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06/08/26

Antes das seis horas

 Em silêncio,

Olhos dilatados,

Pelos eriçados...

O DSE tem Salas e corredores vazios.

Rivete chega e abre a porta fria de vidro.

As luzes brancas alumiam sua chegada e o corredor por onde entra.

Abre a porta de madeira.

Senta...

Depois chega Nildo, sobe a escada e abre a grade.

Mexe no celular e vai assinar o ponto.

Chega Rubens, caminhando devagar, contemplando.

Abre a porta e deixa aberta,

Chega dona Elisabete e vai para a ala do osso da baleia.

Depois chega Filipe

Que conversa com a gata que chama de Vea...

Tudo isso ocorre antes das seis horas.

30/07/26

Casa paterna

 Aquela casinha teve tantas cores.

Nela fui amamentando, balbuciei as primeiras palavras,

Nela percebi o mundo sem palavras,

Tudo era tão absoluto,

Nela descobri o amor, nela descobri meus desejos...

Nela descobri realidade da vida 

Via razão...

Nela senti meu coração dilacerado,

Nela, tantas vezes comemoramos juntos.

Nela descobri a realidade da vida via experiência...

O tempo passou...

Casinha e tive que te dar adeus.

Sempre volto e mato sua saudade.

Agora tão longe 

Fecho os olhos e posso andar no seu interior.

Somos um só.

Posso ir nos três quartos, usar o banheiro,

Ir a cozinha e a área.

Posso sair fora e ver o céu estrelado...

Somos um só.

O tempo nos distanciam,

E saber que o tempo passa e que

as memórias se apagam...

Apesar de tudo casinha.

Vale a pena, 

Só tenho graça,

Pela sombra do sol e da chuva,

Pelo calor retido

O frio cedido...

Casinha compartilho esse momento 

Nosso. Só nosso momento.

Meu infante momento.

Porque é bom sem um contigo. Conosco... Amém.

Reminiscências de um sertanejo

 À tarde caia,

A caatinga ia esfriando,

A luz se encerrando no poente,

Saia de casa em direção a mata branca, no poente,

Podia ver a mata nua, 

Caminhando 

Ouvia os últimos cantos das aves,

Via os ramos intrincados,

A silhueta da mata na frente do sol.

Ali sentia o cheiro do mato, marmeleiro, Jurema, mussambé...

Aos poucos a noite caia,

Uma estrela despontava,

E eu era pura consciência.

Sentir-me natureza.

Cansado contemplava a natureza,

Pensando no passado,

Pensando no futuro.

E quando a noite caia,

Chegava em casa

Cheio de pensamentos,

E todos ali tinham seus pensamentos,

Suas identidades, Seus sonhos.

 Pensavam na vida como eu...

E agora só memórias.

Tudo maia, tudo ilusão, tudo deveio e devir.

Agora longe no espaço e no tempo.

No fim da tarde sou pura recordação.

Mais nada.

28/07/26

Fatos do sertão

 Certo dia, na Salambaia que fica no Cariri paraibano. Acordei cedo e sai para caminhar e fazer fotos. Enquanto caminhava vi e fotografei inúmeras formas vegetais, entrei e sai do mato. A certas horas subi um afloramento, um enorme batólito. No afloramento haviam muitas cactáceas e bromeliáceas. Foi incrível porque encontrei ali uma samambaia que nunca tinha visto pessoalmente um Ophyoglossum, e bem ali. Vi algo extremamente interessante. Após parece mentira, mas não é. Se for foi alucinação. Vi três beija-flores rabo de tesoura se travarem numa briga na soca de um xique-xique. Foi uma briga feroz e barulhenta. Parecia que havia razão ali. Os três bichos se bicavam em meio aos ramos armados dos espinhos. Demorou mas dois deles abriram voando bem alto.

Andando mais para a frente encontrei um teiu se aquecendo. Eu o vi e vi que ele me viu, mas ele me ignorou. Sentei  na rocha, posicionei a câmera e fiz algumas fotos. Ele não teve medo de mim. Eu tive medo dele. Bichão daqueles. Pensei em descrever uma conversa, mas não saiu o diálogo. Dai fui embora e ele ficou ali. Ignorou-me completamente.

27/07/26

Araçá e sua existência

 O velho pé de araçá,

Que cresceu no pé da pinheira,

Tem tantos anos conosco.

Já foram tantos anos de existência,

Já foram tantas flores alvas floridas,

Seu crescimento marcava o tempo,

A gente sempre o mirava nas tardes de descanso.


Agora, julho de 2026, 

Tinha sob sua sombra,

Deitados no solo vermelho,

Amarelos e doces araçás.

Muitos docinhos araçás.

Primeiro se encheu de flor

O velho aracazeiro,

Vieram as abelhas,

Visitarem as flores alvas e docemente perfumadas,

Depois nos ramos

Verdades os araçás cresceram 

E agora no fim amadureceram...

E se fecha mais um ciclo,

Uma safra,

Um momento no tempo.

E aqui estou por testemunha

Desse grande companheiro 

Mais nada

Ser você

 Tudo que vivi reflete vez em quando em minha mente. 

A isto chamamos de memórias que levaremos por toda nossa existência.

Quantas manhãs estive com mamãe.

Parecia que sempre estaríamos juntos.

Com a descoberta do mundo, com as vontades.

Vieram as frustrações e a angústia;

Não sem como me lavar de tudo isso.

A existência certos dias parece um peso.

Será físico, químico ou psíquico?

Fica essa dúvida.

24/07/26

Gratidão

 Agradeço a Deus por tudo que tenho vivido.,

 Agradeço a Deus por tudo que tenho sentido,

 Agradeço a Deus por onde tenho vivido,

E com quem tenho vivido...

Meus avós, meus pais, meus irmãos, minha mulher, meu filho e sobrinho.

 Agradeço a Deus pela minha caminhada,

Pelas pedras na estrada,

Pelas sombras no caminho diante deste sol maravilhoso.

Como a mata depois da chuva,

Meu coração está cheio de alegria, de gratidão.

Após um momento de oração,

Uma boa reflexão...

Agradeço pelas pessoas.

Sou grato por tudo.

Em Deus sou tudo.

Obrigado senhor.


16/07/26

Conexão

 No fundo da mata,

Sob as sombras 

E a luz tênue da manhã

Canta a garrincha,

Canta a patativa...

E ecoa na cóclea auricular,

Ecoa no fundo do meu corpo,

Ecoa no fundo da minha alma.

Belo canto diz a minha alma,

Que maravilha de lar,

Cantam felizes 

Pelo amanhecer.

No fundo do meu ser,

Quero sentir essa energia,

Essa alegria singela.


Então o vento sopra suave e silencioso

É fria a manhã,

O vento passa arrepiando as árvores,

Os ramos e as folhas.


Sinto até o frio.

13/07/26

A casa de tio Aldo e Tia Nevinha

 Esta casa erguida em cima do alto mirando para o norte carrega em sua existência tanta história.

Está casa foi berço da caçula Aparecida e dela primeiro saiu para a nova vida Neta.

Nesta casa papai quase morreu com congestão.

Esta casa foi dona de um Chevette marrom.

Esta casa já teve tantas cores amarelo, azul, verde...

Já ouviu tantas histórias de seu dono Aldo Batista,

O viu este silenciar da vida.

Foi testemunha do meu primeiro porre quando seu filho Bolinha se casou. 

Vi nesse a casa Das Neves contar tantas histórias.

Nesta casa passei chuva, passei sol, dormi a noite...

Estive aí com mamãe e com papai.

Às vezes quando criança aí chegando saia para o oitão ali no quintal olhar o que ali tinha.

A visão é a maior fonte de informação e a curiosidade é o combustível...

Tinha curiosidade de saber como era o oitão de outra casa.

Achava bonito o pé de trapiá, um caixa d'água de cianeto, a palmatória que encurtava o terreiro.

Um dia, mamãe nunca soube, mas sai com Nobe e fui ao poço fundo, tinha tanto menino, e cai no poço quase me afoguei e foi Neto o neto do dono que me salvou. A vida está sempre por um fio.

Foi com a espingarda da dona desta casa que dei meu único tiro erreiro.

Gostava de chegar nesta casa vindo do parieiro, depois de correr do cachorro e do peru de Tio Jussier, mas chegar pelo poente tinha as saudosas aroeiras e cajaraneiras, e o cheiro da cafarana,    da bosta de gado molhado são vivos na minha mente... Que revivo toda vez que sinto tais cheiros.

Lembro dos dias quentes nessa área, dos dias frios. Do almoço quente, do café cheiroso, da comida fumaçando, de muito fartura, de uma vez que passei a páscoa... Comi tanto peixe. Casa que presenciei muita fartura.

Essa casa tenha certeza que foi a minha segunda casa. As segundas casas costumam serem dos avós, mas não é o meu caso. No me caso foi está casa. A minha mãe era irmã da dona e o meu pai irmão do dono. Então casa, seus filhos são os meus meios irmãos, não é de fala é de sangue, de corpo e de alma.

Papai era Chico de Aldo... Não Chico de Chico.

Tantas vezes casa se ouviu ribumbar do trovão sob este telhado, coração esperançoso que a chuva viria e quando a telha soava o cheiro de chuva inundava a alma, no escuro o flash do relâmpago pelas frestas da cumeeira fazia-se dia num segundo...

No inverno se ouvia o canto dos sapos e o ronco da cachoeira.

Daí está casa, vigorosa e bem cuidado,

Mas São outros histórias seus atores primeiros saíram de cena.

Meu peito parece que ficou no passado...mas essa é uma versão de nossa história. Nada mais.

10/07/26

Raridade

 A garrincha canta na mata.

Já ouvi tantas vezes.

Gosto do seu canto.

Assim, me sinto bem.

Seu canto dá uma beleza peculiar

Ao silêncio da mata

Ou seria ao silêncio da manhã.

Também estão ouvindo os gatos.

Mas os gatos não pensam.

Também ouvirão as árvores?

Não sei.

Sei que ao ser clareada

Pelas sombras da luz,

O silêncio é quebrado pelas aves.

As aves conhecem essa mata

E essa mata conhece as aves...

Eu a pouco tempo estou aqui,

E em pouco tempo me irei.

Acredita.

Deixo esse registro...



07/07/26

Água, cinza e sertão

 Na capoeira roçada,

Coivara foi queimada,

Após a neblina caída,

Ali canta o tetéu a vida,

Na cama ainda deitado,

Meu coração bate animado,

Com o ronco do trovão,

Meu peito pula de emoção,

E a promessa que há

É que tudo vai mudar,

As cinzas se apagam,

Natureza muda de cor,

Do chão nasce as sementes,

Dos ramos brota a rama,

Das nuvens água se derrama,

O cheiro da chuva aquece a alma...

A promessa da mudança,

Me envolve em esperança

E a vida vai bem mais um dia...

Com a chegada da alegria,

A chuva traz essa sintonia.

03/07/26

Brevidade

 Caminhando,

Fui sentindo o mundo,

Manhã fresca e úmida,

A cada passo um pensamento,

Formas, cores, cheiros e sons.

O vento soprando,

Fazia as árvores dançar,

Fazia as árvores cantar.

O vento soprando, 

Girava em redemoinho,

Entre o corredor de dois prédios.

Meu espirito se conectava ao vendo,

As árvores, ao tempo.

Um rapaz varria as folhas,

Perdido em seus pensamentos,

Só varria,

O rastelo rangia,

O rastelo juntava as folhas,

As folhas molhadas,

Deixavam seu cheiro se espalhar,

Nem dei por nada,

Senti aquele cheiro,

E o vento mais espalhava.

Sexta-feira, manhã chuvosa,

Num inverno julino,

Senti-me tão pequenino.

Senti a brevidade da felicidade,

A brevidade do tempo,

Revelada pela razão,

Pela matemática,

Por versos da poeta Lisbeth Lima.

Mais nada.

02/07/26

Manhã entre sala e mata

 O silêncio,

Ausência de movimento,

Amanhece,

A mata escura se acende,

Ali cantam aves,

Garrinchas e bem-ti-vis.

Abro a porta de vidro,

Corredores e sua profundidade,

As portas das salas cerradas,

A luz branca cansada da noite trabalhada.

Acabo mergulhando nessas ideias 

Sempre presentes no meu cotidiano.

30/06/26

Natura, natureza no inverno

 Sol brilha dourado.

O mato verde fica amarelado,

As latadas de Jitirana copada 

E toda estrelada,

Flores brancas, azuis e rosadas.

Zunido o mundo 

As abelhas tralhando...

Nuvens tornam o céu rajado,

O vento refresca 

Nós refresca 

E fica a saudade.

Dia de São João

 A bela alvorada 

Teve o canto da passarada.

Amanheci feliz.

Tão fresca a manhã.

Tão pleno dia.

Hoje é noite de São João.

Hoje é noite de São João.

A noite mais feliz do ano,

Tem fogueira,

Tem fogos,

Tem comida de milho.

Tem família reunida...

Viva a vida,

Viva a fé,

Viva o amor,

Viva Cristo,

Viva são João...

Cantou o galo de campina,

Cantou a rixinó...

Vivos vivemos contentes 

Contando contos,

Contando os dias,

Contando as coisas.

Tchau passado,

Excelente presente.

Hoje a fogueira 

Clareara acendendo a imaginação,

De um futuro iminente.

Tudo no peito 

Tudo na mente...

Nada mais

19/06/26

Canjica e memória

O mês é junho, o ano 2026.

O lugar João pessoa.

 Ontem à noite,

Estava no shop, onde vi numa quitanda canjica para vender.

Aquela canjica amarelinha com pó perfumado de doce de canela.

Comprei um copinho.

Na primeira colherada minha memória foi longe no tempo.

Senti o gosto da casa paterna,

Deu para ver a nossa cozinha amarela,

Deu para ouvir a nossa voz conversando.

Deu para sentir o gosto da canjica com leite gelado.

A ordem com que comíamos,

Sendo a canjica primeiro

Na sequência a pamonha.

Vivi sensações vividas,

Percebi a distância que separa aquele tempo

No espaço e no tempo.

Percebi que tudo passou,

Cada um sua vida tomou.

Nem imaginava nada disso quando comia canjica

Naquela cozinha de telhas fumegadas,

Só sentia o doce do açúcar,

Só sentia a textura do leite do milho cozido.

Eu achava que aquele tempo era eterno.

Hoje, no alto do futuro e no raso do presente,

No profundo passado.

Uma simples colher de canjica,

Dá chão a quem fui,

E me faz despertar quem eu sou.

Quanto tempo se passou...

Quanto tempo ainda a divindade me dará.

Não importa.

Prova Vinícius, prova meu filho, prova mamãe de Vinicius.

Prova que essa canjica tem história minha

Que quero compartilhar como compartilho a canjica.

18/06/26

Silêncio interno, tempo.

 A manhã ouca

A manhã cresce com o sol,

E vai se aquecendo,

O verão vai acenando.

O silêncio!

Algo silencia em meu ser.

Ouço sons solitários.

Agora canta uma rolinha,

Canta uma rolinha caldo de feijão.

Uma pombinha tão frágil e bela.

De repente!

Silêncio...

É possível esse silêncio?

A cadeira ringe,

O teclado dedilhado soa.

Mas vem o silêncio...

O silêncio, sentido interno,

O silêncio no tempo,

Não o silêncio no espaço.

Espaço e tempo...

Externo e interno.


A mata, amiga flora

 Quando chego a universidade

O sol ainda está deitado,

A mata fala nas aves.

Quando saio da universidade

O sol quase se deitando,

 A mata fala nos grilos.


A mata é minha amiga,

A mata é minha companheira,

Nossa relação começou quando cheguei aqui.


Retomando,

Sabe!

Não conheço o canto de cada grilos,

Mas conheço o canto de cada ave que aqui canta.

Grilos são desconhecidos,

Aves são mais conhecidas.


A minha relação com a mata é de silêncio,

É de administração,

É de carinho,

É de amizade.

Admiro cada árvore, cada liana, cada arbusto...

Eles sempre estiveram aqui.

E continuarão aqui 

Com suas aves e seus grilos...

Com suas flores,

Com suas resistências...


Eu estou aqui só de passagem.

Muita coisa é nova 

E muita coisa é eterna...

O que sobra da mata.


Respeito a mata!

Não quem mata a mata.


Aqui do fragmento da biblioteca.

Da curva da sucupira...

Lugar de encontros e desencontros.


Respiro profundamente sinto o corpo,

Sinto a mata, os sons, os cheiros e as formas.


É aqui onde o dia inicia,

É aqui onde onde o dia se finda.


Quando começa é intenso sol e luz e movimento e gente e ação.

Quanto termina se foi o sol é sombra, é estática, é vazio.

E se vai...

17/06/26

Quebra de silêncio

 No fundo da mata canta uma garrincha.

A manhã nasceu, mas o sol não apareceu.

Está tudo parado, nem uma folha se move.

Então encantada longe, canta  a garrincha.


Esse silêncio estático da manhã,

Será o silêncio da mata?

Ela, a mata, está viva.

Sinto, ouço e sei.

Só isso.

14/06/26

Sufi

 Sufi

Sempre que ouvi música sufi.

Algo fez minha alma tremer.

Um som tão puro.

Parece que estou no deserto,

Caminhando na areia fria do deserto,

Sob um céu intensamente estrelado.

O místico se sobrepõe...

Séculos de uma cultura de resistência nos lugares mais secos da terra,

O oriente médio.

Vem a minha mente as 1001 noites,

O livro do gênese,

A matemática,

A filosofia aristotélica...

Borges,

Meu pais que me contou um conto das 1001 noites sem saber.

Adaptou... Nem eu mesmo sabia.

Essas coisas saltam da minha aula

Ao ouvir Sufi...

Nem mesmo sei a definição.

Sinto.

Isso me basta.

O berço

 Ontem, cheguei em casa, na hora do almoço, Sassá estava triste porque o pirulito caiu. Então vi que a mamãe tinha removido o berço do lugar...

Gogh

Gogh