Há algum tempo criei um bom hábito, suponho. Bem e esse hábito se passa nas sextas-feiras. Neste dia vou a feira. Dentro da universidade, aqui da UFPB. Hoje foi especial, para quem está contente, acho que todos os dias são especiais e quando a gente percebe, sente quão especial é. Então fui contemplando o corredor, no estacionamento vi frutos secos deitados no chão. Um fruto chamado de sâmara, com asas, plano e pode ser facilmente confundido com folhas. Todavia para quem é focado, tudo pode passar despercebido. Fiquei surpreso ao ver que o banco do brasil, onde sempre passo não estava com a porta giratória. As vezes, aborreço-me só de ter que tirar a chave do bolso e o celular para passar à porta, mas como estava livre até me senti melhor. Antes de chegar na feira, sempre tem um cheiro desagradável de fezes de gato, logo na escada. Subindo a escada o odor muda... A gente o cheiro da massa de mandioca sendo cozida no fogareiro, das bancas dos três SSS, Sandro, Solange e Suelen, a gente ver uma variedade de cores, dos produtos vendidos, a macaxeira alvinha descascada, o roxo das batatas doces, o verde das folhas, limas e limões, o amarelo das bananas e mamões... as flores coloridas de seu Zildo e seu Eduardo... E o cheiro do beiju e da tapioca me aliciando. Compro batatas a seu Eduardo, banana a seu Daniel, alface a seu Edson, rabo de galo a seu Zildo..., vejo o riso mais alegre do dia de seu Luizinho que vende carne de bode... Na volto compro tapiocas e beijou e tomo um café na barraca dos três SSS. O café sem açucar demora na boca... venho tomando café da feira até minha sala. Quando não está destraído com os pensamentos, as sensações parecem se prolongarem. Agora o café está desaparecendo em minha boca, mas ainda tenho o cheiro de beiju na sala, o roxo dos rabos de galo... Essas coisas, tenho as sextas. E isso me faz bem. Um bom hábito.
14/08/26
Descoberta do irracional, conhecimento
A tanto tempo,
Tão distante do agora,
Numa estação de preservação,
Eu ouvia o canto do carão,
Ouvia aquele belo canto,
Que vinha de uma fazenda vizinha,
E não sabia que ave era aquela,
Percebia, ouvia, mas não distinguia,
Mais de vinte anos depois,
Que era o canto do carão...
As coisas as vezes se demoram a serem conhecidas.
07/08/26
Mangueira florida
Agosto começa ensolarado,
As mangueiras florescem suas flores miúdas e pequenas,
Das flores exala um cheiro aborrecido, não diria bom, nem classificaria de bom.
Mas de fato estão tão belas.
Parecem felizes,
Parecem agradecer tanta chuva.
Viva as mangueiras...x
Silêncio da mata
A mata silenciosa,
Ouve as aves trabalhar,
Ouve as aves cantar,
As aves ao se alimentar,
Dispersam as sementes,
Voam pra cá,
Voam pra lá...
Bem-ti-vi e sabiá.
A mata estática!
Então o sol vai acendendo,
A luz se estendendo,
O calor aparecendo,
E as aves se calam...
Cadê o vento?
22/07/26
Saudade
Há a distância do espaço
E há a distância do tempo,
Ambas revelam um profundo sentimento,
Que não sabemos definir,
Só sentir.
É a saudade separação é o pivô,
Consciência da ausência,
Consciência do eterno desencontro.
Só restam memórias.
E todas as vezes que nos deparamos
Com algo que desperte a saudade!
Ai! Como dói o peito.
Não temos consciência da realidade do agora.
Então...
Saudade...
Sentido externo,
Sentido interno.
E o tempo é o pivô de tudo...
Vamos seguindo a vida com nossos sentimentos.
Achando graça na cruz,
Achando graça em Jesus.
E isso é tudo.
02/07/26
Ser autor e ator da vida
Vi o mundo acontecer,
Atores saírem e entrarem em cena.
Vivemos a copa,
Quantos atores novos entram no nosso mundo.
Que novidade há nisso.
Quando tomei consciência do mundo,
As coisas foram acontecendo,
E assim no acontecimento fui me apropriando do mundo.
O espaço e tempo foram essencial,
O Eu autor protagonista do meu mundo.,,
E quantos outros eus.
A descoberta da alteridade.
Tudo parece novo, mas é ilusão.
Cada um com seus hábitos em seus lugares.
Cada um com seus pensamentos.
Vivendo suas vidas...
Julgando serem felizes ou infelizes.
Muitas vezes ignoram o fato de serem...
Ser um ator e autor de suas vidas.
A gente vai descobrindo.
Essas coisas.
30/06/26
Toada do sertanejo
A mata toda bonita,
Verde e copada,
Nem parece o sertão,
Quando chega o calorão,
As folhas amarelam e murcham.
A gente até esquece esta longa estação.
A mata toda enramada,
Jitirana formando latada,
Fica toda estrelada,
Flores amarelas,
Flores azuis,
Flores rosadas
Flores alvas.
Canta feliz a passarada,
Quando surge a alvorada.
E chega a arribação,
Voa aos montes avisando,
É o fim de uma estação.
A cigarra volta a cantar,
O sol intenso a brilhar,
O calor aumenta,
E a natureza se prepara,
Para adormecer,
A flor seca e vira fruto,
A semente é espalhada,
Cajarana amadurece amarelada,
A gente senta na calçada,
Reza e agradece,
Faz fogueira para são João,
Come milho e pinha,
A gente vira ave,
O leite farto,
Pra molhar o cuzcuz...
Pra comer com canjica...
Eu vejo o tempo eterno...
Vejo que o sertão é sempre assim
E nós somos sempre assim...
Em essência carregamos esperança,
Fé no que é bom,
Em novos invernos,
Em novas floradas,
Em novas colheitas...
Numa vida melhor...
O tempo passa e muitas vezes a gente
Depois que cresce nem agradece,
Nem contempla a florada,
O canto do vento na mata,
O som do riacho correndo para baixo,
A beleza da florada...
É assim, vivendo quase feito passarim.
08/06/26
Conhecer Natal
Fomos a Natal no mês do são João.
Vimos o aquário da redinha.
Vimos e passamos pela ponte Antenor Navarro.
Vimos o farol de mãe Luiza.
Vimos a via costeira.
Vimos o morro do careca.
Vimos as dunas do parque das dunas.
Vimos a UFRN.
Vimos o museu Camara Cascudo.
Vimos o Hospital universitário Onofre Lopes.
Vimos a maternidade Januário Cique.
Vimos a barreiras do Inferno.
Vimos o maior cajueiro do mundo.
E passamos uma tarde e uma noite
Em família com meu amado e querido amigo
Robério Nascimento e sua família Daniele Marinho, Giovanna e Olívia Marinho.
A tarde fresca e de nuvens de algodão.
Foi perfeito.
É bom demais sentir que a gente tem amigos de verdade.
Voltamos pra casa
Cheio de recordações.
Mamãe e papai do Vinícius.
Princípio de um sentimento
A noite escureceu na lua nova.
Fiquei com medo das noites escuras.
Coisas da imaginação.
Foi numa noite de lua nova que tudo começou.
Minhas travessuras e as brincadeiras de mamãe.
Lá em casa não tinha energia até os sete anos.
A gente vivia a realidade crua.
A imaginação, a morada no sítio...
Alimentavam minha imaginação.
Seridó
A primeira vez que fui a ESEC Seridó foi em uma aula com as professoras Elisa e Iracema.
Nem imaginava que seria ali que realizaria um dos melhores trabalhos de minha vida.
Viveria uma das melhores experiência que eu viveria.
Realizaria ali o meu mestrado.
Depois voltaria ali várias vezes. Amei o Seridó de primeira.
Ali convivi com Thais Guedes, Adalberto Varela, Carlos Varela, Zanella e George.
Ali ouvi tanto o carão cantar sem saber que era o carão.
Ali soube de histórias maravilhosas e trágicas.
Ali senti o cheiro das plantas secadas na estufa.
Ali conversei muito comigo nas minhas caminhadas de coleta ao longo das trilhas e fora delas.
Saia antes do sol nascer e voltava ao meio as vezes chegava duas, três horas da tarde.
Vi flores de todas as formas e cores.
Eu me virei.
Deu certo.
Estou aqui...
Mas tem um universo de memórias.
Saudades daquelas paisagens,
Saudades daquelas paragens.
A última vez que voltei, me despedi definitivamente de meu admirado amigo Adalberto Varela. Foi em 2012. Logo mais ele partiria. A última vez que fui lá, me despedi e nunca mais o vi. Silvano Teixeira.
Um dia conto mais.
02/06/26
Noite enluarada
Antes podia desfrutar às noites de lua cheia em família. Papai, mamãe e meus cinco irmãos.
Eu olhava para o céu com um olhar ingênuo. Era todo esperança, amor e instinto.
Após nossa farta janta de Xerém com leite. De bucho cheio, um pouco de leite gelado refrescava nossa alma.
A gente se sentava à frente de casa.
Contentes e unidos.
E assim a vida foi tecendo nossas histórias. A gente era tão feliz e aquilo era tão pleno.
A lua prateada,
Coração pulsando forte.
Vitalidade de leite com Xerém.
As vezes rezava baixinho.
A lua cheia enchia o mundo de sua luz prateada.
Hoje, agora, eu olho pra lua só e longe de meus irmãos.
A lua se tornou o ser mais próximo e amigo de minha existência a noite.
Papai e mamãe se uniram a Maria e a lua. São só essência agora.
Olho pra lua como olhei naquele tempo. Sabe estava morando o hoje... Diz um ditado persa que a lua é um espelho do tempo... Então ao olhar a lua vejo todas as minhas gerações.
Agora olho para a lua e sinto que aquele tempo está eternamente em mim.
E a lua continuará a nós encantar...
Somos percepção,
Somos intuição,
Somos humanos
E a lua é a testemunha de toda nossa história.
Até agora.
Seguindo em frente
Quando minha mãe partiu, ficou um grande vazio.
Vazio da palavra, da voz, dos conselhos, do carinho.
Quando mamãe se foi eu fiquei sem chão, não sabia como ia ser.
Mas ai, eu tinha o meu filho, a minha esposa e os meus irmãos.
Perdera uma pessoa importantíssima, mas não estava só.
Precisava lutar. E lutei. E tentei e consegui dissolver a dor.
Com amor, fui construindo uma ponte.
E transpus essa dor.
O tempo, e aqueles que estão ao meu redor me ajudaram.
E segui a vida.
28/05/26
Moinho de tempo
O tempo redemoinho,
E nós no seu caminho,
Gira e gira e gira,
A energia vinda do vento,
Como a lua no céu e suas faces,
Quatro quadrantes equidistantes,
Gira e gira e gira.
O tempo redemoinho,
Vai nos moendo,
A matéria consumindo,
A matéria envelhecendo.
Gira e gira e gira.
O tempo imediato tempo,
O tempo intuitivo tempo.
Ora rápido e ora lento
Gira e gira e gira.
Se parar tudo acabou.
12/05/26
Chuva trabalhando
A chuva trabalhando o dia inteiro,
Manhã, tarde e noite,
Ora fraca, ora forte,
Quase pára,
Acelera...
O sol nem apareceu.
As aves emplumadas descansam silenciosas.
Sabem que o fruto do trabalho da chuva é delicioso,
As plantas pagam pelo seu trabalho
Chuva.
Pode chuver.
As aves ficam caladas,
São elas quem mais desfrutam das flores e dos frutos.
Chove chuva de maio,
Abriu já partiu...
A chuva trabalha feliz,
Trabalha cantando.
Vai enchendo o lençol freático,
Vai enchendo os rios,
Vai regando as matas...
Vai distribuindo a essência da vida.
E nós que tal fazermos um café.
11/05/26
Cronologia da professora
O silêncio,
A existência,
O tempo,
O ser e suas memórias.
Uma senhora e suas memórias,
Seus afazeres...
O tempo, as estações contando os anos, as fases da lua marcando os meses.
A infância, a adolescência.
O primeiro amor,
O casamento...
O amor.
A vida nova de casada, os filhos...
Os anos que separam as fases da vida, a velhice dos pais,
Os casamentos dos irmãos,
A nova família.
Os desafios do trabalho...
A alfabetização...
A ideia de expressão a realidade,
A natureza,
Viagens...
O caderno,
A caligrafia,
A expressão e o encanto das palavras.
Os anos, o lugar mapeado na alma,
Os grandes acontecimentos,
Nascimentos,
E perdas...
Um olhar no vazio do mundo.
O tempo vivido,
Cabelos brancos.
O poder e o prazer da expresso e o deveio.
Literatura singela,
Sentimentos vividos e eternizados
Memória expressa...
Nada mais.
10/04/26
Que é mais belo?
A luz dourada
refletindo nas jovens folhas,
Folhas molhadas
Dão um lindo tom
Amarelo limão,
Amarelo claro
Desfia uma suave neblina.
E o brilho
sem expande,
se multiplica
E o sol parece acender,
E a novem parece andar...
O que é tão belo?
07/04/26
Notas do eu
Sinto minha alma viva.
Sinto intensa presença da eternidade.
Sinto que sou este lugar.
Este lugar sou eu.
O cumaru cultivado por papai,
As Pinheiras, as palmas.
A erva com sua rama
Que pinta tudo de verde e formas,
Formas cordadas,
Formas radiadas,
Formas ternadas.
Ouço fora e em mim o som da passarada...
A Garrincha no oitão,
O sanhaçu nas pinheiras,
O vem-vem no encheique,
O sabiá na aroeira,
O encanto de ouro no catolé.
O pacum voando,
A rolinha no terreiro comendo.
O cheiro alvo da flor do araçá, do mororó,
Do jasmim.
Esse lugar sou eu,
Minha alma é esse lugar.
Com meu amado filho
No mês de abril,
Após as grandes chuvas,
pude no mato andar.
É gostoso sentir
O perfumado cheiro da flor,
O amarelo doce do cajá provar.
Ver o feijão no campo de espalhando,
Nas hastes longas
As flores roxas desabrochar.
E o agricultor com a campinadeira,
Dando ordens e o boi obedecendo
Na carreira subindo e descendo.
A vista cheia de beleza, o cheiro
Da terra arada,
O canto da passarada.
Andar no meio do mato,
Com cuidado pra uma cobra não encontrar,
Vendo a copa da mata fechada.
O cuidado pra não se estrepar.
Ver o açude de água nova barrenta,
O som da água na pedra escorrendo...
E o peito cheio de alegria...
A alma que é uma poesia...
Essas coisas bonitas
Que a gente leva pra vida.
Viver, reviver... eternidade
Ontem tive o maior presente do criador,
Estando em minha terra natal
E foi como um sonho renovador.
Acordei enquanto chovia
Meu peito cheio de alegria...
Foi um sonho vivido,
Foi um sonho revivido.
Vivi duas coisas numa só.
A natureza eterna e profunda
Numa face maravilhosa,
Verde, fresca e molhada.
Quantas vivi essa face em minha vida
Não foram muitas.
As maravilhas divinas sentimos
E amamos mesmo
Que seja a primeira vez.
A esperança forte batendo no peito.
E a já sente a eternidade.
A chuva, o verde e a fé que isso é bom
É verdadeiro e efêmero.
O cantar alegre das aves...
O cantar harmônico das aves.
O cantar feliz das aves
nos transmite felicidade.
Foi o que senti ainda criança
E reafirma sempre que ouço...
Tá guardado na memória.
Ver pela janela a fora
Enchendo a vista de forma, de cor, de profundidade...
Sentir o ar fresco,
A brisa fria, o cheiro de mato molhado, o cheiro da terra enxombrada.
Sentir a realidade da ausência de pai e mãe materializada em saúde.
Aí está.
O coqueiro morreu.
A graviola está quase morta.
Foi papai que plantou.
A realidade do tempo que se foi.
A realidade do tempo que é.
Esse posso viver,
Aquele não mais
Em totalidade.
Tenho um filho pra criar,
Um filho pra ensinar como é a vida aqui...
Na ausência de meus manos e meus pais.
Aqui as mesmas sensações terá.
O ontem foi pra isso.
O café aquecendo o frio da manhã.
A manhã de chuva.
O banho de chuva.
O passeio na mata.
O almoço com arroz de leite e peixe frito.
A tarde de chuva...
Chuva a tarde todinha...
A noite escura e fria.
O angu com leite...
O chá.
A vida.
Chuva chovendo
A chuva choveu a noite inteira,
Desfiava fina, mas incessante e contínua.
Acordei na madrugada
E a chuva não parava.
Trovejou.
E continua chovendo.
O sol nem teve vez.
Está tudo sob sombras.
E a chuva continua chovendo.
Neste sete de abril.
Aqui dizemos que é inverno.
São as chuvas chovendo.
Gerânios
Haviam gerânios de enfeite em casa. Eram feitos de plástico. Descobri que eram gerânios Num livro de morfologia vegetal de Vidal. Interessa...
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Grande Bach. Suas composições nos aproximam do criador. São tão intensas como o mar ou um céu estrelado. Não tem como não se sentir pequeno...
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Amanhã que virá? Sei lá! E hoje... Bem, acho que posso decidir, Mas apenas o agora e não depende muito de mim. Acho que depende de meu...
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