10/04/26

Labirinto temporal

 A tarde surda,

Tudo é silêncio,

O calor muda

A voz da natureza,

Numa sombra,

Pia um bem-ti-vi.

Desperto para essa realidade.

E por minha memória,

Resgato a eternidade.

Em que tempo estou,

Como uma imagem de espelho,

Me pergunto,

Sou eterno,

Sou atemporal.

Não sei...

Ontem

 Ontem Sassá estava com muita energia. Comeu um grande jantar e ainda comeu o ovo de páscoa que ganhou de seu amigo Ravi. Pulou, brincou, andou, lugou... Fez tanta coisa que nem me lembro que horas ele dormiu. Fez a lição de casa com a mamãe. Coisa muito importante para ele e para nós.

Açucena

 Suave e doce cheiro de açucena,

Delicada e grande flor,

Longas pétalas

Alvo-vinácea.


Pendula umbela,

As vezes deitada no chão.

Cada encontro

É aconchegante,


Doce sensação,

Eterna sensação.

Que é mais belo?

 A luz dourada 

refletindo  nas jovens folhas,

Folhas molhadas

Dão um lindo tom

Amarelo limão,

Amarelo claro

Desfia uma suave neblina.

E o brilho

sem expande,

se multiplica

E o sol parece acender,

E a novem parece andar...

O que é tão belo?

Salada sem fruta

 Minha forma de ver o mundo será sempre a mesma?

Fui progressista e progredi.

Foi apaixonado pela filosofia, mas só li.

Não vinguei?

Li quando devia ter estudado.

Nietzsche e Neruda!

Este último me inspirou.

O primeiro pôs combustível nas minhas revoltas.

Não ri, não entendi.

Um amigo meu erudito. Suspirava ao ler Nietzsche.

Antes li Machado que rachou a minha cuca de tanto usar o dicionário.

Aluízio Azevedo... Os Azevedos. Acho que foi o melhor que li.

Na época se encaixava tão bem...

O tempo passou...

Tantos livros folhiei.

Li u tomei o meu tempo.

Será se ficou algo?

Escrevi tanta coisa.

Escrevi a mesma coisa...

Notas do Eu...

Temas que me amedrontavam e amedrontam

O envelhecimento e a morte.

Temas que me empolgam.

Balela.

A fama.

No final de tudo.

É só uma salada sem fruta.

09/04/26

Seus pensamentos

 Ontem Sassá conversou tanto.

Sobre repteis,

Sobre dragões,

Sobre serpentes.

Ele se empolga.

Ele mistura imaginação,

Com historia natural,

Com suas ideias.

E cria o mais lindo dos mundos.

O mundo de seus pensamentos.

Seria um labirinto

 Neste lindo céu azul,

Céu fresco de sol claro,

Onde bando de carneirinhos

Espalhados no campo ciano,

Campo azul do céu...


Tarde de céu azul,

Tarde fresca dá chuva

do dia que passou.


Miro este céu,

E vejo uma ave voando tão alto,

Duas aves,

Três aves,

Cinco aves,


Voam em espiral,

Em bando 

Ou sozinha...


É urubu,

São urubus?


Sem identidade,

Quem já fez amizade com urubu?

Tadinha são nogificadas 

Por seus hábitos catárticos.


Não há quem não olhe para o urubu com um ar de superioridade.


Ehh. que nojo, você come carniça....

Anda desajeitado,

Cabeça de peru...


Que importa.


Olho para essa bendita ave e penso,

Quanta liberdade...


Os urubus são ideologos,

São nefelibatas...

Eles veem além e pagam por isso.


Sabe todas as tardes são eternas,

mas algumas mais que outras.


Ao menos é o que parece.


Feito fumaça,

Vai pensamento,

Evapora de graça.


Que fique a beleza da tarde,

A liberdade do urubu,

E o saber da eternidade.

O seria um labirinto?

Canto encantado

 A garrincha canta,

Cadenciadamente,

Canta uma,

Canta duas,

Canta três...

Canta várias vezes.

É inverno.

Ela só canta no inverno.

Será papinho cheio?

Garrincha que amar,

Quer uma companheirinha.

Faz o seu ninho

E canta,

Até me encantou seu canto.

Parece um canto encantado.

Água no seio da terra

 A terra seca e dura,

A água da chuva tudo munda.

O cheiro da chuva caindo,

A chuva trazendo frescor...

Tanajuras no céu.

O mundo molhado,

Os troncos e cupins.

A lama escorrida da água da chuva,

Argila vermelha.

Areia escura.

O homem e a terra tratada,

A terra arada, fofa, macia e fria.

A cova cavada,

Semente semeada...

A babugem no campo,

A mata brolhando,

Catingueira se pinta de vinho

Depois se enverdece...

Folha molhada,

Cheiro das plantas.

Agudo espinho de cacto...

Tanque cheio,

Despertar e cantar do sapo.

Tudo isso é felicidade,

Tudo isso é prosperidade,

Trazida pela chuva,

Água fonte de vida,

No Seio da mãe terra.

Seus filhos agradecem.

Tempo

 O silêncio frio da mata

aguardando a água da chuva.

A terra enxombrada,

Mole de tanta água.

Sementes germinando,

Fungos esporulando.

O sol, sobre as nuvens.

O tempo mudado.

08/04/26

Demora

 O sol acenou de manhã,

Mas logo desapareceu,

Choveu, choveu, choveu,

Nuvens escuras, luz branca.


A luz do fogo,

A luz de vela,

A luz...


Em outra forma,

Que não luz do sol.


A chuva,

A água escorrendo,

Cantando em toda calha,

Cantando na bica...


Água fria.


Um chá faz bem.

E o dia escorre,

E o dia molhado,

Demora a secar,

Demora a passar...


Demora

Eons

 Um dia mamãe e papai estaremos juntos.

Não da forma como estivemos.

Não!

Quando estivemos juntos,

Vocês foram os melhores pais do mundo.

Alimentaram-me da melhor maneira,

Educaram-me da melhor forma.

Vocês me ensinaram o essencial para viver em harmonia,

Vocês me deram segurança, amor e paz.

Foi maravilhoso vivermos juntos.

Mas um dia nos encontraremos na eternidade.

Um dia seremos só uma data.

Cairemos no esquecimento...

Será se nos encontramos em vidas passadas?

Não sei!

Sou mamãe você e papai.

Estou tentando ser o que vocês foram para mim.

Para o meu filho.

Tem dias que sinto falta...

Tudo vira essência.

Sabe.

Tudo termina em essência.

Meu peito não queria isso,

mas é egoísmo meu ou orgulho.

Somos eons do criador...


Consciência

 Ontem, estávamos muito cansados. A mãe de Sassá exausta e doente. Bom, parece que sabia, por isso nem deu muito trabalho. Depois do banho dele. Nos deitamos na cama. Acho que dormi ou quase dormi. Então ele me despertou e rezamos o pai nosso e a ave maria e logo em seguida dormimos. Nem sei quem apagou a luz. Ontem foi aquele dia de chuva, frio e tudo molhado. Enfim. Sassá entendeu. 

Despertar de um sonho

 Sonhei que era fim de inverno.

O campo de cajueiro que nosso vizinho plantou

Estava todo florido.

Uma paisagem tão bela.

Então dei por falta de mamãe e papai.

E perguntei quando mamãe e papai

Vão voltar de São Paulo.

Então senti o abismo da realidade.

Eles se foram,

Partiram para eternidade.

Tornaram ao ser.

Concluíram a existência.

07/04/26

A aroeira e o tempo

 Em algum lugar bem distante,

A beira da estrada, um fruto caiu,

Dali, num inverno nasceu uma aroeira,

Os anos foram passando e lentamente,

Bem suavemente ela cresceu.


Continua crescendo.

Um dia ela floresceu,

Um dia frutificou...


No verão caíram as folhas,

Uma a uma ficaram o tronco e os ramos,

Depois cheia de vassorinhas,

Floresceu, frutificou...


Mas veio a chuva e ela regou,

Então de folhas todinha se vestiu.

As aves adoram nela pousar,

As aves adoram nela cantar...


Às vezes a tarde vai lá o sabiá,

Canta, alumiado pela dourada luz da tarde.

Canta o cabeça-vermelha,

Canta o papa-arroz.


Nela nasce e se põe o sol.

Nela se avista primeiro o dia,

Nela se escurece por último.


A noite esta desaparece...


Milhares de flores e frutos já dispersou.

Oh aroeira.

Como te admiro,

Faça chuva ou faça sol.

Impávida ali está.

Seguimos nossos dias,


Você de lá e eu de cá...

Notas da existência

 A areia seca,

O solo molhado,

Sobre o solo a gitirana 

Cresce se esparramando.

Tão belo seu movimento,

De crescimento,

De vida efêmera.


A Pinheira verdinha.

Senhora Pinheira,

Amiga conhecida

De tantas safras,

Tantas visitas,

Sanhaçus,

Vem-vems...


O fruto verde gerado,

Crescente e maduro.

Do duro ao mole,

Só verde ao branco.


Dia e noite,

Verão e inverno.


Chuva e água.


Ser.


Ali ao lado,

Tantas vezes me sentei.


Tantas vezes me senti.


Sou uma Pinheira.

Que resiste se sequidão.

Que sofre calada,

As ervas daninhas nos meus galhos.


Sofre calada o calor, mas repleta de esperança 

Pelo tempo de bonança que sempre vem.


Para a terra.

O lugar.

A existência...


Sentado ali.

Foi confidente a Pinheira,

Minha de papai e de mamãe.


Quando eles participaram ela estava triste e desgalhada e assim me senti.


Ontem estava plena.


Eu também.

Mas havia um certo vazio no meu peito...

Que nunca vai passar...

É a autoconsciência.


Queria ser uma gitirana espalhando-se pelo chão.


Mas o tempo, a memória me fizeram Pinheira.

Francisco Chagas Neto

 Ontem domingo de páscoa em Serrinha dos Pintos fui à missa e ao sepultamento do padre daquela terra Francisco das Chagas Neto.

A igreja estava repleta de gente. Durante a serimonia da missa choveu. 

Houve o cortejo fúnebre onde encontrei e cumprimentei meus amados professores e amigos.

Luiz Preá, Ledimar, Rivete, Berg, Glicério, Eudes.

Vânia, Herbenia e Francisco meu primo.

Fui ao túmulo de meus pais.

A noite caiu.

Padres cantando e um colega enterrando.

O bispo e Nil o coveiro.

O dia e a noite.

Os últimos Franciscos estão sendo enterrados.

Só sobrarão os evangelistas Lucas, Marcos e Mateus.


É o espírito do tempo.

Notas do eu dois

 Agora fim de páscoa.

Sou o que fui.

Sou o que sou.

Deveio e devir.


Minhas ilusões.

Minhas desilusões.


Estou onde mais estive neste época.


Estou sem quem mais estive.


Ainda sim na balança da existência,

Vivi mas com eles...

É a vez do meu filho.


O tempo escorre.


Sempre escorreu em espiral...


O cheiro do mato,

A brisa fria da tarde.


Algo anormal.


Cadê mamãe.

Cadê papai.


Onde foram?

Onde estão.


Seguirei pela eternidade sem resposta...


Me apoiando em algo que me encanta.


...

Notas do eu

 Sinto minha alma viva.

Sinto intensa presença da eternidade.

Sinto que sou este lugar.

Este lugar sou eu.

O cumaru cultivado por papai,

As Pinheiras, as palmas.

A erva com sua rama

Que pinta tudo de verde e formas,

Formas cordadas,

Formas radiadas,

Formas ternadas.


Ouço fora e em mim o som da passarada...

A Garrincha no oitão,

O sanhaçu nas pinheiras, 

O vem-vem no encheique,

O sabiá na aroeira,

O encanto de ouro no catolé.

O pacum voando,

A rolinha no terreiro comendo.


O cheiro alvo da flor do araçá, do mororó,

Do jasmim.


Esse lugar sou eu,

Minha alma é esse lugar.

Parte da existência, o ser

 Após o café, o caminhar...

A manhã metade ida.

O corpo quer um descanso.

A gente senta na área.

Nessa área eterna.

Área que sentei toda a infância.

Área que sentei na adolescência,

Área que papai sentava pela manhã 

E pela tarde.

Área que mamãe despertava 

Após o cochilo vespertino.

Área de recepção,

Área de despedida...

Nunca estava vazia nestes momentos...


Esta área foi testemunha das nossas visitas 

Vovô sinhá,

O amigo Dadá,

Meu tio Aldo,

João de Licor,

João de Lourival...


Quantas vezes Bege, as meninas 

E eu chegamos 

E quantas vezes demos adeus.


Esta área eterna.


Hoje vive vazia,

Tendo um cachorro 

Por companhia.


O sol

E a lua

Alumiaram

E alumiam.


Papai deixou plantado em sua frente 

Um espada de São Jorge,

As vincas,

Mamãe aqui deixou a açucena 

E o jasmim laranjeira...


Área que me ensinou sobre paciência.


Aqui li Gandi,

Machado de Assis,

Aluízio Azevedo...


Encarei a biologia,

A química as ciências naturais.


Aqui esperei o inverno e as chuvas.


Os resultados das provas que fiz.


O triste dia da partida de papai,

De mamãe...


Aqui foi o palco de alegria e tristeza.


Não se sabe,

Não se percebe 

Porque se vive sempre 

No presente...

O passado são memórias 

E o futuro são desejos.


Essas coisas são particulares 

Está cultivada em cada um de nós.


Aqui papai envelheceu, cochilou e partiu.


Mamãe tantas vezes renasceu 

E a morte venceu.


Hoje tudo é só memória,

Parte de uma memória...


Se está área falasse.

Se ao menos existisse,


Porém é apenas um vazio entre três  portas.


Só isso.

Tudo e nada.

Com meu amado filho

 No mês de abril,

Após as grandes chuvas, 

pude no mato andar.

É gostoso sentir 

O perfumado cheiro da flor,

O amarelo doce do cajá provar.


Ver o feijão no campo de espalhando,

Nas hastes longas 

As flores roxas desabrochar.


E o agricultor com a campinadeira,

Dando ordens e o boi obedecendo 

Na carreira subindo e descendo.


A vista cheia de beleza, o cheiro 

Da terra arada,

O canto da passarada.


Andar no meio do mato,

Com cuidado pra uma cobra não encontrar,

Vendo a copa da mata fechada.

O cuidado pra não se estrepar.


Ver o açude de água nova barrenta,

O som da água na pedra escorrendo...


E o peito cheio de alegria...


A alma que é uma poesia...


Essas coisas bonitas 

Que a gente leva pra vida.

Lugar seu

 Às vezes a área estava ensolarada e quente,

Às vezes escura e fria,

O que ele não gostava,

Papai era friorento.

Quanta coisa pensou?

Nesta área...

Por nós aqui rezou.

Rezou até o fim.

E por fim se encantou.

Como Deus quis assim se foi.

Neste lugar eterno, 

No seu tempo eterno...

Papai e o ser

 Aqui tudo é eterno 😍 

Da área onde me sento para onde olho tudo é rico em memórias.


Sentado onde meu pai sentava.

Sentado onde meu pai pensava.

Às vezes sozinho,

Às vezes acompanhado,

Só Deus sabe no que pensava,

Pensava o que vivia,

Pensava o que passava.


Sentia amor,

Pedia proteção

Viver, reviver... eternidade

 Ontem tive o maior presente do criador,

Estando em minha terra natal

E foi como um sonho renovador.

Acordei enquanto chovia

Meu peito cheio de alegria...

Foi um sonho vivido,

Foi um sonho revivido.


Vivi duas coisas numa só.


A natureza eterna e profunda 

Numa face maravilhosa,

Verde, fresca e molhada.


Quantas vivi essa face em minha vida 


Não foram muitas.


As maravilhas divinas sentimos 

E amamos mesmo 

Que seja a primeira vez.


A esperança forte batendo no peito.


E a já sente a eternidade.


A chuva, o verde e a fé que isso é bom 

É verdadeiro e efêmero.


O cantar alegre das aves...

O cantar harmônico das aves.

O cantar feliz das aves

 nos transmite felicidade.


Foi o que senti ainda criança 

E reafirma sempre que ouço...


Tá guardado na memória.


Ver pela janela a fora

Enchendo a vista de forma, de cor, de profundidade...


Sentir o ar fresco,

A brisa fria, o cheiro de mato molhado, o cheiro da terra enxombrada.


Sentir a realidade da ausência de pai e mãe materializada em saúde.


Aí está.

O coqueiro morreu.

A graviola está quase morta.

Foi papai que plantou.


A realidade do tempo que se foi.

A realidade do tempo que é.


Esse posso viver,

Aquele não mais

Em totalidade.


Tenho um filho pra criar,

Um filho pra ensinar como é a vida aqui...

Na ausência de meus manos e meus pais.


Aqui as mesmas sensações terá.


O ontem foi pra isso.


O café aquecendo o frio da manhã.


A manhã de chuva.

