Sassá me falou que está fazendo o duolingo de francês. Pratico com ele meu inglês. Li um livro ontem em portunhol. Rimos muito com essa salada de palavras.
Pensar
Sorria! O riso ilumina a alma e embeleza a vida.
14/05/26
Uma definição de poesia
Busco,
Busco a poesia,
Busco uma definição mesmo que tardia.
A poesia chegou em minha vida de forma musicada,
Depois a poesia de maneira formal,
Foi na escola que primeiro tive contato com a palavra versada,
Uma palavra arquitetada...
Não entendi, quando minha professora de português chorou quando morreu Drummond de Andrade.
Ela estava em outro nível e aquilo me gerou um afeto.
Drummond... Seus versos enriquecendo o português...
A poesia escolar é tão séria.
Nem imaginava que a poesia vivia.
Sim os meus tios fruteiros, os agricultores cultivavam a poesia viva...
Numa festa rica chamada de cantoria...
Como foi escolar, acadêmico e erudito...
Conheci a poesia formal
Sem ouvi a poesia da vida e da viola,
Amada por meu tio do Ceará Lourival,
Amada por tio Michico,
Amada por Nenem de Tia Esterlinda...
Por outras, minha avó materna Sinhá teve escola e me contou
Que declamava poemas na cidade nas festas na cidade de Martins.
Jesus! Vovô uma agricultora!
Quando não se tem idade, pouco se conhece a história.
Então vivi cego sem nunca ter ido a uma cantoria.
Talvez nossa condição de pobreza material,
Não tínhamos dinheiro para dar aos cantadores...
Ah...
Li Neruda e Pessoa!
E hoje, descobri a poesia popular
E estou feliz.
Poesia é a arte de recordar os momentos vividos com alegria.
13/05/26
Ampulheta
Silencioso,
Oculto,
O tempo está ai,
Contando nossa existência.
Desde a concepção...
Como viver o tempo em plenitude.
Talvez uma pergunta sem resposta...
Tempo de avançar,
Tempo de parar...
Máxima de reflexão do rei Salomão,
Santo Agustinho...
Fogo devorado dos nervos dos homens.
Elemento fulcral da existência...
Desnecessário...
Um dos eixos de existência,
Da causalidade...
Tempo... algo que ecoa na gente,
Só existe quanto substrato.
Essas coisas.
Herbário
Selecionei uma tarde para trabalhar no herbário.
O herbário é uma coleção botânica composta de exsicatas.
Trabalhei nos herbários da UFRN, Depois no Herbário SP, em Seguida Herbário da Unicamp, depois no herbário CEN e provavelmente concluirei minha jornada no JPB, aqui da UFPB.
As tarde de quarta-feira veio identificar os materias da coleção. Coleção de plantas da família Fabaceae.
Abecedário poético da floresta
Sassá quis brincar. Pegou um livro de atividades de capa vermelha. Usou o lápis para riscar a linha tracejada e queria que eu fizesse. Não Deu certo. Brincamos de outra coisa. Depois na cama pegou um livro de título "Abecedário poético da floresta. Porque ele pegou aquele livro na estante? Dai ele falou que a professora tinha um igual. Então exploramos as imagens da capa. Ao abrimos o livro caiu na letra M. Mandioca... Ele já sabe o que é porque teve na escola dele um comemoração do dia do Indio... com uma barraca de artesanatos indígenas feito pelos povos originários e eles estavam ali vestidos vendendo. Depois se apresentaram. O projeto na escola foi lindo. Aprenderam sobre uso das plantas para a produção de artefatos como tinta, comida. E a mandioca foi uma palavra que ele aprendeu. Achei interessante. Gosto que ele tenha muita literatura para consultar. Essas coisas como ele costuma dizer.
Urucum em momentos
Um zunido na manhã cinza de chuva,
Despertou doces memórias de nosso quintal...
Bem distante daqui em minha terra natal.
Ouvindo um zunido no mundo mudo,
Vinha do pé de urucum,
Parecia um ronco distante,
De um mercedes 1313 subindo uma serra...
Então, fui ver a fonte sonora...
Vou ali onde ele está olhar,
Vejo beleza materializada
Vejo a beleza perfumada,
Uma árvore toda florada,
Flores cor de rosa,
Flores grande e perfumadas,
Flores pentapetalada,
E várias abelhas grandes e negras,
São os lindos mangangás,
Trabalhando? Namorando?
Não!
Beijando cada flor,
Voando em zigue-zague,
Sobe e desce,
Vai para a direita,
Vai para a esquerda.
Pouzado na flor ele zumbe...
Suas asas a vibrar,
E os estames a bagunçar,
Vai voando de flor em flor,
Sem ver o tempo passar...
Pra lá e pra cá.
De cá pra lá.
Minha alma imediatamente se enche de alegria,
Como o belo nos encanta.
Depois da florada,
O urucum é só silêncio!
Só vou lá para tirar
As cachotinhas equinadas,
Debulhamos as sementinhas
E fazemos urubum...
Para carne frita ficar colorida,
E deliciosa.
Ah!
Depois o mangangá,
Foi zunir no maracujá.
Vive a vida
Vejo a vida nítida,
E me espanta ver a vida.
Quero sentir a vida,
Ver a vida é racional,
Sentir a vida é real...
Algo além de endorfina cerebral.
Vejo a vida pelo olhar da imaginação,
Vejo a vida via experiência...
Vida vivida.
As vezes me perco em tudo isso.
São ilusões da nossa mente,
Ocultando a aspereza da vida.
Coisa de uma mente desperta.
Vive a vida.
Vida que segue
Manhã serenosa e fria,
Pela transparente janela,
Vejo nuvens cinzentas,
Na calçada molhada
Flores alvas de jasmim,
Ixoras encarnadas nos jardins.
Paredes alvas de prédios,
Pombos alvos se coçando.
Aqui dentro sinto,
Um reflexo desse tempo,
Algo em mim fica saudoso,
Algo em mim quer reagir...
A vida que segue...
Uma xícara de café para esquentar as ideias.
Devir e deveio.
Ser assim e ser ai.
É mês de maio,
Mês das mães.
Sem a minha para ouvir.
A vida fica cinza e silenciosa como essa manhã.
A vida que segue.
Vou trabalhar,
Tenho um filho pra criar.
12/05/26
Felicidade
Recebi as imagens da chuva chovendo,
Chuvas enchendo açudes e barreiros,
Terreiros cobertos de ervas.
O milho no roçado pendoando...
A coisa mais linda do mundo
Os açudes cheios e sangrando,
Peixe subindo e desovando.
A mata verde e escura.
A cajaraneira carregada,
A pinha na pinheira rachada,
Feijão maduro na bacia...
A vaga com frio a pastar,
Leite quente com café.
Estou longo de minha terra,
Mas minha alma fica feliz
Só de saber que lá está assim agora...
O fogo esquentando a cozinha...
A comida da janta.
A reunião da família na mesa,
Depois se deitar para esquentar as cobertas...
Tudo é tão bom quando tudo está bem.
Vivi isso e sei o valor da felicidade...
Minha família me ensinou.
Minha é isso.
Chuva trabalhando
A chuva trabalhando o dia inteiro,
Manhã, tarde e noite,
Ora fraca, ora forte,
Quase pára,
Acelera...
O sol nem apareceu.
As aves emplumadas descansam silenciosas.
Sabem que o fruto do trabalho da chuva é delicioso,
As plantas pagam pelo seu trabalho
Chuva.
Pode chuver.
As aves ficam caladas,
São elas quem mais desfrutam das flores e dos frutos.
Chove chuva de maio,
Abriu já partiu...
A chuva trabalha feliz,
Trabalha cantando.
Vai enchendo o lençol freático,
Vai enchendo os rios,
Vai regando as matas...
Vai distribuindo a essência da vida.
E nós que tal fazermos um café.
Poda
Sassá ontem coletou uma folha de palmeira. Disse que era para fazer uma obra de arte.
Depois me viu podando um arbusto e quis podar as ervas. Disse que era para elas crescerem.
Está empolgado com as plantas dele.
A palavra
Uso a palavra como matéria de expressão.
A palavra é o signo que me permite expandir as ideias que as tomei com fé.
A palavra pode expressar o que sinto pela minha terra natal que é o sertão.
E tudo que o preenche,
As formações geológicas, as paisagens,
A vegetação e a flora,
A fauna, a espécie Homus sertanejus
E sua cultura, sua rica cultura,
Singela e rica que permitiu sobreviver ali com o mínimo de recursos.
Somos quase angicos resistindo a seca...
Essas coisas que sinto.
Que amo tanto.
A palavra me faz ir além do espaço e do tempo.
Esta que me permite transpor o meu ser.
Só isso.
Resistência
Os rins faltaram,
Uma nova rotina na vida,
O sol ardente e o calor,
A mata seca e cinzenta,
As cigarras cantando,
Acordar e ter força para viver,
Sair de casa e partir para a clínica.
As curvas e retas da estrada,
As casas ao pé da estrada,
Os serrotes, a depressão,
O gado mago...
A palavra apesar da dor.
Um riso de compaixão...
A chegada a cidade,
A vida sofrida.
Na clínica, a assinatura,
O reencontro,
As histórias,
As pessoas e suas histórias,
Seus lugares,
Suas marcas, suas dores...
As pessoas novas,
As pessoas partidas.
A dor dos dias contados...
Os sofrimentos e a dor,
O fim...
Mamãe viveu tanto esses dias.
Dias de luta.
E no sertão se encantou.
Amada sertaneja.
11/05/26
Jandaia e jandainha
Caminhando no caminho que caminho,
A beira da estrada soa o berro e o ronco dos carros,
Calmas as castanholas habitam ali muitas castanholas,
Bem no meio do caminho,
Uma morreu delas morreu faz tempo,
Só restam o tronco e os ramos secos.
Ali, as jandaias adorou se coçar..,
Jandaias cabeças de mamão,
Grasnam, grasnam e grasnam...
Hoje por acaso vi um casal.
Silenciosas a se coçar...
Jandaia, Jandaia, jandaia...
Jandainha no meu lugar.
Notas do ego
Memórias que marcaram uma parte de minha vida. A estranha descoberta que a vida tem um fim. E o fim da vida é a morte. No velório de um primo Edson deu uma definição de morte como o limite da vida. Pois, foi em Serrinha que vi os primeiros corpos sem vida.
A gente quando descobre uma coisa que não aceitamos ficamos com um dissabor estomacal. Indo a Serrinha para meus primeiros dias de escola, no alvorecer da liberdade descobri a morte. Hoje conheci uma definição menos dolorida... A morte é vida vivida.
Mas a difusora da igreja de nossa senhora da Salete quando tocava essa composição era o anúncio de morte. Uma música que é capaz de em si nos arrancar emoção... Associei a morte. E nunca posso ouvir essa música sem transpor o espaço e o tempo... Pelo menos é a emoção que sinto quando acesso essas memórias.
Será se alguém compartilha a mesma sensação que eu?
Cronologia da professora
O silêncio,
A existência,
O tempo,
O ser e suas memórias.
Uma senhora e suas memórias,
Seus afazeres...
O tempo, as estações contando os anos, as fases da lua marcando os meses.
A infância, a adolescência.
O primeiro amor,
O casamento...
O amor.
A vida nova de casada, os filhos...
Os anos que separam as fases da vida, a velhice dos pais,
Os casamentos dos irmãos,
A nova família.
Os desafios do trabalho...
A alfabetização...
A ideia de expressão a realidade,
A natureza,
Viagens...
O caderno,
A caligrafia,
A expressão e o encanto das palavras.
Os anos, o lugar mapeado na alma,
Os grandes acontecimentos,
Nascimentos,
E perdas...
Um olhar no vazio do mundo.
O tempo vivido,
Cabelos brancos.
O poder e o prazer da expresso e o deveio.
Literatura singela,
Sentimentos vividos e eternizados
Memória expressa...
Nada mais.
Dialética
Os coisas,
Os objetos,
A palavra,
As ideias,
As Representações,
O tempo.
Um signo,
Um significado.
O entendimento,
A expressão.
A relação...
No espaço e no tempo.
O espelho.
O reflexo.
Um sentido,
Uma sequência,
Repetições...
A síntese,
A emoção,
A razão,
A consciência...
Divagação
A luz da tarde começa a esfriar,
Deitado penso no meu entorno,
Olho cada coisa em seu lugar.
Mamão e banana amarelando a maturar,
Um peixe azul no aquário a nadar.
Na parede os quadros descansando
A eternidade de uma cena,
Uma casa azul em algum lugar,
Uma casa vermelha um outro lar...
Duas araras a representar
Uma vermelha e outra azul ali está.
O próximo e o distante,
O mesmo instante ali está...
Acalmo minha mente neste breve pensamento.
Acumular
Acumulo sobre a mesa sem querer,
Mas com desejo de possuir,
Sementes,
Livros,
Frutos,
Canetas frases,
Um ima,
Bicicletas,
Fotografias...
Quando vejo está uma desordem ordenada.
Coisas minhas.
10/05/26
Notas da semente do amor
A vida é uma dádiva.
Felizes os que vivem e conhecem a sabedoria,
Felizes aqueles que sente todas as fazes da vida,
Felizes os que chegam a ter cabelos brancos, abraçarem seus netos.
Estou rompendo a idade adulta.
E com Deus tudo fica mais suave. Os anos vêem me ensinando essas sabedorias.
Quando era menino! Ah, nesta época Deus me deu um lar, pais e irmãos.
Eu sabia que era amado pelos afagos de minha mãe, pelo carinho de meu pai, pelas amizades de meus irmãos.
O mundo refletia em mim bomdade...
Eu sentia felicidade com as coisas mais simples,
Corrida descalço na areia fria,
O cheiro da flor do caju indicando fartura,
O encontro com as frutas maduras no pé,
As goiabeiras, as pinheiras, as cirigueleiras, os coqueiros...
Papai a prover a casa com seu trabalho,
Mamãe na árdua tarefa de educar, de cuidar de cinco filhos...
Além de cuidar e se preocupar com meus avós Zé e Sinhá.
As galinhas no terreiro pondo ovos para mamãe vender e fazer uma arrumação,
Um chinelo, uma roupa para cada um...
O dinheiro era pouco, mas as necessidades também...
O importante é que nunca ficamos um dia sem ter o comer,
A comida era pouca, mas a natureza ajudava...
Aos poucos vida vai se revelando dura... mas meus pais amenizavam com seu cuidado e amor...
A seca de 1993, me revelou a natureza da natureza de nosso lugar...
Bichos morrendo, água reduzida...
Bem antes, em 1986 as coisas ficaram tão difíceis que as pessoas não podiam comprar café...
E a criatividade imperou, café de milho, café de canavalia...
Mas papai não deixava faltar o café que eu gostava...
Papai não tinha medo de trabalhar, tinha confiança comprava em Chico de Pocídio.
Vendia as castanhas a Ítalo de Sales.
Entendíamos tudo, pois ouvíamos papai com mamãe conversar.
Nossa casa baixa de paredes vazadas...
A noite na cama eles conversavam parece que queriam nos ensinar e a gente escutava e entendia.
E veio as escolas, os colegas e as relações sociais... Aos poucos fui perdendo a ingenuidade,
Aos poucos fui perdendo a felicidade...
As chuvas de inverno...
Os verões secos e falta de água,
As plantas e os bichos ficando escasso...
A descoberta da morte...
A perda da ingenuidade me deram medo de viver.
Mas viver é preciso...
O velório de vovó Chico...
Marcou muito em minha vida...
Papai chegou em casa num taxi chevete amarelo chegou em nossa casa numa tarde de chuva.
Ver papai chorando derreteu meu coração... Tive medo da morte. Fui ao seputamento...
Não vi nada. Lembro do cortejo, o carro de conduzir o corpo... o caixão azul de pano.
A dor cravada em meu coração...
Naquele cortejo vi pela primeira vez o açude de Serrinha grande, Vi uma canoa...
Tive profundo medo daquela que separa a vida.
São fazes da vida...
Depois veio a escola... Dona Livani...
Minha segunda professora Dona Lenita,
Minha terceira professora dona Ceição.
Serrinha do Canto,
Serrinha Grande...
O medo de professora Rivete que me ensinou ciências.
O carinho pelo professor Ledimar,
As histórias maravilhosas do professor Chaguinha...
A ciência enervada na educação foi dando cálcio ao meu entendimento...
As enfermidades de minha mãe pobre sempre com dores...
O coração mole de Rosângela minha irmã amada.
A partida de meu irmão que nunca mais voltou a morar conosco.
A falta de apetite de Lidiana.
O retorno pra casa de Meirinha...
Roberto chegando em nossa casa.
A família de Eliene que saio do lado de nossa casa.
Sua mãe dona Eunice tão humana e generosa... a primeira vez que tomei danone foi ela quem trouxe de Natal.
As idas com mamãe onde ela ia.
Estávamos sempre juntos com um caldeirão de ovos indo para Martins.
Indo ao Sampaio, indo ao Sítio de Fora, indo a Alexandria...
A triste partida para a capital uma felicidade imensa e uma infelicidade...
Doeu saber que papai e mamãe choraram muito.
E tudo isso se passou em nossa casa geminada.
A casa e a casa velha...
E tudo aconteceu em Serrinha do Canto...
Ali foi o palco de minha infância.
Ali tive o primeiro alicerce para vida que levo no peito até hoje.
A fé católica, o novo testamento...
O esforço e suas recompensas
E a principal coisa o amor a família
O amor a vida que renasceu de forma abrasadora com o nascimento de meu filho.
Amém.
09/05/26
Memória
08/05/26
Musgos
No dia que coletamos uma samambaia. No mesmo lugar vi musgos e mostrei para ele. Sassá queria levar para casa. Disse então que traria de onde trabalho, pois tinha muito. Então ele ficou antenado e me cobrou duas vezes. Ontem então levei para ele os desejados musgos. Ficou muito feliz quando viu o material. Foi correndo plantar nos jarros da sacada. Fico muito contente pelo seu interesse por plantas. Afinal as plantas saber de plantas paga meu salário.
Recortes do meu ser
No terreiro da minha casa
Tinha pinheira e coqueiro,
Ciriguela e cajueiro...
Cresci vendo a importância da água
Para a produção das frutas maravilhosas.
O coqueiro usava a água do banheiro.
As outras plantas tinham que se virar.
Seca danada, inverno fraco,
Coitadas...
Os cajueiros morreram de sede.
As pinheiras e idosas
E as ciriguelas estão ai para contar história.
Esses seres foram meus amigos,
Confidentes e parceiros.
Deram-me seus frutos...
Deram-me sua beleza,
Deram-me o perfume de suas flores.
Coco com cuzcuz que delicia,
Coco com rapadura.
Caju e pinha docinhos...
Ciriguela verde e vermelhinha...
Estão tão sozinhas
Tadinhas...
A razão de ser as vezes se vai
Com o fim da vida...
Encruzilhada
Martins e serrinha dos Pintos hoje são municípios diferentes. Antes de 1993 Serrinha era um distrito de Martins e Serrinha do Canto pertencia a Martins, agora com a divisão parte de Serrinha do Canto pertence a Martins e a outra parte pertence a Serrinha dos Pintos. Serrinha do Canto Virou Bairro. Ali um povoado que existia e ainda existe é o chamado Parieiro.
O Parieiro era onde estava a primeira igreja de Serrinha do Canto a Igreja Batista. Ali existia e ainda existe uma bifuração, uma encruzilhada que seguindo pela direita chega ao Barro Vermelho, a Grugueia, ao Sampaio e a Serrinha Grande como era chamada a cidade antes; já seguindo pela esquerda ia para Serrinha do Canto, Vertentes e Serrinha Grande.
Naquela encruzilhada havia uma venda... uma budega. A bodega de Laércio Raulino. Sem dúvida ali, foi o palco de diversos acontecimentos importantes, pois era a única venda de Serrinha do Canto. Lugares onde agrupam pessoas são palcos de diferentes eventos.
Na budega se davam vários encontros.
Tinham aqueles que vinha comprar mantimentos, aqueles que passavam para tomar uma cachaça, tinham aqueles que iam conversar com seu Laércio.
Amor eterno
Que saudades de minha mãe.
Faz falta nossas conversas,
Faz falta nossos abraços e cheiros.
Faz falta sua presença orientadora em minha vida.
Faz falta seu cuidado, suas orações e orientações direcionando meus caminhos.
Ah! Mamãe nem tenho ou terei como agradecer por tudo que me deu...
Gerou-me, amou-me...
Sou o que sou por ti.
Iluminda esteja na eternidade.
Te amo mamãe Didi.
Acontece
O desvelar da manhã
Nublada, fria.
Sem vento...
Mata silenciosa.
Choverá?
A luz branca alumia os objetos sobre a mesa.
O rádio inicia a tocar Gimnopédias de Erick Satier.
Uma sensação boa de gratidão
Preenche minha alma.
Aparecer e perceber
Uma vez lá na infância,
Quando morava em Serrinha do Canto,
Papai fez uma faxina para a hora,
Onde plantamos coentro e cebolinha.
Veio o inverno e do lado nasceu uma planta.
Não era qualquer planta era um pé de bucha.
Cresceu rápida e silenciosamente.
Cresceu e se pendurou nas varas da faxina.
Então daqueles ramos verdes
Uma flor grande e amarela apareceu...
E outra e outra... Ai vi pela primeira vez
Uma flor de bucha...
Depois vieram os frutos que usei para fazer bois e vacas.
Enchi meu curralzinho sob a pinheira de vacas.
Mamãe nem se incomodou.
Depois as buchas secaram.
O inverno se foi e usamos as buchas nos banhos.
Foi isso,
07/05/26
Devagando
Algo em mim me faz crer
Que expressar o meu sentimento
Vai me fazer bem,
Talvez alguém por ai sinta o mesmo que sinto.
Vontade de se eternizar.
Será uma alienação da mente...
Tenho me encantado na poesia popular.
Algo muito particular
Que responde meus sentimentos,
Resgata minhas memórias.
Sabe minha terra natal tem duas faces.
Uma é árida a outra é úmida.
Uma é cinza a outra é verde.
Uma é florida,
A outra é vegetativa...
Uma plantas despertas,
Na outra as mesmas plantas estão quiscentes...
E nós estamos ali,
Em ambas as faces...
Avaliando, vivendo, sendo...
Ser eis o milagre da vida,
O ser na existência,
Ou a existência no ser...
A mente no corpo ou o corpo na mente.
A terra molhada é diferente.
Da terra seca...
É a mesma terra?
Serei o mesmo?
Que sei das duas faces?
Não sei...
Mas desconfio de algo.
Atenção
Sassá está com muita energia. Vejo a hora a mãe dele perder as estribeiras. Mas é boa mãe. Pula pela casa, grita, pisa forte e brinca muito. Tem uma imaginação criativa. Está cheio de vontades próprias. Selecionando os alimentos, o que quer fazer... e uma das coisas que mais gosta de fazer e implicar com a mãe. Chega a ser engraçado... dá trabalho para ir tomar banho, escovar os dentes, pentear o cabelo. Nessa idade, não inventamos a roda. Todos os meninos são iguais... dinâmicos, ágeis e divertido... Ontem queria ser o primeiro a chegar na escola. Disse que só Florisberto chega primeiro. Chegamos primeiro, mas como estava neblinando. Não fomos os primeiros a chegar no portão. A vontade não era apenas dele. Logo chegou Rivaldo e Milano e saíram correndo. Ai ai. No salão da escola tome correria e a coordenadora chamando atenção.
Chuva mansa
Chove fininho,
Chove devagarinho,
A mata molhada,
Goteja levemente,
Pingo a pingo escorrendo,
Água na calha escorrendo,
Chiando...
Folhas simples,
Folhas compostas molhadas...
Pingando,
Aumentando a chuva...
O som mudo dos pingos nas folhas...
Esporos espalhados.
Ouço tudo isso.
Pela janela transparente e frio vidro,
Deixa-me ver a chuva mansa...
Na cabeça de um poste,
Pousado e está
Um urubu de cabeça vermelha.
Parece mais confortável
De luz branca...
É bonito de ver a chuva,
E essa bela ave.
Mais nada
Minhas memórias
Tenho memórias guardadas e mim
Que nem mesmo imagino que tenho.
Memórias vividas, vividas.
Memórias de lugares, de acontecimentos,
Memórias que jamais serão despertas.
Algumas coisas são impares na vida.
E o cérebro as guarda no formato de memórias.
Tenho memórias vivas em mim.
Que os lugares,
Que os acontecimentos,
Que as situações me deram...
Estão adormecidas...
Qualquer dia as desperto.
Enquanto estou desperto.
Guardo esta memória de memória.
06/05/26
Emboás e a mente
Emboás são cheio de pernas,
Emboás tem exoesqueleto,
Emboás são lineares.
Emboás são segmentados,
Às vezes bicolores,
Às vezes unicolores.
Emboás tem duas antenas.
Quando enredados,
Os Emboás se envolvem em espiral.
Quando está seca a paisagem,
Emboás se escondem.
Acho que as vezes sou um emboá...
Ou minha mente me tornou um emboá.
Talvez...
Escultura
Ontem Sassá estava muito inspirado e concentrado. Com os isopors de um eletrodomestico que compramos entalhou com seu cinzel um peixe lanterna e um esquilo. Trabalhou com afinco sua escultura. A sala ficou cheia de pedacinhos de isoopor, mas ele responsavelmente, varreu e apanhou com a pá. Ele me pediu ajuda e o ajudei. Foi um momento de concentração plena.
Lua, luz e som
Patativa
A patativa canta sozinha,
Canta acompanhada,
Canta muito esse passarinho,
Tão pequenino, de bico arqueado e fino,
Com sobrancelha, arqueada,
E olhinho redondinho,
Seu papinho bem amarelinho...
De perninhas bem fininhas,
Mas sua voz,
Mas o som que vem do seu peito...
Impõe mesmo respeito,
De beleza e altura...
Não importa sua finura...
Eita passarinho pra cantar...
Encontrando a namorada,
A pinha madura... coisas mais.
05/05/26
Aula licófitas
A aula foi enriquecida com os objetos de estudo.
Selecionei uma cavalinha, uma selaginela, uma samambaia de folha lobada e uma samambaia nefrolepis.
Foi questionado sobre a presença de raiz, caule, folhas e estruturas reprodutivas.
Falou-se sobre tipos de caule, tipos de folhas e de estruturas reprodutivas.
As respostas foram positivas.
Gerou-se várias dúvidas.
Samambaia
04/05/26
Notas do eu
Vou construindo meu mundo.
Somo a subjetividade com a objetividade.
Meu entorno percebido,
Meu entorno absorvido.
Eu me derramo,
Objetivo minhas vontades...
O concreto é a face primeira do ser, da existência.
Essas coisas.
Coisas aleatórias
Sassá ganhou um caderno de Bob good. Ganhou canetas.
Ganhou também um caderno de pintar de dinossauros.
Foi interessante ver o empenho dele para pintar os dinossauros.
Aproximou-se muito das Feras. Na Livraria leitura até quis ganhar um livro de dinos.
Então sexta-feira, feriado e chuvoso ele resolveu pintar os Bobgods dele.
Como estava por perto fui ajudar. Não curtiu muito.
Me deixou pintar os dinossauros, mas os bobs.
Fiz uma sobrancelha em tibrúrsio o urso... Ele falou não papai... Bobgods são bonzinhos não são maus.
Coisas da cabeça dele.
Ontem não me deixou pintar o Bob. Então fui pintar.
Ele foi pinta também e pintou camaleões.
Dai saímos para caminhar. Como prometi um sorvete foi muito ágil... Fomos conversando, mas ele tinha um foto doce no fim.
Digo que Sorvete faz mal. Então ele disse e o que podemos fazer para tirar esse mal. Falei atividade física. Bom após chegamos na Praça do Rapaz e ele correu muito... Disse que era para tirar o mal do sorvete.
Essas coisas como ele diz.
Ciclo das ideias
Uma tempestade de ideias cai na terra.
Grande parte é absorvida pela terra,
E faz germinar e brotar ideias adormecidas.
Quando a terra fica saturada,
Então as ideias seguem os sulcos, como veios
Onde as ideias vão descendo rio abaixo
Em direção ao grande oceano...
Onde tudo começa.
01/05/26
Maio
Maio nasceu fértil,
Nasceu iluminado pela lua cheia,
Nasceu molhado pela chuva matinal,
Nasceu ao som dos grilos no mato florido,
Nasceu enquanto cantava a roxinó, a patativa.
Quando despertei...
Lembrei que maio é o mês das mães.
Senti falta de mamãe.
Porque olhei através da memória
Meu passado,
Lá em Serrinha minha amada terrinha...
Nos maios férteis que vivemos...
A fartura garantida nos dava conforto,
Nos dava felicidade... Salvo que felicidade é se sentir bem, satisfeito com o que se tem para comer,
Esperançoso de coisas boas.
A vaca com cria nova e muito leite,
Feijão verde na panela,
Pinha alvinha e docinha na furna,
Melancia vermelhinha trazida do roçado,
Amarelas e perfumadas cajaranas...
Água na cisterna e nos tanques,
Paisagens verdes pra olhar,
As cores perfumadas das flores,
Flores docinhas como as juremas,
Flores das jitiranas, rosadas, azuladas, amareladas e alvinhas...
A goiabera florida,
As abelhas zunindo nas floras...
Água escorrendo nos riachos e caminhos...
Maio! Que paraíso...
Á noite íamos as novenas ouvirmos os sermões e ladainhas...
Chiquinho de Raimundo mora pregando...
Papai e mamãe nos ensinava com suas fés...
Nós bebíamos a Serrinha...
As primeiras lições com Lenita e Livani...
Meus amigos de infância.
A descoberta de um mundo simples...
Não sabia o que era problema, dinheiro...
Tudo era proporcionar nosso bem estar.
Os confeitos nas bodegas e brinquedos
Era tudo que precisava para a plenitude da felicidade.
Nossos pais... eram mais novos do que sou agora...
E isso chega a dar um nó na garganta com cinco filhos eram maios fortes do que sou.
Maio! Mãe...
Volto ao agora!
Sinto uma saudade doce daquele tempo.
A vida no campo,
O inverno...
A serrinha.
Meus pais.
Tudo que não tenho hoje.
Hoje tenho tudo que desejava,
Melhor do que imaginava...
Uma coisa aconteceu...
Uma coisa excelente... Compreendi a fé dos meus bisavós, avós e pais...
Compreendi que o tempo passa, por experiência...
Tudo que sou começou na crença de meus pais nos ensinado os princípios da ética...
Maio! Maio! Maio...
Mês das flores, mês das mães... de Nossa senhora a flor maior
Que gerou nosso salvador,
Que nos ensinou a nos salvar...
Maio das mimosas...
Da terra molhada...
Da esperança que desperta cada dia nos peitos que pelo mundo bate...
Maio memória de minhas avós, de minha mãe...
Recebo maio com o meu peito florido.
Mais nada.
30/04/26
Forma de aprendizagem
Ontem Sassá ficou muito triste porque não pode levar uma melancia para casa. Fez birra. Na hora, fomos enérgicos. Mas o fato é que sempre levamos melancia. Na hora achei pedagógico. Depois, refleti. Ele sabe o que podemos e não podemos comprar e melancia, sempre compramos. Fiquei com um peso na consciência. Mas Saindo do mercado ele falou, a gente compra amanhã né pai, no Bem mais caro. Concordei e ele aceitou. É muito bom poder dar o que meu filho quer, mas as vezes a gente tem que mostrar que existe um limite. Dizíamos na semana que vem a gente compra e ele argumentava que era "Longe". Meu filho... Como você me fez ser uma pessoa melhor. Como a vida hoje, só faz sentido sem você. Não tenho nada Sassá. Tudo que é meu é seu. Só quero que seja muito feliz. De vez enquanto a gente vai sofrer, mas é uma forma de adaptação, de aprendizagem...
Vida
Filho nosso coração foi dividido,
E em ti somado, num vente vai ser gerado,
Você vai ser o mais amado...
Do ser ao existir, tudo acontece nessa hora,
Em que dois corações aceleram,
Uma semente plantada,
Uma vida fecundada...
Uma potência a ser definida,
Que vai ti ensinar o que é a vida...
Esse intervalo de existência...
29/04/26
Casa e cores
Em 2021 fui ao mercado de artesanato de Tambaú.
Lá vi inúmeras coisas, mas gostei uma toalha com o sol e uma casa amarela do sertão.
Comprei, mas como estava desapegado, presenteamos a mesma para mãe de minha esposa.
Depois comprei mais duas com a mesma imagem. Uma tem a casa azul e outra vermelha.
O seu Marcos de quem adquiri me disse que foi entalhada por seu Dedé, provavelmente seu nome é José.
Outra vez fui ao mercado e seu Marcos falou que seu Dedé não está mais trabalhando.
Por que duas talhas?
Uma é vermelha para mim, o vermelho representa dia, calor, proximidade... Dá para ver melhor os detalhes.
A outra é azul e para mim, o azul representa noite, frio, distância... os detalhes não são tão bem vistos.
Mas as talhas estão aqui representando meu sertão que fica norte da casa.
Instrumento
Uma mão,
Um pensamento,
Uma ação,
Materialização,
Um texto...
A mão expressando um pensamento.
Argumentos,
Contraposição,
Justaposição,
Síntese...
Em algum lugar
Uma poesia sento
Gerada,
Falada...
Coisas da razão.
Super jaguar
Sassá criou um super jaguar. Após falar com ele a respeito de uma sussuarana que foi matada na cidade de Martins. Ele começou a falar de um jaguar enorme. Muito potente. Que foi visto em 1960. Ficou tão empolgado falando deste bicho... É maravilhosa sua mente inventiva.
28/04/26
Tesoura
Ontem Sassá soletrou sozinho a palavra TE-SOU-RA..., conseguiu ainda soletrar outras palavras. Fiquei impressionado e muito satisfeito. A gente vem exercitando a matemática também. Comprei um livro de joguinhos no sábado e ele adora. Tem um dado, fichas e um percurso que avança com o número que sai no dado. Queria muito que eu visse os olhos de camaleões que colocou no aquário de apuleu seu peixe. Olhos de camaleões são conchinhas que encontramos na praia. Parece mesmo. Ele pesquisou sobre o caranguejo heremita e ai chegou as conchas. Lembrou que tínhamos quatro. Enfim hoje vou ver. E assim segue.
A chuva e o tesouro
A noite inteira choveu,
Houve relâmpagos,
Houve trovão...
Muita água escoando pelas ruas.
A casa com infiltração,
A casa com goteira...
Pensei na aflição dos pobres
De casas simples.
Casas frágeis.
Senti uma profunda empatia.
O que para uns é fonte de alegria,
Para outros é fonte de preocupação,
Medo e de dor.
Até mesmo uma chuva
revela os dramas da vida.
Os dramas da vida são assim cotidianos.
Os dramas da vida são diretos, intuitivos.
A vida em si é uma luta com a realidade,
Um choque com afetos e desafetos.
Sai de casa, fui ao quarto,
Meu filho e minha esposa dormiam profundamente.
A chuva não os incomodava.
Dei um beijo e um cheiro na cabeça dos dois,
Pra guardar na minha alma,
Meu maior tesouro...
Gostaria que todos pudessem guardar
Bem seus tesouros...
Chuva não seja cruel com os pobrezinhos,
Vida ajude-os.
Deus fortaleça-os.
Chuva...
Salada de palavras
Sassá me falou que está fazendo o duolingo de francês. Pratico com ele meu inglês. Li um livro ontem em portunhol. Rimos muito com essa sal...
-
As cinzas As cinzas da fogueira de são joão, abrigam calor e brasas, cinzas das chamas que alegram a noite passada. cinzas de uma fogueira f...
-
Campinas, Barão Geraldo. Hoje quando voltava do Bandeco vinha eu perdido em meus pensamentos, meu olhar vagando nas paisagens. Quando num in...
-
Grande Bach. Suas composições nos aproximam do criador. São tão intensas como o mar ou um céu estrelado. Não tem como não se sentir pequeno...
Gogh