25/02/25

Bola de neve

 Ultimamente, venho sentindo a necessidade de pensa coisas que me faça sentir bem, uma necessidade de afirmar meu eu. Esse exercício é inerente ao ser humano. Causa-me estranheza saber disso, no entanto, mesmo assim não controlar o meu sentimento.  Aquilo que pensamos hoje, concordamos, afirmamos, parece perder o sentido no amanhã e parece ridículo quando olhamos através da memória, do tempo. Por que desses sentimentos. Fiz uma introdução que e não diz nada.

Mas é a forma como estou me sentindo.

Assim é.

Temos mundo interno ou abstrato ou subjetivo que adquirimos por meio de nossas experiências. Muitas coisas podem ser compartilhadas, mas os nossos sentimentos são impares.

Podemos mudar os nossos sentimentos ou pelo menos reduzir os sofrimentos por estes causados?

Acho que deve ser um exercício exaustivo de "conheça-te a ti mesmo".

Um exercício de só se encher até as bordas e nunca transbordar.

Um exercício de se sentir satisfeito com o que tem, pensamento dividido pelo grande Aristóteles?

Ou ainda mais sublime por via da individualidade como ensinou o Cristo?

Epicteto, Marco Aurélio, Sêneca.

Confúcio, Lao Tsé.

Buda.

Tantos sistemas que nos permite pensar a existência, os sentimentos... Enfim numa profunda imersão no ser existente.

A gente se perde... A gente se perde nos ismos.

A gente se perde nesse mar de informações que nos permite pensar e se expressar.

A gente quer se expressar e libertar a mente do peso da existência ou melhor do peso da Razão...

A razão que nos permite afirmar vais envelhecer, vais morrer.


E a gente ao notar isso na gente chega dar um frio na espinha.

Rugas, calvície... a percepção que o tempo passou e que você é o mais velho do espaço...

Tá mais experiente, mais desorientado.

Foi a livraria.

Estive na seção de filosofia, minha favorita.

Lembrei de um amigo da Costa Rica, na vez que estivemos numa livraria em Campinas quando disse que dava uma angustia saber que nunca poderíamos ler todos aqueles livros.

Deveras... Sentia isso.

Eu queria ser um daqueles escritores.

Eu queria ler e entender cada um deles. Descartes, Spinosa, Kant, Hegel, Schopenhauer.

Já me conformei. Sim Salomão está me ajudando muito. A bíblia foi para mim literatura prima.

Volto a esta.

Volto a esta.

Agora vou tentando comer e digerir um pouco de cada vez.

Estou aprendendo os conceitos em outras línguas como assim a lógica parece ser.

Lao.

Upanishades.

...

Nada faz sentido se não dermos um sentido.

Usemos nossos sentimentos para direcionarmos um sentido.

Nemastê

21/02/25

Exteriorizar

 Escrever algo é materializar o pensamento e expandir suas ideias e saberes.

Trazer à tona quem você é. Exteriorizar o espírito.

Cantar também em parte cumpre essa função,

Dançar, pintar...

São formas de exteriorização do espírito.

A palavra cumpre a função de materializar o pensamento.


19/02/25

Só um sentido

 Um sentido

Se temos cinco sentidos,

Por que buscamos uma ilusão.

Um sentido é uma ilusão.

A realidade é cheia de sentidos.

Para frente, para trás,

Para cima, para baixo,

Para a direita, para a esquerda...

Ver,

Ouvir,

Tocar,

Cheirar,

Degustar...

Tudo tudo tudo rumo a consciência,

Tudo girando numa mente,

Em busca de um vago sentido...

Nos apegamos a sentidos,

Nos apaixonamos pelo sentido,

Enquanto a realidade é complexa...

Porque apenas um sentido.

Um caminho

 O dia despertou neblinando,

Depois o sol apareceu e tudo aqueceu.

Assim despertei,

Fiz minhas orações,

Acalmei o coração.

Assim costumo fazer para me acalmar.

18/02/25

Ciclo

A tarde que rápido passa,
Parece tão igual,
Me sinto tão normal.

Tempos assim.

Acordo feliz,
A manhã que me faz feliz.

E vou descobrindo o meu dia
E vou descobrindo o meu dia,

As vezes me surpreendo,
As vezes me surpreendo.

As coisas novas são boas,
As coisas novas são ruins,

O novo novo,
O novo velho.

Tudo passando,
Tudo renovando.

E a vontade sempre se revendo.
Em desejos, em intenções,
Em descobertas...

05/02/25

Fevereiro chuva e flor

 Fevereiro passageiro,

Toda soma é quatro lua

Dia e noite a se fechar.


Sol, estrela, luz e calor


O verde da mata cinzenta,

Mata cansada, e enfadada,

Com a chuva que chegou,

Chão molhou,

Secura sumiu,

E tome calor!


Do verão que passou,

Só a folhagem no chão,

Agora, toda florada,

Agora toda florida,

Flores alvas e amarelas,

Floresce a guabiroba,

O pombeiro,

O pau-sangue,

O ipê e o jitai...

Nunca vi...

Nunca vi.


04/02/25

Guabiroba

 Guabiroba é uma árvore,

Com madeira muito bruta,

Seu tronco colunado e canelado,

Sua casca áspera, estriada e amarronzada,

Que termina em ramos laevigatos,

Bem marronzinhos e lisinhos,

Como folhas largo-obovais,

Opostamente dispostas...

Quando chega o verão,

Perde as folhas,

É caducifolia.

Depois se compõe,

Apresenta folhas e flores,

São alvinhas, perfumadinhas

Com doces odores

De doces odores,

Uma a uma caem as pétalas,

Uma a uma pinta o chão,

De um alvo nebuloso,

Ficam os pistilos,

Seca o estilete

Enquanto cresce o fruto escuro,

Atropurpúreo, bem docinho,

Uma baginha,

Para as aves se alimentar,

para as aves dispersar. 

03/02/25

A verdade vem no caminhar

 O tempo e o espaço 


Tudo flui sem cessar.


Ainda ontem, vivi

Ainda ontem, vivi


Vivi com o meu pai 

Vivi com a minha mãe,


Porém não vivo mais.


Ele partiu,

Ela partiu.


Em plena harmonia ele vivia.


Cuidava da roça,

Cuidava da casa,

Cuidava das amizades,

Cuidava da mamãe,

Cuidava de nós.

Cuidava de si.


Como era bom no nosso sítio passear,

Nele havia harmonia.

O cardeiro, a aroeira, o anjico e o mororó 

Ali crescia.

O catolé ali floria e frutificava.

A vinca e as graviolas ele aguava.


Como era bom ver o partido de palma,

As cercas aramadas.


...


A tarde na calçada se sentava.

Um café fazia e tomava.

 

E assim a vida passava.


Parte da minha vida assim vivi.


Agora disso tudo me despedi.


O pai agora sou,


Pai agora sou.


De papai tenho as memórias,

De papai tenho os conhecimentos.


Continuo sendo,

Seguindo até quando?


...


Só resta no fim

O tempo.

02-02-25

Cajaraneira

 Um pensamento me tomou a pouco tempo. 

Era uma memória, dessas que aparece e não dá em nada.

Bem, ultimamente tenho voltado no espaço e no tempo.

O espaço é Serrinha do Canto e o tempo é década de 80 e 90.

É um pensamento deveras particular.

Algo daquele tempo ainda está lá.

Sim, papai se foi, o espaço é o mesmo.

Mas há ali vários pés de cajarana.

Papai usava como estaca de cerca.

Lá vai encontrar vários indivíduos.

Dois na cerca da frente.

Na cerca ao norte quatro.

No interior cinco,

Na cerca do poente três

No total cerca de 15 árvores.

Sem contar do pé plantado na cerca de Miguel no parieiro.

É nada e é tudo.

31/01/25

Pensando o tempo

 A tarde cai morna,

Na calçada de minha casa me faz sentir esperança.

As árvores secas,

O chão torrado e empoeirado,

As vincas floridas

Com flores alvas e rosas, vincas de papai,

Um beija-flor estrala beijando as flores do sapatinho.

Tudo é esperança.

Nuvens bonitas no céu aquecendo o coração na esperança de chuva.

Longe cantam as aves, bem-te-vis.

O Juazeiro enramado e florido.

Um fim-fim.

A lufada de vento fresco.

O silêncio da minha casa, sem o café de papai, ou a presença terna de mamãe.

A vida que segue.

Os catoles continuam vivos e mais maduros.

Vivo o tempo em nós nos enche de esperança,

Porque é da nossa natureza crer em um momento melhor.

Eternidade é essa.

28-12-24

Encamtamento 29-12-24

 Nas cinzas do sertão,

O flamboyant florido,

Torna o dia encarnado,

Dia todo de aurora,

Dia todo crepuscular,

Encarnadas flores,

Feito o fogo da salsa,

A conversar com Abraão,

Um dia, uma semana de aurora,

Boã, boã,

Da casa de Tereza,

Da casa de Tica,

Da casa de Chica,

Um sonho plantando,

Um sonho cultivado,

Enfeitando a igrejinha de são Francisco,

Enchendo os olhos 

Dos amantes das cores,

Dos amantes da vida

Vida verde vegetal.

Boã boã...

Esse mês do ano derradeiro,

Logo se entrega a janeiro,

O calor cáustico,

A vontade de comer doce, o enfado da vida.

Aquele que não se entrega as vontades 

Do paladar,

Enche a alma de esperança,

Enche o peito de amor,

Troca um pouco de água por uma flor...

Jardins... Ah jardins em hortas e panelas,

Jardins de cores,

De visitas de beija-flores.

Que felicidade em tua longa aurora diurna.

Em suas casas amarelas, em suas casas confortáveis,

As senhorinhas transmitem sua sabedoria,

Ganhadas de suas avós no cultivo da paciência,

No cultivo de suas flores...

Os pereiros do morcego alvos e perfumados,

Me fizeram parar

E assim parei para contemplar os últimos dias de 2024

Boã, boã 

De Tereza, Tica e Chica... No Porção, no Pinhão, no morcego e nas vertentes.

Nessas bandas do oeste potiguar, Martins, Pilões e Serrinha.

Indignação

 Passeando neste sertão

Vendo na estrada a marca da gente,

As casas vazias e abandonadas,

O lixo e a sujeira 

Por gente ali deixada,

Desmatamentos,

Queimadas,

Barreiras rompidas,

Solo nu...

Que tristeza,

Que tristeza.

Salma a alma boa,

Aquela pessoa 

Que ali habita,

Resistente do ir e vir

Ah plantas ali cultivada,

Os terreiros limpinhos,

O olhar cansado,

Aposentado,

O sertão está morrendo,

O sertão está morrendo,

Abandonado.

O sertão morre em abstração,

Só restam memórias e afeto dos que ainda estão vivos, contando os dias de morte,

O sertão está morrendo,

Sertanejo se modernizou,

Para a cidade mudou.

Sem sertanejo raiz,

Tudo fica por um triz.

Sem afeto sem apego,

Por quem vamos esperar...

Só resta exploração,

O riacho perde sua gordura de areia,

Garganta funda,

Cavada por retroescavadeira,

E caçamba a carregar,

A mata queimada, 

Retirada e ocupada por usina solar,

O solo desnutrido daquela que a protegia a vegetação,

Parques de ilusão.

Todo mundo, tanta pressa, tanta pressão,

Está morrendo o sertão.

29-12-24

Pensado não vivido

 Sai para caminhar e vi o mundo tão imenso.

No meio da caatinga fui preenchido de felicidade.

As coisas simples que encontrei como seixos um, dois, três.

A arquitetura das arvores e arbusto,

Os círculos de tamas de garrafas, as linhas retas da estrada,

Os pássaros cantando, minha fé em Cristo.

A certa altura me perco no tempo,

A certa altura me perco no tempo.

A certa altura sou parte da natureza.

A certa altura sou consciente de minha consciência.

A certa altura estou consciente de minha razão...

Então uso as rochas de terço.

Meu Deus quanta beleza.

Então me conscientizo e estou feliz por entender que a manhã é uma parte do dia e que o todo é composto de partes.

Entendo, não recordo que o homem é o único ser capaz de abstração...

Como somos pequenos e caímos o tempo todo na cilada de nossa consciência...

Penso em tanta coisa,

Então então e me forço a não pensar em nada... E eis que o vazio me preenche.

São Francisco de Assis, padin Cícero, frei Damião... Essa fé que preenche nosso nordeste.

Feliz... Penso hoje é terça feira, independente de ser o último dia do ano... Os dias são tangíveis, semanas, meses e anos são puras abstrações.

Imediatamente me bate um desespero, então vejo meu filho... E aí sinto a melhor prova da existência... Como de tanto refletir, Descartes conclui 'penso, logo existo'...

Muita coisa junta numa única mente.

31.1.24

19/12/24

Pai te amo

 Pai,

São quatro longos anos sem ti.

Seguimos em frente como adultos,

De cabeça erguida, sem olhar para trás.

Tomamos nossas responsabilidades!

Estamos unidos como gostaria de ver.

Estamos cuidando uns dos outros.

Estamos cuidando de nossos irmãos,

De nossos sobrinhos e nossos filhos.

É muito difícil muitas vezes não ter o senhor para compartilhar as coisas.

As dores e as alegrias.

A vida não é fácil, mas sem ti é ainda mais difícil,

Mas somos pais e mais e precisamos dar continuidade,

Como fizeste quando papai Chico se foi!

Temos que dar amor e afago a nossos filhos, sobrinhos e irmãos.

Saudades papai de te encontrar na velha casinha.

Ainda bem que Li cuida dela com muito amor.

E não estou sem ter para onde ir no Natal.

Vou ouvir Nelson Gonçalves no Natal e lembrar todos os momentos juntos

Sim que nos comemoramos juntos.

Te amo papai.

Quatro é um número de fechamento de um ciclo...

Quatro pontos cardeiais,

Quatro elementos constituintes do universo,

Quatro elementos...

Pai.

Saudades para sempre!

Você foi o melhor pai do mundo....

Mas como queria dar aquele abraço tropo que a gente dava.

Agora posso abraçar Vinícius e ser pai.

Assim é o ciclo da vida.

Acendi uma vela para ti já viu.

Te amoooo.

13/12/24

Na fé

 Agora vejo o tempo com outro olhar, um olhar diferente daquele de antes.

Um olhar sereno e sem pressa.

Não me interessa mais tanto o amanhã,

Não me interessa o ontem.

O que me interessa é o hoje o agora.

Tenho em mim o passado, o presente e o futuro,

Menos passado, menos futuro e mais agora.

Olho o passado com carinho, com saudades, mas sem vontade de voltar,

Olho o futuro sem pressa, sem muito ânimo, pois sei que não posso esperar muita coisa.

Me interessa o agora o momento!

Me interessa a felicidade do meu irmão, do próximo... É sempre melhor que seja maior que a mim.

Só tenho gratidão.

O tempo tem me ensinado essas coisas,

Deus em Cristo tem me ajudado...

Palmeiras

 Palmeiras primeiras!

Amigas e vizinhas.

Amo te olhar!

Amo te contemplar!

A ti ensinei meu filho Vinícius a mirar.

A gente te comtemplava!

E eu o ensinei a acenar olhando para ti.

Eu olhava as folhas e dizia,

As folhas estão balançando!

Balançando!

E você aprendeu a gesticular.

Mamãe era viva e viu você acenar dizendo tchau,

Todavia a gente dizia balançando...

Palmeiras irmãs,

Palmeiras vizinhas!

Tenho memórias de tuas parentes,

Longe, muito longe!

No terminal de Barão Geraldo foi onde te apreendi...

Dypsis madascarensis...


Jasmim amigo

 Jasmim a quem contemplo de minha janela,

Tuas folhas em arranjo de coroa,

Tuas flores são buquês de noiva,

Flores tão alvinhas!

O vento sopra e faz suas flores a balançar,

Feito estrelas no céu a brilhar,

Flores alvas com garganta amarela,

Vez por outra se desprende uma flor

Voando tadinha, cai suavemente pelo vento levando,

Voando e girando em direção ao seu destino,

A rua seca ou molhada...

Jasmim forte amigo,

Está sempre comigo,

Sempre que preciso me sentir vivo,

Basta mirar pela ganela,

E lá tu estás como um amigo

Pronto para me consolar,

Pronto para me mostrar a realidade da vida.

Jasmim, aqui eternizo sua existência,

Dou ciência de nossa amizade.

Querida Plumeria pudica.

10/12/24

A vela

 Acendi uma vela para nossa senhora da Conceição.

No dia 08 de dezembro de 2024.

Uma vela como qualquer vela comum.

Branca, linear, cilíndrica e lisa, com base plana e ápice agudo.

O pavio um cordão de algodão,

A luz foi consumindo a cera e o pavio,

A luz foi alumiando o espaço,

A luz terna, amarela dançava com o vendo,

Mirando o que via uma vela,

E a minha alma via outra coisa,

Eu via através da vela,

O tempo,

As orações...

As orações de aflição de desejo.

Essa oração era de agradecimento.

Muito tenho a agradecer a Deus...

A Deus...

Bruxuleante a vela ia queimando,

Marcando o tempo seu curto espaço de tempo de existência.

É preciso ver através das coisas...

28/11/24

Jaca em família

 Eu sempre amei frutas.

Caju, goiaba, pinha, araçá, seriguela, pitomba, pitanga, umbu, cajarana, cajá, coco, coco catolé.

Essas tínhamos em casa.

Agora a jaca.

Jaca não dava, a nossa terra era seca demais.

Na nossa comunidade tinha e ainda tem o pé de jaca de Loló de Rejane de Dezu.

Jaca era objeto dos meus desejos.

Papai, tinha um tio que morava num sítio enorme de jaqueiras em Martins.

Às vezes, ele conseguia uma jaca.

Aquela coisa cheirosa, amarelinha e docinha.

Não sobrava dinheiro para comprar.

Bem no sítio de minha avó tinha, mas era tantos filhos e netos que ela tinha que não sobrava.

Isso gerou um guloso. Eu.

Que tinha como fruta favorita a jaca.

Para comer jaca tinha um ritual.

Geralmente se comia de manhã.

Era papai quem abria, usar os garfos nem pensar para não encher de visgo.

A gente quebrava uns pauzinhos e íamos comendo os bagos que eram contados.

Uma época papai pediu os bagaços de jaca para a vaca comer

E ele sempre trazia uma ou duas jacas nos caçoas velho.

Sim jaca boa só se fosse de cima da Serra de Martins.

Ele saia montado num burro e as vezes eu ia com ele na garupa do bicho.

Quanta coisa se passa na minha mente da infância.

Numa jaca.

Só afirma o maravilhoso pai que foi o meu

E a maravilhosa família que foi a minha.

Hoje, tenho as jacas que eu quiser,

Mas não tenho com quem comer,

Com quem repartir...

Abrir uma jaca... por mais que eu coma,

Sempre metade é perdida.


26/11/24

Despedida infinito e eterno

 A casa

A casa que morei

Onde mais vivi,

Papai quem a construiu,

Alí uma flor mamãe plantou,

Ali vivi os dias mais plenos de minha vida,

Minha infância querida,

Dali tive que parti,

Mas posso voltar de vez enquanto,

Papai que a fez,

Tantas vezes foi,

Tantas vezes voltou,

Chorou quando entendeu que a partida estava primeira.

Se despediu, porque sabia que a eternidade estava te chamando.

E foi e nunca mais voltou.

A casa está ali.

O lugar está ali.

O espaço nunca sai do lugar.

O tempo é a moeda que nos permite deslocar,

Enquanto tivermos corpo para consumir.

Porque um dia...

Como papai terei que me despedir.

E o espaço será infinito.

O tempo será eterno.

Viver

O meu ser é o meu viver.

O meu viver é aprender,

O meu viver é conhecer,

Ser consciente,

Da força do inconsciente.

Ser um ser e não um ente.

Meu corpo é a minha morada,

Onde estiver,

Enquanto viver.

25/11/24

Só a fé

 É certo que morreremos, mas quando vários conhecidos e queridos seus partem num curto tempo.

A gente fica acabrunhado!

A luta do corpo com uma doença que consome até o fim.

O câncer!

Que aparece todos os dias e que consome inúmeras pessoas.

Fui a uma clínica de radiologia!

O motivo era simples um raio x no dente no meu filho.

Todavia minha mente que tem a mania de pensar...

Não percebeu faces feliz. Apenas, pessoas apreensivas...

O imediato com que nossa vida pode mudar instantaneamente nos deixa assim mais apreensivo.

Seja câncer, seja acidente, seja o que for.

A morte é certa.

Como lidar com esse sentimento?

Só a fé e na fé e com a fé.

Porque tudo é consciência!

Tudo é consciência.

13/11/24

Bati-bravo Ouratea

 Aqui na universidade UFPB, campus I,

Bem do lado do Departamento de sistemática e ecologia tem uma linda árvore com ca de sete metros.

Estamos no mês de novembro e a cerca de quatro dias esta florescendo.

Sim, são lindos seus cachos de flores.

Suas flores são amarelas flavas com uma coroa de estames alaranjados.

Estas flores são intensamente perfumadas, sendo o odor adocicado. Gostoso!

Muito visitadas por uruçu e abelhas com quitina viridescentes.

Seu tronco era bifurcado, mas uma parte foi podada,

Suas folhas são coriáceas com margem cerreada,

Agora não tem como pegar as flores para fotografar.

Entretanto, tenho fotos de suas flores.

Acho que chamarei ela de Amélia nossa ex-professora de algas.

Amélia é japonesa, como Kikio que estudou essa família.

A família Ochnaceae.

O gênero é Ouratea.

A espécie é Ouratea cearensis,

Popularmente conhecida como Bati-bravo.

Pronto tá registrado

12/11/24

Divagações sonoras sabiescas.

 Os sanhaçus vivem aqui em fernanda,

Mas esse sabiá!

Acho que ele quer se aninhar.

Hoje, 12.11.24 ele se pós a cantar 

E cantar desde cedo!

Estou pleno de alegria...

Sabiá é meu elo espiritual intenso com mamãe.

Afinal, em serrinha numa das nossas últimas tardes juntos,

Um sabiá cantava na aroeira.

Ela disse:

-Só me lembra minha infância na casa de papai.

O canto do sabiá arremeteu uma memória boa.

E nós conversamos sobre esse sabiá.

Que esteve onde andei, mas em São Paulo, Campinas, Brasília e Serrinha,

Passagens rápidas, exceto nesta última.

Em Kew na inglaterra ouvi um melro...

Lembrou-me o sabiá.

Em Portugal Gonçalves Dias o saudoso,

Cantou "Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá".

Sabiá deveras é um arquétipo brasileiro.

Eh! Que beleza.

Beleza subjetiva

 Benza Deus!

Ouratea amarela de flor,

Mais perfumada que a canela,

A janela de minha sala está

Entupida de beleza sonora,

Sabiás, sanhaçus, cigarras...

Até o sol está intensamente alumiando fernanda.

11/11/24

Amada mana nana.

 Minha irmã,

Eu te amo!

Sinto muita saudade de você.

Você sempre foi tão protetora,

Tão cuidadosa de nós,

Com a alma de mãe.

Tão amorosa.

Tão humana!

Todo mundo é contagiado por sua intensidade!

Tua energia que tudo move.

Agora com a idade adulta toma a face de tia Margarida!

Generosidade em carne!

É eternamente Queiroz e franciscana...

É um espelho de papai.

Não conheço nenhum ser humano com tantas qualidades,

E com tamanhas fragilidades.

Em ti tudo é sentimento.

E isso a define.

Matemática do dia

 O dia e suas partes

Na manhã sou feliz,

A tarde estou por um triz,

A noite só quero dormir,

Três vezes no dia sou três pessoas,

Em algum momento só uma.

Pela manhã o dono do mundo,

À tarde dono de mim,

À noite um nada.

A matemática bem que atua,

Sempre me dividindo,

Ao longo de um dia,

Sou uno e múltiplo,

Múltiplo e uno...

Cajus

 O pé de cajueiro me cativou!

Primeiro foi o cheiro de sua flor,

Depois o doce de seus frutos roxos.

Ficava lá na terra primeira,

Em cima de um murro de formigueiro.

Eu como um beija-flor ficava vigiando,

Cada fruto que amadurecia,

Cada um eu comia!

E quando não tinha como dar conta!

Quando não conseguia comer tudo.

Enchia o bucho que ficava por aculá.

Satisfeito!

Eu conversava com o meu amigo!

Meu amigo cajueiro.

Tão doces eram suas frutas...

Tão menino era eu!

Como uma preguiça que conhece sua planta favorita na mata

Conhecia o meu cajueiro.

E quando chegava agosto,

Quando chegava setembro,

Moço!

Fazia carreira para o murro,

Pra chupar caju,

Cajus encarnados.

Poesia da descoberta

 O tempo me assombra

Desde que era menino!

O passar de cada dia,

É quarar em poesia.

Quanto tive entendimento,

Que a morte um dia vinha,

Disparei no choro!

Nem sabia que estava tão distante,

Não sabia que estava tão distante.

Corri para o oitão.

Lá no cajueiro vermelho,

Onde dormiam as galinhas.

E chorei!

Chorei um choro puro.

Ao entender que nada ia ficar,

Chorei temendo a morte de papai e mamãe.

De lá pra cá me apaixonei um monte de vezes...

E isso me fez esquecer.

Me apaixonei na escola pelas meninas,

Me apaixonei na escola pelas palavras...

Me apaixonei pelas imagens do livro de ciências.

Me apaixonei pela ideia de ser grande!

Mas mamãe e papai sempre me orientaram.

Fui traquejando a vida!

Ainda tem na memória aquela tarde que chorei...

Aquele cajueiro que nem existe mais.

O motor forrageira,

A massa de milho!

E o tempo voou.

E o tempo passou...

Mas, essa memória de menino,

Ficou em mim.

E ainda hoje choro.

Muito do que aconteceu eu nem vi passar...

Ora estou aqui, ora estou aculá.


30/10/24

É isso o tempo

 O sofrimento dilata o tempo!

O tempo não existe!

O tempo é um conceito.

Eternidade é a ausência de tempo.

Vinícius de Morais cunhou a frase 

"Que seja eterno enquanto dure"

Quantas vezes não sentimos a eternidade da vida.

No limite da vida!

A eternidade reina.

Sócrates comenta nos momentos finais de sua vida, após retiradas a amarras dos punhos disse que sempre associada a dor é seguido o prazer.

A dor eterniza, parece.

O prazer abrevia...

Algo nessa vida é dotado de um grande mistério que nos faz sentir dor e prazer...

Supostamente a intensidade dessas sensações  tem como medida o tempo.

O tempo seria uma medida?

Que será isso tudo?

Jesus na cruz! suportou tudo.

E eu nessa vida cheia de coisas suportáveis e suaves, não entendo porque ainda reclamo de algo.

Simplesmente quero.

Que o tempo passe.

Que ele me der prazer...

É isso?

25/10/24

Três ruas

 Perdi tempo atoa pensando coisas sem futuro.

A gente sempre cai nesse ciclo!

Idéias... idéias.

Com tristeza anuncio a perda da diversidade de herbáceas presentes nas três ruas.

23/10/24

Experiências

 Ontem e hoje.

Ontem se foi, só existem as memórias,

Hoje é o agora que vai se desenrolando a todo momento.

Tudo depende da forma como olhamos para as coisas,

Da forma como ouvimos, cheiramos, tocamos, experimentamos.

Tudo da forma como nos conectamos,

Como queremos pensar.

Como somos condicionados...

Amar é a maior forma de viver bem.


22/10/24

Triste fim

 A manhã de sábado foi triste.

A notícia do acidente fatal de nosso vizinho Osvaldo me deixou muito triste.

Oswaldo foi uma pessoa maravilhosa, muito gentil.

Um excelente pai de Melissa.

Sempre deixava a filha na escola e cuidava dela como ninguém.

Agora já não é.

18/10/24

O tempo

 Tanta coisa para dizer!

Mas é melhor sentir.

Tanta coisa para falar,

Mas é melhor sentir,

De certo nem todos querem me ouvir.

De certo tem melhor coisa para ouvir.

Aqueles que me quiserem ouvir.

Não perca tempo.

Vá viver.

A realidade está ai.

Aqui só resta saudades...

Enquanto isso nos afastamos de tudo que amamos,

Porque o tempo não para.

17/10/24

Sucupira

 É outubro!

Setembro mês passado, as sucupiras já estavam floridas.

Esse ano está com uma grande carga de flor.

Vi bichos comendo seus botões. 

Foram cuicas (papagaios), jandaias.

Vi aves visitando suas flores, os beija-flores.

Tão roxinhas.

Quintas-feiras (Herbário)

Revisar!

Faz alguns meses que comecei a rever a coleção de Fabaceae do herbário JPB onde trabalho. É sempre nas quintas-feiras, à tarde de toda semana. É terapeútico desfrutar do silêncio, do cheiro da coleção e do frio do ar condicionado. Ver plantas, determinar o indeterminado. Faz muito bem. A gente tem muitas surpresas referentes as datas, os locais de coletas...

Aqui estou na letra Senna, Sesbania... Revendo sempre todos os meus conceitos de espécies.


Memória cruzada

 Uma cigarra cantou lá fora!

Ela despertou em mim memória!

Uma memória gostosa.

As memórias são eternas, 

Melhor dizendo atemporais.

Por isso algo de fora desperta algo dentro da gente.

Uma percepção!

Uma conexão!

Deveras muito vivida!

Agora pouco encontrada!

O Sol das onze horas. O calor o Calor...

O almoço pronto.

O grito de mamãe por Chico!

Quando há calor queremos relaxar!

Um banho é muito bom!

Deveras cigarras cantam no calor.

Mas voltando, a cigarra,

Voltando a memória,

Voltando ao ser.

Ouvi o suir... suir ou zuir... zuir...

E estava eu novamente em serrinha!

Seu para sentir o cheiro do caldo do feijão se misturando com a farinha.

Deu para ver o branco do toucinho...

O gosto gostoso do Feijão de corda!

Coisa que papai mais amava.

Ah, cigarra!

Obrigado por existir.

E me fazer vivo.



16/10/24

Papai é professor

 Ontem foi o dia do professor,

Ganhei de Vinicius e a mãe dele uma caneca com bombons!

Hoje ele ia comigo para a escola,

Então ele disse papai.

- Parabéns pelo dia do professor.

Fiquei tão feliz.

11/10/24

Rita chega no Céu

 A chegada de Rita no céu.

Era madrugada, ouve-se o bater na porta do céu.

São Pedro abre a porta e pergunta.

Quem é?

A voz doce e arrastada fala é Rita!

Rita de onde?

Das Lages! Rita de Apolonha! Rita de Dico! - São Pedro!

Perdoe o momento! Mas quando chega a nossa hora,

Não  temos por quem esperar. 

Que é isso Rita! Teve uma vida longa,

Uma vida sofrida! 

Criou uma familhona!

Com certeza entre!

-São Pedro trouxe essa coberta pro senhor.

Espero que goste.

Será que agora posso abraçar minhas filhas?

Queria ver logo minha família.

Então ao entrar no céu

Quem encontra é Nina! sua cunhada.

-Rita, em voz alta e sonora fala Nina! 

Vem chegando agora!

Como foi a viagem. 

Foi boa!

Menina, nem estávamos esperando!

Sua viagem foi mais ligeiro que a minha.

Então! Queria ver meu povo.

Seguindo em frente no céu.

Mais a frente encontra seu irmão Eliseu.

Grita! Meu irmão que saudade! Como foi demorada sua viagem.

E ele responde o importante é chegar!

Queria ver minha família.

Mas na frente vai encontrar.

Já nos falamos!

Mais na frente encontra

comadre  Di Assis e compadre Chico.

E você Diassis!

Nem viu a viagem.

Estava dormindo Heim.

Que meninos bons os seus.

Ainda em julho foram me visitar.

Chicoooo! como você está! 

Então quem vem chegando Francisca, Preta e Dico.

Sorri, de Feliz.

Choram de alegria todo mundo junto e feliz na eternidade

Uma névua se faz e acordo desse sonho tão maravilhoso.

Vou já mandar para meu povo ver.

09/10/24

Mamãe

 Uma flor floresceu no jardim,

É outubro! Mês franciscano.

Mamãe ganhou o nome de Francisca,

Porque nasceu em outubro!

Tadinha se estivesse conosco faria 74 anos.

Saudades dessa flor que floresceu!

E da vida desapareceu.

Ficaram apenas as sementes.

Aqui vos escreve.

03/10/24

Canto do bem-ti-vi

Entardeceu, 
Canta o bem-ti-vi aculá,
O que dirá?
Ouço o vivo canto,
Canto da tarde,
Canto único.
Cadenciado,
Entardeceu.
Amanhã talvez ouça de novo.
Amanhã quem sabe.

01/10/24

A vida

 

A vida não é para os fracos.

Sempre acreditei  nisso.

Mas o que são os fracos?

Diante das lutas que estes têm que lutar todos os dias.

As decepções, as dificuldades, as barreiras, os muros, as portas fechadas.

Os nãos!

Que é ser fraco?

Fraco sem Fé.

Viemos de uma linhagem de fracos.

Somos fracos. Porque somos humanos, mas antes de mais nada, somos resilientes e podemos aguentar só um pouco a mais.

Só um pouco a mais... ou me entregar ao que me faz bem, ao que me faz bem.

Entretanto, isso significa uma coisa.

Ir de contra tudo que acredito.

Ir de contra tudo que valorizo.

Aquilo que é a minha essência.

Mais tarde, eu tomarei consciência de tudo que estou vendo agora, mas não estou percebendo.

A vida não é para fracos...

Nas entrelinhas de tudo isso.

Coloco Jesus.

Quem foi Jesus e o que ele fez?

Venerado e amado por gerações?

Por que?

Mostrou que devemos levar as últimas consequência aquilo que acreditamos.

Em que acreditamos.

Tenho consciência que sabes o que é certo e o errado.

Espero que sejas feliz.

27/09/24

Em paz

 A hora da partida!

Em casa, a vida é tão boa, mas tão boa que passa depressa.

Passa sem que se perceba.

As coisas vão acontecendo e a gente sempre na esperança de algo melhor.

A esperança da vida melhorar.

Vem o namoro, vem o casamento, vem o filho, vem a escola...

A gente envolvido na luta nem ver a vida passar entre o dia e a noite.

