Sou nordestino e não nego isso pra ninguém, mas depois que vim para o sudeste, São Paulo, não deixei de ser, nem nunca deixarei, mudei sim meus hábitos, apesar de carrego no peito o orgulho de minha história, meu sotaque, minha essência. Dentre as muitas coisas que aprendi a gostar foi de chá. Adoro tomar chá principalmente de for de erva mate, sem açúcar. Bem a um certo tempo em uma viagem que fiz ao Mato Grosso com sulmatogrossenses, que são viciados em mate gelado que tomei e aprovei que tem um nome o tereré, confesso que não conhecia já havia visto na novela Pantanal os pantaneiros tomando algo numa cuia feita de chifre algo que desconhecia, nunca vi nenhum adulto de Serrinha falar sobre a tal bebida, eles bebiam o tereré que para quem não sabe é erva mate com água gelada. Os sulmatogrossenses falam que tereré não é chá, é tereré, os gaúchos dizem que é chimarão paraguaio. De forma que naquela viagem aprendi a beber a tal erva e em viagens ao Mato Grosso do Sul selou meu novo hábito. Sinto que é prazeroso sentar e tomar um tereré, ouvindo o rádio e pensando na vida. Relaxa a alma. Certa vez quando fui a Dois vizinhos comprei quatro caixas, acho que a dona do estabelecimento achou que era doido, expliquei que morava longe e onde morava não tinha a erva, a mulher sorriu. Bem como não tomo café, aprendi a beber mate gelado. Tenho um professor que gosta de me insultar, pois toda vez que chega na sala onde estou e ver minha cuia, olha com um olhar de peru e fala, esse povo do nordeste tomando chimarrão. Só rio soslaio. Ponho a água na cuia de mate e tomo. Assim segue todo dia.
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Gogh