Ontem Sassá e eu desenhamos sapos... Eu desenhei sapos coloridos. Ele desenhou uma harpia e sapos também. Desenhar sapo é muito legal. Como havíamos desenhado uma mamba-negra antes, ele queria desenhar, mas não sabia o que... Então pensei sapos. Ele achou engraçado o sapo Pinóquio. Ele desenhou uma perereca verde e laranja, muito bonita por sinal. E foi isso. Sapos.
Pensar
Sorria! O riso ilumina a alma e embeleza a vida.
18/03/26
Impressão floral
Aqui na universidade temos muitas plantas, então segunda-feira, 16 de março de 2026, sai com meus alunos a coletar frutos para a aula. Em frente a biblioteca central foi plantado um baobá. Baobá é famoso creio, por estar descrito no livro Pequeno príncipe de Saint-Exupery. Foi neste livro que soube da existência desta magnífica planta. Numa das passagens o principezinho tem medo que nascesse um baobá no seu pequeno planeta b612. Eu já conheci o baobá pessoalmente em Nísia Floresta no RN; em Recife, e aqui em João Pessoa lá na Bica. E agora aqui na UFPB, de forma que bom o baobá é um conhecido e colega de ambiente. Compartilhar o nosso mundo com baobá é perfeito, conhecê-lo melhor ainda. Uma árvore imensa de folhas lobadas e flores muito grandes. Entretanto conhecer a flor, tocar a flor, cheirar a flor, sentir a flor é outra história. Suas flores enormes pêndulas com longos pedúnculos, cinco sépalas e cinco pétalas da cor de pipoca; poder ver a coluna estaminal conhecida como andróforo, sentir o odor suave de manteiga e provar do néctar foi uma experiência muito interessante. Depois de analisada a flor, esqueci de analisar o ovário. Que coisa. Bom certamente que o principezinho iria amar conhecer a flor do baobá... Eu amei.
Flor do baobá
Uma flor bem grande,
Uma flor bem branca,
Seu pedicelo é bem longo,
Suas pétalas bem carnosas,
Suas sépalas são assimétricas,
Seus estames numerosos,
Que andróforo enorme,
Tem um cheirinho de manteiga,
Tem muito néctar...
Branca como pipoca,
Parece sorrir,
Cheira a queijo de coalho assado...
Foi essa minha primeira vista e minha primeira impressão
Da flor do baobá.
17/03/26
Mamba-negra versus mangusto
Hora de entender
O tempo nos dá,
O tempo nos tira,
Tempo e espaço,
Espaço e tempo,
Aqui e agora,
Agora e aqui,
Ontem, hoje, amanhã.
Ontem são memórias, deveio.
Hoje é ação,
Amanhã divagação, ideal.
O lugar onde nasci continua o mesmo,
Rochas no lugar,
Mata no lugar,
Tem as marcas que a gente faz e a gente sofre.
A gente envelhece sonhando,
E percebe que os sonhos,
Também o tempo consome...
Transferimos nossos sonhos...
Eu não sabia que a felicidade está no agora,
Se sabia desconhecia como eternizar o momento...
Viver é assim aprender com o tempo,
Com o deveio... o devir é um amanhã
Que posso despertar ou não.
O tempo dá
O tempo tira...
E nos somos só sentimentos,
Nada mais.
16/03/26
Um momento impar
A madrugada estava linda.
Estava plenamente escura.
Quando dei fé vi a lua.
E a lua estava crescente,
Aquela meia lua,
Aquela foice no céu,
Lá no nascente,
Crescia amarelo prateada.
Em silêncio,
Plena em sua cena.
Parei e contemplei por poucos segundos.
E pude contemplar o tempo.
Aquela velha metáfora persa,
A lua é o espelho do tempo.
O silêncio e a beleza me fizeram eternizar
Em minha mente,
Um momento impar no universo.
Só isso.
João Paraibano
Ontem assisti a uma entrevista de João Paribano. Foi uma excelente entrevista. Tanto os entrevistadores quanto o entrevistado trouxe novas informações, pessoas e sobre poesia de viola. João de Princesa Isabel. Com uma voz muito peculiar e com versos voltados para a natureza.
A bica
O fim de semana foi agitado. Fomos a Bica e além de tudo que estamos acostumados a ver, encontramos um novo recinto. É natural gostar de coisas novas. Na outra vez havíamos ido a um recinto com tartarugas no meio a mata, perto da lontra. Dessa vez ele quis ir de novo ver as tartarugas orelha vermelha e a tartaruga mordedora. Então encontramos mais um recinto de tartaruga com uma nova tartaruga que desconhecemos. É um bicho intermediário, casco orbicular, achatado e duas estrias claras na cabeça. Ele gostou muito dela, até quis voltar lá. No recinto haviam aráceas, copo de leite florido, exalando um odor maravilhoso. Tinha frutos pão no chão meio passados. E tinha também lama. Foi o ponto ápice do passeio.
Zé o tamamduá estava ativo, caminhando. O emu ulises estava vocalizando. No final. Sassá estava faminto, então fomos almoçar no shoping sul.
15/03/26
Limiar
O silêncio da madrugada me desperta.
A luz tênue da manhã começa a surgir.
Fora canta um sanhaçu,
Um som forte e próximo,
Vou até a sacada.
Voa e o silêncio reina.
Volto a cama sinto o calor da coberta,
Cheiro os cabelos e meu filho.
O tempo, esse pensamento que me perturba,
Vem a minha mente,
Então o espanto...
Vou a rede armada na sala.
Olho através da janela,
Olho meus quadros de uma casinha, mandacarus e macambiras,
Olho para ele e vejo meu sertão.
Um sertanejo no litoral tem que ter sementes de sua terra natal espalhadas na casa...
O tempo avança.
Um carcará pousa na antena do prédio a frente.
Majestoso, vocaliza e arqueia o pescoço.
Repete poucas vezes,
Depois voa...
Onde estou... Perdido no mar de ideias.
Então, vou preparar o café.
E tudo se conclui aqui.
14/03/26
Eterno tempo
Eterno é o tempo,
Eterna é a tarde,
Tarde que cai no horizonte,
No distante poente.
Segundo crepúsculo quente,
Imagens em minha mente,
Distante! no espaço e no tempo.
13/03/26
Zé
Seu Zé,
Toda tarde sai para caminhar.
Quatro horas, facha chuva o faça sol.
Tem um pouco de dificuldade de andar.
É magro e Alto, usa bigode e é sério.
Custou a dá boa tarde, mas já se acostumou.
Seu nome é José Tavares.
Lembrei logo do nome do herbário da rural
Sérgio Tavares.
Transição
Vi a aurora nascendo;
Não sei qual o momento,
Mas vi a aurora despertar,
Tal qual brasa na cinza,
Soprada pelo vento,
A brasa acendendo.
Estava muito escuro!
Em pouco tempo,
A luz foi se acendendo,
Rubra, encarnada.
Fraca, tênue...
Foi se acendendo,
Um convite a reflexão,
Um convite a contemplação,
Um despertar de memória,
Um convite a ver o passado...
Feliz...
Aurora, naquela hora.
Hora ensurdecedora,
Silenciosa...
Fez me olhar no fundo de minha alma,
Em meio e imerso em calma...
Fui fazer o café,
Então o gás acabou.
Na natação
Vento
No vento
Busco um verso,
Algo diverso,
Forte ou lento,
Sopro em deslocamento,
Varrendo o universo,
em movimento transverso
Ar em movimento,
Assim invento,
Quase disperso,
Com sentimento,
O inverso,
do intento,
algo metaverso.
Forma
A forma é a matéria definida.
É o estado terminal da matéria.
A forma pode ser dita.
A matéria é a indefinição da forma.
A substância é a forma e a matéria.
A substância é a totalidade que há.
Forma é ilusão.
Forma é o negativo.
Forma é definição.
Forma é enquadramento,
Forma é o começo da abstração...
Nana rupa - nome e forma.
Um ponto para um pensamento,
Ou a base do pensamento.
12/03/26
Acho que sabe
Ontem, Sassá encontrou um bicho quando saiu para pedalar. Um besouro com garras. Não conheço besouro com garras. Fique curioso. Ele tentou explicar. Até desenhou o mais próximo que me veio a mente foi uma barata d'agua. Tentou me explicar o caminho todo até a escola. Nunca vi. Ama conhecer os bichos. Ama cuidar das plantas. Tudo com muito carinho e amor. A parte isso, ontem brincamos de carrinho também. Depois de cabaninha do papai. Acho que ele entende quando eu quero dormir. Amo demais.
Memória eterna
O vento soprou,
Fazendo as árvores cantarem,
Seu canto é peculiar,
Soa como um chiar.
Esse evento despertou uma doce memória.
Nos fins dos grandes invernos,
A mata florida e enramada,
Quando o vento passava,
levava uma lufada de cheiro,
Um espirro floral,
Sentado em algum lugar na mata,
Em pé a caminhar...
Meu ser parava para contemplar
A natureza divina...
O cheiro das flores
de mucunã, de marmeleiro,
Cheiro do mato...
Ali o vento e a mata despertavam em mim
Eternidade.
Memórias.
Contemplar
O sabiá na aroeira,
nesta manhã tão clara,
Parece contemplar a mãe natureza.
Vai ornando com seu canto,
Dando tom a mais de beleza
A existência!
De qual geração será você seu sabiá.
A quantos milhares de anos aqui está a cantar?
Ou será que veio com a cidade?
Sabe lá.
Canta...
Quintana, o Mário
Esses dias, ao sair de casa vi o livro de Quintana, O Mário!
Todo bom brasileiro letrado já ouviu falar.
Aqueles que não ouviram, meu amigo, precisa conhecer.
Tenho certeza que vai amar como o amo.
Seus sonetos,
Seus pensamentos escritos,
Sua forma de pensar,
Sua sensibilidade é encantadora.
Pensava além da caixa e na forma poética.
Sonetos bem feitos.
Há arte, conhecimento da poesia.
Quintana de Alegrete.
Hei de me inspirar se é que é necessário...
A natureza me provem de tudo
E a arte me dá uma melhor forma de escrever.
Salve Quintana o Mário.
11/03/26
Logo esqueceu
Ontem Sassá quis aguar as plantas e nós aguamos. Depois quis desenhar e desenhamos. Quis brincar e nós brincamos. Nós conversamos, interagimos e vivemos. Sempre que o vejo gosto de dar-lhes um beijo e um abraço. Gosto de saber como ele está. Lembrei que sempre falava como foi o meu dia. Falei que havia ido a mangabeira trocar o óleo do carro. Rapidamente ele me cobrou as carameladas. Sim carameladas são as castanhas carameladas que compro pra ele sempre que vou ao mercado de mangabeira. Disse que não tinha ido lá. Mesmo assim ele queria as carameladas... Logo esqueceu. Criança é assim. Bom demais.
Sede
Na sede tive sede,
Sede de justiça,
Sede de água,
Sede da justiça,
Sede da água.
Essa sede só passou quando bebi água.
Lá na sede da justiça.
Manhã
Manhã tens a beleza da luz dourada,
A muito sois contemplada,
Suave e fresca,
Teu cheiro particular.
Manhã tuas notas,
Tua essência, será tua?
Não seria o frio e frescor
Um presente da noite
Que passou?
Não seriam esse odor,
Um presente noturno.
Manhã, nova manhã...
Não sois apenas uma noite acordada?
O grande encontro
Na mata nasceu a sucupira,
Desmataram a mata e deixaram a sucupira,
Ali virou um estacionamento,
A sucupira ficou na curva de uma via,
Por isso a via se chama curva da sucupira,
A mata virou uma universidade...
A sucupira continua a crescer.
Todos os dias posso contemplar a sucupira imponente,
Seu tronco grosso e casca áspera,
Porta folhes pequenas,
Uma vez por ano fica roxa de flores...
Hoje, um sanhaçu a escolheu para cantar,
Voou até os ramos dela,
Se preparou e cantou...
Cantou um canto belo,
Como é seu canto.
Cantou como se cantasse pela última vez,
Cantou para si?
Cantou para uma amada?
Cantou para mim?
Cantou.
A sucupira se sentiu até feliz.
E o dia seguiu normalmente.
10/03/26
Essência do ser
A aroeira fernanda abriga um sabiá,
Dias da calado,
Dias está cantando,
Canta sabiá,
Seu papo amarelo,
Aberto a cantar,
É tão belo,
é Tão belo...
Vem por outro te ouço a cantar.
Vez por outra está por lá.
Tchau aroeira,
Tchau sabiá...
Qualquer dia alguém parte.
Só não parte a essência agora.
Tela não
Ontem, Sassá saiu da escola, soltou umas palavras engraçadas e brincou com seu amiguinho Ravi.
Conhecemos Ravi quando era bem pequenininho, pós pandemia na praça do Rapaz como a gente costumava falar. Ravi com seu avó Zé. Foi ali, naquela época andando com dificuldade que nos conhecemos.
Ravi foi para a escola primeiro. Seu Zé sofreu primeiro o deixar o neto na escola.
Depois Sassá entrou na escola e no ano seguinte Ravi veio estudar com Sassá.
Se tornaram grandes amigos e nós os pais também.
É muito linda essa relação de amizade.
Quando a gente desperta, percebe que passa muito rápido. Conversando com o pai de uma coleguinha de Sassá, comentávamos isso.
E todo mundo diz isso.
Parece que não, mas é verdade.
Essas crianças preenchem tanto as nossas vidas que nem imagino quem seria se não tivesse ganhado a graça da paternidade.
Cuidado com as telas.
Sassá ganhou uma tela, um tablet sem ao menos ser consultado.
Ontem ficou muito angustiado porque queria ver uma atividade.
Meu coração ficou pequeno e mole.
Não deleguemos a paternidade ao mundo...
A gente vai aos poucos liberando para termos tempo para nós.
Bloqueamos os sentidos de nossos filhos as ricas percepções em detrimento de um sentido...
A abração em detrimento da realidade.
Sassá queria.
Mas a mamãe foi firme e disse que não!
Total apoio.
Foram ler os lindos livros...
Obrigado mamãe por ser tão maravilhosa.
É isso mesmo.
Um pouco de nós
Vida essa multiplicidade absoluta.
Aos vivemos, deixamos algo de nós no mundo.
Absorvemos muito do mundo.
Somos produto dessa interação
do ser com o mundo.
Do mundo com o ser.
Essa relação nos revela o mundo e nós mesmos.
É preciso parar,
É preciso se concentrar,
Parar de querer...
Rever seus hábitos,
Tentar saber quem é você e o que você pretende ser.
Em silêncio
O lugar respeita a manhã.
Tudo é paz e silêncio.
Aos poucos o lugar desperta,
As aves são as primeiras
a despertarem.
Umas gritam,
Outras pulam...
Os grilos cantam no balceiro de ervas.
Silêncio.
As máquinas funcionam sem cansaço,
Piscam cores verdes, vermelhas,
Zunem...
As folhas das árvores parada,
Despertam...
E um novo dia chega.
Em silêncio.
09/03/26
Saudades
Ontem, na igreja pedi que rezassem uma missa em memórias de mamãe. Dia oito, foi o dia que ela se foi. oito de janeiro. Sinto muita falta de papai e mamãe. Apesar de minha esposa e meu filho preencherem minha vida, sinto falta de mamãe. A gente viveu uma vida tão boa juntos. Sinto falta de suas conversas, sua amizade e seu amor. A semana santa está chegando e a gente sempre passava juntos. Com o fim de minha mãe, algumas coisas perderam o significado. Assim é.
Fim de semana
Só isso.
Serena e silenciosa a mata parece se preparar para a chuva.
Uma folha sequer se mexe. Agora aqui está úmido e quente.
Todas as vezes que o tempo está sim é sinal de chuva.
Mas deixe isso pra lá.
Uma cuica grita longe.
Só isso.
08/03/26
A alteridade
Quando algo me agrada o que está acontecendo em meu ser.
Estou compreendendo, concordando. Estou abstraindo?
Tantas coisas me agradaram na vida.
Depois descubro que foi uma paixão, acho que foi uma ilusão.
Agradam-me principalmente coisas trazidas pelos sentidos,
Sabor, odor, forma, combinação de cores...
Porque não tudo isso junto e uma pitada de biologia.
O que acontece com meu espírito ao se deparar com uma fatia de pudim.
Ou quando no alto da juventude um olhar se cruza ao meu e a parte me leva a ver o todo
E algo me é revelado, o belo.
E algo me é revelado, o feio.
Que é o belo e o feio, senão uma condição a qual sou exposto o tempo todo e sou levado a categorizar.
Há biologia por trás destes conceitos?
E os elementos intelectuais, contemplação das ideias?
A fé na razão, na ciência, na manada.
O que é tudo isso, senão uma centrífuga que nos confunde,
Que nos faz confrontar o tempo todo a autoconsciência... o eu e a alteridade.
Essa forma de pensar é natural?
Talvez pareça se não pararmos para ver o todo e não as partes.
07/03/26
O eu
O espaço,
O tempo,
O ser e sua existência,
Um ontem,
Um hoje,
Um amanhã.
Aqui,
Ali,
Acolá,
Agora.
Eterno tempo,
Infinito espaço.
Eu...
Intuição,
Percepção,
Representação,
Ideia.
Minha alma,
Meu lugar primeiro,
Meu espaço e meu tempo depurado,
Causalidade, devir e deveio.
Decisão...
Ontem, Ausência do passageiro,
Hoje, Ausência da existência,
Amanhã... só uma ideia.
Nada mais.
06/03/26
Uma ideia
As quatro aroeiras da biblioteca do CCEN,
As catingueiras do estacionamento,
O juazeiro do bolo de noiva,
A sucupira da curva,
O flamboiant da geociências,
O acoita-cavalo do estacionamento,
Seu Josenildo...
O none do CA da Quimica,
O coqueiro do CCEN...
Coisas que estão ai...
Até quando quem sabe...
Mas estão eternarnizadas,
Um dia serão apenas um texto.
Um dia serão apenas uma ideia.
Questão metafísica
Por que descrever nossas impressões, sensações e percepções?
O que é, é.
O que é pode ser nos impressionar.
O que é existe.
E a existência não basta por si.
Existência é fenômeno.
Mas direcionar um sentido ao belo;
Ao singelo,
As vezes não percebemos na grandiosidade disto.
Por definir o que sentimos intimamente?
Amendoins
Ontem Sassá nem quis saber do lindo livro que levei para ele ver. Um livro de flores. Tudo bem, queria era brincar de carrinhos. Brincamos com riptide, ticon, batleax e vodoo. Carro pra cá e pra lá. A gente depois disso saiu para a escola. Chovia. Conversamos sobre a chuva e os bichos. Na escola saiu do carro só sob supervisão de Seu Carlos o porteiro. A tarde, fomos ao mercado. Escolheu os amendoins que compramos um vermelho para todos nós e um verde só para ele. Espertinho...
Josenildo
Josenildo já ouviu falar deste nome?
Busquei na etimologia e encontrei que era um anagrama para José lindo.
Não conhecia este nome até começar aqui na trabalhar na UFPB.
Até agora somam-se quatro sendo um feminino.
Conheci Josenilda apenas de olhos e ouvidos. Conheci no corredor da entrada dali da Geociências.
Nunca estava sozinha estava com as amigas que chegavam para trabalhar aqui.
A turma da madrugada, uma turma que as vezes é desconhecida pelos nomes.
Josenilda era expressiva, gostava de falar alto. Dava para ouvir ela explicando as coisas para as colegas.
Com seu rosto redondo e cabelo vermelho e de estatura mediana se destacava no físico e na expressão.
Um dia, caminhando em paralelo perguntei qual era o nome dela e me respondeu, Josenilda dos Santos.
Perguntei de onde era e ela me respondeu que era de Pirpirituba. Coincidência falei. Terra de seu Ronaldo. Conhece? Não. Falou das cachoeiras de lá, da beleza e sumiu.
Pouco tempo depois fiquei sabendo que morreu de aneurisma. Fiquei impactado. Com 43 anos.
Surpreso as colegas disseram que já tinha neto.
Se foi uma, a única.
Bem os outros são Nildo, Josenildo e Josenildo.
Josenildo Felipe (Nildo) é de Guarabira teve paralisia infantil de um braço, mas é o homem mais inteligente e forte que conheço. Trabalha comigo. Pau para toda obra em trabalho. Sabe fazer de tudo. Um dia falo mais.
Josenildo Maximiniano é alto e magro é de mangabeira. Limpa carro no estacionamento. Cabra gente boa demais.
Josenildo azul é daqui mesmo. Muito esperto e cheio de brincadeira. Cuida dos jardins.
E essa é a quadra.
Conheci um quarto Josenildo, de longe de Baianópolis. Gente melhor que dinheiro.
Faces ou fases
Dia,
O sol quente,
A chuva fria,
O vento frio,
A luz do sol,
As cores.
A sombra da chuva,
A transparência do vento.
Noite,
A lua fria,
A chuva fria,
Vento frio,
A luz da lua,
Suas quatro faces,
Sete dias toda nua,
Sete dias composta,
Sete dias na penumbra.
A chuva,
O vento,
A água,
O ar,
A luz.
O observador.
05/03/26
Chico Firmino
Ontem partiu em Martins no RN Chico Firmino. O último dos Firminos dos troncos primeiros.
Tive a oportunidade de conversar com ele ano passado. Com 97 anos falava com uma lucidez impressionante. Gostava muito de prosear. Foi conhecido antigo de meu avô José e meu pai e nossa família.
Proseando, perguntei se ainda tomava uma!
A boca sorrindo com apenas um dente respondeu que adorava.
Perguntei se conhecia Eliseu Ventania e me respondeu que desde criança.
Fiquei impressionado com a lucidez.
Sempre que ia a Martins o via ali depois do posto de gasolina, depois de Yula de Chica Piula.
Na frente da casa dele tinha um pé de abacate.
Sempre que ia na casa de minha tia o via.
Cego de um olho, magro e alto...
Viveu uma vida longa e cheia de lutas e graças.
Dormiu no senhor.
Vá em paz Chico.
Lagarto-de-gola
Ontem, Sassá quis desenhar um lagarto de gola. Adora falar sobre répteis. Imagina um lagarto com duas caudas. Ontem conversamos sobre o lagarto de gola. Acho que foi influenciado por um vídeo que vimos nas férias. Uma parte mostrando uma cena do Jurassic parque onde o dinossauro abre uma gola. Enfim, falamos sobre isso no caminho da escola e a noite ele quis desenhar. Mas se perdeu, indo olhar o feijão da praia que nasceu no vaso. Eu desenhei ele não. Depois disse que queria um tatu para costurar... Depois do banho fomos para cama e eu dormi.
04/03/26
Herbário um labirinto
Armários em ordem alfabética,
Armários com livros,
Armários com exsicatas,
Famílias, gêneros e espécies,
Quase tudo determinada,
Mas há coisas indeterminadas,
Muitas coisas conhecidas
A maior parte desconhecida.
Um labirinto,
Que contem municípios,
Regiões, estados...
Uma fotografia da flora,
Um recorte da vegetação...
Feijões, cafés, cajás...
Á tarde de quarta,
Gosto de está no labirinto!
Sinto que estou vivo
Entre coisas mortas,
Peças, ramos, flores e frutos secos.
Através da janela o subosque verde,
Com heliconias, singoniuns,
O verde e a tarde que cai mais depessa
Quando estou no labirinto.
Gosto da companhia de Satier,
Suas gimnopédias,
Seu piano.
E a imaginação me levando pro futuro,
As exsicatas para o passado.
Me fazendo pensar...
Três mosqueteiros
Ontem Sassá ficou muito feliz, pois havia um combinado com seus amiguinhos Pedro e Ravi de virem lá para casa. Tudo certo! A mamãe comprou salgados e foi aquela empolgação. Quando deixei Sassá na escola Ravi já gritou, hoje vou para a casa de Sassá. E a felicidade estava estampada no riso. Horário combinado, fomos pegar os salgados e até a mamãe foi a escola. Pegou os três mosqueteiros... Foi aquela festa de grito de alegria. Chegando no prédio parecia um furacão de risos e gritos. Pula pra cá, pula pra lá. Despejaram as caixas de brinquedo. Comeram salgados, cuz-cuz com ovo. Depois jogaram. Brincaram de esconde-esconde. A mamãe quem estava cuidando. Conhecem até os ambientes o quarto do papai, o quarto da bagunça. Gritam com o cacto falante... E chega a hora de ir a vovó pega o Ravi e um pouco mais tarde o papai do Pedro pega--o e então reina a paz. Com um riso grande Sassá fala, vamos desenhar o tigre que prometeu. Deixo para depois e vou dormir e a mamãe quem cuida dele. Festa boa.
Mudamos e nem percebemos
A tecnologia mudou os nossos hábitos para sempre.
Hoje me dei conta disto.
Faltou internet na madrugada e fiquei de mãos atadas.
Como acessar as orações no youtube?
Como acessar a bíblia online em qualquer língua?
Mudamos os nossos hábitos e estamos reféns dessa forma moderna de viver.
03/03/26
Quanto custa
Após fazemos várias atividades, Sassá me perguntou se queria chá. Respondi que sim e entendi que era um pedido. Fui fazer nosso chá. Ele me perguntou de que era o chá, então respondi que era de camomila com mel. Ele então escreveu num papel. Camomila e mel custa cem reais. Lógico que ele não escreveu perfeitamente, não sabe ler ainda, apenas conhece as letras, mas o que me surpreendeu foi o fato dele ter representado o dinheiro com um "$". Perguntei onde havia aprendido e ele disse, como sempre, sozinho. Na verdade ele já tem noção de caro e barato, pois todas as semanas fazemos supermercado juntos e no shoping a gente fala de preço. Dai ele disse é que vejo nas etiquetas. Rimos demais. Chá preparado, tomamos juntos. E fomos para o quarto.
Sons da mata
A cuica grita na mata!
Estará na munguba?
A garrincha salta,
Pedirá ajuda?
Sanhaçus e saíras
A cantar, soa
um amolar de tesouras.
krakrakra...
Doce flor de mariposa
O cheiro doce da guabiroba...
Suas flore alvas feito pipoca...
O cheiro doce do pau-de-candeia
Com suas flores em pequenas escovas,
Flores verdes...
Na esquina do estacionamento,
Na avenida da sucupira as angéclias a flor...
O estacionamento
Abri o estacionamento vazio, sombrio e frio.
Só as árvores a embelezar e preencher o ambiente
e ser o ambiente. Mangueiras, Cajueiros, sucupiras, açoita-cavalos, guati...
As catingueiras estão lá e as sibipirunas também.
Deitando flores no chão.
O chão dourado,
O ar perfumado das alseis...
Pequenas escovas eretas incensando o estacionamento...
02/03/26
Mudança de estado
Sob o solo as raízes sustentam,
Um eixo cinzento,
Um tronco que se ramifica
sustentando folhas
Alternas em espiral,
No ápice do eixo,
Um céu de estrelas de prata,
Estrelas de prata,
Com garganta dourada,
Ali tem o fim de um estado,
Se inicia outro estado...
O ato vira potência...
O germe do ser,
O fim da existência...
Um jasmim pudoroso.
Ao mundo vigoroso,
Resistente,
do início ao fim.
Esforço e autonomia
Ontem sai com Sassá para pedalar nas três ruas. Fomos até as oliveiras onde coletamos jambolão. Depois ele quis pedalar. Fomos e voltamos no parque atrás do aruanda. Foi todo feliz e autônomo. Andou sobre as poças de água. Vimos plantas e frutos. Não quis ajuda ao mudar de canteiro. Terminamos na academia para idosos. Ele fez excercícios e depois exploramos outra oliveira. Usamos umas varas que estava lá. Coletamos bastante. Só quis comer aquelas que ele mesmo tirava. O esforço tem que valer a pena. Fomos para casa e ele todo contente e eu também.
Tudo vai bem
Abro a janela de minha sala.
Sinto o frescor frio entrar,
A mata molhada se cala,
Avisto um sabiá de papo branco,
Ele me olha como quem me ver,
Depois me ignora...
É sua casa fernanda a aroeira.
Abre suas asas, estufa o peito e canta.
Sou apenas um espectador
Deste singelo cantor...
É tão bom quando ignoramos o devir,
Quando cremos em Deus.
Tudo vai bem.
01/03/26
Um caminhar
Desde o momento que despertamos para a vida. Desde o momento que a consciência se torna autoconsciência, nossos pensamentos toram vidas em nossas mentes. Somos sujeitos. E as palavras tem ganham significado. Despertamos para a vida e dessa forma a toda forma de sentimento. A humanidade vai alvorecendo em nós. As vezes a chuva silencia o nosso pensamentos, penso que assim somos plenos por breves instantes.
Então, numa manhã de sábado em algum lugar na terra um indivíduo desperta como sempre o faz cotidianamente, exceto pelo fato de ser sábado-feira. Para esse indivíduo de onde veio sábado era dia de feira. Toda sua mente foi organizada neste sentido. A idade chega a todo mundo e com o tempo sábado é dia de limpeza. E mais ao longo do tempo quando se tem um filho, sábado é dia de sair e gastar as energias do filhote. Então uma nova rotina surge, sendo então parte da rotina dia aos zoológicos, aquários e jardins botânicos.
Pois bem, nesta manhã, a chuva me deu essa frase... a chuva silencia os pensamentos. Falo isso porque meus pensamentos, movidas pela heurística da disponibilidade... algo no jardim botânico me impactou profundamente, não sei se pelo fato revelado, mas me impactou. Nós três, e uma turma de 27 pessoas fazíamos uma trilha. Cheia de revelações naturais, os obstáculos compostos de troncos e solo irregular; os animais ali presentes, e as mais variadas formas e cores e texturas dos troncos, folhas, folhas e frutos... Atento ao momento, acho que ali, meu pensamento estava em silêncio. Num determinado momento no meio da trilha me impactou. Um trio um moço e três moças ao pararem para fotografar o tronco da munguba árvore da távola... este trio fez uma foto dos pés. Uma foto intencional? Não sei, mas minha esposa expressou a interessante idéia de fotografar os pés. E imediatamente eu me lembrei que havia fotografado os pés de mamãe e papai num determinado momento. A gente fotografa para ter a memória. A gente fotografa muitas vezes guiado pela causalidade. Já que a causalidade é algo que aponta um determinado destino. Qual é o destino da vida? Por isso fotografei os pés de meus pais sem que dessem por isso. Não conhecemos tudo dos que conhecemos e há uma reciprocidade nisso,
Ai um momento se revelou potente. Havia um obstáculo, um tronco lindo de um Aspidosperma discolor, popularmente conhecida como canela-de-velho, Nada teria se revelado para mim se tivesse mantido o silêncio. Mas disse essa planta se chama canela-de-velho. Então uma pessoa do trio se revela dizendo: - Canela-d-velho é aquela planta que se usa para fazer o remédio? Disse que não que o nome em decorrência a forma do tronco. Aquela canela era uma outra que também tinha na mata. Então ela disse que usava muito, pois tinha distrofia muscular. Após ela dizer isso, olho para ela, presto atenção nela que vai a minha frente e percebo a dificuldade de andar. E a fotografia dos pés passa a fazer sentido para mim. Pelo histórico que conheço desta doença, aquela moça estava num estágio. A experiência nos dá um peso muito grande as coisas. Conheci uma pessoa na minha cidade com a mesma sindrome que estava num estágio mais avançado e a paralisia era o fim. Os meus pensamentos apagaram a realidade. Fui ao racional da alma. E fui humano, meu coração se encheu de piedade. Esqueci que a eternidade está no momento vivido com intensidade... Naquele momento me desvinculei de minha realidade e vivi outra realidade. Então despertei e fui em busca de meu menino. Ele estava autônomo demais. Então em que estágio estou na vida?
A chuva me fez esquecer esse momento. Agora o calor incomoda e me faz encerrar o texto.
Era isso.
O verde oliva,
A rocha que ronca,
Uma campina,
São Francisco...
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Gogh