terça-feira, 10 de março de 2026

Tela não

 Ontem, Sassá saiu da escola, soltou umas palavras engraçadas e brincou com seu amiguinho Ravi.

Conhecemos Ravi quando era bem pequenininho, pós pandemia na praça do Rapaz como a gente costumava falar. Ravi com seu avó Zé. Foi ali, naquela época andando com dificuldade que nos conhecemos.

Ravi foi para a escola primeiro. Seu Zé sofreu primeiro o deixar o neto na escola. 

Depois Sassá entrou na escola e no ano seguinte Ravi veio estudar com Sassá.

Se tornaram grandes amigos e nós os pais também.

É muito linda essa relação de amizade.

Quando a gente desperta, percebe que passa muito rápido. Conversando com o pai de uma coleguinha de Sassá, comentávamos isso.

E todo mundo diz isso.

Parece que não, mas é verdade.

Essas crianças preenchem tanto as nossas vidas que nem imagino quem seria se não tivesse ganhado a graça da paternidade.

Cuidado com as telas.

Sassá ganhou uma tela, um tablet sem ao menos ser consultado.

Ontem ficou muito angustiado porque queria ver uma atividade.

Meu coração ficou pequeno e mole.

Não deleguemos a paternidade ao mundo...

A gente vai aos poucos liberando para termos tempo para nós.

Bloqueamos os sentidos de nossos filhos as ricas percepções em detrimento de um sentido...

A abração em detrimento da realidade.

Sassá queria.

Mas a mamãe foi firme e disse que não! 

Total apoio.

Foram ler os lindos livros...

Obrigado mamãe por ser tão maravilhosa.

É isso mesmo.

Um pouco de nós

 Vida essa multiplicidade absoluta.

Aos vivemos, deixamos algo de nós no mundo.

Absorvemos muito do mundo.

Somos produto dessa interação

do ser com o mundo.

Do mundo com o ser.

Essa relação nos revela o mundo e nós mesmos.

É preciso parar,

É preciso se concentrar,

Parar de querer...

Rever seus hábitos,

Tentar saber quem é você e o que você pretende ser.


Em silêncio

 O lugar respeita a manhã.

Tudo é paz e silêncio.

Aos poucos o lugar desperta,

As aves são as primeiras

a despertarem.

Umas gritam,

Outras pulam...

Os grilos cantam no balceiro de ervas.

Silêncio.

As máquinas funcionam sem cansaço,

Piscam cores verdes, vermelhas,

Zunem...

As folhas das árvores parada,

Despertam...

E um novo dia chega.

Em silêncio.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Saudades

 Ontem, na igreja pedi que rezassem uma missa em memórias de mamãe. Dia oito, foi o dia que ela se foi. oito de janeiro. Sinto muita falta de papai e mamãe. Apesar de minha esposa e meu filho preencherem minha vida, sinto falta de mamãe. A gente viveu uma vida tão boa juntos. Sinto falta de suas conversas, sua amizade e seu amor. A semana santa está chegando e a gente sempre passava juntos. Com o fim de minha mãe, algumas coisas perderam o significado. Assim é.

Fim de semana

Ontem, fomos com Sassá ao centro cultural. Nunca tínhamos levado ele lá para aproveitar o espaço para pedalar. Pedalou muito. Caiu uma vez e sentiu o joelho. Estava indo rápido demais. Sexta, fomos ao mangabeira shop que ele gosta muito. Quis comer causone de chocolate e de frango. Passamos nas americanas e pegamos um chocolate. Passamos na leitura e comprarmos um livro "não é fácil ser um coelho". Lemos, mas não sei se gostou. Ontem ainda fomos a missa. E foi assim nosso fim de semana.

Só isso.

 Serena e silenciosa a mata parece se preparar para a chuva.

Uma folha sequer se mexe. Agora aqui está úmido e quente.

Todas as vezes que o tempo está sim é sinal de chuva.

Mas deixe isso pra lá.

Uma cuica grita longe.

Só isso.

domingo, 8 de março de 2026

A alteridade

 Quando algo me agrada o que está acontecendo em meu ser.

Estou compreendendo, concordando. Estou abstraindo?

Tantas coisas me agradaram na vida.

Depois descubro que foi uma paixão, acho que foi uma ilusão.

Agradam-me principalmente coisas trazidas pelos sentidos,

Sabor, odor, forma, combinação de cores...

Porque não tudo isso junto e uma pitada de biologia.

O que acontece com meu espírito ao se deparar com uma fatia de pudim.

Ou quando no alto da juventude um olhar se cruza ao meu e a parte me leva a ver o todo

E algo me é revelado, o belo.

E algo me é revelado, o feio.

Que é o belo e o feio, senão uma condição a qual sou exposto o tempo todo e sou levado a categorizar.

Há biologia por trás destes conceitos?

E os elementos intelectuais, contemplação das ideias?

A fé na razão, na ciência, na manada.

O que é tudo isso, senão uma centrífuga que nos confunde,

Que nos faz confrontar o tempo todo a autoconsciência... o eu e a alteridade.

Essa forma de pensar é natural?

Talvez pareça se não pararmos para ver o todo e não as partes.

sábado, 7 de março de 2026

O eu

 O espaço,

O tempo,

O ser e sua existência,

Um ontem,

Um hoje,

Um amanhã.

Aqui,

Ali,

Acolá,

Agora.

Eterno tempo,

Infinito espaço.

Eu...

Intuição,

Percepção,

Representação,

Ideia.

Minha alma,

Meu lugar primeiro,

Meu espaço e meu tempo depurado,

Causalidade, devir e deveio.

Decisão...

Ontem, Ausência do passageiro,

Hoje, Ausência da existência,

Amanhã... só uma ideia.

Nada mais.

sexta-feira, 6 de março de 2026

Uma ideia

 As quatro aroeiras da biblioteca do CCEN,

As catingueiras do estacionamento,

O juazeiro do bolo de noiva,

A sucupira da curva,

O flamboiant da geociências,

O acoita-cavalo do estacionamento,

Seu Josenildo...

O none do CA da Quimica, 

O coqueiro do CCEN...

Coisas que estão ai...

Até quando quem sabe...

Mas estão eternarnizadas,

Um dia serão apenas um texto.

Um dia serão apenas uma ideia.

Questão metafísica

Por que descrever nossas impressões, sensações e percepções?

O que é, é.

O que é pode ser nos impressionar.

O que é existe.

E a existência não basta por si.

Existência é fenômeno.

Mas direcionar um sentido ao belo;

Ao singelo,

As vezes não percebemos na grandiosidade disto.

Por definir o que sentimos intimamente?


Tela não

 Ontem, Sassá saiu da escola, soltou umas palavras engraçadas e brincou com seu amiguinho Ravi. Conhecemos Ravi quando era bem pequenininho,...

Gogh

Gogh