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23/09/26

De olho no tempo

 Quando queria uma coisa,

Apelava para a fé.

Eu sabia da força do tempo.

Eu rezava e pedia a Deus baixinho,

E todas as noites renovava minha fé, pedindo,

Depois rezava.

Em casa, tinha os calendários,

Ia ao calendário e olhava o tempo.

Os meses, as semanas e os dias...

Lembro que queria muito estudar em Martins,

Então no calendário ia marcando os dias.

Assim foi enraizado a minha fé, na vontade e no tempo...

Deus me ensinou 

que quem espera sempre alcança.

18/08/26

Luz da alma

 Na minha casa descobri o mundo,

Papai e mamãe e meus irmãos 

Auxiliaram-me nesta empreitada,

Cuidaram de mim.

Na nossa casa simples não tinha riquezas,

Mas não faltava amor, carinho e amizade.

Minha mãe tão natural.

Meu pai tão sentimental.

Na minha casa havia um quarto de São Francisco de Assis 

Comprado no Canindé 

E eu mirava com misticismo, medo e admiração,

A moldura barroca.

Tinha um quadro de papai, begue e mamãe.

Por que eu não estava lá?

Já me questionava?

Eu me balançava na rede olhando através da janela,

Sentindo a emoção do ir e vir 

Subir e descer,

Eu olhava para o infinito do céu...

Aquela vastidão me amedrontava e me encantava.

O meu mundo era minha família,

A poesia era bruta e não soava ainda...

Eu vivia,

Contemplando minha existência,

Vivendo minhas primeiras experiências...

O mundo se revelava infinito....

A finitude estava em mim 

E parece que eu sentia isso,

E descobri a finitude me deixava triste...

Era natural que se descobrisse,

A razão apontava,

A emoção indicava...

Mas algo em mim 

Queria a eternidade...

Todo ser quer se conservar eternamente.

A minha casa é a mesma.

Os cômodos, as paredes são o mesmo...

O tempo muda todo dia e nos seus cômodos,

Cada dia tem uma história 

Que guardamos em nossas memórias.

A casa e meus pais foram o feixe que me formaram e me firmaram

Quem me fizeram quem sou...

Sou como os meus pais em carne, osso e alma,

Mas com direito a liberdade e a individualidade....

Sou o fui,

Sou o que sou,

No começo tinha meus pais,

Agora tenho a casa,

E as experiências,

E os ensinamentos...

Tenho o que sou.

Sou o que aprendi 

E nada mais.

07/08/26

Silêncio da mata

  A mata silenciosa,

Ouve as aves trabalhar,

Ouve as aves cantar,

As aves ao se alimentar,

Dispersam as sementes,

Voam pra cá,

Voam pra lá...

Bem-ti-vi e sabiá.


A mata estática!

Então o sol vai acendendo,

A luz se estendendo,

O calor aparecendo,

E as aves se calam...


Cadê o vento?

04/08/26

Uma história humana

 Escrevi algumas coisas inspirado por Pablo Neruda. Agora nem sei por onde estão, mas sei que estão aqui. Gostava dos livros daquele autor, de suas capas, talvez as imagens das capas me atraísse mais que as palavras e os versos. Nunca mais o li. Descobri que tenho tanta coisa para ler... As vezes a gente se perde nas demandas da vida. Em mim, tenho guardados sentimentos por sua poesia. Queria ser poeta. Talvez almejasse os louros da poesia. Minha vitrine era externa. Minha vitrine estava nas livrarias, nos livros de bolso e no que cabia no meu bolso. Então tive acesso a Neruda, Pessoa e Nietzsche. Marcou a época que fazia meu doutorado. Depois descobri a Borges e tive acesso aos seus livros encantadores. Este me fez escrever e sentir e ser um escritor, mesmo que sem leitor. Por último, estava tão perto de mim, tão em conta e só agora descobri Davi e Salomão. Coisas de uma história humana. O amor as letras... Deveras, esqueci de relatar o primeiro tratado que delinearia minha vida... encontrado num baú antigo... um livro com os pensamento de Gandhi. Estes me marcaram profundamente.

25/02/25

Turbilhão

 Ultimamente, venho sentindo a necessidade de pensar coisas que me faça sentir bem, uma necessidade de afirmar meu eu. Esse exercício é inerente ao ser humano. Causa-me estranheza saber disso, no entanto, mesmo assim não controlar o meu sentimento.  Aquilo que pensamos hoje, concordamos, afirmamos, parece perder o sentido no amanhã e parece ridículo quando olhamos através da memória, do tempo. Por que desses sentimentos. Fiz uma introdução que e não diz nada.

Mas é a forma como estou me sentindo.

Assim é.

Temos mundo interno ou abstrato ou subjetivo que adquirimos por meio de nossas experiências. Muitas coisas podem ser compartilhadas, mas os nossos sentimentos são impares.

Podemos mudar os nossos sentimentos ou pelo menos reduzir os sofrimentos por estes causados?

Acho que deve ser um exercício exaustivo de "conheça-te a ti mesmo".

Um exercício de só se encher até as bordas e nunca transbordar.

Um exercício de se sentir satisfeito com o que tem, pensamento dividido pelo grande Aristóteles?

Ou ainda mais sublime por via da individualidade como ensinou o Cristo?

Epicteto, Marco Aurélio, Sêneca.

Confúcio, Lao Tsé.

Buda.

Tantos sistemas que nos permite pensar a existência, os sentimentos... Enfim numa profunda imersão no ser existente.

A gente se perde... A gente se perde nos ismos.

A gente se perde nesse mar de informações que nos permite pensar e se expressar.

A gente quer se expressar e libertar a mente do peso da existência ou melhor do peso da Razão...

A razão que nos permite afirmar vais envelhecer, vais morrer.


E a gente ao notar isso na gente chega dar um frio na espinha.

Rugas, calvície... a percepção que o tempo passou e que você é o mais velho do espaço...

Tá mais experiente, mais desorientado.

Foi a livraria.

Estive na seção de filosofia, minha favorita.

Lembrei de um amigo da Costa Rica, na vez que estivemos numa livraria em Campinas quando disse que dava uma angustia saber que nunca poderíamos ler todos aqueles livros.

Deveras... Sentia isso.

Eu queria ser um daqueles escritores.

Eu queria ler e entender cada um deles. Descartes, Spinosa, Kant, Hegel, Schopenhauer.

Já me conformei. Sim Salomão está me ajudando muito. A bíblia foi para mim literatura prima.

Volto a esta.

Volto a esta.

Agora vou tentando comer e digerir um pouco de cada vez.

Estou aprendendo os conceitos em outras línguas como assim a lógica parece ser.

Lao.

Upanishades.

...

Nada faz sentido se não dermos um sentido.

Usemos nossos sentimentos para direcionarmos um sentido.

Nemastê

A mudança com paz

 Cada dia que vivo é um dia a menos. Cada hora, cada minuto, cada segundo. Como é angustiante saber disso. Será por isso que o doce é mais g...

Gogh

Gogh