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14/07/26

O jasmim da casa 46

 Na rua Enane Vilar Cavalcanti casa 46 havia um pé de jasmim.

Nesta rua, casa 46, havia um pé de jasmim-manga.

Era uma árvore de copa aberta,

Tronco cinzento e seroso.

Folhas serosas e lanceolado-elíptica feito folha de manga,

Estava sempre florido,

Por vezes frutificado,

Suas flores alvas com garganta amarela,

Eram sempre perfumadas.

E desde bebezinho, parava para coletar uma flor e cheirar

E compartilhar com o minha esposa e meu filho,

Depois só com o meu filho.

A estrela de prata alva,

Tantas memórias de tardes de caminhada

Era ali que dávamos os primeiros passos.

Mas o jasmim, jaz na eternidade.

Ficou a casa, o número e a memória,

E esta composição, consta que na rua Ernane Vilar Cavalcante

Entre os anos 80 e 2026 existiu um jasmim.

Não sei quem são seus donos,

Quem plantou aquele jasmim,

Mas quem plantou tinha muitas memórias.

Deveras quem cortou ou mandou cortar aquele jasmim,

Não amava planta, amava quem plantou?

Seria um desconhecido?

Se foi o jasmim.

Parte de mim se vai...

Exceto aqui,


13/07/26

O ar

 O sabiá se calou,

Não é tempo de cantar,

Agora só quem canta é a garrincha.

Aves que cantam de manhã...

Saudade do sabiá,

Quem bom que tem a garrincha,

Se não tivesse, tudo seria silêncio.

A luz do sol começa a imperar.

As nuvens se dispersaram,

Estão sumindo.

Ontem, à tarde, fiquei em extase

Ao ver no céu azul,

Nuvens estriadas...

Tão belas formas abauladas,

Almofadadas...

Essas formas esculpidas pelo ar, pelo vento.

Também é o ar que propaga esse canto agora,

Canto que ouço com contentamento.

Ele dispara saudade,

Mas graça de agradecimento...

Desse desenfreado tempo.

09/07/26

Memória sonora

Em junho, fomos a Portalegre no RN. 
Lá um dos lugares que visitamos foi a Bica.
Lá tem um poço com um cano onde á agua escorre como numa bica.
O som da água, o frescor da sombra da mata nos faz sentir bem.
As crianças brincavam num parquinho e ali do lado no poente
Habitava uma enorme e linda timbaúba. 
Sentei num banco olhando as crianças,
Então ouvi um canto lindo.
Minha mente voltou ao passado.
Doce memória.
Era uma rolinha azul da mata.
Pousada na timbaúba cantou várias vezes.
Minha mente voltou ao tempo que morava em Serrinha do Canto,
Ano de muito inverno e mata fechada.
Costumava ouvir essa ave cantar.
Depois ela voou, a memória ressignificou,
E fomos almoçar.

07/07/26

Água, cinza e sertão

 Na capoeira roçada,

Coivara foi queimada,

Após a neblina caída,

Ali canta o tetéu a vida,

Na cama ainda deitado,

Meu coração bate animado,

Com o ronco do trovão,

Meu peito pula de emoção,

E a promessa que há

É que tudo vai mudar,

As cinzas se apagam,

Natureza muda de cor,

Do chão nasce as sementes,

Dos ramos brota a rama,

Das nuvens água se derrama,

O cheiro da chuva aquece a alma...

A promessa da mudança,

Me envolve em esperança

E a vida vai bem mais um dia...

Com a chegada da alegria,

A chuva traz essa sintonia.

02/07/26

Graça

 Meu criador e soberano 

Que me trouxe a esse plano,

E me permite contemplar,

E me ensina a amar,

Tudo que aqui sonhar,

Tudo que aqui enfrentar,

Vivendo sem muita pressa,

O caminhar é o que interessa.

30/06/26

Toada do sertanejo

 A mata toda bonita,

Verde e copada,

Nem parece o sertão,

Quando chega o calorão,

As folhas amarelam e murcham.

A gente até esquece esta longa estação.


A mata toda enramada,

Jitirana formando latada,

Fica toda estrelada,

Flores amarelas,

Flores azuis,

Flores rosadas

Flores alvas.


Canta feliz a passarada,

Quando surge a alvorada.


E chega a arribação,

Voa aos montes avisando,

É o fim de uma estação.


A cigarra volta a cantar,

O sol intenso a brilhar,

O calor aumenta,

E a natureza se prepara,

Para adormecer,

A flor seca e vira fruto,

A semente é espalhada,


Cajarana amadurece amarelada,

A gente senta na calçada,

Reza e agradece,

Faz fogueira para são João,

Come milho e pinha,

A gente vira ave,

O leite farto,

Pra molhar o cuzcuz...

Pra comer com canjica...


Eu vejo o tempo eterno...

Vejo que o sertão é sempre assim

E nós somos sempre assim...


Em essência carregamos esperança,

Fé no que é bom,

Em novos invernos,

Em novas floradas,

Em novas colheitas...

Numa vida melhor...


O tempo passa e muitas vezes a gente 

Depois que cresce nem agradece,

Nem contempla a florada,

O canto do vento na mata,

O som do riacho correndo para baixo,

A beleza da florada...

É assim, vivendo quase feito passarim.

19/06/26

Esculpindo uma arte

 Em um instante penso,

Penso no que construo,

Penso no que escrevo,

Penso e escrevo.

Escrevo uma ideia,

Escrevo uma representação

Usando a palavra.

É um momento breve,

De uma composição.

Escrevo o que penso.

E incrivelmente 

O que escrevo se cristaliza.

O pensamento se materializa,

Em palavras, frases...

Às vezes é um cristal,

Às vezes é vidro.

Está ali materializado

Em signos,

Estou selecionado,

Estou procurando 

Uma forma melhor de cristalizar meus sentimentos...

Estou buscando a medida certa,

Aprender certas artes é trabalhoso

E quanto mais trabalhoso, mais valioso.

Um dia quando me for essas palavras 

Continuarão existentes...

Expressarão

Um instante que pensei no futuro,

No passado,

Mas estava no presente.

Só isso.

Dos dias doces da vida

  A tarde caiu agradável,

O céu azul com carneirinhos,

O vento soprando frio.

Até cochilei.

É mês de junho,

As festas juninas,

O milho verde, 

A fogueira...

E essas tardes figueiras.

A gente se sente assim... Feliz.

Com os anos idos,

Com o presente...

E o futuro a Deus pertence.

A tarde cai maravilhosa.

Canjica e memória

O mês é junho, o ano 2026.

O lugar João pessoa.

 Ontem à noite,

Estava no shop, onde vi numa quitanda canjica para vender.

Aquela canjica amarelinha com pó perfumado de doce de canela.

Comprei um copinho.

Na primeira colherada minha memória foi longe no tempo.

Senti o gosto da casa paterna,

Deu para ver a nossa cozinha amarela,

Deu para ouvir a nossa voz conversando.

Deu para sentir o gosto da canjica com leite gelado.

A ordem com que comíamos,

Sendo a canjica primeiro

Na sequência a pamonha.

Vivi sensações vividas,

Percebi a distância que separa aquele tempo

No espaço e no tempo.

Percebi que tudo passou,

Cada um sua vida tomou.

Nem imaginava nada disso quando comia canjica

Naquela cozinha de telhas fumegadas,

Só sentia o doce do açúcar,

Só sentia a textura do leite do milho cozido.

Eu achava que aquele tempo era eterno.

Hoje, no alto do futuro e no raso do presente,

No profundo passado.

Uma simples colher de canjica,

Dá chão a quem fui,

E me faz despertar quem eu sou.

Quanto tempo se passou...

Quanto tempo ainda a divindade me dará.

Não importa.

Prova Vinícius, prova meu filho, prova mamãe de Vinicius.

Prova que essa canjica tem história minha

Que quero compartilhar como compartilho a canjica.

18/06/26

Lua, vênus e a noite

 À tarde, enquanto anoitecia,

Depois de chover o dia inteiro,

Incrivelmente o céu estava limpo,

O céu era infinito.

Aos poucos se dissolvia toda luz em sombra,

E a lua ia subindo,

Subindo feito balão.

Por um instante,

Contemplei a lua,

Lua crescente,

Tão jovenzinha.

Acima da lua,

Vênus despontava,

A noite anunciava,

Para o poente apontava.

Estava caminhando com meu filho,

Entrertido com um picolé,

Disse que era lua crescente.

De acordo,

Disse que era a posição da luz.

Com cinco anos já conhecera...

Demorei muito a saber das fases da lua.

Mas por muito contemplar,

Por perceber seu olhar,

Aprendi a conhecer a lua.

15/06/26

O riacho

 No terreno de papai,

Corria um riacho,

Corre, corre, corre riacho.

Água azul leitosa,

De manhã tão friazinha.

O riacho era perfumado

De flores rosas de mimosa,

De flores roxas de mucunã.

Corria para lá para birncar.

Fazia uma parece...

Mexia no barro molhado,

Construía o meu açude.

Via na água leitosa

A beleza mineral.

O silêncio da mata,

Assanhada pelo vento...

Tudo ficou para trás.

Tudo ficou para trás.

O mato fechou tudo.

Mato fechado.

Tudo ficou para trás.

Minha infância,

Meus sonhos,

O leito do riacho está lá.

E na minha mente.


Era tão bom,

Depois me banhar na água,

Ouvir mamãe gritar,

E saia correndo,

Com fome...

Chegava em casa

E comia feijão verde.

E a vida era mais linda do mundo.

12/06/26

Lua

Voltei meu olhar para o céu noturno.
Ontem estava nublado e não vi nada.
Anteontem vi Vênus e Júpiter,
Enquanto nasciam no poente.
Hoje de madrugada vi a lua.
A lua está crescente.
Pensei como pode a gente passa a vida vendo a lua
E mesmo assim se admira todas as vezes que mira nela.
Olhar para lua parece ser atemporal,
Olhar para lua parece ser transpacial.
Olhar para lua deve ser universal.

A gente se encantou com a lua,
A gente cantou para a lua,
A gente se encanta com a lua,
Sempre!
Desde a primeira vez que tive consciência de lua.
Nem me lembro mais, mas sei que foi lá na casinha onde vivi minha infância.
Lá descobri a noite e com ela a lua...
A sombra ascendeu meus medos.
A lua era um claro que embelezava a noite.
A lua amenizava o escuro,
Não revelava,
Mas clareava...
Lua esse espelho do sol.
Essa poesia pronta.
Só isso.

10/06/26

Manto divino

 Após as chuvas de maio

Quanto os campos ficam coberto de flores,

Quando o milho secou a palha

E o feijão de corda se enrola 

No colmo do milho. 

As flores de feijão passam a enfeitar os pés de milho.

É a hora de dobrar o milharal.

É logo nas primeiras chuvas de junho,

Um espetáculo acontece.

Os freijós ficam floridos,

Parecem se cobrirem com um manto alvo divino.

Um manto perfumado e alvo.

Flores estrelas,

Estrelas flores.

Os dias frios floridos,

Os dias frios estrelados de alvo,

A noite o céu é uma coxa negra de algodão,

Estrelada...

A existência é tão plena e infinita.

Chegamos a sentir a eternidade,

Chegamos a sentirmos a divindade.

O espetáculo do freijó.

Nos sítios e nas matas.

Chega parecer poesia.

E a vida expressa que vale a pena ser vivida.


Freijó ou linharé - Cordiaceae - Cordia trichotoma.

Na intimidade com o divino.

 A tarde caia deixando a barra acesa por um bom tempo.

Depois o céu limpo, ficava quarado de estrelas.

Mas vênus era a primeira a aparecer,

Selando a união do dia com a noite.

Eu, sem entender do mundo, 

Eu, sem entender de mim

Via tudo com  tanta ternura...

Contemplava a imensidão do mundo,

Pois diante do firmamento me sentia uma formiga.

O céu pleno, escuro peneirado de estrela.

O céu pleno tingido de estrelas

Vivas estrelas pulsantes.

Tamanha beleza me abraçava,

Sentia a transcendência da minha existência.

Mamãe, Papai e minhas irmãs estavam em casa

Preparando o jantar, tomando banho...

Enquanto a noite dissolvia a luz.

As vacas no pequeno curral cominam

Restos de palha,

Só se ouvia o tilinitar do chocalho.


Só de bermuda, pés empoeirado, 

Sandálias velhas...

Sentia a intimidade do mundo.

Mudas as árvores me faziam companhia.

A terra esfriando da luz do dia.

Eu, pleno eu.

Estava seguro.

Me sentia seguro...

Nem pensava em nada.

Só contemplava o anoitecer,

O céu estrelado.

E você?


Transcendência

 Ontem, quando a noite caiu.

Ela revelou um outro céu.

Céu limpo e atropurpúreo.

No céu dois corpos celestes,

Dois planetas direcionavam o poente.

Eram Vênus e Júpiter.

Voltei no tempo,

Voltei a serrinha do Canto.

Onde era frequente a contemplação Celeste.

Essa semana vi essa formação mais de uma vez.

E me uni ao divino,

Ao eu, ao universo.

Algo grande revelando minha pequenez,

Algo grande revelando o divino.

Algo que me fez sentir a transcendência da existência.

Dormi feliz.

09/06/26

O eu, a tarde e o mato

À tarde,

Andando na mata sob o sol e o calor.

O chiado da folha seca.

Árvores com ramos nus e cinzentos.

Na beira do açude 

As abelhas e aves matam sua sede.

O zunido do vôo das abelhas.

Aves cantando.

O cheiro da água misturada com barro.

O céu azul e sol ardendo.

As pedras quentes,

Preás espojando nas veredas.

A gente se sente um com a natureza.

Sensação de plenitude.

E o tempo passa.

E o tempo para.

O cancão pia.

O vento sopra assanhando o espelho da água.

Neste instante somos eternos.

É tão bom tudo isso.

08/06/26

Primeiras horas

 Chove.

O vento frio.

O céu cinzento.

Uma vela acesa.

A pluma amarela dança.

Enquanto dança conta o tempo presente.

Enquanto dança consome o pavio e a cera.

Enquanto dança ilumina com sua luz alaranjada,

Enquanto dança consome a si.

Alumia e aquece o seu entorno.

Vejo a vela.

Sou uma vela.

E penso este pensamento.

Pensar consome o meu tempo.

Pensamento causalidade?

Pensamento é tempo sem espaço.

Pensamento é tempo no tempo.

Pensamento é memória em aquecimento.

A vela dança 

A chuva chove.

O pensamento pensa...

Onde está o eu.

Natal em junho

 Que lindo céu de junho,

Céu azul e brancas nuvens 

Vento frouxo...

A copa do cajueiro 

Canta a cada instante 

É o vento 

É o tempo.


É São João em natal.

Suave palavrear

 A noite fria.

No céu limpo

Míngua a lua.

Junho chegou.

03/06/26

Retrato do sertão

 Na terra seca das Vertentes 

Profundamente dorme a vegetação  

No período seco do verão,

Ali sopra o vento contente.

Do chão se assanha a poeira,

Da mata faz soar um doce cantar,


As tardes tão encarnadas,

As manhãs todas douradas,

De dia o sol arde intensamente,

Canta a cigarra alegremente.


Na manta cinzenta maiado o gado,

Rumina, respira e calorosamente.

Relaxando, sentindo o mundo.


Ali naquela pequena matinha 

Se ver catingueira e marmeleiro,

Destiorados e desfolhados,

Vê-se ainda bem ali, junto aquele lajedo

O Xique-Xique e o facheiro,

Carregando o verde esperança 

Armados da base ao alto.

Ali, bem no mufumbo ouvi um trinado.

O mais lindo corrochiado.

Imediatamente fiquei encantado.

Era o canto de um golinho.

E trouxe para sempre aprisionado em minha mente,

Faz parte de minha alma.

Essa beleza sonora.

Aprendi de imediato o nome deste passarinho.

Seu ser,

Sua forma,

Suas cores,

Seu canto e seu espírito que passou a ser parte de mim.

Seu bico amarelinho,

Seu papinho bem alvinho,

Com uma gola escurinha,

Costas bem cinzentinha.

Senti a beleza...

Em tudo, nas vertentes,

Na mata e nas plantas,

E no golinho cantando lindamente.

Cinema

 Ontem fomos ao cinema. Sassá adorou entrar no banheiro e encontrar um mictório infantil e pia para criança. Depois entramos entramos na sal...

Gogh

Gogh