Mostrando postagens com marcador experiência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador experiência. Mostrar todas as postagens

02/07/26

Ser autor e ator da vida

 Vi o mundo acontecer,

Atores saírem e entrarem em cena.

Vivemos a copa,

Quantos atores novos entram no nosso mundo.

Que novidade há nisso.

Quando tomei consciência do mundo,

As coisas foram acontecendo,

E assim no acontecimento fui me apropriando do mundo.

O espaço e tempo foram essencial,

O Eu autor protagonista do meu mundo.,,

E quantos outros eus.

A descoberta da alteridade.

Tudo parece novo, mas é ilusão.

Cada um com seus hábitos em seus lugares.

Cada um com seus pensamentos.

Vivendo suas vidas...

Julgando serem felizes ou infelizes.

Muitas vezes ignoram o fato de serem...

Ser um ator e autor de suas vidas.

A gente vai descobrindo.

Essas coisas.

30/06/26

Toada do sertanejo

 A mata toda bonita,

Verde e copada,

Nem parece o sertão,

Quando chega o calorão,

As folhas amarelam e murcham.

A gente até esquece esta longa estação.


A mata toda enramada,

Jitirana formando latada,

Fica toda estrelada,

Flores amarelas,

Flores azuis,

Flores rosadas

Flores alvas.


Canta feliz a passarada,

Quando surge a alvorada.


E chega a arribação,

Voa aos montes avisando,

É o fim de uma estação.


A cigarra volta a cantar,

O sol intenso a brilhar,

O calor aumenta,

E a natureza se prepara,

Para adormecer,

A flor seca e vira fruto,

A semente é espalhada,


Cajarana amadurece amarelada,

A gente senta na calçada,

Reza e agradece,

Faz fogueira para são João,

Come milho e pinha,

A gente vira ave,

O leite farto,

Pra molhar o cuzcuz...

Pra comer com canjica...


Eu vejo o tempo eterno...

Vejo que o sertão é sempre assim

E nós somos sempre assim...


Em essência carregamos esperança,

Fé no que é bom,

Em novos invernos,

Em novas floradas,

Em novas colheitas...

Numa vida melhor...


O tempo passa e muitas vezes a gente 

Depois que cresce nem agradece,

Nem contempla a florada,

O canto do vento na mata,

O som do riacho correndo para baixo,

A beleza da florada...

É assim, vivendo quase feito passarim.

08/06/26

Conhecer Natal

 Fomos a Natal no mês do são João.

Vimos o aquário da redinha.

Vimos e passamos pela ponte Antenor Navarro.

Vimos o farol de mãe Luiza.

Vimos a via costeira.

Vimos o morro do careca.

Vimos as dunas do parque das dunas.

Vimos a UFRN.

Vimos o museu Camara Cascudo.

Vimos o Hospital universitário Onofre Lopes.

Vimos a maternidade Januário Cique.

Vimos a barreiras do Inferno.

Vimos o maior cajueiro do mundo.

E passamos uma tarde e uma noite 

Em família com meu amado e querido amigo 

Robério Nascimento e sua família Daniele Marinho, Giovanna e Olívia Marinho.

A tarde fresca e de  nuvens de algodão.

Foi perfeito.

É bom demais sentir que a gente tem amigos de verdade.

Voltamos pra casa

Cheio de recordações.

Mamãe e papai do Vinícius.

Princípio de um sentimento

 A noite escureceu na lua nova.

Fiquei com medo das noites escuras.

Coisas da imaginação.

Foi numa noite de lua nova que tudo começou.

Minhas travessuras e as brincadeiras de mamãe.

Lá em casa não tinha energia até os sete anos.

A gente vivia a realidade crua.

A imaginação, a morada no sítio...

Alimentavam minha imaginação.

Seridó

 A primeira vez que fui a ESEC Seridó foi em uma aula com as professoras Elisa e Iracema. 

Nem imaginava que seria ali que realizaria um dos melhores trabalhos de minha vida. 

Viveria uma das melhores experiência que eu viveria. 

Realizaria ali o meu mestrado.

Depois voltaria ali várias vezes. Amei o Seridó de primeira.

Ali convivi com Thais Guedes, Adalberto Varela, Carlos Varela, Zanella e George.

Ali ouvi tanto o carão cantar sem saber que era o carão.

Ali soube de histórias maravilhosas e trágicas.

Ali senti o cheiro das plantas secadas na estufa.

Ali conversei muito comigo nas minhas caminhadas de coleta ao longo das trilhas e fora delas.

Saia antes do sol nascer e voltava ao meio as vezes chegava duas, três horas da tarde.

Vi flores de todas as formas e cores.

Eu me virei.

Deu certo.

Estou aqui...

Mas tem um universo de memórias.

Saudades daquelas paisagens,

Saudades daquelas paragens.

A última vez que voltei, me despedi definitivamente de meu admirado amigo Adalberto Varela. Foi em 2012. Logo mais ele partiria. A última vez que fui lá, me despedi e nunca mais o vi. Silvano Teixeira.

Um dia conto mais.

02/06/26

Noite enluarada

 Antes podia desfrutar às noites de lua cheia em família. Papai, mamãe e meus cinco irmãos.

Eu olhava para o céu com um olhar ingênuo. Era todo esperança, amor e instinto.

Após nossa farta janta de Xerém com leite. De bucho cheio, um pouco de leite gelado refrescava nossa alma.

A gente se sentava à frente de casa. 

Contentes e unidos.

E assim a vida foi tecendo nossas histórias. A gente era tão feliz e aquilo era tão pleno.

A lua prateada,

Coração pulsando forte.

Vitalidade de leite com Xerém.

As vezes rezava baixinho.

A lua cheia enchia o mundo de sua luz prateada.

Hoje, agora, eu olho pra lua só e longe de meus irmãos.

A lua se tornou o ser mais próximo e amigo de minha existência a noite.

Papai e mamãe se uniram a Maria e a lua. São só essência agora.

Olho pra lua como olhei naquele tempo. Sabe estava morando o hoje... Diz um ditado persa que a lua é um espelho do tempo... Então ao olhar a lua vejo todas as minhas gerações.

Agora olho para a lua e sinto que aquele tempo está eternamente em mim.


E a lua continuará a nós encantar...

Somos percepção,

Somos intuição,

Somos humanos 

E a lua é a testemunha de toda nossa história.

Até agora.

Seguindo em frente

 Quando minha mãe partiu, ficou um grande vazio.

Vazio da palavra, da voz, dos conselhos, do carinho.

Quando mamãe se foi eu fiquei sem chão, não sabia como ia ser.

Mas ai, eu tinha o meu filho, a minha esposa e os meus irmãos.

Perdera uma pessoa importantíssima, mas não estava só.

Precisava lutar. E lutei. E tentei e consegui dissolver a dor.

Com amor, fui construindo uma ponte.

E transpus essa dor.

O tempo, e aqueles que estão ao meu redor me ajudaram.

E segui a vida.

28/05/26

Moinho de tempo

 O tempo redemoinho,

E nós no seu caminho,

Gira e gira e gira,

A energia vinda do vento,

Como a lua no céu e suas faces,

Quatro quadrantes equidistantes,

Gira e gira e gira.

O tempo redemoinho,

Vai nos moendo,

A matéria consumindo,

A matéria envelhecendo.

Gira e gira e gira.

O tempo imediato tempo,

O tempo intuitivo tempo.

Ora rápido e ora lento

Gira e gira e gira.

Se parar tudo acabou.

12/05/26

Chuva trabalhando

 A chuva trabalhando o dia inteiro,

Manhã, tarde e noite,

Ora fraca, ora forte,

Quase pára,

Acelera...

O sol nem apareceu.

As aves emplumadas descansam silenciosas.

Sabem que o fruto do trabalho da chuva é delicioso,

As plantas pagam pelo seu trabalho

Chuva.

Pode chuver.

As aves ficam caladas,

São elas quem mais desfrutam das flores e dos frutos.

Chove chuva de maio,

Abriu já partiu...

A chuva trabalha feliz,

Trabalha cantando.

Vai enchendo o lençol freático,

Vai enchendo os rios,

Vai regando as matas...

Vai distribuindo a essência da vida.

E nós que tal fazermos um café. 

11/05/26

Cronologia da professora

 O silêncio,

A existência,

O tempo,

O ser e suas memórias.


Uma senhora e suas memórias,

Seus afazeres...

O tempo, as estações contando os anos, as fases da lua marcando os meses.

A infância, a adolescência.

O primeiro amor,

O casamento...

O amor.

A vida nova de casada, os filhos...

Os anos que separam as fases da vida, a velhice dos pais, 

Os casamentos dos irmãos,

A nova família.

Os desafios do trabalho...

A alfabetização...


A ideia de expressão a realidade,

A natureza,

Viagens...

O caderno,

A caligrafia,

A expressão e o encanto das palavras.


Os anos, o lugar mapeado na alma,

Os grandes acontecimentos,

Nascimentos,

E perdas...


Um olhar no vazio do mundo.


O tempo vivido,

Cabelos brancos.


O poder e o prazer da expresso e o deveio.


Literatura singela,

Sentimentos vividos e eternizados

Memória expressa...

Nada mais.

10/04/26

Que é mais belo?

 A luz dourada 

refletindo  nas jovens folhas,

Folhas molhadas

Dão um lindo tom

Amarelo limão,

Amarelo claro

Desfia uma suave neblina.

E o brilho

sem expande,

se multiplica

E o sol parece acender,

E a novem parece andar...

O que é tão belo?

07/04/26

Notas do eu

 Sinto minha alma viva.

Sinto intensa presença da eternidade.

Sinto que sou este lugar.

Este lugar sou eu.

O cumaru cultivado por papai,

As Pinheiras, as palmas.

A erva com sua rama

Que pinta tudo de verde e formas,

Formas cordadas,

Formas radiadas,

Formas ternadas.


Ouço fora e em mim o som da passarada...

A Garrincha no oitão,

O sanhaçu nas pinheiras, 

O vem-vem no encheique,

O sabiá na aroeira,

O encanto de ouro no catolé.

O pacum voando,

A rolinha no terreiro comendo.


O cheiro alvo da flor do araçá, do mororó,

Do jasmim.


Esse lugar sou eu,

Minha alma é esse lugar.

Com meu amado filho

 No mês de abril,

Após as grandes chuvas, 

pude no mato andar.

É gostoso sentir 

O perfumado cheiro da flor,

O amarelo doce do cajá provar.


Ver o feijão no campo de espalhando,

Nas hastes longas 

As flores roxas desabrochar.


E o agricultor com a campinadeira,

Dando ordens e o boi obedecendo 

Na carreira subindo e descendo.


A vista cheia de beleza, o cheiro 

Da terra arada,

O canto da passarada.


Andar no meio do mato,

Com cuidado pra uma cobra não encontrar,

Vendo a copa da mata fechada.

O cuidado pra não se estrepar.


Ver o açude de água nova barrenta,

O som da água na pedra escorrendo...


E o peito cheio de alegria...


A alma que é uma poesia...


Essas coisas bonitas 

Que a gente leva pra vida.

Viver, reviver... eternidade

 Ontem tive o maior presente do criador,

Estando em minha terra natal

E foi como um sonho renovador.

Acordei enquanto chovia

Meu peito cheio de alegria...

Foi um sonho vivido,

Foi um sonho revivido.


Vivi duas coisas numa só.


A natureza eterna e profunda 

Numa face maravilhosa,

Verde, fresca e molhada.


Quantas vivi essa face em minha vida 


Não foram muitas.


As maravilhas divinas sentimos 

E amamos mesmo 

Que seja a primeira vez.


A esperança forte batendo no peito.


E a já sente a eternidade.


A chuva, o verde e a fé que isso é bom 

É verdadeiro e efêmero.


O cantar alegre das aves...

O cantar harmônico das aves.

O cantar feliz das aves

 nos transmite felicidade.


Foi o que senti ainda criança 

E reafirma sempre que ouço...


Tá guardado na memória.


Ver pela janela a fora

Enchendo a vista de forma, de cor, de profundidade...


Sentir o ar fresco,

A brisa fria, o cheiro de mato molhado, o cheiro da terra enxombrada.


Sentir a realidade da ausência de pai e mãe materializada em saúde.


Aí está.

O coqueiro morreu.

A graviola está quase morta.

Foi papai que plantou.


A realidade do tempo que se foi.

A realidade do tempo que é.


Esse posso viver,

Aquele não mais

Em totalidade.


Tenho um filho pra criar,

Um filho pra ensinar como é a vida aqui...

Na ausência de meus manos e meus pais.


Aqui as mesmas sensações terá.


O ontem foi pra isso.


O café aquecendo o frio da manhã.


A manhã de chuva.

O banho de chuva.


O passeio na mata.

O almoço com arroz de leite e peixe frito.


A tarde de chuva...

Chuva a tarde todinha...


A noite escura e fria.

O angu com leite...

O chá.


A vida.

Chuva chovendo

 A chuva choveu a noite inteira,

Desfiava fina, mas incessante e contínua.

Acordei na madrugada

E a chuva não parava.

Trovejou.

E continua chovendo.

O sol nem teve vez.

Está tudo sob sombras.

E a chuva continua chovendo.

Neste sete de abril.

Aqui dizemos que é inverno.

São as chuvas chovendo.

18/03/26

Impressão floral

Aqui na universidade temos muitas plantas, então segunda-feira, 16 de março de 2026, sai com meus alunos a coletar frutos para a aula. Em frente a biblioteca central foi plantado um baobá. Baobá é famoso creio, por estar descrito no livro Pequeno príncipe de Saint-Exupery. Foi neste livro que soube da existência desta magnífica planta. Numa das passagens o principezinho tem medo que nascesse um baobá no seu pequeno planeta b612.  Eu já conheci o baobá pessoalmente em Nísia Floresta no RN; em Recife, e aqui em João Pessoa lá na Bica. E agora aqui na UFPB, de forma que bom o baobá é um conhecido e colega de ambiente. Compartilhar o nosso mundo com baobá é perfeito, conhecê-lo melhor ainda. Uma árvore imensa de folhas lobadas e flores muito grandes.  Entretanto conhecer a flor, tocar a flor, cheirar a flor, sentir a flor é outra história. Suas flores enormes pêndulas com longos pedúnculos, cinco sépalas e cinco pétalas da cor de pipoca; poder ver a coluna estaminal conhecida como andróforo, sentir o odor suave de manteiga e provar do néctar foi uma experiência muito interessante. Depois de analisada a flor, esqueci de analisar o ovário. Que coisa. Bom certamente que o principezinho iria amar conhecer a flor do baobá... Eu amei.

19/02/26

A madrugada e o jasmim

 A madrugada oculta muitas formas. Nossos corpos tem suas limitações e estas só ampliam quando dele s distancia. Assim mesmo uma deliciosa sensação ao acordar  e ir a janela. Era o cheiro doce e intenso do jasmim-de-laranjeira. Quem conhece entende! E aquela linda planta está a mais de 200 metros de minha casa. Como a copa redonda, com folhas verde escuro, parece coberta de pipocas perfumadas ou seriam botões pipocados? Para que tentar definir flor ou essa sensação. Só quem conhece o jasmim vai entender. Essa relação é de paixão ou aversão. Há quem não goste, mas isso é tão particular. Só sei que a madrugada me revelou um dia perfumado.

18/02/26

Jas mim

 As murraias estão floridas. Murta ou jasmim-de-laranjeira. Suas flores alvas, perfumadas, pentâmeras estão floridas em cachinhos ternados. A mim me encantam essas plantas. Suas folhas de sabor amargo, de pontos translúcidos e multifoliolados; seu tronco forte, sua copa redonda. Em janeiro ou fevereiro ou basta chover elas florescem... Elas gostam da água da chuva. E respondem a esta com botões, flores e frutos.

Não sei quem me ensinou a perceber nas plantas. Terá sido a doçura dos cajus, das mangas, das ciriguelas, das pinhas e das goiabas?

Onde há vontade há consciência. O açúcar será nossa primeira fonte de consciência?

Amar os jasmins é algo sublime, porque alimenta além do corpo ao espírito... E é fácil agradar o espírito com um bom perfume... Será o jasmim uma palavra oriental para perfume? Coincidentemente todo jasmim é perfumado... Jasmim manga e manga jasmim...

Vi na etimologia da palavra no google... yasmim... de origem Persa: flor de aroma intenso e delicado,

Algo léxico - com sentido... com direção... que afeta nossos sentidos.

Aparte isto. Olhei pela janela ontem à tarde e vi o jasmim-de-laranjeira florido.

E me veio a mente essa ideia.

Pronto agora posso esquecê-la só por um momento.

24/03/25

Guaruba

 Sábado passado, 22 de março, fomos ao parque dois irmãos em Recife.

Vimos vários animais e entre os mais lindos estão as aves.

As lindas araras.

Ararajuba, Arara-vermelha, arara azul e arara boliviana.

Arajajuba de nome científico Guaruba guarouba.

Gua-do tupi tem sempre uma relação com a cor amarela a cor do bicho.

Me impressionaram pelo amarelo ouro.

A arara vermelha me impressionaram pelo vermelho sangue.

A arara azul por suas penas azul celeste.

E a arara boliviana pelo glaucociano da garganta.

Foi maravilhoso ouvir essa beleza gritante.



10/04/19

Vetor desconhecido

O espaço preenchido de matéria
Que constitui tudo
O ar, a água, as rochas e os seres vivos,
Por quanto tempo este sistema existirá?
Ver o amanhecer,
Ouvir a chuva chover,
Sentir a flor florescer,
O mais doce aroma...
Destilado do amago da vida.
Poder contemplar tudo
E compreender tamanha magnitude,
Eis que o espírito se reproduz,
Pena que de maneira heterogênea em certos sentidos...
A luz do saber por um lado e a treva da ignorância pelo outro,
Objetivos distintos,
A cultura do ser se afirmando no ter,
Escorrendo fenda a baixo na direção de um fim.

Noite

 Pouco tenho a dizer sobre a noite. Na noite todo gato é pardo. Uma coruja é ativa, Os morcegos saem de suas moradas. As estrelas aparecem. ...

Gogh

Gogh