A fome
Quando cai a última folha,
pobre sem escolha,
segue adiante,
deixa o sertão,
esquece o lampião,
e segue em busca de um trabalho,
algum quebra galho,
gente que larga a terra natal,
e segue o desconhecido.
A fome assola,
o sol tinge a pele,
a reza consola,
a sede engrandece,
os pés rachados,
dos dias ensolarados,
cansado o pai fala,
vamos adiante,
sorri para os filhos,
canta a cigarra,
na velha a marra,
farinha e rapadura,
é a vida é dura,
mais um terço rezado,
a fome aumenta,
Ai deus quanta dor.
Enfim uma casa,
enfim gente,
quando que sacia a sede,
cede uma rede,
pernoita e segue,
o destino errante,
a vida provocante,
desbrenha o destino,
e segue,
vida adentro,
viver é sofrer,
mas a esperança,
é arma,
a reza um apego
a vida.
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Gogh