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09/03/26

Saudades

 Ontem, na igreja pedi que rezassem uma missa em memórias de mamãe. Dia oito, foi o dia que ela se foi. oito de janeiro. Sinto muita falta de papai e mamãe. Apesar de minha esposa e meu filho preencherem minha vida, sinto falta de mamãe. A gente viveu uma vida tão boa juntos. Sinto falta de suas conversas, sua amizade e seu amor. A semana santa está chegando e a gente sempre passava juntos. Com o fim de minha mãe, algumas coisas perderam o significado. Assim é.

06/02/26

Quando estou na minha casa

 Poder sentir este lugar,

E reviver suas sensações 

É algo divino,

Íntimo e particular.


Após tanto tempo 

A sentir saber o 

Quanto o conheço,

Mais que qualquer coisa na vida.


Aqui conheço melhor,

As manhãs, meios dias e noites...


Aqui sinto-me em casa e em paz...


Aqui tenho certeza 

Da eternidade do espaço,

Aqui tenho a certeza da sutileza da vida.


Pois a vida me ensinou.


Aqui habito o lugar 

E o lugar habita em mim.


Este céu em todas as suas faces.


As plantas e seus acidentes.


Não preciso definir nada, apenas sentir.


Esse sentimento que me preenche,


Essa consciência cósmica.


Quem haverá de sentir um dia?


Na minha terra natal.

05/11/25

Finados

 Hoje, não estarei aí para acender uma vela.

Não estarei aí para render homenagem.

Para encontrar as pessoas e compartilhar com elas meus sentimentos.

Ver o sol se despedir sob a benção do padre.


Hoje, por forças externas, estou aqui.


Cada dia nos despedimos um pouco desta existência.


Hoje, podemos refletir essa realidade que está sempre se atualizando.


Dois de novembro dia da eternidade.

13/12/24

Palmeiras

 Palmeiras primeiras!

Amigas e vizinhas.

Amo te olhar!

Amo te contemplar!

A ti ensinei meu filho Vinícius a mirar.

A gente te comtemplava!

E eu o ensinei a acenar olhando para ti.

Eu olhava as folhas e dizia,

As folhas estão balançando!

Balançando!

E você aprendeu a gesticular.

Mamãe era viva e viu você acenar dizendo tchau,

Todavia a gente dizia balançando...

Palmeiras irmãs,

Palmeiras vizinhas!

Tenho memórias de tuas parentes,

Longe, muito longe!

No terminal de Barão Geraldo foi onde te apreendi...

Dypsis madascarensis...


27/06/22

Memórias de uma casa

 Voltei a minha casa pela segunda vez.

Agora sem papai e sem mamãe.

A casa parece pequena.

A casa está vazia.

O que preenchia a casa não eram objetos,

O que preenchia a casa não eram coisas.

O que preenchia a casa era a presença.

A presença de mamãe.

A presença de papai.

A presença de espírito.

O uso e ocupação dos espaços.

Três pessoas ocupam mais espaço.

Mamãe, Papai e Li.

Tem os gatos Boris e Belinha,

Tem os cachorros Shaquira e Sherloque.

Tem o louro e as galinhas.

As coisas são apenas coisas.

A presença...

Nos terreiros havia mato,

No quintal era só mato.

Rocei.

Limpei.

Abri e descobri o mato.

A presença de papai preenchia o sítio

A presença de mamãe preenchia a casa.

À tarde tinha o cochilo, 

Tinha o café,

Tinha o pão...

Agora tem o silêncio frio.

Que não é total pelos bichos.

Li fala alto,

Acho que é para se ouvir.

Nada volta a ser como antes,

Mas pode ser um novo.

Temos que nos acostumar com a ausência.

Temos que aceitar a realidade.

Essa casinha que papai tanto gostava

Não deixava ela por festa nenhuma,

Só saia por necessidade,

Uma feira,

Um pão,

Uma missa,

Um velório...

Papai era introspecto.

Mamãe saia por qualquer motivo...

Amava passear.

Ver gente,

Conversar...

A casa tem a cara dela.

O sítio tem a cara de papai.

O conjunto...

O todo.

Meu amor por voces,

Me ajudará a continuar,

A memória viva...

Li cuida da casa.

Vou tentar cuidar do Sítio.

Saudades.

A propósito papai, fiz sua fogueira.

Foi linda, mas demorou a queimar.

Queimou o dia e a noite.

Usei lenha de ciriguela e de feijão bravo e catingueira.

Fiquei até as 22:30h.

Sentindo o calor da fogueira e a sua presença.

Tomei dois copos de vinho.

Soltamos traques,

Bombinhas e cebolinhas.

Vinicius seu neto amou.

Obrigado por tudo papai

Obrigado por tudo mamãe.

Sem vocês não seria quem sou.

Te amo.

08/06/22

Vazio

 Faltam me as palavras para tecer algo.

Que carrego é uma grande dor.

Dor da perda.

Hoje faz seis meses que mamãe se foi.

Não teve um dia que não pensasse nisso.

E como dói.

Às vezes, penso que nada faz sentido.

Que saudade!

Que saudade!

Que falta me faz.

Mamãe... Será se um dia nos encontraremos.

Em sonho?

Saudade de seu cheiro,

Saudade de nossas conversas.

Da nossa cumplicidade.

Por que você se foi tão cedo?

Seguir a vida é tão duro.

Só o que me alegra é meu filho Vinicius...

Graças a Deus que a senhora conheceu...

Te amo mamãe.

09/07/21

A ausência

 Aqui estou, faz meses que papai se foi.

Nosso sofrimento foi muito dolorido,

Ainda sofremos, mas aceitando a realidade.

Tudo mudou muito em mim.

Externamente pouco mudou,

As coisas continuam as mesmas.

Agora ficou a grande questão,

O corpo se degrada, mas e espírito?

Metafísico!

Difícil!

É fácil ver papai e lembrar dele.

Da generosidade e o amor pelos filhos,

Pelos animais e plantas.

O cuidado com o sítio.

A proteção e a fé.

A gente aprende observando

E essas coisas aprendi com ele.

Que aprendeu com o pai dele.

Cada um constrói sua história.

Papai nos deu sua história.

Seu legado somos nós.


06/04/20

13. Marcus Vinicius

Tragédias acontecem todos os dias, mas são ainda maiores quando nos atingem em cheio.
Todos viveremos um dia uma tragédia e a última nos matará.
Mas esta última nem perceberemos.
Os sentimentos são caóticos e múltiplos, dor, tristeza, angústia, revolta...
Quando acontece o que podemos fazer?
A solidariedade é um caminho a seguir, a presença, o abraço, a união, a atenção não acabam os sentimentos ruins, pois nunca acabarão, mas ameniza.
Para nós que somos muito próximos que vimos cada fase, cada passo, cada conquista a perda é inestimável.
Agora, a realidade se materializa e o corpo sem vida desaparecerá.
Resta-nos as lembranças das muitas alegrias e felicidades que nos permitiu viver.
A lembrança que tenho é de sua força e determinação e timidez.
Certo dia tinha ido visitar a família.
E vi aquele menino pequenininho numa bicicleta correndo nos terreiros de Maria.
Ele caia da bicicleta que rolava, mas não tinha medo, nem se rendia a dor. Levantava-se e pegava a bicicleta e continuava a pedalar.
Agora, tudo está consumado.
Aos pais meus amados primos, forças.
Estamos aqui para ajudar no que precisar.
Força!
Guarde na memória os bons momentos,
A ferida estará sempre aberta, mas se aprende a conviver com a dor.
Deus não desampara ninguém e vai ajudar nesta nova caminhada.
Que Jesus conforte nossos corações.
Descanse em paz Marcus Vinicius.

12/02/19

Infância

As memórias de infância.
A estrada era de chão que era feito dum barro vermelho-arenoso.
Em frente nossa casa havia um cajueiro de frutos azedos.
O terreiro sempre teve o mesmo tamanho e era separado da estrada por uma valeta que sempre transbordava durante as chuvas.
A calçada era engendrada, áspera e irregular.
A casa tinha duas quedas d'água irregulares.
Que importam as formas.
O que foi! Foi.
Era ali que quando menino corria só de bermuda.
Não havia beleza na minha roupa, mas havia carinho e sempre usava-os limpinhos.
Mamãe se preocupava com minha limpeza e sempre me banhava.
Não havia poesia ou literatura,
Não havia um perfeito português,
Sequer ouvíamos grandes histórias.
As histórias eram contadas pelo rádio na difusora Am de Alexandria
ou na televisão preto e branco.
Confesso que não trocaria minha história por nenhuma história cheia de informações como são as de hoje.

23/12/17

Ociosidade

A tarde cai nublada, quente e fagueira.
O tempo,
À tarde,
O silêncio na tarde de sábado,
As árvores secas,
Os coqueiros,
O asfalto,
A ociosidade,
Um poema,
O vento calmo,
O terreiro poeirento,
O Natal chegando,
O fim de ano!
2017...

14/12/17

Ida

Um domingo,
Avós idosos,
Filhos amorosos,
O amor e devoção de mamãe pelos pais, vó José e vô Sinhá,
Que lindo isso!
A oração herdada,
A fé cultivada,
Sair de casa,
Caminhar com mamãe,
Cumprimentar as pessoas na estrada,
A casa de Alzelita,
A limpeza e o cachorro de Caboquinha,
A Casa de tia Nevinha, a casa de tia Biluca irmã José casada com Pedro de Lião, a casa de Neta, 
A escola isolada,
A casa de finada Januária irmã de vô José,
A casa de Zequinha, a casa de Paté
E finalmente a casa de vô Sinhá...
A vôz roca de vô José com cabelo e cavanhaque branquinhos,
A gaitada viva, sua bengala, seu silêncio o corpo cansado.
Vô Sinhá fazendo as coisas,
O feijão cozido as 8h,
O cachorro,
O banheiro velho,
A calçada avistando o parieiro,
A conversa,
Minha impaciência,
O tempo roto desbota até as memórias...
Muitas coisas passam ocultas na vida,
Não tem como entendê-las,
Salve o amor fraterno.

18/10/15

A beleza da existência

Existir!
Ver e compreender
E sentir a alma feliz

Num amanhecer,
Num entardecer,
Num anoitecer,
Num enluarar,

No sono de um recém nascido,
Na chegada das estações,
No desabrochar das flores,
Na leitura de um poema,
Numa jornada concluída...

E sentir saudades do livro lido,
Do filho crescido,
Do casamento,
Do juramento de formatura,
De uma vida boa vivida,
A incerteza do amanhã
Nos humaniza...

Saudades dos grandes mestres,
Dos amigos de infância,
Dos lugares secretos, nossos refúgios...
Viver nos ensina,
E vivemos descobriremos amanhã
Beleza da existência.

27/04/15

Passageiro

Já não posso nos olhos olhar 
Aquele olhar que tanto pude contemplar,
Já não posso ver aquele doce olhar,
Não posso olhar através da íris aquele olhar a me olhar,
Quem sabe talvez a me contemplar.
Não eu não tenho mais aquele olhar,
Talvez nunca o tivesse!

Era só magia,
Era só energia...

Eu nunca contemplei um olhar?
Nem mesmo o meu olhar,
Queria ver um olhar ideal,
E por não contemplar.

Hoje contemplo apenas o tempo.
Tudo passa,
Tudo passou,

Resta caminhar,
Caminhar com o meu eu...

Resta contemplar o meu olhar.
Tenho minhas metas...
Até quando?

Além do amor,
Muito além da dor.
Tenho o momento presente,
Esse pleno devir,
Que me distancia a cada momento do que fui,
E o que sou?
Energia, um passageiro em deslocamento.

21/12/14

Adeus Tio Jussier

O tempo passa,
Sempre passou,
Sempre passará,
Mas para alguns o tempo se desgasta.

O tempo para, depois de um início,
Depois de tanto passar,
O tempo para.
Hoje o tempo parou,
Para meu tio que viajou,
Viajou para o passado,
Estacionou sua viagem,
Decerto vó José e vô Sinhá
O esperam sua chegada na eternidade,
A gente continua aqui vendo o tempo passar,
Amanhã restará só a lembrança.

Meu tio que partiu,
Que vi envelhecer,
Vi a doença que o consumiu
Longos anos a fio.

Homem paciente que viveu de ilusão,
O chão de seixos ferrugíneos,
Não mais suportará seu peso,
Nem as bignoniaceas perfumarão seu caminho.
Adeus Tio Jussier.

21/10/11

Noite perdida

A noite caiu escura,
quantas vezes a noite cai,
quantas vezes vem e vai,
e tu não reparas as estrelas,
não reparas a lua.
A noite não existe para baladas,
a noite não existe para a solidão,
a noite não existe para procriação,
a noite não existe,
a noite deixou de existir para nós,
já não é algo romântico,
já não nos orienta.

Distante de casa
Sinto falta
da noite estrelada,
da noite de lua,
da noite perfumada de caju.
Hoje só percebo a noite
porque faz silêncio,
porque muitas vezes,
não vejo a noite,
pois tenho a noite
dentro de mim,
uma noite que quero fazer dia,
tenho o escuro da noite
dentro de mim,
mas o escuro que há
dentro de mim é o escuro
da ignorância, sem estrela,
sem lua, sem som do vento,
e todo dia tento preencher,
manter acesa a luz de vela,
tento apagar a minha ignorância
e muitas vezes,
perco a noite.

10/03/11

Chuva reminiscentes

Uma semana que não parou de chover,
os fungos voltaram a reaparecer,
com seus corpos de frutificação,
anunciam a estação do verão,
alta umidade, calor, chuva,
neblina todo fim de tarde,
e as águas escorrem rua abaixo,
lavando telhados e calçadas,
 é chuva de verão,
lá no sertão chuva é coisa divina,
quando chove tudo agradece,
os sapos cantam, as plantas agradecem,
logo estas florescem,
o solo molhado, formigas e cupins criam asas,
e voam pra copular, e alimentar os passarinhos,
ou para povoar um novo lugar,
quando era fim de tarde que chovia
sentia aquela alegria,
tomava um café, e depois logo vinha o jantar,
a lenha lascada guardada, alimentava
o velho fogão a lenha que aquecia a cozinha,
e logo que caia a noite,
a natureza recolhida,
fazia aquele frio gostoso,
a chuva se recatava,
e nos todos felizes estávamos
por mais um dia, mais uma chuva
cheios de esperança da chegada de dias melhores.

25/02/11

Forma

Sedes como a água
e toma toda forma,
se está quente evapora,
se está frio congela
e se precipita feito chuva.
se adiciona açúcar adoçada fica,
se for sal, salgada fica.

Toma a alma da água
para ti, atravessa toda
dificuldade, sedes
onipresente,
do nascente ao poente,
derramas tua alma,
em busca da calma,
sedes pleno,
e vivo, vai além da água.

31/01/11

A noite

A noite escura,
caia a chuva,
quebrando o silêncio,
com o som das
Dos pingos se atirando,
Por todo lugar,
gotas nas folhas,
no teto, na bica,
apesar da chuva,
era forte o calor.
A rua escura
e vazia.
A noite vazia e escura.

22/03/10

Conversas amigas

A quanto tempo não revejo os amigos que deixei quando parti de minha terra. Sabe nem me lembro mais quanto tempo que pude desfrutar daquelas conversas sadias.
Sempre que podíamos nos reuníamos para conversar, na cozinha, na hora do almoço ou do jantar, na lavanderia nunca faltava alguém para conversar. Nossas conversas iam desde futebol, política, cursos e é claro de amizade, assunto corriqueiro nos corredores da moradia. O engraçado é como nos comportávamos, pois para cada pessoa abordava-se um assunto diferente, ou seja tínhamos pessoas preferidas para tratar de assuntos específicos. Muitas vezes varávamos a madrugada conversando, tomando aquele café, entre uma conversa e outra íamos matando o tempo cheio de tédio, pela distância da família, pela falta de recurso, de tempo
Estávamos ali para estudar, aproveitar o tempo, mas claro que ninguém é de ferro para estudar o tempo todo, precisávamos viver e conversar significava está vivo. Meus queridos amigos que sempre estavam presente cotidianamente, o jornalista intelectual Silvano Araújo, o Engenheiro Chico Targino, odontólogo Francisco Canindé, Historiador Demison, Geólogo José Airton, Biólogo Alex Luz, Juiz Gilvanklim Marques, falecido psicólogo Taniberg Albano dentre outros, é claro que não citei os amigos de quarto que eram mais amigos que amigos de conversas.
Quanto tempo não disponho de conversar com tais figura, que saudade boa, pois todos estão seguindo a vida muito bem e eu segui o meu caminho, consegui achar o caminho que me levará ao lugar almejado. Durante esse tempo de busca quantos amigos fiz,
quantos ficaram por ai, mas levo em meu coração como trofeu maior de minhas conquistas, pois acredito que a amizade é o bem maior de um homem.
Novos amigos consegui são maravilhosos, mas são outros amigos outro perfil, adoro-os, mas sinto saldades do campus, do campo, dos timbres, dos risos, da amizade acalorada aos sabor do café, das conversas da vida vivida.

25/02/10

Cajus

O sítio onde fui criado,
como era adorado,
frutas não faltava,
cirigüela, cajarana,
goiaba, pinha, mamão,
de inverno a verão.
Ah! mas melhor fruta que dava,
era o caju.
o caju que nos salvava, pois sua safra,
além do fruto, dava castanha, renda da família.
Lá em casa cajueiros eram batizados com nomes.
Eu me lembro que tinha o cajueiro da porca, pois uma vez papai pôs uma porca morta nele; bem do lado tinha o bago de jaca, pois tinha frutos doces como jaca. Bem tinha o pimentinha cujos frutos eram pequenos e vermelhos, as vezes papai doava ela pra alguns de nós arrendarmos a safra. Tinha o abacaxi, pois tinha gosto de abacaxi.
Tinha o do curral que ficava no curral.
Tenho o mapa dos cajueiros de cajus mais doce gravado em minha mente.
doces tempos, que não voltam mais,
deixam eterna saudades.

Urucum

 Um zunido na manhã cinza de chuva, Desperta doces memórias de nosso quintal... Ouvindo um zunido no pé de urucum, Vou ali onde ele está olh...

Gogh

Gogh