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19/06/26

Canjica e memória

O mês é junho, o ano 2026.

O lugar João pessoa.

 Ontem à noite,

Estava no shop, onde vi numa quitanda canjica para vender.

Aquela canjica amarelinha com pó perfumado de doce de canela.

Comprei um copinho.

Na primeira colherada minha memória foi longe no tempo.

Senti o gosto da casa paterna,

Deu para ver a nossa cozinha amarela,

Deu para ouvir a nossa voz conversando.

Deu para sentir o gosto da canjica com leite gelado.

A ordem com que comíamos,

Sendo a canjica primeiro

Na sequência a pamonha.

Vivi sensações vividas,

Percebi a distância que separa aquele tempo

No espaço e no tempo.

Percebi que tudo passou,

Cada um sua vida tomou.

Nem imaginava nada disso quando comia canjica

Naquela cozinha de telhas fumegadas,

Só sentia o doce do açúcar,

Só sentia a textura do leite do milho cozido.

Eu achava que aquele tempo era eterno.

Hoje, no alto do futuro e no raso do presente,

No profundo passado.

Uma simples colher de canjica,

Dá chão a quem fui,

E me faz despertar quem eu sou.

Quanto tempo se passou...

Quanto tempo ainda a divindade me dará.

Não importa.

Prova Vinícius, prova meu filho, prova mamãe de Vinicius.

Prova que essa canjica tem história minha

Que quero compartilhar como compartilho a canjica.

18/06/26

Silêncio interno, tempo.

 A manhã ouca

A manhã cresce com o sol,

E vai se aquecendo,

O verão vai acenando.

O silêncio!

Algo silencia em meu ser.

Ouço sons solitários.

Agora canta uma rolinha,

Canta uma rolinha caldo de feijão.

Uma pombinha tão frágil e bela.

De repente!

Silêncio...

É possível esse silêncio?

A cadeira ringe,

O teclado dedilhado soa.

Mas vem o silêncio...

O silêncio, sentido interno,

O silêncio no tempo,

Não o silêncio no espaço.

Espaço e tempo...

Externo e interno.


A mata, amiga flora

 Quando chego a universidade

O sol ainda está deitado,

A mata fala nas aves.

Quando saio da universidade

O sol quase se deitando,

 A mata fala nos grilos.


A mata é minha amiga,

A mata é minha companheira,

Nossa relação começou quando cheguei aqui.


Retomando,

Sabe!

Não conheço o canto de cada grilos,

Mas conheço o canto de cada ave que aqui canta.

Grilos são desconhecidos,

Aves são mais conhecidas.


A minha relação com a mata é de silêncio,

É de administração,

É de carinho,

É de amizade.

Admiro cada árvore, cada liana, cada arbusto...

Eles sempre estiveram aqui.

E continuarão aqui 

Com suas aves e seus grilos...

Com suas flores,

Com suas resistências...


Eu estou aqui só de passagem.

Muita coisa é nova 

E muita coisa é eterna...

O que sobra da mata.


Respeito a mata!

Não quem mata a mata.


Aqui do fragmento da biblioteca.

Da curva da sucupira...

Lugar de encontros e desencontros.


Respiro profundamente sinto o corpo,

Sinto a mata, os sons, os cheiros e as formas.


É aqui onde o dia inicia,

É aqui onde onde o dia se finda.


Quando começa é intenso sol e luz e movimento e gente e ação.

Quanto termina se foi o sol é sombra, é estática, é vazio.

E se vai...

17/06/26

Quebra de silêncio

 No fundo da mata canta uma garrincha.

A manhã nasceu, mas o sol não apareceu.

Está tudo parado, nem uma folha se move.

Então encantada longe, canta  a garrincha.


Esse silêncio estático da manhã,

Será o silêncio da mata?

Ela, a mata, está viva.

Sinto, ouço e sei.

Só isso.

14/06/26

Sufi

 Sufi

Sempre que ouvi música sufi.

Algo fez minha alma tremer.

Um som tão puro.

Parece que estou no deserto,

Caminhando na areia fria do deserto,

Sob um céu intensamente estrelado.

O místico se sobrepõe...

Séculos de uma cultura de resistência nos lugares mais secos da terra,

O oriente médio.

Vem a minha mente as 1001 noites,

O livro do gênese,

A matemática,

A filosofia aristotélica...

Borges,

Meu pais que me contou um conto das 1001 noites sem saber.

Adaptou... Nem eu mesmo sabia.

Essas coisas saltam da minha aula

Ao ouvir Sufi...

Nem mesmo sei a definição.

Sinto.

Isso me basta.

12/06/26

Lua

Voltei meu olhar para o céu noturno.
Ontem estava nublado e não vi nada.
Anteontem vi Vênus e Júpiter,
Enquanto nasciam no poente.
Hoje de madrugada vi a lua.
A lua está crescente.
Pensei como pode a gente passa a vida vendo a lua
E mesmo assim se admira todas as vezes que mira nela.
Olhar para lua parece ser atemporal,
Olhar para lua parece ser transpacial.
Olhar para lua deve ser universal.

A gente se encantou com a lua,
A gente cantou para a lua,
A gente se encanta com a lua,
Sempre!
Desde a primeira vez que tive consciência de lua.
Nem me lembro mais, mas sei que foi lá na casinha onde vivi minha infância.
Lá descobri a noite e com ela a lua...
A sombra ascendeu meus medos.
A lua era um claro que embelezava a noite.
A lua amenizava o escuro,
Não revelava,
Mas clareava...
Lua esse espelho do sol.
Essa poesia pronta.
Só isso.

11/06/26

Atmosfera

 Amanheceu claro,

O céu azul,

O sol brilhando.

E o sol brilhou intensamente,

Até o meio dia.

Depois os cumulonimbus

Apareceram no poente,

E aos poucos foi tomando o céu.

As quatro horas veio uma chuvinha

E o céu se fechou.

A atmosfera é tão instável.

O dia tem suas distintas variantes.

Como conviver com estas adversidades?

Construa sua casa,

Cuide bem do telhado.

As chuvas vão e voltam sempre.

Os dias e as estações

Seguem um ciclo.

Não seria diferente conosco.

09/06/26

O eu, a tarde e o mato

À tarde,

Andando na mata sob o sol e o calor.

O chiado da folha seca.

Árvores com ramos nus e cinzentos.

Na beira do açude 

As abelhas e aves matam sua sede.

O zunido do vôo das abelhas.

Aves cantando.

O cheiro da água misturada com barro.

O céu azul e sol ardendo.

As pedras quentes,

Preás espojando nas veredas.

A gente se sente um com a natureza.

Sensação de plenitude.

E o tempo passa.

E o tempo para.

O cancão pia.

O vento sopra assanhando o espelho da água.

Neste instante somos eternos.

É tão bom tudo isso.

08/06/26

Conhecer Natal

 Fomos a Natal no mês do são João.

Vimos o aquário da redinha.

Vimos e passamos pela ponte Antenor Navarro.

Vimos o farol de mãe Luiza.

Vimos a via costeira.

Vimos o morro do careca.

Vimos as dunas do parque das dunas.

Vimos a UFRN.

Vimos o museu Camara Cascudo.

Vimos o Hospital universitário Onofre Lopes.

Vimos a maternidade Januário Cique.

Vimos a barreiras do Inferno.

Vimos o maior cajueiro do mundo.

E passamos uma tarde e uma noite 

Em família com meu amado e querido amigo 

Robério Nascimento e sua família Daniele Marinho, Giovanna e Olívia Marinho.

A tarde fresca e de  nuvens de algodão.

Foi perfeito.

É bom demais sentir que a gente tem amigos de verdade.

Voltamos pra casa

Cheio de recordações.

Mamãe e papai do Vinícius.

Natal em junho

 Que lindo céu de junho,

Céu azul e brancas nuvens 

Vento frouxo...

A copa do cajueiro 

Canta a cada instante 

É o vento 

É o tempo.


É São João em natal.

02/06/26

Noite enluarada

 Antes podia desfrutar às noites de lua cheia em família. Papai, mamãe e meus cinco irmãos.

Eu olhava para o céu com um olhar ingênuo. Era todo esperança, amor e instinto.

Após nossa farta janta de Xerém com leite. De bucho cheio, um pouco de leite gelado refrescava nossa alma.

A gente se sentava à frente de casa. 

Contentes e unidos.

E assim a vida foi tecendo nossas histórias. A gente era tão feliz e aquilo era tão pleno.

A lua prateada,

Coração pulsando forte.

Vitalidade de leite com Xerém.

As vezes rezava baixinho.

A lua cheia enchia o mundo de sua luz prateada.

Hoje, agora, eu olho pra lua só e longe de meus irmãos.

A lua se tornou o ser mais próximo e amigo de minha existência a noite.

Papai e mamãe se uniram a Maria e a lua. São só essência agora.

Olho pra lua como olhei naquele tempo. Sabe estava morando o hoje... Diz um ditado persa que a lua é um espelho do tempo... Então ao olhar a lua vejo todas as minhas gerações.

Agora olho para a lua e sinto que aquele tempo está eternamente em mim.


E a lua continuará a nós encantar...

Somos percepção,

Somos intuição,

Somos humanos 

E a lua é a testemunha de toda nossa história.

Até agora.

27/05/26

Chuva

 Chove...

A água soa nas folhas,

A água soa nas calhas.

Longe canta uma garrincha.

Chove...

Silêncio visual...

26/05/26

Goiabas

 Sempre adorei comer goiaba, principalmente no pé.

Goiabas amarelas por fora e vermelha por dentro.

Na minha infância lá em casa havia muitas goiabeiras. 

Algumas ficavam sob cajueiros outras isoladas no sítio.

Nossas goiabeiras davam goiabas sadias, sem bicho ou insetos e muito doces.

Tive uma experiência diferente com goiabeiras e goiabas.

Então lembro que foi na casa da minha avó Sinhá onde primeiro vi goiabas brancas.

Como assim goiabas brancas e não vermelhas!? Pensei.

Como pode.

Mamãe disse que era goiaba da china.

Aquelas goiabas brancas tinham muito bicho e não eram tão docinhas.

Fiquei muito impressionado.

Bateu aquela sensação que as nossas goiabas eram melhores.

Nunca mais esqueci.

Na casa da vovó tudo tinha uma atmosfera de velho.

Não entendia o sentimento de mamãe pelos meus avós.

Mamãe era minha e de meus irmãos...

Não tive a oportunidade de levar meu filho para ir a casa dos avós idosos.

O infante é assim, apaixonado pelo universo que conhece.

25/05/26

Retrato vivo

 O brilho dourado do sol desponta na parede.

Faz do cinza o dourado,

A luz tornas folhas verde clado.

A mata estática não se ver uma folha mover.

Rutilantes estão os pingos de chuva preso as folhas.

Na mata o sabiá afugenta algum bicho.

Canta a garrinchinha.

O que se passa no mundo. Sabe lá.

Aqui reina a paz.

18/05/26

Ouça a chuva

 Silêncio!


Psiu


A chuva está cantando.

A chuva está chovendo.

A chuva está chiando.


A água está pingando,

A água está escorrendo.


Que coisa macia,

Que coisa macia,

Na biqueira transborda uma bacia.

Que alegria sente o sertanejo.

Que alegria ouvir o beijo,

Que a chuva dar na terra...


A chuva muda a terra com esse abraço,

A chuva muda a terra,

A chuva inunda a terra.


A chuva desperta a semente,

A chuva desperta os ramos,

A chuva é a chave que muda a paisagem,

A chuva molha minha alma,

A chuva traz me a calma.

Enchendo-me de bonança,

Da potência da esperança,

Ao ato da existência...


Deus! Obrigado 

Por sua presença,

Obrigado por falar comigo 

Pela voz da chuva...

E venha a mim

De novo e de novo e de novo...

Até o meu fim.


E continuará chovendo,

Filhos nascendo,

E agora estou entendendo 

Que tudo que vem 

Vai...

Tudo que é teve um pai...

E uma mãe que é a chuva.

12/05/26

Chuva trabalhando

 A chuva trabalhando o dia inteiro,

Manhã, tarde e noite,

Ora fraca, ora forte,

Quase pára,

Acelera...

O sol nem apareceu.

As aves emplumadas descansam silenciosas.

Sabem que o fruto do trabalho da chuva é delicioso,

As plantas pagam pelo seu trabalho

Chuva.

Pode chuver.

As aves ficam caladas,

São elas quem mais desfrutam das flores e dos frutos.

Chove chuva de maio,

Abriu já partiu...

A chuva trabalha feliz,

Trabalha cantando.

Vai enchendo o lençol freático,

Vai enchendo os rios,

Vai regando as matas...

Vai distribuindo a essência da vida.

E nós que tal fazermos um café. 

27/04/26

Milharal

 Andei no roçado,

O milho pendoado,

O cheiro da floração,

O milho viçoso...

Meu coração

Ficou bem apertado,

Saudade de meu agricultor,

Que de botas brancas

Me mostrava com orgulho,

O produto de seu trabalho...

Explicava cada momento,

Que trabalhava em silêncio...

Nosso encontro no roçado,

Era algo sagrado...

Quanto amor...

Entre nós...

E os milharais.

Meu pai,

Me ensinou a cultivar a vida.

Como sinto sua partida.

E o milharal, e a mata

E o inverno,

E nossa terra...

Nosso eterno laço.

Amaria te dar um abraço...

Mas, ai...

São só saudades.


26/04/26

Mas...

 Um dia desperto,

Desperto para o mundo.

A realidade trata de negar minha vontade.

Por defeito ou não de ser quero a eternidade, quero o infinito.

O tempo vai se desvelando,

E um dia desperto.

A natureza me ensinou a amar o belo e o bom,

Não me explicou que há um absoluto,

Que e há o feio e o ruim...

Entretanto a raiz estava ali...

Só há belo porque há feio... é uma escala?

Só existe bom porque há ruim...

Não seria algo totalmente subjetivo?

Não seria a raiz do ego, do eu, do self?

Tantos conceitos, tantas palavras para a mesma coisa.

Ai mora a humanidade?

A humanidade é racional?

Produto da memória?

Não sei, mas...

24/04/26

Natureza se ordenar

 A chuva,

A chuva molha a mata,

A chuva molha o solo.

A chuva desperta a vida,

A chuva enxarca tudo,

Faz os ramos brotar,

Faz a semente e esporo germinar.

A chuva faz os ovos eclodirem,

Os bichos aparecerem...

Insetos voarem,

Sapos cantarem...

A chuva passageira,

Uma breve estação,

Faz a vida reproduzir...

E a natureza continuar.

18/04/26

Cortina

 Nas sombras frias e silenciosas da noite desperto,

O sol lenta e silenciosamente nasce e vai revelando o mundo,

Vai aquecendo as cores, vai iluminando as formas.

Matéria e forma, formas e matéria.

A substância de tudo isso!

Formas coloridas, formas aquecidas.

As horas despertas e vivas.

Caem, caem, caem enquanto o tempo passa.

E a noite chega...

As sombras frias e silenciosas caem como uma

Cortina no teatro de minha vida.


Eu caburé

 Acordei de madrugada, O silêncio imperava. Um caburé deu início uma toada, No escuro este cantava. O Caburé nem imaginava  Que de longe eu ...

Gogh

Gogh