Acumulo sobre a mesa sem querer,
Mas com desejo de possuir,
Sementes,
Livros,
Frutos,
Canetas frases,
Um ima,
Bicicletas,
Fotografias...
Quando vejo está uma desordem ordenada.
Coisas minhas.
Sorria! O riso ilumina a alma e embeleza a vida.
Acumulo sobre a mesa sem querer,
Mas com desejo de possuir,
Sementes,
Livros,
Frutos,
Canetas frases,
Um ima,
Bicicletas,
Fotografias...
Quando vejo está uma desordem ordenada.
Coisas minhas.
A vida é uma dádiva.
Felizes os que vivem e conhecem a sabedoria,
Felizes aqueles que sente todas as fazes da vida,
Felizes os que chegam a ter cabelos brancos, abraçarem seus netos.
Estou rompendo a idade adulta.
E com Deus tudo fica mais suave. Os anos vêem me ensinando essas sabedorias.
Quando era menino! Ah, nesta época Deus me deu um lar, pais e irmãos.
Eu sabia que era amado pelos afagos de minha mãe, pelo carinho de meu pai, pelas amizades de meus irmãos.
O mundo refletia em mim bomdade...
Eu sentia felicidade com as coisas mais simples,
Corrida descalço na areia fria,
O cheiro da flor do caju indicando fartura,
O encontro com as frutas maduras no pé,
As goiabeiras, as pinheiras, as cirigueleiras, os coqueiros...
Papai a prover a casa com seu trabalho,
Mamãe na árdua tarefa de educar, de cuidar de cinco filhos...
Além de cuidar e se preocupar com meus avós Zé e Sinhá.
As galinhas no terreiro pondo ovos para mamãe vender e fazer uma arrumação,
Um chinelo, uma roupa para cada um...
O dinheiro era pouco, mas as necessidades também...
O importante é que nunca ficamos um dia sem ter o comer,
A comida era pouca, mas a natureza ajudava...
Aos poucos vida vai se revelando dura... mas meus pais amenizavam com seu cuidado e amor...
A seca de 1993, me revelou a natureza da natureza de nosso lugar...
Bichos morrendo, água reduzida...
Bem antes, em 1986 as coisas ficaram tão difíceis que as pessoas não podiam comprar café...
E a criatividade imperou, café de milho, café de canavalia...
Mas papai não deixava faltar o café que eu gostava...
Papai não tinha medo de trabalhar, tinha confiança comprava em Chico de Pocídio.
Vendia as castanhas a Ítalo de Sales.
Entendíamos tudo, pois ouvíamos papai com mamãe conversar.
Nossa casa baixa de paredes vazadas...
A noite na cama eles conversavam parece que queriam nos ensinar e a gente escutava e entendia.
E veio as escolas, os colegas e as relações sociais... Aos poucos fui perdendo a ingenuidade,
Aos poucos fui perdendo a felicidade...
As chuvas de inverno...
Os verões secos e falta de água,
As plantas e os bichos ficando escasso...
A descoberta da morte...
A perda da ingenuidade me deram medo de viver.
Mas viver é preciso...
O velório de vovó Chico...
Marcou muito em minha vida...
Papai chegou em casa num taxi chevete amarelo chegou em nossa casa numa tarde de chuva.
Ver papai chorando derreteu meu coração... Tive medo da morte. Fui ao seputamento...
Não vi nada. Lembro do cortejo, o carro de conduzir o corpo... o caixão azul de pano.
A dor cravada em meu coração...
Naquele cortejo vi pela primeira vez o açude de Serrinha grande, Vi uma canoa...
Tive profundo medo daquela que separa a vida.
São fazes da vida...
Depois veio a escola... Dona Livani...
Minha segunda professora Dona Lenita,
Minha terceira professora dona Ceição.
Serrinha do Canto,
Serrinha Grande...
O medo de professora Rivete que me ensinou ciências.
O carinho pelo professor Ledimar,
As histórias maravilhosas do professor Chaguinha...
A ciência enervada na educação foi dando cálcio ao meu entendimento...
