A gente se sente feliz, sem saber porque,
basta ser sertanejo e ver que vai chover,
E perceber que o inverno vai pegar.
A gente se sente feliz sem saber.
Chuva é sinal de água, de trabalho e de fartura...
O sertanejo ama tudo isso e nem sabe donde veio esse amor.
São neurônios especulares... É sua raiz de existência?
Aprendeu que chuva é abundância... Chuva é esperança...
Ouvir a bica bicando a gotejar,
perceber na cara de quem a gente ama e respeita um sorrido dali brotar...
uma oração a debulhar, um café a tomar.
O clarão do relâmpago, na noite escura,
O estalido do trovão...
Perceber que da cinza ergue verde,
do seco o molhado, do sol o nublado...
Esperança...
Deste peito de criança que cresce e nunca cresce,
porque ama sua terra...
E não entendo o crescer.
invernada pegada,
feijão florido, milho pendoando,
o cheiro da rama do marmeleiro,
um porco feliz no chiqueiro,
o cheiro da esperança...
Guardando a boa lembrança.
As noites escuras e molhadas
a revoada da insetada, cururus gordos, se fartando de bichos...
A melancia partida na roça,
o leite alvo levado na carroça,
o carão cantando no banhado...
Meu Deus quero morrer nordestino, sim esse é meu destino...
E quando tudo passar, o corpo estiver velhinho
e ainda assim ama e tem esperança na chuva, na bonança...
Depois deitar e dormir neste chão...
Esse é nosso lindo destino. Crescer de um menino... do alfa ao ômega.
Ao meu amigo sertanejo Silvano Araújo