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17/10/26

A mudança com paz

 Cada dia que vivo é um dia a menos.

Cada hora, cada minuto, cada segundo.

Como é angustiante saber disso.

Será por isso que o doce é mais gostoso,

Será por isso que prefiro as boas às mas sensações,

Será por isso que busco a eternidade de um bom momento?

Será por isso que não percebo a objetividade das coisas?

Como equilibrar as coisas entre o sonho e a vigília.

Não sei, mas agora sei que esses sentimentos tem me angustiado pela vida inteira...

Busco um alento na poesia,

Busquei nas letras este alento,

Mas parece que a abstração esfria e angustia mais.

Será que o calor humano poderá amenizar esse medo?

Tenho buscado saciar minhas vontades, tentando intensificar tudo,

Mas isso só faz o tempo acelerar...


Ah, como era bom quando não pensava em nada,

Quando não tinha essa voz,

Quando não tinha autoconsciência,

Quando não tinha conceitos...

Um caju, uma goiaba, uma manga, uma goiaba me faziam feliz

Eu não precisava pensar, só bastava saborear a fruta...


Tudo mudou,.

Tudo está mudando,

Mas entender e aceitar que muda ajuda a viver o tempo que me resta em paz.

13/10/26

Fuga dos pensamentos

 A mata verde e brilhosa

Não mexe uma folha,

O sol radiante e intenso,

O sanhaçu-de-coqueiro canta intermitentemente,

Ontem mesmo na rua vi saíras cantando,

Hoje no estacionamento cantava um sabiá.

Vejo a casa de cupim no pé de pau-branco,

Estará quente lá como está cá?

O ferreiro-relógio acerta a hora,

Nesta hora de primeira da manhã,

Bem-ti-vi pia,

Uma moto ronca na avenida...

Em meio ao trabalho,

Percebo as nuanças da realidade...

E fujo dos meus pensamentos

Que perturbam minha alva.

12/10/26

Olhar o tempo através do tempo

 Cabelos alvos, coroa dada pelo tempo,

A experiência de quem viveu,

A experiência de quem sentiu.

Sentiu que tinha que deixar suas ideias em palavras, em versos.

Pega o óculos e coloca na face em frente ao texto impresso não mais escrito, ela lê com a alegria de uma criança que ganhou um embalado de confeito.

Como quem sente a balinha doce derretendo na boca, aquele doce que faz a alma sorrir.

Lê o seu texto e a gente pensa ao ouvir que coisa mais linda.

Como pode?

Sair do seio da caatinga uma coisa tão maravilhosa.

Ao redor tudo é cinza, mas se cultiva um jardim com três-marias e jasmim.

Com os anos a gente aprende a valorizar o que temos, a lutar e transformar a realidade.

A escrita é um alento a quem está começando,

Porque a vida vai seguindo e que escreve acredita e não queria ver sua terra abandonada seria negar sua origem e sua história...

É o que sinto no meio desse universo que estou me encontrando.

09/10/26

Caçamba mercedes 1313

 Na avenida Pedro Segundo, sentido centro de Jampa, nesta sexta-feira, encontrei um caminhão 1313, caçamba, vermelho. Buleia redonda, faróis circulares, a pintura chegava até a brilhar, me chamou a tenção o número 1313 cromado chega brilhava no sol. Rapaz, um caminhão produzido no final dos anos 70 rodando nas ruas é objeto de admiração. Na certa o dono que era infante quando aquele caminhão foi lançado tem mais cuidado com aquela caçamba que não tem a nenhum outro objeto. Chegando no estacionamento vi um senhor saindo de sua pampa, perguntei o ano e ele falou 1992. Disse que a possuía a 25 anos. Essas coisas, revelam a nossa idade, as nossas preferências, o amor a nossas memórias primeiras. Lindo caminhão caçamba 1313. Guardei na memória.

07/10/26

Descobrindo a essência da vida além do eu

 Nem tudo que é físico me impressiona,

Porque minha conexão está voltada para a mente,

Estou concentrado em meus pensamentos.

Se me fecho demais na minha concha,

Se me encaracolo...

Perco minha sensibilidade do mundo.

Tudo isso porque estou voltado para meu ego,

Porque estou de olho em provar para os outros

Em provar para mim mesmo que estou certo.

E me esqueço de ver o real,

Ver a beleza de tudo

Como um por do sol,

Como a onda se quebrar no mar,

Como o riso de uma criança,

Como as palavras sábias de um idoso,

Como é doce uma fruta.

Se foco no eu,

Perco de focar no mundo,

Posso ser injusto e egoísta...

E em meio a tudo isso o tempo não para de passar.

Se não souber o que é essencial,

Essa curta vida vai passar

E vai ser tão rápido,

E nem perceberei,

Porque só foquei em realizar as minhas vontades...

Certamente a essência da vida não está ai.


28/09/26

Sibitizinho

 Nesta semana iniciada,

Aqui no meu cantinho,

Aconchegante como um ninho,

Que delicia é ouvir,

O canto da passarada,

Patativa a cantar,

Aqui, ali e aculá,

Mas parece uma sinfonia,

Como me enche de alegria,

Esse sibitizinho a cantar...

Ai vem o silêncio,

Que ouvi a vida inteira...

Esse silêncio sou eu?


Valor e a consciência

 Vivo em outro tempo.

Tempo distante da minha simplicidade.

Distante de setembros passados,

Onde minha preocupação era em trazer água pra casa,

Cuidar do burro

E cuidar das notas.

Sem muita responsabilidade.

Eu não era eu,

Eu era nós...

Eu era meus pais, meus irmãos e nossos bichos e nossa casa.

Faz um bom tempo que fui umidade múltipla.

Voltei a unidade múltipla,

Mas com a responsabilidade da paternidade e de marido.

Hoje vou a igreja, vou ao trabalho e vou ao mercado,

E pago as contas...

As coisas mudaram por aqui,

Fiquei pesado...

Ainda bem que estou dando conta até agora.

É preciso valorizar tudo isso.

É preciso mostrar o que são valores...

E assim ter uma consciência leve.

24/09/26

E não é assim

 Sinto que estou na caatinga,

Sinto que estou no sertão,

Estou naquele mato sob aquele céu,

Aquele céu de sol escaldante.

E tudo que quero é sombra,

E tudo que quero é água fresca...

Está sob aquele é importante,

Para valorizar a sombra e a água...

Mas sob o mesmo sol

Tem seres que não tem nem sombra e água fresca...

Mas consegue sobreviver,

Feito a juema,

Feito o marmeleiro,

Feito a aroeira...

Feito o juazeiro,

O juazeiro sabe comparilhar,

Sabe buscar água,

Sabe guardar água,

Sabe existir sob aquele sol...

Uns dão sombra, feito o juazeiro

Outros dão cheiro, feito marmeleiro

E outros espinhos e flores feiro a jurema...

Somos assim,

A natureza nos fez assim...

Mas podemos sermos melhores,

E sermos gratos por tudo,

Pela agudeza dos espinhos

Que nos ensinam a serem resilientes,

Sermos perfumados e oferecemos já que é tudo que temos,

E quando não até se doar seu corpo sua madeira...

E os espinhos nos protegem...

E não é assim.

18/09/26

Viver, vida

 Alinhado com a realidade,

O tempo e o espaço

E os diferentes momentos da vida,

Essa realidade que é causalidade,

É espaço se opondo ao tempo...

Esse desvelar que é viver...

Viver.

Vida!!!

Seu Raimundo Barbeiro das Rocas

  Nas Rocas ele chegou,

Uma profissão aprendeu,

Cortar cabelo, virou barbeiro,

Trabalhava honestamente,

Trabalhava diariamente,

Com uma jovem do Seridó

Namorou e se casou,

Assim sua vida melhorou,

Sua vida era de casa para a barbearia,

Ali todo mundo o conhecia,

Vieram os filhos foram três,

Uma filha e dois filhos,

Trabalhava para o ensino melhor poder dar,

Eles estudaram,

De vida melhoraram,

Seu Raimundo,

Marido de Dona Irene,

Quando o conheci,

Nem sabia que estava diante de um grande homem,

Hospitaleiro, me recebeu tão bem,

Robério seu filho,

É meu grande amigo,

Desde a época da faculdade,

Fizemos esta amizade.

Seu Raimundo,

Meu amigo,

Trabalhou até quase partir,

Deixou uma família boa e educada,

Melhorou a capital potiguar...

Como muitos que ali foram morar.

Seu Raimundo,

Faz parte do meu mundo,

Das descobertas infinitas

Que tive em Natal,

Símbolo de amizade,

Honestidade e hospitalidade...

Um amigo para sempre.

17/09/26

Fobia

 Minha irmã,

A mais velha me contou que tinha acordado com pânico.

Não falei nada, mas entendo e sei qual é sua fobia.

Solidão, abandono, morte.

Sentimentos que fazem parte da natureza humana.

Também eu já acordei assim.

Quando meus pais eram vivos,

Pensava tanto na morte.

E tudo aconteceu,

E foi tão rápido...

Sinto essas fobias mana.

Deus te abençoe.

16/09/26

Turbilhão

 Entre as leituras obrigatórias,

Perco-me em minha mente,

O calor, ronco de motores,

Formas das coisas conhecidas,

Desordem de ideias...

Tanta coisa pesa nesta leitura...

A linguagem truncada científica,

O tema novo,

A ingratidão sentida... 

Quanto peso por 15 minutos, meia ou uma hora...

Quanta angústia,

O tempo temporando,

O desvelamento constante da vida,

A obrigação quanto a partenidade,

O amo incondicionado...

Concentração tem tempo,

Como encontrar.?

Guardada a sete chaves

 Nas idas e vindas da vida,

Vejo as marcas do tempo.

Vejo as marcas do tempo na minha face,

Vejo as marcas do tempo na minha mente.

São tantas as experiências,

São tantas as vivências...

Emoções, sentimentos para a vida toda.

A amizade cultivada,

O trabalho compartilhado,

O amor pelo outro,

O amor a Deus...


As vezes me sinto pluricentenário,

Mas vou aprendendo,

Desenvolvendo e cultivando novo hábitos...

A hora da cega,

Está chegando,

E me atormenta,

Essa grande fração da humanidade que pulsa em mim.


Nas idas e vindas da vida,

Esperança é o que nos nutre,

A realidade dura nos definha,

Ou é o tempo,

Ou é a biologia.

Esperança,

Perfume para a alma,

As coisas boas vividas,

As coisas boas guardadas...

A sete chaves.

11/09/26

A sucupira e eu

 Na curva da sucupira,

O sol nasce primeiro,

Um dia aquela sucupira

Aquela sucupira nasceu,

E levaram anos para era crescer,

Anos se passaram até nosso encontro,

Nosso primeiro encontro,

Nem me recordo,

No primeiro dia que aqui pus meus pés

Estava ela lá crescendo,

Vendo o sol nascer primeiro,

Agora muitas vezes

Os papagauios cuicas 

Vem nela gritar,

Gritam alto,

Gritam como quem anunciam algo,

Anunciam o sol...

Venho reparando isso a pouco tempo.

Será a relação da cuica com a sucupira

Mais antiga que a minha com ela?

Não sei...

A sucupira idosa,

Tem seus ramos cansados,

Mas ali está,

Forjada em madeira de ferro...

Através dos anos no mesmo espaço...

Nada restará em certo tempo.

Quem foi sua mãe?

Só sei que é minha amiga.

Nada mais.

10/09/26

A baixa, o tempo e a esperança

 Em meio as baixas de capim,

Conservavam o verde.

Costumava olhar a baixa de campim

De João de Janoca,

Sempre verde,

Um pedaço do inverno 

No ano todo.

Olhava para aquele verde,

Achava tão lindo,

Parecia que ali havia um reino mágico.

Talvez animais fantásticos.

Havia um veio de água,

Revença do açude do Alívio...

Deveras o verde era um alívio a vista,

Da cinza que tudo dominava,

Ou era o sol com toda sua energia,

Ou era o calor,

Ou era a falta de água.

A baixa me dava esperança.

O tempo hoje seria minha baixa?

24/08/26

Rita Baltazer

 Hoje, faz 10 anos que minha amiga e chefe desencarnou.

Quem era ela? Rita Baltazar de Lima.

O que fazia? Era professora de Botânica.

Onde nasceu? Rio Tingo.

O que estudou? A família Rhamnaceae.

Uma professora maravilhosa.

Uma pessoa sem palavras para descrever.

Amiga, reta, especial.

A 10 anos a terra, o Brasil, a Paraíba perdia a grande mulher que foi.

Teve seu nome eternizado como nome do Herbário da UFCG de Patos...

Homenagem ao nome do Carbal...

Eternas saudades.

10/08/26

Compasso

 Olho pro tempo assustado,

Ontem foi minha infância,

Ali, onde cresci, nada mudou.

E tudo mudou.

O espaço é o mesmo, 

Mas as pessoas são outras,

Tantos novos,

Poucos velhos,

E a história delimitando tudo,

Olho pra minha alma, e encontro coisas de lá,

Coisas do ontem 

E vejo coisas de hoje,

Coisas de agora...

Experiências.

Experiências,

Experiências.

Poema

 Num poema se emoldura a realidade, 

Se expressa em metáfora 

O que se deseja expressar.

Num poema se doma o tempo.

Versos sensíveis,

Enquadrado em supra sensível,

Incondicionado em condicionado.


Um poema como uma cruz três coisas são representadas 

O tempo, o espaço e a matéria...

Um poema é a imagem da eternidade.

04/08/26

Uma história humana

 Escrevi algumas coisas inspirado por Pablo Neruda. Agora nem sei por onde estão, mas sei que estão aqui. Gostava dos livros daquele autor, de suas capas, talvez as imagens das capas me atraísse mais que as palavras e os versos. Nunca mais o li. Descobri que tenho tanta coisa para ler... As vezes a gente se perde nas demandas da vida. Em mim, tenho guardados sentimentos por sua poesia. Queria ser poeta. Talvez almejasse os louros da poesia. Minha vitrine era externa. Minha vitrine estava nas livrarias, nos livros de bolso e no que cabia no meu bolso. Então tive acesso a Neruda, Pessoa e Nietzsche. Marcou a época que fazia meu doutorado. Depois descobri a Borges e tive acesso aos seus livros encantadores. Este me fez escrever e sentir e ser um escritor, mesmo que sem leitor. Por último, estava tão perto de mim, tão em conta e só agora descobri Davi e Salomão. Coisas de uma história humana. O amor as letras... Deveras, esqueci de relatar o primeiro tratado que delinearia minha vida... encontrado num baú antigo... um livro com os pensamento de Gandhi. Estes me marcaram profundamente.

03/08/26

Primeiro dia de aula

 Aristotelino meu primeiro professor de ecologia me fez querer ser igual. Foi uma aula magistral.

Quebrando os protocolos e sentando no bureau.

Sem um livro na mão e sem usar o quadro,

Com sotaque carioca deu uma aula magnífica.

Sabia o odum de ponta a ponta.

Faltou sobre entropia.

Uma das três leis da termodinâmica.

Lei que diz que tudo tende ao caos exceto a vida...

Naquele dia por teoria descobri o que já sabia por intuição.

A sala era igual a da escola onde estudei, mas as ideias eram mais amplas e profundas.

Naquela noite, sabia que aquele era o caminho que devia seguir.

Não sei se por acaso ou não me tornei professor...

Foi na aula de campo de Tot que vislumbrei uma direção de conhecimento. Em Equador no Río Grande do Norte vi uma Jurema com o nome científico e pensei será esse meu destino? Saber o nome de todos as plantas?

Hoje é sábado, manhã ensolarado, quase 26 anos depois...

Tomando um pouco de consciência.

A mudança com paz

 Cada dia que vivo é um dia a menos. Cada hora, cada minuto, cada segundo. Como é angustiante saber disso. Será por isso que o doce é mais g...

Gogh

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