09/06/26

O eu, a tarde e o mato

À tarde,

Andando na mata sob o sol e o calor.

O chiado da folha seca.

Árvores com ramos nus e cinzentos.

Na beira do açude 

As abelhas e aves matam sua sede.

O zunido do vôo das abelhas.

Aves cantando.

O cheiro da água misturada com barro.

O céu azul e sol ardendo.

As pedras quentes,

Preás espojando nas veredas.

A gente se sente um com a natureza.

Sensação de plenitude.

E o tempo passa.

E o tempo para.

O cancão pia.

O vento sopra assanhando o espelho da água.

Neste instante somos eternos.

É tão bom tudo isso.

08/06/26

Francisca de Nina

 Francisca das Chagas Queiroz,

06 de junho de 2026.

Minha prima, filha de Severina (Nina) irmã de papai Francisco.

Ontem encontrou sua mãe e toda a nossa família pretérita.

Descanse em paz prima.

Primeiras horas

 Chove.

O vento frio.

O céu cinzento.

Uma vela acesa.

A pluma amarela dança.

Enquanto dança conta o tempo presente.

Enquanto dança consome o pavio e a cera.

Enquanto dança ilumina com sua luz alaranjada,

Enquanto dança consome a si.

Alumia e aquece o seu entorno.

Vejo a vela.

Sou uma vela.

E penso este pensamento.

Pensar consome o meu tempo.

Pensamento causalidade?

Pensamento é tempo sem espaço.

Pensamento é tempo no tempo.

Pensamento é memória em aquecimento.

A vela dança 

A chuva chove.

O pensamento pensa...

Onde está o eu.

Manhã de junho

 Após uma noite de neblina amanheceu. 

O céu está cinzento.

Lufadas de vento vêm e vai.

O paralelepípedo da rua empoça água aqui e está seca ali.

No alto do prédio ao lado pombos brancos se peneiram a se coçar.

Flores alvas de jasmim molhadas daitadas na calçada.

As telhas marrons em seus telhados espelham sua face molhada.

A neblina soprada pelo vento volta.

Em suas camas desncasam felizes o mês de junho.

Mês dos namorados, da festa junina e da copa...

Ano de inverno.

Aqui celebro tudo isso com um chá, o silêncio e celebrando o meu ser maior.

Ser e existir

 As coisas têm dois modos de ser, um material e outro conceitual, ou melhor um modo concreto e outro abstrato.

As coisas são entes ou objetos.

Isso é claro modos de entendimento humano.

Coisas são coisas.

Pelo menos, como percebemos, como concebemos e como conhecemos as coisas... Podem ganhar cálcio e em nosso ser ter diferentes sentidos, condicionantes.

E pensando nisto...

Vou entendendo como nós nos formamos e nos tornamos nós. Nós construímos nosso ser. Partimos da existência para subjetivarmos a essência das coisas.

Primeira vez no maior Cajueiro

 Fomos a Pirangi visitar o maior cajueiro do mundo.

Já havia ido há muito tempo atrás quando morava aqui em 2005.

Vimos um gigante vivo.

Vimos que cajueiro com um tronco e 133 anos pode transformar um ser num gigante.

Seus ramos serpeteam na vertical se enterrando e se erguendo sustentando milhões de folhas.

Entre outubro e janeiro produz toneladas de frutas.

Aquele cajueiro é uma atração fantástica. Fez a população conhecer um pé caju que a gente chama de cajueiro. Pertence a espécie Anacardium occidentales e é da família Anacardiaceae do grego... "Ana", igual a semelhante "cardium" coração em alusão a forma da fruta. O fruto tecnicamente é a castanha. Que por sinal é muito em minerais como selênio bom para a mente. Andamos entre os ramos coleantes. Vimos a serrapilheira composta por folhas de caju e plântulas de espécies locais.

Tem vendedores oficiais de suco e cajuína, fanta, cajuína São Geraldo de caju; vendedor de artesanato,

De castanha caramelizada.

Tem lugar para fazer uma fotografia.

E por fim um mirante.

Dentro do cajueiro pude voltar a minha infância ao ouvir o vento cantar nos ramos e nas folhas.

Os ramos cinzentos e estriados...

Afloraram o meu passado.

Ao lado do cajueiro tem uma feira de artesanato com gente linda e sorridente.

E assim fechamos o passeio.

Conhecer Natal

 Fomos a Natal no mês do são João.

Vimos o aquário da redinha.

Vimos e passamos pela ponte Antenor Navarro.

Vimos o farol de mãe Luiza.

Vimos a via costeira.

Vimos o morro do careca.

Vimos as dunas do parque das dunas.

Vimos a UFRN.

Vimos o museu Camara Cascudo.

Vimos o Hospital universitário Onofre Lopes.

Vimos a maternidade Januário Cique.

Vimos a barreiras do Inferno.

Vimos o maior cajueiro do mundo.

E passamos uma tarde e uma noite 

Em família com meu amado e querido amigo 

Robério Nascimento e sua família Daniele Marinho, Giovanna e Olívia Marinho.

A tarde fresca e de  nuvens de algodão.

Foi perfeito.

É bom demais sentir que a gente tem amigos de verdade.

Voltamos pra casa

Cheio de recordações.

Mamãe e papai do Vinícius.

Eterno momento

 O chão enxombrado,

A erva amarelando.

Sob o cajueiro 

A sombra fria,

Sobre a folha seca

Serpenteia a coral.


Isso foi a tanto tempo atrás.

Natal em junho

 Que lindo céu de junho,

Céu azul e brancas nuvens 

Vento frouxo...

A copa do cajueiro 

Canta a cada instante 

É o vento 

É o tempo.


É São João em natal.

Definição psicológica de saudade

 A saudade é um testemunho de que estamos conscientes da nossa fragilidade perante a vida.

Suave palavrear

 A noite fria.

No céu limpo

Míngua a lua.

Junho chegou.

Prima percepção

 Na terra seca das vertentes dorme a vegetação,

O marmeleiro e a catingueira,

O Xique-Xique e o facheiro 

Armados da base ao alto.

Bem ali no mufumbo ouço um trinado.

Ouço um corrochiado.

Imediatamente fico encantado.

É o canto de um golinho.

E levarei para sempre em minha alma.

Essa beleza sonora.

Aprendi de imediato o nome deste passarinho.

Seu ser,

Sua forma,

Suas cores,

Seu canto e seu espírito que passou a ser parte de mim.

Princípio de um sentimento

 A noite escureceu na lua nova.

Fiquei com medo das noites escuras.

Coisas da imaginação.

Foi numa noite de lua nova que tudo começou.

Minhas travessuras e as brincadeiras de mamãe.

Lá em casa não tinha energia até os sete anos.

A gente vivia a realidade crua.

A imaginação, a morada no sítio...

Alimentavam minha imaginação.

Seridó

 A primeira vez que fui a ESEC Seridó foi em uma aula com as professoras Elisa e Iracema. 

Nem imaginava que seria ali que realizaria um dos melhores trabalhos de minha vida. 

Viveria uma das melhores experiência que eu viveria. 

Realizaria ali o meu mestrado.

Depois voltaria ali várias vezes. Amei o Seridó de primeira.

Ali convivi com Thais Guedes, Adalberto Varela, Carlos Varela, Zanella e George.

Ali ouvi tanto o carão cantar sem saber que era o carão.

Ali soube de histórias maravilhosas e trágicas.

Ali senti o cheiro das plantas secadas na estufa.

Ali conversei muito comigo nas minhas caminhadas de coleta ao longo das trilhas e fora delas.

Saia antes do sol nascer e voltava ao meio as vezes chegava duas, três horas da tarde.

Vi flores de todas as formas e cores.

Eu me virei.

Deu certo.

Estou aqui...

Mas tem um universo de memórias.

Saudades daquelas paisagens,

Saudades daquelas paragens.

A última vez que voltei, me despedi definitivamente de meu admirado amigo Adalberto Varela. Foi em 2012. Logo mais ele partiria. A última vez que fui lá, me despedi e nunca mais o vi. Silvano Teixeira.

Um dia conto mais.

03/06/26

Atenção plena

 Hoje, três de junho de 2026 tomei consciência do conceito atenção plena.

Embora sem conhecer a literatura em 2006, no meu mestrado intuitivamente tive consciência que através da atenção plena a capacidade de apreender informação é imensa.

Em 2016, tive novamente ciência da importância da atenção plena para o avanço da ampliação da consciência.

Já havia lido a alguns meses, porém foi hoje que tomei consciência plena.

Vou investigar.

Sonho

 Um poeta de Serrinha Wedson de Caquinho declamou.


Enquanto, dei um cochilo,

Sonhei que estava no nilo,

Percando cada tilápia

Pensando mais de um quilo.



Divirta-se em seus sonhos".

 Ontem, o dia de Sassá foi cheio de aprendizagem e exercícios. Foi para a natação bem cedo e aprendeu a fazer o giro em baixo da água. Foram e voltaram caminhando. Sabe lá o que conversam com a mamãe. Ele na maior parte do tempo tenta tirar a mamãe do sério. Sabe exatamente como fazer isso. Idade do personalismo... Queria voltar de uber, mas também queria pão na padaria da esquina. A mamãe deu uma opção o uber ou  o pão. Aceitou a segunda. Depois em casa, após a mamãe preparar o almoço ele almoçou, fez a lição e viu um desenho. Quando cheguei, o abracei, o beijei e vi o desenho com ele. Dai saímos para a escola. Ele perguntou se tinha sonhado. Afirmei que sim, que sonhei com uma piton-reticulata falante. Ele falou do sonho com a naja... E tome conversa até a escola. À tarde pequei ele com uma espada de esgrima. Fomos ao mercado e ele convenceu a mãe a ir comprar um pano de espada no timbó. Acabou comprando uma espada do minicraft. Ai. Chagamos em casa. Sassá desenbalou as compras. Depois jantou e fomos brincar. E depois de banhá-lo fomos para cama. Jogamos xadres e por fim me pediu para ler. Li o livro do guido e da sofia, o livro da garota na escola. o livrinho de Peter Pan. Dai li um último sem texto só as imagens. Fui dormir. Abençoei ele. Então antes de sair ele falou para mim. "Divirta-se em seus sonhos".

Retrato do sertão

 Na terra seca das Vertentes 

Profundamente dorme a vegetação  

No período seco do verão,

Ali sopra o vento contente.

Do chão se assanha a poeira,

Da mata faz soar um doce cantar,


As tardes tão encarnadas,

As manhãs todas douradas,

De dia o sol arde intensamente,

Canta a cigarra alegremente.


Na manta cinzenta maiado o gado,

Rumina, respira e calorosamente.

Relaxando, sentindo o mundo.


Ali naquela pequena matinha 

Se ver catingueira e marmeleiro,

Destiorados e desfolhados,

Vê-se ainda bem ali, junto aquele lajedo

O Xique-Xique e o facheiro,

Carregando o verde esperança 

Armados da base ao alto.

Ali, bem no mufumbo ouvi um trinado.

O mais lindo corrochiado.

Imediatamente fiquei encantado.

Era o canto de um golinho.

E trouxe para sempre aprisionado em minha mente,

Faz parte de minha alma.

Essa beleza sonora.

Aprendi de imediato o nome deste passarinho.

Seu ser,

Sua forma,

Suas cores,

Seu canto e seu espírito que passou a ser parte de mim.

Seu bico amarelinho,

Seu papinho bem alvinho,

Com uma gola escurinha,

Costas bem cinzentinha.

Senti a beleza...

Em tudo, nas vertentes,

Na mata e nas plantas,

E no golinho cantando lindamente.

02/06/26

Noite enluarada

 Antes podia desfrutar às noites de lua cheia em família. Papai, mamãe e meus cinco irmãos.

Eu olhava para o céu com um olhar ingênuo. Era todo esperança, amor e instinto.

Após nossa farta janta de Xerém com leite. De bucho cheio, um pouco de leite gelado refrescava nossa alma.

A gente se sentava à frente de casa. 

Contentes e unidos.

E assim a vida foi tecendo nossas histórias. A gente era tão feliz e aquilo era tão pleno.

A lua prateada,

Coração pulsando forte.

Vitalidade de leite com Xerém.

As vezes rezava baixinho.

A lua cheia enchia o mundo de sua luz prateada.

Hoje, agora, eu olho pra lua só e longe de meus irmãos.

A lua se tornou o ser mais próximo e amigo de minha existência a noite.

Papai e mamãe se uniram a Maria e a lua. São só essência agora.

Olho pra lua como olhei naquele tempo. Sabe estava morando o hoje... Diz um ditado persa que a lua é um espelho do tempo... Então ao olhar a lua vejo todas as minhas gerações.

Agora olho para a lua e sinto que aquele tempo está eternamente em mim.


E a lua continuará a nós encantar...

Somos percepção,

Somos intuição,

Somos humanos 

E a lua é a testemunha de toda nossa história.

Até agora.

Seguindo em frente

 Quando minha mãe partiu, ficou um grande vazio.

Vazio da palavra, da voz, dos conselhos, do carinho.

Quando mamãe se foi eu fiquei sem chão, não sabia como ia ser.

Mas ai, eu tinha o meu filho, a minha esposa e os meus irmãos.

Perdera uma pessoa importantíssima, mas não estava só.

Precisava lutar. E lutei. E tentei e consegui dissolver a dor.

Com amor, fui construindo uma ponte.

E transpus essa dor.

O tempo, e aqueles que estão ao meu redor me ajudaram.

E segui a vida.

01/06/26

Gota ou pingo

 Em meu coração vou cultivar o amor,

Vou cultivar a presença,

Vou cultivar a plena atenção,

Vou cultivar o trabalho,

Em meu coração vou cultivar honestidade,

Vou cultivar bons hábitos,

Vou cultivar a fê.


Em meu coração 

Vou cultivar a esperança,

Vou cultivar os sonhos,

E cuidar de quem sou.


Os sonhos me trouxeram até aqui,

O que me foi dado,

Pode ser tirado...

Na maior parte do tempo desconheço o que me foi dado

Do que me foi fruto da vontade.


Vou refletir com atenção e seguir o caminho do meio...


Eis a minha percepção.

Mais nada.

Maio e junho

 Nesta noite tão bela,

Que maio a junho se entrega,

Uma noite enluarada, 

De luz branca prateada,

E um céu todo azul.


Que graça em minha vida,


Maio vai-se à eternidade,

Um mês frio e chuvoso,

Com muito trabalho,

Pouca luz,

Muita chuva,

Aqui me despeço de ti.


Maio mês das mães,

De missas encantadoras,

De fé, saúde e paz,


Hoje a igreja estava tão linda,

Rosas vermelhas,

Flores brancas,

Nossa mãe coroada,

De uma meia lua acompanhada.


Ali contemplei e rezei.

Minha esposa e meu filho no colo...


Maio se vai...

Domingo se vai...

Esperança e fé num novo dia.


Venha junho...


Vá maio.

Biblia

 Após cinco meses fecho mais uma leitura do livro dos salmos.

Quanta sabedoria expressa em 150 capítulos.

Sendo o salmo 119  o longo deles com 176 estrofes e o salmo 117 o mais curto com 2 estrofes.

Salmos maravilhosos como o 7, 23, 30, 31, 54, 91, 121... Ficou muitos conselhos e  sabedoria.

Hoje concluo a leitura de provérbios com 31 capítulos, sendo um capítulo por dia. Nem palavras tenho para expressar tamanha sabedoria.

Fechadas estas leituras volto a reler e continuo. A aprender.

Seu Edson da Silva, um amigo meu, ler todos os dias a bíblia. Nunca encontrei tanta serenidade e amizade.

Uma das práticas realizadas pelos protestantes evangélicos é decorar um versículo por dia.

Ouvi um grande leitor me dizer isso.

Numa exposição, na estação cabo branco conheci a seu Francisco José,  filho de Ana e José Ferreira. Francisco me contou da devoção de seu pai ao livro sagrado. Contou que seu pai havia lido a bíblia por 15 vezes. Fiquei impressionado.

Continuo buscando neste labirinto divino sabedoria e paz para viver os dias de minha vida em aliança com o senhor.

Pai e filho

Dia de Sábado com Sassá.

Fomos ao aquário da Penha, nos encantamos e nos divertimos com os bichos.

O nado do bodião, as escamas das carpas, o ouvido do dragão barbudo.

A Píton reticulata ativa...

O canto do peru.

O sono do porco espinho pigmeu.

O peixe pedra.

O pintassilgo.

O estrelinha,

O jacaré,

Os dois pinguins...

A galinha garnizé...

Foram as coisas que mais nos impressionaram.

Fomos agradecer a nossa senhora da Penha em seu Santuário.


A manhã voou.

À tardinha fomos a praia de cabo branco.

A maré alta, o vento frio.

A areia fria.

Caminhamos.

Sentimos a areia porosa,

Sentimos a água salgada melando nossos pés.

Catamos conchinhas...

Depois voltamos para casa.

Na volta passei no timbó e comprei um tabuleiro de Xadrez.

Ele amou... 

Na volta vimos ainda.

Vimos a lua cheia.

Um disco prateado iluminando o mundo.

Foi aparecendo e se empalidecendo 

Na noite a dentro.

Juntos na direção e você na cadeirinha.

Amigos. Pai e filho.

E o dia se foi.

Realidade?

 Amanhã será um novo dia.

Ontem foi um excelente dia.

Um dia estava em casa com meus pais.

E recebemos a certeza que um começo pode ser começo do fim.


Nossa vizinha teve um AVC.

Ela que teve uma vida inteira de labuta.

A vida toda na labuta.

A esperança força que nos move nos impulsiona a lutar,

Lutar pela recuperação.

Perdemos o que banalizamos e muitas vezes não valorizamos.

A luta começou... Outra luta.


Não mais aquela labuta que eram os cuidados com a filha e com o marido, com as irmãs, com os vizinhos.

A luta que é a vida.

Chegara ao fim.

A luta agora era pela sobrevivência.

As idas para a igreja.

As idas ao mercado,

As faxinas em casa,

A conversa com os vizinhos.

Acabou...

Ficou inválida. 

Não conseguia andar, falar ou comer.

Se recuperou,  mas a morte a ceifou.

Ficou a casa, o marido e a filha.

Ficou o vazio na casa, no banco da igreja, no caixa do banco, naquela calçada. E foi desaparecendo 

E o povo foi se esquecendo...

Hoje quando passo por ali, desperta fica minha lembrança a  amizade pelo céu levada.

Cubo

Sob o um está o seis,

Sob o dois está o cinco, 

Sob o três está o quatro, 

Sob o quatro está três,

Sob o cinco és o dois 

E sob o seis está o um.

O que eu vejo

E apenas uma face,

O que vejo é uma parte,

Se vejo de cima,

Não vejo o de baixo,

Se olho pro lado esquerdo 

Não enxergo o direito,

Se olho pra frente 

Não vejo a trás.

Se uso um espelho 

Posso enxergar,

Mas perco a realidade,

Perco o foco.

Dado arremessado qual número me dar?

Um é unidade, centelha divina.

O dois é dualidade 

Principio do conhecimento,

Três é a trindade,

completude,

Síntese dialética,

Divina trindade.

O quatro é causalidade, cruzamento de dois sentidos,

Posicionamento,

Os quatro pontos cardinais.

O cinco pentagrama,  cinco vias do saber, cinco sentido a nos ensinar a realidade.

O seis por fim uma dupla trindade, 

Número pela sorte desejado.

O criador fez a criatura e o homem foi gerado 

No livro do gênese.

E fim.

Saudade 1001

 Só tem saudades quem viveu intensamente, 

Só tem saudades quem viveu amavelmente,

A saudade é uma resposta a vida 

É uma expressão de amor,

É uma felicidade aquele que tem saudade...

A saudade é tão intensa é um mistério do criador,

Saudades de quem muito nos amou,

Saudades de quem nos deu a vida, nos manteve a vida,

E nos ensinou o que é o amor...

Com o peito apertado, 

Busco palavras bonitas,

Que alivie essa dor,

Não encontro palavras dignas de tamanha expressão...

Amor, amor, amor...

A vida é um dia lindo,

Dia lindo que passa e que passou,

E neste dia, nestes anos...

Pode ter faltado algo,

Mas nunca faltou o essencial,

O amor, o amor, o amor...

Essa saudade tão boa,

Não é uma saudade atoa...

Muitas vezes expressei em palavras 

“Eu te amo”, “Eu te amo”, “Eu te amo”

Expressei em gestos, em carinho...

Tudo isso em mim ficou...

Aprendi a amar vendo vocês amarem e de seus pais cuidarem...

Como doí o meu peito...

Sei eu agora,

Sei eu nesta hora,

Que abracei essa tarefa da paternidade...

Ah! Saudade se vai, se vai e se vai...

Saudade esse sentimento,

Pode ser lida de diversas formas,

Na forma de sofrimento,

Na forma de agradecimento,

Saudade é a semente que nos permite jamais 

Deixar quem tanto nos amou no esquecimento.

É a semente que germina a cada momento,

E a gente fala e rir. E diz mamãe dizia isso... Papai dizia aquilo.

E quando menos espera somos nossos pais.

E a saudade atravessa o tempo e o espaço e é parte da essência humana.

Nada mais.

Sonho da mãe

 A tarde havia chegado. Após um almoço agradável. Colocou o milho de molho para fazer o xerém. Alimentou o cachorro e o gato com o resto de comida. Antes de lavar os pratos fez a lavagem e levou para o porco. O calor e o silêncio da tarde pede um cochilo. Entrou no quarto a janela serrada. Deitado na cama sente o cheiro do travesseiro. Fechou os olhos e dormiu. O sono de meia hora. Acordou e foi até a área da frente da casa, sentou numa cadeira de balanço e pôs-se a olhar no mundo. Terreiro limpinho, um espelho ensolarado, a estrada de barro, o sítio da frente. Pensou na vida, nos pais idosos, nos filhos e no marido. Pensou na vida. Na engrenagem que é a vida. Deu vontade de tomar um café. Quando uma galinha gritou no ninho da casa velha. Tirando os pensamentos metafísicos da vida. Uma vizinha chegou e começaram a palestrar. Nem recordou do sonho que tivera de seu filho sendo professor numa universidade. Sonhos. Ele era apenas um menino. E tudo se passou tão de pressa. Como se passa um dia...

29/05/26

Sonhei ta sonhado

 Dei um mergulho no passado.

Sai andando na nossa terra Serrinha do Canto.

Fui visitar nosso sítio de areias brancas.

Vi os cajueiros em cima das ramas,

e cobertos de Jitirana,

De ramas pilosas e flores alvinhas.

Vi as pinheiras carregadas de pinhas

Cada uma enchendo uma mão, de vez e maduras.

Tão alvinha e docinha.

Nas pinheiras ativos os sanhaçus,

Setas azuis buscando o doce branco  

Revelando as sementes pretas,

Visitei as goiabeiras,

As cajaraneiras com cajaranas

para todo lado, nos ramos dependurado,

no chão entapetado, de esferas amarelas,

E seu cheiro acre-doce, tão docinhas.

Passei na cajazeira.

Andei pelos caminhos caçando calango, os teiús

E não estava sozinho, 

Vinha comigo os cachorros leão vermelho,

dogue branco e negão Pretão.

Observava os passarinhos cantando e saltitando

cabeça-vermelho, corró, joao-de-barro,

Casaca-de-couro e azulão.

Fui na casa de Elita de Palmira chupar umbu e cajarana

E acabei quebrando uns cocos-catolés...

Ali tinha tanta macaxeira, cultivada por Joãozinho de Licor.

Tinha ali uma casa velha e abandonada,

Tantas cenas ali se passou... No fim só era lugar de colocar forragem seca e ninho de abelha caboquinha

Com uma frase marcante...

"Viva e deixe eu viver".

Fui ao tanque de Chico Neco, onde vi o tanque de águas escuras

E nele martelilhos (girinos) a nadar .

Fui ao córrego de Zezinho de Luiz de águas claras com piaba e cará.

Fui ao açude de Juvenal onde aprendi a nadar

Tinha água barrenta à danar.

Fui a pitombeira de Bonifácio Raulino

Onde chupei doces pitombas.

Fui a condessa de Adelson Vieira só para admirar.

Fui casa de tio Jussieu ver o peru valente, a porta estava aberta

Acabara de chegar, um gato novo miou pedindo comida,

Senti o cheiro do óleo queimado do motor.

 Fiquei com medo quando passei em frente a Zé de Julho com aquele cachorro quatro olhos.

Ouvi dali o som 3 em um de Jailton de dadá, vindo da capital paulista. 

Passei na palhoça de Chicão onde vi Jailton de Artur partir e não voltar de São Paulo.

Desci passei na velha escola onde fui alfabetizado.

Achei interessante a casa de Antônio de Chiquinho com um xadrez na frente. 

Até conversei com Evaldo.

Desci peguei um dindin em Zuleide, passei na cajaraneira de dona Munda, 

Sentei um pouco lá em Diniz.

Passei em Irelda tão educada e doce, provei umas groselhas tão azedas que havia lá.

Ouvi a escopadeira de arroz funcionando 

Não lembro se era Vava ou Mourão 

Que estava lá.

Passei longe do jasmim de Eliza de Vicente de Joana.

Jasmim manga com cheiro de defunto.

Subi pela mata até o final de nossa terra.

Quando fui chegando ouvi o tirinete de tio Aldo conversando.

Mamãe concordando e papai escutando.

Nessa hora tio João ia passando.

Despertei e voltei cheio de saudades.

E entendi que a realidade é como se fosse o sonho 

E o sonho como se fosse uma realidade.

Tudo é passageiro.

Essas coisas.

Cotidiano

 Sassá foi nadar. Na piscina fez toda atividades. Sorriu e se divertiu. Saiu de lá faminto. À tarde, foi a escola. Sua lição foi sobre jogos olímpicos. E também a letra H. Achou estranho que com a letra H ele teve que cobri a letra várias vezes e não teve a família da letra. Para família ele se referiu como ha, he, hi... Bem interessante isso. E a gente brincou a noite e ele me pediu para eu ler para ele o livro a Cexta de dona Maricotca. Foi isso.

Angustia

 O tempo e o espaço

Campo das sensações,

Percepções e entendimento.

A música me faz sentir

O lugar no espaço,

As coisas mudarem no tempo.

Tudo acontece e não percebo,

Percebo partes,

A coisa toda é maior que aquilo que consigo apreender.

Isso angustia não?

Fluxo

 A mata cinza e fechada,

Agora está tão calada.

Então, desfaz-se o silêncio.

É o vento soprando baixinho.


Paro de observar,

E começo a escutar

O silêncio aqui dentro,

A lua florescente,

A ordem desordenada.

Som de piano...


Som de piano, penso,

É perfeito a essa hora...

Foi feito para o silêncio...

Parece fumaça de incenso,

Buscando veios no ar,

Como água que cai da chuva

Intensa, busca uma direção,

Um pondo mais baixo,

Em desordem segue um fluxo...


Ah... piano.


E o violino!


O que é tudo isso que hipnotiza minha alma?

O belo, o ordenado,

Som sem luz,

No fundo da alma.

Até o fim.


28/05/26

Nelson e Iola

Em abril e maio de 2026, a Serrinha do Canto perdeu dois personagens importante do nosso tempo. O interessante foi que eram vizinhos muito próximos. Um morou muito tempo na casinha sobre a barreira e o outro no lado oposto onde terminava o asfalto velho. Sim, me refiro a Nelson Vieira e Iula de Dequinho. Nelson era uma pessoa maravilhosa, falava baixo e sua voz era particular. Era pai de Paulo Cesar, João Batista e Márcio. Nelson era casado com Antônia. Cuidou a vida todo do sítio de Jona Rosendo. Gostava de tomar um mezinho. 
Iola era casada com Dequinho nunca teve um filho. Dona de uma voz peculiar. Iola era uma jornalista. Sabia de tudo que acontecia em Serrinha do Canto. Era irmã de Zuleide de Toto e Odaleia de Chico de Vicente de Joana. Pude conversar com ela no ano passado. Na conversa ela lembrou de meu pai Chico Raimundo.
Foi ali que vivi muitas coisas e com estas pessoas convivi e aprendi a importância da amizade. Povo do meu tempo. Anos 80, 90 e 2000.
Deixa a saudade.

Casa

 Ontem, Sassá estava interessado em saber o que era preciso para construir uma casa.

Falei tijolo, cimento, concreto, madeira, pedra e telhas. Achei interessante. Anti-ontem descreveu como fazer uma piscina.

Então disse que iria morar nos Estados Unidos e fazer uma casa lá. Disse que o ajudaria e isso o empolgou.

No final eu iria bancar tudo.

Deixe o menino sonhar.

Moinho de tempo

 O tempo redemoinho,

E nós no seu caminho,

Gira e gira e gira,

A energia vinda do vento,

Como a lua no céu e suas faces,

Quatro quadrantes equidistantes,

Gira e gira e gira.

O tempo redemoinho,

Vai nos moendo,

A matéria consumindo,

A matéria envelhecendo.

Gira e gira e gira.

O tempo imediato tempo,

O tempo intuitivo tempo.

Ora rápido e ora lento

Gira e gira e gira.

Se parar tudo acabou.

27/05/26

Ficus elastica

 Quando era menino, a primeira vez com papai a casa de seu Eusébio, onde morava tio Míxico foi muito marcante. E você nem imagina o que marcou. Foram duas coisas. Primeiro numa área na lateral da calçada tinha uma estrutura de cano de ferro no formato de avião. Aquilo me impressionou, pois só tinha visto um modelo de avião nos ares do céu. Em Martins tinha um pastor que tinha um avião, então vez por outra a gente podia vê-lo sobrevoando a Serrinha Grande. A outra coisa foi uma árvore enorme com as pontas do ramo lanciforme e intensamente vermelha. Fiquei impressionado com o tamanho da folha e aquela estrutura. Nunca me esqueci. Muito tempo depois foi que descobri que aquela estrutura era uma estípula terminal de uma planta da família da jaca (Moraceae). Tratava-se de uma espécie exótica de Ficus elastica. Demorou muito até eu ver outra planta parecida. Acho que fui ver em São Paulo. Ficou marcado e está registrado.

Jacaré tigre

 Ontem ao deixar Sassá na escola, ele inventou um jacaré tigre. Ele me perguntou se eu conhecia? Respondi que não; então ele começou a descrevê-lo como um animal enorme com estrias longitudianis pretas. Disse que era um animal enorme que camuflava muito bem. Que tinha sobrevivido a queda do meteoro que extinguiu os dinossauros. Dei corda e ele se empolgou muito. À tarde quando eu o peguei na escola perguntou se a mamãe tinha comprado o pano preto para colocar na espada. Disse que quando chegasse em casa ele saberia. Então se calou e ficou ouvindo música. Em casa, fez um movimento com o fato da mãe não ter comprado o pano. Ela usou um outro pano e cobriu a espada. Não sei no que deu porque dormi.

Chuva

 Chove...

A água soa nas folhas,

A água soa nas calhas.

Longe canta uma garrincha.

Chove...

Silêncio visual...

Maio frio

 Abril foi frio,

E maio seguiu frio,

As nuvens frouxas,

Chove e para,

Para e chove,

Faz  sol,

Fica nublado.

Essa variação no clima me deixa aborrecido,

Frio e calor...

Mas é bonito de se ver,

A lua de maio crescente,

Lua alva entre nuvens alvas.

É muito bom ouvir música de violino,

Nesse tempo.

Bom para tomar um chocolate,

Para ficar na cama,

Para pensar na vida,

Cuidar da casa...

Viver.

Maio, mãe...

Este mês ficou tão frio quando mamãe se encantou.

Resta pensar,

Sem sua voz para ouvir,

Seus conselhos...

Sentia sua presença eterna...

Soneto

 Com quatorze versos faço um soneto.

Sendo as estrofes divididas em  quatro, quatro e três e três.

As rimas podem ser alternas ou opostas.

Aprendi numa aula de português a muito tempo atrás.

Nem sei o que me adicionou.

Sei que Quintana gostava muito.

26/05/26

Goiabas

 Sempre adorei comer goiaba, principalmente no pé.

Goiabas amarelas por fora e vermelha por dentro.

Na minha infância lá em casa havia muitas goiabeiras. 

Algumas ficavam sob cajueiros outras isoladas no sítio.

Nossas goiabeiras davam goiabas sadias, sem bicho ou insetos e muito doces.

Tive uma experiência diferente com goiabeiras e goiabas.

Então lembro que foi na casa da minha avó Sinhá onde primeiro vi goiabas brancas.

Como assim goiabas brancas e não vermelhas!? Pensei.

Como pode.

Mamãe disse que era goiaba da china.

Aquelas goiabas brancas tinham muito bicho e não eram tão docinhas.

Fiquei muito impressionado.

Bateu aquela sensação que as nossas goiabas eram melhores.

Nunca mais esqueci.

Na casa da vovó tudo tinha uma atmosfera de velho.

Não entendia o sentimento de mamãe pelos meus avós.

Mamãe era minha e de meus irmãos...

Não tive a oportunidade de levar meu filho para ir a casa dos avós idosos.

O infante é assim, apaixonado pelo universo que conhece.

25/05/26

Romã

 Ontem acordamos, Sassá acordou sem muita coragem, mas ai despertou e nós fomos desenhar. Depois de muito desenhar, conversar e ir. Convidei ele para ir no pé de pitanga para ver se tinha fruto lá. Queria mesmo era sair de casa e ver um pouco a natureza. Fomos pela rua do sapoti. Conversamos... Sassá lembrou no lucar onde viu um sanhaçu, em frente a porteira que dá na mata. Quando chegamos na pitanga, nada, dai lembrei da pitombeira da rua de baixo. Fomos caminhando e conversando. Olhamos as flores de benidita,vimos as borboletas... E as pitombas estavam alto demais. Mas tinha um pé de romã. Peguei duas. E fomos pelas três ruas... olhando as plantas, os bichos nas plantas. Até chegar em casa. Em casa ele foi provar pela primeira vez a romã. Ficou muito concentrado e feliz. Depois fomos almoçar.

Conhecimento matuto

 Ouvindo poesia de contadores, entendi alguns rumores da vida da gente.

Entendi que o que se canta são memórias,

Se canta saudades,

Se canta alegria,

Se canta entendimento.


Na emoção e na razão se transcende a realidade.


Entendi que se paga caro quando se segue seus sonhos.


Esse grande projeto de se transformar quem quer ser.


No meu caso deixei a casa paterna, fiquei longe de mamãe e papai.


Mudei de lugar... Buscando entender a vida.


Assim encontrei no mundo, na academia, na poesia de viola.


Essa dialética de nossa existência...


Onde me encontro 

E me perco...


E no fim a vida é tempo e experiência e sentimento...


Descobri que meu sonho maior nem fazia parte de minha razão ou consciência...


Minha maior realização foi e é a paternidade.


Volto no passado,

Mas já sei que nada de lá pode me preencher.


Tenho que me apegar ao presente...


No passado tem uma sentelha minha, que posso reordenar minha alma... Tenho que me reconciliar e seguir em frente.


Tudo se foi...


Lá posso resgatar a beleza do lugar onde nasci, o sentimento de ser muito amado.


Seguir em frente...

Final de semana

 O sol brilha frouxamente,

O vento sopra suavemente,

Nesta manhã abençoada,

Deitado na rede esticada,

A me balançar e a pensar.

Contemplando na parede,

As imagens que escolhi...

Passeio no passado, deitado no presente,

E dou um vislumbre no futuro,

Tudo isso em minha mente.

Tudo isso são pensamentos e memórias.

O tempo me agrada,

O espaço Deus me emprestou.

Enquanto desfruto agradeço,

Rezo, e peço paz e saúde.

E é tudo por agora.

Primeiro dia na feira

 

Na sexta-feira do dia 10 de maio de 2002 com 23 anos, em Natal, cursava Ciências Biológicas, encarava ciências de química orgânica, físico-química, anatomia comparada. Após almoçar, ia pra biblioteca da UFRN onde pegava um livro e relaxava nas baias de estudo dali.

No mesmo dia em Sapê, seu Zizo com 54 anos, estava muito ansioso, pois começaria uma jornada que iria preencher sua vida por longos e maravilhosos anos. Acordou quase sem dormir.  Sua mercadoria preparada da maneira que sabia. Acordou, pegou o ônibus para começar a vida de feirante.  Os seus produtos eram todos cultivados em sua gleba, onde morava. Levava para vender flores, vagens, plantas, ovos, milho... Seu Zizo trazia e ainda traz além de tudo muito afeto... Um aperto de mão ou um abraço, uma prosa boa e como ele gosta de professar a Amizade.

Na beira da mata montou sua barraca do Campus I, perto da biblioteca. Fez clientes, fez amigos, fez fãs...

Deu início a feira de orgânicos na UFPB. A partir de então nunca mais parou de trabalhar ali na instituição, todas sextas feiras. Foi ali que nos conhecemos. De seu Zizo compro flores-de-benedita e crista de galo. Além destas mercadorias, levo sempre comigo suas histórias, sua amizade, sua sabedoria e seus conselhos. E assim surgiu uma grande amizade espontânea e casual como são os puros sentimentos.

Origem cultivada

 A casa grande e alva,

Teto alto e portas azuis,

Rodeada de quintais,

Para aquém dos matagais,

O quintal da minha avó,

Foi primeiro da bisavó.

Num terreiro bem limpinho,

Caprichado e varridinho,


Ali num lugar diferente,

ainda tenho na mente

Nos pés das calçadas,

Em cima da horta,

No sítio e no riacho,

As plantas não eram mato,

Eram plantas ornamentais,

E também medicinais.


Atenção, vou lhe falar.

Usei o visão, olfato e o paladar,

E comecei a experimentar.

Ainda me lembro cada lugar.

Na cozinha no pé da horta,

Era atrepada e torta,

Ficava ao seu lado

A romã de frutos coroados,

Da pimenta de macaco,

De frutos em espigas agrupados,

Se maduro bem docinho,

Atenção muito cuidado,

Se mordido fica ardido.


Do lado uma planta esquisita,

Mesmo assim muito bonita,

Uma erva de folha partida,

Flores amarelo enjoado,

Se mordida uma delicia,

Tem um gosto adocicado.


A alfavaca uma arbustiva

Com folhas emparelhadas,

De borda toda serreada,

Quando são por nós tocada,

Sua essência é exalada...


As vincas todas floridas

Na calçada abundava,

Folhas brilhosas emparelhadas,

Dela só as flores encantava,

Suas flores estreladas,

Seus frutos sempre aos pares.


Ali, ainda havia, não sei se roseiras ou jasmins,

Todos muito belos para mim.

Sei que suas flores eram perfumadas,

Tinha uma caqueira arrumada,

Em seu tronco posicionada,

Pra proteger da formiga...


No sítio se ouvia,

Parecia cheia de alegria,

A folha da carnaúba,

O vento a sacolejar,

E a quenga do coqueiro,

Tec-tec-tec a tocar.


No caminho do curral,

De esferas esverdeadas,

A laranjeira encantava,

Com seu sumo doce e azedo,

Vovô colheu uma bacia,

Que grande foi minha alegria,


No riacho mais embaixo,

 A água fria a correr,

Tinha cana de açúcar,

O vovô foi lá e uma cana ele colheu,

Com a faça descascou,

Não esqueço esse momento,

Foi profundo o sentimento,

A cana era alvinha e tão docinha,

Eis uma doce memória,

Que tenho ainda hoje.


Mais abaixo do riacho,

A taboca ali morava,

Um capim tão lindo.

E aqui eu findo os versos encantados,


E digo mais foi o cultivo de 

Chico e Chica meus avós paternais,

Quem primeiro me ensinou,

A importância das plantas,

Para a nossa existência,

E pra minha alegria,

Delas dou aula hoje a cada dia.


Retrato vivo

 O brilho dourado do sol desponta na parede.

Faz do cinza o dourado,

A luz tornas folhas verde clado.

A mata estática não se ver uma folha mover.

Rutilantes estão os pingos de chuva preso as folhas.

Na mata o sabiá afugenta algum bicho.

Canta a garrinchinha.

O que se passa no mundo. Sabe lá.

Aqui reina a paz.

22/05/26

Primeira vez que Nadou sozinho

Ontem de manhã Sassá acordou disposto. A mamãe preparou o café e organizou a roupa da natação. Sassá nem imaginava o que iria acontecer. Tomou o café com embromação. Vestiu a roupa sem vontade. Não queria ir à natação. Então tão foi sem muita energia. Desceram a escada e caminharam como sempre caminham até á sede de natação. Foram devagar atento ao trânsito, atento as ruas, as plantas e pessoas que quase sempre encontram no mesmo horário. Pessoas gostam de rotinas e fazem por onde cumpra seus horários. Seguiram sob o sol brilhante e céu azul. Seguiram reto, dobraram esquina e chegaram. Lá na sede, Sassá se sentiu feliz, pois tinha vários amiguinhos para brincar. A hora da natação chegou. Atravessou a catraca e se preparou. Caiu na piscina e fez inúmeros exercícios e para o grande final por essa ele não esperava. Sassá nadou sozinho pela primeira vez. Isso mesmo, foram apenas dois metros entre a bora da piscina a água e o professor. Sassá encarou a água e venceu, nadou flutuando e se movendo até o professor. Se sentiu feliz, orgulhoso e cheio de si. Parecia que esse dia nunca ia acontecer. Nadou, se sentiu seguro... foram apenas 2 metros que darão segurança e vontade de ir além pelo resto de sua vida. Terminado isso, tomou banho, brincou com os amiguinhos e nem queria vir embora. Então entraram no uber e foram embora. Dia 21.05.2026 primeira vez que Sassá nadou. O interessante que foi no mesmo dia do aniversário da sua tia Li.


Tempo vaqueiro

 Cada lugar num tempo,

Cada tempo num lugar.

Aqui, ali e acolá.

Escorrendo o tempo me leva a viver,

Seja qual for sua maneira.

Vivo e vou vivendo,

Como gado conduzido pelo vaqueiro,

Tempo boiadeiro,

Na vereda que vou seguindo,

Posso me perder ou me furar,

Foi esta que me enfiei e como voltar.

Tempo vaqueiro,

Tempo boideiro,

Nas caatingas da vida,

Espaço de eternidade,

Sigo um caminho,

Pego uma vereda...

O tempo vai me conduzindo,

Com seu aboio silencioso.

Me conduzindo até que enfim,

O tempo e o espaço 

Seja o zero.

Raposas

 Na beira da mata correu uma raposa.

Seu corpo pequeno, suas orelhas grandes,

Seus pelos dourados, seu odor,

me fizeram conhecer a raposa além das imagens,

Além da palavra, além da fantasia. 

Foi tão rápido que não conheci a raposa,

Apenas tive uma percepção, uma sutil percepção,

Que materializou em mim a ideia de raposa,

Em seu ambiente natural.

Depois sumiu.

E peguei-me a pensar em raposas.


O eu, a tarde e o mato

À tarde, Andando na mata sob o sol e o calor. O chiado da folha seca. Árvores com ramos nus e cinzentos. Na beira do açude  As abelhas e ave...

Gogh

Gogh