As enfermidades de minha mãe pobre sempre com dores...
O coração mole de Rosângela minha irmã amada.
A partida de meu irmão que nunca mais voltou a morar conosco.
A falta de apetite de Lidiana.
O retorno pra casa de Meirinha...
Roberto chegando em nossa casa.
A família de Eliene que saio do lado de nossa casa.
Sua mãe dona Eunice tão humana e generosa... a primeira vez que tomei danone foi ela quem trouxe de Natal.
As idas com mamãe onde ela ia.
Estávamos sempre juntos com um caldeirão de ovos indo para Martins.
Indo ao Sampaio, indo ao Sítio de Fora, indo a Alexandria...
A triste partida para a capital uma felicidade imensa e uma infelicidade...
Doeu saber que papai e mamãe choraram muito.
E tudo isso se passou em nossa casa geminada.
A casa e a casa velha...
E tudo aconteceu em Serrinha do Canto...
Ali foi o palco de minha infância.
Ali tive o primeiro alicerce para vida que levo no peito até hoje.
A fé católica, o novo testamento...
O esforço e suas recompensas
E a principal coisa o amor a família
O amor a vida que renasceu de forma abrasadora com o nascimento de meu filho.
Amém.
No dia que coletamos uma samambaia. No mesmo lugar vi musgos e mostrei para ele. Sassá queria levar para casa. Disse então que traria de onde trabalho, pois tinha muito. Então ele ficou antenado e me cobrou duas vezes. Ontem então levei para ele os desejados musgos. Ficou muito feliz quando viu o material. Foi correndo plantar nos jarros da sacada. Fico muito contente pelo seu interesse por plantas. Afinal as plantas saber de plantas paga meu salário.
No terreiro da minha casa
Tinha pinheira e coqueiro,
Ciriguela e cajueiro...
Cresci vendo a importância da água
Para a produção das frutas maravilhosas.
O coqueiro usava a água do banheiro.
As outras plantas tinham que se virar.
Seca danada, inverno fraco,
Coitadas...
Os cajueiros morreram de sede.
As pinheiras e idosas
E as ciriguelas estão ai para contar história.
Esses seres foram meus amigos,
Confidentes e parceiros.
Deram-me seus frutos...
Deram-me sua beleza,
Deram-me o perfume de suas flores.
Coco com cuzcuz que delicia,
Coco com rapadura.
Caju e pinha docinhos...
Ciriguela verde e vermelhinha...
Estão tão sozinhas
Tadinhas...
A razão de ser as vezes se vai
Com o fim da vida...
Martins e serrinha dos Pintos hoje são municípios diferentes. Antes de 1993 Serrinha era um distrito de Martins e Serrinha do Canto pertencia a Martins, agora com a divisão parte de Serrinha do Canto pertence a Martins e a outra parte pertence a Serrinha dos Pintos. Serrinha do Canto Virou Bairro. Ali um povoado que existia e ainda existe é o chamado Parieiro.
O Parieiro era onde estava a primeira igreja de Serrinha do Canto a Igreja Batista. Ali existia e ainda existe uma bifuração, uma encruzilhada que seguindo pela direita chega ao Barro Vermelho, a Grugueia, ao Sampaio e a Serrinha Grande como era chamada a cidade antes; já seguindo pela esquerda ia para Serrinha do Canto, Vertentes e Serrinha Grande.
Naquela encruzilhada havia uma venda... uma budega. A bodega de Laércio Raulino. Sem dúvida ali, foi o palco de diversos acontecimentos importantes, pois era a única venda de Serrinha do Canto. Lugares onde agrupam pessoas são palcos de diferentes eventos.
Na budega se davam vários encontros.
Tinham aqueles que vinha comprar mantimentos, aqueles que passavam para tomar uma cachaça, tinham aqueles que iam conversar com seu Laércio.
Que saudades de minha mãe.
Faz falta nossas conversas,
Faz falta nossos abraços e cheiros.
Faz falta sua presença orientadora em minha vida.
Faz falta seu cuidado, suas orações e orientações direcionando meus caminhos.
Ah! Mamãe nem tenho ou terei como agradecer por tudo que me deu...
