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15/10/26

Contemplar, ser e amar

 Contemplação,

Contemplação exige corpo relaxado,

Exige atenção ao objeto,

Exige contato direto da visão,

Do olfato,

Da audição,

Da sensação tátil,

Do paladar...

Contemplar é dar tempo

Para ver,

Para cheirar,

Para ouvir, 

Para tocar,

Para degustar...

Parar o tempo e se envolver no espaço...

Deixar o ser sentir a existência...

Contemplar

É viver com a consciência do aqui e agora,

É dar o tempo real que o ser precisa para sentir a vida.

Contemplar é sentir a vida.

Quando a gente sabe quem somos fica mais fácil.

Aquela imagem de Gogh,

Aquele som de Mozart,

Aquele gosto de pudim,

Aquele abraço fraterno,

Aquele cheiro de jasmim.


Ontem, contemplei a lua do jardim,

Enquanto regava as plantas,

Enquanto a torneira enchia o balde,

A água escorrendo me acalma...

O céu pós crepúsculo,

As estrelas acendendo,

A lua crescendo no céu...


Desde muito tempo tenho o hábito de contemplar o céu no anoitecer,

Antes me conectava com meus avós,

Agora com os meus pais...

Estou contente que tenha conquistado este hábito.

Para seguir para a etapa adiante... 

Viver com amor.

14/10/26

Que maravilha tudo isso.

 À tarde se despede do dia,

E morna se entrega a noite fria,

A luz eterna do sol,

Desaparece no poente,

E o corpo quente esfria,

A terra esfria rapidamente,

A água vai esfriando lentamente...

Água e sal,

Vento a soprar,

Longe do mar,

O frescor da sombra e da brisa fria.

Que maravilha tudo isso.

12/10/26

Graça, graça e graça

 Abençoado é aquele que vive em sua terra

com sua cultura,

com suas coisas pra cuidar,

com seu meio.

Como são belas as manhãs,

como são belas as noites.

Como é boa a vida.

A universidade da vida aí está...

Tem início, tem fim e com sorte um meio...

Nossas lutas,

nossas experiências,

Nossa alma,

como os outros nos vêem 

e como nós nos vemos...

Neste movimento o surgir e o desaparecer da consciência...

O que é isso mesmo?

09/10/26

A natureza e a espiral

 Acho interessante a natureza,

Nela tantas formas se revelam

Universais...

Imagine a dura espiral do caracol,

Imagine a móvel espiral do emboá.

Imagine a espiral letal do escorpião,

São tão conhecidas,

São tão interessantes,

Já viu a espiral da samambaia,

E o que dirá da espiral dos cachos de cabelos,

Celulose, lignina, proteína...

A natureza me encanta,

Com suas curvas,

longas e curtas,

Caminha em paz emboá,

Cuidado com o escorpião,

É tão frágil o báculo monilófito,

É tão forte o pelo do cabelo...

Meio ao meio no meio...

Se comprimindo,

Se distendendo...

Se fazendo e desfazendo numa espiral.




05/10/26

Cravo

 As flores que comprei são flores de cravo,

são flores de crisântemo.

As flores que comprei são amarelas 

feito gema de ovo.

As flores que comprei são perfumadas

dum cheiro doce.

As flores que comprei enfeitam minha sala faz uma semana.


Feixe radiado,

Feixe assimétrico...


Miro este arranjo,

São 14 capítulos

com dezenas de flores.


Estas flores deixam minha alma contente,


Elas me fazem esquecer de meus sentimentos,

Elas me fazem esquecer a objetividade da vida...


Penso no que vejo, beleza.


Sinto o que vejo aroma...


E tudo isto me agrada.


Obrigado Senhor.

02/10/26

Tempo, Qualidade e mente

 Como um lento crepúsculo,

O tempo se vai...

Na eternidade do agora,

Na imediatez da memória,

O empo se vai...

Vai lento na dor,

E rápido no amor...

Rápido como o murchar de uma erva,

Lento como o nascer da lua...

Rápido como ferro quente,

Lento como água gelada,

Rápido como almíscar,

Lento como o cheiro da flor...

Onde está o fundo de tudo isso?

Na mente,

Em lugar nenhum.



01/10/26

Outubro

 Outubro, mês de Francisco,

São Francisco!

Mês de Francisca minha mãe amada.

Mês de muita luz,

Dias iluminados,

Noites estreladas...

Mês de muita fé.

Mês de resistência.

Mês de trazer tudo isso para dentro de nós.

Décimo mês do ano.

Que reine a oração do Santo protetor dos pobres e dos animais.

Amém

30/09/26

O que é a vida.

 Em setembro, 

Na minha terra natal, 

A mata fica despida,

O vento sopra do nordeste,


Em setembro,

Lá em Serrinha,

Podemos ouvir 

Quando a difusora anuncia,

Um chamado para a festa,

Festa da padroeira,

Festa de Nossa senhora da Salete...


Posso ouvir, 

Mesmo morando em outro lugar.

Em setembro,

Nosso sítio cheira a flor de cajueiro,

As mangueiras também floram...


A esperança de boa safra já me faz sentir feliz.

Em setembro,

A gente espera pelo outubro,

Pelo dia das crianças,

Pelo dia de são Francisco,

Pelo aniversário de mamãe...

Que continuará eternamente sendo minha mãe,

E aniversariando no dia dez do dez...


Em setembro,

É tão quente e radiante,

Longe canta o joão de barro,

A casaca de couro...


O vento sopra entre os garranchos cinzas da caatinga...

É tão lindo ver a aroeira florida,

Imperosa aroeira,

De onde o sabiá costuma cantar.


A carnaúba suas folhas ao vento saculeja,

O angico se cobre de flores...

Estamos em setembro na grande estação do verão.

É tão bom,

É tão bonito...

E outubro segue o mesmo rítmo,

E em novembro,

Celebramos nossa união com a eternidade,

Vamos visitar nossos finados,

E vemos a missa do cemitério,

Onde o sol se põe ali,

Rodeado ao norte por chapada...

Logo chega dezembro,

E a gente percebe...

O que é importante,

O que é belo,

O que é finito,

O que é a vida.

29/09/26

Eternidade, espaço e um sol

 Os raios do sol,

Eternos raios,

Fonte inesgotável e infinita,

Coroado pelo tempo,

Coroado no espaço.

Sol,

Que ocupa um espaço no espaço,

E que dança sem parar,

Gira no mesmo lugar,

Gira em outro lugar...

Corona heliocentrica,

Corona heliocentrifuga,

Fonte infinita de hélio,

Supremos do sistema solar...

Que em tudo está,

Que tudo é fonte...

Nas sombras que a noite oculta,

O pavio de uma lamaparina pode alumiar,

E os raios celestes 

Ali deve está...

Eternidade que se encontra no dia,

Eternidade que se encontra no agora...

Que tem várias faces...

Apolíneas...

Originais,

Um círculo,

Uma coroa de raios.

Uma representação...

Um compasso...

O tempo.

O espaço...

E este turbilhão de ideias,

Numa só,

No sol.

25/09/26

A flor do cardeiro

 Sutil flor de cardeiro,

Que floresce num corpo amarado,

Um corpo de espinho coroado,

Em meio as rosetas fios de seda

O de algodão,

Oram lembra a paixão.


Em meio ao sol quente,

Em meio ao solo torrado,

Cresce bravo o cardeiro,

Sem reclamar...


Após o intenso verão,

Quando muda a estação,

Em meio as rosetas,

Nasce um botão,

Floresce a flor alva,

Suave e macia,

Não dura um dia...


Floresce para si,

Floresce para a natureza,

Floresce para alimentar,

O bicho que vier li provar...


Em meio aos espinhos,

Há sentimentos,

Em meio a hostilidade há esperança,

E num momento de mudança,

A realidade se mostra maior...


Será o cardeiro 

Um coração espinhado...



24/09/26

E não é assim

 Sinto que estou na caatinga,

Sinto que estou no sertão,

Estou naquele mato sob aquele céu,

Aquele céu de sol escaldante.

E tudo que quero é sombra,

E tudo que quero é água fresca...

Está sob aquele é importante,

Para valorizar a sombra e a água...

Mas sob o mesmo sol

Tem seres que não tem nem sombra e água fresca...

Mas consegue sobreviver,

Feito a juema,

Feito o marmeleiro,

Feito a aroeira...

Feito o juazeiro,

O juazeiro sabe comparilhar,

Sabe buscar água,

Sabe guardar água,

Sabe existir sob aquele sol...

Uns dão sombra, feito o juazeiro

Outros dão cheiro, feito marmeleiro

E outros espinhos e flores feiro a jurema...

Somos assim,

A natureza nos fez assim...

Mas podemos sermos melhores,

E sermos gratos por tudo,

Pela agudeza dos espinhos

Que nos ensinam a serem resilientes,

Sermos perfumados e oferecemos já que é tudo que temos,

E quando não até se doar seu corpo sua madeira...

E os espinhos nos protegem...

E não é assim.

23/09/26

Casa velha abandonada

 Os ramos de Jurema emoldurava a velha casa abandonada.

Aquela casa na caatinga criada,

ali foi construída,

Ali foi habitada.

Entre suas paredes houve amor.

Entre suas paredes foi feito o café da manhã,

o almoço e o jantar.

Aquelas paredes com suas janelas 

sentiram o vento lhes refrescar...

Viram o sol nascer e se pôr,

cadenciando o tempo... dias e noites.

Hoje tudo se acabou.

A caatinga venceu e apaga toda a história que ali se passou.

A casa resiste,

Só aqueles de sua geração a vêem,

mas estão longe.

Estão morrendo e o sertão volta ser sertão. A caatinga volta a ser caatinga.

Vitória da natureza.

A Jurema voltará a ser mato?

O objeto voltará a ser ente?

