27/02/26

Meu voo

 Disseram-me que eu voava.

Achei que fosse sério.

Voava.

Nas ideias, para além da realidade.

Criancei-me.

Ver além da forma.

Ver a matéria;

Ver além de definições.

Voo, voa menino,

Voa rapaz, 

Voa senhor.

Dá asas a imaginação.

Fiquei pensando nesse vôo.

Me veio uma vontade de sorrir.

O que é um vôo!

Bom ou ruim?

Voo de urubu,

Vôo de carcará,

Voo de borboleta,

Voo de morcego,

Voo de beija-flor...

São não estiver voando não sou eu.

Bom preciso voar,

Para as vezes pensar algo de útil...


Penas e pombos

 Ontem, mostrei a Sassá um pombo alvinho, doente na base do poste do nosso prédio. Ele olhou e bom começou a argumentar em favor dos pombos. Para entender melhor, quando Sassá era pequenino, fizemos uma atividade de coletar penas de aves no interior. Este exercício se prolonga até hoje. Ele coleciona penas, no entanto sua mãe não suporta pombo e sempre fala que pombos são animais que transmitem doenças. Então Sassá sempre argumenta em defesa dos pombos que estes são limpos que cuidam do meio ambiente que não fazem mal a ninguém. Foi interessante o seu questionamento para chegar a defesa dos pombos e acho que com isso coletar as penas que ele encontrar na rua. 

26/02/26

Apuleu blue 3

 Sassá estava muito feliz ontem, pois apuleu blue 3 voltou a casa. Achei miudinho e muito ativo. Satisfeito... conversamos no carro e ele disse que a comida do peixe era muito fedida. Viu o google que aquela espécie é carnívora e que come larvas e insetos. Estava procurando alguma coisa para alimentar o bicho. Gosta de experiência... Enfim, nem lembro como mudou de ideia. Foi explicar para a mãe e por lá ficou. 

Curiosidade biológica

 Cautelosa a saíra pousou sobre o muro do nosso jardim. Depois voou para o lado externo. Não entendi!

Quando sai no carro vi que haviam voado. Vi as ixoras, então lembrei que haviam frutos na planta do meio. 

A pergunta! Ela viu o fruto dali ou ela já conhecia a planta?

Amar

 O amor não usa balança.

Amar é sublime.

Amar é a essência da vida.

Amar é cuidar da vida, cuidar das pessoas, cuidar dos bichos e cuidar do mundo.

Quando começa o amor?

O amor tem fim?

Olhar no olho daquela pessoa que está ali viva, porém sem memória.

Cuidar até o fim. Por amor... 

Amar... Chega a doer só de pensar na partida.

Amar é um sentimento que melhora o ser infinitamente sem que percebamos.

Não usa peso aquele que ama.

Amar...


Para minha tia que Doença de Alzheimer e para sua filha que cuida tão infinitamente bem dela.

Nos humanos somos todos passiveis de dor.

25/02/26

Amanhã

 Ontem, Sassá preparou com a mamãe uma caixa onde vai colocar seus objetos que gosta.

Foi caixa, papel, tinta, pincel e muita lambanças.

Bom superou o choro do momento que saiu da escola, pois me perguntou pelo peixinho dele Apuleu blue. Perguntou se já tinha chegado. Na verdade Apuleu havia morrido, veio o segundo e esse será o terceiro.

Não sei porque ele sentiu falta do peixinho. Acho que porque viu o aquário pela manhã. Tirou todas as coisas e disse para a mamãe que queria ele de volta, que já faz muito tempo que está no veterinário. Enfim a mamãe prometeu, mas não tinha bertas azuis na loja. Vem de Recife. 

Então ao sair da escola já foi logo perguntando. Quando disse que não foi aquele choro. Mas parou só até chegar em casa onde chorou para a mamãe...

Amanhã. Amanhã chegará.

Vida

 A vida é bela e precisa ser sentida com beleza e com amor.

A vida é aquilo que sentimos. 

Sentir a vida em sua plenitude é difícil.

Pois sempre desejamos o que cremos ser bom.

Queremos potencializar sempre estas sensações.

É preciso entender que a vida é absoluta.

O corpo é biológico e nem sempre poderemos está na face da felicidade.

Há também a tristeza, a dor ou seja o sofrimento.

O sofrimento é parte constitutiva da vida.

Não significa que devemos nos acostumar com o sofrimento,

Mas quando aparecer, aceitar e aos poucos vai se desvincula,

E trata e fica bom.

Muito destes sentimentos são espirituais.

E como espirituais que somos em parte.

Lutemos para vencer os sofrimentos.

Não sozinhos, mas rodeado daqueles que nos apoiam.

Nossos pais, amigos...

A busca pela harmonia dura a vida toda.

A vida é a luta.

O caminho é a totalidade de todas as coisas.

24/02/26

Guabiroba florida

 No bosque perfumado,

A guabiroba está florida,

O chão está todo pintado,

Flores fonte de bebida


O som de abelhas zoando,

Voando em sua lida,

Polém e néctar coletando,

Numa flor toda partida


botão e botão desabrochando,

A flor velha toda varrida

Das abelhas se banhando

De polém toda suprida,


A manhã amanhecendo,

A florada já tá passando,

E isso tudo acontecendo,

E o fruto tá se formando,


Só resta agora crescer,

Em cada amanhecer,

O fruto vai aparecendo,

Aos poucos amadurecendo,


Doce vinho vai ficando,

A passarada vai se chegando,

Doces frutos devorando,


Suas sementes vai dispersando,

Para longe está indo,

E assim vai se fechando,

A reprodução de mais um ano.


Esse encontro acontece,

Cada ano que se passa,

E a gente até parece,

Que nem ver o que se passa.


O pulsar e o passar...

Sempre se repetir.

A planta a reproduzir

E a gente nem percebe...



Pelas plantinhas

 Ontem Sassá quis agoar as plantas. Ele é bonzinho cuida das ervas menores do jardim. São eufórbias, filantos, molemole, rabo-de-calango... Ele pega o seu balde e molha o jardim inteiro. Diz querer que as plantas cresçam bem muito. E eu enquanto agoo as roseiras, ixoras, alpinias, sapatinho, samambaia, espada-de-são-jorge e onze-oras o encorajo. Assim ouço ele conversando sobre seu fantástico universo. Depois subimos e ele continua descrevendo seus animais fantásticos. Em casa, tira o sapato e conversando vamos organizado as coisas e as ideias. Então foi cuidar das plantas do nosso jardim. Está preocupado com o tamanho da rosa-do-deserto; está contente com as plantinhas que ele semeou e estão crescendo. Expliquei que elas precisam de nutrientes NPK... Quis de imediato ir comparar na loja d shop sul. Deixemos para depois respondi... Mas ele insistiu muito. Quando ele quer ter a razão insiste muito. Acho que vai ser bom de argumento. Bom concluído isto! Depois de encher o bucho com bolacha maria foi jantar e é claro que não comeu nada. Assim é como ele costuma dizer.

Memória uma fonte

 Memórias guardadas como despertadas?

Vi aquela visão de muito tempo atrás. A gente tinha umas vacas. E vez por outra mudava de currais. Ai a gente plantava nesses currais. Veio agora de imediato do nada os embuás encontrados de baixo da paus deitados no solo onde estavam o milharal. A sensação de calor, luz intensa, presença de vida. Papai e eu trabalhando. O embuá preto com pontos amarelos. Embuá casco-de-peba. A terra molhada e macia. A enxada. Minha conexão com o bicho. Com a vida. A tentativa de entender o mundo no meu entorno.

Foi árduo, virou memória e hoje uma doce memória e a presença de papai na minha alma.

Dante e Dumont

 Dante o elefante ficou perturbado quando quis soltar um pum. Não segurou e Pummm. Na mente dele ia ser o fim do universo. Quando soltou viu que não foi nada disso. Dumont seu primo é artista um materializador de ideias ver com os olhos e faz com a tromba. Um dia uma girafa achou lindo as listras das zebras e queria tê-las foi Dumont quem as pintou, criando monda na bicharada.

Dumont é da mesma manada de Dante, mas tiveram que seguir caminhos diferentes. Dumont era artista. Até porque as vezes ele perdia a inspiração. Como aconteceu uma vez. Estava voando de balão com uma faixa preciso de inspiração e a Girafa Rafa lhes deu uma direção. Com seu trabalho como artista ganhou tanta comida. Ai acabou aquela atividade então ele foi para a índia visitar seu primo balu o elefante azul.


23/02/26

Instante

 Lúcida luz nas folhas da árvore.

O cheiro da alva flor de guabiroba.

Os papagaios na mata.

O calor!

Parado espaço.

Pronto para mudar.

20/02/26

Só o silêncio

 Em casa de idoso o silêncio é a regra. 

Assim foi na casa de meus avós Chicos.

A casa era grande e alta o silêncio parecia fazer eco nas paredes.

Parece que do oratório se sugeria silêncio.

Palavras pensadas e depois falada, o tempo embotando de sabedoria os cabelos brancos com suas cabeças vividas.

Vovo adoçava o café.

Vovô só observava.

O lengo-tengo da colher na vasilha de alumínio.

O preto sabor doce do café adoçado.

A chapada a vista.

O canto do golinho que em sua prisão a gaiola cantava por opção.

Preferia o canto ao silêncio.

Um exilado a cantar sua desgraça.

Seria de alegria ou de tristeza seu canto?

Quem sabe?

Só suposições.

Um dia o silêncio imperou parcial e outro dia total.

E tudo sumiu.

Uma nova ordem surgiu.

Alma de poeta

 Um poeta se dispõe a pensar e o mais laborioso escrever.

Um poeta organiza suas ideias. Ele transforma o momento efêmero em beleza e substrato para o pensamento.

Poetas, acho que morrem de medo da morte. Descobriu que nas palavras pode se imortalizar.

Um poeta ver a beleza e a põe em palavras. Ele usa os sons para rimar. 

Tem poeta de todo jeito. Uns agricultores como patativa do assaré.

Os poetas eruditos não o entenderiam pois são se Capela.

Um poeta professor como Anacleto. Esse tem um pensamento cristão. Sua poesia é linda cristã e divertida.

Um poeta pintor como Vandembergue... só fez um livro, mas é maravilhoso. Sua poesia é visual?

Um poeta Lino Sapo que como o rio ao receber água nova ganha potência e vai levando o amor a frente.

Um poeta que canta como Ivanildo Vila Nova... Valdir Teles... 

Um poeta da serra um cancioneiro Eliseu Ventania foi o poeta que vi papai admirar.

Que ilusão definir os poetas...

Os primeiros que descobri e amei foi Bandeira e Drummond.

Sou pobre nesse quisito.

Aprecio o bonito e perceptível.

Tem um poeta maior Manuel de Barros...

Ah! Pantanal de juma minha primeira paixão...

As aves, as águas, os lagos e os rios. A imaginação dá um brilho a realidade...

Só desprendidos de nossos desejos podemos ver a realidade como se apresenta.

Ser poeta... uma vontade.

Mas ai...

Salamabra

 Sassá a noite, enquanto dormia desenhou uma salamadra.

Deixou sobre a mesa para que eu a visse.

Desenhou para a mamãe.

Uma salamandra amarela com manchas pretas.

Uma salamandra fêmea porque era para a mamãe.

Então a mamãe falou comigo no celular e ele me perguntou se tinha visto.

A vi, respondi de pronto. 

Parecia uma onça! Não vou frustrar ele. Como o adulto do pequeno príncipe no paradigma se era um chapéu ou uma jibóia que tinha comido um elefante.

Não... Estava ótima.

Amei. Depois conversamos sobre esses anfíbios fascinantes com forma de répteis.

Falamos sobre o México...

Essas coisas...


19/02/26

Impressões

 Andando na rua segurando a mão de minha mãe. A mim, o desconhecido era ali. Tantas caras por mim desconhecidas. Mamãe caminhava com segurança e conhecia muita gente dali. Eu estranhava que mamãe conhecesse gente além de nós, já que ela era só minha desde que me entendi.

Então aquela memória cheia de sombra, rua escura como vejo na fotografia de minha memória. Tinha uma praça e piso como bandeiras... Observando essas formas ouvi pela primeira vez o som do sino que vinha da torre da igreja. Desconheci o signo, mamãe perguntou quem havia morrido?

Morrido. Sino. Igreja.

Não entendi nada. Meu sentido estava no bolo de dona Alta no mercado, no caldo de cana de Zé da garapeira, no pão doce...

Só muito tempo depois fui entender aquele fato.

Só festa

Sassá adorou o carnaval! Com a fantasia do superman foi para tudo quanto foi evento. Foi para o evento da escola, para o Shop Sul, shop Mangabeira... A gente ficou aqui, então tivemos muito tempo juntos. Dormir até tarde, brincar, sair para a missa, para almoçar... Foi aquela festa de mais um carnaval juntos. Se divertiu muito com seus colegas no shop mangabeira... Mariana, José e Miguel. Só festa.

A madrugada e o jasmim

 A madrugada oculta muitas formas. Nossos corpos tem suas limitações e estas só ampliam quando dele s distancia. Assim mesmo uma deliciosa sensação ao acordar  e ir a janela. Era o cheiro doce e intenso do jasmim-de-laranjeira. Quem conhece entende! E aquela linda planta está a mais de 200 metros de minha casa. Como a copa redonda, com folhas verde escuro, parece coberta de pipocas perfumadas ou seriam botões pipocados? Para que tentar definir flor ou essa sensação. Só quem conhece o jasmim vai entender. Essa relação é de paixão ou aversão. Há quem não goste, mas isso é tão particular. Só sei que a madrugada me revelou um dia perfumado.

18/02/26

Jas mim

 As murraias estão floridas. Murta ou jasmim-de-laranjeira. Suas flores alvas, perfumadas, pentâmeras estão floridas em cachinhos ternados. A mim me encantam essas plantas. Suas folhas de sabor amargo, de pontos translúcidos e multifoliolados; seu tronco forte, sua copa redonda. Em janeiro ou fevereiro ou basta chover elas florescem... Elas gostam da água da chuva. E respondem a esta com botões, flores e frutos.

Não sei quem me ensinou a perceber nas plantas. Terá sido a doçura dos cajus, das mangas, das ciriguelas, das pinhas e das goiabas?

Onde há vontade há consciência. O açúcar será nossa primeira fonte de consciência?

Amar os jasmins é algo sublime, porque alimenta além do corpo ao espírito... E é fácil agradar o espírito com um bom perfume... Será o jasmim uma palavra oriental para perfume? Coincidentemente todo jasmim é perfumado... Jasmim manga e manga jasmim...

Vi na etimologia da palavra no google... yasmim... de origem Persa: flor de aroma intenso e delicado,

Algo léxico - com sentido... com direção... que afeta nossos sentidos.

Aparte isto. Olhei pela janela ontem à tarde e vi o jasmim-de-laranjeira florido.

E me veio a mente essa ideia.

Pronto agora posso esquecê-la só por um momento.

Sapo sapiente

 Na lagoa um sapo compõe a paisagem. Estático apenas o percebo. Sua forma e suas cores aquilo que me diz que é um sapo. Seus olhos percebem a mim pelo meu movimento. Estático está e permanece. Perto do sapo está um jacaré e na mesma lagoa peixes.

Essa lagoa não é natural nem aquele peixe.

As vitórias regias enfeitam de cores alvas e verde o espelho da água...

O sapo fica pequeno diante do jacaré diz um.

O sapo fica feio diante da vitória regia diz outro.

O sapo nada menos que o peixe fala o outro.

O sapo não responde só existe.

Se tem fome come.

Se tem perigo foge.

Só responde.

Agora nada o incomoda e compõe uma paisagem.

Só.

17/02/26

Feriado de Carnaval

 O relógio despertou no mesmo horário. Ignorei ao chamado. Continuei deitado, não sei se dormi, mas permaneci deitado. Então despertei. Quando se desperta se busca cumprir uma atividade. Oração, leitura, preparar um chá e o café. No entanto ignorei o resto. Descumpri o dia como acontece no sábado e no domingo. Cai no vazio. Aquele vazio que se segue ao não cumprir uma rotina. Atendemos tanto nossos desejos que esquecemos como é não cumprir esse desejo. Sabe, os desejos com o tempo caem na rotina e por vezes nos esquecemos deste fato. E o dia se desperta. Vazio e longo. Sem sentido. Quando não se constrói um segundo sentido. Fica esse vácuo. Ano seguido de ano, para a graça da vida. Carnaval! brilho, música, risos e uma fé na carne e uma fé na vida. O tempo nos ensina que tudo isso é comum como qualquer dia. Exceto pelo vazio de não se cumprir uma sequência...

16/02/26

Carnaval

 O devir deveio.

É carnaval. Hoje tenho muitas opções e não escolho nenhuma.

Antes não podia escolher e queria muito poder escolher.

Tinha a televisão para ver o que ocorria país a fora. Meus pais com minha ou pouco mais que a idade que tenho hoje, trabalhava para nos sustentar e a mim só restava sonhar.

Queria parte do que tinha no carnaval e não o todo.  O sofrimento nascia do querer e a realidade impunha suas restrições.

Eu nem imaginava o quanto eu tinha tudo. Minha casa, minhas irmãs, irmãos e meus pais por mim.

A nossa vida era simples como tem que ser.

De carnaval só via as coisas grande da Globo que passava no Rio, em São Paulo, em Salvador e em Olinda. Era um chines no meu pais.

Na minha cidade haviam blocos e os papangus.

A natureza estava ali.

Se uma coisa me animava naquela época como me anima hoje ainda são as chuvas.

O tempo passou e não vacilei em meus sonhos. Deus me deu o sentido.

Real, deveio, hoje sou eu quem é a segurança de alguém, meu filho.

E sabe, gosto de ficar em casa. Assim de boa.

15/02/26

O eu

 Olha o céu!

O que pode ver o firmamento azul e as nuvens alvas.

Nuvens de forma amorfa em constante movimento e transformação.

Tão inconstante é a atmosfera.

Assim é a mente humana.

O azul, o amarelo e o vermelho.

O triângulo.

Os números arábicos: um, dois e três.

A unidade divina.

O absoluto.

O movimento.

O dualismo.

O signo...

O som, as imagens, cores e formas.

A busca.

A razão.

O espaço eterno e o tempo seu testemunho.

O tempo a imagem da eternidade.

O eu...

13/02/26

Superman

 Ontem na escola de Sassá foi Carnaval. A mamãe comprou uma fantasia de Superman. Cheguei em casa e ele já estava pronto. Um S de super no peito e no cinto. Mas vestia uma camisa e um óculos, sim isso mesmo foi de Clark. Foi muito gostoso ver ele todo feliz. Sério! Dizia não sou superman, sou Sassá. Então, estava ansioso e me chamou para descer e ir para a escola. Saímos e fomos conversando. Na escola, ele estava empolgado, encontrou seus colegas e foi aquela festa. Que alegria linda.

Sintonia e harmonia

 Hoje, aqui o sol amanhece claro,

Raios dourados iluminam a parede,

O verde claro das folhas jovens 

Anunciam algo novo iniciando,

O dia, uma estação, um carnaval.

O sanhaçu de coqueiro animado

A cantar, a cuica a gritar...

Tudo em sintonia som e cor,

Pensamento e sentimento.

12/02/26

A chuva, a manhã e eu

 Amanheceu chovendo,

A chuva suave e silenciosa,

A luz pouco difusa e silenciada pelas nuvens chuvosas.

Ali na mata as árvores estáticas a gotejar.

Silêncio total.

Vez por outra canta uma sabiá,

Uma garrincha, um gatuno...

O resto é silêncio!

Luzes apagadas, 

A calha começou a cantar...

A luz branca da sala,

Mostra nossa fotografia, 

Mamãe, Vinícius e eu,

Mostra brinquedos de Vinícius bebê,

Mostra sementes,

Mostra livros...

Círculos, cores,

Presentes, 

Ídolos...

A placa amarela da moto titan 1997 de papai...

NE 464 - Martins RN...

A luz, o som e o clima e minhas representações.

11/02/26

Aula de inglês

Na quinta-feira Sassá conheceu sua primeira professora de inglês, Sônia. Saiu da escola dizendo que tinha uma surpresa. Já intui o que seria, pois vi Rafael da turma dele com um pirulito. Isso mesmo era um pirulito com escrita em inglês welcome, teacher Sônia. Foi muito legal e entusiasmante saber que terá aula de inglês e que está entusiasmado.  E a semana passou. Essa semana chegaram os materiais didáticos de aula, que por sinal é muita coisa, livros e cadernos... Ontem mesmo, terça, fez uma atividade de coordenação e escrita. Vamos que vamos.

Sonho e amor

 Sonhei ser tanta coisa.

Sonhei com a grandeza.

Lutei pelos meus sonhos.

Amei as filosofias.

Hoje a vida vivida em parte.

Percebo que a vida vai ganhando sentido no viver.

Hoje o que mais amo não estava em meus sonhos,

Mas estava lá comigo em potência e em ato,

Minha família e meu filho.

Os meus sonhos foram a lenha 

Para sobreviver até aqui,

Foram importantes para ser o ser que sou,

A parte isso pulsa em mim a humanidade,

Sou igual a todos com todas as dificuldades e facilidades...

Sou a vida que entendeu que o tempo tudo consome,

Sou sentimento e esperança e o mais sublime amor.

10/02/26

Garrinchinha

 É tarde,

A pouco o dia caiu na tarde.

Agora lá fora conta a garrinchinha,

Marrom avezinha.

Quando canta desperta no meu ser,

Memórias pretéritas,

Da minha infância,

Das chuvas,

Da terra chovida...

Sentia um vazio na vida já naquela época.

Agora estou encontrando um prumo,

Me livrando de tudo.

08/02/26

Sistema

 A gente sistematiza a nossa vida, as nossas coisas o nosso modo de ser.

A gente vive buscando novas formas de melhor viver.

A gente vive buscando sistemas.


06/02/26

2020-2025

 Quando mamãe partiu. Senti tanta saudade. Saudade dupla, pois papai havia partido um ano antes. O

de 2022 choveu muito. Tinha um maracujá no nosso terreiro da cozinha crescendo sobre a laranjeira, a mangueira e as pinheiras. 

Roberto não quis cortar.

Aquele maracujá ficou roxo de flor. E as flores continuavam abertas até a noite.

Com suas coronas lilases, pareciam está de luto comigo.

Minha única alegria era o meu filho.  Fomos todas as vezes que podemos naquele ano em casa.

Comemoramos a vitória de Lula. Neném de Teófilo estava lá. E em menos de dois meses partiria também.

Nós íamos a casa de Tia Nina, Vinícios adorava. Tia Nina foi no Ano seguinte...

Coisas muito tristes vivi entre 2020 e 2025.


E a chuva chegou

 Ontem choveu lá longe de mim, onde amo de toda minha alma.

Fiquei pleno de felicidade quando vi a gravação.

O balde cheio de água, a caixa de água com água de chuva, a terra molhada. Chega posso sentir a alegria da açucena, do jasmim de laranjeira e das vincas.

Dos bichinhos despertando de seu longo período de seca. O frescor do tempo, os sanhaçus cantando...

Reviver o poço da pedra

 No poço da pedra sol azul, sol radiante, calor intenso, em janeiro profundo e a caatinga sedenta.

O chão empoeirado o solo esturricado.

O cardeiro, o Xique-Xique, e o coroa de frade cinzento....

A tarde dourada recebe a noite enquanto os beija-flores beijam as flores das coroas de frades,

Flores rosas, pequenas, delicadas, protegidas, tímidas repletas de polem,

Conversa vai e vem...

E a noite chegou quente adoçada pelo chá de erva doce e o bolo quente de leite de Ana Celina...

E a noite caiu,

A conversa com seu Nelinho Escobar na casa de canto,

O cururu poncio comendo carne de sol ofertado por Vinícius e sua mãe...

A uma da madrugada e promessa de chuva, as uma e meia uma pancada de chuva e uma animação três baldes cheios... E o veio Zé acordou, e o relâmpago prometeu e a chuva se pôs a chover matando a sede do chão, da mata, do grande e vasto sertão.

Meu coração de sertanejo em sintonia bate feliz com a chuva apressada...

Baldes e tambores cheios de água, de esperança de som de paz.

Intensificando o momento

O sol ardente cozinha o céu azul. A caatinga treme ardendo num calor plúmbeo.

A casa de alpendre refrigera o mormaço.

Numa das linhas o juriti trabalhou,

De cisco em cisco construiu um ninho

De palha de capim.

Ora em silêncio ora a cantar chocando seus ovos alvinhos.

A Alamanda cresce no quintal ao lado do limoeiro dali, vemos flores e frutos amarelos...

O verde das folhas e as flores alvas das cajaraneiras, 

Os nós e entremos das canas, 

As folhas penadas dos coqueiros.

Os sons amorfos dos sábias, galos-de-campinas, patativas, o nariz ativo de boca preta o cachorro filhote,

O grasnido do Martim pescador,

A Garrincha marrom...

Essas coisas eternas que encantam.

Causalidade

 A terra plana as fruteiras justapostas limoeiros, Canjaranas, alamandas, pinhas, coqueiros.

O amarelo das flores de alamanda,

O cheiro doce da catanduva.

O canto do sabiá,

Do galo de campina, do juriti, do sanhaço.

O papa-sebo correndo no terreiro.

A areia branca,

As flores brancas da cajarana.

O Martim-pescador que voa grasnando.

A casaca de couro canta longe...

O cheiro de faveleira.

A luz dourada nas folhas de coqueiro.

Amizade e um lugar

 Onde estou?

No sítio de Pedro e Dulce no Capim PE.

Como cheguei aqui por meio da amizade.


Os anos se passaram e a nossa amizade só aumenta.


Estamos numa pequena chácara onde se cultiva manga, coco, limão e umbu.

ADeus professor de música

 Ontem, foi velado o corpo do primeiro e único professor de música que conheci em Serrinha dos Pintos. Viveu a maior parte da vida nas Chechas. Tinha uma família grande que conheci desde que fui para a escola na Serrinha Grande. Chico de Laurentino músico que ganhou a vida ensinando gerações a tocar um violão.

Resumo

 Acabei de ler o médico de homens e almas. Aproveitei uma promoção na livraria e aproveitei as férias e estou muito satisfeito.

Conheci o título desta obra quando estava na graduação em ciências Biológicas,  minha única graduação. Na época morava na universidade UFRN, na residência Universitária. Um palco de alegria e angústia e isso não é a essência da vida? Eu vindo do interior e desbravando a cidade grande, descolando uma nova realidade em minha vida... Sentimento compartilhado por todos os colegas que ali moravam. Novos mas cheios de ganas, e de responsabilidade.  Dividimos um beliche com um colega e um quarto com seis colegas e uma residência com 96 colegas... Um colega que adorava ler literatura espírita. Era o maior em estatura de nossos colegas, o mais divertido e querido. Era professor de educação física, era meu colega de quarto no apartamento 14. Vindo de Carnaúba dos Dantas, e se chamava Gilson Dantas. Desfrutava então de sua vitalidade, suas falas, suas piadas, das conversas na mesa do restaurante Universitário. Todas as noites ele chegava, tomava banho e tinha um tempo para a leitura. Um dos livros marcantes que leu foi o médico de homens e de almas. Ali acendeu o interesse pelo livro, mas o volume das páginas me faziam declinar da empreitada. Bem suponho que isso se deu lá entre 2002 e 04. Os anos passaram. Então outro carnaubense meu compadre e amigo, turismólogo e agora médico me falou novamente do livro. Então ao passar na livraria fui levado a comprar e nos mediados de fins de dezembro de 25 comecei a ler e não parei até o final. Estou encontrando. A leitura foi extremamente fluida, só lembrando que retomar a frequentar a igreja, as leituras da Bíblia ajudaram muito para a fluidez da leitura. Ficou muito... Parei para registrar esse pensamento...

Reflexão ao lado do amor

 Aqui deitado com os pés e as mãos geladas. Vinícius dorme tranquilo ao meu lado. Então, pensando no tempo, esperando pelas chuvas me veio a memória como um turbilhão que tudo tira do lugar. A mente matemática ou memórias numerais que nós faz pensar no tempo. A primeira grande provação em minha vida e porque não nossa dos meus irmãos foi a seca do ano de 1993. Aquele bendito ano que só caiu uma chuva e que meu avô José Neves dormiu na eternidade. Foi um ano tão cruel que mudou nossas vidas para sempre. Nós vimos todas as nossas melhores fruteiras morrem de sede. Foram os cajueiros, as goiabeiras, bananeiras, mangueiras... Papai vendeu os poucos bichos e foi embora para São Paulo em busca de recurso só quem restou foi a caatinga cinzenta e espinhenta. O sol ardeu de janeiro a dezembro. Ficamos ociosos, esperando nossa ração do café, almoço e janta. A globo cadenciava nossa vida, nossa escola, nossos professores, nossos vizinhos todos no mesmo barco. A gente tentava ri para vencer as adversidades. Naquele tempo tive certeza de que alí nunca teria uma estabilidade e o tempo cadenciaria nossas vidas, provaram os fortes e quantos de nós não foram morar longe e quantos nunca voltaram. As chuvas, não a água era e é nosso maior recurso. Vi nosso sítio se tornar uma área Cerqueira, nosso irmão mais velho nos ajudou junto com papai. A gente, depois deixaria nossa terra natal. E bom, alguns de nossos cinco  irmãos, decidiram não voltar mais. Uma voltou para cuidar até o fim dos dias de nossos pais e alí ficou. Eu como moro perto sempre volto. A casa agora é enorme, nosso cenário de alegrias e de dores está ali. Agora flerta com mais um ano seco.

Passamos 21 aguardando as chuvas e nada. Agora tive que partir e deixei nossa casa com o coração de beija-flor. Do alto dos 46, após permear e buscar entender ciência e filosofia encontro paz na fé coisa que meus pais e avós encontraram. A caatinga e a seca devoraram nosso sítio e andando na caatinga encontrei as marcas do passado o buracos das palmas que papai plantou, troncos ou marcas destes que os cajueiro deixaram. Apelar para Deus...

Ainda dorme Vinícius e eu aprecio o momento com essas duras memórias atemporais.

Viajando

 As paredes alvas,

O encontro das linhas, 

A profundidade,

O vazio,

Os objetos.


A atemporalidade...


O presente e o passado,


O interno e o externo.



A manhã, a tarde e a noite.


O quente e o frio.


A luz e as sombras.


O silêncio e o barulho...


A fome e a satisfação.


Um momento numa mente.

Plantar e semear

 Plantamos um umbuzeiro ao lado do terreiro.

Trouxemos de João Pessoa, mas veio de Campina Grande.

Plantamos a noite um dia antes de viajar.

No dia de reis 6.1.26.

Plantei com Vinícius.

Ontem semeei Timbaúba, cumaru, mucunã e angico...

E assim foi um maravilhoso dia.

Matemática

 Hoje cai na abstração e pensei na sublimidade da matemática que nos permite pensar no tempo

Quando estou na minha casa

 A flor do maracujá 

A grande e bela flor do maracujá.

Coroada flor,

Lilás flor,

Perfumada flor.

Aquele maracujá,

Cresceu sem parar.

Seus ramos se irradiaram sobre os arbustos...

Floresceu na caatinga cinza...

E perfumou meu olhar,

Embelezou meu cheirar...

Existe e me impressiona...

Foi e sou o que vejo, sinto e penso.

Quando estou na minha casa

 O vento venta agitado e soa um canto no telhado.

A vontade é de ouvir os primeiros pingos da chuva pingando no telhado,

O cheiro da chuva e a alegria da mudança...

Essas coisas

Quando estou na minha casa

 Poder sentir este lugar,

E reviver suas sensações 

É algo divino,

Íntimo e particular.


Após tanto tempo 

A sentir saber o 

Quanto o conheço,

Mais que qualquer coisa na vida.


Aqui conheço melhor,

As manhãs, meios dias e noites...


Aqui sinto-me em casa e em paz...


Aqui tenho certeza 

Da eternidade do espaço,

Aqui tenho a certeza da sutileza da vida.


Pois a vida me ensinou.


Aqui habito o lugar 

E o lugar habita em mim.


Este céu em todas as suas faces.


As plantas e seus acidentes.


Não preciso definir nada, apenas sentir.


Esse sentimento que me preenche,


Essa consciência cósmica.


Quem haverá de sentir um dia?


Na minha terra natal.

Mémória

 Amanhã fará 32 anos que vovô José de Neves faleceu.

05-02-26

Número

 Hoje o dia foi perfeito. Um domingo como a muito tempo não havia vivido.

Chegamos aqui em Serrinha do canto no dia 17.12.25, e desde então aguardamos ansiosamente pela água das chuvas. Vivemos muito e gostamos desta forma de viver. O mato seco, as aroeiras, angicos e juremas; as serras, as curvas da estrada, o calor cáustico, a sede dos vegetais, as mangas... A lua crescente e cheia...

As luzes do Natal o fim de ano. A visita aos parceiros distantes... A esperança de mudança que vem. O aniversário de Vinícius...

Os textos...

O livro de Lucas...

A bíblia, Borges, os cachorrinhos schaquira e Sherlock...

O loro Creo...

Salmo 91 o dia 19...

Um sentido... Uma razão... Frutos da abstração, o número seis.

O número cinco.

O número quatro.

O número três.

O número dois

E a unidade...

O dia em seus extremos foi nublado.

A vegetação pálida como se estivesse molhada. Logo tudo vai mudar.

Estamos no ápice do verão, fim da sequidão...

Tudo mudará em pouco tempo.

É preciso Deus para não morrer de angústia...

A fé na bondade nos salvará de todos os males...

Fiz fotos hoje e amanhã tudo poderá ser o inverso.

Coisas humanas.

Quando estou na minha casa

 A tarde cai suave, clara e fresca. O vento soprou pela manhã do poente e agora sopra do norte. O sol já está pleno no poente. O céu tem um azul claro e lívido. O cajueiro, catolés e palmas conservam o verde na paisagem. Na barra da calçada espadas de são Jorge embelezam a vista e duas vincas adornam com suas flores flores pentâmeras alvas e rosas ... Tudo isso disposto num sutil e suave sossego onde se pode viajar no tempo...

O espaço é eterno.

Quando estou na minha casa

 A manhã nasceu nublada e fria. Na paisagem, ao nascente, podia-se ver no alto da serra as nuvens frouxas fluindo pela paisagem. O vento frio cortava a vegetação cinérea refrigerando e cantando a paz... Onde estava minha mente? Meu corpo e meus sentidos viviam aquele momento, mas a minha mente de certo vagava no tempo... A gente se pega pensando coisas pequenas a maior parte do tempo. Acho que minha mente vagava por aí. Vivo... Feliz pela manhã. Este momento do dia que me faz sentir bem. Parece que a satisfação ou a intensidade das emoções é maior no início de um momento.

E então chega no agora em que tento tecer algo linear que me permita reviver este momento um dia qualquer.

O sol abriu o vento sopra...

E o devir deveio e devem... Ad infinito.

Amor materno

 Em meiados de 1977 numa manhã ensolarada no sítio de fora em Martins algo ia acontecer. Algo muito grande.

A casa estava uma bagunça, as roupas sujas dos meninos precisavam serem lavadas. A jovem Esterlina que tinha até então seis filhos. Um destes era mulher Cledina e fora com o Caçulinha Umagir lavar roupa na cacimba de Joel. A jovem Esterlina grávida iria arrumar as coisas e iria mais tarde ajudar a cledina na lavagem de roupa. Umagi o Caçulinha foi com cledina. Saíram de casa em direção a cacimba, o cheiro de manga madura e das flores de jaqueiras incensavam o lugar.  Os angicos cresciam entre as cercas, no sítio de seu avô José a sombra das árvores era constante o que fazia do lugar mais fresco. Um grande genipapo fica entre a casa e o cacimbão. 

Umagi com três anos brincava com uma tampa de um galão de tinta. Fazia de conta que era uma direção. E numa dessas carreiras caiu no cacimbão. Não sabia nadar. Cledna quando percebeu então começou a gritar. Esterlina ao ouvir o grito saiu correndo e mesmo grávida pulou no cacimbão desprovida de todos os medos. Umagi disse que viu a água querendo engoli-lo, sua mãe tentava obstinadamente salva-lo e só conseguiu puxando pelos cabelos. Aquilo foi uma imensa aflição.

Escondido

 Sassá está muito esperto. Começando a fazer coisas as escondidas. Ontem estava usando o apontador para apontar um pincel. Eu reclamei. A dú...

Gogh

Gogh