Num verso ancoro a vida,
Minhas percepções,
Minhas concepções...
Tudo tão limitado,
Mas doo para ti,
E faça deste verso
Um reflexo de reflexão.
A vida é tão maravilhosa.
Acredita.
Sorria! O riso ilumina a alma e embeleza a vida.
Num verso ancoro a vida,
Minhas percepções,
Minhas concepções...
Tudo tão limitado,
Mas doo para ti,
E faça deste verso
Um reflexo de reflexão.
A vida é tão maravilhosa.
Acredita.
A roda gira,
Gira enquanto o tempo,
Enquanto o espaço,
Simultaneamente,
Se deslocam,
Qual é o sentido?
Direita ou esquerda,
Para frente ou para trás...
É necessário uma referência
Para não girar em círculo.
Penso que pensar me deixa penso.
Tantos pensamentos,
Alegrias e tormentos.
Sou metafísico por natureza,
Por experiência ou por gosto?
Mais um pensamento pra me deixar mais penso.
Em agosto,
Vô José, meus irmãos Rosdemberg e Rosemeire nasceram,
Em agosto,
Nasceu também Jorge Luiz Borges,
Em agosto,
Vô Chico faleceu,
Em agosto,
Mudei da casa paterna.
Em agosto,
Coisas aconteceram que me marcam ainda hoje.
Agora mesmo...
Hoje, 10 de agosto nasceu, em Caxias Aluízio Azevedo que escreveu o primeiro livro que li o Cortiço.
Agosto...
Agosto.
Olho pro tempo assustado,
Ontem foi minha infância,
Ali, onde cresci, nada mudou.
E tudo mudou.
O espaço é o mesmo,
Mas as pessoas são outras,
Tantos novos,
Poucos velhos,
E a história delimitando tudo,
Olho pra minha alma, e encontro coisas de lá,
Coisas do ontem
E vejo coisas de hoje,
Coisas de agora...
Experiências.
Experiências,
Experiências.
Num poema se emoldura a realidade,
Se expressa em metáfora
O que se deseja expressar.
Num poema se doma o tempo.
Versos sensíveis,
Enquadrado em supra sensível,
Incondicionado em condicionado.
Um poema como uma cruz três coisas são representadas
O tempo, o espaço e a matéria...
Um poema é a imagem da eternidade.
Um gavião gritou longe,
Um pombo bateu as asas aqui perto.
Pardais gritavam nós varais,
E o silêncio intermitente da manhã...
Em meio a tudo isso rezava pedindo proteção divina.
Os males de minha mente
Que precisam serem domados todos os dias.
O silêncio da madrugada é quebrado pelo galo.
Eis que surge aurora ao quebrar da barra que como brasa acesa vai se encarnando,
E o escudo desaparecendo.
Quando desperto e percebo tudo no horizonte se acendendo
E as estrelas se apagando mudando o tempo, apagando a noite e acendendo o dia.
Sempre despertamos após isso acontecer.
Ontem foi um dia especial, nosso sexto dia dos pais. Sassá já acordou todo feliz. Após acordar me presenteou com uma linda camisa e uma caneca. E especialmente fez um cartão de um bem-ti-vi. Escreveu que me amava. Então brincamos muito, rimos, nos abraçamos e o afaguei tanto. Meu bebe, agora é um menino, inteligente, saldável e forte. Fomos almoçar no mangai, sabe que é uma data especial, nem sempre vamos lá, mas em datas especiais. Comeu bastante, tudinho e sozinho. Depois foi a vez da sobremesa. A mamãe não gostou do dia das mães quando coloquei tudo junto. Ai fiz um prato pra mim e ele tudo junto e um pra ela. Ele quis provar de tudo. Á noite, ainda comeu pizza. Foi maravilhoso meu dia dos pais com quem mais amo.
Pão doce!
Papai gostava muito de pão e sabia que nós também gostávamos.
Onde morávamos tinha três tipos de pães, pão doce, pão carteira e pão francês.
À tarde, depois do café, lá pelas 15h, papai ia caminhando até a budega de Juninho de Chico Viola comprar pães.
Saia caminhando devagar como caminha um idoso. Ia pensando, sentindo o calor da estrada, da tarde, cumprimentava os nossos vizinhos.
Naquela monótona Serrinha do Canto, os vizinhos veem papai passar era um movimento, dali ocorriam relações amistosa, cultivadas pelo tempo.
Todos sabiam muito da história de papai e papai da história destes. Coabitação a longo tempo.
Depois voltava e eu contiguava ali na calçada da frente pensando.
Ele chegava e me oferecia um pão.
Eu escolhia o pão doce, ainda quentinho...
Era tão bom, ter alguém que sabia do que eu gostava e amava fazer esse gesto carinhoso.
Foi um momento que guardei no fundo da minha alma.
Meu pai, a tarde, o pão doce e aqueles momentos.
O mundo não tem fundo.
Como descobrir todas as suas leis.
Levará muito tempo,
Levarão muitas gerações.
Antes de chegar lá,
Precisa-se antes de mais nada,
Desvendar o homem.
Ao longo da vida,
Vivas experiências,
Vidas vividas,
Momentos separados,
Pelo tempo cortado,
Pelo espaço deslocado...
Ser,
Existir,
Tempo,
Espaço,
Matéria,
Causalidade...
Mundo como representação,
Mundo como vontade...
Pessimismo,
Genialidade,
Humanidade.
Os raios radiantes da flor do maracujá,
Irradiam a beleza,
Irradiam uma simetria,
Seria uma flor coroada?
Sei que é uma flor apaixonada,
A flor da paixão,
A flor que flora,
Passiflora,
Raios multicolores,
Raios sensíveis,
Que suportam as abelhas,
Besouros,
Raios que atraem,
Raios solares.
Um sol numa flor,
Uma flor ensolarada,
Uma flor apaixonada.
Uma flor coroada...
Ou nada disso só uma flor,
Flor de maracujá.
Ontem, na escola de Sassá teve a comemoração do dia dos pais. O evento ocorreu as 15h. Nós os pais fomos a sala de aula deles. Escrevemos e desenhamos cartinhas para por na cáspula do tempo. Sassá disse que queria ser cozinheiro. Fez um desenho de nossa família. Depois cantou para a gente. E teve a etapa da fotografia. Foi simbólico. Senti-me muito bem naquele momento. Só faltou o Miguel. A música que eles cantaram foi 11 vidas. Construindo memórias
Agosto começa ensolarado,
As mangueiras florescem suas flores miúdas e pequenas,
Das flores exala um cheiro aborrecido, não diria bom, nem classificaria de bom.
Mas de fato estão tão belas.
Parecem felizes,
Parecem agradecer tanta chuva.
Viva as mangueiras...x
Um dia, fui visitar meus avós. Fomos à tarde, cedo da tarde. Meus avós moravam nas Vertentes, distrito de Serrinha dos Pintos que já quase desapareceu. Fomos uma caminhote C10, da chevrolet. Era a caminhonete de Zé da Cancela. Nunca esqueci disso,,, Fomos em cima. Nem imagino quem ia. Mas sei que estava com a minha mãe. Lembro de descermos perto da curva do juazeiro. Só isso.
A mata silenciosa,
Ouve as aves trabalhar,
Ouve as aves cantar,
As aves ao se alimentar,
Dispersam as sementes,
Voam pra cá,
Voam pra lá...
Bem-ti-vi e sabiá.
A mata estática!
Então o sol vai acendendo,
A luz se estendendo,
O calor aparecendo,
E as aves se calam...
Cadê o vento?
Ontem, feriado de Nossa Senhora das Neves, ficamos em casa, Todavia, cedo, Sassá acordou, comeu bolacha de chocolate e chocotone. Empenhado na sua nova ideia de montar uma coleção de conchas, aceitou ir caminhar comigo. Entretanto queria ir por uma rua onde havia visto conchas. O convenci de ir pelo lado da mata. Caminhamos todo o percurso e nada de conchas. Sua atenção era toda para as conchas. Bem fomos até a universidade e nada. Tentei mostrar os gaviões... Ficou feliz quando encontrou uma pena para sua coleção de penas. Tentei mostrar os gaviões carijós e nada. Retornamos para ele ver o ninho de beija-flor numa craibeira nas três ruas. Então, mostrei para ele. Olhou atento para o ninho. Achou uma belezura, identificou os liquens. Fomos pela rua que ele almejara desde o início e nada. Os caramujos desapareceram? Bem voltamos pela borda da rua do sapoti. Ali vimos uma preguiça na Cecropia. Fato que o deixou muito feliz... Foi isso.
Em silêncio,
Olhos dilatados,
Pelos eriçados...
O DSE tem Salas e corredores vazios.
Rivete chega e abre a porta fria de vidro.
As luzes brancas alumiam sua chegada e o corredor por onde entra.
Abre a porta de madeira.
Senta...
Depois chega Nildo, sobe a escada e abre a grade.
Mexe no celular e vai assinar o ponto.
Chega Rubens, caminhando devagar, contemplando.
Abre a porta e deixa aberta,
Chega dona Elisabete e vai para a ala do osso da baleia.
Depois chega Filipe
Que conversa com a gata que chama de Vea...
Tudo isso ocorre antes das seis horas.
Semi nua a lua,
Podia ser vista da rua,
No céu alto.
Tanta beleza,
Tanta beleza...
Semilunar,
Atraiu o meu olhar,
Branca e pálida,
Qual uma deusa,
Recostada...
Que ilusão...
Era só uma lua
Que estava a minguar.
Cai a tarde escura,
Nuvens que oras chovem,
Oras deixam o sol clarear,
Ruas molhadas e enxutas...
Definitivamente,
Caiu à tarde,
Caiu à tarde!
A noite vai crescendo,
Crescendo,
E o dia...
Já se foi.
Agora,
Jás eterna tarde,,,
Alguém partiu junto.
A madrugada limpa
um espelho d'água,
Repleto de estrelas,
Amanhecia calmamente.
Assim despertou a siriri,
Cantando, cantando e cantando.
Parecia antecipar a chegada do verão,
O termino das chuvas do ano.
Sassá acordou cedo ontem.
Leu, brincou, almoçou, tomou banho.
O levei para a escola.
Depois pegamos ele para ir ao mercado.
Foi ao Timbó.
Lá comprou serpentes de plástico.
Cinco animais.
Estava contente, feliz, satisfeito com seus bichos.
Brincamos juntos.
Depois dormiu, apagou na cama lendo a turma da Mônika.
Escrevi algumas coisas inspirado por Pablo Neruda. Agora nem sei por onde estão, mas sei que estão aqui. Gostava dos livros daquele autor, de suas capas, talvez as imagens das capas me atraísse mais que as palavras e os versos. Nunca mais o li. Descobri que tenho tanta coisa para ler... As vezes a gente se perde nas demandas da vida. Em mim, tenho guardados sentimentos por sua poesia. Queria ser poeta. Talvez almejasse os louros da poesia. Minha vitrine era externa. Minha vitrine estava nas livrarias, nos livros de bolso e no que cabia no meu bolso. Então tive acesso a Neruda, Pessoa e Nietzsche. Marcou a época que fazia meu doutorado. Depois descobri a Borges e tive acesso aos seus livros encantadores. Este me fez escrever e sentir e ser um escritor, mesmo que sem leitor. Por último, estava tão perto de mim, tão em conta e só agora descobri Davi e Salomão. Coisas de uma história humana. O amor as letras... Deveras, esqueci de relatar o primeiro tratado que delinearia minha vida... encontrado num baú antigo... um livro com os pensamento de Gandhi. Estes me marcaram profundamente.
Beija-flores piando,
Garrincha cantando,
Céu cinzento,
Vendo espalmando gotas de neblina.
Sono, cedo.
Uma noite longa,
A mente cheia quer se esvaziar...
Algo não deixa
é a falta de sono...
Que será?
Ao meio dia,
O sol ao pino.
Calor e luz,
Fome!
Paz...
Uma rolinha caldo de feijão cantava.
Uma doce memória pulsou em minha mente.
De um tempo que nunca voltará.
Quando sentia ainda mais o vazio do mundo.
O mundo era desconhecido,
Eu era corpo e vontade.
Bateu uma saudade não do meio dia,
Não do lugar onde nasci...
Uma saudade dos anos 80 ou eram 90...
Saudade daquelas coisas...
Costumamos olhar pra trás,
Porém não é à toa...
É a prova que nem tudo é ruim,
Nem tudo é vazio.
Uma prova que somos pessoas de nossos tempos.
Canta rolinha...
Naquele tempo não fazia sentido,
Seria então seu canto,
Um sentido do sentido de hoje.
Sei lá.
Ame.
Só tenho memória do que vivi.
Memória são espelho do passado vivido e afetado.
Memória se refletem num momento semelhante,
Real ou imaginário.
Somos memórias vestidas de sentimentos.
Somos o acaso,
Na manhã ou no ocaso.
A mudança desperta dúvida,
O desconhecido que é o devir.
Memória é um deveio refletido.
Criada em nosso favor.
Mas...
Deixa pra lá.
Aristotelino meu primeiro professor de ecologia me fez querer ser igual. Foi uma aula magistral.
Quebrando os protocolos e sentando no bureau.
Sem um livro na mão e sem usar o quadro,
Com sotaque carioca deu uma aula magnífica.
Sabia o odum de ponta a ponta.
Faltou sobre entropia.
Uma das três leis da termodinâmica.
Lei que diz que tudo tende ao caos exceto a vida...
Naquele dia por teoria descobri o que já sabia por intuição.
A sala era igual a da escola onde estudei, mas as ideias eram mais amplas e profundas.
Naquela noite, sabia que aquele era o caminho que devia seguir.
Não sei se por acaso ou não me tornei professor...
Foi na aula de campo de Tot que vislumbrei uma direção de conhecimento. Em Equador no Río Grande do Norte vi uma Jurema com o nome científico e pensei será esse meu destino? Saber o nome de todos as plantas?
Hoje é sábado, manhã ensolarado, quase 26 anos depois...
Tomando um pouco de consciência.
Sábado fomos à Bica. Já começamos agosto indo à Bica. Manhã com sol e chuva. Nem estava lá dona Lenita, chegamos já era quase 10 horas. Entramos e fomos passear. Vimos as aves de rapina. Sassá até imitou um gavião asa de telha. A áugia chilena gritou ana gritou. Depois fomos ver os peixes. Fomos ver se víamos bichos nas nascentes que ocorrem na Bica. As vezes vemos jacarés, cágados ou peixes. Bom, mas o que tomou nossa atenção mesmo foi o pavão sansão que estava se exibindo para Dalila. A calda linda aberta, pluriocelar, azul. Fazia um chiado parecia um maracá. Passamos uns dez minutos ali. Rimos, fizemos piadas, brincamos. Depois fomos ver os macacos, a loba oculta mila... E o tempo voou.
Segunda-feira, primeira de agosto,
Já começa assim, nublada, neblinando.
Só a corroira cantando.
As árvores gotejando.
Aquela indisposição!
Querendo cama,
E já no batente.,
Nesta cadeira,
Pronto para iniciar o dia.
Ontem foi o último dia de férias de Sassá. Acordou cedo, virou o apartamento de ponta cabeça. Brincou, gritou, pisou forte no chão, usou a tesoura, pintou as coisas. E brincou comigo. Eu estava com infecção intestinal, por isso enfesado. Nem deu para fazer o que queira, mas tudo bem. Ele saiu com a madrinha a mãe e os meninos da madrinha. Chegou e nem vi. Acabou. Hoje começam as aulas. Amém.
As memórias são de um tempo, de um lugar.
As memórias podem ser impares ou pares.
Estas carregam em si um afeto, uma emoção, uma sensação.
As memórias são partes constituintes de nós.
Memórias externas e internas...
Memórias com dor ou alívio,
Memórias de tristeza ou alegria.
Eis ai o ser.
A gente vive tentando entender a vida.
A gente busca no tempo elementos que deem suporte e sentido a vida.
A gente busca na matéria, substrato para não sucumbir a existência.
A consciência é um peso a existência...
O que é divino, também é amaro e tirânico.
A gente busca entender a vida,
Que ação em vão.
Nada se encontra nisso tudo.
Apenas o tempo...
Ontem, dei banho em Sassá, vimos o livro de imagens de peixes. Depois saímos para caminhar pelas ruas dos Bancários. Já não existe nosso pé de jasmim da casa 46, onde a gente sempre coletava uma flor para cheirar. Pegamos a rua paralela as três ruas. E a conversa estava muito amistosa e boa, pois ele não parava de falar da concha de um molusco marinho de fundo de mar. Andamos muito e ele me perguntava se eu conhecia uma concha de um molusco de fundo de mar.
Nem percebeu que estávamos caminhando tanto. Sim, ele como sempre negociou um picolé, mas estava atento a suas idéias. Novas ideias. Falou em ter uma ideia de organizar uma coleção de conchas. Foi isso mesmo. Disse que teve essa ideia. Achamos uma conchinha e ele coletou. Passou para uma dúvida de qual era a real cor daquela concha, se marrom ou cinza. Chegamos a esquina da Glacaí sorveteria. Eu escolhi um picolé de brigadeiro. Ele provou, provou, mas não gostou e não quis. Disse que estava amargo. Então fomos embora com a intenção de ir ao mercado. Chegamos logo em casa. E nem fomos ao mercado. Jantamos, tomamos banho, jogamos xadrez e um outro jogo lá. Ele estava pleno. Fui dormir. Só lembro dele deitando depois na cama. Então dormimos.
Aquela casinha teve tantas cores.
Nela fui amamentando, balbuciei as primeiras palavras,
Nela percebi o mundo sem palavras,
Tudo era tão absoluto,
Nela descobri o amor, nela descobri meus desejos...
Nela descobri realidade da vida
Via razão...
Nela senti meu coração dilacerado,
Nela, tantas vezes comemoramos juntos.
Nela descobri a realidade da vida via experiência...
O tempo passou...
Casinha e tive que te dar adeus.
Sempre volto e mato sua saudade.
Agora tão longe
Fecho os olhos e posso andar no seu interior.
Somos um só.
Posso ir nos três quartos, usar o banheiro,
Ir a cozinha e a área.
Posso sair fora e ver o céu estrelado...
Somos um só.
O tempo nos distanciam,
E saber que o tempo passa e que
as memórias se apagam...
Apesar de tudo casinha.
Vale a pena,
Só tenho graça,
Pela sombra do sol e da chuva,
Pelo calor retido
O frio cedido...
Casinha compartilho esse momento
Nosso. Só nosso momento.
Meu infante momento.
Porque é bom sem um contigo. Conosco... Amém.
À tarde caia,
A caatinga ia esfriando,
A luz se encerrando no poente,
Saia de casa em direção a mata branca, no poente,
Podia ver a mata nua,
Caminhando
Ouvia os últimos cantos das aves,
Via os ramos intrincados,
A silhueta da mata na frente do sol.
Ali sentia o cheiro do mato, marmeleiro, Jurema, mussambé...
Aos poucos a noite caia,
Uma estrela despontava,
E eu era pura consciência.
Sentir-me natureza.
Cansado contemplava a natureza,
Pensando no passado,
Pensando no futuro.
E quando a noite caia,
Chegava em casa
Cheio de pensamentos,
E todos ali tinham seus pensamentos,
Suas identidades, Seus sonhos.
Pensavam na vida como eu...
E agora só memórias.
Tudo maia, tudo ilusão, tudo deveio e devir.
Agora longe no espaço e no tempo.
No fim da tarde sou pura recordação.
Mais nada.
São tantos momentos num dia.
Tantas coisas acontecem.
Algumas prevemos,
Outras são imprevisíveis;
As previsíveis gosto de regar com a leitura,
As imprevisíveis aceito e reajo.
O sol nasce,
O sol se põe.
A lua nem sempre nasce,
Quando nasce sempre me espanta.
Ontem estava tão bela.
Vi lá na estação de Cabo Branco.
Foi um espetáculo.
De um lado a cidade, do outro o oceano,
Acima a lua,
No meio de tanta beleza...
Minha alma pediu um momento para contemplação.
A vida é tão indescritível...
Cansaço e descanso,
Dor e alívio.
Viver e sentir a vida é uma poesia
Sem palavras,
Meu Deus como pode ser assim.
A morte até nos assusta nestes momentos.
Deixa pra lá...
Este momento é tudo.
Sassá faz novos amigos.
Ontem Sassá conheceu novos amigos. Helena e Caio irmão gêmeos filhos da amiga do papai Laura.
Eles vieram de bem longe. Lá de Foz do Iguaçu. Não interagiram muito porque a diferença de idade é de cinco anos.
Mas estiveram no mesmo lugar, vendo as mesmas coisas, ouvindo as mesmas conversas.
Um dia soará interessante. Quando eles crescerem pode ser que sejam amigos.
Somos amigos dos pais deles. Tudo começou lá no doutorado.
Amizades para a vida inteira.
E com e entre eles. Foi um início interessante.
Quantas vezes fomos felizes mamãe.
Na nossa casa, nada faltava,
A nossa felicidade preenchia tudo.
Agora sinto tanta falta,
Tenho consciência disto.
Resta a casa,
Falta você.
Tudo que existe de ti
Mora em meu peito...
Falta um abraço...
O tempo se encontrou com o vento,
Foi um encontro interessante,
O tempo no vento,
O vento no tempo.
O vento e o tempo com coisas em comum,
O vento e o tempo não podemos ver,
Percebemos seus efeitos.
O tempo e o vento foi nosso invento?
O tempo sentimos internamente,
O vento sentimos externamente,
Espaço e tempo...
Pensei nestes objetos,
Pensei suas qualidades
E senti a eternidade
No tempo e no vento,
Tão presentes em minha existência.
Certo dia, na Salambaia que fica no Cariri paraibano. Acordei cedo e sai para caminhar e fazer fotos. Enquanto caminhava vi e fotografei inúmeras formas vegetais, entrei e sai do mato. A certas horas subi um afloramento, um enorme batólito. No afloramento haviam muitas cactáceas e bromeliáceas. Foi incrível porque encontrei ali uma samambaia que nunca tinha visto pessoalmente um Ophyoglossum, e bem ali. Vi algo extremamente interessante. Após parece mentira, mas não é. Se for foi alucinação. Vi três beija-flores rabo de tesoura se travarem numa briga na soca de um xique-xique. Foi uma briga feroz e barulhenta. Parecia que havia razão ali. Os três bichos se bicavam em meio aos ramos armados dos espinhos. Demorou mas dois deles abriram voando bem alto.
Andando mais para a frente encontrei um teiu se aquecendo. Eu o vi e vi que ele me viu, mas ele me ignorou. Sentei na rocha, posicionei a câmera e fiz algumas fotos. Ele não teve medo de mim. Eu tive medo dele. Bichão daqueles. Pensei em descrever uma conversa, mas não saiu o diálogo. Dai fui embora e ele ficou ali. Ignorou-me completamente.
Sassá foi tomar banho de piscina.
Brincou, pulou e se divertiu com seu amigo Aquiles.
À noite estava morto.
O que, depois que jantou a bateria recarregou e nem vi a hora que foi dormir.
O barro molhado solta um cheiro.
Cheiro de chuva.
O barro molhado tem uma cor,
Preta, alva, vermelha.
O barro queimado vira pedra.
Vira telha, vira louça.
A natureza que transforma,
O homem que trabalha.
O encontro da matéria,
Das ideias...
Numa estrofe.
Não deixarei marcas no mundo,
Basta meus olhos fechar,
Basta o tempo passar,
E tudo será desfeito,
Como a vela que quando se acaba,
Logo a luz se apaga,
Cessa o calor
E um fio de fumaça dissolve tudo.
Todavia essa impressão.
Todavia esse sentimento,
Todavia essas breves estrofes,
Ficarão expressas em palavras...
Vai que uma alma perdida,
Desiludida tome um breve instante
E perca o mesmo ao ler
Essas estrofes.
Vindas do fundo da alma,
Cheias de sentimentos,
Medo, grassa e vontade de não ser totalmente queimado.
Só sobrará o ser assim...
O ser ai se vai o tempo todo...
O velho pé de araçá,
Que cresceu no pé da pinheira,
Tem tantos anos conosco.
Já foram tantos anos de existência,
Já foram tantas flores alvas floridas,
Seu crescimento marcava o tempo,
A gente sempre o mirava nas tardes de descanso.
Agora, julho de 2026,
Tinha sob sua sombra,
Deitados no solo vermelho,
Amarelos e doces araçás.
Muitos docinhos araçás.
Primeiro se encheu de flor
O velho aracazeiro,
Vieram as abelhas,
Visitarem as flores alvas e docemente perfumadas,
Depois nos ramos
Verdades os araçás cresceram
E agora no fim amadureceram...
E se fecha mais um ciclo,
Uma safra,
Um momento no tempo.
E aqui estou por testemunha
Desse grande companheiro
Mais nada
Fomos a Bica no Sábado. Sassá, a mamãe e eu. Foi ótimo. Agora vamos passear, sem muito foco nos bichos e sim, mais no espaço. Prestamos mais atenção aos rapinantes, principalmente nos moradores, duas corujas murucututu. Ficamos ali por um bom espaço de tempo. Fomos a praça do jequitibá, achando que ali havia um novo recinto, mas era um orquidário. Vimos os peixes, a carpa, vimos as aves. Fomos ao recinto da loba Mila que nunca está a vista. Sassá brincou muito no parquinho. Vimos o japu, gatos para todos os lados. Mobdick a siriema cantou para nós pela primeira vez na Bica, estava feliz. Sentia-se em Casa. Fizemos a trilha de lama... Coletei uma pitanga linda e Sassá comeu. Me passou o caroço. Dai fomos para casa. Mais um dia maravilhoso com meu amado filho.
Tudo que vivi reflete vez em quando em minha mente.
A isto chamamos de memórias que levaremos por toda nossa existência.
Quantas manhãs estive com mamãe.
Parecia que sempre estaríamos juntos.
Com a descoberta do mundo, com as vontades.
Vieram as frustrações e a angústia;
Não sem como me lavar de tudo isso.
A existência certos dias parece um peso.
Será físico, químico ou psíquico?
Fica essa dúvida.
E se o silêncio se acendo em nossa mente.
Que bom...
Esse silêncio pode ser criador,
Esse silêncio pode fazer você sair de onde está.
Seja onde for.
É a eterna busca.
É viver.
É uma forma de ser.
Ontem, aproveitei as férias de Sassá e usei um livro sobre dinossauros para explorar as imagens, e as atividades. Sassá rapidamente se interessou, passamos um bom tempo procurando as formas e os nomes dos dinossauros. Depois fomos fazer as atividades. Sassá fez tudo sozinho. Joguinhos bons para a memória, jogo dos sete erros, passar pelo labirinto, encontrar a forma diferente. Consegui me conectar com Sassá. Foi ótimo. Ele está crescendo forte e muito inteligente. Logo as aulas voltarão. Está sendo muito bom as férias, só a mamãe dele que está exausta. risos.
Após abrir o livro brevidade escrito e doado por Lisbeth,
Após lido o poema Penélope,
Ali encontrei na mesma página a oração pai nosso traduzido do aramaico escrita a mão e gentilmente doado por Marlene.
Tudo tão belo...
Senti-me pleno.
A mata satisfeita foi testemunha de minha felicidade...
O nosso encontro ocorreu numa sexta-feira no dia 03 de julho deste 2026.
Foi maravilhoso.
Num verso ancoro a vida, Minhas percepções, Minhas concepções... Tudo tão limitado, Mas doo para ti, E faça deste verso Um reflexo de refle...