14/12/10

Marcas, afetos e memórias

Três borboletas amarelas,

Voam nas paredes do quarto

De sólidas paredes creme,

Como sorvete de milho,

Com um mural

Com fotos de viagens,

De datas,

De uma arara,

De uma praia,

De um prédio

Do jardim botânico de Curitiba.

E de uma cama branca,

Do chão vermelho

Do guarda roupas preto,

As borboletas voam,

O quarto não ajuda

Pois o vento não entra muitas vezes,

As cortinas claras não deixa o sol ou o vento entrar.

É dezembro

O quarto está quente...

12-12-10

Uma noite suave em qualquer lugar

12 dez. 2010-12-12

Lua crescente no poente,

Olhar termo materno,

Sol desponta no nascente,

Olhar paterno maior,

Uma noite se entrega

A mais um dia.

Hoje é domingo

do do cachimbo cachimbo.

Lá fora canta um papa-cebo

Por ser manhã

De domingo,

Tem feira no Luizote,

Faz falta aquela manhã,

Nublada, mas tem nada não,

Pelo menos é dezembro,

E hoje é doze do doze

De dois mil e dez.

A lua está crescente,

Aparece no centro do sol

E foge para o poente,

Brilhosa,

Já será cheia

A última crescente se despede do ano,

E se entrega a lua cheia,

Já se foram três estações,

E o sol arde nesse verão,

Também com tamanha

Solidão,

Que poderia se esperar do sol,

Que foge da luz,

Desesperada pela rua.

No jardim da alma

O jardim sedento pede água,

Abro a torneira

E água jorra sobre,

As folhas que brilham,

e começam a sorrir,

A umidade se

preenche o ambiente,

Enquanto os pingos caem

Das folhas,

Há um frescor no jardim,

Um silêncio

E a paz.

20:17

Ocaso

É fim de tarde,

O sol já se pôs,

E lentamente tudo perde as cores,

Tudo vai desaparecendo,

Verde escuro,

Rosa escuro,

A sutileza das formas

Perdem os contornos.

Finalmente a natureza se recolhe,

Os pássaros calam,

Tudo está perdendo o movimento,

Já é a hora do ocaso,

Onde o breu toma conta da natureza.

O silêncio estático é quebrado,

Pelo sopro do vento,

Que agita as folhas das árvores.

A luz cada vez mais pálida se vai.

O dia se entrega pra noite,

Aqui em Uberlândia.

19:40 11-12-10

Lágrima

11 de dezembro de 2010-12-11

Lágrima

É na dor que nos tornamos mais humanos.

O mundano nos trás conforto,

Na dor, silencia a beleza da cor,

Seja ela espiritual ou carnal.

O corpo sob intensa pressão,

Explode de tanta emoção,

Quão intensa torna-se a respiração,

Descompassado pulsa o coração,

A vida perde o sabor,

Conforme intensa seja a dor,

Nos doamos, 

Nos perdemos,

Tudo perde o valor,

A carne toda arde,

O sangue queima e conforta,

Intensa pulsa a aorta,

Perde a simetria a face,

E os olhos logo marejam

Destilam do fundo da alma,

Límpida, transparente e salina,

Lágrimas que lavam a alma

Trazem conforto e calma.

A perca sofrida,

Que faz parte da vida,

A perca da coisa querida.

10/12/10

Os sentidos vidas da alma

Os sentidos

Os sentidos são a luz da alma,
as vias do saber,
o sabor do viver,
através dos sentidos se busca a calma.

O nosso mundo é descoberto
através do olhar, ouvir,
tocar, saborear.

Vamos construindo nosso mundo,
a partir do que vemos, ouvirmos,
ou sentimos e reagimos a estes estímulos,

Que mundo há além de nós?
ver melhor que não ouve,
ouve melhor quem não ver,
apuramos mais uns ou outros,
de acordo como usamos,
construímos nosso ser,
nossa persona.

Os nossos sentidos
dão sentido a vida.

Palmeira

A linda palmeira
toda frondosa,
linda e magestosa,
é uma Dypsis madagascarensis,
uma não várias,
suas sorriem e refletem o riso do sol,
toda florida,
como é cumprida
a bela Dypsis,
no dia de sol.

Campinas, Terminal de Barão Geraldo

O terminal

As pessoas nunca param, vivem nos seus afazeres simplesmente buscando o necessário para viver e muitas vezes para sobreviver. Nessa busca, nesse trabalhos constante vai absorvendo muito a necessidade e dissolvendo o tempo o prazer de viver pra si.


Ônibus vindo e indo,
com frequência
andam pra cá e pra lá.
As pessoas seguem o mesmo rítimo
dos ônibus.
Os ônibus parecem ter vida,
ganham vida, enquanto queimam diesel,
e força dos braços e comando do cérebro.
No terminal, pessoas descem e sobem,
caminham e param.
Aguardam de pé ou sentado.
Apressados partem e chegam,
incessante.
O terminal mais parece um coração
sempre a pulsar.
Pessoas respiram, fumam,
inspiram fumaça, conversas corriqueiras.

De olhos no relógio,
de olho em quem chega,
em quem sai...
Ainda bem que aqui tem
as palmeiras,
e o vento como a luz
invade os corpos,
clareiam, embaraçam
o tempo.



Campinas, Terminal de Barão Geraldo

09/12/10

Noite eterna

A noite hoje veio, mas veio tão tímida,
demorou a aparecer, e ainda reclamou
que estava cansada, mas a lua veio
vindo, e puxando-a lentamente,
A lua com seu sorriso atraiu todas as estrelas,
que foram se acendendo uma a uma,
vieram piscando,
numa conversa animada
que a noite logo chegou,
veio pálida, sem com certa luz,
noite de lua crescente,
é que nem criança nascendo os dentes,
dá um trabalho, uma pena.
Enfim ela chegou,
obrigou as damas da noite
a se perfumar, se arrumar,
e se embelezar.
Ah, sairam os boêmios,
os jovens, os casais,
e a casa ficou vazia,
Que alegria dos desejosos,
noite embalsama a vida,
a luz fria da continuidade ao dia,
a vida não para.

Lua

Brilha flava a lua no céu,
lua crescente, descamba,
em direção ao poente,
Cá na terra, enamora o jasmim,
a lua briosa,
com seu olhar,
parece me namorar,
caminhando cá e ela sempre lá,
oras se esconde atrás das
árvores, ora aparece sorridente,
e caminha ao meu lado,
luz, lua...
To namoras o jardim?
vi vocês se olhando,
olha que a maginólia
e as acacias vão ficar enciumadas,
elas te escondem,
te acham inconveniente,
mas lua é tua beleza,
podem elas se perfumarem,
se enfeitares,
mas tu lua,
és da dama da noite,
as damas do dia,
amam o sol,
e tu amas o jasmim.
em teu seio lua,
a vida passa assim,
meiga,
calma,
eterna.

Come sabiá

Pus uma banana sob a acacia,
sobre o muro branco,
pra tentar ouvir uma felicidade
gostosa.
Foi maravilhoso
quando voltei do passeio,
após o banho ouvi o corrochiar,
era um belo sabiá.
Um sabiá novo,
daqueles que nasceram aqui no nosso alpendre,
estava numa alegria,
de criança quando encontra bala,
com o bico embananado,
comia fartos pedacinhos,
não sabia cantar,
mas estava a corrochia,
sabiá menino quando vai aprender a cantar,
sob a acacia,
sob o fim da tarde,
sob a sobra da luz finda,
corrochiava o sabiá.

Dalbergia

Hoje o dia está tão lindo, cheio de luz, muito claro.
Através da janela vejo o verde brilhante das folhas,
as cores e os odores das flores. Por falar em flores,
a dalbergia do pátio está tão florida, nossa que linda,
com seus ramos e inflorescências aduncas, suas
flores cremes tão perfumadas, hum como é bom
sentir o cheiro invadindo a janela nossa alma,
ou sair no pátio e contemplar as belezas da musaendra,
da ezembekia, da galactia. Nossa que lindo! que gostoso.
Essas chuvas de verão, esse calor fazem bem a alguém,
os jardins e as plantas agradencem e a dalbergia!
nunca esteve tão linda!

08/12/10

Morte não me mata

Num suspiro, um único suspiro
pode ser nosso último,
apenas um para desfazer uma história, uma vida.
Um suspiro separa a vida da morte.

Quando o corpo se cala,
perde o calor, alivia da dor,
o corpo frio, sem alma,
sem temperamento,
ganha enfim uma essência.

Ou melhor, tudo agora é apenas essência!

Carne fria, lábios cerrados,
olhos embotados.

Onde está a alma,
as ideias, as necessidades?
O sentidos?
Para onde foram?

Um suspiro separa tudo,
faz a diferença,
da consciência a inconsciência.

Então porque tememos tanto a morte?

Se nosso destino iminente é a morte.

Vou falar da aurora,
do jasmim,
da grama,
da magnólia,
porque a vida
está fadada a morte.

Nem por estou condenado a tristeza.
Pelo contrário cada minuto é impar.

A felicidade é viver a vida apesar
desta consciência.

Deus é um consolo.
Para mim

Aurora

Aurora

Tu que me acordas,
desperta minha alma,
e acende meu mundo afora,
vai espalhando cores,
fazendo desabrochar flores,
exalando o cheiro da manhã,
deixando as gramas orvalhadas,
gotas cristalinas filtradas nas folhas,
anunciando a chegada do sol, Apolo,

Aurora

Quando me despertas
sinto que é hora de ir embora,
da cama, largar dos sonhos.

Aurora

Tu que calas os cães,
desperta as aves
e as faz cantar,
e toda a manhã desabrochar.

E renova o meu ser
Cada dia de minha vida.
É matéria para este singelo poema.

Seio da terra

Do seio da terra,
nasce a semente,
cresce a árvore,
arbustos e ervas.
Do seio da terra,
tiramos nossos sustento,
derramamos suor e
e força, dia a dia,
na enxada a colher,
o grão, a fruta, a batata 
E toda a existência.

Pro seio da terra
vai a água,
vão os corpos,
fogem as almas.
A terra tudo consome,
tudo recicla,
renova,
no seio terra,
descansa o corpo,
desfaz-se a vida.

Padroeira Nossa Senhora da Conceição

O vazio da cidade orbitado pelo feriado,
No feriado de nossa Senhora da Conceição
e eu aqui, trabalhando, a santa vai me
perdoar, mas hoje fiquei aqui a trabalhar.

Mãezinha, lembrei de vovó Sinhá,
Severina Maria da Conceição,
que a tempos atrás,
num dia de hoje viu a missa,
se benzeu.
Eu estava lá do lado dela,
ficava lendo e vendo
seus lábios se mexendo,
a rezar,
aos benditos santos,
Nossa senhora da Conceicão,
protegei a humanidade.

A capital Natal

Sal da terra,
terra do sal,
minha querida Natal,

estou contando os dias,
meu ser está cheio de alegria,
vem a mente poesia,

Natal, cidade do sol,
sinto saudades,
dos seus puros ares,

Natal, minha capital,
me encanta,
me enche o peito

de saudades.

Dos dias jovens de minha vida,
UFRN, Ponta Negra, Residência.

Berço do meu amor
Pela vida...

Princípios de biologia.

07/12/10

Minha república

Moro com mais três amigos e um cão, o estrela. Estrela é um cão muito legal, mais mole que um coelho, mas muito meigo. Meus companheiros são o Zé Bola, Dani e o Marcelinho. Temos hábitos muito diferentes. Dani é uma pessoa noturna que adora ver seriado de tv. Vive assistindo todos os seriados do Universal. Faz mestrado com parasitologia. Ela é uma general, muito séria, mas não tem muito moral com o Estrela é ela quem mais cuida dele, põe comida, água e faz uns afagos. O estrela gosta muito dela, safado não late com ela. É fácil perceber quando ela chega na casa, primeiro que o estrela não late pra ela, então quando ouço alguém chegar no portão mexer na chave e o estrela for indiferente então já posso imaginar que é a Dani, depois quando ela sobe a escada seus passos são silenciosos. O Zé faz doutorado na genética, é um homenzarão de foz muito máscula, tem mania de limpeza. É um cabra de atitude, mas é viciado em jogo na internet chega na casa, as vezes nem come, já tem bandejado e se enfia no mundo avatar dele. É fácil perceber quando ele chega em casa, pois mal chega na acacia o estrela começa a latir, depois que abre o portão, pisa nos batentes da escada como um gigante pegadas fortes e rijas. Já Marcelinho, faz mestrado comigo na Biologia vegetal, é um cara muito trabalhador, tem mania de trabalho mesmo, sempre que o vejo está trabalhando. O vício dele é estudar Asteraceae e cuidar de idosos. Cuida da mãe que é doente, do avó e do orientador, ainda quebra o galho para deus e o mundo, ah e quando vai para o sítio do pai vai trabalhar. Votz. Quando chega em casa, o Estrela sacoleja as orelhas. Então voce escuta um imperativo. Sobe estrela! E eu que tenho mania de filosofia, sou quase um velho. Saio de casa antes das sete horas, vou vendo o mundo, chego no labe onde fico até as cinco e meia, volto pra casa e quando chego o estrela oras late, oras é indiferente, mas sempre abana o rabo. Chego cedo assim sobra tempo pra contar essas histórias.

Filhos está na hora?

Hoje como quase todos os dias quando que não chove fui fazer alguns exercícios na praça dos Cocos.
Cheguei lá e comecei a me exercitar. Fiz barras, paralelas e quando estava fazendo flexão. Um menino e uma menina se aproximaram. A menina perguntou o que estava fazendo, achei simpático, pela primeira vez uma criança falou comigo. Devo ser muito sério. Meus trinta e um anos já está se mostrando. Acho que por ser sério as crianças não falam comigo. Mas aquela menina veio me perguntar e o menino um loirinho, ambos deviam no máximo ter uns três anos. Ela me perguntou o que estava fazendo e respondi que estava fazendo flexão. O menino perguntou onde estavam meus filhos, se eles estavam brincando, e onde estavam. Nossa tomei um susto com essa pergunta. Então respondi que não tinha filhos e ele perguntou porquê? Não sabia o que dizer. Porque não respondi. Então ele insistiu no porquê! fiquei acuado. Então ele saltou ah vai ter filho em sua barriga!? Ah! o que nossa fiquei mais aturdido que se tivesse levado um soco. Então a menina falou na barriga da mãe dele. Minha nossa! Aquelas crianças. Foi uma sensação estranha. Então depois pensei nos meus amigos que têm filhos, pensei na vida. Ainda bem que eles calaram e foram embora. Não estou pronto para ter filhos ainda foi minha, mas já está no tempo de ter um foi minha conclusão final.

Interrogação

Sartre saiu de casa, fechou o portão, respirou profundamente, olhou a acacia. A rua estava vazia, e meio escura. Montou na bicicleta e saiu pedalando. Pensando na vida e na primeira reta viu no nascente que o sol logo despontara. Seguiu sentindo o frio da manhã. Sentindo as articulações dos joelhos enfadadas. Chegou a universidade ainda escuro. Sacou a câmera tirou uma foto. Em seguida tirou do bolso a chave que abriu suas portas, no interior da sala, vazia escura e ainda quente. Sentou na cadeira sacou o computador, ligou na tomada, acessou a internet, leu colunas de revistas e jornais, enquanto ouvia rádio. Leu um capítulo do pequeno príncipe. Fez tudo isso e sua mente estava vazia, nem um pensamento pra por no papel. Sua mente estava branco como um espelho de celulose. Sentiu-se angustiado. Pensou na vida, nas dificuldades, nas angústias, nos erros que sempre pratica, nas coisas que não consegue fazer. Enfim quantas angústias sente. Pensou em escrever algo, então escreveu sobre o dia, na verdade queria escrever sobre a manhã. O que será que procuras indagou-se. A vida parece sempre tão monótona. Sempre as mesmas coisas, sem ver os resultados, fica assim angustiado. É preciso mesmo sacrificar o ser? Indagou. Inspirou e expirou. Abriu a página e começou a trabalhar. Tudo parece tão monótono, ou será que será ele uma pessoa monótona? Daqui do laboratório o jardim é tão lindo, plantas verdes, floridas. E aqui faltam ideias, palavras ou será que falta vida?

Dia

Manhã de sol,
céu azul,
as folhas das árvores brilham,
manhã de verão,
depois da chuva da tarde passada.
Ruas limpas,
pessoas limpas,
mente a mil.

06/12/10

Limbo

Doces sonhos,
sonhos de dias de paz,
dias de luz, de calor,
dias com campos cheios de flores,
o mundo cheio de cores,
de risos de crianças,
moldado de esperanças,
sonhos com altruísmo,
humanos bons,
natureza pura.

Rios com águas cristalinas,
escorrendo, cantando,
pedras lavadas pelas águas,
o ar limpo, puro,
noites mais escuras,
coberta de estrelas,
pirilampos,
o canto dos sapos,
o frio na serra,
paz na terra,
nada de jornais,
nada de notícias,
cada pessoa com suas vidas,
suas lidas,
que loucura,
mas a vida parece que já teve mais brilho,
foi mais romântica!
Sonhos quem sabe um dia,
viveremos no limbo.

Crepuscular

Tarde crepuscular,
vem, vem me abraçar,
quero ver você chegar,
quero ver o sol partir,
bem devagar,
esperando a noite chegar,
esperando o sol se por,
num céu azul,
com carneiros vermelhos,
doce tarde crepuscular,
onde possa ver o sol se apagar,
atrás do rio,
da mata ciliar,
quero abraçar a tarde,
que enfim o sol já não arde.

Quero ver o sol através das lagunculárias,
quero ver a luz laranja refletir nas águas do rio,
com barquinhos a passar
e seus donos a remar,
quero nesta tarde,
ver a lua chegar,
o dia a noite se entregar,
e no ocaso o acaso,
ver luz e breu a se encontrar,
ver insetos a voar,
a natureza calar,
toda a terra se recolher,
quero viver,
mais e mais pores do sol.
Aqui, alí ou aculá.

Noite vazia

A noite hoje está tão escura, silenciosa e vazia,
quem dera estivesse fria,
A luz amarela e fria
entra em meu quarto,
a luz branca do meu quarto apaga a noite
aqui dentro.

Eis que o silêncio
da noite vazia,
sem estrelas, lua sem nada,
me chama para dormir,
me chama pra sumir
no escuro a noite me entregar,
a noite abraçar,
essa noite silenciosa e vazia.

Dias que passaram

Os ventos do fim do ano sopram,
sopram os dias que se passaram,
um a um a lua os dormiu,
o sol os abriu,
os ventos como o som da orquestra,
sob regência de Mozart embalam
meus sonhos em sua melodia,
entre desilusões, alegrias súbitas,
e tristezas múltiplas.

Levem ventos os dias que me passaram,
como grão de areia nas dunas,
um a um levados ao vento,
sob o peso da vida,
consolida as dunas da vida.

Ventos que passam,
dias que passam,
vidas inteiras,
são levadas,
anos passados,
memórias apagadas,
quando não eternizadas,
nas palavras ou simplesmente,
numa lápide.
Ventos levem os dias que passaram neste ano.

05/12/10

Sentir a vida

Sentir a vida

Cada segundo que vivemos,
cada impressão que sentimos,
é única, porque nada do que foi é,
nada do que é foi, nada do que será é.
Cada segundo que vivemos é impar.
Cada odor,
cada cor,
cada sabor,
cada textura,
são únicos,
assim como cada noite é única,
pode ser a última ou a primeira.

Cada coisa que vivemos é nova,
pois acaba de acontecer,
porque é única,
mas nosso cérebro nos engana,
faz-nos crer que o comum
é frequênte.
Nosso cérebro, assim como nossos sentidos,
nos enganam,
nos faz acostumar com o que se repete,
por isso esperamos que sejam
as cores, as mesmas cores sempre,
os cheiros, os mesmos cheiros sempre,
as mesmas texturas, mas será
que a chuva que cai agora é igual a chuva de ontem?
serão as flores da acacia de hoje iguais as da primavera passada?

Será que os nossos erros são repetições,
e os nossos acertos nossas perfeições?

Será que tudo na vida é igual?
Erramos ou acertamos sempre?

A beleza da vida
não está no agora?
Tempos a impressão quando tudo acontece,
está acontecendo igual,
acreditamos realmente nisso?
ou nos enganamos cada dia?

Gostamos das coisas boas,
que estas sejam sempre iguais, boas.
Mas que graça teria a vida?
Se tudo seguisse sempre o mesmo curso.
Temos sempre impressões diferentes,
mas acreditamos ser iguais,
e desprezamos muitas vezes o viver,
o ser.

O tempo passa,
se enrosca em sua concha,
se encrosta,
e nós nos confundimos,
nos iludimos,
e acabamos
desaparecendo,
feito fumaça no espaço.

Soneto da vida

Quando o sol brilha intensamente,
quando o dia pleno, cheio de cores,
nos jardins sorriem as flores,
Quando o dia está pleno, abra sua mente.

Respire, docemente,
que dádiva aos amores,
que plenitude sem dores,
sinta-se alegremente,

pleno, sinta frescamente,
a energia do sol, os odores,
a textura do dia, plenas as cores,

sinceramente,
a primavera se dar ao verão e seus rigores,
na vida, nem tudo é bom, mas olhe sempre as flores.

04/12/10

Meu Natal

A quantos não vejo,
a quantos não beijo,
numa noite enluarada,
numa noite esbraquiçada,
faz tempo que não vejo a lua,
faz tempo que não saio a noite na rua,

Quero numa noite de lua,
caminhar na praia,
me espojar na areia,
namorar a lua,
sentir o sal da praia,
o som de todas as conchas,

vindos de alto mar,
quero me esbaldar,
ver o horizonte
em linha reta.

Que saudades da lua,
que saudades do mar,
quero sentir a lua salgada,
a pele salgada,
a boca molhada,

na pele o cheiro do sal,
da pele protegida,
de cor morena,
ah que delícia poder ver a lua,
viajar nas mares da mente,
se enroscar nas lembranças
do mar,
da orla,
do sal,
de minha linda capital,
minha maravilhosa Natal,
nesse natal,
vou está em Natal,
tomara que tenha lua,
vai ser um super natal,
enfeitado de pisca-pisca,
com a lua no céu
de minha capital,
te amo Natal,
onde todos os dias,
é natal.
Permanente lua.

Estrelas da madrugada

Hoje acordei mais cedo,

As estrelas não tinham apagado ainda,

Brilhavam no céu, feito farol na orla,

Só faltou o barulho das ondas,

Seu estava limpo, puro,

Sem os pirilampos de ferro,

Seguindo sempre suas rotas,

Não, não os vi,

Vi as estrelas, no nascente,

Feito estrelas do nordeste,

Fazia tempo que não via uma estrela,

Além do sol brilhar tanto,

Mas brilhava e como brilhava,

Amarela, não vi uma estrela azul,

Não vi, vi a luz amarela do poste,

As ausência das cores,

Tudo estava com um tom

Amarelado! Engraçado.

O jasmim tinha suas flores amarelas,

O que a falta de luz não faz,

Mas o cheiro de suas flores era o mesmo,

A magnolia esconde as flores,

Por não ter belo tom,

Encanta com o perfume,

E que perfume...

Então minha flor partiu,

O sol saiu,

E o dia veio lindo,

Limpo, como todos dias de sábado.

Lembraças


Se o tempo voltasse,
se caíssemos na concha do tempo,
queria muito poder voltar,
fazer que algumas coisas melhorassem,
dividiria mais o meu tempo com meus amigos,
teria me preocupado mais em ler o que gosto.
Se o tempo voltasse,
se caíssemos na concha do tempo,
eu faria tudo de novo,
meu maior tesouro são minhas lembranças,
são delas que alimento minhas esperanças,
reminiscências de infância,
da moradia, da vida vadia,
dos risos cheios de alegria,
minha vida foi muito generosa,
cheia de prosa,
cheia de surpresas,
de boas amizades,
suportes para minha maior idade
que chega,
carregada de lembranças,
batendo a porta da minha realidade.

Madrugada



É cedo,
no céu ainda brilham estrelas,
aurora desponta no nascente,
madrugada silênciosa e fria,
a rua está vazia,
apenas a acacia dourada de flores,
a magnolia perfumada,
o jasmim manga respiram,
em harmonia.

As estrelas vão se apagando
com e o sol vai despontando,
lentamente, suavemente,
então a noite recolhe seu véu escuro,
e parte para a eternidade,
a acacia sorri para o jasmim que sorri à magnolia.

Ainda é cedo, mas não consigo mais dormir,
estou imerso em pensamentos,
no quarto abafado,
encontro o sábado,
e acordo pra vida.

03/12/10

Saudoso

Minha doce flor,
meu lindo amor,
a chuva cai,
soa aqui o vazio,
não está frio,
mas bem que poderias,
está aqui, Ana,
tem dias que não sai uma poesia,
tem dias e dias,
hoje se fosse mulher estaria de tpm.

a chuva cai,
a acacia enfeitada na calçada,
escorrem gotas de chuva,
divago,
divago,
Ana minha linda acacia,
saudades de tua essência,
dos teus beijos,
mas a chuva ainda cai lá fora,
noite adentro.

A vigem

Há quatro anos atrás, acordei cedo, estava em Natal e tinha tomado uma decisão muito importante na vida. Dormi na casa de meu grande amigo Robério. Acordei, tomei o café, li um pouco do livro que ele me deu, mas não consegui me concentrar, estava muito ansioso. Seria aquele dia meu primeiro voo de avião. Deixaria toda a rotina construída naquela cidade por seis anos de ouro, foi alie que construí quase tudo que penso, fora naquela cidade que me dediquei com muito afinco aos estudos, a amizade e a solidão. Foram aqueles dias monótonos, aquelas ruas de pedra da universidade, aquela areia solta das dunas, aquele sol escaldante junto com aquelas pessoas que aprendi a ver o mundo de outra forma. Foi ali que vivi minha maior paixão a botânica. Alí, estava próximo aos meus pais e qualquer coisa bastava quatro horas e estava no seio, em casa de meus pais. Sei que estava muito ansioso pelo novo mundo que viria. Minha mente estava muito aberta.
tomei meu último banho lá, minha mente ainda estava preso a rotina. Quando então chegou a hora.
Despedi-me de dona Raimunda, das Rocas, de Petrópolis, de Lagoa Nova, da UFRN, de Satélite, de Natal. Tudo aquilo estava ficando para trás. Então chegamos no aeroporto, fiz o chec in, o tempo passou. A hora mais triste, abracei o Robério, a Dani, a Rosali e Antoniela. Emocionado em lágrimas entrei por aquela porta, meus amigos sumiram. Então entrei no avião que logo decolou, quando comecei a ver Natal sumir, chorei e como chorei de emoção, de tristeza? Larguei meu mundo, tentei sofrer menos esquecendo as memórias. Mas nem sempre consigo, vez por outra como uma garrafa na praia vem as boas memórias, sim, pois só guardei as boas memórias, deletei as ruins. E hoje quatro anos depois, posso avaliar como foi essa viagem. Sei que muito aprendi, muita gente conheci, estabeleci uma vez na capital e outra em Campinas não foi fácil, mas também não foi difícil. Suportei com dignidade as dificuldades. A vida está muito boa, não gosto muito porque sei que quando os ventos vão bem, logo aparece a tempestade.
Hoje estou reflexivo.
Deixei tudo pra trás sigo em frente cabeça erguida.

02/12/10

Pensar

Quando imagino o que podia ser, que podia fazer e o que eu sou. Reflito sobre toda minha vida, os lugares por onde passei, as pessoas que conheci, com quem vivi e coisas que vivi. A vida já me parece longa, mas parece que pouco aprendi. Parece que cada vez que aprendo, tenho aumenta minha fome de aprender. Eita coisa insaciável é o conhecer. Mas saber o que? pra que? Conheci tanta gente feliz na ignorância. Quando era criança, tinham pessoas que mal tinham o que comer, eram tão humildes e mesmo assim não faltava graça, riso, esperança e alegria. Eu me sentia bem com qualquer coisa. Será verdade que está escrito na bíblia que depois que comemos do fruto do saber, nos tornamos mortais. Talvez sim. Saber que nosso fim é a morte é muito triste. Talvez os animais por desconhecerem de uma linguagem que estire o tempo, sejam mais felizes por ignorar a morte, o futuro. Passa tanto tempo na vida pensando o que podia ser, o que podia fazer e quem sou. Essas reflexões parecem me fazer mal. Sorrir mesmo sem dentes pra mostrar. Ah a condição humana talvez seja triste ou feliz. Quem sabe?
Boa noite

Som da Chuva


Agora lá fora,
as gotas de chuva
caem sobre as folhas, e calçadas,
sobre as pedras da rua,
soam tão macias,
tão frias, que gera arrepio,

mas cá faz um calor!
calor enfadonho,
o sons não trás o frio
talvez o vento traga,
mas a chuva não tá pra vento,
ora aumenta, ora reduz,
as folhas espelhadas reluz a luz fria dos postes.


A chuva calma,
enche a alma,
se sonhos, e o corpo de sono,
a calma da noite,
silenciosa e majestosa,
oculta e negra.

Essa noite, noite vazia,
ao som da chuva,
se cala, e cala a rua,
só que soa é a chuva,
gotas da chuva,
caem
uma a uma,
duas, três, quatro, cinco, seis...
infinitos, de repente de uma nota,
a chuva vira uma orquestra.
ruge um trovão longe
oculto na noite,
longe soa o trovão,
não vi seu reflexo,
mas soou,
a noite calada,
segue embalada,
a cantiga de ninar da chuva,
que encanta minha alma,
me traz calma,
me embala no sono.

chuva

Quanto calor,
quanto vapor,
quanta impaciência,
hoje vai chover,
tenho certeza,
hoje vai chover,
que chova então!

vou ficar de banho tomado,
esperando a ordinária chegar,
chega tão sorrateira,
que despenteia a acacia,
amedronta o estrela.

chega chuva.

Chuvas torrenciais

Todas as tarde de dezembro,
desde o fim de novembro,
chovem,
chuvas torrenciais.

as quatro horas o sol ainda reina no céu,
e aos poucos vai-se fazendo o véu,
uma cortina escura,
apaga o sol,

de repente,
a cortina se desfaz em água,
pura e límpida água,

do bafo quente das ruas,
gotas evaporam,
se unem e se escorrem,
caminho abaixo,
lavando as ruas,
levando as pétalas,

e continua o mormaço,
calor a noite toda,
ainda bem que os mosquitos não aparecem,
e as ruas ficam limpas,

a magnolia perfumada pra mim,
bem perto também o jasmim,
jasmim não Plumeira alba,
enfeita a rua de brancas pétalas,
com fauce amarela.

Sim essas chuvas torrenciais,
atrapalham os namorados,
os esportistas,
mas a mim não,
mesmo que banhe,
aliás tem coisa melhor que banho de chuva,

quando morava em casa de papai,
não perdia uma chuva,
a menos que relampejasse e trofejasse,

caiu eu, rose, lidi e rosa,
na chuva, enchendo os potes,
os tanques,
depois de tudo cheio,
dos lábios roxos,
mamãe nos ensaboava,
e terminava o banho,
nos envolvia na toalha,
nos secava,
e chamava todo mundo pra cozinha,
pra comer cherém.
Era a coisa mais gostosa.

Essas chuvas torrenciais,
evocam minhas memórias mais sutis,

memórias boas.

coisa de verão,
coisa de estação
coisas de fim de ano.

agora

Hoje o sol não apareceu,
o céu está coberto de nuvens,
o vento também não veio.

o dia está sisudo,
abafado.

01/12/10

Sorte

É cedo muito cedo,
o sol ainda não nasceu,
a brisa ainda soa fria,
a rua continua vazia,
dentro de mim há medo.

Aurora encarnada e fria,
desponta no nascente,
e anuncia, chega o novo dia,
canta o sabiá,
canta a ciririca,

os cães safados agora que dormem,
passaram a noite na baderna,

um, dois, três transeuntes,
passam para o trabalho, para a caminhada,
em busca de recurso, em busca de saúde,
mas ainda é muito cedo,
de que adianta o medo.

a vizinha acorda, abre a porta e sai pro trabalho,
a magnólia continua perfumada da balada,
e a acacia continua enfeitada.

são seis horas,
o sol vem vindo,
o dia sorrindo,
e tudo começa,
com boa promessa,

a vida segue numa monotonia,
cheia de poesia,
trajédia,
quem será o escolhido,
que terá o corpo consumido,
pelo carro, pelo coração,
quem sabe,
a vida pulsa.

Solidão

A solidão que invade a alma,
encontra no escuro da noite,
no conforto do cansaço, a paz,
estamos sempre sós,
apesar de tentarmos fugir
não conseguimos, estamos sós.

Nos encontramos na solidão,
desde que nos separamos
do seio materno, nos tornamos
solitários, buscamos alento no outro,
mas não encontramos,
pois temos nossos medos,
nossas peculiaridades,
moldadas em nossas decisões
que são feitas a só.

Estamos só quando acordamos,
quando pensamos, só nos pensamos como nós,
estamos só quando dormimos,
quando sonhamos,
nos iludimos, um auto engano.

Somos inconformados com este estado,
estado de solidão.

Como a noite escura,
a lua desolada,
nos sentimos sós,

como a rua vazia,
o fim da poesia,
a solidão,
dorme em nos eternamente.

Reflexão

Se vivemos num mundo tão grande, por que vivemos fechado no nosso mundo pequeno?


Creio na poesia
que me trás alegria,
creio na ciência que me desvenda os mitos,
creio na fé que conforta meu espírito.
Creio na economia
que me alimenta dia-dia.

Sou absorvido pela ideia do melhor,
aprendi a consumir,
aprendi que para consumir preciso de recurso,
todavia só tenho recurso se adquiri-lo,
portanto vendo meu trabalho,
dou o melhor do meu eu,
para ser o melhor e nada nunca me faltar.
Mas os desejos são insaciáveis.
Muitas vezes dôo o melhor de mim para ter algo, viver algo,
e finalmente quando desfruto, percebo o quanto gastei pra consumir o meu objeto desejado.
Então me fecho para o mundo,
tenho no meu objeto de estudo o todo.
Mas porque ajo assim?
Algumas vezes o que nos fazemos é tão nobre, ou acreditamos nessa nobreza,
que acabando esquecendo a grandeza do mundo.
Então passamos a girar em torno de do próprio eu.
é hora de parar e pensar.

Das varias manhas em Natal

Dias muito claros

Quantos dias não acordei,
e fui até o nosso jardim,
ver as flores rosas, amarelas e anis.
Flores de mimosa, chamaecrista, sennas,
centrosemas, crotons.
Nosso jardim ficava pro poente,
de onde podia ver o trânsito dos carros,
no indo e vindo do campos,
podia ver o circular passar,
podia ver lagoa nova,
e o sol que nascia muito radiante,
me fazia sair da cama com a pele ardendo em calor,
ia ali no jardim, refrescar um pouco,
ver as flores,
sentir a areia solta,
molhar o rosto na lavanderia,
fazia isso com frequência,
as vezes corria,
as vezes caminhava
e sempre me banhava,
naquela água maravilhosamente fria,
levava o corpo e levava o calor.
Em seguida o dia começava.

30/11/10

Estrelas

A maestria da noite,
a noite brilham as estrelas,
piscam sem parar,
azuis, vermelhas, brancas e amarelas,
as estrelas são todas belas,
umas pequenas, outras grandes,
umas distantes, outras próximas,
são sempre todas belas,
uma noite sem estrelas,
é como um dia sem sol,
nossa estrela maior,
vai o sol, vêm o sono,
vêm o sol, vai o sono,

num mundo cheio de luz,
e brilho do sol,
belas estrelas,
silenciosas,
rutilam como brasa do por do sol
ao nascer do sol.

Volta

Saudades.

Como é difícil viver,
parece ser sempre incompleta,
ansiamos sempre por algo, não aprendemos a viver,
sempre queremos mais e mais.
Mas o tempo nos leva tanta coisa.
Nossas melhores memórias ele apaga,
rouba pra si,
absorve nossa beleza.
Sabia que o tempo é sempre jovem por que fica roubando a juventude das pessoas?
pois é.
Nossos momentos preciosos,
ele sabe esconder bem na nossas mentes,
nos nossos giros cerebrais.

Hoje mesmo, deixei minha flor,
longe, espero que ela saiba se cuidar,
dar um aperto no coração quando tenho que partir,
mas o tempo toma conta,
o vento trás as saudades.

Às vezes quando estou só, eu apelo pra acacia,
pra lua, pras flores.

Como é bom voltar pra casa,
sair da estrada,
melhor ainda é ter alguém te esperando,
mas se não tem, crie um cachorro,
ele já anima, fica todo feliz,
balança o rabo, late e abana as orelhas,
melhor ter uma criança, ou um amor esperando em CASA,
mas é assim,
tudo a seu tempo,
o tempo nunca falha.
o tempo é o senhor de tudo


29/11/10

Morcegos

Depois da chuva da tarde,
caiu a noite úmida,
sem vento, sem estrelas.
Ouço o canto dos morcegos,
que me faz lembrar,
as noites sossegadas,
na casa de papai.

Embalado em seu canto,
cai o sono lentamente,
vai chegando os sonhos
e a alma vai fugindo docemente.

Quando era pequeno acreditava que ratos originavam morcegos,
teve uma vez que encontramos um grande morcego, na cumieira da casa,
ficamos achando que fazia pouco tempo que ele havia se transformado de rato em morcego.
Pobre morcego, não durou muito além daquela manhã.

Os morcegos não são criaturas amáveis alguns são hematófagos, se alimentam de sangue, e
muitas vezes quando acordava e ia pegar o animal no paieiro, encontrava-os com o pescoço em sangrando, os morcegos mordiam e depois lambiam o sangue.
Papai geralmente colocava um pano no paieiro para espantar os morcegos, ele não sabia que morcegos quase não tem visão, não enxergam quase nada. Que estes emitem um som forte e que é o eco que os guia durante a noite.
Alguns morcegos se alimentam de polém, por isso são muito importantes na polinização de algumas plantas. O Cardeiro é um exemplo de planta polinizada por morcegos. Outros ainda de frutos, por isso são importantes na dispersão destes frutos, outros ainda de insetos. Enfim os morcegos tem vários hábitos alimentares. No entanto são animais com hábito totalmente noturno. As asas dos morcegos são modificações de uma mão, onde ocorre o desenvolvimento de membranas entre os dedos. São os únicos mamíferos voadores.
Os morcegos me trazem muitas lembranças da infância.

Era uma noite escura,
noite estrelada,
os cajueiros pensos de fruto e flor,
o cheiro de seus frutos coloriam a noite,
cheiro de cajus amarelos,
voltava da vizinhança,
quando ao chegar em casa,
encontramos um morcego
grande no chão junto a parede,
então dog queria pegar,
mas papai não deixou,
podia ter o vírus da raíva.
papai jogou no mato,
fomos dormir com morcego na cabeça,
sonhamos com vampiros a noite,
foi uma noite negra,

metafísica

É perversa a ilusão que posso tudo,
quando não posso nada.
Estou preso a tudo,
a matéria, a substância a alma.

Mas e o que sou?
senão um ilusão,
se minha realidade só me causa confusão,
é necessário toda uma construção,
da alma, da vida e do ser.

Mas afinal o que sou?
sou produto do meio?
Sou uma ilusão?

O que posso senão ação,
como fazer cristalizar o que penso,
e não viver penso,
porque senão aceitar abdicar da liberdade,
o que faria só,
seria expulso do grupo,
um eremita!

ilusão, ilusão
tu me aflinges a alma,
me tiras a calma,
me coage a metafísica.

28/11/10

Leitura!

Primeiridade (Sentimento)

As vias do conhecimento são os sentidos. Que sabemos sobre cores se não vemos, sobre música se não ouvimos, sobre sabores se não percebemos? A partir das experiências que vivemos é que vamos construindo nosso mundo subjetivo. São estes saberes que vão nos dando propriedades para julgar o que nos é real ou irreal. A soma do que sabemos com nossas crenças vão formando nossas personalidades. Acho que somos seres muito sensuais e nossa capacidade de apreensão está completamente as emoções. São estas que intensificam a nossa cognição.

Securidade (Conflito)

Descartes depois que saiu em excursão no exército de Maurício de Nassau, viajando a cabo pelo mundo percebeu que haviam pessoas muito inteligentes, além daquelas pessoas que conhecia na França, percebeu essas pessoas ignoravam as ditas verdades francesas. Estariam estas pessoas erradas? Partindo dessa indagação. Descartes começou a duvidar de tudo. Antes de fazer uma afirmação, viu que era necessário um profundo questionamento, depuração e por fim uma apuração. E só então pode-se começar a pensar em faze-la.

Esse conflito que tem o ser ao questionar o que existe fora do ser?
O que eu vejo é real? é universal?

Terceiro (Interpretação)

A partir do nosso conhecimento nos interpretamos o mundo.
Nos vemos o que está fora de nós, interpretamos, e a partir desta leitura construímos o que acreditamos ser a essência destas coisas.

voo

Dia de sol, intenso brilho,
no céu azul, pontos negros,
se movimentam,
em círculos,
Deslizam no ar.
Quão belo é o urubu voar,
o majestoso do ar!
Pra lá, pra cá,
sobe e desce.
Já ouvi o som de suas asas quando plana baixo?
Que forte!
Quanta majestade de graça no ar!
Mas em terra!
É tão desengonçado,
e come carniça.
Toda graça na vida não vem de graça.
voa, voa.

Amadeus

Ah! Mozart,
Divino seja Mozart,
Que maravilha sedes sua obra,
algo bom humano, havia de se fazer,
e tu Mozart, foste via,
da Música!
Tu gênio, eterno seja,
enquanto existir,
Hei de aprendeu um pouco sobre ti,
sua obra,
hei de aprecia-la sempre.
Ah! Mozart,
Divino seja!

Ilumina

Dia,
claro dia de sol,
plena luz dourada,
em todos lugares irradiada.

Bem vindo seja Apolo,
vinde aquecer sua enamorada terra.

Aqui neste átrio,
sol, clareias minhas ideias,
refrigera minha alma.

Ilumia, desperta, acalma minha mente,
traz-me um pouco de fé,
sol, amanhece minha mente.

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh