03/09/26

Chuva em setembro?

 Chuva em setembro,

Que imprevisível...

Como esperar chuva em setembro,

Chão molhado,

Neomáricas floridas,

A mata cheia de frutos,

Cheia de sâmaras...

E a erva verde nos jardins,

Da chuva em setembro.

Estranho,

Átipico.

Soletrar no letramento

 Sábado fim de agosto foi fantástico.

Após o almoço, Sassá desembainhou a soletrar as palavras.

Tudo quanto era palavra ele soletrava.

Brincamos tanto. Ganhou um picolé.

Foi maravilhoso.

Já sabe somar,

Já sabe soletrar...

Com cinco anos.

Eu entrei na escola com seis anos, em 1986...

Lá em casa não tinha livros, revistas... nem televisão...

Só um motorádio amarelo.

E as palavras dos irmãos e adultos.

Sassá sabe soletrar e somar...

Sabe tanta coisa.

Amém.

Esse tal de Self

 No campus onde trabalho,

Tem enormes árvores,

Eu trabalho na Universidade,

As árvores são sucupiras.

Chego muito cedo,

Paro o carro e penso.

Gosto de chegar cedo,

Penso na vida por ser invadido por pensamentos metafísicos.

Queria eu ser uma sucupira

E não pensar em nada.

Só ser

E crescer, 

E mudar de folhas,

E florescer,

E frutificar

E ser...

As vezes penso ser uma sucupira...

Não seria metafísico.

É abstrato...

Adversidades todos vivemos...

É a vida.

Então chego e vou bebendo com os olhos

A beleza do campus,

Sozinho

Com meus pensamentos...

A natureza é a natureza

E o eco em minha mente,

Repete ideias,

Conceitos...

Tento me afirmar,

Essa autoconsciência...

Esse tal de Self...

É.

02/09/26

Galope

 No silêncio da madrugada,

Infinito é o tempo,

Minha mente cavalga o vento,

Segue em frente,

Volta atrás,

Tudo sente...

E o sono 

Que sumiu volta lento...

Mas aí, a vida manda levantar 

Pro novo dia começar.

Vontade

 Como queria voltar ao passado,

Ver minha vida antiga,

Voltar a minha casa e encontrar mamãe e papai,

Ocupando os vãos daquela casa, habitando alí.

Naquele tempo sabia, mas não imaginava um hoje.

Que vontade de abraçar meus pais

Momentos juntos

 Ontem Sassá fez as atividades e pediu para a mamãe um aniversário de tema Truks da hotwheels. Pediu um carro. Conversamos sobre isso. Sassá está voltado para a aventura. E no desenho que viu mostra muito isso. Foi falando sobre isso de casa até na escola. Dormi, mais cedo e nem pude acompanhá-lo. O tempo está encurtando e meu cansaço me impede de dividir mais momentos juntos.

Um mundo

 Água escorrendo no riacho,

O coachar de um sapo,

A mata gotejando,

A chuva findada,

Terra molhada...

Marcas da alegria em meu peito...

Havia uma sensação de mistério em tudo isso...

Uma flor rosa perfumada de um cipó,

Que crescia na numa barreira,

Flores brancas de arbusto,

O vento carregando seu incenso

Mundo a hora...

Guardado ficou em minha memória...

Tudo ficou pra trás.

O tempo levou junto,

São memórias,

Minhas doces ilusões.

Saudades

 Até parece um sonho que minha mãe se encantou.

Minha mãe, minha nossa senhora...

Há dias que a saudade me consome

E nem sei o que fazer ou como agir.

Sinto falta de seus conselhos, da sua amizade, da sua proteção,

Sinto falta do seu amor...

Tenho que carregar essa dor até o fim de meus dias.

Assim é.

Cultivando uma colônia

 No meu jardim plantei uma colônia,

Ela pegou e cresceu,

Formou uma linda fuste,

Suas inflorescências são vináceas,

Suas flores são alvas.

No inverno fica de boa,

Mas no verão requer mais atenção,

Todo dia tem que ser regada,

Caso falte água,

Tem as folhas amareladas...

