A mata toda bonita,
Verde e copada,
Nem parece o sertão,
Quando chega o calorão,
As folhas amarelam e murcham.
A gente até esquece esta longa estação.
A mata toda enramada,
Jitirana formando latada,
Fica toda estrelada,
Flores amarelas,
Flores azuis,
Flores rosadas
Flores alvas.
Canta feliz a passarada,
Quando surge a alvorada.
E chega a arribação,
Voa aos montes avisando,
É o fim de uma estação.
A cigarra volta a cantar,
O sol intenso a brilhar,
O calor aumenta,
E a natureza se prepara,
Para adormecer,
A flor seca e vira fruto,
A semente é espalhada,
Cajarana amadurece amarelada,
A gente senta na calçada,
Reza e agradece,
Faz fogueira para são João,
Come milho e pinha,
A gente vira ave,
O leite farto,
Pra molhar o cuzcuz...
Pra comer com canjica...
Eu vejo o tempo eterno...
Vejo que o sertão é sempre assim
E nós somos sempre assim...
Em essência carregamos esperança,
Fé no que é bom,
Em novos invernos,
Em novas floradas,
Em novas colheitas...
Numa vida melhor...
O tempo passa e muitas vezes a gente
Depois que cresce nem agradece,
Nem contempla a florada,
O canto do vento na mata,
O som do riacho correndo para baixo,
A beleza da florada...
É assim, vivendo quase feito passarim.