segunda-feira, 16 de março de 2026

Um momento impar

 A madrugada estava linda.

Estava plenamente escura.

Quando dei fé vi a lua.

E a lua estava crescente,

Aquela meia lua,

Aquela foice no céu,

Lá no nascente,

Crescia amarelo prateada.

Em silêncio,

Plena em sua cena.

Parei e contemplei por poucos segundos.

E pude contemplar o tempo.

Aquela velha metáfora persa,

A lua é o espelho do tempo.

O silêncio e a beleza me fizeram eternizar

Em minha mente,

Um momento impar no  universo.

Só isso.

João Paraibano

 Ontem assisti a uma entrevista de João Paribano. Foi uma excelente entrevista. Tanto os entrevistadores quanto o entrevistado trouxe novas informações, pessoas e sobre poesia de viola. João de Princesa Isabel. Com uma voz muito peculiar e com versos voltados para a natureza. 

A bica

 O fim de semana foi agitado. Fomos a Bica e além de tudo que estamos acostumados a ver, encontramos um novo recinto. É natural gostar de coisas novas. Na outra vez havíamos ido a um recinto com tartarugas no meio a mata, perto da lontra. Dessa vez ele quis ir de novo ver as tartarugas orelha vermelha e a tartaruga mordedora. Então encontramos mais um recinto de tartaruga com uma nova tartaruga que desconhecemos. É um bicho intermediário, casco orbicular, achatado e duas estrias claras na cabeça. Ele gostou muito dela, até quis voltar lá. No recinto haviam aráceas, copo de leite florido, exalando um odor maravilhoso. Tinha frutos pão no chão meio passados. E tinha também lama. Foi o ponto ápice do passeio.

Zé o tamamduá estava ativo, caminhando. O emu ulises estava vocalizando. No final. Sassá estava faminto, então fomos almoçar no shoping sul.

domingo, 15 de março de 2026

Limiar

 O silêncio da madrugada me desperta.

A luz tênue da manhã começa a surgir.

Fora canta um sanhaçu,

Um som forte e próximo,

Vou até a sacada.

Voa e o silêncio reina.

Volto a cama sinto o calor da coberta,

Cheiro os cabelos e meu filho.

O tempo, esse pensamento que me perturba,

Vem a minha mente,

Então o espanto...

Vou a rede armada na sala.

Olho através da janela,

Olho meus quadros de uma casinha, mandacarus e macambiras,

Olho para ele e vejo meu sertão.

Um sertanejo no litoral tem que ter sementes de sua terra natal espalhadas na casa...

O tempo avança.

Um carcará pousa na antena do prédio a frente.

Majestoso, vocaliza e arqueia o pescoço.

Repete poucas vezes,

Depois voa...

Onde estou... Perdido no mar de ideias.

Então, vou preparar o café.

E tudo se conclui aqui.

sábado, 14 de março de 2026

Eterno tempo

 Eterno é o tempo,

Eterna é a tarde,

Tarde que cai no horizonte,

No distante poente.


Segundo crepúsculo quente,

Imagens em minha mente,

Distante! no espaço e no tempo.


sexta-feira, 13 de março de 2026

 Seu Zé,

Toda tarde sai para caminhar.

Quatro horas, facha chuva o faça sol.

Tem um pouco de dificuldade de andar.

É magro e Alto, usa bigode e é sério.

Custou a dá boa tarde, mas já se acostumou.

Seu nome é José Tavares.

Lembrei logo do nome do herbário da rural

Sérgio Tavares.


Transição

 Vi a aurora nascendo;

Não sei qual o momento,

Mas vi a aurora despertar,

Tal qual brasa na cinza,

Soprada pelo vento,

A brasa acendendo.

Estava muito escuro!

Em pouco tempo,

A luz foi se acendendo,

Rubra, encarnada.

Fraca, tênue...

Foi se acendendo,

Um convite a reflexão,

Um convite a contemplação,

Um despertar de memória,

Um convite a ver o passado...

Feliz...

Aurora, naquela hora.

Hora ensurdecedora,

Silenciosa...

Fez me olhar no fundo de minha alma,

Em meio e imerso em calma...

Fui fazer o café,

Então o gás acabou.


Na natação

Sassá voltou a piscina. Agora vai aprender a nadar. Havia parado, por causa da chuva. Ontem foi, não queria ir, mas gostou. Ele me falou que mudou os professores e que agora são dois outros. Ele me fez uma pergunta complexa. Como se aprende a nadar? Então tentei responder que só caindo na água. Não adianta falar, teorizar. A gente aprende a nadar quando sente que está nadando. Isso, a gente sabe algo quando sente que sabe. A segurança é essencial na aprendizagem. Ficou satisfeito. Gostei que ele falou que eram dois novos professores. A parte isso conversamos sobre como foi a manhã. Estou sentindo falta dele falando de bichos que só ele ouviu falar. Ele descreve uns bichos maneiros. Ontem na poltrona vi um desenho de um bicho muito louco, era um dinossauro que existiu... um carnotauro disse ele. E começou a descrever. Bom chegamos na escola. Disse que o amava, dei beijos e ele entrou e foi interagir com os amiguinhos.

Vento

No vento

Busco um verso,

Algo diverso,

Forte ou lento,


Sopro em deslocamento,

Varrendo o universo,

em movimento transverso

Ar em movimento,


Assim invento,

Quase disperso, 

Com sentimento,


O inverso,

do intento,

algo metaverso.







Forma

 A forma é a matéria definida.

É o estado terminal da matéria.

A forma pode ser dita.

A matéria é a indefinição da forma.

A substância é a forma e a matéria.

A substância é a totalidade que há.

Forma é ilusão.

Forma é o negativo.

Forma é definição.

Forma é enquadramento,

Forma é o começo da abstração...

Nana rupa - nome e forma.

Um ponto para um pensamento,

Ou a base do pensamento.

Um momento impar

 A madrugada estava linda. Estava plenamente escura. Quando dei fé vi a lua. E a lua estava crescente, Aquela meia lua, Aquela foice no céu,...

Gogh

Gogh