Atenção ao meu jardim,

A minha colônia,

A minha alma,

Plenitude no espaço e no tempo,

Determinados aquis e agoras.

01/09/26

Nos passos da peosia

 Na poesia a realidade é moldada,

Na poesia uma mente é concentrada,

Na poesia uma chave é encontrada,

Na poesia uma fechadura é aberta pela chave,

A poesia decanta os pensamentos, 

Nela se busca harmonia,

Nela se encontra um sentido,

Nela se realiza a abstração plena da realidade,

Metáforas...

A gente não entende 

Ou a gente entende.

A realidade de forma sensitiva.

Lego, paz e concentração

 Ontem Sassá ao chegar da escola pegou o lego e foi pra cima da cama, espalhou as peças e se concentrou profundamente, por mais de uma hora ficou ali montando as peças. Estava concentrado, nem quis ajudar ou atrapalhar, deitei do lado e fui fazer minhas lições de duolingo. Ajudava quando ele pedia para unir ou separar alguma peça. No final ele montou uma nave e um flamingo. Foi um bom momento de paz. Depois foi jantar, fazer a lição, tomar banho e deitar, para fechar foi ler a revistinha da Monika. Achei muito lindo aquela concentração.

Causalidades

 Encanta-me o canto das aves,

Encanta-me a forma das aves,

Encanta-me as cores das aves,

Encanta-me o comportamento das aves,

Encanta-me o hábito das aves,

As aves em seus habitates...

Um dia fui pequeno,

E despertei para as belezas grandes da existência,

As aves me encantaram,

Com sua plenitude?

Com sua beleza?

Elas estavam ali,

Eu estava ali,

Eu conheci o cajueiro,

O cabeça-vermelho fez um ninho no cajueiro,

Ele morava no cajueiro,

Eu morava ao lado do cajueiro...

Compartilhávamos o mesmo espaço e tempo.

Causalidades,

Causalidades,

Causalidades...

E esse amor pelas aves só cresceu em mim.

Metafísica

 O silêncio,

Uma pausa para a reflexão,

Metafísica...

Coisas além da explicação,

Coisas além da percepção.

O infinito,

O bonito...

A natureza,

A história...

O que é a glória...

Nesse mundo de imanência,

Há também a transcendência...

Substantivos abstratos,

Sentimentos

E o feixe do conhecimento...

Coisas do racional,

Coisas da humanidade...

Afinal o que é a metafísica que tanto há em nós?

31/08/26

Deus

Deus pode ser sentido!

Deus pode ser visto,

Deus pode ser ouvido,

Deus!

Estava almoçando,

Ouvia uma rádio Inglesa,

Então começou a tocar a música

Interestelar 

de Hans Zimmer...

Senti algo maravilhoso,

A sensação de plenitude...

Algo muito catártico e profundo.

Seria Deus falando comigo?

Será se todas as vezes que me emociono não é Deus 

Tocando minha alma?

Fiquei querendo repetir

Aquela música infinitas vezes...

Senti uma presença Divina...

 

Momento certo

 Olhei o jardim,

Precisava de água,

Vi que haviam plantas novas ali.

Vi a terra,

Vi as plantas,

Vi as formas nas partes das plantas,

Vi o que podia enxergar,

Entendi o que podia entender.

Fiquei ali por um bom tempo...

Senti paz,

Senti aconchego,

Senti esperança,

Senti segurança.

Cuidei do meu jardim,

Mesmo sem flores,

As flores brotam no momento certo.

A beleza está no todo,

Não apenas nas partes.

Encontro na bica

 Fomos a Bica no sábado, foi realmente surpreendente. Primeiro ele tomou um caldo-de-cana com uma coxinha. Depois no passeio quem estava a vista era a loba-guará Mila. Podemos contemplá-la por um bom tempo. Depois fomos ver as serpentes e na saída, do serpentário havia um treinamento dos bombeiros no manejo com serpentes. Dai o Rodrigo perguntou se Sassá não queria tocar na serpente que estavam menusenado. Era uma cobra de milho e lógico que ele foi lá e tocou na serpente. Já estava querendo ir embora então encontramos com nossos amigos Alessandre e Isabela sua filha. Foi uma festa, Sassá saiu amostrando tudo para a Isabela... o guaxinin, os macacos, o jacaré, as tartarugas, os macacos galegos... Fizemos a trilha..., Sassá pisou na lama e eu lavei o pé dele no riacho. Comeram doce de catavento. E correram muito, tiraram muitas fotos. Viram uma galinha morta na volta pela estrada do dinossauro. E deu 12:30h nem percebemos. O sábado fluiu.

29/08/26

Algum dia em minha infância

 Eu amanhecia,

Queria ver o novo dia,

O chão molhado da chuva,

O cheiro da terra encharcada,

O canto da passarada.

Ali tudo mudava num instante,

Parecia um grande milagre,

Tanajuras a voar,

Formigas ativas.

O tempo ficava fresco.

O mundo sorria,

A esperança ganhava força em meu peito

Eu pensava, 

Não eu sentia 

Agora tudo vai melhorar.

Quando a coisa chega ao extremo 

Qualquer coisa dá uma sensação de alívio.

A chuva fazia isso,

Castigava a seca,

Botava moral,

Era só uma chuva,

Mas a gente sentia a mudança.

Aliás, lá em casa tinha uma bica de frande que unia as duas casas,

Quando ouvia o primeiro, o segundo e o terceiro pingos de chuva,

Logo sentia o cheiro da chuva,

A terra sedenta,

Agradecia aromatizando o mundo...

Na cama, acordado, 

Sentia que todos 

Percebiam o mesmo que eu...

Ouvia mamãe dizendo sei lá o que para meu pai,

Meu coração sentia que estava tudo bem.

Porque o mundo é assim, bom.

Tem horas pra tudo...

Foi tão bom viver a vida na casa dos meus pais,

Dividir a vida com meus irmãos...

A gente aprende tanto da vida.

A gente divide as coisas boas e ruins...

A gente brinca, briga e faz as pazes porque a gente sabe que é uma família.

E o rei era papai e a rainha mamãe...

Naquele reino criei a minha imaginação...

E quando a chuva chovia de noite...

O outro dia seria perfeito.

Gurdo essa sensação comigo até hoje.

Espiral

 À tarde sumiu,

A luz se dissolveu na eternidade deste dia.

Foram doze horas de luz,

Doze horas de vigília...

Doze horas de vida...

Doze horas vividas,

Que agora se acabaram...

Se desfizeram.

Agora a noite

Esfria tudo,

A noite oculta tudo.

O espaço está ai,

O tempo está ai...

A vida imersa na causalidade,

Desde o nascimento até a morte...

Algo no meu corpo se faz,

Um eu...

Memórias.

28/08/26

Primeiro livro

 Ontem, imprimi um esboço do livro de Sassá. Organizei em powerpoint e pedi para imprimir e encadernar. Não consigo expressar a felicidade que ele ficou de ver seu material impresso. Comecei a ler e mostrar as coisas, mas ele queria já produzir materiais para um próximo livro. Desenhou uma formiga de roça e um crocodilo, numa rapidez... Pedi para ele pintar melhor, dei ideia dele desenhar o peixe dele apuleu, ficou muito empolgado. O tempo passou e a gente nem viu. Fomos logo para o carro e em seguida para a escola. Ele foi ouvindo Queen, só começou a conversar quando chegamos na escola. E foi assim seu primeiro material impresso. As pressas, mas surtiu efeito.

Fiquei feliz. 

Berço

 Minha primeira paixão foi a natureza.

Nasci filho de agricultor e domestica,

Cresci numa pequena terra,

Minha família era de sete pessoas.

A gente plantava e criava na terra.

Papai cuidava da terra,

Mamãe cuidava da casa.

Papai era forte,

Mamãe era mãe...

Papai me ensinou as coisas necessárias para um homem de bem.

Mamãe me ensinou as coisas para ser um homem de bem.

Na primeira infância foi a natureza que me deu saber,

Aprendi nome de planta, nome de bicho... 

Aprendi o que tinha de aprender o essencial,

E ficava um vazio.

O vazio existencial...

Eu enxergava o finito no infinito...

O céu azul,

O sol quente,

Início e fim da vida...

Com os sapos aprendi a cadeia alimentar,

Com as galinhas o frenezi,

Com o cachorro a amizade,

Com o gato a desconfiança,

Com o gado a bondade.

Com as fruteiras a generosidade.

É temos mais o que aprender com as plantas...

Assim é.

Memórias evocadas

 A garrincha canta sem parar.

Tão singela,

Tão bela,

Canta rixinó...

Canta...

Canta e me traz doces memórias,

Daquele tempo passado,

Na soleira da casa velha,

Quando chegava o inverno,

Vinhas ali construir seu ninho.

Era considerada sagrada,

Papai e mamãe

Diziam que era bom presságio,

Deveras eras...

Ensinou-me a observar e amar a vida...

Seu comportamento,

Sua parceria no casamento,

O trabalho de alimentar 

E de criar a filharada nova...

A vida tem muito a ensinar...

Basta observar...

Basta ouvir,

Basta viver.

Quem será?

 Uma amarelinha canta na mata,

Tão linda!

Quem consegue vê-la?

Só se consegue ouvi-la.

Como sei?

Conheço,

Conheço de longe,

tuit...tuit...tuit...

Amarelinha,

Faz um linho lindo,

De capim ceguinho,

Eu vi,

Eu a ouvi,

Eu me encantei,

Com a cor,

Com a forma,

Com o canto,

Com o jeito...

Sabe.

A gente ama elementos da natureza

E nem tem explicação...

Conhecê-los,

Nomeá-los,

Nessa sequência intuitiva

Coisa que só a gente faz...

Dá nome as coisas...

Dá uma referência...

Conhecer é bom,

Saber que existe melhor,

Perceber...

Amarelinha...

Conheço sua espécie,

Mas não sei quem é.

Ouvi agora na mata...

Ver

 Dia 28, agosto, Sexta-feira, primeiro dia de aula do último semestre de 2026.


O campus amanhece nublado  silencioso.

A mata canta vozes tão belas,

É a patativinha amarela,

É o sabiá laranja,

É a rolinha caldo de feijão,

É a garrincha marrom...

Só se veem os operários da limpeza,

Caminham em silêncio,

Estão abstraídos nos seus pensamentos...

Se comunicaria com o espaço, neste tempo.

Acho que sim, talvez não.

Quando vinha vindo,

Ao entrar no CT,

Vim bem devagar,

Ouvi o chiado que faz a folha ao passar o carro,

Vi um carro de entulho estacionando,

Vi seu Edson lavador de carro contemplando o juazeiro,

Acho que contempla suas ideias.

Vi uma neomárica, planta esplendida

Florindo sob uma catingueira,

Que amizade interessante,

Uma paulista e uma paraibana...

Enfim...

Vi, ouvi e fui...

27/08/26

Poucas memórias

 Certo dia,

Era outubro, dia da criança.

Mamãe me deu dinheiro e fui a rua onde comprei um trator.

Era vermelho, rodinhas pretas, carroceria azul e branca.

Foi tão maravilhoso poder ter aquele brinquedo.

Fiquei tão feliz, tão grato a mamãe.

A melhor sensação foi de poder tocar,

Contemplar e brincar.

A sensação e o desejo do ter...

O tocar,

O usar,

Se foi quando passei a possuí-lo...

Nem sei se continuei a brincar.

O vermelho, as rodas pequenas da frente,

As rodas grandes de trás.

Queria ter um trator, mesmo que de plástico,

Mesmo que de plástico fraquinho, sem muito detalhe.

Vejo hoje tanto brinquedo...

Sinto que as crianças são como fui, desejavam ter...

Depois de possuir se foi o desejo.

Mamãe era tão maravilhosa,

Gostava de me ver feliz...

Nesse reflexo, eu penso...

Como uma criança pode ser feliz com coisas tão simples...

E o tempo passou,

Como um fim de tarde,

Tento lembrar o que aconteceu de manhã...

Restam apenas memórias.

Dionea

 No carro, indo para a escola quase 13 horas, Sassá e eu conversamos sobre plantas e ele citou dionea uma planta carnívora. Isso mesmo ele sabia exatamente o que era esse nome e o que esta fazia. Fiquei impressionado e falei de outras espécies de plantas carnívoras; as nepentes e as sarracenias... 

Luz

 Finalmente, concertaram as luzes de minha sala.

Precisava ir ao oculista, com a pouca luz estava ceguinho.

Ainda bem que se resolveu. 

Assim posso ver melhor a poeira do tempo sobre as coisas.

Porta nova e janela velha,

Cerrados,

De onde vem o pó?

Quero luz!

Quem anda na luz não tem nada a esconder.

Já nas sombras...

Tem algo a assombrar.


Filosofia profunda de Sassá

 Ontem, quando parei o carro em frente a escola.

Olhe no retrovisor e vi meus cabelos pintando.

Disse que meus cabelos estavam pintando.

Sassá me perguntou se estava envelhecendo,

e se eu ia morrer.

Falei que só Deus sabia.

Ele disse até lá estarei crescido e adulto.

Concordei.

Muito profundo.

Uma cigarra me despertou

 A cigarra começou a cantar,

Veio o verão anunciar.

Nem sabe como me afetou.

Ouvir seu canto,

Despertou doces memórias.

Papai e mamãe, minhas irmãs,

Nossa casinha,

A areia branca,

As folhas dos cajueiro amarelando,

Caindo e dos ramos 

Folhas novas cor de vinho,

E as flores e o cheiro...

A vida que seguia cada dia mais terna.

Os dias e noites claros,

Céu azul, 

Noite estrelada...

Ai que saudade!

Agora! 

Só memórias...

A cigarra cantava

Eu e papai limpávamos os cajueiros,

Nosso cachorro alvinho dogue

Que nos acompanhava,

Também as galinhas a comer os grilos dos balseiros.

Papai dizia, espia,

Bicho gosta de gente...

Gosta de está onde tem gente.

Aquela vida simples,

Era tão boa...

Temperou minha existência,

Cozinhou de amor...

Desperto! Agora.

Entendo... A vida é boa...

A vida é boa.

E como é boa.

É tão boa que passa depressa...

E os sentimentos que experienciamos,

Que cultivamos nos fazem

Ser quem somos,

Felizes ou tristes...

A felicidade é cotidiana,

Aceitar a vida como é...

Amanhã, vai ser outro dia...

Canta cigarra, canta, canta...

Chegue verão,

Chegue calor...

É uma passagem...

A vida é cheia de passagens

E é uma pena que não estamos despertos 

Ou é uma felicidade.

É assim mesmo.

Essas coisas como diz meu menino.

Hábitos despercebidos

 Um copo de água,

Transparente, 

Potável e fria

Para minha sede.

Posso!

Pode...

Água para meu corpo,

Água para minha alma.

Há alguns é negado esse direito.

Por doença,

Por ausência.

Água que compõe o meu corpo.

Mamãe, no fim da vida não podia tomar água...

O tempo me fez esquecer isso.

Pobre mamãe!

Lutou bravamente,

Viveu até onde deu.

Á água é essencial para a alma.

Beba!

Beba!

Beba!.

26/08/26

Nível de importância

 A caminho da minha sala, 

Na universidade,

Meu olhar vai da mata ao concreto...

Por acaso me veio a mente,

Ao olhar uma parede.

Qual tijolo é o mais importante 

Aquele que esta na base junto a fundação,

Aquele próximo ao telhado?

Numa parede há um tijolo importante?

Não cheguei a uma conclusão,

A não ser que ambos são importantes.

Patativa

 Sol frouxo,

Céu nublado,

Calor se aproximando,

Canta na mata a patativa,

Achou planta florida,

Achou fruto docinho,

O canta para encantar a mata.

Aqui, neste recinto,

Ouço!

Enquanto ouço,

Viajo no tempo...

Patativa,

Patativa,

Patativa.

Lacunas

 Ontem, estava muito cansado e não dei a devida atenção a Sassá. Ele queria brincar e eu queria dormir. Isso me deixa triste e com remorso. Faz-me refletir sobre o tempo, sobre o que falou Montessoure sobre o silêncio da casa. Hoje, vou melhorar.

Ainda ontem, Sassá enquanto tomávamos banho, conversando sobre nosso jogo ele falou... meu filho vai ser mais esperto que eu... Intenso e interessante essa perspectiva para um menino de cinco anos. Os anos passam, a realidade é assim. E não sabemos como reagir. A consciência é tardia, pois é linear no seu funcionamento.

Ele lembrou ainda que quando estivemos em Carnaúba dos Dantas, batemos um Sino. Eu nem me lembrava mais... Foi assim. cheios de lacunas o nosso ontem.

Agrado

 Todas as manhãs quando aqui chego, agradeço.

Sou grato a tudo nesta vida.

Agrada-me os fragmentos de mata,

Agrada-me o canto das aves,

Agrada-me o vento nas árvores,

Agrada-me o silêncio da mata,

Agrada-me encontrar as pessoas e dar bom dia...

Agrada-me contemplar a sucupira da curva,

Agrada-me andar devagar olhando as plantas,

Agrada-me ver o capricho das pessoas com o lugar...

Muitas coisas desagradam-me,

Mas não quero desagradar-me com isso.

Melhoria

 Ontem, trocaram as luzes de minha sala e tudo ficou mais claro. Minha visão até melhorou.

Hoje percebo uma diferença o quanto o claro pode ser melhor que o escuro para o meu trabalho.

Ontem, final de agosto.

Uma melhoria no trabalho, um conforto para a visão.

Coisas que melhoram a vida.

25/08/26

Silêncio

 O silêncio,

Enquanto estou pensando aqui e agora.

O vento sopra lá fora,

O céu azul, limpo e claro.

Quero o silêncio.

Silêncio do tempo.

Por um momento,

Um breve momento plasmo o tempo.

Sou o que sou.

Atemporal, eterno...

Basta um ruído e ganho a consciência

E tudo se desfaz

Como uma gota no espelho de um lago noturno...

O que sou eu?

Matéria, causalidade,

Uma perturbação,

Convergência de espaço e tempo?

Um fazer efeito?

Não sei quem sou ou o que sou?

Não sabemos... Existimos,

Elucubramos,

Temos uma leve sensação de sabermos que somos,

Neste vácuo de silêncio...

A escrita, o interesse une os tempos e as pessoas.

Pessoa, Borges...

A coragem,

O amor,

O medo...

A humanidade...

Leis as mesmas atuando no macro e sobre o micro.

Que é tudo isso?

O caminho?

A consciência?

O buda?

Javé?

Jesus Cristo?

Silêncio...

Silêncio...

Aprendendo uma arte

 Sassá foi para a escola em silêncio. Ouvia a música, concentrado. Quando parei o carro ele começou a conversar. Mesmo assim falei como havia sido minha manhã. À tarde, ao sair da escola, estava feliz e comentou que havia ido ao banheiro antes de sair. Então, fomos ao mercado e não pediu nada. Comprei umas bolachas doces e amendoins. Comeu com gosto. Ao chegarmos em casa regamos as plantas e subimos. É tão bom. Às vezes só a presença já basta. O silêncio respeitado, a parceria... Estou descobrindo a paternidade todos os dias.

Canto com canto

 Os pássaros ou cantam só ou cantam em grupo.

Cantam para encantar 

Ou cantam para desencantar.

De algum canto vem um canto,

Daqui, dali, daculá...

Canto com harmonia...

Nem só as aves sabem cantar,

Canta a gia no cacimbão,

A perereca no oitão...

Canta a mata,

Canta o milharal,

Canta o mar na praia...

Canta a concha no ouvido,

Canta...

São tantos os sons...

Tanta informação,

Ouça o coração

E vai encontrar um canto para apreciar.

Como literatura

 Ontem, em frente ao HU, da UFPB, vi um lindo chevrolet D60, branco, potente e cara de mal. Fiquei muito contente. D60 me arremete a Martins, cidade natal. Onde na minha infância eu via o D60 gerimum coletando lixo pelas ruas. Quem dirigia era Babu. O barulho do motor inconfundível, o sol ardente, sob o frio da serra fez aqueles momentos se eternizarem e em minha vida. Certamente, estava com a mamãe. Nunca tinha visto um D60 Branco... Lindo demais. Os mais comuns que conheci eram cor de goiabada como o de Ivin, um comerciante que comprava pinha e ceriguela lá no nosso sítio. Os D60 eram comuns na década de 80 e 90 só perdiam para os tromba de porca da Mercedes. Tempos bons... Somos produtos de nosso tempo e lugar. Com o tempo estas memórias não serão compartilhadas, apenas aparecerão como invenção, como literatura.

24/08/26

Rita Baltazer

 Hoje, faz 10 anos que minha amiga e chefe desencarnou.

Quem era ela? Rita Baltazar de Lima.

O que fazia? Era professora de Botânica.

Onde nasceu? Rio Tingo.

O que estudou? A família Rhamnaceae.

Uma professora maravilhosa.

Uma pessoa sem palavras para descrever.

Amiga, reta, especial.

A 10 anos a terra, o Brasil, a Paraíba perdia a grande mulher que foi.

Teve seu nome eternizado como nome do Herbário da UFCG de Patos...

Homenagem ao nome do Carbal...

Eternas saudades.

Borges

 Há 127 nascia Jorge Luiz de Azevedo Borges.

Conhecido como Borges. 

Um escritor consagrado pela literatura universal.

Sua literatura fantástica encanta a todas as classes de pessoas.

Descobri Borges no mestrado,

Me aproximei de Borges no doutorado,

No pós pude me aproximar melhor,

Comprei quase todos os seus livros.

Semanalmente ouço suas palestras. 

Aprendi muito com Borges,

Ouvi-lo é maravilhoso.

Lê-lo nem se fala.

Sentia vontade de escrever quando estava lendo.

Tantas minúcias naquele autor.

Sigo em sua companhia,

Por via de sua obra.


Música e mamãe

Domingo,

Agosto,

Ano 2025

 Na missa, ouvi uma canção que lembrou de mamãe. 

Mamãe cantava na missa,

Mamãe cantava em casa,

Sabe aquelas músicas das tocou na igreja há muito tempo.

Aí lembrei que ia a missa com a mamãe.

E marcou em mim.

Marcou...

Quatro décadas

 Em 1986 entrei para a escola, tinha seis anos. Em 1996, aos 16 anos, estava no segundo ano do ensino médio. Em 2006 estava no mestrado em ciências biológicas. Em 2016 era professor de Botânica na universidade federal da Paraíba. Em 2026, sou professor. E aí  se foram 40 anos de minha vida. Quanta coisa vívida.

Alfabeto

 Giz, quadro negro, carteira e cadeira, caderno de espiral, um lápis e uma borracha.

A, é, i, o, u.

Vogais e

A, b, c...

Fui a escola aprender,

Ler e escrever 

E o mundo 

Descobrir 

E o mundo 

Inventar.

Promeira escola

 No meu lugar tinha uma escola,

E só.

A escolinha era branca,

E nela tinha uma sala, dois banheiros, uma cozinha, uma dispensa, e a sala de aula,

Na sala 37 carteiras e um quadro,

O quadro negro era verde e estava virado para o sul,

As carteiras voltadas para o quadro,

Tinham cinco janelas voltadas para o nascente e a porta para o poente.

A mestra, minha primeira professora 

Foi Livani Raulino.

Foi ela que me ensinou a ler e escrever.

Foi ela minha aurora.

A zeladora e merendeira era Dudé de Zé Baliza.

Em frente a escola a estrada era de barro.

Não tinha eletricidade.

O meu primeiro ano foi à tarde.

No ano de 1986.

Hoje 2026... 

Lá se foram 40 anos.

Eu mudei 

E a escola morreu.


Saudade...

Consciência

 Meu primeiro mundo era vasto e surpreendente,

Mamãe e papai,

Meus manos e vizinhos,

Nosso sítio,

Nossas galinhas,

Nossa vaquinha,

Nosso cão e nosso gato,

Nosso sítio.

Tanta coisa pra explorar as formigas e formigueiros,

As vésperas e seus ninhos,

Os besouros,

Os sapos e girinos,

As plantas, suas flores e frutos...

Tudo para descobrir,

Tudo para nomear.

Minha mãe foi minha primeira educadora,

Meu pai foi o meu herói., 

Quando aprendi essas coisas,

tinha a seca com caju e manga 

E inverno com milho e feijão....

Assim floresceu minha consciência...

No aquário da Penha

O dia era sábado, 22,
O mês era agosto,
O ano 2026.
Sassá acordou e queria ficar em casa, curtir os livros que ganhou,
Mas era dia de limpeza,
A mamãe contratou uma diarista.
Então saímos só nós, Sassá e eu.
Fomos fazer umas fotos de plantas,
Na universidade, fotografamos um pau-de-formiga e uma kalanchoe fantasma.
No castelo branco, fizemos fotos chultezia, ele até coletou alguns exemplares.
Dai fomos abastecer no posto da Água Fria,
E fomos ao Aquário da Penha...
O dia estava muito ensolarado,
Ele estava de boa, ouvindo as músicas que está no carro desde que fizemos a primeira viagem em 2021.
Foi ótimo chegar ao Aquário...
Já conhece praticamente tudo.
Comprei os ingressos e ingressamos...
Vimos novos peixes, uma parede nova com cores de neon.
Vimos as moreias, murucutuca e caramuru...
Vimos as lagostas de cabo-verde e vermelha, 
Vimos os peixes oscar.
Num recinto vazio ele observou que havia três caranguejos eremitas e vibrou com isso.
Vimos a arraia treme-treme...
Vimos cavalos marinhos amarelos,
Vimos o peixe nemo, doroti...
Vimos dois lindos acarás disco...
Vimos os tubarões...
Vimos as serpentes, cascavel, jiboia, piton reticulada, salamanta, cobra-de-milho. 
Vimos os lagartos dragão barbudo e rabudo.
Fomos para o recintos das aves, vimos joão-gomes o papagaio de coleira.
Vimos as arararas, tucanos, pelicanos...
Vimos o pavão e as pavoas,
Vimos o peru calado e doente,
Vimos o jacareé e quelónios...
Foi muita emoção.
E voltamos pra casa...
E o dia se foi.

Aperreio

 Desesperada grita a sabiá,

Ouço com empatia,

Conheço e amo sabiás.

Que será?

Sabiá quando aflito grita sem parar.

Que será sabiá que tanto sabe cantar.

Grita no galho do cajueiro,

Levantei-me e fui olhar.

Que danado era que estava aperreando o sabiá.

Ah! Já sei,

Agora vi, 

É o zé lelé do seu caboré.

Caburé não brinca,

É um rapinante,

Dê sopa que ele ataca, mata e come.

Mas o sabiá bota pra danar,

Grita apelando,

Catei uma pedra e espantei o zé lelé,

Vai pra lá caboré.

A sabiá sossegou...

De agrado logo cantou.

Paixão desperta

 O calor no olhar,

A beleza encontrada,

O olhar no olhar,

O desejo a fervilhar,

Pele fervente,

Coração a palpitar...

Não é medo,

E é medo,

Uma conexão aconteceu,

Algo profundo se acendeu...

Que será?

Ser sertanejo

 O gado come o pasto,

Sol quente,

O pasto fica escasso,

O calor, a sombra, a água...

A poeira no oitão,

O pau do curral,

O cheiro do gato,

O calor do gado,

O leite quente na manhã fria,

O vento frio,

Nessa oscilação,

O tempo vai passando,

O tempo vai contando,

A vaca estrela,

O boi bumbar,

O queijo feito,

O radialista,

O rádio,

O verão ao pino...

A vaca caçando pasto,

A gente andando na caatinga,

Se sente bicho...

Se sente bem com os bichos.

A gente entende e se sente bicho...

O cão parceiro,

A casaca de couro,

A catingueira cinza,

O juazeiro...

Meu Deus,

Amo ser sertanejo,

Do início ao fim.

Foto, fotografia

 Uma cena,

Um lugar,

Um objeto,

A luz é essencial,

A objetiva,

A objetividade,

A subjetividade,

O ente,

O sujeito,

Espaço,

Tempo,

Causa e efeito.

Uma imagem plasmada,

Memorizada,

Um espelho com memória...

Uma foto.

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Gogh

Gogh