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29/05/26

Angustia

 O tempo e o espaço

Campo das sensações,

Percepções e entendimento.

A música me faz sentir

O lugar no espaço,

As coisas mudarem no tempo.

Tudo acontece e não percebo,

Percebo partes,

A coisa toda é maior que aquilo que consigo apreender.

Isso angustia não?

27/05/26

Maio frio

 Abril foi frio,

E maio seguiu frio,

As nuvens frouxas,

Chove e para,

Para e chove,

Faz  sol,

Fica nublado.

Essa variação no clima me deixa aborrecido,

Frio e calor...

Mas é bonito de se ver,

A lua de maio crescente,

Lua alva entre nuvens alvas.

É muito bom ouvir música de violino,

Nesse tempo.

Bom para tomar um chocolate,

Para ficar na cama,

Para pensar na vida,

Cuidar da casa...

Viver.

Maio, mãe...

Este mês ficou tão frio quando mamãe se encantou.

Resta pensar,

Sem sua voz para ouvir,

Seus conselhos...

Sentia sua presença eterna...

25/05/26

Primeiro dia na feira

 

Na sexta-feira do dia 10 de maio de 2002 com 23 anos, em Natal, cursava Ciências Biológicas, encarava ciências de química orgânica, físico-química, anatomia comparada. Após almoçar, ia pra biblioteca da UFRN onde pegava um livro e relaxava nas baias de estudo dali.

No mesmo dia em Sapê, seu Zizo com 54 anos, estava muito ansioso, pois começaria uma jornada que iria preencher sua vida por longos e maravilhosos anos. Acordou quase sem dormir.  Sua mercadoria preparada da maneira que sabia. Acordou, pegou o ônibus para começar a vida de feirante.  Os seus produtos eram todos cultivados em sua gleba, onde morava. Levava para vender flores, vagens, plantas, ovos, milho... Seu Zizo trazia e ainda traz além de tudo muito afeto... Um aperto de mão ou um abraço, uma prosa boa e como ele gosta de professar a Amizade.

Na beira da mata montou sua barraca do Campus I, perto da biblioteca. Fez clientes, fez amigos, fez fãs...

Deu início a feira de orgânicos na UFPB. A partir de então nunca mais parou de trabalhar ali na instituição, todas sextas feiras. Foi ali que nos conhecemos. De seu Zizo compro flores-de-benedita e crista de galo. Além destas mercadorias, levo sempre comigo suas histórias, sua amizade, sua sabedoria e seus conselhos. E assim surgiu uma grande amizade espontânea e casual como são os puros sentimentos.

10/05/26

Notas da semente do amor

 A vida é uma dádiva.

Felizes os que vivem e conhecem a sabedoria,

Felizes aqueles que sente todas as fazes da vida,

Felizes os que chegam a ter cabelos brancos, abraçarem seus netos.

Estou rompendo a idade adulta.

E com Deus tudo fica mais suave. Os anos vêem me ensinando essas sabedorias.

Quando era menino! Ah, nesta época Deus me deu um lar, pais e irmãos.

Eu sabia que era amado pelos afagos de minha mãe, pelo carinho de meu pai, pelas amizades de meus irmãos.

O mundo refletia em mim bomdade...

Eu sentia felicidade com as coisas mais simples,

Corrida descalço na areia fria,

O cheiro da flor do caju indicando fartura,

O encontro com as frutas maduras no pé,

As goiabeiras, as pinheiras, as cirigueleiras, os coqueiros...

Papai a prover a casa com seu trabalho,

Mamãe na árdua tarefa de educar, de cuidar de cinco filhos...

Além de cuidar e se preocupar com meus avós Zé e Sinhá.

As galinhas no terreiro pondo ovos para mamãe vender e fazer uma arrumação,

Um chinelo, uma roupa para cada um...

O dinheiro era pouco, mas as necessidades também...

O importante é que nunca ficamos um dia sem ter o comer,

A comida era pouca, mas a natureza ajudava...

Aos poucos  vida vai se revelando dura... mas meus pais amenizavam com seu cuidado e amor...

A seca de 1993, me revelou a natureza da natureza de nosso lugar...

Bichos morrendo, água reduzida...

Bem antes, em 1986 as coisas ficaram tão difíceis que as pessoas não podiam comprar café...

E a criatividade imperou, café de milho, café de canavalia...

Mas papai não deixava faltar o café que eu gostava...

Papai não tinha medo de trabalhar, tinha confiança comprava em Chico de Pocídio.

Vendia as castanhas a Ítalo de Sales.

Entendíamos tudo, pois ouvíamos papai com mamãe conversar.

Nossa casa baixa de paredes vazadas...

A noite na cama eles conversavam parece que queriam nos ensinar e a gente escutava e entendia.

E veio as escolas, os colegas e as relações sociais... Aos poucos fui perdendo a ingenuidade,

Aos poucos fui perdendo a felicidade...

As chuvas de inverno...

Os verões secos e falta de água,

As plantas e os bichos ficando escasso...

A descoberta da morte...

A perda da ingenuidade me deram medo de viver.

Mas viver é preciso...

O velório de vovó Chico... 

Marcou muito em minha vida...

Papai chegou em casa num taxi chevete amarelo chegou em nossa casa numa tarde de chuva.

Ver papai chorando derreteu meu coração... Tive medo da morte. Fui ao seputamento...

Não vi nada. Lembro do cortejo, o carro de conduzir o corpo... o caixão azul de pano.

A dor cravada em meu coração...

Naquele cortejo vi pela primeira vez o açude de Serrinha grande, Vi uma canoa...

Tive profundo medo daquela que separa a vida.

São fazes da vida...

Depois veio a escola... Dona Livani...

Minha segunda professora Dona Lenita,

Minha terceira professora dona Ceição.

Serrinha do Canto,

Serrinha Grande...

O medo de professora Rivete que me ensinou ciências.

O carinho pelo professor Ledimar,

As histórias maravilhosas do professor Chaguinha...

A ciência enervada na educação foi dando cálcio ao meu entendimento...

As enfermidades de minha mãe pobre sempre com dores...

O coração mole de Rosângela minha irmã amada.

A partida de meu irmão que nunca mais voltou a morar conosco.

A falta de apetite de Lidiana.

O retorno pra casa de Meirinha...

Roberto chegando em nossa casa.

A família de Eliene que saio do lado de nossa casa.

Sua mãe dona Eunice tão humana e generosa... a primeira vez que tomei danone foi ela quem trouxe de Natal.

As idas com mamãe onde ela ia. 

Estávamos sempre juntos com um caldeirão de ovos indo para Martins.

Indo ao Sampaio, indo ao Sítio de Fora, indo a Alexandria...

A triste partida para a capital uma felicidade imensa e uma infelicidade...

Doeu saber que papai e mamãe choraram muito.

E tudo isso se passou em nossa casa geminada.

A casa e a casa velha...

E tudo aconteceu em Serrinha do Canto...

Ali foi o palco de minha infância.

Ali tive o primeiro alicerce para vida que levo no peito até hoje.

A fé católica, o novo testamento...

O esforço e suas recompensas

E a principal coisa o amor a família

O amor a vida que renasceu de forma abrasadora com o nascimento de meu filho.

Amém.


09/05/26

Memória

A manhã amanheceu nublada,
O sol lentamente aparece e desaparece,
Feito dia que nasce depois da noite chuvosa.
Uma casal de tetéu, passa voando e cantando.
E mais uma vez volto a infância,
E mais uma vez volto a casa paterna.
A terra nua e molhada,
O campo aberto,
Os gritos do tetéu.

Uma imagem,
Um som,
Um cheiro,
Um gosto...
Impressões, sensações.

Despertam uma memória,
Despertam pensamentos,
Despertam sentimentos.

É a emoção se inervando na razão...
É a consciência filtrando e valorando
E dando uma identidade que a assimos.

Aves, espaço, tempo, ser...

27/04/26

Saudade de papai

 Vi a roça de milho,

Estava todo pendoado,

Bonecas de cabelo rosado,

O cheiro da florada,

O som do milho,

Som do vento cantando na folha...

As raízes adventícias.

Senti a presença de meu pai...

E a saudade preencheu o meu peito.

A gente junto na roça...

Foram tantas vezes maravilhosas...

Só felicidade!

Inverno, pasto, leite, milho, pamonha...

Só coisa boa.

Milharal

 Andei no roçado,

O milho pendoado,

O cheiro da floração,

O milho viçoso...

Meu coração

Ficou bem apertado,

Saudade de meu agricultor,

Que de botas brancas

Me mostrava com orgulho,

O produto de seu trabalho...

Explicava cada momento,

Que trabalhava em silêncio...

Nosso encontro no roçado,

Era algo sagrado...

Quanto amor...

Entre nós...

E os milharais.

Meu pai,

Me ensinou a cultivar a vida.

Como sinto sua partida.

E o milharal, e a mata

E o inverno,

E nossa terra...

Nosso eterno laço.

Amaria te dar um abraço...

Mas, ai...

São só saudades.


22/04/26

A poeta do Sítio Bravo

Era um fim de manhã do dia 21 de abril de 2026 quando fomos a casa da poetisa Ritinha de Macedo. O lugar era no sítio Bravo, distrito de Boa Vista na Paraíba. Chegamos a casa amarela com área na frente e para o nascente. Paramos o carro sob um enorme algaroba. Saímos em direção a casa quando dois lindos cachorros vieram nos receber aos latidos. Era uma cachorra com listras de tigre pretas e pelo vermelho e um cachorro malhado de laranja com alvo. A poetisa se preparava arrumando as cadeiras. No nascente entre o curral e uma roça de palma crescia uma Bougainville, mais atrás uma enorme baraúna embelezava a paisagem. Levava o livro na mão um exemplar de seu livro. Logo atrás vinha minha esposa Dayane e Vinícius meu filho. Fomos muito bem recebidos. Meu filho foi brincar com sua neta Ana Alice e nós fomos palestrar. Saber como surgiu a construção do livro, da biografia e das maravilhosas histórias. Todas passadas ali entre Boa Vista e Cabaceiras.

A infância com os nove irmãos e o pai. As brincadeiras de disputa de queda. A alfabetização, o tornar-se professora. O amor pelo ensino. O trabalho. O namoro e o casamento. A lida de casa, do trabalho e dos filhos. As secas e os invernos. O brilho de plenitude e felicidade estava estampada no seu rosto. Com pouco chega seu Armando, e Clarice sua filha e a conversa ganha fôlego e logo termina pelo avançar do tempo. A hora do almoço chegou e nem vimos. A vontade era de se estender, mas a fome falou mais alto. Tivemos que concluir. Ganhei a assinatura do livro, guardei doces lembranças desta merorável manhã.

Tudo estava verde, choveu bastante. Quase sempre ali é tudo cinza excepto o amarelo da casa, o verde da baraúna é o dourado delicioso dos textos da poetiza Maria Rita de Macedo Araújo.




Ao ler o seu texto me chamou atenção para a consciência de ser escritora. A consciência de que escreve seus leitores.

Ao fim senti o cheiro alvo do jasmim de laranjeira que ali floria.... Vi naquela mãe a mãe feliz e realizada com livro publicado e material para o segundo livro. É isso.

Rita de Macedo

 Cresci numa terra seca,

De longos dias ensolarados.

De noites por vezes enluarada,

Por vezes estrelada,

Quase nunca nublada,

Cresci com o aboio do gado,

Sentindo o pelo a cavalo,

Cada vaca tinha seu nome,

Cada vaca tinha sua individualidade.

O curral ficava ao redor de casa.

Cresci com o meu cachorro leão,

Cresci com  bixano o meu gato.

No terreiro vivam as galinhas, 

Vermelhas, pretas, pedreses e pereocas,

O galo era cristado e esporado.

Cantava sempre pra manhã nascer.

Cresci e não dei conta de tudo isso.

Fui filha,

Fui moça,

Sou mulher,

Fui professora 

Sou mãe e poetisa.

Não tinha tempo vago.

Viver sempre foi trabalhar, na escola e no lar.

Meu marido é uma benção.

Sempre com um riso no rosto.

Meu companheiro, meu amigo, meu confidente e o pai dos meus filhos.

Um bom pai, um excelente avô.

A vida nunca foi fácil,

Mas foi maravilhosa.

Sol, chuva, dia e noite.

Um a um, os anos passaram e a vida 

Me fez forte e resistente.

Nasci num lugar seco.

Quase sempre estrelado,

Fui regada e dei flores.

Dividi o meu saber,

Multipliquei o amor.

Agora, depois de tanta coisa vivida.

Tenho saudades de tudo que vivi.

Mas a vida continua, meus filhos assumiram a lida da vida.

Cresci, reproduzi e dividi meu amor,

Multipliquei amizade.

Dei sentido a realidade.

E o resto não importa mais porque é resto,

Nove fora nada.

31/03/26

Catarse

 Pink Floyd e a tarde

Não conhecia Pink Floyd.

Era algo tão distante de minha realidade.

Era algo tão distante de minha vida.

Que nunca ouvira falar.

Eu um garoto do interior que só conhecia as rádios AMs e depois FMs.

Em sua maioria essas rádio tocavam rock romântico, embora Pink Floyd seja uma banda neste estilo.

Nunca havia conhecido.

Uma tarde, ouvi e senti Pink Floyd.


O ano era 2005, estava na ESEC- Seridó. Fazendo coletas botânicas para o mestrado.

Era uma fim de tarde.

Não estava sozinho no alojamento.

Quem estava lá eram amigos e meu saudoso e amigo professor Adalberto Varela Freire.

Adalberto era, para mim, um gênio, um bruxo, um ser humano extraordinário real que dominava o mundo das ideias. Sim ali, sabia nome de plantas e bichos e geologia e nuvens...

E era um grande contador de história e meu professor.

Era um ser humano além do normal.

E ele gostava de rock.

Longa exposição do mestre porque merecia.


Então ou vi a musica "Coming back to life".

Estava no laboratório quando ouvi.

Parei, algo catartico.

A janela do laboratório que dá para o poente estava aberto.

O sol se punha...

O segundo crepúsculo era pleno, 

O céu era azul...

A luz do sol tingia de dourado a paisagem seca da caatinga.

A luz enchia o mundo de beleza,

A luz era refletida no açude.

Eu senti eternidade naquele momento.

Eu senti eternidade naquele momento.

Eu senti a eternidade ali.

Eu sabia que nunca mais iria me esquecer aquele momento, aquele lugar.

Eu senti que podia viver aquele momento pela eternidade.

Momentos fugazes.

A música acabou.

O sol se apagou no poente.

E uma noite se foi.


Dá pra sentir o calor daquele espaço,

A textura da cor,

As curvas daquele som.

Produzido tão longe...

Afetando um ser ignorante na língua que estava sendo cantada a música.

Ignorando o significado.

Senti beleza.

Uma conexão divina.

E tudo passou...

Mas ficou na minha memória.

Deveras uma sensação impar.

Uma percepção que pode se propagar...

Adalberto se foi.

Há anos não voltei na ESEC.

Mas ela está dentro de mim.

Pouco ouço essa música, mas já é parte de mim.

Será que foi o por do sol apenas?

22/03/26

Noé

 Noé - Noan. Nome de origem hebráica que significa descanso, repouso, conforto.

Este nome é amplamente conhecido pela bela história da bíblia Noé e a Arca.

Sou de um povoado de berço de entrada do protestantismo no nosso município.

Nas casas de alguns de nossos vizinhos tinham imagens de cenas da bíblia e um das que me impressionavam era uma imagem com a grande arca e os animais entrando na arca.

Acho que tinha uma em Bonina, uma em Elita sua irmã, uma em Chico Franco. Ah, uma em Dálea, uma em Lenita, uma em Zuleide e uma em Iula de Dequin... Aqui vai ser difícil de contestar, pois quem vai ser o vizinho que vai ler este texto. A escrita pode servir de testemunho da realidade, mas é passível de invento. O fato é que conheci três Noés. Noé de José de Julho que era caminhoneiro, morava em Natal. Dirigia um lindo mercedes 1313 amarelo. Noé de Jerome uma pessoa muito dócil com o espírito desprovido de malícia. Noé vivia com seus pais Jerome Benedito e Loló. E por último Noé de Dedé Moreira e Daluz. Conheci mais tarde, pois cedo foi morar em São Paulo. Era amigo de meu irmão Rosembergue. Noé de Dedé Moreira era uma pessoa maravilhosa, de olhos claros e cabelo grande. Ele tinha uma voz inconfundível, agradável e gostava de contar estórias, daquelas da gente. Estórias particulares, locais, mas muito divertidas. Quando meu irmão chegava lá em casa ele era um dos primeiros a aparecer e passava a tarde conversando. Sim, ele voltou de São Paulo e foi viver a melhor parte da vida em sua terra natal com uma esposa maravilhosa. Bom. Quando voltamos a terra natal, a gente volta a essência primeira com a experiência do mundo. A gente passa a viver e poder fazer o que nossos parentes já faziam e a vida volta a ser comum. E revive do esquecimento. 

Hoje, fiquei sabendo que Noé de Dedé havia passado pelo linha da vida e encontrado eternidade. Morando longe não terei como ir ao seu velório ou ao seu sepultamento.

E isso é matéria para pensar a vida, a existência. 

Um fato muito triste. Para nós de Serrinha, seus amigos, seus irmãos, e mãe. Eu tinha amizade próxima com sua irmã Noezila e Herbénia. Conhecia todos os demais irmãos e seu pai. Fui ao velório de seu pai. 

Noé esteve no velório de meus pais...

Noé é uma fração de Serrinha que se eterniza.

Depois que meus pais se foram, sempre visito o cemitério.

Meu vínculo com Serrinha continua mais viva que nunca. Tenho encontrado minha essência nas memórias em Serrinha minha terrinha. Minha gente que cresceu tanto que nem sei mais quem são, mas sei que são.

Noé, encontre o descanso, conforto e descanso na Eternidade.

Um dia nos encontraremos.

Vá em paz em Jesus Cristo e Maria nossa Senhora.

12/03/26

Memória eterna

 O vento soprou,

Fazendo as árvores cantarem,

Seu canto é peculiar,

Soa como um chiar.


Esse evento despertou uma doce memória.

Nos fins dos grandes invernos,

A mata florida e enramada,


Quando o vento passava,

levava uma lufada de cheiro,

Um espirro floral,


Sentado em algum lugar na mata,

Em pé a caminhar...

Meu ser parava para contemplar

A natureza divina...

O cheiro das flores

de mucunã, de marmeleiro,

Cheiro do mato...


Ali o vento e a mata despertavam em mim

Eternidade.

Memórias.


Quintana, o Mário

 Esses dias, ao sair de casa vi o livro de Quintana, O Mário!

Todo bom brasileiro letrado já ouviu falar.

Aqueles que não ouviram, meu amigo, precisa conhecer.

Tenho certeza que vai amar como o amo.

Seus sonetos,

Seus pensamentos escritos,

Sua forma de pensar,

Sua sensibilidade é encantadora.

Pensava além da caixa e  na forma poética.

Sonetos bem feitos.

Há arte, conhecimento da poesia.

Quintana de Alegrete.

Hei de me inspirar se é que é necessário...

A natureza me provem de tudo

E a arte me dá uma melhor forma de escrever.

Salve Quintana o Mário.

06/03/26

Faces ou fases

 Dia,

O sol quente,

A chuva fria,

O vento frio,

A luz do sol,

As cores.

A sombra da chuva,

A transparência do vento.

Noite,

A lua fria,

A chuva fria,

Vento frio,

A luz da lua,

Suas quatro faces,

Sete dias toda nua,

Sete dias composta,

Sete dias na penumbra.

A chuva,

O vento,

A água, 

O ar,

A luz.

O observador.

01/03/26

Um caminhar

Desde o momento que despertamos para a vida. Desde o momento que a consciência se torna autoconsciência, nossos pensamentos toram vidas em nossas mentes. Somos sujeitos. E as palavras tem ganham significado. Despertamos para a vida e dessa forma a toda forma de sentimento. A humanidade vai alvorecendo em nós. As vezes a chuva silencia o nosso pensamentos, penso que assim somos plenos por breves instantes.
Então, numa manhã de sábado em algum lugar na terra um indivíduo desperta como sempre o faz cotidianamente, exceto pelo fato de ser sábado-feira. Para esse indivíduo de onde veio sábado era dia de feira. Toda sua mente foi organizada neste sentido. A idade chega a todo mundo e com o tempo sábado é dia de limpeza. E mais ao longo do tempo quando se tem um filho, sábado é dia de sair e gastar as energias do filhote. Então uma nova rotina surge, sendo então parte da rotina dia aos zoológicos, aquários e jardins botânicos.
Pois bem, nesta manhã, a chuva me deu essa frase... a chuva silencia os pensamentos. Falo isso porque meus pensamentos, movidas pela heurística da disponibilidade... algo no jardim botânico me impactou profundamente, não sei se pelo fato revelado, mas me impactou. Nós três, e uma turma de 27 pessoas fazíamos uma trilha. Cheia de revelações naturais, os obstáculos compostos de troncos e solo irregular; os animais ali presentes, e as mais variadas formas e cores e texturas dos troncos, folhas, folhas e frutos... Atento ao momento, acho que ali, meu pensamento estava em silêncio. Num determinado momento no meio da trilha me impactou. Um trio um moço e três moças ao pararem para fotografar o tronco da munguba árvore da távola... este trio fez uma foto dos pés. Uma foto intencional? Não sei, mas minha esposa expressou a interessante idéia de fotografar os pés. E imediatamente eu me lembrei que havia fotografado os pés de mamãe e papai num determinado momento. A gente fotografa para ter a memória. A gente fotografa muitas vezes guiado pela causalidade. Já que a causalidade é algo que aponta um determinado destino. Qual é o destino da vida? Por isso fotografei os pés de meus pais sem que dessem por isso. Não conhecemos tudo dos que conhecemos e há uma reciprocidade nisso,
Ai um momento se revelou potente. Havia um obstáculo, um tronco lindo de um Aspidosperma discolor, popularmente conhecida como canela-de-velho, Nada teria se revelado para mim se tivesse mantido o silêncio. Mas disse essa planta se chama canela-de-velho. Então uma pessoa do trio se revela dizendo: - Canela-d-velho é aquela planta que se usa para fazer o remédio? Disse que não que o nome em decorrência a forma do tronco. Aquela canela era uma outra que também tinha na mata. Então ela disse que usava muito, pois tinha distrofia muscular. Após ela dizer isso, olho para ela, presto atenção nela que vai a minha frente e percebo a dificuldade de andar. E a fotografia dos pés passa a fazer sentido para mim. Pelo histórico que conheço desta doença, aquela moça estava num estágio. A experiência nos dá um peso muito grande as coisas. Conheci uma pessoa na minha cidade com a mesma sindrome que estava num estágio mais avançado e a paralisia era o fim. Os meus pensamentos apagaram a realidade. Fui ao racional da alma. E fui humano, meu coração se encheu de piedade. Esqueci que a eternidade está no momento vivido com intensidade... Naquele momento me desvinculei de minha realidade e vivi outra realidade. Então despertei e fui em busca de meu menino. Ele estava autônomo demais. Então em que estágio estou na vida?

A chuva me fez esquecer esse momento. Agora o calor incomoda e me faz encerrar o texto.

Era isso.

O verde oliva, 

A rocha que ronca,

Uma campina,

São Francisco...

A vontade é tudo


24/02/26

Guabiroba florida

 No bosque perfumado,

A guabiroba está florida,

O chão está todo pintado,

Flores fonte de bebida


O som de abelhas zoando,

Voando em sua lida,

Polém e néctar coletando,

Numa flor toda partida


botão e botão desabrochando,

A flor velha toda varrida

Das abelhas se banhando

De polém toda suprida,


A manhã amanhecendo,

A florada já tá passando,

E isso tudo acontecendo,

E o fruto tá se formando,


Só resta agora crescer,

Em cada amanhecer,

O fruto vai aparecendo,

Aos poucos amadurecendo,


Doce vinho vai ficando,

A passarada vai se chegando,

Doces frutos devorando,


Suas sementes vai dispersando,

Para longe está indo,

E assim vai se fechando,

A reprodução de mais um ano.


Esse encontro acontece,

Cada ano que se passa,

E a gente até parece,

Que nem ver o que se passa.


O pulsar e o passar...

Sempre se repetir.

A planta a reproduzir

E a gente nem percebe...



Dante e Dumont

 Dante o elefante ficou perturbado quando quis soltar um pum. Não segurou e Pummm. Na mente dele ia ser o fim do universo. Quando soltou viu que não foi nada disso. Dumont seu primo é artista um materializador de ideias ver com os olhos e faz com a tromba. Um dia uma girafa achou lindo as listras das zebras e queria tê-las foi Dumont quem as pintou, criando monda na bicharada.

Dumont é da mesma manada de Dante, mas tiveram que seguir caminhos diferentes. Dumont era artista. Até porque as vezes ele perdia a inspiração. Como aconteceu uma vez. Estava voando de balão com uma faixa preciso de inspiração e a Girafa Rafa lhes deu uma direção. Com seu trabalho como artista ganhou tanta comida. Ai acabou aquela atividade então ele foi para a índia visitar seu primo balu o elefante azul.


20/02/26

Alma de poeta

 Um poeta se dispõe a pensar e o mais laborioso escrever.

Um poeta organiza suas ideias. Ele transforma o momento efêmero em beleza e substrato para o pensamento.

Poetas, acho que morrem de medo da morte. Descobriu que nas palavras pode se imortalizar.

Um poeta ver a beleza e a põe em palavras. Ele usa os sons para rimar. 

Tem poeta de todo jeito. Uns agricultores como patativa do assaré.

Os poetas eruditos não o entenderiam pois são se Capela.

Um poeta professor como Anacleto. Esse tem um pensamento cristão. Sua poesia é linda cristã e divertida.

Um poeta pintor como Vandembergue... só fez um livro, mas é maravilhoso. Sua poesia é visual?

Um poeta Lino Sapo que como o rio ao receber água nova ganha potência e vai levando o amor a frente.

Um poeta que canta como Ivanildo Vila Nova... Valdir Teles... 

Um poeta da serra um cancioneiro Eliseu Ventania foi o poeta que vi papai admirar.

Que ilusão definir os poetas...

Os primeiros que descobri e amei foi Bandeira e Drummond.

Sou pobre nesse quisito.

Aprecio o bonito e perceptível.

Tem um poeta maior Manuel de Barros...

Ah! Pantanal de juma minha primeira paixão...

As aves, as águas, os lagos e os rios. A imaginação dá um brilho a realidade...

Só desprendidos de nossos desejos podemos ver a realidade como se apresenta.

Ser poeta... uma vontade.

Mas ai...

15/02/26

O eu

 Olha o céu!

O que pode ver o firmamento azul e as nuvens alvas.

Nuvens de forma amorfa em constante movimento e transformação.

Tão inconstante é a atmosfera.

Assim é a mente humana.

O azul, o amarelo e o vermelho.

O triângulo.

Os números arábicos: um, dois e três.

A unidade divina.

O absoluto.

O movimento.

O dualismo.

O signo...

O som, as imagens, cores e formas.

A busca.

A razão.

O espaço eterno e o tempo seu testemunho.

O tempo a imagem da eternidade.

O eu...

12/02/26

A chuva, a manhã e eu

 Amanheceu chovendo,

A chuva suave e silenciosa,

A luz pouco difusa e silenciada pelas nuvens chuvosas.

Ali na mata as árvores estáticas a gotejar.

Silêncio total.

Vez por outra canta uma sabiá,

Uma garrincha, um gatuno...

O resto é silêncio!

Luzes apagadas, 

A calha começou a cantar...

A luz branca da sala,

Mostra nossa fotografia, 

Mamãe, Vinícius e eu,

Mostra brinquedos de Vinícius bebê,

Mostra sementes,

Mostra livros...

Círculos, cores,

Presentes, 

Ídolos...

A placa amarela da moto titan 1997 de papai...

NE 464 - Martins RN...

A luz, o som e o clima e minhas representações.

Noite enluarada

 Antes podia desfrutar às noites de lua cheia em família. Papai, mamãe e meus cinco irmãos. Eu olhava para o céu com um olhar ingênuo. Era t...

Gogh

Gogh