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segunda-feira, 2 de março de 2026

Mudança de estado

Sob o solo as raízes sustentam, 

Um eixo cinzento,

Um tronco que se ramifica

sustentando folhas 

Alternas em espiral,

No ápice do eixo,

Um céu de estrelas de prata,

Estrelas de prata,

Com garganta dourada,

Ali tem o fim de um estado,

Se inicia outro estado...

O ato vira potência...

O germe do ser,

O fim da existência...

Um jasmim pudoroso.

Ao mundo vigoroso,

Resistente,

do início ao fim.


Tudo vai bem

 Abro a janela de minha sala.

Sinto o frescor frio entrar,

A mata molhada se cala,

Avisto um sabiá de papo branco,

Ele me olha como quem me ver,

Depois me ignora...

É sua casa fernanda a aroeira.

Abre suas asas, estufa o peito e canta.

Sou apenas um espectador 

Deste singelo cantor...

É tão bom quando ignoramos o devir,

Quando cremos em Deus.

Tudo vai bem.

domingo, 1 de março de 2026

Um caminhar

Desde o momento que despertamos para a vida. Desde o momento que a consciência se torna autoconsciência, nossos pensamentos toram vidas em nossas mentes. Somos sujeitos. E as palavras tem ganham significado. Despertamos para a vida e dessa forma a toda forma de sentimento. A humanidade vai alvorecendo em nós. As vezes a chuva silencia o nosso pensamentos, penso que assim somos plenos por breves instantes.
Então, numa manhã de sábado em algum lugar na terra um indivíduo desperta como sempre o faz cotidianamente, exceto pelo fato de ser sábado-feira. Para esse indivíduo de onde veio sábado era dia de feira. Toda sua mente foi organizada neste sentido. A idade chega a todo mundo e com o tempo sábado é dia de limpeza. E mais ao longo do tempo quando se tem um filho, sábado é dia de sair e gastar as energias do filhote. Então uma nova rotina surge, sendo então parte da rotina dia aos zoológicos, aquários e jardins botânicos.
Pois bem, nesta manhã, a chuva me deu essa frase... a chuva silencia os pensamentos. Falo isso porque meus pensamentos, movidas pela heurística da disponibilidade... algo no jardim botânico me impactou profundamente, não sei se pelo fato revelado, mas me impactou. Nós três, e uma turma de 27 pessoas fazíamos uma trilha. Cheia de revelações naturais, os obstáculos compostos de troncos e solo irregular; os animais ali presentes, e as mais variadas formas e cores e texturas dos troncos, folhas, folhas e frutos... Atento ao momento, acho que ali, meu pensamento estava em silêncio. Num determinado momento no meio da trilha me impactou. Um trio um moço e três moças ao pararem para fotografar o tronco da munguba árvore da távola... este trio fez uma foto dos pés. Uma foto intencional? Não sei, mas minha esposa expressou a interessante idéia de fotografar os pés. E imediatamente eu me lembrei que havia fotografado os pés de mamãe e papai num determinado momento. A gente fotografa para ter a memória. A gente fotografa muitas vezes guiado pela causalidade. Já que a causalidade é algo que aponta um determinado destino. Qual é o destino da vida? Por isso fotografei os pés de meus pais sem que dessem por isso. Não conhecemos tudo dos que conhecemos e há uma reciprocidade nisso,
Ai um momento se revelou potente. Havia um obstáculo, um tronco lindo de um Aspidosperma discolor, popularmente conhecida como canela-de-velho, Nada teria se revelado para mim se tivesse mantido o silêncio. Mas disse essa planta se chama canela-de-velho. Então uma pessoa do trio se revela dizendo: - Canela-d-velho é aquela planta que se usa para fazer o remédio? Disse que não que o nome em decorrência a forma do tronco. Aquela canela era uma outra que também tinha na mata. Então ela disse que usava muito, pois tinha distrofia muscular. Após ela dizer isso, olho para ela, presto atenção nela que vai a minha frente e percebo a dificuldade de andar. E a fotografia dos pés passa a fazer sentido para mim. Pelo histórico que conheço desta doença, aquela moça estava num estágio. A experiência nos dá um peso muito grande as coisas. Conheci uma pessoa na minha cidade com a mesma sindrome que estava num estágio mais avançado e a paralisia era o fim. Os meus pensamentos apagaram a realidade. Fui ao racional da alma. E fui humano, meu coração se encheu de piedade. Esqueci que a eternidade está no momento vivido com intensidade... Naquele momento me desvinculei de minha realidade e vivi outra realidade. Então despertei e fui em busca de meu menino. Ele estava autônomo demais. Então em que estágio estou na vida?

A chuva me fez esquecer esse momento. Agora o calor incomoda e me faz encerrar o texto.

Era isso.

O verde oliva, 

A rocha que ronca,

Uma campina,

São Francisco...

A vontade é tudo


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Vida

 A vida é bela e precisa ser sentida com beleza e com amor.

A vida é aquilo que sentimos. 

Sentir a vida em sua plenitude é difícil.

Pois sempre desejamos o que cremos ser bom.

Queremos potencializar sempre estas sensações.

É preciso entender que a vida é absoluta.

O corpo é biológico e nem sempre poderemos está na face da felicidade.

Há também a tristeza, a dor ou seja o sofrimento.

O sofrimento é parte constitutiva da vida.

Não significa que devemos nos acostumar com o sofrimento,

Mas quando aparecer, aceitar e aos poucos vai se desvincula,

E trata e fica bom.

Muito destes sentimentos são espirituais.

E como espirituais que somos em parte.

Lutemos para vencer os sofrimentos.

Não sozinhos, mas rodeado daqueles que nos apoiam.

Nossos pais, amigos...

A busca pela harmonia dura a vida toda.

A vida é a luta.

O caminho é a totalidade de todas as coisas.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Memória uma fonte

 Memórias guardadas como despertadas?

Vi aquela visão de muito tempo atrás. A gente tinha umas vacas. E vez por outra mudava de currais. Ai a gente plantava nesses currais. Veio agora de imediato do nada os embuás encontrados de baixo da paus deitados no solo onde estavam o milharal. A sensação de calor, luz intensa, presença de vida. Papai e eu trabalhando. O embuá preto com pontos amarelos. Embuá casco-de-peba. A terra molhada e macia. A enxada. Minha conexão com o bicho. Com a vida. A tentativa de entender o mundo no meu entorno.

Foi árduo, virou memória e hoje uma doce memória e a presença de papai na minha alma.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Instante

 Lúcida luz nas folhas da árvore.

O cheiro da alva flor de guabiroba.

Os papagaios na mata.

O calor!

Parado espaço.

Pronto para mudar.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Só o silêncio

 Em casa de idoso o silêncio é a regra. 

Assim foi na casa de meus avós Chicos.

A casa era grande e alta o silêncio parecia fazer eco nas paredes.

Parece que do oratório se sugeria silêncio.

Palavras pensadas e depois falada, o tempo embotando de sabedoria os cabelos brancos com suas cabeças vividas.

Vovo adoçava o café.

Vovô só observava.

O lengo-tengo da colher na vasilha de alumínio.

O preto sabor doce do café adoçado.

A chapada a vista.

O canto do golinho que em sua prisão a gaiola cantava por opção.

Preferia o canto ao silêncio.

Um exilado a cantar sua desgraça.

Seria de alegria ou de tristeza seu canto?

Quem sabe?

Só suposições.

Um dia o silêncio imperou parcial e outro dia total.

E tudo sumiu.

Uma nova ordem surgiu.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Impressões

 Andando na rua segurando a mão de minha mãe. A mim, o desconhecido era ali. Tantas caras por mim desconhecidas. Mamãe caminhava com segurança e conhecia muita gente dali. Eu estranhava que mamãe conhecesse gente além de nós, já que ela era só minha desde que me entendi.

Então aquela memória cheia de sombra, rua escura como vejo na fotografia de minha memória. Tinha uma praça e piso como bandeiras... Observando essas formas ouvi pela primeira vez o som do sino que vinha da torre da igreja. Desconheci o signo, mamãe perguntou quem havia morrido?

Morrido. Sino. Igreja.

Não entendi nada. Meu sentido estava no bolo de dona Alta no mercado, no caldo de cana de Zé da garapeira, no pão doce...

Só muito tempo depois fui entender aquele fato.

A madrugada e o jasmim

 A madrugada oculta muitas formas. Nossos corpos tem suas limitações e estas só ampliam quando dele s distancia. Assim mesmo uma deliciosa sensação ao acordar  e ir a janela. Era o cheiro doce e intenso do jasmim-de-laranjeira. Quem conhece entende! E aquela linda planta está a mais de 200 metros de minha casa. Como a copa redonda, com folhas verde escuro, parece coberta de pipocas perfumadas ou seriam botões pipocados? Para que tentar definir flor ou essa sensação. Só quem conhece o jasmim vai entender. Essa relação é de paixão ou aversão. Há quem não goste, mas isso é tão particular. Só sei que a madrugada me revelou um dia perfumado.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Jas mim

 As murraias estão floridas. Murta ou jasmim-de-laranjeira. Suas flores alvas, perfumadas, pentâmeras estão floridas em cachinhos ternados. A mim me encantam essas plantas. Suas folhas de sabor amargo, de pontos translúcidos e multifoliolados; seu tronco forte, sua copa redonda. Em janeiro ou fevereiro ou basta chover elas florescem... Elas gostam da água da chuva. E respondem a esta com botões, flores e frutos.

Não sei quem me ensinou a perceber nas plantas. Terá sido a doçura dos cajus, das mangas, das ciriguelas, das pinhas e das goiabas?

Onde há vontade há consciência. O açúcar será nossa primeira fonte de consciência?

Amar os jasmins é algo sublime, porque alimenta além do corpo ao espírito... E é fácil agradar o espírito com um bom perfume... Será o jasmim uma palavra oriental para perfume? Coincidentemente todo jasmim é perfumado... Jasmim manga e manga jasmim...

Vi na etimologia da palavra no google... yasmim... de origem Persa: flor de aroma intenso e delicado,

Algo léxico - com sentido... com direção... que afeta nossos sentidos.

Aparte isto. Olhei pela janela ontem à tarde e vi o jasmim-de-laranjeira florido.

E me veio a mente essa ideia.

Pronto agora posso esquecê-la só por um momento.

Sapo sapiente

 Na lagoa um sapo compõe a paisagem. Estático apenas o percebo. Sua forma e suas cores aquilo que me diz que é um sapo. Seus olhos percebem a mim pelo meu movimento. Estático está e permanece. Perto do sapo está um jacaré e na mesma lagoa peixes.

Essa lagoa não é natural nem aquele peixe.

As vitórias regias enfeitam de cores alvas e verde o espelho da água...

O sapo fica pequeno diante do jacaré diz um.

O sapo fica feio diante da vitória regia diz outro.

O sapo nada menos que o peixe fala o outro.

O sapo não responde só existe.

Se tem fome come.

Se tem perigo foge.

Só responde.

Agora nada o incomoda e compõe uma paisagem.

Só.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Feriado de Carnaval

 O relógio despertou no mesmo horário. Ignorei ao chamado. Continuei deitado, não sei se dormi, mas permaneci deitado. Então despertei. Quando se desperta se busca cumprir uma atividade. Oração, leitura, preparar um chá e o café. No entanto ignorei o resto. Descumpri o dia como acontece no sábado e no domingo. Cai no vazio. Aquele vazio que se segue ao não cumprir uma rotina. Atendemos tanto nossos desejos que esquecemos como é não cumprir esse desejo. Sabe, os desejos com o tempo caem na rotina e por vezes nos esquecemos deste fato. E o dia se desperta. Vazio e longo. Sem sentido. Quando não se constrói um segundo sentido. Fica esse vácuo. Ano seguido de ano, para a graça da vida. Carnaval! brilho, música, risos e uma fé na carne e uma fé na vida. O tempo nos ensina que tudo isso é comum como qualquer dia. Exceto pelo vazio de não se cumprir uma sequência...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Carnaval

 O devir deveio.

É carnaval. Hoje tenho muitas opções e não escolho nenhuma.

Antes não podia escolher e queria muito poder escolher.

Tinha a televisão para ver o que ocorria país a fora. Meus pais com minha ou pouco mais que a idade que tenho hoje, trabalhava para nos sustentar e a mim só restava sonhar.

Queria parte do que tinha no carnaval e não o todo.  O sofrimento nascia do querer e a realidade impunha suas restrições.

Eu nem imaginava o quanto eu tinha tudo. Minha casa, minhas irmãs, irmãos e meus pais por mim.

A nossa vida era simples como tem que ser.

De carnaval só via as coisas grande da Globo que passava no Rio, em São Paulo, em Salvador e em Olinda. Era um chines no meu pais.

Na minha cidade haviam blocos e os papangus.

A natureza estava ali.

Se uma coisa me animava naquela época como me anima hoje ainda são as chuvas.

O tempo passou e não vacilei em meus sonhos. Deus me deu o sentido.

Real, deveio, hoje sou eu quem é a segurança de alguém, meu filho.

E sabe, gosto de ficar em casa. Assim de boa.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

O eu

 Olha o céu!

O que pode ver o firmamento azul e as nuvens alvas.

Nuvens de forma amorfa em constante movimento e transformação.

Tão inconstante é a atmosfera.

Assim é a mente humana.

O azul, o amarelo e o vermelho.

O triângulo.

Os números arábicos: um, dois e três.

A unidade divina.

O absoluto.

O movimento.

O dualismo.

O signo...

O som, as imagens, cores e formas.

A busca.

A razão.

O espaço eterno e o tempo seu testemunho.

O tempo a imagem da eternidade.

O eu...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Sintonia e harmonia

 Hoje, aqui o sol amanhece claro,

Raios dourados iluminam a parede,

O verde claro das folhas jovens 

Anunciam algo novo iniciando,

O dia, uma estação, um carnaval.

O sanhaçu de coqueiro animado

A cantar, a cuica a gritar...

Tudo em sintonia som e cor,

Pensamento e sentimento.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Garrinchinha

 É tarde,

A pouco o dia caiu na tarde.

Agora lá fora conta a garrinchinha,

Marrom avezinha.

Quando canta desperta no meu ser,

Memórias pretéritas,

Da minha infância,

Das chuvas,

Da terra chovida...

Sentia um vazio na vida já naquela época.

Agora estou encontrando um prumo,

Me livrando de tudo.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Reflexão ao lado do amor

 Aqui deitado com os pés e as mãos geladas. Vinícius dorme tranquilo ao meu lado. Então, pensando no tempo, esperando pelas chuvas me veio a memória como um turbilhão que tudo tira do lugar. A mente matemática ou memórias numerais que nós faz pensar no tempo. A primeira grande provação em minha vida e porque não nossa dos meus irmãos foi a seca do ano de 1993. Aquele bendito ano que só caiu uma chuva e que meu avô José Neves dormiu na eternidade. Foi um ano tão cruel que mudou nossas vidas para sempre. Nós vimos todas as nossas melhores fruteiras morrem de sede. Foram os cajueiros, as goiabeiras, bananeiras, mangueiras... Papai vendeu os poucos bichos e foi embora para São Paulo em busca de recurso só quem restou foi a caatinga cinzenta e espinhenta. O sol ardeu de janeiro a dezembro. Ficamos ociosos, esperando nossa ração do café, almoço e janta. A globo cadenciava nossa vida, nossa escola, nossos professores, nossos vizinhos todos no mesmo barco. A gente tentava ri para vencer as adversidades. Naquele tempo tive certeza de que alí nunca teria uma estabilidade e o tempo cadenciaria nossas vidas, provaram os fortes e quantos de nós não foram morar longe e quantos nunca voltaram. As chuvas, não a água era e é nosso maior recurso. Vi nosso sítio se tornar uma área Cerqueira, nosso irmão mais velho nos ajudou junto com papai. A gente, depois deixaria nossa terra natal. E bom, alguns de nossos cinco  irmãos, decidiram não voltar mais. Uma voltou para cuidar até o fim dos dias de nossos pais e alí ficou. Eu como moro perto sempre volto. A casa agora é enorme, nosso cenário de alegrias e de dores está ali. Agora flerta com mais um ano seco.

Passamos 21 aguardando as chuvas e nada. Agora tive que partir e deixei nossa casa com o coração de beija-flor. Do alto dos 46, após permear e buscar entender ciência e filosofia encontro paz na fé coisa que meus pais e avós encontraram. A caatinga e a seca devoraram nosso sítio e andando na caatinga encontrei as marcas do passado o buracos das palmas que papai plantou, troncos ou marcas destes que os cajueiro deixaram. Apelar para Deus...

Ainda dorme Vinícius e eu aprecio o momento com essas duras memórias atemporais.

Número

 Hoje o dia foi perfeito. Um domingo como a muito tempo não havia vivido.

Chegamos aqui em Serrinha do canto no dia 17.12.25, e desde então aguardamos ansiosamente pela água das chuvas. Vivemos muito e gostamos desta forma de viver. O mato seco, as aroeiras, angicos e juremas; as serras, as curvas da estrada, o calor cáustico, a sede dos vegetais, as mangas... A lua crescente e cheia...

As luzes do Natal o fim de ano. A visita aos parceiros distantes... A esperança de mudança que vem. O aniversário de Vinícius...

Os textos...

O livro de Lucas...

A bíblia, Borges, os cachorrinhos schaquira e Sherlock...

O loro Creo...

Salmo 91 o dia 19...

Um sentido... Uma razão... Frutos da abstração, o número seis.

O número cinco.

O número quatro.

O número três.

O número dois

E a unidade...

O dia em seus extremos foi nublado.

A vegetação pálida como se estivesse molhada. Logo tudo vai mudar.

Estamos no ápice do verão, fim da sequidão...

Tudo mudará em pouco tempo.

É preciso Deus para não morrer de angústia...

A fé na bondade nos salvará de todos os males...

Fiz fotos hoje e amanhã tudo poderá ser o inverso.

Coisas humanas.

Quando estou na minha casa

 A manhã nasceu nublada e fria. Na paisagem, ao nascente, podia-se ver no alto da serra as nuvens frouxas fluindo pela paisagem. O vento frio cortava a vegetação cinérea refrigerando e cantando a paz... Onde estava minha mente? Meu corpo e meus sentidos viviam aquele momento, mas a minha mente de certo vagava no tempo... A gente se pega pensando coisas pequenas a maior parte do tempo. Acho que minha mente vagava por aí. Vivo... Feliz pela manhã. Este momento do dia que me faz sentir bem. Parece que a satisfação ou a intensidade das emoções é maior no início de um momento.

E então chega no agora em que tento tecer algo linear que me permita reviver este momento um dia qualquer.

O sol abriu o vento sopra...

E o devir deveio e devem... Ad infinito.

Amor materno

 Em meiados de 1977 numa manhã ensolarada no sítio de fora em Martins algo ia acontecer. Algo muito grande.

A casa estava uma bagunça, as roupas sujas dos meninos precisavam serem lavadas. A jovem Esterlina que tinha até então seis filhos. Um destes era mulher Cledina e fora com o Caçulinha Umagir lavar roupa na cacimba de Joel. A jovem Esterlina grávida iria arrumar as coisas e iria mais tarde ajudar a cledina na lavagem de roupa. Umagi o Caçulinha foi com cledina. Saíram de casa em direção a cacimba, o cheiro de manga madura e das flores de jaqueiras incensavam o lugar.  Os angicos cresciam entre as cercas, no sítio de seu avô José a sombra das árvores era constante o que fazia do lugar mais fresco. Um grande genipapo fica entre a casa e o cacimbão. 

Umagi com três anos brincava com uma tampa de um galão de tinta. Fazia de conta que era uma direção. E numa dessas carreiras caiu no cacimbão. Não sabia nadar. Cledna quando percebeu então começou a gritar. Esterlina ao ouvir o grito saiu correndo e mesmo grávida pulou no cacimbão desprovida de todos os medos. Umagi disse que viu a água querendo engoli-lo, sua mãe tentava obstinadamente salva-lo e só conseguiu puxando pelos cabelos. Aquilo foi uma imensa aflição.

Mudança de estado

Sob o solo as raízes sustentam,  Um eixo cinzento, Um tronco que se ramifica sustentando folhas  Alternas em espiral, No ápice do eixo, Um c...

Gogh

Gogh