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24/09/26

Belo invento

 O calor da tarde,

Calçadas ardendo,

Paredes quentes,

A gente caminha

A gente caminha 

A gente caminha,

Então cai a tarde

E fica a tardinha,

Depois se vai a tardinha e fica a noite.

O sol vai lá pro Japão,

Leva consigo a luz

E traz consigo as sombras da noite,

O vento sopra de acoite,

Às vezes a lua aparece,

Às vezes a lua desaparece,

Ou é lua nova,

Ou é nublado...

Agora em setembro,

Aparece a estrela dálva,

Vênus, Vênus, Vênus

A parecem tantas outras constelações...

Eu fico admirado,

Desde menino,

Desde adolescente,

Desde a universidade,

A cadencia do tempo na tarde,

A cadencia do tempo nas luas,

A cadencia do tempo nas estações...

E a soma disto que chamamos tempo.

Belo invento.


08/09/26

Bosque pau-brasil

 O sol brilhava intenso num céu azul,

A sexta-feira estava perfeita,

Em frente a biblioteca central,

o bosque de pau-brasil floria,

notei pelas flores deitadas sob a copa das árvores

e logo senti o perfume de suas flores,

um aroma doce e intenso,

acho tão delicioso...

foi aqui que conheci este perfume...

perfume da planta que deu nome a nossa terra,

que deu nome a este bosque.

que vou levar pra toda vida.

Bananeiras

 Vi o sol num lugar diferente,

Vi uma outra mata,

Vi outras igrejas,

Vi  outras casas.

Conversei tanta coisa.

Vi um novo espaço,

Senti um novo espaço,

Vi uma fração de suas história,

Tanta coisa interessante.

Foi de longe,

Foi de perto,

Mas deu pra perceber,

Conheci o que conhecia de ouvido...

Através das histórias...

Bananeiras na Paraiba,

O brejo paraibano...

Foi tanto,

Ficou um gostinho de quero mais.

04/09/26

Florada

 Setembro chegou

E junto com o mês,

Vieram as floradas das anacardiáceas,

Cajueiros e mangueiras e cajás,

Árvores tão grandes

De flores tão pequenas,

Flores tão perfumadas,

Flores por abelhas polinizadas,

O cheiro anuncia um banquete de néctar,

A gente fica feliz,

As mangueiras parecem ressucitar,

Já já é a época da manga,

Doce manga,

Amarela manga,

Manga espada,

Manguita...

Setembro é quente,

Mas é doce.

25/08/26

Como literatura

 Ontem, em frente ao HU, da UFPB, vi um lindo chevrolet D60, branco, potente e cara de mal. Fiquei muito contente. D60 me arremete a Martins, cidade natal. Onde na minha infância eu via o D60 gerimum coletando lixo pelas ruas. Quem dirigia era Babu. O barulho do motor inconfundível, o sol ardente, sob o frio da serra fez aqueles momentos se eternizarem e em minha vida. Certamente, estava com a mamãe. Nunca tinha visto um D60 Branco... Lindo demais. Os mais comuns que conheci eram cor de goiabada como o de Ivin, um comerciante que comprava pinha e ceriguela lá no nosso sítio. Os D60 eram comuns na década de 80 e 90 só perdiam para os tromba de porca da Mercedes. Tempos bons... Somos produtos de nosso tempo e lugar. Com o tempo estas memórias não serão compartilhadas, apenas aparecerão como invenção, como literatura.

14/08/26

Descoberta do irracional, conhecimento

 A tanto tempo,

Tão distante do agora,

Numa estação de preservação,

Eu ouvia o canto do carão,

Ouvia aquele belo canto,

Que vinha de uma fazenda vizinha,

E não sabia que ave era aquela,

Percebia, ouvia, mas não distinguia,

Mais de vinte anos depois,

Que era o canto do carão...

As coisas as vezes se demoram a serem conhecidas.

06/08/26

Antes das seis horas

 Em silêncio,

Olhos dilatados,

Pelos eriçados...

O DSE tem Salas e corredores vazios.

Rivete chega e abre a porta fria de vidro.

As luzes brancas alumiam sua chegada e o corredor por onde entra.

Abre a porta de madeira.

Senta...

Depois chega Nildo, sobe a escada e abre a grade.

Mexe no celular e vai assinar o ponto.

Chega Rubens, caminhando devagar, contemplando.

Abre a porta e deixa aberta,

Chega dona Elisabete e vai para a ala do osso da baleia.

Depois chega Filipe

Que conversa com a gata que chama de Vea...

Tudo isso ocorre antes das seis horas.

27/07/26

Araçá e sua existência

 O velho pé de araçá,

Que cresceu no pé da pinheira,

Tem tantos anos conosco.

Já foram tantos anos de existência,

Já foram tantas flores alvas floridas,

Seu crescimento marcava o tempo,

A gente sempre o mirava nas tardes de descanso.


Agora, julho de 2026, 

Tinha sob sua sombra,

Deitados no solo vermelho,

Amarelos e doces araçás.

Muitos docinhos araçás.

Primeiro se encheu de flor

O velho aracazeiro,

Vieram as abelhas,

Visitarem as flores alvas e docemente perfumadas,

Depois nos ramos

Verdades os araçás cresceram 

E agora no fim amadureceram...

E se fecha mais um ciclo,

Uma safra,

Um momento no tempo.

E aqui estou por testemunha

Desse grande companheiro 

Mais nada

24/07/26

Gratidão

 Agradeço a Deus por tudo que tenho vivido.,

 Agradeço a Deus por tudo que tenho sentido,

 Agradeço a Deus por onde tenho vivido,

E com quem tenho vivido...

Meus avós, meus pais, meus irmãos, minha mulher, meu filho e sobrinho.

 Agradeço a Deus pela minha caminhada,

Pelas pedras na estrada,

Pelas sombras no caminho diante deste sol maravilhoso.

Como a mata depois da chuva,

Meu coração está cheio de alegria, de gratidão.

Após um momento de oração,

Uma boa reflexão...

Agradeço pelas pessoas.

Sou grato por tudo.

Em Deus sou tudo.

Obrigado senhor.


02/07/26

Manhã entre sala e mata

 O silêncio,

Ausência de movimento,

Amanhece,

A mata escura se acende,

Ali cantam aves,

Garrinchas e bem-ti-vis.

Abro a porta de vidro,

Corredores e sua profundidade,

As portas das salas cerradas,

A luz branca cansada da noite trabalhada.

Acabo mergulhando nessas ideias 

Sempre presentes no meu cotidiano.

30/06/26

Natura, natureza no inverno

 Sol brilha dourado.

O mato verde fica amarelado,

As latadas de Jitirana copada 

E toda estrelada,

Flores brancas, azuis e rosadas.

Zunido o mundo 

As abelhas tralhando...

Nuvens tornam o céu rajado,

O vento refresca 

Nós refresca 

E fica a saudade.

08/06/26

Manhã de junho

 Após uma noite de neblina amanheceu. 

O céu está cinzento.

Lufadas de vento vêm e vai.

O paralelepípedo da rua empoça água aqui e está seca ali.

No alto do prédio ao lado pombos brancos se peneiram a se coçar.

Flores alvas de jasmim molhadas daitadas na calçada.

As telhas marrons em seus telhados espelham sua face molhada.

A neblina soprada pelo vento volta.

Em suas camas desncasam felizes o mês de junho.

Mês dos namorados, da festa junina e da copa...

Ano de inverno.

Aqui celebro tudo isso com um chá, o silêncio e celebrando o meu ser maior.

Conhecer Natal

 Fomos a Natal no mês do são João.

Vimos o aquário da redinha.

Vimos e passamos pela ponte Antenor Navarro.

Vimos o farol de mãe Luiza.

Vimos a via costeira.

Vimos o morro do careca.

Vimos as dunas do parque das dunas.

Vimos a UFRN.

Vimos o museu Camara Cascudo.

Vimos o Hospital universitário Onofre Lopes.

Vimos a maternidade Januário Cique.

Vimos a barreiras do Inferno.

Vimos o maior cajueiro do mundo.

E passamos uma tarde e uma noite 

Em família com meu amado e querido amigo 

Robério Nascimento e sua família Daniele Marinho, Giovanna e Olívia Marinho.

A tarde fresca e de  nuvens de algodão.

Foi perfeito.

É bom demais sentir que a gente tem amigos de verdade.

Voltamos pra casa

Cheio de recordações.

Mamãe e papai do Vinícius.

Prima percepção

 Na terra seca das vertentes dorme a vegetação,

O marmeleiro e a catingueira,

O Xique-Xique e o facheiro 

Armados da base ao alto.

Bem ali no mufumbo ouço um trinado.

Ouço um corrochiado.

Imediatamente fico encantado.

É o canto de um golinho.

E levarei para sempre em minha alma.

Essa beleza sonora.

Aprendi de imediato o nome deste passarinho.

Seu ser,

Sua forma,

Suas cores,

Seu canto e seu espírito que passou a ser parte de mim.

24/04/26

Natureza se ordenar

 A chuva,

A chuva molha a mata,

A chuva molha o solo.

A chuva desperta a vida,

A chuva enxarca tudo,

Faz os ramos brotar,

Faz a semente e esporo germinar.

A chuva faz os ovos eclodirem,

Os bichos aparecerem...

Insetos voarem,

Sapos cantarem...

A chuva passageira,

Uma breve estação,

Faz a vida reproduzir...

E a natureza continuar.

07/04/26

Francisco Chagas Neto

 Ontem domingo de páscoa em Serrinha dos Pintos fui à missa e ao sepultamento do padre daquela terra Francisco das Chagas Neto.

A igreja estava repleta de gente. Durante a serimonia da missa choveu. 

Houve o cortejo fúnebre onde encontrei e cumprimentei meus amados professores e amigos.

Luiz Preá, Ledimar, Rivete, Berg, Glicério, Eudes.

Vânia, Herbenia e Francisco meu primo.

Fui ao túmulo de meus pais.

A noite caiu.

Padres cantando e um colega enterrando.

O bispo e Nil o coveiro.

O dia e a noite.

Os últimos Franciscos estão sendo enterrados.

Só sobrarão os evangelistas Lucas, Marcos e Mateus.


É o espírito do tempo.

Com meu amado filho

 No mês de abril,

Após as grandes chuvas, 

pude no mato andar.

É gostoso sentir 

O perfumado cheiro da flor,

O amarelo doce do cajá provar.


Ver o feijão no campo de espalhando,

Nas hastes longas 

As flores roxas desabrochar.


E o agricultor com a campinadeira,

Dando ordens e o boi obedecendo 

Na carreira subindo e descendo.


A vista cheia de beleza, o cheiro 

Da terra arada,

O canto da passarada.


Andar no meio do mato,

Com cuidado pra uma cobra não encontrar,

Vendo a copa da mata fechada.

O cuidado pra não se estrepar.


Ver o açude de água nova barrenta,

O som da água na pedra escorrendo...


E o peito cheio de alegria...


A alma que é uma poesia...


Essas coisas bonitas 

Que a gente leva pra vida.

Papai e o ser

 Aqui tudo é eterno 😍 

Da área onde me sento para onde olho tudo é rico em memórias.


Sentado onde meu pai sentava.

Sentado onde meu pai pensava.

Às vezes sozinho,

Às vezes acompanhado,

Só Deus sabe no que pensava,

Pensava o que vivia,

Pensava o que passava.


Sentia amor,

Pedia proteção

24/03/26

Farinhada

 A mandioca arrancada,

Em caçuas carregada,

Na casa de farinha,

Derramada e arrumada,

Descascada.

Mão ligeira,

Conversa frouxa,

O alvo amido,

Cheiro da raiz limpa,

Motor ligado,

A batata cevada,

A maça branca,

Vai ser prensada,

Espremendo a manipoeira...

Agora a hora da lavadeira,

Lavadeira nova,

Roupa ajustada,

A rede dançando,

Pra lá e pra cá.

A goma decantada na gamela,

A massa lavada vai ser assada,

O cheiro da manipoeira fora casa,

Lenha acesa,

Rodo a posto,

Massa espalhada,

Começa a torrada,

O assador a dançar,

Pra lá e pra cá.

É Paté?

É. 

E o cheiro da farinha incensa a casa.

Depois o beiju e a tapioca.

E a novena de graça.

Vida boa foi a minha.

23/03/26

Barro vermelho

O barro vermelho é um lugar em Serrinha.

Hoje está muito reduzido.

Foi grande, Foi grande.

Hoje no barro vermelho não se sente mais os cheiros

Da manipueira ou da farinha sendo torrada.

Sumiram as casas de farinha de Zé Paulo, Das Dores e velho do Santos.

No Barro Vermelho já não tem mais nenhum som de viola.

Sim, Lorival Cearense casado com tia Raimunda sempre fazia as cantorias.

O que resta no barro Vermelho são as barreiras vermelhas,

As árvores de timbaúvas, os coqueiros-catolés; as pitombeiras...

O barro vermelho morreu.

Sabe lá o que vai se transformar.

Dona Nenem se foi, Ninguém se lembra de Tio Raimundo Souza...

O lugar não tem memória, as pessoas são as memórias.

Pude viver algumas dessas memórias,

Mas até eu mesmo já estou se indo.

A mudança com paz

 Cada dia que vivo é um dia a menos. Cada hora, cada minuto, cada segundo. Como é angustiante saber disso. Será por isso que o doce é mais g...

Gogh

Gogh