Gerou-me, amou-me...
Sou o que sou por ti.
Iluminda esteja na eternidade.
Te amo mamãe Didi.
O desvelar da manhã
Nublada, fria.
Sem vento...
Mata silenciosa.
Choverá?
A luz branca alumia os objetos sobre a mesa.
O rádio inicia a torcar Gimnopedias de Erick Satier.
Uma sensação boa de gratidão
Preenche minha alma.
Uma vez lá na infância,
Quando morava em Serrinha do Canto,
Papai fez uma faxina para a hora,
Onde plantamos coentro e cebolinha.
Veio o inverno e do lado nasceu uma planta.
Não era qualquer planta era um pé de bucha.
Cresceu rápida e silenciosamente.
Cresceu e se pendurou nas varas da faxina.
Então daqueles ramos verdes
Uma flor grande e amarela apareceu...
E outra e outra... Ai vi pela primeira vez
Uma flor de bucha...
Depois vieram os frutos que usei para fazer bois e vacas.
Enchi meu curralzinho sob a pinheira de vacas.
Mamãe nem se incomodou.
Depois as buchas secaram.
O inverno se foi e usamos as buchas nos banhos.
Foi isso,
Algo em mim me faz crer
Que expressar o meu sentimento
Vai me fazer bem,
Talvez alguém por ai sinta o mesmo que sinto.
Vontade de se eternizar.
Será uma alienação da mente...
Tenho me encantado na poesia popular.
Algo muito particular
Que responde meus sentimentos,
Resgata minhas memórias.
Sabe minha terra natal tem duas faces.
Uma é árida a outra é úmida.
Uma é cinza a outra é verde.
Uma é florida,
A outra é vegetativa...
Uma plantas despertas,
Na outra as mesmas plantas estão quiscentes...
E nós estamos ali,
Em ambas as faces...
Avaliando, vivendo, sendo...
Ser eis o milagre da vida,
O ser na existência,
Ou a existência no ser...
A mente no corpo ou o corpo na mente.
A terra molhada é diferente.
Da terra seca...
É a mesma terra?
Serei o mesmo?
Que sei das duas faces?
Não sei...
Mas desconfio de algo.
Sassá está com muita energia. Vejo a hora a mãe dele perder as estribeiras. Mas é boa mãe. Pula pela casa, grita, pisa forte e brinca muito. Tem uma imaginação criativa. Está cheio de vontades próprias. Selecionando os alimentos, o que quer fazer... e uma das coisas que mais gosta de fazer e implicar com a mãe. Chega a ser engraçado... dá trabalho para ir tomar banho, escovar os dentes, pentear o cabelo. Nessa idade, não inventamos a roda. Todos os meninos são iguais... dinâmicos, ágeis e divertido... Ontem queria ser o primeiro a chegar na escola. Disse que só Florisberto chega primeiro. Chegamos primeiro, mas como estava neblinando. Não fomos os primeiros a chegar no portão. A vontade não era apenas dele. Logo chegou Rivaldo e Milano e saíram correndo. Ai ai. No salão da escola tome correria e a coordenadora chamando atenção.
Chove fininho,
Chove devagarinho,
A mata molhada,
Goteja levemente,
Pingo a pingo escorrendo,
Água na calha escorrendo,
Chiando...
Folhas simples,
Folhas compostas molhadas...
Pingando,
Aumentando a chuva...
O som mudo dos pingos nas folhas...
Esporos espalhados.
Ouço tudo isso.
Pela janela transparente e frio vidro,
Deixa-me ver a chuva mansa...
Na cabeça de um poste,
Pousado e está
Um urubu de cabeça vermelha.
Parece mais confortável
De luz branca...
É bonito de ver a chuva,
E essa bela ave.
Mais nada
Tenho memórias guardadas e mim
Que nem mesmo imagino que tenho.
Memórias vividas, vividas.
Memórias de lugares, de acontecimentos,
Memórias que jamais serão despertas.
Algumas coisas são impares na vida.
E o cérebro as guarda no formato de memórias.
Tenho memórias vivas em mim.
Que os lugares,
Que os acontecimentos,
Que as situações me deram...
Estão adormecidas...
Qualquer dia as desperto.
Enquanto estou desperto.
Guardo esta memória de memória.
Emboás são cheio de pernas,
Emboás tem exoesqueleto,
Emboás são lineares.
Emboás são segmentados,
Às vezes bicolores,
Às vezes unicolores.
Emboás tem duas antenas.
Quando enredados,
Os Emboás se envolvem em espiral.
Quando está seca a paisagem,
Emboás se escondem.
Acho que as vezes sou um emboá...
Ou minha mente me tornou um emboá.
Talvez...
Ontem Sassá estava muito inspirado e concentrado. Com os isopors de um eletrodomestico que compramos entalhou com seu cinzel um peixe lanterna e um esquilo. Trabalhou com afinco sua escultura. A sala ficou cheia de pedacinhos de isoopor, mas ele responsavelmente, varreu e apanhou com a pá. Ele me pediu ajuda e o ajudei. Foi um momento de concentração plena.
A patativa canta sozinha,
Canta acompanhada,
Canta muito esse passarinho,
Tão pequenino, de bico arqueado e fino,
Com sobrancelha, arqueada,
E olhinho redondinho,
Seu papinho bem amarelinho...
De perninhas bem fininhas,
Mas sua voz,
Mas o som que vem do seu peito...
Impõe mesmo respeito,
De beleza e altura...
Não importa sua finura...
Eita passarinho pra cantar...
Encontrando a namorada,
A pinha madura... coisas mais.
A aula foi enriquecida com os objetos de estudo.
Selecionei uma cavalinha, uma selaginela, uma samambaia de folha lobada e uma samambaia nefrolepis.
Foi questionado sobre a presença de raiz, caule, folhas e estruturas reprodutivas.
Falou-se sobre tipos de caule, tipos de folhas e de estruturas reprodutivas.
As respostas foram positivas.
Gerou-se várias dúvidas.
Vou construindo meu mundo.
Somo a subjetividade com a objetividade.
Meu entorno percebido,
Meu entorno absorvido.
Eu me derramo,
Objetivo minhas vontades...
O concreto é a face primeira do ser, da existência.
Essas coisas.
Sassá ganhou um caderno de Bob good. Ganhou canetas.
Ganhou também um caderno de pintar de dinossauros.
Foi interessante ver o empenho dele para pintar os dinossauros.
Aproximou-se muito das Feras. Na Livraria leitura até quis ganhar um livro de dinos.
Então sexta-feira, feriado e chuvoso ele resolveu pintar os Bobgods dele.
Como estava por perto fui ajudar. Não curtiu muito.
Me deixou pintar os dinossauros, mas os bobs.
Fiz uma sobrancelha em tibrúrsio o urso... Ele falou não papai... Bobgods são bonzinhos não são maus.
Coisas da cabeça dele.
Ontem não me deixou pintar o Bob. Então fui pintar.
Ele foi pinta também e pintou camaleões.
Dai saímos para caminhar. Como prometi um sorvete foi muito ágil... Fomos conversando, mas ele tinha um foto doce no fim.
Digo que Sorvete faz mal. Então ele disse e o que podemos fazer para tirar esse mal. Falei atividade física. Bom após chegamos na Praça do Rapaz e ele correu muito... Disse que era para tirar o mal do sorvete.
Essas coisas como ele diz.
Uma tempestade de ideias cai na terra.
Grande parte é absorvida pela terra,
E faz germinar e brotar ideias adormecidas.
Quando a terra fica saturada,
Então as ideias seguem os sulcos, como veios
Onde as ideias vão descendo rio abaixo
Em direção ao grande oceano...
Onde tudo começa.
Maio nasceu fértil,
Nasceu iluminado pela lua cheia,
Nasceu molhado pela chuva matinal,
Nasceu ao som dos grilos no mato florido,
Nasceu enquanto cantava a roxinó, a patativa.
Quando despertei...
Lembrei que maio é o mês das mães.
Senti falta de mamãe.
Porque olhei através da memória
Meu passado,
Lá em Serrinha minha amada terrinha...
Nos maios férteis que vivemos...
A fartura garantida nos dava conforto,
Nos dava felicidade... Salvo que felicidade é se sentir bem, satisfeito com o que se tem para comer,
Esperançoso de coisas boas.
A vaca com cria nova e muito leite,
Feijão verde na panela,
Pinha alvinha e docinha na furna,
Melancia vermelhinha trazida do roçado,
Amarelas e perfumadas cajaranas...
Água na cisterna e nos tanques,
Paisagens verdes pra olhar,
As cores perfumadas das flores,
Flores docinhas como as juremas,
Flores das jitiranas, rosadas, azuladas, amareladas e alvinhas...
A goiabera florida,
As abelhas zunindo nas floras...
Água escorrendo nos riachos e caminhos...
Maio! Que paraíso...
Á noite íamos as novenas ouvirmos os sermões e ladainhas...
Chiquinho de Raimundo mora pregando...
Papai e mamãe nos ensinava com suas fés...
Nós bebíamos a Serrinha...
As primeiras lições com Lenita e Livani...
Meus amigos de infância.
A descoberta de um mundo simples...
Não sabia o que era problema, dinheiro...
Tudo era proporcionar nosso bem estar.
Os confeitos nas bodegas e brinquedos
Era tudo que precisava para a plenitude da felicidade.
Nossos pais... eram mais novos do que sou agora...
E isso chega a dar um nó na garganta com cinco filhos eram maios fortes do que sou.
Maio! Mãe...
Volto ao agora!
Sinto uma saudade doce daquele tempo.
A vida no campo,
O inverno...
A serrinha.
Meus pais.
Tudo que não tenho hoje.
Hoje tenho tudo que desejava,
Melhor do que imaginava...
Uma coisa aconteceu...
Uma coisa excelente... Compreendi a fé dos meus bisavós, avós e pais...
Compreendi que o tempo passa, por experiência...
Tudo que sou começou na crença de meus pais nos ensinado os princípios da ética...
Maio! Maio! Maio...
Mês das flores, mês das mães... de Nossa senhora a flor maior
Que gerou nosso salvador,
Que nos ensinou a nos salvar...
Maio das mimosas...
Da terra molhada...
Da esperança que desperta cada dia nos peitos que pelo mundo bate...
Maio memória de minhas avós, de minha mãe...
Recebo maio com o meu peito florido.
Mais nada.
Ontem Sassá ficou muito triste porque não pode levar uma melancia para casa. Fez birra. Na hora, fomos enérgicos. Mas o fato é que sempre levamos melancia. Na hora achei pedagógico. Depois, refleti. Ele sabe o que podemos e não podemos comprar e melancia, sempre compramos. Fiquei com um peso na consciência. Mas Saindo do mercado ele falou, a gente compra amanhã né pai, no Bem mais caro. Concordei e ele aceitou. É muito bom poder dar o que meu filho quer, mas as vezes a gente tem que mostrar que existe um limite. Dizíamos na semana que vem a gente compra e ele argumentava que era "Longe". Meu filho... Como você me fez ser uma pessoa melhor. Como a vida hoje, só faz sentido sem você. Não tenho nada Sassá. Tudo que é meu é seu. Só quero que seja muito feliz. De vez enquanto a gente vai sofrer, mas é uma forma de adaptação, de aprendizagem...
Filho nosso coração foi dividido,
E em ti somado, num vente vai ser gerado,
Você vai ser o mais amado...
Do ser ao existir, tudo acontece nessa hora,
Em que dois corações aceleram,
Uma semente plantada,
Uma vida fecundada...
Uma potência a ser definida,
Que vai ti ensinar o que é a vida...
Esse intervalo de existência...
Em 2021 fui ao mercado de artesanato de Tambaú.
Lá vi inúmeras coisas, mas gostei uma toalha com o sol e uma casa amarela do sertão.
Comprei, mas como estava desapegado, presenteamos a mesma para mãe de minha esposa.
Depois comprei mais duas com a mesma imagem. Uma tem a casa azul e outra vermelha.
O seu Marcos de quem adquiri me disse que foi entalhada por seu Dedé, provavelmente seu nome é José.
Outra vez fui ao mercado e seu Marcos falou que seu Dedé não está mais trabalhando.
Por que duas talhas?
Uma é vermelha para mim, o vermelho representa dia, calor, proximidade... Dá para ver melhor os detalhes.
A outra é azul e para mim, o azul representa noite, frio, distância... os detalhes não são tão bem vistos.
Mas as talhas estão aqui representando meu sertão que fica norte da casa.
Uma mão,
Um pensamento,
Uma ação,
Materialização,
Um texto...
A mão expressando um pensamento.
Argumentos,
Contraposição,
Justaposição,
Síntese...
Em algum lugar
Uma poesia sento
Gerada,
Falada...
Coisas da razão.
Sassá criou um super jaguar. Após falar com ele a respeito de uma sussuarana que foi matada na cidade de Martins. Ele começou a falar de um jaguar enorme. Muito potente. Que foi visto em 1960. Ficou tão empolgado falando deste bicho... É maravilhosa sua mente inventiva.
Ontem Sassá soletrou sozinho a palavra TE-SOU-RA..., conseguiu ainda soletrar outras palavras. Fiquei impressionado e muito satisfeito. A gente vem exercitando a matemática também. Comprei um livro de joguinhos no sábado e ele adora. Tem um dado, fichas e um percurso que avança com o número que sai no dado. Queria muito que eu visse os olhos de camaleões que colocou no aquário de apuleu seu peixe. Olhos de camaleões são conchinhas que encontramos na praia. Parece mesmo. Ele pesquisou sobre o caranguejo heremita e ai chegou as conchas. Lembrou que tínhamos quatro. Enfim hoje vou ver. E assim segue.
A noite inteira choveu,
Houve relâmpagos,
Houve trovão...
Muita água escoando pelas ruas.
A casa com infiltração,
A casa com goteira...
Pensei na aflição dos pobres
De casas simples.
Casas frágeis.
Senti uma profunda empatia.
O que para uns é fonte de alegria,
Para outros é fonte de preocupação,
Medo e de dor.
Até mesmo uma chuva
revela os dramas da vida.
Os dramas da vida são assim cotidianos.
Os dramas da vida são diretos, intuitivos.
A vida em si é uma luta com a realidade,
Um choque com afetos e desafetos.
Sai de casa, fui ao quarto,
Meu filho e minha esposa dormiam profundamente.
A chuva não os incomodava.
Dei um beijo e um cheiro na cabeça dos dois,
Pra guardar na minha alma,
Meu maior tesouro...
Gostaria que todos pudessem guardar
Bem seus tesouros...
Chuva não seja cruel com os pobrezinhos,
Vida ajude-os.
Deus fortaleça-os.
Chuva...
Vi a roça de milho,
Estava todo pendoado,
Bonecas de cabelo rosado,
O cheiro da florada,
O som do milho,
Som do vento cantando na folha...
As raízes adventícias.
Senti a presença de meu pai...
E a saudade preencheu o meu peito.
A gente junto na roça...
Foram tantas vezes maravilhosas...
Só felicidade!
Inverno, pasto, leite, milho, pamonha...
Só coisa boa.
Andei no roçado,
O milho pendoado,
O cheiro da floração,
O milho viçoso...
Meu coração
Ficou bem apertado,
Saudade de meu agricultor,
Que de botas brancas
Me mostrava com orgulho,
O produto de seu trabalho...
Explicava cada momento,
Que trabalhava em silêncio...
Nosso encontro no roçado,
Era algo sagrado...
Quanto amor...
Entre nós...
E os milharais.
Meu pai,
Me ensinou a cultivar a vida.
Como sinto sua partida.
E o milharal, e a mata
E o inverno,
E nossa terra...
Nosso eterno laço.
Amaria te dar um abraço...
Mas, ai...
São só saudades.
Um domingo no passado, estava muito feliz. Meus avós eram velhinhos. Meu tio Raimundo havia vindo de Natal. Estava feliz porque ia ver ele, sua esposa Tereza e seu filho Aquiles. A gente sentia felicidade em conhecer aqueles parentes que não conhecemos. Só o conhecia pelos retratos. Nem lembro de muita coisa. Lembro de uma câmera fotográfica e um carro, acho que era um gol GTI. Lembro da felicidade que estava naquela casa. A casa onde minha mãe cresceu. Era época de inverno. Lembro da alegria de meu avó. Lembro da felicidade dos vizinhos que passavam falando do doutor Teixeira. Zequinha, Antônio de Chiquinho... A dificuldade que vovô passava, Meire ajudando a vovô. Mamãe De Assis feliz conversando com Terezinha. As coisas trancadas no quarto intocável de vovô Sinhá. Então, ali na frente tio fez algumas fotos nossas. E contando histórias...
Contou de uma disputa entre dois cantadores.
Tio tinha uma voz muito forte, orgulhosa e rompante. Falava alto para ser ouvido ou para se mostrar.
Então ele contou que dois cantadores cantaram assun:
A. Eu sou jiquitiranaboia,
Besouro do piauí,
Quando prego meu ferrão,
O sangue começa a cair.
B. Tu não és juiquitiranaboia,
Besouro do piauí,
Tu és um rola-bosta qualquer
Besouro besta daqui...
Rimos muito e aquele dia foi memorável.
Amanheceu,
Uma influenza me influencia.
O corre reage,
O corpo responde.
A luz é quente,
O vento é frio.
Uma sensação toma conta de mim.
Uma janela fica aberta...
Deixando entrar algo que me faz matutante,
Sobre coisas tristes...
Mostrando a outra face de viver
Além das memórias.
A realidade mostra que a chuva traz
Muita vida,
E os vírus vem junto...
E a vida se mostra real cada dia...
É preciso ser forte e lutar.
Um dia desperto,
Desperto para o mundo.
A realidade trata de negar minha vontade.
Por defeito ou não de ser quero a eternidade, quero o infinito.
O tempo vai se desvelando,
E um dia desperto.
A natureza me ensinou a amar o belo e o bom,
Não me explicou que há um absoluto,
Que e há o feio e o ruim...
Entretanto a raiz estava ali...
Só há belo porque há feio... é uma escala?
Só existe bom porque há ruim...
Não seria algo totalmente subjetivo?
Não seria a raiz do ego, do eu, do self?
Tantos conceitos, tantas palavras para a mesma coisa.
Ai mora a humanidade?
A humanidade é racional?
Produto da memória?
Não sei, mas...
A chuva,
A chuva molha a mata,
A chuva molha o solo.
A chuva desperta a vida,
A chuva enxarca tudo,
Faz os ramos brotar,
Faz a semente e esporo germinar.
A chuva faz os ovos eclodirem,
Os bichos aparecerem...
Insetos voarem,
Sapos cantarem...
A chuva passageira,
Uma breve estação,
Faz a vida reproduzir...
E a natureza continuar.
Enquanto chove lá fora,
Aqui dentro uma vela acendo,
E ouço a chuva chovendo,
Perco então a noção da hora.
A luz laranja da vela,
Alumia com calma,
Preenchendo a minha alma,
A branca cera dela,
E o branco cordão,
Alumia clareando,
E o sol vai imitando...
O espaço aqui,
A hora agora,
O eu e essa mistura de coisas.
Ontem na fazenda, antes de voltar a rotina. Acordei Sassá. Então a mãe queria que ele tomasse leite da vaca no curral. Seu Dedé arreou Realiza e tirou uma caneca de leite quentinho que Sassá passou pra dentro. Tomou meia caneca. Depois tomou outra. Sassá adora leite, desde que seja natural. Enquanto estávamos na fazenda ele tomava quase um litro todos os dias. Se divertiu muito com a galega Ana Alice. Pularam, correram, brincaram, dançaram e muito mais. Foi excelente esses dias na fazenda. Vimos mais aves que bichos. Viu e manuseou um pequeno sapinho. Perdeu o medo e brincou com a cachorrinha nina. Brincou com a gata grete... Essas coisas.
22.4.2026 - 8-3-1946
Nossa vizinha Hiula de Dequin partiu ontem. A voz de Hiula era muito peculiar, meio rouca mas muito forte. Moravam em Serrinha do Canto. Ali, do lado de Mudinho e Zuleide sua irmã. A gente passava e as vezes ela parava a gente para conversar. Casada com Dequinho. Os vi pela última vez na casa onde eles viveram a vida toda. Papai era muito amigo de Dequinho. Então as vezes passava lá e conversava até perder o tempo. Hiula era irmã de Odalea de Chico de Vicente Joana e de Zuleide de totô. Eram filhas de Vicente de Arcanja. Era evangélica.
Serrinha do Canto daquele tempo não é mais.
Acordei e não dormi mais na madruga. O escuro, o calor do quarto e o frio do ventilador, a muriçoca... Minha mente desgovernada.
Pensa poesia, versos... Belos versos, achados no escuro da madrugada, nascido do dia anterior vivido.
A estrada de terra branca. A vegetação enramada. As Sennas e catingueiras amarelas. As baraúnas mortas, os abrejos com água e aguapé. As rochas escoradas na beira da estrada. A sensação de eternidade.
A siriema cantando, o papagaio gritando, o cheiro do marmeleiro.
Vinícius, Ana Alice e Daniel. A interação, a curiosidade no mundo desconhecido da mata verde. Um emboar... Risos de felicidade. A tarde caindo... Memorável momento. Subir e passar a cancela azul francesa... Recomeço.
O momento de início e fim.
Cresci numa terra seca,
De longos dias ensolarados.
De noites por vezes enluarada,
Por vezes estrelada,
Quase nunca nublada,
Cresci com o aboio do gado,
Sentindo o pelo a cavalo,
Cada vaca tinha seu nome,
Cada vaca tinha sua individualidade.
O curral ficava ao redor de casa.
Cresci com o meu cachorro leão,
Cresci com bixano o meu gato.
No terreiro vivam as galinhas,
Vermelhas, pretas, pedreses e pereocas,
O galo era cristado e esporado.
Cantava sempre pra manhã nascer.
Cresci e não dei conta de tudo isso.
Fui filha,
Fui moça,
Sou mulher,
Fui professora
Sou mãe e poetisa.
Não tinha tempo vago.
Viver sempre foi trabalhar, na escola e no lar.
Meu marido é uma benção.
Sempre com um riso no rosto.
Meu companheiro, meu amigo, meu confidente e o pai dos meus filhos.
Um bom pai, um excelente avô.
A vida nunca foi fácil,
Mas foi maravilhosa.
Sol, chuva, dia e noite.
Um a um, os anos passaram e a vida
Me fez forte e resistente.
Nasci num lugar seco.
Quase sempre estrelado,
Fui regada e dei flores.
Dividi o meu saber,
Multipliquei o amor.
Agora, depois de tanta coisa vivida.
Tenho saudades de tudo que vivi.
Mas a vida continua, meus filhos assumiram a lida da vida.
Cresci, reproduzi e dividi meu amor,
Multipliquei amizade.
Dei sentido a realidade.
E o resto não importa mais porque é resto,
Nove fora nada.
A beleza não é embelezada,
A pálida luz fria da manhã,
A brisa fresca e perfumada,
Chão frio de cimento,
Na areia do riacho,
Tempo
Os currais do tempo dos nossos avós, do tempo dos nossos pais.A mata não fala,
A mata não canta,
Mas a mata encanta,
E a mata é perfumada,
Oras inerme, ora armada.
Na mata mora
Os grandes trovadores...
A bicharada empenada,
Que canta e canta de graça,
Não é uma graça...
As vozes da mata
São de tanta beleza,
Em ordem de cores,
Em ordem de sons,
Em ordem de alma
Que a gente fica encantado...
Acumulo sobre a mesa sem querer, Mas com desejo de possuir, Sementes, Livros, Frutos, Canetas frases, Um ima, Bicicletas, Fotografias... Qu...