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18/11/25

Baixa de arroz

 Com meu pai a trabalhar limpando a baixa de arroz. Senti que podia ir mais. Senti a infância partida. Senti a felicidade de uma nova fase passar a existir. Meu coração já desejava. Então minha meta era limpar até acabar. A baixa era tão pequena, mas o trabalho era duro. E na companhia de meu pai me sentia seguro e feliz. Nem precisava pensar na vida, bastava limpar a baixa. Ver o vento soprando a folha do arroz me animava, ver as nuvens broiando no céu me animava, ver o sol quente me desanimava. Mas Deixava tudo nas mãos de Deus. E a felicidade enchia meu coração só de ver o inverno bom e papai com saúde.

23/09/25

Amigo

 Esta semana, duas situações ou lugares me fizeram lembrar do meu primo e amigo Mazildo.

Primeiro foi o lugar e o dia, estava no shopping mangabeira e era sexta-feira. Sempre neste lugar e neste dia enviava fotos do ambiente. Meu primo era tímido, tinha uma doença que nunca descobriu a causa. Meu primo vivia em casa. Quando pequenos a gente se divertia andando nos matos caçando,  mas nem matava nada a gente gostava de ver o mundo silvestre. A gente foi crescendo e suas limitações físicas praticamente o impediram de anda.  Seu deslocamento se limitava ao espaço interno da casa.  Meu amigo, saia de casa para cortar o cabelo ou votar. Sua vida era acordar, tomar o café, limpar as gaiolas e ouvir rádio e ver televisão e por último usar o celular. Estava engordando demais e se cansava dentro de casa mesmo. Nunca reclamava. No dia mesmo que faleceu nos trocamos mensagens.

A segunda vez foi no sábado, estava no parque Arruda Câmara, lá encontrei seu Eduardo que cuida dos animais no parque. Estavamos conversando e eu prestava atenção no som das jandaias foi quando ouvi o periquito da caatinga, grasnou umas três vezes, daí, o bicho veio e pousou ao nosso lado. Aí lembrei e comentei que meu primo tinha um periquito que ele cuidava tão bem. Acordava o loro a noite, tirava o bicho do guarda roupa e dava comida para o bichinho.

E hoje na praia vendo as Maracanã voarem me lembrei novamente.

06/12/23

Felicidade compartilhada

 Rosângela minha irmã e Gabriela minha sobrinha estão aqui.

Estamos aproveitando todos os momentos.

Ontem fomos a Bica e a Lagoa.

Observamos a paisagem e os bichos e brincamos. 

Os ipês estavam floridos.

Vinicius e Gabriela cataram tantas flores de ipê.

Desceram no escorrego.

Comeram pipoca e fizeram tudo que queriam.

Estavam muito felizes.

06/08/20

10. Que bom

 O silêncio acompanhou o dia que partiu,

A noite chegou sob o silêncio,

Um bafo gelado soprou a janela,

Bafo que com som de vento,

A noite escura vestida de nuvens,

Pegou meu coração suave,

O escuro até me fez lembrar 

O dia que minha vó faleceu,

Mas o tempo já amenizou a perca

Resta saudade e amor.

Hoje, descobri uma coisa,

Na verdade descobrimos,

Teremos um menino.

Foi uma ótima revelação.

Como é bom ver a tarde cair assim

Calma com coisa para fazer,

Ouvindo a inteligência apaixonada

De Roberto Machado por Nietzsche.

Dia especial.

05/08/20

8. Julho em casa

Julho perfeito, amei o que vi e vivi,
Do lado de meus amados pais Francisca e Francisco, 
E irmãos Lidiane e Roberto,
Vi os campos com milho seco,
Coberto de alvas flores de cabeça branca,
Vi jitiranas alvas, amarelas, azuis, vermelhas e rosas,
Vi amarelas e alvas Asteráceas,
Vi amarelas e perfumadas e ácidas cajaranas,
Vi e senti o mato,
Corri e caminhei com o cachorro Sherlock,
Alimentei os pintinhos com cupim,
E andei pelo mato,
Indo e vindo,
Rasguei a pele, furei os pés,
Vi a natureza viva,
Vimos novelas,
Recebemos vizinhos,
Ouvi conversas e como sempre
Comi demais...
Foi perfeito...

04/07/20

10. Colheita

O campo após cultivado,
Foi abandonado ao descanso,
Depois foi limpo e fertilizado,
Veio a chuva e choveu,
Fazendo germinar a semente.
O sol aqueceu e permitiu que as plantas se desenvolvessem.
E estas plantas cresceram,
Floresceram e frutificaram
E teve fruto e semente,
E num lupe quantas gerações aconteceram?
Quantas coisas?
Ocorreram, ocorrem e ocorrerão.
Onde estamos neste tempo vegetal?

02/07/20

4. Sós

A tensão que se cria com a dúvida é terrivelmente desgastante.
Os momentos que vivemos que dependem de reações internas a vista oculta,
Nos consome, nos corrói por dentro.
Neste processo, ficamos todos atordoados,
Sem um norte.
É preciso fé.
É preciso força para não sucumbir aos nervos,
Esta existência prova-se uma atividade de potência.
Vivemos superando os limites da existência.
E não sofremos sós.

24/06/20

66. São João

Após a magia da noite,
A noite escura de céu estrelado,
A cor laranja da fogueira,
Vem a manhã nítida como o dia,
As cinzas da fogueira no terreiro,
As plantas amarelando a florir,
O papa-cebo cantando numa alegria,
O cachorro dormindo,
A gente varre o terreiro,
Retira as cinzas,
Tudo consumado,
Agora, vamos aguardar são Pedro,
Mas são João só ano que vem,
Este ano, não tivemos fogueira,
E nem nada do que foi descrito acima,
Mesmo assim obrigado são João,
Ano que vem quem sabe né!
Que seja eterno enquanto dure.

21/06/20

58. Sublime sinfonia

Meu peito se enche de paz,
Com a quinta sinfonia de Gustav Mahler,
Pois me sinto preso a realidade das coisas como estas são objetivamente,
O céu profundo,
O vento fresco,
A matéria com suas forma, suas peculiaridades
Que me permitem conhecê-las em realidade.
A água que ingiro,
O cheiro das coisas,
Sua dureza ou maciez,
Que melodia fina,
É preciso saber fazer e sentir o que faz para apurar tamanha beleza,
Essa obra que parece que já fui e não existo,
Que sou apenas um espírito vendo o mundo de maneira angelical.
Sentir o que estou ouvindo é sublime...

14/06/20

40. Mãe Lurdor

Revelação
Nesta semana, terça-feira  09-06-2020,ficamos sabendo que uma nova pessoa chega na família.
Hoje, domingo, 14-06-2020, ficamos sabendo da triste partida de mãe Lurdor.
Era uma pessoa maravilhosa que amava Dayane tanto quanto a mãe ou mais.
Sempre foi tão amada e atenciosa comigo.
Sempre reclamando o José para se conter com as palavras e as brincadeiras.
Tão conversadeira e amiga da irmã dela, tia Maria.
Quando íamos visitá-la, lembro que ficava contemplando Dayane,
Um olhar termo de mãe e amiga.
Fazia de tudo para que estivéssemos bem.
Agora dormiu, descansou, pensa que não conheceu nossa família.
Descanse em paz mãe Lurdor.

24/05/20

46. Outro momento

Para que este momento se eternize
É preciso paz exterior e interior,
Que haja silêncio,
Concentração,
Que se pense em algo bom,
Deixar para trás o que foi ruim.
Talvez esquecer mesmo que por apenas este momento.
Buscar a melhor memória,,
Pensá-la e amá-la.
Registre em forma de textual 
Na forma de um poema.
Quem sabe!
Às vezes, pensamos que as coisas tem tempo eterno,
Achamos que não passará.
Todavia tem o devido tempo.
O tempo objetivo,
A parte do tempo subjetivo.
E damos diferentes roupagens as coisas,
Ou aceitamos aquelas que os outros dão.
Tudo que falei é bobagem.
Temos maior medo de desaparecer da face da terra.
Medo do não ser. 
Só entendemos de ser.
E ser de maneira caótica.
Ser de maneira caótica.
A verdade é se é que esta existe
Estamos aprendendo a aceitar a existência,
Refutando-a ou amando-a...
Temos medo do que nos faz sofrer.
Sei lá.
Como poderia saber e ainda escrever sobre?
Com meus pensamentos caóticos e imbricados.
Como alto que está sendo triturado num moinho
Dando origem a algo palatável.
Parte de um processo em curso.
Agora, a chuva chove lá fora.
Ouço uma música de piano de Ludovico Einaudi.
E meu pensamento foge daqui e aparece em outro lugar.
Acabou de entrar num museu de Schubert na Aústria.
Os objetos como fatos de uma realidade.
A gente se espanta com essas coisas
Quando elas se materializam
Ou são registros de uma realidade.
Às vezes, nos leva a uma catarse.
Creio que tive uma catarse quando entrei numa igreja gótica.
Ou quando encarei um pintura de Gogh.
Estava ali materializada uma imagem pensada, pintada e contemplada pelo grande Vincent.
É lugares me encantam,
Livros me encantam,
Pessoas me encantam.
É tão bom quando a gente toma consciência do mundo e das coisas,
Consciência que o mundo é muito maior que nós que o nosso entorno...
Que as pessoas podem ser maior ou menor que aquilo que anunciam sobre estas.
Essa mistura de som de piano com som de chuva é tão agradável.
Ficaria um bom tempo contemplando.
Até que delibere fazer algo que ache necessário,
Entretanto não sinto vontade,
É domingo, uma manhã de chuva,
Estou colorindo este texto,
Para mim, pois não espero ser lido.
Há milhares de textos melhores.
Ler Clarice Lispector por exemplo.
Li hoje.
Foi tão lindo o texto.
Só capturei que ela amava rosas brancas,
E ela disse em dois textos diferentes.
Que amava as rosas brancas,
Pois as rosas brancas vão ficando mais perfumadas quando envelhecem.
Que gostosa e verdadeira observação.
Nunca pensei em dar uma roupagem como essa a uma rosa.
Talvez dona Ritinha poeta de Cabaceiras desse.
Só observo e contemplo.
Como amo a poesia feminina de Cora, Cecília e Rita...
Fecho este texto para continuar a viver a realidade em outro momento.

13/08/19

Imaginação

A manhã da terça-feira descambava para o meio dia. O sol acabara de desocupar a cozinha. O feijão saltava na panela e já estava quase cozido no fogão de lenha onde lascas de angico se reduzia a brasa, cinza, fogo e calor. Na chaleira descansada na chapa o café ainda estava quentinho. Sentada na borda do fogão vô Chiquinha tomava um café enquanto olhava para a chapada onde brilhava o verde dos pau-d'oleos. Em que pensava? Na sala, depois da anti-sala com o altar onde um vento frio soprava vovô Chico estava sentado em frente as paredes brancas, portas azuis entre imagens sagradas. Através da janela e da porta podia ver a barreira feita de barro vermelho. No alto da idade o que estava pensando. Vez por outra ouvia-se um grito ou via-se alguém passar.
- "Chico".
- Venha almoçar.
Na cozinha um golinho cantava.
O que acontecia mundo a fora?
Na casa de seus filhos e netos.
Então, entrou na cozinha onde sobre uma esteira estava a panela de feijão, a cuia de farinha, a panela de arroz, a frigideira com a mistura.
Bebeu o caldo do feijão, depois colocou farinha e misturou com o feijão, então colocou arroz e a mistura.
Comeram juntos, felizes pela companhia um do outro como se fossem eternos. Naquele momento, eram eternos uma realidade para si.
Então a tarde caiu.

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh