22/06/26

Eu caburé

 Acordei de madrugada,

O silêncio imperava.

Um caburé deu início uma toada,

No escuro este cantava.


O Caburé nem imaginava 

Que de longe eu escutava.

Na rede eu deitado,

No ramo ele pousado...

Ele cantava e silenciava,

Eu aqui imaginava...

Eu sabia que ele existia,

Ele por mim não nem sonhava..

A minha existência,

Nossa existência 

Num mesmo lugar.

Eu aqui e ele lá.

Ele cantou e eu ouvi.

Cantava para outro escutar,

Cantava pra demarcar,

Cantava para atrair,

Cantava por que existia...

O caburé que foi ovo,

O caburé num ninho gerado,

O caburé que foi cuidado,

O caburé aprendeu a voar,

O caburé aprendeu a caçar,

O caburé aprendeu a cantar na noite.


O caburé conhece a lua, mas não sabe falar lua,

O caburé canta pra lua...

Caburé...


Vim conhecer o caburé a pouco tempo.


Conhecia a palavra caburé.


Ouvia papai dizer que vovó falava olhe o caburé de orelha,

Mas nem dava por ele.

Então um dia o vi 

E não sabia quem era.

Sabia que era uma coruja e só.


Seus olhos grandes,

Sua pena rajada,

Seu bico curvado,

Seus dois dedos pra frente e dois para trás.


Um dia ouvi seu canto 

E foi aquele espanto,


Pois pra minha surpresa,

Conhecia aquela beleza

Aquele canto 

Já ouvira tanto

Mas não sabia de quem era...


Era o caburé 

Cantando no tempo 

Ecoando em minha mente...


No tempo compassado,

No presente 

E no passado.


Memórias da alma.


E nessa madrugada 

Ouvi um cantar

Era você caburé...


Eu que fui tantos,

Tonto, voltei a ser quem fui...

No dia que primeiro te ouvi

Caburé.

Exodo

 Hoje 21.06.26

Concluo a leitura do livro do êxodo.

Com 40 capítulos confesso que gostei da história de Moisés bem como a chegada ao Monte Sinai, mas a certa altura perdi muito o interesse, pois o livro passou a explicar como deve proceder o povo de Israel. Foi muito descritivo e objetivo. Foi isso.

Interior e tradições

 Aqui na minha terra natal

Meu corpo é feliz.

Ele entende a natureza,

Pois se sente também natureza.

Aqui não precisa pensar 

Ele sente a existência.

Ele entende a natureza

A natureza é sentimento.

Fica encantado pois as aves despertam o dia.

As aves cantam para o sol despertar.

E quando o sol desperta toda a natureza desperta.

O frio e a sombra da noite se dissolvem na luz,

As flores desabrocham sorrindo,

As flores colorem e perfumam as matas,

Os calumbis e as jitiranas e os espinheiros bordam coxas de flores cobrindo a mata... São coxas alvas, azuis, rosadas e amareladas.

O vento quando sopra é frio e perfumado...

Nos roçados o milho seco e marrom é preenchido por fava 

De folhas triangulares, e flores alvas,

As jitaranas bordam folhas cordadas...

Sob a cajaraneira doces esferas amareladas exalam um cheiro acredoce tão perfumado...

Na baixa o arroz de verde fica marrom e chia quando o vento passa.

Sanhaçu canta feliz no talo da pinha madura alva como pipoca e doce sem igual.

Aqui minha alma é plena.

Aqui meu corpo é pleno e minha alma é serena.

E entendo que quando tudo está tão lindo e pleno o vento sopra trazendo a mudança,

Abelhas entendem isso pois guardam o mel no favo,

As formigas em seu ninho.

O cururu fica gordinho,

Arribação em nuvens se enxamam

Põe seus ovos e tem filhotes para logo viajar.

A vegetação fica amarelada,

Guarda tudo que produziu no caule e na raiz,

A vida vai se  ocultando,

A natureza se transformando...

Eu entendo isso tudo intuitivamente...

A fogueira do são João é uma luz de esperança.

A fogueira do São João e os fogos que explodimos é uma forma de agradecer 

E pedir pelo ano que virá.


A fogueira é uma chama que consome a madeira e dela sai a luz e o calor... Contém em se alegria e dor...


Queima fogueira tudo que for de ruim.


Ilumina o que for de bom em mim e queima o que for de ruim.


Um pai nosso e as ave Marias...

O forro, a roupa de chita.


Logo virá provação.


A cinza da fogueira mudará a estação e com a própria essência tingirá com sua essência toda a natureza 

Que suportará viva

Até o ano novo, até as novas chuvas e o novo recomeço.


Meu corpo entende tudo isso aqui na minha terra natal e minha alma responde com amém.

Casa velha casa

 À tarde,

Cheguei à minha velha casa.

Senti intensa a saudade no peito.

O céu estava azul com frouxas nuvens.

A rama verde da mata, enfeitando compondo uma face das árvores.

A rama florida da Jitirana com flores rosadas e alvas.

A folha vinho enfeitando os cajueiros...

O silêncio que o tempo impôs.

Sem a voz de vovó,  de papai e de mamãe.

O tilinidar dos grilos,

O grasnar do galo de campina.

O chão encontrado.

As vincas alvas e rosas de meu pai,

O jasmim de minha mãe.

O araçá com frutas maduras, doce-amarelado.

Os catolés que transplantei com meu pai.

As palmas do meu pai.

A açucena da minha mãe.

Esse lugar que sempre foi o que é, antes, agora e será depois de mim.

Tomo consciência que sou apenas consciência.

Autoconsciência...

Essa ideia é só minha.

Essa ideia é nossa.

Essa ideia se esfacelará no tempo tomando a proporção de um sonho.

Uma narração onírica...


Paro o texto...

Pausa...


Um anum gritou ao longe... Anum branco.

Pacuns passam voando, vejo no seu grasnido.

Um anum preto canta na rama do poente.

Um pendão de capim parece um fogo de artifício.

A lua crescente está no cimo da casa.

Na cajarana grosna um periquito.

Um bate-estaca aparece tziuu.

Dissolvo tudo apurando 

Os sentidos

E me desfaço dos sentimentos negativos.

A vida que segue.

Venha o São João.

19/06/26

Esculpindo uma arte

 Em um instante penso,

Penso no que construo,

Penso no que escrevo,

Penso e escrevo.

Escrevo uma ideia,

Escrevo uma representação

Usando a palavra.

É um momento breve,

De uma composição.

Escrevo o que penso.

E incrivelmente 

O que escrevo se cristaliza.

O pensamento se materializa,

Em palavras, frases...

Às vezes é um cristal,

Às vezes é vidro.

Está ali materializado

Em signos,

Estou selecionado,

Estou procurando 

Uma forma melhor de cristalizar meus sentimentos...

Estou buscando a medida certa,

Aprender certas artes é trabalhoso

E quanto mais trabalhoso, mais valioso.

Um dia quando me for essas palavras 

Continuarão existentes...

Expressarão

Um instante que pensei no futuro,

No passado,

Mas estava no presente.

Só isso.

Dos dias doces da vida

  A tarde caiu agradável,

O céu azul com carneirinhos,

O vento soprando frio.

Até cochilei.

É mês de junho,

As festas juninas,

O milho verde, 

A fogueira...

E essas tardes figueiras.

A gente se sente assim... Feliz.

Com os anos idos,

Com o presente...

E o futuro a Deus pertence.

A tarde cai maravilhosa.

Canjica e memória

O mês é junho, o ano 2026.

O lugar João pessoa.

 Ontem à noite,

Estava no shop, onde vi numa quitanda canjica para vender.

Aquela canjica amarelinha com pó perfumado de doce de canela.

Comprei um copinho.

Na primeira colherada minha memória foi longe no tempo.

Senti o gosto da casa paterna,

Deu para ver a nossa cozinha amarela,

Deu para ouvir a nossa voz conversando.

Deu para sentir o gosto da canjica com leite gelado.

A ordem com que comíamos,

Sendo a canjica primeiro

Na sequência a pamonha.

Vivi sensações vividas,

Percebi a distância que separa aquele tempo

No espaço e no tempo.

Percebi que tudo passou,

Cada um sua vida tomou.

Nem imaginava nada disso quando comia canjica

Naquela cozinha de telhas fumegadas,

Só sentia o doce do açúcar,

Só sentia a textura do leite do milho cozido.

Eu achava que aquele tempo era eterno.

Hoje, no alto do futuro e no raso do presente,

No profundo passado.

Uma simples colher de canjica,

Dá chão a quem fui,

E me faz despertar quem eu sou.

Quanto tempo se passou...

Quanto tempo ainda a divindade me dará.

Não importa.

Prova Vinícius, prova meu filho, prova mamãe de Vinicius.

Prova que essa canjica tem história minha

Que quero compartilhar como compartilho a canjica.

18/06/26

Silêncio interno, tempo.

 A manhã ouca

A manhã cresce com o sol,

E vai se aquecendo,

O verão vai acenando.

O silêncio!

Algo silencia em meu ser.

Ouço sons solitários.

Agora canta uma rolinha,

Canta uma rolinha caldo de feijão.

Uma pombinha tão frágil e bela.

De repente!

Silêncio...

É possível esse silêncio?

A cadeira ringe,

O teclado dedilhado soa.

Mas vem o silêncio...

O silêncio, sentido interno,

O silêncio no tempo,

Não o silêncio no espaço.

Espaço e tempo...

Externo e interno.


A mata, amiga flora

 Quando chego a universidade

O sol ainda está deitado,

A mata fala nas aves.

Quando saio da universidade

O sol quase se deitando,

 A mata fala nos grilos.


A mata é minha amiga,

A mata é minha companheira,

Nossa relação começou quando cheguei aqui.


Retomando,

Sabe!

Não conheço o canto de cada grilos,

Mas conheço o canto de cada ave que aqui canta.

Grilos são desconhecidos,

Aves são mais conhecidas.


A minha relação com a mata é de silêncio,

É de administração,

É de carinho,

É de amizade.

Admiro cada árvore, cada liana, cada arbusto...

Eles sempre estiveram aqui.

E continuarão aqui 

Com suas aves e seus grilos...

Com suas flores,

Com suas resistências...


Eu estou aqui só de passagem.

Muita coisa é nova 

E muita coisa é eterna...

O que sobra da mata.


Respeito a mata!

Não quem mata a mata.


Aqui do fragmento da biblioteca.

Da curva da sucupira...

Lugar de encontros e desencontros.


Respiro profundamente sinto o corpo,

Sinto a mata, os sons, os cheiros e as formas.


É aqui onde o dia inicia,

É aqui onde onde o dia se finda.


Quando começa é intenso sol e luz e movimento e gente e ação.

Quanto termina se foi o sol é sombra, é estática, é vazio.

E se vai...

Lua, vênus e a noite

 À tarde, enquanto anoitecia,

Depois de chover o dia inteiro,

Incrivelmente o céu estava limpo,

O céu era infinito.

Aos poucos se dissolvia toda luz em sombra,

E a lua ia subindo,

Subindo feito balão.

Por um instante,

Contemplei a lua,

Lua crescente,

Tão jovenzinha.

Acima da lua,

Vênus despontava,

A noite anunciava,

Para o poente apontava.

Estava caminhando com meu filho,

Entrertido com um picolé,

Disse que era lua crescente.

De acordo,

Disse que era a posição da luz.

Com cinco anos já conhecera...

Demorei muito a saber das fases da lua.

Mas por muito contemplar,

Por perceber seu olhar,

Aprendi a conhecer a lua.

17/06/26

Construção de memórias BICA

 Sábado, fomos a Bica, Sassá, a mamãe e eu. Ir a Bica é excelente. Sassá foi a Bica recém-nascido. Nós sempre vamos pelo menos uma vez por mês. Pude perceber o contínuo de crescimento e a evolução de Sassá. Na Bica encontramos os papais de primeira viagem desajeitados como fomos. Papais muito cuidadosos, exaustos com a paternidade recente. Papais muito felizes por serem pais. O cuidados dos pais com seus bebês e a Bica é um espaço em que os pais vão para ver se seus filhos cansam e dormem bem a noite. Tudo que os pais mais querem é um pouco de descanso e a Bica promete. Vemos bebês aprendendo a caminhar descobrindo a realidade das esculturas dos jacarés. Bebês observando atentamente os bichos. Meninos já no parquinho correndo e brincando. Meninos curiosos observando as serpentes, a leoa... Sassá passou por todas essas etapas, está tão independente. Conhece todos os recintos e bichos da Bica. Esse tempo logo passará e ele passará a ter outros gostos. Guardaremos felizes as memórias da bica.

Quebra de silêncio

 No fundo da mata canta uma garrincha.

A manhã nasceu, mas o sol não apareceu.

Está tudo parado, nem uma folha se move.

Então encantada longe, canta  a garrincha.


Esse silêncio estático da manhã,

Será o silêncio da mata?

Ela, a mata, está viva.

Sinto, ouço e sei.

Só isso.

16/06/26

José Dantas

 Um domingo ensolarado, acordamos e fomos à Praia de Cabo Branco. Íamos sempre! Amamos praia. Num domingo específico. Estávamos na praia. Cavamos um buraco na areia. Estamos plenos. Sol intenso. Céu azul. Então um senhor vinha vindo e parou para nos cumprimentar. Era um poeta. Era um engenheiro poeta. Era José Massena Dantas. Nas mãos tinha vários livros de cordéis. Conversou bastante. Uma conversa interessante. Então me presenteou com um cordel com mote: Só a chuva faz mudar a paisagem do Sertão. Levei o livro pra casa. Folheei, mas não cheguei a ler. Um dia peguei para ler. Então comecei a ler um texto por dia e a pesquisar pelo poeta que o construiu. Acabei descobrindo um universo do meu sertão que não conhecia de fato. O mundo da poesia popular. Conheci inúmeros nomes. Tudo isso Graças ao presente de José Dantas. Leio... paro. Leio. Paro. E vou desvelando esse universo lindo da poesia popular. Já me tornei fã de todos. Obrigado Zé Dantas.

Xeque mate

 Ontem a noite, fui jogar xadrez com Sassá e tomei dois xeques mates.

Achei interessante suas jogadas. 

Quis preservar o cavalo.

Não quis devorar os peões. 

Na terceira partida ele perdeu,

Dai acabou o jogo.


15/06/26

O riacho

 No terreno de papai,

Corria um riacho,

Corre, corre, corre riacho.

Água azul leitosa,

De manhã tão friazinha.

O riacho era perfumado

De flores rosas de mimosa,

De flores roxas de mucunã.

Corria para lá para birncar.

Fazia uma parece...

Mexia no barro molhado,

Construía o meu açude.

Via na água leitosa

A beleza mineral.

O silêncio da mata,

Assanhada pelo vento...

Tudo ficou para trás.

Tudo ficou para trás.

O mato fechou tudo.

Mato fechado.

Tudo ficou para trás.

Minha infância,

Meus sonhos,

O leito do riacho está lá.

E na minha mente.


Era tão bom,

Depois me banhar na água,

Ouvir mamãe gritar,

E saia correndo,

Com fome...

Chegava em casa

E comia feijão verde.

E a vida era mais linda do mundo.

Bosque dos Namorados

 Fomos recentemente ao parque das Dunas. 

Ir ao parque das Dunas é para mim um ponto importante de minha vida.

A primeira vez que fui foi em 1997, quando nem conhecia nada em Natal.

A professora de Biologia Janildes Amorim nos levou ao bosque dos namorados.

Fiquei encantado, Descobri que o pau-brasil era do mesmo gênero das catingueiras na época.

A diretora era Socorro Borges.

Estava em reforma. Ah! como quis ir morar em Natal.

E fui. Morando em Natal, fui poucas vezes ao Parque das Dunas. Ficava longe de onde moravamos e não tinha muitos ônibus que passassem por lá.

Depois fui lá como aluno de Graduação.

Fui como aluno de mestrado.

E fui como pai. A melhor parte.

Minha esposa e meu filho amam o bosque dos namorados.

Já fomos lá três vezes.

Gosto do ambiente.

Atemporal.

Bom voltar ao mesmo lugar e descobrir algo diferente.

Assim é a forma como as coisas se revelam.

Devagar.

É isso.

Um canto de memórias

 Ouvindo o som da rixinó.

Posso sentir o tempo em minha existência.

Tudo começa na nossa casa velha...

Bem menino vi pela primeira vez uma rixinó fazer um ninho.

O ninho ficava na soleira da casa velha vizinha a nossa.

Quantas vezes ela não fez um ninho ali.

Nem mexiámos.

Era um animal sagrado.

Cantava durante todo o inverno.

Depois que seus filhotes cresciam iam embora,

Agora só no próximo inverno...

Foram tantas vezes.

Hoje estou muito distante de casa.

Quando ouço seu canto.

Sinto bem.

Sinto que estou em casa.



14/06/26

Sufi

 Sufi

Sempre que ouvi música sufi.

Algo fez minha alma tremer.

Um som tão puro.

Parece que estou no deserto,

Caminhando na areia fria do deserto,

Sob um céu intensamente estrelado.

O místico se sobrepõe...

Séculos de uma cultura de resistência nos lugares mais secos da terra,

O oriente médio.

Vem a minha mente as 1001 noites,

O livro do gênese,

A matemática,

A filosofia aristotélica...

Borges,

Meu pais que me contou um conto das 1001 noites sem saber.

Adaptou... Nem eu mesmo sabia.

Essas coisas saltam da minha aula

Ao ouvir Sufi...

Nem mesmo sei a definição.

Sinto.

Isso me basta.

Copa do mundo

 A nós Brasileiros o futebol é uma arte, é uma forma de viver, é uma forma de dar sentido a vida, é o motivo para a amistosidade, para uma conversa amiga, mas pode ser também algo totalmente oposto.

A copa nos mostra a unidade do planeta terra. Tem nos ensinado desde muito a grandeza cultural da terra.

Países de todos os continentes em festa numa grande disputa onde o vencedor será aclamado e os demais serão adormecidos por quatro anos.

Ontem, quando unidos com amigos na hora do jogo, bem no início quando cantava o hino do nosso pais.

Fiquei profundamente emocionado. Lágrimas escorreram em minha face, pois lembrei de meu pai. Meu pai não ligava para futebol, mas a copa era especial. Ele torcia pela seleção. Meu pai era demasiadamente brasileiro para deixar passar uma copa. A memória foi nítida... Foi caloroso ouvir todas as pessoas no shop mangabeira cantando. 

Celebramos um momento impar em nossas vidas. Meu filho pela primeira vez participou de um jogo e vibrou com amor o gol da seleção.

Em meio a essa panela de pressão de emoções. Vivemos um dia que ficará marcado em nossas vidas.

Que bonito... Naquele momento as pessoas esqueciam suas profissões, suas rixas, suas desavenças, suas paixões e todo mundo era Brasil... 

12/06/26

Lua

Voltei meu olhar para o céu noturno.
Ontem estava nublado e não vi nada.
Anteontem vi Vênus e Júpiter,
Enquanto nasciam no poente.
Hoje de madrugada vi a lua.
A lua está crescente.
Pensei como pode a gente passa a vida vendo a lua
E mesmo assim se admira todas as vezes que mira nela.
Olhar para lua parece ser atemporal,
Olhar para lua parece ser transpacial.
Olhar para lua deve ser universal.

A gente se encantou com a lua,
A gente cantou para a lua,
A gente se encanta com a lua,
Sempre!
Desde a primeira vez que tive consciência de lua.
Nem me lembro mais, mas sei que foi lá na casinha onde vivi minha infância.
Lá descobri a noite e com ela a lua...
A sombra ascendeu meus medos.
A lua era um claro que embelezava a noite.
A lua amenizava o escuro,
Não revelava,
Mas clareava...
Lua esse espelho do sol.
Essa poesia pronta.
Só isso.

11/06/26

Caminhar

 Sair para caminhar,

Sentir o mundo e a vida.

Uma caminhada é algo tão simples,

Mas tão maravilhoso.

Poder ir e vir.

E tudo começa engatinhando...

A gente percebe o esforço que fazemos para caminhar.

Depois aprendemos a caminhar.

E caminhamos a vida toda.

As vezes nem pensamos no que seja o caminhar.

Dar uma boa caminhada é tão gostoso como comer nossa comida favorita.

Um dia, a gente para.

A gente vai sentir saudades de simplesmente caminhar.

Caminhar para perceber o mundo.

Caminhar para ver as coisas,

Caminhar para ver ruas,

Casas, plantas, pessoas,

Ver as aves voando,

Ver os cães e seus donos.

Ver o entardecer,

Ver o céu estrelado...

Caminhar...

Rápido ou devagar.

E por fim relaxar.

Essas coisas.

Atmosfera

 Amanheceu claro,

O céu azul,

O sol brilhando.

E o sol brilhou intensamente,

Até o meio dia.

Depois os cumulonimbus

Apareceram no poente,

E aos poucos foi tomando o céu.

As quatro horas veio uma chuvinha

E o céu se fechou.

A atmosfera é tão instável.

O dia tem suas distintas variantes.

Como conviver com estas adversidades?

Construa sua casa,

Cuide bem do telhado.

As chuvas vão e voltam sempre.

Os dias e as estações

Seguem um ciclo.

Não seria diferente conosco.

Magnetismo, ima e azougue.

 Lembro que fiquei impressionado quando conheci o azougue.

Era criança ainda e ver um material que atraia e era atraído por ferro me impressionou.

Depois o azougue ganhou o nome formal de imã.

Descobri na escola que se tratava de uma propriedade física conhecida como magnetismo.

Interessante como o mundo vai se revelando.

A gente vai reconhecendo o mundo das abastrações,

O mundo da força,

O mundo Conceitual,

Um mundo maior que o mundo físico, mas está dentro deste mundo.

Esse mundo conceitual talvez seja só uma expressão do mundo material.

Ainda hoje me impressiona o magnetismo.

Tenho um magnetismo por este assunto.

E é isso.

10/06/26

Trabalhar no herbário

 Um herbário é uma coleção de exsicatas.

Uma exsicata é uma parte de uma planta herborizada.

Herborização é o processo de prensar e secar partes de uma planta para fazer uma exsicata e compor uma coleção de plantas secas. Temos várias coleções botânicas no Brasil. Eu trabalhei no herbário da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, no herbário do Instituto de botânica, no herbário da Unicamp, no herbário da Embrapa Cenargem e no Herbário da Universidade Federal da Paraíba. Visitei grandes coleções como a do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Instituto de Pesquisa da Amazônia...

Às quartas-feiras venho trabalhando na coleção de Fabáceas do JPB. 

Aproveito para ouvir as músicas que gosto, pesquisar e relaxar.

Os armários, as espécies indeterminadas, que vou determinando me fazem pleno.

Satier.

Hegel...

Manto divino

 Após as chuvas de maio

Quanto os campos ficam coberto de flores,

Quando o milho secou a palha

E o feijão de corda se enrola 

No colmo do milho. 

As flores de feijão passam a enfeitar os pés de milho.

É a hora de dobrar o milharal.

É logo nas primeiras chuvas de junho,

Um espetáculo acontece.

Os freijós ficam floridos,

Parecem se cobrirem com um manto alvo divino.

Um manto perfumado e alvo.

Flores estrelas,

Estrelas flores.

Os dias frios floridos,

Os dias frios estrelados de alvo,

A noite o céu é uma coxa negra de algodão,

Estrelada...

A existência é tão plena e infinita.

Chegamos a sentir a eternidade,

Chegamos a sentirmos a divindade.

O espetáculo do freijó.

Nos sítios e nas matas.

Chega parecer poesia.

E a vida expressa que vale a pena ser vivida.


Freijó ou linharé - Cordiaceae - Cordia trichotoma.

Foco

 O foco 

Foco minha mente num instante.

Neste instante prendo me ali

Naquele breve momento.

Prendo me fazendo algo

Consciente.

Sou pleno neste instante.

Filtro tudo,

Sou tudo.

Sou todo eu.

Depois me esqueço.

E me perco na realidade.

Na intimidade com o divino.

 A tarde caia deixando a barra acesa por um bom tempo.

Depois o céu limpo, ficava quarado de estrelas.

Mas vênus era a primeira a aparecer,

Selando a união do dia com a noite.

Eu, sem entender do mundo, 

Eu, sem entender de mim

Via tudo com  tanta ternura...

Contemplava a imensidão do mundo,

Pois diante do firmamento me sentia uma formiga.

O céu pleno, escuro peneirado de estrela.

O céu pleno tingido de estrelas

Vivas estrelas pulsantes.

Tamanha beleza me abraçava,

Sentia a transcendência da minha existência.

Mamãe, Papai e minhas irmãs estavam em casa

Preparando o jantar, tomando banho...

Enquanto a noite dissolvia a luz.

As vacas no pequeno curral cominam

Restos de palha,

Só se ouvia o tilinitar do chocalho.


Só de bermuda, pés empoeirado, 

Sandálias velhas...

Sentia a intimidade do mundo.

Mudas as árvores me faziam companhia.

A terra esfriando da luz do dia.

Eu, pleno eu.

Estava seguro.

Me sentia seguro...

Nem pensava em nada.

Só contemplava o anoitecer,

O céu estrelado.

E você?


São João

 Sassá fez sua apresentação de São João no sábado passado, 06 de junho, 2026.

Estava lindo, com camisa xadrez, calça com suspensório e chapéu de palha.

A turminha formada por sete pareias.

Fez par com Maitê. 

Eles se apresentaram sob a música maravilhosa de Gonzaga a "A feira de caruaru".

Ele treinou na escola. Ouvimos juntos a música várias vezes.

O danadinho gosta de forró, gosta de Luiz Gonzaga.

Se apresentou linda mente pelo terceiro ano seguido. A mãe nem chorou.

É tá crescendo Sassá.

Tá ficando um amadão.

Depois, fizemos fotos.

Ele quis comer maçã do amor. 

Foi a primeira vez que comeu. Não gostou muito, pois nem comeu toda.

Comeu pipoca e salgado.

Depois fomos ao mangabeira shop.

Estava muito feliz porque fomos com os filhos do cumpadre,

Então correram muito, comeram, brincaram e viram o jogo.

É isso.

Tudo

 Quero tudo,

Quero tanto,

Porque não mudo,

Porque do espanto.

Mudo.

Contemplo tudo.

E a tudo sacudo,

Deixo tudo num recanto.

Seguir a vida sem pranto.


Transcendência

 Ontem, quando a noite caiu.

Ela revelou um outro céu.

Céu limpo e atropurpúreo.

No céu dois corpos celestes,

Dois planetas direcionavam o poente.

Eram Vênus e Júpiter.

Voltei no tempo,

Voltei a serrinha do Canto.

Onde era frequente a contemplação Celeste.

Essa semana vi essa formação mais de uma vez.

E me uni ao divino,

Ao eu, ao universo.

Algo grande revelando minha pequenez,

Algo grande revelando o divino.

Algo que me fez sentir a transcendência da existência.

Dormi feliz.

Macro, micro e eu.

 No universo que existimos

Existe o macro e o micro,

O céu onde o sol aparece e desaparece,

Delimitando o dia e a noite.

Existe o mar repleto de água,

Onde são formadas as chuvas.

Existe a terra por onde caminhamos,

Por onde cultivamos,

Por onde habitamos.

Existe os seres ao nosso redor,

Bactérias que não vemos, mas elas existem.

Existe as células que nos constituem.

Existe algo em mim que se diz um eu.

Onde é o centro do eu?

Onde começa o eu?

No macro ou no micro...


09/06/26

O eu, a tarde e o mato

À tarde,

Andando na mata sob o sol e o calor.

O chiado da folha seca.

Árvores com ramos nus e cinzentos.

Na beira do açude 

As abelhas e aves matam sua sede.

O zunido do vôo das abelhas.

Aves cantando.

O cheiro da água misturada com barro.

O céu azul e sol ardendo.

As pedras quentes,

Preás espojando nas veredas.

A gente se sente um com a natureza.

Sensação de plenitude.

E o tempo passa.

E o tempo para.

O cancão pia.

O vento sopra assanhando o espelho da água.

Neste instante somos eternos.

É tão bom tudo isso.

08/06/26

Francisca de Nina

 Francisca das Chagas Queiroz,

06 de junho de 2026.

Minha prima, filha de Severina (Nina) irmã de papai Francisco.

Ontem encontrou sua mãe e toda a nossa família pretérita.

Descanse em paz prima.

Primeiras horas

 Chove.

O vento frio.

O céu cinzento.

Uma vela acesa.

A pluma amarela dança.

Enquanto dança conta o tempo presente.

Enquanto dança consome o pavio e a cera.

Enquanto dança ilumina com sua luz alaranjada,

Enquanto dança consome a si.

Alumia e aquece o seu entorno.

Vejo a vela.

Sou uma vela.

E penso este pensamento.

Pensar consome o meu tempo.

Pensamento causalidade?

Pensamento é tempo sem espaço.

Pensamento é tempo no tempo.

Pensamento é memória em aquecimento.

A vela dança 

A chuva chove.

O pensamento pensa...

Onde está o eu.

Manhã de junho

 Após uma noite de neblina amanheceu. 

O céu está cinzento.

Lufadas de vento vêm e vai.

O paralelepípedo da rua empoça água aqui e está seca ali.

No alto do prédio ao lado pombos brancos se peneiram a se coçar.

Flores alvas de jasmim molhadas daitadas na calçada.

As telhas marrons em seus telhados espelham sua face molhada.

A neblina soprada pelo vento volta.

Em suas camas desncasam felizes o mês de junho.

Mês dos namorados, da festa junina e da copa...

Ano de inverno.

Aqui celebro tudo isso com um chá, o silêncio e celebrando o meu ser maior.

Ser e existir

 As coisas têm dois modos de ser, um material e outro conceitual, ou melhor um modo concreto e outro abstrato.

As coisas são entes ou objetos.

Isso é claro modos de entendimento humano.

Coisas são coisas.

Pelo menos, como percebemos, como concebemos e como conhecemos as coisas... Podem ganhar cálcio e em nosso ser ter diferentes sentidos, condicionantes.

E pensando nisto...

Vou entendendo como nós nos formamos e nos tornamos nós. Nós construímos nosso ser. Partimos da existência para subjetivarmos a essência das coisas.

Primeira vez no maior Cajueiro

 Fomos a Pirangi visitar o maior cajueiro do mundo.

Já havia ido há muito tempo atrás quando morava aqui em 2005.

Vimos um gigante vivo.

Vimos que cajueiro com um tronco e 133 anos pode transformar um ser num gigante.

Seus ramos serpeteam na vertical se enterrando e se erguendo sustentando milhões de folhas.

Entre outubro e janeiro produz toneladas de frutas.

Aquele cajueiro é uma atração fantástica. Fez a população conhecer um pé caju que a gente chama de cajueiro. Pertence a espécie Anacardium occidentales e é da família Anacardiaceae do grego... "Ana", igual a semelhante "cardium" coração em alusão a forma da fruta. O fruto tecnicamente é a castanha. Que por sinal é muito em minerais como selênio bom para a mente. Andamos entre os ramos coleantes. Vimos a serrapilheira composta por folhas de caju e plântulas de espécies locais.

Tem vendedores oficiais de suco e cajuína, fanta, cajuína São Geraldo de caju; vendedor de artesanato,

De castanha caramelizada.

Tem lugar para fazer uma fotografia.

E por fim um mirante.

Dentro do cajueiro pude voltar a minha infância ao ouvir o vento cantar nos ramos e nas folhas.

Os ramos cinzentos e estriados...

Afloraram o meu passado.

Ao lado do cajueiro tem uma feira de artesanato com gente linda e sorridente.

E assim fechamos o passeio.

Conhecer Natal

 Fomos a Natal no mês do são João.

Vimos o aquário da redinha.

Vimos e passamos pela ponte Antenor Navarro.

Vimos o farol de mãe Luiza.

Vimos a via costeira.

Vimos o morro do careca.

Vimos as dunas do parque das dunas.

Vimos a UFRN.

Vimos o museu Camara Cascudo.

Vimos o Hospital universitário Onofre Lopes.

Vimos a maternidade Januário Cique.

Vimos a barreiras do Inferno.

Vimos o maior cajueiro do mundo.

E passamos uma tarde e uma noite 

Em família com meu amado e querido amigo 

Robério Nascimento e sua família Daniele Marinho, Giovanna e Olívia Marinho.

A tarde fresca e de  nuvens de algodão.

Foi perfeito.

É bom demais sentir que a gente tem amigos de verdade.

Voltamos pra casa

Cheio de recordações.

Mamãe e papai do Vinícius.

Eterno momento

 O chão enxombrado,

A erva amarelando.

Sob o cajueiro 

A sombra fria,

Sobre a folha seca

Serpenteia a coral.


Isso foi a tanto tempo atrás.

Natal em junho

 Que lindo céu de junho,

Céu azul e brancas nuvens 

Vento frouxo...

A copa do cajueiro 

Canta a cada instante 

É o vento 

É o tempo.


É São João em natal.

Definição psicológica de saudade

 A saudade é um testemunho de que estamos conscientes da nossa fragilidade perante a vida.

Suave palavrear

 A noite fria.

No céu limpo

Míngua a lua.

Junho chegou.

Prima percepção

 Na terra seca das vertentes dorme a vegetação,

O marmeleiro e a catingueira,

O Xique-Xique e o facheiro 

Armados da base ao alto.

Bem ali no mufumbo ouço um trinado.

Ouço um corrochiado.

Imediatamente fico encantado.

É o canto de um golinho.

E levarei para sempre em minha alma.

Essa beleza sonora.

Aprendi de imediato o nome deste passarinho.

Seu ser,

Sua forma,

Suas cores,

Seu canto e seu espírito que passou a ser parte de mim.

Princípio de um sentimento

 A noite escureceu na lua nova.

Fiquei com medo das noites escuras.

Coisas da imaginação.

Foi numa noite de lua nova que tudo começou.

Minhas travessuras e as brincadeiras de mamãe.

Lá em casa não tinha energia até os sete anos.

A gente vivia a realidade crua.

A imaginação, a morada no sítio...

Alimentavam minha imaginação.

Seridó

 A primeira vez que fui a ESEC Seridó foi em uma aula com as professoras Elisa e Iracema. 

Nem imaginava que seria ali que realizaria um dos melhores trabalhos de minha vida. 

Viveria uma das melhores experiência que eu viveria. 

Realizaria ali o meu mestrado.

Depois voltaria ali várias vezes. Amei o Seridó de primeira.

Ali convivi com Thais Guedes, Adalberto Varela, Carlos Varela, Zanella e George.

Ali ouvi tanto o carão cantar sem saber que era o carão.

Ali soube de histórias maravilhosas e trágicas.

Ali senti o cheiro das plantas secadas na estufa.

Ali conversei muito comigo nas minhas caminhadas de coleta ao longo das trilhas e fora delas.

Saia antes do sol nascer e voltava ao meio as vezes chegava duas, três horas da tarde.

Vi flores de todas as formas e cores.

Eu me virei.

Deu certo.

Estou aqui...

Mas tem um universo de memórias.

Saudades daquelas paisagens,

Saudades daquelas paragens.

A última vez que voltei, me despedi definitivamente de meu admirado amigo Adalberto Varela. Foi em 2012. Logo mais ele partiria. A última vez que fui lá, me despedi e nunca mais o vi. Silvano Teixeira.

Um dia conto mais.

03/06/26

Atenção plena

 Hoje, três de junho de 2026 tomei consciência do conceito atenção plena.

Embora sem conhecer a literatura em 2006, no meu mestrado intuitivamente tive consciência que através da atenção plena a capacidade de apreender informação é imensa.

Em 2016, tive novamente ciência da importância da atenção plena para o avanço da ampliação da consciência.

Já havia lido a alguns meses, porém foi hoje que tomei consciência plena.

Vou investigar.

Sonho

 Um poeta de Serrinha Wedson de Caquinho declamou.


Enquanto, dei um cochilo,

Sonhei que estava no nilo,

Percando cada tilápia

Pensando mais de um quilo.



Divirta-se em seus sonhos".

 Ontem, o dia de Sassá foi cheio de aprendizagem e exercícios. Foi para a natação bem cedo e aprendeu a fazer o giro em baixo da água. Foram e voltaram caminhando. Sabe lá o que conversam com a mamãe. Ele na maior parte do tempo tenta tirar a mamãe do sério. Sabe exatamente como fazer isso. Idade do personalismo... Queria voltar de uber, mas também queria pão na padaria da esquina. A mamãe deu uma opção o uber ou  o pão. Aceitou a segunda. Depois em casa, após a mamãe preparar o almoço ele almoçou, fez a lição e viu um desenho. Quando cheguei, o abracei, o beijei e vi o desenho com ele. Dai saímos para a escola. Ele perguntou se tinha sonhado. Afirmei que sim, que sonhei com uma piton-reticulata falante. Ele falou do sonho com a naja... E tome conversa até a escola. À tarde pequei ele com uma espada de esgrima. Fomos ao mercado e ele convenceu a mãe a ir comprar um pano de espada no timbó. Acabou comprando uma espada do minicraft. Ai. Chagamos em casa. Sassá desenbalou as compras. Depois jantou e fomos brincar. E depois de banhá-lo fomos para cama. Jogamos xadres e por fim me pediu para ler. Li o livro do guido e da sofia, o livro da garota na escola. o livrinho de Peter Pan. Dai li um último sem texto só as imagens. Fui dormir. Abençoei ele. Então antes de sair ele falou para mim. "Divirta-se em seus sonhos".

Retrato do sertão

 Na terra seca das Vertentes 

Profundamente dorme a vegetação  

No período seco do verão,

Ali sopra o vento contente.

Do chão se assanha a poeira,

Da mata faz soar um doce cantar,


As tardes tão encarnadas,

As manhãs todas douradas,

De dia o sol arde intensamente,

Canta a cigarra alegremente.


Na manta cinzenta maiado o gado,

Rumina, respira e calorosamente.

Relaxando, sentindo o mundo.


Ali naquela pequena matinha 

Se ver catingueira e marmeleiro,

Destiorados e desfolhados,

Vê-se ainda bem ali, junto aquele lajedo

O Xique-Xique e o facheiro,

Carregando o verde esperança 

Armados da base ao alto.

Ali, bem no mufumbo ouvi um trinado.

O mais lindo corrochiado.

Imediatamente fiquei encantado.

Era o canto de um golinho.

E trouxe para sempre aprisionado em minha mente,

Faz parte de minha alma.

Essa beleza sonora.

Aprendi de imediato o nome deste passarinho.

Seu ser,

Sua forma,

Suas cores,

Seu canto e seu espírito que passou a ser parte de mim.

Seu bico amarelinho,

Seu papinho bem alvinho,

Com uma gola escurinha,

Costas bem cinzentinha.

Senti a beleza...

Em tudo, nas vertentes,

Na mata e nas plantas,

E no golinho cantando lindamente.

02/06/26

Noite enluarada

 Antes podia desfrutar às noites de lua cheia em família. Papai, mamãe e meus cinco irmãos.

Eu olhava para o céu com um olhar ingênuo. Era todo esperança, amor e instinto.

Após nossa farta janta de Xerém com leite. De bucho cheio, um pouco de leite gelado refrescava nossa alma.

A gente se sentava à frente de casa. 

Contentes e unidos.

E assim a vida foi tecendo nossas histórias. A gente era tão feliz e aquilo era tão pleno.

A lua prateada,

Coração pulsando forte.

Vitalidade de leite com Xerém.

As vezes rezava baixinho.

A lua cheia enchia o mundo de sua luz prateada.

Hoje, agora, eu olho pra lua só e longe de meus irmãos.

A lua se tornou o ser mais próximo e amigo de minha existência a noite.

Papai e mamãe se uniram a Maria e a lua. São só essência agora.

Olho pra lua como olhei naquele tempo. Sabe estava morando o hoje... Diz um ditado persa que a lua é um espelho do tempo... Então ao olhar a lua vejo todas as minhas gerações.

Agora olho para a lua e sinto que aquele tempo está eternamente em mim.


E a lua continuará a nós encantar...

Somos percepção,

Somos intuição,

Somos humanos 

E a lua é a testemunha de toda nossa história.

Até agora.

Eu caburé

 Acordei de madrugada, O silêncio imperava. Um caburé deu início uma toada, No escuro este cantava. O Caburé nem imaginava  Que de longe eu ...

Gogh

Gogh