29/05/26

Sonhei ta sonhado

 Dei um mergulho no passado.

Sai andando na nossa terra Serrinha do Canto.

Fui visitar nosso sítio de areias brancas.

Vi os cajueiros em cima das ramas,

e cobertos de Jitirana,

De ramas pilosas e flores alvinhas.

Vi as pinheiras carregadas de pinhas

Cada uma enchendo uma mão, de vez e maduras.

Tão alvinha e docinha.

Nas pinheiras ativos os sanhaçus,

Setas azuis buscando o doce branco  

Revelando as sementes pretas,

Visitei as goiabeiras,

As cajaraneiras com cajaranas

para todo lado, nos ramos dependurado,

no chão entapetado, de esferas amarelas,

E seu cheiro acre-doce, tão docinhas.

Passei na cajazeira.

Andei pelos caminhos caçando calango, os teiús

E não estava sozinho, 

Vinha comigo os cachorros leão vermelho,

dogue branco e negão Pretão.

Observava os passarinhos cantando e saltitando

cabeça-vermelho, corró, joao-de-barro,

Casaca-de-couro e azulão.

Fui na casa de Elita de Palmira chupar umbu e cajarana

E acabei quebrando uns cocos-catolés...

Ali tinha tanta macaxeira, cultivada por Joãozinho de Licor.

Tinha ali uma casa velha e abandonada,

Tantas cenas ali se passou... No fim só era lugar de colocar forragem seca e ninho de abelha caboquinha

Com uma frase marcante...

"Viva e deixe eu viver".

Fui ao tanque de Chico Neco, onde vi o tanque de águas escuras

E nele martelilhos (girinos) a nadar .

Fui ao córrego de Zezinho de Luiz de águas claras com piaba e cará.

Fui ao açude de Juvenal onde aprendi a nadar

Tinha água barrenta à danar.

Fui a pitombeira de Bonifácio Raulino

Onde chupei doces pitombas.

Fui a condessa de Adelson Vieira só para admirar.

Fui casa de tio Jussieu ver o peru valente, a porta estava aberta

Acabara de chegar, um gato novo miou pedindo comida,

Senti o cheiro do óleo queimado do motor.

 Fiquei com medo quando passei em frente a Zé de Julho com aquele cachorro quatro olhos.

Ouvi dali o som 3 em um de Jailton de dadá, vindo da capital paulista. 

Passei na palhoça de Chicão onde vi Jailton de Artur partir e não voltar de São Paulo.

Desci passei na velha escola onde fui alfabetizado.

Achei interessante a casa de Antônio de Chiquinho com um xadrez na frente. 

Até conversei com Evaldo.

Desci peguei um dindin em Zuleide, passei na cajaraneira de dona Munda, 

Sentei um pouco lá em Diniz.

Passei em Irelda tão educada e doce, provei umas groselhas tão azedas que havia lá.

Ouvi a escopadeira de arroz funcionando 

Não lembro se era Vava ou Mourão 

Que estava lá.

Passei longe do jasmim de Eliza de Vicente de Joana.

Jasmim manga com cheiro de defunto.

Subi pela mata até o final de nossa terra.

Quando fui chegando ouvi o tirinete de tio Aldo conversando.

Mamãe concordando e papai escutando.

Nessa hora tio João ia passando.

Despertei e voltei cheio de saudades.

E entendi que a realidade é como se fosse o sonho 

E o sonho como se fosse uma realidade.

Tudo é passageiro.

Essas coisas.

Cotidiano

 Sassá foi nadar. Na piscina fez toda atividades. Sorriu e se divertiu. Saiu de lá faminto. À tarde, foi a escola. Sua lição foi sobre jogos olímpicos. E também a letra H. Achou estranho que com a letra H ele teve que cobri a letra várias vezes e não teve a família da letra. Para família ele se referiu como ha, he, hi... Bem interessante isso. E a gente brincou a noite e ele me pediu para eu ler para ele o livro a Cexta de dona Maricotca. Foi isso.

Angustia

 O tempo e o espaço

Campo das sensações,

Percepções e entendimento.

A música me faz sentir

O lugar no espaço,

As coisas mudarem no tempo.

Tudo acontece e não percebo,

Percebo partes,

A coisa toda é maior que aquilo que consigo apreender.

Isso angustia não?

Fluxo

 A mata cinza e fechada,

Agora está tão calada.

Então, desfaz-se o silêncio.

É o vento soprando baixinho.


Paro de observar,

E começo a escutar

O silêncio aqui dentro,

A lua florescente,

A ordem desordenada.

Som de piano...


Som de piano, penso,

É perfeito a essa hora...

Foi feito para o silêncio...

Parece fumaça de incenso,

Buscando veios no ar,

Como água que cai da chuva

Intensa, busca uma direção,

Um pondo mais baixo,

Em desordem segue um fluxo...


Ah... piano.


E o violino!


O que é tudo isso que hipnotiza minha alma?

O belo, o ordenado,

Som sem luz,

No fundo da alma.

Até o fim.


28/05/26

Nelson e Iola

Em abril e maio de 2026, a Serrinha do Canto perdeu dois personagens importante do nosso tempo. O interessante foi que eram vizinhos muito próximos. Um morou muito tempo na casinha sobre a barreira e o outro no lado oposto onde terminava o asfalto velho. Sim, me refiro a Nelson Vieira e Iula de Dequinho. Nelson era uma pessoa maravilhosa, falava baixo e sua voz era particular. Era pai de Paulo Cesar, João Batista e Márcio. Nelson era casado com Antônia. Cuidou a vida todo do sítio de Jona Rosendo. Gostava de tomar um mezinho. 
Iola era casada com Dequinho nunca teve um filho. Dona de uma voz peculiar. Iola era uma jornalista. Sabia de tudo que acontecia em Serrinha do Canto. Era irmã de Zuleide de Toto e Odaleia de Chico de Vicente de Joana. Pude conversar com ela no ano passado. Na conversa ela lembrou de meu pai Chico Raimundo.
Foi ali que vivi muitas coisas e com estas pessoas convivi e aprendi a importância da amizade. Povo do meu tempo. Anos 80, 90 e 2000.
Deixa a saudade.

Casa

 Ontem, Sassá estava interessado em saber o que era preciso para construir uma casa.

Falei tijolo, cimento, concreto, madeira, pedra e telhas. Achei interessante. Anti-ontem descreveu como fazer uma piscina.

Então disse que iria morar nos Estados Unidos e fazer uma casa lá. Disse que o ajudaria e isso o empolgou.

No final eu iria bancar tudo.

Deixe o menino sonhar.

Moinho de tempo

 O tempo redemoinho,

E nós no seu caminho,

Gira e gira e gira,

A energia vinda do vento,

Como a lua no céu e suas faces,

Quatro quadrantes equidistantes,

Gira e gira e gira.

O tempo redemoinho,

Vai nos moendo,

A matéria consumindo,

A matéria envelhecendo.

Gira e gira e gira.

O tempo imediato tempo,

O tempo intuitivo tempo.

Ora rápido e ora lento

Gira e gira e gira.

Se parar tudo acabou.

27/05/26

Ficus elastica

 Quando era menino, a primeira vez com papai a casa de seu Eusébio, onde morava tio Míxico foi muito marcante. E você nem imagina o que marcou. Foram duas coisas. Primeiro numa área na lateral da calçada tinha uma estrutura de cano de ferro no formato de avião. Aquilo me impressionou, pois só tinha visto um modelo de avião nos ares do céu. Em Martins tinha um pastor que tinha um avião, então vez por outra a gente podia vê-lo sobrevoando a Serrinha Grande. A outra coisa foi uma árvore enorme com as pontas do ramo lanciforme e intensamente vermelha. Fiquei impressionado com o tamanho da folha e aquela estrutura. Nunca me esqueci. Muito tempo depois foi que descobri que aquela estrutura era uma estípula terminal de uma planta da família da jaca (Moraceae). Tratava-se de uma espécie exótica de Ficus elastica. Demorou muito até eu ver outra planta parecida. Acho que fui ver em São Paulo. Ficou marcado e está registrado.

Jacaré tigre

 Ontem ao deixar Sassá na escola, ele inventou um jacaré tigre. Ele me perguntou se eu conhecia? Respondi que não; então ele começou a descrevê-lo como um animal enorme com estrias longitudianis pretas. Disse que era um animal enorme que camuflava muito bem. Que tinha sobrevivido a queda do meteoro que extinguiu os dinossauros. Dei corda e ele se empolgou muito. À tarde quando eu o peguei na escola perguntou se a mamãe tinha comprado o pano preto para colocar na espada. Disse que quando chegasse em casa ele saberia. Então se calou e ficou ouvindo música. Em casa, fez um movimento com o fato da mãe não ter comprado o pano. Ela usou um outro pano e cobriu a espada. Não sei no que deu porque dormi.

Chuva

 Chove...

A água soa nas folhas,

A água soa nas calhas.

Longe canta uma garrincha.

Chove...

Silêncio visual...

Maio frio

 Abril foi frio,

E maio seguiu frio,

As nuvens frouxas,

Chove e para,

Para e chove,

Faz  sol,

Fica nublado.

Essa variação no clima me deixa aborrecido,

Frio e calor...

Mas é bonito de se ver,

A lua de maio crescente,

Lua alva entre nuvens alvas.

É muito bom ouvir música de violino,

Nesse tempo.

Bom para tomar um chocolate,

Para ficar na cama,

Para pensar na vida,

Cuidar da casa...

Viver.

Maio, mãe...

Este mês ficou tão frio quando mamãe se encantou.

Resta pensar,

Sem sua voz para ouvir,

Seus conselhos...

Sentia sua presença eterna...

Soneto

 Com quatorze versos faço um soneto.

Sendo as estrofes divididas em  quatro, quatro e três e três.

As rimas podem ser alternas ou opostas.

Aprendi numa aula de português a muito tempo atrás.

Nem sei o que me adicionou.

Sei que Quintana gostava muito.

26/05/26

Goiabas

 Sempre adorei comer goiaba, principalmente no pé.

Goiabas amarelas por fora e vermelha por dentro.

Na minha infância lá em casa havia muitas goiabeiras. 

Algumas ficavam sob cajueiros outras isoladas no sítio.

Nossas goiabeiras davam goiabas sadias, sem bicho ou insetos e muito doces.

Tive uma experiência diferente com goiabeiras e goiabas.

Então lembro que foi na casa da minha avó Sinhá onde primeiro vi goiabas brancas.

Como assim goiabas brancas e não vermelhas!? Pensei.

Como pode.

Mamãe disse que era goiaba da china.

Aquelas goiabas brancas tinham muito bicho e não eram tão docinhas.

Fiquei muito impressionado.

Bateu aquela sensação que as nossas goiabas eram melhores.

Nunca mais esqueci.

Na casa da vovó tudo tinha uma atmosfera de velho.

Não entendia o sentimento de mamãe pelos meus avós.

Mamãe era minha e de meus irmãos...

Não tive a oportunidade de levar meu filho para ir a casa dos avós idosos.

O infante é assim, apaixonado pelo universo que conhece.

25/05/26

Romã

 Ontem acordamos, Sassá acordou sem muita coragem, mas ai despertou e nós fomos desenhar. Depois de muito desenhar, conversar e ir. Convidei ele para ir no pé de pitanga para ver se tinha fruto lá. Queria mesmo era sair de casa e ver um pouco a natureza. Fomos pela rua do sapoti. Conversamos... Sassá lembrou no lucar onde viu um sanhaçu, em frente a porteira que dá na mata. Quando chegamos na pitanga, nada, dai lembrei da pitombeira da rua de baixo. Fomos caminhando e conversando. Olhamos as flores de benidita,vimos as borboletas... E as pitombas estavam alto demais. Mas tinha um pé de romã. Peguei duas. E fomos pelas três ruas... olhando as plantas, os bichos nas plantas. Até chegar em casa. Em casa ele foi provar pela primeira vez a romã. Ficou muito concentrado e feliz. Depois fomos almoçar.

Conhecimento matuto

 Ouvindo poesia de contadores, entendi alguns rumores da vida da gente.

Entendi que o que se canta são memórias,

Se canta saudades,

Se canta alegria,

Se canta entendimento.


Na emoção e na razão se transcende a realidade.


Entendi que se paga caro quando se segue seus sonhos.


Esse grande projeto de se transformar quem quer ser.


No meu caso deixei a casa paterna, fiquei longe de mamãe e papai.


Mudei de lugar... Buscando entender a vida.


Assim encontrei no mundo, na academia, na poesia de viola.


Essa dialética de nossa existência...


Onde me encontro 

E me perco...


E no fim a vida é tempo e experiência e sentimento...


Descobri que meu sonho maior nem fazia parte de minha razão ou consciência...


Minha maior realização foi e é a paternidade.


Volto no passado,

Mas já sei que nada de lá pode me preencher.


Tenho que me apegar ao presente...


No passado tem uma sentelha minha, que posso reordenar minha alma... Tenho que me reconciliar e seguir em frente.


Tudo se foi...


Lá posso resgatar a beleza do lugar onde nasci, o sentimento de ser muito amado.


Seguir em frente...

Final de semana

 O sol brilha frouxamente,

O vento sopra suavemente,

Nesta manhã abençoada,

Deitado na rede esticada,

A me balançar e a pensar.

Contemplando na parede,

As imagens que escolhi...

Passeio no passado, deitado no presente,

E dou um vislumbre no futuro,

Tudo isso em minha mente.

Tudo isso são pensamentos e memórias.

O tempo me agrada,

O espaço Deus me emprestou.

Enquanto desfruto agradeço,

Rezo, e peço paz e saúde.

E é tudo por agora.

Primeiro dia na feira

 

Na sexta-feira do dia 10 de maio de 2002 com 23 anos, em Natal, cursava Ciências Biológicas, encarava ciências de química orgânica, físico-química, anatomia comparada. Após almoçar, ia pra biblioteca da UFRN onde pegava um livro e relaxava nas baias de estudo dali.

No mesmo dia em Sapê, seu Zizo com 54 anos, estava muito ansioso, pois começaria uma jornada que iria preencher sua vida por longos e maravilhosos anos. Acordou quase sem dormir.  Sua mercadoria preparada da maneira que sabia. Acordou, pegou o ônibus para começar a vida de feirante.  Os seus produtos eram todos cultivados em sua gleba, onde morava. Levava para vender flores, vagens, plantas, ovos, milho... Seu Zizo trazia e ainda traz além de tudo muito afeto... Um aperto de mão ou um abraço, uma prosa boa e como ele gosta de professar a Amizade.

Na beira da mata montou sua barraca do Campus I, perto da biblioteca. Fez clientes, fez amigos, fez fãs...

Deu início a feira de orgânicos na UFPB. A partir de então nunca mais parou de trabalhar ali na instituição, todas sextas feiras. Foi ali que nos conhecemos. De seu Zizo compro flores-de-benedita e crista de galo. Além destas mercadorias, levo sempre comigo suas histórias, sua amizade, sua sabedoria e seus conselhos. E assim surgiu uma grande amizade espontânea e casual como são os puros sentimentos.

Origem cultivada

 A casa grande e alva,

Teto alto e portas azuis,

Rodeada de quintais,

Para aquém dos matagais,

O quintal da minha avó,

Foi primeiro da bisavó.

Num terreiro bem limpinho,

Caprichado e varridinho,


Ali num lugar diferente,

ainda tenho na mente

Nos pés das calçadas,

Em cima da horta,

No sítio e no riacho,

As plantas não eram mato,

Eram plantas ornamentais,

E também medicinais.


Atenção, vou lhe falar.

Usei o visão, olfato e o paladar,

E comecei a experimentar.

Ainda me lembro cada lugar.

Na cozinha no pé da horta,

Era atrepada e torta,

Ficava ao seu lado

A romã de frutos coroados,

Da pimenta de macaco,

De frutos em espigas agrupados,

Se maduro bem docinho,

Atenção muito cuidado,

Se mordido fica ardido.


Do lado uma planta esquisita,

Mesmo assim muito bonita,

Uma erva de folha partida,

Flores amarelo enjoado,

Se mordida uma delicia,

Tem um gosto adocicado.


A alfavaca uma arbustiva

Com folhas emparelhadas,

De borda toda serreada,

Quando são por nós tocada,

Sua essência é exalada...


As vincas todas floridas

Na calçada abundava,

Folhas brilhosas emparelhadas,

Dela só as flores encantava,

Suas flores estreladas,

Seus frutos sempre aos pares.


Ali, ainda havia, não sei se roseiras ou jasmins,

Todos muito belos para mim.

Sei que suas flores eram perfumadas,

Tinha uma caqueira arrumada,

Em seu tronco posicionada,

Pra proteger da formiga...


No sítio se ouvia,

Parecia cheia de alegria,

A folha da carnaúba,

O vento a sacolejar,

E a quenga do coqueiro,

Tec-tec-tec a tocar.


No caminho do curral,

De esferas esverdeadas,

A laranjeira encantava,

Com seu sumo doce e azedo,

Vovô colheu uma bacia,

Que grande foi minha alegria,


No riacho mais embaixo,

 A água fria a correr,

Tinha cana de açúcar,

O vovô foi lá e uma cana ele colheu,

Com a faça descascou,

Não esqueço esse momento,

Foi profundo o sentimento,

A cana era alvinha e tão docinha,

Eis uma doce memória,

Que tenho ainda hoje.


Mais abaixo do riacho,

A taboca ali morava,

Um capim tão lindo.

E aqui eu findo os versos encantados,


E digo mais foi o cultivo de 

Chico e Chica meus avós paternais,

Quem primeiro me ensinou,

A importância das plantas,

Para a nossa existência,

E pra minha alegria,

Delas dou aula hoje a cada dia.


Retrato vivo

 O brilho dourado do sol desponta na parede.

Faz do cinza o dourado,

A luz tornas folhas verde clado.

A mata estática não se ver uma folha mover.

Rutilantes estão os pingos de chuva preso as folhas.

Na mata o sabiá afugenta algum bicho.

Canta a garrinchinha.

O que se passa no mundo. Sabe lá.

Aqui reina a paz.

22/05/26

Primeira vez que Nadou sozinho

Ontem de manhã Sassá acordou disposto. A mamãe preparou o café e organizou a roupa da natação. Sassá nem imaginava o que iria acontecer. Tomou o café com embromação. Vestiu a roupa sem vontade. Não queria ir à natação. Então tão foi sem muita energia. Desceram a escada e caminharam como sempre caminham até á sede de natação. Foram devagar atento ao trânsito, atento as ruas, as plantas e pessoas que quase sempre encontram no mesmo horário. Pessoas gostam de rotinas e fazem por onde cumpra seus horários. Seguiram sob o sol brilhante e céu azul. Seguiram reto, dobraram esquina e chegaram. Lá na sede, Sassá se sentiu feliz, pois tinha vários amiguinhos para brincar. A hora da natação chegou. Atravessou a catraca e se preparou. Caiu na piscina e fez inúmeros exercícios e para o grande final por essa ele não esperava. Sassá nadou sozinho pela primeira vez. Isso mesmo, foram apenas dois metros entre a bora da piscina a água e o professor. Sassá encarou a água e venceu, nadou flutuando e se movendo até o professor. Se sentiu feliz, orgulhoso e cheio de si. Parecia que esse dia nunca ia acontecer. Nadou, se sentiu seguro... foram apenas 2 metros que darão segurança e vontade de ir além pelo resto de sua vida. Terminado isso, tomou banho, brincou com os amiguinhos e nem queria vir embora. Então entraram no uber e foram embora. Dia 21.05.2026 primeira vez que Sassá nadou. O interessante que foi no mesmo dia do aniversário da sua tia Li.


Tempo vaqueiro

 Cada lugar num tempo,

Cada tempo num lugar.

Aqui, ali e acolá.

Escorrendo o tempo me leva a viver,

Seja qual for sua maneira.

Vivo e vou vivendo,

Como gado conduzido pelo vaqueiro,

Tempo boiadeiro,

Na vereda que vou seguindo,

Posso me perder ou me furar,

Foi esta que me enfiei e como voltar.

Tempo vaqueiro,

Tempo boideiro,

Nas caatingas da vida,

Espaço de eternidade,

Sigo um caminho,

Pego uma vereda...

O tempo vai me conduzindo,

Com seu aboio silencioso.

Me conduzindo até que enfim,

O tempo e o espaço 

Seja o zero.

Raposas

 Na beira da mata correu uma raposa.

Seu corpo pequeno, suas orelhas grandes,

Seus pelos dourados, seu odor,

me fizeram conhecer a raposa além das imagens,

Além da palavra, além da fantasia. 

Foi tão rápido que não conheci a raposa,

Apenas tive uma percepção, uma sutil percepção,

Que materializou em mim a ideia de raposa,

Em seu ambiente natural.

Depois sumiu.

E peguei-me a pensar em raposas.


Silêncio da mata

 Os grilos quebram o silêncio da mata com seu canto matinal

Cantam no chão da mata debaixo do folharal.

É um canto agradável e cadenciado,

Então o sol vai acendendo,

E de luz vai preenchendo toda a floresta.


O vento parceiro de dança e canto da mata,

Não apareceu... E a mata se recata em silêncio.

Só o grilo e o sabiá a cantar.


21/05/26

Tarde de diversão

 Ontem não houve aula. Passei a tarde junto de Sassá. Então fizemos várias atividades. Ele criou um jogo da memória então nós brincamos com este jogo. Depois brincamos de mostros na cama. Tomamos banho e fomos ao mercado. O interessante que ele quis andar comigo no mercado. Sempre anda com a mamãe dele. Adoro nossa amizade.

Galo cantar

 Ontem de madrugada ouvi o galo cantar.

Viagem neste e amei ouvir seu canto cantado.

Estava muito escuro e frio.

Quem merece acordar para trabalhar tão cedo.

Lembrei de um tempo distante em 2007,

Lá na capital paulista...

Tantos operários de pé nas paradas dos ônibus.

E os ônibus passavam tão lotados.

Dos boeiros o calor saia fumaçando,

E logo resfriando nas ruas frias.

A felicidade quando o ônibus parava,

Imprensa daqui, imprensa dali...

E o ônibus lotado ia levando mão de obra para o centro.

Eu vi, senti, estava lá.

Sentia saudades de casa...

Do galo cantar,

De mamãe ressonar,

Mas fui em bora.

E ainda hoje... tem gente que continua lá.

Desperto para rezar.

O galo me levou tão longe...

Canto com encanto marrom

 Contente o rixinó canta na beira da mata.

O silêncio da mata quebrado por tal canto encanta tanto.

Faz voltar no tempo,

Quando o rixinó fazia ninho na soleira da casa velha.

Papai deixava, pois rixinó é abençoado, dizia.

Então ela pulava pelos caibros,

Ia e voltava com gravetinhos,

Fazendo o ninho,

Depois gerava os ovinhos,

E nasciam seus filhotinhos...

Vulto marrom.

Asa estriada,

Canta, canta, canta e os males espanta.

Era tão bom.

É tão bom...

Realmente são abençoadas.

Amarrado esse laço de amor.

Agora e sempre.

Filosofia e o violino

 Estava No centro de São Paulo, perto da Sé quando entrei num sebo e ali pela primeira vez ouvi a energia que emana de um violino. O som é alto e torna a música harmoniosa e intensa. Minha alma sentiu a beleza materializada em forma de som. Fiquei preso aquela música por um doce momento. Envolvido ouvindo, pude garimpar um ou outro livro de filosofia que amo cultivar. Depois comprei o livro... li e fui feliz por um instante.

Silêncio das palavas

 As palavras me permitem uma aproximação aos objetos que nunca terei conexão. Só consigo acessar o espirito o ser assim nunca o ser ai. Assim me aproximo de Pessoa sem me aproximar, me aproximo de Quintana... Tantos trovadores que estiveram aqui. Tantas cantigas cantadas a luz do candieiro ou lamparina. Versos de sabedoria de exaltação a natureza. Alguns sublimes como poema da saudade do Grande Antônio Pereira... Alguém o memorizou... mas só em parte. Que genialidade concentrar uma sabedoria profunda e ordenar as palavras em um texto que define a palavra... As palavras quebram o silêncio em silêncio. As palavras são a alma material do inexistente que foi... Essas coisas.

Pai e mãe

 Seguir a vida 

Seguir a vida...

Quando nossos pais se vão,

No coração surge um vazio,

A gente até sente um frio,

Não se tem nem dimensão,


Fica faltando quem mais nos amou,

Ausência de um olhar,

Ausência de uma palavra

De carinho ou repreensão...


Ficamos no mundo,

Assim tão soltos...

Se com eles aprendemos,

Coisas boas levaremos

Por toda nossa existência...


Entre elas a ausência,

Talvez seja a penitência

De uma vida viver,

De ser e deixar de ser...


Na mãe o amor,

No pai o rigor...


Essa existência dura,

Triste quem perde pais na verde vida,

Coitadinhos vão viver a duras penas,

Mas tem Jesus por nós,

Tem nossa senhora,

Que nos acode toda hora...


E nos faz entender que esse vazio

E nos faz entender esse frio...


E nos faz ver nas flores,

E nos faz ver nas crianças,

Onde há amor há esperança.


Até o dia final.

20/05/26

Canto e encanto

 O  canto causa encanto,

O canto causa espanto,

Bem no canto da casa,

Cantou a coruja.

Papai se espantou,

Pegou a chinela

E cruzou de baixo pra cima.

O canto calou,

A coruja voou...

O canto no canto do cajueiro,

De dois trovadores,

Papai amou,

Eram casacas de couro,

Cantando,

Toando,

Felizes... Sadias...

Papai suspirou.

Tão feliz...

O calor da tarde nem incomodava...

Que belo canto.

Plantar

 Papai trabalhava como sabia de maneira simples e eficaz. Para as cercas de arame usa madeira de cajaraneira que logo enraizava e uma árvore nova nascia. Deixou várias árvores plantadas. Estas árvores são mourões, fazem sombra e dão frutos. Papai e eu combinávamos e deixávamos as árvores crescerem. Aprendi o amor a natureza com meu pai.

Quebra do silêncio no silêncio

O silêncio não é apenas ausência de som.
Não se quebra o silêncio apenas com o som,
Se quebra o silêncio com pensamento,
Se quebra o silêncio com a palavra,
Não a palavra falada,
Mas a palavra escrita,
Palavra expressa...
Tem uma potência que nem imaginamos.
Rompe o tempo,
E as vezes o espaço.

Coração de Jesus

 Sagrado coração de Jesus,

Me proteja, me envolva,

Seja meu caminho e minha luz,

Se surgirem problemas  em ti dissolva,

O teu profundo sofrimento na cruz,

E com fé em ti se pecar me absorva.

19/05/26

Minhocas e marmotas

Ontem, indo pra escola Sassá e eu conversávamos sobre biologia. É a biologia das minhocas. Ele me perguntou afirmando que as minhocas comiam grama. Bom falei que não que as minhocas são detritívoras. Mas ai ele foi argumentando até concluir que as minhocas comem grama. Chega ser divertido, pois para quem tem cinco anos argumenta bem. Enfim, falei que as minhocas ficam sob o solo. Então ele perguntou porque as minhocas sobem a superfície as vezes. Disse que quando chove as vezes o solo fica enxarcado e elas tem dificuldade de respirar. Então ele disse que será que não seria para comer grama. Então ele perguntou porque as marmotas viviam debaixo do solo. Ai chegamos a conclusão que elas comem minhoca. E por isso vivem em tuneis sob o solo. Então chegamos na escola e ele foi para a sala dele. Fim da história.

Ecos na concha do tempo

 Serrinha minha terrinha,

De onde de hoje e sempre.

Ontem podia ouvir,

O eco das bombas e foguetões,

Ecoando nos grotões,

No pé da chapada,

Sons avisando viva...

Viva ao santo do dia.

Eram meus parentes,

Felizes e contentes,

Com uma promessa atendida,

Coisas lindas da vida.


Eu menino ouvia na mata

Esse ribumbar e ficava maravilhado,

O que era aquilo...

Era a fé sendo externada.


Naquele universo tentava entender o mundo,

Tentava saber quem sou...

Eu tinha tudo,

Eu tinha quem me amava,

Tinha quem cuidava de mim...


Ontem...


Hoje, já não ouço mais bombas,

Nem ecos...

O mundo perdeu a magia de infante.

Os mistérios a ciência revelou,

A vida revelou o resto.

Restou apenas a fé.

E é o suficiente.

18/05/26

Estação cabo Branco

 Sassá ficou comigo o fim de semana em casa. Fomos a uma exposição na estação Branco. Vimos esculturas, pinturas... arte em geral. Viu gente, brincou  e se divertiu. Foi excelente!


Francisco José

 Conheci Francisco José ferreira de Cacimba de Areia PB. Filho de José e Ana. Ele mostrou a casa que nasceu e morou com seus 11 irmãos. Eram três filhos Franciscos. Contou que seu pai viveu 94 anos e sua mãe 95... Ele faleceu num sábado depois de receber a extrama unção. Sua mãe tbm morreu nunca sábados. Seu filho estava cantando e ele participando da exposição retrato do sertão. Seu José Leu a biblia mais de 15 vezes.

Homero Sá

 Foi numa exposição,

De retrato no sertão,

Que fiquei impressionado,

Com a beleza daquela arte,

Pincel, música e inspiração,

Atiçaram o sertanejo,

Para além do couro do chapéu e do jibão.

Retirou da fotografia,

De lugares pouco habitado,

De lugares muito amados,

A beleza do sertão...

Meu peito bateu emocionado,

Com as casas alvas,

A terra vermelha,

Com as flores vermelhas

do flamboiã,

Com as rosas brácteas das três marias,

Da arrumação das rochas,

Da verdidaão da algaroba,

Da Casa alva de José cheia de histórias...


Senti profunda emoção.

Exposta com muito requinte,

A obra falava por si,

Um a sanfona a tocar,

Um matuto a cantar,

Que riqueza maior?


Seus olhos brilhavam

Foi linda sua declaração,

Agradeceu a todos

E Declarou o grande amor

Amor de sua vida a parelhense Fatinha.

O amor da sua vida,

Condição incondicional

Para todo aquele momento.

Foi um lindo evento,

A descoberta do grande pintor,

Artista de grande valor.

Homero Sá.


Ouça a chuva

 Silêncio!


Psiu


A chuva está cantando.

A chuva está chovendo.

A chuva está chiando.


A água está pingando,

A água está escorrendo.


Que coisa macia,

Que coisa macia,

Na biqueira transborda uma bacia.

Que alegria sente o sertanejo.

Que alegria ouvir o beijo,

Que a chuva dar na terra...


A chuva muda a terra com esse abraço,

A chuva muda a terra,

A chuva inunda a terra.


A chuva desperta a semente,

A chuva desperta os ramos,

A chuva é a chave que muda a paisagem,

A chuva molha minha alma,

A chuva traz me a calma.

Enchendo-me de bonança,

Da potência da esperança,

Ao ato da existência...


Deus! Obrigado 

Por sua presença,

Obrigado por falar comigo 

Pela voz da chuva...

E venha a mim

De novo e de novo e de novo...

Até o meu fim.


E continuará chovendo,

Filhos nascendo,

E agora estou entendendo 

Que tudo que vem 

Vai...

Tudo que é teve um pai...

E uma mãe que é a chuva.

Maio chuvendo

 A chuva cantando 

Enquanto escuto,

Deitado e quieto,

Só matutando...


Despertas memórias

De uma viva vivida,

Lugares idos,

Tempos passados.


Meu ser e minha história 

Sendo tecida no tempo e no espaço 

Ao longo dos anos,

Das estações, 

Das luas,

Dos dias e noites

Dos dias de chuvas.


A chuva sempre 

Foi mãe,

Sempre me deu 

A essência da vida

A água.

E agora este poema.

Casaca de couro

 A tarde vai caindo,

O sol saindo do prumo,

O calor arde na paisagem.

No alto do cajueiro,

Canta a construtora casaca de couro.

Construindo o seu ninho,

Usando galhos com espinhos.

Canta emparelhado,

Feito contadores de viola,

Com o penacho armado.

Se olhinho amarelado,

Com olhar mal encarado,

Canta e dança..

Voa e traz os gravetos e tece com o bico

Um ninho.

Papai escuta e admira.

Papai diz que canto lindo.

Concordo com a palavra e o coração.

E a tarde se enverga bela...

E me sinto feliz...

A seca, a tarde quente e o canto da ave vaqueira.

Mundo oco

Morei a minha infância e adolescência num sítio. Nele tinha uma parte que cultivávamos fruteiras e uma parte de plantas nativas onde fazíamos os roçados e colocávamos o gado para pastar. À tarde, após o almoço, descia para soltar as vacas do cercado e trazê-los para o curral. Ali no caminho, as vezes ouvia estrondos de bombas de festejos na Serrinha Grande. Era quando percebia que o mundo era oco. Havia algo transcendente que não assumimos quanto ser. Achava bonito e sentia ora alegria ora aflição. Não sei explicar. Eu sentia a falta de âncora da vida? Eu sentia a infinitude e a eternidade em que somos postos quando tomamos consciência. Naquela época, tinha minhas referências que originaram o meu eu; meus avós paternos e maternos, meus pais, meus irmãos e meus vizinhos. A consciência foi se expandindo e o tempo passando, então fui entendendo que a gente vive e ao viver só vai perdendo... Meus avós..., tios... e tudo vai acontecendo de forma natural. Eu já intuía que o mundo é oco. As bombas explodiam e eu ouvia... E sentia o mesmo que sinto hoje. Qual é o limite do som o que não é difícil fisicamente de se saber. Sentia um aperto no peito. Ali já sentia a transcendência da existência... Olhava o cinzento das catingueiras, o gado magro, sentia o calor do sol na luz e nos entes no meu entorno... Sabe, parecia que eu sentia o que sinto hoje. A ausência de meus pais amados. Naquele tempo eu podia ao voltar pra casa sentir sua proteção e o seu carinho e o esforço para que nos sentíssemos bem. Sentia a potência do amor. Bem... Na certa era trabalho feito pelos fogueteiros e encomendados e explodidos pelos romeiros. A fé acenava no meu coração. O chão seco, o estalo dos frutos de catingueira. O mundo é oco e o que sou neste mundo tão profundo? No meu torrão, comendo cuzcuz eu entendi a dureza da vida... Eu não entendi o outro... Minha infância, será eternamente minha. Marcou profundamente quem sou. O eco das explosões.. Ora volto lá pra sentir meu pai e minha mãe. Sem eco, sem explosões. A mata, a seca o tempo. Todavia hoje tenho um motivo... Um motivo superior que é o meu inestimável e amado filho. Seguro a tocha da vida. Sabendo que o amor é o que manterá a vida viva e eterna. Naquele tempo parece que meu de hoje estava lá. E oras sinto que meu eu de ontem está aqui. Coisas que se sente sem explicar.


15/05/26

Natação na chuva

Sassá ondem foi pra aula de natação. Está quase nadando, mas falta segurança. Vai chegar lá. A mamãe dele disse que ele faz todos os exercícios com perfeição. Mas ontem foi diferente, porque chovia muito. E não parou de chover. Eles voltaram para casa de baixo de uma chuva muito forte. Ele me contou que quase perdia a chinela. A mamãe falou que ele veio usando seu roupão. Foi o que ele me contou na hora que eu o levava para a escola. Abril e maio deste 2026 tem sido meses de muita chuva.  E fico feliz que ele viva e goste da chuva, do inverno. Facilita a vida quando não tem sentimento negativo contra a natureza. 

Adeilsa Pereira

 Adeilsa Pereira,

Poetisa de Serra Talhanda,

Canta versos bem bonitos,

Versos vividos,

Versos sentidos,

Canta o campo,

Canta a caatinga, 

Canta o sertão,

Canta sentimentos...

Versos doces e humanos,

Poesia cheia de alegria...

Conheci a poetisa num cordel de mote:

Só a chuva faz mudar a paisagem do sertão.

E ao pesquisar vi que é muito atuante na oralidade,

Criando versos maravilhosos.

Parabéns pelo excelente trabalho poetisa.

14/05/26

Tempo de chuva, eu

 A manhã teve barra,

Uma barra encarnada,

Sorri feliz,

O céu limpo,

O céu azul.

Andei contente,

Mas em minutos tudo mudou,

Escureceu,

E choveu,

Choveu,

Choveu a manhã inteirinha.

Depois tudo ficou melado,

Tudo ficou molhado.

Ruas e prédios alagados,

As árvores estão explodindo de crescimento.

Flores deitadas no chão...

E aqui dentro,

O frio e o escuro,

Estão me deosrientando,

Mas tudo vai mudar.

Sempre muda.

Frases

  Seria é a vida, Jovial é a arte Schiller


Benjamin Barber, eminente teórico político, disse certa vez: “Não divido o mundo entre os fracos e os fortes, ou entre sucessos e fracassos […] divido o mundo entre os que aprendem e os que não aprendem”

Salada de palavras

 Sassá me falou que está fazendo o duolingo de francês. Pratico com ele meu inglês. Li um livro ontem em portunhol. Rimos muito com essa salada de palavras.

Uma definição de poesia

 Busco,

Busco a poesia,

Busco uma definição mesmo que tardia.

A poesia chegou em minha vida de forma musicada,

Depois a poesia de maneira formal,

Foi na escola que primeiro tive contato com a palavra versada,

Uma palavra arquitetada...

Não entendi, quando minha professora de português chorou quando morreu Drummond de Andrade.

Ela estava em outro nível e aquilo me gerou um afeto.

Drummond... Seus versos enriquecendo o português...

A poesia escolar é tão séria.

Nem imaginava que a poesia vivia.

Sim os meus tios fruteiros, os agricultores cultivavam a poesia viva...

Numa festa rica chamada de cantoria...

Como foi escolar, acadêmico e erudito...

Conheci a poesia formal 

Sem ouvi a poesia da vida e da viola,

Amada por meu tio do Ceará Lourival,

Amada por tio Michico,

Amada por Nenem de Tia Esterlinda...

Por outras, minha avó materna Sinhá teve escola e me contou

Que declamava poemas na cidade nas festas na cidade de Martins.

Jesus! Vovô uma agricultora!

Quando não se tem idade, pouco se conhece a história.

Então vivi cego sem nunca ter ido a uma cantoria.

Talvez nossa condição de pobreza material,

Não tínhamos dinheiro para dar aos cantadores...

Ah...

Li Neruda e Pessoa!

E hoje, descobri a poesia popular

E estou feliz.

Poesia é a arte de recordar os momentos vividos com alegria. 

13/05/26

Ampulheta

 Silencioso,

Oculto,

O tempo está ai,

Contando nossa existência.

Desde a concepção...

Como viver o tempo em plenitude.

Talvez uma pergunta sem resposta...

Tempo de avançar,

Tempo de parar...

Máxima de reflexão do rei Salomão,

Santo Agustinho...

Fogo devorado dos nervos dos homens.

Elemento fulcral da existência...

Desnecessário...

Um dos eixos de existência,

Da causalidade...

Tempo... algo que ecoa na gente,

Só existe quanto substrato.

Essas coisas.

Herbário

 Selecionei uma tarde para trabalhar no herbário.

O herbário é uma coleção botânica composta de exsicatas.

Trabalhei nos herbários da UFRN, Depois no Herbário SP, em Seguida Herbário da Unicamp, depois no herbário CEN e provavelmente concluirei minha jornada no JPB, aqui da UFPB.

As tarde de quarta-feira veio identificar os materias da coleção. Coleção de plantas da família Fabaceae.

Musicas Favoritas

 Musicas inesquecíveis


Vaughan Williams ~ The Lark Ascending


Abecedário poético da floresta

 Sassá quis brincar. Pegou um livro de atividades de capa vermelha. Usou o lápis para riscar a linha tracejada e queria que eu fizesse. Não Deu certo. Brincamos de outra coisa. Depois na cama pegou um livro de título "Abecedário poético da floresta. Porque ele pegou aquele livro  na estante? Dai ele falou que a professora tinha um igual. Então exploramos as imagens da capa. Ao abrimos o livro caiu na letra M. Mandioca... Ele já sabe o que é porque teve na escola dele um comemoração do dia do Indio... com uma barraca de artesanatos indígenas feito pelos povos originários e eles estavam ali vestidos vendendo. Depois se apresentaram. O projeto na escola foi lindo. Aprenderam sobre uso das plantas para a produção de artefatos como tinta, comida. E a mandioca foi uma palavra que ele aprendeu. Achei interessante. Gosto que ele tenha muita literatura para consultar. Essas coisas como ele costuma dizer.

Urucum em momentos

 Um zunido na manhã cinza de chuva,

Despertou doces memórias de nosso quintal...

Bem distante daqui em minha terra natal.

Ouvindo um zunido no mundo mudo,

Vinha do pé de urucum,

Parecia um ronco distante,

De um mercedes 1313 subindo uma serra...

Então, fui ver a fonte sonora...

Vou ali onde ele está olhar,

Vejo beleza materializada

Vejo a beleza perfumada,

Uma árvore toda florada,

Flores cor de rosa,

Flores grande e perfumadas,

Flores pentapetalada,

E várias abelhas grandes e negras,

São os lindos mangangás,

Trabalhando? Namorando?

Não!

Beijando cada flor,

Voando em zigue-zague,

Sobe e desce,

Vai para a direita,

Vai para a esquerda.

Pouzado na flor ele zumbe...

Suas asas a vibrar,

E os estames a bagunçar,

Vai voando de flor em flor,

Sem ver o tempo passar...

Pra lá e pra cá.

De cá pra lá.

Minha alma imediatamente se enche de alegria,

Como o belo nos encanta.

Depois da florada,

O urucum é só silêncio!

Só vou lá para tirar

As cachotinhas equinadas,

Debulhamos as sementinhas

E fazemos urubum...

Para carne frita ficar colorida,

E deliciosa.

Ah!

Depois o mangangá,

Foi zunir no maracujá.

Vive a vida

 Vejo a vida nítida,

E me espanta ver a vida.

Quero sentir a vida,

Ver a vida é racional,

Sentir a vida é real...

Algo além de endorfina cerebral.

Vejo a vida pelo olhar da imaginação,

Vejo a vida via experiência...

Vida vivida.

As vezes me perco em tudo isso.

São ilusões da nossa mente,

Ocultando a aspereza da vida.

Coisa de uma mente desperta.

Vive a vida.

Vida que segue

 Manhã serenosa e fria,

Pela transparente janela,

Vejo nuvens cinzentas,

Na calçada molhada

Flores alvas de jasmim,

Ixoras encarnadas nos jardins.

Paredes alvas de prédios,

Pombos alvos se coçando.


Aqui dentro sinto,

Um reflexo desse tempo,

Algo em mim fica saudoso,

Algo em mim quer reagir...


A vida que segue...

Uma xícara de café para esquentar as ideias.


Devir e deveio.

Ser assim e ser ai.

É mês de maio,

Mês das mães.

Sem a minha para ouvir.


A vida fica cinza e silenciosa como essa manhã.

A vida que segue.

Vou trabalhar,

Tenho um filho pra criar.

12/05/26

Felicidade

 Recebi as imagens da chuva chovendo,

Chuvas enchendo açudes e barreiros,

Terreiros cobertos de ervas.

O milho no roçado pendoando...


A coisa mais linda do mundo

Os açudes cheios e sangrando,

Peixe subindo e desovando.


A mata verde e escura.

A cajaraneira carregada,

A pinha na pinheira rachada,

Feijão maduro na bacia...


A vaga com frio a pastar,

Leite quente com café.


Estou longo de minha terra,

Mas minha alma fica feliz

Só de saber que lá está assim agora...

O fogo esquentando a cozinha...

A comida da janta.


A  reunião da família na mesa,

Depois se deitar para esquentar as cobertas...


Tudo é tão bom quando tudo está bem.


Vivi isso e sei o valor da felicidade...

Minha família me ensinou.

Minha é isso.

Chuva trabalhando

 A chuva trabalhando o dia inteiro,

Manhã, tarde e noite,

Ora fraca, ora forte,

Quase pára,

Acelera...

O sol nem apareceu.

As aves emplumadas descansam silenciosas.

Sabem que o fruto do trabalho da chuva é delicioso,

As plantas pagam pelo seu trabalho

Chuva.

Pode chuver.

As aves ficam caladas,

São elas quem mais desfrutam das flores e dos frutos.

Chove chuva de maio,

Abriu já partiu...

A chuva trabalha feliz,

Trabalha cantando.

Vai enchendo o lençol freático,

Vai enchendo os rios,

Vai regando as matas...

Vai distribuindo a essência da vida.

E nós que tal fazermos um café. 

Poda

 Sassá ontem coletou uma folha de palmeira. Disse que era para fazer uma obra de arte.

Depois me viu podando um arbusto e quis podar as ervas. Disse que era para elas crescerem.

Está empolgado com as plantas dele.


A palavra

 Uso a palavra como matéria de expressão.

A palavra é o signo que me permite expandir as ideias que as tomei com fé.

A palavra pode expressar o que sinto pela minha terra natal que é o sertão.

E tudo que o preenche,

As formações geológicas, as paisagens,

A vegetação e a flora,

A fauna, a espécie Homus sertanejus

E sua cultura, sua rica cultura,

Singela e rica que permitiu sobreviver ali com o mínimo de recursos.

Somos quase angicos resistindo a seca...

Essas coisas que sinto.

Que amo tanto.

A palavra me faz ir além do espaço e do tempo.

Esta que me permite transpor o meu ser.

Só isso.

Resistência

 Os rins faltaram,

Uma nova rotina na vida,

O sol ardente e o calor,

A mata seca e cinzenta,

As cigarras cantando,

Acordar e ter força para viver,

Sair de casa e partir para a clínica.

As curvas e retas da estrada,

As casas ao pé da estrada,

Os serrotes, a depressão,

O gado mago...

A palavra apesar da dor.

Um riso de compaixão...

A chegada a cidade,

A  vida sofrida.

Na clínica, a assinatura,

O reencontro,

As histórias,

As pessoas e suas histórias,

Seus lugares,

Suas marcas, suas dores...

As pessoas novas,

As pessoas partidas.

A dor dos dias contados...

Os sofrimentos e  a dor,

O fim...

Mamãe viveu tanto esses dias.

Dias de luta.

E no sertão se encantou.

Amada sertaneja.

11/05/26

Jandaia e jandainha

 Caminhando no caminho que caminho,

A beira da estrada soa o berro e o ronco dos carros,

Calmas as castanholas habitam ali muitas castanholas,

Bem no meio do caminho,

Uma morreu delas morreu faz tempo,

Só restam o tronco e os ramos secos.

Ali, as jandaias adorou se coçar..,

Jandaias cabeças de mamão,

Grasnam, grasnam e grasnam...

Hoje por acaso vi um casal.

Silenciosas a se coçar...

Jandaia, Jandaia, jandaia...

Jandainha no meu lugar.

Notas do ego

 Memórias que marcaram uma parte de minha vida. A estranha descoberta que a vida tem um fim. E o fim da vida é a morte. No velório de um primo Edson deu uma definição de morte como o limite da vida. Pois, foi em Serrinha que vi os primeiros corpos sem vida. 

A gente quando descobre uma coisa que não aceitamos ficamos com um dissabor estomacal. Indo a Serrinha para meus primeiros dias de escola, no alvorecer da liberdade descobri a morte. Hoje conheci uma definição menos dolorida... A morte é vida vivida.

Mas a difusora da igreja de nossa senhora da Salete quando tocava essa composição era o anúncio de morte. Uma música que é capaz de em si nos arrancar emoção... Associei a morte. E nunca posso ouvir essa música sem transpor o espaço e o tempo... Pelo menos é a emoção que sinto quando acesso essas memórias. 

Será se alguém compartilha a mesma sensação que eu?

Cronologia da professora

 O silêncio,

A existência,

O tempo,

O ser e suas memórias.


Uma senhora e suas memórias,

Seus afazeres...

O tempo, as estações contando os anos, as fases da lua marcando os meses.

A infância, a adolescência.

O primeiro amor,

O casamento...

O amor.

A vida nova de casada, os filhos...

Os anos que separam as fases da vida, a velhice dos pais, 

Os casamentos dos irmãos,

A nova família.

Os desafios do trabalho...

A alfabetização...


A ideia de expressão a realidade,

A natureza,

Viagens...

O caderno,

A caligrafia,

A expressão e o encanto das palavras.


Os anos, o lugar mapeado na alma,

Os grandes acontecimentos,

Nascimentos,

E perdas...


Um olhar no vazio do mundo.


O tempo vivido,

Cabelos brancos.


O poder e o prazer da expresso e o deveio.


Literatura singela,

Sentimentos vividos e eternizados

Memória expressa...

Nada mais.

Dialética

 Os coisas, 

Os objetos,

A palavra,

As ideias,

As Representações,

O tempo.


Um signo,

Um significado.


O entendimento,

A expressão.


A relação...

No espaço e no tempo.


O espelho.

O reflexo.


Um sentido,

Uma sequência,

Repetições...


A síntese,

A emoção,

A razão,

A consciência...

Divagação

 A luz da tarde começa a esfriar,

Deitado penso no meu entorno,

Olho cada coisa em seu lugar.

Mamão e banana amarelando a maturar,

Um peixe azul no aquário a nadar.


Na parede os quadros descansando 

A eternidade de uma cena,

Uma casa azul em algum lugar,

Uma casa vermelha um outro lar...


Duas araras a representar 

Uma vermelha e outra azul ali está.


O próximo e o distante,

O mesmo instante ali está...


Acalmo minha mente neste breve pensamento.

Acumular

 Acumulo sobre a mesa sem querer,

Mas com desejo de possuir,

Sementes,

Livros,

Frutos,

Canetas frases,

Um ima,

Bicicletas,

Fotografias...

Quando vejo está uma desordem ordenada.

Coisas minhas.

10/05/26

Notas da semente do amor

 A vida é uma dádiva.

Felizes os que vivem e conhecem a sabedoria,

Felizes aqueles que sente todas as fazes da vida,

Felizes os que chegam a ter cabelos brancos, abraçarem seus netos.

Estou rompendo a idade adulta.

E com Deus tudo fica mais suave. Os anos vêem me ensinando essas sabedorias.

Quando era menino! Ah, nesta época Deus me deu um lar, pais e irmãos.

Eu sabia que era amado pelos afagos de minha mãe, pelo carinho de meu pai, pelas amizades de meus irmãos.

O mundo refletia em mim bomdade...

Eu sentia felicidade com as coisas mais simples,

Corrida descalço na areia fria,

O cheiro da flor do caju indicando fartura,

O encontro com as frutas maduras no pé,

As goiabeiras, as pinheiras, as cirigueleiras, os coqueiros...

Papai a prover a casa com seu trabalho,

Mamãe na árdua tarefa de educar, de cuidar de cinco filhos...

Além de cuidar e se preocupar com meus avós Zé e Sinhá.

As galinhas no terreiro pondo ovos para mamãe vender e fazer uma arrumação,

Um chinelo, uma roupa para cada um...

O dinheiro era pouco, mas as necessidades também...

O importante é que nunca ficamos um dia sem ter o comer,

A comida era pouca, mas a natureza ajudava...

Aos poucos  vida vai se revelando dura... mas meus pais amenizavam com seu cuidado e amor...

A seca de 1993, me revelou a natureza da natureza de nosso lugar...

Bichos morrendo, água reduzida...

Bem antes, em 1986 as coisas ficaram tão difíceis que as pessoas não podiam comprar café...

E a criatividade imperou, café de milho, café de canavalia...

Mas papai não deixava faltar o café que eu gostava...

Papai não tinha medo de trabalhar, tinha confiança comprava em Chico de Pocídio.

Vendia as castanhas a Ítalo de Sales.

Entendíamos tudo, pois ouvíamos papai com mamãe conversar.

Nossa casa baixa de paredes vazadas...

A noite na cama eles conversavam parece que queriam nos ensinar e a gente escutava e entendia.

E veio as escolas, os colegas e as relações sociais... Aos poucos fui perdendo a ingenuidade,

Aos poucos fui perdendo a felicidade...

As chuvas de inverno...

Os verões secos e falta de água,

As plantas e os bichos ficando escasso...

A descoberta da morte...

A perda da ingenuidade me deram medo de viver.

Mas viver é preciso...

O velório de vovó Chico... 

Marcou muito em minha vida...

Papai chegou em casa num taxi chevete amarelo chegou em nossa casa numa tarde de chuva.

Ver papai chorando derreteu meu coração... Tive medo da morte. Fui ao seputamento...

Não vi nada. Lembro do cortejo, o carro de conduzir o corpo... o caixão azul de pano.

A dor cravada em meu coração...

Naquele cortejo vi pela primeira vez o açude de Serrinha grande, Vi uma canoa...

Tive profundo medo daquela que separa a vida.

São fazes da vida...

Depois veio a escola... Dona Livani...

Minha segunda professora Dona Lenita,

Minha terceira professora dona Ceição.

Serrinha do Canto,

Serrinha Grande...

O medo de professora Rivete que me ensinou ciências.

O carinho pelo professor Ledimar,

As histórias maravilhosas do professor Chaguinha...

A ciência enervada na educação foi dando cálcio ao meu entendimento...

As enfermidades de minha mãe pobre sempre com dores...

O coração mole de Rosângela minha irmã amada.

A partida de meu irmão que nunca mais voltou a morar conosco.

A falta de apetite de Lidiana.

O retorno pra casa de Meirinha...

Roberto chegando em nossa casa.

A família de Eliene que saio do lado de nossa casa.

Sua mãe dona Eunice tão humana e generosa... a primeira vez que tomei danone foi ela quem trouxe de Natal.

As idas com mamãe onde ela ia. 

Estávamos sempre juntos com um caldeirão de ovos indo para Martins.

Indo ao Sampaio, indo ao Sítio de Fora, indo a Alexandria...

A triste partida para a capital uma felicidade imensa e uma infelicidade...

Doeu saber que papai e mamãe choraram muito.

E tudo isso se passou em nossa casa geminada.

A casa e a casa velha...

E tudo aconteceu em Serrinha do Canto...

Ali foi o palco de minha infância.

Ali tive o primeiro alicerce para vida que levo no peito até hoje.

A fé católica, o novo testamento...

O esforço e suas recompensas

E a principal coisa o amor a família

O amor a vida que renasceu de forma abrasadora com o nascimento de meu filho.

Amém.


09/05/26

Memória

A manhã amanheceu nublada,
O sol lentamente aparece e desaparece,
Feito dia que nasce depois da noite chuvosa.
Uma casal de tetéu, passa voando e cantando.
E mais uma vez volto a infância,
E mais uma vez volto a casa paterna.
A terra nua e molhada,
O campo aberto,
Os gritos do tetéu.

Uma imagem,
Um som,
Um cheiro,
Um gosto...
Impressões, sensações.

Despertam uma memória,
Despertam pensamentos,
Despertam sentimentos.

É a emoção se inervando na razão...
É a consciência filtrando e valorando
E dando uma identidade que a assimos.

Aves, espaço, tempo, ser...

08/05/26

Musgos

 No dia que coletamos uma samambaia. No mesmo lugar vi musgos e mostrei para ele. Sassá queria levar para casa. Disse então que traria de onde trabalho, pois tinha muito. Então ele ficou antenado e me cobrou duas vezes. Ontem então levei para ele os desejados musgos. Ficou muito feliz quando viu o material. Foi correndo plantar nos jarros da sacada. Fico muito contente pelo seu interesse por plantas. Afinal as plantas saber de plantas paga meu salário.

Recortes do meu ser

 No terreiro da minha casa

Tinha pinheira e coqueiro,

Ciriguela e cajueiro...

Cresci vendo a importância da água

Para a produção das frutas maravilhosas.

O coqueiro usava a água do banheiro.

As outras plantas tinham que se virar.

Seca danada, inverno fraco,

Coitadas...

Os cajueiros morreram de sede.

As pinheiras e idosas

E as ciriguelas estão ai para contar história.

Esses seres foram meus amigos,

Confidentes e parceiros.

Deram-me seus frutos...

Deram-me sua beleza,

Deram-me o perfume de suas flores.

Coco com cuzcuz que delicia,

Coco com rapadura.

Caju e pinha docinhos...

Ciriguela verde e vermelhinha...

Estão tão sozinhas

Tadinhas...

A razão de ser as vezes se vai

Com o fim da vida...

Encruzilhada

 Martins e serrinha dos Pintos hoje são municípios diferentes. Antes de 1993 Serrinha era um distrito de Martins e Serrinha do Canto pertencia a Martins, agora com a divisão parte de Serrinha do Canto pertence a Martins e a outra parte pertence a Serrinha dos Pintos. Serrinha do Canto Virou Bairro. Ali um povoado que existia e ainda existe é o chamado Parieiro.

O Parieiro era onde estava a primeira igreja de Serrinha do Canto a Igreja Batista. Ali existia e ainda existe uma bifuração, uma encruzilhada que seguindo pela direita chega ao Barro Vermelho, a Grugueia, ao Sampaio e a Serrinha Grande como era chamada a cidade antes; já seguindo pela esquerda ia para Serrinha do Canto, Vertentes e Serrinha Grande.

Naquela encruzilhada havia uma venda... uma budega. A bodega de Laércio Raulino. Sem dúvida ali, foi o palco de diversos acontecimentos importantes, pois era a única venda de Serrinha do Canto.   Lugares onde agrupam pessoas são palcos de diferentes eventos.

Na budega se davam vários encontros.

Tinham aqueles que vinha comprar mantimentos, aqueles que passavam para tomar uma cachaça, tinham aqueles que iam conversar com seu Laércio. 


Amor eterno

 Que saudades de minha mãe.

Faz falta nossas conversas,

Faz falta nossos abraços e cheiros.

Faz falta sua presença orientadora em minha vida.

Faz falta seu cuidado, suas orações e orientações direcionando meus caminhos.

Ah! Mamãe nem tenho ou terei como agradecer por tudo que me deu...

Gerou-me, amou-me...

Sou o que sou por ti.

Iluminda esteja na eternidade.

Te amo mamãe Didi.

Acontece

 O desvelar da manhã

Nublada, fria.

Sem vento...

Mata silenciosa.

Choverá?

A luz branca alumia os objetos sobre a mesa.

O rádio inicia a tocar Gimnopédias de Erick Satier.

Uma sensação boa de gratidão

Preenche minha alma.

Aparecer e perceber

 Uma vez lá na infância,

Quando morava em Serrinha do Canto,

Papai fez uma faxina para a hora,

Onde plantamos coentro e cebolinha.

Veio o inverno e do lado nasceu uma planta.

Não era qualquer planta era um pé de bucha.

Cresceu rápida e silenciosamente.

Cresceu e se pendurou nas varas da faxina.

Então daqueles ramos verdes

Uma flor grande e amarela apareceu...

E outra e outra... Ai vi pela primeira vez

Uma flor de bucha...

Depois vieram os frutos que usei para fazer bois e vacas.

Enchi meu curralzinho sob a pinheira de vacas.

Mamãe nem se incomodou.

Depois as buchas secaram.

O inverno se foi e usamos as buchas nos banhos.

Foi isso,

07/05/26

Devagando

Algo em mim me faz crer

Que expressar o meu sentimento

Vai me fazer bem,

Talvez alguém por ai sinta o mesmo que sinto.

Vontade de se eternizar.

Será uma alienação da mente...

Tenho me encantado na poesia popular.

Algo muito particular

Que responde meus sentimentos,

Resgata minhas memórias.


Sabe minha terra natal tem duas faces.

Uma é árida a outra é úmida.

Uma é cinza a outra é verde.

Uma é florida,

A outra é vegetativa...

Uma plantas despertas,

Na outra as mesmas plantas estão quiscentes...

E nós estamos ali,

Em ambas as faces...

Avaliando, vivendo, sendo...


Ser eis o milagre da vida,

O ser na existência,

Ou a existência no ser...


A mente no corpo ou o corpo na mente.


A terra molhada é diferente.

Da terra seca...

É a mesma terra?


Serei o mesmo?

Que sei das duas faces?

Não sei...

Mas desconfio de algo.

Atenção

 Sassá está com muita energia. Vejo a hora a mãe dele perder as estribeiras. Mas é boa mãe. Pula pela casa, grita, pisa forte e brinca muito. Tem uma imaginação criativa. Está cheio de vontades próprias. Selecionando os alimentos, o que quer fazer... e uma das coisas que mais gosta de fazer e implicar com a mãe. Chega a ser engraçado... dá trabalho para ir tomar banho, escovar os dentes, pentear o cabelo. Nessa idade, não inventamos a roda. Todos os meninos são iguais... dinâmicos, ágeis e divertido... Ontem queria ser o primeiro a chegar na escola. Disse que só Florisberto chega primeiro. Chegamos primeiro, mas como estava neblinando. Não fomos os primeiros a chegar no portão. A vontade não era apenas dele. Logo chegou Rivaldo e Milano e saíram correndo. Ai ai. No salão da escola tome correria e a coordenadora chamando atenção. 

Chuva mansa

 Chove fininho,

Chove devagarinho,

A mata molhada,

Goteja levemente,

Pingo a pingo escorrendo,

Água na calha escorrendo,

Chiando...

Folhas simples,

Folhas compostas molhadas...

Pingando, 

Aumentando a chuva...

O som mudo dos pingos nas folhas...

Esporos espalhados.


Ouço tudo isso.

Pela janela transparente e frio vidro,

Deixa-me ver a chuva mansa...

Na cabeça de um poste,

Pousado e está

Um urubu de cabeça vermelha.

Parece mais confortável 

De luz branca...


É bonito de ver a chuva,

E essa bela ave.

Mais nada

Minhas memórias

 Tenho memórias guardadas e mim

Que nem mesmo imagino que tenho.

Memórias vividas, vividas.

Memórias de lugares, de acontecimentos, 

Memórias que jamais serão despertas.

Algumas coisas são impares na vida.

E o cérebro as guarda no formato de memórias.

Tenho memórias vivas em mim.

Que os lugares,

Que os acontecimentos,

Que as situações me deram...

Estão adormecidas...

Qualquer dia as desperto.

Enquanto estou desperto.

Guardo esta memória de memória.

06/05/26

Emboás e a mente

 Emboás são cheio de pernas,

Emboás tem exoesqueleto,

Emboás são lineares.

Emboás são segmentados,

Às vezes bicolores,

Às vezes unicolores.

Emboás tem duas antenas.

Quando enredados,

Os Emboás se envolvem em espiral.

Quando está seca a paisagem,

Emboás se escondem.

Acho que as vezes sou um emboá...

Ou minha mente me tornou um emboá.

Talvez...

Escultura

 Ontem Sassá estava muito inspirado e concentrado. Com os isopors de um eletrodomestico que compramos entalhou com seu cinzel um peixe lanterna e um esquilo. Trabalhou com afinco sua escultura. A sala ficou cheia de pedacinhos de isoopor, mas ele responsavelmente, varreu e apanhou com a pá. Ele me pediu ajuda e o ajudei.  Foi um momento de concentração plena.

Pereiro

 No fruto do pereiro mora duas abóbodas celestes noturnas.

Lua, luz e som

Na madrugada a lua desperta,
Alumiava o mundo...
Percebi no chão escuro
Uma área pálida e iluminada...
Era o brilho da lua.
Não resisti e fui ver a lua
No cimo do céu vagava...

Uma soma de memória despertou...
Papai, mamãe, meus irmãos e a noite.

Senti-me feliz.
Uma felicidade pálida como a lua na madrugada.

À noite, parece ser mais eterna que o dia.
O silêncio da natureza,
O brilho das estrelas em suas galáxias
Que os bichos não a nomeiam.

Longe ouvi um cão latindo.
O que o perturba?

Um mundo para além do meu.
Muitos mundos num só mundo.

A lua sabe disso.
Plenilúnea tudo clareia.

Eu... descubro o além de mim.

Num cão que não sei quem é,
Só sei que é cão.

E a lua que é lua.

E eu que sou um todo em expansão.


Patativa

 A patativa canta sozinha,

Canta acompanhada,

Canta muito esse passarinho,

Tão pequenino, de bico arqueado e fino,

Com sobrancelha, arqueada,

E olhinho redondinho,

Seu papinho bem amarelinho...

De perninhas bem fininhas,

Mas sua voz,

Mas o som que vem do seu peito...

Impõe mesmo respeito,

De beleza e altura...

Não importa sua finura...

Eita passarinho pra cantar...

Encontrando a namorada,

A pinha madura... coisas mais.

05/05/26

Aula licófitas

 A aula foi enriquecida com os objetos de estudo. 

Selecionei uma cavalinha, uma selaginela, uma samambaia de folha lobada e uma samambaia nefrolepis.

Foi questionado sobre a presença de raiz, caule, folhas e estruturas reprodutivas.

Falou-se sobre tipos de caule, tipos de folhas e de estruturas reprodutivas.

As respostas foram positivas.

Gerou-se várias dúvidas.

Samambaia

Ontem ao sair da escola Sassá pegou uma flor no jardim. Depois viu umas samambaias ele chama de Samandaia. Quis uma folha então peguei um ramo e veio uma planta jovem. Ele ficou muito feliz e veio falando sobre samambaias do tamanho de nosso prédio. Em casa ele colocou as samambaias nas plantas de nossa sacada e aguou todas. E a lua nem veio cedo. Depois jantamos, brincamos de esconde esconde. Lutamos, brincamos, dei banho nele e a mamãe cuidou dele. Eu apaguei.

04/05/26

Notas do eu

 Vou construindo meu mundo.

Somo a subjetividade com a objetividade.

Meu entorno percebido,

Meu entorno absorvido.

Eu me derramo,

Objetivo minhas vontades...

O concreto é a face primeira do ser, da existência.

Essas coisas.

Coisas aleatórias

 Sassá ganhou um caderno de Bob good. Ganhou canetas.

Ganhou também um caderno de pintar de dinossauros.

Foi interessante ver o empenho dele para pintar os dinossauros.

Aproximou-se muito das Feras. Na Livraria leitura até quis ganhar um livro de dinos.

Então sexta-feira, feriado e chuvoso ele resolveu pintar os Bobgods dele.

Como estava por perto fui ajudar. Não curtiu muito.

Me deixou pintar os dinossauros, mas os bobs.

Fiz uma sobrancelha em tibrúrsio o urso... Ele falou não papai... Bobgods são bonzinhos não são maus.

Coisas da cabeça dele.

Ontem não me deixou pintar o Bob. Então fui pintar.

Ele foi pinta também e pintou camaleões.

Dai saímos para caminhar. Como prometi um sorvete foi muito ágil... Fomos conversando, mas ele tinha um foto doce no fim.

Digo que Sorvete faz mal. Então ele disse e o que podemos fazer para tirar esse mal. Falei atividade física. Bom após chegamos na Praça do Rapaz e ele correu muito... Disse que era para tirar o mal do sorvete.

Essas coisas como ele diz.

Ciclo das ideias

 Uma tempestade de ideias cai na terra.

Grande parte é absorvida pela terra,

E faz germinar e brotar ideias adormecidas.

Quando a terra fica saturada,

Então as ideias seguem os sulcos, como veios

Onde as ideias vão descendo rio abaixo

Em direção ao grande oceano...

Onde tudo começa.


01/05/26

Maio

 Maio nasceu fértil,

Nasceu iluminado pela lua cheia,

Nasceu molhado pela chuva matinal,

Nasceu ao som dos grilos no mato florido,

Nasceu enquanto cantava a roxinó, a patativa.

Quando despertei...

Lembrei que maio é o mês das mães.

Senti falta de mamãe.

Porque olhei através da memória 

Meu passado,

Lá em Serrinha minha amada terrinha...

Nos maios férteis que vivemos...

A fartura garantida nos dava conforto,

Nos dava felicidade... Salvo que felicidade é se sentir bem, satisfeito com o que se tem para comer,

Esperançoso de coisas boas.

A vaca com cria nova e muito leite,

Feijão verde na panela,

Pinha alvinha e docinha na furna,

Melancia vermelhinha trazida do roçado,

Amarelas e perfumadas cajaranas...

Água na cisterna e nos tanques,

Paisagens verdes pra olhar,

As cores perfumadas das flores,

Flores docinhas como as juremas, 

Flores das jitiranas, rosadas, azuladas, amareladas e alvinhas...

A goiabera florida,

As abelhas zunindo nas floras...

Água escorrendo nos riachos e caminhos...

Maio! Que paraíso...

Á noite íamos as novenas ouvirmos os sermões e ladainhas...

Chiquinho de Raimundo mora pregando...

Papai e mamãe nos ensinava com suas fés...

Nós bebíamos a Serrinha...

As primeiras lições com Lenita e Livani...

Meus amigos de infância.

A descoberta de um mundo simples...

Não sabia o que era problema, dinheiro...

Tudo era proporcionar nosso bem estar.

Os confeitos nas bodegas e brinquedos

Era tudo que precisava para a plenitude da felicidade.

Nossos pais... eram mais novos do que sou agora...

E isso chega a dar um nó na garganta com cinco filhos eram maios fortes do que sou.

Maio! Mãe...

Volto ao agora!

Sinto uma saudade doce daquele tempo.

A vida no campo,

O inverno...

A serrinha.

Meus pais.

Tudo que não tenho hoje.

Hoje tenho tudo que desejava,

Melhor do que imaginava...

Uma coisa aconteceu... 

Uma coisa excelente... Compreendi a fé dos meus bisavós, avós e pais...

Compreendi que o tempo passa, por experiência...

Tudo que sou começou na crença de meus pais nos ensinado os princípios da ética...

Maio! Maio! Maio...

Mês das flores, mês das mães... de Nossa senhora a flor maior

Que gerou nosso salvador,

Que nos ensinou a nos salvar...

Maio das mimosas...

Da terra molhada...

Da esperança que desperta cada dia nos peitos que pelo mundo bate...

Maio memória de minhas avós, de minha mãe...

Recebo maio com o meu peito florido.

Mais nada.

Esculpindo uma arte

 Em um instante penso, Penso no que construo, Penso no que escrevo, Penso e escrevo. Escrevo uma ideia, Escrevo uma representação Usando a p...

Gogh

Gogh