Vi o mar, no sábado.
As águas estavam claras, esverdeadas como esmeralda.
Brincamos na areia.
Tomamos banho de mar.
Estávamos lá:
Eu, mamãe Dayane, Papai Rubens e tia Lidiana.
A manhã voou.
De tão bom.
Vi o mar, no sábado.
As águas estavam claras, esverdeadas como esmeralda.
Brincamos na areia.
Tomamos banho de mar.
Estávamos lá:
Eu, mamãe Dayane, Papai Rubens e tia Lidiana.
A manhã voou.
De tão bom.
O gaturano me surpreendeu,
Veio aqui na minha janela cantar.
Ele mais uma patativa e sanhaçus.
Esse pássaro lindo que parece fin-fin.
Só o conheci aqui.
Foi agradável o encontro.
Os números impares me encantam
por sua peculiaridade,
São números não especulares,
Únicos.
Crescem em espiral...
Gosto dos números pares,
Mas me identifico mais com os impares.
1, 3, 5, 7, 9 ...
Há algo de irracional nos números impares.
Espiral,
Caracol,
Báculo,
Buracos negros,
Estrelas de Gogh.
O sol nasceu,
O dia amanheceu,
Nós fomos passar,
Fomos andar na praia,
Tomar banho de mar.
Contemplar a linha do horizonte,
Sentir a textura da areia,
A água salgada,
Ouvir o chua-chua da onda quebrando na praia,
Ver as espumas fazer e desfazer.
Fomos passear.
Viver o mar.
Fomos ver o mar nesse final de semana,
No sábado.
Brincamos na areia,
Bolamos na areia da praia.
Vinícius provou a água salgada do mar.
Depois tomamos banho no mar.
Olhamos a linha do horizonte...
Que grande é o oceano por trás do mar.
Amém.
Na casa de mamãe tem um lorinho.
Verdinho com o papo amarelo.
Tão belo.
Já está idoso.
Mamãe conversava muito com ele.
Ele está lá.
O tempo vai passando.
A vida continua.
Ao lado de minha sala
Moram belas aroeiras,
Fortes aroeiras,
De tronco preto e estriado,
Uma delas tem dois fustes,
Que dançam e geme de vez enquanto.
Ando ouvindo Mozart demais,
Será se elas curtem?
Até agora não reclamaram,
Por via das dúvidas,
Será o rugido uma reclamação.
Acostumadas como são de ouvir apenas
O vento e a música da floresta.
Ah!
É tão linda a música da floresta,
Já ia me esquecendo dos passarinhos,
Tadinhos, pois me alegram tanto.
Vou ter que ir.
Tchau aroeiras.
Acho que vou nomeá-las.
Damiana a que ringe
E Cosma a que não ringe.
Fui...
Ontem fui ver o mar,
Ver o mar é sempre tão bom,
A profundidade de campo,
A linha do horizonte separando o oceano do céu,
As ondas que se acabam na praia e
Continuam a cantar em nossos ouvidos,
A brisa soprando nossos corpos,
A água indo e voltado,
A água salgada espumando,
A areia macia...
As vezes me perco ao olhar para o mar,
Vejo o infinito em minha frente.
Vejo tudo e o nada,
Pois tudo é nada
E nada é tudo...
São muitas as faces da realidade a ser conhecida.
Por isso a vida precisa ser refletida.
Tentar entender todas as vertentes,
Todos os acidentes.
Hoje está ventando muito.
Agosto está se indo.
Agosto está se indo.
Após o sábado chuvoso,
O sol apareceu no domingo,
E hoje na segunda-feira,
Agosto se despede.
O vento sopra suave,
Límpida manhã,
O ramo da apuleia
Balança num ritmo cadente
Parece dançar com o vento,
Parece acenar para o tempo.
Aqui em Jampa,
Quem está me adorando é o bem-ti-vi,
Às vezes o rouxinol,
Hoje além de tudo havia uma patativa.
O canto vai avisando para a madrugada ir embora,
As estrelas vão saindo de cena,
Para o nosso pai sol chegar.
Sopra o vento do verão,
Agosto vai se indo...
Entre tantas rochas das ruas, muros e paredes.
Há de encontrar um jardim florido.
Um jardim que te ofereça uma singela beleza,
Esculpida pelo sol,
Tecida pela vida,
Uma bela flor,
Pode ser colorida
De amarelo,
De azul,
De rosa,
De verde...
