10/03/11

Algo em mim sorri

Algo sorri em mim,
apesar de sentir
e ver no próprio corpo
as marcas do tempo,
sinto que nem sempre
me sinto plenamente descansado,
vejo as marcas na pele e a falta
de pelos em minha cabeça,
quando vejo o calendário,
me acho centenário,
mesmo assim
algo sorri em mim,
é um riso tímido,
mas doce, um riso que diz
quanto já vivi,
quanto superei,
e esse riso vai se tornando
gargalhada quando tomo conta
o quanto sou ignorante e o quanto tenho para aprender,
ai vem uma intensa sede de ler, aprender e viver,
ah, viver quanto mais melhor
assim será um riso pleno,
um riso de contentamento,
que transforma em mim
o emocional em racional.
Há dias acordo e vem a minha mente,
a luz clara, da terra molhada,
e a babugem nascendo,
as plantas rebrotando,
o mundo claro, limpado
pela chuva,
que lava a poeira,
nesse momento sinto saudades,
do tempo que era
oculto, mas era,
então meu riso fica tímido,
penso o quanto caminhei,
e onde cheguei, e meu riso cala,
já não vejo as terras abrejadas,
não vejo a mata floridas,
intensamente odoriferas,
a terrinha de meu pai,
vejo que tudo se vai,
a vida,
e faço da minha realidade vivida,
breve poesia,
e enche meu peito de alegria,
e algo dentro de mim sorri,
esse riso peculiar,
que me faz viajar,
voltar para o meu mundo,
imagino um dia
poder voltar,
e encontrar a casinha
do meio da terra de papai
erguida, varrida,
limpinha, com um panela de feijão e torcinho,
e arroz, e eu na minha infância,
meus pais, irmãos,
queria sonhar e nunca mais acordar,
sabe lá,
Não sabia que a vida era complicada,
que a vida sempre segue pra frente,
e algo em mim sorri,
me leva além daqui,
e para onde irei,
bem não sei,
mas sempre levarei,
meu mundo internamente,
dentro de mim.
Algo em mim sorri.

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Gogh

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