25/05/22

Crescimento matinal

 A manhã vai crescendo.

Primeiro foi a harmoniosa sinfonia da chuva.

Segundo o silêncio,

Terceiro e último a sinfonia dos pássaros.

São duas espécies que estão musicando.

Uma é a patativa e duas é o sanhaçu.

Cantam seus cantos de diferentes ritmos e frequência,

Porém complementares.

Pena que não tenho a arte de um praticante de ioga que consegue ouvir o pulsar das artérias,

Pela janela aberta entra a brisa silenciosa,

E mosquitos que só percebi pela visão.

Sou quase todo mente.

Absorvido em meus pensamentos.

Que muito mais me perturbam que me acalmam.

Ou serão minhas memórias...

A mente da gente é um verdadeiro caos.

O mundo externo nos permite conhecer,

Todavia nossa mente, assim como nosso espírito é por demais desconhecido,

Ou difícil de se organizar, classificar... conhecer.

Olho através da janela transparente de vidro,

Vejo as colunas do prédio,

A coluna formada pelo tronco das árvores.

Que interessante, natureza viva e inanimada.

Busco encontrar algo nessa observação.

Nada que vejo me agrada ou da inicio a um pensamento.

Geometria talvez.

O som me impressiona, mas não.

Ouço o gotejar, os pingos se precipitando sobre o chão, talvez sobre um sólido.

Nada... nada.

A brisa acelera a queda dos pingos.

A hora perturba minhas ideias.

Sigo adiante,

Enquanto a manhã cresce.

24/05/22

Maio umido

 Esta semana começou com trovões e raios.

A umidade está de 92%,

Muita chuva.

A gente olha para o mundo e parece ver a umidade,

Solos, paredes intensamente úmidos.

Os dias estão excelentes para explorar o universo de briófitas e samambaias.

Esporos germinando, fecundação e formação de esporófitos.

O cheiro de fungo paira no ar.

Aqui no campos sentimos a umidade fria trazida pela brisa.

Uma experiência incrível.

Nos troncos, nas rochas a presença de algas, plasma.

Vida?

As aves estão muito contentes,

Tem frutos de tapirira para comer, tem insetos em abundância.

Então elas cantam...

A umidade trazida pela chuva,

Mantida pela atmosfera nublada,

Deixa uma sensação de frescor,

Mas também de medo pelo desconhecido,

Já que é exceção estes momentos durante o ano.

Como sou do sertão eu adoro,

Mas com parcimônia, porque se não cuidar os fungos consomem tudo.

Assim está sendo maio.

23/05/22

Trovão

Hoje de madrugada,

Acordei com intenso som de um trovão,

Na sequência vieram outros.

Lembrei que papai tinha medo de trovão.

Percebi que também tenho medo de trovão.

Trovejou e choveu muito.

Ainda está muito nublado.

Tempo chuvoso.

Nunca tinha escutado trovão assim em João Pessoa.

Estamos mais para o fim de maio que para o começo.

Está sendo bem bom.

Tempo diferente esse.

22/05/22

Aonde está

 Sentados na calçada, após as 14h a gente ficava satisfeito com a frescura que vinha. Papai conversava um pouco e saia para comprar pão. Mamãe se levantava do cochilo sagrado.

Era muito agradável ficar ali sentado.

Só nossas presenças nos bastava.

As vezes, Crejo passava com o cachorro rajado, usando uma coleira. Conversava um pouco e seguia sua caminhada.

A gente ficava conversando.

Eu na cadeira de balanço minha favorita.

O calor ia cessando junto com a tarde que caia.

Eu sabia que era um grande momento,

Mas temia tanto por seu fim.

Ali me sentia seguro,

Ali me sentia protegido.

Eu estava em casa.

Mas hoje me pergunto o que é uma casa?

Acho que é o eu, o sujeito.

Penso o que é o espírito?

Creio ser a totalidade,

Não a particularidade do eu, mas o todo o que nos cerca.

O que entendemos, aquilo que memorizamos.

Aquilo que damos valor.

Nem sempre temos a consciência de valorizar o que deve ser valorizado.

A consciência é tardia.

Valorizei a totalidade,

Valorizei a unidade,

O fica?

A memória, o entendimento.

A construção desse texto que discorro.

Vejo a areia vermelha que ainda está no terreiro,

Vejo as plantas, as imperfeições da superfície do solo.

Vejo o céu azul,

Sinto o calor...

Mas é outro momento.

Me pergunto o espírito tem matéria?

Acho que não...

Espírito é energia... é vida, é o pulsar...

Que se acende e se apaga.

Num estado de duração.

Restam memórias imperfeitas,

Saudades e gratidão.


Sono

A noite silenciosa,
Calma...
Só os sons e temperatura a nos estimular.
As vezes acordo
E caio num loop de pensamentos.
Perco o sono e a paciência.
Vivo mais.

21/05/22

Momento mágico

 Acordar!

Ouvir o movimento externo,

Passos curtos, arrastando a sandália,

A água aguando as vincas,

A vassoura varrendo o terreiro,

O esforço pela ordem.

Os pássaros cantando.

Levantar,

Tomar o café e comer pão, queijo e bolo.

Mamãe tomava a ponta, papai a outra,

Sentado, calado vejo a mesa.

Tanta coisa boa.

A voz de mamãe que acabou de acordar,

Chamando Lidiana,

Roberto acordado.

Um momento mágico,

Eterno e passageiro.

As tiradas de papai,

O rebate de mamãe.

Dayane no mundo da lua, rindo e comendo.

Num momento mágico.

20/05/22

Vida afora

 Não consigo entender a linguagem das aves.

Estas me afetam positivamente, me fazem sentir bem.

Até o canto de uma coruja. As ideias podem mudar.

Papai, tinha medo de canto de coruja.

Lá em casa quando uma cantava ele cruzava as chinelas emborcadas.

Logo ia embora. Era engraçado para mim.

Para ele, não.

Ele gostava do canto dos pássaros e até os conhecia.

A casaca de couro, o sanhaçu, o canto de ouro, o azulão, o rouxinol...

Foi com a natureza que aprendi a amar as aves.

Com papai a respeitá-las.

Agora mesmo quando cheguei à minha sala um rouxinol cantou na minha janela.

Senti-me bem.

E é assim, horas ouço as aves.

Horas me perco em meus pensamentos.

Vou me distraindo vida afora.



19/05/22

Tempo amável.

 O tempo passa,

De forma harmoniosa e simples,

Segundos, minutos, horas, dias, meses e anos.

Faz um ano e cinco meses que papai partiu.

Sinto muita saudade de sua presença física,

De nossas interações.

Amo e o sinto sempre comigo.

Seu ser está comigo.

Carrego-o no meu coração.

Tudo que ele passou felicidade, alegria, sofrimento e dor.

Agora se foram.

Sou profundamente grato pela vida que ele me deu,

A vida em si, os ensinamentos, o pão de cada dia, o carinho e o amor.

Não me esqueço de sua fé.

Tão bonita sua fé. 

Uma herança de nossa família.

Todas as noites, antes de dormir, rezava o "Pai Nosso e a Ave Maria".

Acordava cedo, era o primeiro a acordar.

Fazia o café, acariciava nossos animais. 

Papai herdou de são Francisco o nome e o amor pelos animais.

Papai nunca desejou mal a ninguém.

Era calado e por vezes quando se soltava divertido.

Lembro muito dele, embora as memórias com o tempo vão decaindo.

Mas tem os irmãos para lembrar.

Tem as fotografias.

Tem a minha existência.

Hoje como pai, tenho profundo amor por papai.

Mais ainda porque sei quanto fui importante para ele,

Como sou para o meu filho.

As vezes me pego pensando...

Como é bom ser pai e sinto que meu filho ama tudo isso.

Papai sempre me foi tão presente.

Em muitas horas ele se chegava.

Se adoecia, mamãe e ele combinava e ele ia saber como estava.

Não tenho palavras para expressar o meu sentimento.

Sei o quanto eram bons os seus abraços,

Naquele abraço desajeitado,

Havia toda humanidade que há no mundo.

Tenha o aperto físico, abraço amarrotado,

Tinha o aperto afetivo que entalava a garganta,

Aperto do coração...

A gente sorria se chegava,

A gente chorava se partia,

Sentia a barba por fazer ou feita,

O cheiro que a gente reconhece e gosta.

O tempo é vento que sopra sem direção.

É passado e é futuro...

Só aqui nos encontramos fisicamente.

O presente... esse deve continuar por mais alguns dias.

Sem cessar.

17/05/22

Sinfonia ornitológica

 Nesta manhã de maio,

O sol brilha intenso.

Dourado se faz o mundo.

As aves fazem a festa na mata,

Se alimentando numa fartura,

Os frutos de copiuba na árvore estão repletos,

Escuros e tão docinhos.

Canta para lá a patativa,

Canta a patativa.

Mas as nuvens já fecharam as cortinas,

Assim parecendo um teatro.

As aves continuam cantando.

Uma corroía,

Um relojoeiro.

Os sanhaçus piam com o papo cheio.

As rolinhas cantam.

E essa sinfonia enche minha alma de alegria.

16/05/22

Mês das mães

 Maio mês das mães.

Em maio, ocorriam novenas na capela de nossa cidade "nossa senhora da Salete" em Serrinha dos Pintos.

A mamãe e o papai nos levava para assistir as novenas.

Confesso que não gostava das novenas em si.

Gostava de ir e voltar, apesar do escuro.

Gostava de está com meus pais e meus irmãos.

Sempre saia umas balinhas.

A gente via o povo, papai e mamãe via os conhecidos.

Quem coordenava as novenas eram o Chiquinho de Raimundo Moura.

Tinham as cantoras...

Eu olhava para o altar, para os santos, para a figura de cristo e nada entendia.

Eu olhava para o piso.

Gostava de observar o piso.

Tinha uma textura de formas geométricas, eu via formas, profundidade e cores.

Mamãe mandava eu sentar lá perto do altar, mas nunca ia, tinha medo de me perder deles.

Ficava ali no colo ou do lado.

Eu não entendia o sermão.

Eu não entendia tanta coisa.

Gostava das ladainhas, talvez pela repetição.

Gostava quando estava chegando no final.

A gente vai aprendendo a lógica das coisas.

Gostava quando terminava.

Odiava ficar parado, preso.

Mas era obrigado, porque a mamãe fazia questão que ficasse calado e prestasse atenção.

As palavras não faziam muito sentido.

No meu mundo o que me fazia feliz era coisa simples: bala, doce, brinquedo e diversão.

Adorava doces, nisso mamãe e papai sempre nos agradava.

Brinquedo até tínhamos, mas preferia usar a imaginação...

Até que em fim a novena acabava.

As vezes, Chiquinho perdia a paciência e tome carão no povo.

Eram outros tempos.

Sem televisão, a igreja pipocava de tanta gente.

Quando acabava a gente ia para a frente da igreja que era de barro.

Só tinha a cigarreira de Neto de Zezeu...

Que vendia confeitos e cigarros.

Ficava feliz em deliciar de uns confeitos.

Voltava para casa feliz.

Papai e mamãe faziam a sua parte.

15/05/22

Tarde dominical

 A tarde que cai,

É uma tarde dominical.

No mês das mães, maio de 2022.

Alguns anos passaram em minha vida.

De certo tantas experiências vividas.

Sou capaz de me lembrar de tantas coisas,

Da infância para cá.

Quer dizer, são coisas de nossa mente.

Nossa mente que é capaz de tudo criar e sentir.

Se muita coisa fazia sentido.

Agora faz mais.

As experiências revelam a realidade ou um acidente desta.

Posso sentir, rever em minha mente as tardes dominicais que já vivi.

Não me surpreende que rever no francês quer dizer sonhar.

Posso sentir o calor da estrada de barro, do terreiro de terra solta, poeira,

O agudo espinho da jurema e da algaroba.

O calor do amor de meus pais.

Posso rever os nossos vizinhos evangélicos voltando da escolinha dominical

Com suas bíblias sob o braço.

Mais um ensinamento, 

Mais um dia.

Tudo passou.

Tudo se dissolveu.

Inclusive minhas concepções.

Vivemos o que tínhamos de viver.

Chegar aqui é uma fortuna.

Meu filho, sem dúvida é uma dádiva divina.

Faz sentido e me faz ir passear agora.

Nesta tarde dominical.

14/05/22

O voo de uma ave.

 Tanta coisa maravilhosa para pensar.

Esses dias tenho me encantado com uma coisa fantástica.

O voo das aves.

Aves simples como pombos e rolinhas.

Elas voam com destreza.

Penso: - que maravilha.

Voar.

As vezes, fico encantado com os urubus em seus voos magistrais.

Planando.

Que arte!

Que arte?

O urubu vive quanto tempo?

Sei lá, mas muito jovem aprende a voar.

Através de minha janela que tem uma tela para barrar Vinícius.

Procuro algo para lhes mostrar.

Com Vinicius, meu filho.

A vida se tornou mais interessante.

Por dois motivos principais.

Um é o amor inexplicável que sinto por ele.

O outro é que com ele as coisas precisam serem simples.

Preciso parar.

Preciso entender que muita coisa é sua primeira vez na vida.

Então sei uma pausa na minha vida para olhar para o mundo.

Dessa forma parei para perceber o mundo.

Tenho percebido coisas que ignorava.

Tenho percebido um discurso que não compreendia quando Ruben Alves falava.

Encantava-me, mas não entendia.

A experiência é magistral para o entendimento.

Voltando ao início.

Pensar é uma coisa maravilhosa, mas é preciso aprender a pensar.

Pensamentos constituem matéria para a vida.

A gente precisa comer bem para não ter indigestão.

Se si come bem, cuidado para não exagerar.

Se si come mal, não tem como exagerar.

É preciso saber a medida certa.

Como é encantador o voo de uma ave. 

O jardim

 No nosso terreiro nasceram vincas.

Suas flores eram brancas e simétricas.

Perfeitas.

Nasceram também vincas rosas.

Ali estão as vincas.

Ornando nosso jardim.

Ano após ano.

Produzindo sementes,

Germinando, crescendo e morrendo.

Mamãe plantou uma amarilis.

Ela continua lá após quarenta anos.

A mesma planta.

Quando chove ela floresce,

Mas não produz fruto.

Suas flores são alvas com vinho.

São tão perfumadas.

Passageiras ou não assim é a nossa vida.

Assim como o nosso jardim.

Há de continuar a cultivar até o fim.

13/05/22

Onde está?

 A lua quando desperta é enorme.

Depois no meio do céu fica pequena.

Que interessante!

Como são importantes as referências.

Quando podemos comparar a lua com objetos no horizonte 

Ela é enorme.

No meio do céu quando não temos referência para comparar ela se torna pequena.

Então onde está grandeza das coisas?

12/05/22

Memória noturna

 Ontem a noite estava muito escura.

Apesar da lua crescente,

Nuvens pesadas de chuva o céu cobria.

Nenhuma estrela sequer aparecia.

Pensei.

Já vi essa noite outras vezes.

Minha memória não falha.

Lembrei de papai e de mamãe

Que descansam na eternidade.

Lembrei que me sentia só em noites assim.

Aqui na cidade de João Pessoa.

O escuro da noite chuvosa.

Parece sempre estranho a mente.

Até me deu vontade de registrar essa sensação.

11/05/22

Vida

 O que é a vida?

Como sujeito não sei responder.

Só sei viver.

Pergunte o que é o ar para um pássaro.

Pergunte o que é a água para um peixe.

Enquanto vivo, sou sujeito.

Tire-me a vida e a ordem se esvai.

Esse cosmo que é gerada por dois corpos,

Corpos opostos, entenda-se.

Pulsa.

Faz-se sujeito.

E um dia se esvai.

Os sentimentos, as percepções e tudo que nos rodeia,

Tudo que nos faz ser.

Neste universo chamado

Vida.

O que é a vida?

Não sei

Quando dei por mim.

Estava vivo,

Tudo foi ganhando sentido.

Posso viver a vida

Sem pensar na vida,

Apenas sendo vida...

10/05/22

Busca

 Tantas coisas ativam minha mente.

Impressões, palavras, emoções.

Sou caos,

Todo caos.

Tudo me atinge.

Estou fraco.

Mas a essa hora.

Respiro fundo.

Concentração...

Concentração.

Na contramão do tempo.

Calma

 Os movimentos ao nosso redor muitas vezes nem são percebidos.

Estamos concentrados nos nossos pensamentos.

As vezes não sabemos cultivar o nosso pensamento,

Não aprendemos a poda-los.

Então eles crescem em nossa mente emaranhados feito lianas.

De forma que não conseguimos encontrar o tronco

E consequentemente suas raízes.

Tudo parece caótico e desordenado.

Então, confusos mão conseguimos fluir nas ideias.

Assim, respira fundo.

Observa ao teu redor.

Lembra que é um sujeito.

É e não é.

Teu corpo é tua habitação.

Hoje ainda de manhã.

Cantou feliz o rouxinol.

Agora o silêncio perde-se nos ruídos.

Acalma como a água,

Sedes espelho.

Sedes cristalino.

Tudo passa.

09/05/22

Tudo bem.

 Às vezes, sentir  a vida dói.

Pois a dor é a forma mais traumática de aprendizagem.

Sentir é tudo.

Perceber é tudo.

E as vezes nosso cérebro se desespera,

Mas tudo vai ficar bem depois.

Tudo vai ficar bem.

06/05/22

Tanta coisa

Os dias de chuva chegaram.
Vieram nebulosos e úmidos.
A gente está gripado.
A gente vai reagindo a tudo isso.

Maio, mês das mães.

Esse ano! Minha mãe está mais próximo de mim.
Esta me vigiando o tempo todo.

Quer dizer.

As coisas mudaram.
As coisas se revelaram.

Nossa intuição não percebeu.

O tempo mudou.

Os dias de chuva chegaram.
E vão passando.
A gente vai aprendendo.

Tanta coisa.
Tanta coisa.

03/05/22

Força do agora

A calma da floresta,
Sol entre nuvens,
O som das aves.

Uma corruíra,
Uma patativa,
Um tiriti.

Um saguí,
Aculá.

A calma da mata.

O sono incompleto da noite passada.

Aqui estou.
Aqui me dou.

Ao momento,
Ao espaço...

Ao nada...
Como a brisa,
Como a luz do sol.

Agora.

29/04/22

Questões

 Alguns pensamentos tem me assustado ultimamente.

É que certezas viraram realidade.

Potência se transformou em ato.

Perdi meus pais.

O inimaginável se fez e desfez.

Quem sou eu passou a ser mais profundo.

Muito mais.

Sou além da matéria?

Sou energia pura e simplesmente.

O kaos e o cosmos me compõe?

Representações

 Quem sou eu?

Não sei.

Talvez saiba o que não sou.

De onde vim e para onde vou?

Porque ninguém sabe o que é.

Porque se imagina que se é o que se é.

Que se veio de onde veio.

Até pode ser,

Mas como compreender?

Acho que estou aqui é procrasatinando.

Thcau?

25/04/22

Doces lembranças

 Não me acostumei a usar o passado quando falo de mamãe.

Doí muito.

Mas agora a noite vivi um momento tão nosso.

Uma coisa que mamãe sabia fazer era um bom doce.

Qualquer doce que mamãe fizesse ficava gostoso.

No nosso sítio tinha fruteiras cujos frutos usávamos para fazer doce.

Goiaba, mamão e caju.

O doce de caju era sua especialidade.

Era uma mão na roda para ela.

Antes do almoço tirava as extremidades do caju

E colocava no fogo, 

Tirava um cochilo e quando acordava o caju está quase cozido.

Depois mexia até cozinhar ficando vermelho acaju.

Botava o açúcar e cozinhava mais.

E logo estava deliciosamente pronto.

Roberto meu irmão, agora na páscoa fez o que papai sempre fazia para nós.

Uma caixa de guloseimas.

Um queijo, doce de mamão, de leite e de caju...

O de mamão me faz lembrar papai, vovó Chico,

O de caju mamãe amada.

Doces lembranças mamãe.

Doces lembranças.

Ninho de formiga

O tempo passa,
Isso é fato.
A gente fica entretido com a vida
E nem percebemos quanto passa rápido.
Às vezes, cremos está no domínio das situações.
Às vezes, temos um momento de lucidez,
É pena que nessa lucidez está no nosso mais baixo potencial de ação.
Nada disso importa.
Nem sei o que importa.
Pontuo aqui esse texto para não me esquecer que até nos dias tristes o tempo não para.
Até nos dias tristes.
Talvez estejamos mirando para o céu azul.
Vendo a realidade em um único plano.
Sem sequer um horizonte como avistamos no mar.
Que por sua vez fica num único plano.
Trabalho insano...
Todavia é preciso ser formiga as vezes.
Cavar bem fundo e fazer um ninho 
Delimitado por um circulo de grãos 
Feito no esforço hercúleo e incessante,
Até que uma criança pisa.
Fim.

24/04/22

Tarde de domingo

 Tarde de domingo,

Há tanto me faz pensar na vida.

Há tanto sedes um espelho do céu

Que a gente olha o infinito e ver apenas um plano.

Temos noção, mas não temos dimensão que tudo está ai.

A vida e seus limites.

Os dias que nos são  dados,

São todos eles contados,

Inclusive dias de domingo.

Pensar aqui é está doente dos olhos como dizia Pessoa.

Resta a saudade de mamãe e de papai,

Sobra a alegria de Vinícius meu talismã.

Bem ele não me deixa mais pensar,

Me chama pra brincar.

Tchau.

22/04/22

Ver o som

 Às vezes, vejo com os ouvidos.

Eu vejo as aves em seu canto.

Ver as aves com o canto é magnífico,

É preciso!

Ver as aves por seu canto leva tempo...

Tem que aprender a escutar para se ver bem.

Só se escuta bem no silêncio.

Só se escuta bem na paz.

Só se escuta bem quando se busca ouvir o nada.

Contemplar...

No vazio da tarde.

Sabe as vezes a gente aprende a ver com os ouvidos.

Por acaso...

A percepção se dar por acaso.

Naquele cansaço faqueiro,

Um som perturba sua ouça.

Do nada você é perturbado.

E você ver.

E você reconhece um som que passava desapercebido.

Quando se está acostumado a ouvir cantos,

O diferente nos espanta.

Certa vez me espantou o canto de uma ave na madrugada...

Outra vez no fim de tarde.

A gente distingue por exemplo voo de magangá, voo de cavalo do cão, de barata de coqueiro.

A gente ver morcegos no escuro, feito morcego a se orientar.

A gente acaba se apegando a vida...

Porque a gente sabe que nela pode conhecer.

Ver com os ouvidos.

As vezes a gente ama nosso lugarzinho porque vemos de tudo.

A gente é assim...

Mas precisamos sempre de mais, para não morrer de cérebro acomodado.

21/04/22

Pessoa e o pensar

"Pensar é está doente dos olhos" F. Pessoa.

Tanta coisa a ser pensada.

Tanta coisa a ser vivida.

A coisa se perde no sujeito.

Coisa não tem forma como uma mente.

Tudo se trata de energia.

As palavras são representações que dão sentido a vida...

As palavras são elementos que alimentam o pensamento.

A gente vai consumindo abstração,

Vai se acostumando com a linguagem.

Vai se acostumando o que cremos ser a realidade.

Esse misto de imaginação com o concreto.

A gente na maior parte das vezes se esquece que somos meros seres vivos.

Há quem acredite que o homem não é um animal.

Em crença  não se mexe. É um elemento psicossocial.

Sabe lá o que!

Essa abstração fruto da experiência

Que é a substância do saber.

O que é o saber?

Senão um dos frutos do pensar.

Pensar é estar doente dos olhos.

Acho que isso está presente no tao te ting.

No primeiro poema...

Ou não... Talvez.

Aos quarenta a gente começa a repetir os pensamentos.

Tenta digerir o que lemos.

A gente tenta digerir experiências catárticas como a morte!

A morte nos apresenta como real.

E como não pensar?

Como não ficar doente dos olhos.

Sei lá...

Pessoa dizia que Navegar é preciso

Que viver não é preciso.

Quanta coisa enigmática numa cabeça fabulosa.

Uma tempestade humana.

Será se ele leu Nietzsche?

Não sei.

Sei que a Kant sim...

E pensou... Como pensou.

Acho que era o mais doente de todos os homens.

Páscoa

Nesta páscoa, fui passar em casa, porém foi diferente de todas as outras.
Não havia papai e nem mamãe. Foi duro! Foi dolorido! Foi triste.
No dia que cheguei fui ao cemitério visitar o túmulo.
No túmulo chorei... Chorei como nunca.
Meu peito batia acelerado,
Meu coração parecia que ia explodir.
Ah!
Saudades sem definição.
Dor intensa...
Acendi três incensos!
Rezei...
Rezei...
O céu azul!
As paredes brancas.
A cajarana frutificada.
A paz reinava ali.
Duro lugar...
Duro lugar...
Quantas tristes despedidas ali se passaram.
Nossas famílias, ali dormindo.
O jasmim alvo e perfumado floresce impávido.
O tempo e o cemitério consumindo gerações.
Novo tempo surgindo.
Li e Roberto, meus irmãos ali continuam.
Vivemos uma outra páscoa.
E virão outras...
Esta foi especialmente triste.
Especialmente triste.
Vinícius meu bebe que não entendo muita coisa adorou.
Catou acerola para as galinhas,
Brincou com scherlock...
Contemplou a shaquira,
Conheceu um jumento, um jabuti, uma caranguejeira.
Muitas sinapses.
Viu quatro dinossauros de cipó.
Ficou feliz demais.
Assim se foi.
Os anos vão os anos vem...
Aos vivos significado sempre aparece.
Aos mortos...
São fatos históricos.
São nosso amor eterno.

11/04/22

Ideia

 Tudo aqui é passageiro,

Tudo aqui é ilusão.

A existência requer tempo, espaço e matéria.

A matéria é extensão consequência do tempo e do espaço.

Tudo ser tem duração longa ou curta.

Passagem.

Se é, um dia deixará de ser.

Ilusão.

Só a ideia é eterna.

08/04/22

Suspiro

 A chuva começou a cair,

E veio de mansinho,

Pingo a pingo suave,

Tocava a terra e sumia,

Tocava as folhas que caiam

Caiam amarelas.

Que belas;

Logo parou.

Foi um suspiro divino?

A plantas tem seus ramos imóveis.

Lua crescente,

Em noite nublada não se vê.

É preciso luz.

É preciso luz.

06/04/22

O silêncio da manhã

 O silêncio da manhã.

Certas manhãs são silenciosas.

A gente chega ouvir seu silêncio.

O silêncio que está no céu

Que não está azul, mas nublado.

O vendo não veio.

As árvores estão em silêncio,

Ramos, galhos e frutos calados.

A gente ouve algumas o canto de sanhaçus coqueiro,

As hélices do ventilador,

O barulho do computador,

E da lâmpada.

O silêncio está por toda parte.

Dizem que com concentração e habilidade

Se ouve até o pulsar do coração,

O sangue correndo pelas veias.

Plasmado no espelho,

Reflito a refletir.

Neste momento, não sei o que sou.

Apenas tento ouvir a manhã.

Sinto cede!

Ouço um pio de sabiar

Repentinamente fugo do mundo...

Então o silêncio desaparece.

03/04/22

Cosmos

 Aqui e agora.

Chove lá fora.

Portas e janelas fechadas.

O som da chuva chovendo.

Marcando o compasso do tempo.

Que coisa mais efêmera que a chuva.

Um dia...

Uma poesia.

02/04/22

Esquecido

 Aqui estou!

Sábado.

Aqui permaneço mais um pouco.

A um ano tinha minha mãe.

Há dois anos minha mãe e meu pai.

Aqui estou,

Aqui permaneço.

Não sei quanto tempo.

Passado e futuro margeiam o presente.

Papai e mamãe que me conceberam,

Me geraram me criaram.

Partiram.

Viveram suas vidas.

Seguir é o que me resta.

Sábados existiram com meus avós,

Se fizeram neles e nos meus pais.

Agora é uma representação minha.

Minha vontade de perpetuar suas existências aqui expressando.

Papai, Francisco Raimundo de Queiroz,

Mamãe, Francisca de Assis Teixeira.

Por laços de matrimônio se casaram por toda a vida.

Por toda a vida.

Até o último dia de suas vidas.

E aqui estou.

E aqui estou.

Mais um sábado.

Rico em memória...

As historietas de papai...

O intenso amor no olhar de mamãe.

Nunca esquecerei de seus momentos de oração.

Até que eu seja esquecido.

01/04/22

Para sempre

 Dia 1 de abril,

Dia da mentira,

Como mamãe gostava de brincar nesse dia.

Sempre fazia uma brincadeira com alguém.

Coisas que ficam para sempre.

28/03/22

Olhar o mar

 Ontem, último domingo de março,

No fim da tarde, fomos a praia.

O céu estava azul de chuva.

Quinquinho ficou muito feliz.

Ele ama o mar.

Quando chegou na areia já deu a mão para caminhar.

Lá fomos nos andando na areia.

Pisando nas algas.

Olhando o chão esperando encontrar rochas e conchas.

O mar estava muito turvo, cheio de algas.

A água estava morninha, deliciosa.

Quinquinho quis até tomar banho, mas não deu, ventava muito

Fazia frio.

Avançava para as ondas, mas a gente voltava.

Ai veio a chuva, voltamos para o carro.

A chuva parou.

Então voltamos para a praia.

Ficamos mais um pouco.

No final, com granito e conchas voltamos para casa.

Quinquinho feliz, mas só até chegar na garagem onde ele faz um show.

Começa a chorar querendo voltar para a rua.

Ele adora ver o mundo, andar de carro.

Em casa, tomou banho, brincou.

Comeu pizza que ama e muito cedo dormiu.

Os cachinhos de Quinquinho.

 Ontem à tarde,

Enquanto passeávamos nas ruas dos Bancários.

Encontramos um salão de cabeleireiro.

Estava vazio e por isso entramos.

Chegou a hora de perder os seus cachinhos.

Meu pequeno menininho.

Vinicinho cortou seus cachinhos.

Já não é mais banguelinho,

Já não pequenininho,

Foi cortar os seus cachinhos.

Chorou.

Perdendo a meninice?

Depois que cortou

Se contentou com os carrinhos e os brinquedos do salão.

Em poucos minutos com uma triton e uma ferrari nas mãos esqueceu de tudo.

E nem queria mais sair daquela sala de brinquedo.

Chorou até,

Mas logo esqueceu.

Trouxe o tufinho de cabelinho.

Meu minininho.

Nosso mininho...

Sem os cachinhos ganhou uma nova face.

Te amo meu Quinquinho.

22/03/22

Tese

 Aquilo que vivi, pensando em vocês.

Vivo está.

Guardado em minha mente.

Divertimento 136 de Mozart,

Como não lembrar de Serrinha,

Como não lembrar de vocês,

E tantas cenas da natureza revelada.

20/03/22

Digestão

 Céu azul com nuvens de algodão.

Realidade ou sonho?

Realidade ou memória?

Aqui estou pensando,

Sentindo, imaginando ou refletindo?

Não sei.

Ontem e hoje...

Agora o que é a realidade para mim?

Hoje, agora, amanhã?

A realidade esse agora,

Só é possível no espaço e tempo simultâneo.

Predisse um filósofo alemão.

Aliás que síntese fabulosa heim Kant...

Filosofia que nenhum Kant pensou

Certa vez disse Pessoa.

Mas soltando pérolas assim não se faz um colar.

Talvez Nietzsche tenha conseguido.

Bem, mas só estou aqui apenas como quem 

Se delícia com brigadeiros,

As vezes a gente come tanto doce que fica intoxicado...

Perdido no que se chama de realidade.

Bem, mas como é uma coisa caseira,

Meus pensamentos.

Risos.

Deixa eu matutar nessa tarde de domingo.

Só o que resta.

Acho que comer o Tao te Ting

Deve ser indigesto como celulose.

Nem ruminando a gente consegue digerir.

A menos que tenhamos associação com bactérias como os ungulados.

Enfim.

Fica a dica.


18/03/22

Ventando

 O vento sopra,

Tem soprado um sopro frio.

Até me sinto mais contente.

Mas o que me aperta o peito

É a saudade de mamãe.

E ver que Vinícius vai crescer sem ela.

Que saudade de mamãe

Que saudade de papai.

E o mundo continua girando.

14/03/22

Delícias simplels

 A tarde está nublada e fria,

Silenciosa.

Só ouço uns bem-ti-vis.

Logo as chuvas cairão.

Preparo um tereré.

Então vou ouvi Chopin,

Lembro de papai e de mamãe.

Hoje é um dia especial,

Sua neta entrou na USP,

História.

Estou feliz...

Com saudades deles.

Agora ouço andorinhas e saíras lá fora.

Volto a leitura.


Beleza

 Madrugada escura,

Acordo!

Saio fora do quarto,

Ali está a plenitude do universo,

Um céu tão escuro

E tão estrelado.

Penso na existência,

Ouço o ronco de mamãe e de papai.

Tudo está bem,

Acordamos e tomamos um café juntos.

Que coisa linda.

11/03/22

O perfume

 Passei na rua e fiquei impressionado,

Com o cheiro não sei se era de uma flor.

Procurei por todos os lados, não reconheci tal odor,

Olhei, olhei e nada.

Que estranho e delicioso aroma.

Depois cai no esquecimento.

09/03/22

À mamae

 Mamãe,

Ontem fez dois meses que a senhora se foi,

Significa que nunca fiquei tanto tempo sem te ouvir,

Brincar, me aconselhar, me chamar a atenção.

Nunca estivemos tão distante,

Nem quando viajei para tão longe.

Sinto muito sua falta mamãe.

Às vezes choro, pensando em ti,

Choro de saudades.

Mamão onde estiver saiba que te amo eternamente,

Não me esqueço da senhora...

Se sou tudo que sou porque a senhora me deu a vida, me educou e me ensinou tantas coisas.

Sei que estas palavras não ouvirás,

Devia ter dito antes,

Todavia sempre te disse que te amava. 

Várias vezes... isso me enche o coração de paz e amor.

E a senhora respondia que me amava.

Sempre fomos tão próximos.

Que saudades de você.

As dores em ti eram grandes,

Se Deus te levou foi para suavizar,

A existência estava sendo muito dura como sempre foi com a senhora.

Nunca vou me esquecer de ti mamãe,

Nem do papai que foi antes.

Nossa que vazio ficou na minha vida.

Minha sorte é que tem o Vinícius e Dayane e os irmãos.

Quando vejo e brinco com ele me lembro tanto de ti.

É assim a vida.

Assim são as coisas.

Ontem rezei para ti.

Tenho que rezar mais.

Assim a vida vai passando,

Um dia nos reencontraremos mamãe na eternidade.

Muito obrigado por tudo.

Te amo,

Beijos e abraços.

07/03/22

Tarde

 Tarde que cai,

Tarde que vai,

Não volta jamais,

Não torna jamais,

Tarde que esfria,

Tarde fim de dia,

Tarde parte do dia.


Cata um bem-ti-vi.


Oca soa a existência.

Oca soa a existência.

Resumo do dia,

Tarde.


05/03/22

Onde vais?

 Os momentos podem deixar marcas duradouras.

Os momentos em que estivemos juntos foram tão intensos.

Durante a vida...

Em teu seio fui gerado,

E por ti alimentado,

Tu me ensinaste a andar, falar.

Minha seta direta.

Que saudades de ti.

Onde estarás agora?


A chuva

 A chuva quando chove é tão bonito.

Pingo a pingo vai molhando o chão,

Amolecendo o barro e o torrão,

E água se dar na terra se acumula,

Tomando qualquer forma que a desejar,

Aos poucos vai brotando nos ramos,

Vai moldando gemas formando folhas e flores,

A semente faz germinar da potencia aristotélica, um ato se transformar,

E o embrião adormecido a vida acordar.

A chuva tão amada por meus avós por meus pais e por mim e por todos nós.

Água é fonte de vida.

A chuva é fonte de água,

Que maravilha perceber a beleza da chuva.

Entender a importância da chuva.

A gente precisa da chuva pra plantar o que comer.

Feijão, milho, abóbora, melancia e tantas frutas peculiares.

Que nos alimenta e nos sustenta.

Papai amava a chuva, morria de medo do trovão e do relâmpago.

Mamãe se divertia com o medo de papai.

Tempo bom aquele.

Nas chuvas da tarde a gente se abraçava 

Com o olhar.

A gente se banhava na bica,

Se secava junto ao fogão

Enquanto o Xerém borbulhava cozinhando,

Papai num tamborete bem sentado

Contava alguma graça.

A gente contente, feliz com a água em abundância escorrendo da bica,

Baldes, potes e tanque cheio,

A cisterna cheia.

O ronco barulhento do trovão,

O flash do relâmpago...

A chuva demorada até a noitinha,

Papai saia para o curral engurujado feito frango molhado,

Ia alimentar o gado.

A galinha com os pontos sob as asas dormia na casa velha, na área pequena da cozinha

Se virava como podia dog o cachorro de longa data.

Após a chuva cantavam os cururus.

A noite silenciosa chegava,

A gente se alimentava,

Na cama amada sob cobertas de algodão

Se esquentava,

Mamãe nos enrolava e mandava a gente rezar.

A a chuva chovia a noite inteira.

Parece um sonho de inverno...

Será a vida um longo sonho?

Será a chuva um despertar?



04/03/22

Meus pais

 Que saudades da minha mãe.

Mamãe tu partiu e me deixou.

Meu coração está tão machucado,

Tão sofrido sem a senhora para me aconselhar.

A gente combinava as coisas.

Tínhamos tantas ideias semelhantes.

Mamãe. Mamãezinha.

Porque as mães não são eternas.

Ainda ontem te dava os remédios,

Massageava suas pernas e pés.

E você se foi.

Nunca imaginei.

Parece que estou vivendo um pesadelo.

Mãezinha ainda bem que sempre te disse

Te amo.

Pude ouvir de ti que me amava.

Saudades de você mamãe

Saudades do papai.

Saudades.


02/03/22

Dissolução do tempo

 Uma cruz no meio do caminho.

O que significava aqui?

Pensava quando criança.

Que coisa mais mística. 

Abalava minha alma inteira.

Perguntei para  papai o que era aquilo.

Ele me respondeu uma cruz.

Mas para que serve?

Para marcar que ali morreu uma pessoa.

Morreu?

O que é morrer?

Por muito tempo desconheci a morte.

Quando descobri o que era morte.

Fiquei com medo.

Perdi minha inocência.

Chorei desesperado.

Já que a morte diziam era uma coisa para todos.

Chorei porque pensei em perder os meus pais para a morte.

A morte se revelou... acho que aos nove anos.

Perdi meu primeiro avó.

A luz de lamparina e velas

Era alumiado aquele corpo idoso.

Um caixão simples de pano azul celeste.

Mamãe e papai choraram.

Doeu meu coração.

Nada fazia muito sentido.

Outro dia sai correndo para trás da casa velha que era germinada a nossa.

Sob o cajueiro, olhando o poleiro das galinhas que ali se faziam.

Chorei... chorei que só.

Era a consciência se estabelecendo em mim.

Era ela expulsando a minha inocência.

Quantas coisas não aconteceram depois ali em nossa casa.

O mundo se desvelou.

Conheci um poema profundamente de Bandeira.

Quando o li, me entristeci.

Hoje papai e mamãe são quem dormem.

Como dói.

Dói no fundo da alma.

A cruz... a morte... o ser.

Nada fica.

Nada é em si.

O tempo tudo dissolve.

01/03/22

O jasmim

 Aquela planta ali, é um jasmim-manga.

Veja suas folhas são semelhantes as de manga.

Veja quão alvas são suas flores e amarela sua fauce.

Tem também flores rosas.

Suas flores são tão perfumadas.

Meu primeiro contato com esta planta foi traumático.

A primeira vez que vi.

Vi flores que enfeitavam e perfumavam um corpo frio.

Um corpo numa urna de pano, um caixão.

Um defunto, do latim defunctus aquele que deixou de existir.

Um cadáver, do latim  "carne data vermem", carne dada aos vermes.

De qualquer forma tudo associado a morte me parece estranha.

Enfim, aquele odor, e aquela forma pentâmera cravou em minha mente a associação com a morte.

Criou em mim uma marca profunda que só a botânica conseguiu extrair.

Enfim,

Aquela planta que conheci na infância como jasmim.

Continua a ser jasmim.

Porém agora sei que pertencia a família das apocináceas,

Ao gênero Plumeria.

Espécie Plumeria rubra.

E o que muda? Sua forma de conhecê-la.



Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh