02/08/22

Quê?

É preciso se aproximar para ver com mais nitidez.

É preciso manter uma certa distância.

É preciso ter um certo cuidado.

Pra entender algo,

Para digerir algo,

Tem que saber se esse algo vale a pena,

Tem que saber se é real e não uma ilusão.

Aproxime,

Com cuidado,

Então transcenda tudo isso.

A luz é Jesus.

A distância se cruza com a fé.

Tudo precisa ser entendido,

Tudo precisa ser digerido...



01/08/22

Em agosto

 Agosto chegou.

Fará 22 anos que sai de casa.

Agosto aniversário de meus irmãos, sobrinhas, meu primo, meu avó.

Agosto.

Julho se entregou a agosto num clima de chuvas e clima frio.

Quantos elementos afetivos não.

Quanta coisa num mês.

Mês dos leoninos no horóscopo.

Como juntar tanta coisa num texto com sentido?

Nem imagino.

Tem coisas que são possíveis,

Pesarosas e dolorosas.

A gente procura nem encontrar as linhas de conexão.

Aqui está agosto.

Esse ano,

O ano passado tem sido muito difícil por ter perdido meus pais.

É preciso ser forte para suportar e seguir em frente.

Meu filho é minha fonte de fé, de energia

Para continuar mais um agosto.

É em agosto de 2000 fui para a faculdade.

A gente celebra o dia dos pais,

Os aniversários.

A vida vai seguindo em agosto.


29/07/22

Rápida memória

 Patativa

Uma patativa cantando aqui fora, na borda da mata.

Singela ave, pequeno pássaro de papo amarelo,

Dorso cinzento e sobrancelhas alvas.

Pequenina, se bico agudo arqueado,

Que canta como nenhum outro pássaro.

Adora o doce das frutas no pé.

Seu canto animado, anima a cidade de João Pessoa,

Onde tenha um jardim com uma fruteira,

Pode esperar que ela um dia aparece para cantar e comer.

Tão contente.

Como dizia, lembrei da minha infância regada a frutas e fruteiras,

Das doces pinhas nas pinheiras ficava esperto quando ouvia

A patativa a cantar,

Ali naquela pinheira,

Pinha madura sempre havia.

O branco doce das pinhas,

O canto doce da patativa,

A emoção desta doce memória,

A memória de infância,

Vem sempre acompanhada de mamãe,

De papai, dos irmãos,

Do sítio...

Ah!

Patativa o teu canto,

Despertou uma memória...

Que quero apreciá-la até que se vá,

Como você se foi.

Rápido...

28/07/22

Goiaba com gosto de amor

 Comer goiaba é muito bom.

Melhor ainda quando a gente come no pé.

Na infância, fui criado num sítio.

No nosso sítio tinha pés de goiaba que  nasciam aleatoriamente.

A gente comia aqui e dispersava ali.

Uma das maravilhosas lembranças é justamente de bem depois do café,

Perto das 10h, a mamãe saia com a gente para comer goiaba.

A gente era criança...

E ficou na minha mente,

O gosto amarelo-rosado da goiaba,

A posição geográfica das goiabeiras no sítio.

O conforto de encher o bucho.

A nossa presença compartilhada.

Que delícia o gosto da goiaba,

Que delícia o gosto do amor.

27/07/22

Mais um dia

 O dia nasceu,

O sol apareceu,

Depois veio a névoa,

Depois nublou.

A mata silenciosa,

Aguarda a chuva.

Um sabiá piou na borda da mata,

Minha mente expandiu e contraiu,

Lembrei de Campinas,

Lembrei de mamãe,

Ai cantou uma cambacica,

Ai cantou o ferreiro-relógio.

Silêncio.

A mata aguarda a chuva.

A fumaça do chá de cravo

Incensa minha sala.

Volto a mim.

Dissolvo todos os meus pensamentos.

Rezo um pai nosso.

E me preparo para mais um dia.

26/07/22

Mais um dia

 Mais um dia de sol!

Sensacional.

Após uma semana de chuva e umidade alta o sol é bem vindo.

A casa até fica cheia de vida.

A luz atravessa a janela alumiando tudo.

Quem não gosta muito são os fungos.

O mais tudo vai bem.

Logo mais chegará o verão.

Serão meses de muita luz e energia.

Agora podemos curtir a alta umidade,

Os ventos intensos.

Esse texto só faz sentido nos meses de chuva é claro.

Enfim.

Mais um dia.

25/07/22

Erro da meteo

 O sol contrariou a meteorologia,

Vi que choveria o fim de semana e essa semana, entretanto sábado, domingo e hoje está sol.

O dia apesar de claro, frio.

Muito vento soprando.

Ontem, à tarde, fomos a praia.

O céu azul entregou a tarde a noite.

Eu, meu filho e minha esposa sentamos na areia da praia e contemplamos o horizonte.

Expliquei para meu filho que aquela linha que separava o oceano do céu era a linha do horizonte.

Ele, apesar da idade, 1,6 anos, atenciosamente se envolvia com as palavras e a cena e repetia.

Depois descontraiu e foi andar na areia descalço.

Enquanto isso, minha mente se perdia em tantos pensamentos...

As ondas se quebrando na praia,

A espuma se desfazendo ao vento.

E meu filho sorrindo ia e vinha.

Minha esposa conversava e cuidava do menino...

Coisa boa o erro da meteorologia.

22/07/22

Vamos seguindo

 Os dias se sucedem,

Ontem a chuva chovia suave.

O chiado da chuva e do vento animavam minha alma.

Hoje é silêncio.

A chuva não choveu.

Estava silêncio até um bem-ti-vi quebrar o silêncio,

Depois vieram as siriris,

Depois um sanhaçu piou...

Tomei atenção nos sons...

De repente muitos sons apareceram...

Bem-ti-vis, uma corroíra.

E o silêncio ouvido por minha mente,

Já nem liga para o chiado do computador,

Do ar condicionado,

Quem chia é a minha mente,

Processando, memorizando a vida.

Algumas coisas merecem ser guardadas enquanto outras deletadas.

Bom as vezes tem um arquivo muito grande que não sabemos se deletamos ou guardamos,

Ai vamos procrastinando...

Depois de muito pensar,

Resolvi deletar.

Da memória e da lixeira.

Bem agora é preciso um novo em si,

Vamos começar tudo de novo.

Ontem chovia,

Hoje não chove,

Ontem fazia som,

Hoje é silêncio.

E assim vamos seguindo.

21/07/22

Chuva convectiva

 Chove,

Cessa a chuva,

Chove,

Cessa a chuva...

Assim é o clima tropical.

Muita chuva, 

Chuvas convectivas.

Não tem hora para chover.

Chove... chove e chove.

A mata fica animada,

A cidade fica alagada.

Na mata cantam a passarada.

É patativa, é rixinó...

Na cidade tudo fica melado,

A gente reclama...

Não aprendeu a viver em harmonia,

Não respeitou a lei da natureza,

Não respeitou o curso dos rios...

Assim...

Chove, chove e chove...

A patativa está muito animada.

Com esse céu encharcado,

Canta porque sabe que é coisa da natureza.

Porque entende a beleza,

Porque sabe que a natureza é a mãe.

Quem sabe até quando ai estará?

Quem sabe um empreendimento não a destruirá.

É o progresso desorganizado.

Quem importa...

Canta patativa.

Chove sem parar.

Chuva convectiva.

20/07/22

O ser

 Vi a madrugada chegar.

Vi o dia amanhecer.

Na madrugada cantou o rixinó e o siriri.

Pensei no som das aves como conforto.

Pensei na harmonia.

Num continuo amanheceu.

E estava desperto atento as atividades

A serem feita...

Café, organizar as coisas da cozinha,

Cozer o chá e os ovos,

Comer, tomar banho.

Coisas habituais.

E o que fica de tudo isso.

O ser.


19/07/22

Partida em resumo.

 Parece que foi ontem que sai de casa.

Morando no interior e desconhecendo o mundo.

Cada vez que saia de casa o mundo se revelava.

O mundo era tão grande, tão vasto.

O mundo é grande e vasto, mas quando a gente se aventura nele.

Percebe o quanto é grande e vasto.

Fui embora como uma semente alada.

Por conta de Deus.

Papai e mamãe ficaram tão tristes.

Mas sabiam que era preciso que seu filho fosse além.

Papai tinha ido além.

Papai foi no escuro, aventurar um trabalho.

Eu estava indo para a faculdade.

Foi duro sair de casa.

Foi dura minha partida.

As partidas tem essa áurea.

Um misto de saudade com um misto de curiosidade.

Será que a morte é assim.

A gente deixa um universo conhecido e vai para um universo desconhecido.

A gente é nesse momento como o tempo e espaço.

A gente é como conhecido e desconhecido.

O tempo vai revelando.

O espaço vai revelando.

A gente experimentando.

A quem fica existe o vazio.

A quem vai existe o novo o curioso.

O desenrolar.

Foi em agosto que fui para longe de casa.

Hoje, faz um ano e sete meses que papai foi embora de casa.

Foi embora da terra.

Papai encontrou a eternidade, o descanso eterno.

Fica a memória dos momentos compartilhados.

De tudo fica uma aprendizagem.

A partida dói muito, mas é inevitável.

Cada um tem que partir.

Cada um tem que viver a experiência.

É o resumo da vida.

Algo grande acontece com a partida.

A evolução.

Eu evolui... tantas coisas se revelaram.

Papai certamente bom que era está num plano maravilhoso.

Papai... te amo.

Esse é meu resumo.

18/07/22

Sapiência borgiana

 Sabe a inteligência nos encanta.

Inteligência bem usada.

Há aqueles que sabem usar a inteligência elegantemente outros são espertos.

Borges é um exemplo lapidar de quem soube utilizar a inteligência.

Usou sua sabedoria como chave para decifrar as belezas presentes nos livros.

Sua paciência, suas meditações e reflexões desencadearam numa percepção fabulosa de extrair dos textos beleza.

O fato de ver o que ninguém viu.

Perceber o que não foi percebido...

Estando tudo ai.

É de notar grandeza de entendimento.

Foi assim.

Uma amiga me apresentou certa vez.

Estava no mestrado.

O livro era em espanhol...

Não lembro qual era...

Li por influência, mas por causa de fluência na língua e em filosofia.

Bem aquilo foi apenas um autor, argentino por cima.

Todavia, ficou guardado.

Anos depois na livraria leitura no Shoping Don Pedro em Campinas vi um livro.

Uma espécie de autobiografia.

Realmente, em português e com mais leituras de filosofia.

Fui arrebatado...

Li como um diabético que come um pudim...

Nunca tive tanto prazer.

Depois vieram outras buscas por conhecer este divino autor.

Ainda mais por ser autor de contos...

Sabe a nossa amizade continua até hoje...

Ouço palestras, li vários livros.

É assim para não esgotar minha paixão...

Vou degustando aos poucos.

A inteligência sagas e paciente nos arrebata amigo.

14/07/22

Zigue-zague

 Sinto tanta saudade!

De abraçar e beijar 

Papai e mamãe.

Que chega a doer forte o coração.

A vida essa ilusão.

Agraciado é quem vive com amor,

Quem vive com paixão.

A saudade arrocha quando vou no baú da memória.

Tudo vai ficar bem.

13/07/22

E assim se foi

 Papai seguiu o curso da natureza onde ele morava.

Como as ervas morrem em agosto.

Em agosto adoeceu,

Como as ervas desaparecem em dezembro.

Em dezembro ele desapareceu.

Mamãe!

Ah.

Mamãe

Como a natureza se foi muito cedo.

Nem esperou o inverno chegar.

Se foi em janeiro...

Foi muito cedo.

Saudades de meus genitores,

Saudades de meus amados amores.

Amanhecer

A manhã nasceu clara.
Ouvi o rouxinol cantou na madrugada,
Vinícius bolou suado.
Assim amanheceu 
O dia entre tantos dias.
Dia novo como Vinícius.
Percepções antigas.

12/07/22

Memória da rede

 Certo domingo,

Fomos para a casa de vovó,

E lá, fomos na casa de tia Teinda.

Mamãe foi ver a última filha que acabara de nascer.

A gente entrou pela cozinha.

Naquela casa sempre se entrava pela cozinha.

O sistema lá era diferente.

Embora fossemos todos pobres.

Nós fomos morar em outro lugar.

A gente aprendeu muito com o sistema do lugar.

Mamãe era mais ligada nessa coisa de cuidado.

A gente sempre ia lá em tia Teinda.

Memorável memória.

Apesar de lembrar apenas da meia luz,

Da rede...

Nada mais.

01/07/22

A substância da realidade

 Essa realidade que me espanta.

Que se faz,

Que é,

Que se desfaz.

No tempo e no espaço.

Vejo o passado tão recente

Através de uma fotografia.

Essa realidade que existia,

Essa realidade que se desfez.

O que é a realidade a propósito?

Um movimento no espaço e no tempo?

Movimento de matéria e energia.

Não sei...

Um rouxinol cantou lá fora.

Cantou algumas vezes

E sumiu para mim.

Não o vi,

Apenas o ouvi.

O que é a realidade?

A realidade era o rouxinol?

A realidade era seu canto?

A realidade é um carácter?

Não sei.


30/06/22

Poema

 Ontem foi um dia de chuva daqueles.

Amanheceu nublado,

Depois caiu o maior pé d'água. 

A manhã terminou com chuva e a tarde foi a mesma toada.

Hoje o dia nasceu ensolarado.

O dia continua ensolarado.

O vento está suave...

A propósito descobri os trigramas do I ching.

Muito interessante, 

Porém é preciso paciência,

Pois os movimentos de apreensão do objeto são muito próximos.

Sabe espécies próximas do mesmo gênero?

É preciso uma relação muito maior

Que espécies de gêneros diferentes.

É exatamente isso...

É necessário um tempo muito maior para a formação de um gênero.

Como detectar que algo novo surgiu?

Olhando para a palheta de dias.

Ontem,

Hoje,

Amanhã.

Voltando ao dia de ontem a chuva foi divina.

Estava precisando chover para dar continuidade ao período de chuva.

E o sol de hoje não vai demorar muito....

É período de chuva.

Teremos sol a maior parte do ano.

Chover portanto é importante.

Quanto ao trigrama...

Bem tem o Yang e o Ying.

Que pode ser representado por 1 e 0.

Pai e Mãe.

Céu e terra.

Seus filhos fogo e água - lago e montanha - vento e trovão.

Constituem um octagrama -

E os chácaras...

Bem essa é outra história.

29/06/22

Tao te

 Tudo se fez,

Tudo se desfez,

No tempo,

No espaço...

Um dia surgiu, cresceu, desenvolveu e existiu.

Um dia sumiu.

Para onde foi a existência?

Um dia acordei,

O dia era ensolarado.

Ouvia um som agradável,

Som de folhas de buriti,

A noite ocultava a beleza do lugar

Que fora revelada pela luz do dia,

Esperava encontrar a plenitude lá.

Não encontrei nada,

Porque buscava,

Quando se busca algo, limita a percepção da realidade.

O caminho é a totalidade de todas as coisas.

28/06/22

Árvore

 O vento acaricia as folhas das árvores,

Que de tão contentes cantam um chiado doce,

Doce como o se derramar das águas nos riachos.

As árvores por vezes dançam pra lá e para cá.

Dançam felizes pelo existir.

Tem o que precisam

Água, luz e minerais,

Tem o solo para lhes sustentar,

Tem a noite para apreciar e descansar,

Quando algo lhes faltam elas não brabegam

Resistem fortemente.

E tudo é como é.

27/06/22

Memórias de uma casa

 Voltei a minha casa pela segunda vez.

Agora sem papai e sem mamãe.

A casa parece pequena.

A casa está vazia.

O que preenchia a casa não eram objetos,

O que preenchia a casa não eram coisas.

O que preenchia a casa era a presença.

A presença de mamãe.

A presença de papai.

A presença de espírito.

O uso e ocupação dos espaços.

Três pessoas ocupam mais espaço.

Mamãe, Papai e Li.

Tem os gatos Boris e Belinha,

Tem os cachorros Shaquira e Sherloque.

Tem o louro e as galinhas.

As coisas são apenas coisas.

A presença...

Nos terreiros havia mato,

No quintal era só mato.

Rocei.

Limpei.

Abri e descobri o mato.

A presença de papai preenchia o sítio

A presença de mamãe preenchia a casa.

À tarde tinha o cochilo, 

Tinha o café,

Tinha o pão...

Agora tem o silêncio frio.

Que não é total pelos bichos.

Li fala alto,

Acho que é para se ouvir.

Nada volta a ser como antes,

Mas pode ser um novo.

Temos que nos acostumar com a ausência.

Temos que aceitar a realidade.

Essa casinha que papai tanto gostava

Não deixava ela por festa nenhuma,

Só saia por necessidade,

Uma feira,

Um pão,

Uma missa,

Um velório...

Papai era introspecto.

Mamãe saia por qualquer motivo...

Amava passear.

Ver gente,

Conversar...

A casa tem a cara dela.

O sítio tem a cara de papai.

O conjunto...

O todo.

Meu amor por voces,

Me ajudará a continuar,

A memória viva...

Li cuida da casa.

Vou tentar cuidar do Sítio.

Saudades.

A propósito papai, fiz sua fogueira.

Foi linda, mas demorou a queimar.

Queimou o dia e a noite.

Usei lenha de ciriguela e de feijão bravo e catingueira.

Fiquei até as 22:30h.

Sentindo o calor da fogueira e a sua presença.

Tomei dois copos de vinho.

Soltamos traques,

Bombinhas e cebolinhas.

Vinicius seu neto amou.

Obrigado por tudo papai

Obrigado por tudo mamãe.

Sem vocês não seria quem sou.

Te amo.

20/06/22

Na mente

 Com o tempo ficam apenas as coisas da mente.

A felicidade dos encontros.

Sem os encontros as coisas vão perdendo as cores.

É preciso cativar.

É preciso manter viva a memória.

Assim...

A gente vai vivendo.

A gente vai entendendo.

O sentido da vida.

Sinto saudades de mamãe de de papai.

Sinto saudades de outros tempos

Em que estávamos juntos.

Mas agora...

Restam memórias.

Sou.

Parte de papai,

Parte de mamãe,

Sou amor,

Sou respeito,

Sou carinho...

Tudo de bom que me ensinaram.

Sinto saudade de nosso contato,

Na mente não tem questão de tempo.

Na mente.

17/06/22

Quase nada

Essa manhã silenciosa.

Que se passou que coisa preciosa.

O sol pleno ao meio dia.

Soa doce como poesia.

A alegria da existência.

A alegria da vida.

Plena vida...

Como o sol a pulsar.

Como a ave a cantar,

Como o verde a verdejar.

Assim fico impressionado,

Com o que a vida pode me dar.

E nada posso eu dar em troca.

Só umas palavras...

Um sentido que me dê sentido.

Quase nada.

Quase nada.

15/06/22

Tempo

 Amanheceu ensolarado,

Dia de luz.

Dia de paz.

As aves estavam tão felizes.

Felizes.

Há dias venho ouvindo a vocalização de uma ave.

Lindo som.

Hoje descobri o que era um papagaio.

Agora pouco tempo depois.

Ficou nublado.

Vai chover...

Está chovendo.

14/06/22

Silêncio das aves

 Só o silêncio das aves ecoa.

Só o silêncio harmonioso.

Saíras, corruíras,

Papagaios.

Ecoa na mata o som das aves.

Ferreirinho relógio.

Só vejo as cores mentais...

Papo amarelo,

Costa verdes...

Roupa franciscana.

Silêncio que acalma.

13/06/22

Texturas

 Fomos ao aquário sábado.

Vinicius adorou.

Eu mais ainda...

Vinicius gostou porque encontrou os meninos.

Adorou porque viu um monte de peixes.

Mas ele se encantou com um lastro cheio de conchas.

Passamos muito tempo ali brincando com as conchas.

Mexendo nas conchinhas, pétreas, de forma angular,

De som perolar.

Muito bom brincar com conchas.

Tive que voltar ao mesmo lugar mais de uma vez.

No lugar tinha uma escotilha e um canhão antigos.

Mas ele se encantou com as conchinhas.

Fico encantado com essa percepção que ele tem de tocar as coisas pequenas.

Conchas,

Rochas,

Britas,

Sementes...

10/06/22

Abacaxi - Abaaacuncun

 Vinicius meu filho,

Não sei porque adora a palavra abacaxi...

Ele pronunciava abcuncun...  ou coisa assim.

A relação dele com a palavra e a coisa foi intensa.

Lá em casa tem uma rede no meio da sala

Que dá para nossa cozinha americana.

No bancada a gente coloca as frutas.

Entre elas está o abacaxi.

Bom quando queria ter um sossego colocava ele na rede comigo

E balançava narrando uma viagem.

E ali estava o abacaxi.

Mostrava ele...

O abacaxi,

Descrevia,

Depois colocava ele para tocar nas cascas do abacaxi.

Cheirar...

Abacaxi - do tupi - fruta perfumada.

Assim foi sendo sua relação com essa fruta maravilhosa.

Da família das Bromeliaceae que significa mangar dos deuses... bromos...

Hoje ele adora...

A palavra...

Abacaxi.

Aprendeu a falar abacate...

Será influência do abacaxi.

O lindo é quando ele se da conta de uma palavra.

Quando ele percebe...

Ele acha lindo e repete...

Abacateeeee.

E quer que a gente aponte...

Repete até se dar por satisfeito.

Já entendemos.

Vinicius aprendeu que repetindo ele pode memorizar melhor.

Abacate...

Cantando também.

A gente fez uma musiquinha para o abacaxi.

Abacuncun... abacuncun. abacaxiiiii.

E ele até dança...

Como é lindo a infânicia.


09/06/22

Respire fundo

 Ontem à noite,

Senti falta de mamãe...

Até me emocionei.

Senti falta de nossa amizade...

Refleti muito.

Mamãe que tanto sentiu dor ao longo da vida.

Não sabíamos com lidar com esse sofrimento.

Como explicar para alguém a suportar a dor?

Se nós que somos normais temos ojeriza a dor.

Mamãe não sofria calada.

Diferente de papai...

Conseguia suportar a dor...

Os sintomas.

Seria o medo?

Até me perco em meus pensamentos.

Mamãe e papai.

Eu.

Esses sentimentos.

Essas relações.

Essa entropia...

Viva.

Quer dizer tudo passa.

Take a deep breath.

Respire fundo...

08/06/22

Vazio

 Faltam me as palavras para tecer algo.

Que carrego é uma grande dor.

Dor da perda.

Hoje faz seis meses que mamãe se foi.

Não teve um dia que não pensasse nisso.

E como dói.

Às vezes, penso que nada faz sentido.

Que saudade!

Que saudade!

Que falta me faz.

Mamãe... Será se um dia nos encontraremos.

Em sonho?

Saudade de seu cheiro,

Saudade de nossas conversas.

Da nossa cumplicidade.

Por que você se foi tão cedo?

Seguir a vida é tão duro.

Só o que me alegra é meu filho Vinicius...

Graças a Deus que a senhora conheceu...

Te amo mamãe.

06/06/22

Que se foi

 Aqui estou!

Aqui vim...

De onde não sei.

Nasci e fui muito amado pelos que me rodeavam.

Meu pai e minha mãe quanta sensibilidade

Ao me conduzir no que me transformei.

Ser e existir.

Espírito e matéria.

Esta luta constante que é viver.

Existir a condição de ser.

Ser a condição de aprender.

Às vezes, somos tomados por uma angustia profunda

Proveniente da incerteza da vida.

É preciso se segurar,

É preciso ser forte,

E vencer esse momento,

Para ver o vale é preciso subir a serra,

É preciso de vez buscar ver as coisas de outra maneira;

Tentar ver o todo.

O amor tudo supera,

A vida é uma totalidade

Casa fase uma particularidade...

Tempestades vem e passam...

Aqui estou.

Aqui vim.

Num seio amoroso...

Que se foi.

03/06/22

A chuva

 Chove... chove... chove.

Dias de paz.

Dias de pais.

A chuva chovendo na mata

Que harmoniosa.

Contemplar a chuva,

Sem entender a natureza.

Contemplar a chuva.

Com ela quanta coisa boa não se sucede.

A vida germina das sementes,

Os sapos se reproduzem,

As plantas se reproduzem.

A terra fica receptiva.

Chuva é fonte de água,

A água é fonte de vida.

Quando se perturba a natureza,

A chuva se revolta,

A chuva é boa,

Os homens segregam,

Os homens egoístas que são

Tomam o recurso da terra,

Para si sem repartir com o irmão.

Irmão pobre,

Faz o que pode para sobreviver,

Vive onde pode.

Não é culpa da chuva a desgraça.

A chuva é fonte de graça.

O mundo é bom e tudo nos dá.

O homem pobre de espírito

Tudo quer

E tira do irmão

Não compartilha com o irmão.

Depois coloca culpa na natureza.

De onde eu vim.

Chuva é sinônimo de alegria,

Felicidade...

Chega a gente se emociona 

Quando começa a chover.

A chuva é um elo que liga a nossa memória...

Vi no olhar de meus pais

Que viu no olhar dos pais deles...

Essa corrente de esperança

Que com a chuva

Tudo melhora.

É bom olhar para trás

E não ver só o agora.

Para se entender como gente.

A chuva tem força de gerar até um pensamento

Um pensamento bom.


02/06/22

Chopin

 Saudade que nunca passa!

Saudade eterna.

Do momento presente,

Do olhar,

Do carinho,

Do riso amigo,

Do afago!

Saudade eterna poesia.

Restam apenas memórias.

Tudo se desfez como se fez,

Do nada e para o nada.

O sol nasceu pela manhã

Sob nossas cabeças tantas vezes,

E a lua nasceu a noite conosco a contemplar.

No presente tudo parece eterno...

Mas se desfaz no ar.

Saudades... só de pensar.

Que partiu...

Partiu...

Onde estarão meus pais e avós.

Onde estarão.

Um a um todos se foram.

Um a um todos se foram.


01/06/22

Que linda que é a vida

 Aqui.

Sentado na minha sala,

Neste início de manhã,

Primeiro de junho.

Mês de festas juninas.

Paro um pouco para ouvir a natureza.

A chuva chovendo a cantar.

Cada lugar um canto diferente.

A proximidade da mata me permite ouvir 

Os pingos da chuva se chocando com as folhas 

Molhando-as e escorrendo em gotas

Que se precipitam e se prostram sobre o sol.

Pic, pic, pic... pic.

Na mata ao lado parece haver uma assembleia

De aves frugívoras

Sanhaçus de palmeira, sanhaçus e patativas.

Ali estão no alto da copa da sucupira.

O sol dá as caras e a luz lambe o telhado e as paredes úmidas.

E como sempre me perco neste universo,

objetivo/ subjetivo...

Um sabiá piou agora, perto.

Até vejo, muitas vezes quando pia balança o rabinho.

Longe piou um bem-ti-vi...

Pi, pi, pi, piiiii.

Meu Deus que linda que é a vida...

31/05/22

Patativa

 Patativa, patativa, cambacica...

Sedes tu pequenininha,

Sedes tu pequenininha,

Quando cantas tu fazes uma dança,

Canta se requebrando,

Canta da esquerda para a direita,

Canta da direita para a esquerda.

Se biquinho a cantar,

Parece agulha a tecer,

Tão fininho seu biquinho,

Tão fininho seu biquinho,

Teus pesinhos bonitinhos,

Com unhas afiadas,

Saltita,

Para e dança a cantar...

Essa sua cabecinha

Com sobrancelha alvinha,

Essa linda barriga amarelinha,

Tão amarela quanto flor de alamanda,

Esse seu dorso cinzento,

Tão cinzento quanto a tarde caindo.

Canta... dança...

Que minha alma se regozija,

E vai longe na memória...

30/05/22

Passeio dominical.

 Estes dias tem sido frio.

Não sou muito chegado ao frio.

Ontem, aproveitamos o dia de sol para ir ao zoológico.

Vinícius adora,

Ou nós adoramos.

É muito bom sair de casa.

Dirijo e a gente desparece.

A gente foi pela quinta vez com o Vinícius, mas é sempre bom rever as coisas

E aprender...

Aprendi outra vez o nome de uma coruja murucututu.

Ontem aprendi o nome de um gavião curucuturi.

Ah!

Vinícius vibra...

Viu as aves de rapina,

As aves aquáticas,

Os peixes, tilapia e 

Vimos as serpentes aglifas (jiboia, piton, sucuri) e solenoglifas (Cascável, jararaca).

Vimos os psitacideos (arara vermelha, azul, azul e amarela, maracanã, jandaia).

Vimos os quelônios (tartaruga da amazônia, cagado, jabuti)...

O jacaré...

Os mamíferos (macaco bigio, quati, furão)...

Vimos os predadores (leão e onça).

Vinicius andou nas cordas da casinha.

Montou na onda, no jacaré.

Amou a palavra gurila falou umas 501 vezes...

Sentou no elefante e...

Acabou que já está reconhecendo a saída.

Chorou quando saímos, mas acabou ganhando um catavendo.

No carro, mamou, mas não dormiu por conta do catavento.


27/05/22

Variações climáticas

 O dia nasceu ensolarado,

As rochas do calcamento até se aqueceram,

Deu para ver a luz através da biotita das rochas graníticas.

Dia de sol...

Até que a atmosfera resolve mudar o curso de tudo.

De repente vem a chuva,

Vem o vento,

E a água escorrendo num barulho.

Uma hora depois o sol voltou a brilhar.

Rotina

 Chego a universidade,

Ainda é cedinho por volta de 6:30h.

Após uma pequena agitação no trânsito,

Cruzo o portão do Centro de Tecnologia.

Sinto-me em casa.

Os jardins, o buracos no asfalto, as lombadas, a rotatória do CCJ.

Sigo observando os ipês amarelos, os ficus.

O juazeiro do bolo de noiva, que árvore linda.

Faz sempre me remeter a Rita Baltazar minha amada amiga.

Tão delicada, amiga... a ética viva.

Depois estaciono.

Paro o carro,

Fecho as janelas.

Ouço o silêncio.

Organizo as coisas, fecho o carro e saio caminhando via calçada.

Contemplo a mata...

Dobro a esquina da do prédio da química.

Vejo em minha mente... 

Adeíldo em pé fumando e pensando sabe lá o que...

Dias estava simpático...

Dias estava fechado.

Aprendi a conviver e amei aprender fisiologia com ele.

Depois caminhando vejo o tanque de Cristina Crispim...

A água verde.

Hoje para minha surpresa na burra leiteira

Havia um gaturamo cantando.

Entro no corredor e vejo a sala de Rivete aberta,

A sala de Felipe encostada,

E Alexandre entrando.

Entro na minha sala e me sinto bem com o aroma de um difusor que comprei.

Paro!

Abro a janela,

Sento e penso um pouco.

A vida segue.


26/05/22

Curso

 Hoje está o inverso de ontem.

O sol brilha pleno.

Entretanto, faz frio.

É silêncio.

Exceto o som das máquinas.

A natureza está calma.

Viva pela luz.

Quinta-feira, neste dia mamãe fazia diálise.

Certos dias dei aula.

Certos pensamentos me deixam tristes.

Bem, bem.

A sinfonia voltou lá fora da minha sala.

Uma ariramba cantou, 

Uma rixinó cantou,

Saíras piam,

Um beija-flor.

Fi. fi. fi. fiiiiiiiiiiiiii

As arirambas tem bicos longos de beija-flor,

Nunca vi nenhuma aqui.

Só vi lá em Martins no Rio Grande do Norte.

Um ferreirinho relógio estala...

Conhecia como tiriti.

Ave pequena de papo amarelo.

A ariramba está contente, cantando muito.

O vento voltou.

Vou voltar a vida,

Vou voltar e continuar a manhã.


25/05/22

Crescimento matinal

 A manhã vai crescendo.

Primeiro foi a harmoniosa sinfonia da chuva.

Segundo o silêncio,

Terceiro e último a sinfonia dos pássaros.

São duas espécies que estão musicando.

Uma é a patativa e duas é o sanhaçu.

Cantam seus cantos de diferentes ritmos e frequência,

Porém complementares.

Pena que não tenho a arte de um praticante de ioga que consegue ouvir o pulsar das artérias,

Pela janela aberta entra a brisa silenciosa,

E mosquitos que só percebi pela visão.

Sou quase todo mente.

Absorvido em meus pensamentos.

Que muito mais me perturbam que me acalmam.

Ou serão minhas memórias...

A mente da gente é um verdadeiro caos.

O mundo externo nos permite conhecer,

Todavia nossa mente, assim como nosso espírito é por demais desconhecido,

Ou difícil de se organizar, classificar... conhecer.

Olho através da janela transparente de vidro,

Vejo as colunas do prédio,

A coluna formada pelo tronco das árvores.

Que interessante, natureza viva e inanimada.

Busco encontrar algo nessa observação.

Nada que vejo me agrada ou da inicio a um pensamento.

Geometria talvez.

O som me impressiona, mas não.

Ouço o gotejar, os pingos se precipitando sobre o chão, talvez sobre um sólido.

Nada... nada.

A brisa acelera a queda dos pingos.

A hora perturba minhas ideias.

Sigo adiante,

Enquanto a manhã cresce.

24/05/22

Maio umido

 Esta semana começou com trovões e raios.

A umidade está de 92%,

Muita chuva.

A gente olha para o mundo e parece ver a umidade,

Solos, paredes intensamente úmidos.

Os dias estão excelentes para explorar o universo de briófitas e samambaias.

Esporos germinando, fecundação e formação de esporófitos.

O cheiro de fungo paira no ar.

Aqui no campos sentimos a umidade fria trazida pela brisa.

Uma experiência incrível.

Nos troncos, nas rochas a presença de algas, plasma.

Vida?

As aves estão muito contentes,

Tem frutos de tapirira para comer, tem insetos em abundância.

Então elas cantam...

A umidade trazida pela chuva,

Mantida pela atmosfera nublada,

Deixa uma sensação de frescor,

Mas também de medo pelo desconhecido,

Já que é exceção estes momentos durante o ano.

Como sou do sertão eu adoro,

Mas com parcimônia, porque se não cuidar os fungos consomem tudo.

Assim está sendo maio.

23/05/22

Trovão

Hoje de madrugada,

Acordei com intenso som de um trovão,

Na sequência vieram outros.

Lembrei que papai tinha medo de trovão.

Percebi que também tenho medo de trovão.

Trovejou e choveu muito.

Ainda está muito nublado.

Tempo chuvoso.

Nunca tinha escutado trovão assim em João Pessoa.

Estamos mais para o fim de maio que para o começo.

Está sendo bem bom.

Tempo diferente esse.

22/05/22

Aonde está

 Sentados na calçada, após as 14h a gente ficava satisfeito com a frescura que vinha. Papai conversava um pouco e saia para comprar pão. Mamãe se levantava do cochilo sagrado.

Era muito agradável ficar ali sentado.

Só nossas presenças nos bastava.

As vezes, Crejo passava com o cachorro rajado, usando uma coleira. Conversava um pouco e seguia sua caminhada.

A gente ficava conversando.

Eu na cadeira de balanço minha favorita.

O calor ia cessando junto com a tarde que caia.

Eu sabia que era um grande momento,

Mas temia tanto por seu fim.

Ali me sentia seguro,

Ali me sentia protegido.

Eu estava em casa.

Mas hoje me pergunto o que é uma casa?

Acho que é o eu, o sujeito.

Penso o que é o espírito?

Creio ser a totalidade,

Não a particularidade do eu, mas o todo o que nos cerca.

O que entendemos, aquilo que memorizamos.

Aquilo que damos valor.

Nem sempre temos a consciência de valorizar o que deve ser valorizado.

A consciência é tardia.

Valorizei a totalidade,

Valorizei a unidade,

O fica?

A memória, o entendimento.

A construção desse texto que discorro.

Vejo a areia vermelha que ainda está no terreiro,

Vejo as plantas, as imperfeições da superfície do solo.

Vejo o céu azul,

Sinto o calor...

Mas é outro momento.

Me pergunto o espírito tem matéria?

Acho que não...

Espírito é energia... é vida, é o pulsar...

Que se acende e se apaga.

Num estado de duração.

Restam memórias imperfeitas,

Saudades e gratidão.


Sono

A noite silenciosa,
Calma...
Só os sons e temperatura a nos estimular.
As vezes acordo
E caio num loop de pensamentos.
Perco o sono e a paciência.
Vivo mais.

21/05/22

Momento mágico

 Acordar!

Ouvir o movimento externo,

Passos curtos, arrastando a sandália,

A água aguando as vincas,

A vassoura varrendo o terreiro,

O esforço pela ordem.

Os pássaros cantando.

Levantar,

Tomar o café e comer pão, queijo e bolo.

Mamãe tomava a ponta, papai a outra,

Sentado, calado vejo a mesa.

Tanta coisa boa.

A voz de mamãe que acabou de acordar,

Chamando Lidiana,

Roberto acordado.

Um momento mágico,

Eterno e passageiro.

As tiradas de papai,

O rebate de mamãe.

Dayane no mundo da lua, rindo e comendo.

Num momento mágico.

20/05/22

Vida afora

 Não consigo entender a linguagem das aves.

Estas me afetam positivamente, me fazem sentir bem.

Até o canto de uma coruja. As ideias podem mudar.

Papai, tinha medo de canto de coruja.

Lá em casa quando uma cantava ele cruzava as chinelas emborcadas.

Logo ia embora. Era engraçado para mim.

Para ele, não.

Ele gostava do canto dos pássaros e até os conhecia.

A casaca de couro, o sanhaçu, o canto de ouro, o azulão, o rouxinol...

Foi com a natureza que aprendi a amar as aves.

Com papai a respeitá-las.

Agora mesmo quando cheguei à minha sala um rouxinol cantou na minha janela.

Senti-me bem.

E é assim, horas ouço as aves.

Horas me perco em meus pensamentos.

Vou me distraindo vida afora.



19/05/22

Tempo amável.

 O tempo passa,

De forma harmoniosa e simples,

Segundos, minutos, horas, dias, meses e anos.

Faz um ano e cinco meses que papai partiu.

Sinto muita saudade de sua presença física,

De nossas interações.

Amo e o sinto sempre comigo.

Seu ser está comigo.

Carrego-o no meu coração.

Tudo que ele passou felicidade, alegria, sofrimento e dor.

Agora se foram.

Sou profundamente grato pela vida que ele me deu,

A vida em si, os ensinamentos, o pão de cada dia, o carinho e o amor.

Não me esqueço de sua fé.

Tão bonita sua fé. 

Uma herança de nossa família.

Todas as noites, antes de dormir, rezava o "Pai Nosso e a Ave Maria".

Acordava cedo, era o primeiro a acordar.

Fazia o café, acariciava nossos animais. 

Papai herdou de são Francisco o nome e o amor pelos animais.

Papai nunca desejou mal a ninguém.

Era calado e por vezes quando se soltava divertido.

Lembro muito dele, embora as memórias com o tempo vão decaindo.

Mas tem os irmãos para lembrar.

Tem as fotografias.

Tem a minha existência.

Hoje como pai, tenho profundo amor por papai.

Mais ainda porque sei quanto fui importante para ele,

Como sou para o meu filho.

As vezes me pego pensando...

Como é bom ser pai e sinto que meu filho ama tudo isso.

Papai sempre me foi tão presente.

Em muitas horas ele se chegava.

Se adoecia, mamãe e ele combinava e ele ia saber como estava.

Não tenho palavras para expressar o meu sentimento.

Sei o quanto eram bons os seus abraços,

Naquele abraço desajeitado,

Havia toda humanidade que há no mundo.

Tenha o aperto físico, abraço amarrotado,

Tinha o aperto afetivo que entalava a garganta,

Aperto do coração...

A gente sorria se chegava,

A gente chorava se partia,

Sentia a barba por fazer ou feita,

O cheiro que a gente reconhece e gosta.

O tempo é vento que sopra sem direção.

É passado e é futuro...

Só aqui nos encontramos fisicamente.

O presente... esse deve continuar por mais alguns dias.

Sem cessar.

17/05/22

Sinfonia ornitológica

 Nesta manhã de maio,

O sol brilha intenso.

Dourado se faz o mundo.

As aves fazem a festa na mata,

Se alimentando numa fartura,

Os frutos de copiuba na árvore estão repletos,

Escuros e tão docinhos.

Canta para lá a patativa,

Canta a patativa.

Mas as nuvens já fecharam as cortinas,

Assim parecendo um teatro.

As aves continuam cantando.

Uma corroía,

Um relojoeiro.

Os sanhaçus piam com o papo cheio.

As rolinhas cantam.

E essa sinfonia enche minha alma de alegria.

16/05/22

Mês das mães

 Maio mês das mães.

Em maio, ocorriam novenas na capela de nossa cidade "nossa senhora da Salete" em Serrinha dos Pintos.

A mamãe e o papai nos levava para assistir as novenas.

Confesso que não gostava das novenas em si.

Gostava de ir e voltar, apesar do escuro.

Gostava de está com meus pais e meus irmãos.

Sempre saia umas balinhas.

A gente via o povo, papai e mamãe via os conhecidos.

Quem coordenava as novenas eram o Chiquinho de Raimundo Moura.

Tinham as cantoras...

Eu olhava para o altar, para os santos, para a figura de cristo e nada entendia.

Eu olhava para o piso.

Gostava de observar o piso.

Tinha uma textura de formas geométricas, eu via formas, profundidade e cores.

Mamãe mandava eu sentar lá perto do altar, mas nunca ia, tinha medo de me perder deles.

Ficava ali no colo ou do lado.

Eu não entendia o sermão.

Eu não entendia tanta coisa.

Gostava das ladainhas, talvez pela repetição.

Gostava quando estava chegando no final.

A gente vai aprendendo a lógica das coisas.

Gostava quando terminava.

Odiava ficar parado, preso.

Mas era obrigado, porque a mamãe fazia questão que ficasse calado e prestasse atenção.

As palavras não faziam muito sentido.

No meu mundo o que me fazia feliz era coisa simples: bala, doce, brinquedo e diversão.

Adorava doces, nisso mamãe e papai sempre nos agradava.

Brinquedo até tínhamos, mas preferia usar a imaginação...

Até que em fim a novena acabava.

As vezes, Chiquinho perdia a paciência e tome carão no povo.

Eram outros tempos.

Sem televisão, a igreja pipocava de tanta gente.

Quando acabava a gente ia para a frente da igreja que era de barro.

Só tinha a cigarreira de Neto de Zezeu...

Que vendia confeitos e cigarros.

Ficava feliz em deliciar de uns confeitos.

Voltava para casa feliz.

Papai e mamãe faziam a sua parte.

15/05/22

Tarde dominical

 A tarde que cai,

É uma tarde dominical.

No mês das mães, maio de 2022.

Alguns anos passaram em minha vida.

De certo tantas experiências vividas.

Sou capaz de me lembrar de tantas coisas,

Da infância para cá.

Quer dizer, são coisas de nossa mente.

Nossa mente que é capaz de tudo criar e sentir.

Se muita coisa fazia sentido.

Agora faz mais.

As experiências revelam a realidade ou um acidente desta.

Posso sentir, rever em minha mente as tardes dominicais que já vivi.

Não me surpreende que rever no francês quer dizer sonhar.

Posso sentir o calor da estrada de barro, do terreiro de terra solta, poeira,

O agudo espinho da jurema e da algaroba.

O calor do amor de meus pais.

Posso rever os nossos vizinhos evangélicos voltando da escolinha dominical

Com suas bíblias sob o braço.

Mais um ensinamento, 

Mais um dia.

Tudo passou.

Tudo se dissolveu.

Inclusive minhas concepções.

Vivemos o que tínhamos de viver.

Chegar aqui é uma fortuna.

Meu filho, sem dúvida é uma dádiva divina.

Faz sentido e me faz ir passear agora.

Nesta tarde dominical.

14/05/22

O voo de uma ave.

 Tanta coisa maravilhosa para pensar.

Esses dias tenho me encantado com uma coisa fantástica.

O voo das aves.

Aves simples como pombos e rolinhas.

Elas voam com destreza.

Penso: - que maravilha.

Voar.

As vezes, fico encantado com os urubus em seus voos magistrais.

Planando.

Que arte!

Que arte?

O urubu vive quanto tempo?

Sei lá, mas muito jovem aprende a voar.

Através de minha janela que tem uma tela para barrar Vinícius.

Procuro algo para lhes mostrar.

Com Vinicius, meu filho.

A vida se tornou mais interessante.

Por dois motivos principais.

Um é o amor inexplicável que sinto por ele.

O outro é que com ele as coisas precisam serem simples.

Preciso parar.

Preciso entender que muita coisa é sua primeira vez na vida.

Então sei uma pausa na minha vida para olhar para o mundo.

Dessa forma parei para perceber o mundo.

Tenho percebido coisas que ignorava.

Tenho percebido um discurso que não compreendia quando Ruben Alves falava.

Encantava-me, mas não entendia.

A experiência é magistral para o entendimento.

Voltando ao início.

Pensar é uma coisa maravilhosa, mas é preciso aprender a pensar.

Pensamentos constituem matéria para a vida.

A gente precisa comer bem para não ter indigestão.

Se si come bem, cuidado para não exagerar.

Se si come mal, não tem como exagerar.

É preciso saber a medida certa.

Como é encantador o voo de uma ave. 

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh