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28/10/26

Canto de festa

 As cigarras cantam

Celebrando o sol pleno,

Celebrando o céu azul,

Cigarras amam o calor,

Cigarras amam o verão.

A mata fica tão animada

Que parece uma festa cigarresca.

A gente é que se incomoda com o calor,

A gente não sabe contemplar

O brilho do sol,

O azul do céu,

O canto da cigarra,

O canto do sanhaçu...

As cigarras entendem muito amis de verão,

As cigarras sabem o que é louvor,

Por isso cantam em louvação.

27/10/26

Pantanal e Manuel de Barros

 Era criança quando vi a novela Pantanal.

O pantanal me encantou profundamente,

O pantanal ficou dentro de mim.

Muito tempo depois descobri o pantanal real,

Descobri o pantanal em Carolina,

Descobri o pantanal em Laura,

Descobri o pantanal em Leila...

Descobri o pantanal em leguminosas,

Descobri o pantanal real...

Foi tão rápido viajar no pantanal real.

Depois descobri Manuel de Barros,

O poeta das aves

E me encantei,

E me encanto,

E continuarei me encantando

Com a poesia do nada...

Salve, salve, Salve nação pantanal.

12/10/26

Olhar o tempo através do tempo

 Cabelos alvos, coroa dada pelo tempo,

A experiência de quem viveu,

A experiência de quem sentiu.

Sentiu que tinha que deixar suas ideias em palavras, em versos.

Pega o óculos e coloca na face em frente ao texto impresso não mais escrito, ela lê com a alegria de uma criança que ganhou um embalado de confeito.

Como quem sente a balinha doce derretendo na boca, aquele doce que faz a alma sorrir.

Lê o seu texto e a gente pensa ao ouvir que coisa mais linda.

Como pode?

Sair do seio da caatinga uma coisa tão maravilhosa.

Ao redor tudo é cinza, mas se cultiva um jardim com três-marias e jasmim.

Com os anos a gente aprende a valorizar o que temos, a lutar e transformar a realidade.

A escrita é um alento a quem está começando,

Porque a vida vai seguindo e que escreve acredita e não queria ver sua terra abandonada seria negar sua origem e sua história...

É o que sinto no meio desse universo que estou me encontrando.

30/09/26

Amarelo

 Amarelo cravo,

Amarelo girassol,

Amarelo banana,

Amarelo ovo,

Amarelo óleo 

Amarelo queijo,

Em cada tom 

Um aroma,

Em cada aroma uma memória 

Viva.

16/06/26

José Dantas

 Um domingo ensolarado, acordamos e fomos à Praia de Cabo Branco. Íamos sempre! Amamos praia. Num domingo específico. Estávamos na praia. Cavamos um buraco na areia. Estamos plenos. Sol intenso. Céu azul. Então um senhor vinha vindo e parou para nos cumprimentar. Era um poeta. Era um engenheiro poeta. Era José Massena Dantas. Nas mãos tinha vários livros de cordéis. Conversou bastante. Uma conversa interessante. Então me presenteou com um cordel com mote: Só a chuva faz mudar a paisagem do Sertão. Levei o livro pra casa. Folheei, mas não cheguei a ler. Um dia peguei para ler. Então comecei a ler um texto por dia e a pesquisar pelo poeta que o construiu. Acabei descobrindo um universo do meu sertão que não conhecia de fato. O mundo da poesia popular. Conheci inúmeros nomes. Tudo isso Graças ao presente de José Dantas. Leio... paro. Leio. Paro. E vou desvelando esse universo lindo da poesia popular. Já me tornei fã de todos. Obrigado Zé Dantas.

08/06/26

Eterno momento

 O chão enxombrado,

A erva amarelando.

Sob o cajueiro 

A sombra fria,

Sobre a folha seca

Serpenteia a coral.


Isso foi a tanto tempo atrás.

03/06/26

Sonho

 Um poeta de Serrinha Wedson de Caquinho declamou.


Enquanto, dei um cochilo,

Sonhei que estava no nilo,

Percando cada tilápia

Pensando mais de um quilo.



21/05/26

Silêncio das palavas

 As palavras me permitem uma aproximação aos objetos que nunca terei conexão. Só consigo acessar o espirito o ser assim nunca o ser ai. Assim me aproximo de Pessoa sem me aproximar, me aproximo de Quintana... Tantos trovadores que estiveram aqui. Tantas cantigas cantadas a luz do candieiro ou lamparina. Versos de sabedoria de exaltação a natureza. Alguns sublimes como poema da saudade do Grande Antônio Pereira... Alguém o memorizou... mas só em parte. Que genialidade concentrar uma sabedoria profunda e ordenar as palavras em um texto que define a palavra... As palavras quebram o silêncio em silêncio. As palavras são a alma material do inexistente que foi... Essas coisas.

20/05/26

Quebra do silêncio no silêncio

O silêncio não é apenas ausência de som.
Não se quebra o silêncio apenas com o som,
Se quebra o silêncio com pensamento,
Se quebra o silêncio com a palavra,
Não a palavra falada,
Mas a palavra escrita,
Palavra expressa...
Tem uma potência que nem imaginamos.
Rompe o tempo,
E as vezes o espaço.

18/05/26

Ouça a chuva

 Silêncio!


Psiu


A chuva está cantando.

A chuva está chovendo.

A chuva está chiando.


A água está pingando,

A água está escorrendo.


Que coisa macia,

Que coisa macia,

Na biqueira transborda uma bacia.

Que alegria sente o sertanejo.

Que alegria ouvir o beijo,

Que a chuva dar na terra...


A chuva muda a terra com esse abraço,

A chuva muda a terra,

A chuva inunda a terra.


A chuva desperta a semente,

A chuva desperta os ramos,

A chuva é a chave que muda a paisagem,

A chuva molha minha alma,

A chuva traz me a calma.

Enchendo-me de bonança,

Da potência da esperança,

Ao ato da existência...


Deus! Obrigado 

Por sua presença,

Obrigado por falar comigo 

Pela voz da chuva...

E venha a mim

De novo e de novo e de novo...

Até o meu fim.


E continuará chovendo,

Filhos nascendo,

E agora estou entendendo 

Que tudo que vem 

Vai...

Tudo que é teve um pai...

E uma mãe que é a chuva.

26/04/26

Dia memorável

 Um domingo no passado, estava muito feliz. Meus avós eram velhinhos. Meu tio Raimundo havia vindo de Natal. Estava feliz porque ia ver ele, sua esposa Tereza e seu filho Aquiles. A gente sentia felicidade em conhecer aqueles parentes que não conhecemos. Só o conhecia pelos retratos. Nem lembro de muita coisa. Lembro de uma câmera fotográfica e um carro, acho que era um gol GTI. Lembro da felicidade que estava naquela casa. A casa onde minha mãe cresceu. Era época de inverno. Lembro da alegria de meu avó. Lembro da felicidade dos vizinhos que passavam falando do doutor Teixeira. Zequinha, Antônio de Chiquinho... A dificuldade que vovô passava, Meire ajudando a vovô. Mamãe De Assis feliz conversando com Terezinha. As coisas trancadas no quarto intocável de vovô Sinhá. Então, ali na frente tio fez algumas fotos nossas. E contando histórias...

Contou de uma disputa entre dois cantadores.

Tio tinha uma voz muito forte, orgulhosa e rompante. Falava alto para ser ouvido ou para se mostrar.

Então ele contou que dois cantadores cantaram assun:


A. Eu sou jiquitiranaboia,

Besouro do piauí,

Quando prego meu ferrão,

O sangue começa a cair.


B. Tu não és juiquitiranaboia,

Besouro do piauí,

Tu és um rola-bosta qualquer

Besouro besta daqui...


Rimos muito e aquele dia foi memorável.

22/04/26

A poeta do Sítio Bravo

Era um fim de manhã do dia 21 de abril de 2026 quando fomos a casa da poetisa Ritinha de Macedo. O lugar era no sítio Bravo, distrito de Boa Vista na Paraíba. Chegamos a casa amarela com área na frente e para o nascente. Paramos o carro sob um enorme algaroba. Saímos em direção a casa quando dois lindos cachorros vieram nos receber aos latidos. Era uma cachorra com listras de tigre pretas e pelo vermelho e um cachorro malhado de laranja com alvo. A poetisa se preparava arrumando as cadeiras. No nascente entre o curral e uma roça de palma crescia uma Bougainville, mais atrás uma enorme baraúna embelezava a paisagem. Levava o livro na mão um exemplar de seu livro. Logo atrás vinha minha esposa Dayane e Vinícius meu filho. Fomos muito bem recebidos. Meu filho foi brincar com sua neta Ana Alice e nós fomos palestrar. Saber como surgiu a construção do livro, da biografia e das maravilhosas histórias. Todas passadas ali entre Boa Vista e Cabaceiras.

A infância com os nove irmãos e o pai. As brincadeiras de disputa de queda. A alfabetização, o tornar-se professora. O amor pelo ensino. O trabalho. O namoro e o casamento. A lida de casa, do trabalho e dos filhos. As secas e os invernos. O brilho de plenitude e felicidade estava estampada no seu rosto. Com pouco chega seu Armando, e Clarice sua filha e a conversa ganha fôlego e logo termina pelo avançar do tempo. A hora do almoço chegou e nem vimos. A vontade era de se estender, mas a fome falou mais alto. Tivemos que concluir. Ganhei a assinatura do livro, guardei doces lembranças desta merorável manhã.

Tudo estava verde, choveu bastante. Quase sempre ali é tudo cinza excepto o amarelo da casa, o verde da baraúna é o dourado delicioso dos textos da poetiza Maria Rita de Macedo Araújo.




Ao ler o seu texto me chamou atenção para a consciência de ser escritora. A consciência de que escreve seus leitores.

