A lua enluarada
Num céu limpo,
Num céu azul,
A lua palito-prateada.
Uma corona amarela,
As estrelas parecendo,
A noite anoitecendo.
O vento ventando
Em ventania...
A doce sinfonia,
A saudade,
O silêncio imediato.
O momento.
A concepção de mundo é subjetiva, sendo a experiência sua fonte capital. O mundo é representação. Então, não basta entender o processo aparentemente linear impressão, percepção e o entendimento das figuras da consciência. É preciso viver, agir e por vezes refletir e assim conhecer ao mundo e principalmente a si mesmo. Aprender a pensar!
A lua enluarada
Num céu limpo,
Num céu azul,
A lua palito-prateada.
Uma corona amarela,
As estrelas parecendo,
A noite anoitecendo.
O vento ventando
Em ventania...
A doce sinfonia,
A saudade,
O silêncio imediato.
O momento.
Nossa casa aconteceu.
Nossa casa nasceu do amor,
Nasceu do trabalho e do suor do meu pai.
Da dedicação de mamãe a família.
Nossa casa surgiu um dia e se transformou em um lar.
Nossa casa foi criança, nova e cheia de barulho, bagunça e alegria,
Nossa casa nunca estava vazia.
Nossa casa foi pequena e depois engrandeceu.
Nossa casa foi baixa e depois cresceu.
Nossa casa teve várias cores...
Foi amarela, foi rosa, foi Verde e foi azul.
Nossa casa tinha mãe e pai.
Nossa casa passou por tantas coisas, alegrias e tristezas.
Nossa casa teve sentimentos...
Nossa casa assistiu nossa chegada e nossa partida.
Nossa casa descobriu as doenças do fim.
Nossa casa velou meus pais.
E ficou grande, velha e vazia.
Ainda sim é o nosso lar.
Seus netos nossa casa não tem tanto amor.
Nossa casa, neto é neto.
Nossa casa é agora a casa da tia.
Nossa casa no natal já tem aquela festa ha cinco anos,
Nossa casa o Natal perdeu o brilho...
Nossa casa é católica.
Nossa casa tem Maria, tem José, tem Jesus de Nazaré.
Nossa casa tem são Chiquinho.
Nossa casa não falta amor aos animais...
Gato, cachorro, gado, galinha e pato.
Nossa casa fica feliz com nossa visita...
Sorri de portas abertas...
Nossa casa um dia será por si.
Sois forte, existente, sois parte de nos.
Seus átrios preenchem nossas mentes de memórias e de saúdes...
Nossa casa como é linda, como amo te ornar.
Guarda lembranças do meu amor por papai, canecas de porcelana, um boi e um jaguar, imagens...
Fotografias, documentos...
O que é a nossa casa.
Nossa felicidade e nossa existência.
Nossa casa paciência com a vida.
Nossa casa é nossa vida, nossa vida vivida.
Papai cuidava de nossas plantas em Serrinha onde na seca a água é um recurso escasso.
Ele cuidava das vincas, do jasmim de laranjeira, das graviolas, da laranjeira e do coqueiro.
Então quando chegava alguém ele conversava enquanto cuidava. E dizia é só um pouco para ela a planta não morrer.
Lembrou muito bem isso, meu primo gêmeo Livanilson filho de tia Nina.
É só um balde.
Ouvi papai falando.
Hoje é o dia de nossa senhora da Conceição.
Padroeira da minha cidade natal primeira Martins no Rio grande do Norte.
Minha avó sempre ficava feliz neste dia.
Era um dia de festa na época da avó, da mãe dela e de mamãe.
Eu não tive essa cultura, mas sei que mamãe gostava de celebrar a festa da padroeira de sua vida antes de nós.
Assim, peço bençãos e proteção de nossa senhora da Conceição.
Minha mãe, minha mãe, minha mãe.
Hoje é dia de nossa Senhora da Conceição! A ti era sinal de felicidade.
Filha de uma Mariana, sua mãe era uma Maria da Conceição.
No seio de Martins nascestes e assim também o foi sua mãe e sua avó... assim tivestes seus filhos.
Acendi duas velas a imaculada Conceição uma para a vovó Sinhá e outra para ti minha mãe.
Sim, Quando você partiu senti o maior vazio de minha existência, mas Nossa senhora da Aparecida no dia 24 de julho me fez entender a eternidade do mundo e da existência, me fez entender que estavas com ela, então meu coração sossegou.
Obrigado pelo seu infinito amor e por tudo que me ensinou mamãe... Sabe mãe a gente tem que ensinar aos nossos filhos a bondade e o amor e a vida se encarrega da felicidade de cada um, da paz e do sossego.
Mamãe! Sempre te disse que te amava. E continuo te amando e sendo grato por tudo.
Sou franciscano e mariano... Sinto falta de nossa terra. Ali onde os nossos se multiplicaram e vivem. Ali onde nossa existência tanto aconteceu... Só levo uma coisa frente a tudo isso que é o amor ao próximo.
Amém
As memórias são fotografias guardadas nos enormes álbuns de nossa mente.
Vez por outra a gente abre esses álbuns.
Pior que nem sabemos exatamente qual a impressão que fez estes álbuns se abrirem.
Pois bem. Francisco de Assis é um santo muito cultuado por minha antiga família, meus avós e bisavôs do ramo paterno que ao que parece morrerá com minha geração. Mas isso não vem ao caso. O caso é que uma das particularidades dos franciscanos é a generosidade. E bom chamamos isso de coração mole. Deveras é uma excelente metáfora. Bom, ir lá em vovó era mexer com memória. Acho que isso influiu muito em mim. O fato é que muitos dos nossos primos e irmãos herdaram essa característica, minha irmã Rosângela e meu primo Françuar nome francês que quer dizer Francisco. Um dia cheguei a casa de minha avó. E eu estava feliz e ela estava feliz. Feliz porque ia conhecer Françuar, pois sempre diziam que ele se parecia muito comigo não do contrário que eu se parecia com ele. E eu gostava disso. Ele foi embora e passou muito tempo sem vir e só o conhecia através de referências. Bom ouvia falar que ele era inteligente e ser inteligente é uma grande qualidade. Enfim, vovó falou feliz, balançando a perna e adoçando o café que ele, França tinha dado 5 reais que seria o valor de 50 reais hoje. Tomamos o café e ele contou tão feliz. Aquela foi uma das últimas vezes que nos vimos. Mas celebrei essa alegria. Bom o conheci e fiquei muito feliz. Ele me deu uma camisa branca. Gostava e gosta de agradar. Tenho muita admiração por muitas qualidades de meu primo como generosidade, simplicidade, lealdade e respeito.
E é isso.
Ontem, 29 de outubro de 2025, faleceu a esposa de nosso tio Raimundo das Neves Teixeira. Ela se chamava Tereza Fernandes de Lima. Das memórias que tenho de infância são tão poucas, quase nenhuma. Nosso tio foi embora para Natal. Foi estudar e quase nunca visitava a terra. Só algumas vezes quando vovó era vivo ele vinha sempre, lembro das últimas vezes que veio a Martins enquanto criança. Temos até umas fotos. Acho que foi em 1992. no ano seguinte Vovô morreu e se foi. Só restou um retrato de sua formatura na parede. Ficamos isolados. Esquecidos. Quem esquece é esquecido. Mas sempre havia aquela áurea de admiração. A gente sente quando conversa entre os primos. Tem também um que de decepção.
Tive a oportunidade de conviver com eles quando fui para a faculdade. Ia lá as vezes. E pude conviver um pouco. Mas a relação era um pouco assimétrica, e eu não entendia bem. As conversas com ela eram mutio poucas. Se não tem conversa não se gera empatia ou antipatia.
Ela passava seus dias a trabalhar. Trabalhou muito para dar as coisas ao único filho. Não sei. Minha mãe até se aproximava deles. Mas as relações eram complexas. Ele era o segundo irmão mais velho. O único mais instruído...
Não sei o que dizer...
Descanse em paz.
Os dias nascem e nem percebo.
Não percebo nem a luz.
Tudo que percebo são sutilezas
Coisas de bebê.
Vinícius se mexe e acordo.
Mexe-se dando pernadas,
Fazendo barulhinhos com a boca,
Virando-se de um lado para o outro.
Já sei...
Ele quer mamar.
Acordo a mamãe que o alimenta.
E com os olhos fechados volta a dormir,
De madrugada, às vezes troco a frauda.
É tudo mudou inclusive minha percepção.
Foi muito bom.
Está sendo maravilhoso.
Por onde andará o espírito sem o corpo?
Vagando em algum lugar?
Nas coisas que amou,
Nas coisas que o fez?
Onde estará,
Em mim?
Nesta hora, minha mente vagueia
Viaja no espaço,
Está lá na matinha,
Lá no orozinho,
Sabe lá onde.
Estou me referindo a papai Chico Raimundo
Que gostava de humanizar os animais...
Sherlock gosta de está onde as pessoas estão,
Gosta de ouvir as pessoas,
Só dorme tocando na pessoa.
Os últimos anos de sua vida foi assim,
Se dedicando a coisas simples
Como plantas e animais e mamãe e Li.
E tudo segue indefinido, indeterminado,
E fica a grande falta.
Sob o solo as raízes sustentam, Um eixo cinzento, Um tronco que se ramifica sustentando folhas Alternas em espiral, No ápice do eixo, Um c...