28/08/26

Primeiro livro

 Ontem, imprimi um esboço do livro de Sassá. Organizei em powerpoint e pedi para imprimir e encadernar. Não consigo expressar a felicidade que ele ficou de ver seu material impresso. Comecei a ler e mostrar as coisas, mas ele queria já produzir materiais para um próximo livro. Desenhou uma formiga de roça e um crocodilo, numa rapidez... Pedi para ele pintar melhor, dei ideia dele desenhar o peixe dele apuleu, ficou muito empolgado. O tempo passou e a gente nem viu. Fomos logo para o carro e em seguida para a escola. Ele foi ouvindo Queen, só começou a conversar quando chegamos na escola. E foi assim seu primeiro material impresso. As pressas, mas surtiu efeito.

Fiquei feliz. 

Berço

 Minha primeira paixão foi a natureza.

Nasci filho de agricultor e domestica,

Cresci numa pequena terra,

Minha família era de sete pessoas.

A gente plantava e criava na terra.

Papai cuidava da terra,

Mamãe cuidava da casa.

Papai era forte,

Mamãe era mãe...

Papai me ensinou as coisas necessárias para um homem de bem.

Mamãe me ensinou as coisas para ser um homem de bem.

Na primeira infância foi a natureza que me deu saber,

Aprendi nome de planta, nome de bicho... 

Aprendi o que tinha de aprender o essencial,

E ficava um vazio.

O vazio existencial...

Eu enxergava o finito no infinito...

O céu azul,

O sol quente,

Início e fim da vida...

Com os sapos aprendi a cadeia alimentar,

Com as galinhas o frenezi,

Com o cachorro a amizade,

Com o gato a desconfiança,

Com o gado a bondade.

Com as fruteiras a generosidade.

É temos mais o que aprender com as plantas...

Assim é.

Memórias evocadas

 A garrincha canta sem parar.

Tão singela,

Tão bela,

Canta rixinó...

Canta...

Canta e me traz doces memórias,

Daquele tempo passado,

Na soleira da casa velha,

Quando chegava o inverno,

Vinhas ali construir seu ninho.

Era considerada sagrada,

Papai e mamãe

Diziam que era bom presságio,

Deveras eras...

Ensinou-me a observar e amar a vida...

Seu comportamento,

Sua parceria no casamento,

O trabalho de alimentar 

E de criar a filharada nova...

A vida tem muito a ensinar...

Basta observar...

Basta ouvir,

Basta viver.

Quem será?

 Uma amarelinha canta na mata,

Tão linda!

Quem consegue vê-la?

Só se consegue ouvi-la.

Como sei?

Conheço,

Conheço de longe,

tuit...tuit...tuit...

Amarelinha,

Faz um linho lindo,

De capim ceguinho,

Eu vi,

Eu a ouvi,

Eu me encantei,

Com a cor,

Com a forma,

Com o canto,

Com o jeito...

Sabe.

A gente ama elementos da natureza

E nem tem explicação...

Conhecê-los,

Nomeá-los,

Nessa sequência intuitiva

Coisa que só a gente faz...

Dá nome as coisas...

Dá uma referência...

Conhecer é bom,

Saber que existe melhor,

Perceber...

Amarelinha...

Conheço sua espécie,

Mas não sei quem é.

Ouvi agora na mata...

Ver

 Dia 28, agosto, Sexta-feira, primeiro dia de aula do último semestre de 2026.


O campus amanhece nublado  silencioso.

A mata canta vozes tão belas,

É a patativinha amarela,

É o sabiá laranja,

É a rolinha caldo de feijão,

É a garrincha marrom...

Só se veem os operários da limpeza,

Caminham em silêncio,

Estão abstraídos nos seus pensamentos...

Se comunicaria com o espaço, neste tempo.

Acho que sim, talvez não.

Quando vinha vindo,

Ao entrar no CT,

Vim bem devagar,

Ouvi o chiado que faz a folha ao passar o carro,

Vi um carro de entulho estacionando,

Vi seu Edson lavador de carro contemplando o juazeiro,

Acho que contempla suas ideias.

Vi uma neomárica, planta esplendida

Florindo sob uma catingueira,

Que amizade interessante,

Uma paulista e uma paraibana...

Enfim...

Vi, ouvi e fui...

27/08/26

Poucas memórias

 Certo dia,

Era outubro, dia da criança.

Mamãe me deu dinheiro e fui a rua onde comprei um trator.

Era vermelho, rodinhas pretas, carroceria azul e branca.

Foi tão maravilhoso poder ter aquele brinquedo.

Fiquei tão feliz, tão grato a mamãe.

A melhor sensação foi de poder tocar,

Contemplar e brincar.

A sensação e o desejo do ter...

O tocar,

O usar,

Se foi quando passei a possuí-lo...

Nem sei se continuei a brincar.

O vermelho, as rodas pequenas da frente,

As rodas grandes de trás.

Queria ter um trator, mesmo que de plástico,

Mesmo que de plástico fraquinho, sem muito detalhe.

Vejo hoje tanto brinquedo...

Sinto que as crianças são como fui, desejavam ter...

Depois de possuir se foi o desejo.

Mamãe era tão maravilhosa,

Gostava de me ver feliz...

Nesse reflexo, eu penso...

Como uma criança pode ser feliz com coisas tão simples...

E o tempo passou,

Como um fim de tarde,

Tento lembrar o que aconteceu de manhã...

Restam apenas memórias.

Dionea

 No carro, indo para a escola quase 13 horas, Sassá e eu conversamos sobre plantas e ele citou dionea uma planta carnívora. Isso mesmo ele sabia exatamente o que era esse nome e o que esta fazia. Fiquei impressionado e falei de outras espécies de plantas carnívoras; as nepentes e as sarracenias... 

Luz

 Finalmente, concertaram as luzes de minha sala.

Precisava ir ao oculista, com a pouca luz estava ceguinho.

Ainda bem que se resolveu. 

Assim posso ver melhor a poeira do tempo sobre as coisas.

Porta nova e janela velha,

Cerrados,

De onde vem o pó?

Quero luz!

Quem anda na luz não tem nada a esconder.

Já nas sombras...

Tem algo a assombrar.


Filosofia profunda de Sassá

 Ontem, quando parei o carro em frente a escola.

Olhe no retrovisor e vi meus cabelos pintando.

Disse que meus cabelos estavam pintando.

Sassá me perguntou se estava envelhecendo,

e se eu ia morrer.

Falei que só Deus sabia.

Ele disse até lá estarei crescido e adulto.

Concordei.

Muito profundo.

Uma cigarra me despertou

 A cigarra começou a cantar,

Veio o verão anunciar.

Nem sabe como me afetou.

Ouvir seu canto,

Despertou doces memórias.

Papai e mamãe, minhas irmãs,

Nossa casinha,

A areia branca,

As folhas dos cajueiro amarelando,

Caindo e dos ramos 

Folhas novas cor de vinho,

E as flores e o cheiro...

A vida que seguia cada dia mais terna.

Os dias e noites claros,

Céu azul, 

Noite estrelada...

Ai que saudade!

Agora! 

Só memórias...

A cigarra cantava

Eu e papai limpávamos os cajueiros,

Nosso cachorro alvinho dogue

Que nos acompanhava,

Também as galinhas a comer os grilos dos balseiros.

Papai dizia, espia,

Bicho gosta de gente...

Gosta de está onde tem gente.

Aquela vida simples,

Era tão boa...

Temperou minha existência,

Cozinhou de amor...

Desperto! Agora.

Entendo... A vida é boa...

A vida é boa.

E como é boa.

É tão boa que passa depressa...

E os sentimentos que experienciamos,

Que cultivamos nos fazem

Ser quem somos,

Felizes ou tristes...

A felicidade é cotidiana,

Aceitar a vida como é...

Amanhã, vai ser outro dia...

Canta cigarra, canta, canta...

Chegue verão,

Chegue calor...

É uma passagem...

A vida é cheia de passagens

E é uma pena que não estamos despertos 

Ou é uma felicidade.

É assim mesmo.

Essas coisas como diz meu menino.

Hábitos despercebidos

 Um copo de água,

Transparente, 

Potável e fria

Para minha sede.

Posso!

Pode...

Água para meu corpo,

Água para minha alma.

Há alguns é negado esse direito.

Por doença,

Por ausência.

Água que compõe o meu corpo.

Mamãe, no fim da vida não podia tomar água...

O tempo me fez esquecer isso.

Pobre mamãe!

Lutou bravamente,

Viveu até onde deu.

Á água é essencial para a alma.

Beba!

Beba!

Beba!.

26/08/26

Nível de importância

 A caminho da minha sala, 

Na universidade,

Meu olhar vai da mata ao concreto...

Por acaso me veio a mente,

Ao olhar uma parede.

