Mostrando postagens com marcador Ser. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ser. Mostrar todas as postagens

01/09/26

Metafísica

 O silêncio,

Uma pausa para a reflexão,

Metafísica...

Coisas além da explicação,

Coisas além da percepção.

O infinito,

O bonito...

A natureza,

A história...

O que é a glória...

Nesse mundo de imanência,

Há também a transcendência...

Substantivos abstratos,

Sentimentos

E o feixe do conhecimento...

Coisas do racional,

Coisas da humanidade...

Afinal o que é a metafísica que tanto há em nós?

31/08/26

Momento certo

 Olhei o jardim,

Precisava de água,

Vi que haviam plantas novas ali.

Vi a terra,

Vi as plantas,

Vi as formas nas partes das plantas,

Vi o que podia enxergar,

Entendi o que podia entender.

Fiquei ali por um bom tempo...

Senti paz,

Senti aconchego,

Senti esperança,

Senti segurança.

Cuidei do meu jardim,

Mesmo sem flores,

As flores brotam no momento certo.

A beleza está no todo,

Não apenas nas partes.

29/08/26

Algum dia em minha infância

 Eu amanhecia,

Queria ver o novo dia,

O chão molhado da chuva,

O cheiro da terra encharcada,

O canto da passarada.

Ali tudo mudava num instante,

Parecia um grande milagre,

Tanajuras a voar,

Formigas ativas.

O tempo ficava fresco.

O mundo sorria,

A esperança ganhava força em meu peito

Eu pensava, 

Não eu sentia 

Agora tudo vai melhorar.

Quando a coisa chega ao extremo 

Qualquer coisa dá uma sensação de alívio.

A chuva fazia isso,

Castigava a seca,

Botava moral,

Era só uma chuva,

Mas a gente sentia a mudança.

Aliás, lá em casa tinha uma bica de frande que unia as duas casas,

Quando ouvia o primeiro, o segundo e o terceiro pingos de chuva,

Logo sentia o cheiro da chuva,

A terra sedenta,

Agradecia aromatizando o mundo...

Na cama, acordado, 

Sentia que todos 

Percebiam o mesmo que eu...

Ouvia mamãe dizendo sei lá o que para meu pai,

Meu coração sentia que estava tudo bem.

Porque o mundo é assim, bom.

Tem horas pra tudo...

Foi tão bom viver a vida na casa dos meus pais,

Dividir a vida com meus irmãos...

A gente aprende tanto da vida.

A gente divide as coisas boas e ruins...

A gente brinca, briga e faz as pazes porque a gente sabe que é uma família.

E o rei era papai e a rainha mamãe...

Naquele reino criei a minha imaginação...

E quando a chuva chovia de noite...

O outro dia seria perfeito.

Gurdo essa sensação comigo até hoje.

Espiral

 À tarde sumiu,

A luz se dissolveu na eternidade deste dia.

Foram doze horas de luz,

Doze horas de vigília...

Doze horas de vida...

Doze horas vividas,

Que agora se acabaram...

Se desfizeram.

Agora a noite

Esfria tudo,

A noite oculta tudo.

O espaço está ai,

O tempo está ai...

A vida imersa na causalidade,

Desde o nascimento até a morte...

Algo no meu corpo se faz,

Um eu...

Memórias.

28/08/26

Memórias evocadas

 A garrincha canta sem parar.

Tão singela,

Tão bela,

Canta rixinó...

Canta...

Canta e me traz doces memórias,

Daquele tempo passado,

Na soleira da casa velha,

Quando chegava o inverno,

Vinhas ali construir seu ninho.

Era considerada sagrada,

Papai e mamãe

Diziam que era bom presságio,

Deveras eras...

Ensinou-me a observar e amar a vida...

Seu comportamento,

Sua parceria no casamento,

O trabalho de alimentar 

E de criar a filharada nova...

A vida tem muito a ensinar...

Basta observar...

Basta ouvir,

Basta viver.

27/08/26

Hábitos despercebidos

 Um copo de água,

Transparente, 

Potável e fria

Para minha sede.

Posso!

Pode...

Água para meu corpo,

Água para minha alma.

Há alguns é negado esse direito.

Por doença,

Por ausência.

Água que compõe o meu corpo.

Mamãe, no fim da vida não podia tomar água...

O tempo me fez esquecer isso.

Pobre mamãe!

Lutou bravamente,

Viveu até onde deu.

Á água é essencial para a alma.

Beba!

Beba!

Beba!.

26/08/26

Patativa

 Sol frouxo,

Céu nublado,

Calor se aproximando,

Canta na mata a patativa,

Achou planta florida,

Achou fruto docinho,

O canta para encantar a mata.

Aqui, neste recinto,

Ouço!

Enquanto ouço,

Viajo no tempo...

Patativa,

Patativa,

Patativa.

Agrado

 Todas as manhãs quando aqui chego, agradeço.

Sou grato a tudo nesta vida.

Agrada-me os fragmentos de mata,

Agrada-me o canto das aves,

Agrada-me o vento nas árvores,

Agrada-me o silêncio da mata,

Agrada-me encontrar as pessoas e dar bom dia...

Agrada-me contemplar a sucupira da curva,

Agrada-me andar devagar olhando as plantas,

Agrada-me ver o capricho das pessoas com o lugar...

Muitas coisas desagradam-me,

Mas não quero desagradar-me com isso.

25/08/26

Silêncio

 O silêncio,

Enquanto estou pensando aqui e agora.

O vento sopra lá fora,

O céu azul, limpo e claro.

Quero o silêncio.

Silêncio do tempo.

Por um momento,

Um breve momento plasmo o tempo.

Sou o que sou.

Atemporal, eterno...

Basta um ruído e ganho a consciência

E tudo se desfaz

Como uma gota no espelho de um lago noturno...

O que sou eu?

Matéria, causalidade,

Uma perturbação,

Convergência de espaço e tempo?

Um fazer efeito?

Não sei quem sou ou o que sou?

Não sabemos... Existimos,

Elucubramos,

Temos uma leve sensação de sabermos que somos,

Neste vácuo de silêncio...

A escrita, o interesse une os tempos e as pessoas.

Pessoa, Borges...

A coragem,

O amor,

O medo...

A humanidade...

Leis as mesmas atuando no macro e sobre o micro.

Que é tudo isso?

O caminho?

A consciência?

O buda?

Javé?

Jesus Cristo?

Silêncio...

Silêncio...

24/08/26

Quatro décadas

 Em 1986 entrei para a escola, tinha seis anos. Em 1996, aos 16 anos, estava no segundo ano do ensino médio. Em 2006 estava no mestrado em ciências biológicas. Em 2016 era professor de Botânica na universidade federal da Paraíba. Em 2026, sou professor. E aí  se foram 40 anos de minha vida. Quanta coisa vívida.

Alfabeto

 Giz, quadro negro, carteira e cadeira, caderno de espiral, um lápis e uma borracha.

A, é, i, o, u.

Vogais e

A, b, c...

Fui a escola aprender,

Ler e escrever 

E o mundo 

Descobrir 

E o mundo 

Inventar.

Consciência

 Meu primeiro mundo era vasto e surpreendente,

Mamãe e papai,

Meus manos e vizinhos,

Nosso sítio,

Nossas galinhas,

Nossa vaquinha,

Nosso cão e nosso gato,

Nosso sítio.

Tanta coisa pra explorar as formigas e formigueiros,

As vésperas e seus ninhos,

Os besouros,

Os sapos e girinos,

As plantas, suas flores e frutos...

Tudo para descobrir,

Tudo para nomear.

Minha mãe foi minha primeira educadora,

Meu pai foi o meu herói., 

Quando aprendi essas coisas,

tinha a seca com caju e manga 

E inverno com milho e feijão....

Assim floresceu minha consciência...

18/08/26

Luz da alma

 Na minha casa descobri o mundo,

Papai e mamãe e meus irmãos 

Auxiliaram-me nesta empreitada,

Cuidaram de mim.

Na nossa casa simples não tinha riquezas,

Mas não faltava amor, carinho e amizade.

Minha mãe tão natural.

Meu pai tão sentimental.

Na minha casa havia um quarto de São Francisco de Assis 

Comprado no Canindé 

E eu mirava com misticismo, medo e admiração,

A moldura barroca.

Tinha um quadro de papai, begue e mamãe.

Por que eu não estava lá?

Já me questionava?

Eu me balançava na rede olhando através da janela,

Sentindo a emoção do ir e vir 

Subir e descer,

Eu olhava para o infinito do céu...

Aquela vastidão me amedrontava e me encantava.

O meu mundo era minha família,

A poesia era bruta e não soava ainda...

Eu vivia,

Contemplando minha existência,

Vivendo minhas primeiras experiências...

O mundo se revelava infinito....

A finitude estava em mim 

E parece que eu sentia isso,

E descobri a finitude me deixava triste...

Era natural que se descobrisse,

A razão apontava,

A emoção indicava...

Mas algo em mim 

Queria a eternidade...

Todo ser quer se conservar eternamente.

A minha casa é a mesma.

Os cômodos, as paredes são o mesmo...

O tempo muda todo dia e nos seus cômodos,

Cada dia tem uma história 

Que guardamos em nossas memórias.

A casa e meus pais foram o feixe que me formaram e me firmaram

Quem me fizeram quem sou...

Sou como os meus pais em carne, osso e alma,

Mas com direito a liberdade e a individualidade....

Sou o fui,

Sou o que sou,

No começo tinha meus pais,

Agora tenho a casa,

E as experiências,

E os ensinamentos...

Tenho o que sou.

Sou o que aprendi 

E nada mais.

17/08/26

Mudança

 O tempo muda,

O ano muda,

Após as chuvas,

Chega a estiagem,

A mata se desmata,

Folhas perdem as cores,

Se desprendem 

E se deitam no chão.


Sol intenso,

Purifica a vida,

Água seca,

Poeira e pico aparece,

A gente muda por dentro.


A gente é daqui,

Sabe que é assim,

A gente muda.


A gente passa olhar mais no infinito,

O céu mais azul,

As tardes mais iluminadas,

Noites estreladas;


A gente muda nossos ritmos,

Já não canta o sabiá,

A gente mira mais o poente,

A gente sente a vida,

Sente o corpo;


Quando o tempo muda,

Muda a mata,

E a gente muda.

A mudança é devir...

A mudança é acontecimento,

As vezes brusco, como a morte,

As vezes lento como viver...


Tudo muda

14/08/26

Descoberta do irracional, conhecimento

 A tanto tempo,

Tão distante do agora,

Numa estação de preservação,

Eu ouvia o canto do carão,

Ouvia aquele belo canto,

Que vinha de uma fazenda vizinha,

E não sabia que ave era aquela,

Percebia, ouvia, mas não distinguia,

Mais de vinte anos depois,

Que era o canto do carão...

As coisas as vezes se demoram a serem conhecidas.

Hegel

 Aqui e agora,

Onde?

Aonde?

Espaço e tempo,

O ser em sucessão,

O ser em posição,

Aqui e agora,

Não defini nada,

Não defini ninguém,

Racionalmente,

Aqui e agora...

13/08/26

Antinomias

 A existência precede a essência.

O ser ai e o ser assim,

O deveio e o devir...

Claro e escuro,

Luz e sombra,

Noite e dia...

Concreto e abstrato,

Sujeito e objeto...


Ser

 Ser

O que se sente,

O que se pensa.

Ser...

Algo que se constrói

na  individualidade,

Na atividade,

Na passividade,

Nas escolhas,

No devir.

A existência precedendo a essência.

Ser uma essência...

Um espirito...

O indefinido.

A gente não define,

A gente sente...

A gente sente...


Essa centelha que é a vida,

As sensações que mexem com a gente...

O início que desconhecemos,

O fim que desconhecemos,

O tempo gotejando...

12/08/26

A outra estação

 Céu azul da tarde,

Um plano infinito.

Atento vejo urubus a planar,

Voa deslisando sobre o vento...


A mata assanhada do vento,

Refresca com sua sombra,

A tarde que o sol faz arder...

Folhas em diferentes tons,

Vermelhas, amarelas e marrons,

O verde se dissolve aos poucos,

O vinho tinge as novas folhas,

Folhas jovens...

Formigas ativas...

Após almoçar,

A gente não sabe nem pensar,

Então contempla,

Contemple,

A mudança da estação.

.

Pensamentos

 A mente é uma caieira,

Os pensamentos são a lenha,

Pensar é o arder do fogo.

Os tijolos de uma caieiras são usados para erguer muros, paredes, caixa de água...

Os mesmos tijolos de  uma caieira são usados para fazer foça.

Tem que saber qual uso se fará dos pensamentos....

Nos passos da peosia

 Na poesia a realidade é moldada, Na poesia uma mente é concentrada, Na poesia uma chave é encontrada, Na poesia uma fechadura é aberta pela...

Gogh

Gogh