O tempo não para,
O tempo é implacável.
A gente se ilude buscando nas lembranças uma felicidade.
A gente busca naquilo que passou.
Passou está passado.
De que adianta revirar no passado?
Somos anacrônicos,
Assim é a natureza humana.
Quando voltava a minha casa para visitar meus pais,
Saia em busca de memórias, coisa que não existe mais.
Ia buscar materialidade, ia buscar evidências de minhas memórias
Voltando aos meus lugares primeiros,
Casas velhas de nossos avós.
Com tantas histórias vividas, alegres ou sofridas.
O tempo não cansa e tudo alcança.
Na moto azul, 1997 montava e na garupa papai ia comigo.
Em busca de evidências de um passado perfeito e ideal.
A mente seleciona só o bom...
O lugar não pode opinar.
O lugar é ponto, é gatilho para uma memória.
Papai não gostava de ir a casa na Grugéuia e eu não entendia...
Agora entendo, quando vou a casa paterna e esta parece tão vazia.
Dá aquele nó na garganta...
O que era pequeno de repente fica grande...
Ir a este lugares gera angústia porque temos consciência que o tempo passou sem que a gente percebesse.
O tempo, sentido interno, não tem materialidade só é uma sucessão.
A matéria, parte daquilo que somos formados se consome, feito lenha na fornalha,
Se consome feito vela... E nem percebemos.
A gente é uma cópia daquilo que a gente conviveu,
Porque aprendeu sem perceber a ser como nossos pais foram,
Nossos pais que aprenderam com os nossos avós e com os pais deles...
A gente nem percebe como tudo mudou...
Voltar aquele lugar onde havia vida e trabalho e esperança e não encontrar nada.
É se deparar com a realidade dura da vida.
E nosso cérebro aprendeu a se iludir com a vida...
Será se não é mais feliz aquele que morreu na sua ilusão.
Essa mania de passado,
Vai extratando nos dissecando, exaurindo nossas forças lentamente.
Essa carne que vai amolecendo,
Vai se engordurando, e secando...
Vil realidade.
Calma!
Em algum momento, algum parente meu muito distante
Aprendeu a rezar...
Aprendeu que a fé salva a vida...
Salva a vida do medo da realidade.
Sábios livros de Salomão - Eclesiastes e Provérbios -
Calmos de Davi...
Salve a fé de homens que creram até o fim como Jesus Cristo,
De homens que devotaram a vida a bomdade como Francisco de Assis,
Como Padre Cicero e frei Damião...
Este que a história marcou...
Mas nós a humanidade somos mais que isso...
Nós vamos além disso.
Na fé e na devoção...
Aprendi com mamãe e papai e meus avós, tios, primos e vizinhos.
E os amigos que a vida me deu.
Com o tempo todos vão indo,
E nossos laços se estreitam,
E a gente sente a dor até mesmo de quem nem gostava....
Porque entende que nossa hora está chegando...
Que o tempo é implacável.
Mais nada.