Ontem,
Agora... hoje,
Passado e presente.
Ser.
Que pode mudar?
Que pode mudar?
Desconhecer,
Conhecer...
A indiferença.
Tudo é tão rápido,
Mistérios,
Desígnios divinos.
Ontem,
Agora... hoje,
Passado e presente.
Ser.
Que pode mudar?
Que pode mudar?
Desconhecer,
Conhecer...
A indiferença.
Tudo é tão rápido,
Mistérios,
Desígnios divinos.
Domingo,
A casa com paredes de taipa,
Só a sala com tijolo adobe,
E telhado com telhas velhas irregulares,
Abrigava a família de José Neves,
Ali habitava Sinhá, José e Lera,
O terreiro de solo alvo,
Estava todo varrido,
Arrastando as asas, com crista dilatada cantava o peru glugluglu.
Do lado de fora da porteira badalava o chocalho das vacas,
O cheiro de estrume aromatizava a paisagem sertaneja,
A janela da cozinha aberta,
A porta da cozinha aberta,
No fogão cozia o feijão,
O fogo laranja dançava,
Na panela o feijão com carne de boi borbulhava e soltava um gostoso aroma,
Que despertava fome na gente,
Uma melancia aberta,
Coalhada no alguidar da forquilha...
A luz iluminava o serrote,
As algarobas e pinheiras faziam sombra,
Na fachina as galinhas cocoricavam,
Vovó Zé, Mamãe, Migué e Vovô Sinhá a conversar,
Uma conversa que não entendia,
Preferia só olhar no oitão a escora da parede,
As paisagens plantas,
A serra,
Enquanto isso cantava no campo o tico-tico do campo,
Na pinheira cantava um golinha
E na gaiola o sabiá de vovô...
Que anos maravilhosos os anos 80,
Da minha infância, da velhice de meus avós,
Do eterno encontro da vida,
Das gerações se enlaçando e desenlaçando,
Feito a dança de Shiva,
Na destruição e construção...
E a consciência que tudo isso não passa de ilusão
Quando nasce o dia,
Após a noite chovida,
Como canta a passarada,
Canta o fura-barreira,
O cabeça-vermelho,
O sanhaçu,
Longe canta a sapaiada,
Em casa o cheiro da terra molhada,
Se mistura com o cheiro de café com cuzcuz,
Enquanto badala na estrada o chocalho das vacas,
Eh! boi, aboia Loló de João Corme,
Vavá grita Diniz,
E só se ouve o chiado da vaçoura de Diassis...
Passa Josimar,
Passa Bunina,
E depois Teta com o leite tirado dos Joanas,
Então Papai, Chico Raimundo, bate o enxadeco,
Deixa a bacia cheia de milho e outra de feijão e o outra de fava,
A terra molhada,
A tanajurada voando para o céu perdidas,
E os pássaros enchendo o papo,
Então segue para o roçado,
Na frente vai o pouco gado,
Papai, Rosângela, Meire e eu, Rubens...
Papai cava as carreiras tortas na terra escura do ano passado queimada,
Se mistura o cheiro do verão e da chuva do inverno,
Que doce aroma,
Dog longe late,
Se vê Zé de Geremias trabalhar nas terras de Dudé,
E as carreiras tortas papai vai abrindo,
Se ouve o pic-pic do enxadeco na pedra da terra,
E eu vou ensamiado fava, Rosangela plantando milho,
Se ouve o ronco da sapaiada,
E no céu canta o gavião,
O sol aparece entre a chuva,
Casamento de viúva dizia vô José...
O tanque encheu de água,
Plantamos mais que legumes,
Plantamos esperança,
Esperamos por bonança,
Desta terra tanto arada...
E no fim da manhã a terra plantada,
A gente volta pra casa de pés enlameados,
Felizes por terminar mais uma planta.
Agora é com a natureza.
Sou filho da terra,
Plantei e colhi milho e feijão,
Na minha roça,
Cansei de admirar a lavoura crescer,
Vi as estações secas ou invernos,
Me acostumei com a lida da vida,
Me acostumei a trabalhar,
Sou filho da terra,
Sou dono da casa,
Sou dono do nada,
Agora fui...
Mas amei tudo...
O que entendi e ignorei.
As coisas se sucederam tão rápido,
Entre a descoberta e sua partida.
Às vezes, pego-me sem acreditar,
Mas Deus nos deu sinais,
Ele pode visitar os filhos,
Viu os campos floridos de um grande inverno...
Comeu, sorriu e amou tudo isso,
Me apavorei só de pensar em tua partida,
E agora que partiu
Meu peito se enche de saudades...
Saudades de seus abraços,
Saudades de seu cheiro,
Saudades de sua voz...
O papa-cebo anuncia o verão,
O galo-de-campina canta na madrugada,
Os sanhaçus azuis cantam durante o dia,
O cantar da passarada é poesia
É alegria,
O vem-vem de peito dourado,
O saci de cucuruto invocado,
Cantam a vida,
Cantam a chuva,
Cantam o tempo...
De quem foi,
De quem é
E de quem será.
Quando a saudade aperta o peito.
Choro,
Sinto forte a saudade de ti.
Faz pouco que tu partiu,
Deixou um vazio,
Uma relação que nunca mais irá voltar,
Temos medo do infinito,
Só de pensar em tua partida
Meu peito se rasgava,
Mas tinha a ti,
Agora que partiu,
Dói muito mais,
E como dói,
Sempre achei o final de tarde triste,
Porque a noite tudo apaga...
Este ano papai
Li o primeiro livro de Eduardo Galiano,
Como seria ler para você?
Não sei,
Acho que talvez seria bom...
Sei que o senhor leu o livro da vida,
E aprendeu tudo com destreza,
Não tenho a sua esperteza ou sua coragem
De encarar a vida,
Fui por demais Sousa,
Me envaidecia quando dizia,
Aqui só fico atrás de Rubens...
Mas aprendi tanto contigo.
Galeano vai bem...
Gosto de suas ideias,
Gosto também do castelhano,
Gosto principalmente do de Borges,
Sabe papai,
Borges foi antes que Vovó,
E Galeano Antes de ti,
Galeano era o cara,
Isso te envaideceria.
Imagino se o senhor falasse inglês e espanhol...
Te amo papai.
Ele caminhava com passos arrastados,
Já tinha o corpo cansado,
E a idade corou sua cabeça com a bela cas e uma linda calvície,
Sua vida era aquele lugar,
E aquele lugar sua vida,
Ir e vir... nos esperar.
Brincar com Negão, Sherlock,
Deixar os gatos sossegarem em seu colo,
Enquanto cochilava ou via televisão.
À tarde costumava sair para comprar pão,
Ia a passos lentos,
Sabe lá o que pensava ou imaginava,
Ele ia e a todos cumprimentava,
Ia lá em Juninho de Viola,
Em pouco tempo chegava,
E amavelmente me perguntava:
- "quer um pão".
E eu comia porque sabia que aquilo
O deixava feliz,
Fazia um café
E a gente esperava o amigo Raimundo de Lulu,
Francisquin,
E a tarde se passava
E a gente nem via a noite chegar.
Que delícia esta presença maravilhosa...
Ainda sinto tua presença,
É como se estivéssemos os dóis,
Eu na rede e o senhor na área,
Seu olhar sonolento,
O escuro da sala,
O claro da área,
Suas havaianas marrons,
Suas camisas surradas
E seus bonés estilosos,
Sua presença completa,
Sua energia,
Suas memórias,
Seus pensamentos,
Que falta me faz,
Quanta saudades...
Obrigado senhor
Pelo maravilhoso pai que me deu a vida,
Que esteve sempre presente,
Que esteve sempre ao meu lado,
Que respeitou minhas escolhas,
Meu coração está terno e cheio de amor.
Muito obrigado pelos seus longos anos de vida,
Pela sua vida com saúde,
Muito obrigado senhor
Muito do que sei foi ele que me ensinou,
Respeito e amor aos animais,
Com as plantas, as matas,
Compreensão e paciência...
Então quando meu filho nasceu,
Quando peguei nos braços,
Chorei de tanta emoção,
A cabecinha só me fez lembrar de papai.
Ali, com entre pessoas incríveis
Que trouxeram meu filho a vida,
Chorei ao ninar pela primeira vez meu filho
E prometi ser tão bom pai quanto papai,
Chorei e ri,
E falei tantas coisas bobas,
Que fez toda a equipe sorrir,
Com Vinícius nós braços,
Embalado me olhando e ouvindo,
Senti uma explosão
Uma catarse de emoção.
Se estivesse aqui teria ligado pra ti
Teria ouvido um alô com sua linda voz
E com uma frase diga autarquia
Teria contado tudo
Que aqui estou contando,
Sabe, aquele são Francisco que comprei
Na feira de Tambaú, aquele...
Lembra você estava comigo,
Tá na minha estante perto da cabeceira,
Dayane sempre acende velas e ora para nossa proteção,
A gente ora na alegria e na tristeza...
Lembra da promessa...
Terminei biologia e fui ao Canindé,
Quando puder vou levar Vinícius e Dayane lá.
Sempre quis ir com o senhor,
Respeitava e admirava sua fé
Que é minha fé
Quero que seja a de Vinícius,
Papai está aqui no meu peito,
Ainda choro sua partida,
Choro de amor e gratidão,
Muito obrigado Senhor,
Por tirar e dar,
Obrigado por ter me dado um pai fabuloso,
Espero ser tão bom quanto o senhor foi.
Um beijão,
Não se esqueça TE AMO pai Chico e filho Vinícius.
Meu filho,
É noite,
Última noite,
Últimos minutos de 2020,
Algo te incomodando e não sei o que é.
Então afago tua cabecinha linda e perfeita,
Minha face se banha em lágrimas,
Assim afaguei Papai este ano,
Cheirei e beijei,
Meu amor,
Agora só tenho você,
Paizinho se foi,
Tudo agora gira em torno de ti,
Ontem antes de nascer
Era eu,
Agora sou papai e você,
Enquanto viver,
Papai Chico Raimundo tem os afagos de vovó e vovô,
Aos pés de Deus,
Agora somos você Vinícius,
E eu Rubens,
Ainda meio dividido,
De coração partido,
Mas todo o meu amor
É todo teu,
Tua cabecinha é igual a minha e a de papai,
Então quem somos nós
Somos seres,
E o que somos nós,
Uma concepção do amor,
Te amo muito e eternamente papai,
E você Vinícius
Agora é minha vida.
Que grande é o vazio frio que deixou,
O sol nasce na manhã e dorme na tarde,
A noite que o sucede estrelada ou enluarada,
Partiu no verão,
Fico imaginando,
Partiu...
Ondes está...
Por onde estás?
Aquela voz,
Seus pensamentos,
Suas ideias,
Suas memórias...
Sua presença.
Por muito tempo estará no primeiro e último pensamento do dia.
Seus abraços,
Seu cheiro,
Sua alegria...
Agora se encantou.
Hoje a saudade apertou o peito,
Senti saudades de ti,
Queria ouvir tua voz,
Falar qualquer coisa boba,
Saber que estavas bem,
Saber como estão se comportando
Sherlock, o loro, Boris, Belinha e Romeu,
Queria saber se estava nublado ou ensolarado,
Quente ou fresco,
Queria ouvir sua vez,
Hoje queria seu abraço,
Queria que sentasse a mesa,
Mascando seu pão ou tapioca,
Me olhando comer
E rindo com o apetite de Dayane,
Queira te ajudar aguando alguma planta,
Queria ouvir me perguntar se tinha ido a matinha,
Queria comentar sobre a florada dos catolés,
Ou como tem coco no chão,
Queria falar sobre os preás,
Queria elogiar a beleza das palmas,
Das flores de feijão brabo,
Queria dizer que a madrugada ouvi a passarada cantar,
Queira ouvir seu arrastar de chinela,
O som do barulho de ti varrendo o terreiro,
Sabe pai, podia ter dito, mais vezes, que te amo ao longo da vida,
Ter te abraçado,
Mas é isso mesmo,
Tudo que vejo aqui tem um pouco de ti,
Mas sei que as paisagens mudam,
Sei que a chuva para,
A ventania vira brisa,
E tudo que me ocorre são fenômenos intensos da natureza,
E que tudo passará um dia,
Mas a nossa amizade,
Nossa intimidade,
Essa só nós saberemos,
Nossa cumplicidade,
Hoje, só queria ouvir sua voz,
Seria bom se soubesse descrever,
Para mim a mais amada,
Saudades... Saudades....
Nossa terrinha amada e querida,
Não houve uma ano em nossas vidas,
Um ano sequer sem plantação,
Tirávamos mato na enxada e na mão,
Não teve um metro sem cultivar milho e feijão.
Todo ano essa terra sagrada,
Nós dava o que comer e vender,
No inverno era milho e feijão,
Mandioca, arroz, jerimum e fava,
Seriguela, cajarana, pinha, araçá, goiaba,
Coco, acerola, mamão,
No verão tinha caju,
Comia no almoço arroz com feijão,
Na janta xerém com leite,
Da terra todos comiam,
Todos nós e os animais,
O cachorro, o gato, o louro, a galinha, o porco e
A vaca...
Ah, essa terra sagrada,
Essa terra amada,
Um metro não ficou sem cultivar,
Ano após ano,
No solo macio e plano,
No solo de barro inclinado,
Pedregoso de mato avolumando,
Se brocava e fazia o roçado,
E a gente produzia o que se comia,
Era pouco, o pouco com Deus é muito,
Pra vida melhorar,
Tivemos que buscar suplementar a renda,
Primeiro foi Beg,
Segundo Rosângela,
Terceiro Meire,
Quarto Lidiana,
Quinto Rubens
E sexto Roberto,
Porque comer e sobreviver
Se faz quando criança,
Está cheia a lembrança,
Dessa terra cansada
Que agora descansa
Como papai...
Aqui a vida continua,
Tem até nome de rua,
Mas as coisas são as mesmas,
Como nós os mesmos,
Com nossas vidas,
Nossos filhos e amigos
Até o dia final.
Quando caia a chuva
A terra seca toda água bebia,
Alegre papai sorria,
E se tinha relâmpago e trovão,
Mudava logo a expressão,
Se sentava numa cadeira
E dali não saia mais não,
Mamãe gritava véi frouxo,
Mas ele nem aí estava,
Apenas ouvia a chuva chover,
E a gente molhado do banho de chuva,
Se secava e ria do medo de papai do trovão
E quando a chuva passava,
Em seus lábios se percebia,
A reza da ave Maria,
Gesto de gratidão,
Papai como a asa branca,
Se ia,
Mas nunca deixou o sertão,
Mas sempre se apavorava com trovão.
O teu sorriso é lindo e maravilhoso,
É tímido, é doce...
É como a nuvem de chuva no verão,
É como o botão numa árvore virgem de for,
É como o vento nordeste,
É como o canto das aves na Aurora,
É como o solo molhado pela primeira chuva no fim do verão.
É sincero,
Mostra as lindas rugas na face,
Expressão de felicidade,
O teu sorriso papai,
Inundava meu peito de alegria,
Porque a tua felicidade
Era pra mim vaidade,
De um pai tão bom e jovial,
Que no final não deixou de a todos surpreender,
A tua paternidade me fez maior a vontade
De ser um pouco do que fostes para nós,
O teu sorriso misterioso,
Desgastado pelo tempo,
Era o sorriso mais belo
Que como a lua
Será jovial e eterno,
Enquanto pulsar este coração,
Que agora espremido de saudade,
Tem em ti grande vaidade
De ter tido o melhor pai,
E um sorriso misterioso,
Um sorriso grande e amoroso,
Minha grande vaidade,
Ter vivido até está idade,
Amando e sendo amado,
Vai pode ir sorrir para o nosso senhor,
Sois prova de amor,
Amor fraterno,
Amor filial,
Amor do seu amor
A quem nunca abandonou,
Seguiu no riso e na dor,
Até o fim.
Fiquei triste quando te vi sem sorriso,
Papai aproveite o paraíso,
Que aqui guardarei o teu sorriso.
A voz é a substância da palavra já dizia Borges.
E quando a voz se cala e a palavra perde a substância.
O corpo já não se pronuncia, não se expressa.
O que resta senão os pensamentos,
A energia dos pensamentos,
A memória,
As ações e expressões que o tempo se encarrega de apagar.
Por muito fica o vazio da presença que se fez ausência,
Da ação que se tornou inação,
Não há mais cansaço, medo, preocupação, desejo, angustia, paixão, amor ou dor...
Acabaram-se as relações...
E nós somos o que senão um continuo que avança,
O amor materializado,
Produto de um momento,
Imanente que se fez,
E continua a evoluir...
Na noite de natal nasceu,
Entre tantos filhos gerados
Por seus pais foi muito amado,
Entre o dia e a noite,
Entre o inverno e o verão,
O primeiro amor aprendeu,
Amou pais e irmãos,
Bem como amar a vida em toda sua força,
Independente de todo ser,
Amou o ar, as águas, as terras e o o sol,
Depois veio o vigor da vida,
Logo homem se formou,
Foi para o mundo,
Porém de seus pais nunca se desligou,
Foi muitas vezes e voltou,
Se fez Chico de Aldo,
E com De Assis de Zé de Neves se casou,
Aprendeu a amar pela segunda vez,
E assim Chico de Diassis e Diassis de Chico,
Uma longa história de amor se iniciou,
Amou aquela pepita de ouro,
E deste longo namoro,
Cinco vidas gerou,
Achando pouco outro filho adotou,
E assim pela terceira vez aprendeu uma nova forma de amar
Foi em Serrinha do Canto,
Que encontrou o encanto de um lugar,
Em 1979 chegou,
E desta terra não mais ficava muito tempo distante,
O amor aos filhos era tão intenso,
Era algo tão denso,
Tão desvelado,
Como todos se sentiram amados,
Amava a Begue filho tão dedicado,
Rosângela filha amorosa,
Meire, filha forte,
Rubens, filho calado,
Lidiana filha delicada como uma flor
E Roberto filho suave...
Com De Assis seus filhos educou,
Nunca nenhum maltratou ou abandonou,
Viveu os bons momentos
E nos momentos difíceis confortou,
Esta terra macia plantou e cultivou,
Dos animais sempre cuidou,
Da religião nunca descuidou,
Seguiu a tradição e no catolicismo nos criou,
Por promessa a são Francisco
Francisca batizou,
E amante dos animais é,
Ensinou a respeitar e as contas pagar,
Ensinou a trabalhar,
Deu oportunidade a todos estudar,
Sempre tinha uma palavra sábia para confortar,
E palavras divertidas para nos fazer rir,
Sempre foi muito grato a seu filho primogénito
Que ajudou nos anos difíceis de seca,
Amou a filha mais velha
E de sobremaneira Lera,
Quando partiram os filhou sempre ficou a chorar...
Então os anos pratearam sua cabeça,
Seu corpo amadureceu,
A sabedoria lhes chegou,
Então vieram os netos,
Disse se tornar pai novamente,
Giovana, Felipe, Alessandra, Gustavo,
Pedro, Laura, Gabriela e Vinícius,
E os tempos foram tão bons,
E aconteceu como ele dizia
"O que é bom dura pouco"
A vida pareceu longa,
Mas contigo papai
Com tua presença,
Nesta hora, vemos que a vida foi breve,
Percebemos que a vida é uma linda passagem,
Que não nos cansamos de te admirar,
Seguir seus passos em tudo,
Agora que sua presença física se foi
De são Geraldo... Sempre de São Geraldo,
Mas Azul e Tam são as melhores,
Papai como te conheço,
Porque ouvia Nelson Gonçalves contigo,
Porque via qualquer programa do Sílvio Santos,
Porque gostava de ter um gato no colo,
Porque falava de negão e sherlock como pessoas,
Porque ria com o humor de Hélio e Aluízio,
Porque ouvia João de Licor,
Porque amava ouvir Francisquinho contar os negócios,
Porque ela não sabe o que diz
Porque não precisa de outra moto,
Porque Pedro é mais amoroso,
Porque Laura adora comer,
Porque Giovana é séria,
Porque Felipe é magro e estudioso,
Porque Gabi. Ahhh Gabi...
Parabéns pelo dia dos pais Rub...
Vai desbotar o moranguinho,
Está anoitecendo,
É hora da partida,
Não tem noite mais estrelada que esta,
Se saio no terreiro,
Sinto a areia gelada,
Sinto um frio um frio na espinha,
Olho para o seu e vejo estrelas brilhando,
Sabemos que sois uma delas,
Sentir o frio desta baixa,
O cheiro das flores de cajueiro,
A arquitetura das palmas,
A sinfonia das aves,
A aurora da partida,
Vai Francisco casado com Francisca,
Pai de Francisca e
Filho de Francisco e Francisca,
Certamente está no Céu
Francisco pai e filho, Francisca,
Aldo, Raimundo, Raimunda e Margarida...
E nós continuamos a caminhar,
Sob a oração do Pai nosso e das ave marias...
Dias que se seguirão.
É assim,
Hoje sou,
Amanhã não sei,
Agora presente,
Amanhã ausente,
Após a festa,
após a noite,
Vem o outro dia,
Na simplicidade,
fomos vivendo nossos dias,
Fomos cultivando
nosso pão em nosso chão,
E os dias não
pararam de passar,
E os dias não
deixaram de ser,
Todos os dias ao
teu lado aprendi a viver,
Na paz,
Com amor, com
carinho...
E fomos assim,
Comendo feijão
com arroz,
Dando comida ao
gado,
Minho as
galinhas,
Amarrando o
jumento,
Alimentando o
cachorro,
Sim entre os
dias e as noites, fomos vivendo,
De seca a verão,
Conhecia teu
medo do relâmpago e do trovão,
Como era bom
sentir o cheiro da terra macia,
E plantar as
covas que plantavas,
Como não lembrar
de cada manhã ao teu lado,
Cada café da
manhã,
Cada almoço,
Cada jantar...
Agora a vida
está aberta sem ti...
Papai pariu deste mundo.
Sua sinfonia foi concluída,
Sua caminhada chegou ao fim,
Desceu do trem da vida...
Todavia enquanto caminhamos juntos
Tinha um orientador, um norte,
Foi seguindo seus passos que aprendi a caminhar só,
Papai me ensinou a amar a vida,
Amar os seres vivos dos mais simples aos mais complexos,
A amar o sol, amar a chuva,
Amar as flores,
Amar as matas...
Nós nos comunicávamos por telepatia,
A cerca de 35 anos ele passou a preservar uma pequena mata,
Hoje uma linda mata,
Nosso maior elo,
Ele deixou os catolés, os angicos, os feijões-brabos, as aroeiras crescerem,
Só tinha uma birra com as cajaraneiras, dizia que fazia sombra.
kkkkkkkkk.
Por último até as cajaraneiras.
Quantos pés de cajaranas cresceram na nossa terra,
Papai usava as madeiras na cerca e assim plantava mais uma planta.
Papai amava contemplar a paisagem,
Ele amava o meu amor pela vida, pelas plantas...
Lembro das poucas vezes que o ajudei na enxada,
Ele sempre me poupou, mas teve algumas vezes,
Ele me poupou de trabalhar na foice,
Ele me poupou de tantas coisas...
Lembro de ajudar ele no sítio do Pareiro,
Lembro de ajudar ele com o gado,
Lembro de plantar enquanto ele cavava os roçado com aquelas carreiras tortas,
Quando a gente mangava ele dizia, no silo vai um em cima do outro,
Lembro de ajudar a tirar pinha,
A tirar seriguela...
Lembro de ouvir as aves e os pássaros cantando enquanto a manhã nascer.
Lembro de ouvir seus pés caminhando arrastando os pés aguando as plantas,
Varrendo o terreiro;
Lembro de ir com ele para Martins nos dias de Sábado,
A motinha já ia direto para a sobra da figueira de Davi,
Então íamos a venda de Antônio de Chiquinho,
Encontrava os amigos Aluízio, Hélio, Dadá, Bolinha, Wasginton, Marlene...
Sempre tinha o café...
Lembro do carinho e o acolhimento e prazer que tinha em receber os amigos e familiares.
Papai sempre foi meu herói,
Agora se encantou,
Está guardado nos giros e sulcos cerebrais,
Está intensamente ramificado em meus neurônios,
Em cada átrio de meu coração.
Papai seu templo agora é pó,
Mas seu espírito (Gaist) eterno est.
Tenho certeza que não precisou de Virgílio para te guiar ao paraíso,
E assim é.
Deito-me numa rede na frente da cozinha de mamãe.
O céu está azul com nuvens frouxas.
A temperatura está quente ou quase morna,
Algo agradável.
Os sentidos torpes do almoço.
No céu azul plana um urubu,
As galinhas espalhadas nós terreiros,
Ora caminham, ora cantam, ora gritam,
Ora descansam.
Aparece um cancão dá uns chamados e depois some.
Sherlock e Schaquira dormem.
Continuo na rede
Observando o modo como a tarde
Se faz aqui neste momento.
Prestando atenção no modo de ser das coisas.
Um cheiro forte de caju seco chega do chiqueiro e trás memórias dantes atrás.
O tempo esse ser sem substância.
É tarde,
Parece que vai chover,
As aves cantando,
Um sabiá cantando laranja ou banco,
Um sanhaçu cantando,
É dezembro,
As plantas verdes pálidas,
O mundo continua
Como há de ser eterno.
Oh!
Jasmim,
Oh, Jasmim,
Tu que enfeitas e incensas um jardim,
Jasmim-manga,
De flores estreladas alvas
E fauce amarela como gema,
Jasmim quando te vi
Pela primeira vez tive medo de ti,
Pois tuas flores enfeitaram o primeiro defunto que vi,
Teu aroma ficou grudado na minha alma,
Assim como aquela face enrugada,
Fria e morta,
Aquelas mãos cruzadas ao peito,
Aquele corpo de tanto vivido,
Era um corpo que esfriara,
Que a pouco vivera por tantos anos,
Mudando de fases,
Vivendo,
Existindo...
Jasmim tu que enfeitastes e desses a última impressão a um corpo,
Me destes a primeira impressão do fim, a morte...
Meu primeiro grande medo,
Minha consciência...
Despertar para a realidade é árido...
Tuas pétalas macias frágeis e delicadas,
Perfumadas,
Tuas folhas de manga,
Tuas inflorescências cimosas...
Que são agora para mim?
Apocynaceae, Plumeria rubra...
Vida e morte,
Ser e não ser,
Início e fim.
À noite está enfeitada
Com árvores e pisca-piscas,
De cores mais diversas,
Azuis, verdes, vermelhas, brancas...
São árvores e enfeites de natal,
Meu coração fica contente com o natal,
Meu coração fica feliz,
Mas está apertadinho,
Parecendo um coração de frango,
Por quê?
Papai não está bem de saúde
E estou aqui longe...
Pisca-pisca.
Enquanto o sol nascia,
Caminhava na rua,
Ouvi a vocalização de um pica-pau,
Lá no nascente sobre um poste estava a linda ave...
Não lembro de ter ouvido ou visto tal beleza na rua,
Aquela impressão e percepção foi passageira,
Depois mais tarde,
Ouvi outro pica-pau vocalizar longe.
A lua estava no céu menos intensa que ontem.
Novembro se vai,
Entraremos no último mês do ano,
Ano de 2020,
As coisas que vivemos neste ano,
Coisas boas e ruins.
Nascimentos e mortes...
Coisas deste tipo.
Tudo vai passar,
Como passou e está passando.
Ir e vir,
Subir e descer,
Potência e ato,
Verão e inverno,
Manhã e tarde,
Noite e dia...
Será o universo dialético,
Universo...
Uma direção,
Um sentido...
Qualquer um que seja.
Vi o sol nascer no horizonte além mar,
Vi a areia alva,
Vi ervas secas, arbustos verdes,
Vi coqueiros,
Vi pessoas,
Pessoa de todas as formas,
Pessoas quadradas,
Pessoas ampulhetas,
Pessoas triangulares,
Pessoas longas...
Vi o dia nascer,
Neto também viu,
Aldo Neto,
Mas a noite. Esta não verá.
Nunca mais... tragédias da vida.
A manhã despertou nublada
E o brilho do sol não apareceu,
Neblinou,
E muita coisa coisa aconteceu...
Coisas maravilhosas,
Coisas boas,
Coisas... Traços,
Classes de coisas.
Algumas ruas estão mais alegres
Com a florada rosa dos jambeiros,
O chão fica rosa de elementos florais,
Estames, rosas formam um tapete
Cor de rosa, rosa azedinho.
Os jambeiros com suas copas majestosas
Me fazem lembrar minha amiga
Amada professora Rita
Pelas vezes que íamos almoçar no Lá gula
Ela estacionava seu honda Fit
numa paralela perto de uma casa cujo jardim era coberto por um imenso jardim.
Sua folhas pareciam sorrir para o sol.
Como as pessoas desaparecem,
O tempo tudo apaga,
Enquanto há memória
A essência parece existir.
Ver o sol através do mar,
Pedalar na praia,
Ir e vir,
Sentir a brisa viva,
Ouvir as ondas quebrarem na praia,
A alva areia,
Verdes salsas com flores rosas,
Numa só manhã.
Os sete chakras são os maiores vórtices de energia no corpo.
Chackra significa roda.
São eles Chackra básico,
Chackra sexual,
Chackra esplénico,
Chackra cardíaco,
Chackra laríngeo,
Chackra frontal
Chackra coronário.
Códigos,
Cores, formas, símbolos, palavras, gestos.
Impressões, pensamentos, percepções, ideias.
Ideologia, fenomenologia, consciência.
O objetivismo
E o subjetivismo do eu,
Poesia ou narrativa?
Qual é a mensagem?
Ainda era escuro,
Madrugada,
Estava desperto
Quando ouvir cantar um rouxinol,
Tão belo aquele canto que despertava a madrugada,
Então Aurora apresenta Apolo
Que pontualmente desperta as cinco horas,
E dá a luz as ruas,
Da forma e cores as coisas,
Pássaros, voando e cantando...
Minhas percepções,
Relacionada a vida,
Folhas em espiral,
Ramos ressurgentes,
Frutos coloridos...
Mudanças acontecem a todo instante,
As coisas estão sempre se metamorfoseando,
As vezes, temos que ganhar um gás para não ficar para trás,
Mas isso é só uma questão de tempo...
A eterna solidão que se aproxima,
Entre dias e noites,
Entre manhãs de chuvas
E tardes de verão,
O canto das aves que sempre nos desperta,
Um galo, um pássaro,
O que mais nos agrada seu canto ou suas cores?
Algumas coisas desejosas alimentam nosso corpo
Como uma manga, um caju, uma banana,
Outras coisas alimentam nossa alma
Como uma composição musical ou uma pintura,
A realidade e uma representação subjetiva desta,
Nossas impressões sobre o mundo,
Nossas percepções criadas,
Nossa consciência a nos nortear,
Buscando sempre está certa,
Tentando se afirmar,
Até que a eterna solidão não chega.
No descompasso da vida,
O tempo passa,
A vida passa,
O que podemos fazer para melhorar,
O que podemos fazer para tomar consciência?
Qual primeiro passo que devo dar?
Qual é a direção a seguir?
Quem sabe...
A tarde caiu ensolarada,
O sol dourado vai caminhando para o poente,
Nuvens azuis,
E eis que uma chuva caiu...
Caiu os pingos...
A brisa soprando na manhã,
O sol brilhando num céu de nuvens frouxas,
O mundo está silencioso!
Bom dia! - Dia...
Hoje ouvi uma metáfora,
O sol está ensolarado...
Ontem, à noite choveu.
Hoje o solo estava molhado,
Úmido e fresco.
Isso é tudo.
A tarde caiu nublada,
O vento soprando frouxo,
Longe canta uma cambacica,
O vizinho ouve música sertaneja,
A gente se sente bem.
Nesta tarde de sábado.
Plantei um vinca no jardim,
Ela cresceu, floresceu e frutificou...
Como ficou tão belo,
Ela envelheceu e morreu,
Mas nasceu outra geração
Que cresceu, floresceu e morreu,
Na segunda geração deu pulgão,
Na terceira geração estou vendo elas florescerem
Tem vincas rosas e alvas,
Aqui posso regá-las todos os dias.
Lá em papai tem vinca também de flores alvas,
Tinha só uma rosa.
O terreiro de lá fica tão bonito com as vincas.
A vida fica mais bonita com vincas.
As vincas são da família Apocynaceae,
A espécie é Cataranthus roseus.
Essas plantas belas são latecíferas.
Estética e botânica se casam.
Andar por ai vendo a profundidade do mundo,
Vendo o verde e suas tonalidades,
Vendo o campo de profundidade,
Vendo as flores e suas cores,
Sentindo os aromas,
Ouvindo as aves...
Sendo esse ser existencial.
Que poderia nos fazer melhor.
Aos que partiram restam apenas memórias,
Fotografias e toda obra,
Os familiares e amigos,
As relações se esfacelaram no tempo,
Sorte daqueles que ainda tem uma oração e uma vela acesa.
Tudo é tão efêmero, é tão passageiro,
O mundo que ai está continua,
E nós o que somos neste universo.
Saudades de Vó Sinhá e Chiquinha, vô José e Chico,
Os tios Aldo, Raimundo, Jussié e João...
O tempo vai aos poucos consumindo tudo,
Até mesmo nós que ainda lembramos,
Porque sabemos que um dia seremos nós.
Uma semente que germina
Em ótimas condições,
E a planta nasce,
E cresce,
E floresce,
Sob boas condições,
O se resistente for.
Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...