Depois que caia a chuva,
A coisa melhorava,
A terra bem molhada,
Despertava as sementes,
A mata logo acordava,
A passada cantava,
Era grande a alegria,
Tanajura aparecia,
Cururu do sono despertava,
Nos tanque fazia logo cantava...
A roupa suada ia ser lavada,
No tanque da imburana.
Ali morava o cardeiro,
Ali morava o xique-xique,
Ali minha alma era plena.
Já em maio havia a novena,
Feijão verde, maxixe e muito leite.
O tanque agora perfumado,
De flores de mucunã,
De flores de cerrador,
A mãe lavava com amor,
A roupa do trabalho suada,
Era bom de ver,
Girino com cauda e perna,
A água escorrendo no riacho,
Ah, meu Deus...
Quanta alegria,
O doce da cajarana,
Do milho assado no carvão,
Da alva pinha madura no pé,
Da amarela e velho doce goiaba...
A gente vivia plenamente,
Feliz muito mais que contente,
Por isso foram guardadas na memória...
Cantar a invernada...
Roxa, rosa, amarela flor...
Minha vida guarda amor,
Da terra, da água e do sol...
Porque o amor é a eterna inocência,
É não saber o que se ama.
Adeus tudo isso.
Foi maravilhoso enquanto durou.