25/05/19

O sentido das coisas

Em muitos momentos da minha vida na infância e na adolescência sentia um vazio.
O que era esse vazio?
Lembro de lugares e dos caminhos para estes lugares o que me fazia ir a esses lugares.
Saia sempre em busca de algo uma fruteira, um gancho de baladeira, ver um pássaro ou algum animal como preá ou tejo.
Às vezes, perdia-me em minha desatenção pelo mundo.
Poucas coisas tinham valor além de doces, comida e pássaros.
Era interessante nessa desatenção como me perdia e havia lapsos. Vazios existências.
Seria por causa do sol excessivo? O brilho revelhas as coisas, mas em excesso perturba a visão.
Não sei. Nesses momentos havia uma conexão com o mundo que me cercava e podia ser com as plantas, com os animais ou com o meio.
Na maior parte das vezes eu via as coisas, mas estas não faziam sentido.
Coisas sem definição não fazem muito sentido. Via e sentia as coisas, porém não percebia embora tudo estivesse ali.
Então, não sabia porque, mas as vezes voltava ao mesmo lugar mais de uma vez e as situações se repetiam.
Se repetiam fosse no inverno ou no verão.
O universo das palavras eram ainda embrionárias e o mundo já era muito interessante, porém desconhecido e indefinido.
As coisas ganham sentido a proporção que damos sentido as mesmas.
É realmente um processo intenso de subjetivação e objetivação que nos humaniza.
Bem, nessas pequenas expedições sempre ocorriam nos vizinhos mais próximos.
Explorava o umbuzeiro de Joãozinho de Elita e a mangueira o coqueiro catolé e manga espada de Bonina de Lindalva.
Dos elementos físicos que me lembro do lugar era que no umbuzeiro o solo era argiloso e vermelho.
Já na mangueira o solo era arenoso e tinha uma cacimba.
As memórias sabe!
Estão no formato de fotografia.
Naquele tempo não tinha televisão, livro, telefone... A única fonte de informação era o rádio e a conversa.
O meu mundo era um grande vazio de sentido.
Facilmente me identificava com Manuel de Barros.
Ah! que delícia o chão cheio de umbu ou de manga ou de caju.
À tarde mamãe me banhava e a gente comia nosso xérem com leite.
Antes de dormir mamãe me ensinou a rezar, mas não fazia muito sentido.
A aprendizagem mecânica senão divertida é muito massante.
Tão massante quanto aprender o A, E, I, O e U.
As coisas na aula não faziam muito sentido.
Só quando, dona Paulinha leu uma história no livro que ficou interessante.
Mas, as palavras e os textos...
Ainda bem que sou cabeça dura... porque senão as coisas continuariam sem sentido até hoje.

Deus

Deus pode ser sentido! Deus pode ser visto, Deus pode ser ouvido, Deus! Estava almoçando, Ouvia uma rádio Inglesa, Então começou a tocar a m...

Gogh

Gogh