22/06/26

Eu caburé

 Acordei de madrugada,

O silêncio imperava.

Um caburé deu início uma toada,

No escuro este cantava.


O Caburé nem imaginava 

Que de longe eu escutava.

Na rede eu deitado,

No ramo ele pousado...

Ele cantava e silenciava,

Eu aqui imaginava...

Eu sabia que ele existia,

Ele por mim não nem sonhava..

A minha existência,

Nossa existência 

Num mesmo lugar.

Eu aqui e ele lá.

Ele cantou e eu ouvi.

Cantava para outro escutar,

Cantava pra demarcar,

Cantava para atrair,

Cantava por que existia...

O caburé que foi ovo,

O caburé num ninho gerado,

O caburé que foi cuidado,

O caburé aprendeu a voar,

O caburé aprendeu a caçar,

O caburé aprendeu a cantar na noite.


O caburé conhece a lua, mas não sabe falar lua,

O caburé canta pra lua...

Caburé...


Vim conhecer o caburé a pouco tempo.


Conhecia a palavra caburé.


Ouvia papai dizer que vovó falava olhe o caburé de orelha,

Mas nem dava por ele.

Então um dia o vi 

E não sabia quem era.

Sabia que era uma coruja e só.


Seus olhos grandes,

Sua pena rajada,

Seu bico curvado,

Seus dois dedos pra frente e dois para trás.


Um dia ouvi seu canto 

E foi aquele espanto,


Pois pra minha surpresa,

Conhecia aquela beleza

Aquele canto 

Já ouvira tanto

Mas não sabia de quem era...


Era o caburé 

Cantando no tempo 

Ecoando em minha mente...


No tempo compassado,

No presente 

E no passado.


Memórias da alma.


E nessa madrugada 

Ouvi um cantar

Era você caburé...


Eu que fui tantos,

Tonto, voltei a ser quem fui...

No dia que primeiro te ouvi

Caburé.

Eu caburé

 Acordei de madrugada, O silêncio imperava. Um caburé deu início uma toada, No escuro este cantava. O Caburé nem imaginava  Que de longe eu ...

Gogh

Gogh