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25/09/26

Idas e vindas metafísica

 Vou e volto

Vou para longe,

Volto de longe,

Quero está perto,

Perto de que?

Perto de onde?

Do meu eixo.

Onde está o meu eixo?

Incerto.

Às vezes penso que está onde nasci.

Antes, no passado achava que estava longe dali,

Antes achava que estava no saber,

Estava na razão,

Mas era conduzido pela emoção,

Com o tempo descobri a consciência...

Já não sei onde estou,

Descobri que as minhas referências

Também buscavam referências,

Logo não sabiam o caminho certo...

Tenho fé!

Esta fé me mantém,

Esta fé me basta...

Todos os meus familiares

No fim encontravam sua segurança,

Seu eixo na fé.

Aqui estou...

Vou e volto,

Vai chegar ao momento 

Que  não poderei mais ir,

Logo não terei mais que voltar.


21/09/26

Leitura

 Terminei de ler o Tao te ching,

São 81 poemas...

Concluo e volto ao início.

Leio cada vez menos,

Aprendi a filtrar o que leio,

Leio o que gosto,

Leio o que me apetece,

Leio o necessário,

Mas também leio para trabalhar

E essa leitura já vai para outra vertente.

Leio coisas de criança

Para estimular o meu filho a leitura.

Tem fome de livros,

Tenho fome de saber,

Mas é preciso jejum,

Mas é preciso oração,

É preciso encontrar a paz,

Já que vivemos a realidade

E leitura demais pode quebrar o equilíbrio,

Leio com os olhos,

Com os ouvidos,

Com a vida.

Leio.

11/09/26

A sucupira e eu

 Na curva da sucupira,

O sol nasce primeiro,

Um dia aquela sucupira

Aquela sucupira nasceu,

E levaram anos para era crescer,

Anos se passaram até nosso encontro,

Nosso primeiro encontro,

Nem me recordo,

No primeiro dia que aqui pus meus pés

Estava ela lá crescendo,

Vendo o sol nascer primeiro,

Agora muitas vezes

Os papagauios cuicas 

Vem nela gritar,

Gritam alto,

Gritam como quem anunciam algo,

Anunciam o sol...

Venho reparando isso a pouco tempo.

Será a relação da cuica com a sucupira

Mais antiga que a minha com ela?

Não sei...

A sucupira idosa,

Tem seus ramos cansados,

Mas ali está,

Forjada em madeira de ferro...

Através dos anos no mesmo espaço...

Nada restará em certo tempo.

Quem foi sua mãe?

Só sei que é minha amiga.

Nada mais.

25/08/26

Como literatura

 Ontem, em frente ao HU, da UFPB, vi um lindo chevrolet D60, branco, potente e cara de mal. Fiquei muito contente. D60 me arremete a Martins, cidade natal. Onde na minha infância eu via o D60 gerimum coletando lixo pelas ruas. Quem dirigia era Babu. O barulho do motor inconfundível, o sol ardente, sob o frio da serra fez aqueles momentos se eternizarem e em minha vida. Certamente, estava com a mamãe. Nunca tinha visto um D60 Branco... Lindo demais. Os mais comuns que conheci eram cor de goiabada como o de Ivin, um comerciante que comprava pinha e ceriguela lá no nosso sítio. Os D60 eram comuns na década de 80 e 90 só perdiam para os tromba de porca da Mercedes. Tempos bons... Somos produtos de nosso tempo e lugar. Com o tempo estas memórias não serão compartilhadas, apenas aparecerão como invenção, como literatura.

24/08/26

Paixão desperta

 O calor no olhar,

A beleza encontrada,

O olhar no olhar,

O desejo a fervilhar,

Pele fervente,

Coração a palpitar...

Não é medo,

E é medo,

Uma conexão aconteceu,

Algo profundo se acendeu...

Que será?

14/08/26

Bons hábitos

 Há algum tempo criei um bom hábito, suponho. Bem e esse hábito se passa nas sextas-feiras. Neste dia vou a feira. Dentro da universidade, aqui da UFPB. Hoje foi especial, para quem está contente, acho que todos os dias são especiais e quando a gente percebe, sente quão especial é. Então fui contemplando o corredor, no estacionamento vi frutos secos deitados no chão. Um fruto chamado de sâmara, com asas, plano e pode ser facilmente confundido com folhas. Todavia para quem é focado, tudo pode passar despercebido. Fiquei surpreso ao ver que o banco do brasil, onde sempre passo não estava com a porta giratória. As vezes, aborreço-me só de ter que tirar a chave do bolso e o celular para passar à porta, mas como estava livre até me senti melhor. Antes de chegar na feira, sempre tem um cheiro desagradável de fezes de gato, logo na escada. Subindo a escada o odor muda... A gente o cheiro da massa de mandioca sendo cozida no fogareiro, das bancas dos três SSS, Sandro, Solange e Suelen, a gente ver uma variedade de cores, dos produtos vendidos, a macaxeira alvinha descascada, o roxo das batatas doces, o verde das folhas, limas e limões, o amarelo das bananas e mamões... as flores coloridas de seu Zildo e seu Eduardo... E o cheiro do beiju e da tapioca me aliciando. Compro batatas a seu Eduardo, banana a seu Daniel, alface a seu Edson, rabo de galo a seu Zildo..., vejo o riso mais alegre do dia de seu Luizinho que vende carne de bode... Na volto compro tapiocas e beijou e tomo um café na barraca dos três SSS. O café sem açucar demora na boca... venho tomando café da feira até minha sala. Quando não está destraído com os pensamentos, as sensações parecem se prolongarem. Agora o café está desaparecendo em minha boca, mas ainda tenho o cheiro de beiju na sala, o roxo dos rabos de galo... Essas coisas, tenho as sextas. E isso me faz bem. Um bom hábito.

Descoberta do irracional, conhecimento

 A tanto tempo,

Tão distante do agora,

Numa estação de preservação,

Eu ouvia o canto do carão,

Ouvia aquele belo canto,

Que vinha de uma fazenda vizinha,

E não sabia que ave era aquela,

Percebia, ouvia, mas não distinguia,

Mais de vinte anos depois,

Que era o canto do carão...

As coisas as vezes se demoram a serem conhecidas.

07/08/26

Mangueira florida

 Agosto começa ensolarado,

As mangueiras florescem suas flores miúdas e pequenas,

Das flores exala um cheiro aborrecido, não diria bom, nem classificaria de bom.

Mas de fato estão tão belas.

Parecem felizes,

Parecem agradecer tanta chuva.

Viva as mangueiras...x

Silêncio da mata

  A mata silenciosa,

Ouve as aves trabalhar,

Ouve as aves cantar,

As aves ao se alimentar,

Dispersam as sementes,

Voam pra cá,

Voam pra lá...

Bem-ti-vi e sabiá.


A mata estática!

Então o sol vai acendendo,

A luz se estendendo,

O calor aparecendo,

E as aves se calam...


Cadê o vento?

22/07/26

Saudade

 Há a distância do espaço

E há a distância do tempo,

Ambas revelam um profundo sentimento,

Que não sabemos definir,

Só sentir.

É a saudade separação é o pivô,

Consciência da ausência,

Consciência do eterno desencontro.

Só restam memórias.

E todas as vezes que nos deparamos

Com algo que desperte a saudade!

Ai! Como dói o peito.

Não temos consciência da realidade do agora.

Então...

Saudade...

Sentido externo,

Sentido interno.

E o tempo é o pivô de tudo...

Vamos seguindo a vida com nossos sentimentos.

Achando graça na cruz,

Achando graça em Jesus.

E isso é tudo.

02/07/26

Ser autor e ator da vida

 Vi o mundo acontecer,

Atores saírem e entrarem em cena.

Vivemos a copa,

Quantos atores novos entram no nosso mundo.

Que novidade há nisso.

Quando tomei consciência do mundo,

As coisas foram acontecendo,

E assim no acontecimento fui me apropriando do mundo.

O espaço e tempo foram essencial,

O Eu autor protagonista do meu mundo.,,

E quantos outros eus.

A descoberta da alteridade.

Tudo parece novo, mas é ilusão.

Cada um com seus hábitos em seus lugares.

Cada um com seus pensamentos.

Vivendo suas vidas...

Julgando serem felizes ou infelizes.

Muitas vezes ignoram o fato de serem...

Ser um ator e autor de suas vidas.

A gente vai descobrindo.

Essas coisas.

30/06/26

Toada do sertanejo

 A mata toda bonita,

Verde e copada,

Nem parece o sertão,

Quando chega o calorão,

As folhas amarelam e murcham.

A gente até esquece esta longa estação.


A mata toda enramada,

Jitirana formando latada,

Fica toda estrelada,

Flores amarelas,

Flores azuis,

Flores rosadas

Flores alvas.


Canta feliz a passarada,

Quando surge a alvorada.


E chega a arribação,

Voa aos montes avisando,

É o fim de uma estação.


A cigarra volta a cantar,

O sol intenso a brilhar,

O calor aumenta,

E a natureza se prepara,

Para adormecer,

A flor seca e vira fruto,

A semente é espalhada,


Cajarana amadurece amarelada,

A gente senta na calçada,

Reza e agradece,

Faz fogueira para são João,

Come milho e pinha,

A gente vira ave,

O leite farto,

Pra molhar o cuzcuz...

Pra comer com canjica...


Eu vejo o tempo eterno...

Vejo que o sertão é sempre assim

E nós somos sempre assim...


Em essência carregamos esperança,

Fé no que é bom,

Em novos invernos,

Em novas floradas,

Em novas colheitas...

Numa vida melhor...


O tempo passa e muitas vezes a gente 

Depois que cresce nem agradece,

Nem contempla a florada,

O canto do vento na mata,

O som do riacho correndo para baixo,

A beleza da florada...

É assim, vivendo quase feito passarim.

08/06/26

Conhecer Natal

 Fomos a Natal no mês do são João.

Vimos o aquário da redinha.

Vimos e passamos pela ponte Antenor Navarro.

Vimos o farol de mãe Luiza.

Vimos a via costeira.

Vimos o morro do careca.

Vimos as dunas do parque das dunas.

Vimos a UFRN.

Vimos o museu Camara Cascudo.

Vimos o Hospital universitário Onofre Lopes.

Vimos a maternidade Januário Cique.

Vimos a barreiras do Inferno.

Vimos o maior cajueiro do mundo.

E passamos uma tarde e uma noite 

Em família com meu amado e querido amigo 

Robério Nascimento e sua família Daniele Marinho, Giovanna e Olívia Marinho.

A tarde fresca e de  nuvens de algodão.

Foi perfeito.

É bom demais sentir que a gente tem amigos de verdade.

Voltamos pra casa

Cheio de recordações.

Mamãe e papai do Vinícius.

Princípio de um sentimento

 A noite escureceu na lua nova.

Fiquei com medo das noites escuras.

Coisas da imaginação.

Foi numa noite de lua nova que tudo começou.

Minhas travessuras e as brincadeiras de mamãe.

Lá em casa não tinha energia até os sete anos.

A gente vivia a realidade crua.

A imaginação, a morada no sítio...

Alimentavam minha imaginação.

Seridó

 A primeira vez que fui a ESEC Seridó foi em uma aula com as professoras Elisa e Iracema. 

Nem imaginava que seria ali que realizaria um dos melhores trabalhos de minha vida. 

Viveria uma das melhores experiência que eu viveria. 

Realizaria ali o meu mestrado.

Depois voltaria ali várias vezes. Amei o Seridó de primeira.

Ali convivi com Thais Guedes, Adalberto Varela, Carlos Varela, Zanella e George.

Ali ouvi tanto o carão cantar sem saber que era o carão.

Ali soube de histórias maravilhosas e trágicas.

Ali senti o cheiro das plantas secadas na estufa.

Ali conversei muito comigo nas minhas caminhadas de coleta ao longo das trilhas e fora delas.

Saia antes do sol nascer e voltava ao meio as vezes chegava duas, três horas da tarde.

Vi flores de todas as formas e cores.

Eu me virei.

Deu certo.

Estou aqui...

Mas tem um universo de memórias.

Saudades daquelas paisagens,

Saudades daquelas paragens.

A última vez que voltei, me despedi definitivamente de meu admirado amigo Adalberto Varela. Foi em 2012. Logo mais ele partiria. A última vez que fui lá, me despedi e nunca mais o vi. Silvano Teixeira.

Um dia conto mais.

02/06/26

Noite enluarada

 Antes podia desfrutar às noites de lua cheia em família. Papai, mamãe e meus cinco irmãos.

Eu olhava para o céu com um olhar ingênuo. Era todo esperança, amor e instinto.

Após nossa farta janta de Xerém com leite. De bucho cheio, um pouco de leite gelado refrescava nossa alma.

A gente se sentava à frente de casa. 

Contentes e unidos.

E assim a vida foi tecendo nossas histórias. A gente era tão feliz e aquilo era tão pleno.

A lua prateada,

Coração pulsando forte.

Vitalidade de leite com Xerém.

As vezes rezava baixinho.

A lua cheia enchia o mundo de sua luz prateada.

Hoje, agora, eu olho pra lua só e longe de meus irmãos.

A lua se tornou o ser mais próximo e amigo de minha existência a noite.

Papai e mamãe se uniram a Maria e a lua. São só essência agora.

Olho pra lua como olhei naquele tempo. Sabe estava morando o hoje... Diz um ditado persa que a lua é um espelho do tempo... Então ao olhar a lua vejo todas as minhas gerações.

Agora olho para a lua e sinto que aquele tempo está eternamente em mim.


E a lua continuará a nós encantar...

Somos percepção,

Somos intuição,

Somos humanos 

E a lua é a testemunha de toda nossa história.

Até agora.

Seguindo em frente

 Quando minha mãe partiu, ficou um grande vazio.

Vazio da palavra, da voz, dos conselhos, do carinho.

Quando mamãe se foi eu fiquei sem chão, não sabia como ia ser.

Mas ai, eu tinha o meu filho, a minha esposa e os meus irmãos.

Perdera uma pessoa importantíssima, mas não estava só.

Precisava lutar. E lutei. E tentei e consegui dissolver a dor.

Com amor, fui construindo uma ponte.

E transpus essa dor.

O tempo, e aqueles que estão ao meu redor me ajudaram.

E segui a vida.

28/05/26

Moinho de tempo

 O tempo redemoinho,

E nós no seu caminho,

Gira e gira e gira,

A energia vinda do vento,

Como a lua no céu e suas faces,

Quatro quadrantes equidistantes,

Gira e gira e gira.

O tempo redemoinho,

Vai nos moendo,

A matéria consumindo,

A matéria envelhecendo.

Gira e gira e gira.

O tempo imediato tempo,

O tempo intuitivo tempo.

Ora rápido e ora lento

Gira e gira e gira.

Se parar tudo acabou.

12/05/26

Chuva trabalhando

 A chuva trabalhando o dia inteiro,

Manhã, tarde e noite,

Ora fraca, ora forte,

Quase pára,

Acelera...

O sol nem apareceu.

As aves emplumadas descansam silenciosas.

Sabem que o fruto do trabalho da chuva é delicioso,

As plantas pagam pelo seu trabalho

Chuva.

Pode chuver.

As aves ficam caladas,

São elas quem mais desfrutam das flores e dos frutos.

Chove chuva de maio,

Abriu já partiu...

A chuva trabalha feliz,

Trabalha cantando.

Vai enchendo o lençol freático,

Vai enchendo os rios,

Vai regando as matas...

Vai distribuindo a essência da vida.

E nós que tal fazermos um café. 

11/05/26

Cronologia da professora

 O silêncio,

A existência,

O tempo,

O ser e suas memórias.


Uma senhora e suas memórias,

Seus afazeres...

O tempo, as estações contando os anos, as fases da lua marcando os meses.

A infância, a adolescência.

O primeiro amor,

O casamento...

O amor.

A vida nova de casada, os filhos...

Os anos que separam as fases da vida, a velhice dos pais, 

Os casamentos dos irmãos,

A nova família.

Os desafios do trabalho...

A alfabetização...


A ideia de expressão a realidade,

A natureza,

Viagens...

O caderno,

A caligrafia,

A expressão e o encanto das palavras.


Os anos, o lugar mapeado na alma,

Os grandes acontecimentos,

Nascimentos,

E perdas...


Um olhar no vazio do mundo.


O tempo vivido,

Cabelos brancos.


O poder e o prazer da expresso e o deveio.


Literatura singela,

Sentimentos vividos e eternizados

Memória expressa...

Nada mais.

Tempo, Qualidade e mente

 Como um lento crepúsculo, O tempo se vai... Na eternidade do agora, Na imediatez da memória, O empo se vai... Vai lento na dor, E rápido no...

Gogh

Gogh