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01/09/26

Nos passos da peosia

 Na poesia a realidade é moldada,

Na poesia uma mente é concentrada,

Na poesia uma chave é encontrada,

Na poesia uma fechadura é aberta pela chave,

A poesia decanta os pensamentos, 

Nela se busca harmonia,

Nela se encontra um sentido,

Nela se realiza a abstração plena da realidade,

Metáforas...

A gente não entende 

Ou a gente entende.

A realidade de forma sensitiva.

Causalidades

 Encanta-me o canto das aves,

Encanta-me a forma das aves,

Encanta-me as cores das aves,

Encanta-me o comportamento das aves,

Encanta-me o hábito das aves,

As aves em seus habitates...

Um dia fui pequeno,

E despertei para as belezas grandes da existência,

As aves me encantaram,

Com sua plenitude?

Com sua beleza?

Elas estavam ali,

Eu estava ali,

Eu conheci o cajueiro,

O cabeça-vermelho fez um ninho no cajueiro,

Ele morava no cajueiro,

Eu morava ao lado do cajueiro...

Compartilhávamos o mesmo espaço e tempo.

Causalidades,

Causalidades,

Causalidades...

E esse amor pelas aves só cresceu em mim.

31/08/26

Deus

Deus pode ser sentido!

Deus pode ser visto,

Deus pode ser ouvido,

Deus!

Estava almoçando,

Ouvia uma rádio Inglesa,

Então começou a tocar a música

Interestelar 

de Hans Zimmer...

Senti algo maravilhoso,

A sensação de plenitude...

Algo muito catártico e profundo.

Seria Deus falando comigo?

Será se todas as vezes que me emociono não é Deus 

Tocando minha alma?

Fiquei querendo repetir

Aquela música infinitas vezes...

Senti uma presença Divina...

 

Momento certo

 Olhei o jardim,

Precisava de água,

Vi que haviam plantas novas ali.

Vi a terra,

Vi as plantas,

Vi as formas nas partes das plantas,

Vi o que podia enxergar,

Entendi o que podia entender.

Fiquei ali por um bom tempo...

Senti paz,

Senti aconchego,

Senti esperança,

Senti segurança.

Cuidei do meu jardim,

Mesmo sem flores,

As flores brotam no momento certo.

A beleza está no todo,

Não apenas nas partes.

28/08/26

Berço

 Minha primeira paixão foi a natureza.

Nasci filho de agricultor e domestica,

Cresci numa pequena terra,

Minha família era de sete pessoas.

A gente plantava e criava na terra.

Papai cuidava da terra,

Mamãe cuidava da casa.

Papai era forte,

Mamãe era mãe...

Papai me ensinou as coisas necessárias para um homem de bem.

Mamãe me ensinou as coisas para ser um homem de bem.

Na primeira infância foi a natureza que me deu saber,

Aprendi nome de planta, nome de bicho... 

Aprendi o que tinha de aprender o essencial,

E ficava um vazio.

O vazio existencial...

Eu enxergava o finito no infinito...

O céu azul,

O sol quente,

Início e fim da vida...

Com os sapos aprendi a cadeia alimentar,

Com as galinhas o frenezi,

Com o cachorro a amizade,

Com o gato a desconfiança,

Com o gado a bondade.

Com as fruteiras a generosidade.

É temos mais o que aprender com as plantas...

Assim é.

Ver

 Dia 28, agosto, Sexta-feira, primeiro dia de aula do último semestre de 2026.


O campus amanhece nublado  silencioso.

A mata canta vozes tão belas,

É a patativinha amarela,

É o sabiá laranja,

É a rolinha caldo de feijão,

É a garrincha marrom...

Só se veem os operários da limpeza,

Caminham em silêncio,

Estão abstraídos nos seus pensamentos...

Se comunicaria com o espaço, neste tempo.

Acho que sim, talvez não.

Quando vinha vindo,

Ao entrar no CT,

Vim bem devagar,

Ouvi o chiado que faz a folha ao passar o carro,

Vi um carro de entulho estacionando,

Vi seu Edson lavador de carro contemplando o juazeiro,

Acho que contempla suas ideias.

Vi uma neomárica, planta esplendida

Florindo sob uma catingueira,

Que amizade interessante,

Uma paulista e uma paraibana...

Enfim...

Vi, ouvi e fui...

27/08/26

Uma cigarra me despertou

 A cigarra começou a cantar,

Veio o verão anunciar.

Nem sabe como me afetou.

Ouvir seu canto,

Despertou doces memórias.

Papai e mamãe, minhas irmãs,

Nossa casinha,

A areia branca,

As folhas dos cajueiro amarelando,

Caindo e dos ramos 

Folhas novas cor de vinho,

E as flores e o cheiro...

A vida que seguia cada dia mais terna.

Os dias e noites claros,

Céu azul, 

Noite estrelada...

Ai que saudade!

Agora! 

Só memórias...

A cigarra cantava

Eu e papai limpávamos os cajueiros,

Nosso cachorro alvinho dogue

Que nos acompanhava,

Também as galinhas a comer os grilos dos balseiros.

Papai dizia, espia,

Bicho gosta de gente...

Gosta de está onde tem gente.

Aquela vida simples,

Era tão boa...

Temperou minha existência,

Cozinhou de amor...

Desperto! Agora.

Entendo... A vida é boa...

A vida é boa.

E como é boa.

É tão boa que passa depressa...

E os sentimentos que experienciamos,

Que cultivamos nos fazem

Ser quem somos,

Felizes ou tristes...

A felicidade é cotidiana,

Aceitar a vida como é...

Amanhã, vai ser outro dia...

Canta cigarra, canta, canta...

Chegue verão,

Chegue calor...

É uma passagem...

A vida é cheia de passagens

E é uma pena que não estamos despertos 

Ou é uma felicidade.

É assim mesmo.

Essas coisas como diz meu menino.

25/08/26

Canto com canto

 Os pássaros ou cantam só ou cantam em grupo.

Cantam para encantar 

Ou cantam para desencantar.

De algum canto vem um canto,

Daqui, dali, daculá...

Canto com harmonia...

Nem só as aves sabem cantar,

Canta a gia no cacimbão,

A perereca no oitão...

Canta a mata,

Canta o milharal,

Canta o mar na praia...

Canta a concha no ouvido,

Canta...

São tantos os sons...

Tanta informação,

Ouça o coração

E vai encontrar um canto para apreciar.

24/08/26

Música e mamãe

Domingo,

Agosto,

Ano 2025

 Na missa, ouvi uma canção que lembrou de mamãe. 

Mamãe cantava na missa,

Mamãe cantava em casa,

Sabe aquelas músicas das tocou na igreja há muito tempo.

Aí lembrei que ia a missa com a mamãe.

E marcou em mim.

Marcou...

Consciência

 Meu primeiro mundo era vasto e surpreendente,

Mamãe e papai,

Meus manos e vizinhos,

Nosso sítio,

Nossas galinhas,

Nossa vaquinha,

Nosso cão e nosso gato,

Nosso sítio.

Tanta coisa pra explorar as formigas e formigueiros,

As vésperas e seus ninhos,

Os besouros,

Os sapos e girinos,

As plantas, suas flores e frutos...

Tudo para descobrir,

Tudo para nomear.

Minha mãe foi minha primeira educadora,

Meu pai foi o meu herói., 

Quando aprendi essas coisas,

tinha a seca com caju e manga 

E inverno com milho e feijão....

Assim floresceu minha consciência...

Aperreio

 Desesperada grita a sabiá,

Ouço com empatia,

Conheço e amo sabiás.

Que será?

Sabiá quando aflito grita sem parar.

Que será sabiá que tanto sabe cantar.

Grita no galho do cajueiro,

Levantei-me e fui olhar.

Que danado era que estava aperreando o sabiá.

Ah! Já sei,

Agora vi, 

É o zé lelé do seu caboré.

Caburé não brinca,

É um rapinante,

Dê sopa que ele ataca, mata e come.

Mas o sabiá bota pra danar,

Grita apelando,

Catei uma pedra e espantei o zé lelé,

Vai pra lá caboré.

A sabiá sossegou...

De agrado logo cantou.

Foto, fotografia

 Uma cena,

Um lugar,

Um objeto,

A luz é essencial,

A objetiva,

A objetividade,

A subjetividade,

O ente,

O sujeito,

Espaço,

Tempo,

Causa e efeito.

Uma imagem plasmada,

Memorizada,

Um espelho com memória...

Uma foto.

21/08/26

Ah! Saudades

 O galo cantou no oitão.

Na panela ferve o feijão.

As galinhas cacarejam,

O vento sopra afagando o fogo,

Enquanto vovó remenda uma calça velha.

O tempo passa e a gente nem percebe

Que a realidade toda,

Tudo é um sorriso pro universo.

O galo cantou de novo,

O feijão mudou de cor,

Cozinhou,

O fogo consumiu a lenha.

O remendo ficou bom.

Minha vovozinha...

Saudades.

Paz fora de dentro de mim

 Cantou leve o sabiá,

Nesta manhã agostinha,

Senti paz.

A luz dourada fez o mundo tão belo.

Senti paz.

Havia uma harmonia entre mim, o céu e a mata.

Sai do carro a passos pequenos,

Rezei um pai nosso e a oração de são Francisco.

Nem sempre estamos bem com nossa mente.

Mas hoje, havia paz.

Fora e dentro de mim...

20/08/26

Poesia

 É de manhã,

Sento na cadeira,

Abro o livro de bolso,

Livro de poesia,

Pessoa!

Quem é grande vira livro de bolso.

Vende feito água!

Pessoa, isso mesmo Fernando.

Recentemente, adquiri um livro de bolso.

O grande, o gigante Mário Quintana.

Pus na minha mesa!

Costumo colocar livros na minha mesa.

E Quintana!

É um universo da alma!

Um tratado da beleza espiritual humana...

Quintana do eles passarão e eu passarinho.

Rua dos cataventos.

Recentemente ganhei um livro Brevidade!

De poesia!

Poesia de uma poetisa.

Estou ampliando meu conceito de poesia.

Poesia se sente.

Poesia se consome!

Poesia se faz...

E fazer poesia precisa inspiração,

Seja de percepção,

Seja de razão!

Poesia com rimas e regras,

Poesia livre...

Poesia de síntese!

A gente encontra tudo isso no universo

Isto mesmo no universo de existência da poesia.

Universo humano,

Uni Verso!

Onde o espírito transforma o concreto no abstrato,

Onde o objetivo se transforma em subjetivo,

Onde há conhecimento,

Pois há sujeito e há objeto...

E há um terceiro que é o leitor...

Poesia um sol cujos raios são espelhados no universo...

Clareia todos os lugares do mundo,

Tudo revela...

A poesia é um retrato da realidade.

É isso.


19/08/26

Mudança de estação

 A noite a lua crescente,

E a estrela d´alva 

Crescem juntas no poente...

Parece que o tempo parou,

É como é,

É como foi,

Um espelho da eternidade?

O vento sopra fresquinho,

Agora de manhã,

Até está chovendo,

Agosto...

Início do fim

Fim do inverno,

Agosto do início,

Início do verão...

E deixo aqui,

Minha profunda admiração.

18/08/26

Metafísica do joão-de-barro

 Quando a tarde caia no inverno,

Saia a caminhar,

Ouvia no fundo da mata,

Entre caminhos,

O joão-de~barro cantar.

Era tão bonito.

A mata verde,

Barro enxarcado,

O cheiro da flor branca do marmeleiro.

Algo além de mim cantava,

Se expressava,

Não como as plantas,

Mas algo vivo,

Marrom, a caminhar.

Eu tomava consciência da alteridade,

Era tão belo aquele canto,

A caminhar, forragear,

Pleno e eterno...

As vezes que me lembro,

Fico pleno.

Volto no tempo...

Se isso fosse possível!

Meu Deus!

Eu desperto uma memória...

Sabia onde estava,

Sabia qual era o tempo.

Só resta memória.

13/08/26

Dentro de si

 Acordo na madrugada,

O céu parado feito espelho d'água,

Um infinito vazio bordado de estrelas.

Vazio feito o meu peito.

Sinto que dentro de mim ali há um céu,

Onde acesso nos meus sonhos.

Dentro de mim é preciso amanhecer,

É preciso luz,

Agora, neste momento da madrugada,

Penso que quem se acorda tão cedo,

Quem é metafísico,

Sente o céu estrelado,

Sente o céu quarado,

Dentro de si.

11/08/26

O melhor de mim

 Estou reunindo,

Estou juntando,

Estou estocando,

Memórias,

Frases,

Versos.

Já tenho um montão,

E não sei o que fazer 

Com tudo isso!

Dou de coração

A quem tiver paciência,

Um pouco da minha abstração,

Das minhas ideias,

Dos meus amores.

No fim como dente de leão,

O vento vai levar

Esse fruto meu,

Pode ser que encontre terra fértil,

Pode ser que encontre espinhos...

Se vai ser sufocado não sei.

Estou dando o melhor de mim.

Versejar

 Num verso ancoro a vida,

Minhas percepções,

Minhas concepções...

Tudo tão limitado,

Mas doo para ti,

E faça deste verso

Um reflexo de reflexão.

A vida é tão maravilhosa.

Acredita.

Nos passos da peosia

 Na poesia a realidade é moldada, Na poesia uma mente é concentrada, Na poesia uma chave é encontrada, Na poesia uma fechadura é aberta pela...

Gogh

Gogh