15/10/26

Nordestinidade

 Uma cigarra pousou em fernanda a aroeira.

Setembro se foi e outubro chegou.

O sol está a todo vapor...

A cigarra cantou pertinho de mim.

Seu canto foi um encanto.

Seu canto despertou memórias de um lugar distante,

De um tempo distante...

Tempo de minha infância,

Tempo de minha adolescência...

Lembrei da casa paterna, do nosso sítio,

Do cheiro da flor do cajueiro,

Da poeira na estrada,

Do nosso burrinho,

Do trabalho de buscar água no açude,

Do trabalho de buscar as vacas no parieiro,

Do andar ondulado do gado,

Do calor, da moleza,

Das pedras pretas soltas no caminho,

Do agrado do gado bebendo água no açude...

Da chegada em casa,

De papai preparando o comer do gato e do cachorro,

Sempre provando do feijão com farinha...

E tudo isso não reflete minha nordestinidade.

Contemplar, ser e amar

 Contemplação,

Contemplação exige corpo relaxado,

Exige atenção ao objeto,

Exige contato direto da visão,

Do olfato,

Da audição,

Da sensação tátil,

Do paladar...

Contemplar é dar tempo

Para ver,

Para cheirar,

Para ouvir, 

Para tocar,

Para degustar...

Parar o tempo e se envolver no espaço...

Deixar o ser sentir a existência...

Contemplar

É viver com a consciência do aqui e agora,

É dar o tempo real que o ser precisa para sentir a vida.

Contemplar é sentir a vida.

Quando a gente sabe quem somos fica mais fácil.

Aquela imagem de Gogh,

Aquele som de Mozart,

Aquele gosto de pudim,

Aquele abraço fraterno,

Aquele cheiro de jasmim.


Ontem, contemplei a lua do jardim,

Enquanto regava as plantas,

Enquanto a torneira enchia o balde,

A água escorrendo me acalma...

O céu pós crepúsculo,

As estrelas acendendo,

A lua crescendo no céu...


Desde muito tempo tenho o hábito de contemplar o céu no anoitecer,

Antes me conectava com meus avós,

Agora com os meus pais...

Estou contente que tenha conquistado este hábito.

Para seguir para a etapa adiante... 

Viver com amor.

14/10/26

Que maravilha tudo isso.

 À tarde se despede do dia,

E morna se entrega a noite fria,

A luz eterna do sol,

Desaparece no poente,

E o corpo quente esfria,

A terra esfria rapidamente,

A água vai esfriando lentamente...

Água e sal,

Vento a soprar,

Longe do mar,

O frescor da sombra e da brisa fria.

Que maravilha tudo isso.

Abertura dos jogos escolares numa escola nordestina

 Ontem Sassá participou de uma apresentação na escola. Estou falando da abertura dos jogos da escola que ele estuda. O tema do projeto era o nordeste. Ele e os coleguinhas foram vestidos de apanhadores de algodão. Estava lindo, muito charmoso e feliz. Assistimos a todas as apresentações tendo como tema o nordeste nas músicas de Luiz Gonzaga. Foi maravilhoso.

Perceber a tempo

 Esperamos por mudança,

Ansiamos por mudanças,

Sem levar em conta

Que a mudança

Para ocorrer

Consome nossa principal moeda

O tempo.

Na minha idade,

Já vejo o tempo com preciosidade...

A rapidez com que tudo acontece nos acelera,

E de remente,

As coisas envelhecem...

A intensidade e a frequência que consumimos as coisas,

É a intensidade d desgaste de nossos seres.

É preciso fé,

É preciso força,

Para uma mudança...

Esta mudança está sempre acontecendo,

Nós que não percebemos.

13/10/26

Tudo no universo

 O elo do universo,

O devir,

O ente,

O objeto,

O sujeito,

O elo são os sentidos,

Sem sentido não há sujeito 

Sem sentido não há objeto,

Não há representação,

Sem objetividade,

Sem subjetividade,

Sem conotação...

O momento,

O aqui e agora é tudo,

A causalidade,

O entendimento.

O uno e o multiplo,

A percepção, a sensação, a razão.


Fuga dos pensamentos

 A mata verde e brilhosa

Não mexe uma folha,

O sol radiante e intenso,

O sanhaçu-de-coqueiro canta intermitentemente,

Ontem mesmo na rua vi saíras cantando,

Hoje no estacionamento cantava um sabiá.

Vejo a casa de cupim no pé de pau-branco,

Estará quente lá como está cá?

O ferreiro-relógio acerta a hora,

Nesta hora de primeira da manhã,

Bem-ti-vi pia,

Uma moto ronca na avenida...

Em meio ao trabalho,

Percebo as nuanças da realidade...

E fujo dos meus pensamentos

Que perturbam minha alva.

O que significa?

 No vazio posso encontrar um reflexo de mim,

No vazio, encontro o silêncio,

No vazio em plena luz...

Sem vontades,

Sem desejos,

Sem pressa,

Sem referência,

Sou...

Sou o que?

A soma do meio,

A soma das impressões,

A soma das sensações...

Percepção,

Entendimento,

Emoção,

Razão,

Consciência...

Arrolado na experiência

Na vida vivida,

Na causalidade amarrada no devir,

Onde espaço e tempo se cruzam

Intermitentemente...


12/10/26

Graça, graça e graça

 Abençoado é aquele que vive em sua terra

com sua cultura,

com suas coisas pra cuidar,

com seu meio.

Como são belas as manhãs,

como são belas as noites.

Como é boa a vida.

A universidade da vida aí está...

Tem início, tem fim e com sorte um meio...

Nossas lutas,

nossas experiências,

Nossa alma,

como os outros nos vêem 

e como nós nos vemos...

Neste movimento o surgir e o desaparecer da consciência...

O que é isso mesmo?

Teosofia a uma amiga

 Minha amiga, muitas coisas na vida têm ganhado um novo significado, pois a tomada de consciência é transformadora. Os anos e as experiências auxiliam muito neste processo. Nossos hábitos podem nos conduzir a entendimentos outros. A nossa ignorância perante a irracionalidade, ao desconhecido nos leva ao medo.  Não sei como vencer o medo, mas muito deste medo pode se originar da forma como construí um eu... a tomada de autoconsciência que envolve o outro... levarão muitas vidas até a libertação... Às vezes há um lampejo de lucidez, mas é uma luz de vaga-lume no meio da escuridão. Como encontrar a luz?

Prosa de uma vida

 Os anos passam e nem percebemos. As coisas vão acontecendo ao sabor do vento e nós não nos damos conta. 

Nós não nos damos conta de entender o que é a vida, o que são as coisas mais importantes. Só a vida vivida, só a experiência nos ajuda a entender o que é importante. Porque a gente descobre que pouca coisa importa e que o que mais importa é o amor, o que mais importa é quem você amou e que o que se constrói que vence o tempo é o amor. As coisas, recursos são importantes, porque vamos esquecendo o que realmente importa. Coisas como tomar um café da manhã ou da tarde ou comer um bolinho recheado tem uma potência de nós deixarmos felizes que a gente nem imagina. A gente esquece que felicidade é gratidão... A felicidade é gratidão. Estou grato por acordar para mais um dia, estou grato pela saúde, estou grato por ter o que comer, estou grato pelo agora... Estou grato pela vida compartilhada. Sabe como é bom aquele churrasco na lage e só presta se estivermos juntos, estou grato pela vida vivida... nas fotos vi um olhar sereno de meu pai junto a seus netos e seus animais e a sua casa... Se sentir parte de algo compartilhado, de uma igreja, de um trabalho, de uma família... Se sentir um ser, eis a felicidade e com o tempo a gente entende que a gente envelhece, e que a vida a nossa vida segue nos nossos filhos e a gente fica feliz por que sabe o que fez e como os educou para esta vida, porque a educação vai transcender o tempo se pararmos para pensar não concluiremos que sempre foi assim?

E isso pode ser amplificado ou reduzido dependendo do quanto de amor que eu dei.

Um jardim precisa ser cuidado, nem água demais nem de menos, precisa arrancar as plantas daninhas, se quiser ter belas flores. Num jardim precisa escolher o que se vai cultivar, precisa saber como cultivar, precisa de condições....

Lá em casa nunca faltou vinca, estão sempre floridas, papai dava um pouco de água e elas floresciam muito. Cultivar rosas dá muito trabalho, há quem prefira rosas, eu prefiro as vincas. É cultive o que deseja, e esse cultivo vai te dar flores. Quem cultiva amor colhe risos e amor, quem cultiva paz colher paz, quem cultiva riqueza colhe riqueza, mas é preciso que todos cultivem para não se viver com medo de perder a riqueza, quem cultiva a saúde cultiva tudo...

Os dias são tudo que vivemos, mas só se vive um dia de cada vez.

Olhar o tempo através do tempo

 Cabelos alvos, coroa dada pelo tempo,

A experiência de quem viveu,

A experiência de quem sentiu.

Sentiu que tinha que deixar suas ideias em palavras, em versos.

Pega o óculos e coloca na face em frente ao texto impresso não mais escrito, ela lê com a alegria de uma criança que ganhou um embalado de confeito.

Como quem sente a balinha doce derretendo na boca, aquele doce que faz a alma sorrir.

Lê o seu texto e a gente pensa ao ouvir que coisa mais linda.

Como pode?

Sair do seio da caatinga uma coisa tão maravilhosa.

Ao redor tudo é cinza, mas se cultiva um jardim com três-marias e jasmim.

Com os anos a gente aprende a valorizar o que temos, a lutar e transformar a realidade.

A escrita é um alento a quem está começando,

Porque a vida vai seguindo e que escreve acredita e não queria ver sua terra abandonada seria negar sua origem e sua história...

É o que sinto no meio desse universo que estou me encontrando.

A vida é tão boa

 A tarde acabou de nascer, o sol ao pino, o céu azul, o calor intenso. Sob a sombra de um Juazeiro a sombra ameniza o calor, uma cabaça de água, uma rapadura no alforge. Sentado podemos encher o copo de água, quebrar um caco de rapadura. Um gole de água e uma mordida no caco da rapadura.

Está tudo bem. Que poderia ser mais eterno. 

O cheiro do esterco do gado trazido pelo vento.

A vida é tão boa.

09/10/26

A natureza e a espiral

 Acho interessante a natureza,

Nela tantas formas se revelam

Universais...

Imagine a dura espiral do caracol,

Imagine a móvel espiral do emboá.

Imagine a espiral letal do escorpião,

São tão conhecidas,

São tão interessantes,

Já viu a espiral da samambaia,

E o que dirá da espiral dos cachos de cabelos,

Celulose, lignina, proteína...

A natureza me encanta,

Com suas curvas,

longas e curtas,

Caminha em paz emboá,

Cuidado com o escorpião,

É tão frágil o báculo monilófito,

É tão forte o pelo do cabelo...

Meio ao meio no meio...

Se comprimindo,

Se distendendo...

Se fazendo e desfazendo numa espiral.




Caçamba mercedes 1313

 Na avenida Pedro Segundo, sentido centro de Jampa, nesta sexta-feira, encontrei um caminhão 1313, caçamba, vermelho. Buleia redonda, faróis circulares, a pintura chegava até a brilhar, me chamou a tenção o número 1313 cromado chega brilhava no sol. Rapaz, um caminhão produzido no final dos anos 70 rodando nas ruas é objeto de admiração. Na certa o dono que era infante quando aquele caminhão foi lançado tem mais cuidado com aquela caçamba que não tem a nenhum outro objeto. Chegando no estacionamento vi um senhor saindo de sua pampa, perguntei o ano e ele falou 1992. Disse que a possuía a 25 anos. Essas coisas, revelam a nossa idade, as nossas preferências, o amor a nossas memórias primeiras. Lindo caminhão caçamba 1313. Guardei na memória.

A descoberta da função do é

 A gente passa a vida aprendendo.

A gente aprende sobre a realidade concreta e aprende abstração.

Foi maravilhoso quando aprendi que o É era um verbo de ligação.

Descobri que em frases com É, a gente tinha uma definição do substantivo.

Por acaso, já que a causalidade é a mãe do entendimento, descobri só.

As melhores coisas a gente descobre, a gente percebe.

Foi assim com a letra é que é verbo de ligação, que qualifica, que define.

Nem imaginaria que algo tão distante no empo estaria sendo refletido aqui.

Dê uma oportunidade ao inconsciente

 Nem sempre as ideias estão brotando em nossas mentes.

Há momentos de vazio.

Parece que a gente está oco.

A gente olha no nosso entorno em busca de algo.

E nada.

A gente se sente mal.

A gente pensa que tem que está sempre pensando,

A gente pensa que tem que está sempre produzindo.

E quando não temos ideia do que pensar,

Ficamos angustiados.

O interessante é que parece que o tempo parou.

Em algum momento isso passa.

E ideias boas surgem,

E a gente se sente bem.

É o cérebro trabalhando.

Dê uma oportunidade ao inconsciente.

Onde os conceitos não chegam

 A humanidade vem evoluindo

Em produção de conceitos,

Embora nem todas as pessoas

Tenham acesso aos mesmos.

Se na parte está o todo,

Por que há desigualdade

No consumo destes conceitos.

Tudo isso é pura ideologia?

O que nos faz vestir

Determinadas e gostar

Destas ideias.

O que nos faz rejeitar

Determinadas ideias?

Há uma lacuna enorme

Nesta resposta.

Algo que ainda desconhecemos.

Algo que os conceitos

Não conseguem penetrar.

O que nos dá unidade

 Ontem andando pela cidade,

Tive a noção maior de espaço.

O espaço tem me encafifado.

Andar pela cidade, na cidade grande

Fica a sensação que não moro nesta cidade.

São bairros tão diferentes, 

Mas é a mesma gente,

Mesmo lugar.

Pessoas em lugares diferentes que frequentam

As mesmas praias,

Mesmos shopings...

Então me pergunto

O que nos une 

E o que nos separa.

O que nos dá unidade?

Não soube responder.

08/10/26

Percepção de economia

 Sassá foi ao mercado.

Na gôndola perguntou quanto custava duas pilhas.

Pedi para ele ler... Disse 1,2... 12,99.

Sempre o levamos no mercado,

Falamos sobre o que é caro e o que é barato.

Assim, permitimos que ele tenha consciência de valor de dinheiro.

Já sabe... Quando quer uma coisa pergunta. 

Papai você tem o valor da mercadoria.

Dai digo se é caro ou barato.

Claro que é muito subjetivo.

O caro pra mim, pode ser barato para outro,

Ou o barato pra mim pode ser caro para outro.

No geral, as coisas estão caras.

Quebrar o silêncio para alguns

 Quebro meu silêncio

Com a palavra escrita,

Quebro o meu silêncio

com a razão,

Quebro o meu silêncio para os leitores.

Em silêncio expresso meus pensamentos,

Em silêncio ponho no texto

O que ouço minha mente falar.

Minha mente que veio depois do meu cérebro,

De certo irá antes.

Essa forma indireta de quebrar o silêncio da alma.

Essa maneira de ser,

Essa necessidade da existência para ser.

Se vai indo com o tempo...

Demora a entender.

07/10/26

A melhor forma

 Imagine que vai dormir,

Agora sabendo que nunca mais vai acordar.

Sufocante né.

Então mais um dia você acorda,

E o que deves fazer primeiro quando acorda?

Agradecer não seria a melhor forma.

Carta ao amor

 O escuro da noite 

com suas estrelas e seu silêncio me remete ao passado.

Volto a época de infância,

Volto a época da adolescência...

E tudo parece tão igual, a sensação é a mesma, mas o tempo passou, meus avós se foram e tempos depois meus pais.

Sabe a sensação de silêncio é maior.

Se olho as estrelas percebo a transcendência do tempo...

Parece que o tempo não passou,

Porque o vazio continua o mesmo.

As vezes, algumas coisas, uma esperança vã acende,

meu ser sorrir feliz, mas acabo descobrindo a mesmice.

Melhor não magoar ninguém com essas ilusões.

A noite continua vazia...

Cada vez mais vazia,

A velhice amolece nossas carnes,

A velhice afraca nossos nervos.

A velhice pode até curar sentimentos...

Mas penso neste silêncio... 

O que acredito é minha crença... não adianta expressar para magoar o outro.

Afinal pra que mágoar a minha carne em nome de uma ideologia.

A noite no escuro!

As vezes penso,

As vezes choro,

As vezes sinto muito amor pelo meu próximo.

O silêncio isolado da noite... me ensina a amar e respeitar. só isso.

A objetividade nas folhas

 As folhas secas deitadas no chão,

De dia são torradas ao sol,

À noite resfriadas ao vento,

Se fragilizam,

Perdem a forma,

Perdem a cor,

Viram pó...

E desaparecem desta existência,

Sua existência era apenas ser folha,

Fazer o que fazem as folhas,

Fotossíntese...

Eis a objetividade das folhas,

O resto a gente imaginou por estas. 


Enraizamento e divagações de um lobo da estepe

 Tenho livros espalhados sobre minha mesa.

Livros de poesia,

Livros de filosofia,

Livros de botânica.

Sou botânico.

Não sou poeta ou filósofo.

Mas gosto dessas temáticas.

Tenho livro de induismo e budismo.

Cultivo os conceitos,

Cultivo o saber.

Não é um patrimônio cultural ganhado da minha família,

É um patrimônio cultural ganhado na academia,

na vida, no irracional que é maior que o racional.

Me encanta Manuel de Barros, Pessoa...

Me encanta Kant, Schopenhauer e Hegel.

Me encanta Lao Tsé, Salomão...

Essa pluralidade abstrata,

Nessa pluralidade abstrata,

Busco uma identidade,

Que é truncada deste momento histórico.

Deveras não conseguirei abstrair um porcento...

Deveras não entenda os princípios,

Mas acredito e por isso,

Alimento minha alma...

Não tenho livros de música,

Mas colocaria na minha mesa um Mozart, Satier...

Divagações. 

Giugipso

 Sassá teve sua primeira aula de Giugipso. Ele foi com a mamãe. Não gosto de lutas. Eu vi quando chegou o quanto estava feliz. Essa empolgação foi linda de se ver. Seus amiguinhos, dois deles fazem. Chegou radiante de energia e felicidade. Até aprendeu um cumprimento oss. Teve uma lutinha. Fiquei feliz também.

Descobrindo a essência da vida além do eu

 Nem tudo que é físico me impressiona,

Porque minha conexão está voltada para a mente,

Estou concentrado em meus pensamentos.

Se me fecho demais na minha concha,

Se me encaracolo...

Perco minha sensibilidade do mundo.

Tudo isso porque estou voltado para meu ego,

Porque estou de olho em provar para os outros

Em provar para mim mesmo que estou certo.

E me esqueço de ver o real,

Ver a beleza de tudo

Como um por do sol,

Como a onda se quebrar no mar,

Como o riso de uma criança,

Como as palavras sábias de um idoso,

Como é doce uma fruta.

Se foco no eu,

Perco de focar no mundo,

Posso ser injusto e egoísta...

E em meio a tudo isso o tempo não para de passar.

Se não souber o que é essencial,

Essa curta vida vai passar

E vai ser tão rápido,

E nem perceberei,

Porque só foquei em realizar as minhas vontades...

Certamente a essência da vida não está ai.


06/10/26

Tempo, tempo, tempo que me resta

Aqui estou,
Aqui estive,
Aqui no mesmo espalho.
O tempo sempre seguindo em frente.
O tempo, indo em frente,
Matéria de minha existência,
O tempo cronometrando minha existência.

Os bem-ti-vis cantam lá fora,
Neste belo fim de tarde,
Que se dissolve,
Que desaparece.
Tempo que me resta.

Folha seca

 Perante as adversidades uma folha trabalha,

Jovem tenra e colorida,

Vai ganhando vigor,

Vai ganhando a cor verde,

Trabalha o dia inteiro,

E o tempo a passar,

A folha vai envelhecendo,

Vai perdendo o vigor,

Vai perdendo sua cor,

Até o que tem vai sendo tirado,

O turgor, a cor, os minerais,

Então a folha velha seca,

E desprende da vida,

Sendo levada ao vento,

Pra recompor a natureza.

E Sassá desenhou

 Sassá ontem quis desenhar,

Seus desenhos são suas vivências,

Quis desenhar a gavião carijó choca da bica,

Quis desenhar o jacaré na boca de lobo,

Quis desenhar a capivara xuxu e um besouro azul.

E desenhou fechando seu segundo livro de imagens.

Ser não seria delírio de um eu

 O tempo assume uma face diferente quando se cumpre.

O tempo, a memória envolvem minha alma de eventos,

O tempo e a memória são matéria de meu ser.

Vou vivendo e ganhando diferentes experiências.

Esse eu é impessoal,

Esse eu é temporal,

Esse eu é individual.

E vou assumindo que sou...

O ser eu não seriam delírios de um eu.

05/10/26

Ser e existir

 Tenho tantas memórias,

Sou um ser de memórias.

Tenho em mim um passado vivido.

Tenho em mim um breve devir.

Sou...

Tenho poucas memórias,

tenho em mim um passado para construir.

Tenho em mim um longo devir.

Sou...

Essa unidade fascinante o devir,

O presente, o agora único, universal,

atemporal,

Momento único na existência...

Ponto de encontro entre espaço e tempo...

Revela a individualidade, a pluralidade...

E é em si UNIDADE.

Nada mais.

Cravo

 As flores que comprei são flores de cravo,

são flores de crisântemo.

As flores que comprei são amarelas 

feito gema de ovo.

As flores que comprei são perfumadas

dum cheiro doce.

As flores que comprei enfeitam minha sala faz uma semana.


Feixe radiado,

Feixe assimétrico...


Miro este arranjo,

São 14 capítulos

com dezenas de flores.


Estas flores deixam minha alma contente,


Elas me fazem esquecer de meus sentimentos,

Elas me fazem esquecer a objetividade da vida...


Penso no que vejo, beleza.


Sinto o que vejo aroma...


E tudo isto me agrada.


Obrigado Senhor.

Sentimentos num momento

 Senti medo,

Estava com medo de encarar um momento,

Temi e tremi

por me sentir despreparado,

Achei que estava despreparado,

meu medo era de ser desprezado

E fui... 

Quando não me deu uma desculpa!

Quando não me justificou.

Tudo bem!

Ficou tudo bem.

Exceto meu sentimento 

que mudou

E se sentiu menor,

Este sentimento de fundo,

Este sentido imundo...

Fruto do um ego egoísta.

Tudo bem!

Como destruir o ressentimento?

Como se sentir bem?

Algumas pessoas batem a poeira,

E dão a volta por cima,

Outros não conseguem 

e se tornam ressentidos.

E lutam suas vidas inteiras por reconhecimento,

por vitória 

que só outro sentimento de fundo...

Os sentimentos frutos de emoções...

A aprendizagem, fruto de sentimentos...

humano demasiadamente humano,

Passou, hoje é outro dia.

Ficou a marca.

mas vou fazer diferente.

A admiração continua, mas menor.

Nunca me esqueço das antinomias,

Dia e noite,

Amor...

Seguir adiante

 Em meio as adversidades,

Temos a maturidade e a experiência

Para racionalizar, entender e suportar

O que virá.

Temos a fé,

Temos a educação,

Temos o respeito,

Os resultados são só resultados,

Que podem me abalar ou não

De acordo com o meu sentimento.

A força e a fé nos fazem suportar.

E seguir adiante.

Tudo vai ficar bem

 A manhã nasceu cinzenta.

A cidade silenciosa.

Essa calma envolvida em temor.

Após um grande evento,

A gente se sente um pouco

Pálido!

Mas tudo vai ficar bem.

São os nossos humores.

Tantas manhãs já nasceram cinza,

Tantas manhãs faziam silêncio.

Será se tudo isso não se deve

Por está envolvido em nossos pensamentos?

Estamos voltados para dentro?

No jardim, o jasmim tinha várias flores, alvas.

Nem vi se a roseira tinha rosas,

Mas percebi nas espigas da colônia as brácteas vináceas,

E os embriões...

Tudo vai ficar bem. 

02/10/26

Tempo, Qualidade e mente

 Como um lento crepúsculo,

O tempo se vai...

Na eternidade do agora,

Na imediatez da memória,

O empo se vai...

Vai lento na dor,

E rápido no amor...

Rápido como o murchar de uma erva,

Lento como o nascer da lua...

Rápido como ferro quente,

Lento como água gelada,

Rápido como almíscar,

Lento como o cheiro da flor...

Onde está o fundo de tudo isso?

Na mente,

Em lugar nenhum.



Amo bromélias

 Ontem Sassá revelou uma coisa muito linda.

Ele me perguntou quando a vizinha ia viajar?

Perguntei o porquê?

Ele respondeu que queria planta bromélias no jardim.

Que a vizinha não gostava de bromélias.

Ela arrancou nossos pés de abacaxi.

Então ele disse que amava bromélias.

Perguntou afirmando se abacaxi era bromélia, afirmei que sim.

Ele concluiu dizem que ela era adaptada a pouca água.

Sagaz, falei.

Disse que eram plantas heliófilas.

Ele tem uma tillandsia, um tipo de bromélia epífita.

Quer mais. Que fazer né.

Vamos ver se arrumamos bromélias menores.

.

01/10/26

Galápagos

 Ontem, cansados, fomos jogar bola, mas não deu muito certo.

Sassá se estressou e eu me extressei numa jogada atípica.

Sassá torce pela Argentina e faz catimba... precisa ver.

Catimbou e tentei por ordem no jogo.

Se estressou e não quis mais jogar, nem quis tomar banho comigo.

Depois, que a mamãe deu banho nele.

Ele viu que estava folhando um Atlas da ilha de Galápagos.

Então, observou, achou bonito e me chamou para desenhar.

Fomos desenhar, mas ele quem desenhou tudo.

Ficou lindo.

Assim fomos para a cama em paz.

Amo esse Sassá.

Outubro

 Outubro, mês de Francisco,

São Francisco!

Mês de Francisca minha mãe amada.

Mês de muita luz,

Dias iluminados,

Noites estreladas...

Mês de muita fé.

Mês de resistência.

Mês de trazer tudo isso para dentro de nós.

Décimo mês do ano.

Que reine a oração do Santo protetor dos pobres e dos animais.

Amém

30/09/26

Amarelo

 Amarelo cravo,

Amarelo girassol,

Amarelo banana,

Amarelo ovo,

Amarelo óleo 

Amarelo queijo,

Em cada tom 

Um aroma,

Em cada aroma uma memória 

Viva.

Pensamentos

 Nos dias vividos tantas coisas boas aconteceram...

O amor de mamãe e papai.

A fraternidade de meus irmãos.

A comida preparada.

A saúde.

As lutas diárias.

Coisas dolorosas também, mas soma-se menos.

Definição de vivers

 Viver,

Enfrentar a existência 

com consciência.

Descobri que tudo tem um fim.

Descobri que tudo um dia se desfaz.

Que quem amamos morre,

Nos atormenta.

Essa terrível sensação de que pode ser o fim amanhã ou de imediato.

Ah, perversa angústia.

Pai, mãe...

Daí-me força.

Daí-me fé...

Face dos anos 80

 Ontem numa livraria,  vi várias versões da bíblia, então pensei que poderia me isolar e ter uma vida em paz. No mesmo instante recordei de uma casa que existia na curva que chegava no nosso povoado. Era uma casa de taipa. Era uma casa muito deteriorada, não haviam casas de taipa no povoado, senão aquela. As paredes de barro e madeira. E quem morava ali era uma família de pobres, casa de Maria e João e sete filhos. João era barbeiro e Maria cuidava de tudo. Aparentemente tudo era escasso. Não havia nenhum programa do estado e eles sofriam, não tinham nem um jegue que era essencial para pegar água. Que vida dura a de Maria e seus filhos. Mas Maria tinha fé em Deus. Na casa não tinha móveis, não tinha banheiro... Ali havia uma bíblia que Maria lia com muita fé. Os filhos cresceram e João e Maria se foram e já não existe casa. Maria era Evangélica, mas não frequentava a  igreja do lugar. Pobre Maria, pobre família.

A bíblia foi sua consolação.

O que é a vida.

 Em setembro, 

Na minha terra natal, 

A mata fica despida,

O vento sopra do nordeste,


Em setembro,

Lá em Serrinha,

Podemos ouvir 

Quando a difusora anuncia,

Um chamado para a festa,

Festa da padroeira,

Festa de Nossa senhora da Salete...


Posso ouvir, 

Mesmo morando em outro lugar.

Em setembro,

Nosso sítio cheira a flor de cajueiro,

As mangueiras também floram...


A esperança de boa safra já me faz sentir feliz.

Em setembro,

A gente espera pelo outubro,

Pelo dia das crianças,

Pelo dia de são Francisco,

Pelo aniversário de mamãe...

Que continuará eternamente sendo minha mãe,

E aniversariando no dia dez do dez...


Em setembro,

É tão quente e radiante,

Longe canta o joão de barro,

A casaca de couro...


O vento sopra entre os garranchos cinzas da caatinga...

É tão lindo ver a aroeira florida,

Imperosa aroeira,

De onde o sabiá costuma cantar.


A carnaúba suas folhas ao vento saculeja,

O angico se cobre de flores...

Estamos em setembro na grande estação do verão.

É tão bom,

É tão bonito...

E outubro segue o mesmo rítmo,

E em novembro,

Celebramos nossa união com a eternidade,

Vamos visitar nossos finados,

E vemos a missa do cemitério,

Onde o sol se põe ali,

Rodeado ao norte por chapada...

Logo chega dezembro,

E a gente percebe...

O que é importante,

O que é belo,

O que é finito,

O que é a vida.

Entre a préhistoria e vasto infinito espaço

 Ontem, quando cheguei para almoçar, Sassá estava interessando em cavernas. Veio me falar de estalactites e estalagmites. Ficou interessado em saber quais eram os animais das cavernas e indo para escola já planejou que quando voltássemos da escola iriamos desenhar coisas de cavernas. Conversamos sobre as cavernas. Ele se lembrou que entrou numa caverna artificial no museu Câmara Cascudo em Natal. Falei da caverna de Pedra em Martins. Que iria levar ele lá no fim do ano. À tarde, depois de aguoar as plantas fomos desenhar. Ele quis saber como eram os homens das cavernas... Desenhamos, jogamos futebol. Depois ficou curioso a despeito das constelações... falou ursa grande... é ursa maior...

Foi um dia maravilhoso.

Natureza bela

 O verão chegou,

Sol, luz intensa e muito calor.

A mata muda a roupa,

Dos ramos folhas nascem encarnadas,

Depois crescem fortes e viridescentes.

A passarada canta encantada,

O  sol clareia o verde da mata.

As rolinhas cantam assoviando.

E o tempo vai passando,

E a gente nem repara.

Como é bela a natureza.

29/09/26

Passarinhos em festa

 Que lindeza é ouvir esta cantarolada dos passarinhos.

Patativas e sanhaçus,

Cantando sem parar...

Numa algazarra que parece ser alegria.

Além de tudo parece uma sinfonia.

Cantam por ter muito alimento?

Mas não vejo nenhuma fruteira com frutos maduros...

Vejo que pouco sei sobre pássaros.

Fase da Hotwheels

 Ontem, Sassá fez um aquário com três peixes na escola.

Ganhou seis sapos, de papel.

Saiu radiante e feliz.

Se aborreceu porque não consegui encaixar as mãozinhas dos sapos.

Ele me ajudou a regar as plantas.

Uma delas estava no fim da florada,

Era a lança de ogum. 

Chamei-o para sentir aquele perfume.

Ele foi, cheirou e sorriu.

Depois subimos...

E brincamos coisas da hotwheels que ele não quer mais que eu narre.

Uma nova fase...

Eternidade, espaço e um sol

 Os raios do sol,

Eternos raios,

Fonte inesgotável e infinita,

Coroado pelo tempo,

Coroado no espaço.

Sol,

Que ocupa um espaço no espaço,

E que dança sem parar,

Gira no mesmo lugar,

Gira em outro lugar...

Corona heliocentrica,

Corona heliocentrifuga,

Fonte infinita de hélio,

Supremos do sistema solar...

Que em tudo está,

Que tudo é fonte...

Nas sombras que a noite oculta,

O pavio de uma lamaparina pode alumiar,

E os raios celestes 

Ali deve está...

Eternidade que se encontra no dia,

Eternidade que se encontra no agora...

Que tem várias faces...

Apolíneas...

Originais,

Um círculo,

Uma coroa de raios.

Uma representação...

Um compasso...

O tempo.

O espaço...

E este turbilhão de ideias,

Numa só,

No sol.

Nordestinidade

 Uma cigarra pousou em fernanda a aroeira. Setembro se foi e outubro chegou. O sol está a todo vapor... A cigarra cantou pertinho de mim. Se...

Gogh

Gogh