27/11/10

Calor

Noite quente, corpo ardente,
não corre uma brisa,
As ruas claras e vazias,
noite em ribeirão.

26/11/10

Noite

A noite sozinha,
tão fresquinha,
tão escura.
A noite parece triste daqui,
estrelas sorri,
estrelas piscam,
estrelas dormem no poente,
a noite, noivas flores,
se perfumam e desabrocham,
esperam os amantes,
como a lua, são cativantes do amor,
flores almas, perfumadas,
Que esperam as flores?
Mariposas? morcegos?
As flores noturnas não vêem cores,
ignoram a beleza,
só veêm a alma, na clareza as flores murcham.
Serão vampiras?
São flores, são flores,
que se entregam a nix,
as estrelas, a lua,

As flores são alvas,
são almas,
cheiras de aromas,
de essência,

A noite escura,
o que guarda?
estrelas,
luas
e flores.

Minha história


Sabe, nasci numa cidadezinha bem distante no nordeste, Serrinha dos Pintos, fica no estado do Rio Grande do Norte, filho de pessoas humildes, muito simples. Meu pai era carpinteiro, vez por outra vinha para São Paulo ganhar alguns trocados e minha mãe que segurava o tranco, ficava conosco, 5 filhos, o irmão de meu pai a ajudava. A vida era bem difícil. Minha cidade nem era município quando nasci. Tinha uma imensa vontade de aprender, mas não tínhamos livros, nem uma biblioteca no distrito. As escolas eram muito precárias. Aprendi a gostar de ler só. Lia o que aparecesse nas mãos. Eu tinha um sonho, ser diferente e sair daquela cidade. Não que achasse ela muito pequena, não nem tinha noção de tamanho de cidade, fui conhecer um prédio os 18 anos quando fui para Natal, minha vida alí era muito boa, mas queria ser biólogo ou médico. Então quando fui cursar o segundo grau, hoje ensino médio, descobri no novo ambiente uma biblioteca e foi lá onde descobri aquela coleção para gostar de ler. Uma coleção maravilhosa cheia de contos. Foi lá naquela biblioteca, lendo e vendo dona Bebete cochilar que comecei a viajar nas palavras, nas poesias e prosas. Fiquei encantado com a leitura, desde então lia muito, as vezes escrevia alguns versos que os perdi na minha bagunça. Não faltava uma aula, mas confesso que adorava quando faltava um professor, pois só assim corria para a biblioteca para ler.
A situação era muito precária, sonhava em fazer faculdade, mas não sabia como, nem onde, nem se seria capaz. Então costumava sonhar, todos os dias antes de ir para a escola a noite no pau de arara antes de jantar, saia para caminha no nosso sitiozinho. Parava olhava para aquela paisagem da caatinga com aqueles arbustos latentes, olhava para o sol, contemplava-o e pedia, feito Saliere, por talento. "Deus dai-me graça". A vida era cheia de esperança. Então no quando a noite caia, contemplava vênus que parecia me olhar com dor, ela nascendo no poente tão bela, encarava-a e suspirava, e segui com minhas irmãs e vizinhas até o ponto onde pegaríamos o pau de arara. Não foi fácil, não tinha livros de biologia, química, física, inglês, enfim quase de nada, e na esperança de aprender algo, pegava emprestado os livros dos professores. Não estudava eu lia, um e outro. Bem acabado meu ensino médio estava decidido a prestar vestibular para biologia, pois tive uma professora excelente. Não tinha dinheiro para pagar a inscrição, mas mamãe conseguiu com um candidato a vereador, da cidade, o dinheiro, isso em 1997, Então peguei o programa, fiquei numa tristeza, pois muito daqueles temas, jamais tinha visto, mas vamos lá. Fiz a seleção, minha pontuação foi excelente, mas minha redação foi péssima, bombei, fiquei muito triste, mas fazer o que. Queria vir para a casa de meus irmãos em São Paulo, mas mamãe me convenceu a ficar, pois iria acontecer um concurso da prefeitura, bem nessa época a prefeitura conseguiu um acervo de livros, então prestei para bibliotecário, pensei que assim poderia estudar, enquanto "trabalhava", na seleção concorri comigo mesmo, enfim passei, mas fui chamado para trabalhar na saúde. Fiquei muito feliz eu iria ganhar um salário que não era lá essas coisas, mas já era diferente, no entanto, meu objetivo era ir à universidade, então comecei a trabalhar, veio uma segunda prova de vestibular, então fiz para a UERN e UFRN, dois vestibulares, por mais que estudei não foi o suficiente, dessa vez fiquei muito triste quase arrasado, todavia era aquilo que queria. Então uma enfermeira nova chegou, ela tinha uma escola privada, a única na cidade vizinha, só quem podia estudar era quem tinha dinheiro que não era bem o meu caso. Ela começou desdenhando de meu trabalho, mas depois viu minha seriedade e me deu a mão. Nesse ano já tava ganhando comprei livros, e a enfermeira montou um minicuros de preparatória para o vestibular. Já ta cansativa minha história? Então, acordava com os livros, ia para o trabalho e todo tempo vago era preenchido com estudo, minha mãe coitada achava que eu ia ficar louco, já que um irmão dela quase, pirou quando estudava no seminário, quando dava dez horas, naquele silêncio. Coitada ela brigava, e me obrigava ir dormir, sendo que minha vontade era ir estudar, para driblar minha mão e meu pai, durante a noite, eu ia estudar na casa ao lado vazia, mas não tinha jeito, ela não entendia. Então saia para uma casa vazia que pertencia a meu irmão, pra não ouvir a televisão, mas quando dava 10h meu pai chegava chamando para eu ir dormir, quase fiquei louco, mas com meus pais. Nos fins de semana, mamãe não queria que eu estudasse com a mesma justificativa da loucura! Então eu dizia que ia passar o dia na casa de meu padrinho que trabalhava comigo na saúde, mas ia mesmo era para a secretaria e ficava lá estudando, comia na casa de uma amiga. Outras vezes eu realmente ia para a casa de meu padrinho, mas se enfurnava num quarto vazio da casa da mãe dele, era tratado muito bem lá, almoçava, tinha até lanche. E no final da tarde de domingo estava exausto, 1999 foi um ano muito cansativo. Então prestei a prova, e finalmente passei na seleção. No dia que saiu o resultado, eu, meu pai, minha irmã e meu irmão caçula tínhamos passado o dia plantando, pois tinha dado três chuvas seguidas a terra está pronta pra plantar, no fim de tarde um vizinho veio trazer a notícia, foi um dia muito emocionante, pois vi mamãe chorar já prevendo minha partida. Foi uma das maiores alegrias de minha vida. Enfim, fui embora pra Natal, tudo novo, gente nova, juntei um dinheiro, já que tinha passado para o meio do ano, e fui embora, sem lenço nem documento, fui morar moradia estudantil, cursei biologia, me especializei em botânica, fiz mestrado, depois que terminei fui morar ai na capital com meus irmãos. Passei um ano estagiando no Jardim Botânico, não consegui uma escola para dar aula, morava com minha irmã, o dinheiro que tinha era 50,00 que meu irmão dava por mês. Foi a muito custo que me adaptei, 2007 foi um ano em que aprendi muito, conheci muita gente importante na minha área. Então no fim do ano passei na seleção do doutorado, onde estou até hoje, desenvolvendo minha pesquisa. Descobri o gosto que já tinha pela filosofia. Descobri que cada dia conheço mais um pouco, descobri que nada sei e que o aprendizado é eterno. Viver é aprender.

A rosa

As flores do jardim,
são tão belas para mim,
adoro as cores,
os odores,
adoro a delicadeza,
sua singela beleza,
cultivadas ou na natureza,
as flores!
são cheias de primores,
a delicadeza dos vento,
a umidade da água,
a fertilidade da terra,
a delicadeza do jardineiro,
se enlaçam,
cultivam e cativam as flores,
ao som de Mozart,
sopram os ventos no jardim,
acenam as flores, pra mim,
mas a mais bela rosa escarlate,
como é séria,
e armada, oculta,
isso que encanta,
das flores do jardim,
uma delas é assim,
a mais bela,
mais oculta,
rosa bela para mim.

A noiva

O jardim daqui está numa festa.
Todas as plantas resolveram florir,
mas o que será que aconteceu.
Sai para ver.
Hum perguntei para a galactia que estava em festa,
vestida de rosa.
Belas flores galanteei.
Respondeu obrigada,
então indaguei o que acontece?
_Como assim respondeu.
-Por que estão todas belas?
-Você não sabe?
Não gosto muito da resposta de uma pergunta com outra resposta.
-Não sei!
-Olhe pro lado.
-Que tem?
-Ah! Não está vendo que a Musaendra?
-Sim, mas que tem.
-Ela está noiva.
-É mesmo! Que lindas plumas!
-Que botânico é voce!
-Não são sépalas brancas.
-É isso.
-Que bela sepalagem.
-Com quem vais casar?
-Com quem?
-Com a Ezenbekia leiocarpa.
-Parabéns!
É a primavera, suspirei e entrei cheio de alegria.
Viva a Musaendra.
Linda de sépalas brancas.

25/11/10

grosso

-Olá quer alguma coisa?
-sim um café com pão.
-só isso?
-só.
- Sai um pingado.
- não eu pedi foi café.
-tá com ou sem leite?
-um café!
- só café.
- um pão na chapa!
-ou ta de brincadeira?
- pedi um pão.
- ah!
- de onde voce vem?
- pra que quer saber?
- Tai.
Esse povo!
- quanto custa?
- 3 reais.
-chau.

Tempo passa

Ontem, 24 de novembro fez quatro anos que defendi minha tese de mestrado. Passou tão rápido. O tempo realmente é imperceptível sem cor, cheiro ou textura. Durante todo esse tempo fui me enfiando no futuro, fui me desenvencilhando do meu passado, sem ver o presente passar. Fiquei pensativo, mas por pouco tempo. É tanta coisa pra fazer, pensar ou se informar, que esquecemos de viver o presente, somos ansiosos por aquilo que pode acontecer. Estamos cada vez mais consumistas e o tempo é nosso capital mais valioso, temos que fazer bem nossas escolhas senão somos atropelados. O mundo não para. No Rio de Janeiro ocorre uma guerra civil, em Brasília a presidenta selecionas sua equipe para governar, aqui em Campinas ocorre concurso para professor na Unicamp. A Coréia do Norte lança míssil contra Coréia do Sul. O Haiti se acaba em cólera. A Irlanda esta afundada em dívida e a China luta para equilibrar a inflação. O mundo não para, o meu mundo não para. É a pós-modernidade. Que coisa nunca pensei que me afogaria nisso. Nunca no ano de dois mil, mal sabia usar um computador e agora quando acordo a primeira coisa que faço é ligar o computador. Nestes quatro últimos anos toda minha vida mudou. Sai da minha terra, conheci novas pessoas, novos costumes. Quem sou? não sei.
Mas é bom pensar sobre.

a vida amanhece


Aurora companheira da manhã,
surge paulatinamente,
bem do nascente, longe no horizonte,
os primeiros raios despontam sem afã.

O galo desperta o sol,
o sol desperta as flores,
o mundo fica cheio de cores,
e nós não percebemos nada,
somos passivos,
loucos subjetivos,

Ah, quanta beleza,
há na natureza,

Desde aurora, crespúsculo do por do sol,
vivemos divagando,
algo esperando,
não percebemos na vida,
as passagens,
do frio do inverno,
do calor do verão,
a indiferença do outono,
da explosão de cores da primavera,

não percebemos que a vida passa.

Sem falar na beleza da noite.

24/11/10

Silêncio

Estou aprendendo a contemplar o silêncio,
a acacia que de minha janela, sempre bela,
sorri pra mim, me namora, com seus buquês,
dourados, flavas flores,
contempla-me no silêncio,

o tempo só torna-a mais bela,
imponente, real.

Existo, resisto ao tempo,
mas os dias, deixam as marcas,
na carne, na mente e no ser.

A foto

Hoje tirei minha primeira foto, calma. Foi a primeira foto com minha nova câmera. Então eu esperei até encontrar uma paisagem que fosse digna de ser registrada. Como a ansiedade era tanta não deu para esperar o por do sol. Adoro ver o crepúsculo, o sol se pondo o fim do dia, mas não foi dessa vez, espero que demore muitos anos pra poder comprar outra câmera. Bem então depois que sai de casa, tive aula de inglês. Então quando ia divagando na minha bicicleta, carinhosamente apelidada por Malrício de Xabrobike, na cicloria, quando passei sob um lindo flamboiã, isso mesmo um autêntico Delonix regia. Estava lindo cheio de cachos, rubros, encarnados, colorados. Então sorri por dentro. Minha câmera sorriu também. Saquei-a da mochila, da bolsa e então busquei o melhor ângulo achei. É esse saquei uma foto. Minha primeira foto que emoção com minha nova câmera! Pensei eram quase onze horas, o céu estava limpo, fazia um calor, mas tinha o som de fundo o canto do sabiá. O flamboiã que adoro, como é lindo. Acho uma das mais belas árvores. Sabia que é uma planta exótica, sim é de Madagascar. Pertence a família botânica das Leguminosae.

Damas da noite

Na noite estrelada,
a lua pálida se escondia atrás das árvores,
em minha caminhada,
sentia o frio do escuro,
das sombra das árvores,
noite cinérea.
Aos passos curtos,
sentia a noite,
sentia meus pés tocar o chão.
a cada passo um espaço,
quebrando a inércia,
sentindo a noite.

Ah a dama da noite,
vestida de branco,
exalava uma essência doce,
tal qual som da sereia,
me deixou encantado,
parei, e vi aquelas flores brancas,
a dama da noite sorria pra mim.
Bela dama,
Solanaceae, cheira assim.

A lua quebrou-me o encanto e se escondeu entre as nuvens,
fez-se escuridão,
senti a pele negra da noite
tocar-me.

E logo a lua clareou,
segui então ela,
aquela encantadora um novo odor,
era magnólia me chamando,
seu cheiro acariciava minha alma,
tornou-me estático...
Namorei-a mas a noite passa,
deixei-a ali,
parti.
Quando cheguei em casa,
tinha a alma embotada,
de essência, de sonhos e de sono.

manhã da campina

Rubra quebra a madrugada aurora,
e surge dourada manhã,
plena de luz, canta o galo de campina.
O riacho ronca o som da chuva da noite passada,
o eco resoa no serrote,
o verde brilho das campinas,
salpicado por flores amarelas, rosas e azuis,
a bonança, a paz, depois da chuva,
frio segue o dia.
Canta o galo de campina.

23/11/10

campo

Um jarro de flores

Vi o campo cheio de flores,
de todas as cores,
cada uma das mais belas,
colhi-as e pus em um jarro,
depois pus na sala
que ficou perfumada,
um pequeno girassol amarelo.
a casa ficou tão bela.

Trabalho

Quanto tempo tenho?
Acordo atordoado com o celular despertando. Como algo que não é um café substancioso, tomo banho e saio correndo. Tenho que chegar antes das 6:30h pra dar tempo de ler um pouco antes de trabalhar. Leio e ouço os rádios, duas rádios uma do Brasil e outra da Argentina. Depois que passa das oito horas, o povo começa a chegar. Conversa vai conversa vem começo a trabalhar as nove. Passa um outro o João chega. Ufa! Agora vai! sintoniso uma rádio de música clássica. Nossa meu pensamento divaga. Com o nada. Se venta, se o céu está nublado ou azul, contemplo. E nada de meu trabalho sai. Mal olho no relógio onze horas vamos almoçar. Comemos muito bem, conversamos bastante. Se chega alguém atrasado esperamos. Voltamos então. Começa a tarde. Escovo os dentes,
volto pra bancada. Bate um sono desgraçado, bocejo n vezes. Tamashiro reclama. João Semir passa diz alguma pilhera, rimos. Da vontade vou pagar os créditos na pós. Volto agora trabalho por uma hora já foi o dia 17:30, volto pra casa, vou andar de bike, fazer física. Volto janto. Deito na cama e leio. Findou o dia vou dormir de novo. O tempo acabou esgotou.

Divagando

Quero contigo está,
pra sua mão apertar,
quero contigo sonhar,
e quando o sol sair,
quero te ver dormir,
um sonho singelo,
suave todo belo,

Quero passar o dia inteiro junto de ti,
na cama, na cozinha, na sala,
quero descascar alho, ser o seu suchefe,
ir ao cinema, ir as americanas,
pode ser pode ver os teus esmaltes,
até o sol partir.

Quero te levar,
pelas ruas tortas da vida,
minha doce querida,
cada flor apontar,
como declamar uma poesia,
da o nome a cada flor,
decifrar cada uma através de sua cor,
decifar a beleza,
que contém a natureza.

Pegado em sua mão,
passear por campos verdinhos,
onde se perde o horizonte,
muito mais que atrás dos montes,

quero mostrar o meu mundo,
sim, além dos sonhos,
além da vida,
contigo quero sempre está,

declamar uma poesia,
e ver em ti só alegria,

sentir o sabor das cores,
degustar do cheiro,
vestir roupas de flores,
ser eterno...

A vida é muito além do real,
a vida é a possibilidade do impossível,
e nos sonhos tudo podemos,
então vamos lá linda flor,
vamos esquecer a casa por arrumar,
vamos namorar.

Porque amanhã é segunda.

Acacia

Acacia por que tantas folhas na rua,
despojou-se de todas e ficou nua,
ontem acacia, vestias a lua,
hoje, agora, essas flores são tuas,
que beleza flava.

Teus cachos dourados,
aos galhos derramados,
flores pelo chão.

Tu acacia nata te abala,
imperiosa sigana.

Encanta minha janela,
e lembra minha flor,
Ana dos lábios de labirintos.
dos dourados cachos.


"Quando a gente está triste gosta de ver o por do sol". Saint Exupery.


Acho realmente essa frase é tão natural.

Adoro ver o por do sol, acho um dos fenômenos mais lindo da natureza, simples e eterno.
As vezes fotografo o sol. O sol é um grande amigo, sempre está apto a me ouvir, posso passar horas a fio contando com sua presença, mas as nuvens que aprendi a amar, as vezes tem ciúmes do sol e oculta por vezes algumas vezes o por do sol. Tudo bem o importante é não está só.
Atualmente, ando muito vendo o por do sol.

22/11/10

A chuva

Hoje a tarde o céu cerrou de nuvens escuras, quando sai para casa, começou a pingar, não deu para chegar em casa, então o céu parecia uma peneira. Choveu e ventou muito. Passei a chuva no toldo do Le chef que mulheres más viram que estava me molhando nem ofereceram abrigo. Fiquei ali sob o toldo me molhando, pois com chuva e vento não se brinca. Passei exatamente um hora com uma muchila nas costas e minha bicicleta. E aquelas senhoras nem pra perguntar se estava me molhando. Senti-me tal qual um cão. Nem um cão não se trata assim, se algum cão vinha passar a chuva em nossa área ficavamos lá compartilhando a chuva. Mas não nada, nem um copo d'agua. Quem quiser ir se deliciar no Le Chef, pois que vá eu não aquelas sovinas. Tive sorte de não ser escorraçado, mas também aquele toldo é público cobre a calçada. Fiquei ali vendo os carros passarem o pior é que bem ali tinha um maldito de um sinal onde passava ônibus lotados fim de expediente, carros muitos carros. Todos olhando o cão com medo da chuva. A chuva cessou, pus o rabo entre as pernas e fui pra casa, no final nem adiantou, corria tanta água nas ruas, que acabei molhando tudo. Foi tudo em vão. Aquela humilhação.

Anã

Estrela da manhã,
rosa vã,
alva, clara,
desabrocha na aurora,

Estrela da manhã,
ao som da acauã,
desponta no poente,

ao som do riacho,
pulsa estrela,
doce fagueira,

teu riso refletido,
no poço,

estrela da manhã,

tu nasces
a cada estação,
sempre de manhã.

Breve

A mente humana tem o brilho,
o brilho da criação,
alimenta a imaginação,
enche tua mente, poe em trilho,

embarcas nesta viagem, nessa ilusão,
embarcas nesta viagem, se enche de ação,
constrói a tua essência, não fiques na escuridão,
pensa, deleita desta dádiva, na transubstanciação,

Alimenta tua alma,
pãe teu corpo em calma,
concentre seu ser interior,
ouça o riacho que corre dentro de ti,
sinta as sinapses,
onde habita tua alma?
o que constitui a tua alma?

Quem pode perscrutar?
tua alma, tua essência,
não creias no fisicalismo,
creia no teu mundo...

Não há substância fora de ti,
tudo que vedes, é tua criação,
para! pinta o mundo.
De qualquer cor...

Sinta o mundo,
sinta a brisa,
a luz do sol,
o cheiro das rosas,
a beleza das plantas, das flores.

Sinta a vida.
Pense nela,
o que pode lembrar,
está limitada a sua existência,
mas tua imaginação!!!

Alimente-a, pois é sua salvação.

Não desdenha da vida,
projete o seu mundo,
pinte-o de azul, de verde, de rosa.
faça uma poesia da natureza.
Sorria!
Alimente sua imaginação,
o mundo é víceral,
mas sedes sublime,
tendes capacidade de ação...

Há tanta coisa bela na vida!
Descubra-a,
desvie as rochas,
faça das dificuldades,
sua garra, motivo de vitória,

a vida é tão breve,
a vida é tão leve,
efêmera tal qual a flor,

ontem já passou,
o amanhã ainda não veio,
que tens o presente...

faça desse momento,
momento de paz e amor.

21/11/10

Paixão

Minha janela estava aberta,
fazia muito calor,
veio um vento forte,
e trouxe uma folha,
logo passou.

Minha alma estava aberta,
sedenta de amor,
veio um vento forte,
trouxe uma paixão,
logo passou.

A folha mexeu comigo,
queria um abrigo,
a paixão mexeu comigo,
queria um abrigo,

mas ai folha,
quem te trouxe foi o vento,
que logo partiu,
que queria era seu sopro,
o sopro foi agradável,
mas tu, folha, descarto-a.

Mais ai paixão,
cativei-a, não me cativaste,
o que queria era ilusão,
só uma sedução,
que foi agradável,
mas tu, paixão, carregas outra alma,
não posso descartar,

tenho que aprender a amar,
ou tê-la como carma,
não vigiai,
porque o vento é travesso,
como a paixão, passageiro.

Pecurilaridades

Não será o passado ilusão?
Se não fossem os fatos,
de seria o passado?
Mas passado sem fatos não é ficção?
Quais os fatos que concretizam meu passado?
Não será a vida uma ficção?
As vezes acordo e confundo os sonhos com a realidade,
e a realidade distante com os sonhos.
Sinto o sabor do caju,
vejo o cajueiro carregado de maturi,
cheio de caju vermelho,
não será ilusão?
Ah, doces memórias,
quando em casa, todos reunidos,
mamãe, papai, Bergue eu e as meninas,
em volta de uma ruma de caju,
descastanhando, com uma preguiça...
vai rápido pra acabar logo,
era bom quando o povo vinha ver caju pros porcos,
assim acabava mais cedo, mais pra que?
Pra ver desenho da xuxa.
Ter um tempo antes de ir pra escola...
Que vida peculiar,
quando era pequeno achava que todo mundo fazia aquilo,
hoje vejo que é uma coisa tão peculiar,
de minha terra, de minha cidade,
acho que era endêmica,
não existe mais,
minha infância foi atemporal,
Será que foi um sonho,
ou ilusão?
foi bão...
Nem um fato concretiza aquilo,
da castanha tirava-se o dinheiro,
do azeite as roupas,
simples...
peculiar infância.
Ilusão?

Reminiscência

Engraçado, Bandeira e Saint-Exupéry falam de reminiscência aos seis anos de idade. Será coincidência? Acho tenho reminiscência com essa idade quando fui a escola pela primeira vez.
Memórias tão distantes de minha mente. No Pequeno principe Saint-Exuperi em seu primeiro capítulo fala que quando tinha seis anos lera um livro sobre uma floresta virgem, onde uma serpente devorava uma fera. Refletiu muito sobre esta imagem então fez um desenho. Lembro de na infância ter visto cobre devorando cobra. Sim certa vez e não foi única, vi uma coral engolindo uma cobra de duas cabeça, achei muito interessante era um híbrido, como a coral paralisou sua presa não sei, mas sei que ela estava quebrando as leis da física, pois uma cobra menor engolia uma maior. Lembro-me como se fosse hoje. Estava indo pra casa de Eliene, nossa vizinha, e quando passei pela faxina, sim entre minha casa e a casa de Eliene de Airton que tinha cinco filhos, dois deles com idade igual a minha, era nossa vizinha mais próxima, sua casa era quase a minha, então certa manhã pedi pra mamãe deixar eu ir pra lá, ela deixou, e fui correndo, mas quando atravessei a faxina vi ali sob a maior pilheira, aquele quimera. Gritei e todos vieram olhar. É nos éramos muito humanos, instintivos, olhamos depois os meninos mais velho mataram a coral, a fera que engolia a presa. Corais são muito perigosas, seu veneno paralisa a respiração. Por isso os meninos grandes mataram, mas sob ordem de nossos pais. Vi outra vez uma cobra preta comendo uma coral, mas não matamos, pois cobras pretas não tem veneno, o único problema é se ela achar uma ninhada de ovos ou um terreiro de pintos, ai não tem como escapar,
se comer o que nós comemos já era. Onde morava tinha muitas feras que devoravam nossas galinhas e ovos. Tinha o tejo, a cobra preta, o gavião e raposa. Tinha que pastorear, roçar em volta da casa pra poder vigiar. Bem mas voltando senhor quando criança desenhou uma cobra que tinha devorado um elefante, seu desenho mais parecia um chapéu. Perguntou então para a gente grande se fazia medo. Indagavam que um chapéu não amedrontava ninguém, então desenhou uma cobra com um elefante, mas de maneira que desse pra perceber o elegante dentro da cobra. Foi uma frustração. Disseram-lhe que não sabia desenhar, melhor estudar geografia, história, cálculo e gramática. Assim o fez. Tornou-se piloto de avião e nunca mais voltou a pintar, guardou seu desenho. Quando encontrava alguém que achava que tinha certa afinidade mostrava o desenho, se dissesse que era um chapéu, desconversava. Falava de coisas de gente grande. É difícil falar com gente grande, pois tem que está explicando tudo sempre dizia.
Bandeira fala da infância, das festas juninas...
Reminiscência...
Aquela quimera com certeza foi uma das minhas, mas não sei em que tempo ou plano.

20/11/10

Escuro da noite

O escuro da noite fria,
enche o vazio de meu quarto,
negra noite cela meus olhos,
minha alma se cala,
matuta, vaga.

O silêncio escuro da noite,
posso inspirá-lo e expirá-lo,
divaga minha alma nos sonhos.

No silêncio escuro da noite,
absorve as cores, oculta as formas,
Meu corpo entende a noite,
pois percebo no silêncio da noite,
que sem luz, de que vale a estética.

O silêncio escuro da noite,
desvenda o meu lado oculto,
acende como brasa o meu corpo,

Posso tocar no silêncio da noite,
posso cheirar o silêncio da noite,
me guia,
percebo as formas, as curvas, nuances.
No escuro da noite sinto as formas,
sinto os gostos, os cheiros, e sabores

Meu corpo ignora o escuro da noite,
que corpo quebra o silêncio escuro da noite,
sinto as formas, sinto o gosto, os sabores,

sinto a consistência no escuro,
A noite tem consistência de veludo.

Apague a luz, sinta o escuro invadindo sua alma.
Dois corpos, agora apague a luz,
sinta no escuro da noite o outro,

toque os cabelos, sinta as curvas,
sinta a pele, o cheiro.
Sinta o silêncio da noite,

sinta o corpo, invada o outro e sendo invadido,
doe e receba,
a luz... de que adianta a luz?

Sinta o calor das artérias pulsando,
corpos com carne latejando,
exaurindo suas forças, suando,

corpos se desejando, se consumindo,
na escuro da alcova,

o silêncio da noite vence e domina,
dois corpos se rendem,
se doam ao silêncio escuro da noite,
onde tudo é nada,
onde os instintos falam mais alto,
e a alma se cala,
e contempla a noite.
Quem sabe uma concepção!

o Flamboiã

Chamam minha atenção,
a beleza do flamboiã,
flores encarnada,
ou cremada,
que linda árvore espalmada,
quanta delicadeza,
em suas folhas,
quanta beleza,
que lindo é o flamboiã.

belas suas formas,
seus cachos,
sem aroma,
mas belos encarnado,
deixa o chão enarnado,
de pétalas,
enfeita os seios
das mulheres
suas semente,

oh flamboiã
sedes tão belo.
como o por do sol.

vai amor

E o meu amor se vai,
vai meu amor,
partes sem dor,
meu amor chega e já sai.

Ontem a noite não senti seu odor,
seu corpo macio,ou seu calor,
está ruim, sem ti mas ai,
a vida cigana com tanta cor,

esta levando de mim o sabor,
de teus beijos cai,
como cai,
o meu ser em torpor.

19/11/10

Companheira


O lua majestosa,
quantas histórias ocultas,
o lua gloriosa,
que cativas o amor,
o lua pomposa,
aprendi a contemplar-te,

pois lua, lua,
que ocultas na outra face escura?
amor, frio ou dor.

Lua segues sempre o teu curso,
ocultas uma face,
oculta-se quando nova,
e crescente tímida aparece,
plenilúneo clareia,

Lua, lua
que ocultas de mim,
desvenda tua persona.

Ocultas tristeza?
sedes sempre pálida e fria,
mas sempre sedutora,

que me contas o lua,
conta tuas histórias,
me faz dormir em teu colo,
porque a vida,
está me cobrando caro,

E hoje só tenho a ti,
somente a ti pra me abrir,
abrir meu coração,
falar de minha paixão,
oh lua,

tu me segues vida a fora,
a qualquer hora,
clareará o meu jazigo
e me seguirá eternamente.

Medo do fim

Como tudo na vida!
Não tenho a pretensão de escrever poesia, pois meu conhecimento é muito pouco do tema. E meu amor ainda é pequeno, mas crescerá com o tempo.

As minhas poesias
São como quadros
Tendo como cor a voz,
Tendo como forma a palavra,

Fazer poesia é uma pretensão,
Fazer é cristalizar os sentimentos, 
As belezas que me afetam.
Então consumo-as enquanto faço,
E guardo um pouco nos versos,
E divido um pouco nas estrofes,

Depois que guardo, as vezes simplesmente esqueço.
Em algum lugar real ou virtual.

Poesias são horas de contemplação e encantamento com a vida,
Em está no mundo, de tudo e de nada.
São formas de ver e sentir a vida.
Meu refúgio, morada de minha alma,

Aquela que vive encantada,
Com qualquer coisa,
Que crer ter a beleza da vida,
Que crer ter a beleza do mundo.

A beleza de minha poesia,
Talvez nem exista.

E por isso mesmo a confecciono.

Uso a poesia na tentativa de definir algo como a vida...

A vida é um mar de dor,
Somos felizes por instantes,
Enquanto esquecemos quem somos,
Da nossa condição humano finita.

O medo é eminente,
Tudo nos apavora,

E só quando esquecemos que vivemos,
Somos felizes,

Mas não ponho em minhas poesias,
Tais misturas, não quero uma poesia bonita,
Com emoção, mesmo que seja esquisita,
Mas que faça bem,
Sinta minha alegria
Que é repleta de magia,
Ou simplesmente é,
Pela condição que a concebi,

Muitas vezes minha concepção,
Não é lá essas coisas,
Mas é assim,
Que vejo o mundo e a vida,
Que expresso a vida

Por aqui podes mirar
Através de meu pensar,
Depois de usar,
Podes guardar ou simplesmente deletar.

18/11/10

Sello Suites 6

Quanta habilidade,
chega a ser mágico,
de tão belo.
Tu que tocas o violocelo,
com tamanha agilidade,
profundidade e velocidade
interpreta as notas,
faz soar uma, duas, três notas,
uma música,
fecha os olhos para ouvir,
a música que está dentro de ti,
quanta melodia,
quanta harmonia,
vai além da poesia,
me enche de alegria,
entro em extasia.
Paro ouço, mais uma vez,
outra e mais outra,
é tão bela a melodia,
que encurta o tempo,
me ludibria,
não saberia descrever o que sinto,
porque me sinto pleno
quando ouço Sello Suites de Bach.

Alma

É chegada a noite,
o cansaço vence o corpo,
e a alma cansada,
que viajar,
quer vagar,
pelos sonhos,
pelas estrelas,
nas asas de um morcego,
de uma coruja,
não importa quer do corpo
se libertar.
Alma vagabunda,
quer deixar as ideias,
como pode ser tão egoísta?
Como não tem quem juge-a,
fuja, vai noite adentro, mas não esqueça de voltar,
antes do sol raiar.

Ser

Descobri tarde que a vida é bela,
podia vivido muito intensamente,
cada instante que me foi dado,
mas buscava entender como tudo se passava,
como numa busca pelo sentido.
A vida por si tem sentido, mas era metido,
queria sempre mais,
adorava esta com minha família,
porém queria mais e mais.
Vivia aqueles instantes com muito carinho,
mais achava que estava aquém do que queria,
do que esperava,
o tempo passou e nunca encontrei o mais,
nunca estive completamente presente,
em minha vida, vivia no futuro,
mas hoje descobri algo,
descobri que era no passado que era feliz,
perdi todas expectativas do futuro e olho pro passado,
cada momento bom. Ahhh.
Mas quantos não já partiram,
pra longe, pra outra vida,
fomos cúmplices nos risos,
nos gestos no viver.
Agora descobri que na vida o que importa é o presente.
Vi muita gente dizer isso,
Li santo Agostinho, mas nada adiantou.
A vida tem seu tempo, enquanto não vivenciamos,
não experimentamos, o que sabemos.
Somos seres empíricos, não usamos muito da razão.
Aprendemos com a emoção.
Mas essa forma de apreensão nos custa muito caro.
Custa tempo e sofrimento, custa dor, solidão,
trabalho.
Não sabemos renunciar, enquanto não transformamos em razão
toda a emoção vivida.
Os caminhos da vida são muito curvos,
talvez sigamos em espiral,
talvez quem sabe sigamos a concha do tempo.
Onde partimos de um ponto e nossos
horizontes vão se ampliando.
Parece que estamos vivendo tudo novamente,
mas estamos mesmo é seguindo em espiral,
na espiral do tempo.
Tomamos consciência de nossa existência,
de pessoas como seres, de nossas obrigações e
suspiramos podia ser diferente.
Mas no momento que tomamos conhecimento das consequências de nossos atos,
no momento que projetamos nossos desejos,
a vida perdeu do doce o puro sabor,
da beleza a pureza,
da alegria a ousadia.
Descobrimos que nossa pele,
está enrugando, os cabelos falhando ou clareando,
nossos risos não são tão belos e brancos,
vemos no outro nossa imagem,
aceitamos os valores,
nos dobramos a idade, ao corpo,
nosso espírito, no entanto cada dia tem mais vigor,
compreende o amor.
É a vida passa, para todos.
Se não renovarmos nossos genes,
se não tivermos nossos filhos.
O que será de nós?
O que será de nós. Nos apegamos a objetos,
a animais.
Vamos envelhecendo por dentro,
vamos ficando mufinos e tristes até que a morte
vem como uma benção.
Certo dia em um velório, de um amigo de meu pai,
ele falou que todos partem, chega a hora que a vida perde a graça a magia.
Em uma entrevista perguntaram a Clarice Lispecto o que ela acharia de viver o ano 2000,
com sua voz bela, respondeu que não queria está presente,
já que seus amigos mais queridos não estariam presente.
A matéria se dobra, já não quer mais o espírito.
O fim de todos, aqueles que viveram todas as fazes da vida,
nasceram, cresceram, amaram, se reproduziram, envelheceram e sofreram
é a maior benção,
ganham da vida toda experiência e reflexão,
e tem na morte compaixão e respeito pelo ser.

Aurora

Aurora,

No nascente a frente de minha casa,
quantos dias não vi a ti aurora,
encarnada, embrasada,
surgias endeusada,
anunciando a chegada de apolo,
quebrava a hegemonia da noite,
despontava inebriada de sono,
mas sempre vinha,
vinha guiada pela pela dalva,
pela lua...
Tu trazias a bruma da manhã,
vinha roubar-me a cama,
despertar meus sonhos,
ao canto da passarada,
despertava, tu me acordavas,
e te contemplar era tão bom.

Mas o tempo passa,
muita coisa perde a graça,
a vida segue ao som do vento.

Na concha do tempo,
soam as doces memórias,
de perdas e vitórias,
cantadas a ti.
Aurora, não demora,
que já morro de saudades
de mirar-te, amar-te.

em teu ruivo olhar,
contemplar,
viajar eternamente,
e me deixar,
sempre a ti esperar.

17/11/10

Betha

Já na adolescência sonhava, acreditava em tudo, amavaa vida, minha cidade, minha casa.
Casa no campo, cheia de irmãs mais parecia um convento. Minha casa tinha alegria, mamãe com suas gargalhadas e papai com riso cínico. Aquela cidade que era tão grande, fui descobrindo seus cantos, esquinas, prédios, então fui me acostumando. Aquilo foi me incomodando, ficando pequeno pra mim. Não tinha jornal, revista a comunicação só via rádio ou televisão. Os filhos de Toinho da farmácia compravam vez por outra uma superinteressante onde encontre um endereço. Bethânia Emeric Biologia UFES contato para trocar informação e o endereço. Vi aquele endereço, aquele nome pensei vou ampliar meus horizontes. Peguei um papel uma caneta e escrevi, puz a carta no correio, pequeno. O carteiro Chiquinho de Raimundo Moura um cara sério, sisudo, fechado. Na falta de padre ele que fazia o sermão da missa. Mamãe e papai dizia que ele pregava bem. Mas não sei não mais parecia um touro enfurecido, na hora da celebração baixava a cabeça e tome falação. Falava, reclamava aquilo era que era moral, acho que ainda é assim se o padre de Dedin já não tenha ocupado o cargo, mas isso é outra história. Tempos depois recebi a primeira carta, simples mas cheia de carinho veio com uma foto três por quatro. Trocamos muitas cartas, certa vez me falou de um que gostava de répteis eu não gostava muito de répteis gostava, mas preferia os insetos com suas várias classes e várias ordens. Falei pra ela que as vezes comiamos teiu. Ela falou que era uma espécie de Ameiva ameiva, , mas acho que com a filogenia e cladístca deve ter mudado de gênero sei lá, não entendo de bicho nem inseto.
Entendo mesmo é de mato, botânica, Botané do grego pasto é isso ai ganho a vida dando nome a planta, coisa mais besta diria Zezeu que certa vez perguntou o que fazia e eu respondi que fazia biologia, não gostei do que ele falou disse que não dava dinheiro que devia ter feio farmácia, direito ou medicina. Fiquei com raiva eu e todos os biólogos do Brasil. Fiz biologia porque amo a vida amo os mistérios do deus que ele adorava. Enfim o tempo passou e como passou. Minha amiga de cartas sumiu. Passei no vestibular em biologia influência de quem? Betha. Um dia criei um email e a encontrei novamente só que pra minha tristeza ela foi estudar línguas. Foi para a Europa e voltou bancária. Hoje casou e vive com seu esposo e eu ralo pra terminar o doutorado.
A vida é assim, cada um segue seus sonhos, seus rumos, suas intuições.

Descanso

Os pingos da chuva,
esfacelaram o silêncio da noite,
gota a gota,
pingo a pingo,
molharam a rua,
as folhas das árvores.

O som orquestrando,
a noite adentro,
o sono chegando,
o corpo cedendo,
em cansaço,
um abraço,
do escuro,
enfim o descanso,
a paz da noite.

A vida anda tão atarefada.

Manha de chuva

A chuva caiu,
e logo partiu,
o silêncio ficou,
o céu abriu,
o sol brilhou,
sua luz refletiu,
nas folhas espelhadas,
de um véu de água,
aos poucos, se desfazia,
e gotas cristalinas,
que deixavam-se cair,
se desmanchar.

o lago espelhado,
refletia a beleza,
o verde da natureza,
uma gota caiu,
e o espelho,
ondulou,
silenciosa,
a manhã partiu.

O saber




Ver, crer,
pensar,
pesquisar,
Ler e reler,
analisar,
repensar,
concluir,
duvidar,
escrever
divagar,
Aprender,
apreender,
perguntar,
analisar,
divagar.
por fim,
explicar,
saciar o ser.

Ciência,
razão,
religião,

o mundo,
os pais,
os amigos,
os vizinhos,
o mundo.

o tempo,
o vento,

experiência
é a soma de tudo,
o saber é ilimidado,
mas nos deixa saciado.

16/11/10

Retorno

O retorno da viagem

Quando cheguei em casa,
de uma longa viagem,
ah, quanta coisa diferente,
as portas e janelas,
não eram as mesmas,
o terreiro, ainda estava varrido,
mamãe não larga a mania,
mas percebi que estava menor.

Fui chegando devagar,
olhei o quintal estava vazio,
olhei a porta estava fechada,
vi alí na área as velhas cadeiras de balanço,
onde passei tardes fagueiras a ler e cochilar,
tinha cordas novas,
mas ainda estava lá onde eu lia,

dois cães vieram me receber,
não me conheciam,
mas mesmo assim me pediam carícias,
sentiam no meu cheiro, o cheiro de meus pais.

Chequei ali,
abri o portão,
a porta estava fechada,
sentei-me na cadeira no escuro,
de certo mamãe saiu pra passear,

e fiquei ali matutando,
pelo tempo que passei,
por onde viajei,
e de volta a casa,

fiquei ali contemplando o escuro,
voltei pra casa,
quanto viajei,
e eu agora de volta.

pouco tempo depois,
meu pai apareceu na estrada,
andando apressado,
com seu andar arrastado,

dei voz de vida,
mamãe vinha atrás,
com suas pernas arqueadas,
com lenço no cabelo,
soltando um canto,
peculiar,
só a insenar,
pai chegou,
me abraçou a sorri,
depois foi mamãe,

perguntou-me sobre a viagem,
sobre o mundo,
abriu a porta,
acendeu as luzes,
esquentou minha comida,

conversamos noite a dentro,
mamãe foi dormir e ficou a reclamar,
que fossemos dormir,
mas ficamos ali,
a conversar.

Então apresentado o velho quarto,
pai foi dormir,
em pouco começou a roncar,
e fiquei ali a contemplar,
o teto que tanto me abirgou,
senti o conforto e o amor,
senti que a vida valia a pena,
senti o verdadeiro amor,
dormi plenamente naquela noite.

A volta

A volta pra casa

A volta pra casa,
que desejo maravilhoso,
o corpo fica ansioso,
palpita o estômago nervoso.

A volta pra casa,
enche de euforia,
há uma certa magia,
beira a fantasia,

A volta pra casa,
há aquela saudade,
com um que de ansiedade,
o corpo todo sorri.

A volta pra casa,
a chegada, os abraços,
os sorrisos.

De volta pra casa,
os beijos, os afagos,
a comida quentinha,
a cama macia,

de volta pra casa,
nos sentimos mais amandos,
estamos aconchegados,
e sossegados,

plenos nos sentimos.

A fome

A fome

Quando cai a última folha,
pobre sem escolha,
segue adiante,
deixa o sertão,
esquece o lampião,
e segue em busca de um trabalho,
algum quebra galho,
gente que larga a terra natal,
e segue o desconhecido.

A fome assola,
o sol tinge a pele,
a reza consola,

a sede engrandece,
os pés rachados,
dos dias ensolarados,

cansado o pai fala,
vamos adiante,
sorri para os filhos,

canta a cigarra,
na velha a marra,
farinha e rapadura,
é a vida é dura,

mais um terço rezado,
a fome aumenta,
Ai deus quanta dor.

Enfim uma casa,
enfim gente,
quando que sacia a sede,
cede uma rede,
pernoita e segue,
o destino errante,
a vida provocante,
desbrenha o destino,

e segue,
vida adentro,
viver é sofrer,
mas a esperança,
é arma,
a reza um apego
a vida.

Tarde sem chá

O dia nublado,
dia que o vento suave invade a janela,
vem bem em nossa espinha e tira um arrepio,
a tarde silêncio.
Aproveito para ouvir Shumann.
Que delícia de som,
quanta harmonia.

Lá fora as plantas parecem dormir,
nem uma folha se mexe,
grita uma ave, aculá longe,
tão longe quanto minhas idéias,
desfiam pensamentos,
viagens,
a vida ganha potência como uma semente em solo fértil,
depois de um cochilo,
a vida seque ao sabor do vento.

O cajá

Na noite escura,
as estrelas piscavam,
a bruma ia e vinha,
numa frescura,

caminhando na areia fria,
os pés tocam finos grãos,
no fim das chuvas,

o cajazeiro está que é só fruto,
os frutos maduros exalam um cheiro
ácido doce, que perfuma o corredor,

sempre seguindo,
ponho a sandália,

e sigo noite adentro,
fitando as estrelas,
os meteoritos,
papai, mamãe,
o burro, minhas irmãs
e o cachorro,
vamos para o seio
de casa,

naquela noite,
dormimos em paz.

15/11/10

Nascimento

Foi numa noite escura que nasci,
nasci para o mundo, chorei para a vida.
minha mãe feliz me embalou nas cantigas de ninar,
cantava, pra lá e pra cá, me fazendo nanar.

Nas noite escuras, embalado a sonhar,
acordava em choro, com medo da morte,
e dormia as carícias de mamãe,
que me enrolava e me acalmava.

Acabei por me acostumar com as noites,
frias e escuras, mamãe me ajudou.

Mas ah! parti para longe,
fiquei mais distante,
sinto saudades da voz de mamãe a ninar,

noites de trovão de relâmpagos,
me fazem lembrar,
papai a levantar pra juntar água da bica,
numa alegria,

Chuva é esperança,
noite de bonança,
do seio de minha casa,
sinto saudades,
das noites estreladas,
varando as madrugadas,
na fé do obscuro,
onde a vida quem sabe há.

mote

O que andas a fazer,
fazer por aprender?
ando a xeretar,
aqui, ali e aculá.
Aprendi a falar,
o que devia o que desvia,
da poesia, da magia,
agora uso da fantazia,
pra esquecer o medo da morte,
aos poucos tenho sorte,
não encontrar vazia,
a vida cansada se entrega a morte.

Negra noite

O céu atropurpúreo,
aos poucos desponta estrelado,
brilhos do mais diversificado,

as vias lácteas pálidas,
caminhos de leite de sonhos,
mil e uma formas,
milhares de fazes,

no céu claro do verão,
que muda a cada estação,
mitos, histórias se constroem,

entre um café, um chá um prosear,
a vida passa mateira,
ao som dos grilos da noite,
a chegada do vento de acoite,

canta o grilo,
escondido na negra noite,
nos oitões,
nos currais,
nos cafezais.

Negras forças,
tudo trás,
lembranças
de crianças,

de um tempo que não volta mais,
brilha estrela na minha mente,
embaixo dos cafezais.

Sabia sabiá!

Pobre dessa sabiá,
agora vivi cá,
ora voa pra lá,
coitada, deve esta cansada,
desde que o dia nasceu,
a pobre voa atordoada,
em busca de minhocas,
pra alimentar a filhotada,
como aguenta,
três bicos pra criar.
pobre do sabiá,
nem canta mais,
ta de pernas finas,
de tanto trabalhar,
voa pra cá e pra lá,
ah sabiá,
que o dia se vá,
e então possas descansar.

Deus

Deus, para aqueles que creêm,
neste momento de solidão,
dai o conforto, estenda-lhes a mão,
salva aqueles que leêm,

que são cegos pela razão,
pai do infinito, tu que têm,
o espírito de tudo, sauvai aqueles que veêm,
em ti luz e salvação,

Deus como se acostumar com um não,
como viver a azedar a alma, a quem deêm,
um pedaço de pão,

falta paz no coração,
ser abandonado, sem ter alguém,
morre, escorre a vida em sua mão.

O amor

Como é fácil amar na alegria,
Como é fácil de amar na folia,
como é fácil amar a quem tudo tem,
como é fácil de chamar alguém de meu bem,
de barriga cheia, sem nenhum problema.

Mas será isso o amor?
se no momento de dor,
de dificuldade, tu queres,
algo melhor, queres ti desacomodar.

Um anel não sela o amor,
o que sela são as vitórias,
vencer a dificuldade quotidiana,

Amar é como trabalhar no mar,
em dias de bonança ou calmaria,
dias de tempestade, dias de fome,
dias que parece que vai morrer,
mas antes renasce, como o sol
nascendo na manhã,
isso sim sela o amor.

Um amor incondicional,
que dribla as dificuldades,
que margeia a dor,
e renasce como a flor,
numa planta,
que acredita que um dia fruto será,
investe, sacrifica, todas as flores,
porque acredita no amor,

ah, as dificuldades selam o amor,
quem não entende isso,
desconhece o que é o amor,

pois amor não é só bonança,
é também temperança,
esperança,

um afago ao peito.

Conheci o amor,
no olhar da mãe,
que ama incondicionalmente,
até o leito de morte,
até que o trapo humano,
desencarne,
chora na sepultura,
a dor de quem partiu,

Descobri que amar a se mesmo,
é mais importante, pois
a dor que gera o amor,
muitas vezes transforma sua vida em dor,
solidão.

Entregue-se a paixão,
e tente encontrar o amor,
mas saiba que na maioria das vezes só encontrarás dor,
a vida perderá a cor,
se não souber te amar,

Amar no conforto é muito simples,
doa-se ao amor,
é morrer,
porque quem mais ama é quem mais sofre.
quem sabe na morte,
terás o sabor,
e possas dizer que de tudo tentou,
se não deu,
talvez o amor não exista,
seja algo abstrato,

não seja um fato.
Quem sabe?

quem sabe?

quem sabe?

Viagem


Quando fechei a porta de casa,
pus a mochila nas costas,
parti para bem longe,
fui de ônibus,
sem pressa, sem medo.

Sentou-se ao meu lado,
um senhor viajante,
cansado de tanto andar,
começou a conversar,
falou sobre o mundo,
sobre objetos, desejos,
alegrias, tristezas,
falou de coisas que desconhecia,
falou em versos,
aquilo era poesia.

Seu rosto embotado do tempo,
enrugado, dentes desgastados,
falou-se de deus, do diabo.

Cantou uma música,
embalada ao vento.

Então o sol já se punha,
bem no horizonte.

Então o senhor,
pediu pra descer,
apertou-me a mão,
senti que sua mão era caleijada,
como de quem usava a enxada.

Desceu em um pequeno vilarejo,
de casas em tijolo nu,
sorriu, disse adeus.

E quando olhei pela janela,
a criançada, correndo em sua direção,
abraçando e gritando,
vovó e um pequeno deficiente, vinha se arrastando,
sorrindo intensamente,
naquele momento,
meu coração conjelou,
chorei, tomei um gole de água.

Descobri que aquele homem,
viajava, mas na imaginação,
suas histórias em nada eram falsas.

O senhor da frente,
falou da fama de seu joão,
das suas famosas histórias,
de sua criação.

Então, minha viagem seguia,
anoitecendo, escurecendo,
ganhei, a viagem na viagem.

Cheguei ao meu destino,
vivi, sonhei, brinquei,
aquela viagem,
foi maravilhosa,
cheira de prosa,
cheia de paixão,
deixei de lado a solidão,
e quando voltei pra casa,
já não era o mesmo,
tinha uma carga do tempo,
de histórias,
uma sensação de amor pleno,
quando cheguei em casa,
minha casa sorriu,
sua porta abriu,
e ah!
cá estou no seu átrio,
a habitar,
sem nada esperar,
só a digerir,
o que tanto vivi.

O que a vida me permite é viver, sonhar e viajar.

Alegria

A muito tempo não percebia um dia sereno, mais pareceu uma manhã nova em minha vida. Daquelas com sabor de embriaguez, acordei tarde. O sol quente que arde, brilha no céu. Pássaros calados, cachorros latem longe. Manhã de Natal. Bem ti vi, bem ti vi, bem ti vi... cantou o bem ti vi. três filhotes de sabiá corrichiam no ninho. Meu estômago reclama que está com fome. Abri as frestas da janela e a luz invadiu meu quarto no mesmo instante. Não Me sinto tão bem a muito tempo.

14/11/10

Dia em que sai de casa

Foi numa noite de luar que fui embora, era oito de agosto de 2000. Não foi o dia mais feliz da minha vida, porque deixei papai, mamãe e Roberto. Me emociono só de pensar que papai subiu na barreira e ficou chorando forte, mais parecia dor da morte. Mamãe de certo chorava. Estava muito feliz ansioso pelos estudos, triste por meus pais que ficaram sozinhos. Mas a vida anda. Peguei o grande ônibos guiado por Almeida, motorista a muitos anos da viação Oeste. Neste dia tive a felicidade de minha chefe ir à capital também. Depois de esfriado o choro, depois que saímos de Martins fui me acalmando e ficando mais ansioso por Natal, a lua clara e ansiedade não me deixaram dormir. Chegamos em Natal, chuvia bastante. Então desci no Machadão. Com um papel contendo todas as indicações de onde ia ficar. Peguei de taxi um escort, e fui certinho até a casa de minha amiga. De agora em diante seria um natalense, mas não foi fácil. Cheguei na casa chamei Josemar, finalmente conheci, sim porque Lívia minha amiga falava muito bem dele. Era um doce de pessoa. Minha vida começou lá. Por duas semanas tive que cozinhar, lavar e passar a roupa. Ir a pé pra faculdade, com medo de me perder. Mas foi uma aventura. Foi uma maravilha podia estudar até altas horas, fazer o que quisesse. Nem tudo foi doce, nem tudo foi amargo. Foi natural. Fui forte, tive sorte. Eu sobrevivi, mesmo as saudades de meus pais. Formei-me e me pergunto meu deus quando vais me dar um emprego? Quando vou poder ajudar meus pais?
Fazem 10 anos de estudos. Que batalha longa. A vida há de nos recompensar!

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh