A noite de hoje caiu totalmente diferente de ontem. Fresca, nublada e suave. O chão enxombrado, as folhas molhadas, o aroma de chuva...
E a sensação que sinto é de esperança e aconchego e paz.
A concepção de mundo é subjetiva, sendo a experiência sua fonte capital. O mundo é representação. Então, não basta entender o processo aparentemente linear impressão, percepção e o entendimento das figuras da consciência. É preciso viver, agir e por vezes refletir e assim conhecer ao mundo e principalmente a si mesmo. Aprender a pensar!
A noite de hoje caiu totalmente diferente de ontem. Fresca, nublada e suave. O chão enxombrado, as folhas molhadas, o aroma de chuva...
E a sensação que sinto é de esperança e aconchego e paz.
No ápice da seca, numa tarde de dezembro, depois do dia nascer nublado, uma neblina começou a se precipitar. O som dos primeiros pingos no telhado, o cheiro da água molhando a terra a sensação de frescor na pele.
A gente sente a intensidade da vida, a esperança, a plenitude e a felicidade da existência.
Vinícius feliz dentro dos cinco anos perdendo a ingenuidade do não saber ler.
Essas coisas plenas.
Numa manhã tudo terá passado.
E o sentido terá terminado.
Em uma manhã o que se mostrou,
Já não existe.
E nós que seremos?
Ver tantas vezes esse movimento.
Não dá para entender que tudo está mudando.
Tudo é devir.
Cedo ou tarde chega-se ao fim.
Não se percebeu o início,
Mas estava lá a se dividir
Mas estava lá a se multiplicar,
Da gema, cresceu um botão...
Por dias a se preparar,
Cresceu sem parar.
Um dia do nada,
A flor desabrochou,
Numa antese triunfal,
O botão se fez flor,
A flor negou o botão,
Em plenitude de beleza,
Pétalas encarnadas,
Pétalas perfumadas,
Pétalas macias,
Com os olhos devorava a beleza,
Com o nariz devorava a beleza,
Com os dedos devorava a beleza,
Foi só um dia de plenitude,
Apenas um dia de existência,
A rosa logo desapareceu,
Enquanto outros botões
Geravam as rosas,
Então! vale a pena plantar,
Vale a pena cultivar,
A existência é um fenômeno.
Minha vida mudou tanto quando passei para o ensino médio. Fui estudar a noite em Martins no Joaquim Inácio. Tive excelentes professores.
Um deles era uma professora, Oneide. Minha professora de português. Não tive dificuldade com ortografia, tive e tenho com a sintaxe. Enfim, adorava as aulas com os textos e suas análises. Gostava de escrever no caderno e ver ela escrevendo no quadro. Ela tinha cabelo curto, uma voz pensativa e gostosa de se ouvir. Havia uma áurea de experiência e amor pelo ensino. Um texto maravilhoso e marcante que nos passou foi o texto rua dos cata-ventos de Mário Quintana...
Nas tarde fagueiras, na minha cadeira de balanço, no corredor da biqueira, li e reli tantas vezes, as rimas, os sentidos e a solidão.
Aquele texto marcou para sempre na minha vida. Procurava e não encontrava e nem sabia que rua dos cata-ventos é um livro com 17 sonetos. E que o soneto que conheci foi o soneto II. Recente comprei um livro de poemas de Mário Quintana e descobri essas informações.
Estou descobrindo a genialidade ou a sensibilidade daquele maravilhoso poeta. Estou concomitantemente lendo o DNA do nordeste do poeta Lino e um livro de poemas e imagens de Wandenberg Medeiros. Já li Neruda, mas faz tempo que não leio.
Recentemente conheci a poesia de Waldir Teles... E conheci pessoalmente a poetisa Lizbethe Oliveira e converso sempre com o poeta Anacleto!
Em meio a este universo concreto e abstrato vou tentando dar alguma matéria para meu espírito construir alguma coisa.
Acho que em meio a estes busco temas que sejam universais.
Descobri ou redescobri o poeta de nossa cidade Martins Eliseu Ventania, que foi um grande cancioneiro...
E falar o que de Patativa do Assaré?
E falar o que de Borges?
O que afinal forja um poeta!?
Que falar de Drummond?
Manuel Bandeira?
Tiago de Melo?
Manuel Bandeira?
João Paraibano?
Pinto de Monteiro?
Estou apenas descobrindo...
Uma vida não seria suficiente...
E o grande Leonardo Bastião?
E Padeiro?
...
Salvo o absoluto...
E entender que tudo foi gerado numa aula de português?
Numa mente jovem com vontade de vencer.
Numa mente que acreditou numa ideia.
Que a palavra tem poder de mudar o ser.
Mestre Oneide!
As suas aulas me encantaram mesmo sendo pura abstração...
Mario Quinta naquele poema me fez viajar e agora terminado esse universo.
O sol acendeu a manhã.
O vento afaga a manhã.
As aves cantam para a manhã.
O silêncio,
A palavra,
A contemplação.
Que fazer com tudo isto?
O sol aquece a manhã,
O vento refrigera a manhã,
As aves sentem o sol,
As aves sentem o vento,
Ora calam,
Ora cantam.
Eu que não faço nada
Apenas sou.
Apenas estou sendo,
Quando tu leres pode ser que ainda seja ou não.
Atemporal é eterna é a manhã.
A realidade é percebida,
Com o tempo a realidade é sentida.
Nosso juízo está pautado no concreto.
Mas tem seu hatitate no abstrato.
As impressões me chegam
E começo a perceber,
E a conhecer aquilo...
A experiência me envolve no mundo,
A experiencia me faz pensar num eu.
E o que é o eu na realidade.
Conhecimento de si.
Autoconsciência.
É fim de tarde,
O sol já se pôs,
E lentamente tudo perde as cores,
Tudo vai desaparecendo,
Verde escuro,
Rosa escuro,
A sutileza das formas
Perdem os contornos.
Finalmente a natureza se recolhe,
Os pássaros calam,
Tudo está perdendo o movimento,
Já é a hora do ocaso,
Onde o breu toma conta da natureza.
O silêncio estático é quebrado,
Pelo sopro do vento,
Que agita as folhas das árvores.
A luz cada vez mais pálida se vai.
O dia se entrega pra noite,
Aqui em Uberlândia.
19:40 11-12-10
Sassá ama Serrinha minha terra Natal. Aqui têm plantas, animais, espaços, livros, brinquedos, tia Li. Aqui tem o papai e a mamãe e a infânc...