A gente nem ver a vida passar entre os que chegam e os que partem.

Só vemos o dia e a noite...

Nem acompanhamos direito as coisa.

Quando se ver o tempo passou.

Vá em paz Rita...

Diga a tio Dico que mando um abraço.

Vai encontrar com ele e com as meninas.

Se ver mamãe e papai diga que sinto muita falta deles.

Que uma nova vida surgiu quando virei pai.

Que um dia a gente se encontra na eternidade.

20/09/24

Marmeleiro

Planta de madeira mais perfumada,

Nos sertão não há como o marmeleiro,

A madeira fica velha até se esfarelar,

Mas toda vez que a gente quebrar,

O perfume dela vai exalar,

Madeira é alvo-amarelada,

Exala um cheiro ao ser rachada,

Um cheiro agradável e ligeiro,

Me refiro ao pé de marmeleiro,

Uma arbusto ou arvoreta,

Que cresce muito ligeiro,

No carrasco e no tabuleiro,

São suas folhas aveludadas,

Folhas cinzentas e perfumadas,

Da no mato por brincadeira,

Usada para fazer vara,

De faxina ou de anzol,

E quando seca para acender

Fogo do café,

A foqueira do sertão.

Essa planta é uma digitão do sertão.

19/09/24

Imortal momento

 À tarde caia lentamente enquanto o sol descia a escada do poente. 

Na calçada da frente a sombra da casa marca quatro horas.

A calçada quente e levemente empoeirada do dia de forte mormaço.

Enquanto isso, sentado na calçada minha mente deu um mergulho no tempo.

Um gole de café para relaxar o calor, os músculos e a alma.

Depois de tomado o café até a alma sente frescor, enquanto na boca o gosto de café continua vivo,

O sangue quente a levar o café para a nossa alma.

No céu azul um avião parece uma formiga a andar no terreiro,

Chama atenção, de logo se ouve seu ronco longe e distante.

Os dourados raios do sol nos faz sentir mais vivos e felizes e saudosos.

Bom foi quando ouvi e percebi um casal vem-vem na pinheira cantando...

Minha alma foge do meu corpo e se encontra com mamãe

Dizem, esse canto parece Raimunda...

Quando ouvia dizia. 

Quem vem? Vem-vem? É uma visita!

A realidade objetiva perdeu matéria naquele instante....

A eternidade existiu...

Tia Raimunda reviveu na fala de mamãe.

Mamãe reviveu na minha mente...

E fui eterno por um instante.

E escrevi esse texto para eternizar esse momento...

Nos ramos de minha árvore.

11/09/24

No agora

Acordar e orar, depois sair para caminhar,
Sai pela estrada sem querer chegar algum,
Sem pressa,
Sem objetivos só querendo sentir o corpo,
A luz,
Só tentando ouvir o mundo,
Ver o mundo,
Perceber o mundo,
Sentir o cheiro do mato seco,
Ver o pó do tempo seco...
Acariciar nosso cachorro,
Sentir sua companhia silenciosa.
Ir e voltar...
Depois relaxar...
A mente está cheia de coisa...
Esvaziar a mente,
Purificar a mente.
Zerar os pensamentos
No agora.

03/09/24

Partida

 Ontem, em serrinha do canto.

Pairou tristeza.

Faleceu Zuleide de toto.

Uma pessoa muito querida!

Excelente doceira.

Serrinha do Canto fica em Serrinha dos Pintos - RN.

Aos poucos vai desaparecendo aquele lugar como minha referência

De infância...

Terra querida que se vai com aqueles que partem com estes.

Com estes memórias.


26/08/24

Julho que se foi

 O inverno, que aqui corresponde ao período de chuva está indo e vai levando consigo as chuvas, o frio, os dias nublados.

A praia

 Tempo contíguo,

Nos impressionamos com as coisas passageiras,

Nos apaixonamos e nos perdemos da busca por nosso ser.

A vida é uma tarde na praia,

Essa disputa entre a terra e o oceano,

Entre a praia e o mar,

A gente se põe a construir castelos de arreias,

A construir piscinas,

E esperar que as ondas não cheguem a destruir,

E a esperar que as ondas venham encher nossas piscinas...

A gente esquece de contemplar a linha do horizonte,

Esquece que logo será noite.

A gente passa a crer nas nossas brincadeiras.

E acaba a tarde sem saber o que é essencial.



14/08/24

Linhagem

Semana passada lembrei do tio de papai.
Michico.
Ele gostava muito de aves,
Gostava de cantoria.
Era casado com uma prima de mamãe Raimunda.
Tio Michico era irmão de minha avó Chiquinha.
Era irmão de Manuel Souza, Pedro Souza, Lourdes, José Souza, Maria Benta, Raimundo Souza, Tomázia Souza...
Ali do Sampaio na serrinha dos Pintos.
Essa era uma vertente de minha linhagem paterna.
Só restou a imagem.
Com o tempo não restará nada.
Dos muito citados, conheci quase todos.
E foram partindo um a um.
Cada um com suas famílias e suas histórias.

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh