À tarde,
Cheguei à minha velha casa.
Senti intensa a saudade no peito.
O céu estava azul com frouxas nuvens.
A rama verde da mata, enfeitando compondo uma face das árvores.
A rama florida da Jitirana com flores rosadas e alvas.
A folha vinho enfeitando os cajueiros...
O silêncio que o tempo impôs.
Sem a voz de vovó, de papai e de mamãe.
O tilinidar dos grilos,
O grasnar do galo de campina.
O chão encontrado.
As vincas alvas e rosas de meu pai,
O jasmim de minha mãe.
O araçá com frutas maduras, doce-amarelado.
Os catolés que transplantei com meu pai.
As palmas do meu pai.
A açucena da minha mãe.
Esse lugar que sempre foi o que é, antes, agora e será depois de mim.
Tomo consciência que sou apenas consciência.
Autoconsciência...
Essa ideia é só minha.
Essa ideia é nossa.
Essa ideia se esfacelará no tempo tomando a proporção de um sonho.
Uma narração onírica...
Paro o texto...
Pausa...
Um anum gritou ao longe... Anum branco.
Pacuns passam voando, vejo no seu grasnido.
Um anum preto canta na rama do poente.
Um pendão de capim parece um fogo de artifício.
A lua crescente está no cimo da casa.
Na cajarana grosna um periquito.
Um bate-estaca aparece tziuu.
Dissolvo tudo apurando
Os sentidos
E me desfaço dos sentimentos negativos.
A vida que segue.
Venha o São João.