.
Vincas que veio de longe,
Assim como viemos de longe,
E que nasce nos quintais das casas simples,
E agradece a pouca água,
Devolvendo flores estreladas,
Estrelas pentagramas,
Flores pentâmeras...
Flores com cinco delicadas pétalas,
Estrelas de arestas invertidas.
No centro um círculo perfeito,
Uma garganta estreita.
De cores variadas,
Rosadas,
Brancas,
Vermelhas,
Rosas,
Roxas,
Salmão...
Vinca...
Em minha mente gravada,
Em minha existência marcada...
Memória dos terreiros de minha casa,
Memória sonora das passadas descompassadas do meu pai,
O arrastar da chinela,
O peso molhado do balde,
A divisão da água...
Papai e as vincas,
Eu e as vincas...
A cada uma agradava,
Um copo de água...
Nunca faltou.
Essa ligação entre mim e papai,
Não será termina enquanto uma vinca florescer.
Em qualquer lugar.
E elas estão em tantos lugares.
E amo a existência por isso, também.
Uno particular
Manhã prima,
Sol sobre a nuvens,
O bafo da chuva ainda se desprende da terra molhada.
A sensação de calor é do tempo
Ou do chá que tomo?
Os quero-quero voam cantando,
Como quem dança,
Como quem agradece a chuva.
Venho testemunhando essa cena em tantos lugares...
Soa como um reflexo no tempo.
Quando percebi pela primeira vez não sei,
Mas onde sim. Posso afirmar que foi na minha terra mãe.
Meu berço materno.
Um dia, creio quando criança percebi...
Deveras foi no primeiro trimestre do ano.
As ervas germinadas no campo.
O carvão enxuto dormindo no chão molhado.
A semente de mucunã germinando lentamente,
Se hidratando na cama de folha da mata,
Mirada pelos caules cinzentos ou marrons...
As vezes, ninadas pelos sapos a dançar e namorar nos tanques sobre xistos.
Uma chave... uma breve memória que renasce enquanto há vida neste corpo, neste ser.
Enquanto existir...
E veja a existência faz sentido em sua história,
Em sua imanência... para além de tudo isso a transcendência.
20/03/26
Qualquer coisa
O tempo que une e que separa,
Tempo que aquece e que esfria,
Tempo que clareia tempo que escurece...
Vai indo...
Vou indo...
As memórias eternas de mamãe.
As memórias eternas de papai.
O fosso que o tempo cria...
Só aumenta o sentimento dolorido de saudades.
Tempo.
Tatu
Minha primeira palavra lida - feliz está Sassá
Ontem, Sassá leu pela primeira vez. E não estava comigo. Ele estava indo com a mãe dele na natação. No caminho viram um buraco com um isolamento e uma placa escrita tatu. Então ele juntou T-A - ta e T-U - tu. Tatu... E a mãe explicou o que era tatu... Ficamos muito felizes e orgulhosos. No caminho da escola ele falou o que era o tatu que era um buraco. A palavra significava um buraco e não o animal. Hoje a mãe dele me falou que ele leu - B O C A - D E N T E - D E D O E BOLA. Achamos um grande avanço, já que está sendo algo natural, sem intenção. Estou muito feliz.
Acidentes da madrugada
A madrugada silenciosa, escura e quente.
Faz a gente despertar.
Desperto a gente fica a pensar.
A gente pensa o que vem na mente.
A gente pensa pensamentos recentes.
Uma tal de heurística da disponibilidade.
A gente pensa aquilo que acende uma memória e um pensamento.
Que a gente cultiva se quiser.
Então, parece que o silêncio em mim me acende o passado, a memória.
A saudade.
Meu filho mudou tudo isso.
A fé e a busca da fé também.
São caminhos, são decisões.
Essa encruzilhada a gente um dia se depara.
Então temos que fazer uma escolha.
O mal de tudo é querer saber qual é a escolha certa.
O silêncio, parece ter o domínio de tudo.
No silêncio, nossa mente parece ficar atemporal.
Sem movimento reina o silêncio.
Então temos vagar nos objetos mentais...
A madrugada é silenciosa.
A madrugada é reflexiva.
Movimento na madrugada, muitas vezes pode ser tragédia...
Duas faces na madrugada cansaço ou vigília e energia...
Duas faces em pessoas diferentes.
Depois de dormir energia,
Trabalho excessivo cansaço.
Essas coisas.
19/03/26
São José
Hoje dia de São José,
Nunca esqueço dos aniversários de Tia Chagas e José Luciano.
Meu avô era um José,
Tenho um tio José,
Tenho um primo José.
Tantos Josés,
Tantos Dedés;
Pai de nosso senhor, Jesus.
São José inspira fé.
São José inspira esperança
De chuva no sertão...
Viva ao Santo amado do nosso sertão...
São José que foi carpinteiro.
São José que foi pai,
Foi marido...
Viva as muitos Josés.
Escondido
Sassá está muito esperto. Começando a fazer coisas as escondidas. Ontem estava usando o apontador para apontar um pincel. Eu reclamei. A dúvida é como educar sem que nossos filhos façam coisas as escondidas? Ele sabia que eu não aprovaria e por isso fez oculto. Também o fez quando estava rasgando uma borracha. Que complicação. A parte isso, nós desenhamos, brincamos e tomamos banho. À noite eu estou morto. Dai ele percebeu e disse que eu podia ir dormir. Então fomos brincar de cabaninha. Não sei o que aconteceu depois.
Natureza do belo
O que é o belo?
Uma bela flor,
Um belo som,
Um belo aroma,
Um belo calor.
O que é a beleza da flor?
O que é a beleza do som?
O que é a beleza do aroma?
O que é a beleza do calor?
A beleza é em si?
O belo é em si?
O belo é belo em si?
Uma flor é bela pela forma, pela cor, pelo odor?
Acaso tem formas, cor ou odor a flor?
Acaso tem calor flor?
O belo é harmonia?
é sinorganização...
Como definir o belo?
É necessário definir aquilo que sentimos intimamente?
A beleza é intuitiva
Ou é racional?
18/03/26
Sapos
Ontem Sassá e eu desenhamos sapos... Eu desenhei sapos coloridos. Ele desenhou uma harpia e sapos também. Desenhar sapo é muito legal. Como havíamos desenhado uma mamba-negra antes, ele queria desenhar, mas não sabia o que... Então pensei sapos. Ele achou engraçado o sapo Pinóquio. Ele desenhou uma perereca verde e laranja, muito bonita por sinal. E foi isso. Sapos.
Impressão floral
Aqui na universidade temos muitas plantas, então segunda-feira, 16 de março de 2026, sai com meus alunos a coletar frutos para a aula. Em frente a biblioteca central foi plantado um baobá. Baobá é famoso creio, por estar descrito no livro Pequeno príncipe de Saint-Exupery. Foi neste livro que soube da existência desta magnífica planta. Numa das passagens o principezinho tem medo que nascesse um baobá no seu pequeno planeta b612. Eu já conheci o baobá pessoalmente em Nísia Floresta no RN; em Recife, e aqui em João Pessoa lá na Bica. E agora aqui na UFPB, de forma que bom o baobá é um conhecido e colega de ambiente. Compartilhar o nosso mundo com baobá é perfeito, conhecê-lo melhor ainda. Uma árvore imensa de folhas lobadas e flores muito grandes. Entretanto conhecer a flor, tocar a flor, cheirar a flor, sentir a flor é outra história. Suas flores enormes pêndulas com longos pedúnculos, cinco sépalas e cinco pétalas da cor de pipoca; poder ver a coluna estaminal conhecida como andróforo, sentir o odor suave de manteiga e provar do néctar foi uma experiência muito interessante. Depois de analisada a flor, esqueci de analisar o ovário. Que coisa. Bom certamente que o principezinho iria amar conhecer a flor do baobá... Eu amei.
Flor do baobá
Uma flor bem grande,
Uma flor bem branca,
Seu pedicelo é bem longo,
Suas pétalas bem carnosas,
Suas sépalas são assimétricas,
Seus estames numerosos,
Que andróforo enorme,
Tem um cheirinho de manteiga,
Tem muito néctar...
Branca como pipoca,
Parece sorrir,
Cheira a queijo de coalho assado...
Foi essa minha primeira vista e minha primeira impressão
Da flor do baobá.
17/03/26
Mamba-negra versus mangusto
Hora de entender
O tempo nos dá,
O tempo nos tira,
Tempo e espaço,
Espaço e tempo,
Aqui e agora,
Agora e aqui,
Ontem, hoje, amanhã.
Ontem são memórias, deveio.
Hoje é ação,
Amanhã divagação, ideal.
O lugar onde nasci continua o mesmo,
Rochas no lugar,
Mata no lugar,
Tem as marcas que a gente faz e a gente sofre.
A gente envelhece sonhando,
E percebe que os sonhos,
Também o tempo consome...
Transferimos nossos sonhos...
Eu não sabia que a felicidade está no agora,
Se sabia desconhecia como eternizar o momento...
Viver é assim aprender com o tempo,
Com o deveio... o devir é um amanhã
Que posso despertar ou não.
O tempo dá
O tempo tira...
E nos somos só sentimentos,
Nada mais.
16/03/26
Um momento impar
A madrugada estava linda.
Estava plenamente escura.
Quando dei fé vi a lua.
E a lua estava crescente,
Aquela meia lua,
Aquela foice no céu,
Lá no nascente,
Crescia amarelo prateada.
Em silêncio,
Plena em sua cena.
Parei e contemplei por poucos segundos.
E pude contemplar o tempo.
Aquela velha metáfora persa,
A lua é o espelho do tempo.
O silêncio e a beleza me fizeram eternizar
Em minha mente,
Um momento impar no universo.
Só isso.
João Paraibano
Ontem assisti a uma entrevista de João Paribano. Foi uma excelente entrevista. Tanto os entrevistadores quanto o entrevistado trouxe novas informações, pessoas e sobre poesia de viola. João de Princesa Isabel. Com uma voz muito peculiar e com versos voltados para a natureza.
A bica
O fim de semana foi agitado. Fomos a Bica e além de tudo que estamos acostumados a ver, encontramos um novo recinto. É natural gostar de coisas novas. Na outra vez havíamos ido a um recinto com tartarugas no meio a mata, perto da lontra. Dessa vez ele quis ir de novo ver as tartarugas orelha vermelha e a tartaruga mordedora. Então encontramos mais um recinto de tartaruga com uma nova tartaruga que desconhecemos. É um bicho intermediário, casco orbicular, achatado e duas estrias claras na cabeça. Ele gostou muito dela, até quis voltar lá. No recinto haviam aráceas, copo de leite florido, exalando um odor maravilhoso. Tinha frutos pão no chão meio passados. E tinha também lama. Foi o ponto ápice do passeio.
Zé o tamamduá estava ativo, caminhando. O emu ulises estava vocalizando. No final. Sassá estava faminto, então fomos almoçar no shoping sul.
15/03/26
Limiar
O silêncio da madrugada me desperta.
A luz tênue da manhã começa a surgir.
Fora canta um sanhaçu,
Um som forte e próximo,
Vou até a sacada.
Voa e o silêncio reina.
Volto a cama sinto o calor da coberta,
Cheiro os cabelos e meu filho.
O tempo, esse pensamento que me perturba,
Vem a minha mente,
Então o espanto...
Vou a rede armada na sala.
Olho através da janela,
Olho meus quadros de uma casinha, mandacarus e macambiras,
Olho para ele e vejo meu sertão.
Um sertanejo no litoral tem que ter sementes de sua terra natal espalhadas na casa...
O tempo avança.
Um carcará pousa na antena do prédio a frente.
Majestoso, vocaliza e arqueia o pescoço.
Repete poucas vezes,
Depois voa...
Onde estou... Perdido no mar de ideias.
Então, vou preparar o café.
E tudo se conclui aqui.
14/03/26
Eterno tempo
Eterno é o tempo,
Eterna é a tarde,
Tarde que cai no horizonte,
No distante poente.
Segundo crepúsculo quente,
Imagens em minha mente,
Distante! no espaço e no tempo.
13/03/26
Zé
Seu Zé,
Toda tarde sai para caminhar.
Quatro horas, facha chuva o faça sol.
Tem um pouco de dificuldade de andar.
É magro e Alto, usa bigode e é sério.
Custou a dá boa tarde, mas já se acostumou.
Seu nome é José Tavares.
Lembrei logo do nome do herbário da rural
Sérgio Tavares.
Transição
Vi a aurora nascendo;
Não sei qual o momento,
Mas vi a aurora despertar,
Tal qual brasa na cinza,
Soprada pelo vento,
A brasa acendendo.
Estava muito escuro!
Em pouco tempo,
A luz foi se acendendo,
Rubra, encarnada.
Fraca, tênue...
Foi se acendendo,
Um convite a reflexão,
Um convite a contemplação,
Um despertar de memória,
Um convite a ver o passado...
Feliz...
Aurora, naquela hora.
Hora ensurdecedora,
Silenciosa...
Fez me olhar no fundo de minha alma,
Em meio e imerso em calma...
Fui fazer o café,
Então o gás acabou.
Na natação
Vento
No vento
Busco um verso,
Algo diverso,
Forte ou lento,
Sopro em deslocamento,
Varrendo o universo,
em movimento transverso
Ar em movimento,
Assim invento,
Quase disperso,
Com sentimento,
O inverso,
do intento,
algo metaverso.
Forma
A forma é a matéria definida.
É o estado terminal da matéria.
A forma pode ser dita.
A matéria é a indefinição da forma.
A substância é a forma e a matéria.
A substância é a totalidade que há.
Forma é ilusão.
Forma é o negativo.
Forma é definição.
Forma é enquadramento,
Forma é o começo da abstração...
Nana rupa - nome e forma.
Um ponto para um pensamento,
Ou a base do pensamento.
12/03/26
Acho que sabe
Ontem, Sassá encontrou um bicho quando saiu para pedalar. Um besouro com garras. Não conheço besouro com garras. Fique curioso. Ele tentou explicar. Até desenhou o mais próximo que me veio a mente foi uma barata d'agua. Tentou me explicar o caminho todo até a escola. Nunca vi. Ama conhecer os bichos. Ama cuidar das plantas. Tudo com muito carinho e amor. A parte isso, ontem brincamos de carrinho também. Depois de cabaninha do papai. Acho que ele entende quando eu quero dormir. Amo demais.
Memória eterna
O vento soprou,
Fazendo as árvores cantarem,
Seu canto é peculiar,
Soa como um chiar.
Esse evento despertou uma doce memória.
Nos fins dos grandes invernos,
A mata florida e enramada,
Quando o vento passava,
levava uma lufada de cheiro,
Um espirro floral,
Sentado em algum lugar na mata,
Em pé a caminhar...
Meu ser parava para contemplar
A natureza divina...
O cheiro das flores
de mucunã, de marmeleiro,
Cheiro do mato...
Ali o vento e a mata despertavam em mim
Eternidade.
Memórias.
Contemplar
O sabiá na aroeira,
nesta manhã tão clara,
Parece contemplar a mãe natureza.
Vai ornando com seu canto,
Dando tom a mais de beleza
A existência!
De qual geração será você seu sabiá.
A quantos milhares de anos aqui está a cantar?
Ou será que veio com a cidade?
Sabe lá.
Canta...
Quintana, o Mário
Esses dias, ao sair de casa vi o livro de Quintana, O Mário!
Todo bom brasileiro letrado já ouviu falar.
Aqueles que não ouviram, meu amigo, precisa conhecer.
Tenho certeza que vai amar como o amo.
Seus sonetos,
Seus pensamentos escritos,
Sua forma de pensar,
Sua sensibilidade é encantadora.
Pensava além da caixa e na forma poética.
Sonetos bem feitos.
Há arte, conhecimento da poesia.
Quintana de Alegrete.
Hei de me inspirar se é que é necessário...
A natureza me provem de tudo
E a arte me dá uma melhor forma de escrever.
Salve Quintana o Mário.
11/03/26
Logo esqueceu
Ontem Sassá quis aguar as plantas e nós aguamos. Depois quis desenhar e desenhamos. Quis brincar e nós brincamos. Nós conversamos, interagimos e vivemos. Sempre que o vejo gosto de dar-lhes um beijo e um abraço. Gosto de saber como ele está. Lembrei que sempre falava como foi o meu dia. Falei que havia ido a mangabeira trocar o óleo do carro. Rapidamente ele me cobrou as carameladas. Sim carameladas são as castanhas carameladas que compro pra ele sempre que vou ao mercado de mangabeira. Disse que não tinha ido lá. Mesmo assim ele queria as carameladas... Logo esqueceu. Criança é assim. Bom demais.
Sede
Na sede tive sede,
Sede de justiça,
Sede de água,
Sede da justiça,
Sede da água.
Essa sede só passou quando bebi água.
Lá na sede da justiça.
Manhã
Manhã tens a beleza da luz dourada,
A muito sois contemplada,
Suave e fresca,
Teu cheiro particular.
Manhã tuas notas,
Tua essência, será tua?
Não seria o frio e frescor
Um presente da noite
Que passou?
Não seriam esse odor,
Um presente noturno.
Manhã, nova manhã...
Não sois apenas uma noite acordada?
O grande encontro
Na mata nasceu a sucupira,
Desmataram a mata e deixaram a sucupira,
Ali virou um estacionamento,
A sucupira ficou na curva de uma via,
Por isso a via se chama curva da sucupira,
A mata virou uma universidade...
A sucupira continua a crescer.
Todos os dias posso contemplar a sucupira imponente,
Seu tronco grosso e casca áspera,
Porta folhes pequenas,
Uma vez por ano fica roxa de flores...
Hoje, um sanhaçu a escolheu para cantar,
Voou até os ramos dela,
Se preparou e cantou...
Cantou um canto belo,
Como é seu canto.
Cantou como se cantasse pela última vez,
Cantou para si?
Cantou para uma amada?
Cantou para mim?
Cantou.
A sucupira se sentiu até feliz.
E o dia seguiu normalmente.
10/03/26
Essência do ser
A aroeira fernanda abriga um sabiá,
Dias da calado,
Dias está cantando,
Canta sabiá,
Seu papo amarelo,
Aberto a cantar,
É tão belo,
é Tão belo...
Vem por outro te ouço a cantar.
Vez por outra está por lá.
Tchau aroeira,
Tchau sabiá...
Qualquer dia alguém parte.
Só não parte a essência agora.
Tela não
Ontem, Sassá saiu da escola, soltou umas palavras engraçadas e brincou com seu amiguinho Ravi.
Conhecemos Ravi quando era bem pequenininho, pós pandemia na praça do Rapaz como a gente costumava falar. Ravi com seu avó Zé. Foi ali, naquela época andando com dificuldade que nos conhecemos.
Ravi foi para a escola primeiro. Seu Zé sofreu primeiro o deixar o neto na escola.
Depois Sassá entrou na escola e no ano seguinte Ravi veio estudar com Sassá.
Se tornaram grandes amigos e nós os pais também.
É muito linda essa relação de amizade.
Quando a gente desperta, percebe que passa muito rápido. Conversando com o pai de uma coleguinha de Sassá, comentávamos isso.
E todo mundo diz isso.
Parece que não, mas é verdade.
Essas crianças preenchem tanto as nossas vidas que nem imagino quem seria se não tivesse ganhado a graça da paternidade.
Cuidado com as telas.
Sassá ganhou uma tela, um tablet sem ao menos ser consultado.
Ontem ficou muito angustiado porque queria ver uma atividade.
Meu coração ficou pequeno e mole.
Não deleguemos a paternidade ao mundo...
A gente vai aos poucos liberando para termos tempo para nós.
Bloqueamos os sentidos de nossos filhos as ricas percepções em detrimento de um sentido...
A abração em detrimento da realidade.
Sassá queria.
Mas a mamãe foi firme e disse que não!
Total apoio.
Foram ler os lindos livros...
Obrigado mamãe por ser tão maravilhosa.
É isso mesmo.
Um pouco de nós
Vida essa multiplicidade absoluta.
Aos vivemos, deixamos algo de nós no mundo.
Absorvemos muito do mundo.
Somos produto dessa interação
do ser com o mundo.
Do mundo com o ser.
Essa relação nos revela o mundo e nós mesmos.
É preciso parar,
É preciso se concentrar,
Parar de querer...
Rever seus hábitos,
Tentar saber quem é você e o que você pretende ser.
Em silêncio
O lugar respeita a manhã.
Tudo é paz e silêncio.
Aos poucos o lugar desperta,
As aves são as primeiras
a despertarem.
Umas gritam,
Outras pulam...
Os grilos cantam no balceiro de ervas.
Silêncio.
As máquinas funcionam sem cansaço,
Piscam cores verdes, vermelhas,
Zunem...
As folhas das árvores parada,
Despertam...
E um novo dia chega.
Em silêncio.
09/03/26
Saudades
Ontem, na igreja pedi que rezassem uma missa em memórias de mamãe. Dia oito, foi o dia que ela se foi. oito de janeiro. Sinto muita falta de papai e mamãe. Apesar de minha esposa e meu filho preencherem minha vida, sinto falta de mamãe. A gente viveu uma vida tão boa juntos. Sinto falta de suas conversas, sua amizade e seu amor. A semana santa está chegando e a gente sempre passava juntos. Com o fim de minha mãe, algumas coisas perderam o significado. Assim é.
Fim de semana
Só isso.
Serena e silenciosa a mata parece se preparar para a chuva.
Uma folha sequer se mexe. Agora aqui está úmido e quente.
Todas as vezes que o tempo está sim é sinal de chuva.
Mas deixe isso pra lá.
Uma cuica grita longe.
Só isso.
08/03/26
A alteridade
Quando algo me agrada o que está acontecendo em meu ser.
Estou compreendendo, concordando. Estou abstraindo?
Tantas coisas me agradaram na vida.
Depois descubro que foi uma paixão, acho que foi uma ilusão.
Agradam-me principalmente coisas trazidas pelos sentidos,
Sabor, odor, forma, combinação de cores...
Porque não tudo isso junto e uma pitada de biologia.
O que acontece com meu espírito ao se deparar com uma fatia de pudim.
Ou quando no alto da juventude um olhar se cruza ao meu e a parte me leva a ver o todo
E algo me é revelado, o belo.
E algo me é revelado, o feio.
Que é o belo e o feio, senão uma condição a qual sou exposto o tempo todo e sou levado a categorizar.
Há biologia por trás destes conceitos?
E os elementos intelectuais, contemplação das ideias?
A fé na razão, na ciência, na manada.
O que é tudo isso, senão uma centrífuga que nos confunde,
Que nos faz confrontar o tempo todo a autoconsciência... o eu e a alteridade.
Essa forma de pensar é natural?
Talvez pareça se não pararmos para ver o todo e não as partes.
07/03/26
O eu
O espaço,
O tempo,
O ser e sua existência,
Um ontem,
Um hoje,
Um amanhã.
Aqui,
Ali,
Acolá,
Agora.
Eterno tempo,
Infinito espaço.
Eu...
Intuição,
Percepção,
Representação,
Ideia.
Minha alma,
Meu lugar primeiro,
Meu espaço e meu tempo depurado,
Causalidade, devir e deveio.
Decisão...
Ontem, Ausência do passageiro,
Hoje, Ausência da existência,
Amanhã... só uma ideia.
Nada mais.
06/03/26
Uma ideia
As quatro aroeiras da biblioteca do CCEN,
As catingueiras do estacionamento,
O juazeiro do bolo de noiva,
A sucupira da curva,
O flamboiant da geociências,
O acoita-cavalo do estacionamento,
Seu Josenildo...
O none do CA da Quimica,
O coqueiro do CCEN...
Coisas que estão ai...
Até quando quem sabe...
Mas estão eternarnizadas,
Um dia serão apenas um texto.
Um dia serão apenas uma ideia.
Questão metafísica
Por que descrever nossas impressões, sensações e percepções?
O que é, é.
O que é pode ser nos impressionar.
O que é existe.
E a existência não basta por si.
Existência é fenômeno.
Mas direcionar um sentido ao belo;
Ao singelo,
As vezes não percebemos na grandiosidade disto.
Por definir o que sentimos intimamente?
Permitido
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As cinzas As cinzas da fogueira de são joão, abrigam calor e brasas, cinzas das chamas que alegram a noite passada. cinzas de uma fogueira f...
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Grande Bach. Suas composições nos aproximam do criador. São tão intensas como o mar ou um céu estrelado. Não tem como não se sentir pequeno...
Gogh