20/08/26

Poesia

 É de manhã,

Sento na cadeira,

Abro o livro de bolso,

Livro de poesia,

Pessoa!

Quem é grande vira livro de bolso.

Vende feito água!

Pessoa, isso mesmo Fernando.

Recentemente, adquiri um livro de bolso.

O grande, o gigante Mário Quintana.

Pus na minha mesa!

Costumo colocar livros na minha mesa.

E Quintana!

É um universo da alma!

Um tratado da beleza espiritual humana...

Quintana do eles passarão e eu passarinho.

Rua dos cataventos.

Recentemente ganhei um livro Brevidade!

De poesia!

Poesia de uma poetisa.

Estou ampliando meu conceito de poesia.

Poesia se sente.

Poesia se consome!

Poesia se faz...

E fazer poesia precisa inspiração,

Seja de percepção,

Seja de razão!

Poesia com rimas e regras,

Poesia livre...

Poesia de síntese!

A gente encontra tudo isso no universo

Isto mesmo no universo de existência da poesia.

Universo humano,

Uni Verso!

Onde o espírito transforma o concreto no abstrato,

Onde o objetivo se transforma em subjetivo,

Onde há conhecimento,

Pois há sujeito e há objeto...

E há um terceiro que é o leitor...

Poesia um sol cujos raios são espelhados no universo...

Clareia todos os lugares do mundo,

Tudo revela...

A poesia é um retrato da realidade.

É isso.


19/08/26

Ziná

 Esse mês mais duas pessoas partiram de Serrinha do Canto Ci de Damião e Donina e Ziná de Severino Lopes. Hoje, recebi a notícia com tristeza. Ziná foi merendeira da Escola Isolada Serrinha do Canto. Era funcionária da prefeitura. Era quem fazia a merenda entre os anos 1980 e 1990. Foi casada com Antônio de Doquinha muito amigo de papai. Na minha infância convivi muito com a família de Ziná. Conheci toda sua gente, Seu pai, sua mãe, suas filhas. Descanse em paz.

Ci foi o primeiro motorista de ônibus que fazia a linha Martins - Pau dos Ferros.

Se foi também.

Um grito

 Em silêncio contemplo o mundo,

As formas que me dizem o que são,

As cores que qualificam as formas.

Eu olho pro dia,

Eu olho pra noite,

Eu ouço o dia,

Eu ouço a noite...

E me sinto cansado.

Cansado do dia dia.

Meu corpo, minha alma

Sentem cansados.

A fé me cura,

O descanso me recupera...

Sempre seguindo a seta do tempo...

Humano espero algo...

Humano.

Humanidade.



Flores de laranjeira

 Olhando fotografia de flores,

Flores de laranjeira,

Recordei aquele janeiro,

Aquele janeiro quente de 2019.

Senti todas as manhãs o cheiro doce das flores brancas de laranjeira.

A vida estava tão boa.

Mal sabia que alvorecia a pandemia.

A humanidade enfrentaria uma tragédia mundial.

Ainda bem que não sabia de nada.

Vivia cada alvorecer,

Cada primeiro crepúsculo

Como se fosse único.

Caminhava olhando a caatinga...

É tão bom não saber a luta que nos espera...

Aquelas flores alvas,

Coroadas de amarelo...

Marcava o fim de uma vida,

Minha primeira tragédia pessoal.

Aquela que a gente descobre e fica com medo...

A fé foi fundamental para está aqui,

Escrevendo estas linhas...

Que se perderão no tempo e no espaço...

Até que alguém encontre e se identifique...

É a vida.

A leitura muda

 Sassá amou o livro que comprei para ele.

Um livro que fala sobre onde os animais fazem coco.

A gente ri.

Ontem, antes de ir para a escola, rimos muito.

Ao ler o livro a gente comenta e se diverte.

Sassá ama livros.

A mamãe ler mais para ele que eu.

Ler quando ele está se alimentando.

Engraçado as formas de ler minha e dela são totalmente diferentes.

Ele ama ambas formas.

Sassá já conhece as palavras, já ler, mas prefere as imagens.

Eu era assim também.

A primeira vez que vi um livro tinha seis anos, foi na escola.

Aquelas imagens me encantaram...

Mudaram algo em mim.

Espero que o mesmo aconteça com meu amante de histórias...

Mudança de estação

 A noite a lua crescente,

E a estrela d´alva 

Crescem juntas no poente...

Parece que o tempo parou,

É como é,

É como foi,

Um espelho da eternidade?

O vento sopra fresquinho,

Agora de manhã,

Até está chovendo,

Agosto...

Início do fim

Fim do inverno,

Agosto do início,

Início do verão...

E deixo aqui,

Minha profunda admiração.

18/08/26

Gerânios

Haviam gerânios de enfeite em casa.

Eram feitos de plástico.

Descobri que eram gerânios 

Num livro de morfologia vegetal de Vidal.

Interessante que cheguei a ver Gerânio em São Paulo,

E vi gerânios nas janelas de Paris.

Nunca me imaginei em Paris,

Não imaginei que aquela imitação,

Seria a luz de conhecer

Gerânios...


Luz da alma

 Na minha casa descobri o mundo,

Papai e mamãe e meus irmãos 

Auxiliaram-me nesta empreitada,

Cuidaram de mim.

Na nossa casa simples não tinha riquezas,

Mas não faltava amor, carinho e amizade.

Minha mãe tão natural.

Meu pai tão sentimental.

Na minha casa havia um quarto de São Francisco de Assis 

Comprado no Canindé 

E eu mirava com misticismo, medo e admiração,

A moldura barroca.

Tinha um quadro de papai, begue e mamãe.

Por que eu não estava lá?

Já me questionava?

Eu me balançava na rede olhando através da janela,

Sentindo a emoção do ir e vir 

Subir e descer,

Eu olhava para o infinito do céu...

Aquela vastidão me amedrontava e me encantava.

O meu mundo era minha família,

A poesia era bruta e não soava ainda...

Eu vivia,

Contemplando minha existência,

Vivendo minhas primeiras experiências...

O mundo se revelava infinito....

A finitude estava em mim 

E parece que eu sentia isso,

E descobri a finitude me deixava triste...

Era natural que se descobrisse,

A razão apontava,

A emoção indicava...

Mas algo em mim 

Queria a eternidade...

Todo ser quer se conservar eternamente.

A minha casa é a mesma.

Os cômodos, as paredes são o mesmo...

O tempo muda todo dia e nos seus cômodos,

Cada dia tem uma história 

Que guardamos em nossas memórias.

A casa e meus pais foram o feixe que me formaram e me firmaram

Quem me fizeram quem sou...

Sou como os meus pais em carne, osso e alma,

Mas com direito a liberdade e a individualidade....

Sou o fui,

Sou o que sou,

No começo tinha meus pais,

Agora tenho a casa,

E as experiências,

E os ensinamentos...

Tenho o que sou.

Sou o que aprendi 

E nada mais.

Metafísica do joão-de-barro

 Quando a tarde caia no inverno,

Saia a caminhar,

Ouvia no fundo da mata,

Entre caminhos,

O joão-de~barro cantar.

Era tão bonito.

A mata verde,

Barro enxarcado,

O cheiro da flor branca do marmeleiro.

Algo além de mim cantava,

Se expressava,

Não como as plantas,

Mas algo vivo,

Marrom, a caminhar.

Eu tomava consciência da alteridade,

Era tão belo aquele canto,

A caminhar, forragear,

Pleno e eterno...

As vezes que me lembro,

Fico pleno.

Volto no tempo...

Se isso fosse possível!

Meu Deus!

Eu desperto uma memória...

Sabia onde estava,

Sabia qual era o tempo.

Só resta memória.

Oservador

 Uma chuvinha desfia nesta manhã agostiniana.

A luz clara do céu, anuncia a chegada do  sol,

Anuncia a chegada do dia.

O tempo está mudando,

Folhas colorindo,

Folhas caindo...

Sou um observador do tempo,

Sou um viajante do tempo...

Percebo um pouco dessa realidade,

Uma chuvinha que refresca,

Chuva do caju...

17/08/26

Suas vidas

 Ontem, saí para caminhar com Sassá e ele percebeu o quanto as ruas são sujas. E falou das pessoas mau educadas que jogam lixo na rua e estes vão parar nos bueiros. Achei interessante sua perspectivas. Está consciente de muita coisa. Verdade o que Montessouri dizia que aos sete anos temos um homem formado do ponto de vista de muitos valores. A escola tem uma função primordial nisto, pois a aprendizagem compartilhada pela professora, as experiências particulares dos alunos permitem uma aprendizagem muito mais efetiva. Sassá quando chega nas academias de praças já quer logo se exercitar. Temos que os preparar para quando tiverem suas vidas. Quando adultecerem.

Mudança

 O tempo muda,

O ano muda,

Após as chuvas,

Chega a estiagem,

A mata se desmata,

Folhas perdem as cores,

Se desprendem 

E se deitam no chão.


Sol intenso,

Purifica a vida,

Água seca,

Poeira e pico aparece,

A gente muda por dentro.


A gente é daqui,

Sabe que é assim,

A gente muda.


A gente passa olhar mais no infinito,

O céu mais azul,

As tardes mais iluminadas,

Noites estreladas;


A gente muda nossos ritmos,

Já não canta o sabiá,

A gente mira mais o poente,

A gente sente a vida,

Sente o corpo;


Quando o tempo muda,

Muda a mata,

E a gente muda.

A mudança é devir...

A mudança é acontecimento,

As vezes brusco, como a morte,

As vezes lento como viver...


Tudo muda

Angustia

 Acordei e ao passar do tempo senti uma angustia profunda.

Um desgosto ao saber que tudo está passando,

Que a vida está passando,

Que mundo de minha vida se passou...

Senti uma saudade profunda de papai e mamãe.

A manhã, após uma madrugada espetacular

De céu limpo, nítido e estrelado.

Despertou em mim essa angústia.

Fiz tudo como de hábito.

Desci, liguei o carro e sai lentamente como uma lesma.

A manhã nem havia chegado,

Desci, peguei o viaduto e em seguida a avenida do contorno.

Na rotatória, vi um homem, maltrapilho.

Que me fez desvencilhar da angústia,

E não estava nem ai para angústia alguma.

Com um saco seguia caminhando.

Também ele sofre, também pode se angustiar...

A vida certamente é mais dura.

A angustia é um sentimento.

Não sei se sentimento humano seria um pleonasmo.

A angustia.

Sai de lento...

Engolindo que estou envelhecendo,

É humano envelhecer...

Será se é possível ser feliz sabendo disso?

A gente vence a angustia algumas vezes...

E ela nos vence algumas vezes...

14/08/26

Bons hábitos

 Há algum tempo criei um bom hábito, suponho. Bem e esse hábito se passa nas sextas-feiras. Neste dia vou a feira. Dentro da universidade, aqui da UFPB. Hoje foi especial, para quem está contente, acho que todos os dias são especiais e quando a gente percebe, sente quão especial é. Então fui contemplando o corredor, no estacionamento vi frutos secos deitados no chão. Um fruto chamado de sâmara, com asas, plano e pode ser facilmente confundido com folhas. Todavia para quem é focado, tudo pode passar despercebido. Fiquei surpreso ao ver que o banco do brasil, onde sempre passo não estava com a porta giratória. As vezes, aborreço-me só de ter que tirar a chave do bolso e o celular para passar à porta, mas como estava livre até me senti melhor. Antes de chegar na feira, sempre tem um cheiro desagradável de fezes de gato, logo na escada. Subindo a escada o odor muda... A gente o cheiro da massa de mandioca sendo cozida no fogareiro, das bancas dos três SSS, Sandro, Solange e Suelen, a gente ver uma variedade de cores, dos produtos vendidos, a macaxeira alvinha descascada, o roxo das batatas doces, o verde das folhas, limas e limões, o amarelo das bananas e mamões... as flores coloridas de seu Zildo e seu Eduardo... E o cheiro do beiju e da tapioca me aliciando. Compro batatas a seu Eduardo, banana a seu Daniel, alface a seu Edson, rabo de galo a seu Zildo..., vejo o riso mais alegre do dia de seu Luizinho que vende carne de bode... Na volto compro tapiocas e beijou e tomo um café na barraca dos três SSS. O café sem açucar demora na boca... venho tomando café da feira até minha sala. Quando não está destraído com os pensamentos, as sensações parecem se prolongarem. Agora o café está desaparecendo em minha boca, mas ainda tenho o cheiro de beiju na sala, o roxo dos rabos de galo... Essas coisas, tenho as sextas. E isso me faz bem. Um bom hábito.

Desenvolvendo hábitos

 Ontem, Sassá e eu jogamos futebol, mas num tabuleiro com uma moeda. Até suou. Ele comemorava cada gol como um jogador faz em campo. Jogamos até os dedos ficarem doloridos. Jantamos e a mamãe o despistou lendo livros enquanto jantava. Está realmente interessado em futebol. Bom, vamos seguindo, tentado desenvolver bons hábitos. Vimos que os horários da escolinha aqui não é tão bom. Vamos pesquisar.

Descoberta do irracional, conhecimento

 A tanto tempo,

Tão distante do agora,

Numa estação de preservação,

Eu ouvia o canto do carão,

Ouvia aquele belo canto,

Que vinha de uma fazenda vizinha,

E não sabia que ave era aquela,

Percebia, ouvia, mas não distinguia,

Mais de vinte anos depois,

Que era o canto do carão...

As coisas as vezes se demoram a serem conhecidas.

Hegel

 Aqui e agora,

Onde?

Aonde?

Espaço e tempo,

O ser em sucessão,

O ser em posição,

Aqui e agora,

Não defini nada,

Não defini ninguém,

Racionalmente,

Aqui e agora...

13/08/26

Antinomias

 A existência precede a essência.

O ser ai e o ser assim,

O deveio e o devir...

Claro e escuro,

Luz e sombra,

Noite e dia...

Concreto e abstrato,

Sujeito e objeto...


Ser

 Ser

O que se sente,

O que se pensa.

Ser...

Algo que se constrói

na  individualidade,

Na atividade,

Na passividade,

Nas escolhas,

No devir.

A existência precedendo a essência.

Ser uma essência...

Um espirito...

O indefinido.

A gente não define,

A gente sente...

A gente sente...


Essa centelha que é a vida,

As sensações que mexem com a gente...

O início que desconhecemos,

O fim que desconhecemos,

O tempo gotejando...

O futebolista

 Sassá quer ir a escola de futebol.

Ontem, à noite jogamos bola no nosso apartamento.

Foi maravilhoso, ele o Sassá sempre fazendo os gols, correndo atrás da bola.

Ficou suado, ficou cansado. Depois de tanto jogar.

Dei banho e fomos para cama.

Dormiu como um anjo.

Sassá tem apenas 5 anos, mas parece que ele esteve comigo a vida toda.

Minha vida ganhou muito quando ele chegou.

Descobri o amor, descobri que a vida vale a pena e todo o esforço que fiz valeu a pena.

Vamos lá, Sassá quer jogar bola.

Dentro de si

 Acordo na madrugada,

O céu parado feito espelho d'água,

Um infinito vazio bordado de estrelas.

Vazio feito o meu peito.

Sinto que dentro de mim ali há um céu,

Onde acesso nos meus sonhos.

Dentro de mim é preciso amanhecer,

É preciso luz,

Agora, neste momento da madrugada,

Penso que quem se acorda tão cedo,

Quem é metafísico,

Sente o céu estrelado,

Sente o céu quarado,

Dentro de si.

12/08/26

A outra estação

 Céu azul da tarde,

Um plano infinito.

Atento vejo urubus a planar,

Voa deslisando sobre o vento...


A mata assanhada do vento,

Refresca com sua sombra,

A tarde que o sol faz arder...

Folhas em diferentes tons,

Vermelhas, amarelas e marrons,

O verde se dissolve aos poucos,

O vinho tinge as novas folhas,

Folhas jovens...

Formigas ativas...

Após almoçar,

A gente não sabe nem pensar,

Então contempla,

Contemple,

A mudança da estação.

.

O berço

 Ontem, cheguei em casa, na hora do almoço, Sassá estava triste porque o pirulito caiu. Então vi que a mamãe tinha removido o berço do lugar. Disse que iria desmontar e montar no outro quarto. Então ele começou a chorar. Não entendemos, achamos que era por causa do pirulito, mas não. Ele expressou que era por causa do bercinho dele. Senti um nó na garganta e meu peito doeu. Expliquei que ia apenas mudar de quarto, mas ele continuou chorando e entendendo a mudança das coisas e do tempo. Tive que desmontar o berço e a minha mente virou uma bagunça de tanta memória. Cinco anos com aquele bercinho. Enfim, fui deixar ele na escola. Na volta, à noite, nem percebeu. Achou foi bom a nova cama. Mas eu... Fui eu quem fiquei abalado. Nosso garotinho, que chegou em casa e ali foi seu ninho. Tá um menino com personalidade e tudo. Um menino com memórias, sentimentos e vontade. Meu companheiro e amigo. O berço é muito fraquinho, nem sei se vale a pena montar no outro quarto... Umas coisas se vão e novas coisas se veem.


Pensamentos

 A mente é uma caieira,

Os pensamentos são a lenha,

Pensar é o arder do fogo.

Os tijolos de uma caieiras são usados para erguer muros, paredes, caixa de água...

Os mesmos tijolos de  uma caieira são usados para fazer foça.

Tem que saber qual uso se fará dos pensamentos....

Estados

 Um galho seco descansa no chão,

A certo tempo havia só uma gema,

A certo tempo essa gema se desenvolveu,

A certo tempo do ramo surgiram folhas,

A certo tempo as folhas fizeram fotossíntese,

A certo tempo as folhas caíram,

A certo tempo o galho caiu

E agora dorme no chão...

Quanto tempo de duração.

Do ar para o chão.

Tudo tem início e fim,

No espaço e no tempo,

Sendo matéria em diferentes estados.

11/08/26

O melhor de mim

 Estou reunindo,

Estou juntando,

Estou estocando,

Memórias,

Frases,

Versos.

Já tenho um montão,

E não sei o que fazer 

Com tudo isso!

Dou de coração

A quem tiver paciência,

Um pouco da minha abstração,

Das minhas ideias,

Dos meus amores.

No fim como dente de leão,

O vento vai levar

Esse fruto meu,

Pode ser que encontre terra fértil,

Pode ser que encontre espinhos...

Se vai ser sufocado não sei.

Estou dando o melhor de mim.

Festa de Maya

 Ontem foi o aniversário de Maya.

Fomos a festinha a noite na pizzaria da família dela.

Sassá brincou muito. Levamos Pedro, amigo de Maya e de Sassá.

Foi uma festa no carro.

O tempo voou para os dois.

Versejar

 Num verso ancoro a vida,

Minhas percepções,

Minhas concepções...

Tudo tão limitado,

Mas doo para ti,

E faça deste verso

Um reflexo de reflexão.

A vida é tão maravilhosa.

Acredita.

Monotonia

 A roda gira,

Gira enquanto o tempo,

Enquanto o espaço,

Simultaneamente,

Se deslocam,

Qual é o sentido?

Direita ou esquerda,

Para frente ou para trás...

É necessário uma referência

Para não girar em círculo.

Penso, pensamento

 Penso que pensar me deixa penso. 

Tantos pensamentos,

Alegrias e tormentos.

Sou metafísico por natureza,

Por experiência ou por gosto?

Mais um pensamento pra me deixar mais penso.

10/08/26

Agosto

 Em agosto,

Vô José, meus irmãos Rosdemberg e Rosemeire nasceram,

Em agosto,

Nasceu também Jorge Luiz Borges, 

Em agosto,

Vô Chico faleceu,

Em agosto,

Mudei da casa paterna.

Em agosto,

Coisas aconteceram que me marcam ainda hoje.

Agora mesmo...

Hoje, 10 de agosto nasceu, em Caxias Aluízio Azevedo que escreveu o primeiro livro que li o Cortiço.

Agosto...

Agosto.

Compasso

 Olho pro tempo assustado,

Ontem foi minha infância,

Ali, onde cresci, nada mudou.

E tudo mudou.

O espaço é o mesmo, 

Mas as pessoas são outras,

Tantos novos,

Poucos velhos,

E a história delimitando tudo,

Olho pra minha alma, e encontro coisas de lá,

Coisas do ontem 

E vejo coisas de hoje,

Coisas de agora...

Experiências.

Experiências,

Experiências.

Poema

 Num poema se emoldura a realidade, 

Se expressa em metáfora 

O que se deseja expressar.

Num poema se doma o tempo.

Versos sensíveis,

Enquadrado em supra sensível,

Incondicionado em condicionado.


Um poema como uma cruz três coisas são representadas 

O tempo, o espaço e a matéria...

Um poema é a imagem da eternidade.

Agora perdido

 Um gavião gritou longe, 

Um pombo bateu as asas aqui perto.

Pardais gritavam nós varais,

E o silêncio intermitente da manhã...

Em meio a tudo isso rezava pedindo proteção divina.

Os males de minha mente 

Que precisam serem domados todos os dias.

Amanhecer

 O silêncio da madrugada é quebrado pelo galo.

Eis que surge aurora ao quebrar da barra que como brasa acesa vai se encarnando,

E o escudo desaparecendo.

Quando desperto e percebo tudo no horizonte se acendendo 

E as estrelas se apagando mudando o tempo, apagando a noite e acendendo o dia.

Sempre despertamos após isso acontecer.

Dia dos pais

 Ontem foi um dia especial, nosso sexto dia dos pais. Sassá já acordou todo feliz. Após acordar me presenteou com uma linda camisa e uma caneca. E especialmente fez um cartão de um bem-ti-vi. Escreveu que me amava. Então brincamos muito, rimos, nos abraçamos e o afaguei tanto. Meu bebe, agora é um menino, inteligente, saldável e forte. Fomos almoçar no mangai, sabe que é uma data especial, nem sempre vamos lá, mas em datas especiais. Comeu bastante, tudinho e sozinho. Depois foi a vez da sobremesa. A mamãe  não gostou do dia das mães quando coloquei tudo junto. Ai fiz um prato pra mim e ele tudo junto e um pra ela. Ele quis provar de tudo. Á noite, ainda comeu pizza. Foi maravilhoso meu dia dos pais com quem mais amo.

Pão doce

 Pão doce!

Papai gostava muito de pão e sabia que nós também gostávamos.

Onde morávamos tinha três tipos de pães, pão doce, pão carteira e pão francês.

À tarde, depois do café, lá pelas 15h, papai ia caminhando até a budega de Juninho de Chico Viola comprar pães. 

Saia caminhando devagar como caminha um idoso. Ia pensando, sentindo o calor da estrada, da tarde, cumprimentava os nossos vizinhos.

Naquela monótona Serrinha do Canto, os vizinhos veem papai passar era um  movimento, dali ocorriam relações amistosa, cultivadas pelo tempo.

Todos sabiam muito da história de papai e papai da história destes. Coabitação a longo tempo.

Depois voltava e eu contiguava ali na calçada da frente pensando.

Ele chegava e me oferecia um pão.

Eu escolhia o pão doce, ainda quentinho...

Era tão bom, ter alguém que sabia do que eu gostava e amava fazer esse gesto carinhoso.

Foi um momento que guardei no fundo da minha alma.

Meu pai, a tarde, o pão doce e aqueles momentos.

O homem

 O mundo não tem fundo.

Como descobrir todas as suas leis.

Levará muito tempo,

Levarão muitas gerações.

Antes de chegar lá,

Precisa-se antes de mais nada,

Desvendar o homem.

07/08/26

Schopenhauer

 Ao longo da vida,

Vivas experiências,

Vidas vividas,

Momentos separados,

Pelo tempo cortado,

Pelo espaço deslocado...

Ser,

Existir,

Tempo,

Espaço,

Matéria,

Causalidade...

Mundo como representação,

Mundo como vontade...

Pessimismo,

Genialidade,

Humanidade.

Flor de maracujá

 Os raios radiantes da flor do maracujá,

Irradiam a beleza,

Irradiam uma simetria,

Seria uma flor coroada?

Sei que é uma flor apaixonada,

A flor da paixão,

A flor que flora,

Passiflora,

Raios multicolores,

Raios sensíveis,

Que suportam as abelhas,

Besouros,

Raios que atraem,

Raios solares.

Um sol numa flor,

Uma flor ensolarada,

Uma flor apaixonada.

Uma flor coroada...

Ou  nada disso só uma flor,

Flor de maracujá.

Construindo histórias

 Ontem, na escola de Sassá teve a comemoração do dia dos pais. O evento ocorreu as 15h. Nós os pais fomos a sala de aula deles. Escrevemos e desenhamos cartinhas para por na cáspula do tempo. Sassá disse que queria ser cozinheiro. Fez um desenho de nossa família. Depois cantou para a gente. E teve a etapa da fotografia. Foi simbólico. Senti-me muito bem naquele momento. Só faltou o Miguel. A música que eles cantaram foi 11 vidas. Construindo memórias

Mangueira florida

 Agosto começa ensolarado,

As mangueiras florescem suas flores miúdas e pequenas,

Das flores exala um cheiro aborrecido, não diria bom, nem classificaria de bom.

Mas de fato estão tão belas.

Parecem felizes,

Parecem agradecer tanta chuva.

Viva as mangueiras...x

C10

 Um dia, fui visitar meus avós. Fomos à tarde, cedo da tarde. Meus avós moravam nas Vertentes, distrito de Serrinha dos Pintos que já quase desapareceu. Fomos uma caminhote C10, da chevrolet. Era a caminhonete de Zé da Cancela. Nunca esqueci disso,,, Fomos em cima. Nem imagino quem ia. Mas sei que estava com a minha mãe. Lembro de descermos perto da curva do juazeiro. Só isso.

Silêncio da mata

  A mata silenciosa,

Ouve as aves trabalhar,

Ouve as aves cantar,

As aves ao se alimentar,

Dispersam as sementes,

Voam pra cá,

Voam pra lá...

Bem-ti-vi e sabiá.


A mata estática!

Então o sol vai acendendo,

A luz se estendendo,

O calor aparecendo,

E as aves se calam...


Cadê o vento?

06/08/26

Raros passeios matinais

 Ontem, feriado de Nossa Senhora das Neves, ficamos em casa, Todavia, cedo, Sassá acordou, comeu bolacha de chocolate e chocotone. Empenhado na sua nova ideia de montar uma coleção de conchas, aceitou ir caminhar comigo. Entretanto queria ir por uma rua onde havia visto conchas. O convenci de ir pelo lado da mata. Caminhamos todo o percurso e nada de conchas. Sua atenção era toda para as conchas. Bem fomos até a universidade e nada. Tentei mostrar os gaviões... Ficou feliz quando encontrou uma pena para sua coleção de penas. Tentei mostrar os gaviões carijós e nada. Retornamos para ele ver o ninho de beija-flor numa craibeira nas três ruas. Então, mostrei para ele. Olhou atento para o ninho. Achou uma belezura, identificou os liquens. Fomos pela rua que ele almejara desde o início e nada. Os caramujos desapareceram? Bem voltamos pela borda da rua do sapoti. Ali vimos uma preguiça na Cecropia. Fato que o deixou muito feliz... Foi isso.

Antes das seis horas

 Em silêncio,

Olhos dilatados,

Pelos eriçados...

O DSE tem Salas e corredores vazios.

Rivete chega e abre a porta fria de vidro.

As luzes brancas alumiam sua chegada e o corredor por onde entra.

Abre a porta de madeira.

Senta...

Depois chega Nildo, sobe a escada e abre a grade.

Mexe no celular e vai assinar o ponto.

Chega Rubens, caminhando devagar, contemplando.

Abre a porta e deixa aberta,

Chega dona Elisabete e vai para a ala do osso da baleia.

Depois chega Filipe

Que conversa com a gata que chama de Vea...

Tudo isso ocorre antes das seis horas.

Lua a minguar

 Semi nua a lua,

Podia ser vista da rua,

No céu alto.

Tanta beleza,

Tanta beleza...

Semilunar,

Atraiu o meu olhar,

Branca e pálida,

Qual uma deusa,

Recostada...

Que ilusão...

Era só uma lua

Que estava a minguar.

04/08/26

Cair de uma tarde

 Cai a tarde escura,

Nuvens que oras chovem,

Oras deixam o sol clarear,

Ruas molhadas e enxutas...

Definitivamente,

Caiu à tarde,

Caiu à tarde!

A noite vai crescendo,

Crescendo,

E o dia...

Já se foi.

Agora,

Jás eterna tarde,,,

Alguém partiu junto.

Siriri

 A madrugada limpa

um espelho d'água,

Repleto de estrelas,

Amanhecia calmamente.

Assim despertou a siriri,

Cantando, cantando e cantando.

Parecia antecipar a chegada do verão,

O termino das chuvas do ano.

O cansaço venceu

 Sassá acordou cedo ontem.

Leu, brincou, almoçou, tomou banho.

O levei para a escola.

Depois pegamos ele para ir ao mercado.

Foi ao Timbó.

Lá comprou serpentes de plástico.

Cinco animais.

Estava contente, feliz, satisfeito com seus bichos.

Brincamos juntos.

Depois dormiu, apagou na cama lendo a turma da Mônika.

Poesia

 É de manhã, Sento na cadeira, Abro o livro de bolso, Livro de poesia, Pessoa! Quem é grande vira livro de bolso. Vende feito água! Pessoa, ...

Gogh

Gogh