Há de encontrar uma flor.
Perfumada.
Há de encontrar caridade da natureza,
Há de encontrar uma alma caridosa,
Que cultive uma flor para si,
E para todos que ali possa olhar.
Generosidade...
No mundo nunca há de faltar.
Ontem foi dia dos pais.
Meu segundo dia dos pais.
Foi um dia maravilhoso.
Me sinto plenamente realizado sendo pai.
Todavia quero continuar aqui sendo papai.
Até quando meu bebê seja pai.
Mas só depende do pai divino.
Adoro ser papai.
Senti muita saudades do meu paizinho
Que voltou ao colo do divino.
Assim é.
Pensar tem várias faces ou vertentes.
Às vezes pensar pode nos entristecer, nos alegrar, evoluir.
Na verdade é o pensamento que gera sentimento, aquilo que pensamos e o modo como pensando.
Hoje em meus estudos reflexivos que incluem muito a família e todas as sua problemáticas boas ou ruins.
Enfim, acendeu uma luz em minha mente.
Como foi maravilhoso o último domingo.
Nós acordamos, fomos ao barro vermelho, é sempre bom ir ao Barro vermelho porque lá tem dona Nenem, com a paciência de um monge budista, sempre com a face contente. Talvez por ter sido professora de primário. Enfim... teve o episódio do sentimento de Susi. Bonito, mas engraçado.
Teve a ida a rua para fazer as compras...
Teve o stress de Roberto e Lidiana com a adição de feijão... pois mais quatro pessoas foram convidadas.
Sabe aquela áurea de mamãe e papai presente.
E cada momento foi se revelando como se papai e mamãe estivesse ali.
Depois teve o almoço.
Foi tão maravilhoso.
Vieram dona Nenem, Sanzia, Susicleide, Teotónio, Pedro Henrique, Anibal, Lígia, Páblo, Nícolas, Begue, Susi, Eu, Dayane, Vinicius e os donos da Casa Roberto e Lidiana. Ah. Yolanda, E as duas meninas.
O almoço foi tão agradável.
Parecia que mamãe estava ali na área.
E papai aqui na área de Roberto.
O tempo voou...
Foi muito gostoso.
Depois foram se indo.
Dona Nenem ficou até a tarde.
Dai apareceu Raimundo e Neta.
E passamos o resto da tarde na Calçada da fama.
Tudo foi como era antes, porque nós somos assim.
Nos somos os Queiroz...
É a nossa essência.
Mas só somos os Queiroz unidos,
Juntos, comemorando com nossa maneira de Ser simples.
Tudo foi maravilhoso porque nos dispomos a nos unir.
Dinheiro no mundo nenhum paga esses momentos.
Porque a vida é uma totalidade de momentos.
Cada momento é importante.
Para trabalhar, ganhar dinheiro, rir, chorar...
Temos que entender que cada momento é impar.
Que dinheiro no mundo inteiro paga esses momentos.
Que um momento perdido jamais será comprado por dinheiro nenhum.
Foi maravilhoso aquele domingo.
Estávamos entre irmãos e familiares.
A cada até ganhou vida.
A felicidade foi plena.
E agradeço a todos que fizeram isso.
Nós os Queiroz.
Acúmulo
Um, dois, três...
Que coisa é mais urgente?
Que coisa é mais urgente?
Como dá peso?
E prioridade?
Na minha janela do trabalho tem umas árvores bonitas de aroeira.
Ontem fizeram uma poda drástica.
A sala ficou muito clara até.
Posso ver o céu nublado.
Daqui a pouco só o sol do azul de verão.
Coisa boa.
Mudando de assunto.
Tem um ninho de roxinó com filhotes.
Todo dia é uma piadeira.
Hoje tudo silêncio.
Terão morrido?
Não tem um gato a espreita desde muito cedo.
Como será para a mamãe roxinó conter os bebes do barulho?
Instinto...
Instinto de sobrevivência.
Já tentei espantar o gato com Shiiiiii.
Mas nada.
Tá ali deitado na condensadora do ar.
Shiiiii
É preciso se aproximar para ver com mais nitidez.
É preciso manter uma certa distância.
É preciso ter um certo cuidado.
Pra entender algo,
Para digerir algo,
Tem que saber se esse algo vale a pena,
Tem que saber se é real e não uma ilusão.
Aproxime,
Com cuidado,
Então transcenda tudo isso.
A luz é Jesus.
A distância se cruza com a fé.
Tudo precisa ser entendido,
Tudo precisa ser digerido...
Agosto chegou.
Fará 22 anos que sai de casa.
Agosto aniversário de meus irmãos, sobrinhas, meu primo, meu avó.
Agosto.
Julho se entregou a agosto num clima de chuvas e clima frio.
Quantos elementos afetivos não.
Quanta coisa num mês.
Mês dos leoninos no horóscopo.
Como juntar tanta coisa num texto com sentido?
Nem imagino.
Tem coisas que são possíveis,
Pesarosas e dolorosas.
A gente procura nem encontrar as linhas de conexão.
Aqui está agosto.
Esse ano,
O ano passado tem sido muito difícil por ter perdido meus pais.
É preciso ser forte para suportar e seguir em frente.
Meu filho é minha fonte de fé, de energia
Para continuar mais um agosto.
É em agosto de 2000 fui para a faculdade.
A gente celebra o dia dos pais,
Os aniversários.
A vida vai seguindo em agosto.
Patativa
Uma patativa cantando aqui fora, na borda da mata.
Singela ave, pequeno pássaro de papo amarelo,
Dorso cinzento e sobrancelhas alvas.
Pequenina, se bico agudo arqueado,
Que canta como nenhum outro pássaro.
Adora o doce das frutas no pé.
Seu canto animado, anima a cidade de João Pessoa,
Onde tenha um jardim com uma fruteira,
Pode esperar que ela um dia aparece para cantar e comer.
Tão contente.
Como dizia, lembrei da minha infância regada a frutas e fruteiras,
Das doces pinhas nas pinheiras ficava esperto quando ouvia
A patativa a cantar,
Ali naquela pinheira,
Pinha madura sempre havia.
O branco doce das pinhas,
O canto doce da patativa,
A emoção desta doce memória,
A memória de infância,
Vem sempre acompanhada de mamãe,
De papai, dos irmãos,
Do sítio...
Ah!
Patativa o teu canto,
Despertou uma memória...
Que quero apreciá-la até que se vá,
Como você se foi.
Rápido...
Comer goiaba é muito bom.
Melhor ainda quando a gente come no pé.
Na infância, fui criado num sítio.
No nosso sítio tinha pés de goiaba que nasciam aleatoriamente.
A gente comia aqui e dispersava ali.
Uma das maravilhosas lembranças é justamente de bem depois do café,
Perto das 10h, a mamãe saia com a gente para comer goiaba.
A gente era criança...
E ficou na minha mente,
O gosto amarelo-rosado da goiaba,
A posição geográfica das goiabeiras no sítio.
O conforto de encher o bucho.
A nossa presença compartilhada.
Que delícia o gosto da goiaba,
Que delícia o gosto do amor.
O dia nasceu,
O sol apareceu,
Depois veio a névoa,
Depois nublou.
A mata silenciosa,
Aguarda a chuva.
Um sabiá piou na borda da mata,
Minha mente expandiu e contraiu,
Lembrei de Campinas,
Lembrei de mamãe,
Ai cantou uma cambacica,
Ai cantou o ferreiro-relógio.
Silêncio.
A mata aguarda a chuva.
A fumaça do chá de cravo
Incensa minha sala.
Volto a mim.
Dissolvo todos os meus pensamentos.
Rezo um pai nosso.
E me preparo para mais um dia.
Mais um dia de sol!
Sensacional.
Após uma semana de chuva e umidade alta o sol é bem vindo.
A casa até fica cheia de vida.
A luz atravessa a janela alumiando tudo.
Quem não gosta muito são os fungos.
O mais tudo vai bem.
Logo mais chegará o verão.
Serão meses de muita luz e energia.
Agora podemos curtir a alta umidade,
Os ventos intensos.
Esse texto só faz sentido nos meses de chuva é claro.
Enfim.
Mais um dia.
O sol contrariou a meteorologia,
Vi que choveria o fim de semana e essa semana, entretanto sábado, domingo e hoje está sol.
O dia apesar de claro, frio.
Muito vento soprando.
Ontem, à tarde, fomos a praia.
O céu azul entregou a tarde a noite.
Eu, meu filho e minha esposa sentamos na areia da praia e contemplamos o horizonte.
Expliquei para meu filho que aquela linha que separava o oceano do céu era a linha do horizonte.
Ele, apesar da idade, 1,6 anos, atenciosamente se envolvia com as palavras e a cena e repetia.
Depois descontraiu e foi andar na areia descalço.
Enquanto isso, minha mente se perdia em tantos pensamentos...
As ondas se quebrando na praia,
A espuma se desfazendo ao vento.
E meu filho sorrindo ia e vinha.
Minha esposa conversava e cuidava do menino...
Coisa boa o erro da meteorologia.
Os dias se sucedem,
Ontem a chuva chovia suave.
O chiado da chuva e do vento animavam minha alma.
Hoje é silêncio.
A chuva não choveu.
Estava silêncio até um bem-ti-vi quebrar o silêncio,
Depois vieram as siriris,
Depois um sanhaçu piou...
Tomei atenção nos sons...
De repente muitos sons apareceram...
Bem-ti-vis, uma corroíra.
E o silêncio ouvido por minha mente,
Já nem liga para o chiado do computador,
Do ar condicionado,
Quem chia é a minha mente,
Processando, memorizando a vida.
Algumas coisas merecem ser guardadas enquanto outras deletadas.
Bom as vezes tem um arquivo muito grande que não sabemos se deletamos ou guardamos,
Ai vamos procrastinando...
Depois de muito pensar,
Resolvi deletar.
Da memória e da lixeira.
Bem agora é preciso um novo em si,
Vamos começar tudo de novo.
Ontem chovia,
Hoje não chove,
Ontem fazia som,
Hoje é silêncio.
E assim vamos seguindo.
Chove,
Cessa a chuva,
Chove,
Cessa a chuva...
Assim é o clima tropical.
Muita chuva,
Chuvas convectivas.
Não tem hora para chover.
Chove... chove e chove.
A mata fica animada,
A cidade fica alagada.
Na mata cantam a passarada.
É patativa, é rixinó...
Na cidade tudo fica melado,
A gente reclama...
Não aprendeu a viver em harmonia,
Não respeitou a lei da natureza,
Não respeitou o curso dos rios...
Assim...
Chove, chove e chove...
A patativa está muito animada.
Com esse céu encharcado,
Canta porque sabe que é coisa da natureza.
Porque entende a beleza,
Porque sabe que a natureza é a mãe.
Quem sabe até quando ai estará?
Quem sabe um empreendimento não a destruirá.
É o progresso desorganizado.
Quem importa...
Canta patativa.
Chove sem parar.
Chuva convectiva.
Vi a madrugada chegar.
Vi o dia amanhecer.
Na madrugada cantou o rixinó e o siriri.
Pensei no som das aves como conforto.
Pensei na harmonia.
Num continuo amanheceu.
E estava desperto atento as atividades
A serem feita...
Café, organizar as coisas da cozinha,
Cozer o chá e os ovos,
Comer, tomar banho.
Coisas habituais.
E o que fica de tudo isso.
O ser.
Parece que foi ontem que sai de casa.
Morando no interior e desconhecendo o mundo.
Cada vez que saia de casa o mundo se revelava.
O mundo era tão grande, tão vasto.
O mundo é grande e vasto, mas quando a gente se aventura nele.
Percebe o quanto é grande e vasto.
Fui embora como uma semente alada.
Por conta de Deus.
Papai e mamãe ficaram tão tristes.
Mas sabiam que era preciso que seu filho fosse além.
Papai tinha ido além.
Papai foi no escuro, aventurar um trabalho.
Eu estava indo para a faculdade.
Foi duro sair de casa.
Foi dura minha partida.
As partidas tem essa áurea.
Um misto de saudade com um misto de curiosidade.
Será que a morte é assim.
A gente deixa um universo conhecido e vai para um universo desconhecido.
A gente é nesse momento como o tempo e espaço.
A gente é como conhecido e desconhecido.
O tempo vai revelando.
O espaço vai revelando.
A gente experimentando.
A quem fica existe o vazio.
A quem vai existe o novo o curioso.
O desenrolar.
Foi em agosto que fui para longe de casa.
Hoje, faz um ano e sete meses que papai foi embora de casa.
Foi embora da terra.
Papai encontrou a eternidade, o descanso eterno.
Fica a memória dos momentos compartilhados.
De tudo fica uma aprendizagem.
A partida dói muito, mas é inevitável.
Cada um tem que partir.
Cada um tem que viver a experiência.
É o resumo da vida.
Algo grande acontece com a partida.
A evolução.
Eu evolui... tantas coisas se revelaram.
Papai certamente bom que era está num plano maravilhoso.
Papai... te amo.
Esse é meu resumo.
Sabe a inteligência nos encanta.
Inteligência bem usada.
Há aqueles que sabem usar a inteligência elegantemente outros são espertos.
Borges é um exemplo lapidar de quem soube utilizar a inteligência.
Usou sua sabedoria como chave para decifrar as belezas presentes nos livros.
Sua paciência, suas meditações e reflexões desencadearam numa percepção fabulosa de extrair dos textos beleza.
O fato de ver o que ninguém viu.
Perceber o que não foi percebido...
Estando tudo ai.
É de notar grandeza de entendimento.
Foi assim.
Uma amiga me apresentou certa vez.
Estava no mestrado.
O livro era em espanhol...
Não lembro qual era...
Li por influência, mas por causa de fluência na língua e em filosofia.
Bem aquilo foi apenas um autor, argentino por cima.
Todavia, ficou guardado.
Anos depois na livraria leitura no Shoping Don Pedro em Campinas vi um livro.
Uma espécie de autobiografia.
Realmente, em português e com mais leituras de filosofia.
Fui arrebatado...
Li como um diabético que come um pudim...
Nunca tive tanto prazer.
Depois vieram outras buscas por conhecer este divino autor.
Ainda mais por ser autor de contos...
Sabe a nossa amizade continua até hoje...
Ouço palestras, li vários livros.
É assim para não esgotar minha paixão...
Vou degustando aos poucos.
A inteligência sagas e paciente nos arrebata amigo.
Sinto tanta saudade!
De abraçar e beijar
Papai e mamãe.
Que chega a doer forte o coração.
A vida essa ilusão.
Agraciado é quem vive com amor,
Quem vive com paixão.
A saudade arrocha quando vou no baú da memória.
Tudo vai ficar bem.
Papai seguiu o curso da natureza onde ele morava.
Como as ervas morrem em agosto.
Em agosto adoeceu,
Como as ervas desaparecem em dezembro.
Em dezembro ele desapareceu.
Mamãe!
Ah.
Mamãe
Como a natureza se foi muito cedo.
Nem esperou o inverno chegar.
Se foi em janeiro...
Foi muito cedo.
Saudades de meus genitores,
Saudades de meus amados amores.
Certo domingo,
Fomos para a casa de vovó,
E lá, fomos na casa de tia Teinda.
Mamãe foi ver a última filha que acabara de nascer.
A gente entrou pela cozinha.
Naquela casa sempre se entrava pela cozinha.
O sistema lá era diferente.
Embora fossemos todos pobres.
Nós fomos morar em outro lugar.
A gente aprendeu muito com o sistema do lugar.
Mamãe era mais ligada nessa coisa de cuidado.
A gente sempre ia lá em tia Teinda.
Memorável memória.
Apesar de lembrar apenas da meia luz,
Da rede...
Nada mais.
Essa realidade que me espanta.
Que se faz,
Que é,
Que se desfaz.
No tempo e no espaço.
Vejo o passado tão recente
Através de uma fotografia.
Essa realidade que existia,
Essa realidade que se desfez.
O que é a realidade a propósito?
Um movimento no espaço e no tempo?
Movimento de matéria e energia.
Não sei...
Um rouxinol cantou lá fora.
Cantou algumas vezes
E sumiu para mim.
Não o vi,
Apenas o ouvi.
O que é a realidade?
A realidade era o rouxinol?
A realidade era seu canto?
A realidade é um carácter?
Não sei.
Ontem foi um dia de chuva daqueles.
Amanheceu nublado,
Depois caiu o maior pé d'água.
A manhã terminou com chuva e a tarde foi a mesma toada.
Hoje o dia nasceu ensolarado.
O dia continua ensolarado.
O vento está suave...
A propósito descobri os trigramas do I ching.
Muito interessante,
Porém é preciso paciência,
Pois os movimentos de apreensão do objeto são muito próximos.
Sabe espécies próximas do mesmo gênero?
É preciso uma relação muito maior
Que espécies de gêneros diferentes.
É exatamente isso...
É necessário um tempo muito maior para a formação de um gênero.
Como detectar que algo novo surgiu?
Olhando para a palheta de dias.
Ontem,
Hoje,
Amanhã.
Voltando ao dia de ontem a chuva foi divina.
Estava precisando chover para dar continuidade ao período de chuva.
E o sol de hoje não vai demorar muito....
É período de chuva.
Teremos sol a maior parte do ano.
Chover portanto é importante.
Quanto ao trigrama...
Bem tem o Yang e o Ying.
Que pode ser representado por 1 e 0.
Pai e Mãe.
Céu e terra.
Seus filhos fogo e água - lago e montanha - vento e trovão.
Constituem um octagrama -
E os chácaras...
Bem essa é outra história.
Tudo se fez,
Tudo se desfez,
No tempo,
No espaço...
Um dia surgiu, cresceu, desenvolveu e existiu.
Um dia sumiu.
Para onde foi a existência?
Um dia acordei,
O dia era ensolarado.
Ouvia um som agradável,
Som de folhas de buriti,
A noite ocultava a beleza do lugar
Que fora revelada pela luz do dia,
Esperava encontrar a plenitude lá.
Não encontrei nada,
Porque buscava,
Quando se busca algo, limita a percepção da realidade.
O caminho é a totalidade de todas as coisas.
O vento acaricia as folhas das árvores,
Que de tão contentes cantam um chiado doce,
Doce como o se derramar das águas nos riachos.
As árvores por vezes dançam pra lá e para cá.
Dançam felizes pelo existir.
Tem o que precisam
Água, luz e minerais,
Tem o solo para lhes sustentar,
Tem a noite para apreciar e descansar,
Quando algo lhes faltam elas não brabegam
Resistem fortemente.
E tudo é como é.
Voltei a minha casa pela segunda vez.
Agora sem papai e sem mamãe.
A casa parece pequena.
A casa está vazia.
O que preenchia a casa não eram objetos,
O que preenchia a casa não eram coisas.
O que preenchia a casa era a presença.
A presença de mamãe.
A presença de papai.
A presença de espírito.
O uso e ocupação dos espaços.
Três pessoas ocupam mais espaço.
Mamãe, Papai e Li.
Tem os gatos Boris e Belinha,
Tem os cachorros Shaquira e Sherloque.
Tem o louro e as galinhas.
As coisas são apenas coisas.
A presença...
Nos terreiros havia mato,
No quintal era só mato.
Rocei.
Limpei.
Abri e descobri o mato.
A presença de papai preenchia o sítio
A presença de mamãe preenchia a casa.
À tarde tinha o cochilo,
Tinha o café,
Tinha o pão...
Agora tem o silêncio frio.
Que não é total pelos bichos.
Li fala alto,
Acho que é para se ouvir.
Nada volta a ser como antes,
Mas pode ser um novo.
Temos que nos acostumar com a ausência.
Temos que aceitar a realidade.
Essa casinha que papai tanto gostava
Não deixava ela por festa nenhuma,
Só saia por necessidade,
Uma feira,
Um pão,
Uma missa,
Um velório...
Papai era introspecto.
Mamãe saia por qualquer motivo...
Amava passear.
Ver gente,
Conversar...
A casa tem a cara dela.
O sítio tem a cara de papai.
O conjunto...
O todo.
Meu amor por voces,
Me ajudará a continuar,
A memória viva...
Li cuida da casa.
Vou tentar cuidar do Sítio.
Saudades.
A propósito papai, fiz sua fogueira.
Foi linda, mas demorou a queimar.
Queimou o dia e a noite.
Usei lenha de ciriguela e de feijão bravo e catingueira.
Fiquei até as 22:30h.
Sentindo o calor da fogueira e a sua presença.
Tomei dois copos de vinho.
Soltamos traques,
Bombinhas e cebolinhas.
Vinicius seu neto amou.
Obrigado por tudo papai
Obrigado por tudo mamãe.
Sem vocês não seria quem sou.
Te amo.
Com o tempo ficam apenas as coisas da mente.
A felicidade dos encontros.
Sem os encontros as coisas vão perdendo as cores.
É preciso cativar.
É preciso manter viva a memória.
Assim...
A gente vai vivendo.
A gente vai entendendo.
O sentido da vida.
Sinto saudades de mamãe de de papai.
Sinto saudades de outros tempos
Em que estávamos juntos.
Mas agora...
Restam memórias.
Sou.
Parte de papai,
Parte de mamãe,
Sou amor,
Sou respeito,
Sou carinho...
Tudo de bom que me ensinaram.
Sinto saudade de nosso contato,
Na mente não tem questão de tempo.
Na mente.
Essa manhã silenciosa.
Que se passou que coisa preciosa.
O sol pleno ao meio dia.
Soa doce como poesia.
A alegria da existência.
A alegria da vida.
Plena vida...
Como o sol a pulsar.
Como a ave a cantar,
Como o verde a verdejar.
Assim fico impressionado,
Com o que a vida pode me dar.
E nada posso eu dar em troca.
Só umas palavras...
Um sentido que me dê sentido.
Quase nada.
Quase nada.
Amanheceu ensolarado,
Dia de luz.
Dia de paz.
As aves estavam tão felizes.
Felizes.
Há dias venho ouvindo a vocalização de uma ave.
Lindo som.
Hoje descobri o que era um papagaio.
Agora pouco tempo depois.
Ficou nublado.
Vai chover...
Está chovendo.
Só o silêncio das aves ecoa.
Só o silêncio harmonioso.
Saíras, corruíras,
Papagaios.
Ecoa na mata o som das aves.
Ferreirinho relógio.
Só vejo as cores mentais...
Papo amarelo,
Costa verdes...
Roupa franciscana.
Silêncio que acalma.
Fomos ao aquário sábado.
Vinicius adorou.
Eu mais ainda...
Vinicius gostou porque encontrou os meninos.
Adorou porque viu um monte de peixes.
Mas ele se encantou com um lastro cheio de conchas.
Passamos muito tempo ali brincando com as conchas.
Mexendo nas conchinhas, pétreas, de forma angular,
De som perolar.
Muito bom brincar com conchas.
Tive que voltar ao mesmo lugar mais de uma vez.
No lugar tinha uma escotilha e um canhão antigos.
Mas ele se encantou com as conchinhas.
Fico encantado com essa percepção que ele tem de tocar as coisas pequenas.
Conchas,
Rochas,
Britas,
Sementes...
Vinicius meu filho,
Não sei porque adora a palavra abacaxi...
Ele pronunciava abcuncun... ou coisa assim.
A relação dele com a palavra e a coisa foi intensa.
Lá em casa tem uma rede no meio da sala
Que dá para nossa cozinha americana.
No bancada a gente coloca as frutas.
Entre elas está o abacaxi.
Bom quando queria ter um sossego colocava ele na rede comigo
E balançava narrando uma viagem.
E ali estava o abacaxi.
Mostrava ele...
O abacaxi,
Descrevia,
Depois colocava ele para tocar nas cascas do abacaxi.
Cheirar...
Abacaxi - do tupi - fruta perfumada.
Assim foi sendo sua relação com essa fruta maravilhosa.
Da família das Bromeliaceae que significa mangar dos deuses... bromos...
Hoje ele adora...
A palavra...
Abacaxi.
Aprendeu a falar abacate...
Será influência do abacaxi.
O lindo é quando ele se da conta de uma palavra.
Quando ele percebe...
Ele acha lindo e repete...
Abacateeeee.
E quer que a gente aponte...
Repete até se dar por satisfeito.
Já entendemos.
Vinicius aprendeu que repetindo ele pode memorizar melhor.
Abacate...
Cantando também.
A gente fez uma musiquinha para o abacaxi.
Abacuncun... abacuncun. abacaxiiiii.
E ele até dança...
Como é lindo a infânicia.
Ontem à noite,
Senti falta de mamãe...
Até me emocionei.
Senti falta de nossa amizade...
Refleti muito.
Mamãe que tanto sentiu dor ao longo da vida.
Não sabíamos com lidar com esse sofrimento.
Como explicar para alguém a suportar a dor?
Se nós que somos normais temos ojeriza a dor.
Mamãe não sofria calada.
Diferente de papai...
Conseguia suportar a dor...
Os sintomas.
Seria o medo?
Até me perco em meus pensamentos.
Mamãe e papai.
Eu.
Esses sentimentos.
Essas relações.
Essa entropia...
Viva.
Quer dizer tudo passa.
Take a deep breath.
Respire fundo...
Faltam me as palavras para tecer algo.
Que carrego é uma grande dor.
Dor da perda.
Hoje faz seis meses que mamãe se foi.
Não teve um dia que não pensasse nisso.
E como dói.
Às vezes, penso que nada faz sentido.
Que saudade!
Que saudade!
Que falta me faz.
Mamãe... Será se um dia nos encontraremos.
Em sonho?
Saudade de seu cheiro,
Saudade de nossas conversas.
Da nossa cumplicidade.
Por que você se foi tão cedo?
Seguir a vida é tão duro.
Só o que me alegra é meu filho Vinicius...
Graças a Deus que a senhora conheceu...
Te amo mamãe.
Aqui estou!
Aqui vim...
De onde não sei.
Nasci e fui muito amado pelos que me rodeavam.
Meu pai e minha mãe quanta sensibilidade
Ao me conduzir no que me transformei.
Ser e existir.
Espírito e matéria.
Esta luta constante que é viver.
Existir a condição de ser.
Ser a condição de aprender.
Às vezes, somos tomados por uma angustia profunda
Proveniente da incerteza da vida.
É preciso se segurar,
É preciso ser forte,
E vencer esse momento,
Para ver o vale é preciso subir a serra,
É preciso de vez buscar ver as coisas de outra maneira;
Tentar ver o todo.
O amor tudo supera,
A vida é uma totalidade
Casa fase uma particularidade...
Tempestades vem e passam...
Aqui estou.
Aqui vim.
Num seio amoroso...
Que se foi.
Chove... chove... chove.
Dias de paz.
Dias de pais.
A chuva chovendo na mata
Que harmoniosa.
Contemplar a chuva,
Sem entender a natureza.
Contemplar a chuva.
Com ela quanta coisa boa não se sucede.
A vida germina das sementes,
Os sapos se reproduzem,
As plantas se reproduzem.
A terra fica receptiva.
Chuva é fonte de água,
A água é fonte de vida.
Quando se perturba a natureza,
A chuva se revolta,
A chuva é boa,
Os homens segregam,
Os homens egoístas que são
Tomam o recurso da terra,
Para si sem repartir com o irmão.
Irmão pobre,
Faz o que pode para sobreviver,
Vive onde pode.
Não é culpa da chuva a desgraça.
A chuva é fonte de graça.
O mundo é bom e tudo nos dá.
O homem pobre de espírito
Tudo quer
E tira do irmão
Não compartilha com o irmão.
Depois coloca culpa na natureza.
De onde eu vim.
Chuva é sinônimo de alegria,
Felicidade...
Chega a gente se emociona
Quando começa a chover.
A chuva é um elo que liga a nossa memória...
Vi no olhar de meus pais
Que viu no olhar dos pais deles...
Essa corrente de esperança
Que com a chuva
Tudo melhora.
É bom olhar para trás
E não ver só o agora.
Para se entender como gente.
A chuva tem força de gerar até um pensamento
Um pensamento bom.
Saudade que nunca passa!
Saudade eterna.
Do momento presente,
Do olhar,
Do carinho,
Do riso amigo,
Do afago!
Saudade eterna poesia.
Restam apenas memórias.
Tudo se desfez como se fez,
Do nada e para o nada.
O sol nasceu pela manhã
Sob nossas cabeças tantas vezes,
E a lua nasceu a noite conosco a contemplar.
No presente tudo parece eterno...
Mas se desfaz no ar.
Saudades... só de pensar.
Que partiu...
Partiu...
Onde estarão meus pais e avós.
Onde estarão.
Um a um todos se foram.
Um a um todos se foram.
Aqui.
Sentado na minha sala,
Neste início de manhã,
Primeiro de junho.
Mês de festas juninas.
Paro um pouco para ouvir a natureza.
A chuva chovendo a cantar.
Cada lugar um canto diferente.
A proximidade da mata me permite ouvir
Os pingos da chuva se chocando com as folhas
Molhando-as e escorrendo em gotas
Que se precipitam e se prostram sobre o sol.
Pic, pic, pic... pic.
Na mata ao lado parece haver uma assembleia
De aves frugívoras
Sanhaçus de palmeira, sanhaçus e patativas.
Ali estão no alto da copa da sucupira.
O sol dá as caras e a luz lambe o telhado e as paredes úmidas.
E como sempre me perco neste universo,
objetivo/ subjetivo...
Um sabiá piou agora, perto.
Até vejo, muitas vezes quando pia balança o rabinho.
Longe piou um bem-ti-vi...
Pi, pi, pi, piiiii.
Meu Deus que linda que é a vida...
Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...