sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

2020-2025

 Quando mamãe partiu. Senti tanta saudade. Saudade dupla, pois papai havia partido um ano antes. O

de 2022 choveu muito. Tinha um maracujá no nosso terreiro da cozinha crescendo sobre a laranjeira, a mangueira e as pinheiras. 

Roberto não quis cortar.

Aquele maracujá ficou roxo de flor. E as flores continuavam abertas até a noite.

Com suas coronas lilases, pareciam está de luto comigo.

Minha única alegria era o meu filho.  Fomos todas as vezes que podemos naquele ano em casa.

Comemoramos a vitória de Lula. Neném de Teófilo estava lá. E em menos de dois meses partiria também.

Nós íamos a casa de Tia Nina, Vinícios adorava. Tia Nina foi no Ano seguinte...

Coisas muito tristes vivi entre 2020 e 2025.


E a chuva chegou

 Ontem choveu lá longe de mim, onde amo de toda minha alma.

Fiquei pleno de felicidade quando vi a gravação.

O balde cheio de água, a caixa de água com água de chuva, a terra molhada. Chega posso sentir a alegria da açucena, do jasmim de laranjeira e das vincas.

Dos bichinhos despertando de seu longo período de seca. O frescor do tempo, os sanhaçus cantando...

Reviver o poço da pedra

 No poço da pedra sol azul, sol radiante, calor intenso, em janeiro profundo e a caatinga sedenta.

O chão empoeirado o solo esturricado.

O cardeiro, o Xique-Xique, e o coroa de frade cinzento....

A tarde dourada recebe a noite enquanto os beija-flores beijam as flores das coroas de frades,

Flores rosas, pequenas, delicadas, protegidas, tímidas repletas de polem,

Conversa vai e vem...

E a noite chegou quente adoçada pelo chá de erva doce e o bolo quente de leite de Ana Celina...

E a noite caiu,

A conversa com seu Nelinho Escobar na casa de canto,

O cururu poncio comendo carne de sol ofertado por Vinícius e sua mãe...

A uma da madrugada e promessa de chuva, as uma e meia uma pancada de chuva e uma animação três baldes cheios... E o veio Zé acordou, e o relâmpago prometeu e a chuva se pôs a chover matando a sede do chão, da mata, do grande e vasto sertão.

Meu coração de sertanejo em sintonia bate feliz com a chuva apressada...

Baldes e tambores cheios de água, de esperança de som de paz.

Intensificando o momento

O sol ardente cozinha o céu azul. A caatinga treme ardendo num calor plúmbeo.

A casa de alpendre refrigera o mormaço.

Numa das linhas o juriti trabalhou,

De cisco em cisco construiu um ninho

De palha de capim.

Ora em silêncio ora a cantar chocando seus ovos alvinhos.

A Alamanda cresce no quintal ao lado do limoeiro dali, vemos flores e frutos amarelos...

O verde das folhas e as flores alvas das cajaraneiras, 

Os nós e entremos das canas, 

As folhas penadas dos coqueiros.

Os sons amorfos dos sábias, galos-de-campinas, patativas, o nariz ativo de boca preta o cachorro filhote,

O grasnido do Martim pescador,

A Garrincha marrom...

Essas coisas eternas que encantam.

Causalidade

 A terra plana as fruteiras justapostas limoeiros, Canjaranas, alamandas, pinhas, coqueiros.

O amarelo das flores de alamanda,

O cheiro doce da catanduva.

O canto do sabiá,

Do galo de campina, do juriti, do sanhaço.

O papa-sebo correndo no terreiro.

A areia branca,

As flores brancas da cajarana.

O Martim-pescador que voa grasnando.

A casaca de couro canta longe...

O cheiro de faveleira.

A luz dourada nas folhas de coqueiro.

Amizade e um lugar

 Onde estou?

No sítio de Pedro e Dulce no Capim PE.

Como cheguei aqui por meio da amizade.


Os anos se passaram e a nossa amizade só aumenta.


Estamos numa pequena chácara onde se cultiva manga, coco, limão e umbu.

ADeus professor de música

 Ontem, foi velado o corpo do primeiro e único professor de música que conheci em Serrinha dos Pintos. Viveu a maior parte da vida nas Chechas. Tinha uma família grande que conheci desde que fui para a escola na Serrinha Grande. Chico de Laurentino músico que ganhou a vida ensinando gerações a tocar um violão.

Resumo

 Acabei de ler o médico de homens e almas. Aproveitei uma promoção na livraria e aproveitei as férias e estou muito satisfeito.

Conheci o título desta obra quando estava na graduação em ciências Biológicas,  minha única graduação. Na época morava na universidade UFRN, na residência Universitária. Um palco de alegria e angústia e isso não é a essência da vida? Eu vindo do interior e desbravando a cidade grande, descolando uma nova realidade em minha vida... Sentimento compartilhado por todos os colegas que ali moravam. Novos mas cheios de ganas, e de responsabilidade.  Dividimos um beliche com um colega e um quarto com seis colegas e uma residência com 96 colegas... Um colega que adorava ler literatura espírita. Era o maior em estatura de nossos colegas, o mais divertido e querido. Era professor de educação física, era meu colega de quarto no apartamento 14. Vindo de Carnaúba dos Dantas, e se chamava Gilson Dantas. Desfrutava então de sua vitalidade, suas falas, suas piadas, das conversas na mesa do restaurante Universitário. Todas as noites ele chegava, tomava banho e tinha um tempo para a leitura. Um dos livros marcantes que leu foi o médico de homens e de almas. Ali acendeu o interesse pelo livro, mas o volume das páginas me faziam declinar da empreitada. Bem suponho que isso se deu lá entre 2002 e 04. Os anos passaram. Então outro carnaubense meu compadre e amigo, turismólogo e agora médico me falou novamente do livro. Então ao passar na livraria fui levado a comprar e nos mediados de fins de dezembro de 25 comecei a ler e não parei até o final. Estou encontrando. A leitura foi extremamente fluida, só lembrando que retomar a frequentar a igreja, as leituras da Bíblia ajudaram muito para a fluidez da leitura. Ficou muito... Parei para registrar esse pensamento...

Reflexão ao lado do amor

 Aqui deitado com os pés e as mãos geladas. Vinícius dorme tranquilo ao meu lado. Então, pensando no tempo, esperando pelas chuvas me veio a memória como um turbilhão que tudo tira do lugar. A mente matemática ou memórias numerais que nós faz pensar no tempo. A primeira grande provação em minha vida e porque não nossa dos meus irmãos foi a seca do ano de 1993. Aquele bendito ano que só caiu uma chuva e que meu avô José Neves dormiu na eternidade. Foi um ano tão cruel que mudou nossas vidas para sempre. Nós vimos todas as nossas melhores fruteiras morrem de sede. Foram os cajueiros, as goiabeiras, bananeiras, mangueiras... Papai vendeu os poucos bichos e foi embora para São Paulo em busca de recurso só quem restou foi a caatinga cinzenta e espinhenta. O sol ardeu de janeiro a dezembro. Ficamos ociosos, esperando nossa ração do café, almoço e janta. A globo cadenciava nossa vida, nossa escola, nossos professores, nossos vizinhos todos no mesmo barco. A gente tentava ri para vencer as adversidades. Naquele tempo tive certeza de que alí nunca teria uma estabilidade e o tempo cadenciaria nossas vidas, provaram os fortes e quantos de nós não foram morar longe e quantos nunca voltaram. As chuvas, não a água era e é nosso maior recurso. Vi nosso sítio se tornar uma área Cerqueira, nosso irmão mais velho nos ajudou junto com papai. A gente, depois deixaria nossa terra natal. E bom, alguns de nossos cinco  irmãos, decidiram não voltar mais. Uma voltou para cuidar até o fim dos dias de nossos pais e alí ficou. Eu como moro perto sempre volto. A casa agora é enorme, nosso cenário de alegrias e de dores está ali. Agora flerta com mais um ano seco.

Passamos 21 aguardando as chuvas e nada. Agora tive que partir e deixei nossa casa com o coração de beija-flor. Do alto dos 46, após permear e buscar entender ciência e filosofia encontro paz na fé coisa que meus pais e avós encontraram. A caatinga e a seca devoraram nosso sítio e andando na caatinga encontrei as marcas do passado o buracos das palmas que papai plantou, troncos ou marcas destes que os cajueiro deixaram. Apelar para Deus...

Ainda dorme Vinícius e eu aprecio o momento com essas duras memórias atemporais.

Viajando

 As paredes alvas,

O encontro das linhas, 

A profundidade,

O vazio,

Os objetos.


A atemporalidade...


O presente e o passado,


O interno e o externo.



A manhã, a tarde e a noite.


O quente e o frio.


A luz e as sombras.


O silêncio e o barulho...


A fome e a satisfação.


Um momento numa mente.

2020-2025

 Quando mamãe partiu. Senti tanta saudade. Saudade dupla, pois papai havia partido um ano antes. O de 2022 choveu muito. Tinha um maracujá n...

Gogh

Gogh