Meu peito está dividido!
Saudades de mamãe e de papai.
A presença de meu filho.
O limite entre ambos
É inefavelmente o tempo...
Só na imaginação poderemos sentarmos juntos...
Ser e existir...
O ser é eterno.
O existir é só um espaço de tempo.
Meu peito está dividido!
Saudades de mamãe e de papai.
A presença de meu filho.
O limite entre ambos
É inefavelmente o tempo...
Só na imaginação poderemos sentarmos juntos...
Ser e existir...
O ser é eterno.
O existir é só um espaço de tempo.
Vi algo muito interessante,
E adoraria contar,
Meus amigos eu vi
Dois sabiás a dançar,
Enquanto dançava chirliava,
Um canto de sabiá!
Um era o macho e a outra fêmea,
Um fofo e um esgui.
Dança pra cá,
Dança pra lá,
Tão bela aquela coreografia,
Não deu pra parar de olhar.
Foi um tempão.
Sobe no galo,
Voa pro chão,
Ora no cajueiro,
Ora na cirigueleira,
Uma dança transcendental,
Até apareceu outro sabiá,
Mas nem se meteu,
Olhou e foi embora...
E a dança foi quase meia hora.
Como dança o sabiá,
E nem sabia que sabia
Dançar um sabiá.
A mata a despertar,
Verdes folhas acendendo,
Com a gloriosa luz solar,
De repente nem ouço,
Mas aconteceu acolá,
Um vôo rápido e suave
Se acaba num pousar.
O que vem lá?
Um corpinho de sibite
Bico afilado e curvado,
O papo amarelo limão,
As costas cinzas,
E uma sobrancelha branca...
Adivinhe lá...
Uma patativa
Começou a cantar
Cantou para se alegrar,
Feito ventilador,
Girando da esquerda para a direita...
Por que cantar?
Animada canta muito e sem parar.
E de repente o silêncio.
A mata calada de novo.
Nem vi!
Mas sei que estava lá,
Mas sei que deixou de está
E agora o canto está longe!
Será ela ou outra?
Sassá está esperto!
Estamos brincando com as palavras e as fomas.
Gostamos de brincar com rimas das palavras.
Pato rima com gato...
Lindo rima com findo...
Comprei um livro chamado quem comeu os bolinhos.
Já lemos várias vezes.
Ontem como estava disponível, peguei-o para ler, mas antes.
Exploramos as imagens na capa e contra-capa.
O que! um bolinho sapato.
O que! um bolinho sapo.
O que! um bolinho piranha!
O que! um bolinho gato.
E rimos, antes de ler nos divertimos com essa brincadeira.
Depois li, li outro...
E ai fomos brincar na cama.
No dia cinco de setembro de 2025,
Estava em Serrinha dos pintos e algo surpreendentemente aconteceu.
Eu nunca tinha visto.
Era uma sexta-feira.
Acordei e vi a maior cerração.
Sai para caminhar e tudo estava fechando de cerração.
A gente não conseguia ver a uma distância de 100 metros.
Foi surpreendente, e o mais surpreendente é que durou a manhã inteira.
Com respingo de chuva e cerração.
Foi um dia, mágico, incrível.
O dia todo foi fresco e nublado.
Passamos até o dia inteiro em casa.
Ontem, Sassá se ocupou de desenhar,
Fez lindos desenhos de animais selvagens.
Sassá ama animais.
Diz que vai ter todos quando crescer.
Desenhou um lince,
Um cão vermelho,
Um coala...
E uma paisagem associada ao bicho.
Um chão.
Uma árvore.
Admiro com amor sua gana de desenhar.
Uma música toca minha alma.
Ave maria!
Acende em minha mente
A saudade de minha eterna mãe.
Maezinha que me alimentou,
me amou...
Enquanto estivemos presentes,
Compartilhamos o maior sentimento.
O amor.
Mãe sinônimo de amor.
Eva, Maria, Francisca...
Três pedras catei na estrada,
Santíssima trindade eu representei,
Pai, filho e espírito santo.
Sagrada família evoquei,
Jesus, Maria e José.
E rezei três pai nossos
E três ave marias.
Era granito ou quartzo.
Olhando para o espírito,
A fria pedra se aqueceu com meu calor.
Rocha infinita.
Três uma representação de completude.
Início, meio e fim.
No alto da aroeira,
Uma ave a cantar!
Sozinha cantava,
Parecia contente!
Interessante pois essa ave vive em bando...
Parei e contemplei.
Mas me veio uma indagação.
Completa!
Por que cantar?
Pra que cantar?
Qual a vantagem!
Se estava sozinha...
Se o canto não é uma memória
ou um texto...
Seria uma ave poeta?
Talvez não, mas era uma ave completa.
A gente chama a chama de papa-arroz,
Outros de chopim,
Outros de vira bosta...
E o que tudo isso importa.
Aquela ave completa,
Era uma pontinha dos mistérios divinos.
Caminhando vi o espaço passar,
Vi pedras no chão,
Vi a vegetação sedenta,
Vi a imensidão do lugar...
Vi um angico gigante,
Nu, sem uma folha a avistar,
Totalmente armado com seus cones espinescentes,
Tamanho era sua majestade,
Parei para contemplar.
O sadio é belo por ser pleno.
Só ramos e tronco,
Eterno o angico
Que um dia foi semente,
Um dia foi frágil...
Não tem passado, presente ou futuro.
Ele é!
E isso é tudo.
Na caatinga cinza,
A manhã a despertar,
Nos arbustos aves a cantar,
Na caatinga cinza,
O vento a assoviar
Entre tantos garranchos,
E as aves a imitar,
Galo de campina,
Sabiá,
Tico-tico,
Roxinó...
Parei para contemplar,
Na beirada do lajedo,
Vive uma aroeira,
Que cresceu tanto,
Tanto que de longe é avistada.
E foi ali o lugar
Que escolheu o carcará
Ver a manhã desabrochar...
No vai e vem da estrada,
No querer ir e voltar,
As pessoas nem percebem o lugar.
Caminhando achei tão velo,
O falcão a contemplar.
A manhã desabrochar.
Setembro, mês que significa sete, mas é o mês nove.
Fui a minha terra natal,
Vi tudo tingido de dourado,
Vi tudo tingido de cinza...
Pedra branca, pó branco,
Pedra preta, pó branco.
E o vermelho num barranco...
Amarela poeira ao vento solto.
Do cinza árvores nuas,
Árvores plantando bananeira,
Para o sol, para o tempo.
Quem é esta?
Eram as aroeiras,
Floridas e chumbadas...
Suas flores ao vento,
Visitadas por abelhas,
E pelas aves felizes a cantar.
Aroeira...
Tu florida é tão sublime,
É tão bonita...
Sua copa aberta,
Sua altura esgalhada,
Convida as aves a cantar,
Ao raiar do dia,
Ao raiar da noite.
Uma fotografia o que contém?
Memórias. Memórias. Memórias.
Memórias objetivas.
Memórias subjetivas.
Uma imagem do que é real.
Uma imagem do que é temporal.
Uma imagem com memória particular.
Memória do momento.
O que é se cristaliza.
Enquanto incessante muda.
Ser assim,
Ser ai.
A 10 anos num texto escrevi...
Uma frase...
Uma fotografia com memória subjetiva...
Com memória de experiência,
Com memória de um momento...
Captado por um olhar,
Desperto por uma percepção,
Processada em uma mente,
Objeto de uma consciência...
Pura abstração,
Pura virtualização.
Uma tempestade tomou conta de minha mente na noite de domingo dia 8 de setembro. Adormeci e dormi até uma da madrugada. Até então relaxei, mas depois que acordei não consegui mais dormir. Estava na rede no local onde mamãe sempre dormia. Como era uma noite de lua cheia, uma réstia de luz branco pálido chegava ao sofá ao lado da rede. Despertei com tantas idéias. Ideias de eternizar aquele momento...
Foram tantas as emoções vividas em uma única tarde. Meu filho desfilando pela primeira vez. Coisa que nunca fiz, apesar de querer. Rever os velhos conhecidos, meus professores e colegas de estudo do ensino fundamental e essa linda juventude que desconheço. O ouro de Serrinha! Os filhos e netos de meus conhecidos. Tanta gente maravilhosas. Fantasiadas e cheias de orgulho no peito.
O corpo docente organizando os pelotões. As bandas dando energia e ritmo ao desfile. Faltou a corneta!
A percussão nos emociona.
Garotos e garotas vivendo um sonho que poderão realizar.
Fez lembrar até o lema da minha turma de ensino médio "O futuro é luz que se acende com o esforço de cada um". um lema positivista...
Fui caminhando e vendo alguns professores idosos assistindo sentado. Meus professores todos aposentados. Quer dizer, mais de 30 anos que deixei as escolas de Serrinha.
Fui seguindo! marchando para meu filho ver e fazer direito.
Vesti o espírito de pai e esqueci o ridículo, todavia tenho a empatia dos pais.
Então sob a luz cálida e dourada que fazia cair a tarde... Pensei no tempo, pois o espaço é o mesmo.
Só o tempo separa a vida da morte, meus pais que antes ficavam em casa hoje dormem na eternidade.
A tarde caiu terna e sonora.
Cumprimenta um e outro. Uma parada para conversar minhas ideias. Ora agrada e da atenção, mas o povo quer ver beleza e não ouvir ideias. Esse desfile só corre um ano.
Entender que se faz parte do passado. Gente tem ânsia de ver o diferente e belo. Os nossos filhos, netos marchando. Uma multiplicidade de cores, de movimentos e de som.
A gente ri orgulhoso.
Chegando na praça! Todos lindamente posicionados. Algo me chamou atenção.
A rua Eugênio costa forma bons cerimonialistas.
Antes ao lado da igreja Chiquinho de Raimundo mora apresentava os pelotões e a difusora da igreja gritava para todo mundo a beleza dos pelotões e de nossos filhos.
Hoje, Danielle de Neném quem é a mestre Cerimônia!
O povo de Serrinha se multiplicou tanto.
Para abrilhantar a festa a lua nasceu amarelo girassol.
Salve a pátria Brasil...
Voltei no tempo quando dona Livani e dona Lenita hasteavam a bandeira em frente a escolha.
E via os nossos pais e vizinhos tirarem o chapéu em respeito a pátria.
Saudoso sim.
Hoje tudo mudou e continuará mudando.
Enfim, não consegui mais dormir, as 3:30h o celular despertou e eu chamei minha mulher e meu filho e organizamos as coisas e voltamos para casa.
Com o tempo tudo isso parecerá apenas um sonho.
O que é sonho e realidade?
A gente decide?
Dei um mergulho no passado.
Fui rever o lugar onde cresci e vi que estava tudo mudado.
Não encontrei a abraço do papai,
Nem o beijo de mamãe.
A seca roendo a vegetação chega está cinzenta.
Mas a vida resiste e floresce nas aroeiras,
Nós cajueiros e mangueiras...
Torrada a terra poeirenta marca mais um ano de sequidão.
Mas a mim é só beleza.
A catingueira, o Juazeiro, o cumarú.
O cabeça vermelha, o cancão e o anum branco.
O sagui.
Emergi do mergulho.
Voltei feliz crendo que a vida não é um sonho.
Ontem ao sairmos da escola, fomos ao mercado.
Sassá pegou seu chocolate e seu rocambole.
Quando ele está interessado, toma de conta das coisas.
Sempre que levar suas coisas consigo no acento.
Meses do ano
1. Janeiro é o mês com um rio que separa o Rio Grande do Norte do Rio Grande do Sul.
2. Fevereiro é o mês onde são gerados os escorpioninos.
3. Março é o mês das águas.
4. Abril é o mês quatro embora seja o mês de abertura.
5. Maio é o mês das flores e da mais importante de todas sua mãe.
6. Junho é o mês de Campina Grande ser o centro do Brasil.
7. Julho é o mês das chuvas em João Pessoa. Economia de energia com o friozinho gostoso aqui.
8. Agosto é o mês que nos deixa maluco com o sol e a chuva disputando maior presença.
9. Setembro é o mês do sete, mas que se trata do mês nove.
10. Outubro é o mês do oito que segura a balança.
11. Novembro é o mês do nove que é representado pelo onze.
12. Dezembro é o mês do 10, mas é representado por 12.
Ontem, retornamos para casa em João Pessoa.
Sassá acordou cedinho, mesmo atordoado, dando conta de coletar suas coisas e colocar no carro.
Seus aviõeszinhos que ganhou.
Ficou desperto por um bom tempo, depois dormiu muito até chegar na tapiocaria em Angicos.
Então, como estava faminto comeu uma tapioca inteira de carne de sol e banana.
Depois seguimos viagem.
Sempre atento a viagem viemos conversando muito.
Em determinado momento se pôs a desenhar.
Um galo gigante que vimos em Assu, um casco de peba, um tucuxi, um papa-vento, um teiú, uma preguiça, um carcará...
Paramos para ir no banheiro no mato.
Encontre uma rocha oval.
Chamei-a de eggrock.
Gostamos da palavra.
Chegamos em casa e nem percebemos.
A semente do mussambé no baldo do açude deitou.
Quando a água secou ali germinou...
Cresceu molestada por percevejos,
Se vestiu de pelos glutinosos...
Bem lentamente sob o sol escaldante
Sob a noite enluarada, por vezes estrelada,
Crescia sem parar.
Seu corpo se dividia,
Suas células se reproduziam
O caule se ramificou,
Seus ramos armados e glutinosos,
Exalavam um cheiro de sertão.
Foi crescendo...
Crescendo...
Até que chegou o dia
Dia de floração...
Foi se desenvolvendo, se consgruindo,
Célula a célula,
Dai veio a inflorescência,
Dai veio o botão...
E numa tardizinha...
Como bicho que pare perante o sofrimento...
Uma flor desabrochou.
A primeira flor...
Flor de corola alva,
Quatro lindas pétalas unguiculadas,
Arrodeando o centro seis estames longos, finos e liláses suportavam as anteras.
No cento uma haste sustentava o singelo ovário
Com seus óvulos só esperando a fecundação...
A primeira flor foi abortada...
A segunda vez já não é surpresa...
Na inflorescência várias flores floriram...
Sempre a tardinha...
O cheiro se espalhou pela caatinga...
E para surpresa,
Naquela noite enluarada.
Uma visita aconteceu...
Um morcego veio e sem pousar,
Agradeceu e o néctar comeu...
Levou consigo o cheiro e um monte de polém, trouxe polém também.
E assim aconteceu.
Um amor no meio de sertão.
Caminhando contemplava o amanhecer,
De dourado a cinza a vegetação se tingia,
Meu peito pulsava de tanta alegria,
A cada passo mais coisas a se ver...
Na vastidão do nascente o sol de luz tudo preenchia,
A salsa na beira da estrada suas estrelas desabrochava,
Rosa vivo, verde vivo...
Rodeada de sequidão...
O sol estrela grande
Alumiava e aquecia e tudo tostava,
Mas a salsa resistente,
Nem assim se entristecia,
Sua estrela ao mundo sorria.
Mirando o juazeiro e a aroeira,
Cheirava o aroma das flores de mangueira.
Resistente, no setembro que cresce para dormir em outubro.
Sassá foi desfilar no sete de setembro.
Foi vestido de leão.
Estava todo empolgado, embora não conhecesse nenhum coleguinha.
Eu estava emocionado, afinal meu filho desfilou nas ruas de Serrinha e eu nunca.
Estava radiante como o sol ao fim da tarde.
Os raios dourados do sol tornaram a roupa de Sassá ainda mais bela e dourada.
A mãe foi feito um satélite.
Desfilou o tempo o todo.
Até a concentração na praça de evento.
No fim fomos brindados com uma lua gigante e amarela.
Uma lua meio eclipsada.
Assim definiu Sassá
Sassá adora desenhar.
A mãe abre o computador e coloca imagens para ele desenhar.
Ontem, quando cheguei em casa, ele estava todo orgulhoso, pois havia acabado o caderno de desenho e estava desenhando nas folhas.
Quis desenhar bichos da Austrália. Então desenhou casuar, canguru, diabo da tasmanina, raposa vuadora, ornitorinco...
Estava todo feliz.
Mostrou os desenhos todo fofo.
Então fui deixar ele na escola.
Conversamos sobre a minha manhã.
O silêncio do ser,
O existir refletido...
Manhã, tarde e noite,
Madrugada, aurora, crepúsculos...
Uma noite estrelada,
O mar...
E a pergunta fulcral
Quem sou eu?
O que sou eu?
Em que momento desperto para o meu ser?
O calor do afeto,
O frio da saudade...
A necessidade de Deus,
Que pode ser mais humano?
A razão.
Os pares de opostos
Bom ou mal,
Belo ou feio,
Justo e injusto...
Que horas desperto pra tudo isso.
É o começo do fim.
A inocência que é perdida ao despertar para a vida.
Ser um ser de relação.
Ser e existir...
Uma condição única a vida com razão.
A tarde nublada e ventilada cai suavemente.
No horizonte um navio passa lentamente.
As ondas vindo vindo vindo
Alegram a alma.
Penso nas Maracanãs que sempre ouço aqui.
Ouço uma patativa, um bem-te-vi.
Vinícius alegre fala sozinho.
Tem quatro anos.
Zildo o homem dos guarda sol se foi.
Descansa depois de mais um sábado.
Uma barreira feira pela maré aqui está.
Areia quente e seca
Anuncia o verão.
Quanta coisa boa.
30-08-25
Escrito em na praia de Cabo Branco, num lindo sábado.
Sassá acordou cedo!
Estava com muito frio, o ar estava gelado.
Então se levantou e foi me encontrar na cozinha.
Reclamou do frio. Levei-o ao banheiro para ele fazer xixi.
Depois voltou e começou a conversar.
Tanta coisa boa ele conversa.
Sobre bichos. Ele ama os bichos. Quer ter o mundo.
Risos.
Abraço, cheiro ele e peço a benção.
Enquanto tomava banho ele contava os seus planos.
Então após arrumado.
Ele me abraçou me beijou e disse que me amava.
E me fui.
Algo em mim tenta falar comigo.
Como se meu eu do passado quisesse dizer algo ao presente.
As tardes sublimes de minha juventude já sentiam esse oco metafísico.
Nem imaginava este mundo que agora vivo.
Mas algo naquelas tardes no corredor de nossa casinha, apontava para isso.
Algo eterno ficou em mim.
Conceitos éticos, religiosos, além do físico.
Sinto como se aquele eu estivesse olhando para mim.
E espreito, como se pudesse olhar para ele naquele tempo...
Uma tarde, nunca cadeira, li alguns conceitos que deixaram muito em mim.
Ideias... a imortalidade de Platão.
A não violência de Gandhi.
Só sinto.
Sábado fomos ao jardim botânico.
Fizemos a trilha pequena;
Engraçado que Sassá já reconheceu e perguntou porque vamos fazer a trilha pequena.
Queria ver bicho.
Vimos apenas dinoponera.
Ficou satisfeito.
Depois brincamos muito, fotografamos, vimos as abelhas.
Foi muito sossegado o fim de semana de Sassá.
Prestei atenção a minha conversa com Sassá ao deixá-lo na escola.
E o tem foi a gata mel.
No nosso prédio tem um jardim.
Ali muitas vezes os gatos fazem suas necessidades.
Tem uns três gatos, mas uma é mais amigável e presente.
Tem o pelo preto e vermelho amarelado, e olhos melados.
Por isso, a denominamos mel.
Ela está sempre presente.
Bom ela costuma se esconder atrás de uma espada são jorge.
Ontem, cheguei e fui aguar as plantas.
Então deu um banho em mel.
Então quando desci e entrei no carro, contei do banho em mel.
Ele ficou encabulado no fato de mel gostar de se esconder.
Por que mel se esconde papai?
Pra não ser vista.
Por que mel se esconde papai?
Pra não ser aborrecida.
Por que mel se esconde, ali na espada de são jorge?
Porque é mais fresco.
Por que mel se esconde, ali na espada de são jorge?
...
Com esses porquês quase fizemos o trajeto todo.
Na rua paralela a escolha, onde tem uma oficina, vi um fusca vermelho.
Gritei um fusca vermelho.
Como sempre disse!
Vamos desenhá-lo.
Concordei, pois não adianta discordar.
À tarde quando fui pegá-lo havia mais um fusca vermelho agora dois.
Quase parei para fotografar,
Acabei me esquecendo de comentar com ele.
A chuva chovendo,
Tem diferentes faces,
A face de cada é subjetiva, peculiar de cada sujeito,
Agora chove!
É maravilhoso ouvir a chuva chovendo.
Molhando a mata, o chão, o telhado...
Sinto paz,
Quando estou em segurança.
Para mim, que vim de onde chove pouco.
Chuva é sinônimo de benção.
Ontem, como sempre fui deixar Sassá na escola. Fomos conversando sobre como havia sido sua manhã. Falou que foi ao dentista, mas que foi rápido. Conversamos sobre o que eu havia feito. Enfim, fomos mais devagar. Sol quente do meio dia merece um ar ligado, janelas fechadas para não assanhar o cabelo de Sassá. Havia colocado sua blusa de frio, pois sua nova sala tem um ar agora. Cheguei, estacionei e como tinha pressa não estacionei como de costume. Foi mais apressado. Então quando chegou lá, dei um beijo e me despedi. Ele foi andando quando ganhou um abraço por trás de uma coleguinha. Foi engraçado, pois ele se sentiu desnorteado e feliz. Sem saber qual a direção. Depois sai correndo para a reunião.
Sassá está cada vez mais dinâmico.
Ontem por acaso pulei na cama e ele viu meu pulo e adorou.
Praticou inúmeras vezes até fazer o melhor.
Adoro isso!
Uma criança repete inúmeras vezes a mesma ação.
Até achar que está bom.
Meu garotinho está nessa.
Gosta de repetir as atividades.
Será se é para se sentir seguro?
O lugar onde nasci.
Terra arenosa e poeirenta,
Espelho da terra alvo e alaranjado...
Está lá, está lá, está lá.
Meus primeiros passos físicos, espirituais e mentais.
Uma longa caminhada em busca da sabedoria.
Essa busca nunca cessa.
Nunca cessa.
Voltei-me ao mundo.
Agora volto-me minha terra natal.
E não encontro nada.
Só o lugar que é e sempre foi um lugar.
Em mim, memórias.
Carrego uma face uma gama de histórias.
Carrego minha história.
Se volto lá.
Nada revivo.
Porque estou sempre vivendo.
Mas voltar aquele lugar me ajuda a
Entender o que sou.
A perceber como me construi e como nada e duradouro...
Areia, barro, Jurema e caju.
E eu.
Acordava com medo da vida,
Despertando a consciência de que o tempo passa e não tem retorno,
Pensava em papai e mamãe gozando sua velhice.
Sentia o maior medo de minha vida a perda deles.
Na rede fresca olhava o telhado velho amigo de infância.
Telhas, ripas, caibros e linhas tecidos e uniformes, mostrando a pluralidade da unidade.
Meus ouvidos revelavam a beleza daquele lugar e canto do sabiá fazia entender a beleza de viver isso no inverno,
No verão me despertava o galo de campina...
Os jegues emudeceram...
Os cambitos e caçoas morreram.
Sem a fecundação humana morre a cultura e sobra na natureza.
Sem nosso saber e nossa presença morre também o lugar.
Papai se foi a quase cinco anos e mamãe a quatro.
A casinha está viva
Com uma luz acesa de nome Francisca...
Sou bisneto, Neto e filho de Francisco.
Carrego um cordão de São Francisco no pescoço e um tao de santo Antônio no peito.
E a minha alma que não é franciscana precisa ser domada todo dia ao som a ave Maria peço perdão a Deus.
Meu dia chegará,
Por agora é rezar e cumprir a tarefa da vida.
Viver
Ontem fomos a procissão da capela de são Rafeal ao santuário da Penha.
Chegamos na igreja e a missa estava quase terminando.
Ficamos apenas na porta lateral.
Então Sassá perguntou por que não íamos entrar e sentar e assistir a missa.
Ai tentamos explicar para ele.
Ele parcialmente entendeu. Dissemos que íamos assistir a missa no santuário da Penha.
Assim fizemos, participamos da carreata e chegando lá assistimos a missa.
No fim da missa comprei uma blusa para ele da procissão da penha.
Ele já vestiu.
Ontem a noite Sassá fez a primeira travessura.
Estávamos jogando bola. E ele estava gostando muito do fato de está chutando bem.
Antes de mais nada chutando forte.
Sem senso de direção, mas chutando, aperfeiçoando os chutes.
Pois criamos um obstáculo para não entrar na cozinha, como a bola é grande não adiantava muito.
E como nossa cozinha é americana.
Uma bomba saiu do pé de Sassá e atingiu em cheio o vaso com o arranjo que quebrou.
E foi isso.
Ai foi o fim do jogo.
Fui dar banho nele.
Chorou pelo banho...
Daí, passou a mamãe fez pipoca e ele foi ler comendo pipoca.
A vida avança e ganha sentidos.
Precisamos de objetivos um emprego, um objeto para comprar, morar só, ter melhores condições.
Bom isso até a gente ter filhos.
Com os filhos nossos valores pessoais mudam,
Assim, quando você nasceu a vida de nossos pais mudou muito...
Ama mais quanto mais filhos tem...
Há que saber dividir o amor.
E você foi a terceira que vingou e segurou em nossa casa.
Foi intensamente amada.
Quem tem mais de um filho ama de forma diferente.
Mas o amor é por igual.
Os valores são os mesmos.
Eu olho para o tempo e percebo como passou rápido.
Se olho para o esforço dos meus pais, concluo que valeu apena.
Estou aqui, e segurei o bastão quando quis ter filhos.
Amor incondicional.
Quem tem mais de um filho ama mais...
Amar é dividir...
Amar é se doar por inteiro.
Como chegamos aqui!
Basta olhar na nossa história,
A nossa história é a mesma dos nossos avós, nossos tios e nossos pais.
No final somos iguais, porque o que nos uniu e une é o amor.
Ontem, Sassá e eu brincamos de carrinhos.
O carro dele era um carro com rabo de peixe vermelho.
O meu um moderno carro azul.
As rodas cantaram na sala.
Colocamos como obstáculos uma bola e uma chinela com uma embalagem de bolacha maria.
Vai e volta chegando a perder de vista.
Parou sob o sofá, sob a geladeira na cozinha.
Dai usei o cabo de vassoura na porta da cozinha para impedir que o carro parasse sob ageladeira.
Deu maior trabalho.
Depois à noite, após a escola, nossa brincadeira mudou...
Estava tão cansado e ele queria brincar de encontrar dinossauro no nosso livrinho.
Mas eu apaguei.
Ontem na hora do almoço.
A mamãe pediu para ler a história do curupira.
Li primeiro uma versão bem interessante e longa.
Depois li uma versão bem curta da turma da Mônica.
O interesse de Sassá por histórias é intenso.
Ajuda muito o fato dos livros infantis serem muito ilustrados, pois facilita e viabiliza a imaginação.
Além do poder que tem a imagem de fixar o conceito.
Li, mas de uma vez.
A historia que envolver muito o cuidado com a natureza,
O entendimento que a natureza é o lar dos personagem.
A luta do bem e do mal.
As ideias sendo inseridas ai.
Não sei como foi, pois ele iria contar essa história na sala.
Deve ter sido bom.
Ontem, Sassá e eu brincamos muito.
Após chegar da escola, sem encheu de doce do aniversário de Lis.
E ai comeu muito pouco.
Dai, a mamãe falou basta. Ele moeu, moeu querendo mais, mas a mãe foi firme e ele esqueceu.
Estava na rede dai ele chamou para irmos para a cama.
Fomos, levamos o locutor e tirando.
Brincamos até de apresentação.
Então a mamãe, escovou os dentes dele e deu um banho.
Na volta, peguei vários livros entre eles o favorito no momento.
"Não estou desaparecido".
Li, li mais dois e quando percebi estava dormindo.
Quando sai para o trabalho estava na mesma posição.
Que sono maravilhoso.
Sábado, sai com Sassá para fazer umas fotos.
Ele me perguntou se emprestaria o celular para fotografar.
Afirmei que sim.
Saímos de carro.
Por que vamos de carro me perguntou?
Para ser mais rápido e é longe.
Para ficarmos protegidos da chuva perguntou.
Sim. Isso mesmo.
Na ida ao passar pela avenida do contorno vi uma iguana.
Mas resolvi que só iriamos ver na volta.
Fizemos as fotos.
Fizemos as fotos, fomos até o jardim, mas estava fechado.
Retornamos e no lugar já não vi a iguana,
Mas por sorte vimos no pé de jitaí que já fiz uma foto espetacular com sete preguiças,
pudemos ver uma linda mamãe com um filhote.
Ele quis fotografar.
Depois saímos em busca de mais coisas para fotografar.
E no retorno do carro na avenida do contorno.
Vimos outra preguiça numa Cecropia.
Então dali fomos ao mercado.
E ao chegarmos em casa, tomamos banho e fomos a peixada do amor.
Sassá o esperto,
Ao sair da escolha perguntou pela bala que eu havia encontrado.
Pensei que era o embaré de leite.
Disse está lá no carro.
Quando chegou no carro, dei o embaré para ele.
Então me disse, não é essa.
Cadê a bala?
Eu disse.
Ele falou não é essa.
Cadê a bala?
Respondi que era aquela.
Ai entendi que ele tinha percebido que eu havia encontrado uma bala.
Que ele se referia aquela...
Mas...
Papai amava a natureza,
A gente se combinava,
E se eu gostasse ele aprovava,
Uma nova planta era preservada.
Um pé de Jucá,
Uma cajaraneira,
Um mororó,
Uma aroeira,
Um feijão-brabo,
Um mandacaru,
Um cumarú....
E o sítio ficou a nossa cara.
A saudade aperta o peito.
Quando lembro de ti papai,
Quando lembro de ti mamãe.
Tantas vezes juntos,
Tantas vezes compartilhamos nossa existência...
Tantas vezes fomos felizes.
Agora estou aqui seguindo a vida sem vocês dois.
Mas um dia estaremos juntos na eternidade.
Vieram primeiro e foram primeiro.
Assim é.
Ontem, Sassá conheceu o coloral. Uma semente tirada de um pé de urucum. A mãe dele o apresentou.
Não sei qual foi a reação não o vi. Só sei que ele usou o pilão que usaram para pilar as sementes para fazer um aquário.
Ele só pensa em aquário.
Faz aquário de tudo.
Garrafa pet, garrafa de água, copo, e agora até o pilão.
Ontem amou o livro que ganhei um catálogo de animais da Paraíba!
Vimos todos os bichos do livro e empolgado, gritava os nomes dos bichos que conhecia.
A noite cansado! Pediu colo. A mamãe leu para ele e finalmente dormiu.
Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...