Esta casa erguida em cima do alto mirando para o norte carrega em sua existência tanta história.
Está casa foi berço da caçula Aparecida e dela primeiro saiu para a nova vida Neta.
Nesta casa papai quase morreu com congestão.
Esta casa foi dona de um Chevette marrom.
Esta casa já teve tantas cores amarelo, azul, verde...
Já ouviu tantas histórias de seu dono Aldo Batista,
O viu este silenciar da vida.
Foi testemunha do meu primeiro porre quando seu filho Bolinha se casou.
Vi nesse a casa Das Neves contar tantas histórias.
Nesta casa passei chuva, passei sol, dormi a noite...
Estive aí com mamãe e com papai.
Às vezes quando criança aí chegando saia para o oitão ali no quintal olhar o que ali tinha.
A visão é a maior fonte de informação e a curiosidade é o combustível...
Tinha curiosidade de saber como era o oitão de outra casa.
Achava bonito o pé de trapiá, um caixa d'água de cianeto, a palmatória que encurtava o terreiro.
Um dia, mamãe nunca soube, mas sai com Nobe e fui ao poço fundo, tinha tanto menino, e cai no poço quase me afoguei e foi Neto o neto do dono que me salvou. A vida está sempre por um fio.
Foi com a espingarda da dona desta casa que dei meu único tiro erreiro.
Gostava de chegar nesta casa vindo do parieiro, depois de correr do cachorro e do peru de Tio Jussier, mas chegar pelo poente tinha as saudosas aroeiras e cajaraneiras, e o cheiro da cafarana, da bosta de gado molhado são vivos na minha mente... Que revivo toda vez que sinto tais cheiros.
Lembro dos dias quentes nessa área, dos dias frios. Do almoço quente, do café cheiroso, da comida fumaçando, de muito fartura, de uma vez que passei a páscoa... Comi tanto peixe. Casa que presenciei muita fartura.
Essa casa tenha certeza que foi a minha segunda casa. As segundas casas costumam serem dos avós, mas não é o meu caso. No me caso foi está casa. A minha mãe era irmã da dona e o meu pai irmão do dono. Então casa, seus filhos são os meus meios irmãos, não é de fala é de sangue, de corpo e de alma.
Papai era Chico de Aldo... Não Chico de Chico.
Tantas vezes casa se ouviu ribumbar do trovão sob este telhado, coração esperançoso que a chuva viria e quando a telha soava o cheiro de chuva inundava a alma, no escuro o flash do relâmpago pelas frestas da cumeeira fazia-se dia num segundo...
No inverno se ouvia o canto dos sapos e o ronco da cachoeira.
Daí está casa, vigorosa e bem cuidado,
Mas São outros histórias seus atores primeiros saíram de cena.
Meu peito parece que ficou no passado...mas essa é uma versão de nossa história. Nada mais.