Mostrando postagens com marcador Ser. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ser. Mostrar todas as postagens

01/06/26

Gota ou pingo

 Em meu coração vou cultivar o amor,

Vou cultivar a presença,

Vou cultivar a plena atenção,

Vou cultivar o trabalho,

Em meu coração vou cultivar honestidade,

Vou cultivar bons hábitos,

Vou cultivar a fê.


Em meu coração 

Vou cultivar a esperança,

Vou cultivar os sonhos,

E cuidar de quem sou.


Os sonhos me trouxeram até aqui,

O que me foi dado,

Pode ser tirado...

Na maior parte do tempo desconheço o que me foi dado

Do que me foi fruto da vontade.


Vou refletir com atenção e seguir o caminho do meio...


Eis a minha percepção.

Mais nada.

Biblia

 Após cinco meses fecho mais uma leitura do livro dos salmos.

Quanta sabedoria expressa em 150 capítulos.

Sendo o salmo 119  o longo deles com 176 estrofes e o salmo 117 o mais curto com 2 estrofes.

Salmos maravilhosos como o 7, 23, 30, 31, 54, 91, 121... Ficou muitos conselhos e  sabedoria.

Hoje concluo a leitura de provérbios com 31 capítulos, sendo um capítulo por dia. Nem palavras tenho para expressar tamanha sabedoria.

Fechadas estas leituras volto a reler e continuo. A aprender.

Seu Edson da Silva, um amigo meu, ler todos os dias a bíblia. Nunca encontrei tanta serenidade e amizade.

Uma das práticas realizadas pelos protestantes evangélicos é decorar um versículo por dia.

Ouvi um grande leitor me dizer isso.

Numa exposição, na estação cabo branco conheci a seu Francisco José,  filho de Ana e José Ferreira. Francisco me contou da devoção de seu pai ao livro sagrado. Contou que seu pai havia lido a bíblia por 15 vezes. Fiquei impressionado.

Continuo buscando neste labirinto divino sabedoria e paz para viver os dias de minha vida em aliança com o senhor.

Saudade 1001

 Só tem saudades quem viveu intensamente, 

Só tem saudades quem viveu amavelmente,

A saudade é uma resposta a vida 

É uma expressão de amor,

É uma felicidade aquele que tem saudade...

A saudade é tão intensa é um mistério do criador,

Saudades de quem muito nos amou,

Saudades de quem nos deu a vida, nos manteve a vida,

E nos ensinou o que é o amor...

Com o peito apertado, 

Busco palavras bonitas,

Que alivie essa dor,

Não encontro palavras dignas de tamanha expressão...

Amor, amor, amor...

A vida é um dia lindo,

Dia lindo que passa e que passou,

E neste dia, nestes anos...

Pode ter faltado algo,

Mas nunca faltou o essencial,

O amor, o amor, o amor...

Essa saudade tão boa,

Não é uma saudade atoa...

Muitas vezes expressei em palavras 

“Eu te amo”, “Eu te amo”, “Eu te amo”

Expressei em gestos, em carinho...

Tudo isso em mim ficou...

Aprendi a amar vendo vocês amarem e de seus pais cuidarem...

Como doí o meu peito...

Sei eu agora,

Sei eu nesta hora,

Que abracei essa tarefa da paternidade...

Ah! Saudade se vai, se vai e se vai...

Saudade esse sentimento,

Pode ser lida de diversas formas,

Na forma de sofrimento,

Na forma de agradecimento,

Saudade é a semente que nos permite jamais 

Deixar quem tanto nos amou no esquecimento.

É a semente que germina a cada momento,

E a gente fala e rir. E diz mamãe dizia isso... Papai dizia aquilo.

E quando menos espera somos nossos pais.

E a saudade atravessa o tempo e o espaço e é parte da essência humana.

Nada mais.

29/05/26

Fluxo

 A mata cinza e fechada,

Agora está tão calada.

Então, desfaz-se o silêncio.

É o vento soprando baixinho.


Paro de observar,

E começo a escutar

O silêncio aqui dentro,

A lua florescente,

A ordem desordenada.

Som de piano...


Som de piano, penso,

É perfeito a essa hora...

Foi feito para o silêncio...

Parece fumaça de incenso,

Buscando veios no ar,

Como água que cai da chuva

Intensa, busca uma direção,

Um pondo mais baixo,

Em desordem segue um fluxo...


Ah... piano.


E o violino!


O que é tudo isso que hipnotiza minha alma?

O belo, o ordenado,

Som sem luz,

No fundo da alma.

Até o fim.


28/05/26

Moinho de tempo

 O tempo redemoinho,

E nós no seu caminho,

Gira e gira e gira,

A energia vinda do vento,

Como a lua no céu e suas faces,

Quatro quadrantes equidistantes,

Gira e gira e gira.

O tempo redemoinho,

Vai nos moendo,

A matéria consumindo,

A matéria envelhecendo.

Gira e gira e gira.

O tempo imediato tempo,

O tempo intuitivo tempo.

Ora rápido e ora lento

Gira e gira e gira.

Se parar tudo acabou.

25/05/26

Retrato vivo

 O brilho dourado do sol desponta na parede.

Faz do cinza o dourado,

A luz tornas folhas verde clado.

A mata estática não se ver uma folha mover.

Rutilantes estão os pingos de chuva preso as folhas.

Na mata o sabiá afugenta algum bicho.

Canta a garrinchinha.

O que se passa no mundo. Sabe lá.

Aqui reina a paz.

19/05/26

Ecos na concha do tempo

 Serrinha minha terrinha,

De onde de hoje e sempre.

Ontem podia ouvir,

O eco das bombas e foguetões,

Ecoando nos grotões,

No pé da chapada,

Sons avisando viva...

Viva ao santo do dia.

Eram meus parentes,

Felizes e contentes,

Com uma promessa atendida,

Coisas lindas da vida.


Eu menino ouvia na mata

Esse ribumbar e ficava maravilhado,

O que era aquilo...

Era a fé sendo externada.


Naquele universo tentava entender o mundo,

Tentava saber quem sou...

Eu tinha tudo,

Eu tinha quem me amava,

Tinha quem cuidava de mim...


Ontem...


Hoje, já não ouço mais bombas,

Nem ecos...

O mundo perdeu a magia de infante.

Os mistérios a ciência revelou,

A vida revelou o resto.

Restou apenas a fé.

E é o suficiente.

11/05/26

Notas do ego

 Memórias que marcaram uma parte de minha vida. A estranha descoberta que a vida tem um fim. E o fim da vida é a morte. No velório de um primo Edson deu uma definição de morte como o limite da vida. Pois, foi em Serrinha que vi os primeiros corpos sem vida. 

A gente quando descobre uma coisa que não aceitamos ficamos com um dissabor estomacal. Indo a Serrinha para meus primeiros dias de escola, no alvorecer da liberdade descobri a morte. Hoje conheci uma definição menos dolorida... A morte é vida vivida.

Mas a difusora da igreja de nossa senhora da Salete quando tocava essa composição era o anúncio de morte. Uma música que é capaz de em si nos arrancar emoção... Associei a morte. E nunca posso ouvir essa música sem transpor o espaço e o tempo... Pelo menos é a emoção que sinto quando acesso essas memórias. 

Será se alguém compartilha a mesma sensação que eu?

09/05/26

Memória

A manhã amanheceu nublada,
O sol lentamente aparece e desaparece,
Feito dia que nasce depois da noite chuvosa.
Uma casal de tetéu, passa voando e cantando.
E mais uma vez volto a infância,
E mais uma vez volto a casa paterna.
A terra nua e molhada,
O campo aberto,
Os gritos do tetéu.

Uma imagem,
Um som,
Um cheiro,
Um gosto...
Impressões, sensações.

Despertam uma memória,
Despertam pensamentos,
Despertam sentimentos.

É a emoção se inervando na razão...
É a consciência filtrando e valorando
E dando uma identidade que a assimos.

Aves, espaço, tempo, ser...

07/05/26

Minhas memórias

 Tenho memórias guardadas e mim

Que nem mesmo imagino que tenho.

Memórias vividas, vividas.

Memórias de lugares, de acontecimentos, 

Memórias que jamais serão despertas.

Algumas coisas são impares na vida.

E o cérebro as guarda no formato de memórias.

Tenho memórias vivas em mim.

Que os lugares,

Que os acontecimentos,

Que as situações me deram...

Estão adormecidas...

Qualquer dia as desperto.

Enquanto estou desperto.

Guardo esta memória de memória.

06/05/26

Emboás e a mente

 Emboás são cheio de pernas,

Emboás tem exoesqueleto,

Emboás são lineares.

Emboás são segmentados,

Às vezes bicolores,

Às vezes unicolores.

Emboás tem duas antenas.

Quando enredados,

Os Emboás se envolvem em espiral.

Quando está seca a paisagem,

Emboás se escondem.

Acho que as vezes sou um emboá...

Ou minha mente me tornou um emboá.

Talvez...

Lua, luz e som

Na madrugada a lua desperta,
Alumiava o mundo...
Percebi no chão escuro
Uma área pálida e iluminada...
Era o brilho da lua.
Não resisti e fui ver a lua
No cimo do céu vagava...

Uma soma de memória despertou...
Papai, mamãe, meus irmãos e a noite.

Senti-me feliz.
Uma felicidade pálida como a lua na madrugada.

À noite, parece ser mais eterna que o dia.
O silêncio da natureza,
O brilho das estrelas em suas galáxias
Que os bichos não a nomeiam.

Longe ouvi um cão latindo.
O que o perturba?

Um mundo para além do meu.
Muitos mundos num só mundo.

A lua sabe disso.
Plenilúnea tudo clareia.

Eu... descubro o além de mim.

Num cão que não sei quem é,
Só sei que é cão.

E a lua que é lua.

E eu que sou um todo em expansão.


04/05/26

Notas do eu

 Vou construindo meu mundo.

Somo a subjetividade com a objetividade.

Meu entorno percebido,

Meu entorno absorvido.

Eu me derramo,

Objetivo minhas vontades...

O concreto é a face primeira do ser, da existência.

Essas coisas.

26/04/26

Além das memórias

 Amanheceu,

Uma influenza me influencia.

O corre reage,

O corpo responde.

A luz é quente,

O vento é frio.

Uma sensação toma conta de mim.

Uma janela fica aberta...

Deixando entrar algo que me faz matutante, 

Sobre coisas tristes...

Mostrando a outra face de viver 

Além das memórias.

A realidade mostra que a chuva traz

Muita vida,

E os vírus vem junto...

E a vida se mostra real cada dia...

É preciso ser forte e lutar.

14/04/26

Águas no sertão

 Depois que caia a chuva,

A coisa melhorava,

A terra bem molhada,

Despertava as sementes,


A mata logo acordava,

A passada cantava,

Era grande a alegria,

Tanajura aparecia,


Cururu do sono despertava,

Nos tanque fazia logo cantava...

A roupa suada ia ser lavada,

No tanque da imburana.


Ali morava o cardeiro,

Ali morava o xique-xique,

Ali minha alma era plena.


Já em maio havia a novena,

Feijão verde, maxixe e muito leite.

O tanque agora perfumado,

De flores de mucunã,

De flores de cerrador,

A mãe lavava com amor,

A roupa do trabalho suada,

Era bom de ver,

Girino com cauda e perna,

A água escorrendo no riacho,


Ah, meu Deus...

Quanta alegria,

O doce da cajarana,

Do milho assado no carvão,

Da alva pinha madura no pé,

Da amarela e velho doce goiaba...


A gente vivia plenamente,

Feliz muito mais que contente,

Por isso foram guardadas na memória...

Cantar a invernada...

Roxa, rosa, amarela flor...

Minha vida guarda amor,

Da terra, da água e do sol...

Porque o amor é a eterna inocência,

É não saber o que se ama.


Adeus tudo isso.

Foi maravilhoso enquanto durou.



13/04/26

Onde começa o eu

 A gente sempre volta ao pote, 

porque tem sede.

A gente sempre volta à mesa,

Porque tem fome.

A gente sempre volta à igreja,

Porque crê no eterno.

A gente mesmo que demore volta a pensamentos,

Porque não sabe como deles fugir.

