24/08/19

Impressões

Às vezes, quase sempre, vejo imagens apenas em minha mente de lugares onde estive. Sinto um vácuo pois não sei explicar o que isso significa nem para mim mesmo. Talvez, isto seja comum às pessoas e seria interessante saber ou poder interpretar isto.
Hoje, estou vendo imagens do lugar onde vivi na infância e adolescência.
Vejo a caatinga que há entre a terra de Bunina, Beque e Papai.
Quantas transformações a terra junto com a água das chuvas já não proporcionou.
De secas a inverno, ervas e mata verde, seca e arbustos e árvores.
Que será isso? Tais impressões.

Perguntas

O que é a existência e o que é ser?
A vida, este intervalo entre nascer e morrer, ou seja, viver.
Embora, a natureza viva esteja aos seres vivos, apenas nós podemos agir pela razão e não apenas pelo instinto e, além disso, temos a incrível capacidade trabalhar e transformar o meio. Isso seria bom ou ruim?
Vivendo, descobrimos ou inventamos a razão, trabalhamos e transformamos a natureza de forma que ao longo da história, fomos criando, aprimorando e ampliando os conhecimentos.
Todavia, quando penso em indivíduo, em ser, isto é, em mim e em ti, qual é o meio termo para viver bem sem ser meta-físico?
Se nascemos programados para morrer e esta é uma condição para a vida. Não conheço quem nasceu em sã condição psíquica que não deseja permanecer vivo pela eternidade. É lógico que meu universo não é tão grande, pois minha rede de relações é muito restrita.
Já percebi que todos temos os mesmos problemas existenciais quanto a nossa capacidade de julgar.
Sofremos por nossos juízos de valor como saber o que é o bom ou o ruim, o certo e o errado, o falso e o real.
Nosso sujeito sempre nos engana pois sempre tendenciosos e julgamos em nosso favor. Então quando somos bons, certos, reais?
Se todos não tivermos o mesmo norte é lógico que nunca conseguiremos atingir a verdade.
Pode se perguntar, mas o que isso importa?
Bem importa muito se quisermos viver num mundo salutar.
Diante do caos que é entender o mundo não poderemos nunca responder o que é a existência ou o que é o ser.
Nenhuma ciência será capaz, talvez apenas a fé possa...
O que seria capaz de motivar todas as pessoas?
Acho que somos tantos que perdemos o norte e parece que por isso tudo fica mais difícil.

21/08/19

Perspectivas

Quando acordei na madrugada o céu estava tão lindo.
Vi um céu limpo sem nuvens com estrelas brilhando feito minerais de águas marinhas.
A lua crescente prateada alumiava as sombras da noite.
No nascente a barra vinha quebrando.
E a cada passo se seguia na rua, simplesmente as coisas começavam a acontecer e os primeiros desfechos do dia se fazia.
Nestes momentos a gente pensa na vida, na existência, nos momentos.
Nos extremos do dia sempre ficamos pensativos.
Nesses momentos, pensamos na realidade, na imaginação.
E alguma coisa começa a se construir ou terminarem.
Perspectivas... perspectivas...

Mundo

O mundo está ai.
O mundo é tudo.
Meu mundo é abundante em flores,
Em coisas que simpatizamos.

19/08/19

Mistério


No serrote, a caatinga seca e cinza deixava grandes rochas a amostra.
O capim dourado quando seco preenchia os lugares abertos daquela paisagem.
Sentado na calçada da escola à sombra da algaroba a gente contemplava aquela paisagem intrincada e árida.
Estávamos na depressão das vertentes envolvidos de serras e serrotes.
Aquela paisagem parecia cercar nossas existências.
Só hoje sei que o que cerca nossa existência é o nosso corpo.
Aquele chão de solo seco, arenoso e pedregoso que a muito é substrato de ervas, arbustos e arvoretas.
Que mistério que se encerra aquele serrote?
As madrugadas frias e estreladas.
As tardes quentes e douradas.
O meio dia ardente.
O vento seco trazendo o cheiro e o pó do curral.
E o que foi tudo isso?
Tudo que consegui entender
E tudo que permanece oculto.
As imagens em minha mente
Como uma luz a pulsar vir e ir.
Mistério divino.

18/08/19

Relações

Uma rocha, o solo, a vegetação, o canto das aves, a luz do sol, o vento e a sombra.
Nós indivíduos que percebemos o externo através dos sentidos precisamos nos baseamos no espaço, no tempo e na matéria. Tudo aquilo que conhecemos está conectado com o universo que nos envolve ou poderemos ir além através de meios de comunicação. Todavia efetivamente é a nossa experiência que nos marca mais intensamente.
Conhecemos uma rocha pela sua dureza e forma anômala.
Conhecemos o solo por ser um substrato e muitas vezes necessitamos conhecê-lo ainda melhor para o plantio de nossos alimentos.
Conhecemos a vegetação pelo verde? pelos espinhos ou pela lenha ou nem por isso.
Conhecemos o canto das aves por sua beleza ou estranheza.
Conhecemos a luz do sol por sua presença diária e eterna.
Conhecemos e gostamos do vento porque ameniza o calor.
Conhecemos a sobra pela sensação de proteção.
Uma rocha, o solo, a vegetação, o canto das aves, a luz do sol, o vento e a sombra.
Como tudo pode está tão ligado e tão distante?
Da rocha se origina o solo.
Do solo cresce e se desenvolve os vegetais.
Na vegetação as aves habitam.
Pela luz do sol os vegetais produzem seus alimentos.
O vento que sopra e as aves que cantam polinizam os vegetais,
Sob a sombra das árvores descansam e cantam os vegetais.
Tudo que podemos encontrar neste universo se dar através as relações.
Somos nós quem podemos entendê-las e preservá-las.
Caso contrário tudo se seguirá sozinho com ou sem nós.

13/08/19

Imaginação

A manhã da terça-feira descambava para o meio dia. O sol acabara de desocupar a cozinha. O feijão saltava na panela e já estava quase cozido no fogão de lenha onde lascas de angico se reduzia a brasa, cinza, fogo e calor. Na chaleira descansada na chapa o café ainda estava quentinho. Sentada na borda do fogão vô Chiquinha tomava um café enquanto olhava para a chapada onde brilhava o verde dos pau-d'oleos. Em que pensava? Na sala, depois da anti-sala com o altar onde um vento frio soprava vovô Chico estava sentado em frente as paredes brancas, portas azuis entre imagens sagradas. Através da janela e da porta podia ver a barreira feita de barro vermelho. No alto da idade o que estava pensando. Vez por outra ouvia-se um grito ou via-se alguém passar.
- "Chico".
- Venha almoçar.
Na cozinha um golinho cantava.
O que acontecia mundo a fora?
Na casa de seus filhos e netos.
Então, entrou na cozinha onde sobre uma esteira estava a panela de feijão, a cuia de farinha, a panela de arroz, a frigideira com a mistura.
Bebeu o caldo do feijão, depois colocou farinha e misturou com o feijão, então colocou arroz e a mistura.
Comeram juntos, felizes pela companhia um do outro como se fossem eternos. Naquele momento, eram eternos uma realidade para si.
Então a tarde caiu.

10/08/19

Tentar

Há tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo e não temos domínio sobre nenhuma ou nada. Basta apenas pensar já nos angustiamos.
Nosso mundo e nossas representações.
Mamãe me escreveu, cedo, angustiada com voz de choro, dizendo que não consegue nem andar fora de casa que já sente cansada. Instantaneamente senti um nó no estômago.
Como lidar com isso?
A idade chega e trás consigo as debilidades do corpo. Daí um dia descobrimos que envelhecemos.
A gente sente pânico, medo, pavor, mas vamos nos acostumando.
O que não tem remédio remediado está.
Paro, penso em tudo que acredito como ciência, religião, pragmatismo, literatura e tantas coisas mais.
Penso no que cultivo como limpeza, leitura, conforto, saber...
Tudo que somado constitui o meu conhecimento e compreende aquilo que sou.
Então percebo que não sou nada.
Temo certeza que sou,
Um vento que passa,
Uma onda que quebra na praia, 
Um pássaro em canto,
Um cochilo de um animal satisfeito,
Uma noite plenilúnea,
Um poema,
Uma erva no deserto,
Uma vida que vive.
Nós nos remexemos,
Nos viramos,
Lutamos e relutamos
Para esquecer a morte,
Para não ter um ponto final,
Pois o fim é o fim...
O fim é uma incógnita,
E nós temos pavor do desconhecido,
Mas não temos como evitar,
Cada coisa a seu tempo.
Gostaria de não sofrer,
Mas não há vida sem sofrimento,
Mas não há vida sem sentimento,
Cedo ou tarde a gente se vai,
Todos se vão,
Sabendo disso nós, nos movemos na teia da vida,
E buscamos um sentido no que fazemos,
E tentamos,
E tentamos,
E continuamos porque esse é o sentido da vida.

08/08/19

Encontre o caminho

O tempo,
Pensamento ou ideia recorrente em minha mente.
Início, meio e fim.
Penso na memória que as coisas podem nos dar.
Coisas com história,
Coisas como sujeito,
E o tempo marcando sua duração,
Diferente dos minerais,
A vida não tem tempo eterno,
Não temos tantos minerais
Quanto os reais minerais,
Temos traços de ferro, cálcio, potássio...
Não não somos rochas,
Parece que o tempo tem duração maior
ou tem uma relação diretamente proporcional a densidade de minerais.
Sabe lá,
Que coisa pode ser mais bela que um diamante,
Ou uma ametista, ou um corindum, ou uma olivina?
Ah, os minerais nos encantam tanto,
Pela beleza?
Ou seria inveja de sua beleza e eternidade.
As vezes a beleza de um mineral é advinda da cor de outros minerais,
Traços de alumínio e magnésio em silicatos por exemplo.
Não sei por que penso nessas coisas.
Poderia pensar em Borges, Pessoa, Bentham, Kant, Jesus...
Talvez seja porque estou buscando encontrar o meu caminho.
E o tempo é curto,
Talvez, consiga me encontrar,
Mas talvez a vida seja algo eternamente errante,
Onde todos partiram sem se encontrar,
E tudo não passa de uma ilusão
Ou quiçá um sonho.

05/08/19

Última tragédia

Cai à tarde,
Após mais um dia
À tarde que parte esfria
Como um corpo que perdeu a vida,
Que acontecerá a noite?
Que propriedade temos nós do tempo e dos lugares?
Que propriedades podemos ter de algo?
Que podemos ter além de nossas ideias?
Penso que não podemos ter nada,
Penso que não somos nada,
Como nuvens que a passar voam no céu
E o que são as nuvens?
Como uma flor que desabrochou e murchou
O que a flor?
Cai a tarde,
Penso que será do amanhã?
Que pensamento mesquinho,
Se penso todos os dias,
Que devo fazer além de dar graça?
Um dia todos nós atingiremos a tragédia última.

01/08/19

Por acaso tarde

À tarde caiu,
Sol que muito brilhou se ocultou entre nuvens,
Um bem-ti-vi canta em algum lugar na mata.
Olho o computador me viro olho através da janela.
Atento-me então para o som e ouço o bem-ti-vi,
E o ventilador velho funcionando.
A sala ainda tá fria do ar.
O cansaço me alcançou.

Essa incógnita que é a vida, os momentos, o agora.
Chego a ter medo.

Que será desvelado?

Que interrogação angustiante.

Vejo então imagens de memória do passado.

Uma tarde em Campinas entre os anos 2008-2012.

A poeira vermelha das tardes quentes e áridas,
Ou o solo argiloso úmido,
As árvores de guapuruvu, sibipiruna, tipuana...

É!
Estou meio perdido como sempre estive.
Mas feliz,
Pela generosidade da vida.
Nada mais.

Cotidiano

Nós sempre marginalizamos o cotidiano.
Manhãs de chuva ou ensolarada,
Tomar um café acompanhado,
Sair para trabalhar ou voltar do trabalho,
Conhecer as ruas que servem de via,
Uma ave voando ou cantando no amanhecer ou a qualquer hora.
É!
Não percebemos a dimensão destas coisas em nossas vidas.
Estamos tão ligados em nossos objetivos,
E todo o mundo nos pedem tanto foco que acabamos desfocando da vida.

É no dia-dia que somos, existimos, agimos, trabalhamos e nos tornamos o projetamos para nossa vida.
A consciência é tardia,
Então não há nada a ser feito,
Senão buscamos um meio termo.

30/07/19

Uma parte da vida

Uma  memória. Um momento que é repetido ou refletido ao longo do tempo em algum instante por algo. Será apenas energia? Ou será a energia a matéria que a alimenta essa memória.
Existem coisas que duram pela própria composição, mas não quero falar de coisas resistentes e sim de coisas efêmeras, daquelas que muito nos marcam por nos fazerem sentir bem.
O riso de alguém interessante,
Uma conversa casual,
Andar de bicicleta pensando positivo,
Comer chocolate ou qualquer doce.
Hummm.
O significado das coisas.
Que me interessa o significado das coisas quando não estou bem.
Ler Borges porque não consigo ler Dante,
Ler Hussel porque não consigo ler Hegel.
Sei lá.
O doce da pinha madura no pé é tão melhor.
Que caos é esse em que me encontro ou nos encontramos?
É muito difícil de sair e encontrar o cosmos.
Enfim, estamos constantemente,  buscando um norte que nos faça encontrar o cosmos.
Que Manuel de Barros esteja no paraíso.
A vida se faz com tudo inclusive com as memórias.

29/07/19

Conhecer-se

O que acontece que às vezes a gente não sente vontade de levantar?
A gente levanta à força como se fosse pra forca.
Não queremos ver o dia nascer,
Não queremos que nada venha a acontecer,
Mesmo assim a gente levanta, porque é preciso levantar,
A gente faz esse sacrifício para nós mesmos.
Isso acontece especialmente às segundas-feiras.
Parece que nos falta motivação, café ou coisa parecida.
Mas tem ocasião que a gente só quer está nessa situação,
Quando estamos com uma doença séria.
E por isso, a gente precisa orar,
Precisa de fé,
Porque a razão e o saber não funcionam.
Infelizmente.

23/07/19

Delicia de momento

O solo arenoso molhado,
A capoeira coberta de rama,
Os pássaros indo de cá pra lá,
Papa-sebo cantando,
A paisagem verde e molhada secando,
Memórias cheias de alegria,
E o medo dos acontecimentos,
Que delícia de momento.

Através

E os anos se passam,
Assim como os meses
E as semanas e os dias.
E olhamos para trás
E o que vemos?
Que somos capazes de perceber?
Relações que se fazem,
Relações que iniciam,
Relações que terminam,
Algumas são longas,
Outras são curtas,
E outras nem chegam a acontecer.
Então, sentamos e pensamos na vida.
Às vezes, vem um vazio,
Às vezes, não.
Então,
Qual é o sentido de tudo?
Não encontramos,
Será se existe um sentido?
Consciência!
Ah! Consciência.
Por que somos assim?
O tempo passa e tudo que se evidencia
É que nada existe além de dúvidas.

21/07/19

Vivendo

O sol nasce e se põe,
Após o inverno segue o verão,
Após o fim de ano um novo ano nasce,
E assim são compostos nossos anos,
E assim vivemos nossa vida,
Sempre em frente,
Vencendo obstáculos,
Dando sentido a nossa existência,
Encontrando e fazendo nossas identidades,
Olhando as noites estreladas,
Quando não contemplando a madrugada,
A lua cheia,
O fato é que tudo é passageiro,
Breves são os momentos que parecem eternos.
Poucas são as coisas importantes,
Só com o tempo a gente aprende,
Vivendo.

15/07/19

Sensação

A noite escura feito breu,
O céu estrelado,
O cheiro do mato roçado,
O canto da coruja,
A muriçoca incomodando,
O canto do grilo,
Os bichos dormindo,
É tão bom sentir tudo isso.

13/07/19

Alteridade

O outro e os outros são parte de mim,
Do início até o fim,
Eu sou o outro em determinados momentos,
Ser sujeito,
Ser,
O que me permite entender o outro
É o mesmo que me permite meu autoentendimento?
O sujeito e o objeto constitui o que somos,
E quem somos está tecido no que fazemos, gostamos e aceitamos.
Nascemos numa situação que não escolhemos,
Mas podemos mudar
Sei lá o que quer que seja.

12/07/19

Desconexão

A gente envelhece e as peças seguem o mesmo destino.
E as lembranças são tantas que ficamos inertes.
As ideias desaparecem com a água que escorreu da chuva,
Com a sombra das aves migratórias,
Qualquer dia se passa sem sentido.

Momentos

Mirar longe, enquanto si contempla.
Uma paisagem conhecida,
A brisa fresca que sopra na manhã,
O calor da tarde,
Pães frescos,
É o tempo passou
E nem percebemos.
Agora é tarde ou quase noite,
Agora que diferença faz,
Que diferença faz se conheço uma Annonaceae ou um granito.
Quando não se consegue vincular as ideias.
Parece que é tudo perdido.
Ah. As aparências.

10/07/19

Fenômenos

O tempo não para,
O tempo não tarda,
A vida gira,
O mundo roda,
A existência é uma reta com início e fim.
Não devemos perder tempo com o que nos diminui,
Em frente ao espelho o real é uma imagem e a imagem o real.
O que é conhecido é só o que é visto,
Mas isto não é tudo,
Pode ser nada,
Pode ser tudo,
Um dia tudo saberemos
Ou nada saberemos,
Fenômenos,
Fenômenos.

08/07/19

Ar

Sentado penso na vida.
Sinto um aperto no peito que não consigo entender o porquê desta sensação.
Olho através da janela e vejo o brilho do sol refletindo nas folhas,
Vejo o vento balançando os galhos,
Vejo as formas e as cores,
Sei que não vejo o ar, mas sei que está lá.
No momento seguinte ouço A Major, K. 622: II. Adagio de Mozart.
E fico com mais medo.
E imagino se apenas eu me sinto assim.
Não encontro respostas na razão,
Talvez uma luz na fé.
E minha mente explode em memórias,
Sei que temos apenas isso.
E sei que vamos descobrindo e aprendendo no devir.


03/07/19

Encantar

As pessoas não deixam de existir porque elas morrem,
Elas simplesmente passam a mudam de forma
E se tornam memórias.
Passam a ser estrelas
E é sabido que estrelas só são vistas à noite.
Nem sempre saímos fora para ver o céu estrelado,
Mas quem mais ama,
Todas as noites saem fora para admirar sua estrela.
E uns com a estrela viva e nem valoriza.
Dizia certo o Rosa que não morremos, mas apenas nos encantamos.

02/07/19

Deixar de ser

Uma flor que se transformou em fruto,
E assim se reproduziu e depois se concluiu.
Quantas flores não seguem este curso,
Todas, mas umas partem antes que as outras.
Estes são os mistérios da vida.
A existência é uma dádiva
Que não sabemos quanto durará,
Por isso, devemos valorizar
As pessoas, nossas lutas, nossa história e nosso ser.
O amanhã é incerto demais
E só temos o hoje e o agora.
Flores se transformam,
Mas só percebemos isso naquelas que conhecemos,
E ficamos tristes quando partem,
Pois merecia mais tempo,
Mas os desígnios do senhor
Só a graça divina sabe explicar.

01/07/19

Meio termo

No jardim natural, aprendi que há muita beleza,
Com as flores silvestres percebi a posso compreender a razão, o conjunto
E a existência de uma relação mútua com as abelhas.
Aprendi que muitas flores não são perfumadas,
Que muitas aves não tem cantos belos,
Aprendi que tudo na verdade se complementa.
Desde muito tempo Buda falava do meio termo.
Ando pensado se existe um meio termo para a vida.
Menos açúcar, menos gordura, menos carne e menos tudo.
Mas substância abstrata como o amor e a ação.
Viver assim é aprender.
As vezes não vivemos plenamente por moderação.
Será a consciência buscando o meio termo da vida?
Quem sabe!

30/06/19

Perturbador

Memórias é tudo que tenho de minha infância, assim como meu modo de ser e existir. As dificuldades e alegrias e lutas. Entender que a morte existe e que leva aqueles que amam quem amamos. Tomar a consciência da morte e da perda a partir da morte e da perda. Nossas impressões do nosso aprender a ser, sendo.
As pessoas, os fatos, os lugares, as ocasiões e a consciência tardia.
Numa tarde, acho que tinha sete anos foi quando descobri que a morte existia. Então corri para o oitão onde havia um cajueiro de boas castanhas onde as galinhas dormiam e lá chorei. Chorei ao saber de minha finitude de de todos aqueles que amo. Tive agonia naquele momento, perturbação e muito medo. Os adultos não me entenderam e também não expliquei para eles. Só chorei. Desde aquele momento, quando tive consciência a felicidade passou a ser momentânea. E a vida me machuca desde então. A descoberta do prazer e da dor. O desejo. 
Elementos que se fixaram em mim.
Retratos em minha memória daqueles que viveram e partiram.
Vi minha vida passar até agora e assim as coisas foram acontecendo.
Desde a pura juventude até a realização da vontade.
Muitas coisas não fazem sentido como seixos sobre solos,
Como rochas sobre rochas,
Como a chuva e os invernos.
Perturbador não.

29/06/19

Substância em movimento

O inverno parte e leva consigo as chuvas.
Ficam apenas as paisagens com as ervas, os arbustos, as lianas e as árvores.
Estas por sua vez logo ou morrerão ou ficarão nuas.
Suas folhas já amarelam e caem.
O vento frio já sopra do nascente para o poente.
As jitiranas, cabeças brancas, bamburral, muçambé estão tão floridas.
O milho já secou e foi dobrado e o feijão já foi desbulhado e guardado e a fava cresce e logo estará seca.
Não, não temos mais gado no curral e o sítio e a roça estão repletas de pasto.
Se fosse na época de Zé Neve, mas vô José já virou vento.
Assim como seus pais e avós...
Papai cansou e não mexe mais com gado.
A vegetação pode descansar.
Eu só gosto de contemplar,
Vi tudo acontecer e agora vendo desacontecer.
Essa tecitura que é a vida.
Essa espiral temporal.
Esse eixo existencial que é a vida.
A gente substância em movimento.

28/06/19

Entender

Espiral do tempo,
Camadas e camadas imbricadas pelo tempo,
Existentes como memórias,
E a consciência nos atormentando e nos humanizando.
Agora olhando para o mundo, para as coisas agradáveis e desagradáveis
O mundo me brinca com as memórias,
Com os anos, com os males e as coisas boas.
Experiência!
Sei quem exatamente sou, pois conheço minhas limitações
E o tempo nos ensina a aceitar a vida com coragem
Ou se curvando aos tarja pretas.
Agora sei que o corpo é tudo que tempos
E uma boa mente pode nos ajudar a viver bem.
Não temos como fugir da realidade.
Tome um gole de Pessoa ou Borges
Respire e siga vivendo.

26/06/19

Medo em espiral

Um segredo,
O medo pega no pé,
Não é pé de planta,
É pé de gente,
Medo de nada só tem quem tem saúde.
Medo de tudo tem quem está no escuro,
Numa encruzilhada...
As encruzilhadas botam medo em qualquer coisa.
Ainda mais se tiver uma cruz,
Um símbolo,
Qualquer símbolo
Ou uma memória.
As memórias oras são boas, oras são ruins.
A gente sempre compara.
Ai se encontra o medo,
Medo da dor,
Medo do inesperado,
É angustiante viver agoniado com a angústia
que é o princípio de todo medo.

15/06/19

Paganini

E o dia nasceu ensolarado,
Mas a tarde o sol desapareceu,
A chuva ora caia, ora desaparecia,
Mas as nuvens de chuva permaneciam ali,
Escurecendo a tarde de sábado.
Quis ouvi nocturne, mas depois percebi que guitar era melhor.
E nesta tarde de sábado de junho que se passa,
A noite uma linda lua cheia no céu estará.
Não agora, não importa taxonomia vegetal ou filosofia,
Só quero ouvir Paganini.
Nada mais.

Todo teu

A essência de um momento,
Uma ação,
Razão...
Música harmonizada num piano,
Um café,
Uma bebida,
Um chá,
O prazer de ser dono do momento
Por mais efêmero que seja,
Mas que seja seu.
Todo teu.

Palavras

A chuva chovendo numa tarde de sábado.
O que poderia ser mais agradável?
A cama, som de Chopin ou Schumann ao piano.
O sol oculto nas nuvens,
Um sorvete de café.
Existe um ápice de satisfação?
Talvez!
Mas só é possível em vida.
Talvez, seja agora que as palavras devem ser ditas ou escritas.

14/06/19

Desilusão

Quais os caminhos que segue uma alma.
Certamente, buscará seguir a beleza, a pureza, a verdade e o amor.
Mas ai! A prisão no corpo!
A paixão, o medo, a dúvida e a morte.
Nossas limitações.
Emoção versus razão.
Queremos tudo e não lutamos por nada,
Servimos aos desejos,
Enquanto não experimentamos de tudo.
Uma espiral que desvela os mistérios da vida.
Talvez uma desilusão.

11/06/19

Araripe

Enquanto o sol nasce, seguimos cortando estrada e voltando para casa. Após uma longa e cansativa  viagem nada é melhor que voltar para casa.
Na estrada, as paisagem que se apresentam e os lugares onde chegamos são as melhores recompensas que podemos ganhar. Admiramos a diversidade de formas, as composições e formações naturais que nos fazem esquecer a correria cotidiana.
Na paisagem vasta e profunda da caatinga, vemos os serrotes com grandes rochas graníticas, os riachos e vales cobertos de vegetação de ramos intricados que já dá sinal da secura na terra por apresentar suas folhas amarelas. Logo a vegetação estará nua, sem uma folha só com ramos e troncos.
No Cariri paraibano já voam os avoetes que apontam o fim da estação chuvosa. As ervas amarelam seus corpos frágeis e aos poucos uma nova paisagem ressurge no sertão.
Cortamos a Paraíba do litoral ao Cariri e de lá seguimos pelo sertão do Pernambuco até a Chapada do Araripe.
No Sertão do Pernambuco que termina no pé da chapa o sol brilhou como nunca e o calor só passou quando subimos a sotavento a mais de 1000 m de altitude até pareceu que havia um grande ar.
Uma tarde de muita identificação e uma noite de profundo descanso para na manhã seguinte está pronto para conhecer as veredas cearensis.
Ah, que maravilha de lugar repleto de grandes palmeiras de macaúba, babaçu e Buriti. Palmeiras de folhas pinadas e folhas flabeliformes com epiderme cerosa nítida.
Ver a água escorrendo com algas alaranjadas e uma capa-rosa espetacular.
Espécies inúmeras.
Anotado, fotografado, refletido e absorvido.
Assim que foi e tinha que ser.

04/06/19

Por que biologia?

Somos saudosos por natureza uns são mais e outros menos. Às vezes, nos remetemos à infância, talvez para nos sentirmos bem. Naquela fase da vida em que nada importava mais que as brincadeiras. Além disso, tínhamos a melhor coisa do mundo que era a proteção e o amor dos nossos pais. É triste saber que algumas crianças não tiveram seus pais na infância, mas aqueles que tiveram hão de concordar comigo.
No sítio, onde morei, as coisas que mais me divertiam, eram brincadeiras de imitar os adultos. Acho que é porque era a única referência de realidade que tinha. Naquela época, entre os anos 80 e 90, a nossa comunidade era muito mais habitada e tínhamos muitas outras crianças com quem tinha amizade. Nossas amizades eram criadas com base na proximidade entre nossas vizinhanças. Geralmente, a melhor época para brincar era o inverno que é o período de chuva, pois tinha muita água, solo úmido, barro, córregos, plantas com flores e frutos.
Então, quando os invernos eram forte e as solos ficavam abrejados, aproveitava para construir açudes e currais. Sentia prazer em ver a água azulada se acumulando no prato de meu açudezinho que ia enchendo até sangrar, assim como fazer um curral e enchê-lo de frutos de bucha simulando ser o gado. No mato, adorava sentir o cheiro das flores cor de rosa dos serradores, cor amarela de mufumbos e marmeleiros. Ainda podia ouvir o som das grandes abelhas mamagavas, visitando as flores amarelas das catingueiras e flores violetas das mucunãs. Prestava atenção no canto das que ali cantavam como fura-barreira, anuns, anuns brancos, nambus e abre-fecha.  No mato, sempre havia o risco de se encontrar com cobras venenosas como as jararaca e corais; cobras não venenosas como as cobra-verdes e cobras de duas cabeças que se matasse pelo veneno, matava de medo. Sem contar que haviam as vespas maribondos do tipo boca-torta, enxu, maribondo de chapéu e cafifi e abelhas italianas ou africanas. Graças a Deus, nunca fui mordido por cobra, mas com as abelhas nunca tive a mesma sorte, vivia sendo ferroado.
No sítio de papai, podia ir nos afloramentos que chamamos de lajedos onde tem cactáceas e imburana só para ver se via algum bicho como um preá ou um teiú. Às vezes, papai me dava uma baladeira para caçar ou para fazer o mau aos passarinhos ainda bem que era ruim mira e não acertava nem em fura-barreira. 
A vida era boa! Tinha muita liberdade de descobrir o mundo e as minhas curiosidades eram ínfimas.
Mas tudo muda com o tempo, porém a natureza cresceu dentro de mim e me tornei um biólogo.

30/05/19

Planeta na madrugada

Neste  maio de 2019, às madrugadas foram mais belas,
Entre o silêncio e o escuro quando o céu estava limpo
Se podia ver dois belos planetas,
Estando um no nascente e o outro no poente.
Sendo o primeiro Vênus e o segundo não consegui descobrir.
Que pena, até pesquisei, mas estavam tão complicados e longos os textos que desconsiderei.
Enfim, foi muito bom ver um outro astro na madrugada.
Desta parva percepção que tenho do céu.
Só posso contemplar.

27/05/19

Chuva na segunda

Manhã de segunda-feira
a chuva chovendo suave e
O céu coberto de nuvens.
Pensamos!
Refletimos!
Por desaceleramos.
Tempo assim merece Chopin.
Tempo assim ativa a memória.
A natureza se revelando
A natureza sendo o que é
Existência, beleza e plenitude.
Enquanto aqui chove lá em Serrinha faz sol.
Ou sei lá onde tá tudo seco.
Assim é.

25/05/19

O sentido das coisas

Em muitos momentos da minha vida na infância e na adolescência sentia um vazio.
O que era esse vazio?
Lembro de lugares e dos caminhos para estes lugares o que me fazia ir a esses lugares.
Saia sempre em busca de algo uma fruteira, um gancho de baladeira, ver um pássaro ou algum animal como preá ou tejo.
Às vezes, perdia-me em minha desatenção pelo mundo.
Poucas coisas tinham valor além de doces, comida e pássaros.
Era interessante nessa desatenção como me perdia e havia lapsos. Vazios existências.
Seria por causa do sol excessivo? O brilho revelhas as coisas, mas em excesso perturba a visão.
Não sei. Nesses momentos havia uma conexão com o mundo que me cercava e podia ser com as plantas, com os animais ou com o meio.
Na maior parte das vezes eu via as coisas, mas estas não faziam sentido.
Coisas sem definição não fazem muito sentido. Via e sentia as coisas, porém não percebia embora tudo estivesse ali.
Então, não sabia porque, mas as vezes voltava ao mesmo lugar mais de uma vez e as situações se repetiam.
Se repetiam fosse no inverno ou no verão.
O universo das palavras eram ainda embrionárias e o mundo já era muito interessante, porém desconhecido e indefinido.
As coisas ganham sentido a proporção que damos sentido as mesmas.
É realmente um processo intenso de subjetivação e objetivação que nos humaniza.
Bem, nessas pequenas expedições sempre ocorriam nos vizinhos mais próximos.
Explorava o umbuzeiro de Joãozinho de Elita e a mangueira o coqueiro catolé e manga espada de Bonina de Lindalva.
Dos elementos físicos que me lembro do lugar era que no umbuzeiro o solo era argiloso e vermelho.
Já na mangueira o solo era arenoso e tinha uma cacimba.
As memórias sabe!
Estão no formato de fotografia.
Naquele tempo não tinha televisão, livro, telefone... A única fonte de informação era o rádio e a conversa.
O meu mundo era um grande vazio de sentido.
Facilmente me identificava com Manuel de Barros.
Ah! que delícia o chão cheio de umbu ou de manga ou de caju.
À tarde mamãe me banhava e a gente comia nosso xérem com leite.
Antes de dormir mamãe me ensinou a rezar, mas não fazia muito sentido.
A aprendizagem mecânica senão divertida é muito massante.
Tão massante quanto aprender o A, E, I, O e U.
As coisas na aula não faziam muito sentido.
Só quando, dona Paulinha leu uma história no livro que ficou interessante.
Mas, as palavras e os textos...
Ainda bem que sou cabeça dura... porque senão as coisas continuariam sem sentido até hoje.

23/05/19

Androceu e gineceu.

Entre as flores tantas cores.
As cores das brácteas e das pétalas e dos estames...
Que nomes!
Nem falei em androceu e gineceu.
Ah!
As flores tem a parte "masculina" que é o androceu.
Espere ai masculina! Ou melhor a estrutura produtora de micrósporos?
Micrósporos? É o polém danado! Ahhhh.
E o gineceu é a parte feminina?
Exatamente! Para não irritar os botânicos diga que é o estrutura que contém os megásporos.
Megásporos? Sim danada. São os óvulos que originam as sementes se fecundado.
Nossa quantas palavras distintas.
Pois é são de origem grega sabia?
Andrus=homem e Gynu=mulher.
Que complicação professor!
As flores além de cores tem essas coisas ai.
Coisas!!!
Não são estruturas.
O gineceu e o androceu.
Microsporofilos e megasporófilos.
Lá vem você de novo. kkkkkkk.
O androceu é o conjunto de estames e o gineceu é o conjunto de pistilo.
O androceu pode ser composto por um único estame como ocorre nas Vochysiaceae ou ter dezenas de estames como ocorrem nas Myrtaceae.
Ah!
Myrtaceae da família da goiaba.
E Vochysiaceae é da família de quem?
Da família da voquisia.

E o gineceu é o que?
É o conjunto de pistilos.
Em algumas flores o gineceu apresenta mais de um pistilo como por exemplo a flor de graviola.
Ai a gente diz que o gineceu é apocárpico, pois os pistilos são livres entre si.
Já na goiabeira o gineceu é sincárpico com apenas um pistilo.

Que lindo professor.
Seria ótimo se entendesse.
Sim, vamos viajar pela morfologia.

As flores são muito mais que cores e odores.
As flores são ramos modificados.
O que!
Meu Deus.

19/05/19

Fenômeno consciente

Este meu mundo, hoje é largo, mas já foi estreito.
Nos domingos, quando visitávamos vô Sinhá e vó José no Sítio de Dentro,
Só voltávamos à tardinha
Quando mais da metade do dia se passara,
E as flores já estavam murchas.
E as águas da chuva da noite anterior não escorriam mais.
Ou quando no verão a poeira estava solta.
O tempo estava sempre quente e a natureza já tratava de se recolher.
Só nós dois, mamãe e eu a caminhar.
Mamãe era minha consciência.
Não sei se conversávamos, mas com certeza caminhávamos bastante pelos caminhos estreitos e poeirentos.
Às vezes, passávamos na casa de Neta de Chico Leão ou de tia Nevinha.
Dai seguíamos em direção ao poente.
Quando a luz dourava a paisagem no segundo crepúsculo,
Então, já em serrinha do Canto, chegava o momento de passar na parede do açude do Alívio.
Naquele momento, aproveitava para atirar pedras no açude.
Não sei o porquê, mas adorava ver esse fenômeno de produzir ondas.
Achava prazeroso ouvir o som que fazia o espelho da água ao engolir a rocha que atirava.
Tchluppp! ou Tchlappp!
O timbre produzido dependia do tipo da rocha escolhida e a posição que atirava.
Quanto mais chata a rocha mais alto e forte e mais bonito era o som. Tchuluppp.
Quanto menos plana, mais fraco era o som. Tchalapp.
Porém quanto mais bonito o som menores eram as ondas produzidas, pois menor era a superfície atingida. A tensão superficial da água era facilmente quebrada.
Quanto quanto menor era o som, mais belas e fortes eram as ondas.

Seria maravilhoso ver as ondas nascerem e crescerem concentricamente ou ouví-las?

Ah. A natureza "fisis" se materializando por meio das ondas sonoras e mecânica.

Enquanto o espelho da água era perturbado...
Uma, duas, três, quatro ou cinco vezes, até mamãe dizer para parar.
Não mais que isso.
Meu desejo era controlado pela minha consciência extracorpórea, mamãe.
Enquanto a rocha se acomodava no fundo da água as ondas desapareciam
Com a tarde que partia.

17/05/19

A aurora

Dentre as faces mais belas de um dia, creio ser a aurora é uma delas.
Infelizmente, algumas muitas almas preferem o conforto de sua cama e a profundidade de seus sonos e sonhos.
Porém observar e contemplar o céu já é uma dádiva por tamanha beleza e certamente é o primeiro crepúsculo na aurora que este fica esplendorosamente muito mais lindo.
O silêncio que seguiu a noite e que ainda se estende até o despertar da passarada reconforta nossa alma.
A nitidez e transparência com que podemos observar as estrelas ou a lua em certos dias ou ainda as nuvens que ao quebrar da barra apresenta cores de tonalidade ígnea se mostra tão natural.
Embora a maior parte das pessoas ainda durmam, uma pequena parte tem o privilégio de contemplar este momento impar da natureza.
Neste momento é que podemos viajar em nossas idéias mais intimas e relaxar e esquecer a realidade dura em que vivemos.
Talvez alguém sinta o mesmo que sinto ou talvez simplesmente ache uma ideia absurda. Não custa conhecer.
Acho que esse gosto pela aurora tem raízes muito profundas no tempo.
Meus avós e tios acordavam muito cedo para trabalhar e dessa forma acabavam percebendo a beleza da aurora.
Quem não se encanta com o cantar da passarada anunciando o novo dia?
A noite é um mistério que se revela na aurora.
E os mistérios nos embriagam e nos encantam chegam então ao fim com o novo dia.
E a aurora revela então esses sonhos que foram embalados na noite.
Então, sonhe, mas se um dia quiser contemplar uma coisa bela e natural.
Contemple a aurora.

16/05/19

Paciência

Nesse mundo grande e cheio de magníficas coisas quem somos nós?
Uma vida que precisa aprender a caminhar nas veredas do pensar.
A paciência é de grande valia e precisa ser cultivada, pois longa é a jornada.
Como absorver tantas coisas?
Quais são as mais ou menos valiosas?
Há de descobrir, mas saiba que a caminhada é pesada e cansativa, então calma.
Sem pressa, vá cultivando e cativando as coisas em direção a tomada de consciência.
Aprender a separar ou unir o que achar necessário.
O tempo só permite viver em unidades pequenas o dia e a noite e o resto é soma.
O espaço só nos permite está num lugar no mesmo instante no aqui, do eu.
Temos cinco sentidos, mas nos concentramos com plenitude apenas em um.
Paciência é a chave mestra para qualquer coisa.
O tempo é uma dádiva e o espaço uma necessidade de existência.

14/05/19

Mix

A tarde já vai caindo,
E levando consigo todo o reflexo,
Leva consigo o excesso de luz
Que agrada a flora,
Mas excede nossa alma
De entendimento,
Que venha a noite,
Que a mente descanse,
Que amanhã possa novamente
Sentir e perceber tanta energia,
Tanta intensidade,
Eis que se vai Apolo e chegará Nix.

13/05/19

Ontologia do amor

A impermanência,
Ontem, hoje, amanhã...
Um dia, uma semana, um mês...
Nossos momentos não são eternos,
Eles tem início e um fim.
Tão próximo ou tão distante tanto faz
O que importa é o agora.
Ocupamos um lugar que foi de alguém
E no futuro não será mais nosso,
Mas de outro alguém
Que pode será um filho, um neto...
Não sabemos se a alma é imortal ou mortal
Embora rios de tinta tenham sido derramados.
Não sabemos!
Uma rocha ou uma flor...
Que diferença faz?
Depende do contexto...
Um diamante,
Uma flor,
Onde há mais amor? 

09/05/19

Conclusão de período

Após quatro meses de aulas, concluí as disciplinas do semestre de 2018.2. Desta vez, foram duas turmas Vasculares e Morfologia vegetal Comparada que se somaram à minha experiência docente. 

Ao que parece, a docência é uma arte e precisa ser cultivada. Não é uma atividade fácil, mas é muito humanizadora. Esta arte apresenta pontos positivos e negativos.  No primeiro caso, os pontos positivos constituem o apanhado de conhecimento que adquirimos na forma de uma melhor desenvoltura pessoal e social e a experiência efetivada. No segundo caso, os pontos negativos creio serem compostos pelo tempo reduzido e a avaliação. 
Na nossa sala, na preparação as aulas, subjetivamos o conteúdo e o organizamos da maneira mais lógica e compreensível que imaginamos. Neste momento de pré-idealização de como ocorrerá a aula, existe a perfeição e o ideal. Entretanto, em sala de aula, ao expormos os conteúdos, eventualmente, surgem as dúvidas. Exatamente no momento de objetivação da aula a realidade se torna áspera. Todavia, com o tempo percebemos que são as dúvidas nos fazem pensar e assim buscar suas respostas de maneira que nos apropriamos desta ampliando o nosso conhecimento subjetivo.
Lembro que durante as primeiras turmas, suava frio e uma aula durava uma eternidade. Às vezes, nem conseguia articular as ideias. Sentia pânico. E como consequência era muito duro com os alunos. Com o tempo, as coisas vão se conectando e vamos desenvolvendo nossa própria pedagogia. 
Infelizmente o tempo nunca é suficiente tanto para a exposição dos conteúdos quanto para o desenvolvimento das atividades. Embora muitas adequações já tenham sido realizadas ainda é insuficiente para que os alunos subjetivem o universo de informações de que dispomos.
Na docência a avaliação é o ponto mais delicado, pois nunca sabemos o quanto e conteúdo foi subjetivado.
A parte isso, desempenhar bem nossas atividades nos faz bem. Esse desafio se renova a cada semestre.

07/05/19

Dia de chuva

Hoje, terça-feira, tempo mudou o dia. Embora tenha amanhecido nublado, mas não achei que choveria. Caminhei como sempre nas três ruas e nenhum sinal de chuva. Então, após o treino, quando sai da academia, começou a neblinar e antes de chegar às três ruas já chovia forte. Naquele momento, já não tinha mais pessoas caminhando na rua principal. A chuva parou um pouco e assim, consegui chegar em casa. Então, choveu sem parar até às nove horas da manhã. Nem tive como ir para a universidade naquele momento e então que trabalhei em casa até a chuva parar. Diferente de ontem que o dia foi ensolarado. Ao contrário de hoje, ontem, a manhã nasceu límpida com aves voando e cantando e com muitas pessoas caminhando e dia permitiu transitar tranquilamente. Aproveitei então para resolver coisas fora do trabalho. Hoje fiquei foi trancado no trabalho. Apesar de tudo, a chuva, por outro lado, é fonte de vida. Agora, tenho certeza que as sementes de ficus que espalhei pela mata nascerá.

06/05/19

Boring

A tarde cai silenciosa. As rua está vazia e mais amena, após uma chuva repentina.
Olho os objetos da casa e vou a janela observar a calmaria. Nada acontece. Deito no sofá e pego o celular onde escolho uma história para ouvir, mas logo desisto. À tarde se arrasta. Tenho várias dúvidas sobre o que fazer e só complica, pois as dúvidas me deixam confuso. Então, pensei em me distrair contando algo. Porém não encontrei o caminho que me levasse a uma história. Uma boa história. Fiquei contente em folhear umas páginas dum livro. Desisti e fui deitar.

Noite

É noite. Após um longo dia chegou a noite. Quantas coisas ocorreram hoje e agora tudo é passado. O cimento frio na obra seca ganhando forma própria. A flor foi fecundada. Haverá alguém que não mais viu a noite chegar e viveu sua única tragédia. A noite é assim, nos traz a paz e o silêncio e nos permite o sagrado descanso. Talvez, dela, agora, frutifique algum pensamento  sob este profundo silêncio. Deitado, concentro-me no diz os sons que ocultam o silêncio. Busco algo agradável bem nos suaves sons que vem de lugares distantes. Tento entender algo, quem sabe um padrão, mas não tenho treino e nem habilidade para coisas mais elaboradas. Então, espere, agora ouço passos de um cão que segue pela rua, sozinho pela maneira como caminha. Como é interessante o som de suas garras no piso do calçamento. Longe, soa o zumbido de grilos e me faz lembrar as noites escuras de inverno acompanhadas do som de alguns insetos. Cães ladram ora próximo e hora distante. Recordações!
Que só neste momento existe.

04/05/19

A singularidade das aves na totalidade da vida

Desde sempre, encantam-me as aves pelos mais variados e belos cantos, pela diversidade das formas e  suas combinação de cores. Impressionam-me ainda seus hábitos e habilidades de voar.

Quando criança, tínhamos em casa um terreiro de galinhas, embora nosso sítio fosse cheio pássaros, não tínhamos nenhum pesos em gaiola como era o meu desejo.

Então, para mim, era agradável ir em casas que tivessem passarinhos em gaiolas, pois assim poderíamos vê-los e ouvi-los de perto.

 Assim, gostava de ir à casa de vó Sinhá onde tinha um sabiá e à casa de vó Chiquinha onde havia um golinha.

Nas Vertentes, onde morava vó Sinhá, tinha a casa de Joquinha que era um senhor que adorava criar e lá havia muitas pombos, pombas-burguesas, pato putrião, azulão, galinhas, guinés, peru e golinhas.

Já em Martins, lá em tio Francisco (Michico) tinha graúna, azulão, canários, rolinhas, abre-fechas, tico-tico e corrupio.

Em Serrinha do Canto, onde morávamos, quem criava pássaros era Chico Franco que tinha dois pássaros raros um caboclinho e um pintassilgo, e outro vizinho que gostava de criar passarinho era Hebim de Josimar que tinha golinho, corrupio, cabeça vermelha e abre-fecha e azulão.

Eu não tinha gaiola. Então, um dia, consegui fazer uma gaiola que não era perfeita, mas mesmo assim fiquei feliz, pois fiz sozinho. Então, consegui pegar um azulão que era manso e cantador. E foi no terreiro da cozinha onde tinha uma pinheira antiga que pendurei gancho de arame e lá colocava a minha gaiola com o maravilhoso azulão. Que boa era a sensação da presença e da posse de poder  ver e ouvir cantar aquele pássaro tão maravilhoso.

Bem, já que não tinha gaiola, exceto a que fiz, e nem paciência para fazê-las e nem técnica capturar passarinho não segui em frente nesta arte.

Todavia, continuei a amar e aprendi a reconhecer as aves pelos sons. E ainda hoje me encantam, porém que estejam livres de gaiolas.

Em Serrinha do Canto, onde moram meus pais em nosso sítio, havia muitas fruteiras cajueiros, pinheiras, serigueleiras, goiabeiras, araçazeiros, cajaraneiras, coqueiros, palmatóreas e mamoeiros  que já não são tantas nos dias de hoje, mas as sobraram, servem de abrigo e fonte de alimento para a passarinhada. De forma que não faltam aves o ano inteiro em nossa casa.

Algumas aves ocorrem apenas nas matas durante o no ano inteiro como o cancão, a juriti, a nambu, o joão de barro e a sariema. Enquanto outras já são mais adaptadas aos ambientes mais perturbados como capoeiras e sítios e estas também cantam o durante o ano todo como o sanhaçu e cabeça-vermelho que depois do galo é nosso segundo despertador embelezando  nossa aurora.

Algumas aves migram e só estão presentes em alguns meses do ano como poderemos acompanhar.

Entre janeiro e março, logo nas primeiras chuvas, no início das ramadas, quando a lavoura está nascendo, são abundantes os comedores de insetos (insetívoros), como os papa-lagartas, os bem-ti-vis, as siriris, os fura-barreiras e nas soleiras da casa saltitam os roxinós. E nos fins das tardes chuvosas quando o sol abre, no alto das aroeiras como cantam os sabiás de papo-branco.

Em seguida, entre abril e junho na época das fruteiras como acerola, pimenta, cajarana, goiaba, araçá e pinha voam velozes em busca de brancos bagos os sanhaçus, os lorinhos, as patativas, os vem-vens, os sabiás de papo-branco e sabiás de laranjeira. Ainda nesta época, nas capoeiras cantam os anuns brancos e pretos, os choca-barrada e as nambus. Nas beiras da estradas e nas bordas de roçados quando os capins começam a amadurecer ai cantam as estrelinhas, os papa-capins e os tizius.

Já no final do inverno, entre julho e agosto que é a época de dobrar o milho seco, então no céu voam bandos de arribação, nos anjicos e aroeiras se ouve o grosnar dos pacuns e lorinhos, e nos fios da eletricidade como cantam os papa-cebos anunciando o verão.

Por fim, descamba para o fim do ano, entre setembro e dezembro, na época do caju, surgem os corrupios e cantos de ouro. Na mata, lá longe, cantavam os cancãos e nos açudes e beiras de riachos  cantam as casaca-de-coro-da-lama. Ao andar na mata é possível ouvir o bicar nos troncos dos picapauzinhos se buscando alimento. Em dezembro, após a safra de caju, nos enchercos cantavam os vem-vens. Minha tia dizia que estavam chamando visitas. xooooo!

Em tempos indeterminados,  às vezes, durante à noite, se canta perto de casa uma coruja, papai logo vira a chinela para ela ir embora, acha que o canto é mau auguro. Outras vezes, se no céu canta um gavião, pode ser que chova, mas eles são bem  recebidos se tem galinha de pinto novo no terreiro.

Este ano, após muitos anos desaparecidos, voltou a cantar e fazer ninho as casacas de couro. Papai está muito feliz com a volta delas.

E o quando o ano termina e um novo começa todo se renova e recomeça.

Assim é a vida em sua totalidade com uma de suas mais belas singularidades promovida pela existência das aves.





Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh