05/04/11

Descrição

O dia nasceu tão lindo claro, silencioso

e o jardim sorria refrescado com as chuvas

Que caíram na tarde passada,

A orquidia na euforbiaceae

Está tão florida cheia de flores rosas,

Os lírios estão sofrendo com uma peste

De fungos amarelos, estão molestados

Morrendo, tem algumas comelinas,

Mas ta bonito. A manhã se passou tão bela,

Cheia de risos de criança.

Fomos a feira comer pastel,

A feira é tão cheia de beleza,

De movimento, de cores, de cheiros,

De risos, de produtos,

Enfim as feiras aqui são no domingo,

Quantas pessoas não fizeram

A feira, quantas?

De onde vem feira?

Não sei, mas sei que a feira

Hoje foi linda e a manhã completa.

03-04-11

O que busco?

O que eu busco?
Quando sento para pensar na vida, tenho muitas questões. Uma das mais recorrentes é o que busco?
Quase nunca chego ao fim da reflexão, pois acabo por devagar em círculos. Nunca consigo pensar só numa coisa, sempre pego o gancho de outras coisas. Afinal o que busco? Fugir do ócio, do medo, da vida? Essa pergunta me desnorteia. Embaraça minhas ideias. Acho que não é bom pensar nela. Será e se pensar no que não busco, talvez encontre algo que busco. Bem não busco riqueza, não busco luxúria, não busco poder, será? Não busco a ignorância, não busco problemas, não busco desarmonia, não busco o sol do meio dia. Não busco ficar sem ler... Eu não busco morrer.
É não adiantou muito. A vida sempre tem seus problemas, às vezes muitos, às vezes poucos, mas estão sempre presente. Não seriam esses problemas ausência do que necessitamos. Já sei, busco resolver todos os problemas que assim estiverem ao meu alcance. Busco resolver o meu problema financeiro, de relacionamento. Sei lá queria ser como a água que tudo toma forma e assim se acerta com tudo. É busco viver.

01/04/11

Falar com Deus

A lua, o sol, os planetas e as estrelas,
povoaram minhas noites da infância,
havia no meu céu, alegria e fantasia,
e quando estava amedrontado olhava
para o céu e bem forte pedia baixinho,
pedia diretamente a Deus,
costumava falar com Deus,
olhando para o céu, pois achava que
ele estava lá, então pedia no pensamento,
Deus que nada de mal me aconteça,
que a vida sempre seja boa,
e Deus me ouvia,
via sua alegria no brilho
das estrelas, no brilho do sol,
na meiga lua,
ele tudo me atendia com alegria,
o céu era mais perto,
minha vida era fácil
sem ideias complicadas,
quando surgia qualquer complicação
então bastava rezar e esperar,
que tudo acontecia.
Hoje não tenho tempo para
conversar com Deus,
só converso de manhã,
e a noite perdi minha
intimidade com Deus,
estou buscando
voltar a ser criança
quem sabe assim
ele volte a me escutar,
essas ideias complicadas,
essas vontades,
esses desejos, que tomam
minhas ideias me fez tão se luz,
vou buscar no céu,
na natureza um pouco de sabedoria
quem sabe encontre harmonia,
quem sabe sinta a poesia.

Cartas

O que estará acontecendo lá em serrinha agora, hoje, esta semana? Quando meu irmão mais velho foi embora de casa, seguiu o mesmo fluxo da maior parte dos nordestinos que ou vinham para São Paulo ou iam para o Rio de Janeiro. Com meu pai e meu irmão não foi diferente, meu pai tanto veio para cá como foi para o Rio. Meu pai saiu de casa aos 17 anos e meu irmão aos 18 anos. O fato é que ele veio para Sampa em busca de emprego. Então aquele lar que sempre vivera unido estava desfeito. Meu irmão ficou ilhado a três dias de ônibus da São Geraldo e a unica forma de sabermos notícias era através de cartas, telefonar custava caro, além do mais em nossa cidade tinha apenas um posto telefônico um telefone para todo o povo. A antiga Telern. Minhas irmãs estudavam na cidade e era muito bom quando elas chegavam com uma carta contando suas notícias. Eram sempre cheia de esperança. Minha mãe tinha dificuldade com as letras. Então a encarregada de escrever era a mais velha, Rosângela ou Meire, que decifrava aquele papel com as notícias. Sentia uma saudade dele, mas ficava feliz, pois ele estava empregado e poderia então ajudar em casa. Sempre que podia ajudava com roupas ou com dinheiro. Depois de ler a carta, mamãe chorava de saudades, nos ficamos ali apreensivos, tristes, mas enfim a vida seguia naquele marasmo e as cartas passaram a ser motivos de alegria, eventos os quais nos davam mais esperança, vontade de mudar, de melhorar de vida, ter mais conforto. O tempo foi melhorando então meu irmão passou a escrever nos fins de semana. Meu irmão ligava e pedia para passarem o recado, para esperar a ligação, as vezes meu pai ia, mas na maior parte das vezes quem ia era mamãe. O tempo passou e foi indo embora um a um, o último a sair de casa fui eu, não vim para São Paulo, fui para Natal fazer faculdade. Então mamãe e papai finalmente ficaram só como começaram a vida de casado. Hoje não se usa mais carta, temos telefone celular. Lá em casa, ambos, mamãe e papai tem celular, mas mesmo assim, passo semana sem ligar, mas minhas irmãs ligam sempre. Que louca condição, hoje tenho objetos e não ligo. Tornou-se banal a comunicação que poderia ser um motivo de união, caiu na banalidade e as vezes esquecemos e nos afastamos da família. O tempo está amornando o nosso sentimento? ou seria a banalização da comunicação? Bem os canais mudaram, pra nós, mas todas as vezes que mamãe liga sinto a mesma emoção de quando recebia aquelas cartas.

31/03/11

Natureza

A natureza tem tanta beleza,
que se encanta e encanta,
encanta a sua beleza na sutileza,
encanta que a esta aprende a olhar,
apreende nesse olhar quantas
relações ai há,
aprende a contemplar.

A natureza com o tempo,
quem tem tempo,
se entrega a contemplar.

A sentir o ar livre,
o aroma das plantas,
da terra, mas ai.

Que estamos fazendo com a natureza,
chega dar tristeza,
ver quanta coisa a agredi-la,
ver quanta coisa a destruí-la,
se continuar assim,
que há de sobrar?

Nem beleza, nem comida,
nem água.

Nada restará,
aprenda a olhar a natureza,
apreenda com a natureza a reciclar,
pois se tudo acabar,
a natureza se restaurará,
mas nós... quem sabe o que acontecerá?
não há dúvida que haverá tragédias.

Domingo que fazia

Os domingos nunca foram dia de muita graça, passou a ter um sentido pior quando comecei a ir a escola, pois domingo estava ali coladinho a segunda. Mamãe dava um jeito de adoçar nossos domingos era um dia especial, então ela fazia um bolo e as vezes matava um frango, geralmente a comida era melhor no domingo. Então acordava cedo para ver a missa e o globo rural. Então mamãe chamava pra comer na hora que estava concentrado na televisão, nos dias que estava de bom humor deixava agente comer em frente a teve, mas nos dias que não estava nem adiantava insistir. Depois do café ou íamos para a casa dos meus avós ou ficávamos mesmo em casa. Naquela época Airton Senna era o melhor piloto de corrida, então quase todos domingos meu primo vinha ver a fórmula 1, na casa dele não tinha televisão ainda, na nossa tinha, mas ainda era preto e branco. Bem quando chegava à tarde pedia pra mamãe para ir para a casa dos Joanas, se ela deixava era uma festa. Tomava um banho, vestia a melhor roupa, que ela fazia ou mandava alguém fazer, roupas simples e saia correndo, muitas vezes cortava caminho pelos sítios alheios, os donos não ligavam. E na casa dos Joanas, se reunia toda a meninada, para assistir a temperatura máxima. A sala ficava lotada, mais parecia um cinema. O chato era quando o filme já tinha sido visto por alguém que ficava contando as cenas. Ficávamos irritados. Então depois do filme vinha as brincadeiras. A noite voltava pra casa e via Faustão, os Trapalhões e o Fantástico. Assim se passava o domingo, mas já perceberam que só falei de programas da rede globo, pois é nessa época o único canal que dava para assistir algo era a Globo, foi essa emissora que ditou e dita as verdades para aquela gente que com o adendo da informática está se libertando aos poucos, mas o fato que na ausência de coisa melhor, nos meus domingos via a rede globo. Naquele povoando não tinha muito o que fazer, senão viver atoa. Certo tempo inventaram um jogo chamado de argolinhas em que o cavaleiro tem que passar correndo a cavalo tendo que tirar uma argola pequena pendurada numa corda. Aquele jogo foi uma febre por muitos domingos foi nossa diversão. Eu era bobo podia ter ganho alguma grana vendendo dindin, mas tinha vergonha. Quem ditou-nos as vergonhas, sei lá, mas parecia que certos trabalhos eram indignos, aquele povo mal tendo o que comer era cheio dos pudores, de uma certa maneira essa vergonha refletiu negativamente em minha vida, assim como ver a rede globo. De doce meus domingos só tinham os bolos da mamãe e o resto é só saudosismo.


Beleza

No último dezembro o jardim estava tão florido,
chovia e fazia muito calor, mas as árvores,
os arbustos e as ervas estavam tão floridas,
e o nosso jardim estava tão florido,
todas as plantas estavam vigorosas,
mas o tempo foi passando,
o sol de posição foi mudando,
e paulatinamente as flores foram caindo,
o calor foi aumentando,
vieram as mariposas, puseram
seus ovos sobre o philanthus acidus
o calor fez germinar os ovos
e as larvas cresceram e molestam
toda a planta, agora esta se encontra
nua, parece esta morta, as folhas
estão todas coriáceas, sofridas,
o jardim está triste, mesmo
que chova, parece sofrer,
será o clima? será o sol?
o que será, só sei que quando
vejo o jardim assim,
sinto uma tristeza,
pois aprendi que as
plantas também sofrem,
também se encantam,
quando o ambiente não está bom,
e nós por que não nos encantamos?
não podemos?
O jardim, suas árvores,
seguem caladas,
nem o vento as anima,
não se perfumam,
não se enfeitam de flores,
então sofrem
pra depois expressar
toda a beleza da natureza.
Estamos em março,
logo virá o inverno
de certo as plantas não gostam do inverno,
mesmo chovendo
elas estão se preparam para a estiagem,
o frio, assim aprenderam,
por isso ou adormecem ou sofrem?
Simplesmente são belas, mesmo
sofrendo.

30/03/11

Esperança

Todo mundo tem esperança e em Serrinha do Canto não era muito diferente cada pessoa se apegava a uma ideia que o faria importante, com sucesso e feliz. Muitos se desiludiram e entraram para o protestantismo assim podiam falar de todo mundo que era e não eram protestante naquele lugar, foi como se ao abrir uma assembléia de Deus tivesse aberto um novo bar com bebidas hilariantes, de fato tinha todo um ritual para a bebida do Deus, mas o êxtase a embriaguez só ocorria na calçada da igreja onde sob a visão, depois de conversar com deus, podia falar do vizinho, falar não resolver o problema dos outros, mas de fato havia algo mágico naquele povoado, algo muito diferente tinha uma pessoa que tinha esperanças as avessas, ele tinha uma sanfona, é um acordeão e sabia tirar som daquele instrumento que achava muito engraçado. Luis era seu nome, filho de Mundinho, conhecido como Luiz de Mundinho, era um homem grande, forte, mas muito desajeitado. Toda a esperança que tinha punha ali naquele belo instrumento, com bordas vermelho prateado e sanfonado. Durante o dia trabalhava quando tinha trabalho, ou durante o período de inverno e durante a noite sentava num tamborete a frente de casa, na casa de seu avó, Chico Adolfo, e tirava o som daquela sanfona que mais parecia gemer ou chorar a pobreza de nossa gente que jantava cherém de milho ou cuzcuz com leite e era para ser feliz. Depois de cheia a barriga de cherem, ia ele tocar aquela sanfona e tocava, tinha até uma música que ele compunha chamada "mentira cabeluda", tinha letra, fazia o fole gemer e cantava, depois apareceu a música galeguin dos oi azul. Nos domingos e sábados ele tocava, as pessoas iam pra lá pra ver ele tocar, papai gostava sempre quando voltava do cercado dos gados ou voltando de algum negócio de passar lá e ouvir ele cantar. Mas as coisas não eram nada fácil, felicidade ali só a base da ignorância, rir só das desgraças dos outros. Quando faltava esperança as pessoas iam para a igreja, quem não tinha ao deus da igreja bebia cachaça. Com Luis não foi diferente, com nome de rei Frances, descendência do império sacro romano, nome do rei Sol. Aquele Luis de rei só tinha a cadeira e a sanfona, porque as roupas eram precárias, costuradas pela mãe, coitado tinha que mandar comprar sandálias fora, pois seu pé era maior que 44 número normal alí. Luis muitas vezes desiludido tomava cana. Era epiléptico que para aquele povo era uma deficiência, uma doença, e dai Paulo apostolo era epiléptico, quantas pessoas não eram, mas ele por ter essa doença já era discriminado. Tinha o braço forte e era muito bom de serviço, mas a cachaça foi tirando suas forças, tirando até a esperança, sua sanfona. Com o tempo sua mãe morreu, passou a viver só com o pai, numa pobreza de jó, mas ainda tinha a sanfona. Então entrou para a religião, todos o aceitavam, mas como o coitado, parou de tocar sua sanfona, largou a bebida, mas o deus dos protestantes não é um deus bom ele condena. E quando faltava fé, a cachaça acolhia Luis. Até que certo dia nem a fé não adiantou, a cachaça de sua vida levou, embriagado caiu do próprio corpo e bateu com a cabeça teve traumatismo e morreu. Então a esperança calou, e aquela arte, aquela esperança ninguém mais em serrinha do canto há de tocar, mas eu vi, fui testemunha ocular, que ali todas as noites tocava a esperança, foi época de criança. Onde muita coisa se passou até a esperança.

Natureza

Ainda chove, mas já é outono podemos perceber que as plantas não respondem a presença da umidade e da água já que ainda mantém as folhas antigas, mas que já começa a perder, não se observa folhas jovens, sequer uma flor. As plantas parecem cansadas, estressadas com as mudanças do ambiente ou seria que seu relógio interno avisa que o inverno logo virá. Raras plantas flora uma ou outra paineira. Só podemos ver plantas de folha verde escuras. A natureza parece se preparar para mais uma mudança. As variações de luz e temperatura estão presentes todos os dias, algumas ervas e subarbusto depois de frutificarem morrem. É estranho este comportamento. Pelo menos para mim, a natureza anda muito diferente. Que será?

Voar

Quantas vezes não queria voar,
quantas vezes fico a sonhar,
se tivesse asas, se pudesse sentir
meu corpo flutuar,
e ver o horizonte mais distante,
então busco asas para voar,
e encontro ideias, desejos,
que me fazem voar
muito além do céu,
muito além do ser,
então volto a si,
e sinto o perfume da vida,
os sons, as cores
e sinto a vida,
existir e poder imaginar,
é tão bom quanto voar.

Tarde caindote

No fim da tarde de céu azul,

cirros no alto do céu,

formava um leve véu,

O sol brilhava intenso,

fazia calor,

E lentamente o sol despontava

para o poente,

O vento soprava do norte,

Refrescava o calor,

num leve frescor,

a tarde fagueira,

incomodava a mente

que se achava vazia,

e ficava a contemplar

o que o rodeava,

o céu, o sol,

as árvores verdes,

o vento,

tudo parecia tão vazio,

tudo parecia tão vulgar,

mas o tempo não parava

de passar,

e a tarde caiu,

e cúmulos cobriram o céu,

apagou o sol, trazendo o vento frio,

e o calor da matéria a irradiar,

a tarde então passou,

mas um dia,

mais uma poesia

a contemplar.

Calango

Um calango caminha no meio do caminho,
e ao caminhar parece esquiar sobre a terra quente,
expondo sua língua para reconhecer o ambiente.
Seu corpo linear, cabeça triangular,
Pernas e braços se opondo,
com suas escamas elegantes, 
vai devagarinho caminhando,
segue sua intuição,
não tem comida, 
Sabe caçar,

o que busca é viver,
e assim de geração em geração,
o calango vai aprendendo com a natureza,
que seu lar é qualquer lugar,
qualquer abrigo,
não teme o inimigo, o incerto,
porque a vida tudo é,
segue passo a passo,
num compasso,
calda, corpo solo,
a se rastejar, sem raciocinar,
a natureza guardou em seu DNA a sua
história a potência de existir,
tem tudo ali,
natureza se encarregou de ensinar,
o instinto de buscar, de forragear,
tudo que precisa é viver,
buscar o que comer,
em seu território,
nem o tempo,
nem as adversidades
fizeram sair do caminho,
das veredas,
o lagarto segue a desfilar,
a existir, é potência
e é ato, tem espírito
que é a vida,
é tudo que precisa
o o calango
a vida dar.

Mamãe general

Mamãe como um general, nos tempos de criança sempre acordou cedo, assim como fazia sua mãe e talvez a sua avó. Bem ela acordava depois de papai, lavava a cara e ia para o curral. Tirar o leite. Fizesse chuva ou sol lá ia ela. Papai nunca aprendeu ou fazia o máximo de dificuldade para não aprender a tirar leite. Então era mamãe quem fazia. Então, engraçado como o humor dela variava quando voltava do curral, começava uma gritaria, era um acorda, como soldados ela queria ver todos de pé em seus afazeres, mas as meninas resistiam e ela ficava furiosa e só relaxava depois de tomar o café e começar a varrer o terreiro da frente. Era neste instante que começava seu espírito jornalístico e a todos que passava retenha informações que vinham da cidade ou do sertão. Naquela época era muito fácil, pois todo mundo andava a cavalo ou a pé. Com advento da tecnologia, as motos e carros substituíram os meios de locomoção. Não dar mais para conversar. Então depois de ouvir aquela conversa gritada, ela nos contávamos as novidades, mas nós já sabíamos, mas gostávamos de ouvir ela contar a sua versão, pra confirmar o ouvido. As vezes ficávamos sabendo da morte de alguém assim e o dia já começava triste. Depois apareceu a televisão com os plantões da globo e passamos a saber muitas coisas fora daquele universo, daquele cotidiano. Passamos a conviver com pessoas muito distante, Xuxa, Chacrinha e Cid Moreira. Bem, aquilo era tv, e lá em casa era coisa real, o que acontecia na nossa comunidade, no nosso distrito e em nossa cidade. Pessoas importantes alí eram médico, padre, dentista e comerciante, a polícia era a autoridade; nunca conheci um juiz. E era sob aquela estrutura de sociedade que construía mamãe construiu seu mundo. Sob as ordens severas de seus pais, irmãos mais velho. Aprendera sozinha a criar os filhos, e construiu toda a sua ideia de ordem e ordenava assim seu mundo, com seus soldados amados. Muito carinhosa, mamãe cuidou de nossa educação, achava importante que fossemos a escola, e nunca trazer conversas de fora pra dentro de casa. Então todas as manhãs quando acordava varrer o terreiro era o momento sublime em que ela organizava suas ideias e mantinha a ordem de sua casa, seu reinado.

29/03/11

Noite e suas peripecias

A noite veste um véu escuro,
estrelas acendem para ilumina-la,
trajada de gala a noite
oculta tudo que há de belo,
oculta a luz, oculta as cores,
mas a natureza roubou,
da caixa da noite
os sons e o aroma
e os deu as damas,
que se perfumam
e cantam diante da noite,
e atraem as paixões dos cavalheiros,
que as seguem
pelos seus sons e odores,
embrenhados no escuro,
nasce a paixão,
e a sensação de toque
faz as damas sentirem os cavalheiros
e estes aquelas.
A noite egoísta continua sozinha,
linda, mas sozinha
enquanto as damas,
e os cavalheiros se apaixonam
e cegam, se acostumam,
e se amam,
nunca abandonam,
a noite ao saber disso,
confundiu os cavalheiros,
e as damas doando diferentes aromas
e silenciando suas vozes,
tomando o tato como conhecimento,
desde então cavalheiros e damas
se encontram, mas nunca se reencontram,
estão sempre a procurar sua dama.
Quando é dia a noite se vai
e a ilusão da beleza
exposta pelas cores confundem
os seres que a noite se amam.

Luz

Conheci pessoas que não enxergavam muito cedo, pois todas as vezes que íamos visitar meus avós paterno, passávamos por um lugar esquisito, era um caminho onde só dava para passar duas pessoas a pé. Então quando já estávamos quase chegando na casa de meus avós tinha uma casa de tijolo cru, nua de reboco e em frente a porta tinha uma latada de folha de coqueiro onde estático ficava um senhor idoso, era cego e permanecia alí, parado, sentado, tal qual uma árvore a tomar a luz do sol. Nada se ouvia naquele lugar, não me lembro de ouvir meu pai cumprimentar. Era diferente aquele homem nunca ouvi ele falar. Só sei que via ele sentado sempre que passava. Achava muito estranho. Depois que passei a ir à escola conheci o João de Dalea que tinha um avó que também era cego. Não fora sempre cego, perdeu a vista com a idade. E na casa dele tinha um jasmim manga enorme, já falei que tinha medo de jasmim, pois é tinha, porque as pessoas utilizavam aquelas flores para enfeitar defuntos. O fato é que o avó do João ficava sentado o dia todo, calado. Chamava-se Chico de Vicente de Joana e falava as vezes com sua esposa, Eliza, ambos eram idosos. Bem não sei porque não tive medo dos cegos como tive dos deficientes. Mamãe conta que o tio de meu pai, usava seus sobrinhos para me assusta quando era pequeno foi ai que criei medo de deficiente, medo que perdi com a idade. Bem mais velho conheci o Francisco um parente que era cego, mas era um cego feliz. Francisco tinha uma gaita que tocava com muito prazer, as vezes levavam ele lá para a casa de minha avó e ele tocava sua gaita, ficava florado de crianças em sua volta. Bem Nessa vida nunca tive contato pessoal com cegos, nunca tive um amigo cego. Mas tenho lembrança destas pessoas que povoaram minha infância. Que me fizeram perceber que para uns a cegueira foi motivo do silêncio, sim pois aqueles que eram calados perderam a visão adultos, enquanto o Francisco da gaita nascera cego, superando sua deficiência com a voz, a audição e usando do instrumento para levar alegria a vida. Cada pessoa traça o destino que acha merecer. As deficiências não são entraves à felicidade.

Forma

O som da chuva na noite surda,
ecoa nas calçadas, no telhado,
gotas que caem e escoam pelo chão,
gotas que tomam qualquer forma,
e sem forma dissolvem-se chão,
água cristalina, pura escoa e se mistura
a sujeira que está no chão,
água que cai na noite,
não ver a manhã.

Barata

No meio da noite, no escuro silencioso do banheiro eis que a barata sentiu que aquela era a hora de por. Saiu do ralo, seu lar, para por na paz daquele lugar. Saiu e ficou ali paralisada, só se moviam as antenas pra lá e pra cá. Parada parecia sofre, enquanto um ovo enorme saia de seu abdome. Eis que acordei e vi ali a barata, não fiz nada. Decidi não acabar com a vida da barata, simplesmente peguei um papel higiênico e pus ela do lado da privada. Ela parecia agradecer, mas parecia gemer pelas antenas. Então ficou lá estática. Então fui para minha lida, mas antes fiquei feliz pois novamente ouvi o sino soar as seis da manhã. E quando foi a noite, quando voltei da faculdade. Depois de um dia puxado, mas muito gracioso, fiz várias coisas que gosto, li minha coluna predileta, fresquinha diretamente do Peru. Sabendo da morte do Senhor ex-vice-presidente José de Alencar, do fato de nosso ex-presidente Lula ganhou o título de doutor honoris causa em Portugal, enfim depois de uma tarde de chuva quando entro no banheiro o que vejo? A barata sendo esquartejada por um exército de formigas pretas, eram centenas, seu ovo e ela serviram de alimento para aquelas famintas e assassinas que não respeitaram sequer o momento de parto da formiga. Então já que a natureza é sábia. Deixei que as formigas fechassem a cadeia ecológica, mas aquela barata me olhou, parecia querer falar de sua dor, mas não conseguia se expressar. Não conseguia se expressar.

Pipoca

Engraçado que todas as minhas colegas de faculdade resolveram ter filhos, milho de pipoca a estourar, percebo que cada dia a mais uma pipoca estoura, mais uma criança, primeiro foi a Erica Cristina, depois Zizi e agora a Kênia, sem contar as que não estão no meu orkut. Que coisa meu deus, nunca imaginei a Zizi. Então a vi naquela foto segurando um bebe e curioso fui ver era o filho dela, minha nossa era a garota mais nova da nossa turma de faculdade e estava segurando sua prole, meu deus entrei em parafuso. Estou ficando velho, disso não tenho dúvidas, mas a Zizi, teve um bebê. Parecia tão menina. Bem eu acho que o tempo passou e nem percebi, e nem me vejo com um filho. E estouram uma a uma, daqui a pouco todas terão seus bebês. E eu? não tenho pressa. não tenho pressa.

28/03/11

Norte

Nossos horizontes são tão pequenos quanto nossa capacidade de pensar, refletir e sonhar. Estes vão se ampliando a medida que vamos alimentando o pensar, a reflexão e o sonho. Certo dia me via preso a um lugar bem pequeno, com poucas relações com mundo, poucas vias para alcançar o mundo que desejava que pudesse proporcionar crescimento humano. Eu estava ligado aquele lugar pois alí estava toda minha origem, meus genitores; fora naquele lugar pequeno que aprendi a decifrar as palavras, aprendi primeiro a ler o mundo, aprendi a pedir comida e água, e foi naquela pequena escola isolada como o próprio nome, que aprendi o significado abstrato das coisas, juntando as letras, foi ali que comecei a ver uma nova luz, fui alimentado com a mais fortes das coisas, mais potente das coisas a PALAVRA, no começo não sabia da importância, mas percebia a estática que era um estado daquele lugar, então ao tomar tino da vida. Comecei a pensar o porque das coisas, do agir das pessoas, os modos, a religião, comecei então a construir meu mundo baseado no que via, havia ali sim o diferente e eu percebia a diferença, comecei então a refletir sobre essa diferença, comecei a construir meu mundo com base naquele mundo, mas queria mais que aquilo sim, aquele mundo era muito pequeno para minha imaginação, então comecei a sonhar, o que faria para poder sair dali, significava para mim liberdade. Tinham algumas formas uma delas era completar a idade e fugir para a cidade grande, mas isso não iria mudar muito, percebi que aqueles que iam embora sempre voltavam, com algo no bolso, mas voltavam, eu queria ir e não mais voltar, confesso que tentei, mas o destino e o amor dos meus pais por mim me fizeram esperar. A paciência foi fundamental, pensamentos profundos sobre valores, medos; reflexões e sonhos e de moeda tinha muita fé. Rezava todas as noites, meus pais estavam, sempre estiveram ao meu lado. De maneira que construí meu mundo ali, mas me preparei, pois meus pensamentos, minhas reflexões e meus sonhos me levariam longe. Aprendi todo o necessário para viver ali, cultivar a terra, criar animais e ter uma religião, dominando essas artes estaria muito bem ali, mas queria mais, queria o melhor para mim, mesmo achando que o melhor era o material, o ter, o saciar meus desejos. Então cai em profundos estudos, aprendi a gostar de saber, de ler seja o que fosse, mas não era fácil, pois não tinha um foco, até que uma professora de biologia me deu um norte, foi uma pessoa maravilhosa pois mostrou a beleza da vida, o estudo dos sistemas, da ciência da vida. Então projetei o meus sonhos para o estudo biologia e lutei com todas as garras, não foi fácil fiz três vestibulares, em anos diferentes foram dois anos de luta em vão, cada derrota tinha um sabor amargo, de frustração, de medo, mas só servia para alimentar meu sonho e um dia as coisas deram certo dei o pulo do gato,
meu sonho projetado deu certo e então sai dali. Sai do interior, mas o interior não saiu de dentro de mim, tive que aprender a me relacionar de maneira diferente com as pessoas, isso não foi fácil, mas enfim, suporta-se tudo e se vence. Hoje de onde estou, volto quase diariamente aquele lugar, vou buscar minhas reflexões, meus sonhos foram atingidos, preciso de novos sonhos, preciso potencializar minha vida. Então volto sempre aos lugares de minha infância que povoa toda minha mente. A minha razão está lá e aqui ao mesmo tempo. Muitas vezes sou aquele menino de bucho grande melado de caju, muitas vezes sou adulto e outras vezes não sou eu sou uma mistura de meus pais. Hoje tenho consciência de quem e do que sou, tenho consciência de mim, uma das coisas que mais me alimenta é conhecer, e como uma estrela que desponta no fim da tarde, sinto aos poucos vontade de passar o que conheço, espero ser uma estrela, um norte na escuridão de alguma alma. Se assim o for me sentirei pleno.

Devir

Quando na manhã o sol brilhar,
subindo lentamente do nascente,
quando o vento o acompanhar,
soprando bem lentamente,

as fruteiras irão acenar,
para o sol, para o vento incontinente,
o jasmim seu aroma vai exalar,
e a todo o campo perfumar intensamente,

as vacas irão ruminar e urrar,
quando a poeira do chão levantar calmamente,
as ordens da maestra a varrer e a cantar,

a vida parece tão plena, bela e eterna,
o vento sopra pra longe a manhã,
e o dia segue o caminho do eterno devir.

Janela metafisica

E não são pelas janelas que entram a luz, o vento, ar, poeira, vida. Não são por estas que vemos o que acontece fora do lar, não é esta que abrimos para fazer a luz, o vento entrar, não são estas que cerramos para a chuva não entrar. Não somos nós responsáveis por seus movimentos. De dia abrimos para o átrio clarear e a noite para arejar, fazer correr a corrente de ar, não somos nós que delimitamos o que deve ser feito da janela?
 Não seria nós portanto os responsáveis por filtrar o que entra pelas janelas da nossa mente, nossa visão, audição, pressão, calor, frio, cheiro? Não somos nós que julgamos o que melhor nos convém? Tenho a liberdade de olhar para onde quero, de ver o que quero, de ignorar o que não quero, mas muitas vezes salta a nossos olhos, coisas que chamam nossa atenção, coisas que querem tirar de nós nossa liberdade de escolher o que devemos julgar, ou melhor querem tomar decisões do que devemos fazer de nossas janelas. O que deve ser visto, ouvido, sentido? 
Ah sim quem está aqui primeiro, impõe em nós seus sentidos na crença de que aquilo é o melhor, bem que seja o melhor, mas somos nós quem devemos saber a partir de nossas experiências julgar o que devemos fazer de nossas vontade e desejo. Somos nós quem devemos construir nosso mundo, muito embora, possamos seguir o mesmo sentido. Preste atenção, somos todos diferentes, aprendemos a ver e agir no mundo de maneira diferente, construímos nossas relações de maneiras diferentes, somos responsáveis pela beleza de nossos átrios, nossas mentes. Estamos constantemente aprendendo, regulando essa aprendizagem de acordo com a abertura que fazemos de nossas janelas. A luz torna mais belo o quarto pois podemos perceber as cores, os detalhes, as sujeiras escondidas; o ar areja da uma sensação de bem está, mas cuidado, não vês bactérias, poléns coisas que podem ser alérgicas para ti. É preciso muito cuidado para que, por que está abrindo a janela, apreenda os signos, racionalize sobre eles e perceba a essência das coisas, a partir de seus juízo de seu discernimento, faça o que melhor lhe convém, mas cuidado não acredite muito naquilo que promete uma potência exagerada. Seja cuidadoso com sua janela, seja cuidadoso com o teu ser. E seja feliz.

O dia

As seis da manhã o sino soou no nascente,
o sino abriu o dia, estava tão bela a aurora,
que ouvir aquele sino foi em boa hora,
senti o aroma da manhã molhada,
da pequena chuva passada,
o vento não soprava, mas o sol a terra
já clareava, então segui,
a caminhar, a sentir a natureza,
segui por onde sempre seguia,
quando caminhava, fui em paz,
e assim caminhei onde tanto andei,
senti o aroma do jasmim,
procurei a beleza das ipomoea violácea,
mas não estavam lá as flores com suas cores,
cores só no céu, um véu de algodão
com tonalidade de azul,
tal qual quarto que espera
um bebê ornava o céu,
as ruas não cheirava,
nada era diferente,
mas percebi que em frente a escola,
tem belas palmeiras, tão linheiras,
vi que a mandevila rosa está florira,
que na casa após a casa da esquina
haviam lianas floridas, além da rosa mandevila,
e caminhei por onde tanto passei,
cruzei a rua, passei do lado de jasmim manga,
mas não estavam floridos,
vi que sob a palmeira havia coco de pássaros,
então pensei, que aquelas aves iriam condenar
a palmeira, mas segui,
ouvi o som do riacho com águas turvas,
senti lisa a placa de granito,
do Tilicenter,
e assim caminhei,
cumprimentei operários de uma obra,
e segui, para meu dia, que tão rápido se passou,
e quando voltava para casa,
percebi a coisa mais bela,
a figueira sorria, pois durando o fim do dia,
três lindas flores nascera,
mas pareciam bebês,
folhas tão jovens que ainda brilhavam,
tinha uma cor vinho,
aquela figueira sorria da sua arte,
das suas jovens e belas flores,
então pensei,
não temos muitas plantas tecendo
suas folhas, não tem,
as folhas caem nesta época,
as flores são raras,
a natureza toda se prepara,
mas no fim do dia
toda a natureza sorria,
o crepúsculo anuncia o fim da noite,
nenhum sopro,
então o sino tocou 18 horas,
o dia se entregou para a noite,
então sorri,
e agradeci,
por mais uma dádiva,
mais um dia,
fecho minha poesia.

Sinto

Sereia tu que canta,
me encanta,
dar uma vontade louca
de beijar sua boca,
uma vontade maluca
de beixar sua cuca,
uma vontade transcendente
de sentir sua mente,
acariciar seus dedos,
sua pelo, seus pelos,
e fazer voce arrepiar,
e sentir seu corpo queimar,
sentir o aroma dos teus cabelos,
o perfume guardado
nos teus seios,
quero poder deliciar,
e poder delirar,
te amando,
me envenenando
de tanta paixão,
mergulhado na ilusão,
da felicidade,
que é como as ondas do mar,
sempre a oscilar.

Bateu um desejo,
de seu beijo,
bateu uma saudade,
tão forte no coração,
minhas vísceras
congelaram, meu sangue
gelado, como água salgada, gelada,
senti uma emoção diferente,
mesmo tu ausente,
minha flor,
desejo seu beijo,
mesmo que beijo de vento,
sinta minha alma
a surfar
nas ondas do vento,
no tempo,
desejos,
vontades,
vaidades,
assim sinto.

27/03/11

Mudança

Mudanças acontecem. As coisas, as pessoas, as relações mudam e permitem que ocorram transformações. Essas transformações requerem um certo custo à natureza que leva milhões de anos para desenhar-se. Algumas destas mudanças tem sucesso e evoluem e outras simplesmente são eliminadas. As adaptações que se estabelecem, se replicam, diversificam e povoam o ambiente. Quando não ocorre mudança, tudo permanece inalterado, mas quando algo entra em desequilíbrio, a busca pelo equilibrio, certamente levará a metamorfoses. Mudanças de ideias humanas acontecem por alguma necessidade. A curiosidade alimentou o intelecto humano, que vem mudando até hoje, mas essas modificações vem levando o homem a perder o mundo que habita a inexistência. Está transformando a diversidade em unidade, a natureza . Em pouco tempo está destruindo o que a natureza levou milhões de anos para adaptar, longas mudanças, rearranjos, modificações irrevesíveis. Essa mudança poderá ser crucial para o fim da pluralidade de formas e relações levando a existência ao seu fim. Já sabemos o que fazer, mas já está fora de controle. Que restará? que mudança nova virá?

Luz

Luz que ilumina tudo e todos,
que varre todos os lugares,
clareia todos os lares,
sedes uma forma divina,
que a tudo anima,
aquece a substância,
nessa rede de relações,
fazes a vida pulsar,
onde quer que venha passar,
luz que tudo alimentas
de energia, tendes a magia,
luz que a tudo aquece,
ao mundo faz das relações
em matéria, potência,
ser, luz que me anima e tudo anima,
a natureza molda,
sedes a energia reticular
do existir da vida.

Aprender

Olho e vejo,
mas o que vejo?
ouço e escuto,
mas que escuto?
sinto o cheiro,
mas o que cheiro?
O novo me espanta,
o novo me encanta.
o que vejo me provoca curiosidade,
quando vejo e vejo sinto vontade,
essa curiosidade desperta desejo,
mas se o que eu vejo me fala,
por que não entendo?
ah, mas quando vejo,
quando indago, eu compreendo,
logo aprendo,
mas se o outro ver, e entende, compeende,
mas por que? de certo já viu,
apreendeu, viveu,
no seu mundo, seu juizo,
já estava registrado.
Sinto a vida,
ouço, percebo os cheiros,
e o que me desperta
me agrada ou desagrada,
o que me agrada potencializa meu ser,
o que desagrada potencializa meu ser,
por isso cheiro, mas não cheiro,
simples mente ignoro
o cheiro do esgoto,
ignoro também
o barulho dos carros,
o brilho das estrelas,
as luzes elétricas são mais potentes,
fico contente com o mundo
onde tudo é possível,
mas nada posso,
me apego a essa ilusão,
de ser algo,
mas não ser nada,
por isso vejo,
mas não percebo minha precariedade,
vaidade,
aqui posso ser quem quiser,
mas nada sou,
leva tempo pra aprender a ser voce mesmo,
leva tempo pra entender o outro,
leva tempo pra poder ver
o necessário,
leva tempo a entender a vida,
não se entregue totalmente a fé,
creia, mas seja mais prática e ação,
seja, simplesmente seja,
pois logo voltará ao que sempre foi,
nada, tu existes,
olhe e veja,
ouça e escute,
e entenda que viver é um eterno aprender.

26/03/11

Sertão

Olhai à paisagem e veja arbustos, arvoretas e cactos. Perceba que todos estão armados, de espinhos ou quando macerados vertem látex. Perceba ainda que no sertão época de verão a natureza se cora de cinza, tudo é meio branco, plantas parecem mortas. Solo seco, muitas vezes esturricados, rachados; o céu azul, limpo e o sol brilhando intensamente. Há tanta luz, faz tanto calor. Mas aqui tudo é diverso, peculiar e belo; pois aqui tudo tem um aroma e forma que impregna na alma a essência deste lugar, faz-se memória instantânea. A vida sofrera para se adaptar, muitas vidas vieram e aqui ficaram, e quando escasso de água, a latência das plantas e das sementes que se encrosta em suas casas, suas testas e adormecem, como dríades grega. Os animais ali se escondem entre as plantas, sob rochas, entre castas, insetos, réptil, e pequenos animais. O vento quase não sopra, nada se passa, tudo para, a natureza dorme durante o dia e acorda durante a noite. Os afloramentos graníticos, serrotes, abrigam macambiras, urtigas e cardeiros, rochas soltas pelo chão, desordenadas adormecidas no tempo, movidas apenas pela natureza, são evidência das proezas da natureza, barram os horizontes, aqui pode se sentir o pulsar do sangue nas veias, a respiração ofegante, o coração a bater, o suor a escorrer, do corpo e da alma, a carne quente, a mente refrigerada, a pele tingida pela luz do sol, a vista cinza, caatinga. É possível ver a vida bem presente, é possível ser consciente de si, dos próprios limites, da certeza e esperança que tudo melhora, aprende-se a ser paciente, é preciso ser ciente pra poder aqui morar, pra poder aqui amar. E quando no fim da tarde o céu também arde em brasa, tingido de vermelho, como uma brasa que se apaga a natureza do dia se entrega a noite, paulatinamente, aparecem os planetas, sucedendo as estrelas, então cai a noite, surge um vento de açoite, e tudo está escuro, a natureza esfria lentamente, na escuridão, apenas o brilho das estrelas se percebe, então por esta se mede, a abóboda celeste, pode-se perceber que a profundeza é para cima o infinito torna-se algo bonito, estrelas amarelas, vermelhas e azuis, de brilhos rutilantes, brilhos percorrentes, antigos, percebemos o tamanho do universo, então matutamos em Deus, em nós e percebemos quanto somos pequenos e respeitamos o mundo. E amamos a vida, sendo eternamente crentes no oculto. Vindes ver o sertão, vá além da imaginação, lugar mais diferente não há.

25/03/11

Varrer

Vejo os grandes terreiros, limpos, varridos com melosa, no suave e intermitente movimento da vassoura que aquelas senhoras, começavam seus dias, num exercício para o corpo e para a alma,
pra lá e pra cá, varrendo folhas, galho, tornando os terreiros desérticos, porém limpos, um terreiro sujo revela uma casa sem hábitos higiênicos. Assim as senhoras acreditavam e teciam notícias com quem ali passava, se informava e informava, construindo sua idéia de mundo, seus pensamentos, seus juízos.

Ação

Fecho os meus olhos começo a viajar,
e a partir de minha imaginação,
tudo posso fazer, tudo posso por em ação,
basta uma bateria conectar,
basta que haja a crença,
que tenha convicção,
que tenha consciência,
fecho os meus olhos
e tudo que vi, revejo,
sem detalhes, mas vejo
imagem,
vejo paisagem,
fecho os olhos e abro a mente,
e em minha reflexão,
traduzo em matéria
através de minha ação,
então abro os olhos,
e vejo o real,
e paro minha viagem,
e posso ser ação.

24/03/11

Face

Oculta na face
sentimentos,
riso, raiva,
dor, alegria,
oculta na face,
um olhar,
um desejo,
uma paixão,
um amor,
oculta na face,
um universo subjetivo,
pensamentos resilientes,
ásperas idéias,
ocultas na face,
carinho, afeto,
ocultas na face,
bem atrás da face,
imagens, paisagens,
recordações,
saudades,
lembranças,
ocultas
nesta face,
pintada
o ser absoluto.

A minha mãe

Sua voz alegra minha alma,
seu riso enche-me de calma,
sua presença é mágica,
me traz a paz, aprendo
a cada dia refletindo
o que me dizia e me diz,
creio em ti profundamente,
aprendi a julgar
contigo, sempre foste
meu abrigo
eterno abrigo,
da geração e seguindo em caminhada,
a vida dar cada virada,
queria trazer-te a uma poesia,
pensas em mim todos o dias,
querida e doce mãe
de incondicional amor,
sedes para mim a mais pura,
mais doce e bela flor,
é com muito amor,
que descrevo,
seu carinho, sua beleza,
sua dedicação,
gratíssimo sou
por ter sido gerado no teu seio,
e do teu amor,
eterna seja,
tua alma
na minha alma,
e me traga calma,
por saber
que serei sempre
seu pequeno,
seu amado,
seu filho.

Oculto

Quem é esse que cedo acorda? E segue sempre pro mesmo lugar, com a bicicleta a gemer, segue sempre para o poente. Que há em sua mente? que sente? que pensa? O que faz? Como se descreve.
Ele sai todos os dias ao mesmo horário nem a mais nem a menos, antes que o sol nasça, ele parece nascer para vida, chuva ou não segue sempre a pedalar, segue sempre em frente. Cumprimenta as pessoas e vai pedalando. Com fone de ouvidos que será que ouves? De onde veio? para onde vai? com que trabalha? Parece uma pessoa calma, educada e séria. Chega sempre aos mesmos horários, entra troca de roupas e sai. Quando volta se fecha no quarto e fica acordado até quase meia noite.
Alguns fins de semanas viaja, outros permanece sempre ai. Não sabe cozinhar, pois todos os dias que fica em casa sai para comprar uma quentinha. Sai com a bolsa suja, certos dias, será? acho que vai ao mercado sei lá. Mas todos os dias ele apanha a merda do cachorro, isso ele faz. Ele já parou pra tirar fotos das plantas, daqui, dali, de coisas pequenas, de troncos. Quase nunca ouço ele falar.
As vezes ele entra com uma moça loira. Bem são quatro pessoas que mora na mesma casa que ele, mas só ele usa bicicleta. Faz a barba só uma vez por semana. Coisa estranha. O jornaleiro disse que ele o cumprimenta, mas ele não sabe nada sobre essa pessoa. Quantas pessoas serão igual a ele aqui em Barão sei lá. Aqui é um lugar de gente diferente, com costumes diferentes. Também só reparo nele porque acorda muito cedo. Que diabos será que ele faz? um dia vou descobrir.

Carinho

Feito criança interesseira,
toda faceira, enche de beijos
aquele(a) que admira,
e ouve o que voce quer?
não é nada, só declarar
o meu amor, mas se poder,
me dar aquele tostão,
estendo minha mão,
beijos, afagos, carinho,
somos assim feito passarim,
e quando queremos
entendemos
que o carinho,
dar um jeitinho,
com carinho e ganha um doce,
uma flor,
como é doce o amor,
como é doce a confiança,
como é grande a esperança,
e maravilhoso ser,
e ter com quem contar,
quem amar,
quem nunca amou,
o que pode refletir,
em que pode se espelhar,

beijos, carinhos
o que voce quer?
dizer que ti amo,
mãe e pai.

23/03/11

Riso

Uma flor não tem um propósito de ser bela, simplesmente é como um riso.

Pessoas muito especiais

Há pessoas boas, especiais e extraespeciais. Bem conheço bem pouco as pessoas extra especiais. Pessoas boas são aquelas que se dão bem contigo, mas tem um circulo muito restrito de relações, as pessoas nem falam nem defendem são indiferentes, as pessoas especiais são aquelas que tem um circulo bem maior de amizade, mas as pessoas falam bem ou falam mal, essa pessoa é reconhecida pelas pessoas por bem ou por mal, já as pessoas extra especiais, ah, essas são raras, considero uma pessoa extraespecial aquela pessoa que é querida por todo mundo sem exceção, são extremamente raras, essas pessoas são luzes na vida de outras pessoas. É assim que vejo o professor George Sheferd. Natural da Escócia veio para o Brasil para desenvolver pesquisa e ensinar Biologia Vegetal na decada de 70 e permanece na academia até a atualidade, no entanto estará se aposentando no próximo mês. Hoje no biofórum o professor uma das pessoas mais esperadas neste evento, apresentou suas ideias, sobre distribuição e classificação de florestas no estado de São Paulo, com a sala cheia de alunos e professores, com inúmeras pessoas sentadas no chão e escoradas por fora da sala. Nunca este evento foi tão frequentado, nem a sala de congregação recebeu tanta gente que ouvia atenciosamente cada palavra, calma e mágica, de olhos arregalados, mais parecia um lider espiritual do Tibet, após apresentação recebeu uma salva de palma belíssima. No final foi apresentado uma homenagem preparada pelo Gustavo Shimizo, uma apresentação de fotos de toda a carreira do professor em diversos eventos de sua carreira, seguido de uma seção de fotos e um muito obrigado. Passou palavras de paz, paciência e amor ao trabalho, prazer em viver. Foi um momento muito especial para o centro de biologia, o departamento de biologia vegetal e para todos ali presente. A imensa quantidade de presente só comprova a tese de que há pessoas extraespeciais que são pessoas que fazem o seu trabalho com muito amor. Amor ao próximo, ao ensino e a vida.

Galinha

A galinha põe todos os dias nos mesmo horários, mas mesmo assim se espanta de por um ovo, mesmo assim todos os dias quando põe sai gritando onomatopeicamente, cacarejando, alvoroçada, parece está avisando para o mundo a boa nova, e na sua gritaria avisa aos ovífagos que tem comida. Parece tola entre os animais, pois nem todos os animais que põe dar tamanho escândalo, os pássaros não saem gorgeteando. Estranho o comportamento, mas muito bom porque quando a galinha saia gritando do ninho, eu saia correndo pra pegar o ovo e fazer uma gemada. Nunca pensei se quem tinha nascido primeiro se tinha sido o ovo ou a galinha. O que me interessava era o delicioso ovo batido com farinha e açúcar. Não me importava, mas como morava no sítio, percebia que a galinha cacarejava pra exatamente avisarmos que onde estava seu ovo, pra irmos busca, senão os animais comeriam e elas não teriam nenhuma ninhada. Veja só, acho as galinhas aprenderam seria melhor ceder os seus ovos para nós que cuidamos delas, que ceder a lei da selva, aprenderam que cedendo sua prole, garantindo proteção e alimentação, embora vez por outra haveria um sacrifício de alguma delas. Acho que ela se espanta com o tamanho do ovo, ou sei lá, as galinhas são muito esquisitas, difíceis de se compreender como toda e qualquer fêmea.

flor

Uma flor,
tem cor, odor,
uma flor,
que pensas quando vê,
uma flor delicada,
perfumada,
singela, bela,
orna de beleza
onde está.

A velhinha e o caminho


Havia um caminho que não dava em muitos lugares, pouca gente passava bem a ali naquele caminho próximo a um riacho havia uma casa, de taipa, uma velhinha e um cachorro. A velhinha era educada e limpa e todos os dias varria o terreiro, as calçadas e a casa. Seus copos simples de alumínio brilhavam, e todos que a ali passavam ela cumprimentava, acalmava seu cachorro que latia, e se ouvia um bom dia. A todos servia um copo de água e um café oferecia. Nestas breves conversas se informava o que acontecia nos extremos daquele caminho, muita gente conhecia e todo dia conversava com quem passava. Sua comida era escassa, seus modos rústicos, mas era muito educada, acreditava em Deus. Durante o inverno o som da água do riacho ecoava em sua casa dia e noite sem parar, quando o verão chegava, pagava por um carga de água. Tinha a face enrugada, e sabia o que ocorria nas extremidades do caminho. Tinha uma voz arrastada, nunca viajara, vivia ali desde sempre, sabia falar como o povo dali falava, palavras rudes, mas se comunicava. E sempre se falava sobre as chuvas, a seca, a vida, as famílias os acontecimentos tão previsíveis, imprevisível era a morte, mas vez por outra subtraia um conhecido, por vezes mais um nascia. Crianças cresciam e envelheciam, aprendiam os vícios e aquele caminho aquela casa, havia uma velhinha e um cachorro, a velhinha era limpinha e educada, mas o tempo passou e a vida da velhinha se encerrou, daqueles que passavam um se destacava por falar muito, falar só, conversar. Este homem que andava numa burra, falava tanto que quando não tinha com quem conversar consigo conversava, tinha a orelha grande, os olhos castanhos e um chapéu de coro, um relógio oriente. Este todo dia passava naquele caminho era notícia certa para a velhinha, um jornal, sim porque esse senhor era um comunicador, de tudo e todos falava, mas o tempo venceu, aquele riacho, aquele caminho se transformou numa represa. Imersa estão as memórias, o caminho, a casa e a velhinha o cachorro e o velho dormem na eternidade.

22/03/11

Leva-se anos para ser o que se deseja e segundos para ser destruído.

Vento maestro

O que leva o vento?
Leva movimento,
leva vida nos esporos,
poléns e bactérias,
além poeira, o vento
quando toca as folhas,
as flores e os frutos
das plantas anima
as faz dançar,
muitas vezes fica a
sussurar,
provoca desavenças,
faz girar cataventos,
turbinas,
o vento tem certos
sentidos para soprar,
e se movimenta
com a terra,
se desloca e faz
deslocar a água do mar,
condensada nas nuvens
que ao se precipitar,
chega a cantar,
e faz calar o vento,
e faz germinar
a vida, dos esporos,
dos polens, dos quistos,
é a natureza em movimento,
sob a maestria do vento.

noite vestida

A noite chega sempre vestida de negro,
é elegante, tem na roupa brilhantes,
que piscam feito estrelas,
a noite é fria, se doa a poesia,
a tudo esconde, rosas, cores,
só os odores são capazes de esconder,
há seres que aprenderam
a viver com ela,
que aprenderam a se alimentar,
a se esconder na noite,
há seres que aprenderam
a ser noite também
pois vão muito além,
da visão, das cores,
a noite sempre vestida é negra.

Canta sabiá

Por onde andará o sabiá
que não mais veio cantar,
as manhãs são tão caladas,
e sem brilho sem seu canto,
o sol nasce enfezado
quando o sabiá não vem cantar,
onde deve está aquele sabiá,
porque parou de cantar,
Só canta quando quer namorar,
eita sabiá,
igual a ti não há,
mas não fiques sem cantar,
o outono está ai,
e o inverno não tardará,
canta no outono,
pois se tu calar,
o vento vai soprar,
e esfriar esse lar,
volta a cantar
cantador sabiá,
volta a me acordar,
que o escuro sem teu som,
não tem sentido,
não tem um norte,
canta e da sentido
a felizberto brolezze,
o jasmim já não tem flor,
a magnolia e a acacia
estão tão desoladas,
pois se tu não vir cantar,
ah o que vai ser dessa rua,
toda nua,
de som temos grunidos
e latidos
dos cães,
tu não está cantando para nos acalmar,
o que é que há,
volta a cantar sabiá,
volta a cantar.

21/03/11

Casa de minha avó

A casa de minha avó era uma casa muito simples, uma casa muito antiga de paredes brancas como a neve, com duas cadeiras confortáveis de balanço e cadeiras duras, nas paredes brancas tinham imagens de santos, uma foto de meu pai quando jovem que eu não reconhecia e uma foto do meu avó e minha avó. O piso era desenhado, feito no cimento queimado com desenhos. na anti-sala tinha um altar, com vários santos, não sabia, mas ficava com pena porque aqueles santos pareciam está sempre tristes e o Cristo estava sempre crucificado, depois fiquei sabendo que tinha um santo Antônio lá. a casa era muito grande, mas muito mal dividida tinha três quartos, um que eles guardavam as coisas de valores, comida, já que não tinha geladeira, este ficava na sala, e mais dois um onde vovó dormia com vovô, era um quarto muito escuro a luz que entrava lá era de uma telha plástica ou luz do fogo da lamparina, não tinha janela, e o outro era do lado do altar. Tinha uma anticozinha onde tinha um fogão a gás e um tripé onde guardava os aluminhos.Tinha um fogão de lenha feito vermelho, de tinta xadrez, as panelas eram todas de barro, tinha uma vazia de barro pra lavar os pratos que se chama alguidar, e potes de barro. Na cozinha tinha um passarim numa gaiola que cantava muito. Mas a coisa mais bela naquela casa aquela que dava cheiro e graça era a minha avó, sempre engraçada, tinha um tique na face ficava a piscar quando olhava, usava óculos, e tinha uma voz arrastada, tinha muitas histórias pra contar, gostava muito de mangar, coisa que herdada da família. Poucas vezes veio a minha casa, lembro que foi certa vez com meu avó. O meu avó pouco conheci, lembro que era grande como meu pai, tinha uma voz muito bonita, são muito poucas lembranças, ainda era criança quando partiu. Sei que tinha um comportamento de muita moral, muito zelo pelos filhos e netos, era muito inteligente quando negociava, ninguém passava a perna nele. Meu pai me contou que ele não deixava ele sair a noite pra se divertir, tinha que sair escondido, tinha temperamento muito forte, era sério, mas gostava muito de falar lorotas. Gostava muito de doce e queijo, adorava doce de mamão e galinha também. Naquele tempo a carne que o pobre comia era uma galinha e o queijo só nas semanas santas. Papai falou que comia só feijão com torcinho e a noite cherenho de milho. Quando tinha castanha comia pirão de castanha. A coisa melhorou para eles depois que se aposentaram que já foi no fim da vida. A família sempre foi franciscana, pobres extremamente religiosa, porém com muitos valores. Usavam roupas simples, só se comprava tecido nessa época, roupa feita era caro, não usavam sapatos só sandalhas. Papai usou o primeiro sapato em São Paulo, veio pra cá com 17 anos. Eles eram muito simples e tinham uma casa muito simples, mas bonita pois minha vô gostava de enfeitar a casa com flores, tinha muitos catarantus, rosas e brancos, gostava de ver aquelas flores, tinha uma roseira do lado da casa, e no lado da cozinha tinha um pé de romã, um pé de pimenta de macaco do lado do banheiro que era feito de palha de coqueiro. do lado oposto tinha um pé de jasmim manga, mas não gostava porque usavam suas flores para enfeitar defunto, demorou para superar esse receio das flores de jardim, tive que apagar da memória aquela ideia, o medo da morte. Bem e quando ia para lá via meu pai, meus primos e meus avós juntos era bom porque minha avô colocava o almoço as dez horas era cedo para os padrões de minha casa. Tinha todo um ritual primeiro ela punha o feijão com bastante caldo, e punha farinha, ai todos tomavam o caldo, em seguida vinha o arroz e por fim um naco de carne de frango ou de gado, depois do almoço tinha um café. Era o costume de meu povo. Simples mas de coração grande, nunca ninguém que fosse lá voltava sem almoçar. Quando volta aquela casa, toda transformada, sinto saudades daquele tempo onde podiamos desfrutar de nossas presenças, nossas conversas, e nossas esperanças. As carnaubeiras continuam vivas, algumas pinheiras e cajueiros, mas a casa não só tem a alma das lembranças. A casa nada é, mas as lembranças ao chegar lá acendem feito vela, sinto a presença de todos alí, embora esteja só aqui.

20/03/11

Partida

Quando alguém parte,
e deixa a arte de viver,
quando a alma deixa de ser,
eis que faz-se a dor,
e o mundo perde a cor,
e só o tempo faz regenerar,
a vontade de viver,
aprendemos com o sofrer,
e o tempo, cala a fala
em nossa mente,
só fica a saudade,
e tudo que era já não é.


Versos

Lembro da voz cansada idosa,
a declamar versos, e as pessoas
inebriadas com a beleza sonora
das palavras cuspidas, palavras
da vida, falada, cantadas,
enquanto a mão segura a bengala,
os olhos sugados pela vida,
já não abrem, mas da boca,
ornada pelo bigode amarelo,
saiam versos, impressos,
na mente, e as pessoas
a ouvir, apreciar, as
palavras daquele ser,
de unhas grandes,
de corpo descuidado,
mas sabia declamar,
versos quase a cantar,
bem em frente a casa,
havia uma cajaraneira,
e do lado da cozinha,
uma paquira que encantava
aqueles versos, com cheiro
de paquira e o cheiro
ácido da cajarana,
a casa, desorganizada,
mas aconchegante,
a declamar os versos,
do gatinho do Rio grande,
versos, belos versos.

Alma

Incrustada em uma carapaça,
circunvoluções, sulcos,
reentrâncias a sede do meu pensar,
mas onde posso encontrar,
onde está a ideia?
uns disseram na pienal,
outros nunca afirmaram,
na verdade ninguém sabe,
onde está, acho que está
sempre a viajar,
mais rápido que a luz,
está em todo lugar,
mas não pode ser detectar
em nenhum lugar,
tu alma, a quem tantos afirmas que há de divina,
quem sabe, onde cabe,
os fisicalistas afirmam que não,
mas os religiosos estes afirmam
a imortalidade da alma,
e encantada no mito,
a alma resiste a razão,
e está em todo lugar,
viajando nos giros,
nas circunvoluções,
perdida na concha to tempo,
esse invento,
aparentemente objetivo,
mas tão subjetivo,
lá está a alma,
na massa cinzenta, de burracha,
nas circunvoluções,
está lá, e ao acabar o ar,
ao se apagar as mitocôndrias,
eis que como a essência,
de difunde no ar,
sem cheirar,
a alma simplesmente inexiste.

Vento de estação

Nos campos,
voa o vento,
fazendo curvas,
reentrâncias,
espalhando poeira,
as folhas secas,
nos campos,
veleja o vento,
pois já é tempo,
logo chegará ou outono,
as plantas estão
perdendo as folhas,
o sol já muda de lugar,
o clima começou a esfriar,

Vento, vento, vento
tu que mudas o tempo,
cheio de inventos,
ventos loucos ventos,
sopram sem parar,
a qualquer hora,
em qualquer lugar,
sopra vento,
avança o vento.

Em qualquer direção

E sinto o vento me tocar,
toca minha face,
minhas mãos,

e faz ecoar
a natureza,
escava
a beleza,
esculpi
a natureza, areias, galhos,

é o fim da estação,
o fim do verão,
o vento de mandrião,
fica a insultar,
tudo que passa,
tudo que fica,
e muda
a estação.

19/03/11

A flor efêmera e eterna

No meio do mato,
bem longe percebi uma flor,
que coisa mais bela era a sua cor,
algo que me encantou, me cativou,
hipnotizado segui o rastro de sua beleza,
Seria sua cor a responsável?
ou a busca do belo,
ou seria esse elo?
Não sei nem percebi,
só vi que era lilás ou roxo,
aquela flor, trepada no ramo
de uma árvore,
era uma flor de uma liana,
tão bela, sedutora, que me encantou,
e ao me aproximar senti
seu doce odor, que bela flor exclamei,
que bela flor!
Então com seu odor
meu pulmão inflei,
a fotografei,
me deliciei de sua presença,
e contemplei sua existência,
efêmera existência,
o belo, o prazeroso não dura muito tempo,
e fiquei ali a contemplar,
a cheirar, a desfrutar da beleza da flor.

Logo veio um beija-flor
e a beijou, e foi tão breve,
e foi embora,
sugou o néctar e partiu,
era tão belo, tão verde rutilante,
tão breve,
mas a flor ainda estava ali,
calma, parada, as vezes dançava com o vento,
passava maior parte do tempo só,
aquela flor, efêmera solitária,
que desfrutava da breve companhia do beija-flor,
desfrutou de minha companhia,
nada havia,
era só uma flor,
uma linda flor,
não a cativei,
parti,
e vi que era uma flor,
uma Mandevilla,
de forte leite venenoso,
mas era uma flor,
pensei nas sereias,
pensei em Ulisses e Orfeu,
segui e nunca mais
vi a tal flor,
sua cor,
nada,
não seria um sonho,
de um papolvo risonho?
Era só uma flor.
pensei
efêmera flor.

18/03/11

Sinestesias poéticas

Sei que as poesias não são vadias,
sei que na boca do poeta popular,
elas saltam, feito pipoca, cheias
de alegria e sonoridade, com vaidade,
sei que cada um canta sua poesia,
de maneira peculiar,
mas escrevo, não sei se é poesia,
gosto das rimas,
gosto de palavras belas,
que digam coisas com beleza,
com música, com lógica,
às vezes me falta,
às vezes salta,
só que não sei se sou poeta,
só sei que fico a escrever,
e escrevo, com e sem relevo,
escrevo ouvindo algo,
gosto de falar algo,
quando não, calo-me,
mas as frases pulsam,
como minhas veias,
querem serem escritas,
fugirem de mim como o vento,
como o tempo,
querem existir,
e falo pra elas
que não sou poeta,
não importa, como suor,
as palavras querem expressar,
oras a cheirar,
oras a brilhar,
e oras feias, belas,
assim se fazem
as minhas poesias,
como criança
que brinca de ser gente grande sem ser,
textos com vida,
mas sem ser poesia,
sabe lá o que é uma poesia,
nem Manuel
se atreveu a conceituar,
é só dar sentido a um falar,
sei lá.

Decisões

Esta semana foi muito importante, por acaso, separei minhas plantas e mostrei para minha orientadora, então sentamos para estudar e discutirmos o trabalhos, por fim tomamos algumas decisões muito importantes, sobre o rumo do meu trabalho, e sobre a separação das espécies que vínhamos estudando que acabamos reconhecendo, após ver todos os indivíduos, que tínhamos em mãos, duas espécies e não três, a partir de todas as variações encontradas e decidimos juntar espécies que antes eram consideradas espécies diferentes. O que me espanta é que no começo eu jurava que tínhamos duas espécies ao invés de uma e ao me deparar com a distribuição e as variações plástica da planta, podemos perceber um gradiente de variação. De materias usados para a descrição original, finalmente concluímos que seria espécie unica. É necessário novos trabalhos para corroborar nossa tese, creio que sim, mas um grande passo foi tomado.

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh