Como queria voltar ao passado,
Ver minha vida antiga,
Voltar a minha casa e encontrar mamãe e papai,
Ocupando os vãos daquela casa, habitando alí.
Naquele tempo sabia, mas não imaginava um hoje.
Que vontade de abraçar meus pais
Como queria voltar ao passado,
Ver minha vida antiga,
Voltar a minha casa e encontrar mamãe e papai,
Ocupando os vãos daquela casa, habitando alí.
Naquele tempo sabia, mas não imaginava um hoje.
Que vontade de abraçar meus pais
Ontem, na igreja pedi que rezassem uma missa em memórias de mamãe. Dia oito, foi o dia que ela se foi. oito de janeiro. Sinto muita falta de papai e mamãe. Apesar de minha esposa e meu filho preencherem minha vida, sinto falta de mamãe. A gente viveu uma vida tão boa juntos. Sinto falta de suas conversas, sua amizade e seu amor. A semana santa está chegando e a gente sempre passava juntos. Com o fim de minha mãe, algumas coisas perderam o significado. Assim é.
Poder sentir este lugar,
E reviver suas sensações
É algo divino,
Íntimo e particular.
Após tanto tempo
A sentir saber o
Quanto o conheço,
Mais que qualquer coisa na vida.
Aqui conheço melhor,
As manhãs, meios dias e noites...
Aqui sinto-me em casa e em paz...
Aqui tenho certeza
Da eternidade do espaço,
Aqui tenho a certeza da sutileza da vida.
Pois a vida me ensinou.
Aqui habito o lugar
E o lugar habita em mim.
Este céu em todas as suas faces.
As plantas e seus acidentes.
Não preciso definir nada, apenas sentir.
Esse sentimento que me preenche,
Essa consciência cósmica.
Quem haverá de sentir um dia?
Na minha terra natal.
Hoje, não estarei aí para acender uma vela.
Não estarei aí para render homenagem.
Para encontrar as pessoas e compartilhar com elas meus sentimentos.
Ver o sol se despedir sob a benção do padre.
Hoje, por forças externas, estou aqui.
Cada dia nos despedimos um pouco desta existência.
Hoje, podemos refletir essa realidade que está sempre se atualizando.
Dois de novembro dia da eternidade.
Palmeiras primeiras!
Amigas e vizinhas.
Amo te olhar!
Amo te contemplar!
A ti ensinei meu filho Vinícius a mirar.
A gente te comtemplava!
E eu o ensinei a acenar olhando para ti.
Eu olhava as folhas e dizia,
As folhas estão balançando!
Balançando!
E você aprendeu a gesticular.
Mamãe era viva e viu você acenar dizendo tchau,
Todavia a gente dizia balançando...
Palmeiras irmãs,
Palmeiras vizinhas!
Tenho memórias de tuas parentes,
Longe, muito longe!
No terminal de Barão Geraldo foi onde te apreendi...
Dypsis madascarensis...
Voltei a minha casa pela segunda vez.
Agora sem papai e sem mamãe.
A casa parece pequena.
A casa está vazia.
O que preenchia a casa não eram objetos,
O que preenchia a casa não eram coisas.
O que preenchia a casa era a presença.
A presença de mamãe.
A presença de papai.
A presença de espírito.
O uso e ocupação dos espaços.
Três pessoas ocupam mais espaço.
Mamãe, Papai e Li.
Tem os gatos Boris e Belinha,
Tem os cachorros Shaquira e Sherloque.
Tem o louro e as galinhas.
As coisas são apenas coisas.
A presença...
Nos terreiros havia mato,
No quintal era só mato.
Rocei.
Limpei.
Abri e descobri o mato.
A presença de papai preenchia o sítio
A presença de mamãe preenchia a casa.
À tarde tinha o cochilo,
Tinha o café,
Tinha o pão...
Agora tem o silêncio frio.
Que não é total pelos bichos.
Li fala alto,
Acho que é para se ouvir.
Nada volta a ser como antes,
Mas pode ser um novo.
Temos que nos acostumar com a ausência.
Temos que aceitar a realidade.
Essa casinha que papai tanto gostava
Não deixava ela por festa nenhuma,
Só saia por necessidade,
Uma feira,
Um pão,
Uma missa,
Um velório...
Papai era introspecto.
Mamãe saia por qualquer motivo...
Amava passear.
Ver gente,
Conversar...
A casa tem a cara dela.
O sítio tem a cara de papai.
O conjunto...
O todo.
Meu amor por voces,
Me ajudará a continuar,
A memória viva...
Li cuida da casa.
Vou tentar cuidar do Sítio.
Saudades.
A propósito papai, fiz sua fogueira.
Foi linda, mas demorou a queimar.
Queimou o dia e a noite.
Usei lenha de ciriguela e de feijão bravo e catingueira.
Fiquei até as 22:30h.
Sentindo o calor da fogueira e a sua presença.
Tomei dois copos de vinho.
Soltamos traques,
Bombinhas e cebolinhas.
Vinicius seu neto amou.
Obrigado por tudo papai
Obrigado por tudo mamãe.
Sem vocês não seria quem sou.
Te amo.
Faltam me as palavras para tecer algo.
Que carrego é uma grande dor.
Dor da perda.
Hoje faz seis meses que mamãe se foi.
Não teve um dia que não pensasse nisso.
E como dói.
Às vezes, penso que nada faz sentido.
Que saudade!
Que saudade!
Que falta me faz.
Mamãe... Será se um dia nos encontraremos.
Em sonho?
Saudade de seu cheiro,
Saudade de nossas conversas.
Da nossa cumplicidade.
Por que você se foi tão cedo?
Seguir a vida é tão duro.
Só o que me alegra é meu filho Vinicius...
Graças a Deus que a senhora conheceu...
Te amo mamãe.
Aqui estou, faz meses que papai se foi.
Nosso sofrimento foi muito dolorido,
Ainda sofremos, mas aceitando a realidade.
Tudo mudou muito em mim.
Externamente pouco mudou,
As coisas continuam as mesmas.
Agora ficou a grande questão,
O corpo se degrada, mas e espírito?
Metafísico!
Difícil!
É fácil ver papai e lembrar dele.
Da generosidade e o amor pelos filhos,
Pelos animais e plantas.
O cuidado com o sítio.
A proteção e a fé.
A gente aprende observando
E essas coisas aprendi com ele.
Que aprendeu com o pai dele.
Cada um constrói sua história.
Papai nos deu sua história.
Seu legado somos nós.
Sutil flor de cardeiro, Que floresce num corpo amarado, Um corpo de espinho coroado, Em meio as rosetas fios de seda O de algodão, Oram lem...