Ontem após a aula. Foi gostoso como sempre é pegar Sassá. A coordenadora não disse quero falar com você. Só isso já é um alívio. Depois de Vera chamar... Sassá infantil agora é 5... Lá para 5 minutos depois aparece. Cabelo grande, cobrindo os olhos cm a bolsa, a garrafa e a pasta na mão. Abraço-o, cheiro-o e beijo. Não tem preço. A gente ver o brilho e o riso na cara dos pais, avós que creio está também na minha. Então a gente sai. E Seu Zé pega o Ravi. Então os dois saem empolgados. Tchao cabeça de limão... Vamos para o outro lado e eles saem correndo e se divertindo. Então se junta ao grupo Maia e José. Risos e correria e felicidade... A felicidade é um momento de esquecimento dizia o grande Guimarães Rosa. Ali a felicidade é plena, eterna... Ah! meu filho. Vou sentir saudades quando você crescer... Amo tudo isso, mesmo cansado. Você me mostrou que o amor existe. E eu creio nisso. Te amo.
Pensar
Sorria! O riso ilumina a alma e embeleza a vida.
31/03/26
Catarse
Pink Floyd e a tarde
Não conhecia Pink Floyd.
Era algo tão distante de minha realidade.
Era algo tão distante de minha vida.
Que nunca ouvira falar.
Eu um garoto do interior que só conhecia as rádios AMs e depois FMs.
Em sua maioria essas rádio tocavam rock romântico, embora Pink Floyd seja uma banda neste estilo.
Nunca havia conhecido.
Uma tarde, ouvi e senti Pink Floyd.
O ano era 2005, estava na ESEC- Seridó. Fazendo coletas botânicas para o mestrado.
Era uma fim de tarde.
Não estava sozinho no alojamento.
Quem estava lá eram amigos e meu saudoso e amigo professor Adalberto Varela Freire.
Adalberto era, para mim, um gênio, um bruxo, um ser humano extraordinário real que dominava o mundo das ideias. Sim ali, sabia nome de plantas e bichos e geologia e nuvens...
E era um grande contador de história e meu professor.
Era um ser humano além do normal.
E ele gostava de rock.
Longa exposição do mestre porque merecia.
Então ou vi a musica "Coming back to life".
Estava no laboratório quando ouvi.
Parei, algo catartico.
A janela do laboratório que dá para o poente estava aberto.
O sol se punha...
O segundo crepúsculo era pleno,
O céu era azul...
A luz do sol tingia de dourado a paisagem seca da caatinga.
A luz enchia o mundo de beleza,
A luz era refletida no açude.
Eu senti eternidade naquele momento.
Eu senti eternidade naquele momento.
Eu senti a eternidade ali.
Eu sabia que nunca mais iria me esquecer aquele momento, aquele lugar.
Eu senti que podia viver aquele momento pela eternidade.
Momentos fugazes.
A música acabou.
O sol se apagou no poente.
E uma noite se foi.
Dá pra sentir o calor daquele espaço,
A textura da cor,
As curvas daquele som.
Produzido tão longe...
Afetando um ser ignorante na língua que estava sendo cantada a música.
Ignorando o significado.
Senti beleza.
Uma conexão divina.
E tudo passou...
Mas ficou na minha memória.
Deveras uma sensação impar.
Uma percepção que pode se propagar...
Adalberto se foi.
Há anos não voltei na ESEC.
Mas ela está dentro de mim.
Pouco ouço essa música, mas já é parte de mim.
Será que foi o por do sol apenas?
30/03/26
Recife primeira impressão
Quando cheguei lá,
Tomei um susto
Um susto de realidade.
Casas trepadas nas barreiras,
Casas de tábua,
Casas de lonas...
Casas...
A minha casa pareceu um palácio.
E ninguém ali, imaginava,
O que em minha mente passava.
A gente anestesiada,
A quela gente acostumada,
A chuva e ao sol,
As casas onde morava,
As casas que ali estavam.
Eram casas.
Eram pessoas como eu,
Vivendo sua vida,
Vivendo sua realidade,
A mim uma triste realidade.
Irreal a minha realidade...
Tudo bem, ali era ali.
Bem distante daqui.
Quem se preocupava
Com aquela pobre gente,
Com nome, com voto...
Seu valor,
Nitidamente marginalizada.
Recife...
Grande Recife.
A capital da cultura,
A capital do Pernambuco...
É real,
Em sua entrada não mostra maquiagem
´
É tudo gente e verdade...
Fiquei afetado,
Fiquei impactado...
Mas descobri naquela gente,
Amizade, bondade.
Gente real...
Cegueira
O silêncio era seu companheiro.
Acordava e ia dormir nas sombras.
O mundo era sempre próximo e distante.
Nada enxergava.
Só sentia o mundo quando ouvia, quando cheirava.
Sentia o vento, o sol e a chuva.
Não sabia que era dia,
Não sabia que era noite
Só sabia quando Maria dizia.
Já quase não sentia sede nem fome.
Onde estava?
Sua vida era sua memória.
E o presente ou passado.
Assim era sua vida simplesmente.
Quando acordava e um copo de leite morno o esperava,
Umas bolachas.
Sem fome comia...
A vida se reduzia ao silêncio.
Levantava e sentia o cheiro do mundo de forma inconsciente.
Sentia o calor do verão e o frio do inverno.
Que imagens em sua mente aparecia?
O que era sua vida?
No quintal crescia um Jasmin-manga.
com flor de estrela ornamentada,
De cor de prata pintada.
Dona de um cheiro doce.
Foi ali que percebi pela primeira vez o pé de jasmim.
Não as flores.
Vi suas flores num defunto, pela primeira vez.
Por isso o condenei papa-defunto coitado do jasmim,
Dos corpos mortos com suas flores eram perfumadas e ornamentadas.
Estava sempre florido.
Seu cheiro por sempre está presente desaparecera de sua mente
E na minha de menino ficou sempre gravada.
Um dia tomei ciência, deste senhor,
Do meu amigo avô.
Deve ter sido no mesmo dia que tomei ciência do jasmim.
Fui tomado de compaixão,
Descobri uma forma de vida com uma triste deficiência,
Não poder ver luz, cor ou forma...
Mas Deus sabe o que faz que quem nasce cego não sabe o que é luz ou cor? Pensei.
Aquele que perde a luz, carrega isso como quem leva a cruz.
De perdido um mundo que não se encontra jamais.
E as coisas são só treva pra quem no peito não leva a fé pregada cruz.
Isso mesmo falo de Jesus...
Seu Antônio se foi da terra se despediu.
Mas nunca esqueci do que é a cegueira e o jasmim manga.
Papa-sebo
Ontem, Sassá acordou querendo dançar. Dançamos um pouco. Estava emotivo. Então mostrei para ele um texto que estava escrevendo, ou melhor quis ler, mas o que chamou a tenção dele foi um papa-sebo que fica na página. Então fomos ver e ouvir o papa-sebo. Ele até quis desenhar. Desenhou o papa-sebo, um sabiá de cabeça branca, um sofreo, uma arara e um periquito. Depois fomos brincar.
29/03/26
Diferentes percepções
Hoje acordei com vontade de sentir
a maciez da terra molhada,
o cheiro da flor de mufumbo..
Tive uma vontade danada
De encher a vista
Da mata verde,
E do milho crescendo,
Na roça bem alinhada,
Do roxo do feijão florescendo
E cobrindo o chão.
Sabe aquela vontade de sentir o frescor da manhã,
Ver o azul das flor de gitirana,
Das flores de bomba d'água.
Ver o amarelo das flores de mandubim e de camará,
Da flores de canafístula.
Ver o branco das flores de mororó,
Da tenda de flor de gitirana de mocó,
Hoje acordei querendo sentir o cheiro de maravalha de marmeleiro,
Estalando e fervendo a água do café,
A goma sendo molhada,
A tapioca sendo assada...
Hoje só queria ouvir mamãe,
papai e tio João na cozinha,
falando do sertão,
Outro dia,
Tio Aldo falando do Porção.
Outro dia de João de Licor,
Tinha um que de alegria nesses encontros,
Que me fazia se sentir bem o dia inteiro,
Essas vontades, vivem vivas em mim,
Na fé que estão todos bem,
Que sigo bem,
E as percepções são eternas,
Só as histórias diferentes.
Depois a vida continua como sempre,
Mas a memória meu amigo é minha raíz, meu entendimento é minha direção.
Bom dia.
Um novo amanhã
No final do inverso uma área foi desmatada,
na seca a broca foi queimada,
Ficou cinzenta e ficou escura,
A cinza pelo vento foi levada.
Tanto suor, tanto esforço,
Acordado desde a madrugada,
Ao raia da barra vermelha,
A foice amolada, o maravalha queimada,
A água fervida, o café cozido,
No saco coado...
O cheiro preencheu a cozinha de taipa,
E acendeu na alva aquela desejo do doce cozido do acúcar...
A garrafa amarronzada de uso.
Um pensamento no trabalho,
É aceso na mente,
Como brasa acesa pelo vento que passa,
Um pensamento na vida...
Pensa nos filhos,
Pensa no gado,
Pensa no ano que começa,
Pensa na mãe...
Então as galinhas
aparecem animadas no terreiro,
O porco berra no chiqueiro,
O terreiro alvo de terra varrida,
O cheiro do marmeleiro,
O cheiro da catingueira,
A escura sombra do joaezeiro,
No branco campo no sul,
O peru estufa o peito e dá um glugluglu...
Sua sinhazinha, companheira já desperta,
Arruma o café preto,
A tapioca alva e fria,
Exala um gostoso cheiro
Quando é deitada na fregideira quente,
A bolacha redonda e seca,
A alva e fria coalhada,
O reco-reco doce da rapadura
Sendo raspada,
A alva coalhada no prato deitada,
A doce marrom raspadura rapada,
Agitada em espiral,
Gira, gira se agita, se mistura.
A primeira colherada...
Para uma vida dura,
O doce até que anima avida,
Suaviza as ideias duras e áridas.
Sabe aquela amizade, a cumplicidade,
Palavras de realidade,
Nada de carinho,
A realidade...
O pensamento materializado,
Falado...
Um ouvido dando atenção.
-A roça vai ser boa,
A terra é nova,
No pé do serrote.
A madeira vou mandar os meninos trazer,
Esse jumento preto é perigoso,
Se ouve a voz da avó.
Vão dois meninos... pegar
Se Deus quiser o inverno vai ser bom.
A turina berra no chiqueiro.
Um vento sopra trazendo frescor e cheiro de pau...
Nem se percebe, mas se gosta desse cheiro...
Nem tudo é tornado consciente de imediato... mas estamos vivos.
Cheiro do sertão, cheiro da vida.
As vacas ainda deitadas, badalam o chocalho quando rumina,
Malhada se levanta, se estira, mija e caga...
Magi solta o bezerro,
Miguel arreia a vaca,
Limpa o ubre e a teta com a escova do rabo,
Bota o balde entre as pernas,
E com carinho aperta a teta,
Um jato alvo, morno e leitoso,
Vai enchendo o balde...
Espumado o leite morno,
Exala um cheiro de fé, de alimento, de vida.
Pega a foice seu zé e segue para a lida...
No dia três de janeiro no sul a barra se faz,
A manhã nasce fria e azulada.
O dia é quente e escaldante...
A noite o tempo se fecha,
Relâmpagos clareiam o céu...
O peito de Zé se enche de alegria,
Sinhá reza a ave maria...
Lera se entretem com a chama da lamparina,
Magi só observa a cena.
Zé pigarreia e reza em silêncio.
E o silêncio continua...
Luz apagada, escuro e silêncio...
Pelas frestas da telha,
Uma luz tudo clareia
A meia noite, então noite dento,
Sinhá se acorda com o som dos pingos na telha,
Seus lábios o pai nosso começa a balbuciar.
E uma grande chuva se inicia...
O cheiro do barro molhado vai crescendo,
Lera dorme na rede, Sinha ao sair faz a rede balançar,
Então Zé se levanta,
Abre a janela e olha pro nascente é tudo escuro,
Nada de estrela,
Um raio acende a natureza,
brilha do nascente ao poente.
Um truvão arrojado,
Ecoa no serrote...
Corações e mentes palpitando de alegria,
é a chegada do inverno.
Lera acorda feliz,
Magi acorda feliz,
Sem saber porque,
Há um riso no rosto sisudo dos velhos avós...
A dor da vida fica para trás,
Chuva é água,
Chuva é vida,
Chuva é esperança...
A terra seca pobre terra,
Terra molhada, rica terra...
O trabalho é o divisor,
Trabalho, fé e amor.
A água escorrendo,
As goteiras cantando,
A cadencia da água na lata ao ser cheia,
Quanto mais veloz mais feliz...
O gado molhado, sente frio...
Se ouve o forte respirar...
Morcegos voam a piar...
Amanhã se tudo der certo,
Vamos plantar,
Guardou as sementes de gerimum?
Separarei o milho e o feijão,
Vamos plantar também algodão.
Na roça o cheiro do carvão molhado,
A terra enxarcada.
O sonho e a imaginação...
A felicidade de um novo amanhã.
27/03/26
Razão
Agora sou.
Posso expressar isso.
Agora sou.
E vai sucedendo,
Venho a ser e deixo de ser.
Agora, aqui e agora.
Um breve momento uma junção
Espaço e tempo.
Onde.
Sei que serei outro em pouco tempo.
Ser e existir.
A autoconsciência.
O desejo.
A vontade,
A representação,
O objeto.
A consciência...
A balança divina.
O peso é seu...
O justo está em ti?
O justo está no outro?
A razão.
Mani
Mani.
Maniçoba
Mandioca.
Encontrei variações na lingua tupi "mani ou mandi"
Os povos indígenas chamavam amendoim de mani. Certa vez, perto de casa estava fotografando um amendoim silvestre e aprendi de papai que aquela planta era mandubim...
Nós temos a palavra maniçoba - soba no tupi tem conotação para folha... folha de mani.
Temos ainda mandioca - tupi também, canta uma lenda sobre a origem da macaxeira.
Pois bem - oca para mim tem uma conotação de vazio, ou oco... Temos a palavra "oca" nome para casa indígena. Oco vazio. Ex.: tronco oco. ou tronco com sem cerne...
Já mani ou mandi - parece que pode ter uma conotação para algo que se usa na alimentação mas que está enterrado, vi num artigo "aquilo que se arranca.
Raridade
Ontem, Sassá ficou inquieto quando falamos sobre a palavra "raro". Vendo vídeo de animais, ouviu o narrador falar de animais raros. Não sei direito como ele entendeu. E sei. Ele entendeu raro como algo difícil de se ver, Ele está tentando entender e estava argumentando sobre. Então eu disse que era raro. Ele respondeu que não porque ele me via o tempo todo. Disse para ele que raro é algo que tem pouco na natureza. Ele não gostou dessa definição. E argumentou raro é canguru que a gente pouco ver. Verdade só se ver canguru na Austrália, mas não é um bicho raro. Para os australianos por exemplo raro seria o cururu... Para nós é muito comum, se seguirmos essa lógica. Boa pois foi entendimento dele. Na ida para a escola ele perguntou sobre minerais raros. A cor destes o verde perguntou, respondi é esmeralda; o vermelho, respondi rubi, o amarelo, respondi rutilo, o azul, respondi safira e o roxo respondi ametista...
E o diamante tem aqui. Respondi que tinha na África. Falei que diamantes são encontrados onde tem vulcões. Ai entrou em outra conversa.
Desvelar a poesia
Aprendendo um pouco sobre literatura popular.
Observando a técnica dos escritores.
Juntei alguns livrinhos de cordel para entender um pouco.
O que separa um cordel de um livro de poesia?
Cordel não é poesia?
Neruda, Drummond, Pessoa escreveram poesia.
Ferreira Gular.
Pinto do Monteiro,
Patativa do Assaré,
Louro e Otacilio Batista...
Valdir Telez,
Ivanildo Vila nova.
26/03/26
Us nos animais e plantas
A noite a murucututu
Voou e pousou no jucurutu quase se furou.
Então cantou
Muru-cu-tutu.
Veio o timbu e a espantou
Ela voou e pousou no mulungu
Cantou novamente
Muru-cu-tutu
Veio o caburé e dali a enxotou
Então ela voou
E pousou no cumaru
Então ela cantou
Muru-cu-tutu
Então o bando de jacu pois ela pra voar.
Então ela voou e pousou na jurubeba ela então cantou muru cututu...
Então viu um cururu se assustou e voou
Pousando num pé de caju.
O caburé não gostou e de lá a expulsou
Incomodada foi para a aroeira...
Então viu no chão se rastejando
A surucucu vermelha e preta.
Cantou novamente
Muru-cu-tutu...
Então voou até a beira mar,
Quando viu um pescador da rede tirar
Uma perigosa murucutuca.
Dai encontrou uma fêmea...
Se calou e a contemplou.
De longe a espreita estava o urubu...
E na cabeça da estaca o urutau via tudo e fingia nada ver.
Exodo
Como ficou o Egito sem os escravos judeus?
Tanto trabalho, esforço e saber esvaziado.
Novas matérias, novos lugares, novas lutas.
Os judeus tiveram que se reinventar,
Seguindo a Moises numa jornada a algum lugar.
Ao deserto! Marchou aquele povo,
Cruzaram o mar vermelho...
O que sentiam as crianças?
O que diziam os idosos?
Inúmeros judeus...
Judeus que nasceram e viveram toda a vida no Egito.
Êxodo.
Também nós fugimos da seca...
Não foi José de Jacó.
Vendido por seus irmãos...
Não foi José ressentido...
No Egito José foi governador.
Foi a luz do faraó.
E o tempo passou...
Porque o povo não se misturou?
Eles lá e nós aqui, no nordeste, no sudeste...
Estamos voltando...
Eles foram em busca da terra prometida...
Será se encontraram?
O conforto de Deus é tudo.
Sorvete em casa
Ontem, Sassá encontrou com o padrinho que tinha ido pegar seus três filhos. Então ficamos conversando até a escola abrir. Quando abriu fomos pegar os meninos. Seu padrinho ia dar uma pipoca para ele, mas ai lembrei que não podia, pois havia extraído o dente. Não chorou, entendeu. Falei que ele só podia comer sorvete. Ele falou para os meninos que tinha sorvete em casa. Passado isso, correram, pularam, gritaram pelos amiguinhos. Todo feliz. Sua mãe chegou e nós fomos ao mercado. Se comportou mesmo como um menino do infantil cinco. À noite lemos, jogamos jogo da memória e fomos fazer a atividade da escola. Ai apaguei.
Pela vida
Miro a vida,
Como quem olha o horizonte,
A linha divisória,
A profundidade,
Céu e o mar azuis.
Mira a vida sentado na areia.
E o som frenético das ondas.
Sinto o vento...
Miro a vida...
A existência a realidade,
Os fenômenos dessa realidade.
A razão e a intuição.
Uma angustia ao despertar a consciência,
Que logo será noite...
O que fiz do meu dia?
Eu me construí
E tendo me manter...
Me canso nesta atividade...
Mas uma parte de mim vive além de mim...
Por isso preciso
Mirar a vida,
Pela vida.
25/03/26
Tristeza
Ontem, há 24 anos falecia meu tio Aldo Batista.
A 24-03-2002.
Morava na Residência quando recebi a triste ligação.
Era mamãe chorando. Imediatamente achei que havia sido minha avó sua mãe.
Mas era outra coisa. Ela me contou chorando a tragédia.
Disse que era para eu ir para casa. Nem pestanegei.
Tive que faltar a prova de química orgânica.
Vim de besta com Almeida. Foi uma viagem longa e angustiante.
Mas meu pai precisava de minha presença e a minha família também.
Temos uns aos outros.
Somos uma só familia.
Urubu
O urubu vive de luto,
De preto todo vestido,
Onde um corpo encontrar,
Da carniça vai se alimenar.
Voa pra cá,
Voa pra lá,
Sempre a buscar,
O que comer.
O urubu com cabeça de peru,
Verrucosa, mas escura,
Voa nua elegância,
Não tem nenhua ganância,
De bando sempre vai encontrar...
É ágio no voa,
Mau sabe andar...
Urubu... urubu.
Argumento da páscoa
Comprei um pote de sorvete para Sassá por causa do dente que foi arrancado da boca dele. O dente de tubarão. Então a mamãe me falou que ele pela manhã tomou sorvete dizendo que foi indicativo da dentista. Passou a manhã toda para fazer a lição, contou-me a mamãe. Tudo bem! A mamãe falou que esse pote não se acaba.
Argumento dois.
Á noite quando chegamos da escola, após aguarmos as plantas do jardim. Ele argumenta que as ervas vão ficar maiores que árvores. Isso é lindo. Gosta apenas das menores plantas do jardim. Já conhece algumas plantas como quebra-pedra, sida, pega-pinto, glinus, vasorinha. Ele fala baixinho delas para a Vizinha do 201 não escutar. Ele sabe que ela arranca as ervas. Bem, nutre um amor pelas ervas e só agoa estas. Gostei dele falar que elas iam crescer até a altura de um prédio. Diz que quer transformar nosso jardim em uma floresta. Enfim, agoamos as plantas internas e externas. Subimos e ele estava contente. Feliz.
Em casa ele perguntou para a mamãe. Está perto da páscoa, espia só.
A mãe respondeu que sim. Então ele disse vamos acender uma vela. Ai falei só na sexta-feira da paixão. Então ele disse. Se é pascoa podemos comer doce. Quero meu sorvete.
Nós rimos até... E passou pra dentro o sorvete com argumento da páscoa.
Empatia
Sinto que a vida está passando rápido.
Sinto que a vida está muito boa.
Sinto que sou.
Sinto e sei da existência.
Algo em mim me faz sentir tudo isso.
Algo em mim quer que saibas disso.
Sinto a vida na vida, na existência.
Sinto que tudo vai bem mesmo que por um breve momento,
E isto está bem.
Sinto felicidade nas crianças,
Sinto felicidade na arte por mais embrionária que seja...
Desde um jardim até um comigo ninguém pode numa lata.
Sinto felicidade na luta pela vida.
E tristeza no desprezo do corpo,
Dessa existência...
Nos abismos que podemos cair,
Nos abismos escuros que se caem...
Tantas pessoas por ai abandonadas...
Drogadas...
Cadê a compaixão humana?
Cadê a empatia...
É preciso força e união para vencer tudo isso e sair do abismo.
Sinto que estou fazendo muito pouco,
Para mudar o que ai está.
Mas estou dando o meu melhor.
24/03/26
Permitido
Ontem, Sassá foi a dentista. Foi fazer a cirurgia do dente a mais que nasceu. Era um dente fino. A gente o chamava de dente de tubarão. A cirurgia foi um sucesso. Ele ficou muito feliz porque ganhou sorvete. Mas ficou muito triste e até chorou porque não pode ir à escola. Nem fui almoçar em casa. Então quando cheguei a tardinha. Chamei para ir comprar um sorvete para ele. Ele foi argumentando que podia comer açúcar porque a dentista disse que podia. Fomos ao Bem mais da principal dos bancários. Rodamos no mercado, olhando os produtos. Falei para ele que era ali que fazia as compras antes dele nascer. Ele estava muito objetivo. Aqui não tem sorvete dizia nas prateleiras. Não é picolé é sorvete. Então pegamos nosso chá e o sorvete dele e paguei. Fomos embora. Ele mais feliz que pinto no lixo. Falante e rápido para chegar em casa. Porque será?
Até
Carrego as memórias de minha vida,
Muitas alegrias e felicidades,
Também dores e ferida...
Carrego no peito muitas saudades
Saudade de meu lugar,
Saudade de meus parentes,
Saudades da minha vida,
Saudades, pois a vida parecia querer mais...
E não dava para ser plenamente vivida.
Foi embora no tempo,
Fui em busca deste invento
E perdi tudo,
E ganhei tudo...
Muito ficou em mim,
O que pude trazer...
Agora posso escolher o que devo levar
O que devo ensinar...
Aprendi muito sozinho só a observar...
E continuo a aprender...
Até.
Farinhada
A mandioca arrancada,
Em caçuas carregada,
Na casa de farinha,
Derramada e arrumada,
Descascada.
Mão ligeira,
Conversa frouxa,
O alvo amido,
Cheiro da raiz limpa,
Motor ligado,
A batata cevada,
A maça branca,
Vai ser prensada,
Espremendo a manipoeira...
Agora a hora da lavadeira,
Lavadeira nova,
Roupa ajustada,
A rede dançando,
Pra lá e pra cá.
A goma decantada na gamela,
A massa lavada vai ser assada,
O cheiro da manipoeira fora casa,
Lenha acesa,
Rodo a posto,
Massa espalhada,
Começa a torrada,
O assador a dançar,
Pra lá e pra cá.
É Paté?
É.
E o cheiro da farinha incensa a casa.
Depois o beiju e a tapioca.
E a novena de graça.
Vida boa foi a minha.
23/03/26
Barro vermelho
O barro vermelho é um lugar em Serrinha.
Hoje está muito reduzido.
Foi grande, Foi grande.
Hoje no barro vermelho não se sente mais os cheiros
Da manipueira ou da farinha sendo torrada.
Sumiram as casas de farinha de Zé Paulo, Das Dores e velho do Santos.
No Barro Vermelho já não tem mais nenhum som de viola.
Sim, Lorival Cearense casado com tia Raimunda sempre fazia as cantorias.
O que resta no barro Vermelho são as barreiras vermelhas,
As árvores de timbaúvas, os coqueiros-catolés; as pitombeiras...
O barro vermelho morreu.
Sabe lá o que vai se transformar.
Dona Nenem se foi, Ninguém se lembra de Tio Raimundo Souza...
O lugar não tem memória, as pessoas são as memórias.
Pude viver algumas dessas memórias,
Mas até eu mesmo já estou se indo.
Borges e Pinto do Monteiro
Ciça a preguiça
Ontem, domingo, estávamos indo para a missa, então depois do HU e da Residência, vimos uma preguiça tentando cruzar a rua. Vi, andei um pouco e parei. Esperei todos os carros passagem, fiz a volta e estacionei no lado oposto, que era o lado do campus para onde a preguiça queria cruzar. Sassá ficou encantado. Peguei a preguiça com cuidado, pelas costas para não ser atacado pelas garras. Então cruzei a rua e coloquei ela no muro. Quis voltar para o lado da Rua, então reposicionei na grade. Sassá tirou uma foto ao lado dela. Ela desceu a grade para o lado da mata e se foi. Chamamos ela de Ciça a preguiça. Sassá ficou radiante, pois só viu preguiça de longe ou quando de perto empalhada. Foi uma experiência maravilhosa. Em casa após a missa, desenhamos Ciça. Um marco interessante. Pensei como as preguiças se orientam pela luz, pelo cheiro? Sabe lá.
Heurística da disponibilidade
Minha mente vem orbitando em torno de Serrinha. Em torno de pessoas que já se foram. As vezes, de ontem pra hoje me lembro de pessoas de serrinha que se foram. Foi o fato da morte de Noezinho.
Isso se chama de Heurística da disponibilidade.
22/03/26
Noé
Noé - Noan. Nome de origem hebráica que significa descanso, repouso, conforto.
Este nome é amplamente conhecido pela bela história da bíblia Noé e a Arca.
Sou de um povoado de berço de entrada do protestantismo no nosso município.
Nas casas de alguns de nossos vizinhos tinham imagens de cenas da bíblia e um das que me impressionavam era uma imagem com a grande arca e os animais entrando na arca.
Acho que tinha uma em Bonina, uma em Elita sua irmã, uma em Chico Franco. Ah, uma em Dálea, uma em Lenita, uma em Zuleide e uma em Iula de Dequin... Aqui vai ser difícil de contestar, pois quem vai ser o vizinho que vai ler este texto. A escrita pode servir de testemunho da realidade, mas é passível de invento. O fato é que conheci três Noés. Noé de José de Julho que era caminhoneiro, morava em Natal. Dirigia um lindo mercedes 1313 amarelo. Noé de Jerome uma pessoa muito dócil com o espírito desprovido de malícia. Noé vivia com seus pais Jerome Benedito e Loló. E por último Noé de Dedé Moreira e Daluz. Conheci mais tarde, pois cedo foi morar em São Paulo. Era amigo de meu irmão Rosembergue. Noé de Dedé Moreira era uma pessoa maravilhosa, de olhos claros e cabelo grande. Ele tinha uma voz inconfundível, agradável e gostava de contar estórias, daquelas da gente. Estórias particulares, locais, mas muito divertidas. Quando meu irmão chegava lá em casa ele era um dos primeiros a aparecer e passava a tarde conversando. Sim, ele voltou de São Paulo e foi viver a melhor parte da vida em sua terra natal com uma esposa maravilhosa. Bom. Quando voltamos a terra natal, a gente volta a essência primeira com a experiência do mundo. A gente passa a viver e poder fazer o que nossos parentes já faziam e a vida volta a ser comum. E revive do esquecimento.
Hoje, fiquei sabendo que Noé de Dedé havia passado pelo linha da vida e encontrado eternidade. Morando longe não terei como ir ao seu velório ou ao seu sepultamento.
E isso é matéria para pensar a vida, a existência.
Um fato muito triste. Para nós de Serrinha, seus amigos, seus irmãos, e mãe. Eu tinha amizade próxima com sua irmã Noezila e Herbénia. Conhecia todos os demais irmãos e seu pai. Fui ao velório de seu pai.
Noé esteve no velório de meus pais...
Noé é uma fração de Serrinha que se eterniza.
Depois que meus pais se foram, sempre visito o cemitério.
Meu vínculo com Serrinha continua mais viva que nunca. Tenho encontrado minha essência nas memórias em Serrinha minha terrinha. Minha gente que cresceu tanto que nem sei mais quem são, mas sei que são.
Noé, encontre o descanso, conforto e descanso na Eternidade.
Um dia nos encontraremos.
Vá em paz em Jesus Cristo e Maria nossa Senhora.
21/03/26
Vinca amada
Nas vincas encontro toda beleza.
Na parte está o todo.
Vincas que veio de longe,
Assim como viemos de longe,
E que nasce nos quintais das casas simples,
E agradece a pouca água,
Devolvendo flores estreladas,
Estrelas pentagramas,
Flores pentâmeras...
Flores com cinco delicadas pétalas,
Estrelas de arestas invertidas.
No centro um círculo perfeito,
Uma garganta estreita.
De cores variadas,
Rosadas,
Brancas,
Vermelhas,
Rosas,
Roxas,
Salmão...
Vinca...
Em minha mente gravada,
Em minha existência marcada...
Memória dos terreiros de minha casa,
Memória sonora das passadas descompassadas do meu pai,
O arrastar da chinela,
O peso molhado do balde,
A divisão da água...
Papai e as vincas,
Eu e as vincas...
A cada uma agradava,
Um copo de água...
Nunca faltou.
Essa ligação entre mim e papai,
Não será termina enquanto uma vinca florescer.
Em qualquer lugar.
E elas estão em tantos lugares.
E amo a existência por isso, também.
Uno particular
Manhã prima,
Sol sobre a nuvens,
O bafo da chuva ainda se desprende da terra molhada.
A sensação de calor é do tempo
Ou do chá que tomo?
Os quero-quero voam cantando,
Como quem dança,
Como quem agradece a chuva.
Venho testemunhando essa cena em tantos lugares...
Soa como um reflexo no tempo.
Quando percebi pela primeira vez não sei,
Mas onde sim. Posso afirmar que foi na minha terra mãe.
Meu berço materno.
Um dia, creio quando criança percebi...
Deveras foi no primeiro trimestre do ano.
As ervas germinadas no campo.
O carvão enxuto dormindo no chão molhado.
A semente de mucunã germinando lentamente,
Se hidratando na cama de folha da mata,
Mirada pelos caules cinzentos ou marrons...
As vezes, ninadas pelos sapos a dançar e namorar nos tanques sobre xistos.
Uma chave... uma breve memória que renasce enquanto há vida neste corpo, neste ser.
Enquanto existir...
E veja a existência faz sentido em sua história,
Em sua imanência... para além de tudo isso a transcendência.
20/03/26
Qualquer coisa
O tempo que une e que separa,
Tempo que aquece e que esfria,
Tempo que clareia tempo que escurece...
Vai indo...
Vou indo...
As memórias eternas de mamãe.
As memórias eternas de papai.
O fosso que o tempo cria...
Só aumenta o sentimento dolorido de saudades.
Tempo.
Tatu
Minha primeira palavra lida - feliz está Sassá
Ontem, Sassá leu pela primeira vez. E não estava comigo. Ele estava indo com a mãe dele na natação. No caminho viram um buraco com um isolamento e uma placa escrita tatu. Então ele juntou T-A - ta e T-U - tu. Tatu... E a mãe explicou o que era tatu... Ficamos muito felizes e orgulhosos. No caminho da escola ele falou o que era o tatu que era um buraco. A palavra significava um buraco e não o animal. Hoje a mãe dele me falou que ele leu - B O C A - D E N T E - D E D O E BOLA. Achamos um grande avanço, já que está sendo algo natural, sem intenção. Estou muito feliz.
Acidentes da madrugada
A madrugada silenciosa, escura e quente.
Faz a gente despertar.
Desperto a gente fica a pensar.
A gente pensa o que vem na mente.
A gente pensa pensamentos recentes.
Uma tal de heurística da disponibilidade.
A gente pensa aquilo que acende uma memória e um pensamento.
Que a gente cultiva se quiser.
Então, parece que o silêncio em mim me acende o passado, a memória.
A saudade.
Meu filho mudou tudo isso.
A fé e a busca da fé também.
São caminhos, são decisões.
Essa encruzilhada a gente um dia se depara.
Então temos que fazer uma escolha.
O mal de tudo é querer saber qual é a escolha certa.
O silêncio, parece ter o domínio de tudo.
No silêncio, nossa mente parece ficar atemporal.
Sem movimento reina o silêncio.
Então temos vagar nos objetos mentais...
A madrugada é silenciosa.
A madrugada é reflexiva.
Movimento na madrugada, muitas vezes pode ser tragédia...
Duas faces na madrugada cansaço ou vigília e energia...
Duas faces em pessoas diferentes.
Depois de dormir energia,
Trabalho excessivo cansaço.
Essas coisas.
19/03/26
São José
Hoje dia de São José,
Nunca esqueço dos aniversários de Tia Chagas e José Luciano.
Meu avô era um José,
Tenho um tio José,
Tenho um primo José.
Tantos Josés,
Tantos Dedés;
Pai de nosso senhor, Jesus.
São José inspira fé.
São José inspira esperança
De chuva no sertão...
Viva ao Santo amado do nosso sertão...
São José que foi carpinteiro.
São José que foi pai,
Foi marido...
Viva as muitos Josés.
Escondido
Sassá está muito esperto. Começando a fazer coisas as escondidas. Ontem estava usando o apontador para apontar um pincel. Eu reclamei. A dúvida é como educar sem que nossos filhos façam coisas as escondidas? Ele sabia que eu não aprovaria e por isso fez oculto. Também o fez quando estava rasgando uma borracha. Que complicação. A parte isso, nós desenhamos, brincamos e tomamos banho. À noite eu estou morto. Dai ele percebeu e disse que eu podia ir dormir. Então fomos brincar de cabaninha. Não sei o que aconteceu depois.
Natureza do belo
O que é o belo?
Uma bela flor,
Um belo som,
Um belo aroma,
Um belo calor.
O que é a beleza da flor?
O que é a beleza do som?
O que é a beleza do aroma?
O que é a beleza do calor?
A beleza é em si?
O belo é em si?
O belo é belo em si?
Uma flor é bela pela forma, pela cor, pelo odor?
Acaso tem formas, cor ou odor a flor?
Acaso tem calor flor?
O belo é harmonia?
é sinorganização...
Como definir o belo?
É necessário definir aquilo que sentimos intimamente?
A beleza é intuitiva
Ou é racional?
18/03/26
Sapos
Ontem Sassá e eu desenhamos sapos... Eu desenhei sapos coloridos. Ele desenhou uma harpia e sapos também. Desenhar sapo é muito legal. Como havíamos desenhado uma mamba-negra antes, ele queria desenhar, mas não sabia o que... Então pensei sapos. Ele achou engraçado o sapo Pinóquio. Ele desenhou uma perereca verde e laranja, muito bonita por sinal. E foi isso. Sapos.
Impressão floral
Aqui na universidade temos muitas plantas, então segunda-feira, 16 de março de 2026, sai com meus alunos a coletar frutos para a aula. Em frente a biblioteca central foi plantado um baobá. Baobá é famoso creio, por estar descrito no livro Pequeno príncipe de Saint-Exupery. Foi neste livro que soube da existência desta magnífica planta. Numa das passagens o principezinho tem medo que nascesse um baobá no seu pequeno planeta b612. Eu já conheci o baobá pessoalmente em Nísia Floresta no RN; em Recife, e aqui em João Pessoa lá na Bica. E agora aqui na UFPB, de forma que bom o baobá é um conhecido e colega de ambiente. Compartilhar o nosso mundo com baobá é perfeito, conhecê-lo melhor ainda. Uma árvore imensa de folhas lobadas e flores muito grandes. Entretanto conhecer a flor, tocar a flor, cheirar a flor, sentir a flor é outra história. Suas flores enormes pêndulas com longos pedúnculos, cinco sépalas e cinco pétalas da cor de pipoca; poder ver a coluna estaminal conhecida como andróforo, sentir o odor suave de manteiga e provar do néctar foi uma experiência muito interessante. Depois de analisada a flor, esqueci de analisar o ovário. Que coisa. Bom certamente que o principezinho iria amar conhecer a flor do baobá... Eu amei.
Flor do baobá
Uma flor bem grande,
Uma flor bem branca,
Seu pedicelo é bem longo,
Suas pétalas bem carnosas,
Suas sépalas são assimétricas,
Seus estames numerosos,
Que andróforo enorme,
Tem um cheirinho de manteiga,
Tem muito néctar...
Branca como pipoca,
Parece sorrir,
Cheira a queijo de coalho assado...
Foi essa minha primeira vista e minha primeira impressão
Da flor do baobá.
17/03/26
Mamba-negra versus mangusto
Hora de entender
O tempo nos dá,
O tempo nos tira,
Tempo e espaço,
Espaço e tempo,
Aqui e agora,
Agora e aqui,
Ontem, hoje, amanhã.
Ontem são memórias, deveio.
Hoje é ação,
Amanhã divagação, ideal.
O lugar onde nasci continua o mesmo,
Rochas no lugar,
Mata no lugar,
Tem as marcas que a gente faz e a gente sofre.
A gente envelhece sonhando,
E percebe que os sonhos,
Também o tempo consome...
Transferimos nossos sonhos...
Eu não sabia que a felicidade está no agora,
Se sabia desconhecia como eternizar o momento...
Viver é assim aprender com o tempo,
Com o deveio... o devir é um amanhã
Que posso despertar ou não.
O tempo dá
O tempo tira...
E nos somos só sentimentos,
Nada mais.
16/03/26
Um momento impar
A madrugada estava linda.
Estava plenamente escura.
Quando dei fé vi a lua.
E a lua estava crescente,
Aquela meia lua,
Aquela foice no céu,
Lá no nascente,
Crescia amarelo prateada.
Em silêncio,
Plena em sua cena.
Parei e contemplei por poucos segundos.
E pude contemplar o tempo.
Aquela velha metáfora persa,
A lua é o espelho do tempo.
O silêncio e a beleza me fizeram eternizar
Em minha mente,
Um momento impar no universo.
Só isso.
João Paraibano
Ontem assisti a uma entrevista de João Paribano. Foi uma excelente entrevista. Tanto os entrevistadores quanto o entrevistado trouxe novas informações, pessoas e sobre poesia de viola. João de Princesa Isabel. Com uma voz muito peculiar e com versos voltados para a natureza.
A bica
O fim de semana foi agitado. Fomos a Bica e além de tudo que estamos acostumados a ver, encontramos um novo recinto. É natural gostar de coisas novas. Na outra vez havíamos ido a um recinto com tartarugas no meio a mata, perto da lontra. Dessa vez ele quis ir de novo ver as tartarugas orelha vermelha e a tartaruga mordedora. Então encontramos mais um recinto de tartaruga com uma nova tartaruga que desconhecemos. É um bicho intermediário, casco orbicular, achatado e duas estrias claras na cabeça. Ele gostou muito dela, até quis voltar lá. No recinto haviam aráceas, copo de leite florido, exalando um odor maravilhoso. Tinha frutos pão no chão meio passados. E tinha também lama. Foi o ponto ápice do passeio.
Zé o tamamduá estava ativo, caminhando. O emu ulises estava vocalizando. No final. Sassá estava faminto, então fomos almoçar no shoping sul.
15/03/26
Limiar
O silêncio da madrugada me desperta.
A luz tênue da manhã começa a surgir.
Fora canta um sanhaçu,
Um som forte e próximo,
Vou até a sacada.
Voa e o silêncio reina.
Volto a cama sinto o calor da coberta,
Cheiro os cabelos e meu filho.
O tempo, esse pensamento que me perturba,
Vem a minha mente,
Então o espanto...
Vou a rede armada na sala.
Olho através da janela,
Olho meus quadros de uma casinha, mandacarus e macambiras,
Olho para ele e vejo meu sertão.
Um sertanejo no litoral tem que ter sementes de sua terra natal espalhadas na casa...
O tempo avança.
Um carcará pousa na antena do prédio a frente.
Majestoso, vocaliza e arqueia o pescoço.
Repete poucas vezes,
Depois voa...
Onde estou... Perdido no mar de ideias.
Então, vou preparar o café.
E tudo se conclui aqui.
14/03/26
Eterno tempo
Eterno é o tempo,
Eterna é a tarde,
Tarde que cai no horizonte,
No distante poente.
Segundo crepúsculo quente,
Imagens em minha mente,
Distante! no espaço e no tempo.
13/03/26
Zé
Seu Zé,
Toda tarde sai para caminhar.
Quatro horas, facha chuva o faça sol.
Tem um pouco de dificuldade de andar.
É magro e Alto, usa bigode e é sério.
Custou a dá boa tarde, mas já se acostumou.
Seu nome é José Tavares.
Lembrei logo do nome do herbário da rural
Sérgio Tavares.
Transição
Vi a aurora nascendo;
Não sei qual o momento,
Mas vi a aurora despertar,
Tal qual brasa na cinza,
Soprada pelo vento,
A brasa acendendo.
Estava muito escuro!
Em pouco tempo,
A luz foi se acendendo,
Rubra, encarnada.
Fraca, tênue...
Foi se acendendo,
Um convite a reflexão,
Um convite a contemplação,
Um despertar de memória,
Um convite a ver o passado...
Feliz...
Aurora, naquela hora.
Hora ensurdecedora,
Silenciosa...
Fez me olhar no fundo de minha alma,
Em meio e imerso em calma...
Fui fazer o café,
Então o gás acabou.
Na natação
Vento
No vento
Busco um verso,
Algo diverso,
Forte ou lento,
Sopro em deslocamento,
Varrendo o universo,
em movimento transverso
Ar em movimento,
Assim invento,
Quase disperso,
Com sentimento,
O inverso,
do intento,
algo metaverso.
Forma
A forma é a matéria definida.
É o estado terminal da matéria.
A forma pode ser dita.
A matéria é a indefinição da forma.
A substância é a forma e a matéria.
A substância é a totalidade que há.
Forma é ilusão.
Forma é o negativo.
Forma é definição.
Forma é enquadramento,
Forma é o começo da abstração...
Nana rupa - nome e forma.
Um ponto para um pensamento,
Ou a base do pensamento.
Eterno momento
Ontem após a aula. Foi gostoso como sempre é pegar Sassá. A coordenadora não disse quero falar com você. Só isso já é um alívio. Depois de ...
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Hoje quando voltava do Bandeco vinha eu perido em meus pensamentos, meu olhar vagando nas paisagens. Quando num instante ouvi um canto, era ...
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Gogh