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07/04/26

Notas da existência

 A areia seca,

O solo molhado,

Sobre o solo a gitirana 

Cresce se esparramando.

Tão belo seu movimento,

De crescimento,

De vida efêmera.


A Pinheira verdinha.

Senhora Pinheira,

Amiga conhecida

De tantas safras,

Tantas visitas,

Sanhaçus,

Vem-vems...


O fruto verde gerado,

Crescente e maduro.

Do duro ao mole,

Só verde ao branco.


Dia e noite,

Verão e inverno.


Chuva e água.


Ser.


Ali ao lado,

Tantas vezes me sentei.


Tantas vezes me senti.


Sou uma Pinheira.

Que resiste se sequidão.

Que sofre calada,

As ervas daninhas nos meus galhos.


Sofre calada o calor, mas repleta de esperança 

Pelo tempo de bonança que sempre vem.


Para a terra.

O lugar.

A existência...


Sentado ali.

Foi confidente a Pinheira,

Minha de papai e de mamãe.


Quando eles participaram ela estava triste e desgalhada e assim me senti.


Ontem estava plena.


Eu também.

Mas havia um certo vazio no meu peito...

Que nunca vai passar...

É a autoconsciência.


Queria ser uma gitirana espalhando-se pelo chão.


Mas o tempo, a memória me fizeram Pinheira.

24/03/26

Até

 Carrego as memórias de minha vida,

Muitas alegrias e felicidades,

Também dores e ferida...

Carrego no peito muitas saudades


Saudade de meu lugar,

Saudade de meus parentes,

Saudades da minha vida,

Saudades, pois a vida parecia querer mais...

E não dava para ser plenamente vivida.


Foi embora no tempo,

Fui em busca deste invento

E perdi tudo,

E ganhei tudo...


Muito ficou em mim,

O que pude trazer...

Agora posso escolher o que devo levar

O que devo ensinar...

Aprendi muito sozinho só a observar...

E continuo a aprender...

Até.

15/03/26

Limiar

 O silêncio da madrugada me desperta.

A luz tênue da manhã começa a surgir.

Fora canta um sanhaçu,

Um som forte e próximo,

Vou até a sacada.

Voa e o silêncio reina.

Volto a cama sinto o calor da coberta,

Cheiro os cabelos e meu filho.

O tempo, esse pensamento que me perturba,

Vem a minha mente,

Então o espanto...

Vou a rede armada na sala.

Olho através da janela,

Olho meus quadros de uma casinha, mandacarus e macambiras,

Olho para ele e vejo meu sertão.

Um sertanejo no litoral tem que ter sementes de sua terra natal espalhadas na casa...

O tempo avança.

Um carcará pousa na antena do prédio a frente.

Majestoso, vocaliza e arqueia o pescoço.

Repete poucas vezes,

Depois voa...

Onde estou... Perdido no mar de ideias.

Então, vou preparar o café.

E tudo se conclui aqui.

20/02/26

Alma de poeta

 Um poeta se dispõe a pensar e o mais laborioso escrever.

Um poeta organiza suas ideias. Ele transforma o momento efêmero em beleza e substrato para o pensamento.

Poetas, acho que morrem de medo da morte. Descobriu que nas palavras pode se imortalizar.

Um poeta ver a beleza e a põe em palavras. Ele usa os sons para rimar. 

Tem poeta de todo jeito. Uns agricultores como patativa do assaré.

Os poetas eruditos não o entenderiam pois são se Capela.

Um poeta professor como Anacleto. Esse tem um pensamento cristão. Sua poesia é linda cristã e divertida.

Um poeta pintor como Vandembergue... só fez um livro, mas é maravilhoso. Sua poesia é visual?

Um poeta Lino Sapo que como o rio ao receber água nova ganha potência e vai levando o amor a frente.

Um poeta que canta como Ivanildo Vila Nova... Valdir Teles... 

Um poeta da serra um cancioneiro Eliseu Ventania foi o poeta que vi papai admirar.

Que ilusão definir os poetas...

Os primeiros que descobri e amei foi Bandeira e Drummond.

Sou pobre nesse quisito.

Aprecio o bonito e perceptível.

Tem um poeta maior Manuel de Barros...

Ah! Pantanal de juma minha primeira paixão...

As aves, as águas, os lagos e os rios. A imaginação dá um brilho a realidade...

Só desprendidos de nossos desejos podemos ver a realidade como se apresenta.

Ser poeta... uma vontade.

Mas ai...

23/12/25

Rio a fluir

 A noite de hoje caiu totalmente diferente de ontem.  Fresca, nublada e suave. O chão enxombrado, as folhas molhadas, o aroma de chuva...

E a sensação que sinto é de esperança e aconchego e paz.

Chuva chegando

 No ápice da seca, numa tarde de dezembro, depois do dia nascer nublado, uma neblina começou a se precipitar. O som dos primeiros pingos no telhado, o cheiro da água molhando a terra a sensação de frescor na pele.

A gente sente a intensidade da vida, a esperança, a plenitude e a felicidade da existência.

Vinícius feliz dentro dos cinco anos perdendo a ingenuidade do não saber ler.

Essas coisas plenas.

Sensação

 Céu nublado de nuvens de chuva.

O tempo está quente, mas o vento é fresco.

Sentei-me numa cadeira e ouço um caburé cantar longe.

Descalço saio da sala e vou à cozinha beber água.

O chão frio refresca o calor.

Encho um copo raso de água fresca. Enquanto bebo sinto o meu corpo refrigerar.

Olho lá fora na área onde está créo o louro e vejo um rixinó marrom, com listrinhas pretas está faltando em direção ao quarto.

Mudo a vista e vejo uma vasilha cheia de mangas amarelinhas

Então volto e sento na cadeira e isso é tudo.

29/07/19

Conhecer-se

O que acontece que às vezes a gente não sente vontade de levantar?
A gente levanta à força como se fosse pra forca.
Não queremos ver o dia nascer,
Não queremos que nada venha a acontecer,
Mesmo assim a gente levanta, porque é preciso levantar,
A gente faz esse sacrifício para nós mesmos.
Isso acontece especialmente às segundas-feiras.
Parece que nos falta motivação, café ou coisa parecida.
Mas tem ocasião que a gente só quer está nessa situação,
Quando estamos com uma doença séria.
E por isso, a gente precisa orar,
Precisa de fé,
Porque a razão e o saber não funcionam.
Infelizmente.

17/02/19

Sentido oculto

As manhãs de domingo com seus cafés,
As conversas entre adultos,
O céu essa eterna incógnita,
Os cantos e os quintais que não conseguia ocupar estando lá,
Os lugares vistos,
As pessoas que se revelavam e me permitiam conhecer o que queria que fosse conhecido,
As leituras lidas, palavras impalatáveis, frases, parágrafos,
O desejo de tudo saber, feito Fausto!
Esta construção inacabada que é ser,
E se perder sendo muito menos daquilo que se é.
Apelar para as memórias,
Essa vontade de saber,
Essa sinfonia inacabada,
Só sobram imagens desconexas numa memória,
E o eterno medo do fim.

15/10/17

O domingo em desespero

Meus pensamentos!

Certamente, entre os anos de 1980 e 1985 quando era criança, bem criança, pude conhecer pessoalmente meus tios, meus avós. Enquanto o mundo se apresentava como novo para mim, para meus avós o mundo já se apresentava em totalidade para eles. Infelizmente não poderei mais tê-los, talvez eles nem me compreenderiam.
Hoje entre 2014 e 2017 o mundo se revela a mim e é iniciante para meus sobrinhos.
Não tenho filhos, nem sei se os terei.
Me falta paciência para mim mesmo.
Busco nas memórias sentido para a vida...
Porque não vivo o presente?

As vezes é bom pensar e recontar nossa história.
Amanhã é segunda-feira um dia em que a realidade sempre bate a porta.

Tudo é volúvel e contínuo, mas não teremos as segundas-feiras para a eternidade,

Então tchau vou viver o domingo.

10/12/11

Senti

E quando a tarde caiu,
quando a noite quase
chegava.
A natureza em silêncio
me calou.
Olhei para o céu,
olhei para dentro de mim,
Me senti pequeno,
e olhei para a tarde,
e olhei para mim.
E a tarde partiu
e a noite chegou
silenciosa feito brisa.
E eu senti a noite
e eu senti a vida.

09/12/11

Sentir

A tarde toda é silêncio.
A rua está vazia e fria,
ainda molhada da chuva.
As aves gorjeiam.
Eu não sei, parece até que
morri.
Todo o meu ser é silêncio,
as vezes desilusão,
nenhum verso ou poesia.
Eu olho para o mundo
belo e colorido, sinto-me
escuro, taciturno,
macambuzio.

Forma de aprendizagem

 Ontem Sassá ficou muito triste porque não pode levar uma melancia para casa. Fez birra. Na hora, fomos enérgicos. Mas o fato é que sempre l...

Gogh

Gogh