A tarde caiu nublada e chuvosa,
Chove, dá um tempo, chove,
Fecha a janela e abre a janela,
Toma um chá,
Faz calor,
Abre a janela,
Faz frio,
Uma música,
O cuidar das coisas,
Cuidar do bebê,
Cuidar da esposa,
Cuidar dos irmãos,
Da família...
E a fé.
A tarde caiu nublada e chuvosa,
Chove, dá um tempo, chove,
Fecha a janela e abre a janela,
Toma um chá,
Faz calor,
Abre a janela,
Faz frio,
Uma música,
O cuidar das coisas,
Cuidar do bebê,
Cuidar da esposa,
Cuidar dos irmãos,
Da família...
E a fé.
A noite me acordou com seu calor
E me entregou a madrugada estrelada
Entregou-me em silêncio,
Meu menino acordou e mamou
Discretamente dormiu.
Dormiu no meu peito e nos meus braços
Sua cabecinha perfumada incensou minhas narinas,
Se mexia, respirava
Era quente seu corpinho, tão gordinho.
O galo cantou, ouço o teco-teco do ventilador da vizinha de baixo,
Também ouço o canto mudo dos grilos,
Olho pro céu parece que o piscar das estrelas imitam o ciciar dos grilos.
Minha esposa ressona,
Vinícius no berço em busca de se acomodar
Uma corroira canta
Um galo canta,
E penso que ainda me surpreende ter galinha em algumas ruas desse cidade.
Olho a x brilhando e penso em pai.
Até o calor refresca na madrugada,
Enquanto Vinícius mamava
Peguei um livro de Neruda
As uvas e o vento e li o prólogo em um poema.
Pensei em Vô José...
Em mamãe...
Vinícius dormia em meu peito.
Agora lá fora ouço
Siriririririri...
Uma brisa fria atravessa a janela.
O sono já chega...
Andamos perdidos em nossos pensamentos.
Somos infantis?
Sempre em busca de algo que nos preencha.
Parece que o vazio é nossa maior parte.
Somos balões?
Não percebemos a nossa realidade seja qual for.
Somos míopes?
Temos medo de perder algo o tempo inteiro.
Nem vivemos intensamente o presente, o aqui e o agora.
E quando perdemos nem tomamos conta que precisamos nos ater ao presente ao agora.
Parece que a vida é um punhado de areia em nossas mãos
Que vai perdendo grão em grão.
...
Mozart sem dúvida é meu compositor favorito. Se me perguntar por que? Não tenho uma resposta. Como não tenho respostas para a maior parte das coisas que existe ao meu redor. Todavia, gosto pois sinto sua música. Bem todos podem sentir, mas por que não sente ou aprecia, como não apreciava. Cuidando agora de meu filho passo entender e racionalizar muita coisa. Ele não entende coisas que para mim são óbvias. Coisas que o irrita para mim são maravilhosas, mas não é sobre mim. É sobre o outro, sobre você. Quando me perguntas porque Mozart direi porque sinto, porque vejo alegria, felicidade... Sabe a gente tem uma coisa chamada consciência. Que por definição seria a apreensão de um sentido. Desde que a gente passa a ter consciência a vida fica muito mais complicada, porque passamos a nos basear nos outros. Estava sozinho em meus pensamentos e perguntei a mim mesmo. O que poderia ser bom neste momento. Liguei o computador e ouvi Mozart. Não entendi nada. A primeira vista as coisas nos desnorteiam, são apenas impressões. Na segunda vez que ouvi, já me familiarizei um pouco e fui tomando consciência, passei a ter percepção, depois mais um pouco me interessou saber quem foi o compositor, o que o fez compor tal e tal peça... Bom esse é meu modo de ser. Veja que arrodeio muito para falar algo. Gosto de Mozart porque descobri que podia gostar. Então fique em paz que vou ouvir aqui.
https://www.youtube.com/watch?v=FZ1mj9IaczQ
O mundo essa soma de tudo que existe
É a pluralidade além de nossas impressões,
Por certo objetiva, mas que é sem emoções,
Existe a sensação de está alegre ou triste.
Meu mundo o que seria representações
Ou seria o que é pura matéria
Ou um produto do trabalho de reflexões,
Ou coisa descabida de explicações.
Versos, estrofes, rimas frases com migalhas de perguntas.
Uma tentativa de organizar o universo humano.
Talvez algo se consiga entender,
Talvez seja tudo vaidade,
Talvez seja uma busca da verdade,
Ou tudo é ilusão.
Na antena
Pousou um sanhaçu
Ficou ali plinçando
Ficou ali cantando,
O frescor da manhã,
O céu infinito,
A liberdade em suas asas,
A liberdade em seu canto,
A beleza dessa realidade
A beleza da simplicidade,
Se perde em nossos pensamentos,
Por vezes se encontra no agora,
Em estado de graça.
Lá fora está fresco.
A manhã nasceu agradável.
Nublada, mas com campos de azul do céu.
Canta sem parar,
Canta em todo lugar,
O bem-te-vi,
A corroira,
A patativa,
O sanhaçu...
O que dizem não sei,
Mas é uma beleza de ouvir.
São as coisas deste mundo,
São as coisas desta vida,
Particularidades de uma totalidade.
Onde a consciência não consegue tocar
Apenas contemplar.
Uma manhã qualquer
Em qualquer lugar que seja.
A base de tudo é subjetiva.
Papai meu papaizinho querido,
É pena que tenhas partido,
Deixando meu coração fendido
Em dor e muita saudade
Logo você minha maior alegria,
Meu alicerce, meu pilar, minha poesia
Meu confessor e amigo mais antigo,
Como dói a sua ausência a noite ou de dia
Me faz falta sua grande Alegria
Forte e intensa que me contagia.
Ah papai que intensa foi a dor,
Como foi triste sua partida
Achei que ia perder a vida
De tanto sofrer de amor
Não tenho mais o que fazer
Só me resta agora é sofrer,
Tá cheia minha lembrança,
De todo o tempo vivido
Em sua presenças ouvido
A vida cheia de bonança
Mas aí, mas aí
O tempo cruel vai
Levar que a gente ama
A gente imóvel na cama
Neste triste momento
A gente se questiona
Por que a vida se vai
Por que levou meu pai?
Cadê você papai
Cadê você papai
Não falas
Não ouves
Não és
Continuar aqui a sofrer
Quem sabe um dia ao morrer
Venha te encontrar
Eis maior mistério
Que o senhor me perdoe
Mas é a dor quem me fala
É a dor que não cala
De alguém que um dia foi
Agora é só memória
Nada mais.
Umbuzeiro
Árvore intrincada e retorcida,
De copa muito fechada
Conhecida como árvore da vida,
Madeira mole, quebradiça e alva
Nuas na seca se tornado cinza,
Floresce quando o clima muda,
Seus cachinhos são alvinhos
Miudinhas flores estreladas
Que planta amável
Já chove três dias seguidos aqui em João Pessoa.
Vários alagamentos ocorreram nas ruas mais baixas.
As pessoas estão reclusas em casa.
Esperando esta chuva parar.
Já choveu mais que chove nesta época.
Segundo jornal a 30 anos não Chovia tanto na mesma época.
Segue chovendo muito.
Canta o sabiá e o bem-te-vi.
E tudo está acontecendo como sempre.
Juca
Esta planta marrenta
De crescimento lento,
De tronco liso bicolor
Tronco forte e enroscado,
Cresce feito espeto
Ramo inerme e lenticelado,
De copa muito fechada,
Reune toda passarada,
Tem folhas o ano inteiro,
De inverno a verão,
E quando floresce,
Seus cacho amarelos,
A copa embelezada,
Por abelhas visitada,
Após forma fruto duro,
Mulungu
Belas flores encarnadas
Assim tem sua florada
A copa aberta enfeitada,
De flores naviculadas
Nela aparece o beija-flor,
Buscando néctar de flor em flor
Aparece o sofreu
Aparece o sanhaçu,
E após polinizada
Tem as flores fecundada,
Da vagem moniliforme
Semente vermelha é dispersada,
E na beira do riacho,
Germina e a semente,
É a natureza moira
Que determina a geração
Essa prima do feijão
De madeira mole
Só encanta a natureza
Só é fonte de beleza
É uma planta invocada
Sempre encontra-se armada
Na seca perde as folhas e fulora
No inverno se enrama e cresce
Assim é o mulungu
Planta viva do sertão.
Nela aparece
Que bela e imensa árvore,
Que cresce em beira d'água
Tronco armado e estriado,,,
Cajus maduros suculentos,
Cajueiros inteiros carregados,
O ambiente todo perfumado,
A graça divina na terra,
Fartura madura acridoce,
Que infância de relevância,
De um passado acabado,
Restam apenas lembranças,
Nem algo com semelhança...
Delícia, deliciosa, passada.
Maniçoba
Arvore estiolada,
Lenha mole e alvinha,
Tronco escuro,
Ceiva alva leitosa
Casca esfoliante,
Ramos angulados,
Odor intenso
Folha lobadas,
lisa, de haste avermelhada,
Flores diclinas,
Fruto cápsulas
Espocam no verão,
Atirando suas sementes,
Juazeiro
Juazeiro,
Essa árvore tão frondosa,
De copa imensa e fechada,
Sombra fresca e generosa,
Até na seca enfolharada,
Nasce muito no baixio,
Cresce de forma lenta e torta,
De ramos sempre armados,
Demora a frutificar,
Oculta é sua florada,
De flores pequenas,
Verdes e estreladas,
Só por abelhas anunciada,
Então no fim da estação,
Aparecem os frutos ásperos,
De cor amarela e quiabenta,
Só os bichos apreciam,
Comem as folhas e os frutos,
E dispersam no cercado,
Há quem use sua casca
Para higiene bucal,
Juá na cachaça,
Creme dental melhor não há,
Deus o livre se sua estrepada,
Que fura até alpercata de pneu,
E lá está o juazeiro,
No meio do tabuleiro,
Verde esperança,
No meio da seca,
No meio do sertão.
De tronco áspero e duro,
Alva madeira e casca amarga,
Os ramos armados,
Com a casca muito amarga,
A madeira é alva
Tua madeira alva e dura,
A casca é muito amarga,
A casca
Com sua casca escova os dentes,
Suas flores tão miúdas,
Teu fruto áspero e quiabento,
O tempo,
O espaço,
A existência
Coexistem,
Se convergem entre si,
Numa impressão
Chamada ser,
Que é e deixa de ser,
No mesmo instante,
No devir!!!
A catingueira madeira torta
Na seca até parece morta,
Tronco forte e acinzentado,
As vezes oco e habitado,
Seu crescimento lento,
E longa é sua vida,
Hiberna maior parte da lida,
Se chove desperta,
Brotam das gemas as folhas,
Das folhas o intenso odor,
Depois aparece a flor,
E com elas as abelhas
Que visitam sem parar,
O dia inteiro vem e vai,
Mamangava vem abelha sai,
O polém e néctar a explorar
Após a polinização
Ocorre a fecundação,
E a semente a crescer,
Em vagens duras de roer,
Vem o verão,
Fim da estação,
A vagem explode,
E atira a semente,
Em um distante lugar,
Caminhando na mata
Só se ouve o estalar,
Espoca, pra cá e pra lá,
Quando cai a chuva,
Germina a semente,
E a vida renova,
Sem precisar de cova,
A natureza,
Mostra sua beleza,
Independência humana,
Cresce forte a catingueira.
Jitirana Jitirana,
Uma corda enroscada
Forma uma latada,
E linda florada,
Cresce no campo
Cresce na mata
Cresce até florar,
Cresce a se enroscar
Jitirana Jitirana,
Flores coloridas
Flores estreladas,
Flores visitadas,
Flores amarelas,
Flores rosas,
Flores azuis,
Flores alvas,
E quando é seca,
Dorme no chão,
Dormente a semente,
Espera o outro inverno.
O pinhão manso
Cresce no bem em tabuleiro,
E em qualquer lugar,
Seu crescimento é ligeiro
Seu caule é esfoliante,
Ramos moles espessados
Látex abundante e transparente
Suas folhas são lobadas,
Nervação radiada,
Copa bem aberta espigada,
Estípulas fimbriadas,
As inflorescências determinadas
Todas flores unissexuadas,
Flor pistilada e estaminada
Por borboleta visitada
Após polinização e fecundada
A tricoca é formada
Vai crescendo devagar
Pra três sementes formar
Após amadurecida
É bem desidratada
E explode a espalhar
As sementes carunculadas,
Planta bela,
Planta forte
A seca e o verão.
Viva por muitas estações.
Como sinto sua ausência,
Penso em ti contantemente,
Nem acredito nessa experiência,
Saudades de tudo entre nós.
Do alto da noite nasce um novo dia,
Quando a noite vira madrugada,
Profundo silêncio em todo lugar,
No curral, o gado a ruminar...
O chocalho a badalar,
Blim... blim... blim... Tong... tong... tong...
O aroma perfumado,
Do esterco processado,
O mourão cumpre sua função,
Vigilante e pronto está
Pra segurar alguma brabeza,
Ou de camarada coçar algumas costas.
O vento sopra de acoite,
E traz o aroma da mata seca,
Ecoa entre ramos secos,
Chia, levanta poeira e passa,
Canta o galo na pinheira,
Cocorococooooooo...
Alguém desperta dentro de casa,
Lamparina acesa,
Pela fresta se acompanha,
Na cozinha estala o graveto de marmeleiro,
Uma chama se faz
Agua na chaleira de barro,
Se ouve o pipocar da água fervendo,
Adicionado o café,
O aroma faz a barra se quebrar...
Mais tarde nasce a manhã.
E os personagens noturnos saem de cena.
A noite desperta,
Aurora anuncia
A chegada do dia
Ave pia esperta
Voa no espaço,
Com alegria
Grande é a folia
Lindo sanhaçu
Bem-te-vi,
Corroira,
Sabiá
Desperta
Alerta,
Já é dia
Finda a poesia
A tarde partindo,
Luz se diluindo,
Corpos quentes,
Emitindo calor,
Sombra fresca,
Enfadado corpo,
E as memórias,
Lugares conhecidos,
Diferentes estações,
Paisagens,
Por fim
O melhor lugar,
Numa cadeira
De balanço,
Na calçada,
Até o final,
A última tarde,
Desta não se pode passar.
Caatingueira,
Caatingueira,
Do sertão,
No carrasco,
Sobre o seixo,
Sobre a areia,
Sobre o barro,
Limite do campo,
Inicio da mata
Na seca perde folha
No inverno se enrama.
Caatingueira
Caatingueira
Casca cinza,
Torta e dura madeira,
Ramos jovem glutinoso,
de forte odor exalado,
Desarmada, a ramada,
Folhas grandes fracionadas,
chamadas de bipinadas.
Caatingueira
Caatingueira
Suas flores amarelas
São singelas e belas,
Se percebe a florada,
O odor no mundo se espalha,
O zumbido de motor,
É zumbido de mamangava,
Zuuuzzzzzzzzzzzzzuuzzzzzzzzzzzz
Zuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
Zuzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
Uma flor,
Outra flor,
Uma inflorescência,
Outra inflorescência,
Uma árvore outra árvore,
A grande abelha pesada,
Amando a delicada flor,
Tomando doce néctar,
A manhã inteira...
Caatingueira
Caatingueira,
Após tantas visitas,
Ocorre a polinização,
Suas vagens vão crescer,
Pequenas bainhas,
A copa vão enfeitar,
Então no final da estação,
Seca vagem espoca,
Explode expulsando
Plana semente,
Que em solo fértil vai cair,
E logo que chove germina,
E a vida continua,
Caatingueira
Caatingueira
esse nome popular
Cenostigma pyramidalis na Bahia,
Cenostigma nordestinum na Paraiba,
Cenostigma bracteosum no Rio Grande do Norte,
Coisa de botânico estudado,
Sua família é Fabácea...
Chega de versos e estrofe,
Que o poeta é limitado.
Saudades de ti,
Saudades de nós,
Ficou o vazio,
E as memórias,
Doces estórias,
Tudo abstrato,
Continua a fé,
A esperança,
Aprendida
A vida é ser.
É preciso paciência na vida.
Saber onde está e aonde ir.
Sentimentos sem juízo,
Razão.
Esse momento agora
Que se faz um vácuo.
Quando as palavras se desnorteiam,
Pondo fora o texto inteiro
Particularidade de uma totalidade...
Fração de uma tarde,
Parte de um dia,
Momento que as palavras não conversam.
Uma ideia que não se faz,
Não segue um curso.
Um quadro desfocado.
Deixa acontecer.
Como o dia que se vai,
E o que sobra é anoitecer.
Em matéria de grafia,
Vamos fazer uma poesia,
Usando tupi,
Usando botânica,
Usando três palavras
Imburana,
Cajarana,
Jitirana,
O matuto entenderá,
E também aprenderá,
Essas três plantas
Têm origem caatinguícola,
De importância cultural
E alimentar,
Duas são arbóreas e uma trepadeira,
A primeira tem caule esfoleante
E madeira quebradiça,
Pode ser vista nas portas de pobres casas,
Em papeiros como colheres de papa,
Ou ornamentando casas.
A segunda quando madura tem grande altura,
Tem madeira vidrenta,
Muito fácil de quebrar,
Nela não vá se pendurar,
Sua fruta é saborosa,
De amarela doçura,
E suas flores inconspícuas,
São alvinhas estrelinhas,
Seus cachinhos bonitinhos
Por abelhas visitados.
E a terceira cresce como cordão,
Se enrolando na madeira das maiores copadas árvores,
formando latada,
Tem quando floresce é bela florada,
Não é planta perfumada,
Mas bela descomunal,
Alimenta a abelhada,
Com muitos tipos e diferentes cores suas flores,
De diferentes nomes... tipos de jititanas...
Deixando de lado a as particularidades,
Que compreende suas propriedades,
Vamos nos aprofundar,
Vamos a ortografia,
São palavras tupi,
Que termina com as sílabas rana,
Como a gramática diz o sufixo rana,
Imbu-rana é um falso umbu,
Caja-rana é um falso cajá,
Jiti-rana é um falso batata-doce,
Que gostosinha essa lição,
Obrigado pelo poemarana.
No alto da cumieira,
Dorme a linha de aroeira,
Dorme e sonha no passado,
Num longo tempo já ido,
Quando na mata crescia,
Mundo acima até o céu,
Da fartura de inverno,
Da agonia do verão,
Da sede que quase mata,
Da folha imparipinada,
Folha de odor apimentado,
De casca encarnada perfumada
Sua existência imponente,
E extremamente importante,
Para as aves se alimentar,
De sua flor come néctar a abelha,
Dos frutos come o louro são José,
Em sua copa ave que modifica
Bem-te-vi, nei-nei e pirrite,
Em sua sombra fresca corria frouxa a brisa,
Na base havia uma loje
Onde vivia sempre preá
Sonhou vendo seus frutos girando
Pelo mundo dispersando,
E a terra povoando de tudo que é aroeira,
Então a luz se acende
Acorda linha de aroeira
E acabei a brincadeira
Não importa o que aconteça,
No ano temos seca e inverno,
Uma estação sucedendo a outra,
Feito cobra querendo engolir o rabo,
Nunca muda a cada ano,
Apenas uma é maior que a outra,
E assim a natureza se encanta,
Cada ano uma paisagem,
A semente germinando,
A planta florindo,
A planta morrendo,
Tudo coocorrendo,
Numa só totalidade,
Brava e a natureza da vida
Que a tudo resiste,
E a gente humildemente só aprende.
Uma boa pergunta pode ser matéria para pensar a vida inteira.
E a gente vive tentando encontrar essa pergunta, esse motivo para viver.
Por não saber onde encontrar andamos perdidos anos a finco e as vezes passamos a vida inteira.
Se encontrei minha matéria para pensar.
Confesso que ando cansado de buscar.
Os anos tem me ensinado a ver a totalidade.
Acho que não encontrarei esse pensar na particularidade.
Não tenho a ilusão de que irei encontrar.
Aprendi um punhado de coisas,
Sistemas de classificações,
Entendimentos racionais,
Uma certa lógica do pensar.
De maneira que quando acho que cheguei a algum lugar,
Se olho a totalidade percebo que cheguei apenas a mais uma célula da existência.
Foi só uma mudança de esfera.
A dor nos ensina da pior forma,
Sabe quando percebemos que algo passou e ficamos atordoados sem perceber qual foi o lado.
Ainda alimento certas ilusões...
Não sou intenso como foi Cristo, Mozart, Gogh, Nietzsche ou Borges.
Se comparado sou um pequeno caramujo diante de mangas largas de corrida.
Não encontrei a pergunta,
Mas as reflexões se fazem mais rasas.
Se me perco nelas, talvez porque me deem prazer na vida.
Para além da necessidade
O que sobra é tudo vaidade
Imagine você na vida pretender
Escrever poesia,
Poesia metrificada,
Que ilusão...
Patativa teve sua catarse nos versos de um cordel,
Borges na madeira de imburana,
Eliseu nas cordas de uma viola,
Padin Cícero no sermão,
Lampião na coronha do fuzil,
Isso tudo é ilusão,
Tentar se eternizar em qualquer forma de expressão,
O destino é um só,
Carne dura, crânio rocha e caixão,
A terra frouxa quem come,
Essa carne que agora pulsa,
Isso tudo é ilusão,
Lutar em excesso por algo,
Ser o melhor,
Melhor fazer,
Feito os faraós egípticios,
Feito a filosofia socrática,
Feito o império de Alexandre,
A matemática de Euclides,
A genialidade de Eistein
Isso tudo é ilusão,
O joão-de-barro constrói sua casa sem pretensão,
Sabiá canta seu canto sem a mínima ilusão,
Um jumento quando rincha embeleza uma noite,
E o vento de açoite é sinal de bem está,
Quem não se refresca na água do açude na caatinga,
Bobagem e vaidade,
Isso tudo é ilusão,
Tem gente que se dana a poupar,
Comprar propriedade, casa, carro e até avião,
Gente que fala em riqueza
Gente que se aliena falando no que não sabe
Isso tudo é vaidade,
Não merece atenção,
Quem se importa com Mozart, Gogh ou Pessoa,
Tem algo para gostar,
Mas tem gente que gosta mesmo é de coisa simples
Feito caldo de cana,
Uma res gorda,
O apurado da safra...
Porque tudo é ilusão,
Já cantou o sábio Salomão,
Na vida tudo é ilusão,
Alguma coisa ameniza,
No final nada muda a equação,
Isso tudo é ilusão,
Nem mesmo vemos cerrar o caixão,
A melhor coisa é achar o meio termo,
E viver da melhor forma,
Acumular qualquer maneira,
Porra merda,
É tudo ilusão,
Deixe de procrastinação...
Viva a realidade,
Viva sua intuição,
Porque a perfeição é ilusão.
Marmeleiro que mato ligeiro,
Nasce e cresce em qualquer lugar,
De beira de estrada a tabuleiro,
Não precisa nem plantar.
Essa planta é pioneira,
A caatinga é seu lar,
Na seca se encontra nua cor de poeira,
No inverno fica verde ao se enramar,
A rama é boa de cheirar,
também flores e madeira,
A madeira é boa de usar,
Por ser fina e lenheira,
Com esta se pode cozinhar,
Se faz faxina e chiqueiro,
Ao jegue faz andar,
Serve de pau de galinheiro,
Com suas folhas macias
Muita gente se asseia,
Folhas veludas, discolores,
São simples laminada,
Com poucas folhas na ramada,
Tem início sua florada,
Com inflorescência pendulada,
De flores bissexuadas,
As Flores primeiras são pistiladas,
As segundas flores estaminadas,
Se quiser simplificar
Primeiro as flores femininas,
Segundo as flores masculinas,
Em diacronia estas são apresentadas,
Evitando de serem autofecundadas,
E assim nessa jornada por insetos são visitadas,
Besouros, moscas e abelhas voam alimentadas,
Garantindo que as flores sejam fecundadas,
Ah! pequenas flores pequenas e perfumadas,
Flores efêmeras logo em fruto transformadas,
Essas pequenas tricocas formadas
Explodem ao serem desidratadas,
Sendo a semente dispersada,
No chão fica desaparecida,
Fechando um ciclo de vida,
O marmeleiro é um nome popular,
Para a ciência é Croton blanchetianus
Croton palavra grega quer dizer carrapato,
Blanchetianus nome do suiço que coletou tipo,
Lá pras bandas do velho chico,
Nas caatingas da Bahia.
Na categoria familiar se trata de uma euforbiácea,
A mesma da mandioca, do velame, da maniçoba...
Mas ai é outra vertente,
Agora só quero acabar esse poema.
O marmeleiro,
O velame,
O pinhão brabo,
A maniçoba,
A urtiga,
A favela,
A burra leiteira,
São todas euforbiáceas
Seus nomes esquisitos
São todos muito bonitos,
Croton blanchetianus,
Croton heliotropifolius,
Jatropha molissima,
Manihot cartaginensis,
Cnidosculos urens,
Cnidoscolus quercifolius,
Sapium glandulosum,
Palavra de origem grega ou latinizada,
Para quem se importa na ciência,
Para quem quer conhecer,
Sabedoria de academia,
Sabedoria da vida,
Só com sua morfologia,
Se constrói uma poesia,
Arbustivas ou arbóreas,
Estípulas se fazem presente,
Seus ramos são perfumados,
Com tricomas dourados,
Ou glabros com glândulas presente,
Folhas simples, inteira ou lobada,
Concolores ou discolores,
Finas e peludas,
Tem filotaxia alterna,
Com folhas arranjadas em espiral,
Tem forte odor,
Tem leite com e sem cor,
As inflorescências cimosas ou racemosas
Com flores são unissexuais,
Seu fruto é tricoca,
Para a rima tome taboca,
Tem semente dura
De testa marmorada,
Tem carúncula para ser por formiga levada.
Nesse poema tudo se inclui,
Conhecimento é a base de tudo,
Marmeleiro de madeira mole e perfumada,
Quanto queima tem fogo vivo e aromatizado,
Velame de corpo velado,
Que odor mais perfumado,
O pinhão point do sertão,
Não tem verruga que não caia,
Tejo usa seu veneno pra vencer a cascavel,
A maniçoba prima da macaxeira,
Cede sua madeira para fazer colher de pau,
Mas cuidado mata gado se comer as folhas quentes,
Cianetos estão presentes.
Tem a peste da cansanção,
Que queima e arde como o cão,
Tem a faveleira, na bahia chamam de cocão.
Tem a burra leiteira,
Planta arbórea das serras,
De madeira alvinha,
Não sei pra que serve não.
Chega de alucinação,
Botânica não é brincadeira,
É cultura de academia e saber popular,
Respeite os mateiros, poetas e artesões,
E construa um maior conhecimento,
As euforbiáceas de caatinga aqui te apresento.
O peixe no sertão é uma fonte de proteína,
Aos pequenos pescadores uma fonte econômica.
Com sua vida simples de diaplanta batata na vazante.
A noite sai cedo para pescar.
Sua pescaria usa rede de linha ou uma varinha de anzol.
Sua alma se satisfaz com um boro de tabaco
E uma xícara lavrada de café.
Passa segunda-feira... Sexta-feira
E no sábado feira lava a cara e as alpercatas,
Então sai para a cidade de bicicleta barra circular ou num jegue ocre-cinzento ou preto.
Vai só matutando como venderá suas patinhas com peixe tratado, seco e salgado.
Sua mente dialoga com a freguesa.
Caro!? Tá nada. A pesca tá difícil.
É muita gente no ramo minha dona.
Então perto do terreiro dá um grito envergonhado.
Oi o peixe!
E a resposta que recebe é tá de quanto.
Cada um querendo barganhar.
Então sai uma palha, duas e todas as palhas.
Aí como o vício sustenta alguns homens.
Fuma um boró e toma uma cana.
Cana boa que queima na entrada
Depois fica adocicada.
Com o dinheiro curto compra o que precisa para alimentar a alma.
Café, tabaco, sal, querosene, torcinho, arroz açúcar, rapadura e farinha.
Pega de volta o sol a pino.
E a semana começa outra vez.
Gostar das palavras é uma benção.
As vezes numa conversa falta a palavra certa.
Então se usa a expressão "como é que se diz".
Esse lapso momentâneo, quase um branco.
Como é que se diz?
Mulher aquilo!
Pensando nas palavras me veio a mente
O poeta da roça Patativa do Assaré
Que enquanto puxava a enxada,
Sua mente contava e aprumava os versos
E logo após uma carreira de lavoura
Os versos estavam metrificados
Alinhados como uma bom aluno da escola
Com sua lição lida.
Patativa imperava na carreira e nos versos,
Nos versos não tinha para ninguém.
Agora como é que se diz.
Cadê a palavra,
Entretanto a fala tudo comunica.
Quando chove em minha casa,
Vai pra longe o cancão,
A corroira logo chega vestida de franciscana
E passa a fazer parte das madrugadas,
Chega também o mosqueiro.
Quando chove em minha casa canta muito o saci.
Quando chove em minha casa
A primeira água é derramada,
As telhas precisam serem lavadas.
A água parada no lajeado é usada na lavagem da roupa.
Chove, chove, chove.
Porque a chuva, a chuva.
Cheeeeeeereerr. Broooooooooo
Na algaroba do terreiro de casa sempre havia um ninho de tirite.
O vento soprava e a copa dançava enquanto os galhos iam e vinham.
Não era apenas uma eram quatro que a mamãe plantou certa manhã de um dia qualquer.
Elas cresceram dando boa sombra.
Eram sempre podadas, mas incomodava seus foliololos que enchiam as telhas de matéria orgânica.
Essa foi a justificativa para cortá-las.
Cortam as árvores por sua sombra.
Por mim tudo viraria mata cheia de aves e folhas e frutos e flores...
Mas esse sou eu sem autoridade.
Os tirites perderam sua morada,
O terreiro ficou mais quente,
E a paisagem ganhou uma nova forma.
A gente quando se interessa por plantas faz um jeito de cultivar.
No meu caso gosto de colecionar as formas, as cores através da fotografia.
Mamãe mandou que fosse buscar mangas.
Mangas que forram o chão do sítio de vó Sinhá.
Bora lá Mera...
A cangalha já foi botada e os caixões também.
O jegue preguiçoso vai andando devagar.
Vai andando com suas quatro patas.
Vamos seguindo pela beira da estrada.
Já estamos em Zé de Júlio.
E avistamos as barreiras da terra de vovó.
O jegue marrento carrega o menino e a menina.
Vai andando sob a tutela dum cipó.
Para não dar bandeira vamos por tio Jessie.
Os caminhos de seixo rolado, o perfume das unhas de gatos e cipó preto encantam a caminhada.
Logo se ouve o som das águas do riacho do porção.
Logo se sente o aroma acridoce das cajaraneiras de tio Aldo.
A sobra de sua copa a terra fica coberta de esperas doces e amarelas.
Então já no porção passamos em frente a casa de Pedro Lião onde se ouve os gritos de tia Biluca.
Na casa de neta uma penca de meninos parecendo índio passam o tempo no terreiro da cozinha.
Passamos a escola e já perto de Zequinha de ver na entrada a casa de Paté.
Então chegamos a casa de vovó que não tem nenhum agrado para criança.
Vamos para o sítio da cacimba de Joel pegar as mangas.
Chegando lá até o jegue se delicia com uma delas doce e amarela.
Enchemos os caixões de mangas espadas e mangas buchas...
E voltamos pra casa em paz.
É de longe o gosto de mamãe por mangas.
A manhã se passa só nessa atividade.
A gente era rico e não sabia.
Com uma vó com um sítio de mangas.
A sabiá miou na sobra da cirigueleira,
Miu... Miu...
A terra de barro molhado,
Miu... miu...
A era florida de flores lilás,
Miu... Miu...
O capim flocado áspero mole,
Miuuuu.
Miu, miu, miu...
A Pimenta malagueta está rubra enfeitada.
Pec... Pec... Pec... Pec...
A sabiá fez um ninho no pé de ciriguela.
Pec... Pec... Pec...
O girimum com sua rama espalhada bota flores amarelas.
Miu... Miu...
As flores azuis da bomba d'água imitam o manto de nossa senhora de Conceição.
Miu... Miu...
Lá está ela a sabiá de papo laranja no chão.
Miu... Miu...
No galho da cirigueleira.
Pec... Pec...
Olhe ali o ninho filhotes.
Pec... Pec...
Um tirrite estralou seu canto amarelo,
Tire... Tire... Tire...
Seu ninho um saquinho na algaroba.
Tire... Tire... Tire...
A roupa seca na cerca.
Tire... Tire... Tire...
A Pinheira está cheia de pinha.
Tire... Tire... Tire...
Os sanhaçus voam no espaço feito jato.
Iç... Iç... Iç..
O sanhaçu achou a pinha madura.
Iç... iç... Iç...
A pinha verde por fora e alva por dentro.
Iç... Iç... Iç...
O alvo mais doce que existe.
Iç... iç... Iç...
A fruta madura da palma.
Iç... Iç... Iç...
Cantou lá pra cima a patativa.
Tric... Tric... Tric...
De peito amarelo e sobrancelhas alvas tão maneira.
Tric... Tric... Tric...
Pousada não se põe parada parece uma agulha na mão de costureira.
Tric... Tric... Tric...
O umbuzeiro de Elite de Palmira tá que é só imbu no chão.
Pec... Pec... Pec...
Aquela calda verde agridoce da fruta que gostosura.
Pec... Pec... Pec...
O Juazeiro de folhas cartáceas amargas com tá coberto de juá.
Quiro... Quiro... Quiro...
Na ceriguela mia o sabiá.
Pec... Pec... Pec...
Fruta amarelada babona a fruta do juá.
Tziu... Tziu... Tziu...
A frutinha vermelha da maria-reta.
Tziu... Tziu... Tziu.
Levanto e paro de pensar.
A realidade virou saudade.
Tziu... Tziu... Tziu...
A roupa já secou na cerca.
Acorda que o inverno mal começou.
Vincas
Roberto plantou vincas no nosso jardim,
Plantou vincas alvas e depois vincas rosas.
Tenho uma longa memória das vincas,
Será provável que foi o odor que se apegou ao meu cérebro?
Papai cuidava das vincas
Quando ia lá eu cuidava dela,
Pensava um pouco de água por algumas flores.
Na terra arenosa e seca crescia e cresce a vinca,
Quando a gente coloca a água a terra chupa tudo e não deixa nada.
Em 2010 tinha água de sobra do porção,
Agora a gente fica racionando a água
Enquanto as vincas sedentas crescem nas beiras das calçadas,
Crescem aos montes no inverno nos monturos,
Algumas sobrevivem e outras não,
Adoro as vincas,
Adoro sua resistência,
Suas folhas brilhosas,
Seu odor esquisito,
Dizem que seu alcaloide cura até leucemia.
Por enquanto enfeita minha tristeza,
Me faz sentir em paz.
Meu querido e velho amigo.
Agora já não tenho um parceiro para ouvir Nelson Gonçalves.
Mamãe já não pode nos chamar de Manés.
Já não podemos sentarmos juntos nas cadeiras de balanço na calçada da frente.
Restam apenas as paisagens e as músicas de Nelson que posso ouvir sempre que quiser lembrar de ti.
Lembra que te dei um cd e falou que era o melhor presente que tinha ganhado.
Naquele aniversário seu, naquela noite de natal, tomou umas a mais.
A gente riu, pena que não bebi contigo.
Mas ouço sua voz e seu riso.
A partir daquele dia sempre ouvia Nelson contigo no intuito de viver um pouco se seu orgulho
de sua juventude, sua boemia e contavas as mesmas histórias.
Com a idade a gente vai se acomodando e contando as mesmas estórias.
Era a mesma coisa sempre que ia a casa de João de Licor... as mesmas estórias.
A gente conta a mesma estória tentando não apagar o passado.
A gente tem muitas ilusões.
Mesmo sabendo que tudo aqui é passageiro, continuamos sendo os mesmos anos a fio.
E as vezes descobre que as verdades são castelos de areia.
A gente descobre que sistemas de classificações são apenas ideias que nos norteiam.
No final tudo é orgânico e mortal.
Nem me incomoda se disseres que tenho péssimo gosto.
A gente gosta de coisas simples, aquelas que a gente entende.
Aquela que a gente busca gostar ou entender talvez a gente ame.
Ou não.
Lá em Serrinha está chovendo.
Lá em Serrinha está frio.
Não tem xerém que aqueça nossos corações,
O que aquece meu coração e é a saudade,
Não teve que não me perguntei por que partiu?
As lágrimas inundam meus olhos,
Um aperto espreme meu coração.
Aqui estou papai ouvindo seu cantor favorito que agora é meu favorito.
Sei que o sentido de seu gostar era adverso do meu gostar,
Mas meu gostar é meu amor por ti.
Nem um xerém aquecendo o estômago,
Nem sua voz amiga e pacata,
Nenhuma semente de milho ou feijão na terra.
Ali fora geme Vinícius... Um dia certamente saberá tudo sobre ti.
Em meio a essa profunda saudade,
Estou feliz pela chuva que cai,
As sementes germinarão,
As matas crescerão,
E me emocionarei sempre com Nelson Gonçalves.
Mozart compôs como ninguém,
Gogh pintou como ninguém,
Borges escreveu como ninguém,
Algumas coisas vem a minha mente sobre os melhores.
Papai foi um pai como nenhum outro.
Agora que partiu, sinto muito a sua falta.
De Mozart tenho a música,
De Gogh tenho a pintura,
De Borges a escrita,
De papai tenho o respeito, o carinho e o amor e a saudade.
Que saudade de papai ouvindo Mozart.
As vincas continuam vivas no nosso terreiro.
Quantos cachorros e gatos se foram nessa nossa vida.
Tudo que ganhei e tudo que perdi,
Quem fui e quem sou,
É a soma de minha vontade,
É a soma de minhas representações.
A maior parte das coisas não compreendo,
Só sei que meu amor paterno é eterno
E dói demais sua ausência.
Dentre as formas de representar, talvez a escrita seja a mais complexa.
Todavia há aqueles que usam a fala para se expressar.
Sabem com destreza como organizar as palavras com sentido e beleza.
São os poetas populares que sabem como usar a palavra para se expressar,
A palavra que é a substância da fala,
E falam sobre tudo que há, desde a natureza humana a natureza da terra.
Então me ponho a matutar sobre o sentido de representar de organizar o nosso entorno em palavras?
Não sei se há um sentido, mas se encontra um sentido ao representar.
A inteligência humana não tem como parar.
E assim uns se expressam outros entendem e outros não estão nem ai.
A totalidade é isso o todo a falta e a presença,
Silêncio e palavra...
Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...