Ontem, na igreja pedi que rezassem uma missa em memórias de mamãe. Dia oito, foi o dia que ela se foi. oito de janeiro. Sinto muita falta de papai e mamãe. Apesar de minha esposa e meu filho preencherem minha vida, sinto falta de mamãe. A gente viveu uma vida tão boa juntos. Sinto falta de suas conversas, sua amizade e seu amor. A semana santa está chegando e a gente sempre passava juntos. Com o fim de minha mãe, algumas coisas perderam o significado. Assim é.
09/03/26
06/02/26
Quando estou na minha casa
Poder sentir este lugar,
E reviver suas sensações
É algo divino,
Íntimo e particular.
Após tanto tempo
A sentir saber o
Quanto o conheço,
Mais que qualquer coisa na vida.
Aqui conheço melhor,
As manhãs, meios dias e noites...
Aqui sinto-me em casa e em paz...
Aqui tenho certeza
Da eternidade do espaço,
Aqui tenho a certeza da sutileza da vida.
Pois a vida me ensinou.
Aqui habito o lugar
E o lugar habita em mim.
Este céu em todas as suas faces.
As plantas e seus acidentes.
Não preciso definir nada, apenas sentir.
Esse sentimento que me preenche,
Essa consciência cósmica.
Quem haverá de sentir um dia?
Na minha terra natal.
05/11/25
Finados
Hoje, não estarei aí para acender uma vela.
Não estarei aí para render homenagem.
Para encontrar as pessoas e compartilhar com elas meus sentimentos.
Ver o sol se despedir sob a benção do padre.
Hoje, por forças externas, estou aqui.
Cada dia nos despedimos um pouco desta existência.
Hoje, podemos refletir essa realidade que está sempre se atualizando.
Dois de novembro dia da eternidade.
13/12/24
Palmeiras
Palmeiras primeiras!
Amigas e vizinhas.
Amo te olhar!
Amo te contemplar!
A ti ensinei meu filho Vinícius a mirar.
A gente te comtemplava!
E eu o ensinei a acenar olhando para ti.
Eu olhava as folhas e dizia,
As folhas estão balançando!
Balançando!
E você aprendeu a gesticular.
Mamãe era viva e viu você acenar dizendo tchau,
Todavia a gente dizia balançando...
Palmeiras irmãs,
Palmeiras vizinhas!
Tenho memórias de tuas parentes,
Longe, muito longe!
No terminal de Barão Geraldo foi onde te apreendi...
Dypsis madascarensis...
27/06/22
Memórias de uma casa
Voltei a minha casa pela segunda vez.
Agora sem papai e sem mamãe.
A casa parece pequena.
A casa está vazia.
O que preenchia a casa não eram objetos,
O que preenchia a casa não eram coisas.
O que preenchia a casa era a presença.
A presença de mamãe.
A presença de papai.
A presença de espírito.
O uso e ocupação dos espaços.
Três pessoas ocupam mais espaço.
Mamãe, Papai e Li.
Tem os gatos Boris e Belinha,
Tem os cachorros Shaquira e Sherloque.
Tem o louro e as galinhas.
As coisas são apenas coisas.
A presença...
Nos terreiros havia mato,
No quintal era só mato.
Rocei.
Limpei.
Abri e descobri o mato.
A presença de papai preenchia o sítio
A presença de mamãe preenchia a casa.
À tarde tinha o cochilo,
Tinha o café,
Tinha o pão...
Agora tem o silêncio frio.
Que não é total pelos bichos.
Li fala alto,
Acho que é para se ouvir.
Nada volta a ser como antes,
Mas pode ser um novo.
Temos que nos acostumar com a ausência.
Temos que aceitar a realidade.
Essa casinha que papai tanto gostava
Não deixava ela por festa nenhuma,
Só saia por necessidade,
Uma feira,
Um pão,
Uma missa,
Um velório...
Papai era introspecto.
Mamãe saia por qualquer motivo...
Amava passear.
Ver gente,
Conversar...
A casa tem a cara dela.
O sítio tem a cara de papai.
O conjunto...
O todo.
Meu amor por voces,
Me ajudará a continuar,
A memória viva...
Li cuida da casa.
Vou tentar cuidar do Sítio.
Saudades.
A propósito papai, fiz sua fogueira.
Foi linda, mas demorou a queimar.
Queimou o dia e a noite.
Usei lenha de ciriguela e de feijão bravo e catingueira.
Fiquei até as 22:30h.
Sentindo o calor da fogueira e a sua presença.
Tomei dois copos de vinho.
Soltamos traques,
Bombinhas e cebolinhas.
Vinicius seu neto amou.
Obrigado por tudo papai
Obrigado por tudo mamãe.
Sem vocês não seria quem sou.
Te amo.
08/06/22
Vazio
Faltam me as palavras para tecer algo.
Que carrego é uma grande dor.
Dor da perda.
Hoje faz seis meses que mamãe se foi.
Não teve um dia que não pensasse nisso.
E como dói.
Às vezes, penso que nada faz sentido.
Que saudade!
Que saudade!
Que falta me faz.
Mamãe... Será se um dia nos encontraremos.
Em sonho?
Saudade de seu cheiro,
Saudade de nossas conversas.
Da nossa cumplicidade.
Por que você se foi tão cedo?
Seguir a vida é tão duro.
Só o que me alegra é meu filho Vinicius...
Graças a Deus que a senhora conheceu...
Te amo mamãe.
09/07/21
A ausência
Aqui estou, faz meses que papai se foi.
Nosso sofrimento foi muito dolorido,
Ainda sofremos, mas aceitando a realidade.
Tudo mudou muito em mim.
Externamente pouco mudou,
As coisas continuam as mesmas.
Agora ficou a grande questão,
O corpo se degrada, mas e espírito?
Metafísico!
Difícil!
É fácil ver papai e lembrar dele.
Da generosidade e o amor pelos filhos,
Pelos animais e plantas.
O cuidado com o sítio.
A proteção e a fé.
A gente aprende observando
E essas coisas aprendi com ele.
Que aprendeu com o pai dele.
Cada um constrói sua história.
Papai nos deu sua história.
Seu legado somos nós.
06/04/20
13. Marcus Vinicius
12/02/19
Infância
A estrada era de chão que era feito dum barro vermelho-arenoso.
Em frente nossa casa havia um cajueiro de frutos azedos.
O terreiro sempre teve o mesmo tamanho e era separado da estrada por uma valeta que sempre transbordava durante as chuvas.
A calçada era engendrada, áspera e irregular.
A casa tinha duas quedas d'água irregulares.
Que importam as formas.
O que foi! Foi.
Era ali que quando menino corria só de bermuda.
Não havia beleza na minha roupa, mas havia carinho e sempre usava-os limpinhos.
Mamãe se preocupava com minha limpeza e sempre me banhava.
Não havia poesia ou literatura,
Não havia um perfeito português,
Sequer ouvíamos grandes histórias.
As histórias eram contadas pelo rádio na difusora Am de Alexandria
ou na televisão preto e branco.
Confesso que não trocaria minha história por nenhuma história cheia de informações como são as de hoje.
23/12/17
Ociosidade
O tempo,
À tarde,
O silêncio na tarde de sábado,
As árvores secas,
Os coqueiros,
O asfalto,
A ociosidade,
Um poema,
O vento calmo,
O terreiro poeirento,
O Natal chegando,
O fim de ano!
2017...
14/12/17
Ida
18/10/15
A beleza da existência
Ver e compreender
E sentir a alma feliz
Num amanhecer,
Num entardecer,
Num anoitecer,
Num enluarar,
No sono de um recém nascido,
Na chegada das estações,
No desabrochar das flores,
Na leitura de um poema,
Numa jornada concluída...
E sentir saudades do livro lido,
Do filho crescido,
Do casamento,
Do juramento de formatura,
De uma vida boa vivida,
A incerteza do amanhã
Nos humaniza...
Saudades dos grandes mestres,
Dos amigos de infância,
Dos lugares secretos, nossos refúgios...
Viver nos ensina,
E vivemos descobriremos amanhã
Beleza da existência.
27/04/15
Passageiro
Já não posso ver aquele doce olhar,
Não posso olhar através da íris aquele olhar a me olhar,
Quem sabe talvez a me contemplar.
Não eu não tenho mais aquele olhar,
Talvez nunca o tivesse!
Era só magia,
Eu nunca contemplei um olhar?
Queria ver um olhar ideal,
E por não contemplar.
Tudo passa,
Tudo passou,
Resta caminhar,
Caminhar com o meu eu...
Resta contemplar o meu olhar.
Tenho minhas metas...
Além do amor,
Muito além da dor.
Tenho o momento presente,
Esse pleno devir,
Que me distancia a cada momento do que fui,
E o que sou?
Energia, um passageiro em deslocamento.
21/12/14
Adeus Tio Jussier
Sempre passou,
Sempre passará,
Mas para alguns o tempo se desgasta.
O tempo para, depois de um início,
Depois de tanto passar,
O tempo para.
Hoje o tempo parou,
Para meu tio que viajou,
Viajou para o passado,
Estacionou sua viagem,
Decerto vó José e vô Sinhá
O esperam sua chegada na eternidade,
A gente continua aqui vendo o tempo passar,
Amanhã restará só a lembrança.
Meu tio que partiu,
Que vi envelhecer,
Vi a doença que o consumiu
Longos anos a fio.
Homem paciente que viveu de ilusão,
O chão de seixos ferrugíneos,
Não mais suportará seu peso,
Nem as bignoniaceas perfumarão seu caminho.
Adeus Tio Jussier.
21/10/11
Noite perdida
quantas vezes a noite cai,
quantas vezes vem e vai,
e tu não reparas as estrelas,
não reparas a lua.
A noite não existe para baladas,
a noite não existe para a solidão,
a noite não existe para procriação,
a noite não existe,
a noite deixou de existir para nós,
já não é algo romântico,
já não nos orienta.
da noite estrelada,
da noite de lua,
da noite perfumada de caju.
Hoje só percebo a noite
porque faz silêncio,
porque muitas vezes,
não vejo a noite,
pois tenho a noite
dentro de mim,
uma noite que quero fazer dia,
tenho o escuro da noite
dentro de mim,
mas o escuro que há
dentro de mim é o escuro
da ignorância, sem estrela,
sem lua, sem som do vento,
e todo dia tento preencher,
manter acesa a luz de vela,
tento apagar a minha ignorância
e muitas vezes,
perco a noite.
10/03/11
Chuva reminiscentes
25/02/11
Forma
31/01/11
A noite
22/03/10
Conversas amigas
Sempre que podíamos nos reuníamos para conversar, na cozinha, na hora do almoço ou do jantar, na lavanderia nunca faltava alguém para conversar. Nossas conversas iam desde futebol, política, cursos e é claro de amizade, assunto corriqueiro nos corredores da moradia. O engraçado é como nos comportávamos, pois para cada pessoa abordava-se um assunto diferente, ou seja tínhamos pessoas preferidas para tratar de assuntos específicos. Muitas vezes varávamos a madrugada conversando, tomando aquele café, entre uma conversa e outra íamos matando o tempo cheio de tédio, pela distância da família, pela falta de recurso, de tempo
Quanto tempo não disponho de conversar com tais figura, que saudade boa, pois todos estão seguindo a vida muito bem e eu segui o meu caminho, consegui achar o caminho que me levará ao lugar almejado. Durante esse tempo de busca quantos amigos fiz,
quantos ficaram por ai, mas levo em meu coração como trofeu maior de minhas conquistas, pois acredito que a amizade é o bem maior de um homem.
Novos amigos consegui são maravilhosos, mas são outros amigos outro perfil, adoro-os, mas sinto saldades do campus, do campo, dos timbres, dos risos, da amizade acalorada aos sabor do café, das conversas da vida vivida.
25/02/10
Cajus
como era adorado,
frutas não faltava,
cirigüela, cajarana,
goiaba, pinha, mamão,
de inverno a verão.
Ah! mas melhor fruta que dava,
era o caju.
o caju que nos salvava, pois sua safra,
além do fruto, dava castanha, renda da família.
Lá em casa cajueiros eram batizados com nomes.
Eu me lembro que tinha o cajueiro da porca, pois uma vez papai pôs uma porca morta nele; bem do lado tinha o bago de jaca, pois tinha frutos doces como jaca. Bem tinha o pimentinha cujos frutos eram pequenos e vermelhos, as vezes papai doava ela pra alguns de nós arrendarmos a safra. Tinha o abacaxi, pois tinha gosto de abacaxi.
Tinha o do curral que ficava no curral.
Tenho o mapa dos cajueiros de cajus mais doce gravado em minha mente.
doces tempos, que não voltam mais,
deixam eterna saudades.
Urucum
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Gogh