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26/04/26

Dia memorável

 Um domingo no passado, estava muito feliz. Meus avós eram velhinhos. Meu tio Raimundo havia vindo de Natal. Estava feliz porque ia ver ele, sua esposa Tereza e seu filho Aquiles. A gente sentia felicidade em conhecer aqueles parentes que não conhecemos. Só o conhecia pelos retratos. Nem lembro de muita coisa. Lembro de uma câmera fotográfica e um carro, acho que era um gol GTI. Lembro da felicidade que estava naquela casa. A casa onde minha mãe cresceu. Era época de inverno. Lembro da alegria de meu avó. Lembro da felicidade dos vizinhos que passavam falando do doutor Teixeira. Zequinha, Antônio de Chiquinho... A dificuldade que vovô passava, Meire ajudando a vovô. Mamãe De Assis feliz conversando com Terezinha. As coisas trancadas no quarto intocável de vovô Sinhá. Então, ali na frente tio fez algumas fotos nossas. E contando histórias...

Contou de uma disputa entre dois cantadores.

Tio tinha uma voz muito forte, orgulhosa e rompante. Falava alto para ser ouvido ou para se mostrar.

Então ele contou que dois cantadores cantaram assun:


A. Eu sou jiquitiranaboia,

Besouro do piauí,

Quando prego meu ferrão,

O sangue começa a cair.


B. Tu não és juiquitiranaboia,

Besouro do piauí,

Tu és um rola-bosta qualquer

Besouro besta daqui...


Rimos muito e aquele dia foi memorável.

22/04/26

A poeta do Sítio Bravo

Era um fim de manhã do dia 21 de abril de 2026 quando fomos a casa da poetisa Ritinha de Macedo. O lugar era no sítio Bravo, distrito de Boa Vista na Paraíba. Chegamos a casa amarela com área na frente e para o nascente. Paramos o carro sob um enorme algaroba. Saímos em direção a casa quando dois lindos cachorros vieram nos receber aos latidos. Era uma cachorra com listras de tigre pretas e pelo vermelho e um cachorro malhado de laranja com alvo. A poetisa se preparava arrumando as cadeiras. No nascente entre o curral e uma roça de palma crescia uma Bougainville, mais atrás uma enorme baraúna embelezava a paisagem. Levava o livro na mão um exemplar de seu livro. Logo atrás vinha minha esposa Dayane e Vinícius meu filho. Fomos muito bem recebidos. Meu filho foi brincar com sua neta Ana Alice e nós fomos palestrar. Saber como surgiu a construção do livro, da biografia e das maravilhosas histórias. Todas passadas ali entre Boa Vista e Cabaceiras.

A infância com os nove irmãos e o pai. As brincadeiras de disputa de queda. A alfabetização, o tornar-se professora. O amor pelo ensino. O trabalho. O namoro e o casamento. A lida de casa, do trabalho e dos filhos. As secas e os invernos. O brilho de plenitude e felicidade estava estampada no seu rosto. Com pouco chega seu Armando, e Clarice sua filha e a conversa ganha fôlego e logo termina pelo avançar do tempo. A hora do almoço chegou e nem vimos. A vontade era de se estender, mas a fome falou mais alto. Tivemos que concluir. Ganhei a assinatura do livro, guardei doces lembranças desta merorável manhã.

Tudo estava verde, choveu bastante. Quase sempre ali é tudo cinza excepto o amarelo da casa, o verde da baraúna é o dourado delicioso dos textos da poetiza Maria Rita de Macedo Araújo.




Ao ler o seu texto me chamou atenção para a consciência de ser escritora. A consciência de que escreve seus leitores.

Ao fim senti o cheiro alvo do jasmim de laranjeira que ali floria.... Vi naquela mãe a mãe feliz e realizada com livro publicado e material para o segundo livro. É isso.

Onde está a beleza

 A beleza não é embelezada,

A beleza mesmo é sentida,
A beleza é uma coisa da vida,
A beleza natural é amada...
Só precisa contemplação
E ali vai encontrar a centelha divina.

Sensação no amanhecer do cariri

 A pálida luz fria da manhã,

A brisa fresca e perfumada,

O cantar da passarada.
Todos os dias intermitente,
Eternamente...
Um dia despertei,
Desde então me encantei,
E me encanto com o canto
Da madrugada, da passarada.
Da Alvorada...
Matutando e me perguntando...
Terá o mesmo gosto pela natureza
Esse gado?

Chão de cimento

 Chão frio de cimento,

Eis um grande invento,
No calor do sertão bruto,
Um refresco pro matuto.
As linhas de xadrez,
Cor de xadrez...
Minha mente se fez,
O que é o xadrez?
Tinta xadrez,
Um conjunto de quadrado,
Pedrez.
Preto e branco, branco e preto.
Vinho e branco branco e vinho...
Que é tudo isso?
Só um reboliço.
Mais nada.

Singela planta

 Na areia do riacho,

Uma semente germinou,
Resistiu à seca, ao calor
E ao tempo
E quando o tempo mudou,
Quando a nuvem chorou,
A água despertou os olhos
Dos ramos e a cena mudou,
Pois a planta era uma Senna,
E logo ela agradeceu,
E o mundo mais belo ficou,
Com o dourado da luz do sol
Suas pétalas ela ornou.

Curvas do tempo

 Tempo

Os currais do tempo dos nossos avós, do tempo dos nossos pais.
Os currais são tão iguais.
Boi, vaca, esterco e estaca.

O cheiro, a textura do pelo do boi
E da vaca.
A carícia áspera da língua do gado.

A escova e se abanar.
A respiração profunda...

O olhar generoso...
Chifres e cascos queratinoso.

Os olhos espelhos convexos e negros.

O ubre e os quatro peitos,
Esse mananciais fonte de vida.

O gado é amizade, é parceria,
É alegria, é fonte de alimento e é vida.

Não é boi ou vaca é leon, é baronesa, é mimosa, é careta...

Quem sabe sente...

Vozes da mata

 A mata não fala,

A mata não canta,

Mas a mata encanta,

E a mata é perfumada,

Oras inerme, ora armada.


Na mata mora 

Os grandes trovadores...

A bicharada empenada,


Que canta e canta de graça,

Não é uma graça...


As vozes da mata

São de tanta beleza,

Em ordem de cores,

Em ordem de sons,

Em ordem de alma

Que a gente fica encantado...

Sinfonia sertaneja

 Despertei de madrugada,

Ao cantar da passarada.

Meu peito bateu desperto,

Ao despertador divino,

Natural e perfeito...

Só Deus fez o mundo desse jeito...

Na baraúna canta o galo de campina,

No fio canta o canarinho,

Na cajaraneira canta o corrupião,

Na goiabeira o xexéu-de bananeira.


Que beleza é o despertar da natureza...

Na algaroba fez o ninho,

E agora de lá a cantar, 

De gibão e penacho,

Canta a casaca-de-couro macho.


Gritou pra avisar,

Que no chão ali está,

A coruja buraqueira.


O galo do chiqueiro em alerta,

Cantou o seu canto falcado.

Ou meu Deus abençoado,

Como é bom aqui estar,

Poder ouvir e decifrar quem vos canta e encanta...


O sanhaçu na pinheira, cantou,

O seu despertar...


Na estrada de terra fria canta a siriema...


Oh meu Deus que coisa linda,

Quanta alegria divina.


Não posso deixar de falar que agora despertou o sabiá...


... Sinfonia do sertão...


O canarinho cantou,

Galo de campina despertou,

O currupiu se juntou, 

Teteu na campina gritou,

O xexéu de bananeira, sanhaçu e sabiá...

A andorinha, a casaca de couro 

Canta lindo em estouro...

18/04/26

Flores

 Amarela, vermelha e branca.

Uma chanana, uma ixora e um jasmim.

Uma erva, um arbusto e uma árvore.

Dispostas vejo através de minha janela.

Flores numerosas.

Flores radiadas.

Flores que florescem porque florescem.

Eu as uno nestes versos.

As abelhas quiçá 

Podem mais que eu.

A existência é em si...

Nós criamos, unimos e o fazemos...

Para se eternizar de qualquer forma.

Para preencher o vazio de nossa existência...

As flores só dão um tom...

Meu amigo jasmim,

Minha amiga ixora 

E agora a chanana.

Mais nada.

17/04/26

Canção do sabiá

 A esta hora da manhã,

Pousou na ali aroeira,

E começou a cantar,

Que linda canção

Que linda canção Sabiá,

Mestre exímio em cantar,


Parei tudo só para escutar,

A beleza do canto do sabiá...

Canta sabiá canta sabiá.


Queria saber quem te ensinou a cantar,

Queria saber quem compôs esta canção?

Canta lindo sabiá...

E enche e preenche meus momentos

De paz, e de beleza.


Pois tu és parte da natureza,

Seu canto é de beleza,

Seu canto é de alegria,

Seu canto dá sentido a esta poesia.


Depois o tempo se vai...

E este momento eterno momento...

Tu me fez guardar no coração.

Mais nada

15/04/26

Sabe lá

 A gente se sente feliz, sem saber porque,

 basta ser sertanejo e ver que vai chover,

 E perceber que o inverno vai pegar. 

A gente se sente feliz sem saber.

 Chuva é sinal de água, de trabalho e de fartura... 

O sertanejo ama tudo isso e nem sabe donde veio esse amor. 

São neurônios especulares... É sua raiz de existência? 

Aprendeu que chuva é abundância... Chuva é esperança... 

Ouvir a bica bicando a gotejar,

 perceber na cara de quem a gente ama e respeita um sorrido dali brotar...

 uma oração a debulhar, um café a tomar. 

O clarão do relâmpago, na noite escura,

O estalido do trovão... 

Perceber que da cinza ergue verde,

do seco o molhado, do sol o nublado...

 Esperança... 

Deste peito de criança que cresce e nunca cresce, 

porque ama sua terra... 

E não entendo o crescer.

invernada pegada, 

feijão florido, milho pendoando, 

o cheiro da rama do marmeleiro,

 um porco feliz no chiqueiro,

 o cheiro da esperança...

Guardando a boa lembrança.

As noites escuras e molhadas 

a  revoada da insetada, cururus gordos, se fartando de bichos... 

A melancia partida na roça, 

o leite alvo levado na carroça,

 o carão cantando no banhado... 

Meu Deus quero morrer nordestino, sim esse é meu destino... 

E quando tudo passar, o corpo estiver velhinho

 e ainda assim ama e tem esperança na chuva, na bonança... 

Depois deitar e dormir neste chão... 

Esse é nosso lindo destino. Crescer de um menino... do alfa ao ômega.


Ao meu amigo sertanejo Silvano Araújo

14/04/26

Florada do mufumbo

 O mufumbo floresceu

Perfumando estradas 

E veredas.

Voa apressado o cavalo do cão,

Não quer perder uma gota de néctar.


O riacho lá em baixo,

Está escorrendo de lado a lado,

Água azulzinha.


O cheiro doce as flores de mufumbo,

Enfeitou tanto o mundo,

Meu Deus.

Que pena que o inverno dura tão pouco.


Com o inverno as coisas são mais bonitas.


Sinto no fundo da minha alma.

A beleza é alegria.


Sabe!

Com a água da chuva do inverno...

A vida acorda...

Acorda da sementes até o embuá.

Acorda os ramos secos da mata.


E a vida se enche de graça,

Aparece folha, flor e lagarta.

Á água caindo do céu,

O cheiro da vida...


O tremor do trovão,

Enche o coração de alegria...


De cinza perde o tom do tronco da catingueira,

Amarelas flores brotam,

A água do riacho escorre cantando.


O zunido da abelha é doce como o  mel que ela esconde...

Um dia vou me encantar

Que seja lá na caatinga,

No sertão...

Não sei de onde vi,

Mas tenho certeza que se morrer,

E se pudesse reviver...

Queria poder viver eternamente nordestino.


Só pra poder cheirar a florada do mufumbo...

O cheiro do sabão na água de chuva,

Lavando a coberta dormida.

Como é boa a vida.

27/03/26

Desvelar a poesia

 Aprendendo um pouco sobre literatura popular.

Observando a técnica dos escritores.

Juntei alguns livrinhos de cordel para entender um pouco.

O que separa um cordel de um livro de poesia?

Cordel não é poesia?

Neruda, Drummond, Pessoa escreveram poesia.

Ferreira Gular.

Pinto do Monteiro,

Patativa do Assaré,

Louro e Otacilio Batista...

Valdir Telez,

Ivanildo Vila nova.

26/03/26

Us nos animais e plantas

 A noite a murucututu

Voou e pousou no jucurutu quase se furou.

Então cantou

Muru-cu-tutu.


Veio o timbu e a espantou

Ela voou e pousou no mulungu 

Cantou novamente 

Muru-cu-tutu


Veio o caburé e dali a enxotou


Então ela voou 

E pousou no cumaru 

Então ela cantou

Muru-cu-tutu

Então o bando de jacu pois ela pra voar.


Então ela voou e pousou na jurubeba ela então cantou muru cututu...

Então viu um cururu se assustou e voou 


Pousando num pé de caju.


O caburé não gostou e de lá a expulsou


Incomodada foi para a aroeira...

Então viu no chão se rastejando 

A surucucu vermelha e preta.

Cantou novamente 

Muru-cu-tutu...


Então voou até a beira mar,

Quando viu um pescador da rede tirar

Uma perigosa murucutuca.

Dai encontrou uma fêmea...

Se calou e a contemplou.


De longe a espreita estava o urubu...

E na cabeça da estaca o urutau via tudo e fingia nada ver.


Sabe quem estava bem ali o Curucuturi...

21/03/26

Vinca amada

 Nas vincas encontro toda beleza.

Na parte está o todo.

Vincas que veio de longe,

Assim como viemos de longe,

E que nasce nos quintais das casas simples,

E agradece a pouca água,

Devolvendo flores estreladas,

Estrelas pentagramas,

Flores pentâmeras...

Flores com cinco delicadas pétalas,

Estrelas de arestas invertidas.

No centro um círculo perfeito,

Uma garganta estreita.

De cores variadas,

Rosadas,

Brancas,

Vermelhas,

Rosas,

Roxas,

Salmão...

Vinca...


Em minha mente gravada,

Em minha existência marcada...

Memória dos terreiros de minha casa,

Memória sonora das passadas descompassadas do meu pai,

O arrastar da chinela,

O peso molhado do balde,

A divisão da água...

Papai e as vincas,

Eu e as vincas...

A cada uma agradava,

Um copo de água...

Nunca faltou.

Essa ligação entre mim e papai,

Não será termina enquanto uma vinca florescer.

Em qualquer lugar.

E elas estão em tantos lugares.

E amo a existência por isso, também.

18/03/26

Flor do baobá

 Uma flor bem grande,

Uma flor bem branca,

Seu pedicelo é bem longo,

Suas pétalas bem carnosas,

Suas sépalas são assimétricas,

Seus estames numerosos,

Que andróforo enorme,

Tem um cheirinho de manteiga,

Tem muito néctar...

Branca como pipoca,

Parece sorrir,

Cheira a queijo de coalho assado...

Foi essa minha primeira vista e minha primeira impressão

Da flor do baobá.

16/03/26

João Paraibano

 Ontem assisti a uma entrevista de João Paribano. Foi uma excelente entrevista. Tanto os entrevistadores quanto o entrevistado trouxe novas informações, pessoas e sobre poesia de viola. João de Princesa Isabel. Com uma voz muito peculiar e com versos voltados para a natureza. 

28/02/22

A alegria dos "Us"

Na serra de jucurutu
Tem um pé de mulungu,
Tem um pé de cumaru,
Tem um pé de caju.

Sob o mulungu 
Nasceu uma umburana,
E também uma jitirana.

De tarde o mulungu,
Fica cheio de urubu,
Às vezes, tem juru
Às vezes, tem  jacu...

Outro dia mesmo
Vi uma coruja murucututu,
Ouvi falar na surucucu,
Sim na mata atântica,

Lá no pantanal tem o jaburu...
Tanto u


Forma de aprendizagem

 Ontem Sassá ficou muito triste porque não pode levar uma melancia para casa. Fez birra. Na hora, fomos enérgicos. Mas o fato é que sempre l...

Gogh

Gogh