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16/07/26

Adultecer

 Adulteci,

Adultecer traz muitos medos em nossas vidas.

Quando se adultece o medo da morte já se encara de frente.

A morte dos avós ficou para trás,

Temos medo da morte dos pais,

E logo mais da nossa morte,

Tememos a morte não por nós,

Mas por nosso filhos.

O medo de está errando é imenso.

Medo de não está fazendo uma boa paternidade,

Medo de não está educando direito,

Medo do rigor...

Temos muito medo quando adultecemos,

Sem contar que as coisas perdem a intensidade,

Doce precisa ser doce de aniversário,

Comida comedida,

Gostamos de coisas amargas como cerveja,

Gostamos de estarmos em casa,

Gostamos da cama...

Adultecer força a gente esquecer nossa infância,

Pois os adultos envelheceram e partiram,

Perdemos aquela identidade,

As casas onde crescemos estão vazias,

Sombrias e frias...

Passamos a ficar brega e gostar do que achávamos brega.

A gente entende as verdades ditas na infância...

Essas coisas.

Agora faz sentido para mim,

Depois que adulteci.

Conexão

 No fundo da mata,

Sob as sombras 

E a luz tênue da manhã

Canta a garrincha,

Canta a patativa...

E ecoa na cóclea auricular,

Ecoa no fundo do meu corpo,

Ecoa no fundo da minha alma.

Belo canto diz a minha alma,

Que maravilha de lar,

Cantam felizes 

Pelo amanhecer.

No fundo do meu ser,

Quero sentir essa energia,

Essa alegria singela.


Então o vento sopra suave e silencioso

É fria a manhã,

O vento passa arrepiando as árvores,

Os ramos e as folhas.


Sinto até o frio.

15/07/26

Dias comuns

 Uma tarde ensolarada,

Som de piano,

Composição de Amadeus.

Dúvidas quanto a vida.

Cadê a fé?

Reza um pai nosso e te acalma.

Tudo vai ficar bem.

14/07/26

O jasmim da casa 46

 Na rua Enane Vilar Cavalcanti casa 46 havia um pé de jasmim.

Nesta rua, casa 46, havia um pé de jasmim-manga.

Era uma árvore de copa aberta,

Tronco cinzento e seroso.

Folhas serosas e lanceolado-elíptica feito folha de manga,

Estava sempre florido,

Por vezes frutificado,

Suas flores alvas com garganta amarela,

Eram sempre perfumadas.

E desde bebezinho, parava para coletar uma flor e cheirar

E compartilhar com o minha esposa e meu filho,

Depois só com o meu filho.

A estrela de prata alva,

Tantas memórias de tardes de caminhada

Era ali que dávamos os primeiros passos.

Mas o jasmim, jaz na eternidade.

Ficou a casa, o número e a memória,

E esta composição, consta que na rua Ernane Vilar Cavalcante

Entre os anos 80 e 2026 existiu um jasmim.

Não sei quem são seus donos,

Quem plantou aquele jasmim,

Mas quem plantou tinha muitas memórias.

Deveras quem cortou ou mandou cortar aquele jasmim,

Não amava planta, amava quem plantou?

Seria um desconhecido?

Se foi o jasmim.

Parte de mim se vai...

Exceto aqui,


13/07/26

A casa de tio Aldo e Tia Nevinha

 Esta casa erguida em cima do alto mirando para o norte carrega em sua existência tanta história.

Está casa foi berço da caçula Aparecida e dela primeiro saiu para a nova vida Neta.

Nesta casa papai quase morreu com congestão.

Esta casa foi dona de um Chevette marrom.

Esta casa já teve tantas cores amarelo, azul, verde...

Já ouviu tantas histórias de seu dono Aldo Batista,

O viu este silenciar da vida.

Foi testemunha do meu primeiro porre quando seu filho Bolinha se casou. 

Vi nesse a casa Das Neves contar tantas histórias.

Nesta casa passei chuva, passei sol, dormi a noite...

Estive aí com mamãe e com papai.

Às vezes quando criança aí chegando saia para o oitão ali no quintal olhar o que ali tinha.

A visão é a maior fonte de informação e a curiosidade é o combustível...

Tinha curiosidade de saber como era o oitão de outra casa.

Achava bonito o pé de trapiá, um caixa d'água de cianeto, a palmatória que encurtava o terreiro.

Um dia, mamãe nunca soube, mas sai com Nobe e fui ao poço fundo, tinha tanto menino, e cai no poço quase me afoguei e foi Neto o neto do dono que me salvou. A vida está sempre por um fio.

Foi com a espingarda da dona desta casa que dei meu único tiro erreiro.

Gostava de chegar nesta casa vindo do parieiro, depois de correr do cachorro e do peru de Tio Jussier, mas chegar pelo poente tinha as saudosas aroeiras e cajaraneiras, e o cheiro da cafarana,    da bosta de gado molhado são vivos na minha mente... Que revivo toda vez que sinto tais cheiros.

Lembro dos dias quentes nessa área, dos dias frios. Do almoço quente, do café cheiroso, da comida fumaçando, de muito fartura, de uma vez que passei a páscoa... Comi tanto peixe. Casa que presenciei muita fartura.

Essa casa tenha certeza que foi a minha segunda casa. As segundas casas costumam serem dos avós, mas não é o meu caso. No me caso foi está casa. A minha mãe era irmã da dona e o meu pai irmão do dono. Então casa, seus filhos são os meus meios irmãos, não é de fala é de sangue, de corpo e de alma.

Papai era Chico de Aldo... Não Chico de Chico.

Tantas vezes casa se ouviu ribumbar do trovão sob este telhado, coração esperançoso que a chuva viria e quando a telha soava o cheiro de chuva inundava a alma, no escuro o flash do relâmpago pelas frestas da cumeeira fazia-se dia num segundo...

No inverno se ouvia o canto dos sapos e o ronco da cachoeira.

Daí está casa, vigorosa e bem cuidado,

Mas São outros histórias seus atores primeiros saíram de cena.

Meu peito parece que ficou no passado...mas essa é uma versão de nossa história. Nada mais.

O ar

 O sabiá se calou,

Não é tempo de cantar,

Agora só quem canta é a garrincha.

Aves que cantam de manhã...

Saudade do sabiá,

Quem bom que tem a garrincha,

Se não tivesse, tudo seria silêncio.

A luz do sol começa a imperar.

As nuvens se dispersaram,

Estão sumindo.

Ontem, à tarde, fiquei em extase

Ao ver no céu azul,

Nuvens estriadas...

Tão belas formas abauladas,

Almofadadas...

Essas formas esculpidas pelo ar, pelo vento.

Também é o ar que propaga esse canto agora,

Canto que ouço com contentamento.

Ele dispara saudade,

Mas graça de agradecimento...

Desse desenfreado tempo.

08/07/26

Podoi

 Certo dia, ali onde a serra se inclina.

Onde o barro vira pó,

Onde as pedras são cor de vinho.

Sobre aquele barro uma semente caiu.

Era uma semente preta e grande.

Ninguém viu.

Isso se passou no final do inverno.

Por longos meses a semente dormiu ao relento.

Em Dezembro na festa de nossa senhora da Conceição choveu muito.


O povo que vinha do sertão, da serrinha grande passou pertinho da semente e nem viu.


A semente então se inchou e sua casca se rompeu.

Aquele embrião grande com cotilêdones grossos e rosados,

Alimentou aquele ser,

até que ela crescesse.

A planta foi crescendo oculta no verde do mato.

A planta virou árvore,

E o lugar ganhou seu nome.

A planta se chamava pau-de-óleo, mas passou a ser chamada de PODOI...

O Podoi virou um lugar,

Um ponto de encontro.

Todo mundo de Martins que não era da cidade conhecia o Podoi.

Eu que nasci em 79 conhecia muito bem.

Conhecer planta era uma coisa comum.

Todo mundo era agricultor e todo mundo ali naquele lugar sabia o nome das plantas.

Por isso, sabia onde se estava porque o nome do lugar era o nome das plantas.

Bom os leitores, meus leitores, a quem faço referências estão vivos.

Se disser para eles que temos tínhamos em Martins as cajazeiras... vão dizer depois da Água-de-maroca.

Pois bem....

Sob o Podoi, muitas coisas aconteceram.

As pessoas usavam sua sombra para esperar seus companheiros para descer a serra. 

Indo para a Pintada, Morcego, Sossego, Serrinha Grande, Serrinha do Canto, Grugeia, Sampaio, Lajes, Boa Vista, Porção, Sítio de Fora...

Todo muno passava por este gargalo. A noite deveria ser assustadora aquela árvore...

Será se prestaram atenção nas suas flores, nas suas sementes?

Contavam que antes as pessoas eram enterradas em redes.

Depois de subida a ladeira paravam ali para descansar...

O podoi viu muita gente sub sua sombra, gente morta em redes fracas.

Gente viva.

O podoi vi as mamães subindo para parir na maternidade e descer com seus bebezinhos.

De dia e a noite, registrava tudo que ali passava. 

Vitória de José Fernandes, Manuel Barreto, Marcos Fernandes.

Viu os carros de Serrinha subirem cheio de gente doente.

E nos fins de ano, as pessoas virem ver as festas de fim de ano.

Chinela, pé empoeirado... Papai passou ali, meus tios e tias.

Por ali viu minhas tias e tios indo se casar e voltarem casada.

Ontem crianças, hoje idosas.

O tempo contou também a vida do podoi.

Ele foi morto.

Queimado... sem o mínimo de respeito.

Acabou-se.

Acabou-se.

E esse texto, não tem serventia alguma...

Não terá por falta de materialidade, por falta de testemunho.

Tudo que falei é verdade. 

Ninguém vai julgar ser verdade, mas minha família os Teixeira e os Queiroz...

Os troncos familiares, sabem que falo a verdade.

Lugar é um lugar.

Lugar é infinito e eterno.

A história é humana...

E isso é uma gota caída no oceano da história humana.




07/07/26

Tempo implacável, evidências e consciência

 O tempo não para,

O tempo é implacável.

A gente se ilude buscando nas lembranças uma felicidade.

A gente busca naquilo que passou.

Passou está passado.

De que adianta revirar no passado?

Somos anacrônicos,

Assim é a natureza humana.

Quando voltava a minha casa para visitar meus pais,

Saia em busca de memórias, coisa que não existe mais.

Ia buscar materialidade, ia buscar evidências de minhas memórias

Voltando aos meus lugares primeiros, 

Casas velhas de nossos avós.

Com tantas histórias vividas, alegres ou sofridas.

O tempo não cansa e tudo alcança.

Na moto azul, 1997 montava e na garupa papai ia comigo.

Em busca de evidências de um passado perfeito e ideal.

A mente seleciona só o bom...

O lugar não pode opinar.

O lugar é ponto, é gatilho para uma memória.

Papai não gostava de ir a casa na Grugéuia e eu não entendia...

Agora entendo, quando vou a casa paterna e esta parece tão vazia.

Dá aquele nó na garganta...

O que era pequeno de repente fica grande...

Ir a este lugares gera angústia porque temos consciência que o tempo passou sem que a gente percebesse.

O tempo, sentido interno, não tem materialidade só é uma sucessão.

A matéria, parte daquilo que somos formados se consome, feito lenha na fornalha,

Se consome feito vela... E nem percebemos.

A gente é uma cópia daquilo que a gente conviveu,

Porque aprendeu sem perceber a ser como nossos pais foram,

Nossos pais que aprenderam com os nossos avós e com os pais deles...

A gente nem percebe como tudo mudou...

Voltar aquele lugar onde havia vida e trabalho e esperança e não encontrar nada.

É se deparar com a realidade dura da vida.

E nosso cérebro aprendeu a se iludir com a vida...

Será se não é mais feliz aquele que morreu na sua ilusão.

Essa mania de passado, 

Vai extratando nos dissecando, exaurindo nossas forças lentamente.

Essa carne que vai amolecendo,

Vai se engordurando, e secando...

Vil realidade.

Calma!

Em algum momento, algum parente meu muito distante 

Aprendeu a rezar...

Aprendeu que a fé salva a vida...

Salva a vida do medo da realidade.

Sábios livros de Salomão -  Eclesiastes e Provérbios -

Calmos de Davi...

Salve a fé de homens que creram até o fim como Jesus Cristo,

De homens que devotaram a vida a bomdade como Francisco de Assis,

Como Padre Cicero e frei Damião...

Este que a história marcou...

Mas nós a humanidade somos mais que isso...

Nós vamos além disso.

Na fé e na devoção...

Aprendi com mamãe e papai e meus avós, tios, primos e vizinhos.

E os amigos que a vida me deu.

Com o tempo todos vão indo,

E nossos laços se estreitam,

E a gente sente a dor até mesmo de quem nem gostava....

Porque entende que nossa hora está chegando...

Que o tempo é implacável.

Mais nada.


02/07/26

Ser autor e ator da vida

 Vi o mundo acontecer,

Atores saírem e entrarem em cena.

Vivemos a copa,

Quantos atores novos entram no nosso mundo.

Que novidade há nisso.

Quando tomei consciência do mundo,

As coisas foram acontecendo,

E assim no acontecimento fui me apropriando do mundo.

O espaço e tempo foram essencial,

O Eu autor protagonista do meu mundo.,,

E quantos outros eus.

A descoberta da alteridade.

Tudo parece novo, mas é ilusão.

Cada um com seus hábitos em seus lugares.

Cada um com seus pensamentos.

Vivendo suas vidas...

Julgando serem felizes ou infelizes.

Muitas vezes ignoram o fato de serem...

Ser um ator e autor de suas vidas.

A gente vai descobrindo.

Essas coisas.

01/07/26

Tempo, força da lua e mente

 Junho de 2026 se despede e se entrega a julho sob a força da lua cheia com o céu ora claro-prateado ora escuro, nublado e chuvoso. Em intervalos de pancadas de chuva forte intermitente. E o vento se aproveita para soprar o frio e o frio resfria a casa, o piso, as roupas, as camas e os chuveiros. Particularmente estou sentindo muito intenso este ano. Tudo me afeta mais seja o frio ou o calor, a euforia ou a tristeza. Saudades se revelam nestas manhãs juninas e julinas. Uma angusta as vezes me entala. O medo do futuro, a saudade do passado e a fuga do presente... A realidade parece mais intensa. Todavia creio ser as vezes assim... Já que muito de tudo é percepção sem memória.

Viver, perceber e raciocinar

 Viver é maravilhoso.

Vivendo a gente aprende com a experiência.

Vivendo a gente aprende com o raciocínio.

Vivendo a gente tira nossas conclusões.

Somos muitas vezes direcionados pelo nosso entorno.

A nossa percepção é muito mais rápida que o raciocínio.

O gasto de energia com está é menor.

Seu contato é com o objeto direto.

Podemos ou não avançar para uma razão mais potente,

Mas é necessário o desejo.

A vontade de mergulhar neste universo.

Só vivendo há possibilidade.

30/06/26

Toada do sertanejo

 A mata toda bonita,

Verde e copada,

Nem parece o sertão,

Quando chega o calorão,

As folhas amarelam e murcham.

A gente até esquece esta longa estação.


A mata toda enramada,

Jitirana formando latada,

Fica toda estrelada,

Flores amarelas,

Flores azuis,

Flores rosadas

Flores alvas.


Canta feliz a passarada,

Quando surge a alvorada.


E chega a arribação,

Voa aos montes avisando,

É o fim de uma estação.


A cigarra volta a cantar,

O sol intenso a brilhar,

O calor aumenta,

E a natureza se prepara,

Para adormecer,

A flor seca e vira fruto,

A semente é espalhada,


Cajarana amadurece amarelada,

A gente senta na calçada,

Reza e agradece,

Faz fogueira para são João,

Come milho e pinha,

A gente vira ave,

O leite farto,

Pra molhar o cuzcuz...

Pra comer com canjica...


Eu vejo o tempo eterno...

Vejo que o sertão é sempre assim

E nós somos sempre assim...


Em essência carregamos esperança,

Fé no que é bom,

Em novos invernos,

Em novas floradas,

Em novas colheitas...

Numa vida melhor...


O tempo passa e muitas vezes a gente 

Depois que cresce nem agradece,

Nem contempla a florada,

O canto do vento na mata,

O som do riacho correndo para baixo,

A beleza da florada...

É assim, vivendo quase feito passarim.

Notas do sujeito

 Um dia maravilhoso.

Acordei e orei.

Ouvi as aves cantar.

Levantei e tomei café.

Catei pinha.

Comi pinha madura no pé.

Me despedi dos meus amigos.

Me despedi da mata.

Choveu muito,

Choveu pouco.

Choveu.

Visitei meu tio Itamar.

Visitei a casa de vovô.

Vi que tinha goiaba china.

A noite já chegou.

E o dia se foi.

E junho se vai.

E as festas juninas se vão junto.

Passei na baixa

E lembrei que meu tio não pode mais explorar a baixa 

A idade chega e nem vemos.

Um dia eterno.

Semana junina

 Nesta manhã cedinha,

O sol nem apareceu,

Após a noite chuvosa

O céu nublado 

Alonga a noite.

O galo de campina 

Canta em todo lugar e seu canto magistral 

É tão belo

É belíssimo.

Os pacuns passam voando e

Grosnando.

Bem-ti-vis cantam e respondem.

Sob a coberta

Ouço tudo, penso e processo,

Minha alma está tão contente neste momento.

Lembro do tempo que não volta mais.

No mesmo lugar que mamãe dormia,

Deito e penso nela.

Mamãe amada.

Logo cedo um canto de ouro cantou na soca

De catolé...

Senti mamãe 

Já que muito ela

Admirava seu canto encantado 

Naquelas folhas copadas.

Também me veio a mente o que pensei ontem.

Ao fazer fotos das Jitiranas dei por mim

Que cada ano é diferente a beleza das floradas...

Quão passageiros são os dias.

Aqui sempre foi assim belo.

Um dia vim bebê,

Um dia descobri o mundo aqui,

Um dia quis conhecer o mundo fora daqui.

Conheci e hoje

O melhor mundo está aqui.

E a manhã vai crescendo...

Eterna noite de São João

 O rito,

Fogueira feita,

Fogueira acesa.

O forró tocando,

A noite chegou.

Fogos, estouro e cores.

Vizinhos felizes.

O milho cozido,

O milho produzido,

Canjica, pamonha, broa...

Viva o São João!

Viva nossa Senhora.

Anunciação...

E a gente vive 

Tudo novamente

Renovando as esperanças...

Revivendo a infância.

O descompasso 

Do tempo e da existência.

A infância a inconsciência.

Viva a fogueira,

O fogo e sua luz...

Viva São João.

Dia de São João

 A bela alvorada 

Teve o canto da passarada.

Amanheci feliz.

Tão fresca a manhã.

Tão pleno dia.

Hoje é noite de São João.

Hoje é noite de São João.

A noite mais feliz do ano,

Tem fogueira,

Tem fogos,

Tem comida de milho.

Tem família reunida...

Viva a vida,

Viva a fé,

Viva o amor,

Viva Cristo,

Viva são João...

Cantou o galo de campina,

Cantou a rixinó...

Vivos vivemos contentes 

Contando contos,

Contando os dias,

Contando as coisas.

Tchau passado,

Excelente presente.

Hoje a fogueira 

Clareara acendendo a imaginação,

De um futuro iminente.

Tudo no peito 

Tudo na mente...

Nada mais

22/06/26

Casa velha casa

 À tarde,

Cheguei à minha velha casa.

Senti intensa a saudade no peito.

O céu estava azul com frouxas nuvens.

A rama verde da mata, enfeitando compondo uma face das árvores.

A rama florida da Jitirana com flores rosadas e alvas.

A folha vinho enfeitando os cajueiros...

O silêncio que o tempo impôs.

Sem a voz de vovó,  de papai e de mamãe.

O tilinidar dos grilos,

O grasnar do galo de campina.

O chão encontrado.

As vincas alvas e rosas de meu pai,

O jasmim de minha mãe.

O araçá com frutas maduras, doce-amarelado.

Os catolés que transplantei com meu pai.

As palmas do meu pai.

A açucena da minha mãe.

Esse lugar que sempre foi o que é, antes, agora e será depois de mim.

Tomo consciência que sou apenas consciência.

Autoconsciência...

Essa ideia é só minha.

Essa ideia é nossa.

Essa ideia se esfacelará no tempo tomando a proporção de um sonho.

Uma narração onírica...


Paro o texto...

Pausa...


Um anum gritou ao longe... Anum branco.

Pacuns passam voando, vejo no seu grasnido.

Um anum preto canta na rama do poente.

Um pendão de capim parece um fogo de artifício.

A lua crescente está no cimo da casa.

Na cajarana grosna um periquito.

Um bate-estaca aparece tziuu.

Dissolvo tudo apurando 

Os sentidos

E me desfaço dos sentimentos negativos.

A vida que segue.

Venha o São João.

18/06/26

Silêncio interno, tempo.

 A manhã ouca

A manhã cresce com o sol,

E vai se aquecendo,

O verão vai acenando.

O silêncio!

Algo silencia em meu ser.

Ouço sons solitários.

Agora canta uma rolinha,

Canta uma rolinha caldo de feijão.

Uma pombinha tão frágil e bela.

De repente!

Silêncio...

É possível esse silêncio?

A cadeira ringe,

O teclado dedilhado soa.

Mas vem o silêncio...

O silêncio, sentido interno,

O silêncio no tempo,

Não o silêncio no espaço.

Espaço e tempo...

Externo e interno.


A mata, amiga flora

 Quando chego a universidade

O sol ainda está deitado,

A mata fala nas aves.

Quando saio da universidade

O sol quase se deitando,

 A mata fala nos grilos.


A mata é minha amiga,

A mata é minha companheira,

Nossa relação começou quando cheguei aqui.


Retomando,

Sabe!

Não conheço o canto de cada grilos,

Mas conheço o canto de cada ave que aqui canta.

Grilos são desconhecidos,

Aves são mais conhecidas.


A minha relação com a mata é de silêncio,

É de administração,

É de carinho,

É de amizade.

Admiro cada árvore, cada liana, cada arbusto...

Eles sempre estiveram aqui.

E continuarão aqui 

Com suas aves e seus grilos...

Com suas flores,

Com suas resistências...


Eu estou aqui só de passagem.

Muita coisa é nova 

E muita coisa é eterna...

O que sobra da mata.


Respeito a mata!

Não quem mata a mata.


Aqui do fragmento da biblioteca.

Da curva da sucupira...

Lugar de encontros e desencontros.


Respiro profundamente sinto o corpo,

Sinto a mata, os sons, os cheiros e as formas.


É aqui onde o dia inicia,

É aqui onde onde o dia se finda.


Quando começa é intenso sol e luz e movimento e gente e ação.

Quanto termina se foi o sol é sombra, é estática, é vazio.

E se vai...

17/06/26

Quebra de silêncio

 No fundo da mata canta uma garrincha.

A manhã nasceu, mas o sol não apareceu.

Está tudo parado, nem uma folha se move.

Então encantada longe, canta  a garrincha.


Esse silêncio estático da manhã,

Será o silêncio da mata?

Ela, a mata, está viva.

Sinto, ouço e sei.

Só isso.

Cinema

 Ontem fomos ao cinema. Sassá adorou entrar no banheiro e encontrar um mictório infantil e pia para criança. Depois entramos entramos na sal...

Gogh

Gogh