Morre o sertanejo?

Morre o vaqueiro,

O soleiro que fazia o gibão...

Só restará na poesia do violeiro essa realidade? Sebe lá.

Ser urubu

 Pela janela vejo o céu azul.

Vejo nuvens alvas

Com textura de algodão,

Leves levadas ao vento.

Vejo o rei dos ares,

Que voa a girar,

de treje preto,

De asas abertas,

Plana em pleno ar...

Com a elegância de uma 777...

Que sensação terá? 

Liberdade...

Graça da vida

  Chegar no trabalho e encontrar uma erva florida,

cheia de flores alvas e perfumadas,

O bom dia duma voz a amiga,

Encontrar o silêncio e a paz

e dar graça por este momento.

Amém.

Entre plantas, bichos e o amor

 Cresci no campo.

No campo havia animais e plantas.

Eu ouvia o vento,

Eu ouvia os bichos.

Viva como planta,

Vivia como bicho,

Amava as plantas e os bichos.

A palavra existia,

Mas era palavra de gente,

Não á palavra de bicho.

O que há é realidade,

O que há é relação...

Relação de convivência,

Relação de amizade,

Relação de cuidado.

Eu ajudava em casa

Com os bichos,

Com as plantas.

Alimentava os bichos

E aguava as plantas.

Haviam os bichos livres

E haviam os bichos de casa.

Admirava os bichos livres,

Mas amava os bichos de casa...

Um gato, um cachorro, as galinhas,

As vacas.

Usava a linguagem do coração.

Depois que mamãe e papai partiram,

A casa ficou mais vazia,

Perdemos um pouco de cada,

Trazemos em nossas almas,

E todos os dias 

Sinto falta deles...

Eles me deram tudo,

A vida entre as plantas,

A vida entre os bichos...

Eles me ensinaram a amar

A vida, a natureza, o lugar,

As pessoas...

Até quando partiram 

Me ensinaram

Que nada dura para sempre...

Apenas o amor.

22/09/26

Um pouco das manhãs

 À tarde tenho maior conexão com a natureza.

À tarde sou mais contemplativo.

Gosto da tarde!

Pela manhã tenho os afazeres, sou mais objetivo.

Se possível quero um pouco da manhã!

Quero um pouco das manhãs para pensar

E para contemplar...

Prefiro minha doce ilusão

 No céu de setembro,

Contemplamos o céu estrelado,
Do nascer da noite ao nascer do dia,
Vemos tanta beleza rutilante.

Vênus de divina beleza,
Disputa com a lua maior atenção.

Ontem, no jardim,
Quanto a noite nascia,
Olhei para Vênus pela milésima vez.
A admiração é a mesma...

Um astro que fura o céu,

Um portão para o paraiso.

Ai, pensei...

É só minha percepção...

Como seria visto vênus da lua?
Como seria visto vênus de marte?
Segundo planeta do sistema solar.

Que importa,
Prefiro minha doce ilusão...


14/09/26

Curica

Gritos na mata,

Gritos das curica,

Está na mumguba,

Está na sucupira,

Está no pau-sangue,

Grita,

Como quem chama alguma coisa,

Será o sol,

Será a manhã,

Ou será ganas  de gritar.

Na mata do campus,

Na mata do povo,

Canta como sempre cantou...

Manhãs afins...

Será se só me pus a ouvir quando conheci?

11/09/26

Um mundo moinho

 Há um mundo,

Fora de mim,

Dentro de mim,

Um mundo objetivo,

Um mundo subjetivo,

Um mundo que permite minhas experiências,

Esse mundo externo,

Um mundo construído com minhas experiências,

Mundo interno,

Mundo do espaço,

Mundo do tempo,

Mundo real,

Mundo ideal,

Como as pás do moinho sempre girando,

Há um mundo só,

O resto é puro desejo de ser.

A sucupira e eu

 Na curva da sucupira,

O sol nasce primeiro,

Um dia aquela sucupira

Aquela sucupira nasceu,

E levaram anos para era crescer,

Anos se passaram até nosso encontro,

Nosso primeiro encontro,

Nem me recordo,

No primeiro dia que aqui pus meus pés

Estava ela lá crescendo,

Vendo o sol nascer primeiro,

Agora muitas vezes

Os papagauios cuicas 

Vem nela gritar,

Gritam alto,

Gritam como quem anunciam algo,

Anunciam o sol...

Venho reparando isso a pouco tempo.

Será a relação da cuica com a sucupira

Mais antiga que a minha com ela?

Não sei...

A sucupira idosa,

Tem seus ramos cansados,

Mas ali está,

Forjada em madeira de ferro...

Através dos anos no mesmo espaço...

Nada restará em certo tempo.

Quem foi sua mãe?

Só sei que é minha amiga.

Nada mais.

A mudança com paz

 Cada dia que vivo é um dia a menos. Cada hora, cada minuto, cada segundo. Como é angustiante saber disso. Será por isso que o doce é mais g...

Gogh

Gogh