O banho de chuva.


O passeio na mata.

O almoço com arroz de leite e peixe frito.


A tarde de chuva...

Chuva a tarde todinha...


A noite escura e fria.

O angu com leite...

O chá.


A vida.

Quinta-feira santa

Hoje foi um dia ímpar. 
Choveu e está chovendo muito.
Pude reviver tanta coisa aqui.
A quanto não acordava aqui em serrinha ao som da chuva.
Ver o dia chovendo como aqui vi tantas vezes.
Reviver,
Rememorar,
Agora como pai.
É muito diferente.
Agora como órfão.
É muito diferente.
Feliz e triste ao mesmo tempo.

Páscoa

 Passamos a páscoa na Serrinha dos Pintos-RN, terra natal do papai e dos avós de Sassá. Lá nós pudemos contemplar como está tudo bonito após as chuvas. A mata toda crescendo, as ervas fechando tudo. Tudo é verde. Uma imensidão de insetos. Teve um dia que choveu o fim da manhã e a tarde e Sassá pode tomar muito banho de chuva. Como ficou feliz. Pulou na caixa dágua e foi muito banho. Saímos para explorar a mata, vendo os insetos e fazendo fotografia. Fomos na mata grande, nos açudes de papai e Dedé. A gente chupou cajá. contamos os porcos. Encontramos uma gata preta que ele seu o nome de beleza negra... A gatinha amou Sassá e ele adorou ela. Ela se enrolava nas pernas dele. Ela foi conosco até os tanques para ver se via sapos. Depois veio conosco para a casa da tia Li. Acredita. Acho que a tia vai adotar beleza negra. Bom, fomos a casa do Davi onde Sassá comeu goiaba no pé. Fomos ainda na casa de seu primo Nicolas. Fomos a missa da páscoa. Corremos muito. Ele já saia da cama atordoado querendo ir para o mato. Teve um dia que fomos com a foice limpar as juremas brancas e o calumbi e as mimosas do terreno. Sassá me ajudou muito. Se divertiu muito. Só não se divertiu mais por causa do tempo. Enfim foi maravilhosa nossa páscoa. 

Insônia

 Ruídos

Minha mente se perde em pensamentos dendromorfos.

A noite fica longa.

O escuro,

O silêncio

A tornam enorme.

A mente se perde numa espiral de pensamentos.

O que ocupa minha mente.

Meus desejos...

A mente é um labirinto,

Um cubo mágico...

Inalcançavel de se contemplar.

Meu corpo precisa dormir.

E essa mente não deixa.

Pensamentos pipocam, purulam...

E os ruidos,

E a luz...

Ainda vão me enlouquecer.


Chuva chovendo

 A chuva choveu a noite inteira,

Desfiava fina, mas incessante e contínua.

Acordei na madrugada

E a chuva não parava.

Trovejou.

E continua chovendo.

O sol nem teve vez.

Está tudo sob sombras.

E a chuva continua chovendo.

Neste sete de abril.

Aqui dizemos que é inverno.

São as chuvas chovendo.

31/03/26

Eterno momento

 Ontem após a aula. Foi gostoso como sempre é pegar Sassá. A coordenadora não disse quero falar com você. Só isso já é um alívio. Depois de Vera chamar... Sassá infantil agora é 5... Lá para 5 minutos depois aparece. Cabelo grande, cobrindo os olhos cm a bolsa, a garrafa e a pasta na mão. Abraço-o, cheiro-o e beijo. Não tem preço. A gente ver o brilho e o riso na cara dos pais, avós que creio está também na minha. Então a gente sai. E Seu Zé pega o Ravi. Então os dois saem empolgados. Tchao cabeça de limão... Vamos para o outro lado e eles saem correndo e se divertindo. Então se junta ao grupo Maia e José. Risos e correria e felicidade... A felicidade é um momento de esquecimento dizia o grande Guimarães Rosa. Ali a felicidade é plena, eterna... Ah! meu filho. Vou sentir saudades quando você crescer... Amo tudo isso, mesmo cansado. Você me mostrou que o amor existe. E eu creio nisso. Te amo.

Catarse

 Pink Floyd e a tarde

Não conhecia Pink Floyd.

Era algo tão distante de minha realidade.

Era algo tão distante de minha vida.

Que nunca ouvira falar.

Eu um garoto do interior que só conhecia as rádios AMs e depois FMs.

Em sua maioria essas rádio tocavam rock romântico, embora Pink Floyd seja uma banda neste estilo.

Nunca havia conhecido.

Uma tarde, ouvi e senti Pink Floyd.


O ano era 2005, estava na ESEC- Seridó. Fazendo coletas botânicas para o mestrado.

Era uma fim de tarde.

Não estava sozinho no alojamento.

Quem estava lá eram amigos e meu saudoso e amigo professor Adalberto Varela Freire.

Adalberto era, para mim, um gênio, um bruxo, um ser humano extraordinário real que dominava o mundo das ideias. Sim ali, sabia nome de plantas e bichos e geologia e nuvens...

E era um grande contador de história e meu professor.

Era um ser humano além do normal.

E ele gostava de rock.

Longa exposição do mestre porque merecia.


Então ou vi a musica "Coming back to life".

Estava no laboratório quando ouvi.

Parei, algo catartico.

A janela do laboratório que dá para o poente estava aberto.

O sol se punha...

O segundo crepúsculo era pleno, 

O céu era azul...

A luz do sol tingia de dourado a paisagem seca da caatinga.

A luz enchia o mundo de beleza,

A luz era refletida no açude.

Eu senti eternidade naquele momento.

Eu senti eternidade naquele momento.

Eu senti a eternidade ali.

Eu sabia que nunca mais iria me esquecer aquele momento, aquele lugar.

Eu senti que podia viver aquele momento pela eternidade.

Momentos fugazes.

A música acabou.

O sol se apagou no poente.

E uma noite se foi.


Dá pra sentir o calor daquele espaço,

A textura da cor,

As curvas daquele som.

Produzido tão longe...

Afetando um ser ignorante na língua que estava sendo cantada a música.

Ignorando o significado.

Senti beleza.

Uma conexão divina.

E tudo passou...

Mas ficou na minha memória.

Deveras uma sensação impar.

Uma percepção que pode se propagar...

Adalberto se foi.

Há anos não voltei na ESEC.

Mas ela está dentro de mim.

Pouco ouço essa música, mas já é parte de mim.

Será que foi o por do sol apenas?

30/03/26

Recife primeira impressão

 Quando cheguei lá,

Tomei um susto

Um susto de realidade.

Casas trepadas nas barreiras,

Casas de tábua,

Casas de lonas...

Casas...

A minha casa pareceu um palácio.


E ninguém ali, imaginava,

O que em minha mente passava.


A gente anestesiada,

A quela gente acostumada,

A chuva e ao sol,

As casas onde morava,

As casas que ali estavam.

Eram casas.

Eram pessoas como eu,

Vivendo sua vida,

Vivendo sua realidade,


A mim uma triste realidade.

Irreal a minha realidade...


Tudo bem, ali era ali.


Bem distante daqui.


Quem se preocupava

Com aquela pobre gente,

Com nome, com voto...


Seu valor,

Nitidamente marginalizada.


Recife...


Grande Recife.

A capital da cultura,

A capital do Pernambuco...


É real,

Em sua entrada não mostra maquiagem

´

É tudo gente e verdade...


Fiquei afetado,

Fiquei impactado...


Mas descobri naquela gente,

Amizade, bondade.

Gente real...

Cegueira

 O silêncio era seu companheiro.

Acordava e ia dormir nas sombras. 

O mundo era sempre próximo e distante.

Nada enxergava.

Só sentia o mundo quando ouvia,  quando cheirava.

Sentia o vento, o sol e a chuva.

Não sabia que era dia,

Não sabia que era noite 

Só sabia quando Maria dizia.


Já quase não sentia sede nem fome.

Onde estava?

Sua vida era sua memória.

E o presente ou passado.

Assim era sua vida simplesmente.


Quando acordava e um copo de leite morno o esperava, 

Umas bolachas.

Sem fome comia... 

A vida se reduzia ao silêncio.

Levantava e sentia o cheiro do mundo de forma inconsciente.

Sentia o calor do verão e o frio do inverno.


Que imagens em sua mente aparecia?


O que era sua vida?


No quintal crescia um Jasmin-manga.

com flor de estrela ornamentada,

De cor de prata pintada.

Dona de um cheiro doce.


Foi ali que percebi pela primeira vez o pé de jasmim.

Não as flores.


Vi suas flores num defunto, pela primeira vez.


Por isso o condenei papa-defunto coitado do jasmim,

Dos corpos mortos com suas flores eram perfumadas e ornamentadas.


Estava sempre florido.

Seu cheiro por sempre está presente desaparecera de sua mente 

E na minha de menino ficou sempre gravada.

Um dia tomei ciência, deste senhor, 

Do meu amigo avô.

Deve ter sido no mesmo dia que tomei ciência do jasmim.


Fui tomado de compaixão,

Descobri uma forma de vida com uma triste deficiência, 

Não poder ver luz, cor ou forma...


Mas Deus sabe o que faz que quem nasce cego não sabe o que é luz ou cor? Pensei.


Aquele que perde a luz, carrega isso como quem leva a cruz. 

De perdido um mundo que não se encontra jamais.


E as coisas são só treva pra quem no peito não leva a fé pregada cruz.

Isso mesmo falo de Jesus...


Seu Antônio se foi da terra se despediu.


Mas nunca esqueci do que é a cegueira e o jasmim manga.

Papa-sebo

 Ontem, Sassá acordou querendo dançar. Dançamos um pouco. Estava emotivo. Então mostrei para ele um texto que estava escrevendo, ou melhor quis ler, mas o que chamou a tenção dele foi um papa-sebo que fica na página. Então fomos ver e ouvir o papa-sebo. Ele até quis desenhar. Desenhou o papa-sebo, um sabiá de cabeça branca, um sofreo, uma arara e um periquito. Depois fomos brincar.

29/03/26

Diferentes percepções

 Hoje acordei com vontade de sentir

a maciez da terra molhada, 

o cheiro da flor de mufumbo..


Tive uma vontade danada

De encher a vista 

Da mata verde,

E do milho crescendo,

Na roça bem alinhada,

Do roxo do feijão florescendo

E cobrindo o chão.


Sabe aquela vontade de sentir o frescor da manhã,

Ver o azul das flor de gitirana,

Das flores de bomba d'água.


Ver o amarelo das flores de mandubim e de camará,

Da flores de canafístula.


Ver o branco das flores de mororó,

Da tenda de flor de gitirana de mocó,


Hoje acordei querendo sentir o cheiro de maravalha de marmeleiro,

Estalando e fervendo a água do café,

A goma sendo molhada,

A tapioca sendo assada...


Hoje só queria ouvir mamãe,

 papai e tio João na cozinha,

falando do sertão,

Outro dia,

Tio Aldo falando do Porção.

Outro dia de João de Licor,

Tinha um que de alegria nesses encontros,

Que me fazia se sentir bem o dia inteiro,


Essas vontades, vivem vivas em mim,

Na fé que estão todos bem,

Que sigo bem,

E as percepções são eternas,

Só as histórias diferentes.

Depois a vida continua como sempre,


Mas a memória meu amigo é minha raíz, meu entendimento é minha direção.


Bom dia.

Um novo amanhã

 No final do inverso uma área foi desmatada,

na seca a broca foi queimada,

Ficou cinzenta e ficou escura,

A cinza pelo vento foi levada.


Tanto suor, tanto esforço,

Acordado desde a madrugada,

Ao raia da barra vermelha,

A foice amolada, o maravalha queimada,

A água fervida, o café cozido,

No saco coado...

O cheiro preencheu a cozinha de taipa,

E acendeu na alva aquela desejo do doce cozido do acúcar...

A garrafa amarronzada de uso.


Um pensamento no trabalho,

É aceso na mente,

Como brasa acesa pelo vento que passa,

Um pensamento na vida...

Pensa nos filhos,

Pensa no gado,

Pensa no ano que começa,

Pensa na mãe...

Então as galinhas

aparecem animadas no terreiro,

O porco berra no chiqueiro,


O terreiro alvo de terra varrida,

O cheiro do marmeleiro,

O cheiro da catingueira,

A escura sombra do joaezeiro,

No branco campo no sul,

O peru estufa o peito e dá um glugluglu...


Sua sinhazinha, companheira já desperta,

Arruma o café preto,

A tapioca alva e fria,

Exala um gostoso cheiro 

Quando é deitada na fregideira quente,

A bolacha redonda e seca,

A alva e fria coalhada,

O reco-reco doce da rapadura

Sendo raspada,

A alva coalhada no prato deitada,

A doce marrom raspadura rapada,

Agitada em espiral,

Gira, gira se agita, se mistura.

A primeira colherada...

Para uma vida dura,

O doce até que anima avida,

Suaviza as ideias duras e áridas.


Sabe aquela  amizade, a cumplicidade,

Palavras de realidade,

Nada de carinho,

A realidade...


O pensamento materializado,

Falado...

Um ouvido dando atenção.

-A roça vai ser boa,

A terra é nova,

No pé do serrote.


A madeira vou mandar os meninos trazer,

Esse jumento preto é perigoso,

Se ouve a voz da avó.

Vão dois meninos... pegar


Se Deus quiser o inverno vai ser bom.

A turina berra no chiqueiro.

Um vento sopra trazendo frescor e cheiro de pau...

Nem se percebe, mas se gosta desse cheiro...


Nem tudo é tornado consciente de imediato... mas estamos vivos.


Cheiro do sertão, cheiro da vida.

As vacas ainda deitadas, badalam o chocalho quando rumina,

Malhada se levanta, se estira, mija e caga...

Magi solta o bezerro,

Miguel arreia a vaca,

Limpa o ubre e a teta com a escova do rabo,

Bota o balde entre as pernas,

E com carinho aperta a teta,

Um jato alvo, morno e leitoso,

Vai enchendo o balde...

Espumado o leite morno,

Exala um cheiro de fé, de alimento, de vida.


Pega a foice seu zé e segue para a lida...


No dia três de janeiro no sul a barra se faz,

A manhã nasce fria e azulada.

O dia é quente e escaldante...

A noite o tempo se fecha,

Relâmpagos clareiam o céu...

O peito de Zé se enche de alegria,

Sinhá reza a ave maria...

Lera se entretem com a chama da lamparina,

Magi só observa a cena.


Zé pigarreia e reza em silêncio.

E o silêncio continua...

Luz apagada, escuro e silêncio...

Pelas frestas da telha,

Uma luz tudo clareia

A meia noite, então noite dento,

Sinhá se acorda com o som dos pingos na telha,

Seus lábios o pai nosso começa a balbuciar.

E uma grande chuva se inicia...

O cheiro do barro molhado vai crescendo,

Lera dorme na rede, Sinha ao sair faz a rede balançar,

Então Zé se levanta,

Abre a janela e olha pro nascente é tudo escuro,

Nada de estrela,

Um raio acende a natureza,

brilha do nascente ao poente.

Um truvão arrojado,

Ecoa no serrote...

Corações e mentes palpitando de alegria,

é a chegada do inverno.

Lera acorda feliz,

Magi acorda feliz,

Sem saber porque,

Há um riso no rosto sisudo dos velhos avós...

A dor da vida fica para trás,


Chuva é água,

Chuva é vida,

Chuva é esperança...


A terra seca pobre terra,

Terra molhada, rica terra...

O trabalho é o divisor,

Trabalho, fé e amor.


A água escorrendo,

As goteiras cantando,

A cadencia da água na lata ao ser cheia,

Quanto mais veloz mais feliz...


O gado molhado, sente frio...

Se ouve o forte respirar...

Morcegos voam a piar...

Amanhã se tudo der certo,

Vamos plantar,

Guardou as sementes de gerimum?

Separarei o milho e o feijão,

Vamos plantar também algodão.


Na roça o cheiro do carvão molhado,

A terra enxarcada.


O sonho e a imaginação...

A felicidade de um novo amanhã.



27/03/26

Razão

 Agora sou.

Posso expressar isso.

Agora sou.

E vai sucedendo,

Venho a ser e deixo de ser.

Agora, aqui  e agora.

Um breve momento uma junção 

Espaço e tempo.

Onde.

Sei que serei outro em pouco tempo.

Ser e existir.

A autoconsciência.

O desejo.

A vontade,

A representação,

O objeto.

A consciência...

A balança divina.

O peso é seu...

O justo está em ti?

O justo está no outro?

A razão.

Mani

 Mani.

Maniçoba

Mandioca.

Encontrei variações na lingua tupi "mani ou mandi"

Os povos indígenas chamavam amendoim de mani. Certa vez, perto de casa estava fotografando um amendoim silvestre e aprendi de papai que aquela planta era mandubim...

Nós temos a palavra maniçoba - soba no tupi tem conotação para folha... folha de mani.

Temos ainda mandioca - tupi também, canta uma lenda sobre a origem da macaxeira.

Pois bem - oca para mim tem uma conotação de vazio, ou oco... Temos a palavra "oca" nome para casa indígena. Oco vazio. Ex.: tronco oco. ou tronco com sem cerne...

Já mani ou mandi - parece que pode ter uma conotação para algo que se usa na alimentação mas que está enterrado, vi num artigo "aquilo que se arranca.


Raridade

 Ontem, Sassá ficou inquieto quando falamos sobre a palavra "raro". Vendo vídeo de animais, ouviu o narrador falar de animais raros. Não sei direito como ele entendeu. E sei. Ele entendeu raro como algo difícil de se ver, Ele está tentando entender e estava argumentando sobre. Então eu disse que era raro. Ele respondeu que não porque ele me via o tempo todo. Disse para ele que raro é algo que tem pouco na natureza. Ele não gostou dessa definição. E argumentou raro é canguru que a gente pouco ver. Verdade só se ver canguru na Austrália, mas não é um bicho raro. Para os australianos por exemplo raro seria o cururu... Para nós é muito comum, se seguirmos essa lógica. Boa pois foi entendimento dele. Na ida para a escola ele perguntou sobre minerais raros. A cor destes o verde perguntou, respondi é esmeralda; o vermelho, respondi  rubi, o amarelo, respondi rutilo, o azul, respondi safira e o roxo respondi ametista...

E o diamante tem aqui. Respondi que tinha na África. Falei que diamantes são encontrados onde tem vulcões. Ai entrou em outra conversa.


Desvelar a poesia

 Aprendendo um pouco sobre literatura popular.

Observando a técnica dos escritores.

Juntei alguns livrinhos de cordel para entender um pouco.

O que separa um cordel de um livro de poesia?

Cordel não é poesia?

Neruda, Drummond, Pessoa escreveram poesia.

Ferreira Gular.

Pinto do Monteiro,

Patativa do Assaré,

Louro e Otacilio Batista...

Valdir Telez,

Ivanildo Vila nova.

26/03/26

Us nos animais e plantas

 A noite a murucututu

Voou e pousou no jucurutu quase se furou.

Então cantou

Muru-cu-tutu.


Veio o timbu e a espantou

Ela voou e pousou no mulungu 

Cantou novamente 

Muru-cu-tutu


Veio o caburé e dali a enxotou


Então ela voou 

E pousou no cumaru 

Então ela cantou

Muru-cu-tutu

Então o bando de jacu pois ela pra voar.


Então ela voou e pousou na jurubeba ela então cantou muru cututu...

Então viu um cururu se assustou e voou 


Pousando num pé de caju.


O caburé não gostou e de lá a expulsou


Incomodada foi para a aroeira...

Então viu no chão se rastejando 

A surucucu vermelha e preta.

Cantou novamente 

Muru-cu-tutu...


Então voou até a beira mar,

Quando viu um pescador da rede tirar

Uma perigosa murucutuca.

Dai encontrou uma fêmea...

Se calou e a contemplou.


De longe a espreita estava o urubu...

E na cabeça da estaca o urutau via tudo e fingia nada ver.


Exodo

 Como ficou o Egito sem os escravos judeus?

Tanto trabalho, esforço e saber esvaziado.

Novas matérias, novos lugares, novas lutas.


Os judeus tiveram que se reinventar,

Seguindo a Moises numa jornada a algum lugar.

Ao deserto! Marchou aquele povo,


Cruzaram o mar vermelho...

O que sentiam as crianças?

O que diziam os idosos?


Inúmeros judeus...

Judeus que nasceram e viveram toda a vida no Egito.

Êxodo.


Também nós fugimos da seca...

Não foi José de Jacó.

Vendido por seus irmãos...


Não foi José ressentido...

No Egito José foi governador.

Foi a luz do faraó.


E o tempo passou...

Porque o povo não se misturou?


Eles lá e nós aqui, no nordeste, no sudeste...

Estamos voltando...


Eles foram em busca da terra prometida...

Será se encontraram?


O conforto de Deus é tudo.




Sorvete em casa

 Ontem, Sassá encontrou com o padrinho que tinha ido pegar seus três filhos. Então ficamos conversando até a escola abrir. Quando abriu fomos pegar os meninos. Seu padrinho ia dar uma pipoca para ele, mas ai lembrei que não podia, pois havia extraído o dente. Não chorou, entendeu. Falei que ele só podia comer sorvete. Ele falou para os meninos que tinha sorvete em casa. Passado isso, correram, pularam, gritaram pelos amiguinhos. Todo feliz. Sua mãe chegou e nós fomos ao mercado. Se comportou mesmo como um menino do infantil cinco. À noite lemos, jogamos jogo da memória e fomos fazer a atividade da escola. Ai apaguei.

Pela vida

 Miro a vida,

Como quem olha o horizonte,

A linha divisória,

A profundidade,

Céu e o mar azuis.

Mira a vida sentado na areia.

E o som frenético das ondas.

Sinto o vento...

Miro a vida...


A existência a realidade,

Os fenômenos dessa realidade.


A razão e a intuição.


Uma angustia ao despertar a consciência,

Que logo será noite...


O que fiz do meu dia?

Eu me construí

E tendo me manter...


Me canso nesta atividade...

Mas uma parte de mim vive além de mim...

Por isso preciso

Mirar a vida,

Pela vida.

25/03/26

Tristeza

 Ontem, há 24 anos falecia meu tio Aldo Batista.

A 24-03-2002.

Morava na Residência quando recebi a triste ligação.

Era mamãe chorando. Imediatamente achei que havia sido minha avó sua mãe.

Mas era outra coisa. Ela me contou chorando a tragédia. 

Disse que era para eu ir para casa. Nem pestanegei.

Tive que faltar a prova de química orgânica.

Vim de besta com Almeida. Foi uma viagem longa e angustiante.

Mas meu pai precisava de minha presença e a minha família também.

Temos uns aos outros.

Somos uma só familia.


Urubu

 O urubu vive de luto,

De preto todo vestido,

Onde um corpo encontrar,

Da carniça vai se alimenar.


Voa pra cá,

Voa pra lá,

Sempre a buscar,

O que comer.


O urubu com cabeça de peru,

Verrucosa, mas escura,

Voa nua elegância,

Não tem nenhua ganância,


De bando sempre vai encontrar...

É ágio no voa,

Mau sabe andar...


Urubu... urubu.

Argumento da páscoa

 Comprei um pote de sorvete para Sassá por causa do dente que foi arrancado da boca dele. O dente de tubarão. Então a mamãe me falou que ele pela manhã tomou sorvete dizendo que foi indicativo da dentista. Passou a manhã toda para fazer a lição, contou-me a mamãe. Tudo bem! A mamãe falou que esse pote não se acaba. 

Argumento dois.

Á noite quando chegamos da escola, após aguarmos as plantas do jardim. Ele argumenta que as ervas vão ficar maiores que árvores. Isso é lindo. Gosta apenas das menores plantas do jardim. Já conhece algumas plantas como quebra-pedra, sida, pega-pinto, glinus, vasorinha. Ele fala baixinho delas para a Vizinha do 201 não escutar. Ele sabe que ela arranca as ervas. Bem, nutre um amor pelas ervas e só agoa estas. Gostei dele falar que elas iam crescer até a altura de um prédio. Diz que quer transformar nosso jardim em uma floresta. Enfim, agoamos as plantas internas e externas. Subimos e ele estava contente. Feliz.

Em casa ele perguntou para a mamãe. Está perto da páscoa, espia só. 

A mãe respondeu que sim. Então ele disse vamos acender uma vela. Ai falei só na sexta-feira da paixão. Então ele disse. Se é pascoa podemos comer doce. Quero meu sorvete.

Nós rimos até... E passou pra dentro o sorvete com argumento da páscoa.

Empatia

 Sinto que a vida está passando rápido.

Sinto que a vida está muito boa.

Sinto que sou.

Sinto e sei da existência.

Algo em mim me faz sentir tudo isso.

Algo em mim quer que saibas disso.

Sinto a vida na vida, na existência.

Sinto que tudo vai bem mesmo que por um breve momento,

E isto está bem.

Sinto felicidade nas crianças,

Sinto felicidade na arte por mais embrionária que seja...

Desde um jardim até um comigo ninguém pode numa lata.

Sinto felicidade na luta pela vida.

E tristeza no desprezo do corpo,

Dessa existência...

Nos abismos que podemos cair,

Nos abismos escuros que se caem...

Tantas pessoas por ai abandonadas...

Drogadas... 

Cadê a compaixão humana?

Cadê a empatia...

É preciso força e união para vencer tudo isso e sair do abismo.

Sinto que estou fazendo muito pouco,

Para mudar o que ai está.

Mas estou dando o meu melhor.


24/03/26

Permitido

 Ontem, Sassá foi a dentista. Foi fazer a cirurgia do dente a mais que nasceu. Era um dente fino. A gente o chamava de dente de tubarão. A cirurgia foi um sucesso. Ele ficou muito feliz porque ganhou sorvete. Mas ficou muito triste e até chorou porque não pode ir à escola. Nem fui almoçar em casa. Então quando cheguei a tardinha. Chamei para ir comprar um sorvete para ele. Ele foi argumentando que podia comer açúcar porque a dentista disse que podia. Fomos ao Bem mais da principal dos bancários. Rodamos no mercado, olhando os produtos. Falei para ele que era ali que fazia as compras antes dele nascer. Ele estava muito objetivo. Aqui não tem sorvete dizia nas prateleiras. Não é picolé é sorvete. Então pegamos nosso chá e o sorvete dele e paguei. Fomos embora. Ele mais feliz que pinto no lixo. Falante e rápido para chegar em casa. Porque será?

Até

 Carrego as memórias de minha vida,

Muitas alegrias e felicidades,

Também dores e ferida...

Carrego no peito muitas saudades


Saudade de meu lugar,

Saudade de meus parentes,

Saudades da minha vida,

Saudades, pois a vida parecia querer mais...

E não dava para ser plenamente vivida.


Foi embora no tempo,

Fui em busca deste invento

E perdi tudo,

E ganhei tudo...


Muito ficou em mim,

O que pude trazer...

Agora posso escolher o que devo levar

O que devo ensinar...

Aprendi muito sozinho só a observar...

E continuo a aprender...

Até.

Farinhada

 A mandioca arrancada,

Em caçuas carregada,

Na casa de farinha,

Derramada e arrumada,

Descascada.

Mão ligeira,

Conversa frouxa,

O alvo amido,

Cheiro da raiz limpa,

Motor ligado,

A batata cevada,

A maça branca,

Vai ser prensada,

Espremendo a manipoeira...

Agora a hora da lavadeira,

Lavadeira nova,

Roupa ajustada,

A rede dançando,

Pra lá e pra cá.

A goma decantada na gamela,

A massa lavada vai ser assada,

O cheiro da manipoeira fora casa,

Lenha acesa,

Rodo a posto,

Massa espalhada,

Começa a torrada,

O assador a dançar,

Pra lá e pra cá.

É Paté?

É. 

E o cheiro da farinha incensa a casa.

Depois o beiju e a tapioca.

E a novena de graça.

Vida boa foi a minha.

Labirinto temporal

 A tarde surda, Tudo é silêncio, O calor muda A voz da natureza, Numa sombra, Pia um bem-ti-vi. Desperto para essa realidade. E por minha me...

Gogh

Gogh