Qual tijolo é o mais importante 

Aquele que esta na base junto a fundação,

Aquele próximo ao telhado?

Numa parede há um tijolo importante?

Não cheguei a uma conclusão,

A não ser que ambos são importantes.

Patativa

 Sol frouxo,

Céu nublado,

Calor se aproximando,

Canta na mata a patativa,

Achou planta florida,

Achou fruto docinho,

O canta para encantar a mata.

Aqui, neste recinto,

Ouço!

Enquanto ouço,

Viajo no tempo...

Patativa,

Patativa,

Patativa.

Lacunas

 Ontem, estava muito cansado e não dei a devida atenção a Sassá. Ele queria brincar e eu queria dormir. Isso me deixa triste e com remorso. Faz-me refletir sobre o tempo, sobre o que falou Montessoure sobre o silêncio da casa. Hoje, vou melhorar.

Ainda ontem, Sassá enquanto tomávamos banho, conversando sobre nosso jogo ele falou... meu filho vai ser mais esperto que eu... Intenso e interessante essa perspectiva para um menino de cinco anos. Os anos passam, a realidade é assim. E não sabemos como reagir. A consciência é tardia, pois é linear no seu funcionamento.

Ele lembrou ainda que quando estivemos em Carnaúba dos Dantas, batemos um Sino. Eu nem me lembrava mais... Foi assim. cheios de lacunas o nosso ontem.

Agrado

 Todas as manhãs quando aqui chego, agradeço.

Sou grato a tudo nesta vida.

Agrada-me os fragmentos de mata,

Agrada-me o canto das aves,

Agrada-me o vento nas árvores,

Agrada-me o silêncio da mata,

Agrada-me encontrar as pessoas e dar bom dia...

Agrada-me contemplar a sucupira da curva,

Agrada-me andar devagar olhando as plantas,

Agrada-me ver o capricho das pessoas com o lugar...

Muitas coisas desagradam-me,

Mas não quero desagradar-me com isso.

Melhoria

 Ontem, trocaram as luzes de minha sala e tudo ficou mais claro. Minha visão até melhorou.

Hoje percebo uma diferença o quanto o claro pode ser melhor que o escuro para o meu trabalho.

Ontem, final de agosto.

Uma melhoria no trabalho, um conforto para a visão.

Coisas que melhoram a vida.

25/08/26

Silêncio

 O silêncio,

Enquanto estou pensando aqui e agora.

O vento sopra lá fora,

O céu azul, limpo e claro.

Quero o silêncio.

Silêncio do tempo.

Por um momento,

Um breve momento plasmo o tempo.

Sou o que sou.

Atemporal, eterno...

Basta um ruído e ganho a consciência

E tudo se desfaz

Como uma gota no espelho de um lago noturno...

O que sou eu?

Matéria, causalidade,

Uma perturbação,

Convergência de espaço e tempo?

Um fazer efeito?

Não sei quem sou ou o que sou?

Não sabemos... Existimos,

Elucubramos,

Temos uma leve sensação de sabermos que somos,

Neste vácuo de silêncio...

A escrita, o interesse une os tempos e as pessoas.

Pessoa, Borges...

A coragem,

O amor,

O medo...

A humanidade...

Leis as mesmas atuando no macro e sobre o micro.

Que é tudo isso?

O caminho?

A consciência?

O buda?

Javé?

Jesus Cristo?

Silêncio...

Silêncio...

Aprendendo uma arte

 Sassá foi para a escola em silêncio. Ouvia a música, concentrado. Quando parei o carro ele começou a conversar. Mesmo assim falei como havia sido minha manhã. À tarde, ao sair da escola, estava feliz e comentou que havia ido ao banheiro antes de sair. Então, fomos ao mercado e não pediu nada. Comprei umas bolachas doces e amendoins. Comeu com gosto. Ao chegarmos em casa regamos as plantas e subimos. É tão bom. Às vezes só a presença já basta. O silêncio respeitado, a parceria... Estou descobrindo a paternidade todos os dias.

Canto com canto

 Os pássaros ou cantam só ou cantam em grupo.

Cantam para encantar 

Ou cantam para desencantar.

De algum canto vem um canto,

Daqui, dali, daculá...

Canto com harmonia...

Nem só as aves sabem cantar,

Canta a gia no cacimbão,

A perereca no oitão...

Canta a mata,

Canta o milharal,

Canta o mar na praia...

Canta a concha no ouvido,

Canta...

São tantos os sons...

Tanta informação,

Ouça o coração

E vai encontrar um canto para apreciar.

Como literatura

 Ontem, em frente ao HU, da UFPB, vi um lindo chevrolet D60, branco, potente e cara de mal. Fiquei muito contente. D60 me arremete a Martins, cidade natal. Onde na minha infância eu via o D60 gerimum coletando lixo pelas ruas. Quem dirigia era Babu. O barulho do motor inconfundível, o sol ardente, sob o frio da serra fez aqueles momentos se eternizarem e em minha vida. Certamente, estava com a mamãe. Nunca tinha visto um D60 Branco... Lindo demais. Os mais comuns que conheci eram cor de goiabada como o de Ivin, um comerciante que comprava pinha e ceriguela lá no nosso sítio. Os D60 eram comuns na década de 80 e 90 só perdiam para os tromba de porca da Mercedes. Tempos bons... Somos produtos de nosso tempo e lugar. Com o tempo estas memórias não serão compartilhadas, apenas aparecerão como invenção, como literatura.

24/08/26

Rita Baltazer

 Hoje, faz 10 anos que minha amiga e chefe desencarnou.

Quem era ela? Rita Baltazar de Lima.

O que fazia? Era professora de Botânica.

Onde nasceu? Rio Tingo.

O que estudou? A família Rhamnaceae.

Uma professora maravilhosa.

Uma pessoa sem palavras para descrever.

Amiga, reta, especial.

A 10 anos a terra, o Brasil, a Paraíba perdia a grande mulher que foi.

Teve seu nome eternizado como nome do Herbário da UFCG de Patos...

Homenagem ao nome do Carbal...

Eternas saudades.

Borges

 Há 127 nascia Jorge Luiz de Azevedo Borges.

Conhecido como Borges. 

Um escritor consagrado pela literatura universal.

Sua literatura fantástica encanta a todas as classes de pessoas.

Descobri Borges no mestrado,

Me aproximei de Borges no doutorado,

No pós pude me aproximar melhor,

Comprei quase todos os seus livros.

Semanalmente ouço suas palestras. 

Aprendi muito com Borges,

Ouvi-lo é maravilhoso.

Lê-lo nem se fala.

Sentia vontade de escrever quando estava lendo.

Tantas minúcias naquele autor.

Sigo em sua companhia,

Por via de sua obra.


Música e mamãe

Domingo,

Agosto,

Ano 2025

 Na missa, ouvi uma canção que lembrou de mamãe. 

Mamãe cantava na missa,

Mamãe cantava em casa,

Sabe aquelas músicas das tocou na igreja há muito tempo.

Aí lembrei que ia a missa com a mamãe.

E marcou em mim.

Marcou...

Quatro décadas

 Em 1986 entrei para a escola, tinha seis anos. Em 1996, aos 16 anos, estava no segundo ano do ensino médio. Em 2006 estava no mestrado em ciências biológicas. Em 2016 era professor de Botânica na universidade federal da Paraíba. Em 2026, sou professor. E aí  se foram 40 anos de minha vida. Quanta coisa vívida.

Alfabeto

 Giz, quadro negro, carteira e cadeira, caderno de espiral, um lápis e uma borracha.

A, é, i, o, u.

Vogais e

A, b, c...

Fui a escola aprender,

Ler e escrever 

E o mundo 

Descobrir 

E o mundo 

Inventar.

Promeira escola

 No meu lugar tinha uma escola,

E só.

A escolinha era branca,

E nela tinha uma sala, dois banheiros, uma cozinha, uma dispensa, e a sala de aula,

Na sala 37 carteiras e um quadro,

O quadro negro era verde e estava virado para o sul,

As carteiras voltadas para o quadro,

Tinham cinco janelas voltadas para o nascente e a porta para o poente.

A mestra, minha primeira professora 

Foi Livani Raulino.

Foi ela que me ensinou a ler e escrever.

Foi ela minha aurora.

A zeladora e merendeira era Dudé de Zé Baliza.

Em frente a escola a estrada era de barro.

Não tinha eletricidade.

O meu primeiro ano foi à tarde.

No ano de 1986.

Hoje 2026... 

Lá se foram 40 anos.

Eu mudei 

E a escola morreu.


Saudade...

Consciência

 Meu primeiro mundo era vasto e surpreendente,

Mamãe e papai,

Meus manos e vizinhos,

Nosso sítio,

Nossas galinhas,

Nossa vaquinha,

Nosso cão e nosso gato,

Nosso sítio.

Tanta coisa pra explorar as formigas e formigueiros,

As vésperas e seus ninhos,

Os besouros,

Os sapos e girinos,

As plantas, suas flores e frutos...

Tudo para descobrir,

Tudo para nomear.

Minha mãe foi minha primeira educadora,

Meu pai foi o meu herói., 

Quando aprendi essas coisas,

tinha a seca com caju e manga 

E inverno com milho e feijão....

Assim floresceu minha consciência...

No aquário da Penha

O dia era sábado, 22,
O mês era agosto,
O ano 2026.
Sassá acordou e queria ficar em casa, curtir os livros que ganhou,
Mas era dia de limpeza,
A mamãe contratou uma diarista.
Então saímos só nós, Sassá e eu.
Fomos fazer umas fotos de plantas,
Na universidade, fotografamos um pau-de-formiga e uma kalanchoe fantasma.
No castelo branco, fizemos fotos chultezia, ele até coletou alguns exemplares.
Dai fomos abastecer no posto da Água Fria,
E fomos ao Aquário da Penha...
O dia estava muito ensolarado,
Ele estava de boa, ouvindo as músicas que está no carro desde que fizemos a primeira viagem em 2021.
Foi ótimo chegar ao Aquário...
Já conhece praticamente tudo.
Comprei os ingressos e ingressamos...
Vimos novos peixes, uma parede nova com cores de neon.
Vimos as moreias, murucutuca e caramuru...
Vimos as lagostas de cabo-verde e vermelha, 
Vimos os peixes oscar.
Num recinto vazio ele observou que havia três caranguejos eremitas e vibrou com isso.
Vimos a arraia treme-treme...
Vimos cavalos marinhos amarelos,
Vimos o peixe nemo, doroti...
Vimos dois lindos acarás disco...
Vimos os tubarões...
Vimos as serpentes, cascavel, jiboia, piton reticulada, salamanta, cobra-de-milho. 
Vimos os lagartos dragão barbudo e rabudo.
Fomos para o recintos das aves, vimos joão-gomes o papagaio de coleira.
Vimos as arararas, tucanos, pelicanos...
Vimos o pavão e as pavoas,
Vimos o peru calado e doente,
Vimos o jacareé e quelónios...
Foi muita emoção.
E voltamos pra casa...
E o dia se foi.

Aperreio

 Desesperada grita a sabiá,

Ouço com empatia,

Conheço e amo sabiás.

Que será?

Sabiá quando aflito grita sem parar.

Que será sabiá que tanto sabe cantar.

Grita no galho do cajueiro,

Levantei-me e fui olhar.

Que danado era que estava aperreando o sabiá.

Ah! Já sei,

Agora vi, 

É o zé lelé do seu caboré.

Caburé não brinca,

É um rapinante,

Dê sopa que ele ataca, mata e come.

Mas o sabiá bota pra danar,

Grita apelando,

Catei uma pedra e espantei o zé lelé,

Vai pra lá caboré.

A sabiá sossegou...

De agrado logo cantou.

Paixão desperta

 O calor no olhar,

A beleza encontrada,

O olhar no olhar,

O desejo a fervilhar,

Pele fervente,

Coração a palpitar...

Não é medo,

E é medo,

Uma conexão aconteceu,

Algo profundo se acendeu...

Que será?

Ser sertanejo

 O gado come o pasto,

Sol quente,

O pasto fica escasso,

O calor, a sombra, a água...

A poeira no oitão,

O pau do curral,

O cheiro do gato,

O calor do gado,

O leite quente na manhã fria,

O vento frio,

Nessa oscilação,

O tempo vai passando,

O tempo vai contando,

A vaca estrela,

O boi bumbar,

O queijo feito,

O radialista,

O rádio,

O verão ao pino...

A vaca caçando pasto,

A gente andando na caatinga,

Se sente bicho...

Se sente bem com os bichos.

A gente entende e se sente bicho...

O cão parceiro,

A casaca de couro,

A catingueira cinza,

O juazeiro...

Meu Deus,

Amo ser sertanejo,

Do início ao fim.

Foto, fotografia

 Uma cena,

Um lugar,

Um objeto,

A luz é essencial,

A objetiva,

A objetividade,

A subjetividade,

O ente,

O sujeito,

Espaço,

Tempo,

Causa e efeito.

Uma imagem plasmada,

Memorizada,

Um espelho com memória...

Uma foto.

21/08/26

Gigantossauro

  Sassá quis jogar bola. Então jogamos bola em nosso apartamento. Muitos chutes e muitos gols. Nem quis jogar futebol de tablado. Tudo bem. Nos divertimos muito. Ontem, estava focado em explicar que o Gigantossauro existiu. Então me pediu o livro  mostrou o Gigantossauro que habitou nas Savanas da América do Sul. Explicou várias coisas. Gosto quando ele se sente empolgado explicando as coisas. E ontem foi a vez do argumento a favor do Gigantossauro que em outro livro disse que não existia. Enfim fico o Sassá que provou por via de uma imagem e um texto. É isso.

Ah! Saudades

 O galo cantou no oitão.

Na panela ferve o feijão.

As galinhas cacarejam,

O vento sopra afagando o fogo,

Enquanto vovó remenda uma calça velha.

O tempo passa e a gente nem percebe

Que a realidade toda,

Tudo é um sorriso pro universo.

O galo cantou de novo,

O feijão mudou de cor,

Cozinhou,

O fogo consumiu a lenha.

O remendo ficou bom.

Minha vovozinha...

Saudades.

Paz fora de dentro de mim

 Cantou leve o sabiá,

Nesta manhã agostinha,

Senti paz.

A luz dourada fez o mundo tão belo.

Senti paz.

Havia uma harmonia entre mim, o céu e a mata.

Sai do carro a passos pequenos,

Rezei um pai nosso e a oração de são Francisco.

Nem sempre estamos bem com nossa mente.

Mas hoje, havia paz.

Fora e dentro de mim...

20/08/26

Gil gipson!

 Sassá quer lutar Gil gipson! O interessante que ele diz que sabe lutar. Que já sabia bem antes de existir na barriga da mãe. E dá socos e chutes. E quis lutar comigo. Eu ensinei como socar em caraté. É o que sei. E insistiu para eu lutar com ele. E lutamos. Depois se contentou. Jogou xadrez com o Oscar, jogamos futebol de dedo. E morreu de rir com a turma da Mônica! Eu dormi... Ele continou com a mãe. O interesante que ele fala Gilgipso... como se escreve. Eu nem sabia como escrever... o nome desta luta. 

Ser em condição

 Aqui na mata canta uma patativa,

Longe na estrada ronca uma moto,

Agradável e desagradável,

Perto e longe...

Tipos de sons,

Intensidades distintas,

Harmonias diversas...

Onde está a consciência nisto tudo?

Poesia

 É de manhã,

Sento na cadeira,

Abro o livro de bolso,

Livro de poesia,

Pessoa!

Quem é grande vira livro de bolso.

Vende feito água!

Pessoa, isso mesmo Fernando.

Recentemente, adquiri um livro de bolso.

O grande, o gigante Mário Quintana.

Pus na minha mesa!

Costumo colocar livros na minha mesa.

E Quintana!

É um universo da alma!

Um tratado da beleza espiritual humana...

Quintana do eles passarão e eu passarinho.

Rua dos cataventos.

Recentemente ganhei um livro Brevidade!

De poesia!

Poesia de uma poetisa.

Estou ampliando meu conceito de poesia.

Poesia se sente.

Poesia se consome!

Poesia se faz...

E fazer poesia precisa inspiração,

Seja de percepção,

Seja de razão!

Poesia com rimas e regras,

Poesia livre...

Poesia de síntese!

A gente encontra tudo isso no universo

Isto mesmo no universo de existência da poesia.

Universo humano,

Uni Verso!

Onde o espírito transforma o concreto no abstrato,

Onde o objetivo se transforma em subjetivo,

Onde há conhecimento,

Pois há sujeito e há objeto...

E há um terceiro que é o leitor...

Poesia um sol cujos raios são espelhados no universo...

Clareia todos os lugares do mundo,

Tudo revela...

A poesia é um retrato da realidade.

É isso.


19/08/26

Ziná

 Esse mês mais duas pessoas partiram de Serrinha do Canto Ci de Damião e Donina e Ziná de Severino Lopes. Hoje, recebi a notícia com tristeza. Ziná foi merendeira da Escola Isolada Serrinha do Canto. Era funcionária da prefeitura. Era quem fazia a merenda entre os anos 1980 e 1990. Foi casada com Antônio de Doquinha muito amigo de papai. Na minha infância convivi muito com a família de Ziná. Conheci toda sua gente, Seu pai, sua mãe, suas filhas. Descanse em paz.

Ci foi o primeiro motorista de ônibus que fazia a linha Martins - Pau dos Ferros.

Se foi também.

Um grito

 Em silêncio contemplo o mundo,

As formas que me dizem o que são,

As cores que qualificam as formas.

Eu olho pro dia,

Eu olho pra noite,

Eu ouço o dia,

Eu ouço a noite...

E me sinto cansado.

Cansado do dia dia.

Meu corpo, minha alma

Sentem cansados.

A fé me cura,

O descanso me recupera...

Sempre seguindo a seta do tempo...

Humano espero algo...

Humano.

Humanidade.



Flores de laranjeira

 Olhando fotografia de flores,

Flores de laranjeira,

Recordei aquele janeiro,

Aquele janeiro quente de 2019.

Senti todas as manhãs o cheiro doce das flores brancas de laranjeira.

A vida estava tão boa.

Mal sabia que alvorecia a pandemia.

A humanidade enfrentaria uma tragédia mundial.

Ainda bem que não sabia de nada.

Vivia cada alvorecer,

Cada primeiro crepúsculo

Como se fosse único.

Caminhava olhando a caatinga...

É tão bom não saber a luta que nos espera...

Aquelas flores alvas,

Coroadas de amarelo...

Marcava o fim de uma vida,

Minha primeira tragédia pessoal.

Aquela que a gente descobre e fica com medo...

A fé foi fundamental para está aqui,

Escrevendo estas linhas...

Que se perderão no tempo e no espaço...

Até que alguém encontre e se identifique...

É a vida.

A leitura muda

 Sassá amou o livro que comprei para ele.

Um livro que fala sobre onde os animais fazem coco.

A gente ri.

Ontem, antes de ir para a escola, rimos muito.

Ao ler o livro a gente comenta e se diverte.

Sassá ama livros.

A mamãe ler mais para ele que eu.

Ler quando ele está se alimentando.

Engraçado as formas de ler minha e dela são totalmente diferentes.

Ele ama ambas formas.

Sassá já conhece as palavras, já ler, mas prefere as imagens.

Eu era assim também.

A primeira vez que vi um livro tinha seis anos, foi na escola.

Aquelas imagens me encantaram...

Mudaram algo em mim.

Espero que o mesmo aconteça com meu amante de histórias...

Mudança de estação

 A noite a lua crescente,

E a estrela d´alva 

Crescem juntas no poente...

Parece que o tempo parou,

É como é,

É como foi,

Um espelho da eternidade?

O vento sopra fresquinho,

Agora de manhã,

Até está chovendo,

Agosto...

Início do fim

Fim do inverno,

Agosto do início,

Início do verão...

E deixo aqui,

Minha profunda admiração.

18/08/26

Gerânios

Haviam gerânios de enfeite em casa.

Eram feitos de plástico.

Descobri que eram gerânios 

Num livro de morfologia vegetal de Vidal.

Interessante que cheguei a ver Gerânio em São Paulo,

E vi gerânios nas janelas de Paris.

Nunca me imaginei em Paris,

Não imaginei que aquela imitação,

Seria a luz de conhecer

Gerânios...


Luz da alma

 Na minha casa descobri o mundo,

Papai e mamãe e meus irmãos 

Auxiliaram-me nesta empreitada,

Cuidaram de mim.

Na nossa casa simples não tinha riquezas,

Mas não faltava amor, carinho e amizade.

Minha mãe tão natural.

Meu pai tão sentimental.

Na minha casa havia um quarto de São Francisco de Assis 

Comprado no Canindé 

E eu mirava com misticismo, medo e admiração,

A moldura barroca.

Tinha um quadro de papai, begue e mamãe.

Por que eu não estava lá?

Já me questionava?

Eu me balançava na rede olhando através da janela,

Sentindo a emoção do ir e vir 

Subir e descer,

Eu olhava para o infinito do céu...

Aquela vastidão me amedrontava e me encantava.

O meu mundo era minha família,

A poesia era bruta e não soava ainda...

Eu vivia,

Contemplando minha existência,

Vivendo minhas primeiras experiências...

O mundo se revelava infinito....

A finitude estava em mim 

E parece que eu sentia isso,

E descobri a finitude me deixava triste...

Era natural que se descobrisse,

A razão apontava,

A emoção indicava...

Mas algo em mim 

Queria a eternidade...

Todo ser quer se conservar eternamente.

A minha casa é a mesma.

Os cômodos, as paredes são o mesmo...

O tempo muda todo dia e nos seus cômodos,

Cada dia tem uma história 

Que guardamos em nossas memórias.

A casa e meus pais foram o feixe que me formaram e me firmaram

Quem me fizeram quem sou...

Sou como os meus pais em carne, osso e alma,

Mas com direito a liberdade e a individualidade....

Sou o fui,

Sou o que sou,

No começo tinha meus pais,

Agora tenho a casa,

E as experiências,

E os ensinamentos...

Tenho o que sou.

Sou o que aprendi 

E nada mais.

Metafísica do joão-de-barro

 Quando a tarde caia no inverno,

Saia a caminhar,

Ouvia no fundo da mata,

Entre caminhos,

O joão-de~barro cantar.

Era tão bonito.

A mata verde,

Barro enxarcado,

O cheiro da flor branca do marmeleiro.

Algo além de mim cantava,

Se expressava,

Não como as plantas,

Mas algo vivo,

Marrom, a caminhar.

Eu tomava consciência da alteridade,

Era tão belo aquele canto,

A caminhar, forragear,

Pleno e eterno...

As vezes que me lembro,

Fico pleno.

Volto no tempo...

Se isso fosse possível!

Meu Deus!

Eu desperto uma memória...

Sabia onde estava,

Sabia qual era o tempo.

Só resta memória.

Oservador

 Uma chuvinha desfia nesta manhã agostiniana.

A luz clara do céu, anuncia a chegada do  sol,

Anuncia a chegada do dia.

O tempo está mudando,

Folhas colorindo,

Folhas caindo...

Sou um observador do tempo,

Sou um viajante do tempo...

Percebo um pouco dessa realidade,

Uma chuvinha que refresca,

Chuva do caju...

17/08/26

Suas vidas

 Ontem, saí para caminhar com Sassá e ele percebeu o quanto as ruas são sujas. E falou das pessoas mau educadas que jogam lixo na rua e estes vão parar nos bueiros. Achei interessante sua perspectivas. Está consciente de muita coisa. Verdade o que Montessouri dizia que aos sete anos temos um homem formado do ponto de vista de muitos valores. A escola tem uma função primordial nisto, pois a aprendizagem compartilhada pela professora, as experiências particulares dos alunos permitem uma aprendizagem muito mais efetiva. Sassá quando chega nas academias de praças já quer logo se exercitar. Temos que os preparar para quando tiverem suas vidas. Quando adultecerem.

Mudança

 O tempo muda,

O ano muda,

Após as chuvas,

Chega a estiagem,

A mata se desmata,

Folhas perdem as cores,

Se desprendem 

E se deitam no chão.


Sol intenso,

Purifica a vida,

Água seca,

Poeira e pico aparece,

A gente muda por dentro.


A gente é daqui,

Sabe que é assim,

A gente muda.


A gente passa olhar mais no infinito,

O céu mais azul,

As tardes mais iluminadas,

Noites estreladas;


A gente muda nossos ritmos,

Já não canta o sabiá,

A gente mira mais o poente,

A gente sente a vida,

Sente o corpo;


Quando o tempo muda,

Muda a mata,

E a gente muda.

A mudança é devir...

A mudança é acontecimento,

As vezes brusco, como a morte,

As vezes lento como viver...


Tudo muda

Angustia

 Acordei e ao passar do tempo senti uma angustia profunda.

Um desgosto ao saber que tudo está passando,

Que a vida está passando,

Que mundo de minha vida se passou...

Senti uma saudade profunda de papai e mamãe.

A manhã, após uma madrugada espetacular

De céu limpo, nítido e estrelado.

Despertou em mim essa angústia.

Fiz tudo como de hábito.

Desci, liguei o carro e sai lentamente como uma lesma.

A manhã nem havia chegado,

Desci, peguei o viaduto e em seguida a avenida do contorno.

Na rotatória, vi um homem, maltrapilho.

Que me fez desvencilhar da angústia,

E não estava nem ai para angústia alguma.

Com um saco seguia caminhando.

Também ele sofre, também pode se angustiar...

A vida certamente é mais dura.

A angustia é um sentimento.

Não sei se sentimento humano seria um pleonasmo.

A angustia.

Sai de lento...

Engolindo que estou envelhecendo,

É humano envelhecer...

Será se é possível ser feliz sabendo disso?

A gente vence a angustia algumas vezes...

E ela nos vence algumas vezes...

Primeiro livro

 Ontem, imprimi um esboço do livro de Sassá. Organizei em powerpoint e pedi para imprimir e encadernar. Não consigo expressar a felicidade q...

Gogh

Gogh