30/06/26

Toada do sertanejo

 A mata toda bonita,

Verde e copada,

Nem parece o sertão,

Quando chega o calorão,

As folhas amarelam e murcham.

A gente até esquece esta longa estação.


A mata toda enramada,

Jitirana formando latada,

Fica toda estrelada,

Flores amarelas,

Flores azuis,

Flores rosadas

Flores alvas.


Canta feliz a passarada,

Quando surge a alvorada.


E chega a arribação,

Voa aos montes avisando,

É o fim de uma estação.


A cigarra volta a cantar,

O sol intenso a brilhar,

O calor aumenta,

E a natureza se prepara,

Para adormecer,

A flor seca e vira fruto,

A semente é espalhada,


Cajarana amadurece amarelada,

A gente senta na calçada,

Reza e agradece,

Faz fogueira para são João,

Come milho e pinha,

A gente vira ave,

O leite farto,

Pra molhar o cuzcuz...

Pra comer com canjica...


Eu vejo o tempo eterno...

Vejo que o sertão é sempre assim

E nós somos sempre assim...


Em essência carregamos esperança,

Fé no que é bom,

Em novos invernos,

Em novas floradas,

Em novas colheitas...

Numa vida melhor...


O tempo passa e muitas vezes a gente 

Depois que cresce nem agradece,

Nem contempla a florada,

O canto do vento na mata,

O som do riacho correndo para baixo,

A beleza da florada...

É assim, vivendo quase feito passarim.

Toada do sertanejo

 A mata toda bonita, Verde e copada, Nem parece o sertão, Quando chega o calorão, As folhas amarelam e murcham. A gente até esquece esta lon...

Gogh

Gogh