04/10/18

Seu Leopoldo

Quantas memórias temos imbricadas em nossos lobos cerebrais?
Estas memórias afloram e se desvelam conforme hajam estímulos.
Nesta primeira semana de setembro de 2018, recebi várias notícias e todas tristes, mas uma delas que foi o falecimento de seu Leopoldo me fez recordar a infância pré-adolescente.
Leopoldo era um homem magro, alto e com voz alta. Ele foi casado com Tomásia uma tia de papai, depois de viúvo se casou com Natinha. Para mim, a maior referência dele era ser pai Tica de Zezinho a nossa vizinha.
Naquela época, não havia asfalte e nem carros que transportavam os alunos dos sítios para a Ruinha onde estavam os colégios. Então, cotidianamente, tínhamos que ir a pé, caminhando ou de bicicleta para a escola. Lá em casa tinha uma monareta que era uma bicicleta para criança e ao mudar de escola passei a ir para a escola na Serrinha Grande. Assim, como na escola não havia bicicletário, era necessário um lugar para guardar a bicicleta, de maneira que a casa de seu Leopoldo sempre foi nosso estacionamento. Quase sempre, quando chegava, ele ainda estava em casa. Como de costume, quando ele me via sempre dizia algo que adorava ouvir: - "O rapaz de Chico Raimundo".
Assim a gente deixava a bicicleta lá e ninguém mexia. E essa foi sempre a relação que tive com ele, porém sempre fui atento ao jeito das pessoas e algo que sempre me chamou a atenção em seu Leopoldo energia e alegria que conduzia sua vida simples. Embora tivesse a mesma rotina corriqueiramente que era cuidar dos bichos, arriar o boi na carroça ou colocar a cangalha no burro e partir para o Ribeiro e trabalhar até a tarde. Então desde o momento que saia na rua, brincava com todo mundo. Era muito fácil perceber quando vinha ou ia passando na rua, pois de longe se ouvia seus gritos tangendo a burra ou o boi ou brincando com as pessoas, numa alegria só. Quem já andava na Ruinha nas décadas de 80 e 90 sabe disso, tenho nítidas as lembranças.
Que bom e importante é rememorar, refletir e tentar digerir essas lembranças.
Seu Leopoldo foi um exemplo de um homem, pois  viver 99 anos nos dias de hoje só graça divina. Gosto de imaginar, por exemplo quantas gerações ele conheceu desde a infância até seus últimos dias. Desde 1919 esse homem respirou, viveu e presenciou situações naturais e humanas como grande secas e invernadas, a partida da geração seus pais, irmãos e filhos. Neste ano último, talvez as coisas não tivessem muito sentido.
Deveras um bom homem para viver tantos anos e ainda partir com a graça da velhice.
Essa reflexão, até entristece quando penso que poucas pessoas terão essa graça, pois nos dias atuais a violência tem se tornado aguda e tem ceifado muitas pessoas jovens em Serrinha e não atingirão a jamais essa velhice plena.
Mas como podemos ouvir em Chico Buarque que amanhã será um novo dia.
Descanse em PAZ seu Leopoldo.

03/10/18

Fugaz

A manhã,
A tarde,
A noite,
Os dias,
As semanas,
Os meses,
E os anos
São todos tão fugaz
Que esperamos um próximo momento da
manhã, da tarde, da noite, do dia, da semana, do mês ou do ano
Para realizarmos algo.
E acabamos caindo na profundidade da eternidade sem fazer as coisas mais simples
Como respirar, amar, ser.

02/10/18

Boa vida

O verão com seus longos e quentes dias,
O canto das cigarras,
A aridez,
As plantas secas,
O cuidado com os bichos,
Com as plantas...
A descoberta da beleza da vida,
Nos fazem refletir sobre a existência.
E tudo se torna tão simples e gostoso.

26/09/18

Serrinha do Canto anos 1980-2000

Ontem, à noite, me veio à memória a época da infância, onde os sonhos eram apenas sonhos e a realidade era coisa de adulto, vivia de imaginação.
A imagem que vi não tinha rostos, eram apenas formas e luz do meu lugar.
Poucas memórias da infância se cristalizam na memória.
Fiquei saudoso.
Aquele cenário ainda existe, todavia os personagens que o compunham ou se mudaram ou já partiram da realidade.
Na nossa única avenida ou rua era tão cheia de vida, a pesar das dificuldades.
As famílias deste cenário são Pedro Baliza, Benício e filhos, Maria do Carmo, Artur Barreto, João de Licor, Chico Neco, Chico Raimundo, Airton Morais, Zezin de Luiz, Bonina de Lindalva, Amaro Lopes, Dudé Baliza,  Chico Franco, Mundinho de Dona Francisca, Dequin de Iula, Toto de Zuleide, Munda, Josimar de Lenita, dona Mariana, Diniz, Menino de Vicente Joana, Chico de Vicente Joana, Loló, Cacau Morais, Nelson Vieira, Antonio Doquinha, Leoni, Doninha, Juvenal de Mariana, Neo Lopes, Evandro de Livani, Bonifácio, Levi de Laurita, Antônio de Chiquim, José de Júlio, Tio Jussié, Rita das Urupembas, Zé Paulo, Dinarte, Mané de Branca, Dadá, Chico de Vicentin, Maria de Maroca.
Todas as minhas memórias da infância estão imbricadas neste espaço e tempo.
É preciso rememorar para entender quem sou.
Às vezes, como ontem, vendo com olhos generosos fico feliz em rememorar.

25/09/18

Novamente

Acordar disposto é bom, mas melhor é despertar ao som de pássaros.
Ainda está escuro e ainda assim os pássaros já cantam.
Tangara cayana, Tangara palmarum, Coereba flaveola e Pintangus sulphuratus...
As árvores já estão com uma nova folhagem e florescendo em toda plenitude.
Cajueiros, castanheiras, gameleiras e pau d'arco...
Acordar bem e de bem.
E ver o sol nascer e crescer no céu até o pino e até se pôr.
E ver o dia passar e assim como a semana e assim como o mês e assim como o ano.
E ver os anos passarem,
E perceber a história da vida.
E acordar bem de novo e de novo e novamente.

19/09/18

Saudades

E esse tempo que passa.
Ontem mesmo estava na luta para passar no vestibular. risos...
Tenho saudades desta época.
Quando tinha amigos ao meu lado cotidianamente.
Padrinho Julimar, Franklin, Lívia, Lúcia, Regina, Rosivaldo, Rui, Sônia,  Socorro, Bibi, Lilinha...
Faziam parte do meu cotidiano.
Eramos uma família.
O ano era 1999 quando, momento que me encontrado concursado na prefeitura de Serrinha dos Pintos.
Sob as ordens de minha chefe Socorro desenvolvia minhas agradáveis poliatividades.
Depois que aprendi a dinâmica, passei a adorar meu trabalho.
Reuniões com os agentes de saúdes... as estatísticas.
As campanhas de vacinação, visita as casas com pessoas enfermas.
A parte isso, havia a pressão para passar no vestibular.
E como sempre fui muito disperso, embora me esforçasse muito, o rendimento era baixíssimo.
Mamãe, pobre mamãe! Achava que iria enlouquecer!
Coitadinha! Quando dava 21 horas, já ficava começava a surgir a frase do vá dormir.
Realmente, se preocupava com minha sanidade mental.
Aos domingos, me proibia de pegar nos livros. Então eu  dizia que ia passear na casa de padrinho Julimar, mas na verdade, estava indo estudar na secretaria. Obrigado Bibi pelos almoços que me dava.
Depois realmente, ia para a casa de Padrinho, mas lá não ficava. Na verdade ia mesmo era para a casa da mãe dele dona Nenem. Que saudades de dona Nenem, que pessoa mais querida, silenciosa, pensativa, fiel... amante da limpeza e das samambaias. Lica!!! a filha de dona Nenem outro amor de pessoa.
Bom, nesse tempo ganhei um lugar cativo, um quarto da casa de dona Nenem onde podia estudar sossegadamente.
Com direito a lanches, um delicioso copo de leite.
Estudava, almoçava e quando caia a tarde, sentávamos na área da frente e contemplávamos o silêncio, a calma, a profundidade do entardecer.
As vezes tinha a sorte de ter o grande poeta Padeiro a prosear.
E a noite caia...
Tudo mudou quando passei no vestibular.
Porque a vida está em constante movimento e tudo muda.
Sinto saudades e amor, pelos momentos e pelas pessoas.
Meu tempo é curto quando vou a Serrinha... Hoje lá em casa, todo tempo é dedicado a meus pais.
Hoje... muitos deles dormem na eternidade. Dona Nenem, Lúcia e Padeiro.
Saudades...

18/09/18

Altruísmo

Algumas pessoas conseguem ver além do presente. Será que são geniais ou são excessivamente dedicadas ao que fazem ou simplesmente, pensam sempre em fazer o bem? Não tenho uma resposta, mas posso falar sobre alguém com algumas qualidades. Uma das pessoas mais dedicadas que conheço, deveras, não é o centro das atenções. Fisicamente, não tem 1,70 m de altura, não apresenta completa simetria corporal e é de origem muito humilde, mas não conheço melhor pessoa no mundo. Está sempre disposto a ajudar, não tem desculpas ou faz ou tenta resolver e trabalho no que for preciso independente do dia da semana. Às vezes acho que tem músculos e nervos de aço. Está sempre feliz ou sempre ver o lado bom das coisas. Trabalha de segunda a domingo e fica triste quando não tem o que fazer. A necessidade o obriga a trabalhar e o ensinou a não reclamar. Encara a vida com coragem e não volta atrás porque tem que seguir sempre em frente.
Seu nome é Francinildo, conhecido e querido como Nildo. Este homem é deveras com suas qualidades e falhas uma pessoa que consegue ver além do presente, dedicado em aprender e fazer melhor e a meu ver sempre busca fazer o bem.

15/09/18

Fotografia

Talvez, jamais encontraria a beleza do mundo se não fosse pela fotografia.
As formas, as cores e texturas de uma composição;
O tênue e o escabro;
As cenas estáticas ou dinâmicas;
Os melhores e piores momentos;
Os risos e a lágrimas;
As partidas e chegadas;
Os nascimentos e as mortes;
O eterno e o fugaz;
O nascer e o por do sol;
A pluraridade e a singularidade;
O privado e o público;
O encanto e o desencanto;
O velho e o novo;
O feliz e o triste;
O inverno e o verão;
A gema, o botão, a flor, o fruto e a semente;
O passado e o presente no futuro
Tudo isso em recorte num quadro revelado, emoldurado e eternizado.
Isso tudo captado pelo olhar num atino de momento através de uma lente, num só click
E está feita a fotografia que será
Uma notícia,
Uma obra de arte,
Uma representação,
Uma inspiração,
Uma expressão,
Uma informação,
Um registro e certamente
Uma memória
Um espelho com Memória.
Talvez tenha agora não um conceito de fotografia, mas certamente uma definição de como posso ver a vida através do álbum de fotografia que quero ter no final  de minha vida.

14/09/18

Devir

Sexta-feira,
A manhã está nublada.
Faz um agradável silêncio.
Pode-se ouvir os sinais sonoros das aves, sabiás!
E do silencioso som das hélices do ventilador a girar.
Vez por outra, chama o bem-ti-vi.
O verde oliva da mata,
O cinza do solo seco,
São meio desoladores.
Os segundos e minutos passam.
Esse devir que preenche a manhã.
A incerteza dos próximos instantes.
A incerteza da vida
E a certeza da morte.
Algo que nos incomoda.

13/09/18

Luxo e lixo

É verão e esta estação em João Pessoa é repleta de luz, calor e ausência chuva.
Podemos observar a perda das folhas e a ausência de herbáceas na vegetação deixando a amostra resíduos sólidos, ou seja, o lixo.
Os remanescentes de vegetação da cidade bem maior da população é marginalizado, desprezado, escanteado e para alguns ignorantes serve de depósito de lixo. Nestes ambientes descartam objetos velhos, materiais de construção e até mesmo corpos ou melhor cadáveres de animais.
Sem, nenhuma punição, sem a menor falta de pudor, praticam estes atos cotidianamente.
Um dos piores ou mais evidentes exemplos vem ocorrendo, corriqueiramente, no início das Três Ruas onde há um lindo remanescente. O lixo é colocado uma área que praticamente se tornou depósito temporário destes rejeitos, lixos, corpos em putrefação.
A prefeitura já colocou uma placa alertando que é proibido colocar lixo e mesmo assim os atos continuam.
Agora, o que acham os moradores que cotidianamente usam o espaço para se deslocar e também para caminhadas matinais?
Nenhuma pesquisa foi realizada, porém como residente deste bairro me sinto muito incomodado e creio que esta opinião é compartilhada por muitos dos demais.
De que adianta ter tanta luz, ser calorosa e  excelente para curtir a praia e o mar... Cidade maravilhosa de João Pessoa... Se não cuida do que mais te embeleza!

12/09/18

Sucupira

O Campus I da UFPB foi construído numa área de mata. Este é constituído de 50 hectares e nem todas as áreas foram construídas, existem ainda nove remanescentes de mata.  Desta forma todos os centros estão ligados a uma área remanescente. Apesar da influência antrópica nestas áreas, existem espécies muito importantes para a conservação da mesma. Seriam espécies chaves como sucupira, pau-sangue, sapucaia, pau-pombo, pau-de-gaiola, munguba, murici, barbatimão, ameixa dentre muitos outros. Praticamente durante o ano inteiro existe sempre alguma espécie florida.
Na semana da pátria e ainda nesta, encontra-se florida a espécie popularmente conhecida como sucupira, as pessoas aqui costumam chamar de ipê-roxo. Esta espécie tem como nome científico Bowdichia virgilioides Kunth e pertence a família Leguminosae que é a mesma do feijão. Embora tenha um potencial paisagístico fantástico, e seja resistente a diversos tipos de praga, e tenha um potencial medicinal incrível, de forma alguma foi usada na urbanização da cidade.
Temos o privilégio de podermos contemplá-la florida em nosso agradável Campus.
Os remanescentes são portanto importantíssimos para o bem está da cidade, da comunidade, são verdadeiros registros, conservado de como foi a cidade de João Pessoa no passado.
Oremos para que estes não sejam estrangulados pelos grandes edifícios que já começa a crescer no nosso entorno.

11/09/18

Consciência ecológica

Após um maravilhoso inverno chegou o verão, mesmo sendo setembro a vegetação na serra do Martins ainda tem suas folhas. São as árvores de catingueira, aroeira, cajueiro, pau-d'óleo, juremeira, juazeiro, cipaúba que estão cobertas de folhas verde petróleo. Fiquei deveras surpreso, pois fazia muito tempo que não via estas paisagens. Há cinco anos vou a serrinha e o cenário era apenas de secura. Açudes cheios, fartura de recurso hídrico até já se está pescando peixes mesmo que pequenos. A pergunta que me vem a mente é: - Será que aprendemos com as secas seguidas a poupar a água?
Ao visitar os lugares que costumo ir com frequência, facilmente percebo que não evoluímos nada em consciência. O desrespeito com o ambiente é nítido. Podemos ver na maneira como são solucionados os problemas de maneira paliativa.
Lixo!
O lixo produzido pelas pequenas cidades são encontrados nas margens das estradas, em áreas de nascentes, nas axilas das serras, onde se iniciam os primeiros cursos de água que desaguam nos açudes. É preocupante ver tantas garrafas pets, sacolas plásticas, latas, entulhos e animais mortos. Falta a dignidade de destinar a essa matéria sem serventia o devido lugar. Que custa cavar um buraco e enterrar o animal?
Pelas estradas, podemos ver as marcas de lâminas de tratores fazendo o trabalho que deveria ser realizado por homens. Essas lâminas além de retirar o solo, ainda deixa a superfície expostas para quando chegar a chuva o processo erosivo ser mais intenso.
E como se não bastasse podemos observar desmatamento em áreas de encostas, construção de obras em lugares indevido. Deveras sem propósito lógico.
Ficou banal fazer o que se quer com o que é de propriedade privada.
Mas gostaria de chamar a atenção para o fato de que o patrimônio natural é o bem comum de um povo.
Apesar de viver pouco com relação a idade do município já sei que as terras, os patrimônios mudam de donos e a maneira de se explorar a natureza precisa ser alterada.
A cultura de caju que já foi a principal fonte de renda destes municípios, atualmente é irrisória; temos ainda culturas de seriguela, pinha e algodão perderam o valor.
O que aconteceu? falta de chuva? Não nus culpamos por isso. São as secas... E quanto aos solos? O que restam dos solos?
É fácil de entender porque a água acaba rápido, pois a população aumentou, uso cada vez mais acessível com a água na torneira, os motores e carros pipas suprindo essa necessidade, mas a custos cada vez mais altos.
Estamos acostumados a consumir e sem responsabilidades. Nesse intenso processo de consumo não aprendemos a lidar com o lixo que produzimos.
Não chegamos a aprender como lidar com os problemas humanos.
A qualidade de vida das pessoas está cada vez maior, no entanto a da natureza está cada vez pior.
Se não fosse o aporte de recursos externos, estes municípios estariam na miséria.
Sei que não é possível um natural intocável, no entanto o consumo consciente pode estender a vida do nosso ambiente natural para que nossos filhos e netos tenham um espaço para viver.
Olho para o verde das matas, olho para o lixo nas estradas, olho para as terras com seus solos exauridos, retalhados, loteados e vejo o passado apagado.
Tudo está em constante transformação, mudou, muda e mudará, mas são pequenas atitudes que podem conservar ou alongar o que ainda resta de bom.
Resta apenas refletir e se conscientizar. 

06/09/18

Pátria

Amanhã será sete de setembro. Hoje esta data perdeu o significado para mim, mas nas três primeiras séries escolares, - "nossa", era incrível. Uma semana antes havia toda uma enunciação. A professora explicava todo o sentido e importância da independência do Brasil. Ela usava o livro de estudos sociais para contar a história, mostrava as fotos das cenas e externava na fala tanto respeito e amor, além disso comentava patriotismo dos adultos. Nós podíamos ver os adultos tirarem os chapéus em respeito o estandarte hasteado. Durante a semana da pátria como era chamada a primeira semana de setembro havia uma cerimônia importante que era o hasteamento da bandeira e em seguida o canto dos hinos da bandeira e  do Brasil. A semana da pátria se encerrava no sete de setembro. Neste dia, pela manhã, íamos para a escola Isolada Serrinha do Canto, hasteávamos a bandeira, cantávamos o hino e íamos todos juntos à ruinha assistir ao desfile.
Que momento grande! Poder ir a Serrinha grande sem papai e mamãe!
O desfile era sempre lindo!
Eram tantos os pelotões eram tantas as fantasias e como mexia com minha imaginação.
Ao final da manhã, após os pelotões circularem pelas ruas apertadas e pequenas de Serrinha, Chiquinho de Raimundo Moura coordenava a cerimônia de hasteamento da bandeira e canto do hino da Bandeira e do Brasil e por fim declarava encerrada a cerimônia. Então voltávamos para casa tão felizes.
Para onde foi a alegria, o patriotismo e o significado de tudo isso?

05/09/18

Internet

A internet mudou o cosmos humano.
Nossa maneira de ver e pensar já não é mesma.
Através da internet, podemos acessar qualquer informação em tempo real.
Essa conquista só foi possível por meio da popularização de aparelhos celulares.
O baixo custo permitiu que o máximo de pessoas consumissem esse produto.
Já não há barreiras físicas entre as pessoas e até mesmo os mais resistentes a tecnologia aderiram a internet através de alguma rede social.
São diversos os pontos positivos e negativos e assim devemos apelar para o bom senso das pessoas.
A 20 anos atrás jamais imaginei escrever um texto como este, porém no presente essa realidade se tornou possível e tenho o meu próprio canal. Que revolução!
O que acha disto?

04/09/18

O valor

Os dias que passaram não nos têm mais serventia.
Dias alegres, tristes, felizes, infelizes, ensolarados ou nublados.
Um certo compasso dia a dia vai compondo nossa vida.
Ontem lembrança, hoje realidade e amanhã esperança.
E assim a vida passou, passa e passará.
O que temos, além dos dias vividos,
Memórias, marcas, bens acumulados, direitos.
Caso algo tenha ou não tenha valor.
O que é mais importante?
Poucas coisas valem a pena na vida já ouvi de vários anciões.
Este vetor que tem direção certa, a velhice, costuma acertar.

29/08/18

Metafísica para que?

Pensar o ontem, agora.
O amanhã é incerto.
O ontem é a substância do nosso tempo
Que por vezes se oculta e imbrica-se na pressa do agora.
Caso não coloquemos pontos de partida e não definamos os vetores, não encontraremos a trajetória da vida.
Talvez, não tenhamos certeza se queremos ou não saber a trajetória dos fatos.
Temos a livre decisão, uma oportunidade de escolha.
A decisão sempre gera dúvidas e levam a angústia.
Assim, continuamos metafisicamente perdidos.

28/08/18

Ordem

Ordem
Sentar, pensar e ordenar
Os pensamentos,
As ideias,
As metas,
Traçar os vetores de execução,
Planejar e executar.
Agendar e realizar.
Um passo de cada vez,
E por fim colher os frutos.

24/08/18

Entendimento

Entender
Entender o mundo, as coisas, os fenômenos, os processos, os sistemas e talvez a metafísica.
 Entender o mundo é tudo que buscamos.
Seja em nível de macro ou microcosmos.
Cada um tem o seu cosmo que poderíamos chamar de subjetividade.
Em qual do cosmos estamos posicionados?
Com qual dos cosmos nos relacionamos mais? Existe um porquê?
Essas interações são absurdamente complexas e tentar entender é deixar-se levar pelo infinito.
Encontra seu ótimo, busca compreender o mundo na certeza da impossibilidade, porém ao tentar mais compreendemos mais, prevemos mais e porque não compreendemos mais...

22/08/18

Frutos da idade

Este novo mundo que conheci a quase cinco anos ainda me impressiona.
Serão as estações do ano, os dias ensolarados ou chuvosos, as noites estreladas ou enluaradas?
Percepções... frutos do amadurecimento?
Creio ser a soma de tudo.
Coisas que para alguns são imperceptíveis me encantam.
Entram neste rol o jambo crescendo,
As castanholas trocando as folhas, com seu processo de senescência, mudança da cor do verde para o vinho das flores, depois caem e cobrem as ruas.
O canto da patativa e roxinó na madrugada.
A brisa fresca da madrugada,
O calor intenso do meio dia,
A indisposição eventual.
A substância do pensar se efetivando na velhice.
Se tornando um ser mais paciente,
Quem sabe não será a sabedoria?
Algo me impressiona muito ultimamente.

21/08/18

Ação

O tempo,
O espaço de tempo,
Curto ou longo espaço de tempo,
As coisas,
As coisas a serem feitas no prazo e a tempo.
Tudo é tempo e espaço.
Espaço, início, meio e fim,
Tempo breve ou longo,
Repetição
A conclusão...
Como encontrar a perfeição?
Só o tempo ensina,
Só a ação determina,
Só o trabalho dará uma definição.
O resto é retórica.

14/08/18

Verão

O verão chegou e trouxe consigo durante o dia céu azul  e noites estreladas.
Com a falta de chuva murcham as ervas,
As árvores perdem as folhas que preenchem as ruas,
Depois florescem pomposamente.
As aves ficam frenéticas e não param de cantar,
Nesta sinfonia até os saguís acompanham sob a regência do verão.
Que encantador que é o fim e o início das estações,
O inverno que partiu deixou a marca das chuvas nas paredes infiltradas e o subsolo cheio de água.
E o verão chega com ar de inovação e ficará até a próxima estação.
Com suas peculiaridades agradáveis e desagradáveis.
Como o canto das aves e o calor respectivamente.

11/08/18

Imbricar

Pensar as fases vida é um exercício vigoroso para estimular a consciência.
E quando se aborda consciência praticamente não existe limites para tal ação.
Todavia gostaria delinear esta ideia  através da relação familiar.
Em linhagem genética numa família o máximo que chegamos a conhecer são os avós, digo com relação cognoscente.
E o que conseguimos abstrair desta relação é algo ínfimo.
Poucas são as relações duradouras entre avós e netos.
Essas relações tem um período que são como o anverso da moeda, enquanto um está na infância o outro na velhice. Em ambos os casos há um descolamento da realidade que é ou deve ser equilibrado pela fase intermediária, a idade adulta, no caso a dos pais.
Através deste vértice, podemos perceber que a vida pode ser vista e vivida em todas suas fazes.
A grande questão é como vemos e vivemos as fases da vida?
Algumas pessoas nunca conseguem ver e viver as fases da vida e ter um entendimento desta.
Talvez abortados pela morte ou envolvidos em suas paixões.

09/08/18

Dúvidas

Há cosmos no mundo?
O que informam nossas impressões?
Atino apenas que cada dia é peculiar, impar, único e pleno de realidade.
A maneira a qual nos comportamos, julgamos ou optamos por um caminho, uma verdade é decisão meramente subjetiva.
As causas são imprevisíveis ou improváveis.
Ah. Como nos nortearmos na vida?
Como encontrarmos o cosmo presente no mundo?
Como gerenciarmos essas impressões que nos preenchem?
Como podemos perceber existem mais dúvidas que certezas.
O resultados de nossas decisões só poderão serem conhecidos diante do vivido.
Parece que o que importa é encarar a realidade...

Uma data

Sair de casa,
Ir embora,
Deixar o conforto e a proteção paterna,
Partir para longe,
Sem saber o que se pode encontrar,
Se aventurar,
Expandir as fronteiras e tornar sua casa uma outra fronteira.
Um novo nascer do sol e um novo entardecer...
Foram tantos até hoje que atinjo a maior idade.
Faz 18 anos que sai de casa
E deixei olhos afogados de lágrimas.
Que vontade de voltar,
Mas já não mais essa essência,
O tempo passou e me aprovou...
Saudades eternas,
Sem expressão...
Quando parti deixei pra trás infância e adolescência,
Quando parti a solidão me abraçou,
E a responsabilidade se tornou necessidade,
Forjou ser quem eu sou ou tento ser cada dia.
Maior idade,
Melhor idade,
São 18 anos
desde o dia 08 de agosto de 2000.

27/07/18

Notícia

    O grupo de watssap da família Queiroz anunciou mais um assassinato em Serrinha.
    Como se tornou comum seria apenas mais um se não conhecesse a vítima. 
   Minha atenção foi tomada, pois se tratava de uma pessoa de meu convívio. Embora nunca tenha trocado uma palavra, o conhecia de vista assim como sua família dele, ou seja, faz parte de minha história e isso é importante.
   Na época que o conheci por circunstâncias de proximidade de espaço, pois morava na rua da Câmara municipal que ainda era de barro, por se tratar de uma rua nova feita pelo seu Elaide.
    Naquele tempo, estudava a sétima série numa sala da escola José Francisco da Silva que até mudou de nome. Lembro de ficar observando pela janela, pois achava as aulas muito monótonas, apesar de todo o esforço. A única distração que restava era olhar pela janela os movimentos da casa.
    Sei que era natural das Lages, seu filho nasceu após a copa de 1994 por isso se chamou de Romário. Era uma pessoa alta, magra, galego e só andava a mais de 80 km.
Deve fazer mais de 15 anos que não tinha notícias. Infelizmente, receber essa notícia é triste.
      As memórias continuam adormecidas, este fato mostra que só precisamos de mecanismo de resgate da memória. 
    Como complemento, a perca por meio de um assassinato, nos amedronta, seja lá quem o matou tem motivos que nunca serão revelados. Na maior parte das vezes, são motivos irracionais, dívidas? acerto de contas? Sabe lá.
A vida perdeu muito o valor ultimamente.





23/07/18

Acorda

O tempo tudo consome!
Matéria, memórias e vida.
A manhã, a tarde e a noite se passam com o dia.
O inverno e a seca se passam com o ano.
A infância, a adolescência, a idade madura e a velhice se passam com a vida.
Não somos ignorantes, pois os espelhos, os filhos crescidos, os amados morridos nos revelam que a vida é passageira.
Nunca é tarde para despertar e entender que poucas coisas na vida valem a pena.

20/07/18

Reminiscência da infância

Saudades!
As memórias que temos da vida são incalculáveis, tanto as boas quanto as ruins. O acesso as memórias são desencadeados pelos encontros com as coisas, situações, palavras, odores, imagens e etc. Certos encontros nos fazem acessar as boas memórias que nos tornam saudosos, já outros encontros ativam memórias ruins que nos entristece.
Todavia, fui tomado por um bom encontro que não sei como aconteceu. Estava deitado, lendo e num atino como uma epifania, lembrei-me de duas pessoas amigas que conviveram comigo durante a infância.
Tratam-se de João de Licó e Elita Palmira. Pessoas simples, com rotinas normais sem nada de brilhante ou espetacular.
Não tiveram filhos e viveram até a velhice.
Não eram solitários, pois adotaram Elvinho sobrinho de Elita.
Ainda recordo seus hábitos.
Amavam a limpeza, por isso consumiam tanta água.
Adoravam criar animais, tinham sempre muitas galinhas e muitos patos, poucas vacas dois jumentos para o serviço de abastecimento da casa.
Tinham no pomar uma laranjeira, erva cidreira e uma horta de coentro e alface.
O sítio era pequeno com coqueiros, umbuzeiros, mangueiras, goiabeiras, araçazeiros, pinheiras, serigueleiras e cajueiros. Plantavam sazonalmente, milho, fava e macaxeira.
Elita gostava de fazer doces e foi lá que pela primeira vez comi pamonha doce. Gostava de servir doces de mamão às visitas.
Ela sempre fora de Serrinha do Canto
Para mim, o que tem de mais interessante neles é mantiveram sempre uma relação de extrema cordialidade entre nós, eu e minha família.
Eram excelentes vizinhos.
Nas nossas relações envolviam sempre muitas conversas. Eu era um mero coadjuvante, um ouvinte, um bom ouvinte. As conversas se davam entre papai e Joãozinho como era conhecido.
Eles conversavam sobre tudo, trivialidades principalmente. Haviam aquelas histórias mais interessantes que com o tempo e a repetição perderam o encanto. Dentre as histórias por exemplo se conversava sobre superação contando os grandes anos de seca ou de grande inverno, falava-se ainda sobre anos de fartura. Tinham as histórias de coragem e braveza. As histórias cômicas, embora as favoritas de meu pai não se contava muito, talvez em respeita aos cabelos branco de Joãozinho.
Depois que fui embora não tive mais estes momentos maior frequência, foram reduzidos às vezes que ia visitar meus pais. Durante a faculdade, costumava ir em casa todo mês e sempre recebíamos a visita de João e Elita, quando não íamos papai e eu a casa deles.
Ele me via como um lutador, me admirava pelo meu esforço e dedicação.
Antes da faculdade, sempre podiam me encontrar num corredor lendo e quando Joãozinho chagava lá em casa e que estava lendo, parava para ouvir ele conversar com papai. Nunca me cansou suas histórias.
Talvez, inconscientemente já soubesse que aqueles momentos eram ímpares.
Na verdade eles me conheciam desde menino, lembrar deles é lembrar muito de quem sou e qual é a minha origem.
Muitos dos valores que levo, aprendi enquanto convivia com eles.
Foram testemunhos de minha luta e recordar isso me faz bem.
Então fui dormir feliz depois desta memória.


18/07/18

Movimento matinal

Manhã de chuva fresca,
A luz pouco difusa,
Som dos pingos pingando nas folhas,
O solo encharcado,
A luz do poste acesa,
O escuro da sala,
Percepção, percepções,
Frouxas reflexões,
Em sua totalidade tudo é paz,
Tudo é calma nesta hora que passa mansa e devagar,
Numa manhã de quarta.

15/07/18

A Pioneira

No conto o Zahir  Borges escreve o apotegma "tempo atenua a memória".
Deveras intenso, interessante e real.
Então, memória e tempo constituem uma relação breve caso não haja pontes.
Desde 2013, faço parte do corpo docente do DSE da UFPB onde se localizava a lanchonete Pioneira que servia a estudantes, professores e transeuntes. Este estabelecimento que a mais de 30 anos fora administrado pelo mesmo dono Seu Antônio e sua Esposa Dulce está cerrando as portas. Cotidianamente, antes das sete horas já estava aberto, fizesse chuva ou sol, ao entrar no corredor já podia ouvir a tv ligada anunciando as notícias do Brasil. Com alegria se ouvia um "Bom dia".
Todavia, esta segunda semana de julho, ao passar só pude ver meia porta aberta, sem Dulce e sem mercadoria, a tv estava ligada, mas atrás do balcão estava seu Antônio em silêncio. Não ouvi um bom dia, só vi um senhor de idade, triste que dedicou metade da sua vida, sem saber o que será de sua vida de agora em diante.
Então, nostalgicamente penso que assim como eu, vários calouros e professores novos foram recebidos com tanto carinho, bem atendidos, transeuntes foram informados de seus itinerários. Tanto serviço prestado.
E agora, está sendo descartado por não se adequar as novas condições do sistema.
Aposto que cada dos inúmeros biólogos formados pela UFPB até então tem uma história da Pioneira.
A mim só resta gratidão e carinho.
Sei que o tempo atenuará a memória como dizia Borges, mas sempre lembrarei da Pioneira, nas pessoas de Seu Antônio, Dulce e Vaninha.

14/07/18

Plenos

Quantos dias mais viveremos?
Num determinado momento algo nos faz pensar sobre quanto tempo de vida teremos?
Esta pergunta nos é passível a alguns mais a outros menos, mas se trata de mera intensidade ou satisfação.
Agora, nesta tarde fresca de luz frouxa de sábado fui abordado por tal questão.
Por intensidade metafísica ou por fraqueza psicológica.
Na verdade o que me fez pensar foi ouvir um adágio de Bach dotado de intensa beleza.
As coisas belas tem a capacidade de nos apaixonar e tomados de tal sentimento, nos preocupamos com a finitude.
Possou ouvir várias vezes, mas cada vez será única e de novo ad infinito.
No meu caso não sei quanto mais viverei e não me interessa.
O que importa é a intensidade em que estou vivendo no momento.
Poucas coisas, muito poucas mesmo valem a pena.
Então, que aprendamos a reconhecer essas coisas e seremos, senão felizes, plenos.

13/07/18

Incógnita contemporânea

Como é maravilhoso este mundo.
Mundo este que denominamos nosso, embora desconheçamos sua totalidade e talvez este seja um dos motivos pelo qual o desprezamos ou seja por pura ignorância.
Caso paremos ou desaceremos só para contemplá-lo, certamente, descobriremos o quanto é belo e maravilhoso. Exatamente se pararmos para observar as cores e as formas, ouvirmos os sons, sentirmos os aromas, a temperatura e porque não respirar fundo e tentar sentir o ar enchendo nossos pulmões.
O fato é que somos escravo do nosso tempo, pois precisamos dele para produzir, não falei consumir e sim exatamente produzir.   
Nos tornamos tantos e em tão curto espaço de tempo que precisamos ser os melhores produtores se não seremos engolidos pelo triturador chamado espaço profissional.
A produção em sua totalidade acelerou vertiginosamente e deveras não consumimos consumi-la.
Cada dia novos produtos inovadores, revolucionários, eluditatórios nos são apresentados gerando em nós um desejo intenso de consumi-los nos alienando. A nossa realidade é responsável por isso ou essa realidade virtual? Eis uma questão que não atrevo a responder.
Só percebo que há uma ansiedade muito intensa entre nos por consumir e produzir que foge ao nosso controle e que não sabemos como controlar.
Até quando se sustentará?
Eis uma incógnita.

11/07/18

Circunstâncias

Uma palavra,
Definição?
Um fulcro,
Uma referência,
Uma ordem,
Algo a ser encontrado
ou ser perdido,
Circunstâncias...

06/07/18

Refúgio

O silêncio,
O pomar,
As galinhas,
Os pássaros,
Os grilos,
Os sanhaçus,
Os cães dormindo,
Galinhas cacarejando,
O vento soprando,
As folhas das plantas  chiando,
As flores brancas, amarelas e verdes abertas,
O cheiro das coisas do protetor solar,
Do tempo,
O barulho da voz grave de mamãe
E as respostas de papai.
Eu monologando.
A alegria da vida.
Cada segundo essencial à minha essência.
Plenitude seria uma definição do momento presente. 

01/07/18

Sucessivamente

Em algum lugar de Martins em 1980 meus avós e tios que já partiram se encontravam muito vivos. O que possivelmente estariam fazendo é uma incógnita, pois nada foi registrado e se perderam as referências, todavia alguns deles, com certeza meus avós Chico e Chica; Sinhá e José estavam celebrando o domingo. Incertos de suas sinas.
Esperavam o almoço enquanto conversavam ou matutavam na vida ou nos problemas. Talvez ouviam um rádio e comentavam as notícias, porém tudo foi perdido e assim está e continuará.
Suas histórias desgastadas de repetição, seus conceitos infantis consolidados, seus corpos cansados e suas ambições e impressões do mundo e aquilo que foi possível de compreender.
Hoje, agora, penso sobre tudo isso. E vem uma reflexão se e quanto evoluí?
Aqui estou esperando o almoço e matutando sobre a vida.
Não há maneira de viver diferente ou há? Será tudo uma ilusão?

29/06/18

Resposta


Como é lindo o apotegma de Diógenes ou de Platão "O tempo é um espelho da eternidade".

O tempo deveras me intriga e me assusta ou talvez apenas duas de suas consequências: envelhecer fisicamente e morrer.
Nossa vida tem o tempo por perímetro e viver implica em consumi-lo constantemente ou talvez estejamos consumindo nossos corpo e diante deste processo envelhecemos perdendo assim as habilidades motoras e nos tornamos prisioneiros de nós mesmos e o fim é a morte.
A vida é o intervalo entre nascimento e a morte e esse intervalo é mensurado em tempo. Este tempo de vida é uma incógnita para nós, podendo ser breve ou longo a depender da graça divina.
Embora viver nos aproxime sempre de nosso fim nos proporciona algo extremamente delicioso como a experiência e como consequência o conhecimento e a sabedoria.
Realmente se o tempo é o espelho da eternidade nossos reflexões são nossas gerações e o que transmitimos para estas. É muito bom refletir sobre o que podemos apreender das gerações passadas e o que pretendemos deixar para as futuras gerações.
Uma incógnita se forma aqui, como sempre a resposta não foi concluída, mas já ganha alguma definição.
De sorte que no fim talvez tenhamos um conceito do que seja o tempo e a vida.

26/06/18

Refúgio

No alto de uma montanha,
Na beira da praia,
No meio de uma floresta,
No meio de um campo
E em qualquer lugar
Nosso refúgio é o nosso ser.

16/06/18

Solidão ignorante

O silêncio,
O ranger do abrir da porta,
O silêncio,
Um gato sem nome desperta e mia.
O cão sacoleja a orelha e se chega para a cozinha de chão batido.
Os átrios da casa escuros impregnado de cheiro de solidão,
A lenha sendo acesa no fogão de lenha exala o cheiro da madeira.
A panela a cozer uma comida sem gosto.
A solidão,
Qual foi o sonho sonhado,
Qual foi o sentido da vida vivida na solidão?
Alguma ideia?
Alguma paixão?
Ou apenas solidão.
Por ignorância ou por ambição,
A solidão gerou a diabetes,
E esta consumiu meu tio até o fim de seus dias.
De lembranças só resta a solidão.

14/06/18

Memórias sobre rodas

    Uma lembrança me recorreu quando fui pegar a bicicleta em casa para vir trabalhar. Lembrei  num atino através de um odor que não soube distinguir e que talvez foi indiferente. Enfim, por volta dos anos 90 nutri o desejo de ter uma bicicleta e como ajudava em casa na lida. Então lembro que papai comprou uma barra circular da monark. Que especial, linda, vermelha, se não me engano modelo 1992 e tinha até limpadores de raios. Estava na sexta série ginasial. Naquela tarde que cheguei em casa e a encontrei fiquei muito feliz. A bicicleta tinha luvas com cheiro doce e ficou na minha memória.
    Como me fez feliz aquele momento. As vezes as pessoas entendem que nos podem proporcionar uma felicidade intensa num instante. Os pais sabem disso e papai soube muito bem. O fato é que não foi bem um presente, mas fruto de um esforço. Tive que trabalhar para conseguir aquela bicicleta.
É muito bom, antes de tê-la já imaginava como seria ter uma bicicleta e foi muito melhor porque passei a ir para a escola pedalando.
     Engraçado que ainda hoje continuo pedalando para ir fazer minhas obrigações.

13/06/18

Curiosidades ornitofílicas

O que se sabe sobre os pássaros além de sua beleza morfológica e vocal?
Quantas e quais são suas espécies?
Quais os hábitos alimentares?
Quais os habitats favoritos? 
Bem, para nós tudo parte do interesse e este pode ser desperto. Como foi afirmado acima a morfologia e o canto podem ser o gatilho. Quanto a morfologia a maioria dos pássaros se camuflam na maior parte do tempo está oculto entre os ramos, conseguindo passar despercebidos. Com relação ao canto pode-se atrair maior atenção e permitir que se reconheça e os identifique entre os demais grupos.
Cada pássaro parece ter seu próprio canto ou sua vocalização. 
Os loucos reconhecem através dos sons os tipos ou as espécies de pássaros.
Não faz muito tempo havia um hábito comum de criar pássaros em gaiolas. Este hábito ainda existe, mas não com tanta frequência.
Era triste vê-los engaiolados, mas a elegância de seu canto e sua beleza pareciam compensar e legitimar a perda de liberdade.
Não se contentava em ouvir uma vez, mas inúmeras repetidas vezes.
Será uma essência humana? 

12/06/18

Bem estar

Hoje, nesta manhã brumada tudo é calmaria.
Não tem brisa, não tem brilho, não tem movimento.
Só se ouve o canto das aves ocultas entre os ramos das árvores.
Sabiá, patativa, bem-ti-vi, sanhaçu e só.
As janelas ainda refletem através do escuro de seus átrios.
É tarde para tudo isso.
Tudo isso me faz sentir bem.

11/06/18

Acontecimentos

Uma manhã chuvosa,
O pio silencioso dos pássaros,
O som de pingos de água que escorre das folhas,
Lembranças!
Imaginação do que foi,
Perspectivas,
Um conto lido.
Pensamentos não escritos.
Tudo isso faz parte de um universo que pode ter acontecido
Ou poderá vir a acontecer.

07/06/18

Momento

Concomitantemente a chuva chove tenuemente enquanto o sol brilha uma luz suavemente dourada.
Neste momento, a natureza é toda reflexão e até os pássaros estão matutando em silêncio.
Enquanto não sou tomado pelos problemas que requerem solução imediata permaneço imóvel contemplando o que penso e o que observo. Talvez não pense em nada nem observe tão pouco algo, mas este momento é todo meu.
Enquanto isso a chuva deixou de chover, mas o sol continuou brilhando e sua luz me permite ver com nitidez a beleza que há na natureza.
E o momento se foi.

31/05/18

Despertar

Despertar e perceber as coisas que nos envolvem e nos suportam e que dão significado a nossa existência é uma dádiva.
Ouvir os pássaros cantando e o ronco do motor da geladeira.
Sentir o lençol nos envolvendo.
Ver a luz frouxa atravessar as frestas pela janela.
Pensar na existência.
Ter consciência da realidade e perceber como já foram e como é hoje.
E perceber que a vida é passageira.
Perceber nas memórias imbricadas pelo tempo o quanto já viveu e o quanto se tem para viver.
Esse exercício é um despertar da consciência existencial.
Quantas vezes não ouvi o estalo dos gravetos sendo quebrados ao som de rádios AM e em pouco
após o fogo aceso se ouviu a água fervendo e se emudecendo a mistura do pó de café e então o aroma se espalhando pela cozinha, sala e quartos.
Quantas vezes mal, desperto, não tive que sair para pegar água no córrego ou nos açudes enfrentado a preguiça e o vento frio.
Por vezes, mal desperto sair para correr ou cuidar do corpo de maneira torpe porque não.
Talvez por não ver outra maneira de ser, nunca me despertei para isso. Despierta!
Hoje para me despertar penso no antes, no agora e na possibilidade de um amanhã.
Talvez assim saberei despertar para a vida.


29/05/18

Passagem

Cai a tarde crepuscular,
Em pouco nascerá a lua,
A noite fresca chega.
E mais um dia se vai.
Amém.

28/05/18

Hélio

Ontem, 27 de maio de 2018, Hélio de Paulinha, nosso vizinho de infância, dormiu na eternidade.
Um infarto o ceifou.
Desde que tenho lembrança o conhecia e tínhamos como amigo da nossa família.
Era uma pessoa simples, muito sagaz e bem humorado.
Tinha estatura baixa não tinha 1,70, mas passava dos 1,50 m. Tinha olhos claros e uma barba fechada.
Hélio, desde cedo, aprendeu a arte do comércio.
Vendia e comprava coisas, galinhas, bodes, cabras, ovelhas, porcos, garrotes dentre tantas coisas.
Sabia sempre fazer uma transação comercial de maneira a ganhar sempre algum trocado.
Assim, desde cedo foi se construindo como uma pessoa honesta.
Lembro que quando casou já morava na casa de Crejo seu irmão, mas depois construiu sua própria casa onde viveu até os últimos dias.
No início de sua jornada para se deslocar tinha uma burra baixeira e só com muito tempo comprou uma moto.
Lembro quando nasceram seus filhos. O primeiro foi Hugo e depois veio Tiago. Naquele tempo a gente ia muito fazer boca de noite lá.
Papai adorava ri dos casos que ele inventava e contava.
Lembro na época que a gente precisava colocar água em casa no jegue a destreza como ele enchia as ancoretas.
As vezes que saia em busca de comida para as criações.
É! Hélio enchia aquela baixa de Serrinha do Canto de vida.
Foi um personagem muito importante.
Hoje, ele deve ter se encontrado com o povo que o esperava.
Seus pais Chico Franco e Maria, suas irmãs Nida e Dezu; os vizinhos Joãozinho e Elita de Licor; Artur Barreto, Seu Amaro e Ciça; Bunina, Josimá e Lenita, Diniz que chegou faz pouco tempo; Odaleia, Munda e Sua irmã; Iracema, Lúcia, Zé de Júlio, Nelope e Luiza, Luiz, Açuero; Luiz de Mundin, Dona Francisca, Rita das Arupembas e Zé, Sivirino.
Todos em festa.

Agora só renta de sua lembrança seu aniversário e a gaifa que fazia.

Ocaso

O ocaso está aí.
O dia se divide em noite.
Aos poucos o breu ocultará todas as formas e cores.
Em instantes os rádios tocarão a Ave Maria.
A lua de certo aparecerá.
Esta hora tão saudosa e reflexiva;
A pouca luz e a ave maria e a fé que une gerações.
Tudo isso, pode ter significado apenas para mim
E um par de pessoas,
Mas me emociona,
E me enche de lembranças.
A vida se revela solitária ai.

27/05/18

Um pouco mais

A noite caiu suave, fresca e enlatada.
Depois de um dia de paz.
Assim, estou contente como se sente após
Uma jornada.
Um dia de leitura e reflexão sobre as coisas
Que me encantam como literatura e filosofia e botânica.
Mas ainda resta uma curta noite

Para pensar um pouco mais. 

Domingos e avós

Domingo, dia de calmaria.
Das lembranças que tenho da infância a visita a casa de meus avós era comum aos domingos.
A gente, mamãe e eu, sempre saia de casa cedinho e ia a pé mesmo.
Não sei se a gente conversava, mas talvez sim. Mamãe é uma pessoa muito comunicativa.
E saia pela ou caminho falando com os conhecidos.
Coisas inusitadas sempre aconteciam como encontrar Zé de Julho na burra faceira conversando sozinho.
Passar na casa de Nitinha, onde hoje é coração do açude do porção, para tomar água. Dava gosto ver a limpeza da velha dizia mamãe. Lembro do cachorro de balaio único que tinha visto. E seguia indo até a casa de Vô Sinhá.
Por mais cedo que a gente chegasse o feijão já tava quase cozido.
Quando a gente chegava lá mamãe ia ajudar vovó enquanto eu ficava atoa. Olhando as coisas quase sempre velhas. As cadeiras de balanço, uma com couro de porco espinho, o banco, o tripé de alumínio, a cristaleira, uma gaiola com um golinho, a foto de tio Raimundo.
Se saia via a calçada velha alta. As pinheiras com pinhas brocadas, o banheiro velho.
Entre o armazém e a casa as galinhas gordas de vovó, no oitão um pé de crinum.
Aquele sítio de fora silencioso e sombrio. Hoje entendo que era minha falta de entendimento.
E assim o tempo passava enquanto estávamos ali.
Vovó Zé que era só lembranças e silêncio. Gostava daquela voz que ele tinha, pena que peguei apenas a velhice. No passado era uma pessoa muito alegre e brincalhona.
Vovó que era a palavra de ordem.
O silêncio que hoje gosto era o que imperava e mais fazia não gostar daquela casa.
Palavras só as nossas ou os discursos preparados do rádio.
Hoje tudo passou.
Os domingos ai estão e nós somos os velhos do presente.

25/05/18

Pensar a solidão

Dentro da casa há um corpo solitário.
Ele foca nas coisas que se pode fazer só.
Abre a janela,
Deita,
Levanta,
Abre o livro e ler,
Fecha o livre e num atino ataca a geladeira.
Liga o computador
E se põe a trabalhar.
Ouvir música,
Escrever,
Organizar,
Fazer aula,
Tabelas,
Chaves...
E o tempo corre,
Ansiedade passa,
As costas cansam,
E cansado
Pára para descansar.

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh