Em casa de idoso o silêncio é a regra.
Assim foi na casa de meus avós Chicos.
A casa era grande e alta o silêncio parecia fazer eco nas paredes.
Parece que do oratório se sugeria silêncio.
Palavras pensadas e depois falada, o tempo embotando de sabedoria os cabelos brancos com suas cabeças vividas.
Vovo adoçava o café.
Vovô só observava.
O lengo-tengo da colher na vasilha de alumínio.
O preto sabor doce do café adoçado.
A chapada a vista.
O canto do golinho que em sua prisão a gaiola cantava por opção.
Preferia o canto ao silêncio.
Um exilado a cantar sua desgraça.
Seria de alegria ou de tristeza seu canto?
Quem sabe?
Só suposições.
Um dia o silêncio imperou parcial e outro dia total.
E tudo sumiu.
Uma nova ordem surgiu.
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