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terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Um dia de paz

 Olho através da paisagem árida onde falta verde e sobra cinza. Olho como quem contempla o universo inteiro. Em cada parte está o todo. Não é sobre a paisagem, mas sobre nós mesmos.

Na paisagem vejo elementos que parecem mortos, mas não estão mortos, apenas dormem.

Um cajueiro antigo, as Pinheiras, as palmas que meu pai tanto cultivou, o sítio que amou e cuidou. Essa terra que ele plantou e trabalhamos juntos.

O tempo consumiu e nos consome. Ah. O tempo... Ei ê. A vida esse fabuloso mistério essa doce ilusão. A vida é devir. Pensar sobre isso pra que. Pensar é está doente dos olhos. 

Abro os olhos e a luz do sol mostra tudo numa plena nitidez. Abro os olhos e já não penso. As aves ah as aves. Balança-rabo, cebinho de olhos melados, fim-fim, rixinó.  Cada um nos seus afazeres do dia. A esperança de algo melhor...

Um casaca-de-couro corrochia longe. Lembro do Pica-pau enorme que vi na mata, lembro que nunca tinha visto antes, lembro do sabiá cantando na aroeira com o peito estufado e asinhas abertas...

Vejo o vem-vem na pinheira parece estar plantando sementes de phoradendron ou caçar insetos. Sei lá. Lembro de vó Chiquinha... Mamãe.


E o vazio se preenche de esperança.

Férias

 No sertão potiguar onde nasci, todo fim de ano vou passar. Esvaziar a mente e descansar. Hoje subimos a serra num sítio, jacas fomos comprar e ali nos pomos a conversar.

As jaqueiras centenárias pela seca maltratadas e as Pitombeiras a nos escutar. Seu Cleiton cujos olhos são os ouvidos a narrar os acontecimentos recentes. Todo cuidado com sua esposa que o alzheimer a infantilizou. Conversámos muito e depois saímos Vinícius e eu para o sítio pegamos o carro e pagamos as jacas, três duas duras e uma mole.

Nos despedimos e o acontecimento terminou.

Entardecer a fluir

 A luz da tarde quebrando e caindo para o poente.

O silencioso calor do dia que termina 

Parece afagar nossos corpos.

O tic-tac do relógio marca 15 para as 15 horas.

A conversa distante dos vizinhos, o som do vento chegando.

A janela rangendo o sanhaçu, o filtro do vento.

A existência em esplendor.

Meio acordado e meio dormindo entre a percepção e a razão.

Eis o ser.

Eis a existência.

Um carro passa veloz e barulhento na estrada.

Um sentido e um sentimento transcende a minha existência.

Silêncio sinto a plenitude da vida.

Nossa casa

 Nossa casa aconteceu.

Nossa casa nasceu do amor,

Nasceu do trabalho e do suor do meu pai.

Nossa casa surgiu um dia e se transformou em um lar.

Nossa casa foi criança, nova e cheia de barulho, bagunça e alegria,

Nossa casa nunca estava vazia.

Nossa casa foi pequena e depois cresceu.

Nossa casa foi baixa.

Nossa casa teve várias cores...

Foi amarela, foi rosa, foi Verde e foi  azul.

Nossa casa tinha mãe e pai.

Nossa casa passou por tantas coisas, alegrias e tristezas.

Nossa casa teve sentimentos...

Nossa casa assistiu nossa chegada e nossa partida.

Nossa casa descobriu as doenças do fim.

Nossa casa velou meus pais.

E ficou grande, velha e vazia.

Ainda sim é o nosso lar.

Seus netos nossa casa não tem tanto amor.

Nossa casa, neto é neto.

Nossa casa é agora a casa da tia.


Nossa casa no natal já tem aquela festa ha cinco anos,


Nossa casa o Natal perdeu o brilho...


Nossa casa é católica.


Nossa casa tem Maria, tem José, tem Jesus de Nazaré.


Nossa casa tem são Chiquinho.


Nossa casa não falta amor aos animais...


Gato, cachorro, gado, galinha e pato.


Nossa casa fica feliz com nossa visita...


Sorri de portas abertas...


Nossa casa um dia será por si.


Sois forte, existente, sois parte de nos.


Seus átrios preenchem nossas mentes de memórias e de saúdes...


Nossa casa como é linda, como amo te ornar.


Guarda lembranças do meu amor por papai, canecas de porcelana, um boi e um jaguar, imagens...

Fotografias, documentos...


O que é a nossa casa.


Nossa felicidade e nossa existência.


Nossa casa paciência com a vida.


Nossa casa é nossa vida, nossa vida vivida.

Vinca

 Sob a luz intensa da tarde, num calor escaldante cresce a vinca. Nasceu na fresta da calçada.

Suas folhas verde escuro tão vivas, suas flores alvas desabrocham a vigorosas agradecendo o pouco de água doado.

O cuidado enche o espírito de força e energia para perpetuar a existência.

Transmitir valores

 Este ano de 2025 foi extremamente seco e as chuvas foram escassas. Estamos no dia 19 de dezembro. A mata está extremamente cinzenta e seca. A mim, não há novidade nisto. Já vivi tantas vezes esse fenômeno da seca. Apesar de tudo, a mata guarda suas belezas. O terreno está limpo. Foi limpo para usar o mato como forragem. Sai e fui até a mata olhar as formas vegetais. Triste! vi o João mole morto pelo fogo, vi o angico queimado... Vi troncos mortos. Fui até a borda da mata. No chão limpo encontramos sementes de fava. Então senti um cheiro gostoso e doce. No instante pensei que fossem flores de Juca. Fui até um pé de Juca ao lado de um Gonçalo-alves. 

Não era cheiro de flores de jucá, foi quando percebi que era o angico que papai preservou por tanto tempo. Vi que quase o fogo o havia consumido.

Vi o Juca que papai e eu salvamos...

Senti saudades de papai, mas estou feliz pela presença de Vinícius. Falei do papai para o Vinícius. Ele viu coquinhos e pediu que quebrasse para comer um. Quebrei vários e nós comemos e voltamos pra casa.

Observador

 Em silêncio parte a tarde.

Há um grande vazio 

Um grande vácuo 

Enquanto o sol solve a luz

A terna terra esfria.

Em cantos mudos se ouve as aves distantes...

Sob nuvens não vemos o céu azul.

Nas bandas do chiqueiro canta a sabiá.

Enquanto leio Lucas

sábado, 20 de dezembro de 2025

Terra natal

 Em nenhum lugar vou encontrar o que encontro em minha casa paterna.

Em nenhum lugar vou encontrar o que encontro em minha terra natal.

O frescor da terra,

O cheiro do mato,

O canto dos sanhaçus, papacus, bem-ti-vis, o canto do João-de-barro.


Tudo tenho aqui tudo.

...

Aqui mora minha alegria,

Aqui vivo uma poesia.


Aqui é o meu lugar...


Aqui tudo é pleno.

Aqui tudo é sereno.


Aqui vivo com percepção.

Aqui vivo com razão.


Vivo o dia claro

E vivo a noite escura.


Aqui vive o catolé,

Ipê e cajueiro,

Angico e marmeleiro,

Aroeira e Juazeiro.


Aqui, nossas famílias se misturaram,

E nos fizeram...


Com o barro como Deus nos fez,

Nós fizemos nossas moradas.


Com o sopro como Deus fez a vida,

Nós rezamos nossas orações,

Preenchendo nossos corações 

De bons sentimentos,

Nós nos humanizamos,

E pecamos e pedimos perdão...


Aqui é nosso lar.

Vou parar para ouvir o canto de ouro cantar,

Parar para ouvir o cabeça vermelho trovar, o canção chamar, o vem-vem avisar e o loirinho grosnar.


Aqui é o meu lugar.

Lugar onde me fiz quem sou...


Aqui sou o que sou...

Massa moldada das mãos do senhor.


No seio amado por ele gerado de papai  Francisco e mamãe Francisca.


Aqui fui criado.

Aqui fui educado.

E hoje calado 

Canto para que jamais esqueça 

Que o melhor lugar do mundo 

É onde foi gerado,

Onde foi amado,

Onde foi criado.


A sua terra natal.

Sensações

 Em silêncio parte a tarde.

Há um grande vazio 

Um grande vácuo 

Enquanto o sol solve a luz

A terna terra esfria.

Em cantos mudos se ouve as aves distantes...

Sob nuvens não vemos o céu azul.

Nas bandas do chiqueiro canta a sabiá.

Enquanto leio Lucas

Passando

 Céu nublado com nuvens de chuva.

O tempo está quente, mas o vento está fresco.

Senti-me numa cadeira e ouço um caburé cantar longe.

Descalço saio da sala e vou a cozinha beber água.

O chão frio refresca o calor.

Encho um copo Roza de água fresca. Enquanto bebo sinto o corpo refrigerar.

Olho lá fora na área onde está creo o louro e vejo um rixinó marrom, com listrinhas pretas está faltando em direção ao quarto.

Mudo a vista e vejo uma vasilha cheia de mangas amarelinhas

Então volto e sento na cadeira e isso é tudo.

Resistência

 Sob a luz intensa da tarde, num calor escaldante cresce a vinca. Nasceu na fresta da calçada.

Suas folhas verde escuro tão vivas, suas flores alvas desabrocham a vigorosas agradecendo o pouco de água doado.

O cuidado enche o espírito de força e energia para perpétuar a existência.

Nossa casa

 Nossa casa aconteceu.

Nossa casa nasceu do amor,

Nasceu do trabalho e do suor do meu pai.

Da dedicação de mamãe a família.

Nossa casa surgiu um dia e se transformou em um lar.

Nossa casa foi criança, nova e cheia de barulho, bagunça e alegria,

Nossa casa nunca estava vazia.

Nossa casa foi pequena e depois engrandeceu.

Nossa casa foi baixa e depois cresceu.

Nossa casa teve várias cores...

Foi amarela, foi rosa, foi Verde e foi  azul.

Nossa casa tinha mãe e pai.

Nossa casa passou por tantas coisas, alegrias e tristezas.

Nossa casa teve sentimentos...

Nossa casa assistiu nossa chegada e nossa partida.

Nossa casa descobriu as doenças do fim.

Nossa casa velou meus pais.

E ficou grande, velha e vazia.

Ainda sim é o nosso lar.

Seus netos nossa casa não tem tanto amor.

Nossa casa, neto é neto.

Nossa casa é agora a casa da tia.


Nossa casa no natal já tem aquela festa ha cinco anos,


Nossa casa o Natal perdeu o brilho...


Nossa casa é católica.


Nossa casa tem Maria, tem José, tem Jesus de Nazaré.


Nossa casa tem são Chiquinho.


Nossa casa não falta amor aos animais...


Gato, cachorro, gado, galinha e pato.


Nossa casa fica feliz com nossa visita...


Sorri de portas abertas...


Nossa casa um dia será por si.


Sois forte, existente, sois parte de nos.


Seus átrios preenchem nossas mentes de memórias e de saúdes...


Nossa casa como é linda, como amo te ornar.


Guarda lembranças do meu amor por papai, canecas de porcelana, um boi e um jaguar, imagens...

Fotografias, documentos...


O que é a nossa casa.


Nossa felicidade e nossa existência.


Nossa casa paciência com a vida.


Nossa casa é nossa vida, nossa vida vivida.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Eterno lugar meu lar

 Em nenhum lugar vou encontrar o que encontro em minha casa paterna.

Em nenhum lugar vou encontrar o que encontro em minha terra natal.

Bem longe da capital,

Bem longe de Natal,

O frescor da terra,

O cheiro do mato,

O canto dos sanhaçus, papacus, bem-ti-vis, o canto do João-de-barro.


Tudo tenho aqui tudo.

...

Aqui mora minha alegria,

Aqui vivo uma poesia.


Aqui é o meu lugar...


Aqui tudo é pleno.

Aqui tudo é sereno.


Aqui vive plena minha percepção.

Aqui vive plena minha razão.


Vivo o dia claro

E vivo a noite escura.


Aqui vive o catolé,

Ipê e cajueiro,

Angico e marmeleiro,

Aroeira e Juazeiro.


Aqui, nossas famílias se misturaram,

E nos fizeram...


Com o barro como Deus nos fez,

Nós fizemos nossas moradas.


Com o sopro como Deus fez a vida,

Nós rezamos nossas orações,

Preenchendo nossos corações 

De bons sentimentos,

Nós nos humanizamos,

E pecamos e pedimos perdão...


Aqui é nosso lar.

Vou parar para ouvir o canto de ouro cantar,

Parar para ouvir o cabeça vermelho trovar, o canção chamar, o vem-vem avisar e o loirinho grosnar.


Aqui é o meu lugar.

Lugar onde me fiz quem sou...


Aqui sou o que sou...

Massa moldada das mãos do senhor.


No seio amado por ele gerado de papai  Francisco e mamãe Francisca.


Aqui fui criado.

Aqui fui educado.

E hoje calado 

Canto para que jamais esqueça 

Que o melhor lugar do mundo 

É onde foi gerado,

Onde foi amado,

Onde foi criado.


A sua terra natal.

Mangangá anoitecendo

 Anoitece suavemente,

A quentura se desfalece,

A mamangava segue seus sentidos,

Voando em direção ao cheiro da flor,

Zoando, zigue-zagueando...

Segue as flores de feijão bravo 

Encontra uma a uma,

Beija uma a uma...

Já não vejo as plantas,

Nem as abelhas

Vejo a silhueta,

Ouço o zunido, 

O zunido de seu vôo ao voar e a beijar as flores que estão acolá.

Rosa um evento

 O ano inteiro a roseira trabalhou.

Então algo aconteceu 

E na roseira um botão apareceu,

E foi crescendo,

Acontecendo,

O botão cresceu, 

E assim a rosa floresceu...

Rubro vivo,

Perfumado rubro,

Macio rubro,

Rubro simétrico,

Pluripétalo rubra...

Efêmero momento.

Intenso e eterno momento...

No extremo da existência germina

O início da inexistência...

Então a entropia 

Foi se delineado para o fim.

E o fim aconteceu.

Momentos depois 

Tudo voltou ao início.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Livre arbítrio

 Inconscientemente algo acontece o tempo todo em mim.

O inconsciente!

A célula!

O irracional,

O racional.

Quem antecede?

Qual é a relação?

Vivo, enérgico, saudável.

Metafísica.

Existência.

Ser.

Tudo isso só faz sentido

A luz da razão,

A luz da consciência,

Do pensamento...

Que é tudo isso?

A Música

 A música tem a capacidade de tirar do fundo da minha alma sensações profundas que vivi e não percebi neste mundo. A música se comunica com o inconsciente. A música nos faz se comunicar com o mundo de forma energética ou espiritual.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Sorte

 Nem percebi, mas aconteceu,

Do ramo surgiu um botão,

E do botão a rosa desabrochou,

O botão calado e tímido,

Passou desapercebido,

A rosa! se mostrou toda,

Se derramou em beleza,

Em simetria, em cor, em perfume e em maciez.

Por se mostrar de mais a rosa foi colhida,

Despetalada, devorada.

O botão teve plena sua existência,

Já a rosa!

Dependeu da sorte da vida.

Boa ou má sorte?

A existência se mostra

 Não se percebeu o início,

Mas estava lá a se dividir

Mas estava lá a se multiplicar,

Da gema, cresceu um botão...


Por dias a se preparar,

Cresceu sem parar.


Um dia do nada,

A flor desabrochou,

Numa antese triunfal,

O botão se fez flor,


A flor negou o botão,

Em plenitude de beleza,

Pétalas encarnadas,

Pétalas perfumadas,

Pétalas macias,


Com os olhos devorava a beleza,

Com o nariz devorava a beleza,

Com os dedos devorava a beleza,


Foi só um dia de plenitude,

Apenas um dia de existência,

A rosa logo desapareceu,

Enquanto outros botões

Geravam as rosas,


Então! vale a pena plantar,

Vale a pena cultivar,

A existência é um fenômeno.



terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Amor ágape

 Semear o amor,

Aqui, alí e aculá,

E encontrá-lo na flor

Ou no riso do bebê,

É muito fácil.


Encontrar o amor 

Na dor, na fome,

No choro isso é impossível,


Nesses momentos é preciso doar o amor...


Encher nosso peito de amor 

E doá-lo sempre...


Estimularmos sempre 

Para que sejamos amor.


Semear e cultivar o amor

E assim colher e doar amor.

Últimos dias de 25

 Sassá ama Serrinha minha terra Natal. Aqui têm plantas, animais, espaços, livros, brinquedos, tia Li. Aqui tem o papai e a mamãe e a infânc...

Gogh

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