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29/03/26

Diferentes percepções

 Hoje acordei com vontade de sentir

a maciez da terra molhada, 

o cheiro da flor de mufumbo..


Tive uma vontade danada

De encher a vista 

Da mata verde,

E do milho crescendo,

Na roça bem alinhada,

Do roxo do feijão florescendo

E cobrindo o chão.


Sabe aquela vontade de sentir o frescor da manhã,

Ver o azul das flor de gitirana,

Das flores de bomba d'água.


Ver o amarelo das flores de mandubim e de camará,

Da flores de canafístula.


Ver o branco das flores de mororó,

Da tenda de flor de gitirana de mocó,


Hoje acordei querendo sentir o cheiro de maravalha de marmeleiro,

Estalando e fervendo a água do café,

A goma sendo molhada,

A tapioca sendo assada...


Hoje só queria ouvir mamãe,

 papai e tio João na cozinha,

falando do sertão,

Outro dia,

Tio Aldo falando do Porção.

Outro dia de João de Licor,

Tinha um que de alegria nesses encontros,

Que me fazia se sentir bem o dia inteiro,


Essas vontades, vivem vivas em mim,

Na fé que estão todos bem,

Que sigo bem,

E as percepções são eternas,

Só as histórias diferentes.

Depois a vida continua como sempre,


Mas a memória meu amigo é minha raíz, meu entendimento é minha direção.


Bom dia.

Um novo amanhã

 No final do inverso uma área foi desmatada,

na seca a broca foi queimada,

Ficou cinzenta e ficou escura,

A cinza pelo vento foi levada.


Tanto suor, tanto esforço,

Acordado desde a madrugada,

Ao raia da barra vermelha,

A foice amolada, o maravalha queimada,

A água fervida, o café cozido,

No saco coado...

O cheiro preencheu a cozinha de taipa,

E acendeu na alva aquela desejo do doce cozido do acúcar...

A garrafa amarronzada de uso.


Um pensamento no trabalho,

É aceso na mente,

Como brasa acesa pelo vento que passa,

Um pensamento na vida...

Pensa nos filhos,

Pensa no gado,

Pensa no ano que começa,

Pensa na mãe...

Então as galinhas

aparecem animadas no terreiro,

O porco berra no chiqueiro,


O terreiro alvo de terra varrida,

O cheiro do marmeleiro,

O cheiro da catingueira,

A escura sombra do joaezeiro,

No branco campo no sul,

O peru estufa o peito e dá um glugluglu...


Sua sinhazinha, companheira já desperta,

Arruma o café preto,

A tapioca alva e fria,

Exala um gostoso cheiro 

Quando é deitada na fregideira quente,

A bolacha redonda e seca,

A alva e fria coalhada,

O reco-reco doce da rapadura

Sendo raspada,

A alva coalhada no prato deitada,

A doce marrom raspadura rapada,

Agitada em espiral,

Gira, gira se agita, se mistura.

A primeira colherada...

Para uma vida dura,

O doce até que anima avida,

Suaviza as ideias duras e áridas.


Sabe aquela  amizade, a cumplicidade,

Palavras de realidade,

Nada de carinho,

A realidade...


O pensamento materializado,

Falado...

Um ouvido dando atenção.

-A roça vai ser boa,

A terra é nova,

No pé do serrote.


A madeira vou mandar os meninos trazer,

Esse jumento preto é perigoso,

Se ouve a voz da avó.

Vão dois meninos... pegar


Se Deus quiser o inverno vai ser bom.

A turina berra no chiqueiro.

Um vento sopra trazendo frescor e cheiro de pau...

Nem se percebe, mas se gosta desse cheiro...


Nem tudo é tornado consciente de imediato... mas estamos vivos.


Cheiro do sertão, cheiro da vida.

As vacas ainda deitadas, badalam o chocalho quando rumina,

Malhada se levanta, se estira, mija e caga...

Magi solta o bezerro,

Miguel arreia a vaca,

Limpa o ubre e a teta com a escova do rabo,

Bota o balde entre as pernas,

E com carinho aperta a teta,

Um jato alvo, morno e leitoso,

Vai enchendo o balde...

Espumado o leite morno,

Exala um cheiro de fé, de alimento, de vida.


Pega a foice seu zé e segue para a lida...


No dia três de janeiro no sul a barra se faz,

A manhã nasce fria e azulada.

O dia é quente e escaldante...

A noite o tempo se fecha,

Relâmpagos clareiam o céu...

O peito de Zé se enche de alegria,

Sinhá reza a ave maria...

Lera se entretem com a chama da lamparina,

Magi só observa a cena.


Zé pigarreia e reza em silêncio.

E o silêncio continua...

Luz apagada, escuro e silêncio...

Pelas frestas da telha,

Uma luz tudo clareia

A meia noite, então noite dento,

Sinhá se acorda com o som dos pingos na telha,

Seus lábios o pai nosso começa a balbuciar.

E uma grande chuva se inicia...

O cheiro do barro molhado vai crescendo,

Lera dorme na rede, Sinha ao sair faz a rede balançar,

Então Zé se levanta,

Abre a janela e olha pro nascente é tudo escuro,

Nada de estrela,

Um raio acende a natureza,

brilha do nascente ao poente.

Um truvão arrojado,

Ecoa no serrote...

Corações e mentes palpitando de alegria,

é a chegada do inverno.

Lera acorda feliz,

Magi acorda feliz,

Sem saber porque,

Há um riso no rosto sisudo dos velhos avós...

A dor da vida fica para trás,


Chuva é água,

Chuva é vida,

Chuva é esperança...


A terra seca pobre terra,

Terra molhada, rica terra...

O trabalho é o divisor,

Trabalho, fé e amor.


A água escorrendo,

As goteiras cantando,

A cadencia da água na lata ao ser cheia,

Quanto mais veloz mais feliz...


O gado molhado, sente frio...

Se ouve o forte respirar...

Morcegos voam a piar...

Amanhã se tudo der certo,

Vamos plantar,

Guardou as sementes de gerimum?

Separarei o milho e o feijão,

Vamos plantar também algodão.


Na roça o cheiro do carvão molhado,

A terra enxarcada.


O sonho e a imaginação...

A felicidade de um novo amanhã.



25/03/26

Tristeza

 Ontem, há 24 anos falecia meu tio Aldo Batista.

A 24-03-2002.

Morava na Residência quando recebi a triste ligação.

Era mamãe chorando. Imediatamente achei que havia sido minha avó sua mãe.

Mas era outra coisa. Ela me contou chorando a tragédia. 

Disse que era para eu ir para casa. Nem pestanegei.

Tive que faltar a prova de química orgânica.

Vim de besta com Almeida. Foi uma viagem longa e angustiante.

Mas meu pai precisava de minha presença e a minha família também.

Temos uns aos outros.

Somos uma só familia.


06/02/26

Quando estou na minha casa

 A lua enluarada

Num céu limpo,

Num céu azul, 

A lua palito-prateada.


Uma corona amarela,

As estrelas parecendo,

A noite anoitecendo.


O vento ventando 

Em ventania...

A doce sinfonia,

A saudade,

O silêncio imediato.


O momento.

20/12/25

Nossa casa

 Nossa casa aconteceu.

Nossa casa nasceu do amor,

Nasceu do trabalho e do suor do meu pai.

Da dedicação de mamãe a família.

Nossa casa surgiu um dia e se transformou em um lar.

Nossa casa foi criança, nova e cheia de barulho, bagunça e alegria,

Nossa casa nunca estava vazia.

Nossa casa foi pequena e depois engrandeceu.

Nossa casa foi baixa e depois cresceu.

Nossa casa teve várias cores...

Foi amarela, foi rosa, foi Verde e foi  azul.

Nossa casa tinha mãe e pai.

Nossa casa passou por tantas coisas, alegrias e tristezas.

Nossa casa teve sentimentos...

Nossa casa assistiu nossa chegada e nossa partida.

Nossa casa descobriu as doenças do fim.

Nossa casa velou meus pais.

E ficou grande, velha e vazia.

Ainda sim é o nosso lar.

Seus netos nossa casa não tem tanto amor.

Nossa casa, neto é neto.

Nossa casa é agora a casa da tia.


Nossa casa no natal já tem aquela festa ha cinco anos,


Nossa casa o Natal perdeu o brilho...


Nossa casa é católica.


Nossa casa tem Maria, tem José, tem Jesus de Nazaré.


Nossa casa tem são Chiquinho.


Nossa casa não falta amor aos animais...


Gato, cachorro, gado, galinha e pato.


Nossa casa fica feliz com nossa visita...


Sorri de portas abertas...


Nossa casa um dia será por si.


Sois forte, existente, sois parte de nos.


Seus átrios preenchem nossas mentes de memórias e de saúdes...


Nossa casa como é linda, como amo te ornar.


Guarda lembranças do meu amor por papai, canecas de porcelana, um boi e um jaguar, imagens...

Fotografias, documentos...


O que é a nossa casa.


Nossa felicidade e nossa existência.


Nossa casa paciência com a vida.


Nossa casa é nossa vida, nossa vida vivida.

16/12/25

É só um pouco

 Papai cuidava de nossas plantas em Serrinha onde na seca a água é um recurso escasso.

Ele cuidava das vincas, do jasmim de laranjeira, das graviolas, da laranjeira e do coqueiro.

Então quando chegava alguém ele conversava enquanto cuidava. E dizia é só um pouco para ela a planta não morrer.

Lembrou muito bem isso, meu primo gêmeo Livanilson filho de tia Nina.

É só um balde.

Ouvi papai falando.

09/12/25

Conceição

 Hoje é o dia de nossa senhora da Conceição.


Padroeira da minha cidade natal primeira Martins no Rio grande do Norte.


Minha avó sempre ficava feliz neste dia.

Era um dia de festa na época da avó, da mãe dela e de mamãe.

Eu não tive essa cultura, mas sei que mamãe gostava de celebrar a festa da padroeira de sua vida antes de nós.


Assim, peço bençãos e proteção de nossa senhora da Conceição.

08/12/25

A minha mãe

 Minha mãe, minha mãe, minha mãe.

Hoje é dia de nossa Senhora da Conceição! A ti era sinal de felicidade.

Filha de uma Mariana, sua mãe era uma Maria da Conceição.

No seio de Martins nascestes e assim também o foi sua mãe e sua avó... assim tivestes seus filhos.

Acendi duas velas a imaculada Conceição uma para a vovó Sinhá e outra para ti minha mãe.

Sim, Quando você partiu senti o maior vazio de minha existência, mas Nossa senhora da Aparecida no dia 24 de julho me fez entender a eternidade do mundo e da existência, me fez entender que estavas com ela, então meu coração sossegou. 

Obrigado pelo seu infinito amor e por tudo que me ensinou mamãe... Sabe mãe a gente tem que ensinar aos nossos filhos a bondade e o amor e a vida se encarrega da felicidade de cada um, da paz e do sossego.

Mamãe! Sempre te disse que te amava. E continuo te amando e sendo grato por tudo.

Sou franciscano e mariano... Sinto falta de nossa terra. Ali onde os nossos se multiplicaram e vivem. Ali onde nossa existência tanto aconteceu... Só levo uma coisa frente a tudo isso que é o amor ao próximo.

Amém



30/11/25

Memória, fotografia e repetição

 As memórias são fotografias guardadas nos enormes álbuns de nossa mente.

Vez por outra a gente abre esses álbuns.

Pior que nem sabemos exatamente qual a impressão que fez estes álbuns se abrirem.

Pois bem. Francisco de Assis é um santo muito cultuado por minha antiga família, meus avós e bisavôs do ramo paterno que ao que parece morrerá com minha geração. Mas isso não vem ao caso. O caso é que uma das particularidades dos franciscanos é a generosidade. E bom chamamos isso de coração mole. Deveras é uma excelente metáfora. Bom, ir lá em vovó era mexer com memória. Acho que isso influiu muito em mim. O fato é que muitos dos nossos primos e irmãos herdaram essa característica, minha irmã Rosângela e meu primo Françuar nome francês que quer dizer Francisco. Um dia cheguei a casa de minha avó. E eu estava feliz e ela estava feliz. Feliz porque ia conhecer Françuar, pois sempre diziam que ele se parecia muito comigo não do contrário que eu se parecia com ele. E eu gostava disso. Ele foi embora e passou muito tempo sem vir e só o conhecia através de referências. Bom ouvia falar que ele era inteligente e ser inteligente é uma grande qualidade. Enfim, vovó falou feliz, balançando a perna e adoçando o café que ele, França tinha dado 5 reais que seria o valor de 50 reais hoje. Tomamos o café e ele contou tão feliz. Aquela foi uma das últimas vezes que nos vimos. Mas celebrei essa alegria. Bom o conheci e fiquei muito feliz. Ele me deu uma camisa branca. Gostava e gosta de agradar. Tenho muita admiração por muitas qualidades de meu primo como generosidade, simplicidade, lealdade e respeito. 

E é isso.

28/11/25

Raiz do amor

O amor é um sentimento de intensa amizade.
Amar é cozinhar, ternamente a gente vai amando e sendo amado.
Amar tem um ponto nem muito fogo nem pouco fogo,
Nem muito tempo, nem pouco tempo.
Amar é uma combinação de corações...
Pode acontecer entre outros e não com você.
Pode acontecer entre você e outro e não outro.
Amar é um mistério.
Gostamos de crer neste mistério.
Amar tem a raiz no respeito, carinho e amizade.

30/10/25

E uma Teixeira se vai

 Ontem, 29 de outubro de 2025, faleceu a esposa de nosso tio Raimundo das Neves Teixeira. Ela se chamava Tereza Fernandes de Lima. Das memórias que tenho de infância são tão poucas, quase nenhuma. Nosso tio foi embora para Natal. Foi estudar e quase nunca visitava a terra. Só algumas vezes quando vovó era vivo ele vinha sempre, lembro das últimas vezes que veio a Martins enquanto criança. Temos até umas fotos. Acho que foi em 1992. no ano seguinte Vovô morreu e se foi. Só restou um retrato de sua formatura na parede. Ficamos isolados. Esquecidos. Quem esquece é esquecido. Mas sempre havia aquela áurea de admiração. A gente sente quando conversa entre os primos. Tem também um que de decepção.

Tive a oportunidade de conviver com eles quando fui para a faculdade. Ia lá as vezes. E pude conviver um pouco. Mas a relação era um pouco assimétrica, e eu não entendia bem. As conversas com ela eram mutio poucas. Se não tem conversa não se gera empatia ou antipatia. 

Ela passava seus dias a trabalhar. Trabalhou muito para dar as coisas ao único filho. Não sei. Minha mãe até se aproximava deles. Mas as relações eram complexas. Ele era o segundo irmão mais velho. O único mais instruído... 

Não sei o que dizer...

Descanse em paz.

12/08/22

Momentos

 Pensar tem várias faces ou vertentes.

Às vezes pensar pode nos entristecer, nos alegrar, evoluir.

Na verdade é o pensamento que gera sentimento, aquilo que pensamos e o modo como pensando.

Hoje em meus estudos reflexivos que incluem muito a família e todas as sua problemáticas boas ou ruins.

Enfim, acendeu uma luz em minha mente.

Como foi maravilhoso o último domingo.

Nós acordamos, fomos ao barro vermelho, é sempre bom ir ao Barro vermelho porque lá tem dona Nenem, com a paciência de um monge budista, sempre com a face contente. Talvez por ter sido professora de primário. Enfim... teve o episódio do sentimento de Susi. Bonito, mas engraçado.

Teve a ida a rua para fazer as compras...

Teve o stress de Roberto e Lidiana com a adição de feijão... pois mais quatro pessoas foram convidadas.

Sabe aquela áurea de mamãe e papai presente.

E cada momento foi se revelando como se papai e mamãe estivesse ali.

Depois teve o almoço.

Foi tão maravilhoso.

Vieram dona Nenem, Sanzia, Susicleide, Teotónio, Pedro Henrique, Anibal, Lígia, Páblo, Nícolas, Begue, Susi, Eu, Dayane, Vinicius e os donos da Casa Roberto e Lidiana. Ah. Yolanda, E as duas meninas.

O almoço foi tão agradável.

Parecia que mamãe estava ali na área.

E papai aqui na área de Roberto.

O tempo voou...

Foi muito gostoso.

Depois foram se indo.

Dona Nenem ficou até a tarde.

Dai apareceu Raimundo e Neta.

E passamos o resto da tarde na Calçada da fama.

Tudo foi como era antes, porque nós somos assim.

Nos somos os Queiroz...

É a nossa essência.

Mas só somos os Queiroz unidos,

Juntos, comemorando com nossa maneira de Ser simples.

Tudo foi maravilhoso porque nos dispomos a nos unir.

Dinheiro no mundo nenhum paga esses momentos.

Porque a vida é uma totalidade de momentos.

Cada momento é importante.

Para trabalhar, ganhar dinheiro, rir, chorar...

Temos que entender que cada momento é impar.

Que dinheiro no mundo inteiro paga esses momentos.

Que um momento perdido jamais será comprado por dinheiro nenhum.

Foi maravilhoso aquele domingo.

Estávamos entre irmãos e familiares.

A cada até ganhou vida.

A felicidade foi plena.

E agradeço a todos que fizeram isso.

Nós os Queiroz.

14/04/21

29. Ser papai

 Os dias nascem e nem percebo.

Não percebo nem a luz.

Tudo que percebo são sutilezas

Coisas de bebê.

Vinícius se mexe e acordo.

Mexe-se dando pernadas,

Fazendo barulhinhos com a boca,

Virando-se de um lado para o outro.

Já sei...

Ele quer mamar.

Acordo a mamãe que o alimenta.

E com os olhos fechados volta a dormir,

De madrugada, às vezes troco a frauda.

É tudo mudou inclusive minha percepção.

Foi muito bom.

Está sendo maravilhoso.

04/02/21

5. Elucubrar

Por onde andará o espírito sem o corpo?

Vagando em algum lugar?

Nas coisas que amou,

Nas coisas que o fez?

Onde estará,

Em mim?

Nesta hora, minha mente vagueia 

Viaja no espaço,

Está lá na matinha,

Lá no orozinho,

Sabe lá onde.

Estou me referindo a papai Chico Raimundo

Que gostava de humanizar os animais...

Sherlock gosta de está onde as pessoas estão,

Gosta de ouvir as pessoas,

Só dorme tocando na pessoa.

Os últimos anos de sua vida foi assim,

Se dedicando a coisas simples

Como plantas e animais e mamãe e Li.

E tudo segue indefinido, indeterminado,

E fica a grande falta.

25/07/20

49. Percepção

O sol arde murchando as flores,
As plantas mais aromatizadas 
São as mais duradouras,
Os cheiros, as cores e os sons deste lugar,
Lugar meu, terra minha,
Aproximação de minha essência,
Porque as coisas daqui são simples e me faz muito bem.

30/12/18

A impermanência e um história

Os anos se passaram e os coqueiros catolés cresceram no terreiro,
Papai deixou de criar gado.
Não produzimos mais leite ou carne ou afetos pelas reses,
Agora sobra palha que às vezes o fogo as consome.
Não temos porcos...
E o que mudou?
O que sobrou?
Um lugar não menos seco, mas muito mais belo.


29/12/18

Hora da partida

A aurora que se acende paulatinamente
Num céu atropurpúreo ainda estrelado,
No quarto escuro
Ouve-se um choro de criança, a Gabriela desconfortada com a quebra do sono angelical.
A casa escura se desperta,
É quase hora de partida,
Ouve-se o próprio suspiro,
E suspiro de choro,
Um nó se faz na garganta,
Uma luz se acende iluminando os átrios
Enquanto a luz preenche o recinto
E se derrama pelas frestas,
Papai acende o fogão para preparar um café e um chá,
Enquanto mamãe chora,
Enquanto cada um chora em seu coração
A hora da partida,
Gabriela acordou com cara de sono,
Dou meus últimos afagos,
Pego Gabi no colo e ela inocente
Não entende nossas lágrimas,
A Gi dá dois biscoitos a Gabi que coloca em minha boca 
E me faz entre lágrimas mastigar,
Então o carro chega,
E é hora da partida,
Nos abraçamos e depois de 25 dias
Lá se vai Rosângela com Gabi...
- Deu dinheiro a ela Chico pergunta mamãe a papai.
Então Rosa se acomoda o carro é ligado
E sai... o som desaparece
E a casa fica cheia de saudades
Com papai, mamãe, Dayane, Li e Gi.

25/12/17

Contentamento

Uma tarde quente,
O crepúsculo,
A calmaria,
O céu azul,
A luz se diluindo,
As serras,
As cadeiras vazias
O silêncio,
A cachorra alva deitada no terreiro,
Uma xícara de chá de folha de capim santo,
O fim do ano,
A ociosidade,
O contentamento,
Um dia de cada vez,
Uma vitória,
Uma alegria,
Uma poesia...
Eis a plenitude

23/12/17

Casa cheia

Dezembro,
Dia 22, sábado 
2017
É quase Natal,
A casa está cheia de sobrinhos,
Aqui em casa tudo é encantador
Do nascer ao pôr do sol.
Ontem, vimos os álbuns de fotografias
E recordamos bastante, rimos,
Nos emocionamos
Com as memorias.

Hoje amanheceu limpo e ensolarado, agradável e frio.
Esperamos a chuva, mas enquanto não chega
Tudo vai desvelando lentamente.

E esse lentamente é continuo,
Pois a vida é contínua também.
Ainda deitado, percebo mundo lá fora.
Enquanto o sol cresce,
As galinhas e aves cantando,
As crianças dormindo.
E o ano se indo.

12/02/15

Avós e Pais

A casa silenciosa,
Passos arrastados,
Paz.
Na cozinha um gato mia silencioso,
O cachorro abana o rabo,
A comida na lata de doce.
Pais e avós e mais tarde nós.
A vida se desprendendo da carne,
A fé em está com Deus,
Tranquilo se dominam os dias,
Sem pressa,
Vivendo cada dia ao sabor da idade,
Sem pressa como caramujo andando.
É difícil entender esse mundo afetuoso e gostoso,
Em que nos tornamos reféns de nosso próprio corpo.
Dá vontade de ficar sempre do lado,
De nossos amados,
Da vontade de ser um gato e u cachorro,
Só para viver mais pertinho
Dos nossos amados avós e pais.

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh