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12/05/26

Chuva trabalhando

 A chuva trabalhando o dia inteiro,

Manhã, tarde e noite,

Ora fraca, ora forte,

Quase pára,

Acelera...

O sol nem apareceu.

As aves emplumadas descansam silenciosas.

Sabem que o fruto do trabalho da chuva é delicioso,

As plantas pagam pelo seu trabalho

Chuva.

Pode chuver.

As aves ficam caladas,

São elas quem mais desfrutam das flores e dos frutos.

Chove chuva de maio,

Abriu já partiu...

A chuva trabalha feliz,

Trabalha cantando.

Vai enchendo o lençol freático,

Vai enchendo os rios,

Vai regando as matas...

Vai distribuindo a essência da vida.

E nós que tal fazermos um café. 

27/04/26

Milharal

 Andei no roçado,

O milho pendoado,

O cheiro da floração,

O milho viçoso...

Meu coração

Ficou bem apertado,

Saudade de meu agricultor,

Que de botas brancas

Me mostrava com orgulho,

O produto de seu trabalho...

Explicava cada momento,

Que trabalhava em silêncio...

Nosso encontro no roçado,

Era algo sagrado...

Quanto amor...

Entre nós...

E os milharais.

Meu pai,

Me ensinou a cultivar a vida.

Como sinto sua partida.

E o milharal, e a mata

E o inverno,

E nossa terra...

Nosso eterno laço.

Amaria te dar um abraço...

Mas, ai...

São só saudades.


26/04/26

Mas...

 Um dia desperto,

Desperto para o mundo.

A realidade trata de negar minha vontade.

Por defeito ou não de ser quero a eternidade, quero o infinito.

O tempo vai se desvelando,

E um dia desperto.

A natureza me ensinou a amar o belo e o bom,

Não me explicou que há um absoluto,

Que e há o feio e o ruim...

Entretanto a raiz estava ali...

Só há belo porque há feio... é uma escala?

Só existe bom porque há ruim...

Não seria algo totalmente subjetivo?

Não seria a raiz do ego, do eu, do self?

Tantos conceitos, tantas palavras para a mesma coisa.

Ai mora a humanidade?

A humanidade é racional?

Produto da memória?

Não sei, mas...

24/04/26

Natureza se ordenar

 A chuva,

A chuva molha a mata,

A chuva molha o solo.

A chuva desperta a vida,

A chuva enxarca tudo,

Faz os ramos brotar,

Faz a semente e esporo germinar.

A chuva faz os ovos eclodirem,

Os bichos aparecerem...

Insetos voarem,

Sapos cantarem...

A chuva passageira,

Uma breve estação,

Faz a vida reproduzir...

E a natureza continuar.

18/04/26

Cortina

 Nas sombras frias e silenciosas da noite desperto,

O sol lenta e silenciosamente nasce e vai revelando o mundo,

Vai aquecendo as cores, vai iluminando as formas.

Matéria e forma, formas e matéria.

A substância de tudo isso!

Formas coloridas, formas aquecidas.

As horas despertas e vivas.

Caem, caem, caem enquanto o tempo passa.

E a noite chega...

As sombras frias e silenciosas caem como uma

Cortina no teatro de minha vida.


15/04/26

Sala

 Abro a porta da sala,

O corredor vazio,

O corredor frio,

Não se ouve fala.


Tudo é silêncio!


Um  agradável odor de molhado,

É cheiro de chuva chovida.

A luz branca ilumina sua profundidade,

É fim de período...

Pra já já recomeçar...


Abro a sala nove.

E é mais um dia,

Ou menos um dia.

Sabe lá.

08/04/26

Demora

 O sol acenou de manhã,

Mas logo desapareceu,

Choveu, choveu, choveu,

Nuvens escuras, luz branca.


A luz do fogo,

A luz de vela,

A luz...


Em outra forma,

Que não luz do sol.


A chuva,

A água escorrendo,

Cantando em toda calha,

Cantando na bica...


Água fria.


Um chá faz bem.

E o dia escorre,

E o dia molhado,

Demora a secar,

Demora a passar...


Demora

07/04/26

Parte da existência, o ser

 Após o café, o caminhar...

A manhã metade ida.

O corpo quer um descanso.

A gente senta na área.

Nessa área eterna.

Área que sentei toda a infância.

Área que sentei na adolescência,

Área que papai sentava pela manhã 

E pela tarde.

Área que mamãe despertava 

Após o cochilo vespertino.

Área de recepção,

Área de despedida...

Nunca estava vazia nestes momentos...


Esta área foi testemunha das nossas visitas 

Vovô sinhá,

O amigo Dadá,

Meu tio Aldo,

João de Licor,

João de Lourival...


Quantas vezes Bege, as meninas 

E eu chegamos 

E quantas vezes demos adeus.


Esta área eterna.


Hoje vive vazia,

Tendo um cachorro 

Por companhia.


O sol

E a lua

Alumiaram

E alumiam.


Papai deixou plantado em sua frente 

Um espada de São Jorge,

As vincas,

Mamãe aqui deixou a açucena 

E o jasmim laranjeira...


Área que me ensinou sobre paciência.


Aqui li Gandi,

Machado de Assis,

Aluízio Azevedo...


Encarei a biologia,

A química as ciências naturais.


Aqui esperei o inverno e as chuvas.


Os resultados das provas que fiz.


O triste dia da partida de papai,

De mamãe...


Aqui foi o palco de alegria e tristeza.


Não se sabe,

Não se percebe 

Porque se vive sempre 

No presente...

O passado são memórias 

E o futuro são desejos.


Essas coisas são particulares 

Está cultivada em cada um de nós.


Aqui papai envelheceu, cochilou e partiu.


Mamãe tantas vezes renasceu 

E a morte venceu.


Hoje tudo é só memória,

Parte de uma memória...


Se está área falasse.

Se ao menos existisse,


Porém é apenas um vazio entre três  portas.


Só isso.

Tudo e nada.

Viver, reviver... eternidade

 Ontem tive o maior presente do criador,

Estando em minha terra natal

E foi como um sonho renovador.

Acordei enquanto chovia

Meu peito cheio de alegria...

Foi um sonho vivido,

Foi um sonho revivido.


Vivi duas coisas numa só.


A natureza eterna e profunda 

Numa face maravilhosa,

Verde, fresca e molhada.


Quantas vivi essa face em minha vida 


Não foram muitas.


As maravilhas divinas sentimos 

E amamos mesmo 

Que seja a primeira vez.


A esperança forte batendo no peito.


E a já sente a eternidade.


A chuva, o verde e a fé que isso é bom 

É verdadeiro e efêmero.


O cantar alegre das aves...

O cantar harmônico das aves.

O cantar feliz das aves

 nos transmite felicidade.


Foi o que senti ainda criança 

E reafirma sempre que ouço...


Tá guardado na memória.


Ver pela janela a fora

Enchendo a vista de forma, de cor, de profundidade...


Sentir o ar fresco,

A brisa fria, o cheiro de mato molhado, o cheiro da terra enxombrada.


Sentir a realidade da ausência de pai e mãe materializada em saúde.


Aí está.

O coqueiro morreu.

A graviola está quase morta.

Foi papai que plantou.


A realidade do tempo que se foi.

A realidade do tempo que é.


Esse posso viver,

Aquele não mais

Em totalidade.


Tenho um filho pra criar,

Um filho pra ensinar como é a vida aqui...

Na ausência de meus manos e meus pais.


Aqui as mesmas sensações terá.


O ontem foi pra isso.


O café aquecendo o frio da manhã.


A manhã de chuva.

O banho de chuva.


O passeio na mata.

O almoço com arroz de leite e peixe frito.


A tarde de chuva...

Chuva a tarde todinha...


A noite escura e fria.

O angu com leite...

O chá.


A vida.

31/03/26

Catarse

 Pink Floyd e a tarde

Não conhecia Pink Floyd.

Era algo tão distante de minha realidade.

Era algo tão distante de minha vida.

Que nunca ouvira falar.

Eu um garoto do interior que só conhecia as rádios AMs e depois FMs.

Em sua maioria essas rádio tocavam rock romântico, embora Pink Floyd seja uma banda neste estilo.

Nunca havia conhecido.

Uma tarde, ouvi e senti Pink Floyd.


O ano era 2005, estava na ESEC- Seridó. Fazendo coletas botânicas para o mestrado.

Era uma fim de tarde.

Não estava sozinho no alojamento.

Quem estava lá eram amigos e meu saudoso e amigo professor Adalberto Varela Freire.

Adalberto era, para mim, um gênio, um bruxo, um ser humano extraordinário real que dominava o mundo das ideias. Sim ali, sabia nome de plantas e bichos e geologia e nuvens...

E era um grande contador de história e meu professor.

Era um ser humano além do normal.

E ele gostava de rock.

Longa exposição do mestre porque merecia.


Então ou vi a musica "Coming back to life".

Estava no laboratório quando ouvi.

Parei, algo catartico.

A janela do laboratório que dá para o poente estava aberto.

O sol se punha...

O segundo crepúsculo era pleno, 

O céu era azul...

A luz do sol tingia de dourado a paisagem seca da caatinga.

A luz enchia o mundo de beleza,

A luz era refletida no açude.

Eu senti eternidade naquele momento.

Eu senti eternidade naquele momento.

Eu senti a eternidade ali.

Eu sabia que nunca mais iria me esquecer aquele momento, aquele lugar.

Eu senti que podia viver aquele momento pela eternidade.

Momentos fugazes.

A música acabou.

O sol se apagou no poente.

E uma noite se foi.


Dá pra sentir o calor daquele espaço,

A textura da cor,

As curvas daquele som.

Produzido tão longe...

Afetando um ser ignorante na língua que estava sendo cantada a música.

Ignorando o significado.

Senti beleza.

Uma conexão divina.

E tudo passou...

Mas ficou na minha memória.

Deveras uma sensação impar.

Uma percepção que pode se propagar...

Adalberto se foi.

Há anos não voltei na ESEC.

Mas ela está dentro de mim.

Pouco ouço essa música, mas já é parte de mim.

Será que foi o por do sol apenas?

30/03/26

Recife primeira impressão

 Quando cheguei lá,

Tomei um susto

Um susto de realidade.

Casas trepadas nas barreiras,

Casas de tábua,

Casas de lonas...

Casas...

A minha casa pareceu um palácio.


E ninguém ali, imaginava,

O que em minha mente passava.


A gente anestesiada,

A quela gente acostumada,

A chuva e ao sol,

As casas onde morava,

As casas que ali estavam.

Eram casas.

Eram pessoas como eu,

Vivendo sua vida,

Vivendo sua realidade,


A mim uma triste realidade.

Irreal a minha realidade...


Tudo bem, ali era ali.


Bem distante daqui.


Quem se preocupava

Com aquela pobre gente,

Com nome, com voto...


Seu valor,

Nitidamente marginalizada.


Recife...


Grande Recife.

A capital da cultura,

A capital do Pernambuco...


É real,

Em sua entrada não mostra maquiagem

´

É tudo gente e verdade...


Fiquei afetado,

Fiquei impactado...


Mas descobri naquela gente,

Amizade, bondade.

Gente real...

13/03/26

Transição

 Vi a aurora nascendo;

Não sei qual o momento,

Mas vi a aurora despertar,

Tal qual brasa na cinza,

Soprada pelo vento,

A brasa acendendo.

Estava muito escuro!

Em pouco tempo,

A luz foi se acendendo,

Rubra, encarnada.

Fraca, tênue...

Foi se acendendo,

Um convite a reflexão,

Um convite a contemplação,

Um despertar de memória,

Um convite a ver o passado...

Feliz...

Aurora, naquela hora.

Hora ensurdecedora,

Silenciosa...

Fez me olhar no fundo de minha alma,

Em meio e imerso em calma...

Fui fazer o café,

Então o gás acabou.


11/03/26

O grande encontro

 Na mata nasceu a sucupira,

Desmataram a mata e deixaram a sucupira,

Ali virou um estacionamento,

A sucupira ficou na curva de uma via,

Por isso a via se chama curva da sucupira,

A mata virou uma universidade...

A sucupira continua a crescer.

Todos os dias posso contemplar a sucupira imponente,

Seu tronco grosso e casca áspera,

Porta folhes pequenas,

Uma vez por ano fica roxa de flores...

Hoje, um sanhaçu a escolheu para cantar,

Voou até  os ramos dela,

Se preparou e cantou...

Cantou um canto belo,

Como é seu canto.

Cantou como se cantasse pela última vez,

Cantou para si?

Cantou para uma amada?

Cantou para mim?

Cantou.

A sucupira se sentiu até feliz.

E o dia seguiu normalmente.


04/03/26

Herbário um labirinto

 Armários em ordem alfabética,

Armários com livros,

Armários com exsicatas,

Famílias, gêneros e espécies,

Quase tudo determinada,

Mas há coisas indeterminadas,

Muitas coisas conhecidas

A maior parte desconhecida.

Um labirinto,

Que contem municípios,

Regiões, estados...

Uma fotografia da flora,

Um recorte da vegetação...

Feijões, cafés, cajás...

Á tarde de quarta,

Gosto de está no labirinto!

Sinto que estou vivo

Entre coisas mortas,

Peças, ramos, flores e frutos secos.

Através da janela o subosque verde,

Com heliconias, singoniuns,

O verde e a tarde que cai mais depessa

Quando estou no labirinto.

Gosto da companhia de Satier,

Suas gimnopédias,

Seu piano.

E a imaginação me levando pro futuro,

As exsicatas para o passado.

Me fazendo pensar...

03/03/26

O estacionamento

 Abri o estacionamento vazio, sombrio e frio. 

Só as árvores a embelezar e preencher o ambiente

e ser o ambiente. Mangueiras, Cajueiros, sucupiras, açoita-cavalos, guati...

As catingueiras estão lá e as sibipirunas também.

Deitando flores no chão.

O chão dourado,

O ar perfumado das alseis...

Pequenas escovas eretas incensando o estacionamento...


02/03/26

Tudo vai bem

 Abro a janela de minha sala.

Sinto o frescor frio entrar,

A mata molhada se cala,

Avisto um sabiá de papo branco,

Ele me olha como quem me ver,

Depois me ignora...

É sua casa fernanda a aroeira.

Abre suas asas, estufa o peito e canta.

Sou apenas um espectador 

Deste singelo cantor...

É tão bom quando ignoramos o devir,

Quando cremos em Deus.

Tudo vai bem.

24/02/26

Memória uma fonte

 Memórias guardadas como despertadas?

Vi aquela visão de muito tempo atrás. A gente tinha umas vacas. E vez por outra mudava de currais. Ai a gente plantava nesses currais. Veio agora de imediato do nada os embuás encontrados de baixo da paus deitados no solo onde estavam o milharal. A sensação de calor, luz intensa, presença de vida. Papai e eu trabalhando. O embuá preto com pontos amarelos. Embuá casco-de-peba. A terra molhada e macia. A enxada. Minha conexão com o bicho. Com a vida. A tentativa de entender o mundo no meu entorno.

Foi árduo, virou memória e hoje uma doce memória e a presença de papai na minha alma.

13/02/26

Sintonia e harmonia

 Hoje, aqui o sol amanhece claro,

Raios dourados iluminam a parede,

O verde claro das folhas jovens 

Anunciam algo novo iniciando,

O dia, uma estação, um carnaval.

O sanhaçu de coqueiro animado

A cantar, a cuica a gritar...

Tudo em sintonia som e cor,

Pensamento e sentimento.

12/02/26

A chuva, a manhã e eu

 Amanheceu chovendo,

A chuva suave e silenciosa,

A luz pouco difusa e silenciada pelas nuvens chuvosas.

Ali na mata as árvores estáticas a gotejar.

Silêncio total.

Vez por outra canta uma sabiá,

Uma garrincha, um gatuno...

O resto é silêncio!

Luzes apagadas, 

A calha começou a cantar...

A luz branca da sala,

Mostra nossa fotografia, 

Mamãe, Vinícius e eu,

Mostra brinquedos de Vinícius bebê,

Mostra sementes,

Mostra livros...

Círculos, cores,

Presentes, 

Ídolos...

A placa amarela da moto titan 1997 de papai...

NE 464 - Martins RN...

A luz, o som e o clima e minhas representações.

10/02/26

Garrinchinha

 É tarde,

A pouco o dia caiu na tarde.

Agora lá fora conta a garrinchinha,

Marrom avezinha.

Quando canta desperta no meu ser,

Memórias pretéritas,

Da minha infância,

Das chuvas,

Da terra chovida...

Sentia um vazio na vida já naquela época.

Agora estou encontrando um prumo,

Me livrando de tudo.

Urucum

 Um zunido na manhã cinza de chuva, Desperta doces memórias de nosso quintal... Ouvindo um zunido no pé de urucum, Vou ali onde ele está olh...

Gogh

Gogh