Pensar
Sorria! O riso ilumina a alma e embeleza a vida.
21/10/26
Cigarra cigarrinha
No cinema, filme de adulto
Ontem Sassá foi ao cinema,
Queria ver Relâmpago mackuin,
Queria ver um desenho,
Mas não havia,
Vimos E se fosse você.
Surpreendentemente ele assistiu,
E gostou.
Coisas que acho que ele tem consciência,
Estava com quem ama, nós;
Tinha coisas que ele gosta
Chocolate!
Então..., tudo bem.
O amor acontece
20/10/26
Movimento do verão
No céu azul cresce a lua sem parar,
No céu azul voa livre o carcará,
De manhã canta a cigarra,
À tarde canta o sanhaçu de palmeira.
Som, luz e calor,
O verão a se desenrolar.
Tempo da natureza cigarresca
As cigarras de outubro,
As cigarras do verão,
Fazem festa na mata,
Camufladas nos troncos
Das árvores se põem a cantar,
Cigarra canta o calor,
Cigarra canta o verão,
Cigarra gosta de céu azul,
Cigarra gosta de perfume de flor de caju...
Nem o calor incomoda,
Nem o sol
Nem a sequidão,
É sua hora de cantar,
É sua hora de reinar.
Tem tempo pra tudo
Neste mundo,
É tempo de cigarrear.
Cheio de graças
Desperto penso na vida,
Desperto e peço proteção divina,
Que minha alma seja protegida,
Das insandices de nossa mente,
Dos males que nós mesmos criamos,
Dos nossos medos,
De todos os males.
Penso e agradeço pela vida.
Pelo dom da vida
O que me remete a papai e a mamãe.
Despeço-me da noite.
Parto para um novo dia.
Cheio de graças...
A máscara manikraft
Ontem à tarde, cheguei em casa e Sassá estava cheio de energia. Não houve escola então ficou em casa com a mamãe dele. Abracei e cheirei meu amado. Enquanto me trocava ele pegou uma caixa e fez uma máscara do minikraft. Fez perfeito as partes os olhos, o nariz e a boca. E tome elogios. Sassá quase explodiu de orgulho. Disse que foi difícil e demorado. Com tamanha empolgação chamei-o para caminhar e ele foi de boa. Fomos conversando sobre sua arte. Fomos em três casa de ferragens em busca de um gancho. Pegamos um picolé para ele e saiu todo satisfeito. Escolheu um de noz, mas ele não gosta de amêndoas. Dai me deu no final. Ele ama picolé de doce de leite. A mamãe estava dodoi. Então jantou, brincamos e ela deu banho. Como ela quem fica com ele não estava disponível. Cedo apaguei a luz e fomos dormir.
19/10/26
Viver no sentir
A tarde acabou de nascer, o sol ao pino, o céu azul, o calor intenso. Sob a sombra de um Juazeiro a sombra ameniza o calor, uma cabaça de água, uma rapadura no alforge. Sentado podemos encher o copo de água, quebrar um caco de rapadura. Um gole de água e uma mordida no caco da rapadura.
Está tudo bem. Que poderia ser mais eterno.
O cheiro do estreco do gado trazido pelo vento.
A vida é tão boa
O verão
O calor,
A mata parada
Sem um sopro de vento...
O arrastado da enxada,
O canto das patativas,
A sensação de incomodo,
O desejo de relaxamento,
Um limar entre bem estar
E mau está.
Vai ficar tudo bem.
Canta sanhaçu,
Festeja o verão,
Luz, sol, céu azul,
Árvores floridas,
Sequidão...
São as fases,
É uma estação...
17/10/26
A mudança com paz
Cada dia que vivo é um dia a menos.
Cada hora, cada minuto, cada segundo.
Como é angustiante saber disso.
Será por isso que o doce é mais gostoso,
Será por isso que prefiro as boas às mas sensações,
Será por isso que busco a eternidade de um bom momento?
Será por isso que não percebo a objetividade das coisas?
Como equilibrar as coisas entre o sonho e a vigília.
Não sei, mas agora sei que esses sentimentos tem me angustiado pela vida inteira...
Busco um alento na poesia,
Busquei nas letras este alento,
Mas parece que a abstração esfria e angustia mais.
Será que o calor humano poderá amenizar esse medo?
Tenho buscado saciar minhas vontades, tentando intensificar tudo,
Mas isso só faz o tempo acelerar...
Ah, como era bom quando não pensava em nada,
Quando não tinha essa voz,
Quando não tinha autoconsciência,
Quando não tinha conceitos...
Um caju, uma goiaba, uma manga, uma goiaba me faziam feliz
Eu não precisava pensar, só bastava saborear a fruta...
Tudo mudou,.
Tudo está mudando,
Mas entender e aceitar que muda ajuda a viver o tempo que me resta em paz.
16/10/26
A vida inteira
Pela janela do quarto olhei o céu,
Estava azul, intensamente azul.
Vi que urubus voam livres,
Achei tão maravilhosa aquela liberdade,
Voar sem precisar de nenhum acessório.
Depois fechei a janela
E a ausência de luz me fez olhar para o interior,
É assim que sinto quando fecho os olhos,
No escuro,
É assim que imagino a morte escura...
Tanta coisa imagino...
Tanta coisa real que nem percebo.
As vezes só penso, só faço uma ideia...
Será assim a vida inteira, uma ideia?
No calor tudo pode ser melhor
Na tarde de verão,
O céu azul, o sol quente,
A mata cinza vai se refrescando,
O calor não incomoda quem está saldável e se sente pleno.
Assim me sentia novinho no meio da caatinga,
Com dog nosso cão saia para o mato,
Para andar, desparecer, e quem sabe pegar um preá.
Gostava de ver as formas das plantas,
Sentir o cheiro do marmeleiro,
Ouvir o chiado da folha seca,
De sentir o cheiro das melosas com suas flores vermelhas,
De ver o beija-flor verde de bico vermelho
Como quem namora ou paquera
Rodeando as melosas...
E assim o tempo se passava mais agradável.
A tarde caia,
Voltava calmo e contente.
Tinha tudo que precisava,
Comida, casa e um banho,
Mamãe e papai e meus irmãos...
Pra ser feliz não precisa muita coisa,
As comparações que nos aleijam.
Com quem se comparar?
A gente era produto do meio.
E aquilo estava bom demais.
Hora de ler Don Quixote
Flertando com a ideia de ler Don Quixote,
Uma obra tão lida pela humanidade.
Assisti com meu filho um vídeo sobre este livro.
Acendeu em mim a vontade de entender melhor.
As ideias tem uma potência em nós de buscar conhecer melhor aquilo que está presente em nosso entorno.
Como ocidental já ouvi tanto falar dessa obra.
Será a hora de lê-lo?
15/10/26
Nordestinidade
Uma cigarra pousou em fernanda a aroeira.
Setembro se foi e outubro chegou.
O sol está a todo vapor...
A cigarra cantou pertinho de mim.
Seu canto foi um encanto.
Seu canto despertou memórias de um lugar distante,
De um tempo distante...
Tempo de minha infância,
Tempo de minha adolescência...
Lembrei da casa paterna, do nosso sítio,
Do cheiro da flor do cajueiro,
Da poeira na estrada,
Do nosso burrinho,
Do trabalho de buscar água no açude,
Do trabalho de buscar as vacas no parieiro,
Do andar ondulado do gado,
Do calor, da moleza,
Das pedras pretas soltas no caminho,
Do agrado do gado bebendo água no açude...
Da chegada em casa,
De papai preparando o comer do gato e do cachorro,
Sempre provando do feijão com farinha...
E tudo isso não reflete minha nordestinidade.
Contemplar, ser e amar
Contemplação,
Contemplação exige corpo relaxado,
Exige atenção ao objeto,
Exige contato direto da visão,
Do olfato,
Da audição,
Da sensação tátil,
Do paladar...
Contemplar é dar tempo
Para ver,
Para cheirar,
Para ouvir,
Para tocar,
Para degustar...
Parar o tempo e se envolver no espaço...
Deixar o ser sentir a existência...
Contemplar
É viver com a consciência do aqui e agora,
É dar o tempo real que o ser precisa para sentir a vida.
Contemplar é sentir a vida.
Quando a gente sabe quem somos fica mais fácil.
Aquela imagem de Gogh,
Aquele som de Mozart,
Aquele gosto de pudim,
Aquele abraço fraterno,
Aquele cheiro de jasmim.
Ontem, contemplei a lua do jardim,
Enquanto regava as plantas,
Enquanto a torneira enchia o balde,
A água escorrendo me acalma...
O céu pós crepúsculo,
As estrelas acendendo,
A lua crescendo no céu...
Desde muito tempo tenho o hábito de contemplar o céu no anoitecer,
Antes me conectava com meus avós,
Agora com os meus pais...
Estou contente que tenha conquistado este hábito.
Para seguir para a etapa adiante...
Viver com amor.
14/10/26
Que maravilha tudo isso.
À tarde se despede do dia,
E morna se entrega a noite fria,
A luz eterna do sol,
Desaparece no poente,
E o corpo quente esfria,
A terra esfria rapidamente,
A água vai esfriando lentamente...
Água e sal,
Vento a soprar,
Longe do mar,
O frescor da sombra e da brisa fria.
Que maravilha tudo isso.
Abertura dos jogos escolares numa escola nordestina
Ontem Sassá participou de uma apresentação na escola. Estou falando da abertura dos jogos da escola que ele estuda. O tema do projeto era o nordeste. Ele e os coleguinhas foram vestidos de apanhadores de algodão. Estava lindo, muito charmoso e feliz. Assistimos a todas as apresentações tendo como tema o nordeste nas músicas de Luiz Gonzaga. Foi maravilhoso.
Perceber a tempo
Esperamos por mudança,
Ansiamos por mudanças,
Sem levar em conta
Que a mudança
Para ocorrer
Consome nossa principal moeda
O tempo.
Na minha idade,
Já vejo o tempo com preciosidade...
A rapidez com que tudo acontece nos acelera,
E de remente,
As coisas envelhecem...
A intensidade e a frequência que consumimos as coisas,
É a intensidade d desgaste de nossos seres.
É preciso fé,
É preciso força,
Para uma mudança...
Esta mudança está sempre acontecendo,
Nós que não percebemos.
13/10/26
Tudo no universo
O elo do universo,
O devir,
O ente,
O objeto,
O sujeito,
O elo são os sentidos,
Sem sentido não há sujeito
Sem sentido não há objeto,
Não há representação,
Sem objetividade,
Sem subjetividade,
Sem conotação...
O momento,
O aqui e agora é tudo,
A causalidade,
O entendimento.
O uno e o multiplo,
A percepção, a sensação, a razão.
Fuga dos pensamentos
A mata verde e brilhosa
Não mexe uma folha,
O sol radiante e intenso,
O sanhaçu-de-coqueiro canta intermitentemente,
Ontem mesmo na rua vi saíras cantando,
Hoje no estacionamento cantava um sabiá.
Vejo a casa de cupim no pé de pau-branco,
Estará quente lá como está cá?
O ferreiro-relógio acerta a hora,
Nesta hora de primeira da manhã,
Bem-ti-vi pia,
Uma moto ronca na avenida...
Em meio ao trabalho,
Percebo as nuanças da realidade...
E fujo dos meus pensamentos
Que perturbam minha alva.
O que significa?
No vazio posso encontrar um reflexo de mim,
No vazio, encontro o silêncio,
No vazio em plena luz...
Sem vontades,
Sem desejos,
Sem pressa,
Sem referência,
Sou...
Sou o que?
A soma do meio,
A soma das impressões,
A soma das sensações...
Percepção,
Entendimento,
Emoção,
Razão,
Consciência...
Arrolado na experiência
Na vida vivida,
Na causalidade amarrada no devir,
Onde espaço e tempo se cruzam
Intermitentemente...
12/10/26
Graça, graça e graça
Abençoado é aquele que vive em sua terra
com sua cultura,
com suas coisas pra cuidar,
com seu meio.
Como são belas as manhãs,
como são belas as noites.
Como é boa a vida.
A universidade da vida aí está...
Tem início, tem fim e com sorte um meio...
Nossas lutas,
nossas experiências,
Nossa alma,
como os outros nos vêem
e como nós nos vemos...
Neste movimento o surgir e o desaparecer da consciência...
O que é isso mesmo?
Teosofia a uma amiga
Minha amiga, muitas coisas na vida têm ganhado um novo significado, pois a tomada de consciência é transformadora. Os anos e as experiências auxiliam muito neste processo. Nossos hábitos podem nos conduzir a entendimentos outros. A nossa ignorância perante a irracionalidade, ao desconhecido nos leva ao medo. Não sei como vencer o medo, mas muito deste medo pode se originar da forma como construí um eu... a tomada de autoconsciência que envolve o outro... levarão muitas vidas até a libertação... Às vezes há um lampejo de lucidez, mas é uma luz de vaga-lume no meio da escuridão. Como encontrar a luz?
Prosa de uma vida
Os anos passam e nem percebemos. As coisas vão acontecendo ao sabor do vento e nós não nos damos conta.
Nós não nos damos conta de entender o que é a vida, o que são as coisas mais importantes. Só a vida vivida, só a experiência nos ajuda a entender o que é importante. Porque a gente descobre que pouca coisa importa e que o que mais importa é o amor, o que mais importa é quem você amou e que o que se constrói que vence o tempo é o amor. As coisas, recursos são importantes, porque vamos esquecendo o que realmente importa. Coisas como tomar um café da manhã ou da tarde ou comer um bolinho recheado tem uma potência de nós deixarmos felizes que a gente nem imagina. A gente esquece que felicidade é gratidão... A felicidade é gratidão. Estou grato por acordar para mais um dia, estou grato pela saúde, estou grato por ter o que comer, estou grato pelo agora... Estou grato pela vida compartilhada. Sabe como é bom aquele churrasco na lage e só presta se estivermos juntos, estou grato pela vida vivida... nas fotos vi um olhar sereno de meu pai junto a seus netos e seus animais e a sua casa... Se sentir parte de algo compartilhado, de uma igreja, de um trabalho, de uma família... Se sentir um ser, eis a felicidade e com o tempo a gente entende que a gente envelhece, e que a vida a nossa vida segue nos nossos filhos e a gente fica feliz por que sabe o que fez e como os educou para esta vida, porque a educação vai transcender o tempo se pararmos para pensar não concluiremos que sempre foi assim?
E isso pode ser amplificado ou reduzido dependendo do quanto de amor que eu dei.
Um jardim precisa ser cuidado, nem água demais nem de menos, precisa arrancar as plantas daninhas, se quiser ter belas flores. Num jardim precisa escolher o que se vai cultivar, precisa saber como cultivar, precisa de condições....
Lá em casa nunca faltou vinca, estão sempre floridas, papai dava um pouco de água e elas floresciam muito. Cultivar rosas dá muito trabalho, há quem prefira rosas, eu prefiro as vincas. É cultive o que deseja, e esse cultivo vai te dar flores. Quem cultiva amor colhe risos e amor, quem cultiva paz colher paz, quem cultiva riqueza colhe riqueza, mas é preciso que todos cultivem para não se viver com medo de perder a riqueza, quem cultiva a saúde cultiva tudo...
Os dias são tudo que vivemos, mas só se vive um dia de cada vez.
Olhar o tempo através do tempo
Cabelos alvos, coroa dada pelo tempo,
A experiência de quem viveu,
A experiência de quem sentiu.
Sentiu que tinha que deixar suas ideias em palavras, em versos.
Pega o óculos e coloca na face em frente ao texto impresso não mais escrito, ela lê com a alegria de uma criança que ganhou um embalado de confeito.
Como quem sente a balinha doce derretendo na boca, aquele doce que faz a alma sorrir.
Lê o seu texto e a gente pensa ao ouvir que coisa mais linda.
Como pode?
Sair do seio da caatinga uma coisa tão maravilhosa.
Ao redor tudo é cinza, mas se cultiva um jardim com três-marias e jasmim.
Com os anos a gente aprende a valorizar o que temos, a lutar e transformar a realidade.
A escrita é um alento a quem está começando,
Porque a vida vai seguindo e que escreve acredita e não queria ver sua terra abandonada seria negar sua origem e sua história...
É o que sinto no meio desse universo que estou me encontrando.
A vida é tão boa
A tarde acabou de nascer, o sol ao pino, o céu azul, o calor intenso. Sob a sombra de um Juazeiro a sombra ameniza o calor, uma cabaça de água, uma rapadura no alforge. Sentado podemos encher o copo de água, quebrar um caco de rapadura. Um gole de água e uma mordida no caco da rapadura.
Está tudo bem. Que poderia ser mais eterno.
O cheiro do esterco do gado trazido pelo vento.
A vida é tão boa.
09/10/26
A natureza e a espiral
Acho interessante a natureza,
Nela tantas formas se revelam
Universais...
Imagine a dura espiral do caracol,
Imagine a móvel espiral do emboá.
Imagine a espiral letal do escorpião,
São tão conhecidas,
São tão interessantes,
Já viu a espiral da samambaia,
E o que dirá da espiral dos cachos de cabelos,
Celulose, lignina, proteína...
A natureza me encanta,
Com suas curvas,
longas e curtas,
Caminha em paz emboá,
Cuidado com o escorpião,
É tão frágil o báculo monilófito,
É tão forte o pelo do cabelo...
Meio ao meio no meio...
Se comprimindo,
Se distendendo...
Se fazendo e desfazendo numa espiral.
Caçamba mercedes 1313
Na avenida Pedro Segundo, sentido centro de Jampa, nesta sexta-feira, encontrei um caminhão 1313, caçamba, vermelho. Buleia redonda, faróis circulares, a pintura chegava até a brilhar, me chamou a tenção o número 1313 cromado chega brilhava no sol. Rapaz, um caminhão produzido no final dos anos 70 rodando nas ruas é objeto de admiração. Na certa o dono que era infante quando aquele caminhão foi lançado tem mais cuidado com aquela caçamba que não tem a nenhum outro objeto. Chegando no estacionamento vi um senhor saindo de sua pampa, perguntei o ano e ele falou 1992. Disse que a possuía a 25 anos. Essas coisas, revelam a nossa idade, as nossas preferências, o amor a nossas memórias primeiras. Lindo caminhão caçamba 1313. Guardei na memória.
A descoberta da função do é
A gente passa a vida aprendendo.
A gente aprende sobre a realidade concreta e aprende abstração.
Foi maravilhoso quando aprendi que o É era um verbo de ligação.
Descobri que em frases com É, a gente tinha uma definição do substantivo.
Por acaso, já que a causalidade é a mãe do entendimento, descobri só.
As melhores coisas a gente descobre, a gente percebe.
Foi assim com a letra é que é verbo de ligação, que qualifica, que define.
Nem imaginaria que algo tão distante no empo estaria sendo refletido aqui.
Dê uma oportunidade ao inconsciente
Nem sempre as ideias estão brotando em nossas mentes.
Há momentos de vazio.
Parece que a gente está oco.
A gente olha no nosso entorno em busca de algo.
E nada.
A gente se sente mal.
A gente pensa que tem que está sempre pensando,
A gente pensa que tem que está sempre produzindo.
E quando não temos ideia do que pensar,
Ficamos angustiados.
O interessante é que parece que o tempo parou.
Em algum momento isso passa.
E ideias boas surgem,
E a gente se sente bem.
É o cérebro trabalhando.
Dê uma oportunidade ao inconsciente.
Onde os conceitos não chegam
A humanidade vem evoluindo
Em produção de conceitos,
Embora nem todas as pessoas
Tenham acesso aos mesmos.
Se na parte está o todo,
Por que há desigualdade
No consumo destes conceitos.
Tudo isso é pura ideologia?
O que nos faz vestir
Determinadas e gostar
Destas ideias.
O que nos faz rejeitar
Determinadas ideias?
Há uma lacuna enorme
Nesta resposta.
Algo que ainda desconhecemos.
Algo que os conceitos
Não conseguem penetrar.
O que nos dá unidade
Ontem andando pela cidade,
Tive a noção maior de espaço.
O espaço tem me encafifado.
Andar pela cidade, na cidade grande
Fica a sensação que não moro nesta cidade.
São bairros tão diferentes,
Mas é a mesma gente,
Mesmo lugar.
Pessoas em lugares diferentes que frequentam
As mesmas praias,
Mesmos shopings...
Então me pergunto
O que nos une
E o que nos separa.
O que nos dá unidade?
Não soube responder.
08/10/26
Percepção de economia
Sassá foi ao mercado.
Na gôndola perguntou quanto custava duas pilhas.
Pedi para ele ler... Disse 1,2... 12,99.
Sempre o levamos no mercado,
Falamos sobre o que é caro e o que é barato.
Assim, permitimos que ele tenha consciência de valor de dinheiro.
Já sabe... Quando quer uma coisa pergunta.
Papai você tem o valor da mercadoria.
Dai digo se é caro ou barato.
Claro que é muito subjetivo.
O caro pra mim, pode ser barato para outro,
Ou o barato pra mim pode ser caro para outro.
No geral, as coisas estão caras.
Quebrar o silêncio para alguns
Quebro meu silêncio
Com a palavra escrita,
Quebro o meu silêncio
com a razão,
Quebro o meu silêncio para os leitores.
Em silêncio expresso meus pensamentos,
Em silêncio ponho no texto
O que ouço minha mente falar.
Minha mente que veio depois do meu cérebro,
De certo irá antes.
Essa forma indireta de quebrar o silêncio da alma.
Essa maneira de ser,
Essa necessidade da existência para ser.
Se vai indo com o tempo...
Demora a entender.
07/10/26
A melhor forma
Imagine que vai dormir,
Agora sabendo que nunca mais vai acordar.
Sufocante né.
Então mais um dia você acorda,
E o que deves fazer primeiro quando acorda?
Agradecer não seria a melhor forma.
Carta ao amor
O escuro da noite
com suas estrelas e seu silêncio me remete ao passado.
Volto a época de infância,
Volto a época da adolescência...
E tudo parece tão igual, a sensação é a mesma, mas o tempo passou, meus avós se foram e tempos depois meus pais.
Sabe a sensação de silêncio é maior.
Se olho as estrelas percebo a transcendência do tempo...
Parece que o tempo não passou,
Porque o vazio continua o mesmo.
As vezes, algumas coisas, uma esperança vã acende,
meu ser sorrir feliz, mas acabo descobrindo a mesmice.
Melhor não magoar ninguém com essas ilusões.
A noite continua vazia...
Cada vez mais vazia,
A velhice amolece nossas carnes,
A velhice afraca nossos nervos.
A velhice pode até curar sentimentos...
Mas penso neste silêncio...
O que acredito é minha crença... não adianta expressar para magoar o outro.
Afinal pra que mágoar a minha carne em nome de uma ideologia.
A noite no escuro!
As vezes penso,
As vezes choro,
As vezes sinto muito amor pelo meu próximo.
O silêncio isolado da noite... me ensina a amar e respeitar. só isso.
A objetividade nas folhas
As folhas secas deitadas no chão,
De dia são torradas ao sol,
À noite resfriadas ao vento,
Se fragilizam,
Perdem a forma,
Perdem a cor,
Viram pó...
E desaparecem desta existência,
Sua existência era apenas ser folha,
Fazer o que fazem as folhas,
Fotossíntese...
Eis a objetividade das folhas,
O resto a gente imaginou por estas.
Enraizamento e divagações de um lobo da estepe
Tenho livros espalhados sobre minha mesa.
Livros de poesia,
Livros de filosofia,
Livros de botânica.
Sou botânico.
Não sou poeta ou filósofo.
Mas gosto dessas temáticas.
Tenho livro de induismo e budismo.
Cultivo os conceitos,
Cultivo o saber.
Não é um patrimônio cultural ganhado da minha família,
É um patrimônio cultural ganhado na academia,
na vida, no irracional que é maior que o racional.
Me encanta Manuel de Barros, Pessoa...
Me encanta Kant, Schopenhauer e Hegel.
Me encanta Lao Tsé, Salomão...
Essa pluralidade abstrata,
Nessa pluralidade abstrata,
Busco uma identidade,
Que é truncada deste momento histórico.
Deveras não conseguirei abstrair um porcento...
Deveras não entenda os princípios,
Mas acredito e por isso,
Alimento minha alma...
Não tenho livros de música,
Mas colocaria na minha mesa um Mozart, Satier...
Divagações.
Giugipso
Sassá teve sua primeira aula de Giugipso. Ele foi com a mamãe. Não gosto de lutas. Eu vi quando chegou o quanto estava feliz. Essa empolgação foi linda de se ver. Seus amiguinhos, dois deles fazem. Chegou radiante de energia e felicidade. Até aprendeu um cumprimento oss. Teve uma lutinha. Fiquei feliz também.
Descobrindo a essência da vida além do eu
Nem tudo que é físico me impressiona,
Porque minha conexão está voltada para a mente,
Estou concentrado em meus pensamentos.
Se me fecho demais na minha concha,
Se me encaracolo...
Perco minha sensibilidade do mundo.
Tudo isso porque estou voltado para meu ego,
Porque estou de olho em provar para os outros
Em provar para mim mesmo que estou certo.
E me esqueço de ver o real,
Ver a beleza de tudo
Como um por do sol,
Como a onda se quebrar no mar,
Como o riso de uma criança,
Como as palavras sábias de um idoso,
Como é doce uma fruta.
Se foco no eu,
Perco de focar no mundo,
Posso ser injusto e egoísta...
E em meio a tudo isso o tempo não para de passar.
Se não souber o que é essencial,
Essa curta vida vai passar
E vai ser tão rápido,
E nem perceberei,
Porque só foquei em realizar as minhas vontades...
Certamente a essência da vida não está ai.
06/10/26
Tempo, tempo, tempo que me resta
Folha seca
Perante as adversidades uma folha trabalha,
Jovem tenra e colorida,
Vai ganhando vigor,
Vai ganhando a cor verde,
Trabalha o dia inteiro,
E o tempo a passar,
A folha vai envelhecendo,
Vai perdendo o vigor,
Vai perdendo sua cor,
Até o que tem vai sendo tirado,
O turgor, a cor, os minerais,
Então a folha velha seca,
E desprende da vida,
Sendo levada ao vento,
Pra recompor a natureza.
E Sassá desenhou
Sassá ontem quis desenhar,
Seus desenhos são suas vivências,
Quis desenhar a gavião carijó choca da bica,
Quis desenhar o jacaré na boca de lobo,
Quis desenhar a capivara xuxu e um besouro azul.
E desenhou fechando seu segundo livro de imagens.
Ser não seria delírio de um eu
O tempo assume uma face diferente quando se cumpre.
O tempo, a memória envolvem minha alma de eventos,
O tempo e a memória são matéria de meu ser.
Vou vivendo e ganhando diferentes experiências.
Esse eu é impessoal,
Esse eu é temporal,
Esse eu é individual.
E vou assumindo que sou...
O ser eu não seriam delírios de um eu.
05/10/26
Ser e existir
Tenho tantas memórias,
Sou um ser de memórias.
Tenho em mim um passado vivido.
Tenho em mim um breve devir.
Sou...
Tenho poucas memórias,
tenho em mim um passado para construir.
Tenho em mim um longo devir.
Sou...
Essa unidade fascinante o devir,
O presente, o agora único, universal,
atemporal,
Momento único na existência...
Ponto de encontro entre espaço e tempo...
Revela a individualidade, a pluralidade...
E é em si UNIDADE.
Nada mais.
Cravo
As flores que comprei são flores de cravo,
são flores de crisântemo.
As flores que comprei são amarelas
feito gema de ovo.
As flores que comprei são perfumadas
dum cheiro doce.
As flores que comprei enfeitam minha sala faz uma semana.
Feixe radiado,
Feixe assimétrico...
Miro este arranjo,
São 14 capítulos
com dezenas de flores.
Estas flores deixam minha alma contente,
Elas me fazem esquecer de meus sentimentos,
Elas me fazem esquecer a objetividade da vida...
Penso no que vejo, beleza.
Sinto o que vejo aroma...
E tudo isto me agrada.
Obrigado Senhor.
Sentimentos num momento
Senti medo,
Estava com medo de encarar um momento,
Temi e tremi
por me sentir despreparado,
Achei que estava despreparado,
meu medo era de ser desprezado
E fui...
Quando não me deu uma desculpa!
Quando não me justificou.
Tudo bem!
Ficou tudo bem.
Exceto meu sentimento
que mudou
E se sentiu menor,
Este sentimento de fundo,
Este sentido imundo...
Fruto do um ego egoísta.
Tudo bem!
Como destruir o ressentimento?
Como se sentir bem?
Algumas pessoas batem a poeira,
E dão a volta por cima,
Outros não conseguem
e se tornam ressentidos.
E lutam suas vidas inteiras por reconhecimento,
por vitória
que só outro sentimento de fundo...
Os sentimentos frutos de emoções...
A aprendizagem, fruto de sentimentos...
humano demasiadamente humano,
Passou, hoje é outro dia.
Ficou a marca.
mas vou fazer diferente.
A admiração continua, mas menor.
Nunca me esqueço das antinomias,
Dia e noite,
Amor...
Seguir adiante
Em meio as adversidades,
Temos a maturidade e a experiência
Para racionalizar, entender e suportar
O que virá.
Temos a fé,
Temos a educação,
Temos o respeito,
Os resultados são só resultados,
Que podem me abalar ou não
De acordo com o meu sentimento.
A força e a fé nos fazem suportar.
E seguir adiante.
Tudo vai ficar bem
A manhã nasceu cinzenta.
A cidade silenciosa.
Essa calma envolvida em temor.
Após um grande evento,
A gente se sente um pouco
Pálido!
Mas tudo vai ficar bem.
São os nossos humores.
Tantas manhãs já nasceram cinza,
Tantas manhãs faziam silêncio.
Será se tudo isso não se deve
Por está envolvido em nossos pensamentos?
Estamos voltados para dentro?
No jardim, o jasmim tinha várias flores, alvas.
Nem vi se a roseira tinha rosas,
Mas percebi nas espigas da colônia as brácteas vináceas,
E os embriões...
Tudo vai ficar bem.
02/10/26
Tempo, Qualidade e mente
Como um lento crepúsculo,
O tempo se vai...
Na eternidade do agora,
Na imediatez da memória,
O empo se vai...
Vai lento na dor,
E rápido no amor...
Rápido como o murchar de uma erva,
Lento como o nascer da lua...
Rápido como ferro quente,
Lento como água gelada,
Rápido como almíscar,
Lento como o cheiro da flor...
Onde está o fundo de tudo isso?
Na mente,
Em lugar nenhum.
Cigarra cigarrinha
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Gogh