Quando era menino, a primeira vez com papai a casa de seu Eusébio, onde morava tio Míxico foi muito marcante. E você nem imagina o que marcou. Foram duas coisas. Primeiro numa área na lateral da calçada tinha uma estrutura de cano de ferro no formato de avião. Aquilo me impressionou, pois só tinha visto um modelo de avião nos ares do céu. Em Martins tinha um pastor que tinha um avião, então vez por outra a gente podia vê-lo sobrevoando a Serrinha Grande. A outra coisa foi uma árvore enorme com as pontas do ramo lanciforme e intensamente vermelha. Fiquei impressionado com o tamanho da folha e aquela estrutura. Nunca me esqueci. Muito tempo depois foi que descobri que aquela estrutura era uma estípula terminal de uma planta da família da jaca (Moraceae). Tratava-se de uma espécie exótica de Ficus elastica. Demorou muito até eu ver outra planta parecida. Acho que fui ver em São Paulo. Ficou marcado e está registrado.
27/05/26
25/05/26
Origem cultivada
A casa grande e alva,
Teto alto e portas azuis,
Rodeada de quintais,
Para aquém dos matagais,
O quintal da minha avó,
Foi primeiro da bisavó.
Num terreiro bem limpinho,
Caprichado e varridinho,
Ali num lugar diferente,
ainda tenho na mente
Nos pés das calçadas,
Em cima da horta,
No sítio e no riacho,
As plantas não eram mato,
Eram plantas ornamentais,
E também medicinais.
Atenção, vou lhe falar.
Usei o visão, olfato e o paladar,
E comecei a experimentar.
Ainda me lembro cada lugar.
Na cozinha no pé da horta,
Era atrepada e torta,
Ficava ao seu lado
A romã de frutos coroados,
Da pimenta de macaco,
De frutos em espigas agrupados,
Se maduro bem docinho,
Atenção muito cuidado,
Se mordido fica ardido.
Do lado uma planta esquisita,
Mesmo assim muito bonita,
Uma erva de folha partida,
Flores amarelo enjoado,
Se mordida uma delicia,
Tem um gosto adocicado.
A alfavaca uma arbustiva
Com folhas emparelhadas,
De borda toda serreada,
Quando são por nós tocada,
Sua essência é exalada...
As vincas todas floridas
Na calçada abundava,
Folhas brilhosas emparelhadas,
Dela só as flores encantava,
Suas flores estreladas,
Seus frutos sempre aos pares.
Ali, ainda havia, não sei se roseiras ou jasmins,
Todos muito belos para mim.
Sei que suas flores eram perfumadas,
Tinha uma caqueira arrumada,
Em seu tronco posicionada,
Pra proteger da formiga...
No sítio se ouvia,
Parecia cheia de alegria,
A folha da carnaúba,
O vento a sacolejar,
E a quenga do coqueiro,
Tec-tec-tec a tocar.
No caminho do curral,
De esferas esverdeadas,
A laranjeira encantava,
Com seu sumo doce e azedo,
Vovô colheu uma bacia,
Que grande foi minha alegria,
No riacho mais embaixo,
A água fria a correr,
Tinha cana de açúcar,
O vovô foi lá e uma cana ele colheu,
Com a faça descascou,
Não esqueço esse momento,
Foi profundo o sentimento,
A cana era alvinha e tão docinha,
Eis uma doce memória,
Que tenho ainda hoje.
Mais abaixo do riacho,
A taboca ali morava,
Um capim tão lindo.
E aqui eu findo os versos encantados,
E digo mais foi o cultivo de
Chico e Chica meus avós paternais,
Quem primeiro me ensinou,
A importância das plantas,
Para a nossa existência,
E pra minha alegria,
Delas dou aula hoje a cada dia.
13/05/26
Herbário
Selecionei uma tarde para trabalhar no herbário.
O herbário é uma coleção botânica composta de exsicatas.
Trabalhei nos herbários da UFRN, Depois no Herbário SP, em Seguida Herbário da Unicamp, depois no herbário CEN e provavelmente concluirei minha jornada no JPB, aqui da UFPB.
As tarde de quarta-feira veio identificar os materias da coleção. Coleção de plantas da família Fabaceae.
05/05/26
Aula licófitas
A aula foi enriquecida com os objetos de estudo.
Selecionei uma cavalinha, uma selaginela, uma samambaia de folha lobada e uma samambaia nefrolepis.
Foi questionado sobre a presença de raiz, caule, folhas e estruturas reprodutivas.
Falou-se sobre tipos de caule, tipos de folhas e de estruturas reprodutivas.
As respostas foram positivas.
Gerou-se várias dúvidas.
18/04/26
Flores
Amarela, vermelha e branca.
Uma chanana, uma ixora e um jasmim.
Uma erva, um arbusto e uma árvore.
Dispostas vejo através de minha janela.
Flores numerosas.
Flores radiadas.
Flores que florescem porque florescem.
Eu as uno nestes versos.
As abelhas quiçá
Podem mais que eu.
A existência é em si...
Nós criamos, unimos e o fazemos...
Para se eternizar de qualquer forma.
Para preencher o vazio de nossa existência...
As flores só dão um tom...
Meu amigo jasmim,
Minha amiga ixora
E agora a chanana.
Mais nada.
18/03/26
Impressão floral
Aqui na universidade temos muitas plantas, então segunda-feira, 16 de março de 2026, sai com meus alunos a coletar frutos para a aula. Em frente a biblioteca central foi plantado um baobá. Baobá é famoso creio, por estar descrito no livro Pequeno príncipe de Saint-Exupery. Foi neste livro que soube da existência desta magnífica planta. Numa das passagens o principezinho tem medo que nascesse um baobá no seu pequeno planeta b612. Eu já conheci o baobá pessoalmente em Nísia Floresta no RN; em Recife, e aqui em João Pessoa lá na Bica. E agora aqui na UFPB, de forma que bom o baobá é um conhecido e colega de ambiente. Compartilhar o nosso mundo com baobá é perfeito, conhecê-lo melhor ainda. Uma árvore imensa de folhas lobadas e flores muito grandes. Entretanto conhecer a flor, tocar a flor, cheirar a flor, sentir a flor é outra história. Suas flores enormes pêndulas com longos pedúnculos, cinco sépalas e cinco pétalas da cor de pipoca; poder ver a coluna estaminal conhecida como andróforo, sentir o odor suave de manteiga e provar do néctar foi uma experiência muito interessante. Depois de analisada a flor, esqueci de analisar o ovário. Que coisa. Bom certamente que o principezinho iria amar conhecer a flor do baobá... Eu amei.
11/03/26
O grande encontro
Na mata nasceu a sucupira,
Desmataram a mata e deixaram a sucupira,
Ali virou um estacionamento,
A sucupira ficou na curva de uma via,
Por isso a via se chama curva da sucupira,
A mata virou uma universidade...
A sucupira continua a crescer.
Todos os dias posso contemplar a sucupira imponente,
Seu tronco grosso e casca áspera,
Porta folhes pequenas,
Uma vez por ano fica roxa de flores...
Hoje, um sanhaçu a escolheu para cantar,
Voou até os ramos dela,
Se preparou e cantou...
Cantou um canto belo,
Como é seu canto.
Cantou como se cantasse pela última vez,
Cantou para si?
Cantou para uma amada?
Cantou para mim?
Cantou.
A sucupira se sentiu até feliz.
E o dia seguiu normalmente.
04/03/26
Herbário um labirinto
Armários em ordem alfabética,
Armários com livros,
Armários com exsicatas,
Famílias, gêneros e espécies,
Quase tudo determinada,
Mas há coisas indeterminadas,
Muitas coisas conhecidas
A maior parte desconhecida.
Um labirinto,
Que contem municípios,
Regiões, estados...
Uma fotografia da flora,
Um recorte da vegetação...
Feijões, cafés, cajás...
Á tarde de quarta,
Gosto de está no labirinto!
Sinto que estou vivo
Entre coisas mortas,
Peças, ramos, flores e frutos secos.
Através da janela o subosque verde,
Com heliconias, singoniuns,
O verde e a tarde que cai mais depessa
Quando estou no labirinto.
Gosto da companhia de Satier,
Suas gimnopédias,
Seu piano.
E a imaginação me levando pro futuro,
As exsicatas para o passado.
Me fazendo pensar...
03/03/26
Sons da mata
A cuica grita na mata!
Estará na munguba?
A garrincha salta,
Pedirá ajuda?
Sanhaçus e saíras
A cantar, soa
um amolar de tesouras.
krakrakra...
26/02/26
Curiosidade biológica
Cautelosa a saíra pousou sobre o muro do nosso jardim. Depois voou para o lado externo. Não entendi!
Quando sai no carro vi que haviam voado. Vi as ixoras, então lembrei que haviam frutos na planta do meio.
A pergunta! Ela viu o fruto dali ou ela já conhecia a planta?
24/02/26
Guabiroba florida
No bosque perfumado,
A guabiroba está florida,
O chão está todo pintado,
Flores fonte de bebida
O som de abelhas zoando,
Voando em sua lida,
Polém e néctar coletando,
Numa flor toda partida
botão e botão desabrochando,
A flor velha toda varrida
Das abelhas se banhando
De polém toda suprida,
A manhã amanhecendo,
A florada já tá passando,
E isso tudo acontecendo,
E o fruto tá se formando,
Só resta agora crescer,
Em cada amanhecer,
O fruto vai aparecendo,
Aos poucos amadurecendo,
Doce vinho vai ficando,
A passarada vai se chegando,
Doces frutos devorando,
Suas sementes vai dispersando,
Para longe está indo,
E assim vai se fechando,
A reprodução de mais um ano.
Esse encontro acontece,
Cada ano que se passa,
E a gente até parece,
Que nem ver o que se passa.
O pulsar e o passar...
Sempre se repetir.
A planta a reproduzir
E a gente nem percebe...
12/12/25
A madrugada do ser
Em silêncio a madrugada tece a manhã,
Em silêncio o tempo tece a existência.
Em silêncio a mente tece o ser.
A consciência se preenche de inconsciente e consciente!
A madrugada essa percepção,
Amanhece razão!
Conceitos universais...
Fenômeno, Giro copernicano...
Kant, Pessoa... Crítica da razão... tabacaria...
Amanhece!
Desperta! Cogito ergo sum... Descartes.
Razão - emoção!
Emoção - Razão...
A madrugada emotiva tece a manhã...
As moiras cortam o fio e a manhã nascida cresce.
E a luz intensa cega...
Ao meio dia que enxergamos de plenitude?
Estamos incomodados com o calor.
Os capins não estão nem ai.
Eles se adaptaram ao meio dia,
Aos campos abertos...
Platão grande sol...
Quantas metáforas adicionaremos a tua filosofia...
Quantos Deuses ensimesmados com suas "ideias",
Não percebem que tu sedes a gênese do pensamento ocidental.
Hegel, soube disso! Ancorou no ocidente!
Schopenhauer, encontrou um amanhecer no oriente!
Hegel e Schopenhauer são a ponta do iceberg do grade Goethe!
E Nietzsche! com uma linha firme teceu sua filosofia!
Poxa! Quero colocar Borges aqui!
Borges se encantou com os labirintos,
Borges via o labirinto no espelho.
Borges se encantou com as ideias
E leu e releu "As mil e uma noite"
Sabia profundamente da bíblia sua avó paterna inglesa sabia a bíblia decôr.
Nas não vi Borges falar de Cervantes! Um sol imenso.
Das maravilhas da vida me encantaram a música,
A madrugada me ensinou a ouvir o silêncio!
Na madrugada meu inconsciente me explicava as coisas,
Um lampejo de entendimento se fazia ai.
E do silêncio nasce a harmonia,
Cristaliza-se os pensamentos.
Então, por onde começar a ouvir a música,
O Chopin azul,
O Mozart amarelo,
O Bach vermelho,
O Beethoven verde,
O empolgado com o mundo das representações Wagner...
O que é isso amigos!
O que é tudo isso amigos.
Se chegou até aqui.
É porque tens paciência, é demasiado racional por buscar um sentido.
Está entrando em minha mente.
Podes até ver algo muito louco...
Mas não há loucura aqui há seleção.
Recentemente descobri a universalidade e a grandeza da fusão de canção, ideias e universalidade do mundo. Acreditem e é verdade. No meu torrão.
Eliseu Ventania e suas canções universais.
Desperto para o tempo, para a existência,
Sintético, preciso e peculiar.
Quem ouve sua canção por ele cantada encontra beleza e particularidade em sua voz autêntica.
Em Valdir Telez o paraibano-pernambucano encontrei genialidade.
Nos paraibanos do sertão Os Nonatos que brilha agora,
No Grande João Paraibano, no superastro pedra de quina Ivanildo Vila Nova...
E ver o mundo através das telas de Flavio Tavares, Clovis Junior, Wandemberg Medeiros...
Meu Deus Seridó, Agreste e litoral...
Bom me levou a ver toda essa luz os girassois de Gogh.
É preciso olhar de perto para enxergar o vermelho,
É preciso olhar de longe para enxergar o azul...
Princípio de ondem de tudo isso.
Bom ouvi isso de Cirne Lima lá do Rio Grande do SUL.
Quem entendeu Black?
Quem entendeu Hegel?
Quem entendeu a Paraíba e suas particularidades!
A peixada do amor,
A Feijoada do João,
A tapioca do Irmão Firmino,
Os bolos do Diegos...
Bom na parte está o todo.
E eis que o dia já acabou.
É isso.
26/09/25
Algodão
Sol a pino,
Terra branca, arenosa,
Quente terra.
Ervas secando,
O cuidado do homem,
Na terra limpa crescem a florescer o algodão,
Flores amarelas vão avermelhando com o caminhar do sol,
Verde metálica abelha na garganta da flor...
A água a secar,
O sol a cozinhar,
O fruto a trabalhar
A fibra,
A semente.
E o homem a cultivar
A beleza da planta,
O cheiro da fibra,
E depois a colher,
Para do trabalho sobreviver.
10/09/25
Aroeira
Setembro, mês que significa sete, mas é o mês nove.
Fui a minha terra natal,
Vi tudo tingido de dourado,
Vi tudo tingido de cinza...
Pedra branca, pó branco,
Pedra preta, pó branco.
E o vermelho num barranco...
Amarela poeira ao vento solto.
Do cinza árvores nuas,
Árvores plantando bananeira,
Para o sol, para o tempo.
Quem é esta?
Eram as aroeiras,
Floridas e chumbadas...
Suas flores ao vento,
Visitadas por abelhas,
E pelas aves felizes a cantar.
Aroeira...
Tu florida é tão sublime,
É tão bonita...
Sua copa aberta,
Sua altura esgalhada,
Convida as aves a cantar,
Ao raiar do dia,
Ao raiar da noite.
05/02/25
Fevereiro chuva e flor
Fevereiro passageiro,
Toda soma é quatro lua
Dia e noite a se fechar.
Sol, estrela, luz e calor
O verde da mata cinzenta,
Mata cansada, e enfadada,
Com a chuva que chegou,
Chão molhou,
Secura sumiu,
E tome calor!
Do verão que passou,
Só a folhagem no chão,
Agora, toda florada,
Agora toda florida,
Flores alvas e amarelas,
Floresce a guabiroba,
O pombeiro,
O pau-sangue,
O ipê e o jitai...
Nunca vi...
Nunca vi.
21/04/21
41. Cumaru
09/04/21
18. Canafístula
07/04/21
15. Jurubeba
Jurubeba espinhenta,
Folhas grandes e macias,
Parecem coro curtido,
De verde petróleo pintado,
Ramos cinzentos e armados
De agudos acúleos
Flores estreladas, lilases,
Com anteras poricidas amarelas,
Vai formar um tomatinho,
Escuro e muito amargo,
Jurubeba jurubeba
Quem te ama é a carouxa.
06/04/21
13. Embiratanha
Que bela planta,
Nua tem casca verde,
Suas folhas articuladas,
Grandes e palmadas,
Embiratanha,
Que bela flor
Grande e alva,
Cálice tubuloso,
Estames vistosos,
Embiratanha,
Casca milagreira,
Planta milagrosa,
Rica em taninos,
Pseudombax marginatum,
Planta linda do sertão.
03/04/21
6. Pau-mocó
Essa linda árvore de tronco cinza
Folhas verde escuro, macias
Folhas imparipinadas e caducas
Gosta de serrote pra viver
Vi em Serra e sertão,
Vi florida beira a perfeição,
Flores alvas fios rosas
Frutos secos cinza mariposa
Frutos estiptados e alados,
Pelo vento é levado
E nas chuvas a semente,
Germina e se desenvolve,
Dando início outra vida,
Continua a geração.
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Gogh