Ao fim senti o cheiro alvo do jasmim de laranjeira que ali floria.... Vi naquela mãe a mãe feliz e realizada com livro publicado e material para o segundo livro. É isso.

Onde está a beleza

 A beleza não é embelezada,

A beleza mesmo é sentida,
A beleza é uma coisa da vida,
A beleza natural é amada...
Só precisa contemplação
E ali vai encontrar a centelha divina.

Sensação no amanhecer do cariri

 A pálida luz fria da manhã,

A brisa fresca e perfumada,

O cantar da passarada.
Todos os dias intermitente,
Eternamente...
Um dia despertei,
Desde então me encantei,
E me encanto com o canto
Da madrugada, da passarada.
Da Alvorada...
Matutando e me perguntando...
Terá o mesmo gosto pela natureza
Esse gado?

Chão de cimento

 Chão frio de cimento,

Eis um grande invento,
No calor do sertão bruto,
Um refresco pro matuto.
As linhas de xadrez,
Cor de xadrez...
Minha mente se fez,
O que é o xadrez?
Tinta xadrez,
Um conjunto de quadrado,
Pedrez.
Preto e branco, branco e preto.
Vinho e branco branco e vinho...
Que é tudo isso?
Só um reboliço.
Mais nada.

Singela planta

 Na areia do riacho,

Uma semente germinou,
Resistiu à seca, ao calor
E ao tempo
E quando o tempo mudou,
Quando a nuvem chorou,
A água despertou os olhos
Dos ramos e a cena mudou,
Pois a planta era uma Senna,
E logo ela agradeceu,
E o mundo mais belo ficou,
Com o dourado da luz do sol
Suas pétalas ela ornou.

Curvas do tempo

 Tempo

Os currais do tempo dos nossos avós, do tempo dos nossos pais.
Os currais são tão iguais.
Boi, vaca, esterco e estaca.

O cheiro, a textura do pelo do boi
E da vaca.
A carícia áspera da língua do gado.

A escova e se abanar.
A respiração profunda...

O olhar generoso...
Chifres e cascos queratinoso.

Os olhos espelhos convexos e negros.

O ubre e os quatro peitos,
Esse mananciais fonte de vida.

O gado é amizade, é parceria,
É alegria, é fonte de alimento e é vida.

Não é boi ou vaca é leon, é baronesa, é mimosa, é careta...

Quem sabe sente...

Vozes da mata

 A mata não fala,

A mata não canta,

Mas a mata encanta,

E a mata é perfumada,

Oras inerme, ora armada.


Na mata mora 

Os grandes trovadores...

A bicharada empenada,


Que canta e canta de graça,

Não é uma graça...


As vozes da mata

São de tanta beleza,

Em ordem de cores,

Em ordem de sons,

Em ordem de alma

Que a gente fica encantado...

Sinfonia sertaneja

 Despertei de madrugada,

Ao cantar da passarada.

Meu peito bateu desperto,

Ao despertador divino,

Natural e perfeito...

Só Deus fez o mundo desse jeito...

Na baraúna canta o galo de campina,

No fio canta o canarinho,

Na cajaraneira canta o corrupião,

Na goiabeira o xexéu-de bananeira.


Que beleza é o despertar da natureza...

Na algaroba fez o ninho,

E agora de lá a cantar, 

De gibão e penacho,

Canta a casaca-de-couro macho.


Gritou pra avisar,

Que no chão ali está,

A coruja buraqueira.


O galo do chiqueiro em alerta,

Cantou o seu canto falcado.

Ou meu Deus abençoado,

Como é bom aqui estar,

Poder ouvir e decifrar quem vos canta e encanta...


O sanhaçu na pinheira, cantou,

O seu despertar...


Na estrada de terra fria canta a siriema...


Oh meu Deus que coisa linda,

Quanta alegria divina.


Não posso deixar de falar que agora despertou o sabiá...


... Sinfonia do sertão...


O canarinho cantou,

Galo de campina despertou,

O currupiu se juntou, 

Teteu na campina gritou,

O xexéu de bananeira, sanhaçu e sabiá...

A andorinha, a casaca de couro 

Canta lindo em estouro...

18/04/26

Flores

 Amarela, vermelha e branca.

Uma chanana, uma ixora e um jasmim.

Uma erva, um arbusto e uma árvore.

Dispostas vejo através de minha janela.

Flores numerosas.

Flores radiadas.

Flores que florescem porque florescem.

Eu as uno nestes versos.

As abelhas quiçá 

Podem mais que eu.

A existência é em si...

Nós criamos, unimos e o fazemos...

Para se eternizar de qualquer forma.

Para preencher o vazio de nossa existência...

As flores só dão um tom...

Meu amigo jasmim,

Minha amiga ixora 

E agora a chanana.

Mais nada.

Dormir na eternidade

 Certo dia comentei com um primo meu a despeito de grandes árvores que ocorre em nossa cidade natal Martins. Meu primo tem uma memória muito...

Gogh

Gogh