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02/06/26

Noite enluarada

 Antes podia desfrutar às noites de lua cheia em família. Papai, mamãe e meus cinco irmãos.

Eu olhava para o céu com um olhar ingênuo. Era todo esperança, amor e instinto.

Após nossa farta janta de Xerém com leite. De bucho cheio, um pouco de leite gelado refrescava nossa alma.

A gente se sentava à frente de casa. 

Contentes e unidos.

E assim a vida foi tecendo nossas histórias. A gente era tão feliz e aquilo era tão pleno.

A lua prateada,

Coração pulsando forte.

Vitalidade de leite com Xerém.

As vezes rezava baixinho.

A lua cheia enchia o mundo de sua luz prateada.

Hoje, agora, eu olho pra lua só e longe de meus irmãos.

A lua se tornou o ser mais próximo e amigo de minha existência a noite.

Papai e mamãe se uniram a Maria e a lua. São só essência agora.

Olho pra lua como olhei naquele tempo. Sabe estava morando o hoje... Diz um ditado persa que a lua é um espelho do tempo... Então ao olhar a lua vejo todas as minhas gerações.

Agora olho para a lua e sinto que aquele tempo está eternamente em mim.


E a lua continuará a nós encantar...

Somos percepção,

Somos intuição,

Somos humanos 

E a lua é a testemunha de toda nossa história.

Até agora.

01/06/26

Cubo

Sob o um está o seis,

Sob o dois está o cinco, 

Sob o três está o quatro, 

Sob o quatro está três,

Sob o cinco és o dois 

E sob o seis está o um.

O que eu vejo

E apenas uma face,

O que vejo é uma parte,

Se vejo de cima,

Não vejo o de baixo,

Se olho pro lado esquerdo 

Não enxergo o direito,

Se olho pra frente 

Não vejo a trás.

Se uso um espelho 

Posso enxergar,

Mas perco a realidade,

Perco o foco.

Dado arremessado qual número me dar?

Um é unidade, centelha divina.

O dois é dualidade 

Principio do conhecimento,

Três é a trindade,

completude,

Síntese dialética,

Divina trindade.

O quatro é causalidade, cruzamento de dois sentidos,

Posicionamento,

Os quatro pontos cardinais.

O cinco pentagrama,  cinco vias do saber, cinco sentido a nos ensinar a realidade.

O seis por fim uma dupla trindade, 

Número pela sorte desejado.

O criador fez a criatura e o homem foi gerado 

No livro do gênese.

E fim.

Sonho da mãe

 A tarde havia chegado. Após um almoço agradável. Colocou o milho de molho para fazer o xerém. Alimentou o cachorro e o gato com o resto de comida. Antes de lavar os pratos fez a lavagem e levou para o porco. O calor e o silêncio da tarde pede um cochilo. Entrou no quarto a janela serrada. Deitado na cama sente o cheiro do travesseiro. Fechou os olhos e dormiu. O sono de meia hora. Acordou e foi até a área da frente da casa, sentou numa cadeira de balanço e pôs-se a olhar no mundo. Terreiro limpinho, um espelho ensolarado, a estrada de barro, o sítio da frente. Pensou na vida, nos pais idosos, nos filhos e no marido. Pensou na vida. Na engrenagem que é a vida. Deu vontade de tomar um café. Quando uma galinha gritou no ninho da casa velha. Tirando os pensamentos metafísicos da vida. Uma vizinha chegou e começaram a palestrar. Nem recordou do sonho que tivera de seu filho sendo professor numa universidade. Sonhos. Ele era apenas um menino. E tudo se passou tão de pressa. Como se passa um dia...

29/05/26

Sonhei ta sonhado

 Dei um mergulho no passado.

Sai andando na nossa terra Serrinha do Canto.

Fui visitar nosso sítio de areias brancas.

Vi os cajueiros em cima das ramas,

e cobertos de Jitirana,

De ramas pilosas e flores alvinhas.

Vi as pinheiras carregadas de pinhas

Cada uma enchendo uma mão, de vez e maduras.

Tão alvinha e docinha.

Nas pinheiras ativos os sanhaçus,

Setas azuis buscando o doce branco  

Revelando as sementes pretas,

Visitei as goiabeiras,

As cajaraneiras com cajaranas

para todo lado, nos ramos dependurado,

no chão entapetado, de esferas amarelas,

E seu cheiro acre-doce, tão docinhas.

Passei na cajazeira.

Andei pelos caminhos caçando calango, os teiús

E não estava sozinho, 

Vinha comigo os cachorros leão vermelho,

dogue branco e negão Pretão.

Observava os passarinhos cantando e saltitando

cabeça-vermelho, corró, joao-de-barro,

Casaca-de-couro e azulão.

Fui na casa de Elita de Palmira chupar umbu e cajarana

E acabei quebrando uns cocos-catolés...

Ali tinha tanta macaxeira, cultivada por Joãozinho de Licor.

Tinha ali uma casa velha e abandonada,

Tantas cenas ali se passou... No fim só era lugar de colocar forragem seca e ninho de abelha caboquinha

Com uma frase marcante...

"Viva e deixe eu viver".

Fui ao tanque de Chico Neco, onde vi o tanque de águas escuras

E nele martelilhos (girinos) a nadar .

Fui ao córrego de Zezinho de Luiz de águas claras com piaba e cará.

Fui ao açude de Juvenal onde aprendi a nadar

Tinha água barrenta à danar.

Fui a pitombeira de Bonifácio Raulino

Onde chupei doces pitombas.

Fui a condessa de Adelson Vieira só para admirar.

Fui casa de tio Jussieu ver o peru valente, a porta estava aberta

Acabara de chegar, um gato novo miou pedindo comida,

Senti o cheiro do óleo queimado do motor.

 Fiquei com medo quando passei em frente a Zé de Julho com aquele cachorro quatro olhos.

Ouvi dali o som 3 em um de Jailton de dadá, vindo da capital paulista. 

Passei na palhoça de Chicão onde vi Jailton de Artur partir e não voltar de São Paulo.

Desci passei na velha escola onde fui alfabetizado.

Achei interessante a casa de Antônio de Chiquinho com um xadrez na frente. 

Até conversei com Evaldo.

Desci peguei um dindin em Zuleide, passei na cajaraneira de dona Munda, 

Sentei um pouco lá em Diniz.

Passei em Irelda tão educada e doce, provei umas groselhas tão azedas que havia lá.

Ouvi a escopadeira de arroz funcionando 

Não lembro se era Vava ou Mourão 

Que estava lá.

Passei longe do jasmim de Eliza de Vicente de Joana.

Jasmim manga com cheiro de defunto.

Subi pela mata até o final de nossa terra.

Quando fui chegando ouvi o tirinete de tio Aldo conversando.

Mamãe concordando e papai escutando.

Nessa hora tio João ia passando.

Despertei e voltei cheio de saudades.

E entendi que a realidade é como se fosse o sonho 

E o sonho como se fosse uma realidade.

Tudo é passageiro.

Essas coisas.

Angustia

 O tempo e o espaço

Campo das sensações,

Percepções e entendimento.

A música me faz sentir

O lugar no espaço,

As coisas mudarem no tempo.

Tudo acontece e não percebo,

Percebo partes,

A coisa toda é maior que aquilo que consigo apreender.

Isso angustia não?

Fluxo

 A mata cinza e fechada,

Agora está tão calada.

Então, desfaz-se o silêncio.

É o vento soprando baixinho.


Paro de observar,

E começo a escutar

O silêncio aqui dentro,

A lua florescente,

A ordem desordenada.

Som de piano...


Som de piano, penso,

É perfeito a essa hora...

Foi feito para o silêncio...

Parece fumaça de incenso,

Buscando veios no ar,

Como água que cai da chuva

Intensa, busca uma direção,

Um pondo mais baixo,

Em desordem segue um fluxo...


Ah... piano.


E o violino!


O que é tudo isso que hipnotiza minha alma?

O belo, o ordenado,

Som sem luz,

No fundo da alma.

Até o fim.


25/05/26

Conhecimento matuto

 Ouvindo poesia de contadores, entendi alguns rumores da vida da gente.

Entendi que o que se canta são memórias,

Se canta saudades,

Se canta alegria,

Se canta entendimento.


Na emoção e na razão se transcende a realidade.


Entendi que se paga caro quando se segue seus sonhos.


Esse grande projeto de se transformar quem quer ser.


No meu caso deixei a casa paterna, fiquei longe de mamãe e papai.


Mudei de lugar... Buscando entender a vida.


Assim encontrei no mundo, na academia, na poesia de viola.


Essa dialética de nossa existência...


Onde me encontro 

E me perco...


E no fim a vida é tempo e experiência e sentimento...


Descobri que meu sonho maior nem fazia parte de minha razão ou consciência...


Minha maior realização foi e é a paternidade.


Volto no passado,

Mas já sei que nada de lá pode me preencher.


Tenho que me apegar ao presente...


No passado tem uma sentelha minha, que posso reordenar minha alma... Tenho que me reconciliar e seguir em frente.


Tudo se foi...


Lá posso resgatar a beleza do lugar onde nasci, o sentimento de ser muito amado.


Seguir em frente...

Origem cultivada

 A casa grande e alva,

Teto alto e portas azuis,

Rodeada de quintais,

Para aquém dos matagais,

O quintal da minha avó,

Foi primeiro da bisavó.

Num terreiro bem limpinho,

Caprichado e varridinho,


Ali num lugar diferente,

ainda tenho na mente

Nos pés das calçadas,

Em cima da horta,

No sítio e no riacho,

As plantas não eram mato,

Eram plantas ornamentais,

E também medicinais.


Atenção, vou lhe falar.

Usei o visão, olfato e o paladar,

E comecei a experimentar.

Ainda me lembro cada lugar.

Na cozinha no pé da horta,

Era atrepada e torta,

Ficava ao seu lado

A romã de frutos coroados,

Da pimenta de macaco,

De frutos em espigas agrupados,

Se maduro bem docinho,

Atenção muito cuidado,

Se mordido fica ardido.


Do lado uma planta esquisita,

Mesmo assim muito bonita,

Uma erva de folha partida,

Flores amarelo enjoado,

Se mordida uma delicia,

Tem um gosto adocicado.


A alfavaca uma arbustiva

Com folhas emparelhadas,

De borda toda serreada,

Quando são por nós tocada,

Sua essência é exalada...


As vincas todas floridas

Na calçada abundava,

Folhas brilhosas emparelhadas,

Dela só as flores encantava,

Suas flores estreladas,

Seus frutos sempre aos pares.


Ali, ainda havia, não sei se roseiras ou jasmins,

Todos muito belos para mim.

Sei que suas flores eram perfumadas,

Tinha uma caqueira arrumada,

Em seu tronco posicionada,

Pra proteger da formiga...


No sítio se ouvia,

Parecia cheia de alegria,

A folha da carnaúba,

O vento a sacolejar,

E a quenga do coqueiro,

Tec-tec-tec a tocar.


No caminho do curral,

De esferas esverdeadas,

A laranjeira encantava,

Com seu sumo doce e azedo,

Vovô colheu uma bacia,

Que grande foi minha alegria,


No riacho mais embaixo,

 A água fria a correr,

Tinha cana de açúcar,

O vovô foi lá e uma cana ele colheu,

Com a faça descascou,

Não esqueço esse momento,

Foi profundo o sentimento,

A cana era alvinha e tão docinha,

Eis uma doce memória,

Que tenho ainda hoje.


Mais abaixo do riacho,

A taboca ali morava,

Um capim tão lindo.

E aqui eu findo os versos encantados,


E digo mais foi o cultivo de 

Chico e Chica meus avós paternais,

Quem primeiro me ensinou,

A importância das plantas,

Para a nossa existência,

E pra minha alegria,

Delas dou aula hoje a cada dia.


22/05/26

Tempo vaqueiro

 Cada lugar num tempo,

Cada tempo num lugar.

Aqui, ali e acolá.

Escorrendo o tempo me leva a viver,

Seja qual for sua maneira.

Vivo e vou vivendo,

Como gado conduzido pelo vaqueiro,

Tempo boiadeiro,

Na vereda que vou seguindo,

Posso me perder ou me furar,

Foi esta que me enfiei e como voltar.

Tempo vaqueiro,

Tempo boideiro,

Nas caatingas da vida,

Espaço de eternidade,

Sigo um caminho,

Pego uma vereda...

O tempo vai me conduzindo,

Com seu aboio silencioso.

Me conduzindo até que enfim,

O tempo e o espaço 

Seja o zero.

Raposas

 Na beira da mata correu uma raposa.

Seu corpo pequeno, suas orelhas grandes,

Seus pelos dourados, seu odor,

me fizeram conhecer a raposa além das imagens,

Além da palavra, além da fantasia. 

Foi tão rápido que não conheci a raposa,

Apenas tive uma percepção, uma sutil percepção,

Que materializou em mim a ideia de raposa,

Em seu ambiente natural.

Depois sumiu.

E peguei-me a pensar em raposas.


Silêncio da mata

 Os grilos quebram o silêncio da mata com seu canto matinal

Cantam no chão da mata debaixo do folharal.

É um canto agradável e cadenciado,

Então o sol vai acendendo,

E de luz vai preenchendo toda a floresta.


O vento parceiro de dança e canto da mata,

Não apareceu... E a mata se recata em silêncio.

Só o grilo e o sabiá a cantar.


21/05/26

Galo cantar

 Ontem de madrugada ouvi o galo cantar.

Viagem neste e amei ouvir seu canto cantado.

Estava muito escuro e frio.

Quem merece acordar para trabalhar tão cedo.

Lembrei de um tempo distante em 2007,

Lá na capital paulista...

Tantos operários de pé nas paradas dos ônibus.

E os ônibus passavam tão lotados.

Dos boeiros o calor saia fumaçando,

E logo resfriando nas ruas frias.

A felicidade quando o ônibus parava,

Imprensa daqui, imprensa dali...

E o ônibus lotado ia levando mão de obra para o centro.

Eu vi, senti, estava lá.

Sentia saudades de casa...

Do galo cantar,

De mamãe ressonar,

Mas fui em bora.

E ainda hoje... tem gente que continua lá.

Desperto para rezar.

O galo me levou tão longe...

Canto com encanto marrom

 Contente o rixinó canta na beira da mata.

O silêncio da mata quebrado por tal canto encanta tanto.

Faz voltar no tempo,

Quando o rixinó fazia ninho na soleira da casa velha.

Papai deixava, pois rixinó é abençoado, dizia.

Então ela pulava pelos caibros,

Ia e voltava com gravetinhos,

Fazendo o ninho,

Depois gerava os ovinhos,

E nasciam seus filhotinhos...

Vulto marrom.

Asa estriada,

Canta, canta, canta e os males espanta.

Era tão bom.

É tão bom...

Realmente são abençoadas.

Amarrado esse laço de amor.

Agora e sempre.

Filosofia e o violino

 Estava No centro de São Paulo, perto da Sé quando entrei num sebo e ali pela primeira vez ouvi a energia que emana de um violino. O som é alto e torna a música harmoniosa e intensa. Minha alma sentiu a beleza materializada em forma de som. Fiquei preso aquela música por um doce momento. Envolvido ouvindo, pude garimpar um ou outro livro de filosofia que amo cultivar. Depois comprei o livro... li e fui feliz por um instante.

Silêncio das palavas

 As palavras me permitem uma aproximação aos objetos que nunca terei conexão. Só consigo acessar o espirito o ser assim nunca o ser ai. Assim me aproximo de Pessoa sem me aproximar, me aproximo de Quintana... Tantos trovadores que estiveram aqui. Tantas cantigas cantadas a luz do candieiro ou lamparina. Versos de sabedoria de exaltação a natureza. Alguns sublimes como poema da saudade do Grande Antônio Pereira... Alguém o memorizou... mas só em parte. Que genialidade concentrar uma sabedoria profunda e ordenar as palavras em um texto que define a palavra... As palavras quebram o silêncio em silêncio. As palavras são a alma material do inexistente que foi... Essas coisas.

Pai e mãe

 Seguir a vida 

Seguir a vida...

Quando nossos pais se vão,

No coração surge um vazio,

A gente até sente um frio,

Não se tem nem dimensão,


Fica faltando quem mais nos amou,

Ausência de um olhar,

Ausência de uma palavra

De carinho ou repreensão...


Ficamos no mundo,

Assim tão soltos...

Se com eles aprendemos,

Coisas boas levaremos

Por toda nossa existência...


Entre elas a ausência,

Talvez seja a penitência

De uma vida viver,

De ser e deixar de ser...


Na mãe o amor,

No pai o rigor...


Essa existência dura,

Triste quem perde pais na verde vida,

Coitadinhos vão viver a duras penas,

Mas tem Jesus por nós,

Tem nossa senhora,

Que nos acode toda hora...


E nos faz entender que esse vazio

E nos faz entender esse frio...


E nos faz ver nas flores,

E nos faz ver nas crianças,

Onde há amor há esperança.


Até o dia final.

20/05/26

Canto e encanto

 O  canto causa encanto,

O canto causa espanto,

Bem no canto da casa,

Cantou a coruja.

Papai se espantou,

Pegou a chinela

E cruzou de baixo pra cima.

O canto calou,

A coruja voou...

O canto no canto do cajueiro,

De dois trovadores,

Papai amou,

Eram casacas de couro,

Cantando,

Toando,

Felizes... Sadias...

Papai suspirou.

Tão feliz...

O calor da tarde nem incomodava...

Que belo canto.

Quebra do silêncio no silêncio

O silêncio não é apenas ausência de som.
Não se quebra o silêncio apenas com o som,
Se quebra o silêncio com pensamento,
Se quebra o silêncio com a palavra,
Não a palavra falada,
Mas a palavra escrita,
Palavra expressa...
Tem uma potência que nem imaginamos.
Rompe o tempo,
E as vezes o espaço.

19/05/26

Ecos na concha do tempo

 Serrinha minha terrinha,

De onde de hoje e sempre.

Ontem podia ouvir,

O eco das bombas e foguetões,

Ecoando nos grotões,

No pé da chapada,

Sons avisando viva...

Viva ao santo do dia.

Eram meus parentes,

Felizes e contentes,

Com uma promessa atendida,

Coisas lindas da vida.


Eu menino ouvia na mata

Esse ribumbar e ficava maravilhado,

O que era aquilo...

Era a fé sendo externada.


Naquele universo tentava entender o mundo,

Tentava saber quem sou...

Eu tinha tudo,

Eu tinha quem me amava,

Tinha quem cuidava de mim...


Ontem...


Hoje, já não ouço mais bombas,

Nem ecos...

O mundo perdeu a magia de infante.

Os mistérios a ciência revelou,

A vida revelou o resto.

Restou apenas a fé.

E é o suficiente.

18/05/26

Ouça a chuva

 Silêncio!


Psiu


A chuva está cantando.

A chuva está chovendo.

A chuva está chiando.


A água está pingando,

A água está escorrendo.


Que coisa macia,

Que coisa macia,

Na biqueira transborda uma bacia.

Que alegria sente o sertanejo.

Que alegria ouvir o beijo,

Que a chuva dar na terra...


A chuva muda a terra com esse abraço,

A chuva muda a terra,

A chuva inunda a terra.


A chuva desperta a semente,

A chuva desperta os ramos,

A chuva é a chave que muda a paisagem,

A chuva molha minha alma,

A chuva traz me a calma.

Enchendo-me de bonança,

Da potência da esperança,

Ao ato da existência...


Deus! Obrigado 

Por sua presença,

Obrigado por falar comigo 

Pela voz da chuva...

E venha a mim

De novo e de novo e de novo...

Até o meu fim.


E continuará chovendo,

Filhos nascendo,

E agora estou entendendo 

Que tudo que vem 

Vai...

Tudo que é teve um pai...

E uma mãe que é a chuva.

Noite enluarada

 Antes podia desfrutar às noites de lua cheia em família. Papai, mamãe e meus cinco irmãos. Eu olhava para o céu com um olhar ingênuo. Era t...

Gogh

Gogh