A gente sempre deseja o que quer,

Por achou bom,

A gente sempre quer fugir da dor,

Porque achou ruim.

Ah! Um riso, um olhar nos encanta,

Um riso e um olhar nos espanta.

Porque achou belo?

Porque achou feio?

Porque foi sincero?

Porque nos assustou...

Onde tudo começou?

07/04/26

Notas da existência

 A areia seca,

O solo molhado,

Sobre o solo a gitirana 

Cresce se esparramando.

Tão belo seu movimento,

De crescimento,

De vida efêmera.


A Pinheira verdinha.

Senhora Pinheira,

Amiga conhecida

De tantas safras,

Tantas visitas,

Sanhaçus,

Vem-vems...


O fruto verde gerado,

Crescente e maduro.

Do duro ao mole,

Só verde ao branco.


Dia e noite,

Verão e inverno.


Chuva e água.


Ser.


Ali ao lado,

Tantas vezes me sentei.


Tantas vezes me senti.


Sou uma Pinheira.

Que resiste se sequidão.

Que sofre calada,

As ervas daninhas nos meus galhos.


Sofre calada o calor, mas repleta de esperança 

Pelo tempo de bonança que sempre vem.


Para a terra.

O lugar.

A existência...


Sentado ali.

Foi confidente a Pinheira,

Minha de papai e de mamãe.


Quando eles participaram ela estava triste e desgalhada e assim me senti.


Ontem estava plena.


Eu também.

Mas havia um certo vazio no meu peito...

Que nunca vai passar...

É a autoconsciência.


Queria ser uma gitirana espalhando-se pelo chão.


Mas o tempo, a memória me fizeram Pinheira.

Notas do eu dois

 Agora fim de páscoa.

Sou o que fui.

Sou o que sou.

Deveio e devir.


Minhas ilusões.

Minhas desilusões.


Estou onde mais estive neste época.


Estou sem quem mais estive.


Ainda sim na balança da existência,

Vivi mas com eles...

É a vez do meu filho.


O tempo escorre.


Sempre escorreu em espiral...


O cheiro do mato,

A brisa fria da tarde.


Algo anormal.


Cadê mamãe.

Cadê papai.


Onde foram?

Onde estão.


Seguirei pela eternidade sem resposta...


Me apoiando em algo que me encanta.


...

Notas do eu

 Sinto minha alma viva.

Sinto intensa presença da eternidade.

Sinto que sou este lugar.

Este lugar sou eu.

O cumaru cultivado por papai,

As Pinheiras, as palmas.

A erva com sua rama

Que pinta tudo de verde e formas,

Formas cordadas,

Formas radiadas,

Formas ternadas.


Ouço fora e em mim o som da passarada...

A Garrincha no oitão,

O sanhaçu nas pinheiras, 

O vem-vem no encheique,

O sabiá na aroeira,

O encanto de ouro no catolé.

O pacum voando,

A rolinha no terreiro comendo.


O cheiro alvo da flor do araçá, do mororó,

Do jasmim.


Esse lugar sou eu,

Minha alma é esse lugar.

27/03/26

Mani

 Mani.

Maniçoba

Mandioca.

Encontrei variações na lingua tupi "mani ou mandi"

Os povos indígenas chamavam amendoim de mani. Certa vez, perto de casa estava fotografando um amendoim silvestre e aprendi de papai que aquela planta era mandubim...

Nós temos a palavra maniçoba - soba no tupi tem conotação para folha... folha de mani.

Temos ainda mandioca - tupi também, canta uma lenda sobre a origem da macaxeira.

Pois bem - oca para mim tem uma conotação de vazio, ou oco... Temos a palavra "oca" nome para casa indígena. Oco vazio. Ex.: tronco oco. ou tronco com sem cerne...

Já mani ou mandi - parece que pode ter uma conotação para algo que se usa na alimentação mas que está enterrado, vi num artigo "aquilo que se arranca.


Noite enluarada

 Antes podia desfrutar às noites de lua cheia em família. Papai, mamãe e meus cinco irmãos. Eu olhava para o céu com um olhar ingênuo. Era t...

Gogh

Gogh