Amarelo cravo,
Amarelo girassol,
Amarelo banana,
Amarelo ovo,
Amarelo óleo
Amarelo queijo,
Em cada tom
Um aroma,
Em cada aroma uma memória
Viva.
Sorria! O riso ilumina a alma e embeleza a vida.
Amarelo cravo,
Amarelo girassol,
Amarelo banana,
Amarelo ovo,
Amarelo óleo
Amarelo queijo,
Em cada tom
Um aroma,
Em cada aroma uma memória
Viva.
Nos dias vividos tantas coisas boas aconteceram...
O amor de mamãe e papai.
A fraternidade de meus irmãos.
A comida preparada.
A saúde.
As lutas diárias.
Coisas dolorosas também, mas soma-se menos.
Viver,
Enfrentar a existência
com consciência.
Descobri que tudo tem um fim.
Descobri que tudo um dia se desfaz.
Que quem amamos morre,
Nos atormenta.
Essa terrível sensação de que pode ser o fim amanhã ou de imediato.
Ah, perversa angústia.
Pai, mãe...
Daí-me força.
Daí-me fé...
Ontem numa livraria, vi várias versões da bíblia, então pensei que poderia me isolar e ter uma vida em paz. No mesmo instante recordei de uma casa que existia na curva que chegava no nosso povoado. Era uma casa de taipa. Era uma casa muito deteriorada, não haviam casas de taipa no povoado, senão aquela. As paredes de barro e madeira. E quem morava ali era uma família de pobres, casa de Maria e João e sete filhos. João era barbeiro e Maria cuidava de tudo. Aparentemente tudo era escasso. Não havia nenhum programa do estado e eles sofriam, não tinham nem um jegue que era essencial para pegar água. Que vida dura a de Maria e seus filhos. Mas Maria tinha fé em Deus. Na casa não tinha móveis, não tinha banheiro... Ali havia uma bíblia que Maria lia com muita fé. Os filhos cresceram e João e Maria se foram e já não existe casa. Maria era Evangélica, mas não frequentava a igreja do lugar. Pobre Maria, pobre família.
A bíblia foi sua consolação.
Em setembro,
Na minha terra natal,
A mata fica despida,
O vento sopra do nordeste,
Em setembro,
Lá em Serrinha,
Podemos ouvir
Quando a difusora anuncia,
Um chamado para a festa,
Festa da padroeira,
Festa de Nossa senhora da Salete...
Posso ouvir,
Mesmo morando em outro lugar.
Em setembro,
Nosso sítio cheira a flor de cajueiro,
As mangueiras também floram...
A esperança de boa safra já me faz sentir feliz.
Em setembro,
A gente espera pelo outubro,
Pelo dia das crianças,
Pelo dia de são Francisco,
Pelo aniversário de mamãe...
Que continuará eternamente sendo minha mãe,
E aniversariando no dia dez do dez...
Em setembro,
É tão quente e radiante,
Longe canta o joão de barro,
A casaca de couro...
O vento sopra entre os garranchos cinzas da caatinga...
É tão lindo ver a aroeira florida,
Imperosa aroeira,
De onde o sabiá costuma cantar.
A carnaúba suas folhas ao vento saculeja,
O angico se cobre de flores...
Estamos em setembro na grande estação do verão.
É tão bom,
É tão bonito...
E outubro segue o mesmo rítmo,
E em novembro,
Celebramos nossa união com a eternidade,
Vamos visitar nossos finados,
E vemos a missa do cemitério,
Onde o sol se põe ali,
Rodeado ao norte por chapada...
Logo chega dezembro,
E a gente percebe...
O que é importante,
O que é belo,
O que é finito,
O que é a vida.
Ontem, quando cheguei para almoçar, Sassá estava interessando em cavernas. Veio me falar de estalactites e estalagmites. Ficou interessado em saber quais eram os animais das cavernas e indo para escola já planejou que quando voltássemos da escola iriamos desenhar coisas de cavernas. Conversamos sobre as cavernas. Ele se lembrou que entrou numa caverna artificial no museu Câmara Cascudo em Natal. Falei da caverna de Pedra em Martins. Que iria levar ele lá no fim do ano. À tarde, depois de aguoar as plantas fomos desenhar. Ele quis saber como eram os homens das cavernas... Desenhamos, jogamos futebol. Depois ficou curioso a despeito das constelações... falou ursa grande... é ursa maior...
Foi um dia maravilhoso.
O verão chegou,
Sol, luz intensa e muito calor.
A mata muda a roupa,
Dos ramos folhas nascem encarnadas,
Depois crescem fortes e viridescentes.
A passarada canta encantada,
O sol clareia o verde da mata.
As rolinhas cantam assoviando.
E o tempo vai passando,
E a gente nem repara.
Como é bela a natureza.
Que lindeza é ouvir esta cantarolada dos passarinhos.
Patativas e sanhaçus,
Cantando sem parar...
Numa algazarra que parece ser alegria.
Além de tudo parece uma sinfonia.
Cantam por ter muito alimento?
Mas não vejo nenhuma fruteira com frutos maduros...
Vejo que pouco sei sobre pássaros.
Ontem, Sassá fez um aquário com três peixes na escola.
Ganhou seis sapos, de papel.
Saiu radiante e feliz.
Se aborreceu porque não consegui encaixar as mãozinhas dos sapos.
Ele me ajudou a regar as plantas.
Uma delas estava no fim da florada,
Era a lança de ogum.
Chamei-o para sentir aquele perfume.
Ele foi, cheirou e sorriu.
Depois subimos...
E brincamos coisas da hotwheels que ele não quer mais que eu narre.
Uma nova fase...
Os raios do sol,
Eternos raios,
Fonte inesgotável e infinita,
Coroado pelo tempo,
Coroado no espaço.
Sol,
Que ocupa um espaço no espaço,
E que dança sem parar,
Gira no mesmo lugar,
Gira em outro lugar...
Corona heliocentrica,
Corona heliocentrifuga,
Fonte infinita de hélio,
Supremos do sistema solar...
Que em tudo está,
Que tudo é fonte...
Nas sombras que a noite oculta,
O pavio de uma lamaparina pode alumiar,
E os raios celestes
Ali deve está...
Eternidade que se encontra no dia,
Eternidade que se encontra no agora...
Que tem várias faces...
Apolíneas...
Originais,
Um círculo,
Uma coroa de raios.
Uma representação...
Um compasso...
O tempo.
O espaço...
E este turbilhão de ideias,
Numa só,
No sol.
Tempo e espaço,
Faces distintas
Duma unidade,
Sempre se opondo,
Sua existência,
Reação,
Negação...
Espaço sem tempo,
Tempo sem espaço...
Pura negação.
Sem tempo não há desolocamento,
Sem deslocamento o que é o espaço?
Pura abstração...
Nesta semana iniciada,
Aqui no meu cantinho,
Aconchegante como um ninho,
Que delicia é ouvir,
O canto da passarada,
Patativa a cantar,
Aqui, ali e aculá,
Mas parece uma sinfonia,
Como me enche de alegria,
Esse sibitizinho a cantar...
Ai vem o silêncio,
Que ouvi a vida inteira...
Esse silêncio sou eu?
Vivo em outro tempo.
Tempo distante da minha simplicidade.
Distante de setembros passados,
Onde minha preocupação era em trazer água pra casa,
Cuidar do burro
E cuidar das notas.
Sem muita responsabilidade.
Eu não era eu,
Eu era nós...
Eu era meus pais, meus irmãos e nossos bichos e nossa casa.
Faz um bom tempo que fui umidade múltipla.
Voltei a unidade múltipla,
Mas com a responsabilidade da paternidade e de marido.
Hoje vou a igreja, vou ao trabalho e vou ao mercado,
E pago as contas...
As coisas mudaram por aqui,
Fiquei pesado...
Ainda bem que estou dando conta até agora.
É preciso valorizar tudo isso.
É preciso mostrar o que são valores...
E assim ter uma consciência leve.
Sutil flor de cardeiro,
Que floresce num corpo amarado,
Um corpo de espinho coroado,
Em meio as rosetas fios de seda
O de algodão,
Oram lembra a paixão.
Em meio ao sol quente,
Em meio ao solo torrado,
Cresce bravo o cardeiro,
Sem reclamar...
Após o intenso verão,
Quando muda a estação,
Em meio as rosetas,
Nasce um botão,
Floresce a flor alva,
Suave e macia,
Não dura um dia...
Floresce para si,
Floresce para a natureza,
Floresce para alimentar,
O bicho que vier li provar...
Em meio aos espinhos,
Há sentimentos,
Em meio a hostilidade há esperança,
E num momento de mudança,
A realidade se mostra maior...
Será o cardeiro
Um coração espinhado...
Vou e volto
Vou para longe,
Volto de longe,
Quero está perto,
Perto de que?
Perto de onde?
Do meu eixo.
Onde está o meu eixo?
Incerto.
Às vezes penso que está onde nasci.
Antes, no passado achava que estava longe dali,
Antes achava que estava no saber,
Estava na razão,
Mas era conduzido pela emoção,
Com o tempo descobri a consciência...
Já não sei onde estou,
Descobri que as minhas referências
Também buscavam referências,
Logo não sabiam o caminho certo...
Tenho fé!
Esta fé me mantém,
Esta fé me basta...
Todos os meus familiares
No fim encontravam sua segurança,
Seu eixo na fé.
Aqui estou...
Vou e volto,
Vai chegar ao momento
Que não poderei mais ir,
Logo não terei mais que voltar.
O calor da tarde,
Calçadas ardendo,
Paredes quentes,
A gente caminha
A gente caminha
A gente caminha,
Então cai a tarde
E fica a tardinha,
Depois se vai a tardinha e fica a noite.
O sol vai lá pro Japão,
Leva consigo a luz
E traz consigo as sombras da noite,
O vento sopra de acoite,
Às vezes a lua aparece,
Às vezes a lua desaparece,
Ou é lua nova,
Ou é nublado...
Agora em setembro,
Aparece a estrela dálva,
Vênus, Vênus, Vênus
A parecem tantas outras constelações...
Eu fico admirado,
Desde menino,
Desde adolescente,
Desde a universidade,
A cadencia do tempo na tarde,
A cadencia do tempo nas luas,
A cadencia do tempo nas estações...
E a soma disto que chamamos tempo.
Belo invento.
Sinto que estou na caatinga,
Sinto que estou no sertão,
Estou naquele mato sob aquele céu,
Aquele céu de sol escaldante.
E tudo que quero é sombra,
E tudo que quero é água fresca...
Está sob aquele é importante,
Para valorizar a sombra e a água...
Mas sob o mesmo sol
Tem seres que não tem nem sombra e água fresca...
Mas consegue sobreviver,
Feito a juema,
Feito o marmeleiro,
Feito a aroeira...
Feito o juazeiro,
O juazeiro sabe comparilhar,
Sabe buscar água,
Sabe guardar água,
Sabe existir sob aquele sol...
Uns dão sombra, feito o juazeiro
Outros dão cheiro, feito marmeleiro
E outros espinhos e flores feiro a jurema...
Somos assim,
A natureza nos fez assim...
Mas podemos sermos melhores,
E sermos gratos por tudo,
Pela agudeza dos espinhos
Que nos ensinam a serem resilientes,
Sermos perfumados e oferecemos já que é tudo que temos,
E quando não até se doar seu corpo sua madeira...
E os espinhos nos protegem...
E não é assim.
A madrugada fria,
O Céu estrelado,
Canta um galo animado.
Desperto ouço o siriri cantar.
Lembro de meu passado,
Que perdi meus antepassados.
Só tenho o hoje pra pensar.
O dia para me apossar.
Vai tempo vai.
Setembro já quase se foi...
As madrugadas belas pra danar.
Os ramos de Jurema emoldurava a velha casa abandonada.
Aquela casa na caatinga criada,
ali foi construída,
Ali foi habitada.
Entre suas paredes houve amor.
Entre suas paredes foi feito o café da manhã,
o almoço e o jantar.
Aquelas paredes com suas janelas
sentiram o vento lhes refrescar...
Viram o sol nascer e se pôr,
cadenciando o tempo... dias e noites.
Hoje tudo se acabou.
A caatinga venceu e apaga toda a história que ali se passou.
A casa resiste,
Só aqueles de sua geração a vêem,
mas estão longe.
Estão morrendo e o sertão volta ser sertão. A caatinga volta a ser caatinga.
Vitória da natureza.
A Jurema voltará a ser mato?
O objeto voltará a ser ente?
Morre o sertanejo?
Morre o vaqueiro,
O soleiro que fazia o gibão...
Só restará na poesia do violeiro essa realidade? Sebe lá.
O tempo vai passando e já somam algumas décadas. Entendo que vivi todas as fases da vida. Agora estou dando início a uma nova fase. Para mim a paternidade, para o meu filho o início de sua vida. Que eu dê todo o amor que meu pai me deu e que consiga ensinar tudo que dele aprendi, amor, respeito, responsabilidade e fé. Que Deus me dê sabedoria, saúde e força para trabalhar honestamente e assim viver com paz todos os dias da vida que me resta.
Semana passada fui a feira. No Campus I da UFPB sempre tem feira às sextas. Costumo ir lá fazer umas compras de verduras e frutas. Encontro com meus amigos José Eduardo, seu Bio, Edson, seu Zizo, seu Daniel, a galega, seu Daniel, seu Luizinho, e tomo um café na Solange. Bem, na semana passada Zizo me pediu um favor. Ele me pediu para levar uma rosa-do-deserto para uma pessoa que é do mesmo departamento que o meu. Claro, gentilmente fiz o favor. Mas ficou no ar para quem deveria ser. No meu entendimento era para a professora Alice Pereira. Semana passada, tinha me encontrado com Alice na banca de Zizo e ela me pediu para ajudá-la levando uma planta. Vi Zizo dizer que ia trazer outra planta. Então, entreguei a planta para Alice e dei recado, ele disse que era um presente. Alice ficou radiante. Uma hora depois recebo uma mensagem do professor José Alves dizendo que ia passar na minha sala para pegar a planta dele que Zizo tinha dado. Pensei como assim. Como resolveria aquele embroglio. Disse que ele poderia passar na próxima semana. Sem planta o que faria.
Não tinha cara de falar com Alice e nem com Zé Alves. Acabei por comprar uma planta e resolvi o mal entendido.
Quando queria uma coisa,
Apelava para a fé.
Eu sabia da força do tempo.
Eu rezava e pedia a Deus baixinho,
E todas as noites renovava minha fé, pedindo,
Depois rezava.
Em casa, tinha os calendários,
Ia ao calendário e olhava o tempo.
Os meses, as semanas e os dias...
Lembro que queria muito estudar em Martins,
Então no calendário ia marcando os dias.
Assim foi enraizado a minha fé, na vontade e no tempo...
Deus me ensinou
que quem espera sempre alcança.
Vivo como sou,
Vivo como me fiz,
Sou um pouco do meu meio,
Sou um pouco do meu seio,
Sou um pouco de minha fé,
Sou um pouco de minha vontade,
Sou um pouco do meu coração...
Sou... ser em definição.
A tardinha,
na sacada do mangabeira shopping olhamos no horizonte uma profundidade imensa.
A cidade grande, o céu grande limpo tempo. no poente nasce vênus, a lua crescente quase se encontra no teto.
Logo escurece, então vamos jantar.
Pela janela vejo o céu azul.
Vejo nuvens alvas
Com textura de algodão,
Leves levadas ao vento.
Vejo o rei dos ares,
Que voa a girar,
de treje preto,
De asas abertas,
Plana em pleno ar...
Com a elegância de uma 777...
Que sensação terá?
Liberdade...
Chegar no trabalho e encontrar uma erva florida,
cheia de flores alvas e perfumadas,
O bom dia duma voz a amiga,
Encontrar o silêncio e a paz
e dar graça por este momento.
Amém.
A terra tem idade?
Eu criança, descobrindo o mundo,
Descobrindo a vida,
No nosso sítio protegido e aconchegante.
Eu nem sabia que ali já era velho.
Tinha um lugar de uma casa.
Um espaço onde ocorreram tantas histórias.
Eu nem dava por isto, sequer tinha noção.
Que aquele espaço houve uma casa,
Houve uma família que a construiu,
Houve uma família que ali viveu,
Com seus hábitos, soa forma de viver,
Com suas histórias...
Ali, onde eu era novo total desconhecido,
Passou-se a história de uma gente.
Como eles se relacionavam com aquele espaço?
Como percebiam as noites e os das com suas manhãs e tardes.
Muito tempo depois dei por isso.
Papai se foi,
Mamãe se foi,
Nossa casa está lá bem perto,
Tudo para nós está bem perto do fim.
Com o tempo será só um monte de barro,
Sem historia ou sua gente para contar.
Foi o que aconteceu com aquela casa.
Cresci no campo.
No campo havia animais e plantas.
Eu ouvia o vento,
Eu ouvia os bichos.
Viva como planta,
Vivia como bicho,
Amava as plantas e os bichos.
A palavra existia,
Mas era palavra de gente,
Não á palavra de bicho.
O que há é realidade,
O que há é relação...
Relação de convivência,
Relação de amizade,
Relação de cuidado.
Eu ajudava em casa
Com os bichos,
Com as plantas.
Alimentava os bichos
E aguava as plantas.
Haviam os bichos livres
E haviam os bichos de casa.
Admirava os bichos livres,
Mas amava os bichos de casa...
Um gato, um cachorro, as galinhas,
As vacas.
Usava a linguagem do coração.
Depois que mamãe e papai partiram,
A casa ficou mais vazia,
Perdemos um pouco de cada,
Trazemos em nossas almas,
E todos os dias
Sinto falta deles...
Eles me deram tudo,
A vida entre as plantas,
A vida entre os bichos...
Eles me ensinaram a amar
A vida, a natureza, o lugar,
As pessoas...
Até quando partiram
Me ensinaram
Que nada dura para sempre...
Apenas o amor.
À tarde tenho maior conexão com a natureza.
À tarde sou mais contemplativo.
Gosto da tarde!
Pela manhã tenho os afazeres, sou mais objetivo.
Se possível quero um pouco da manhã!
Quero um pouco das manhãs para pensar
E para contemplar...
No céu de setembro,
Acordei de madrugada. Então veio a memória, não sei por que, que no sítio que morei haviam duas casas mais que a nossa. Uma conheci a outra só sei onde fica. A que não conheci é totalmente desconhecida, então pensei nas histórias que ali aconteceram. Quem construiu? Que mandou construir? Quem morou? Quanto tempo durou? Como era a vida ali? Como foram os invernos e as secas? Onde pegavam água pra consumir? Como era a vida ali? Uma história e toda sua existência enterrada com seu dono, com seu povo... Foi interessante esse pensamento. Já que tenho pensado no tempo e no espaço. Tenho pensado e m colocado como indivíduo que o tempo está apagando enquanto me consome... Será se minha casa durará um século?
À tarde caiu,
À tarde cai,
À tarde vem,
À tarde vai...
São momentos,
São momentos,
Cada um com sua cadência,
Cada um com sua experiência...
Experiência de tarde,
Tarde de amor,
Tarde de felicidade,
Tarde de dor...
Tarde um momento múltiplo em nossas vidas,
Um momento que se faz e desfaz...
Do claro ao escuro,
Do quente ao frio,
Tarde que parte,
Que parte,
Alguns nunca mais verão,
Inclusive eu....
Um dia entardeceremos...
Um dia...
Será tarde...
E a tarde se fará e partirá por toda a eternidade.
Sábado,
Fomos ao parque de exposição Henrique Viera de Melo no Cristo Redentor.
Sassá amou. Foi vestido a caráter, camisa xadrez e um chapéu de couro. Na entrada recebeu um crachá.
Como ele amou o crachá. Tinha dois cuidados o chapéu e o crachá.
Vimos os bois nas baias. Vimos gado de raça Zebu, Nelore, Sind, Guzerá, Holandez e Girolando. Cada um mais impressionante que o outro.
Sassá pode alisar alguns bichos, sentir sua textura, sentir os cheiros da ração a base de milho e cana, cheiro do gado, cheiro das fezes do gado... Provou que sabia pular ao transpassar umas lamas.
Tomou caldo de cana, comeu churros.
Vimos os peixes, gostou do goupi.
Vimos as plantas, os artesanatos,
Vimos o boi Sansão gigante.
Vimos o gado anão, os pôneis...
Vimos tratores, carros.
Vimos artefatos de couro, botas e chapéus.
A tarde voou, de três as seis a gente nem viu passar.
Depois fomos para casa satisfeitos e repletos de memórias.
Terminei de ler o Tao te ching,
São 81 poemas...
Concluo e volto ao início.
Leio cada vez menos,
Aprendi a filtrar o que leio,
Leio o que gosto,
Leio o que me apetece,
Leio o necessário,
Mas também leio para trabalhar
E essa leitura já vai para outra vertente.
Leio coisas de criança
Para estimular o meu filho a leitura.
Tem fome de livros,
Tenho fome de saber,
Mas é preciso jejum,
Mas é preciso oração,
É preciso encontrar a paz,
Já que vivemos a realidade
E leitura demais pode quebrar o equilíbrio,
Leio com os olhos,
Com os ouvidos,
Com a vida.
Leio.
Alinhado com a realidade,
O tempo e o espaço
E os diferentes momentos da vida,
Essa realidade que é causalidade,
É espaço se opondo ao tempo...
Esse desvelar que é viver...
Viver.
Vida!!!
Sassá ontem queria desenhar,
Desenhamos uma remora, um tubarão tigre, um mussuá e um poraquê.
Engraçado,
Queria desenhar o aquário de Natal.
Desenhamos...
Depois jogamos fotebol e ele ficou muito cansado.
Dei banho nele e fomos para a cama.
Dia pleno.
A mente é uma função superior da cognição. Estou pensando nisto. Mente e consciência são funções do nosso cérebro. O cérebro existe antes da mente... O cérebro é o que somos, é uma importante parte do corpo, o ser... Amamos o ser em sua plenitude, nele está nossa história compartilhada... Compartilhando amamos profundamente. Cuidamos de quem cuida de nós de quem nos amam acima de tudo. Ser humano é o único ser capaz de ter sentimento.
Olho através das janelas diáfanas,
O fino vidro separa o interno do externo,
Permitindo contemplação do externo,
Mostrando a mata,
As árvores,
As folhas
E a luz solar,
Diferentes intensidades de brilhos,
Que mudam com o tempo,
Ora frios,
Ora quentes,
Ora intenso,
Ora fraco...
Vejo o movimento dos ramos,
Que movem ao vento...
Estarão espelhando minha alma,
Este esterno.
Nas Rocas ele chegou,
Uma profissão aprendeu,
Cortar cabelo, virou barbeiro,
Trabalhava honestamente,
Trabalhava diariamente,
Com uma jovem do Seridó
Namorou e se casou,
Assim sua vida melhorou,
Sua vida era de casa para a barbearia,
Ali todo mundo o conhecia,
Vieram os filhos foram três,
Uma filha e dois filhos,
Trabalhava para o ensino melhor poder dar,
Eles estudaram,
De vida melhoraram,
Seu Raimundo,
Marido de Dona Irene,
Quando o conheci,
Nem sabia que estava diante de um grande homem,
Hospitaleiro, me recebeu tão bem,
Robério seu filho,
É meu grande amigo,
Desde a época da faculdade,
Fizemos esta amizade.
Seu Raimundo,
Meu amigo,
Trabalhou até quase partir,
Deixou uma família boa e educada,
Melhorou a capital potiguar...
Como muitos que ali foram morar.
Seu Raimundo,
Faz parte do meu mundo,
Das descobertas infinitas
Que tive em Natal,
Símbolo de amizade,
Honestidade e hospitalidade...
Um amigo para sempre.
Os óculos de Gandhi,
Eram para enxergar melhor as palavras,
Eram para suas leituras diárias.
Ainda tem gente que mesmo com óculos não enxerga uma palavra,
Tem gente cega,
Gente analfabeta...
Usar um óculos não garante abrir a mente,
Usar um óculos não revela a abstração,
Não se usa óculos para a mente...
É preciso desejo,
É preciso colaboração,
É preciso mediação.
Usar um óculos ajuda a observar o ente,
Mas não garante ver o objeto.
Gandhi sabia bem disso,
E por isso promoveu a liberdade de seu povo.
Zilar Mamede foi nome li pela primeira vez na entrada da biblioteca central da UFRN. Biblioteca Central Zilar Mamede. Entrei, naquela porta e deixei a mochila num armário. Estava entrando num paraíso, sai olhando as salas, as prateleiras e os inúmeros livros. Com a carteirinha de estudante podia pegar qualquer um livro daqueles e levar para casa por 15 dias. Ali, iniciava minha vida acadêmica. Ali compartilhei com tantos o desejo e o sonho de vencer na vida. Lembro da diretora Rildecir, de Márcio o secretário, de Rita. Lembro que alguns colegas ganhavam bolsa para trabalhar lá.
Criei o hábito de ir semanalmente ali... Aprendi, ali sonhei, ali passei a amar mais ainda os livros. Ia pela manhã, à tarde ou à noite. Eu literalmente morava na universidade na Residência Universitária...
Essa semana vi um poste no Instagram falando de Zilar Mamede uma paraibana. Então bateu aquela saudade.
Minha irmã,
A mais velha me contou que tinha acordado com pânico.
Não falei nada, mas entendo e sei qual é sua fobia.
Solidão, abandono, morte.
Sentimentos que fazem parte da natureza humana.
Também eu já acordei assim.
Quando meus pais eram vivos,
Pensava tanto na morte.
E tudo aconteceu,
E foi tão rápido...
Sinto essas fobias mana.
Deus te abençoe.
Uma ave faz quebrar o silêncio na mata,
Canta um canto breve e me faz fugir dos pensamentos,
Faz surgir um pensamento real.
Penso no desconhecimento deste canto,
Um canto sem encanto,
Conhecido, porém desconhecido,
Que ave é a que canta?
A realidade que acessamos pelas sensações,
Pelos sentidos,
Requer tempo e atenção...
Entorno, matéria ser.
Na existência se acessa a realidade
E o ser filtra e cria a nossa realidade...
Que ave será aquela,
Que sempre quebra o silêncio...
Será que é parte da sinfonia da mata...
Entre as leituras obrigatórias,
Perco-me em minha mente,
O calor, ronco de motores,
Formas das coisas conhecidas,
Desordem de ideias...
Tanta coisa pesa nesta leitura...
A linguagem truncada científica,
O tema novo,
A ingratidão sentida...
Quanto peso por 15 minutos, meia ou uma hora...
Quanta angústia,
O tempo temporando,
O desvelamento constante da vida,
A obrigação quanto a partenidade,
O amo incondicionado...
Concentração tem tempo,
Como encontrar.?
Às vezes a gente nosso self,
A gente sente nossa solidão no mundo.
Nascemos só e morreremos sós.
Porque o Self é unidade.
Uma unidade advinda de uma grande multiplicidade,
A qual chamamos de realidade.
É incrível o quanto pensamos nisto,
O quanto pensamos que somos.
Uns pensam mais
Como poetas e escritores e filósofos,
Mas não desconsidero um só ser humano...
É da nossa natureza
A incompreensão de quem somos,
De onde viemos
E para onde iremos...
Criamos inúmeros coisas para dar sustentação a nossas crenças,
Mas são ideias,
São abstrações,
Acreditamos na materialidade das coisas...
Por isso essa sensação angustiante...
Esse desconhecimento do self.
Ontem, cumpri o acordo com Sassá, desenhamos e jogamos futebol.
Chegamos da escola, regamos as plantas e fomos desenhar as criaturas marinhas. Sim conversamos sobre essas criaturas marinhas sinistras. Mas quando fomos desenhar ele preferiu desenhar uma salamdra Oxalotle do México.
Depois jogou futebol como jogador e time mexicano. Ganhou de 10 x 7.
Depois promessa cumprida tomamos banho e ele ficou a cargos da mãe dele que foram fazer as lições de casa.
Foi isso. Eu dormi.
Quando morava em São Paulo, tinha a estranha mania de decorar nomes de ruas. Virou costume. Algumas das ruas que decorei inconscientemente, ou sei lá foi uma Rua em Campinas chamada de Gilberto Pattaro. Ontem, terça-feira, 15 de setembro de 2026, ao levar meus alunos para a sementeira para aula prática sobre pteridófitas. Percebemos que estava lá fechado e os meninos que cuidam de lá não estavam ali. Então foi falar com Nelson o responsável. Um colega seu chamado de Gentil Lobo me levou a sala onde poderia encontrá-lo, mas ele não estava. Quem me atendeu foi Gilberto Ramos. Na nossa conversa, comentei que usava os nomes conhecidos para decorar novos nomes.. Disse que Ramos era um nome que conhecia várias pessoas da família Ramos e Gilberto. Bem veio a mente o nome de uma rua, Gilberto Pattaro. Sabia que era de Campinas, mas não sabia qual era. Agora, um dia depois fui conferir e aquela rua que não lembrava a posição só o nome. Era que passava todos os dias para ir à Unicamp. Esta rua está junta da moradia Estudantil da Unicamp, rua que vai dar na rotatória, Rua que se alcança a Rua Felizberto Brolezzi... Passei tantas vezes ali. Doces memórias. Que aparentemente surgem do nada. Engano meu, conhecido que conviveu comigo na Unicamp teve um AVC está bem, mas me impactou bastante. Por isso suponho que vieram as memórias de Campinas.
Nas idas e vindas da vida,
Vejo as marcas do tempo.
Vejo as marcas do tempo na minha face,
Vejo as marcas do tempo na minha mente.
São tantas as experiências,
São tantas as vivências...
Emoções, sentimentos para a vida toda.
A amizade cultivada,
O trabalho compartilhado,
O amor pelo outro,
O amor a Deus...
As vezes me sinto pluricentenário,
Mas vou aprendendo,
Desenvolvendo e cultivando novo hábitos...
A hora da cega,
Está chegando,
E me atormenta,
Essa grande fração da humanidade que pulsa em mim.
Nas idas e vindas da vida,
Esperança é o que nos nutre,
A realidade dura nos definha,
Ou é o tempo,
Ou é a biologia.
Esperança,
Perfume para a alma,
As coisas boas vividas,
As coisas boas guardadas...
A sete chaves.
Sassá fez nossa programação para a noite,
Colarmos figurinhas de Minikraft e jogar boa,
Bem nós colamos, organizamos,
E brincamos com os minikrafrts,
Mas o cansaço não me permitiu jogar.
A certo momento eu adormeci na rede,
Levantei para escovar os dentes.
Então ele me perguntou porque não tinha jogado como quem diz você prometeu.
Disse que estava cansado.
Ai ele falou que tinha jogado com a mamãe.
Ai perguntou se ia dormir no quarto,
Afirmei que sim.
Ele ficou muito feliz,
Então fomos deitar.
E tudo ficou bem.
Amarelo cravo, Amarelo girassol, Amarelo banana, Amarelo ovo, Amarelo óleo Amarelo queijo, Em cada tom Um aroma, Em cada aroma uma memóri...